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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Católico conservador cotado para o STF já nomeou padre como ouvidor do TST

A informação é do portal Justificando:

Em setembro, Gandra Filho substituiu servidora de carreira por padre em ouvidoria do TST

No dia primeiro de setembro de 2016 o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho, exonerou a servidora pública Jumara Cristina Cerqueira Borges, funcionária de carreira no TST desde 91, para nomear o padre Placimário de Sousa Leite Ferreira para exercer o cargo em comissão de Ouvidor Auxiliar. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União e está dentro das atribuições legais e regimentais do ministro.

A indicação de um padre pode indicar a tendência do atual presidente do TST e candidato ao Supremo Tribunal Federal (STF) de misturar a religião com o direito. Gandra Filho, membro da Opus Dei, corrente católica ultra conservadora, esteve no centro do debate em razão de ter afirmado em 2012, quando publicou artigo acadêmico que as mulheres devem submissão aos maridos; que casamento deve ser indissociável e deve apenas acontecer entre o homem e a mulher. Além disso, ainda comparou uniões homoafetivas ao bestialismo, usando como exemplo uma mulher casada com um cavalo, como revelou a matéria do Justificando.

Em sua defesa, Ives soltou uma nota à imprensa, dizendo que suas falas foram descontextualizadas. Disse que “as pessoas homossexuais devem ser respeitadas em sua orientação e ter seus direitos garantidos, ainda que não sob a moralidade de matrimônio para sua união”. Além disso, o ministro afirmou que fez “referência apenas, de passagem, (sic) ao princípio da autoridade como incito (sic) a qualquer comunidade humana, com os filhos obedecendo aos pais e a mulher ao marido no âmbito familiar”.

Como prova de que não seria machista, Ives ressaltou a decisão de sua relatoria que teria “garantido às mulheres o direito ao intervalo de 15 minutos antes de qualquer sobrejornada de trabalho, decisão referendada pela Suprema Corte”.

Conforme revelou o Justificando, essa decisão citou no acórdão Edith Stein, canonizada como Santa Teresa Benedita da Cruz, uma teóloga nascida judia que se converteu ao catolicismo e tornou-se freira carmelita descalça. Nas palavras de Stein, reproduzidas por Ives no julgamento: “cada um dos sexos teria sua vocação primária e secundária, em que, nesta segunda, seria colaborador do outro: a vocação primária do homem seria o domínio sobre a terra e a da mulher a geração e educação dos filhos (A primeira vocação profissional da mulher é a construção da família)”.

O Justificando questionou a assessoria de comunicação do TST sobre o porquê da nomeação de um padre para o cargo e quais as qualificações do Padre Placimário. A comunicação interna do TST afirmou que dentro da política de reestruturação que ocorre a cada gestão, foram aprovadas, em 2016, diversas medidas voltadas para a ampliação e fusão de vários setores.

“Dessa forma cabe esclarecer que todas as mudanças se deram dentro dos princípios da legalidade, e sem que houvesse qualquer afronta ao Regimento Interno do TST, que prevê, dentro das competências da presidência, “nomear os servidores para os cargos em comissão e designar os servidores para o exercício de funções comissionadas nos Gabinetes de Ministros” (artigo 35, inciso XIX)”, diz a nota de esclarecimento.

O que é a ouvidoria

A ouvidoria é um canal para que os usuários possam reclamar do que não está satisfatório nos procedimentos do TST, por exemplo, um processo que não é movimento há muito tempo, ou alguma decisão que pode ser compreendida como erro do juiz. Basicamente, a ouvidoria recebe reclamações e verifica o que está acontecendo, tendo de informar sempre ao presidente. Ou seja, um cargo de extrema importância.



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Estaria a Opus Dei por trás de um complô contra o papa?


A dúvida foi levantada no IHU:

"O complô contra o papa traz a marca Opus Dei"


"Fui eu que alertei o professor Takanori Fukushima sobre a notícia do jornal Quotidiano Nazionale, segundo a qual ele teria diagnosticado um tumor benigno no cérebro do Papa Francisco. E ele não conseguia entender. E logo disse que havia encontrado apenas uma vez o pontífice, em audiência pública." 


A reportagem é de Giorgio Meletti, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 27-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


Entrevistado por Enrico Cisnetto para o talk show Roma Incontra, Luigi Bisignani [jornalista italiano] se confirma como pessoa informada sobre fatos alheios. Neste caso, ajuda-lhe um acaso da vida. Em 2011, quando pactuou a pena de um ano e sete meses pelas inúmeras acusações (incluindo conspiração criminosa e corrupção) no processo P4, ele disse que tinha tratado a rendição judicial porque preferia lidar com a saúde da sua filha. Que tinha sido curada justamente por Fukushima com 18 horas de cirurgia no cérebro.

