Mostrando postagens com marcador vegetarianismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vegetarianismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ter menos filhos talvez seja a melhor medida contra o aquecimento global


É esta a conclusão a que chegou um grupo de pesquisadores suecos, que também sugerem o vegetarianismo como opção.

No fundo, a imagem que passam, curiosa e contraditoriamente, é a do cobertor curto que não aquece ninguém em tempos gelados como os atuais.

Leia a matéria abaixo da BBC Brasil e nos diga se você concorda ou não:

Ter menos filhos é ação mais eficaz contra aquecimento global, diz estudo

Fernando Duarte

Um estudo publicado neste mês na Suécia prega que ter menos filhos é a ação que pode ter mais impacto no combate às mudanças climáticas.

Mas os pesquisadores da Universidade Lund recomendam tal controle da natalidade apenas em países desenvolvidos, usando como argumento o fato de que nações como os EUA, por exemplo, são responsáveis pelas maiores emissões de carbono na atmosfera (16 toneladas por ano de CO2 per capita) e, por isso, teriam que fazer cortes mais drásticos para atingir "níveis seguros de emissões".

De acordo com os termos do Acordo Climático de Paris, assinado em 2015, 195 países se comprometem a limitar a média global de aumento da temperatura em menos de dois graus Celsius.

Para isso, cientistas estimam que, até o ano de 2050, o volume de emissões per capita não possa ultrapassar 2,1 toneladas de carbono (no Brasil, segundo dados do Banco Mundial, a emissão é de 2,5 toneladas).

Seth Wynes e Kimberly Nicholas afirmam que a redução não poderá ser obtida sem que famílias ou indivíduos tenham um filho a menos, apesar desta não ser a única medida recomendada.

"Não estamos sugerindo que isso vire lei ou coisa parecida. Sabemos que a decisão de ter ou não filhos é talvez a maior que alguém pode ter na vida, e que muitas pessoas não têm o clima como fator preponderante. Vejo isso mais como uma questão pessoal do que de política pública", afirmou Nicholas, em entrevista à BBC Brasil.

"Apenas quisemos mostrar o impacto que decisões pessoais podem ter nos esforços de prevenção de mudanças climáticas. É importante que as pessoas saibam dessas coisas em suas vidas. Especialmente quando mostramos que ações como a reciclagem ou o uso de lâmpadas LED", completa a especialista.

As conclusões são derivadas de análises e cálculos que, segundo os pesquisadores, levam em conta uma gama de ações individuais, das mais complexas como o controle da natalidade às mais simplórias como a reciclagem de lixo.

Wynes e Nicholas concluem, por exemplo, que ter um filho a menos contribuiria para uma redução média de 58,6 toneladas de CO2 na atmosfera por ano, uma quantidade muito maior que as outras três principais alternativas recomendadas: viver sem carro (2,4 toneladas), evitar viagens de avião (1,6) e adotar uma dieta vegetariana (0,8).

O impacto da opção por menos filhos teve como base de cálculo o total estimado de emissões dos filhos e demais descendentes divididos pela expectativa de vida dos pais.

A questão do crescimento populacional já faz parte dos debates sobre impacto humano no meio ambiente e, na última semana, um estudo publicado por acadêmicos da Universidade Stanford (EUA) culpou humanos pelo que classificou como "aniquilação biológica" - a extinção em massa de bilhões de espécies por causa da superpopulação e do consumo.

Segundo Nicholas, não há um número "mágico" de filhos a ser tidos ou evitados para obter um melhor resultado ambiental. Para Wynes, que também falou à BBC Brasil, as características de desenvolvimento dos países deve ser levado em conta no cálculo. No caso do Brasil, um país ainda em desenvolvimento, o consumo de carne e a quantidade de emissão per capita é muito inferior ao dos habitantes dos países altamente desenvolvidos. Por isso, as emissões são menores por pessoa e a diminuição no número de filhos não seria tão significativa.

"Nosso estudo se limitou a avaliar as grandes oportunidades de redução individual de emissões em países em que há as maiores taxas per capita desse tipo de poluição. Naturalmente, escolher ter famílias menores tem um impacto menor no Brasil. Nos países mais prósperos, o consumo de carne é mais alto, e isso aumenta o gasto de água, a necessidade de pastagens e também a liberação de gases. Daí que ter um membro a menos na família em países como os Estados Unidos é relevante para o meio ambiente", diz Wynes.

