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sábado, 23 de setembro de 2017

O médico e o monstro


Farah Jorge Farah, ao que tudo indica, se suicidou ontem, 22/09/17, em circunstâncias tão bizarras e mórbidas, cujos detalhes sórdidos decidimos poupar os nossos leitores, mas se alguém não resistir à tentação e curiosidade de saber o que aconteceu, recomendamos a leitura cautelosa do Vice, mas alertamos que as pessoas mais impressionáveis e/ou depressivas não devem ler o artigo.

Isto porque tanto a morte como o crime brutal que cometeu em 2003 indicam que Farah era uma alma perturbadíssima, em níveis bem maiores do que aquelas perturbações que assolam tantas pessoas por aí.

Por isso, decidimos relembrar uma matéria do portal R7 de abril de 2010, na qual ele se dizia adventista, mas parecia atormentado demais para ter algo que minimamente parecesse com "vida".

Farah cumpriu apenas 4 anos de cadeia. 

¿Haverá, em algum lugar do universo, compaixão para Farah?

Eis a matéria de 2010:


“Perante Deus, já paguei meus pecados”,

diz ex-médico que esquartejou paciente


Dois anos após condenação, Farah Jorge Farah diz esperar a hora da morte

João Varella, do R7

Farah Jorge Farah, 61 anos, estudante de direito e gerontologia [estudo de questões relacionadas à velhice], diz sentir falta de ternura e carinho. Ele sabe que, se não fosse pelo “ocorrido”, receberia mais abraços e beijos, demonstrações de afeto das quais diz ter saudade.

O “ocorrido” a que ele se refere é o assassinato da ex-amante Maria do Carmo Alves, em 2003, pelo qual Farah foi condenado a 13 anos de prisão por esquartejamento e ocultação do fígado e do coração da vítima. A decisão da Justiça, da qual ele apela em liberdade, completa dois anos neste sábado (17). Após quatro anos preso, o advogado de Farah, Roberto Podval, o mesmo do caso Isabella, conseguiu decisão judicial que permite ao condenado ficar solto até que se esgotem todos os recursos.

Não há data para o julgamento da apelação no STF (Supremo Tribunal Federal). Os processos de Farah não têm movimentação desde 2008 em todas as instâncias, segundo consultas processuais nos sites da Justiça.

Desde que o caso veio à tona, Farah passou a ser reconhecido como “estripador” ou “assassino”, rótulos que ele refuta por dar a ideia de “alguém que já cometeu vários crimes”. Apenas uma vez, ele matou e guardou os pedaços do corpo de Maria do Carmo em cinco sacos plásticos no porta-malas de seu do carro.

A reportagem do R7 almoçou com ele no refeitório da USP Leste (Universidade de São Paulo), onde Farah cursa gerontologia, e viu quando ao menos duas jovens apontaram o dedo para o condenado, do lado de fora do salão. Na Fuvest, o vestibular da USP, ele passou em 17º, entre os 210 admitidos no curso – o R7 noticiou com exclusividade a entrada dele no campus leste da instituição. Por ter sido aprovado, Farah teve que trancar a faculdade de filosofia que fazia na Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Antes do crime, ele chamava atenção por suas habilidades como cirurgião plástico. Maria do Carmo conheceu Farah quando o então médico removeu uma marca da perna dela. Ele recorda como era respeitado por colegas de profissão e pela família.

– Eu era o grande doutor Farah. Hoje sou apontado como o esquartejador na rua.

Depois do crime, Farah foi expulso de todas as associações de que participava. Seu registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) foi cassado em 2006. Com voz levemente aguda, Farah diz que é o mesmo homem de antes do crime, salvo pela decadência de seu corpo.

– Depois dos 60 anos, o corpo humano começa a definhar. Eu estou aqui fazendo hora extra no mundo. Estou esperando a hora da morte.

Farah tem uma carteirinha de posto de saúde cheia de registros de consultas. A saúde frágil fica clara já no caminhar. Ele usa uma bengala, porque teve um nódulo retirado das costas e, por isso, perdeu parte do equilíbrio da perna esquerda.

– Eu, não tenho a menor vergonha de admitir, estou usando fraldas desde o ano passado. Meus pais também usaram fraldas um ano antes de morrer.

Farah, que hoje vive sozinho num apartamento da Vila Mariana (zona sul), fica visivelmente agitado quando fala sobre os pais; o hábito de roçar as unhas compridas das mãos umas nas outras fica mais evidente. Mas, longe desse assunto, o ex-médico mistura, com propriedade, filosofia e questões cotidianas. Nas duas horas em que esteve com o R7, Farah citou os iluministas franceses Voltaire e Montesquieu e os pensadores gregos clássicos Platão e Sócrates – a este, chegou a chamar de “titio”. Quando usa um desses nomes difíceis, pede desculpa e diz que não quer parecer “esnobe”.

