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sábado, 16 de setembro de 2017

Papa diz que quem nega aquecimento global é "estúpido"


E, cá entre nós, o papa pegou leve...

Chamar esses imbecis, para dizer o mínimo, de "estúpidos", até que ficou simpático.

A matéria é da BBC Brasil:

'O homem é um estúpido': a crítica do papa aos que negam mudanças climáticas

O papa Francisco citou a Bíblia para fazer duras críticas a líderes mundiais que se recusam a levar a sério as ameaças das mudanças climáticas.

"O homem é estúpido, é um teimoso que não vê", disse, atribuindo a frase a uma passagem do Antigo Testamento. Em seguida, emendou: "o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra".

O pontífice disse que os recentes furacões Harvey e Irma mostraram que os efeitos das mudanças climáticas podem ser vistos "com seus próprios olhos".

"Quem nega as mudanças climáticas tem de perguntar aos cientistas. Eles são claros e precisos", assinalou o líder da Igreja Católica em conversa com a imprensa na sua viagem de volta a Roma, após uma visita à Colômbia.

Ele disse ainda que a história julgará os líderes mundiais que nada fazem para minimizar os danos causados ao meio ambiente.

Apesar de o papa associar o aquecimento global às tempestades que provocaram prejuízo milionário a ilhas do Caribe e aos EUA nas últimas semanas, nem todo mundo concorda com essa visão.

Momento inapropriado

O chefe da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, em inglês), Scott Pruitt, disse ser um momento inapropriado para discutir a relação entre aquecimento global e a passagem dos furacões pelo Caribe e EUA.

Pruitt, que anteriormente declarou não concordar que emissões de dióxido de carbono fossem uma das principais causas do aquecimento global, afirmou à rede de televisão CNN que a especulação sobre "as causas e efeitos dos furacões...são descabidas".

O chefe da agência americana disse que as discussões, nesse momento, deveriam focar nos esforços de limpeza.

O prefeito de Miami, Tomás Regalado, que viu a própria cidade ficar parcialmente submersa depois da passagem do furacão Irma, discorda. Ele declarou ao jornal Miami Herald que "agora é a hora de falar sobre aquecimento global". "É a hora do presidente (Trump), da EPA e de quem mais toma decisões de falar sobre mudança climática".

Podemos associar furacões mais devastadores às mudanças climáticas?

Matt McGrath, analista da BBC para assuntos de meio ambiente, afirma que furacões são fenômenos complexos, difíceis de prever, mesmo com ou sem o aquecimento global como pano de fundo das discussões.

Ligar a incidência e a gravidade do impacto dos furacões a mudanças climáticas, diz McGrath, também é difícil de provar, simplesmente porque são eventos raros e não existe uma quantidade significativa de dados históricos para serem analisados e comparados.

Mas o especialista pondera que há algumas certezas. A equação de Clausius-Clapeyron nos permite afirmar que atmosfera mantém mais umidade, diz ele. Para cada grau Celsius extra no clima, a atmosfera pode conter 7% mais de água. Isso tende a tornar as chuvas ainda mais fortes, quando ocorrem.

McGrath diz que outra certeza é que a temperatura dos mares está mais alta - e cita o cientistas Brian Hoskins, do Instituto de Mundanças Climáticas Grantham, que disse que "as águas do Golfo do México estão 1,5 graus mais quentes que a temperatura registrada entre 1980 e 2010".

O debate sobre mudanças climáticas saiu da pauta oficial do governo dos EUA depois que Donald Trump assumiu a Casa Branca.

O presidente dos EUA reverteu algumas leis de proteção ambiental - muita delas implementadas por Barack Obama. Trump também anunciou a intenção de retirar os EUA do Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, como resposta global à ameaça da mudança do clima.

No entanto, não se sabe ao certo o que Trump pensa hoje sobre o aquecimento global. Em 2012, ele escreveu no Twitter que "o conceito de aquecimento global foi criado pela China" para prejudicar a competitividade da indústria norte-americana.

Responsabilidade de todos

O papa Francisco, por sua vez, não tem dúvidas sobre essa ameaça. Ele disse temer que o impacto será maior sobre os mais pobres, e critica abertamente quem não se disponha a agir contra o problema.

Suas declarações recentes foram vistas como críticas veladas a líderes como Trump.

"Eu não acho que seja algo para brincar. Cada pessoa tem sua responsabilidade, os políticos têm as suas."

- Desculpe, Sua Santidade, mas eu não acredito.
- Há esperança para todos, meu filho.
- Eu estou falando sobre mudança climática...
- Então, acho que não há esperança para você...




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Charlottesvile mostra o perigo de ser complacente com fascistas em geral

Na próxima vez em que o seu amiguinho burro disser que nazismo é uma ideologia de esquerda, mostre-lhe a matéria abaixo em que eles se assumem "de direita" e, de preferência, desenhe o que isso significa porque eles têm uma dificuldade enorme em compreender as obviedades.