Em conjunto com a redução do número de filhos, a adoção em massa de uma dieta baseada em vegetais é uma medida importante no combate ao aquecimento global, aponta Wynes. "Queremos chamar a atenção para um fator que terá influência justamente sobre o futuro das próximas gerações, que herdarão o mundo. E não mostramos apenas a questão populacional, mas também o impacto de uma dieta vegetariana e de uma vida sem carro. Elas também têm impacto positivo", conclui Nicholas.



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dinamarca bane rituais religiosos no abate de animais


O governo dinamarquês anunciou na última semana que não será mais permitido o abate de animais de acordo com os preceitos religiosos judeus e islâmicos.

Para que a carne seja consumida de acordo com os princípios de cada uma dessas religiões, uma série de requisitos devem ser obedecidos. No judaísmo, este processo é conhecido como "kosher" e no islamismo, "halal", e para cada um deles existe uma certificação própria.

A legislação comum europeia exige que os animais sejam atordoados ou anestesiados antes de serem abatidos, abrindo uma exceção para judeus e muçulmanos, cuja tradição manda que os animais estejam conscientes no matadouro.

Os legisladores dinamarqueses, desta vez, proibiram qualquer exceção, o que deixa esses grupos religiosos sem opção para o consumo de carne.

As reações não tardaram a vir. Os judeus dinamarqueses acusaram o governo de antissemitismo, enquanto os muçulmanos se queixaram da "clara interferência na liberdade religiosa".

Em entrevista à TV2 da Dinamarca, o Ministro da Agricultura, Dan Jørgensen, defendeu a nova lei dizendo que "os direitos dos animais vêm antes da religião".

A repercussão já se fez sentir em Israel, onde o Ministro de Assuntos Religiosos, rabino Eli Ben Dahan, disse que "o antissemitismo europeu está mostrando as suas verdadeiras cores por toda a Europa, e está se intensificando na esfera governamental".

O grupo islâmico "Halal Dinamarquês", por sua vez, lançou uma petição contra o banimento, dizendo que a nova legislação "limita os direitos de muçulmanos e judeus em praticar sua religião na Dinamarca.

A informação é do jornal britânico The Independent.



segunda-feira, 20 de julho de 2015

Estamos comendo carne demais


A matéria é do IHU:


A carne do futuro será a do passado.
Consumo de carne cresce em ritmo acelerado e pode se tornar insustentável


Na coroação da rainha Isabel II, em 1953, foi servido frango, uma ave que pode parecer muito pouco nobre para um momento de pompa como este. Daquela cerimônia nasceu uma das receitas britânicas mais famosas, a Coronation Chicken. A partir de então, o consumo de carne no Ocidente acelerou-se de forma tão espetacular que aquilo que era extraordinário agora é comum. Só entre 1990 e 2012, segundo dados da FAO, o número de frangos no mundo cresceu 104,2%, passando de 11.788 para 24,7 bilhões, e o gado bovino, muito poluidor para o meio ambiente, passou de 1,4 bilhão para quase 1,7 bilhão de cabeças (um aumento de 16,5%). O problema está em saber se o planeta tem condições para suportar este aumento: um estudo de 2013, também da organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura, garante que a produção da carne é responsável por 14,5% das emissões de carbono e que, ao mesmo tempo, nos países desenvolvidos o consumo de carne cresce em torno de 5% ou 6% ao ano. “O gado tem um papel muito importante na mudança climática”, concluía a FAO.

A reportagem é de Guillermo Altares e publicada por El País, 15-07-2015. A tradução é de André Langer.

“A nossa alimentação está baseada em produtos de origem animal e sabemos que sua repercussão ambiental é muito grande”, explica Emilio Martínez de Victoria Muñoz, ex-presidente do Comitê Científico da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição. “Um quilo de carne é muito menos sustentável que um quilo de verduras”. O antropólogo Jesús Contreras, do Observatório da Alimentação, assinala: “Se todos os habitantes da China consumissem a mesma quantia de carne que nós, seria insustentável. Temos um problema de sustentabilidade, porque mantemos uma alimentação energeticamente muito cara”.