O conhecimento de Fukushima permite que Bisignani note que, para um dos mais famosos neurocirurgiões do mundo, deslocar-se de helicóptero ou jato particular é um hábito. Isso não basta para desclassificar como um equívoco a notícia do papa doente: certamente, é um veneno com a marca Opus Dei.

"O papa está muito bem, come muito rápido, é um verdadeiro glutão e também engordou um pouco, ele adora as trufas, embora, em certo ponto, entendeu que um papa não deve exagerar. Portanto, está em andamento uma guerra entre a Opus Dei e os jesuítas. Os primeiros pensam que são os jesuítas do terceiro milênio, mas os segundos têm o papa nas suas fileiras", explica Bisignani, que confirma as insinuações confiadas à queima-roupa a um artigo no jornal Il Tempo.

"A fantasia de Dan Brown poderia até localizar o protagonista em um edifício art nouveau a poucos passos da Villa Borghese, que, durante os anos de Wojtyla, viu vários deles, de todas as cores, com uma preferência pela cor púrpura."

É transparente a referência à habitação do ex-porta-voz de Karol Wojtyla, Joaquín Navarro-Valls, próximo do Opus Dei.

Porém, a conexão do complô anti-Bergoglio com "as medidas desesperadas de um ex-poderoso monsenhor espanhol do qual o Vaticano, por prudência, até cortou o celular de serviço" é enriquecida com apenas um detalhe: "Eu juro que não me lembro como ele se chama, neste momento me foge, mas começa com B".

De fato, já era clara a referência ao Mons. Lucio Anjo Vallejo Balda, ex-secretário aposentado da Prefeitura para os Assuntos Econômicos, outro homem da Opus Dei.

Bisignani vigia. Há seis meses, ele revelou uma carta anônima de ameaças contra Jorge Bergoglio ("Em breve, São Pedro será purificado com o teu sangue"), cheia de detalhes muito precisos sobre os compromissos do papa, dos cardeais da Cúria e dos empregados das maiores basílicas e santuários, "mais bem atualizados do que o Anuário Pontifício".

O resto, nos próximos capítulos.



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Papa leva padres pedófilos à Justiça espanhola

O arcebispo de Granada, D. Francisco Javier Martínez, se prostra para pedir desculpas à sua comunidade.

A matéria é da BBC Brasil:

Padres que pregavam 'amor livre' para praticar pedofilia chocam Espanha

"Boa tarde filho, sou o padre Jorge". "Não conheço nenhum padre Jorge", respondeu o interlocutor. "Filho, acalme-se, aqui é o papa Francisco".

Essas são as palavras que um atônito jovem escutou ao telefone. Ele havia escrito uma carta ao argentino Jorge Bergoglio meses antes, para denunciar anos de supostos abusos por parte de um grupo de religiosos da diocese de Granada, no sul da Espanha.

O escândalo foi noticiado pelos sites de internet espanhóis, atraindo cada vez mais atenção estrangeira. O próprio papa se referiu à polêmica na terça-feira (25).

Até o momento, três sacerdotes católicos e um professor de religião foram detidos.

"Eu li sua carta e escrevi ao bispo dizendo que ele comece uma investigação", explicou o papa na terça-feira.

"Recebi essa notícia com grande dor, com uma dor muito grande, mas a verdade é a verdade e não podemos escondê-la", disse.

Mas qual é a trama em cuja investigação o papa se envolveu pessoalmente?

O clã dos Romanones

Acusações de escândalos sexuais , abusos de autoridades eclesiásticas, detenções, heranças duvidosas, segredos e um grupo com sobrenome aristocrático: "os Romanones".

Os ingredientes são de um romance de intriga, crime e suspense. Mas não é ficção.

Daniel (nome fictício) tem 24 anos e há alguns meses denunciou ─ em uma carta dirigida ao papa ─ que entre os 13 e os 18 anos foi submetido a constantes abusos por parte de um grupo de sacerdotes católicos, os "Romanones".

O jovem, membro da organização católica Opus Dei e professor universitário, entrou em contato com os sacerdotes investigados quando era coroinha em na paróquia de San Juan María Vianney, localizada em um bairro de Granada.

Segundo seu depoimento, a rede seria comandada por um dos detidos, o padre Román M.V.C (de quem deriva o nome do clã) e realizaria atos sexuais em diversas de suas propriedades na província de Granada.

Ele afirmou que os religiosos justificavam suas práticas sexuais com a frase: "o amor é livre, eleva o espírito".

Vítimas

As acusações recaem sobre dez sacerdotes e dois laicos.

Não se sabe exatamente quantos meninos e meninas podem ter sido vítimas do grupo, que supostamente atraía os jovens conquistando sua confiança ou afastando-os de suas famílias.