Na próxima vez em que a sua amiguinha burra disser que é fãzóca do projeto "escola sem partido", mostre-lhe a matéria abaixo e lhe pergunte quem é que vai ensinar às crianças que nazismo e fascismo são atitudes e posições ideológicas imbecis, para dizer o mínimo. Talvez seja necessário desenhar também...

Na próxima vez em que os seus amiguinhos "evangélicos" disserem que vão votar para presidente do Brasil num candidato fascista cujo nome não deve nem ser pronunciado, mostre-lhes a matéria abaixo, e lhes diga que os "evangélicos" americanos apoiaram Donald Trump, mesmo sabendo que ele está relacionado com esta gente que defende a "supremacia dos brancos", tanto que não os criticou veementemente pelo acontecido, o que está gerando enorme reação inclusive por parte dos republicanos que o apoiavam.

Quem sabe ainda haja lugar para arrependimento e salvação no que restou da alma deles, se é que restou alguma coisa.

Não se assuste, entretanto, se nada disso funcionar, porque raciocínio e bom senso costumam faltar a esses acéfalos, mas faça a sua parte, denuncie e tente salvar o máximo de pessoas dessa desgraça chamada nazismo.

Lembre-se sempre que aqueles que não aprendem com os erros que a História lhes ensina, estão condenados a repeti-los.

A matéria é do G1:

"Sou nazista, sim": O protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus

Autoproclamados fascistas, supremacistas, nacionalistas e alt-right marcham à luz de tochas e promovem eventos em cidade do sul americano.

Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.

O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento "Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.

A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal.

Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.

Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.

Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.

"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.

Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.

A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.

"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia não confirmou se houve presos.

Nazis

"Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma discussão com um dos membros do grupo opositor.

Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam tochas.

A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha", afirmou o pai.

"Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.

A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três seguravam tochas.

Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".

"Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.

Perto dali, sozinho, um rapaz jovem extendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era fotografado por fotojornalistas e gritava "Vocês não vão nos substituir".

As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.

Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e assassinatos de negros.

Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus mentirosos".

Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito pior. Isso vai virar um inferno."

"A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.

Alt-right

O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".

"A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário".

Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right, uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.

Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em Charlottesville.

Presidente de um organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.

Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".

Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente da "América Branca que veio antes".



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marcha pela Ciência movimenta o mundo contra Trump


Parece que a Marcha para Jesus está ganhando uma concorrente, segundo noticia o Estadão:

Marcha em prol da Ciência une diversos países

Organizado em resposta ao discurso anticientífico do presidente americano Donald Trump, ato visa conscientizar lideranças políticas a levar em consideração evidências científicas antes de elaborar e colocar em prática políticas públicas

Mais de 600 cidades espalhadas por quase 70 países tiveram suas ruas tomadas neste sábado, 22, por milhares de cientistas e apoiadores num protesto internacional em defesa da Ciência. Organizada em resposta ao discurso anticientífico adotado pelo presidente americano Donald Trump, que já classificou o aquecimento global como uma farsa, a Marcha da Ciência teve por objetivo conscientizar as lideranças políticas a levar em consideração evidências científicas antes de elaborar e colocar em prática suas políticas públicas. No Brasil, 24 cidades aderiram ao ato.

No Rio, ainda pela manhã e sob chuva, cerca de 150 pessoas participaram da manifestação em frente ao Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Elas protestaram contra os cortes no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, que chegam a 44% e resultam na redução de bolsas acadêmicas e de investimentos em pesquisas e em laboratórios.

Estudantes e professores de universidades do Estado, como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), além da UFRJ, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e de entidades de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz, levaram cartazes com dizeres como "Ciência não é gasto, é investimento" e tesouras gigantes, numa crítica aos cortes.

Eles gritaram palavras de ordem contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e destacaram em suas falas os riscos da falta de financiamento, no longo prazo, para o desenvolvimento da ciência no País. Citaram também o desestímulo para as novas carreiras representado pelas reformas trabalhista e da previdência do governo federal, e pelas novas regras para a terceirização.

"Os cortes já vinham desde 2013, sempre com a alegação da crise, e se aprofundaram. Não há justificativa, é uma política equivocada, e que pode provocar um retrocesso grande. Ciência é algo que não se constrói da noite para o dia, mas que é fácil de destruir", disse o vice-presidente da SBPC, o físico Ildeu Moreira. "O auge dos investimentos foi em 2010, mas nunca chegamos a ter 1,2% do Produto Interno Bruto, quando países como Coreia do Sul e Israel têm 4%".

"Temos que reagir. Mostrar à sociedade brasileira que a ciência está de pé, afirmar o valor da educação. Se não há bolsas, se os laboratórios estão desconstruídos, damos uma sinalização objetiva para que os jovens se afastem da ciência", disse o reitor da UFRJ, Roberto Lerer. A instituição acumula déficit de R $ 160 milhões.