Os pais de Farah morreram enquanto ele cumpria pena na carceragem do 13º Distrito Policial, na zona norte de São Paulo. Ao saber da notícia, tentou se matar três vezes. Por isso, passou a ser vigiado 24 horas pelos policiais. Quando pensa no que o levou a tentar se matar, Farah diz não querer lembrar. E chora. Para ele, a pena de morte é melhor do que a vida na cadeia, "uma escola de criminosos que não ressocializa ninguém".

O crime

Sobre o assassinato, Farah conta que sua última lembrança foi a luta que travou com Maria do Carmo em seu consultório. Quando fala disso, Farah puxa uma folha da pasta em que carrega. É a notícia de um vereador que surtou e virou catador de papel, em 2007 - história que compara ao seu "surto". Farah e Maria do Carmo começaram uma relação atribulada em 1996, com vários registros de boletins de ocorrência de ameaças.

Ele diz que não é “anjinho” e que tem culpa. Questionado se a punição é suficiente, Farah tenta desviar do assunto, dizendo que ainda está estudando e não poderia avaliar o caso. Além do curso de gerontologia, o ex-médico está no terceiro ano de direito na Unip (Universidade Paulista). Promete que, “se estiver vivo, um dia vai concluir os todos os cursos” - a rotina se divide entre as faculdades e as consultas médicas.

Questionado mais uma vez sobre a condenação, Farah não altera a voz suave, em ritmo pausado, e vai ao ponto com apenas uma frase.

– Perante Deus, já paguei os meus pecados.

Adventista, Farah não deixou de frequentar os cultos, onde tem amigos. O ex-cirurgião, que também diz seguir alguns dogmas judaicos, afirma não ver incoerência na mistura ecumênica. Apesar de ser apontado nas ruas como "aquele" Farah Jorge Farah, o ex-médico não se intimida e segue em frente com a nova vida. Nas faculdades, diz ter sido discriminado quando os colegas se davam conta de seu passado. Já foi abordado por pessoas indignadas no ônibus e no metrô, mas não deixa de usar o transporte público.

– Aqui as pessoas não abraçam, não beijam. Na cadeia, eu recebia até mais carinho do que aqui fora.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

O inusitado cemitério bizantino na Chapada Diamantina


O Brasil tem suas belezas e seus mistérios, como o que você pode ver no sertão da Bahia.

A matéria é do Globo Repórter, com vídeo na página indicada, exibido em abril de 2015:

Epidemia na Chapada Diamantina faz cemitério ser erguido em montanha

Globo Repórter visita cemitério bizantino criado nos tempos de garimpo após epidemia de cólera em Mucugê, quando decreto proibiu enterros nas igrejas.

Nos bons tempos dos garimpos, dinheiro sobrava no bolso dos barões do diamante e sobrava tanto que eles deixaram registros para as futuras gerações da vida abastada que levaram na Chapada. Alguns contrataram arquitetos do exterior para projetar seus túmulos no cemitério.

Globo Repórter: A história deste cemitério começa com uma epidemia. Como é que foi esta história?

Nélia Paixão, arquiteta: Por volta de 1855, houve uma epidemia de cólera em Mucugê! E morreram muitas pessoas. Por causa de um decreto, o Brasil era um império não poderia mais enterrar pessoas nas igrejas, como era comum e aí eles escolheram um espaço para construir este cemitério.

Embaixo da montanha e de frente para a cidade. Com a proibição do sepultamento nas igrejas, os túmulos foram erguidos com muito capricho, como pequenas imitações dos templos católicos. Ao logo dos anos o cemitério foi preservado como uma obra de arte das mais importantes. É um dos patrimônios histórico da Chapada. Atração turística de Mucugê.

Globo Repórter: Aqui ninguém foi enterrado a sete palmos?

Nélia Paixão: Não, não, pode, é rocha. Rocha sobre rocha. Não tem como.

Labirinto embaixo da terra leva equipe do Globo Repórter até um belo cartão postal

Está na natureza o patrimônio mais valioso da Chapada. Descemos um despenhadeiro cercado de rochas. Fomos conhecer um misterioso labirinto embaixo da terra. Na escuridão é parecido ter cuidado para não cair do precipício. A caverna é pequena – das menores da Chapada. Em compensação tem um poço que chega a ser chocante de tão bonito que é.

O poço tem o encantamento de uma caverna inundada, mas durante cinco meses do ano, o sol produz na água o cenário de um belo cartão postal.

“Ver este azul, saber que não é da água e que quando a incidência da luz chega aqui. Deixa a gente pequeno! Deixa a gente emocionado”, diz a psicóloga Carolina Couto.

O povo da região costuma dizer que esse é o Caribe da Chapada, claro que é uma brincadeira, mas pelo menos, na cor e na transparência da água, parece o caribe mesmo.

Miguel, que é guia, também é um dos responsáveis por cuidar da caverna. Aos turistas ele explica como ocorre o fenômeno e avisa: ninguém onde entrar no poço. É só para a alegria dos olhos a paisagem encantada.

Vinte quilômetros adiante, em outra caverna, o banho é permitido: o poço azul. O povo da região costuma dizer que ele é o Caribe da Chapada.

“Nós somos do Recife é a minha trigésima terceira vez que estou aqui. É como se fosse a primeira vez”, conta o professor Denis Andrade.

Há milhares de anos, quando a Chapada era o paraíso da fauna pré-histórica, o poço azul muitas vezes foi uma fonte para os animais que buscavam água para matar a sede. Em 2005, 45 esqueletos de animais pré-históricos foram retirados daquelas águas por uma equipe de paleontólogos e mergulhadores, o maior deles estava a 21 metros de profundidade, era o esqueleto de uma preguiça gigante.

Quantas histórias guardadas. Quantos segredos escondidos. Da energia ainda há muito o que se descobrir e sentir. Da beleza, admiração. Um pedaço do Brasil difícil de esquecer.



sábado, 24 de junho de 2017

TJRS condena padre por impedir enterro de luterano em cemitério católico


Houve um tempo no Brasil em que cada religião tinha seu próprio cemitério, mas isso hoje só é possível observar nas cidades mais antigas, já que a prática - felizmente - caiu em desuso.

Por isso, certas notícias são inacreditáveis no ano em que se comemora o 500º aniversário da Reforma Protestante, como esta publicada no Consultor Jurídico:

Impedir enterro de luterano em cemitério católico é discriminação religiosa

Jomar Martins

Impedir o enterro de pessoa que professa fé diferente da congregação religiosa que administra o cemitério atenta contra direitos de personalidade previstos no artigo 5º da Constituição.

O fundamento levou a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a condenar em dano moral, solidariamente, um padre e sua diocese, que não permitiram o enterro de um luterano, morto no mesmo acidente que vitimou sua família católica. A filha dele, autora da ação indenizatória, irá receber R$ 15 mil de indenização.

Segundo o acórdão, ao lado do direito natural de prestar honras fúnebres aos entes familiares, existe o direito fundamental, presente nos textos constitucionais, de não sofrer qualquer discriminação em razão de opção religiosa. E este direito vigora não só em face do ente público, mas também nas relações entre particulares.

Para o relator da Apelação, desembargador Eugênio Facchini Neto, faltou sensibilidade ao representante da Igreja Católica, que não reconheceu a excepcionalidade da situação. E o pior: os depoimentos mostram que o real motivo para não autorizar o enterro era religioso, e não porque o morto não era associado da congregação ou deixou de contribuir para a manutenção do cemitério – causa alegada pelos réus.

“No caso em tela, tenho que a conduta do padre demandado fez com que a morte efetivamente separasse o que em vida foi um belo e cristão exemplo de ecumenismo — união amorosa e frutuosa de uma católica com um luterano, cada qual seguindo a sua crença íntima e observando seus cultos religiosos, sem que isso consistisse em empecilho para uma vida em comum, ambos observando os mesmos mandamentos oriundos de um mesmo Senhor, aprendidos na mesma Bíblia sagrada”, discorreu no acórdão o relator.

Facchini Neto afirmou que os líderes religiosos, especialmente os que atuam em pequenas comunidades fortemente divididas no aspecto religioso, devem difundir a cultura da tolerância e do acolhimento. “Com isso, se contribuirá para que as religiões possam ser efetivamente uma fonte de consolo interno e esperança para os crentes, sem descambar para as intolerâncias religiosas que, em grau exacerbado, tanta destruição e barbárie já causaram ao longo da história da humanidade, desde priscas eras até os nossos tempos”, concluiu. O acórdão foi lavrado na sessão de 24 de maio.

Impasse religioso

Todo o imbróglio teve início quando os pais e a avó materna da autora, ao retornarem do município de Poço das Antas, no Feriado de Finados de 2011, morreram em consequência de um acidente automobilístico ocorrido na altura do quilômetro 377 da rodovia Tabaí-Lajeado (BR-386). O casal, que vivia em união estável, e a sogra moravam em Porto Alegre.

Avisada do acidente, a autora tomou as providências para o enterro dos três no cemitério católico de Poço das Antas, terra natal das duas mulheres. O padre responsável pela paróquia, no entanto, não autorizou o enterro do pai da autora, que professava a fé luterana, ao contrário das duas, que eram católicas. “É uma norma da Igreja que não podemos quebrar. Só podemos sepultar em nosso cemitério pessoas católicas que contribuem e estejam em dia com a taxa anual”, explicou o padre à família da autora. Impasse firmado, o jeito foi enterrar o homem no cemitério do município de Teutônia, cidade natal dele.

Além da dor pela perda dos entes queridos, a autora ficou ainda mais abalada com a negativa da paróquia, pois teve de providenciar, às pressas, outro local para enterrar o pai. Seu desejo era de que todos fossem enterrados num mesmo lugar, pois, apesar de professarem fé distinta, viviam em plena harmonia familiar e social. O caso teve repercussão nacional, à época, e motivou ação indenizatória contra o padre e a Diocese de Montenegro, que reponde pelo cemitério católico de Poço das Antas.