Daniel disse que decidiu fazer a denúncia principalmente por não saber a extensão da rede e quantas pessoas foram vítimas dela. Ele acrescentou não querer que as pessoas que arruinaram sua infância façam o mesmo com outros meninos e meninas.

Encorajado pelo respaldo do papa, Daniel apresentou uma denúncia formal perante a Fiscalização Central de Andaluzia, em outubro.

Detenções

O processo foi acelerado a partir do momento em que a denúncia foi feita.

O órgão judicial encarregado da causa ordenou na segunda-feira (24) a detenção de três sacerdotes e um leigo. Mas a Justiça ainda vai decidir se eles responderão ao processo em liberdade.

Os detidos são Román M.V.C, a quem o denunciante identifica como "o diretor", Francisco C.M, e Manuel M.M. Todos eles tiveram algum vínculo com a paróquia de Vianney.

Eles foram encaminhados à Chefatura Superior de Polícia de Andaluzia Oriental e negaram qualquer relação com os crimes ao ser interrogados.

Além disso, há alguns dias, foi denunciado o desaparecimento de vários computadores de um chalé em Pinus Puente (Granada), que é de propriedade dos acusados.

Também há uma segunda denúncia, formulada por uma outra suposta testemunha, que forneceu aos investigadores mais dados e nomes.

O subdelegado do governo, Santiago Pérez, afirmou que não há mais prisões previstas por enquanto.

Reação da hierarquia

Enquanto isso, a Igreja Católica na Espanha demonstrou estar chocada e consternada com os eventos.

A Conferência Episcopal, por meio de seu porta-voz, José María Gil Mamayo, expressou repulsa e pediu perdão às "possíveis vítimas".

O arcebispo de Granada, Francisco Javier Martínez, protagonizou no domingo uma cena pouco usual na catedral da província: deitou no solo junto com outros membros da diocese por vários minutos – um gesto que só é realizado Sexta-feira Santa.

"Os males da Igreja são os males de cada um de nós", disse o arcebispo durante a homilia. Ele disse que tudo isso é "uma ferida dolorosíssima para (Jesus) Cristo".



sexta-feira, 16 de maio de 2014

O desafio de ser mulher na Opus Dei


Depoimento em primeira pessoa de Nana Queiroz para o Brasil Post:

Como foi ser mulher e crescer no Opus Dei

Devo ser um dos projetos mais fracassados do Opus Dei no Brasil. Nasci em uma família do que eles chamam supernumerários (casais que dedicam a vida a espalhar a mensagem do Opus Dei), cresci ouvindo palestras e aulas sobre sua doutrina.

Para quem não sabe, o Opus Dei é uma entidade da Igreja Católica, e não uma seita como muitos dizem. Também não tem nada a ver com toda aquela baboseira do Código da Vinci, a começar pelo fato de que não existem monges no Opus Dei e matar pessoas estaria completamente fora de questão mesmo para os mais apaixonados.

Digo isso porque o Opus Dei já tem defeitos demais para ser acusado dos que não tem. E o primeiro deles é sua doutrina com relação às mulheres.

Certo verão, quando eu tinha 14 anos, cheguei para uma das palestras na casa do Opus Dei na Vila Mariana, em São Paulo, com um blusinha regata extremamente confortável. Uma das mulheres que viviam na casa em esquema de completa dedicação (ela havia abdicado de namorar e ter família, por exemplo, pelo que ela acreditava ser correto) chegou para mim e disse:

- Sei que você é magrinha e não tem um corpo muito provocativo (!), mas você nunca deve subestimar o efeito que tem nos homens. Não vai querer ser responsável pelo pecado de outra pessoa, né?

Acho que este foi o primeiro momento em que eu senti que aquela instituição era absurda e eu deveria sair correndo. Que tipo de pensamento é este de que eu sou responsável pelo que outra pessoa pensa ou faz só porque estou com calor???

Era a culpabilização da mulher pelas atrocidades do homem ali, falando na voz da religião.

Durante minha adolescência, enfrentei diversos momentos em que isso foi reforçado. Quando comecei a namorar, aos 15, tinha muito medo de ir para o inferno porque meu namorado tinha tido uma ereção ao me beijar. Fui a um padre e perguntei o que deveria fazer. Ele me respondeu:

- Você é a condutora da carruagem, se há risco, não deve nem beijar seu namorado, para não perder o controle dos cavalos.

O pobre do meu primeiro namoradinho topou o desafio e me namorou sem beijo na boca nem nada por algum tempo. Um abraço querido nele, se estiver lendo isso.

