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terça-feira, 8 de julho de 2014

Máfia italiana se revolta contra o papa


Depois que o papa excomungou os mafiosos italianos, azedaram as já complicadas relações entre a máfia e o Vaticano, conforme noticia o IHU:

A ‘Ndrangheta se rebela contra o papa Francisco pela excomunhão

Cerca de 200 mafiosos presos no presídio de segurança máxima de Larino, na região de Molise, decidiram neste domingo não ir à missa em protesto contra a decisão do papa Francisco de excomungar a ‘Ndrangheta, a feroz máfia calabresa, depois do assassinato, em janeiro passado, de uma criança de três anos em um ajuste de contas com sua família. Ao mesmo tempo, em Oppido Mamertina, um povoado de apenas 6.000 pessoas na região da Calábria, os responsáveis por uma procissão decidiram inclinar a imagem da Virgem Maria na frente da casa de um velho capo, condenado à prisão perpétua pelos crimes de extorsão e assassinato, a despeito dos protestos do capitão dos Carabinieri e dos agentes que, até aquele momento, tinham escoltado o cortejo religioso.

A reportagem é de Pablo Ordaz, publicada por El País, 06-07-2014.

É a resposta, por enquanto sem derramamento de sangue, da ‘Ndrangheta, uma organização mafiosa que inclui em sua simbologia termos e devoções cristãs, às duras palavras que o papa Francisco, diante de mais de 200 mil fiéis, pronunciou há duas semanas em Cassano allo Jonio, o povoado de Cocò, o menino assassinado e queimado junto com seu avô dentro de um carro. “A ‘Ndrangheta”, disse o Papa, “é a adoração do mal, o desprezo ao bem comum. Tem de ser combatida, afastada. E a Igreja tem de ajudar mais. Os mafiosos não estão em comunhão com Deus. Estão excomungados”. Nunca um Papa tinha chegado ao extremo de negar a comunhão, o castigo mais grave para um fiel, aos mafiosos de forma coletiva.

Os responsáveis por uma confraria de Reggio Calabria inclinaram a imagem da Virgem na frente da casa de um capo

O tradicional silêncio, e até a permissividade, da Igreja católica diante das quatro grandes máfias que funcionam na Itália —a Cosa Nostra siciliana, a Camorra napolitana, a ‘Ndrangheta calabresa e a Sacra Corona Unita, da Puglia— só havia sido quebrado por João Paulo II em maio de 1993, durante uma visita à Sicília. A reação da Cosa Nostra, na época sob a direção do sangrento Totò Riina, foi terrível. Durante o verão seguinte explodiram duas bombas em igrejas de Roma e em setembro foi assassinado em Palermo o sacerdote Pino Puglisi, conhecido por sua luta contra a Máfia.

A reação na época, como a que começa a se forjar agora, demonstra que os mafiosos italianos, e em especial os da ‘Ndrangheta, precisam que o caminho entre a casa do capo e a casa do padre continue transitável, a prova de que a paz social ou o medo — tanto faz — continua protegendo sua atividade e ainda outorgando a eles uma aura de respeitabilidade. Os presos de Larino se dirigiram ao capelão e propuseram o desafio: “Se fomos excomungados, não vale a pena irmos à missa”.

O monsenhor Giancarlo Bregantini, arcebispo de Campobasso e anteriormente bispo de Locri, localidade da Calábria da qual teve de sair depois de ser ameaçado de morte pela ‘Ndrangheta, afirmou na Rádio Vaticano: “É uma coisa surpreendente, cerca de 200 mafiosos da área de alta segurança se rebelando por uma frase do Papa. Isso confirma que Francisco, apenas com suas palavras, desperta a consciência das pessoas. O capelão me chamou para contar e para pedir que eu vá à prisão explicar as palavras do Papa para os presos”.

O desafio também acontece nos povoados dominados pelo crime. De nada serviu aos responsáveis pela procissão da Virgem das Graças, da localidade de Oppido Mamertina, que o capitão dos Carabinieri, Andrea Marino, os advertisse antecipadamente de que não permitiria nenhum ato de cumplicidade com a ‘Ngrangheta. Quando a procissão chegou à frente da casa de Giuseppe Mazzagatti, um capo de 82 anos condenado à prisão perpétua que se encontra em prisão domiciliar por problemas de saúde, o padre e a corporação municipal permitiram que a imagem da Virgem fosse inclinada em sinal de respeito.

O capitão Marino ordenou a seus agentes que abandonassem o lugar em sinal de protesto, enquanto o restante dos espectadores, por medo ou cumplicidade, permaneceram no local. O ministro do Interior, Angelino Alfano, qualificou os fatos de “um ritual repulsivo”. Há apenas alguns dias soube-se que exatamente o arcebispo de Reggio Calabria, monsenhor Giuseppe Fiorini Morosini, propôs ao Papa a suspensão — ainda que temporária — do apadrinhamento nos batismos e confirmações “para criar obstáculos ao uso da Igreja por parte da ‘Ndrangheta”. A máfia calabresa continua usando as cerimônias religiosas para confirmar as alianças criminosas entre as famílias.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Padre Beto vai à Justiça comum contra pena de excomunhão

Vai um holofote aí,
padre Beto?
Ai que dó! O ex-padre Beto de Bauru não consegue ficar fora da mídia. Querer aparecer parece ser o seu ofício, com o perdão da redundância.

Depois das declarações polêmicas que o levaram a ser excomungado pelo bispo de Bauru, com direito a passeata a seu favor, além da entrevista à Marília Gabriela e a outros programas menores em busca de holofote, padre Beto volta à carga, agora recorrendo à Justiça comum para reverter a pena de excomunhão.

Padre Beto ainda tenta justificar o injustificável dizendo que não move ação contra a Igreja Católica, mas contra a Diocese de Bauru, como se houvesse diferença entre as duas. A quem ele pensa que engana?

Afinal, não precisa ser um gênio jurídico para adivinhar que a ação não vai dar em nada, a não ser - obviamente - repercussão na imprensa para mais um xororô do ex-padre. 

Desapega, Beto, desapega!

Já que o ex-sacerdote não se conforma com o ostracismo que lhe foi imposto, quem sabe alguma escola de samba do Rio de Janeiro lhe ofereça o cargo de carnavalesco e assim amaine o seu desejo mórbido de aparecer na mídia, pelo menos em fevereiro.

Siga a vida, padre Beto! Seja feliz em outro lugar! Oportunidades não vão lhe faltar.

A notícia é da Folha de S. Paulo de 30/07/13:

Após declaração do papa, padre excomungado por defender gays vai à Justiça contra punição

CRISTINA CAMARGO

Impulsionado pelas declarações do papa Francisco sobre homossexuais, o padre Beto, excomungado em abril deste ano após declarações de apoio a gays, decidiu recorrer à Justiça para tentar anular sua exclusão da Igreja Católica.

Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, contratou advogados e protocolou na segunda-feira uma medida cautelar contra a Diocese de Bauru (329 km de São Paulo). Questiona a forma como foi expulso da igreja, num tribunal em que, segundo ele, compareceu sem saber do que se tratava e sem direito à defesa.

Ele estudava a possibilidade de ir à Justiça desde a época do excomunhão, mas diz que a postura do papa Francisco o estimulou ainda mais. No final de sua visita ao Brasil, o papa fez a mais ousada declaração de um pontífice sobre o homossexualismo. "Se uma pessoa é gay e busca Deus, quem sou eu para julgá-la?", disse.

A ação judicial tramita na 6ª Vara Cível de Bauru. O religioso alega que tratado assinado entre o Vaticano e o governo brasileiro determina que o sistema constitucional e as leis brasileiras sejam seguidos pela igreja. Beto afirma que, além de não ter tido direito de defesa, a decisão foi publicada no mesmo dia em que foi tomada, no site da diocese.

"Fui tratado como um adolescente. Fui exposto publicamente", diz. "Essa ação judicial é também para que todo brasileiro entenda que nenhuma instituição pode fazer isso com uma pessoa".

O ex-padre disse que acreditava que seu processo de excomunhão não estivesse encerrado e ainda teria de ser assinado pelo Vaticano. Ao estudar o caso, descobriu que a decisão da Diocese de Bauru é definitiva na igreja. Por isso resolveu tentar revertê-la na Justiça.

"Não movo uma ação contra a Igreja Católica. Existe igreja e igreja. A ação é contra a diocese", ressalta.

Antes da excomunhão, Beto havia decidido pedir um afastamento temporário de suas funções. Isso aconteceu depois que o bispo de Bauru, Dom Caetano Ferrari, 70, determinou uma retratação por causa de entrevistas em que o religioso falava sobre os homossexuais e questionava o conservadorismo da Igreja Católica.

A Diocese de Bauru ainda não se manifestou sobre a ação judicial. O argumento oficial para a excomunhão foi que Beto "negou categoricamente a cumprir o que prometera em sua ordenação sacerdotal: fidelidade ao Magistério da Igreja e obediência aos seus legítimos pastores".

Depois da excomunhão, Beto seguiu dando aulas em universidades, concedeu entrevistas para programas de TV e escreveu o livro "Verdades Proibidas - ideias do padre que a igreja não conseguiu calar", lançado esta semana.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Bauru vai ter passeata contra excomunhão do padre Beto

Parece que a controvertida excomunhão do (agora) ex-padre Beto extrapolou a esfera católica da diocese de Bauru (SP) e se transformou em uma causa política, já que várias manifestações estão sendo organizadas tanto nas redes sociais como em protestos reais que já foram programados.

A reação não deixa de ser curiosa e um tanto quanto contraditória, já que uma das críticas mais acentuadas que são dirigidas à igreja católica é a sua perda de relevância no contexto atual, mas ao mesmo tempo essas mesmas pessoas que apontam este, digamos, "defeito", fazem questão de, em suma, querer reintegrar um sacerdote excomungado ao seio dela, como se o debate fosse político e não doutrinário ou ritualístico.

O fator político fica claro na notícia abaixo, publicada no Estadão de hoje, 02/05/13, em que um vereador bauruense, chamado de Marquinhos da Diversidade e um dos organizadores da parada gay da cidade (vídeo da campanha dele abaixo), encabeça o movimento de apoio ao ex-padre Beto, que na última campanha eleitoral do município apoiou outro candidato a vereador, o pai-de-santo Ricardo Barreira.

Evite Bauru nas próximas semanas. Coisas estranhas andam acontecendo por lá.


Bauru organiza passeata contra excomunhão de padre

CHICO SIQUEIRA

Moradores de Bauru, no interior de São Paulo, organizam um protesto contra a excomunhão do padre Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, que declarou apoio a bissexuais e homossexuais. Passados três dias do anúncio feito pela Diocese de Bauru, milhares de simpatizantes do padre já se declararam contra a decisão.

Uma moção de repúdio pela excomunhão postada na segunda-feira em uma rede social havia recebido, até as 18 horas de ontem, mais de 3,5 mil adesões e a expectativa era de atingir 5 mil até hoje. O grupo Eu Apoio Padre Beto, formado na internet, já tinha mais de 2,1 mil participantes.

Outro protesto está marcado para este sábado, com concentração na frente da Catedral Divino Espírito Santo, na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade. Entre os organizadores estão dois grupos de simpatizantes do padre e a Associação Bauru pela Diversidade, a mesma que organizou a Parada Gay na cidade, que reuniu 50 mil pessoas.

O vereador Marcos Souza (PMDB), o Marquinhos da Diversidade, estima que entre 1,5 mil e 2 mil pessoas devam comparecer ao ato. "O padre Beto é muito querido, não só por seu comportamento exemplar de tratar todas as pessoas sem preconceito, mas também pelos trabalhos sociais que ele realiza", disse o vereador.

Sigilo. A Diocese de Bauru disse que o bispo d. Caetano Ferrari não comentaria as declarações do padre Beto sobre a semelhança do ato de excomunhão com as posições do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), conhecido por suas declarações polêmicas sobre homossexuais e negros. Segundo a Assessoria de Imprensa da Diocese, o bispo está proibido de fazer comentários por causa do sigilo imposto pelo processo de demissão do estado clerical que a Igreja move contra padre Beto. Anteontem, o padre ironizou a decisão. "Dou graças a Deus que não existem mais fogueiras", disse ele, em referência à Inquisição.



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Padre Beto volta a atacar a igreja católica após excomunhão

Depois da excomunhão provocada por sua recusa em se retratar das declarações polêmicas que irritaram o bispo de Bauru (SP), D. Caetano Ferrari, o ex-padre Beto, hoje o cidadão Roberto Francisco Daniel, não se fez de rogado e resolveu sair atirando da igreja.

Nas duas entrevistas publicadas abaixo, a primeira concedida ao UOL e a segunda ao Estadão, sobra tiro pra todo lado, desde a conhecida e criticada tolerância das autoridades católicas quanto aos casos de pedofilia dentro da igreja até compará-la a Marco Feliciano, a quem ele chama de "extremamente dogmático e fundamentalista.

O teor de suas declarações permite duvidar de sua afirmação de que ficou "indiferente" com a excomunhão que lhe foi aplicada. Confira:

Pedófilos não são excomungados, mas eu fui, desabafa padre de Bauru (SP)

Camila Neuman

Roberto Francisco Daniel, 48, mais conhecido como padre Beto, diz ver com incoerência sua excomunhão da Igreja Católica, já que sacerdotes que cometeram crimes de pedofilia, entre outros, não receberam a mesma punição.

O religioso que atuava na Diocese de Bauru (329 km de São Paulo) desde 2001 foi excomungado nesta segunda-feira (29) pela igreja, após um vídeo no qual ele se mostra favorável à união entre homossexuais ter sido publicado na internet.

Padre Beto conta ter sido recebido ontem pelo bispado da Diocese de Bauru em uma sala que se transformou rapidamente em um tribunal. Lá, ele deveria 'se desculpar pelos crimes contra a igreja', entre os quais o vídeo, que deveria ser retirado do ar.

O combinado, segundo ele, era ir à diocese somente para entregar seu pedido de afastamento, pois não havia aceitado pedir desculpas pelo conteúdo do vídeo. Ao questionar se estava "no banco dos réus", recebeu a afirmativa e, em seguida, abandonou a sala. Depois do episódio, recebeu a notícia da excomunhão.

"Foi com bastante indiferença [que recebi a notícia] porque eu já tinha me desligado. Mas, por outro lado, vejo com muita tristeza a incoerência dela [da Igreja], porque nós sabemos de casos que são notórios e públicos de pessoas, padres e bispos que erraram, que cometeram crimes de pedofilia, outros crimes também, que são punidos pela lei penal, mas não são excomungados. E a gente que simplesmente ajudou na reflexão sobre esses temas é excomungado. Vejo uma incoerência muito grande", disse ao UOL.

Impedido de celebrar missas a partir de então, Beto diz que manterá suas ações como teólogo e professor universitário na cidade, mantendo o diálogo sobre assuntos que envolvem a sexualidade.

"Pretendo continuar uma vida religiosa como teólogo. Sou teólogo formado, tenho doutorado e vou continuar contribuindo com a reflexão sobre Deus, sobre o mundo e como eu já comecei sobre a sexualidade humana, sobre o comportamento humano e sua relação com Deus", disse.

Padre Beto nunca foi um padre 'comum'. Com aparência jovial, vista no piercing em uma das orelhas, na tatuagem aparente e na calça jeans e camiseta, ele atraía jovens universitários e católicos não praticantes para as missas bauruenses. Em muitas delas, as mulheres eram maioria. O motivo? A simpatia e os olhos claros do religioso também costumeiramente chamado de 'padre galã'.

Beto repudiou ainda o discurso da igreja que diz que seus atos provocam escândalo.

"Quando ela [a Igreja Católica] fala em atos, isso é muito grave. Não são atos, são reflexões, é uma grande diferença. Tenho uma vida íntegra, dou a cara para bater. Reflito claramente porque não tenho o que esconder. Tudo o que eu faço é da linha da igreja, nunca feri o celibato, sempre levei a vida na moral cristã. Reflito a igreja, mas ela tem que revisar o conceito", diz.

Para ele, falta a Igreja Católica abrir espaço para a reflexão de temas atuais, como o uso de métodos anticoncepcionais.

"É claro que a maioria dos casais da Igreja Católica usa camisinha, faz laqueadura e ninguém fala. É aquela hipocrisia e não se esclarece que temos que ter uma boa educação sexual, planejar nossas famílias. Agora se isso é escandaloso em pleno século 21, eu não sei em que sociedade estou vivendo", diz.




Igreja se assemelha a Feliciano, diz padre excomungado

CHICO SIQUEIRA

O padre Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, de Bauru (SP), disse que, pelo fato de ter sido excomungado, a Igreja Católica tem comportamento que pode ser comparado ao do pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, conhecido por suas declarações preconceituosas contra os homossexuais e negros. Daniel foi excomungado pela Igreja depois de postar na internet entrevistas defendendo o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo e bissexuais.

"Essa comparação pode ser feita. Acredito que a Igreja, com essa excomunhão, se equipara ao pastor Feliciano, alguém extremamente dogmático e fundamentalista, que está num cargo onde deveria fazer com que os direitos humanos fossem respeitados, mas ao contrário, ele exclui os direitos das pessoas", comentou. Segundo padre Beto, tanto a Igreja Católica quanto Feliciano "deveriam exercer o diálogo e não a exclusão". Para ele, a Igreja foi contra a própria essência do evangelho ao condená-lo por ter defendido os homossexuais.

"A essência do evangelho possui Jesus Cristo como modelo e o evangelho de Jesus Cristo foi exercido com liberdade de expressão e respeito; ele amou as pessoas sem preconceito algum e nunca condenava ou excluía alguém por ser diferente dos outros", disse padre Beto. Segundo o religioso, pelo comportamento da Igreja em relação à sua excomunhão e às declarações de Feliciano, "as pessoas com tendências diferentes dos heterossexuais, como bissexuais e homossexuais, além de serem vistas com preconceito, são consideradas pecadoras".

"Cristo não falou nada sobre sexualidade. As expressões sobre os temas sexuais na bíblia representam a mentalidade de uma época em que as pessoas não tinham condições de analisar a bissexualidade ou a homossexualidade. A ciência evoluiu e a Igreja não pode fechar os olhos para o conhecimento humano, não pode ignorar a realidade da existência de uma diversidade sexual", diz. "A Igreja não pode achar que duas pessoas que se amam, que se respeitam e querem construir um mundo juntos, são pecadoras só porque são do mesmo sexo", completou. Beto diz que vai conversar com um advogado especializado em direito canônico para se defender.

Em nota distribuída nesta terça-feira, 30, pela assessoria do bispado de Bauru (SP), o juiz-instrutor da excomunhão diz que o ato se deu porque padre Beto não obedeceu aos superiores e insistiu em manter um comportamento em desacordo com as regras do sacerdócio. Embora o bispo de Bauru, d. frei Caetano Ferrari, tenha exigido que o padre retirasse da internet os vídeos em que critica a postura da Igreja em relação aos temas sexuais, a nota afirma que o sacerdote não foi excomungado por defender os interesses dos homossexuais porque "isso não é matéria para excomunhão na Igreja"



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bispo de Bauru (SP) excomunga padre Beto

Numa decisão que já era - de certo modo - esperada depois das repercussões das declarações polêmicas do padre Beto, bem como de sua recusa em se retratar e pedir perdão, mas mesmo assim surpreende pela gravidade da pena aplicada, o bispo de Bauru (SP), D. Caetano Ferrari publicou nota oficial no sítio da diocese comunicando a excomunhão do agora ex-pároco, com o seguinte teor (os grifos são nossos):

Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru sobre o Rvedo. Pe. Roberto Francisco Daniel

É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.

O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.

A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.

Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto .

Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.

Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.

Bauru, 29 de abril de 2013.

Por especial mandado do Bispo Diocesano, assinam os representantes do Conselho Presbiteral Diocesano.



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