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sábado, 8 de abril de 2017

Thor é o cara! Paganismo nórdico avança na Islândia


Por Odin! Parece que a linda e enigmática Islândia quer se conformar à letra de "Eduardo e Mônica", do Legião Urbana, especialmente naquele verso "festa estranha, com gente esquisita"...

A informação é da BBC Brasil:

Com ascensão de paganismo nórdico, número de adoradores de Thor duplica na Islândia

Nos últimos anos, a Islândia tem registrado um aumento significativo no número de seguidores de um movimento pagão chamado Associação Asatru. Trata-se hoje da religião que mais cresce no país.

Segundo estatísticas do governo, a igreja Luterana continua sendo a dominante no país, com 237.938 fiéis - o equivalente a 70% da população, um número que se mantém estável há décadas.

Mas o número de islandeses que reverenciam Odin, Thor e a deusa Freyja teve um aumento de 50% desde 2014, chegando a 3.583 fiéis, o dobro em relação ao período anterior àquele ano, segundo o jornal local Morgunbladid.

Estatísticas do governo islandês indicam que havia apenas 879 fiéis em 2005.

A maior autoridade da Associação Asatru é o compositor Hilmar Orn Hilmarsson, que é conhecido no exterior pelo seu trabalho com bandas como a Sigur Rós. De acordo ele, o aumento do número de seguidores tem a ver com a cobertura midiática das coloridas cerimônias da Asatru. "Mais pessoas estão vendo o que fazemos, e elas gostam disso", diz.

"Não recrutamos membros, apenas encorajamos as pessoas a participarem caso estejam interessadas. Nossas cerimônias são abertas a todos."

Templo pagão

Diferentemente de outras associações neopaganistas em outras partes da Escandinávia, a Asatru é aberta a todos independentemente de cor, sexualidade e gênero e trabalha com outros grupos para promover direitos civis e conscientização ambiental.

A última iniciativa do movimento foi iniciar a construção de um templo na montanha de Oskjuhlid, que fica perto da capital Reykjavik, onde vivem mais de um terço dos islandeses.

Hilmarsson diz que o primeiro templo pagão no país em mil anos terá capacidade para 250 pessoas e será usado para realizar casamentos, cerimônias de batismo e funerais.

Construído por meio de doações em um terreno doado pelo governo local de Reykjavik, o templo deve ficar pronto até o começo de 2018. E não há dúvidas de que o líder da Associação garantirá uma intensa cobertura midiática da abertura.

Clandestinidade

O paganismo nórdico era a crença mais comum na Islândia até o ano 1000, quando o país acatou a exigência do Cristianismo de se tornar a religião oficial do país.

Esse acordo evitou uma guerra civil no país e a única condição por parte dos pagãos foi poder praticar sua religião de maneira independente.

Mas uma vez que o Cristianismo foi estabelecido no país, o paganismo acabou oprimido e levado à clandestinidade.

Mesmo assim, a mitologia nórdica foi preservada e a poesias pagãs épicas, mantidas como parte da cultura nacional.

A Asatru é uma religião politeísta com vários deuses e deusas - na Islândia, os mais populares são Thor, o deus dos céus e dos trovões, e Freyja, deusa do amor e da fertilidade. Seus princípios são não autoritários e descentralizados, sem um texto sagrado ou fundador oficial.

Sua filosofia promove a tolerância e liberdades individuais, e as principais celebrações acontecem nos solstícios de verão e de inverno e nos dois equinócios.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Veredas antigas



No seu livro “História do Movimento Missionário”, recentemente lançado pela Ed. Hagnos, Justo L. González e Carlos Cardoza Orlandi chamam a atenção para alguns aspectos que contribuíram para o crescimento da Igreja primitiva nos primeiros séculos, e que andam esquecidos pela Igreja atual. 

O primeiro é a importância das mulheres, que eram muito mais numerosas que os homens. 

Timóteo é o exemplo claro desta influência, através de sua avó Loide e sua mãe Eunice (2 Tim 1:5), mas o fato é que tudo indica que as mulheres viram na nascente igreja cristã uma maneira de escapar da promiscuidade e dos abusos sexuais que marcavam a ferro e fogo a sociedade machista da época. 

Além disso, as mulheres tinham (e continuam tendo) muito mais contatos sociais com maior capacidade de comunicarem a mensagem do evangelho. 

Assim, geralmente elas eram as primeiras a se converterem e logo traziam à igreja seus maridos e filhos.

O segundo aspecto é o cuidado que os primeiros crentes tinham um para com os outros, especialmente numa época de epidemias que dizimavam populações inteiras, como era o cenário dos primeiros séculos da era cristã. 

Enquanto os pagãos eram individualistas, abandonavam os doentes e procuravam fugir das cidades, os cristãos se ajuntavam e cuidavam dos seus enfermos, e logo passaram a cuidar inclusive dos pagãos carentes, dando início à longa tradição de caridade que marcou a história do cristianismo. 

Havia, portanto, uma taxa maior de sobrevivência (e permanência) entre os cristãos. 

Um terceiro ponto que favoreceu o crescimento cristão é o repúdio ao aborto e ao infanticídio, práticas comuns entre os pagãos, além da aversão às relações extraconjugais. 

Tudo isto combinado gerou uma taxa positiva de crescimento populacional dos cristãos, enquanto os demais experimentavam uma redução no seu número.

Esses dados da Igreja primitiva podem ser resumidos em um só verbo, hoje em desuso nas comunidades cristãs: servir

Os primeiros crentes colocavam em primeiro lugar o interesse do outro, o serviço ao próximo, a proteção da comunidade, sem exclusivismo. 

Foi esta característica que chamou a atenção dos pagãos e transformou o mundo.

Infelizmente, vivemos uma era em que muita gente dentro das igrejas procura apenas servir-se dela e da comunidade, para os seus próprios interesses egoístas. 

A seus líderes se aplica a advertência de Judas (vv. 12-16): são “pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas, [...] a sua boca diz coisas muito arrogantes, adulando pessoas por causa do interesse”.

Voltemos, então, ao exemplo que nos deixaram nossos pais na fé.

Para ler o trecho do livro “História do Movimento Missionário” aqui comentado, visite o site e-cristianismo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Deus é o Baú da Felicidade?

Acordei cedo hoje, liguei a TV e lá estava pregando um daqueles pastores convidados pelo Silas Malafaia pra rechear sua madrugada com devaneios "cóspel". 

O seu nome eu nem me lembro, porque fiquei tão aturdido com o que ouvi que fiz questão de ignorá-lo, mas foi o suficiente para prestar atenção na sua "exegese" curiosa do Salmo 37:4 ("Deleita-te no Senhor e Ele concederá o que deseja teu coração"), dizendo que, num "paralelo profético" com este versículo, "Deus financia o seu sonho". 

Ele repetiu várias vezes a expressão "Deus financia o seu sonho", como se fosse (mais) uma espécie de mantra evangélico para adquirir bens materiais, o que termina por reduzir Deus a um vendedor de consórcio ou carnê do Baú da Felicidade. 

Isso quando você não é sorteado para ir lá e rodar o pião. 

Talvez — na visão desse povo — Deus tenha se tornado uma espécie de CDC - Crédito Direto ao Consumidor, com a vantagem de que não precisa pagar nada, é só ter fé na fé que eles pregam e — shazam! — tudo fica bem. 

Para eles não existem leis básicas na economia, de que o dinheiro que chega numa ponta tem que necessariamente sair do bolso de alguém, ou ainda que "criar" dinheiro significa aumentar artificialmente a moeda em circulação, o que necessariamente gera inflação, com seus efeitos danosos especialmente à parcela mais pobre da população. 

Pinçar um versículo fora de contexto é — para eles — uma atitude banal, um reforço ao mantra, uma motivação fictícia de comportamento sugestionado. 

É a famosa técnica homilética ancorada no dito popular "se colar, colou", frase curiosamente também muito utilizada por estelionatários. 

Pouco importa se o versículo 7 do mesmo salmo diz: "descansa no Senhor, e espera nele; não te enfades por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa maus desígnios". 

Ora, se é pra forçar a adequação da Bíblia — com este salmo — à teologia da prosperidade, o versículo diz que quem prospera é o ímpio, e o justo não deve se preocupar com isso, mas em — ô glória! — descansar no Senhor

Obviamente, dentro da atual conjuntura pagã genérica que impera no meio evangélico brasileiro, esta comparação teria que ir para debaixo do tapete, lugar para onde já deve ter ido o senso de ridículo de muita gente. 

E os crentes decentes e honestos? 

Destes eles esperam somente que continuem pagando o carnê em dia... graças a Deus que vai chegar o dia dEle rodar o peão...

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