Sentença improcedente

No primeiro grau, a juíza Patrícia Stelmar Netto, da 2ª Vara Judicial da Comarca de Teutônia, negou a reparação moral, por ausência de ato ilícito. Para a juíza, o cemitério, propriedade da Mitra Diocesana de Montenegro, por ser privado, pode estabelecer critérios e requisitos para aqueles que pretendem usufruir dos serviços funerários. Em síntese, quem pretende enterrar algum familiar no cemitério católico deve, pois, atender ao regulamento fixado pela comunidade que o administra.

“As testemunhas arroladas pelos demandados, todos residentes e domiciliados em Poço das Antas e membros da comunidade católica, afirmaram que o local é administrado pela Igreja Católica, sem auxílio do Poder Público municipal, sendo que o costume e tradição do local é de somente enterrar os sócios da comunidade, os quais pagam duas mensalidades anuais”, escreveu na sentença.

Assim, conforme a julgadora, a exigência do cumprimento de regras estabelecidas pela comunidade católica não poderia ser vista como discriminação religiosa. É que a negativa não se deu em virtude da crença religiosa, mas por faltar a condição de membro da comunidade, a qual pressupõe o pagamento de contribuição. Afinal, a liberdade religiosa é direito fundamental, garantido de forma expressa no artigo 5º, incisos VI e VIII, da Constituição.

Clique aqui para ler a sentença.
Clique aqui para ler o acórdão.



domingo, 4 de junho de 2017

Corpo de Garrincha some do cemitério

Garrincha driblou a vida e segue driblando a morte, ou vice-versa, ninguém sabe ao certo a ordem
da eternidade e genialidade dessas pernas tortas.

Coisas incríveis que acontecem no Brasil, segundo noticia o Extra:

Cemitério na Baixada Fluminense não sabe onde está sepultado corpo de Garrincha

Quando era vivo, o atacante do Botafogo e da seleção brasileira Manuel Francisco dos Santos, ou simplesmente Mané Garrincha, era impossível de ser marcado. Com seus dribles, deixava frequentemente os adversários no chão. Morto em 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo, Garrincha foi sepultado no Cemitério municipal de Raiz da Serra, em Magé, na Baixada Fluminense. Agora, 34 anos após o funeral, o craque dribla, involuntariamente, quem procura por seus restos mortais.

Parentes de Mané e a Prefeitura de Magé confirmaram, nesta terça-feira, que não sabem onde está enterrado o jogador, bicampeão mundial na seleção. O caso gerou repercussão na imprensa esportiva internacional.

A administração do cemitério admite a hipótese de que os restos mortais de Garrincha possam até ter se perdido durante um processo de exumação. A Prefeitura de Magé vai bancar o exame de DNA nos restos mortais.

— Pelo que a gente pesquisou, não se tem certeza de que ele está enterrado. Houve uma informação de que o corpo foi exumado e levado para um nicho (gaveta no cemitério), mas não há documento da exumação — disse Priscila Libério, atual administradora do cemitério.

No local, existem duas sepulturas como o nome de Garrincha. A primeira é coletiva e fica na parte baixa do terreno. É o local onde originalmente Mané foi sepultado, além de outros parentes do craque.

A segunda fica na parte superior do cemitério. Distante 200 metros do primeiro túmulo, foi construída em 1985 pela Prefeitura de Magé, que marcou o ponto com um obelisco. Uma das filhas do jogador, Rosângela Santos diz que a família sofre sem saber onde Garrincha está sepultado:

— Meu pai não merecia isso

O corpo de Garrincha teria sido retirado, há cerca de dez anos, do túmulo onde originalmente foi sepultado. Segundo João Rogoginsky, de 70 anos, primo do jogador, outra pessoa da família morreu e precisou ser enterrada naquele jazigo. Ele foi informado, na época, de que a ossada do atleta foi retirada para ser colocada num nicho. Mas João não assistiu à exumação.

— Eu não vi. Só me disseram que haviam tirado e colocado num nicho na parte superior do cemitério. Não deram nenhum documento disso — afirmou.

A atual administração da Prefeitura de Magé descobriu, por acaso, que o destino do corpo é incerto. O prefeito Rafael Tubarão queria fazer uma homenagem ao craque, que completaria 84 anos em outubro. Ele procurou saber o local exato do sepultamento e recebeu da Secretaria de Ação Social um relatório de um recadastramento no cemitério, feito em anos anteriores, que dizia que o corpo tinha sido exumado. O documento se baseia em informações de João e Rosângela, que não presenciaram a exumação.

— Se a família concordar, faço exumação nas sepulturas. E um DNA para saber se algum corpo é o de Garrincha — concluiu Tubarão.

A sepultura onde Mané Garrincha foi enterrado originalmente, em 1983, tem pelo menos um erro de informação. A data da morte do jogador está incorreta. O craque morreu no dia 20/01/1983.

