Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Juízes de Rondônia adotam técnica da "constelação familiar" para mediar conflitos


A informação é do Conselho Nacional de Justiça:

Constelação familiar: juízes de RO são primeiros a concluir formação

Depois de dois anos de formação, divididos em 12 módulos, a Justiça de Rondônia forma a primeira turma institucional de Constelação Familiar, técnica inovadora que promove a conciliação, a humanização e a celeridade quando aplicada no âmbito do Judiciário. O Tribunal de Rondônia foi o primeiro a institucionalizar a formação para uso da nova ferramenta na Justiça estadual.

O último módulo, aplicado pelo especialista colombiano Jorge Llanos, por meio da Escola da Magistratura, ocorreu na última semana, com a participação de 34 magistrados, que agora estão aptos a utilizar as técnicas no cotidiano de trabalho. Eles receberão a certificação internacional de consteladores, e estarão aptos a atuar em processos judiciais e projetos terapêuticos de mediação de conflitos.

“A formação em si já amplia o olhar do magistrado para uma perspectiva sistêmica do processo”, afirmou a juíza Silvana Freitas, coordenadora da Constelação Familiar no TJRO. Para ela os ganhos são imensuráveis, pois o aperfeiçoamento aguça a percepção de quem atua no processo para uma compreensão da raiz do problema.

A Constelação Familiar foi desenvolvida pelo terapeuta e pedagogo alemão Bert Hellinger. Voltada para o autoconhecimento, visa descobrir e reconhecer como os problemas que existiram nos antepassados ou os existentes na família afetam a pessoa ou de como ela é afetada por acontecimentos (passados ou atuais) da sua família e por vezes de seus amigos. Na terapia busca-se informações sobre fatos relacionados à família, para descobrir a causa do sofrimento.

Utilizada no âmbito da justiça, a constelação permite identificar os conflitos por trás das demandas judiciais gerando impacto tanto sobre os indivíduos envolvidos diretamente na causa quanto àqueles envolvidos indiretamente, como família e filhos, resultando não só na resolução da lide, mas na pacificação social. A terapia busca, portanto, a inclusão, pois é baseada em princípios como ordem, hierarquia e a busca pelo equilíbrio entre o dar e receber.

Para o vice-diretor da Escola da Magistratura de Rondônia, juiz Guilherme Baldan, ele próprio um magistrado contemplado com o curso direcionado aos juízes rondonienses, a constelação é uma nova maneira de encarar a Justiça, que precisa ser difundida e aplicada, a fim de solucionar, de fato, os conflitos. A mesma opinião é compartilhada pelo presidente do TJRO, Sansão Saldanha, grande incentivador da formação. “É uma tendência do Judiciário buscar novos caminhos, a exemplo do que definiu o próprio CNJ quando estabeleceu metas para a adoção da Justiça Restaurativa”.

A iniciativa da Emeron em formar juízes para utilização das técnicas da constelação em processos judiciais foi reconhecida internacionalmente por Antonia del Castillo, Diretora da La Montera, instituição espanhola referência mundial em ensino da Constelação Familiar.

Em carta enviada à Rondônia, Antonia destacou o pioneirismo da Emeron como a primeira escola de magistratura no mundo a promover a formação e a importância de municiar os magistrados de ferramentas, como a constelação, que possam auxiliá-los para uma atuação humanizada na solução de conflitos.



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Cresce o número de padres propensos à depressão e ao suicídio


A informação foi publicada na BBC Brasil:

Depressão no altar: quando padres e sacerdotes precisam de ajuda

André Bernardo

No último dia 16 de novembro, o padre Rosalino Santos, de 34 anos, publicou no Facebook uma foto de quando era garoto.

O pároco da igreja de São Bartolomeu, em Corumbá (MS), parecia triste. Escreveu frases soltas na legenda, como "Dei o meu melhor" e "Me ilumine, Senhor".

O que parecia ser um desabafo se tornou um bilhete de despedida. Dois dias depois, o corpo do sacerdote foi encontrado, enforcado, dentro de casa.

O suicídio do padre Rosalino não foi um caso isolado. Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, da paróquia Senhor da Paz, em Salvador (BA), já tinha colocado ponto final em sua história. Aos 37 anos, atirou-se de um viaduto.

Doze dias depois, outro caso. Pela terceira vez em menos de 15 dias, um sacerdote encerrava a própria vida. Renildo Andrade Maia, de 31 anos, era pároco da igreja de Jesus Operário, em Contagem (MG).

"A vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós", diz o psicólogo Ênio Pinto, autor do livro Os Padres em Psicoterapia (editora Ideias e Letras).

"Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis", afirma Pinto, que atua há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo (SP), voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos em serviço à Igreja.

Desde a fundação, em 2000, o instituto estima ter atendido cerca de 3,7 mil pacientes, com média de permanência de seis meses a um ano.

Estresse ocupacional

O eventual comportamento suicida de sacerdotes intriga clérigos e terapeutas. Para especialistas consultados pela reportagem, há vários possíveis fatores: excesso de trabalho, falta de lazer, perda da motivação.

"O grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade", afirma o psicólogo William Pereira, autor do livro Sofrimento Psíquico dos Presbíteros (editora Vozes).

"Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda", diz.

Pesquisa de 2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes.

Naquele ano, 448 entre 1,6 mil padres e freiras entrevistados (28%) se sentiam "emocionalmente exaustos". O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%).

A psicóloga Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirma que padres diocesanos, que trabalham em paróquias, estão mais propensos a sofrer de estresse do que monges e frades que vivem reclusos.

"Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes, padres têm que estar à disposição dos fieis 24 horas por dia, sete dias por semana."

Problemas terrenos

Em 8 de janeiro de 2008, o padre José Chitumba ingressou na fazenda Santa Rosa, em Garanhuns (PE), uma das unidades do projeto Fazenda da Esperança, de recuperação de dependentes químicos em mais de 15 países.

"Quando caí em depressão virei alcoólatra, pensei em suicídio, perdi o ânimo para rezar. Passei oito meses sem celebrar missa. Achei que aquela noite não teria fim", recorda Chitumba, de 62 anos, hoje pároco da Igreja de Santo Antônio, em Chiador (MG).

A vida sacerdotal é mais atribulada do que se costuma imaginar. Inclui celebração de batizados e casamentos, visita a doentes, sessões de confissão, aulas em universidades, presença em pastorais.

Dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudam a entender essa demanda: havia no Brasil naquele ano 22 mil padres para 123 milhões de católicos, uma média de um padre para cada 5,6 mil fiéis.

"Sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático", adverte o padre Adalto Chitolina, um dos diretores do centro Âncora, casa de repouso em Pinhais (PR) que atende padres e freiras com diagnóstico de estresse, ansiedade ou depressão.

"Ao longo de 2016, nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera", afirma.

O padre Edson Barbosa, da paróquia Nossa Senhora das Graças, em Andradina (SP), foi um dos religiosos atendidos no centro paranaense.

Há dois anos, dormia pouco, comia mal, andava irritado. Mas o alarme soou quando começou a beber além da conta. Em julho de 2015, pediu dispensa de suas atividades paroquiais e passou três meses no centro Âncora, entre consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos.

"Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói", afirma. Sóbrio há um ano e nove meses, o padre, de 36 anos, trocou o álcool por caminhadas e trajetos diários de bicicleta.

Preocupação na cúpula

Reitor do seminário São José de Niterói, o padre Douglas Fontes diz estar atento à saúde mental dos colegas. Em pregações, costuma alertar os futuros sacerdotes para a necessidade de cuidarem mais de si mesmos.

"Jamais amaremos ao próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não cumpriremos a missão que Deus nos confiou."

Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da comissão da CNBB que se ocupa da vida dos padres, diz que sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo de sua diocese em caso de tensão psicológica ou esgotamento físicos.

"Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E nesta família cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e, como tal, zelar pelas necessidades dos filhos", afirma.

Outros locais do mundo também registram casos de padres com problemas psicológicos.

Uma pesquisa da Universidade de Salamanca, na Espanha, ouviu 881 sacerdotes de três países (México, Costa Rica e Porto Rico) e identificou incidência alta de transtornos relacionados à atividade.

"Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome do esgotamento profissional", registrou a autora da pesquisa, Helena de Mézerville, no livro O Desgaste na Vida Sacerdotal (editora Paulus).

Na Itália, o burnout é conhecido por alguns sacerdotes como a "síndrome do bom samaritano desiludido".

Naturalmente, sacerdotes católicos não são os únicos sob risco.

"A natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos", avalia o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP). O sheik Ahmad Mazloum, do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu (PR), faz coro.

"É preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, mente e corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio", alerta.



sábado, 1 de abril de 2017

Você já sabia: repetição de mentiras = "ilusão da verdade". Mas como isso funciona?

A matéria é da BBC Brasil:

'Ilusão da verdade': A importância da repetição para o sucesso das mentiras

Tom Stafford*

A máxima de que "basta repetir uma mentira para que ela se torne verdade" é uma das regras básicas da propaganda política, constantemente atribuída ao nazista Joseph Goebbels.

Entre psicólogos, é conhecida como efeito da "ilusão da verdade". Um experimento típico mostra como isso funciona:

Voluntários avaliam o quanto de verdade há em algumas afirmações triviais. Algumas delas são reais e outras são mentiras muito parecidas com a verdade. Após um intervalo de alguns minutos ou de algumas semanas, os participantes fazem o teste novamente, mas desta vez algumas das afirmações são novas.

Os resultados mostram que as pessoas tendem a avaliar como sendo verdade afirmações que elas já ouviram antes, mesmo que sejam falsas. Isso porque simplesmente soam mais familiares.

E assim, em um laboratório de alguma universidade ou instituto de pesquisa, parece estar a explicação para essa ideia de que basta repetir uma mentira para ela ser percebida como verdade.

A importância do conhecimento

Se você olhar à sua volta, vai perceber que todo o mundo - de publicitários a políticos - parece estar tirando partido dessa característica da psicologia humana.

Mas se pudéssemos fabricar uma verdade apenas repetindo uma mentira, não haveria necessidade de tantas outras técnicas de persuasão que conhecemos.

Um obstáculo é aquilo que já sabemos. Mesmo quando uma mentira parece plausível, por que deixaríamos de lado aquilo que sabemos só porque a ouvimos repetidamente?