Eu não vou falar sobre casar virgem e outros princípios das religiões. Posso discordar deles (profundamente, aliás), mas defendo até a morte o direito das pessoas terem suas convicções e viverem conforme mandam suas consciências. O que não admito é que a religião seja usada para colocar as mulheres em uma posição de profunda culpa como a que eu vivi durante minha adolescência.

Via meu corpo como um convite ao crime e um risco eterno de ganhar o inferno sem nem saber. Passava calor por medo de ser vista de maneira sexual. Se um homem me olhasse de um jeito que eu não queria, a culpa era minha, eu convidei o olhar, afinal. Se alguém passasse a mão em mim eu deveria pensar em que roupa tinha usado para provocar este comportamento no homem.

Aos 18 anos, me libertei da religião dos meus pais e nunca mais pisei no Opus Dei. Ainda sou muito espiritualizada, mas temo religiões como as crianças temem o Bicho Papão.

Claro, devo a eles uma série de coisas bonitas, como o ensinamento de que meu trabalho deve sempre estar a serviço do mundo que quero construir. Respeito profundamente as pessoas que encontram ali um significado para suas vidas, como meus pais e um dos meus irmãos. Mas nunca consegui perdoá-los por como me fizeram perceber meu corpo. Pior: por como me fizeram perceber como mulher. Espero que um dia eles pensem sobre isso e mudem. Eu acredito em transformações.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O jogo do poder no Vaticano

Interessante artigo publicado no Viomundo:

Gilberto Nascimento: O mapa dos grupos que desestabilizaram papa

O cardeal alemão Joseph Ratzinger chegou a ser chamado de “rotweiller do papa”, nos anos 1980 e 1990. Era, então, o todo poderoso prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Santa Inquisição. Eminência parda de João Paulo II – a quem sucedeu, em abril de 2005 -, Ratzinger defendeu ferozmente a restauração do poder episcopal, a volta à ortodoxia.

Combateu a Teologia da Libertação e ajudou a dizimar a Igreja identificada com a opção preferencial pelos pobres, a partir do Concílio Vaticano II (1962-1965), principalmente na América Latina. Ratzinger foi o algoz do brasileiro Leonardo Boff, seu ex-aluno. Calou o teólogo franciscano com o “silêncio obsequioso”, em 1985.

No comando da Santa Sé, já como o papa Bento XVI, cercou-se de cardeais conservadores, fortalecendo uma linha de ação delineada no pontificado de João Paulo II. Deu poder a movimentos católicos de inspiração autoritária e ultraconservadora.

Incrustados na Cúria Romana, esses grupos iniciaram uma acirrada disputa pelo poder. Vários auxiliares foram acusados de desvios financeiros e envolvidos em outros escândalos, como os casos de pedofilia.

Sem controle da situação, Bento XVI –agora às vésperas de sua renúncia -, descobriu tardiamente que não governava sozinho. Em meio a uma rede de intrigas, vaidades e ambição, perdeu o comando. Se viu sem forças.

Nomeações feitas por ele sem seguir preceitos e hábitos comuns no Vaticano também geraram fortes reações. Ao recrutar antigos colaboradores, colocando-os em postos-chave, contrariou interesses de esquemas enraizados na Santa Sé.

Até os anos 1990, só se falava na divisão interna na Igreja entre os chamados conservadores e progressistas. Hoje, são os integrantes dos grupos mais à direita, incensados por Bento XVI, que o sabotam.

O papa, após anunciar sua renúncia, criticou “a divisão no corpo eclesial” que deturpa “o rosto da Igreja”. Denunciou a “hipocrisia religiosa” e o comportamento daqueles que querem “aparecer”, que buscam o “aplauso e aprovação”. Bento XVI só não identificou quem seriam esses “hipócritas” que lutam desbragadamente em busca do poder na Santa Sé.

À frente, nessas disputas, estão fortes correntes conservadoras na Igreja Católica, como a Opus Dei, considerada um verdadeiro “exército do papa”. O outro grupo mais expressivo é a Fraternidade de Comunhão e Libertação, cujos membros, por causa da fervorosa devoção, chegaram a ser rotulados de “stalinistas de Deus” e “rambos do papa”. No pontificado de João Paulo II eram os “monges de Wojtyla”.

A Opus Dei e a Comunhão e Libertação são os dois grupos com mais força atualmente na Igreja Católica. Mas despontam ainda outros movimentos como os Focolares, o Neocatecumenal e os Legionários de Cristo.

A Opus Dei, fundada em 1928 na Espanha pelo sacerdote Josemaria Escrivá (canonizado em 2002), cresceu no país durante a ditadura de Francisco Franco, de 1936 a 1975. Hoje, está em 90 países, com 89 mil seguidores em todo o mundo.

Seu objetivo, segundo os líderes, é difundir a vida cristã. Certas práticas atribuídas aos seguidores são criticadas, como um suposto hábito de golpear costas e nádegas com chicote. Adeptos seriam obrigados ainda a relatar aos superiores até seus pensamentos.