"Esperamos que este não seja um projeto de desmonte da ciência, que seja algo conjuntural e reversível", afirmou o diretor do Instituto Oswaldo Cruz, Wilson Savino. O MCTIC informou que está avaliando o impacto da redução orçamentária e pediu aos seus institutos que apresentassem prioridades e necessidades para 2017, na expectativa de que parte dos recursos seja descontingenciada ao longo do ano.

Mundo. Em Sidney, na Austrália, cientistas vestidos com túnicas brancas afirmavam que, numa época de tantas notícias falsas, o que o mundo precisa é de pensadores, não de negadores. Em cartazes, diziam ainda que “sem ciência é só ficção”. Na Áustria, o protesto lotou o Parque Sigmund Freud, em Viena, onde cientistas ressaltavam que “ciência não é opinião”. Em Bogotá, na Colômbia, o protesto teve o mesmo tom, reafirmando que a ciência é “indispensável”.

Em Washington, nos EUA, a marcha estava marcada para começar no entorno da Casa Branca e terminar em frente ao Capitólio, a sede do Congresso americano. De manhã, antes do início do ato, manifestantes já protestavam contra Trump, com os dizeres: “Tornar a América Inteligente de Novo”, em paródia ao slogan de campanha de Trump, “Tornar a América Grande de Novo”.

A administração Trump é cética em relação à contribuição da ação humana para o aquecimento global e ameaça abandonar o Acordo de Paris sobre o clima. O presidente americano também determinou cortes no financiamento à pesquisa científica e revogou uma série de regulamentações de caráter ambiental. “Esse governo nega o aquecimento global, o que contraria toda a evidência científica nesse sentido”, disse a cirurgiã veterinária Allison Haley, presente na marcha.

Muitos dos participantes da marcha eram cientistas, como o químico ambientalista Barnabas Vandevender. “Parece que integrantes da atual administração dizem coisas que não são baseadas em fatos”, afirmou. “A ciência é importante para todos e cria melhorias que beneficiam todo mundo.”

A escritora Mag Masey disse que estava na marcha para defender que o dinheiro de seus impostos seja investido em pesquisa científica. “Assim nós podemos ter um mundo melhor amanhã”, observou.



segunda-feira, 6 de março de 2017

Bruxas dos EUA lançam feitiços contra Trump


O detalhe da vela cor de laranja é particularmente engraçado e a notícia esquisitona vem da ACIDigital:

Bruxas dos Estados Unidos se unem para “lançar feitiços” contra Trump

WASHINGTON DC, 04 Mar. 17 / 02:00 pm (ACI).- Nos Estados Unidos, bruxas de todo o país querem “lançar feitiços” contra o presidente Donald Trump, a fim de removê-lo do seu cargo.

O primeiro “feitiço massivo” ocorreu à meia-noite do dia 24 de fevereiro, dia no qual as bruxas também se comprometeram a repetir o ato em cada “lua crescente” até alcançar o seu objetivo.

Os próximos feitiços serão lançados nos dia 26 de março, 24 de abril e 23 de maio.

Além disso, os organizadores criaram um documento on-line chamado “A Spell to Bind Donald Trump and All Those Who Abet Him” (Um feitiço para amarrar Donald Trump e todos aqueles que o encobrem). Neste documento também detalham uma lista de materiais para realizar o ritual. Entre os materiais, há uma foto desfavorável de Trump, um carta de tarô, um pedaço de vela laranja e terra.

O ritual descrito nesse documento chama os espíritos, que incluem os “demônios dos reinados do inferno” e ordena “atar Donald J. Trump para que falhe completamente”.

Segundo o Pe. Vincent Lampert, exorcista da Arquidiocese de Indianápolis desde 2005, os feitiços poderiam ter certo poder.

“Creio que há poder, mas não vem de Deus. Qualquer um que se atreva a dizer que quer desafiar Deus, está usando o poder do mal como próprio. Devem se dar conta de que não podemos usar o diabo, mas que o diabo nos usa”, disse o sacerdote ao meio de comunicação ‘Indianapolis’ em 2014.

Os feitiços, segundo Pe. Lampert, só têm um efeito nas pessoas que são espiritualmente frágeis, mas que se a pessoa está “ancorada” em Deus, então não há nada a que temer.

Além disso, o sacerdote assinalou que em Deuteronômio 18,10-12, o uso da bruxaria é condenado como detestável para Deus.

Por outro lado, disse que não se pode “impedir que alguém ponha maldição, mas como cristão, se reza a Deus, a maldição não terá poder”.

Pe. Lampert explicou que os católicos devem participar da Missa, receber a Eucaristia e se confessar, pois é uma forte proteção contra o mal.

“As maldições são efetivas quando a pessoa está frágil. A pessoa teme ao diabo mais do que a Deus”, enfatizou.



sábado, 11 de fevereiro de 2017

Estaria o papa Francisco na mira de Donald Trump?

"Rade vetro, Trumpana..."