Recentemente, uma equipe da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, começou a testar como a "ilusão da verdade" interage com nossos conhecimentos anteriores.

Eles usaram afirmações aos pares - uma verdadeira e outra falsa -, mas também as dividiram de acordo com a probabilidade de os participantes saberem a resposta.

O grupo concluiu que a "ilusão da verdade" funcionou da mesma maneira para as afirmações verdadeiras e para as falsas, o que sugere que o conhecimento anterior não evita erros de julgamento.

Para ter certeza de que estavam cobrindo todas as áreas, os pesquisadores então realizaram um estudo em que os participantes precisavam avaliar o grau de verdade de uma afirmação, de 1 a 6, e outro em que deviam apenas dizer "falso" ou "verdadeiro".

A repetição levou algumas afirmações ao topo da escala e aumentou as chances de classificá-las como verdadeiras - mesmo as frases falsas ganharam mais credibilidade.

Checar os fatos

A princípio, tudo isso parece ser uma enorme tragédia para a racionalidade humana. Mas precisamos olhar para os números quando interpretamos a ciência psicológica.

O que os especialistas americanos de fato descobriram foi que a maior influência na decisão de um julgamento sobre uma afirmação ser verdadeira era justamente o fato de ela ser verdadeira.

A repetição não conseguiu mascarar a verdade - com ou sem ela, as pessoas ainda tinham mais propensão a acreditar nos fatos do que nas mentiras.

Isso mostra algo fundamental sobre a maneira como atualizamos nossas crenças: a repetição tem o poder de fazer algo parecer mais verdadeiro, mas não se sobrepõe ao conhecimento.

Sendo assim, nos perguntamos: por quê? A resposta está relacionada com o esforço necessário para sermos rigidamente lógicos sobre qualquer informação que nos chega aos ouvidos.

Como precisamos fazer julgamentos rápidos, usamos atalhos - heurísticas que estão mais certas do que erradas.

Confiar na frequência com que ouvimos algo é apenas uma estratégia. Qualquer universo onde a verdade é repetida mais vezes do que a mentira terá isso como pressuposto para se julgar uma afirmação.

Nossas mentes são presa fácil para a "ilusão da verdade" porque nosso instinto é usar atalhos para fazermos esse julgamento - isso funciona na maioria das vezes.

Agora que já conhecemos esse efeito, podemos ficar mais atentos. Uma boa maneira é se perguntar por que acreditamos no que acreditamos: será que se trata de algo plausível porque é verdade ou apenas porque foi repetido várias vezes?

Mas outra maneira é reconhecer nossa obrigação de parar de repetir mentiras. Vivemos em um mundo onde os fatos são importantes e precisam ser importantes. Se repetirmos coisas sem nos preocuparmos com sua veracidade, estamos apenas ajudando a fazer deste um mundo onde mentiras e verdades se confundem com facilidade. Portanto, por favor, pense bem antes de repetir o que ouviu.

*Tom Stafford é psicólogo e cientista da cognição na Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Guia para terminar uma amizade ruim


Artigo interessante publicado na VICE Brasil:

Como terminar uma amizade ruim

SIERRA BEIN

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE Canadá.

A primeira vez que terminei uma amizade foi na primeira série. Percebi que minha melhor amiga pedia mais de mim do que dava; ela também me julgava muito. Mesmo tendo só uns sete anos, eu sabia que ela tinha que ir. Naquela idade parecia fácil cortar pessoas da minha vida. Hoje, 15 anos depois, percebo como é difícil terminar com um melhor amigo. Agora, no meu último ano de faculdade, terminei como outra amiga. Ainda fico triste pensando como a gente era próxima. Terminar uma amizade é especialmente doloroso.

Seu namorado pode não saber o número real de pessoas com quem você transou — mas sua amiga sabe. Amigos são especiais, e eu diria que terminar com um amigo é tão traumático quanto terminar um relacionamento romântico. Términos de amizade modernos tendem a separar grupos de amigos; você ainda precisa lidar com a falta que a pessoa faz na sua vida; você a bloqueia nas redes sociais ou fica stalkeando na esperança de que dê merda na vida dela (geralmente não dá); e agora também tem que evitar os lugares que vocês frequentavam. As coisas podem dar errado muito fácil. Então falei com alguns terapeutas de relacionamento, para entender se existe um jeito de, sem drama, terminar com um BFF.

Passo 1: Reconheça que tem algo errado

Dá pra perceber quando é uma boa hora de acabar uma amizade. Talvez vocês não se falem tanto ou você se vê procurando desculpas para encontrar a pessoa no bar. Mas os sinais são bastante universais.

"Acho que um dos fatores mais comuns é uma falta de conexão, em qualquer nível. Pode ser sobre valores, prioridades, objetivos ou interesses", me disse Jenny Glozman, uma terapeuta de Toronto. Mas além disso, ela diz que expectativas diferentes, falta de confiança e falta de comunicação são razões que ela geralmente vê para amizades terminarem, incluindo um sentimento de que você está dando mais que recebe. ("Quantas rodadas você me deve mesmo?")

Allan Studd, outro terapeuta de Ottawa Valley, descobriu que saúde mental individual pode afetar amizades. "Coisas como depressão podem facilmente entrar em jogo", ele diz. "Depressão, estresse, ansiedade, todas essas coisas afetam um relacionamento e colocam pressão sobre a relação."