Na sepultura, a informação que consta é que ele morreu 20/01/1985, ou seja, dois anos após a data correta. A única semelhança é a de que as duas sepulturas onde consta o nome do craque estão em péssimo estado de conservação.

A filha de Garrincha disse que seu pai foi sepultado num jazigo que pertencia à irmã do jogador.

- Fui informada pelo cemitério que haviam tirado o corpo do meu pai do local onde havia sido sepultado. Era uma cova que pertencia a uma tia que também já morreu. Disseram que estaria num nicho, mas não se tem certeza de nada. Ninguém da família foi informado da exumação do corpo. É difícil para mim e para minhas irmãs não saber onde está o corpo do nosso pai - concluiu.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Absolvida médica acusada de mortes em UTI do Hospital Evangélico de Curitiba

Sem dó.
Antes de ser julgada, Virgínia de Souza virou caricatura, foi apelidada de "Dra. Morte" e massacrada pela imprensa.
Agora, absolvida em 1ª instância, resta saber quem lhe devolverá a honra e o trabalho que ela não pode mais exercer. 

Bom, quem já teve o desprazer de estar internado com lucidez dentro de uma UTI por alguns dias, como é o caso deste que vos escreve, tem uma noção clara do que significa tentar salvar uma vida, o que nem sempre é possível.

De repente, do nada surge uma movimentação gigantesca de toda a equipe de intensivistas, médicos e enfermeiros, para tentar fazer a ressuscitação de alguém que acabou de morrer. 

Algo um tanto quanto assustador para um "leigo" ver. E não é só isso...

A gente passa por experiências desagradáveis e traumáticas como, por exemplo, perceber que a taquicardia da paciente idosa ao lado não cede a nenhuma medicação, permanecendo entre 160 e 170 batimentos por minuto, selando seu destino em questão de dias ou horas.

Por outro lado, vemos momentos de profunda emoção como os filhos já adultos dessa mesma paciente com taquicardia que se revezam nos horários de visita para chorar ao lado de sua cama, tocá-la, massageá-la e dizer o quanto toda a sua família a ama e que todos a querem de volta ao convívio do lar.

Deve ser este amor que a mantém viva. Ou mantinha... já que quando saí da UTI ela continuou lá, não sei o que lhe aconteceu afinal.

Os "felizardos" que estão na UTI em condições de observar seu cotidiano se tornam, assim, espectadores privilegiados dos constantes embates entre vida e morte.

Essa é uma das experiências extremas da vida (e da morte) que ninguém - em sã consciência - gostaria de ter, mas, cá entre nós, todos deveriam por ela passar.

Ajuda demais a encarar a vida como ela realmente é. 

O que vale e o que não vale a pena viver...

Feitas essas considerações pessoais, ficou muito famoso o caso da médica intensivista Virgínia de Souza, que trabalhava na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba (PR) e foi acusada de ter provocado a morte de centenas de pacientes terminais, tendo sido apresentada ao mundo como a maior "serial killer" de que se tinha notícia.

Sorte dela que ainda havia um juiz em Curitiba com disposição de não surfar na onda da opinião pública, aferir a acusação, ouvir a defesa e julgar com isenção.

Agora, devidamente processada e julgada, a Dra. Virgínia de Souza foi absolvida por falta de provas, razão pela qual a entrevista abaixo, concedida por ela ao G1 Paraná (com vídeo na página indicada), se reveste de profundo interesse, sobretudo numa época de julgamentos apressados para satisfazer as massas ignaras e constante cerceamento de defesa por quem deveria garanti-la:

'Ficaram ofendidos porque eram cobrados', diz médica sobre quem a denunciou por mortes em UTI

Virgínia de Souza foi inocentada por juiz que analisou a denúncia do Ministério Público.

A médica Virgínia Soares de Souza falou em entrevista ao Fantástico sobre as denúncias que a levaram à cadeia. Em 2013, ela e mais sete colegas foram acusados de antecipar mortes de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba. Em abril deste ano, todos foram inocentados, em primeira instância.

Ela acredita que as pessoas que fizeram a denúncia anônima à polícia se sentiram ofendidas pela forma como ela tratava os colegas dentro da UTI que chefiava. "[Foi] porque se sentiram ofendidos, ofendidos porque eram cobrados", avalia.

De acordo com a denúncia, ela e os outros colegas aplicavam coquetéis de remédios que levavam os pacientes à morte. O objetivo era liberar vagas na UTI, para outros pacientes. Por ser um hospital que oferece atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Evangélico vive no limite da lotação máxima, em todos os setores.

Com a repercussão do caso, a polícia passou a analisar mais de 300 mortes que aconteceram na UTI do Evangélico, entre 2006 e 2013. As autoridades começaram a tratar esses casos todos como suspeitos.

Para a imprensa internacional, Virgínia chegou a ser considerada "a maior serial killer de todos os tempos". No entanto, a denúncia ateve-se apenas a poucos casos, onde exisitiram os indícios da conduta mortal.

Na sentença, porém, o juiz Daniel Avelar disse que, diante das provas apresentadas e das testemunhas ouvidas, não havia como comprovar a relação entre as ações de Virgínia e as mortes. Por essa razão, ele absolveu todos os réus.

Limites éticos

Virgínia diz que sempre trabalhou nos limites éticos, para garantir que os pacientes sob a responsabilidade dela pudessem se salvar. "Eu era conhecida mais como uma obstinada do que pelo motivo que eu fui acusada. Obstinado é um médico que chega a ultrapassar, vamos dizer, os protocolos e as regras e faz de tudo pelo resgate da vida", afirma.

Além da absolvição em âmbito jurídico, Virgínia foi inocentada em seis dos sete processos que foram abertos contra ela no Conselho Regional de Medicina do Paraná. O sétimo caso ainda não foi julgado.

Vida nova

Após as denúncias, Virgínia foi demitida do hospital em que trabalhou por 25 anos. Nesses quatro anos, ela fez cursos e hoje trabalha em casa, em um serviço de pesquisas por telefone. "Eu vou manter esse trabalho", diz.

Ela afirma que jamais vai voltar a trabalhar em uma UTI, ainda que não tenha perdido o registro como médica. "Por mais, vamos dizer, que a minha imagem seja modificada, pode haver uma dúvida em alguém e eu não suportaria isso nunca", diz.

MP vai recorrer

O Ministério Público do Paraná não concorda com a decisão de Avelar. Para o promotor que cuidou do caso, o juiz deixou de lado parte das provas apresentadas. Ele crê que Virgínia e os outros profissionais eram, de fato, culpados. "Porque nós entendemos que essa sentença foi insuficiente pra tantas provas existentes no processo.

Inclusive, a interceptação telefônica que guarda consonância com a aplicação dos medicamentos anotados no prontuário. O MP entende que então, há muito mais provas que precisam ser analisadas", diz.

Ele ainda acrescenta que há provas periciais que demonstram a conduta criminosa do grupo. "A verdade é que essas pessoas foram assassinadas naquela UTI. O MP não tem duvida e vai continuar lutando por isso pq nós temos provas fundamentadas em perícia médica oficial", afirma.

Caso o recurso seja aceito pelo Tribunal de Justiça do Paraná, (TJ-PR), os oito acusados ainda poderão responder pelos supostos crimes que teriam cometido, podendo ser condenados ou absolvidos. A decisão caberá aos desembargadores paranaenses.



terça-feira, 7 de março de 2017

Crivella nomeia morto para a Riotur


Detalhe bizarro: o "morto" em questão está levando falta e será exonerado após 30 dias de ausência ao trabalho.

A notícia esquisitona, que faz a gente se lembrar do poema "Ismália", de Alphonsus de Guimaraens, vem d'O Globo:

Crivella nomeia morto como assessor da diretoria de Marketing da Riotur

Assessoria jurídica da Riotur confirmou que a nomeação não foi um equívoco

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO - O prefeito Marcelo Crivella nomeou um morto para assumir um cargo de confiança na Riotur. O ato foi publicado na página 6 do Diário Oficial do município da última sexta-feira, com data retroativa a 2 de janeiro. O funcionário, que não teve o nome divulgado a pedido da família, foi indicado para assessoria da Diretoria de Marketing do órgão. No entanto, ele cometeu suicídio no início de fevereiro. O corpo caiu no mar e não foi encontrado até hoje. A morte dele foi relatada por amigos em redes sociais.

O assessor jurídico da Riotur, Christian Cezar, confirmou nesta segunda-feira que a nomeação não foi um equívoco. Segundo Christian, o assessor efetivamente começou a trabalhar na Riotur em janeiro mas que, devido à burocracia no governo, o processo de nomeação de assessores para vários cargos de confiança foi bastante demorado. Nesta segunda-feira, ainda estão sendo publicadas nomeações para cargos estratégicos no município.

— Eu tinha que nomeá-lo para que os salários referentes ao período sejam recebidos pelo espólio. Ocorre que, no momento, não há sequer atestado de óbito porque o corpo está desaparecido, e o caso ainda não é considerado legalmente como morte presumida. Ele está levando falta. Quando completar 30 dias de ausência ao trabalho, ele será exonerado. Não considero que o ato de nomeá-lo agora retroativamente tenha qualquer ilegalidade — disse Christian.



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Finados no México é dia de festa


A matéria é do HuffPost Brasil:

Dia dos Mortos é celebrado com orações e festa no México

No Brasil, o Dia de Finados costuma ser um dia de silêncio e orações. Já no México, o feriado é celebrado com festa, por três dias.

De 31 de outubro a 2 de novembros, amigos e familiares se reúnem para a milenar tradição do Dia dos Mortos, celebrada desde os aztecas.

Festas, comidas, música, desfiles e maquiagens temáticas, que simulam caveiras, fazem parte do ritual mexicano para lembrar com carinho das pessoas que morreram. A animada festa é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Os mexicanos também fazem vigílias e levam oferendas para os túmulos. Eles também erguem altares em suas casas para homenagear as pessoas queridas que morreram, segundo o HuffPost México.

A seguir, veja algumas imagens da comemoração do feriado no México e nos locais com imigrantes, como os Estados Unidos:



Festas, comidas, música, desfiles e maquiagens temáticas, que simulam caveiras, fazem parte do ritual mexicano para lembrar com carinho das pessoas que morreram.



Celebrado de 31 de outubro a 2 de novembro, o Dia dos Mortos é um dos feriados mexicanos mais importantes. Na imagem, a vista noturna das lápides no cemitério de San Gregorio Atlapulco, em Xochimilco



Detalhe de uma oferenda em Xochimilco, no México



Pessoas reunidas em um cemitério de San Miguel Canoa



Imagem da celebração em San Miguel Canoa



Iyelitzin Cortes e Tonatzin Cortes exibem suas fantasias, na Cidade do México


Veja mais imagens no HuffPost Brasil.



domingo, 13 de dezembro de 2015

40 detentos morrem por mês nos presídios de SP

Talvez não seja o caso de você defender a pena de morte, porque ela - informalmente - já existe no cotidiano das penitenciárias paulistas.

Talvez seja o caso de tentar identificar (e proteger) algum inocente que tenha caído na malha macabra das prisões de São Paulo (e do Brasil).

A matéria é do portal Fiquem Sabendo:

A cada mês, 40 detentos morrem nos presídios paulistas

Léo Arcoverde

No pavilhão D do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Santo André, no ABC paulista, um grupo de detentos grita: “PS! PS!” Essa é a expressão (uma referência à palavra pronto-socorro) usada por eles para avisar que algum preso precisa ser levado à enfermaria.

Dois agentes penitenciários dirigem-se à cela de número 46. Nela, há 16 detentos em regime de observação (separados do restante dos presos do CDP por algum motivo de segurança). Dois deles estão desacordados.

Os agentes os algemam e os levam, em cadeiras de rodas, à enfermaria. Felipe dos Santos Lima, o Tripa, 18 anos, desempregado, e Paulo Ricardo Martins, o Paulinho, 19 anos, servente, não apresentam nenhum sinal de agressão. Um atendente atesta: eles estão mortos. São 14h46 do dia 30 de agosto de 2013.

Dois meses antes, Tripa e Paulinho participaram de um roubo a uma família de bolivianos, na Vila Bela, favela em São Mateus, zona leste, no qual o menino Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, foi morto com um tiro na cabeça. Outros dois suspeitos, que não chegaram a ser presos, foram achados mortos, dias depois.

As mortes de Tripa e Paulinho não são um caso isolado

Entre janeiro de 2014 e junho de 2015, 721 detentos morreram nos presídios paulistas. Isso representa uma média de 40 mortes a cada mês.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação). (Veja o detalhamento dessas informações no infográfico abaixo).



De acordo com os dados disponibilizados pelo governo Geraldo Alckmin, 661 (92%) dos casos foram de morte natural. Foram registrados 21 (3%) homicídios e 39 (5%) suicídios.

Segundo a autoridade penitenciária estadual, do total de mortes naturais, 610 (85%) se deram em hospitais (fora das unidades prisionais) e 39 (8%) ocorreram nas celas onde os presos cumpriam pena ou aguardavam julgamento.

Em junho deste ano, os presídios paulistas abrigavam 224.965 presos.

Ao menos 136 presos morrem por mês em todo o país

Entre janeiro e junho de 2014 (dado mais atualizado), o Ministério da Justiça divulgou, em seu relatório “Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias”, que “foram registradas 565 mortes nas unidades prisionais no primeiro semestre de 2014 (sem dados de São Paulo e do Rio de Janeiro)”.

Segundo o documento, parte da ausência desses números se deu porque “o Estado de São Paulo não respondeu ao presente levantamento”.

Somadas essas mortes com os 250 casos contabilizados no período nos presídios paulistas, pode-se afirmar que o país registrou, entre janeiro e junho de 2014, 815 detentos mortos (136 a cada mês, em média).

Questionada sobre o assunto, a Secretaria da Administração Penitenciária informou em nota que “os dados estão à disposição na Secretaria da Administração Penitenciária para qualquer pessoa ou órgão interessado”.

O Estado impõe duas penas ao preso, diz jurista

Na avaliação do jurista e presidente do Instituto Avante Brasil – IAB (Instituto de Prevenção do Crime e da Violência), Luiz Flávio Gomes, o número de mortes de presos no Estado é alto e reflete uma política de Estado apoiada por “uma sociedade insegura, que não suporta o atual nível de violência”.

“É um genocídio estatal com amparo da sociedade. Isso prova que mandar um cara para a cadeia hoje não é só punir com a pena de prisão. Há também uma pena implícita. A pena implícita que o preso corre é a morte, ou pela Aids ou pelo assassinato”, afirma Gomes.

Para o jurista, os dados apontam ainda a suspeita de que quem comanda os presídios e tem o poder da força dentro deles é a facção criminosa PCC (Primeiro Comando Vermelho). “Talvez as mortes não sejam do Estado. É bem provável que elas sejam, em sua grande maioria, do próprio PCC.”

Segundo ele, o Estado omite-se em relação a essas. “O Estado não coloca seu poder de investigação, de laudos, de exame médicos. Não se coloca isso a serviço do bem estar geral, não cumpre seu papel. Ele é omisso.”

Detentos são uma população invisível, afirma integrante da ONU

Para a advogada brasileira Margarida Pressburguer, integrante do SPT (Subcomitê para Prevenção da Tortura), da ONU (Organização das Nações Unidas), os presos são uma população invisível e a maior parte da sociedade não se importa com o que se passa dentro dos presídios. “Hoje em dia, você está vendo a população enraivecida, querendo fazer justiça pelas próprias mãos. Então, quando você fala da população carcerária, é aquela velha resposta: ‘Mas não tem nenhum santinho lá dentro, deixa matar, deixa morrer, não vai fazer falta’.”

Mortes estão em queda, afirma secretaria

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que as mortes nos presídios paulistas estão caindo e que a população prisional paulista tem atendimento de saúde garantido. Leia a íntegra do comunicado enviado pela pasta à reportagem:

Apesar do crescimento da população carcerária no Estado, o número de óbitos no sistema penitenciário paulista caiu na comparação ao primeiro semestre do ano passado. Nos primeiros seis meses de 2015 foram registradas 239 mortes ante 250 no mesmo período de 2014. Isso significa uma ocorrência (incluindo em sua grande maioria mortes naturais) para cada mil detentos.

A população prisional paulista tem atendimento de saúde garantido através das equipes de cada unidade. Em casos de maior complexidade, quando é necessário atendimento externo, este é feito através da rede do Sistema Único de Saúde, a que o preso tem direito como qualquer cidadão. Também são realizadas campanhas de vacinação e conscientização da população carcerária sobre cuidados com a saúde. Recentemente, a Pasta foi premiada no Fórum Estadual de Tuberculose no Estado de São Paulo. Também realiza campanhas periódicas com a realização de exames preventivos como a do câncer de mama, através do “Programa Mulheres de Peito” em parceria com a Secretaria de Saúde.

Não soubemos de mais nada, diz familiar de preso morto

Passados mais de dois anos da morte de Felipe dos Santos Lima, o Tripa, um dos presos encontrados mortos em uma cela do CDP de Santo André, familiares dele não querem conversar sobre o caso.

Na casa onde ele morava (a menos de 50 metros do local da morte do menino Brayan), na Vila Bela, uma parente, que não quis ser identificada, diz que os pais dele se mudaram para o interior paulista logo após o crime.

Ela conta que a morte dele foi informada à família por meio de um telefonema feita por um funcionário do presídio.

“De lá para cá, não soubemos de mais nada. Os pais dele não querem conversar sobre isso”, diz.

*Com colaboração da repórter Bianca Gomes de Carvalho



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A versão fúnebre do haka


Já que o feriado prolongado foi merecidamente tomado pelo rugby da Nova Zelândia, que venceu sábado passado a Copa do Mundo da modalidade, aproveitamos o Dia de Finados para continuar no pique da Oceania e apresentar aos nossos leitores a versão fúnebre do haka.

Haka, para quem ainda não está familiarizado com o termo, é um ritual típico do povo maori, os aborígenes das ilhas que hoje compõem o país que conhecemos como Nova Zelândia.

Mundialmente conhecido pela performance que a seleção neozelandesa de rugby, os All Blacks, realiza diante do time adversário antes das suas partidas, que se parece mais com um grito de guerra, o haka não se limita a isso.

O ritual varia conforme a ocasião: pode ser uma dança de celebração, uma cerimônia de boas vindas, uma homenagem a alguém que mereça ou mesmo um funeral, entre outros usos.

Na sua versão fúnebre, o haka parece ser ainda mais emocionante, uma mescla de lamento com reconhecimento pelos feitos de alguém que se foi, conforme você pode ver pelos três vídeos abaixo.

O primeiro é de um regimento da Infantaria neozelandesa, dando adeus a companheiros que morreram em serviço no Afeganistão:



O segundo é dos cerca de 2700 alunos da escola Palmerston North Boys' High School, em homenagem póstuma ao seu professor Dawson Tomatea:




O terceiro é dos próprios atletas dos All Blacks que jogam nos times de rugby da França, em homenagem na beira da estrada (autoroute A9 perto de Béziers) ao seu colega Jerry Collins, que faleceu em 5 de junho de 2015 num acidente de trânsito que vitimou também sua companheira Alana Madill, deixando uma filhinha então com 3 meses de idade, Ayla, ainda hoje em recuperação.



Culturas e oceanos à parte, não deixa de ser uma maneira bastante diferente (e interessante) de se encarar a morte e dar ao momento do adeus um sentido talvez mais nobre e vibrante, não acha?



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