Grande parte dos integrantes da Opus Dei ocupa cargos de liderança e destaque na sociedade. A organização conta em seus quadros com cardeais, bispos e, ao menos, dois mil sacerdotes. Mantém instituições de ensino como a Universidade de Navarra (Espanha), um seminário em Roma, 600 colégios e 17 escolas de administração e negócios.

Seu braço para a área empresarial é o IESE Business School (Instituto de Estudos Superiores de Empresa), instalado também no Brasil e com planos de oferecer cursos no País – entre eles um de gestão de mídia – a 500 alunos. No Brasil, são ligados à Opus Dei o jurista Ives Gandra Martins e o professor de Comunicação Carlos Alberto Di Franco, entre , entre outros.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, revelou em uma entrevista que seu livro de cabeceira é “Caminho”, de Josemaria Escrivá. Disse ser admirador das ideias do sacerdote espanhol, mas nega ser seguidor da Opus Dei.

Presente em 80 países e com cerca de 200 mil simpatizantes, o movimento Fraternidade de Comunhão e Libertação tem como seu maior expoente o cardeal de Milão, Angelo Scola, ligado a Bento XVI. Foi fundado em 1954 na Itália pelo monsenhor Luigi Giussani e hoje é dirigido pelo espanhol Julián Carrón. Seus integrantes propõem a cultura como “chave de leitura da história”. Os conflitos na sociedade, na visão deles, devem ser analisados a partir da cultura e não da luta de classes ou de questões econômicas.

Fundado em 1943, na Itália, por Chiara Lubich, o movimento Focolares reúne hoje 100 mil membros. Tem como um de seus principais representantes em Roma o cardeal brasileiro João Braz de Avis, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. É um nome bastante citado como papável. Ex-arcebispo de Brasília, Avis ainda integra o Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos.

O movimento Focolares é considerado uma “associação de fiéis de caráter privado e universal de direito pontifício” e seus integrantes se dizem “consagrados na pobreza, castidade e obediência”.

Presente em 15 mil comunidades de 105 países e com um milhão de seguidores hoje, o movimento Neocatecumenal surgiu em Madri, nos anos 1960. Foi criado pelo pintor espanhol Francisco Argüello. Seu objetivo era ajudar paroquianos a buscar a evangelização numa época de sociedade “descristianizada”.

Outra corrente religiosa, a Congregação dos Legionários de Cristo, foi criada em 1941, na Cidade do México. Seu fundador, o padre mexicano Marcial Maciel, foi acusado de abusar sexualmente de seminaristas menores de idade. Após denúncias e visitas de uma comissão nomeada pelo papa Bento XVI, a organização sofreu uma intervenção da Santa Sé.

Em meio a esse emaranhado de grupos, visões e interesses distintos, os conflitos na Cúria Romana se avolumaram. Na busca pelo poder, cargos são disputados ferrenhamente.

Ao nomear representante de um grupo para um posto importante, o papa desagrada outros. Tensões ocorreram, por exemplo, a partir de indicações como a do italiano Ettore Gotti Tedeschi, ligado à Opus Dei, para o Instituto de Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano. Tedeschi assumiu em 2009 e foi demitido no ano passado, por má gestão.

Amigo do papa, Tedeschi teria sido vítima de um complô armado por conselheiros da instituição financeira para desmoralizá-lo. Por trás, estaria o cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, segundo documentos vazados no chamado escândalo VatiLeaks. O banco, conforme denúncias, recebia dinheiro de origem duvidosa.

A nomeação do próprio Bertone para a Secretaria de Estado teria gerado insatisfações. O motivo seria o fato de Bertone não vir da área diplomática, o que seria uma tradição na Cúria Romana nas indicações para tal cargo. Ex-secretário de Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé, Bertone é salesiano.

Bento VXI também removeu do cargo de porta-voz do Vaticano o espanhol Joaquim Navarro Valls, um quadro da Opus Dei bastante próximo de João Paulo II. Valls ocupava a função havia 22 anos e foi substituído pelo padre jesuíta Federico Lombardi.

Outra atitude considerada incomum foi a remoção, em 2011, do cardeal Angelo Scola, então primaz de Veneza e detentor de vários cargos na Cúria Romana, para o posto de arcebispo de Milão.

Scola, do movimento Comunhão e Libertação, é apontado como um dos favoritos para a sucessão de Bento XVI. Sua ida para Milão pode ter sido um indicador, segundo vaticanistas, de que seja o nome preferido pelo papa para sucedê-lo. O papa também transferiu um bispo brasileiro, Filipo Santoro, de Petrópolis para uma diocese da Itália, a fim de que ele pudesse servir mais de perto ao movimento Comunhão e Libertação.

Ex-assessor da CNBB e estudioso dos assuntos do Vaticano, o padre Manoel Godoy, diretor-executivo do Instituto Santo Tomás de Aquino (de Belo Horizonte), alerta que o próximo papa deverá fazer mudanças profundas na Cúria Romana para não virar refém das atuais estruturas de poder. Segundo Godoy, cardeais eméritos que continuam na Santa Sé acabam formando grupos de conspiradores capazes de desestabilizar o papado. “Os cardeais aposentados ficam lá. Têm muito tempo para arquitetar planos e propostas e não deixam o papa governar”, constata.

Alguns desses cardeais, como os italianos Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, e Giovanni Batista Ré, o eslovaco Josef Tomko e o colombiano Dario Castrillón Hoios, seriam simpáticos a interesses defendidos pela Opus Dei.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Celibato católico cresce no Ceará

A notícia foi publicada no Estadão. O - no mínimo - curioso interesse do Estadão no celibato será comentado em seguida.

Cresce no Ceará número de celibatários católicos

LAURIBERTO BRAGA

Cresce no Ceará o número de celibatários na Igreja Católica. São pessoas que não são padres nem freiras, mas leigos que fizeram a opção de dedicar a vida a serviço da Igreja. Um exemplo é um grupo de 45 leigos que se consagrou no celibato no mês passado, em cerimônia na Comunidade Católica Shalom, em Fortaleza.

A Shalom, maior representante da Renovação Carismática Católica no Brasil, abriga em suas residências casais, sacerdotes e celibatários. Os celibatários - que são reconhecidos pelo Vaticano -correspondem hoje ao grupo que mais cresce na Shalom. Segundo o assessor de imprensa da Shalom, Vanderlúcio Souza, "os celibatários, no lugar de dedicar amor exclusivo a uma pessoa, escolhem amar a todos e continuar o legado de Cristo. E Cristo é a maior referência de celibato, pois ele viveu como celibatário quando esteve entre os homens". Os celibatários, portanto, mantêm-se solteiros e sexualmente abstinentes. Na Igreja Católica, todos os sacerdotes fazem voto de castidade.

Consagração. A ex-estudante de Medicina Gabriella Dias é uma das celibatárias que foram consagradas em Fortaleza. Ela integra a comunidade Shalom há 15 anos e agora recebeu a consagração perpétua no Celibato pelos Reinos dos Céus. "Após discernimento com as autoridades da Shalom, escuta de Deus e retiros, chego ao último estágio para a consagração definitiva", diz Gabriella.

Para o Shalom, a decisão de Gabriella remete "à eternidade e vai na contramão do senso comum da vivência de provisoriedade".

Gabriella cursou até o sétimo semestre de Medicina e resolveu abrir mão de ser médica para se dedicar à Shalom, onde atualmente comanda a missão de produzir grandes eventos como o Festival Halleluya, o retiro Renascer e a Exponatal. Ela representa a Shalom na Arquidiocese Metropolitana de Fortaleza e na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Shalom hoje tem mais de 15 mil membros engajados no Ceará.



É de conhecimento geral que o Estadão é um dos órgãos mais conservadores da imprensa brasileira, condição que não o descarta como uma voz influente na política do país, principalmente porque é bem escrito e faz questão de dizer de que lado está, sem dissimulações, como acontece com o seu maior concorrente, a Folha de S. Paulo.

Com a presente extinção sistemática dos jornais de papel, engolidos pela internet, não demorará muito tempo para que ambos os jornais deem adeus ao meio impresso, mas a cruzada conservadora católica do Estadão, ao que parece, continuará por um bom tempo.

Alguém poderia sugerir que isso se deve à ligação do jornal com a Opus Dei, já que a família Mesquita hoje responde apenas pelo editorial do órgão.

Afinal, Carlos Alberto Di Franco, 66 anos de idade, colunista influente do Estadão e celibatário autoproclamado virgem, seria numerário da Opus Dei no Brasil e daria "formação cristã" ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conforme notícia da revista Época de janeiro de 2006:

Entrevista com Carlos Alberto Di Franco, um dos numerários mais influentes e bem relacionados do Opus Dei

Eliane Brum e Débora Rubin

Ligações poderosas

Carlos Alberto Di Franco dá formação cristã ao governador Geraldo Alckmin e treinou mais de 200 editores da imprensa

Carlos Alberto Di Franco, 60 anos, é um dos numerários mais influentes e bem relacionados do Opus Dei. Representante no Brasil da Escola de Comunicação da Universidade de Navarra e diretor do Master em Jornalismo, um programa de capacitação de editores que já formou mais de 200 cargos de chefias dos principais jornais do País, é citado no livro Opus Dei - Os Bastidores como o executor da política da Obra para a mídia do Brasil e na América Latina. Nos últimos anos, tem feito periodicamente uma preleção sobre valores cristãos na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes a convite do governador Geraldo Alckmin (confira matéria na página xx). O encontro, apelidado de 'Palestra do Morumbi', reúne um seleto grupo de empresários e profissionais do Direito, entre eles o vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Ometo. Na sede do Master, em São Paulo, em cujos andares superiores funciona o centro da Obra onde vive, Di Franco deu a seguinte entrevista a Época.