Quando chegamos à faixa dos 20 anos, mudamos e aprendemos mais sobre nós mesmos. Acontece tipo uma crise de um quarto de idade, você começa uma carreira, entra num relacionamento sério (ou não), então acaba tendo que matar amizades ruins pelo caminho.

Passo 2: Saiba quando acabou




Todo mundo que já assistiu algum tipo de comédia/drama adolescente sabe do poder das últimas palavras. Na verdade, quando está no ensino médio a maioria simplesmente manda uma mensagem abrupta e quando entra na universidade já deu um perdido completo. Quando quero terminar com amigos, quero sempre aquele término perfeitamente claro, mas aparentemente essa é uma das piores maneiras de terminar, segundo os terapeutas.

"Quando você apenas não fala com a pessoa e tenta tirar ela da sua cabeça, muitas vezes isso cria esse laço negativo contínuo entre vocês", diz Glozman. "Você vai se apegar a essa raiva e ressentimento, e isso nunca vai desaparecer." "Sugiro terminar sempre cara a cara e da maneira mais honesta possível", diz Studd. "O que significa dizer para a pessoa 'isso não está dando certo para mim' ou 'parece que não temos mais tanto em comum'."

Outro jeito menos dramático de terminar uma amizade é quando vocês se distanciam. Essa é uma separação mais neutra e ambas as partes tendem a ter responsabilidade: mudança de interesses, mudança de cidade, etc. "Quando mais próxima a amizade, mais esforço você deve colocar nela (desde que seja seguro fazer isso)", disse Ellis Nicolson, um psicoterapeuta de casais e famílias. "Ser transparente provavelmente não vai magoar a outra pessoa."

Então mesmo que você esteja inclinado a simplesmente sumir, considere o fato de que os especialistas dizem que é mais saudável fazer o oposto.

Passo 3: Beba, chore, sofra




Vinho vagabundo, sexo equivocado e um novo corte de cabelo geralmente são as opções preferidas dos jovens adultos depois de um término normal. Mas quando uma amizade acaba, você pensa em todas as conversas sérias que vocês tiveram, histórias vergonhosas e fotos constrangedoras que a outra pessoa ainda tem, sem falar nas piadas internas que você não pode mais usar. O pior é pensar nos amigos em comum. Você fica sem saber o que fazer e pensa: "Meus outros amigos estão do lado dela ou será que acham tudo isso bobagem?" Para entender os efeitos pós-emocionais de uma amizade que acaba, os especialistas fizeram referência aos cinco estágios da perda: negação, barganha, tristeza/depressão, raiva e aceitação.

"Vejo esses passou como uma espiral, você pula de um sentimento ao outro até completar o círculo, e com o tempo começa a experimentar o estágio da aceitação mais e mais", diz Glozman.

É nesses primeiros estágios que você começa a sentir todo tipo de emoção negativa contra a pessoa. É nessa época que começamos a culpar o outro por todo tipo de coisa imaginável. "Ela fez aquilo comigo. Eu nunca fiz nada de errado, como ela ousou?" E mesmo que pensar essas coisas (eu mesma tenho que admitir) seja satisfatório em algum grau, Glozman lembra que é importante pensar no seu papel no término.

"É nessa parte que você realmente aprende. Essa é a parte que você pode controlar para seguir adiante", ela diz.

"É uma rua de mão dupla. Sempre digo aos casais com quem trabalho que uma relação é meio a meio... Que cada parceiro tem 100% de responsabilidade na sua parte do relacionamento", diz Studd. "Em termos de terapia, eu cuidaria de uma amizade do mesmo jeito que cuidaria de um casal."

Em outras palavras, eu e você erramos em algum ponto do caminho, e não devemos ficar tristes o tempo todo.

Passo 4: Ver a pessoa de novo




Agora vem a parte desconfortável: vocês vão se encontrar de novo em algum momento. Pode ser numa festa, na escola ou no trabalho — pode ser na padaria, tanto faz, você entendeu onde quero chegar. Vai parecer que a pessoa está em todo lugar em certos momentos.

"Você precisa agir de um jeito que honre vocês duas, seja do jeito que for. Para alguns é ser superior, para outros pode ser uma tentativa de resolver questões que ficaram para trás, para outros é a distância", disse Nicolson.

Dito isso, meu melhor conselho é parar de desperdiçar tempo planejando o que você vai dizer, estilo série adolescente. Essa é sua chance de mostrar que você está bem! Você quase não reconheceu a pessoa! Você não perdeu o sono pensando nela, ouvindo suas músicas favoritas e chorando! Se a pessoa perguntar daquela camiseta que deixou com você, diga que doou por acidente — você se tornou uma pessoa muito melhor sem ela. Mas os terapeutas provavelmente vão discordar de mim nessa.

"Qual o propósito do plano? Qual o objetivo disso? Esse tipo de 'esquema de vingança', se você preferir — isso provavelmente é mais prejudicial do que basicamente ter um plano de segurança", diz Glozman. "Acho que é importante ter um plano de segurança na cabeça, porque isso faz você não ter medo da interação."

Passo 5: Superar




Consertar relacionamentos nunca foi uma prioridade para mim, mas todos os terapeutas com quem falei disseram que isso quase sempre é possível.

"Você pode lidar com muitas coisas no contexto de um relacionamento", diz Glozman. "Há meios de cura, só que dão trabalho. Temos que ter muita disposição para sentar com os sentimentos de outra pessoa e... nem sempre estamos dispostos a fazer isso."

"Seja claro sobre suas necessidades. Se a outra pessoa não responder a elas, então é hora de deixá-la para trás", acrescentou Nicolson.

Mais importante, os terapeutas aconselharam falar com alguém, ou procurar um terapeuta (humm, $$$) se você realmente precisar se abrir. "As pessoas sempre acham que tem que ser algo muito severo ou extremo para procurar ajuda psiquiátrica, e acho que, culturalmente falando, não contextualizamos o fim de uma amizade nesse nível. Mas você está certa, pode ser tão traumático quanto qualquer final de relacionamento, é só que não falarmos sobre isso dessa maneira, e portanto desencorajamos as pessoas a procurar ajuda."

Se a coisa for impossível de salvar mesmo, pelo menos faça algumas das coisas que faria no caso de qualquer perda na sua vida — tome sorvete, durma um monte, assista séries, tente fazer exercícios ou algo produtivo. Seja um pouco egoísta e faça algo por você.





sábado, 5 de novembro de 2016

CNJ incentiva práticas alternativas na solução de conflitos judiciais


A matéria é do próprio Conselho Nacional de Justiça:

"Constelação Familiar" ajuda humanizar práticas de conciliação no Judiciário

Pelo menos 11 estados (Goiás, São Paulo, Rondônia, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas e Amapá) e o Distrito Federal já utilizam a dinâmica da "Constelação Familiar" para ajudar a solucionar conflitos na Justiça brasileira. A medida está em conformidade com a Resolução CNJ n. 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estimula práticas que proporcionam tratamento adequado dos conflitos de interesse do Poder Judiciário. A técnica vem sendo utilizada como reforço antes das tentativas de conciliação em vários estados.

A intenção da utilização da técnica criada pelo psicólogo alemão Bert Hellinger no Judiciário é buscar esclarecer para as partes o que há por trás do conflito que gerou o processo judicial. Os conflitos levados para uma sessão de constelação, em geral, versam sobre questões de origem familiar, como violência doméstica, endividamento, guarda de filhos, divórcios litigiosos, inventário, adoção e abandono. Um terapeuta especializado comanda a sessão de constelação. Na capital federal, a técnica vem sendo aplicada dias antes das tentativas de acordo em seis unidades do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), como no Centro de Conciliação e Solução de Conflitos (Cejusc) Superendividados, onde a servidora aposentada Heloísa (nome fictício), 65 anos, foi encaminhada há um ano, para saldar uma dívida que superava seu patrimônio.

Repetição de histórias – Heloísa revela que a constelação foi fundamental para que pudesse identificar onde estava o problema familiar, que fazia com que ela repetisse os padrões de seu pai: quando estava bem financeiramente, arrumava um jeito de entrar no vermelho e contrair mais dívidas. Ela participou de três constelações e hoje já está com quase 60% da dívida paga.

Outras experiências – Na Vara Cível, de Família, Órfãos e Sucessões do Núcleo Bandeirante (DF) a técnica foi aplicada em cerca de 52 processos, desde março, alcançando índice de acordos de 86%, com a participação das duas partes na dinâmica. Nas unidades judiciárias que fazem parte do Projeto Constelar e Conciliar do órgão, as sessões acontecem, em geral, uma semana antes das audiências de conciliação. A juíza Magáli Dallape Gomes, umas das supervisoras do projeto, explica que antes de encaminhar os casos para a sessão de constelação, seleciona processos com temáticas semelhantes e que não obtiveram êxito em conciliações anteriores.

“Depois de participarem da constelação, as partes ficam mais dispostas a chegar a um acordo. Isso é fato. A abordagem, além de humanizar a Justiça, dá novo ânimo para a busca de uma solução que seja benéfica aos envolvidos. Quem faz, percebe uma mudança em sua vida”, disse. Para realizar as constelações, o TJDFT conta com servidores do Cejusc e voluntários, como a servidora Adhara Campos, especialista e facilitadora das constelações.

Reaproximação familiar – Na Vara de Infância e Juventude de Brasília, no ano passado, houve oito atendimentos com adolescentes em situação de acolhimento. Segundo Adhara Campos, os constelados que estavam afastados da família conseguiram uma sensível melhora na relação entre eles. “A constelação ajudou a amenizar o conflito deles com as famílias adotivas e, em outras situações, ajudou na reaproximação com os pais biológicos. Também foram percebidas mudanças positivas dos jovens no trato com as cuidadoras”, revelou a servidora.

Um dos primeiros a trazer a prática para o Judiciário, o juiz Sami Storch, da 2ª Vara de Família de Itabuna/BA, afirmou ter conseguido um índice de 100% de acordos em conflitos familiares ao utilizar a técnica antes das audiências de conciliação. Na época, em 2012, a técnica foi aplicada aos cidadãos do município de Castro Alves, a 191 quilômetros de Salvador. Das 90 audiências nas quais pelo menos uma das partes participou da vivência de constelações, o índice de conciliação foi de 91%. Nos processos em que ambas as partes participaram da vivência de constelações, o resultado foi 100% positivo.

“Já nas simples audiências de conciliação, sem constelação, o índice foi de 73%”, comparou. Segundo ele, o próximo passo, em Itabuna, será a constelação em processos de inventário. “Eles costumam ser processos demorados, que têm carga emocional envolvida de vários entes familiares. A técnica já foi aplicada em alguns processos e conseguiu reaproximar herdeiros. Deveremos incluir mais esse tema”, afirmou o magistrado.

Prática premiada – Em Goiás, o Projeto Mediação Familiar, do 3º Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania da comarca de Goiânia, rendeu para o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) o primeiro lugar no V Prêmio Conciliar é Legal, promovido pelo CNJ. A novidade apresentada no projeto era exatamente a utilização da técnica da constelação nas sessões de mediação. De acordo com o juiz Paulo César Alves das Neves, coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do tribunal e idealizador do projeto, o índice de solução de conflitos com auxílio da técnica é de aproximadamente 94% das demandas.

Política Pública – Mediação e conciliação são métodos voluntários de solução de disputa, no qual uma terceira pessoa conduz a negociação de maneira neutra, sem poder de decisão. Em geral, a mediação trata de ações complexas, de relação continuada, como conflitos familiares ou criminais. Já a conciliação é um processo consensual breve, que serve para resolver questões mais simples, pontuais, como dívidas.

Em 2010, o CNJ criou a Política Pública Nacional no âmbito do Judiciário (Resolução CNJ n. 125/2010), a fim de estabelecer um tratamento adequado para resolução de conflitos de forma não litigiosa. Cinco anos depois, a solução consensual de conflitos foi incluída no Código de Processo Civil (novo CPC), que tornou a conciliação etapa processual obrigatória. No mesmo ano, foi aprovada a chamada Lei da Mediação, disciplinando a técnica como forma de solução de conflitos.

No Distrito Federal, quem tem uma ação tramitando em alguma das seguintes unidades judiciárias (1ª Vara Criminal; Superendividados; Cejusc Brasília e Taguatinga; Vara cível, órfão e sucessões do Núcleo Bandeirante e Vara da Infância e Juventude) pode solicitar uma sessão de constelação por meio do e-mail cursos.nupemec@tjdft.jus.br, no “Projeto Constelar e Conciliar”. O processo será analisado e, sendo possível, inscrito no projeto. A constelação tem duração de aproximadamente duas horas.

Regina Bandeira
Agência CNJ de Notícias



sábado, 1 de outubro de 2016

O que é autismo, afinal?


Conheça. Acolha. Compreenda. Respeite. Divulgue. 

A matéria é do HuffPost Brasil:

O que pessoas com autismo e suas famílias querem que você saiba

Jessica Samacow

Pedimos às pessoas no espectro autista e às suas famílias para explicarem o que é e o que não é autismo.


No vídeo acima, essas pessoas nos dão uma rápida ideia do que é a vida com autismo, uma síndrome que afeta 1 em cada 68 crianças nos EUA — no Brasil, estima-se que 2 milhões de pessoas sejam autistas —, e também derrubam mitos envolvendo o transtorno. “O autismo não é contagioso”, diz uma mãe.

“O autismo é incrível!”, diz um jovem no espectro.

Conte o que o autismo representa para você nos comentários abaixo.

Este vídeo foi editado por Ethan Kirby e produzido por Will Tooke, Felicia Kelley e Choyce Miller para o HuffPost Rise.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TJSC pede laudo psicológico para atiradora desportista de 10 anos de idade

(foto meramente ilustrativa)

Promessa olímpica deve passar por laudo psicológico antes de treinar tiro esportivo

Em Santa Catarina o sonho olímpico também começa cedo. A 1ª Câmara de Direito Civil do TJ determinou que, antes de receber autorização para participar de campeonatos de tiro esportivo no Vale do Itajaí, uma menina de dez anos deve passar por laudo psicológico e estudo social como forma de avaliação de sua maturidade para manusear a carabina - arma de fogo usada nos jogos Rio 2016.

Representada pelos genitores, a garota afirmou que é necessário começar cedo a prática desportiva para chegar às Olimpíadas. O pai, instrutor de tiro credenciado pela Polícia Federal e pelo Exército, já a acompanha em competições de tiro prático e diz que ela permanecerá sob supervisão. O Ministério Público, por sua vez, alegou que a capacidade física e mental da infante para o esporte deve ser analisada antes que se expeça o alvará judicial. O procurador de justiça, ainda, trouxe à memória o caso da morte acidental de instrutor nos EUA em 2014, quando menina de nove anos atirou nele sem querer ao manusear submetralhadora.

Para o desembargador Saul Steil, relator da matéria, a análise do caso merece cautela pela tenra idade da menina, com necessidade de orientação de profissionais da área da psicologia para o prosseguimento da ação em 1º grau. "Assiste razão ao Ministério Público sobre a necessidade de dilação probatória, com a realização de estudo social e laudo psicológico, já que se trata de criança, frise-se, de apenas dez anos de idade, que está lidando com armas e munição, mesmo que seja como esporte", consignou o magistrado. A decisão foi unânime.

Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo



domingo, 3 de janeiro de 2016

Suas resoluções de Ano Novo já correm risco de fracassar


Matéria publicada na revista Galileu em janeiro de 2015:

Por que você não vai cumprir suas resoluções de ano novo

Se você ainda está firme, fique sabendo: as chances de falhar são grandes

Perder peso, ser mais produtivo, começar algum esporte, entrar na academia, parar de tomar refrigerante, ler 500 livros, etc. Basta virar o ano, e já começamos a pensar nas resoluções do ano novo. Mas por que - quase - nunca conseguimos cumprir nossas metas?

Gary Latham, professor de psicologia da Universidade de Toronto, estudou a psicologia do estabelecimento de metas e comprovou que existem várias razões que nos impedem de cumprir nossas resoluções. E o site Fast Company listou quatro razões que explicam o motivo das nossas falhas - confira:

Estabelecer metas muito abrangentes

Latham diz que nossas metas têm que ser mais específicas: “a chave para cumprir os objetivos é especificar. Especificar te dá mais foco”. Experimente trocar “perder peso” por “perder x quilos” ou “passar mais tempo com a família” por “passar x horas com a família por semana”. Quanto mais específica for a resolução, mais fácil será de cumprir.

Estabelecer MUITAS metas

Pensar em uma lista enorme de resoluções não é uma boa ideia. Segundo Latham, as metas devem ser afuniladas - de três a sete resoluções é o ideal. Se você pretende cumprir 40 resoluções, acabará não cumprindo nenhuma. É difícil para a mente humana gerenciar muitos objetivos simultaneamente. O grande segredo está no foco.

Estabelecer metas surreais

Seja sincero, a meta estabelecida é possíivel? Um viciado em refrigerantes não conseguirá parar de beber de uma hora pra outra. Latham recomenda eliminar tudo que atrapalhe sua resolução. Por exemplo, é impossível manter uma dieta equilibrada tendo uma cozinha repleta de doces e outras besteiras. E quando estabelecer uma resolução não esqueça de conversar com amigos e familiares - eles te ajudarão a ficar firme.

Ser pessimista

Ao primeiro sinal de fracasso você já pensa em jogar a toalha? Para Latham, acreditar que a meta é possível ajuda a realiza-la. Então nada de pessimismo. E se você quer cumprir suas resoluções de ano novo, se apoie em pessoas que te mantenham motivado e animado.



domingo, 6 de dezembro de 2015

Sim, é possível ser feliz sozinho

É o que diz matéria publicada na revista Galileu:

Tom Jobim estava errado: é possível ser feliz sozinho, diz estudo

Pessoas que evitam conflitos são mais felizes fora de relacionamentos

MARÍLIA MARASCIULO

Ao contrário do que cantou Tom Jobim, aparentemente é possível, sim, ser feliz sozinho — e isso quem diz é um estudo da Universidade de Auck­land, não algum sucesso qualquer de funk ou pagode. Feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, a pesquisa revelou que, diferentemente das pessoas que buscam intimidade, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.

Até agora, estudos sobre relacionamentos costumavam indicar que os comprometidos são ligeiramente mais felizes e saudáveis que os solteiros. A lógica parece simples: o apoio de um parceiro ajudaria a lidar com o estresse cotidiano, o que provocaria maior sensação de bem-estar. “Mas mesmo as melhores relações podem ser difíceis e expor o indivíduo a mágoas e decepções”, explica a autora do estudo, a psicóloga Yuthika Girme. Em alguns casos, são motivo inclusive de ansiedade e depressão. E, para certas pessoas, passar por isso simplesmente não vale a pena.

Segundo a psicóloga, existem duas maneiras de construir relacionamentos: buscando intimidade ou evitando conflitos. Enquanto pessoas do primeiro grupo buscam oportunidades de tornar os vínculos mais intensos e se sentem mais satisfeitas quando estão comprometidas, aquelas que preferem evitar desentendimentos ou brigas costumam ser mais felizes solteiras.

Em contrapartida, explica a autora, estar solteiro aumenta a possibilidade de melhorar a relação com parentes e amigos e de dedicar-se a hobbies, à carreira e a outras atividades que podem proporcionar bem-estar. “Embora ainda exista pressão para você namorar ou casar, a solteirice está se tornando cada vez mais comum e nem sempre é sinônimo de insatisfação ou tristeza”, diz Girme.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Como a religiosidade influi nos tratamentos de saúde


Matéria publicada na Folha de S. Paulo:

Religião é benéfica para tratamento psiquiátrico, diz associação

CLÁUDIA COLLUCCI

"É mole? Vou ao médico tratar da depressão e ele me manda rezar!". A recomendação que gerou surpresa na médica e professora universitária Maria Inês Gomes, 67, agora tem aval da Associação Mundial de Psiquiatria.

No mês passado, a entidade aprovou documento declarando a importância de se incluir a espiritualidade no ensino, pesquisa e prática clínica da psiquiatria. A SBP (Sociedade Brasileira de Psiquiatria) ainda não se posicionou sobre o assunto.

A proposta, obviamente, não é "receitar" uma crença religiosa ao paciente, mas conversar sobre o assunto. O indexador de estudos científicos PubMed, do governo americano, lista mais de mil estudos sobre o tema.

Os recursos espirituais avaliados nesses trabalhos variam bastante, desde acreditar em Deus ou um poder superior, freqüentar alguma instituição religiosa ou mesmo participar de programas de meditação e de perdão espiritual, mas a grande maioria conclui que há correlação entre espiritualidade e bem-­estar.

O maior impacto positivo do envolvimento religioso na saúde mental é entre pessoas sob estresse ou em situações de fragilidade, como idosos, pessoas com deficiências e doenças clínicas.

Não se trata, claro, da prova científica da ação de Deus –uma hipótese dos pesquisadores é que religiosidade sirva, por exemplo, para reforçar laços sociais, reduzindo a incidência de solidão e depressão e amenizando o estresse causado por doenças ou perdas.

Três meta­-análises (revisões científicas) já realizadas sobre o tema indicam que, após controle de variáveis como estado de saúde da pessoa, a frequência a serviços religiosos esteve associada a um aumento médio 37% na probabilidade de sobrevida em doenças como o câncer. O desafio é entender exatamente como isso acontece.

Uma das explicações propostas é a ativação do chamado eixo "psiconeuroimunoendócrino", em que uma emoção positiva seria capaz de alterar a produção de hormônios que, por exemplo, reduziriam a pressão arterial.

"O impacto da religião e espiritualidade sobre a mortalidade tem se mostrado maior que a maioria das intervenções, como o tratamento medicamentoso da hipertensão arterial ou o uso de estatinas", afirma Alexander Moreira-Almeida, professor de psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Um outro estudo recente publicado na revista "Cancer", da Sociedade Americana de Câncer, revisou dados obtidos com mais de 44 mil pacientes e concluiu que são os aspectos emotivos da espiritualidade e da religiosidade aqueles que mais trazem benefícios para a saúde física e mental de pacientes com a doença. O mesmo não acontece quando o paciente se dedica a meramente estudar ou pesquisar sobre a religião.

EFEITO NEGATIVO

Ao mesmo tempo, segundo Almeida, as crenças religiosas também podem atuar de modo negativo, quando enfatizam a culpa e a aceitação acrítica de ideias ou transferem responsabilidades.

"Piores desfechos em saúde são observados quando há uma ênfase na culpa, punição, intolerância, abandono de tratamentos médicos. A existência de conflitos religiosos internos ao indivíduo ou em relação à sua comunidade religiosa também está associada a piores indicadores de saúde."

Por essa razão, é importante que os profissionais tenham em conta a dupla natureza da religião e espiritualidade, segundo Kenneth Pargament, professor de psicologia clínica na Bowling Green State University (Ohio).

"Elas [religião e espiritualidade] podem ser recursos vitais para a saúde e bem­estar, mas eles também podem ser fontes de perigo", diz ele, que esteve no Brasil neste mês falando sobre o assunto no início do mês no Congresso Brasileiro de Psiquiatria.

Ele lembra que, por muitos anos, psicólogos e psiquiatras evitaram a religião e a espiritualidade na prática clínica. Entre as razões, estaria a antipatia pela religião que sempre houve entre os ícones da psicologia, como Sigmund Freud.

Para Pargament, é importante a compreensão de que a religião e a espiritualidade são entrelaçadas no comportamento humano e que os profissionais precisam estar preparados para avaliar e abordar questões que surjam no tratamento.

"Para muitas pessoas, a religião e a espiritualidade são recursos-­chave que podem facilitar o seu crescimento. Para outros, são fontes de problemas que precisam ser abordadas durante o tratamento. Isso precisa ser compreendidopelos profissionais de saúde."

Entre as técnicas que estão sendo estudadas para essa abordagem estão programas, por exemplo, para ajudar pessoas divorciadas a lidar com amargura e raiva, ou vítimas de abuso sexual e mulheres com distúrbios alimentares. ­

ESTUDOS SOBRE FÉ, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE

Religião, espiritualidade e saúde física em pacientes com câncer
- Publicação: 2015, no periódico "Cancer"
- Resumo: A meta­-análise congregou resultados obtidos com mais de 32 mil pacientes para concluir que a saúde física dos pacientes com câncer melhora com a experiência de religiosidade ou de espiritualidade. Isso ocorre mais pela relação emotiva do que por aquela mais racional com a religião/espiritualidade.

Caminhos distintos entre Religiosidade, Espiritualidade e Saúde
- Publicação: 2014, no periódico "Circulation"
- Resumo: Os autores do estudo propõem separar os efeitos na saúde física que poderiam ser atribuídos à religião e os que poderiam ser atribuídos à espiritualidade. A proposta é que a religião poderia fomentar hábitos saudáveis, enquanto a espiritualidade traria melhor equilíbrio emocional

Doenças mentais, religião e espiritualidade
- Publicação: 2013, no periódico "Journal of Religion and Health"
- Resumo: A meta­-análise analisou 43 estudos do período entre 1990 e 2010 e viu que 72% deles mostram resultados positivos entre a dimensão espiritual/religiosa e a saúde física, especialmente para demência, depressão e dependência química. A Esquizofrenia e o transtorno bipolar não são afetados



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails