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sexta-feira, 13 de março de 2015

Madonna quer se encontrar com o papa

like a prayer
Madonna é chegada numa polêmica com os católicos

Não, não, senhores, não estamos falando de nenhuma aparição mariana, mas da rainha do pop Madonna, cujo nome de berço é Madonna Louise Ciccone.

Famosa por suas apresentações polêmicas, como "Like a Prayer" (1989), consideradas profanas pelo que muitos que veem no videoclip uma simulação de relação sexual com uma imagem sacra, Madonna sempre teve problemas com os católicos, religião na qual foi criada.


Em entrevista concedida ao programa do jornalista Luca Dondoni - na rádio italiana RTL 102,5 -, por ocasião do lançamento do seu novo álbum "Rebel Heart" ("Coração Rebelde"), a cantora norteamericana foi questionada a respeito de sua relação com a religião, já que muitas de suas novas canções têm forte conotação mística.

Madonna respondeu que "elas têm um pouco que ver com meu relacionamento com Deus e/ou sexualidade ou lidar com a ideia de Deus e religião ou sexualidade; esses temas estão todos presentes em minhas canções - como você sabe. É também a razão pela qual eu fui excomungada da Igreja Católica não só uma vez, nem duas, mas três vezes... eu não sei... você acha que o papa me convidaria?"

Madonna então perguntou ao entrevistador o que o papa pensa sobre a comunidade gay, e Dondoni lhe respondeu que o papa se manifesta sobre esta questão dizendo "Quem sou eu para julgar?".

A pop star então disse: "Deus abençoe o papa. Nós temos que nos encontrar. Um prato de massa, uma garrafa de bom vinho. Será que tenho chance?"

O jornalista não se fez de rogado e comentou: "Eu acho que se você encontrar este papa, ele te dará um abraço", ao que Madonna replicou: "Fantástico! Apresente-me a ele".

Resta saber se a rainha do pop vai cantar "Papa, Don't Preach" (1986) ao romano pontífice.


A fonte da informação aqui divulgada é o Vatican Insider.



quinta-feira, 26 de julho de 2012

60 anos sem Evita



Evita Perón morreu no dia 26 de julho de 1952. Exatos 60 anos atrás, portanto, e a Argentina não conseguiu superar o impacto que sua curta vida pública teve sobre o país.

Os brasileiros não fazem ideia do que o peronismo (muito mais pela figura de Evita do que Perón) significa para os argentinos até hoje. É preciso conhecer a, digamos, Argentina profunda para começar a compreender o fenômeno.

Em 1999 fui visitar uma família amiga de Rosário, província de Santa Fé, e no passeio que fizemos pela região vimos um hospital que foi construído e inaugurado por Evita Perón.

Uma amiga então me disse que a família era até então muito grata a Evita porque foi das mãos dela que a sua avó recebeu o primeiro agasalho que teve na vida.

Tentei imaginar como era não ter agasalho naquele lugar em que fazia muito mais frio que em São Paulo, mas não consegui.

Compreendi, então, que a grande razão pela adoração popular a Evita era o fato dela ter rompido com o secular descaso da oligarquia argentina com o seu próprio povo. Pouco importava a maneira como ela fez isso.

Um país que estava entre os mais ricos do mundo no começo do século XX não havia sido capaz de destinar um pouco de sua riqueza para satisfazer o mínimo que fosse das necessidades mais básicas de sua população.

Em outra oportunidade, tive a oportunidade de conhecer o sul da província de Buenos Aires, na região de Chivilcoy, onde Evita nasceu, filha bastarda que era de um estancieiro local.

Desde a mais tenra infância, portanto, sentiu na pele como era impossível vencer a divisão das classes no país, o que a levou a ser tão dura com a elite argentina quando chegou ao poder ao lado do marido.

Popular, popularesca ou populista, o fato é que enquanto o peronismo se sedimentou como a melhor expressão da incapacidade argentina de superar o passado e seguir adiante, Evita, morta jovem de câncer, foi alçada à condição de mito universal. Tão jovem que, se viva ainda fosse, teria hoje 93 anos de idade. E já faz tanto tempo...

Muito se escreveu e se mostrou sobre ela, como o excelente livro "Santa Evita", de Tomás Eloy Martínez, que conta as incríveis e macabras peripécias que foram feitas com o cadáver dela, numa bizarra incursão na estranha necrofilia que parece continuar impregnando boa parte do país.

Famoso ficou também o musical Evita (depois filme com Madonna no papel principal), de Andrew Lloyd Weber, com músicas geniais e letras das mais brilhantes e - ao mesmo tempo - preconceituosas e maldosas da história do gênero, curiosamente assumindo o discurso da elite argentina de 1950 e depreciando Evita ao máximo.

Isto, entretanto, só realça o seu caráter de personagem emblemático da história argentina, e - por extensão - latinoamericana. Os brasileiros, por exemplo, conseguem lidar melhor com a morte e o mito, mas nunca estão imunes ao populismo ou à manipulação da ideologia dominante.

Queiram ou não, Evita continuará sendo idolatrada na Argentina. Faço votos, entretanto, que os argentinos consigam se desprender do passado sem renegá-lo e seguir adiante, já que - ao contrário da ideia que alguns órgãos da imprensa querem passar - trata-se de um lindo país com um povo maravilhoso.

Quem tem o prazer de ter amigos argentinos como eu tenho, sabe que eles - além de naturalmente melancólicos e determinados, são fiéis, verdadeiros, e nunca deixam a amizade arrefecer. Sempre digo que amigos argentinos são realmente para sempre. Pelo jeito, Evita também.

Abaixo, o áudio de seu último discurso:





segunda-feira, 18 de junho de 2012

Madonna requenta velhas blasfêmias em novo show

Alguém precisa avisar a Madonna que reviver bobagens profanas que ela fazia 30 anos atrás é uma estratégia já bastante surrada que não vai trazer de volta a juventude, por mais que ela insista. A notícia é do Estadão:

Madonna vai à missa

Um longo e provocativo culto às avessas rege a nova turnê da popstar, que chega ao País em dezembro

JOTABÊ MEDEIROS

Madonna estilhaça catedrais, explode púlpitos e vitrais, testemunha (e executa) sacrifícios humanos à sombra de cruzes flamejantes, derrama sangue e faz alianças com deuses e anjos caídos. Madonna participa de rituais cristãos e pagãos, de missas negras e sessões de vodu e atos de bruxaria. Seu show, talvez o ato de maior impacto de sua carreira, é uma violenta (e soturna) investida contra a fé cega, o pecado, a culpa e a decisão de colocar o destino nas mãos de profecias, gurus e sacerdotes. Madonna blasfema e reza, se despe e se penitencia, é seviciada e sevicia.

Aberta com um canto gregoriano numa espécie de Notre Dame virtual, a excursão MDNA Tour 2012, a nova ambição loira de Madonna, tomou conta do Estádio San Siro, em Milão (Itália), na noite de anteontem. Cerca de 60 mil pessoas testemunharam essa espécie de oração às avessas, que percorre 32 países (começou em Tel Aviv em 31 de maio) e chega ao Brasil em dezembro. Fará shows nos dias 1º de dezembro no Rio de Janeiro; 4 e 5 de dezembro no Estádio do Morumbi, em São Paulo; e 9 de dezembro em Porto Alegre. Em São Paulo, os preços estão entre R$ 170 e R$ 850. A cantora viaja com um batalhão de 300 pessoas.

A MDNA Tour foca na desconstrução de dogmas e é um exame da própria condição crepuscular da pop star - aos 53 anos, Madonna Louise Veronica Ciccone canta sua antiga antena pop, Like a Virgin, de forma chorosa, acústica, sozinha com um pianista no meio da passarela do concerto. Mesmo um fã extremado de Madonna vai demorar um pouco para reconhecer a canção.

Leia também "As heresias de uma senhora" no Estadão.

Atualização de 11/08/12: destaque para a frase do vice-primeiro ministro russo Dmitri Rogozin :
Com a idade, toda puta velha tende a dar lições de moral a todo mundo.

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