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sábado, 2 de setembro de 2017

Pastor-vereador do RJ chama Anitta de "vagabunda de quinta"

E não é que arranjaram um barraco gospel pra Anitta?

O vereador e "pastor" "evangélico" Otoni de Paula Jr., do PSC (aquele partido que se diz "cristão"), sem ter sido provocado, resolveu buscar o caminho mais rápido para a fama criticando a cantora Anitta pelas redes sociais, lamentando sua influência e chamando-a de "vagabunda de quinta".

A reação - mais do que esperada - do enorme fã-clube da cantora não tardou a vir e, diante da repercussão de sua opinião gospel, o vereador a editou retirando a expressão "vagabunda de quinta", da qual diz ter se arrependido e por isso pediu perdão, mas deixou o resto de seus ataques lá.

Anitta, que não é boba nem nada, também aproveitou a repercussão nas redes sociais para se defender e criticar o vereador gospel, fazendo enigmáticas declarações sobre algo parecido com contratação de show pornográfico (pelo menos é o que dá a entender), no que pareceu uma ameaça de dizer algo mais que ninguém esperava, conforme você pode conferir logo no começo de sua declaração cifrada reproduzida abaixo.






Enfim, cá entre nós, "evangélico" na política brasileira é só uma questão de ideologia e nada mais.

Há muito neste ex-país a palavra "evangélico" deixou de significar algo parecido com "cristão".

Se "cristão" fosse, o vereador Otoni de Paula, pra começo de conversa, haveria de se lembrar, antes de mais nada, de um versículo da Bíblia que recomenda que "aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso" (Efésios 5:12), e teria parado por aí.


Mas não...


Otoni de Paula, que é pastor de um dos ministérios da Assembleia de Deus em Niterói (RJ), não conseguiu se segurar e partiu para o ataque contra Anitta, invocando uma suposta piedade que não teve pudor algum ao postar fotos ousadas da cantora, que estaria "ofendendo" sua "santidade".


Por acaso você, amigo leitor que se diz cristão, publicaria isto também?






Parece que este ex-país está a cada dia que passa mais cheio de ex-cristãos dizendo ser "evangélicos" em suas ex-igrejas ex-ocupadas em pregar o evangelho.


A não ser que você tem visto e ouvido alguém pregar o evangelho da cruz de Cristo por aí. Confere?



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TJSC condena tia que abusou de sobrinho

A depravação humana continua sem conhecer limites, conforme mostra a notícia do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Tia que abusou de sobrinho de apenas sete anos tem condenação mantida pelo Tribunal

A 1ª Câmara Criminal do TJ confirmou sentença que condenou uma mulher à pena de nove anos e sete meses de prisão por abuso sexual cometido contra o próprio sobrinho, de apenas sete anos. Segundo a denúncia, a tia se aproveitava do laço familiar com a criança e levava filmes pornográficos para assistirem enquanto estavam sós. Durante as sessões, a mulher perpetrava os ataques, cujos avanços assustaram a criança até forçá-la a se queixar para pais e professores.

A defesa, em apelação, pediu absolvição por inexistência de provas além dos depoimentos da vítima, contraditórios entre si. Creditou a denúncia a vingança arquitetada pela mãe da criança, cunhada da ré, enraivecida após separar-se do marido. Seus argumentos, contudo, não foram levados em consideração. A câmara entendeu que os depoimentos prestados pela vítima e testemunhas foram firmes e coerentes entre si.

Para a desembargadora Marli Mosimann, não se vislumbrou nenhum elemento indicador de que os fatos tenham sido fruto de invenções do menino, ou que este tenha sido influenciado a relatar tais acontecimentos. Segundo a magistrada, apesar de a vítima ter tenra idade, seus depoimentos foram esclarecedores, nada contraditórios e muito menos incoerentes. "Os relatos da criança são vívidos", acrescentou. A decisão foi unânime.

Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP) 
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo



domingo, 28 de dezembro de 2014

Estudo diz que pornografia faz homens evitarem o casamento

relationship marriage
Polêmico! Aí está um estudo curioso publicado pelo Brasil Post:

Homens se casam menos porque existe pornô gratuito 


Rodolfo Viana

A pornografia gratuita na internet está acabando com o casamento. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Alemão para o Estudo do Trabalho, em parceria com a Universidade West Chester da Pensilvânia. Eles estudaram as tendências nos números de casamentos e na difusão de filmes pornô na internet, e perceberam que o aumento da disponibilidade e o baixo custo desembolsado para acessar esses conteúdos levam mais homens a evitar o altar.

No estudo Are Pornography and Marriage Substitutes for Young Men? ("Casamento e pornografia são substitutos para o homem jovem?", em tradução livre), os pesquisadores analisaram dados de 1.512 homens na faixa de 18 e 35 anos, colhidos entre 2000 e 2004. O resultado é: o consumo de pornô na internet torna o casamento uma opção pouco atraente.

“Tradicionalmente, uma das razões para se casar é satisfação sexual", afirma o estudo. "Mas conforme as opções de satisfação sexual fora do casamento cresceram, a necessidade de se casar para atender a essa necessidade está diminuindo."

O estudo foi realizado no período em que os cientistas notaram uma rápida ascensão da pornografia na internet, ao passo que o número de casamentos caiu. As estatísticas mostram que homens de 25 a 34 anos tem predisposição ao casamento seis vezes inferior aos homens de mesma faixa etária dos anos 1970.

"Pornografia mais barata é. de maneira inequivocada, associada a taxas de casamento menores", conclui o estudo.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

O homem que quer se casar com seu computador cheio de pornografia


É... tem louco para tudo neste mundo, segundo noticia o Planeta Bizarro do G1:

Homem entra na justiça para se casar com notebook repleto de pornografia

Chris Sevier entrou com pedido de união no estado de Utah, nos EUA.br/<> Americano afirma que casamento com máquina é de 'menor risco'.

O americano Chris Sevier entrou com um processo na justiça da Flórida, nos EUA, para que possa oficialmente se casar com seu computador repleto de pornografia, a quem chama de “esposo máquina”.

De acordo com o site de notícias “Sky News”, Sevier alega que foi discriminado no estado de Utah, alegando que apresentou um pedido de casamento com sua máquina, mas que teve a licença negada pelo funcionário.

“Meu objeto de afeição estaria fora do escopo de definição de parceiro”, lamentou Sevier. “Meu casamento com a máquina é de menor risco, já que a possibilidade de um divórcio litigioso seria evitado, caso a união não desse certo”, argumentou o americano.

A moção, de mais de 50 páginas, foi levada a uma corte de apelação no estado, e não foi o primeiro processo polêmico em que Chris teria se envolvido. Em 2013, Sevier processou a Apple alegando que a empresa teria falhado em colocar um “dispositivo de segurança” no notebook (o mesmo com que deseja se casar), o que teria tornado o homem viciado em pornografia, ao ponto de deixar de se envolver com mulheres.

Desde então, o americano teria "se relacionado" com o computador, e preenchido a máquina com grandes quantidades de material pornográfico.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Marco Feliciano assume seu lado "fiscal de fiofó"

Você, amigo crente, que escondia a revista Playboy enrolada na toalha ao passar pela família na sala em direção ao banheiro, não precisa mais se preocupar. Os seus problemas acabaram!

É que a conhecida revista pornográfica erótica traz na edição deste mês, entre uma e outra moça pelada, a opinião do pastor pop-star e deputado Marco Feliciano sobre questões essenciais da vida cristã e da humanidade em geral.

Assim, se papai ou mamãe perguntarem o que você vai fazer com a Playboy no banheiro, responda-lhes que está mais interessado no conteúdo, sobretudo na opinião de Marco Feliciano sobre os temas mais candentes do mundo atual.

Na entrevista em questão, o pastor Feliciano declara que já consumiu cocaína quando tinha 12 anos de idade e, questionado sobre o prazer anal dos homossexuais, acrescenta:
“Com certeza, tem homens que têm tara por ânus, sim. Eu não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus, e espero nunca fazer, porque pa­rece que quem faz não volta mais. [Risos]. Deve ser uma coisa tão estranha…”.
O deputado Feliciano tem todo o direito de emitir a opinião que quiser sobre qualquer tema e também pode manifestá-la onde preferir, ainda que sejam - no mínimo - de mau gosto suas afirmações sobre sexo anal.

Na verdade, ele poderia manifestá-la onde preferisse, não fosse sua insistência em se apresentar à sociedade como "pastor" e "evangélico".

O estranho é que ele venha a público fazer suas colocações esdrúxulas numa revista mais conhecida por suas fotos de mulheres nuas, entre umas e outras páginas grudadas em razão do uso alternativo que ela brinda aos seus "leitores".

Bons tempos aqueles em que evangélicos zelavam pela sua imagem e por não se associarem a veículos de massa que exploram o mundanismo e a sensualidade.

Bons tempos aqueles em que os pastores pregavam apenas a mensagem da cruz sem nem imaginar em se intrometer em meandros anais.

Como Paulo já aconselhava no capítulo 5 da carta aos Efésios, "toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm" (versos 3 e 4) e "não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso" (vv. 11 e 12).

Entretanto, certos "pastores" modernos do Brasil, que pregam (e vivem) apenas o que lhes convém, não só estão ficando mais conhecidos por suas expressões verbais vergonhosas, como associam sua imagem a uma revista pornográfica erótica sem nenhum constrangimento.

Afinal, nunca vai faltar trouxa para segui-los em seus delírios midiáticos. O que vai faltar, sim, é gente que leia a Bíblia para conferir se as palavras de seus líderes correspondem à verdade e realmente edificam (Efésios 4:29).

Tá rindo de quê, Marco Feliciano?



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Ciberbullying pode ser fatal


Em meio ao marasmo, partidarização e superficialidade que tomam conta da imprensa brasileira, ainda há gente que leva o jornalismo a sério, como na excelente matéria abaixo, publicada n'A Pública:

COMO UM SONHO RUIM

Por Andrea Dip e Giulia Afiune

Adolescentes falam do suicídio das meninas que tiveram imagens íntimas expostas na internet e revelam como é amadurecer em um mundo em que o virtual é real


Fotos estampam sorrisos, olhares e caretas. Meninas posam para o próprio celular usando maquiagem, unhas feitas, roupas de festa ou mesmo o uniforme da escola – sozinhas ou acompanhadas dos amigos. Tudo é publicado nos perfis de redes sociais para ser “curtido” – a forma mais rápida e fugaz de aprovação online. Cada “like” em um “selfie” (autorretratos feitos com o celular), gato, comida ou sapato novo é esperado com ansiedade principalmente por crianças e adolescentes que passam cada vez mais tempo postando e checando a própria popularidade nas redes sociais. Uma pesquisa à qual a Pública teve acesso na íntegra em primeira mão, realizada pela ONG Safernet em parceria com a operadora de telecomunicações GVT – que entrevistou quase 3 mil jovens brasileiros de 9 a 23 anos – revela que 62% deles está online todos os dias e 80% tem as redes sociais como seu principal objetivo de navegação. Como acontece no mundo todo, o que prevalece é a autoimagem – não é à toa que “selfie” foi escolhida como a palavra do ano de 2013 do idioma inglês pelo dicionário Oxford. De 2012 para 2013, seu uso aumentou 17.000% e a hashtag #selfie acompanha mais de 58 milhões de fotos na rede social Instagram.

A rotina online de duas garotas que estamparam páginas de portais, jornais e revistas no último mês não era diferente. Giana Fabi, de Veranópolis, interior do Rio Grande do Sul, e Julia Rebeca, de Parnaíba, litoral do Piauí, viviam a maior parte do tempo conectadas. Separadas por mais de 3,8 mil quilômetros, as meninas de 16 e 17 anos, respectivamente, acompanhavam ansiosamente a reação online às autoimagens cuidadosamente construídas que postavam.

“Ela era linda, as fotos dela então…”, é a primeira coisa que lembra Gabriela Souza, amiga próxima de Giana, sobre as muitas curtidas nas fotos do perfil da gaúcha no Facebook. Gabriela, que preferiu dar a entrevista através do bate-papo da rede, lembra que a amiga vivia arrumada, se achava bonita mas se preocupava com o peso, como a maioria das garotas de sua idade. Willian Silvestro, de 17 anos, namorado de Giana na época, também comenta sua beleza: “Ela tinha olhos azuis e gostava de realçar com lápis preto. Era vaidosa e amava maquiagem”. Os dois estavam juntos havia um mês e todas as noites se falavam por cerca de duas horas pelo Skype.

Já Julia Rebeca, diz o primo Daniel Aranha, gostava de pintar as unhas com cores diferentes e mostrá-las nas redes sociais. “Todo dia era uma nova. Tinha fotos no Facebook em que ela mostrava a unha pintadinha, desenhada, decorada que ela mesma fazia”. Além das fotos, Giana e Julia escreviam sobre o dia a dia na escola ou na academia e postavam músicas e fotos das cantoras preferidas – Miley Cyrus para Julia e Avril Lavigne para Giana. A piauiense fazia curso técnico de enfermagem e pensava em seguir carreira na área da saúde. Já a gaúcha estava no colegial, mas sonhava em deixar a pequena Veranópolis, de apenas 22,8 mil habitantes, para fazer faculdade em Bento Gonçalves ou Caxias do Sul – cidades médias da região.

A descrição das meninas por amigos e familiares combinam com as fotos: alegres, extrovertidas, falantes, “adolescentes normais”. Mas em novembro deste ano, uma foto em que Giana mostrava os seios e um vídeo em que Julia aparecia fazendo sexo com um rapaz e uma garota foram divulgados através do aplicativo Whatsapp – usado em celulares – e se espalharam pelas rede com a velocidade dos escândalos virtuais. Julia se suicidou no dia 10 de novembro e, quatro dias depois, no dia 14, foi a vez de Giana tirar a própria vida, poucas horas depois de saber que a foto havia sido compartilhada. As duas deixaram mensagens de adeus nas redes sociais e se enforcaram.


ADEUS PELO TWITTER

“Quem divulgou a foto foi um colega da escola que queria ficar com ela, só que ela não queria ficar com ele”, diz o irmão de Giana, Jonas Fabi, de 29 anos. Ele supõe que o garoto tenha espalhado a foto por vingança. “Eu não tenho certeza, mas ouvi comentários de que possa ter sido um jogo na internet. Tu tá online no Skype com várias pessoas e quem perde tem que mostrar uma parte do corpo. Aí ela perdeu, mostrou e na hora deram um printscreen. Ele guardou essa foto como uma carta na manga para chantagear: ela começou a namorar outro, ele foi lá e fez isso”.

Giana ficou sabendo do que estava acontecendo nas redes por volta do meio dia de 14 de novembro, quando sua prima ligou e avisou, depois de receber a foto em seu celular pelo WhatsApp. “Quando eu soube da foto que estava rolando, liguei pra ver como ela estava. Ela pareceu surpresa, espantada. Dói dizer isso mas acho que ela não sabia de nada antes” lamenta Charline Fabi. “Por volta de uma hora da tarde, começamos a conversar por aqui [Facebook]. Ela dizia que iria fazer uma besteira porque não queria causar vergonha para a família. Eu não acreditava porque ela nunca havia mencionado nada desse tipo. Só mandava ela parar de falar aquilo, que as pessoas iriam esquecer. Mas aí, ela despediu-se de mim dizendo: ‘Eu te amo, obrigada por tudo amor. Adeus”.

Charline lembra que continuou a ligar para a prima e, como ela não atendia, ligou para os pais que entraram em contato com os pais de Giana. Jonas, que morava na casa ao lado, pulou o muro e entrou na residência. Lá encontrou o corpo da irmã, que tinha se enforcado com um cordão de seda. “Na hora a adrenalina me segurou de pé. Quando souberam, o pai desabou, a mãe teve que ir para o hospital, em choque. Depois, quando caiu a ficha pra mim, eu também não aguentei”, lembra, emocionado, falando baixo pelo telefone.

Às 12h56, Giana postou uma mensagem de despedida no Twitter: “Hoje de tarde eu dou um jeito nisso. Não vou ser mais estorvo para ninguém”. Jonas atribui a atitude da irmã ao medo da reação da família. “Ela disse pra prima que não queria que a família sentisse vergonha e sofresse por um erro dela. A nossa família é bem conhecida, e a cidade é pequena, meio bocuda, bastante gente inventa coisas. Às vezes você faz uma coisinha e acabam aumentando. De repente isso até influenciou, pelo fato das pessoas todas se conhecerem, daí acaba espalhando rápido.”


“OUTRAS PESSOAS PODEM ENTENDER QUE FORAM VÍTIMAS E NÃO CULPADAS”

Daniel Aranha, primo da piauiense Julia Rebeca diz que ela também não falou com a família sobre o vídeo. Ele informou que não pode dar detalhes, porque o caso ainda está sendo investigado. O que se sabe é que o corpo de Julia foi encontrado pela família na noite do domingo, dia 10 de novembro, quando voltaram da igreja evangélica que frequentam. Antes de se enforcar com o fio da chapinha, ela também tinha se despedido pelo Twitter, com três posts. “É daqui a pouco que tudo acaba”, “Eu te amo, desculpa eu n [não] ser a filha perfeita, mas eu tentei. Desculpa desculpa eu te amo muito…” e “E tô com medo mas acho que é tchau pra sempre”. Seis horas depois, Daniel deu a notícia pelo microblog. “Aqui é o primo dela, infelizmente perdemos a Julia Rebeca… Família desolada, por favor não postem besteiras… Momento difícil”.

Os dois casos estão sendo investigados por delegacias de polícia locais. O rapaz que divulgou o vídeo de Giana já foi identificado mas Jonas e a família esperam o resultado da investigação para decidir se vão processá-lo. Já no Piauí, mesmo sem saber quem compartilhou o vídeo, Daniel diz que a família espera que a justiça seja feita. “Queremos saber quem fez esse ato irresponsável e queremos punição. Se for um maior de idade, espero que seja punido nas medidas cabíveis, se for menor, não tem punição maior que sua própria consciência. Para ambos, espero que tenham se arrependido e o meu perdão eles têm.”

Depois dos episódios, as mesmas redes sociais estão sendo usadas para homenagear as garotas. Jonas mudou sua foto do perfil para a imagem da irmã, bonita, com um sorriso no rosto. Willian, namorado da gaúcha, também mantém uma foto abraçado com Giana em seu perfil. Daniel alimenta a página “Julia Rebeca – Saudades Eternas” com fotos, comentários, passagens bíblicas e com as músicas preferidas da prima. “É uma forma das pessoas verem nosso amor, e de todos aqueles que a amam deixarem suas lembranças e mensagens. Outras pessoas que passaram por isso podem entender que foram vítimas e não culpadas por fazer algo na sua intimidade”, explica.


COMO UM SONHO RUIM

O caso das adolescentes e outros envolvendo mulheres que também tiveram sua intimidade divulgada na rede ganharam grande repercussão em todas as mídias e trouxeram à tona o conceito do “pornô de revanche” – tradução do inglês “revenge porn” – para se referir à prática, cada vez mais comum, de divulgar fotos e vídeos íntimos sem o consentimento da outra pessoa, geralmente por parte de um homem para se vingar após um rompimento ou traição. Um machismo que não se restringe àquele que posta a imagem: afinal, por que um vídeo de sexo ou mesmo uma cena de nudez parcial destrói a vida de meninas e mulheres e não dos homens, que não raro aparecem nas imagens?

“Esse tipo de ameaça, ligada à moral sexual e à ideia de que as meninas são mais expostas a uma avaliação sexual, sempre existiu”, como lembra a socióloga Heloísa Buarque de Almeida. “O que acontece agora é que como uma grande parte da sociabilidade é feita de forma virtual, o nível de exposição é muito maior e isso amplia a sensação de humilhação. Tem algo inovador na ferramenta mas também tem algo que é mais do mesmo” define a socióloga.

Se culpar a ferramenta não é a melhor resposta, há algo definitivamente novo na relação entre intimidade e redes sociais que impacta os adolescentes de uma forma que a sociedade começa a descobrir. Além da decepção com a perversidade de quem violou sua intimidade, a superexposição e o ciberbullying têm um peso muito maior para aqueles que estão em processo de construção da personalidade e de amadurecimento da visão de mundo. A vida online se aproxima – e para eles mal se diferencia – da offline, segundo os especialistas entrevistados pela Pública.

Também ouvimos as “fontes primárias” – os adolescentes – em quatro rodas de conversas com meninos e meninas de 15 a 18 anos, de escolas públicas e particulares de três bairros de São Paulo: Vila Madalena, Jardins e Heliópolis. O resultado desses papos, em muitos momentos surpreendente, você pode ler em formato de HQ clicando nas imagens ao longo da matéria, onde os diálogos foram reproduzidos. A frase de uma adolescente, sobre como se sentiria ao ter sua intimidade compartilhada, resume o sentimento que dali emerge: “Deve ser como naqueles sonhos em que você aparece nua de repente na frente da escola inteira. Só que na vida real e para o mundo inteiro”.


MAIS FREQUENTE DO QUE PARECE

Nessas conversas, muitos disseram já ter trocado fotos íntimas com amigos, “ficantes” e namorados, todos já haviam recebido conteúdo sexting e conheciam ao menos um caso de alguém em seu ciclo de amizades que teve a intimidade divulgada. A já referida pesquisa realizada pela Safernet com crianças e jovens de 9 a 23 anos confirma essa tendência: as fotos aparecem como o elemento mais compartilhado na rede por 60% dos entrevistados (veja um box com mais números e dados exclusivos no fim da matéria). Do total, 20% admitiram já ter recebido conteúdos de sexting e 6% já ter enviado fotos de si mesmos – em 2009, apenas 12% relataram ter recebido conteúdo desse tipo segundo a pesquisa. O estudo mostra também que os que postam para difamar o fazem de forma recorrente: dos que compartilharam fotos ou vídeos eróticos de alguém contra sua vontade, 63% já o fizeram cinco vezes ou mais.

Para a psicóloga Juliana Cunha, que coordena o Helpline, canal de atendimento direto a crianças e adolescentes da Safernet que funciona via chat e e-mail, pais e professores têm que enfrentar o fato de que o sexting faz parte da nova cultura adolescente, por mais chocante que isso possa parecer. “Nós adultos não temos um olhar tão próximo dessa geração que cresce imersa nesse ambiente de interação online. A gente percebe no sexting dois pontos de vista muito antagônicos: o do adulto, que vê geralmente como uma superexposição e como uma erotização precoce, e dos adolescentes, que vêm a troca como código de interação entre eles”.

Juliana conta que é comum, ao começar uma amizade ou paquera online, os adolescentes ligarem a webcam para se conhecer, mas a troca de conteúdo erótico costuma acontecer apenas quando eles se sentem confiantes e íntimos. “Para eles, aquilo é parte das experiências sexuais e de intimidade. E não há dialogo entre as gerações. Cada uma está falando uma língua” diz. A comparação que ela usa para abordar o assunto com pais e professores é de que funciona mais o menos como os jogos sexuais das gerações passadas – a diferença é que se antes aquilo ficava guardado na memória, hoje pode se espalhar e se perpetuar ao cair na rede.

“Os adolescentes sofrem muito quando isso se dissemina, eles ficam marcados, falados, pagam um preço muito alto. As meninas que têm a intimidade exposta são apedrejadas, xingadas, muitas têm que mudar de cidade, deixar a escola. A gente acha que pode desconectar e está tudo bem mas não é assim. E o apoio da familia é determinante sobre como esse adolescente vai superar. Eles relatam muito medo de serem julgados e punidos pelos pais. A escola também precisa intervir e abrir espaços de diálogo porque geralmente ficam espantadas e perdidas. Escutar sem julgar pode ajudar muito”.

No último ano, apenas nos Estados Unidos, 9 adolescentes cometeram suicídio supostamente por terem sofrido ciberbullying em uma rede social chamada Ask.Fm em que alguém faz uma pergunta de forma anônima e o outro tem que responder, como o jogo da verdade das gerações passadas. Apesar de não ser muito conhecida pelos adultos, o Ask.Fm é a terceira rede social mais utilizada pelos adolescentes no Brasil, atrás apenas do Facebook e do Instagram, segundo Manu Barem, editora do Youpix – site que discute a cultura da internet e como os jovens se relacionam com ela.

Manu conta que já sofreu o drama do ciberbullying na pele: “Ele acaba mesmo com a saúde mental das pessoas. Eu já sofri através do Twitter e, mesmo tendo 28 anos, aquilo me desestabilizou profundamente. Imagina na vida de um adolescente que ainda não saiu de casa e não tem as preocupações e raízes de uma vida independente. Coisas assim têm outra proporção. Fora que é dificil hoje falar em uma separação entre identidade online e offline. Isso não existe mais”, diz.

O doutor em ciências sociais e autor do livro “Comunicação e Identidade: quem você pensa que é?” Luis Mauro Sá Martino (veja entrevista completa com ele aqui), concorda com Manu. Para ele, “não faz mais sentido a oposição entre ‘mundo digital’ e ‘mundo real’, apenas entre mundo digital e mundo concreto, físico”. E explica: “O que a gente chama de realidade é um monte de significados que a gente dá para as coisas. No mundo digital, virtual, eu também estou dando significado para as coisas, só que tem o nome de avatar, foto, perfil, link. Nós estamos dentro da realidade humana, essa realidade se manifesta de muitas formas e uma delas é o ciberespaço. Ele só é diferente do espaço físico por uma questão de tecnologia”, diz Sá Martino.

Juliana acrescenta que o mecanismo de relação nas redes sociais é mesmo pautado pela reputação: “Existe uma competição curiosa, em busca dessa audiência, quem tem mais views, as interações online têm essa lógica. Aí você gerencia o tempo todo isso, a percepção que os outros têm de você. E se você percebe que esse ‘eu’ do adolescente está tão capturado pela reputação online, quando isso de alguma forma se abala, vale a pena viver?”


SUICÍDIO POR CIBERBULLYING?

A perseguição social – que sempre se manifestou contra a sexualidade das mulheres – se mostra especialmente aguda, porém, no espaço virtual em que nada se apaga, nada se estanca e nada se restringe. O bullying, comportamento comum na adolescência, pode desestruturar completamente a vítima, como mostram os posts dramáticos das adolescentes brasileiras que se mataram.

Para o psiquiatra e autor do livro “O Suicídio e sua Prevenção”, José Manoel Bertolote, não se pode determinar, porém, o bullying como causa única de um suicídio. Ele explica que 85% dos adolescentes que tiram a própria vida têm um transtorno psiquiátrico na ocasião, o que é chamado de fator predisponente. “Quando a ele se junta um fator precipitante, pode se desencadear o processo suicida”. Aí entraria o fator ciberbullying. “[O psicólogo Bruno] Bettelhein postulou [no livro A Psicanálise dos Contos de Fada] que uma das funções das fábulas e contos de fada era preparar as crianças para a vida adulta através de símbolos. A era eletrônica mudou a forma como as crianças veem o mundo: dos videogames, às redes sociais e aos reality shows vivem num mundo paralelo, ao mesmo tempo voyeurs e exibicionistas, num tempo ilusório, num espaço distorcido e numa realidade artificial”, diz.

O psiquiatra também não descarta a possibilidade de que, no caso das meninas brasileiras, um suicídio tenha influenciado o outro: “Não é impossível. É bem conhecido o ‘efeito Werther’, de imitação de comportamentos suicidas. Em geral, há um determinado pool de pessoas com alto rico de suicídio (pela existência de fatores predisponentes) e, para elas, a informação sobre um caso de suicídio (ou tentativa) pode ser o fator precipitante que faz transbordar o copo d’água. Não é por nada que a OMS recomenda o comportamento adequado da mídia como um das formas eficazes de prevenção dos comportamentos suicidas”.

Em uma palestra sobre o tema, o pós-doutor pela Universidade de Londres e doutor em Saúde Mental pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Neury Botega, também explicou que muitos fatores se combinam no suicídio. “Nunca é apenas um motivo. Há causas genéticas e biológicas, o grau de impulsividade e agressividade, abusos físicos ou sexuais, disponibilidade de meios letais, entre outros. Há pesquisas que demonstram que até o perfeccionismo está associado ao suicídio, especialmente de adolescentes”, disse.

Recentemente, a equipe do Facebook, se dizendo preocupada com mensagens suicidas postadas na rede, lançou uma ferramenta que identifica conteúdos suspeitos, manda um e-mail e oferece um link para uma conversa privada com um especialista. A ferramenta está disponível apenas para os Estados Unidos e Canadá mas deve ser liberada para outros países em breve.

BOTÃO PROZAC DE CURTIR

“Eu já vi uma menina que tava, tipo, feliz numa balada e quando viu uma postagem de um carinha no Facebook ficou brava, triste, surtou, mudou o humor dela completamente. Assim como quando o menino que eu gosto curte a minha foto me dá uma alegria tão grande que eu tenho vontade de abraçar a minha família! Isso não é normal né? Ficar tão feliz com uma coisa assim”, disse Maria, de 16 anos, durante uma das rodas de conversa. Todos eles, meninos e meninas admitiram se importar exageradamente com curtidas que ganham em fotos, vídeos e músicas que postam nas redes sociais. Para alguns, o “like” mais importante vem de alguém especial; para outros, o número é o que realmente conta – e aí adicionam todos que pedem para se tornar amigos, sem saber quem são. Muitos também disseram se comunicar com o/a namorado/a apenas por mensagens de texto e não sentir falta da conversa por telefone, por exemplo. A interação online parece ser, na maioria das vezes, suficiente para eles.

O que não significa que realmente seja, como destaca o psicólogo e pesquisador Vitor Muramatsu, autor do trabalho “Influência da comunicação digital nos vínculos humanos” que você pode baixar na íntegra aqui. “Eles [os adolescentes] passam por diversos processos psicológicos como encontrar uma identidade, formar uma personalidade, questionar o que aprenderam em casa e na escola. E os laços que antes eram formados com a convivência real e uma série de trocas ricas que só a interação física permite em silêncios, tons de voz, cheiro e toque foram substituídos por interações online. Ter vários amigos no Facebook não é como conviver fisicamente com alguns poucos e bons amigos. A pergunta é: como essas crianças e adolescentes vão se formar nesse novo contexto? Não vai ser melhor ou pior mas a gente tem que parar para pensar e estudar as consequências disso” acredita o psicólogo.

Para ele, há também um desencontro entre o desejo de alguém que posta uma foto, por exemplo, e a recepção que ela terá pelos amigos virtuais. “Eu coloco uma foto minha de criança e espero que os meus 550 amigos curtam porque quero que eles vejam o quanto eu era lindo e amado pelos meus pais naquela época. Ou mando uma foto nua para um garoto mas ele é adolescente, não quer saber de mim ou queria mas mudou de ideia, nem ele sabe o que quer. A relação que você tem com a foto é muito carregada de sentimentos e isso se perde totalmente quando alguém olha rapidamente na sua timeline ou recebe por WhatsApp. Existe uma perda entre meu desejo e a consecução do desejo. Aparentemente bastam algumas curtidas mas nunca é o suficiente. Todas as tecnologias prometem satisfação imediata, um botão ‘Prozac’ de curtir, mas isso é um engodo”.

Muramatsu vai além na reflexão. Para ele, cada vez mais as redes sociais estão se tornando grandes sites de compras. “O sistema pode ser utilizado para encontros efetivos, mas o mercado faz com que a sua atenção se volte para o consumo de produtos e não para a efetivação da sua subjetividade. A Mariana, que posta que está solteira, vê a foto de um cara bonito e logo abaixo um anúncio de escova progressiva. Ela pensa que precisa ficar bonita para arrumar um namorado bonito assim, clica no link e compra a escova progressiva. No site, ela vê uma outra propaganda de um casal feliz em Campos do Jordão no qual a moça é retocada no photoshop para ter um corpo perfeito. Para ficar assim, ela compra a promoção de lipocavitação. E o mais terrível é que você substitui o relacionar-se com pessoas por relacionar-se com pessoas como produtos, porque o cara vai realmente sair com a moça que tem a escova progressiva”. E conclui: “A lógica de mercado desconhece a diversidade humana. É preciso que se discuta, é preciso de estudo, tolerância, estrutura. Não estamos falando apenas sobre a menina que se suicidou. Vivemos um contexto gigante de economia de mercado em que as pessoas também são produtos e que um dos efeitos colaterais é esse: quebrar onde é mais frágil. A impressão é de que é tudo melhor, vamos nos relacionar mais, ser mais felizes, estar mais perto. Mas não é isso que acontece. Acho que a gente está no ápice das tecnologias do desencontro humano. E tem gente morrendo por causa disso”.






Pesquisa da Safernet brasil mostra que sexting é prática comum entre adolescentes


A Pública recebeu, em primeira mão, a pesquisa da ONG Safernet sobre como os jovens brasileiros usam a internet. Além disso, tivemos acesso exclusivo aos dados do Helpline Br, serviço de orientação online para crianças e adolescentes que estejam vivenciando situação de risco na Internet. (www.canaldeajuda.org.br).

Dos 2834 jovens entre 9 e 23 anos que participaram da pesquisa, 62% afirmam que usam a internet todos os dias. O número cresce para 86% entre os jovens de 16 a 23 anos. As redes sociais são a atividade preferida por 80% dos participantes, seguida por ouvir músicas e assistir filmes (57%) e jogar jogos (55%). Celulares e tablets ocupam o segundo lugar na lista dos dispositivos mais utilizados para o acesso, com 38%, atrás apenas dos computadores no quarto, usados por 47%.

“Se eu tô o tempo todo conectado, significa que eu tenho que interagir, correr e responder as informações que eu recebo o tempo todo”, explica Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e autor do livro “Comunicação e Identidade: Quem você pensa que é?”. “Isso faz com que a gente mude a nossa relação com o tempo e com as outras pessoas. Eu tenho um número maior de conexões, mas isso não significa que eu tenho mais amizades, porque afeto demanda tempo.”

39% dos participantes considera que seu comportamento não muda nas redes, mas 23% acreditam ficar mais confiantes e descontraídos e 22% mais cuidadosos quando estão online. Dos jovens entre 16 e 23 anos, 17% acreditam que podem dizer coisas online que não diriam offline, 15% dizem ser mais descontraídos, 9% mais confiantes e 12% conversam com mais pessoas na internet do que fora.

O Sexting – compartilhamento de fotos, vídeos ou textos com teor sensual e erótico é comum entre eles. 20% afirmam que já receberam esse tipo de conteúdo. Dentre estes, 42% receberam 5 ou mais vezes. Apenas 6% assume que já compartilhou este tipo de foto de si, dentre os quais 63% o fizeram 5 ou mais vezes. Este fenômeno é mais comum entre meninos e se torna mais frequente com a idade. 32% dos jovens entre 16 e 23 anos já receberam esse tipo de conteúdo relativo a amigos e/ou colegas. 8% confirma que já enviou, o que aumenta para 13% a partir dos 18 anos.

Entre janeiro de 2012 e novembro de 2013, 7,7% dos pedidos feitos ao Helpline Br eram relativos a Sexting. Ou seja, foram 135 pedidos de ajuda em cerca de dois anos. Este é o quarto na lista dos assuntos mais citados nos atendimentos – atrás de Ciberbullying (20,9%), solicitação de materiais/palestra (10,9%) e problemas com dados pessoais (9,8%).

“Conforme a Internet passa a ocupar cada vez mais tempo e importância na vida dos adolescentes e jovens brasileiros, o namoro e as relações mais íntimas tendem a ocorrer também nos ambientes digitais, assim como ocorria com os bilhetes, cartas, telefonemas”, detalha o relatório da pesquisa. “Uma grande diferença a ser considerada atualmente é a amplitude do público potencial nos ambientes digitais e a replicabilidade das informações que rapidamente podem ser usadas sem o consentimento dos “proprietários”.

Quando jovens entre 16 e 23 anos se sentem em perigo ou são agredidos na Internet, 49% bloqueia o contato e denuncia e 9% tenta descobrir quem é o responsável e tirar satisfações. A exemplo de Giana e Julia, que não contaram para a família sobre a sua exposição na rede, apenas 12% pedem ajuda para os pais e 4% para irmãos e amigos. 8% desligam o computador e tentam esquecer.




Leis e projetos de leis

A divulgação de fotos, vídeos e outros materiais com teor sexual sem o consentimento do dono pode ser interpretada como crime de acordo com diversas leis.

O ato pode ser interpretado como difamação (imputar fato ofensivo à reputação) ou injúria (ofender a dignidade ou decoro), considerados crime de acordo com os artigos 139 e 140 do Código Penal. Além disso, o artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê pena de 3 a 6 anos de reclusão e multa para quem publicar materiais que contenham cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Já a Lei 12.737, em vigor desde abril, criminaliza a invasão de dispositivo informático alheio para obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular. Quem tiver essa conduta pode pagar multa e ser preso por três meses a um ano. A lei foi apelidada de “Carolina Dieckmann” após a atriz ter seu computador hackeado e suas fotos íntimas divulgadas.

No entanto, os recentes casos trouxeram à tona propostas para uma legislação mais específica e penas mais rígidas. Ao todo, cinco projetos tramitam em conjunto na Câmara dos Deputados. O deputado federal Romário (PSB/RJ) apresentou, em outubro de 2013, o projeto de lei nº PL 6630/2013, que acrescenta um artigo ao Código Penal, criminalizando a divulgação de fotos, imagens, sons e vídeos com cena de nudez ou ato sexual sem autorização da vítima. Nesse caso, a pena seria a detenção de um a três anos e multa. Ela pode aumentar em um terço se o crime for cometido com fim de vingança ou humilhação ou praticado por alguém que manteve relacionamento amoroso com a vítima. Também tramitam os projetos de lei nº 6713/2013, de autoria da deputada Eliene Lima (PSD/MT), e o projeto de lei nº 6831/2013, do deputado Sendes Júnior (PP/GO). Ambos dispõem sobre o crime de vingança através da exposição da intimidade física ou sexual.

Em maio desse ano, o deputado João Arruda (PMDB/PR) propôs alterações à Lei Maria da Penha para determinar que a divulgação de imagens, montagens, vídeos e dados por meio da Internet ou outro meio, sem consentimento, também seja considerada uma violência contra a mulher. Trata-se do projeto de lei nº 5555/2013, conhecido como “Lei Maria da Penha Virtual”. O projeto nº 5822/2013 da deputada Rosane Ferreira (PV/PR) prevê a punição “da violação da intimidade da mulher na internet no rol das formas de violência doméstica e familiar”. Atualmente, a Lei Maria da Penha (11.340/2006) estipula uma pena de três meses a três anos de detenção no caso de lesão corporal leve contra a mulher no âmbito doméstico.

Já o projeto de lei do Marco Civil da Internet (PL 2126/11), que em 2009 começou a ser construído por um processo colaborativo entre sociedade civil e poder legislativo, traz uma série de regulamentações sobre a utilização da rede no país. Recentemente, o relator Alessandro Molon (PT-RJ) incluiu no texto um artigo que responsabiliza provedores de aplicações de internet, como UOL e Facebook, se a empresa for notificada e não tirar do ar “imagens, vídeos ou outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado sem autorização de seus participantes.”

No entanto, organizações que fazem parte do movimento Marco Civil Já questionam a mudança. “Da forma como está escrito, qualquer pessoa que se sentir ofendida com determinada nudez de caráter privado, divulgada com a anuência de quem está na imagem, pode solicitar a retirada do conteúdo a qualquer momento. Até uma empresa que teve um protesto de nudismo em sua porta poderia alegar participação na imagem. É preciso encontrar uma redação que restrinja a possibilidade de notificação apenas à pessoa retratada no conteúdo”, considera Deborah Moreira, da Ciranda, citando a carta do Marco Civil Já enviada ao relator contestando o artigo. “O termos “outros materiais” é complicado também pois dá margem a censura de caricaturas, textos eróticos e coisas do tipo. Da forma como está fere a liberdade de expressão.”

Deborah argumenta que o Marco Civil é uma carta de princípios que garante direitos, estabelece deveres e prevê o papel do Estado em relação ao desenvolvimento da internet. Assim, não seria o espaço apropriado para pautar restrições ao uso da internet. “Já existem leis que criminalizam essas como a Lei Carolina Dieckmann e o próprio Código Penal.”

De acordo com o texto, quem sofrer a violação dos direitos à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem deve receber indenização por danos materiais ou morais. O projeto deve ser votado na Câmara dos Deputados, em fevereiro de 2014, em regime de urgência.




Para ver os quadrinhos, clique aqui.

Colaboraram: Bruno Fonseca e Jéssica Mota
HQ: Alexandre De Maio
Infográficos: Safernet Brasil



domingo, 10 de novembro de 2013

O "ateísmo religioso" do filósofo Comte-Sponville

André Comte-Sponville é mais um filósofo ateu que, a exemplo de Alain de Botton, propõe uma "espiritualidade laica" (outro nome para "ateísmo religioso", convenhamos...), conforme matéria publicada no jornal Valor Econômico de 01/11/13:

Um filósofo atento a temas essenciais

Marilia Kodic

Baudelaire, Freud e Godard foram alguns dos pensadores que serviram de apoio às ideias do então jovem André Comte-Sponville (tinha 26 anos) em "Do Corpo". Primeiro livro do filósofo francês que hoje, aos 61 anos, enche auditórios e vende best-sellers em 20 idiomas, estava inédito no Brasil, mas acaba de sair pela Martins Fontes. Trata-se de uma espécie de coletânea de aforismos sobre temas visitados em sua carreira, como amor, sexualidade, religião e morte. "Sou como Montaigne: gosto de citações", diz ao Valor.

Desde então, algumas opiniões amadureceram, outras estão intactas, como a descrença na religião. Defensor da espiritualidade laica, encontra a definição de suas crenças na alcunha de "ateu fiel": "Vejo nas religiões apenas um conjunto de ilusões às quais não posso aderir. Falta inventar, ou reinventar, uma espiritualidade sem deus, e transmitir às crianças o que há de moralmente precioso nas grandes religiões. Defino-me como ateu porque não acredito em nenhum deus e fiel porque me mantenho apegado aos valores humanos veiculados há séculos pelas religiões".

Tal como os soldados do filme "Glória Feita de Sangue", de Stanley Kubrick, que dizem ter "mais medo da dor do que da morte", ele afirma em "Do Corpo" que a morte só é triste para os vivos, não sendo mais que a passagem de um estado a outro, em que nada se perde. "Morremos, e isso é alguma coisa. Filosofar não é aprender a morrer, ao contrário do que dizia Platão, mas aprender a viver. Isso supõe, todavia, que se aprenda a aceitar a inevitabilidade da morte, o trágico da nossa condição".

Essa não é a primeira vez que o francês se opõe ao pupilo de Sócrates. Em "O Amor" (2011), Comte-Sponville expõe a descrição do amor por Platão como algo que nos falta, impossível de reter, para em seguida contrapô-la ao afirmar a possibilidade de "haver casais felizes, adeptos do amor-ação: aquele que fazemos, que construímos e mantemos".

Comte-Sponville lamenta a relutância da comunidade acadêmica em dar a devida atenção a amor e sexo. "Eles não falam no assunto com muita frequência, mas pareceu-me útil definir a questão, o que fiz em 'Le Sexe ni la Mort' (sem tradução aqui), cujo título se refere à máxima de La Rochefoucauld: "Nem o sol nem a morte podem ser encarados fixamente". "Parece-me que há algo em comum entre o sol e o sexo: ambos nos fazem viver, aquecem, ofuscam. É o que eu quis tentar compreender."

Em relação às mudanças na experiência sexual da juventude atual, causadas pelo fácil acesso a conteúdo adulto na internet, defende um meio-termo entre pudor e pornografia: "Não tenho nenhuma nostalgia da pudicícia do século XIX, mas me aflige que um jovem descubra a sexualidade em filmes pornô, quase sempre cheios de vulgaridade, violência e misoginia. Entre o pudor e a pornografia parece-me haver lugar para imagens verdadeiras, doces, respeitosas".

Ele chama a atenção também (há 35 anos) para a baixa qualidade da arte contemporânea. "Uma vez que atinge a maturidade, a arte não avança mais. [...] A noção de vanguarda artística é vazia de sentido. O que é a vanguarda de um exército que não avança?", escreve em "Do Corpo", crítica que mantém. "Você conhece um músico atualmente que se iguale a Bach ou Beethoven; um pintor que se iguale a Vermeer ou Ticiano? Eu não conheço. Acredite que lamento!"

O filósofo critica também as celebridades do meio artístico - segundo ele, superestimadas ou desprezíveis: "Para ser moderno será preciso considerar Jeff Koons ou [Daniel] Buren gênios? Prefiro passar por medíocre a fazer de conta que admiro o que a mídia e a burguesia incensam", protesta. "Não devemos nos resignar à decadência, mas vislumbrar a aurora, preparar um renascimento. Sim, hoje precisamos de um Giotto, um Shakespeare, um Bach: eu os aguardo e tento preparar o terreno para eles."

A política também parece precisar de terraplenagem a seus olhos. Enquanto vê com entusiasmo os jovens se preocuparem com o tema, é cético em relação a mudanças palpáveis. "Não podemos nos ater a simples protestos, é preciso também conquistar os meios de transformar a sociedade. O entusiasmo da juventude é uma grande força, mas não pode substituir a lucidez", diz, tomando Maio de 68 como exemplo: "Muito entusiasmo, decerto, mas também muitas ilusões, utopia, ingenuidade... A esquerda precisa conciliar sonho e lucidez, entusiasmo e eficácia, generosidade e realismo. Não é fácil, mas é mais uma razão para lhe dedicar nossos esforços".

Comte-Sponville afirma querer a política a serviço dos mais pobres, tendo a justiça social como prioridade, e vê na criação de riqueza a única maneira de fazer recuar a miséria. "O liberalismo econômico consegue isso melhor do que uma economia estatizada. Mas o mercado só é legítimo para as mercadorias. Ora, a justiça não é uma mercadoria, nem a liberdade ou a dignidade... Portanto, vamos confiar ao mercado tudo o que é para vender, e solicitar ao Estado que se ocupe de tudo o que não é para vender. Não há que escolher entre um e outro; precisamos do mercado para criar riqueza e do Estado para proteger a liberdade e criar justiça".

Além disso, para ele, moral e política não se confundem. "A política não se reduz à moral: quem governa não são os mais virtuosos, mas os que ganharam as eleições. Os homens políticos devem, então, ter uma moral como qualquer um, mas ela não pode substituir um programa ou a eficácia. A moral diz respeito aos fins e se julga pelas intenções; a política, aos meios, e se julga pelos resultados. Não contemos com os bons sentimentos para substituir a eficácia."

Quanto aos próximos projetos, ele destaca um livro sobre a diferença entre o relativismo, que assume, e o niilismo, que recusa. E avisa, pedindo desculpa pela imodéstia: "Tenho a sensação de ter alcançado mais ou menos o que tinha como objetivo: propor uma filosofia - materialista, racionalista, humanista - para nosso tempo. Quanto ao mais, a vida é mais preciosa que os livros. Publiquei cerca de 20, que somam mais de 5 mil páginas. Tudo indica que o essencial de minha obra esteja atrás de mim".

"Do Corpo". André Comte-Sponville.
Trad.: Eduardo Brandão. 248 págs. R$ 39,90



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Apple bane aplicativo que prometia "cura gay"

A notícia é do G1:

Apple exclui de loja aplicativo que prometia ‘cura gay’

Petição on-line pedia retirada do app de lojas da Apple e do Google.
App oferece mais de 30 cursos sobre 'princípios bíblicos de liberdade'.

A Apple excluiu nesta quinta-feira (30) da AppStore, sua loja de aplicativos, o Setting Captives Free, um app que oferecia um curso com uma suposta "cura gay".

Segundo a descrição da entidade responsável pelo programa, o Setting Captives Free oferece cursos interativos sobre “princípios bíblicos de liberdade em Jesus Cristo”.

Entre mais de 35 cursos, disponíveis em dez línguas, aquele que prometia “liberdade da escravidão da homossexualidade” em 60 dias e causou a exclusão da AppStore foi o “Door of Hope”, disponível até então para a loja dos Estados Unidos . O português não é uma das opções de idioma.

Entre os programas, há opções para quem quer abandonar “o vício em pornografia”, “os maus hábitos alimentares”, “drogas e o álcool” e para “focar a atenção em Jesus Cristo”. Segundo a empresa, mais de 416 mil pessoas já se beneficiaram.

Apesar de não estar mais disponível para iPhones e iPads, o app ainda pode ser encontrado no Google Play, loja de aplicativos da empresa de busca. Os cursos estão disponíveis também na forma de plug-in para o navegador Google Chrome.

O aplicativo é alvo de uma mobilização na internet contra a “cura gay”. Uma petição que pede sua exclusão das lojas da Apple e do Google alcançou 60,3 mil assinaturas até a publicação dessa reportagem.

Iniciada na terça-feira (29), a petição tem o objetivo de chegar a 75 mil subscrições. “Estes chamados tratamentos podem causar terríveis danos a lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, ou quaisquer pessoas forçadas a tentar mudar quem são ou quem elas amam”, diz o texto da petição hospedada no site All Out.

“Apple e Google possuem políticas contra esse tipo de app, mas este escapou de seus crivos.”



sábado, 22 de dezembro de 2012

Pastor de Uganda explica o sexo das frutinhas


No vídeo abaixo, disponibilizado pelo Huffington Post, o reverendo ugandense Martin Ssempa participa de um debate com uma lésbica no programa "Morning Breeze", da TV local.

Nunca é demais lembrar que - recentemente - o parlamento de Uganda quis aprovar a pena de morte a homossexuais como "presente de Natal" aos cristãos do país, o que só não ocorreu devido à enorme pressão internacional contra a iniciativa.

Entre os vários argumentos contra o movimento homossexual, o pastor lista a forte incidência de AIDS na África e, para se justificar, passa a utilizar bananas, pepinos e cenouras, demonstrando gestualmente como ele imagina ser o sexo entre os gays.

Inadvertidamente, portanto, o líder religioso de Uganda mostra que, pelo menos no caso dele, tem muito mais fetiche e humor involuntário envolvidos do que qualquer pregação bíblica que se respeite.

Outro detalhe que merece destaque é o fato de que existe um limite muito tênue (e facilmente transponível) entre o discurso fanático e o pornográfico, geralmente em debates políticos, como tivemos inclusive oportunidade de mencionar rapidamente aqui no blog.

Então, fica a dica para o Malafaia passar na feira antes do próximo debate dele sobre o tema na TV brasileira.





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Serra diz que não repercutirá "bobagens" de Malafaia

Apesar do apoio emocionado de Silas Malafaia, formalizado há alguns dias em uma reunião com José Serra, parece que o candidato tucano à Prefeitura paulistana está querendo manter uma distância segura das bravatas (rotineiramente) proferidas pelo pastor carioca.

É o que se depreende das matérias veiculadas pela Folha de S. Paulo e pela Carta Capital, sendo que apenas na última aparece a frase inteira proferida por Serra: “Não vou ficar repercutindo bobagens. Eu não assumi nenhum tipo de compromisso com o pastor Malafaia”.

O surpreendente (e, digamos, "estratégico") distanciamento se deu após Malafaia ter declarado que irá "arrebentar" Fernando Haddad, o candidato do PT, por causa do tal "kit gay" que ele - supostamente - iria distribuir enquanto desempenhava as funções de ministro da Educação do governo Dilma Rousseff.

Não é a primeira vez que Malafaia usa esse vocabulário tão estranho ao cristianismo, como na oportunidade em que disse que iria "arrebentar" e "funicar" o ativista gay Toni Reis, além de ter chamado um vereador maranhense de "bandido" e "vagabundo".

A incontinência verbal de Malafaia, lamentavelmente, já é conhecida em verso e prosa, pois parece que não consta de sua Bíblia (aquela de 900 paus), o versículo em que Jesus diz que "de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo" (Mateus 12:36).

Tampouco consta que o pastor carioca dê valor ao conselho de Paulo, "não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem" (Efésios 4:29).

Vai ver Malafaia tem uma autoimagem assim tão soberana que se julga imune aos conselhos bíblicos. Se dependesse dele, Jesus teria "arrebentado" Pilatos, né não?

Partindo essas declarações de quem chama o seu próprio programa - supostamente evangelístico - de "essa brincadeira toda", não é de se duvidar. Infelizmente.

Graças ao bom Deus, o reino dos céus não é feito de verborragia, embora muitos, como Malafaia, achem que "pelo seu muito falar serão ouvidos" (Mateus 6:7).

(No caso do pastor carioca, ele ainda acha que apontar o dedo indicador para a câmera com um olhar de hidrofobia resolve. Alguém precisa avisá-lo de que isso não convence mais ninguém)

Outra coisa chama a atenção no discurso do ódio, seja ele de qual procedência for. É que geralmente ele degenera tanto que começa a flertar com a pornografia.

E não estamos falando exatamente da pornografia explícita, mas da linguagem sã e piedosa que vai gradual e inexoravelmente se degradando a ponto de invadir as raias da libertinagem pornográfica. Se não exatamente "gráfica", se torna refém da pior vertente de sua expressão verbal.

Um caso clássico que nos ensina a História é a revista antijudaica, anticatólica e anticapitalista "Der Stürmer", de Julius Streicher, que chegou a ter uma tiragem de 800 mil exemplares em plena era nazista alemã.

Não só o discurso de Streicher, como pouco a pouco os demais elementos gráficos, como as charges antissemitas, passaram a ter forte conotação pornográfica, ainda que subliminar.



Só que este é um tema interessante que merece ser melhor analisado em outra oportunidade. Fica, entretanto, a dica para quem quiser investigar melhor o assunto.

Por ora, portanto, nos limitemos a analisar um evento localizado em que fica claro, mais uma vez, para vergonha de todos os evangélicos, como é que as igrejas e seus respectivos rebanhos são tratados como currais eleitorais.

Resta saber o que pensará Silas Malafaia da declaração de José Serra desprezando o seu apoio e as suas bravatas, chamando-as de "bobagens".

Animal político que é, o tucano já deve ter percebido que uma foto ao lado de Malafaia mais espalha do que ajunta, mais desagrega do que soma votos à sua campanha, sobretudo num partido que também tem seu movimento gay, o "Diversidade Tucana".

É de se suspeitar que o barco que eventualmente reúna todos eles - além das plumagens exóticas e incoerentes - esteja fadado a ser mais um Titanic.



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