A carne sofreu várias crises. Por um lado, existem os conselhos médicos relacionados ao excessivo consumo de determinadas variedades (suínos, carne vermelha). Por outro lado, como ocorreu com as vacas loucas, há as polêmicas provocadas pelos produtos com os quais se alimenta o gado. Mas o grande problema envolvido em seu consumo tem agora muito mais a ver com o meio ambiente do que com a saúde. A chamada pegada de carbono, que mede os recursos necessários para produzir algo, é gigantesca no caso da carne, tanto que ninguém acredita que se possa manter o ritmo atual. Novamente segundo a FAO, no conjunto dos países desenvolvidos consumiam-se em média 60 quilos de carne em 1964; agora são 95,7 e calcula-se que serão 100,1 em 2030.

O jornalista Andrew Lawyer, que acaba de publicar um livro sobre a história dos frangos, Why did the chicken cross the world? (Por que o frango cruzou o mundo?), garante não poder calcular o número de aves que são sacrificadas diariamente no mundo: “Não existem estatísticas, mas estou seguro de que são dezenas de milhões. O consumo de frango cresce muito rapidamente. Quanto mais urbanizados são os países, mais ovos e frangos consomem”. A Espanha passou de uma produção de 836 mil toneladas de carne de aves para 1,3 milhão entre 1990 e 2013.

A carne representa uma indústria muito importante na Espanha. Segundo os últimos dados disponíveis da associação de produtores de carne, em 2013 o país exportou 1,57 milhão de toneladas pelo valor de 4,2 bilhões de euros. Com 3,4% da produção mundial, a Espanha é, além disso, o quarto maior produtor de carne suína, atrás apenas da China (que produz 50% da carne suína do mundo), dos Estados Unidos (10%) e da Alemanha (5,3%). Ao mesmo tempo, é o segundo país europeu em produção, representando 16% do total.

Esse mundo industrial, do qual vivem milhares de pequenas economias – basta recordar a crise que houve em Burgos no final de 2014 quando um incêndio destruiu a fábrica de Cantimpalos –, pode ser encontrado na localidade de Cantimpalos, com 1.400 habitantes, 16 indústrias de embutidos e uma produção de chouriço de 42 toneladas em 2013: “O setor de suínos não tem ajudas comunitárias”, explica Pedro Matarranz (foto abaixo), um pequeno produtor. “Este povo vive das indústrias de embutidos, da pecuária ou da agricultura”, afirma.

Sob o calor de julho no planalto da Segóvia, uma visita à sua pequena propriedade mostra as enormes dificuldades do ofício, desde o manejo de cerca de 500 toneladas de esterco ao ano (apesar de que ele utilize sobretudo palha) para transformá-los em adubo até as enormes medidas de segurança alimentar. Também em escala familiar, que beira o artesanal, a carne de porco requer um esforço energético muito grande.

“A alimentação do futuro será a alimentação do passado”, explica Sandro Dernini, assessor da FAO. “A pegada de carbono da produção de proteínas animais é enorme”, assinala. “Este ofício mudou muito pouco em 200 anos”, explica Jesús González Veneros (ver primeira foto), um pecuarista de Ávila, enquanto aponta para as manchas pretas em um morro distante da Sierra de Gredos. Um olho inexperiente é incapaz de distinguir o gado, mas ele o localiza perfeitamente. Para chegar até ali precisa de um cavalo, como seu bisavô, seu avô e seu pai, que também eram criadores de gado. Estas propriedades representam a máxima expressão de uma carne ecológica, da qual depende um ecossistema econômico e social, mas é impossível que por meio deste tipo de propriedade se consiga sustentar a demanda mundial, salvo se reduza drasticamente o seu consumo.

Este problema se coloca, além disso, em um mundo no qual em torno de 900 milhões de pessoas passam fome diariamente. Como assinala a FAO, o setor de carnes enfrenta um desafio impossível de aumentar a produção diante de um crescimento da demanda e da população do planeta e a necessidade de frear ao mesmo tempo as emissões.



terça-feira, 9 de junho de 2015

Justiça italiana decide que mãe vegetariana deve dar carne ao filho


Notícia interessante da BBC Brasil:

Justiça italiana obriga mãe macrobiótica a dar carne para filho

Erika Zidko

Na Itália, cada vez mais a alimentação dos filhos é caso de Justiça. Uma recente decisão do Tribunal de Bergamo, no norte do país, obrigando uma mãe a modificar a dieta macrobiótica do filho, acendeu o debate sobre o controle de regimes alimentares de filhos de pais separados.