É o que se suspeita a partir das movimentações do principal assessor do presidente norte-americano, segundo publica o IHU:

Steve Bannon também procura desestabilizar o Papa Francisco? É o que sugere reportagem do New York Times

O estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, busca alianças com o setor conservador do Vaticano e opositor ao Papa Francisco, revelou, neste dia, o jornal The New York Times.

A reportagem é publicada por Sin Embargo, 07-02-2017. A tradução é do Cepat.

A matéria publicada no dia de hoje menciona que o estrategista-chefe dos Estados Unidos estabeleceu contato com o cardeal estadunidense Raymond Burke. Os dois acreditam que “o Islã ameaça ruir um Ocidente prostrado e fragilizado pela erosão dos valores cristãos tradicionais e se consideram injustamente marginalizados pelas elites políticas”, destacou o influente jornal.

“Quando Stephen K. Bannon ainda dirigia o Breitbart News, foi ao Vaticano para cobrir a canonização de João Paulo II e fazer alguns amigos. No alto de sua lista de pessoas a contatar estava um cardeal estadunidense ultraconservador, Raymond Burke, que havia se confrontado abertamente com Francisco”, destacou a nota do Times.

O jornal ressaltou que Francisco deixou de lado os tradicionalistas, especialmente o cardeal Burke, e apostou em uma agenda em favor da migração, mudança climática e pobreza.

“No entanto, em um mundo novo e turbulento, Francisco é de repente uma figura mais solitária”, considerou a nota escrita por Jason Horowitz, que também ressaltou que o ex-presidente Barack Obama era visto como um aliado do Papa.

O jornal também destacou que Bannon tem a ideia de que o Papa está “perigosamente equivocado” e que “provavelmente é socialista” por deixar de lado a Igreja mais tradicional, como a que Burke representa. Os conservadores viram em Trump “um líder alternativo que defenderá os valores cristãos tradicionais contra os intrusos muçulmanos” e que poderá trazer mudanças à estrutura de poder católica nos Estados Unidos.

Em uma conferência do Vaticano, organizada por Benjamin Harnwell, homem de confiança do cardeal Burke, Bannon expressou publicamente sua visão de mundo e deixou claro que compartilha os objetivos do Papa em assegurar a paz e acabar com a pobreza, mas não suas ideias sobre como conseguir isto. Essa fala obteve a aprovação dos conservadores.

“Ao reconhecer alguém que se sacrificou com a finalidade de permanecer fiel a seus princípios e que está lutando contra o mesmo tipo de batalha no âmbito cultural, não me surpreende que haja um encontro”, disse quem organizou a reunião de 2014, durante um almoço entre religiosos, segundo o Times.

E acrescentou: “Não quero passar minha vida lutando contra o Papa em questões que não mudarei de opinião [...]. Muito mais valioso para mim seria passar o tempo trabalhando construtivamente com Steve Bannon”.

O texto recordou que o poderoso estrategista do magnata em certa ocasião destacou que Burke é “a pessoa mais inteligente em Roma”.

O extenso texto também ressaltou que “o cardeal Burke se tornou um defensor dos conservadores nos Estados Unidos e que sob a direção de Bannon, Breitbart News instou seu correspondente em Roma a escrever com simpatia sobre ele”.

Antonio Spadaro, sacerdote próximo a Francisco e editor da revista La Civiltà Cattolica, expressou que a força assumida pelos supostos opositores ao atual Papa existe mais “em nível de imagem” e de “propaganda”.

Nancy Pelosi, líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, qualificou o líder estrategista do Presidente Trump, na semana passada, como “supremacia branca” e disse que não tem nada a fazer no Conselho de Segurança Nacional.

Pelosi não mencionou Steve Bannon por seu nome, mas estava se referindo ao ex-diretor do Breitbart News, um portal conservador.

“O que está tornando os Estados Unidos menos seguro é ter um supremacista branco como membro permanente do Conselho de Segurança Nacional, ao passo que ao chefe do Estado-Maior Conjunto e ao diretor de Inteligência Nacional dizem: ‘não chamem, nós lhes chamamos”, enfatizou Pelosi.

“É surpreendente”, acrescentou a legisladora.

Trump tornou Bannon um membro regular do poderoso Comitê de Diretores do conselho, o que também lhe permite participar das reuniões da plenária do conselho.

Além disso, o Presidente deixou o chefe do Estado-Maior Conjunto e o diretor de Inteligência Nacional fora de suas posições como membros regulares do Comitê de Diretores, e só poderão participar das reuniões quando “forem discutidos assuntos concernentes a suas responsabilidades e experiência”, segundo um memorando de Trump.

Sob a condução de Bannon, Breitbart cresceu até se tornar uma das vozes mais poderosas da direita do país. Os críticos acusaram Bannon de ter permitido que o portal de internet se convertesse em uma plataforma para nacionalistas brancos, uma acusação que Bannon refutou.

Como estrategista de Trump, Bannon tem muita influência sobre a agenda de governo, incluindo o decreto para suspender o programa de refugiados dos Estados Unidos.

O Conselho de Segurança Nacional assessora o presidente sobre política exterior, militar e interna no que diz respeito à segurança da nação. Por lei, o presidente, o vice-presidente, o secretário de Estado, o secretário de Defesa e o de Energia são membros. Também por lei, o presidente do Estado-Maior Conjunto e o diretor de Inteligência Nacional são assessores do conselho.



domingo, 20 de novembro de 2016

A arte de mentir em tempos de pós-verdade

Eleitores de Trump e o próprio em êxtase.
Quanto desta cena é verdade?
Ou pós-verdade...

Sim, é isto mesmo o que você leu no título, a mentira virou uma forma de "arte" nesses tempos em que a verdade não basta mais por si só, ela precisa de um "plus".

Qualquer semelhança com o discurso político único supostamente "ético" que ouvimos diariamente no Brasil não é mera coincidência.

Leia o artigo abaixo, publicado no The Economist, traduzido e reproduzido no Estadão, que você vai entender o porquê:

Arte da mentira

Na política, a verdade já não é mais é falseada ou contestada; tornou-se secundária no debate público

Os políticos sempre mentiram. Faz alguma diferença se resolverem deixar a verdade totalmente de lado?

A essa altura deve estar claro que Donald Trump habita um mundo onde os fatos são, quando muito, imigrantes indesejáveis. Nesse mundo de fantasia, Barack Obama usa uma certidão de nascimento falsa e é o fundador do Estado Islâmico (EI), os Clinton são assassinos e o pai de um dos adversários do magnata nas primárias esteve com Lee Harvey Oswald quando este distribuía panfletos pró-Cuba.

Trump é o principal expoente da política “pós-verdade”, um estilo de atuação na esfera pública que se distingue pelo uso frequente de afirmações aparentemente verdadeiras, mas sem qualquer respaldo na realidade. O descaramento do bilionário não é penalizado, sendo antes tomado como prova de que o eleitor está diante de alguém que não abaixa a cabeça para as elites no poder.

E Trump não é o único. Na Grã-Bretanha, um dos argumentos utilizados pela campanha que venceu o referendo de junho foi o de que, se não aprovassem a saída da União Europeia (UE), os britânicos seriam invadidos por uma horda de imigrantes, já que a Turquia estaria prestes a ingressar no bloco.

Se, como The Economist, o leitor acredita que a política deve se basear em fatos, isso é preocupante. As democracias mais sólidas dispõem de mecanismos de defesa para se proteger da pós-verdade. Países autoritários são vulneráveis.

Mas a pós-verdade é mais que uma simples invenção de elites que ficaram a ver navios. A expressão põe em evidência o cerne do que há de novo na política: a verdade já não é falseada ou contestada; tornou-se secundária. No passado, o objetivo das mentiras políticas era criar uma visão enganosa do mundo. As mentiras de homens como Trump não funcionam assim. Seu intuito não é convencer, e sim reforçar preconceitos.

São os sentimentos, não os fatos, que importam nesse tipo de discurso. A incredulidade dos adversários legitima a mentalidade “nós-contra-eles” que os candidatos anti-establishment exploram com sucesso. E se os oponentes tentam mostrar que as palavras não correspondem à realidade, veem-se obrigados a lutar no campo de batalha escolhido pelos líderes pós-verdade. Quanto mais os defensores da permanência da Grã-Bretanha na UE se esforçavam para mostrar que os partidários do Brexit usavam cálculos superestimados ao determinar os valores gastos pelo país por fazer parte do bloco europeu, por mais tempo mantinham a magnitude desses gastos sob os holofotes.

A política pós-verdade tem muitos pais. Alguns são dignos de louvor. Submeter as instituições e as autoridades a questionamentos é uma virtude democrática. Assumir uma atitude cética e desafiadora diante dos líderes é o primeiro passo para reformar uma sociedade. O colapso do comunismo foi acelerado graças a pessoas corajosas para contestar a propaganda oficial.

Acontece que há também forças corrosivas em ação. Muitos eleitores sentem que foram enganados e deixados para trás, ao passo que as elites continuam a viver no bem-bom. Detestam os tecnocratas que diziam que o euro contribuiria para melhorar suas vidas . Nas democracias ocidentais, as pessoas já não confiam como antes nos especialistas e nas instituições.

Mídia. A evolução da mídia também ofereceu terreno fértil para que a pós-verdade florescesse. A fragmentação das fontes noticiosas criou um mundo atomizado, em que mentiras, rumores e fofocas se espalham com velocidade alarmante. Mentiras compartilhadas online, em redes cujos membros confiam mais uns nos outros do que em qualquer órgão tradicional de imprensa, rapidamente ganham aparência de verdade. Confrontadas com evidências que contradizem crenças que lhes são particularmente caras, as pessoas preferem fechar os olhos para a realidade. Práticas jornalísticas bem-intencionadas também têm culpa no cartório. A busca da “imparcialidade” na veiculação de notícias com frequência cria um falso equilíbrio, às custas da verdade. Os cientistas da Nasa dizem que Marte provavelmente é desabitado; o professor Zureta diz que pululam alienígenas no planeta. Opinião por opinião, cada qual que escolha a sua.

Quando a política começa a ficar parecida com um ringue de luta-livre, a sociedade arca com os custos. Ao insistir em dizer - para perplexidade de alguns dos conservadores mais empedernidos - que Obama fundou o EI, Trump impede a realização de um debate sério sobre como lidar com extremistas violentos. Governar é complicado; aos olhos da política pós-verdade, porém, a complexidade é só um truque ilusionista que os especialistas usam para levar todo mundo no bico.É tentador pensar que, quando ideias vendidas sem amparo na realidade começarem a soçobrar, os eleitores abrirão os olhos e perceberão que se deixaram levar por líderes que não se dão o trabalho nem de disfarçar as mentiras. A pior parte da pós-verdade, porém, é que não se deve contar com esse movimento de autocorreção. Quando as mentiras tornam o sistema político disfuncional, é possível que os resultados negativos acabem por realimentar a mesma alienação e o mesmo descrédito nas instituições que estão na própria origem da política pós-verdade.

Políticos “pró-verdade”, às armas. Para enfrentar essa situação, os políticos comprometidos com os fatos e com a democracia precisam partir para o contra-ataque e incorporar uma linguagem mais aguerrida . Assumir uma posição de humildade e reconhecer os equívocos a que foram levados pela arrogância e pelo excesso de confiança também ajudaria. A verdade conta com forças poderosas a seu lado.

As democracias também têm instituições que podem ajudar. Sistemas judiciários independentes dispõem de mecanismos para estabelecer a verdade. O mesmo se aplica a órgãos criados para orientar a implementação de políticas públicas - em especial os que têm laços com a comunidade científica.

Se Trump for derrotado em novembro, a política pós-verdade parecerá menos ameaçadora, muito embora o bilionário tenha feito sucesso demais nos últimos meses para que ela suma do mapa de uma hora para a outra. Bem mais preocupante é a situação de países como Rússia e Turquia, onde autocratas recorrem à pós-verdade para silenciar os adversários. Deixadas à deriva num oceano de mentiras, as pessoas não terão em que se agarrar. Embaladas pela novidade da política pós-verdade, correm o risco de se ver nas mãos da opressão à moda antiga. / TRADUÇÃO DE ALEXANDRE HUBNER



Erasmo Carlos cantando "Pega na Mentira" em 1981. Premonitório?




sábado, 12 de novembro de 2016

Eleições nos EUA mostram divisão entre "evangélicos" fundamentalistas e "protestantes" liberais


A matéria foi publicada no IHU:

Uma votação polarizada entre evangélicos nos EUA


Temas como direitos humanos, migrações, ambiente, paridade de gênero e direitos das minorias vão mudar radicalmente depois dessa eleição no discurso público. Nos Estados Unidos e no mundo. 


A reportagem é de Matteo De Fazio, publicada no sítio Riforma, 09-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto. 

Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos da América. "Devemos superar as divisões", foi uma das primeiras frases proferidas depois dos cumprimentos de Hillary Clinton pelo desafio na campanha eleitoral. Ainda é difícil, neste momento, imaginar que serão superadas as divisões e os muros, que o próprio Trump prometeu construir, tanto físicos quantos culturais. 

Enquanto o mundo inteiro comenta os resultados da eleição, voltamos a refletir sobre o voto dos protestantes que, com as devidas distinções, foi atraído várias vezes pelos discursos e pelos raciocínios do candidato republicano. 

De acordo com os resultados, o Bible Belt, a área cultural do sudeste dos Estados Unidos onde vive uma grande porcentagem de pessoas cristãs protestantes, em sua maioria evangélicas, apoiou Donald Trump completamente. 

Continuamos o discurso iniciado antes da votação (em que também comentamos a pesquisa do início deste ano do Pew Research Center) olhando para os resultados junto com Paolo Naso, professor de Ciências Políticas e coordenador do mestrado em Religiões e Mediação Cultural da Universidade de Roma "La Sapienza". 

Eis a entrevista.




À espera de dados mais precisos, já podemos interpretar as expressões dos evangélicos estadunidenses?

Eu acho que houve uma polarização extrema e radical, assim como na campanha eleitoral, uma radicalização entre os núcleo das Igrejas históricas, penso na Igreja Presbiteriana – à qual Trump, aliás, diz pertencer, mas não há documentos em evidência disso –, em alguns batistas, calvinistas, episcopalianos, luteranos, que, maciçamente, continuaram tendo uma opinião favorável ao Partido Democrata e a Hillary Clinton, e, por outro lado, o contexto das Igrejas evangélicas (a parte carismática, pentecostal, os newborns, ou as Igrejas livres) que, em vez disso, sob o apelo aos valores religiosos dos EUA concederam confiança a Trump, apesar de ser uma das pessoas, do ponto de vista biográfico, menos compatível com essa sensibilidade.

Uma polarização que diz respeito apenas à votação?

Uma votação polarizada que demonstra que a maioria do protestantismo estadunidense, nessa fase, está orientado mais para um vetor evangélico-carismático-livre e tendencialmente conservador, também de um ponto de vista teológico. Por outro lado, o núcleo histórico das Igrejas mainstream que têm fé em uma tradição diferente, que se expressou bem na presidência Obama, crente comprometido que vem justamente desse mundo.

A dimensão religiosa de Trump se expressou, principalmente, com temáticas ligadas ao medo, com a oposição de uma cultura sobre outra. Impressiona notar como o Bible Belt foi inteiramente favorável ao candidato republicano.

Isso não era óbvio. A personalidade e a biografia de Trump dificilmente são compatíveis com uma mensagem de rigor evangélico e cristão. É claro que ele se inspira em valores conservadores (família tradicional, não às famílias gays, não ao aborto e coisas desse tipo), opiniões que são muito caras à direita religiosa, evangélica, carismática e pentecostal, embora o seu estilo de vida parece ser incompatível com isso. Quando essa incompatibilidade veio à tona na campanha eleitoral, houve uma dupla inversão das cúpulas da direita religiosa: disseram que, no fundo, Abraão também tinha várias esposas, ou que o rei Davi não era um exemplo de lealdade exemplar em relação às mulheres, e assim por diante. Representaram Trump como um pecador, mas a altura dos grandes patriarcas bíblicos. Parecia uma tese improvável e ridícula, mas, evidentemente, esse tipo de raciocínio abriu caminho e levou a resultados relevantes.

Falou-se das diferenças na votação entre campanhas e cidades, com grandes polarizações. A leitura superficial que poderia ser feita é "povo culto que vota nos democratas contra povo ignorante que vota nos republicanos". É simples demais reduzir tudo a esse dualismo?

Talvez não. Os Estados Unidos foram investidos por uma crise pesada, da qual saíram parcialmente, pensemos no resgate da indústria automobilística que se deve apenas a Obama. Aquele sonho americano que, nos anos 1970, 1980 e 1990, tornava possível a acumulação de fortunas enormes por parte de alguns setores da classe média: fortunas repentinas que não são mais possíveis. De repente, a classe média em crescimento, que parecia alcançar resultados econômicos únicos e excepcionais, encontrou-se em uma situação de crise. De quem é a culpa? De quem está no poder, foi o raciocínio, neste caso, dos democratas: a alternância pode levar os Estados Unidos a serem novamente grandes, como dizia o lema de Trump. Essa ilusão, o sonho vendido com base no princípio de votar em algo diferente, encorajou a atitude de quem assume como objetivo uma mudança, seja ela qual for. Falamos de pessoas que não conseguem articular uma análise mais sofisticada: se os mercados entraram em colapso, não é culpa de Obama, mas de uma economia mundial que mudou nos últimos anos, de novas consciências, como a ambiental: em um discurso simplificado, em vez disso, a responsabilidade é completamente de quem se senta em Washington. Nesse esquema, a contraposição entre pessoas cultas que conseguem entender a complexidade e pessoas que tendem a simplificar parece-me funcionar.

Alguns defendem que Clinton, para o Mediterrâneo, já fez danos, portanto, Trump é o mal menor. O que devemos esperar para esta área?

Pessoalmente, não acho que pode ficar pior. Não porque eu acredite que vai acontecer sabe-se lá qual revolução. O sistema estadunidense tem a sua solidez, portanto "o sol vai voltar a surgir amanhã", como disse Barack Obama. Eu não temo uma reviravolta política em sentido belicista ou internacional, mas vai mudar o discurso público mundial sobre temas decisivos. Temas como direitos humanos, migrações, ambiente, paridade de gênero, direitos das minorias no discurso público, nos Estados Unidos e no mundo, vão mudar drasticamente depois dessa votação. A partir desse ponto de vista, estamos diante de uma reviravolta, a pior do meu ponto de vista.



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O dia em que a América acabou

Parece que ninguém - a não ser o próprio - esperava que Donald J. Trump vencesse as eleições americanas da última terça-feira, dia 8 de novembro de 2016, que entrou para a história como o dia em que a América acabou.

O candidato foi tratado por anos a fio como um bufão, uma espécie de bobo da corte que jamais teria chances de vitória diante da profusão de asneiras que insistia em pronunciar a cada minuto.

O establishment da política e da mídia nacionais e internacionais, reunidos em torno do hoje cadáver político de Hillary Clinton, se deliciaram com o ar canastrão, o jeito de falar de caricatura, enfim, a piada pronta chamada de Trump.

Só que os seus piores medos se tornaram realidade e Donald é hoje presidente eleito dos Estados Unidos, e não há mais nada a fazer senão aceitar o fato consumado.

Como se diz no popular, "aceita que dói menos"...

Afinal, se Donald Trump cumprir tudo o que prometeu na campanha eleitoral, da construção da muralha da fronteira com o México até o banimento de latinos e muçulmanos do território dos EUA, pouco restará a fazer senão esvair-se em lágrimas, coisa que já estão fazendo pessoas enquadradas nessa situação.

Curioso, entretanto, é ver evangélicos fundamentalistas norte-americanos e líderes russos comemorando juntos, irmanados, a eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Sim, amigos, evangélicos e "comunistas" juntos festejando a vitória política de alguém no continente americano. 

Isto pode, sim, mas só fora do Brasil, já que aqui continuarão imperando as falácias, a ignorância e a mediocridade sem fim.

Resta saber se o mundo vai nos acompanhar nesta jornada de bonde (ou tanque) sem freio em direção ao caos total.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

O voto envergonhado dos evangélicos nas eleições americanas de 2016

Dúvida do dia: chegará Donald Trump a Washington?
(uma recriação do famoso quadro "George Washington cruzando o rio Delaware", de 1851)

Ufa! Finalmente chegou o dia das eleições nos Estados Unidos, que foi esperado como se algo parecido com o Armagedom estivesse para acontecer. E talvez aconteça...

Hoje é dia de pegar seu balde de pipocas e ficar na frente da TV vendo algum canal internacional de notícias porque fortes emoções estão reservadas para o decorrer do dia e da próxima noite que testará os cardíacos.

Independentemente de quem ganhe aquela poltrona cobiçada no Salão Oval da Casa Branca, Donald Trump (pelo lado republicano) ou Hillary Clinton (democrata), o estrago já está feito para a democracia americana, que se apresenta como modelo para o mundo e teve uma campanha digna de "república das bananas" e repleta de golpes abaixo da cintura.


Hillary sonhando com sua cara esculpida lá em cima do Mount Rushmore

O quadro se apresenta levemente favorável a Hillary Clinton, sobretudo quando se considera que o número de latinos que já votou antecipadamente (nos Estados onde existe esta possibilidade) é o maior da história norte-americana, e ninguém tem dúvida sobre qual é o candidato preferido deles, já que Donald Trump fez questão de atacar esta comunidade ameaçando construir uma muralha gigante na fronteira com o México para impedir que eles entrem no país.

Curiosamente, Clinton não teve que levantar um dedinho só para atrair o voto latino, já que Trump lhe entregou de bandeja esta fatia do eleitorado.

Entretanto, há um grupo específico que já está experimentando o amargo sabor da derrota, não importando quem vença o pleito. É o grupo dos evangélicos fundamentalistas americanos, que vão votar maciçamente em Donald Trump mas morrem de vergonha de ter que admitir que farão isso.

Comportamento este muito diferente das eleições passadas, em que os evangélicos foram decisivos para eleger George W. Bush em 2000 e 2004, e lutaram fervorosamente contra Barack Obama em 2008 e 2012, quando ressuscitaram a ideia do "tea party", o movimento com valores tradicionais e independentistas que foi decisivo na Revolução Americana de 1776.

O maior expoente do "tea party" foi Sarah Palin, candidata a vice-presidente dos Estados Unidos em 2008 na chapa encabeçada por John McCain, mas seu apoio a Trump nas atuais eleições é bastante discreto, a exemplo do que ocorre com a imensa maioria dos evangélicos americanos, que parecem ter vergonha de se aliarem a um candidato misógino que não mede as palavras e vive se metendo em trapalhadas verbais.

Isto fez com que opositores dos evangélicos se animassem e passassem a atacá-los por sua hipocrisia, como foi o caso de Bill Maher, militante ateu e apresentador do programa "Real Time with Bill Maher" (vídeo abaixo), no qual agradeceu a Trump pela oportunidade que ele concedeu aos americanos de conferirem a hipocrisia dos evangélicos no que diz respeito a uma campanha política.

Primeiro, porque diante de um candidato tão falastrão e politicamente incorreto, os evangélicos fingiram não apoiá-lo ou, no máximo, defendem um voto envergonhado em Trump. Poucos realmente dão a cara a tapa. O "low profile" é a regra neste segmento.

Segundo, porque, apesar de defensores dos 10 mandamentos, se alinharam com um candidato cuja vida denota sua intenção permanente de quebrar todos eles.

Bill Maher prossegue seu agradecimento a Trump dizendo que - graças ao magnata - esta campanha não é como as campanhas passadas, nas quais todo candidato fazia questão de parecer "mais cristão" que o outro, mas exige dos evangélicos uma resposta à inquietação de todos nos Estados Unidos: como é que eles se alinharam à campanha de um homem que é mais conhecido por suas virtudes nada cristãs?

No fundo, este é o grande problema que ocorre quando aqueles que se dizem cristãos tornam o nome "evangélico" numa espécie de identificação de partido político. 

Ao levar um nome santo como este para a arena dos debates político-ideológicos, podem ter deixado para trás seu profundo significado espiritual.

Algo muito parecido com o que está acontecendo no Brasil, infelizmente.




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