ÉPOCA - A partir do final dos anos 80 a Universidade de Navarra, que é do Opus Dei, passou a dar cursos nas redações brasileiras. Como surgiu essa estratégia?
Carlos Alberto Di Franco - Vários professores de lá participaram de um seminário no Rio e chamaram atenção pela sua visão de Jornalismo. Esse foi o início de um trabalho não de universidade, mas de consultoria de alguns profissionais que também são professores em Navarra. Mais recentemente Navarra montou uma empresa de consultoria que atualmente está sendo reestruturada, e eu tenho uma empresa e contrato consultores de Navarra e também daqui.

ÉPOCA - O Master em Jornalismo é uma estratégia do Opus Dei para influenciar a imprensa brasileira e da América latina?
Di Franco - Absolutamente nada a ver. É um trabalho profissional meu. A única coincidência é que Carlos Alberto Di Franco é do Opus Dei. A imprensa tem suficiente discernimento e filtros próprios para se deixar submeter a qualquer coisa deste tipo.

ÉPOCA - O senhor é numerário do Opus Dei, é representante da Escola de Comunicação da Universidade de Navarra, que é do Opus Dei, o Master traz professores de Navarra que também são numerários, mas o senhor afirma que não há nenhuma estratégia do Opus Dei em influenciar a imprensa através de um curso de formação de editores?
Di Franco - Muitos professores de Navarra que vêm não são do Opus Dei. O Master é um programa técnico de capacitação de editores e não de Religião. O Master tem uma identidade cristã? Claro. Quando eu abro o Master, a primeira coisa que eu faço é dizer que o centro conta com serviço de capelania entregue à prelazia do Opus Dei. Isso implica numa série de serviços de atendimento espiritual para quem queira recebê-los. Deixo absolutamente claro o que acontece aqui. O prestígio do Master não depende do número de gotas de água benta, mas de sua qualificação profissional.

ÉPOCA - Quantos professores tem o Master e, destes, quantos são do Opus Dei?
Di Franco - Onze fixos, seis são da Obra.

ÉPOCA - São Escrivá disse que era preciso embrulhar o mundo em papel-jornal...
Di Franco - Qualquer pessoa que pense dois minutos percebe que os meios de comunicação são um poderoso facho para o bem e para o mal. Essa preocupação de evangelização tendo em conta os meios de comunicação social é legítima. Mas você poderá difundir a mensagem cristã não com água benta e nem metendo-se a montar estruturas piegas, mas atuando na sua atividade profissional. Estou convicto de que se o mundo tiver mais cristãos ou gente comprometida com sua fé será um lugar melhor.

ÉPOCA - O senhor publicou um artigo no jornal O Estado de S.Paulo criticando o Código da Vinci, um livro de ficção que mostra o Opus Dei como uma seita capaz de assassinar para alcançar seus objetivos. O senhor assina como jornalista e professor de ética. O senhor não acha que deveria ter informado ao leitor que é um numerário?
Di Franco - Não, porque não acrescenta nada. Na mídia todo mundo sabe.

ÉPOCA - O senhor acredita que todos os leitores do jornal sabem?
Di Franco - Todos os leitores não, mas eu não sei o que ser membro do Opus Dei acrescenta ao meu currículo. O que eu fiz foi uma análise do Dan Brown mostrando a sua desonestidade intelectual que qualquer jornalista poderia fazer, budista ou ateu.

ÉPOCA - Poderia. Mas o senhor não acha que a informação de que quem criticava um livro contra o Opus Dei era alguém do Opus Dei teria sido relevante para o leitor?
Di Franco - Eu fiz uma crítica técnica e não movida por razões religiosas.

ÉPOCA - Como começaram as 'palestras do Morumbi', que acontecem na última quarta-feira do mês, no Palácio, com o governador Geraldo Alckmin e um grupo de empresários e profissionais do Direito?
Di Franco - Não é uma reunião regular, depende das agendas. O governador é cristão, muito católico. Nesta reunião tratamos temas relacionados a práticas ou virtudes cristãs.

ÉPOCA - De quem partiu essa idéia?
Di Franco - Nasceu de uma conversa do governador com um sacerdote da Obra com quem ele tem direção espiritual periódica.

ÉPOCA - O Padre (José) Teixeira, confessor do governador?
Di Franco - Isso, o Padre Teixeira. Aí eu e o governador conversamos sobre a melhor maneira de fazer e sobre quem participaria. O grupo é formado por amigos comuns, todos católicos. Eu sou o palestrante. Uma coisa rápida, meia-hora, um cafezinho. A última foi em agosto ou setembro. Depois teríamos outra, mas eu não pude. Agora ele entrou em campanha. Acredito que no final de janeiro combinaremos a próxima.

ÉPOCA - Essas palestras são pagas?
Di Franco - Não é um trabalho profissional, é uma atividade de formação cristã.

ÉPOCA - O senhor não acha que a proibição de ir ao cinema, teatro ou estádio de futebol conflitua com seu trabalho de jornalista?
Di Franco - Para mim nunca foi problema. Não é que não pode, a expressão está mal colocada. Não vai ao cinema porque não quer ir ao cinema. Os numerários vivem, voluntariamente, uma série de abstenções em função de sua entrega como numerários.

ÉPOCA - Como o senhor faz com o cilício?
Di Franco - O cilício é uma mortificação corporal ultratradicional na Igreja. Se você falar com qualquer pessoa que viva o cristianismo é a coisa mais corriqueira e comum.

ÉPOCA - O senhor usa, duas horas por dia?
Di Franco - Sim, como qualquer numerário.

ÉPOCA - Quando o senhor está com o cilício se concentra no sofrimento de Cristo?
Di Franco - Essa pequena mortificação você oferece por várias intenções. A partir de hoje vou oferecer para você.

ÉPOCA - Não é necessário.
Di Franco - Como colega. O incômodo se oferece.

ÉPOCA - É muito difícil o celibato?
Di Franco - Qualquer pessoa tem desejo, é normal. Eu sinto atração pelas mulheres, claro que sinto, sobretudo pelas bonitas.

ÉPOCA - O senhor é virgem?
Di Franco - Você está entrando em território perigoso. Mas sou, se quer saber sou.



E apenas para continuar na mesma seara, é bom lembrar da matéria do Financial Times sobre a Opus Dei, que foi traduzida e publicada no Radar Econômico do Estadão em dezembro de 2010:

Financial Times’: Opus Dei injeta cristianismo no capitalismo

Sílvio Guedes Crespo

O jornal britânico “Financial Times” examinou uma das escolas de negócios mais proeminentes do mundo, a Iese Business School, que pertence à organização católica Opus Dei. O diário tenta explicar a relação entre esse segmento religioso e o capitalismo.

A conclusão aparece no início do texto: essa escola “é o centro dos esforços dos movimentos mais conservadores da Igreja Católica para injetar princípios cristãos no capitalismo global”.

A Iese, fundada em 1958 como parte da Universidade de Navarra, tem também cursos técnicos e escolas de negócios em outros países, incluindo unidades recém inauguradas em Lagos (Nigéria) e Nova York (Estados Unidos). Projetos na América Latina, no Leste Europeu e na África estão em curso.

A escola se destaca entre as instituições de ensino e pesquisa ligadas ao cristianismo “por sua absoluta qualidade”, afirma o “FT”. “Mas por que ela é tão boa? E qual o papel da sua afiliação religiosa?”

A organização acredita que as pessoas devem aspirar a santidade nas atividades rotineiras, inclusive no trabalho, disse ao jornal o padre Domènec Melé. “Seria estranho oferecer a Deus uma coisa ‘meia-boca’. Se você está tentando dar o máximo, por Deus, então você provavelmente vai ser promovido e trabalhar direito”, afirmou um aluno.

A partir de depoimentos de membros da Opus Dei e alunos, a reportagem observa que a escola procura adotar “noções de respeito, honestidade, integridade e a ideia de que os negócios devem considerar as conseqüências humanas das decisões”. Esses princípios, avalia o jornal, “deveriam basear qualquer decisão empresarial”.

Como resultado, a Iese teve uma receita de 77 milhões de euros para o ano letivo, oriunda do apoio de mais de cem empresas, doações de funcionários e pagamento de mensalidade dos alunos (o MBA de dois anos custa 87 mil euros).

O texto é predominantemente favorável à instituição, mas não deixa de citar as críticas que normalmente são feitas. Por exemplo, as acusações de “lavagem cerebral” dos jovens e a influência na política, no Poder Judiciário e no mundo dos negócios, especificamente na Espanha e na América Latina. O jornal diz, ainda, que críticos da Opus Dei a acusam de ter uma lista de livros para cuja leitura é requerida uma autorização prévia, como obras de Jean-Paul Sartre, Karl Marx, Anthony Burgess e outros. A organização nega as acusações.




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