De acordo com o jornal L'Eco di Bergamo, a ação foi movida pelo pai de uma criança de 12 anos contra a ex-mulher, adepta da dieta macrobiótica (alimentação rica em cereais e legumes). Com a decisão, a mãe deve incluir carne na refeição do filho ao menos uma vez por semana. Já o pai se compromete a não dar carne mais de duas vezes nos finais de semana em que estiver com a criança.

"Cada vez mais, em casos de separação e divórcio, os filhos são o centro de polêmicas e acabam sendo instrumentalizados pelos pais. A questão alimentar, que é particularmente delicada, é uma delas. É um fenômeno que tem ocorrido com maior frequência", diz à BBC Brasil o advogado Carlo Prisco, especialista em questões relacionadas à alimentação vegetariana (que exclui carne) e vegana (priva de qualquer substância de origem animal).

Apesar de ser uma ordem judiciária, a decisão de Bergamo não é tecnicamente uma sentença, é um acordo entre as partes, orientado pelo juiz. "Quando os pais separados divergem sobre o regime alimentar dos filhos, na maioria das vezes os vegetarianos ou veganos acabam cedendo à pressão para evitar maiores conflitos", afirma o advogado.

Já o caso contrário é mais raro, segundo o advogado.

"É difícil ver alguém entrar na Justiça para garantir a alimentação vegana aos filhos. A maioria se sente desencorajada."

Prisco vê como preconceituosa a posição de muitos médicos e juízes em relação à alimentação vegetariana ou vegana.

"A maioria tende a deduzir que a alimentação onívora (que inclui indiferentemente substâncias animais ou vegetais) seja a mais saudável por conter mais alimentos. Acreditam, erroneamente, que o melhor genitor é o que oferece mais comida. Além disso, o simples fato de se declarar onívora ou vegana, não significa que a pessoa se nutra, efetivamente, de forma correta e equilibrada."

Mas as disputas relacionadas a regimes alimentares não acontecem apenas em família. Contratado por um casal vegano, o advogado está acompanhando o caso de uma criança de quase dois anos de idade cujo pediatra, após constatar que o peso e a altura estavam pouco abaixo da média e que o paciente seguia a dieta dos pais, advertiu os serviços de assistência social.

A perícia de um segundo médico, contratado pela família, certificou que o menor não apresenta problemas de desenvolvimento.

"Muitas vezes o estado de saúde da criança é determinado apenas com base na rapidez do crescimento. Outros fatores, como exames de sangue, ausência de patologias e o fato de que não seja obesa não são levados em consideração", afirma Prisco.

Ele também move uma ação no Tribunal de Bolzano contra um jardim de infância que, apesar de oferecer um cardápio alternativo à dieta onívora, como determina o Ministério da Educação, exige que cada mãe que optar pela dieta vegetariana para o seu filho apresente regularmente certificados médicos da criança.

"Acreditamos que se trate de uma discriminação. A previsão é de que a sentença seja divulgada no próximos dias. Se vencermos a ação, outros pais poderão basear-se nesta decisão."

Mudanças culturais

Para Annamaria Bernardini de Pace, uma das advogadas de Direito de Família mais conhecidas da Itália, a alimentação dos filhos é e sempre foi motivo de briga entre pais separados ou divorciados.

"Do mesmo modo como discutem para decidir entre escola pública ou particular, curso de inglês ou de alemão, férias na praia ou em montanha, se frequentar ou não as aulas de religião, eles questionam muito a dieta dos filhos. Há quem tema a obesidade e acuse o outro genitor por deixar os filhos comerem demais, há quem se preocupe que as filhas façam regime quando estão com a mãe e possam tornar-se anoréxicas", disse à BBC Brasil.

A decisão do Tribunal de Bergamo, segundo a advogada, demonstra que problemas deste tipo existem. "A dieta normal é a onívora. As outras formas de alimentação, como vegetariana, macrobiótica, são escolhas minoritárias e nem sempre são aceitas pelo outro genitor."

"As pessoas devem ter a liberdade de escolha, mas quando os pais não conseguem entrar em acordo sobre a alimentação dos filhos menores é o juiz quem deve intervir, baseando-se no parecer de médicos, psicólogos ou outros especialistas", afirma.

"Não existe um preconceito contra quem não segue a dieta normal", diz a advogada. "Até porque muitos juízes são vegetarianos."



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails