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quarta-feira, 26 de julho de 2017

A dor da jovem que foi escrava sexual do Estado Islâmico


A matéria é da BBC Brasil:

'Fui estuprada todos os dias por 6 meses': o inferno de jovem transformada em escrava sexual pelo Estado Islâmico

Ekhlas, uma jovem iraquiana da minoria yazidi, vive hoje em um hospital psiquiátrico na Alemanha. Não é o ideal, mas pelo menos mais seguro do que seu último destino, no norte do Iraque.

"Minha vida era bonita, mas duas horas a mudaram completamente", contou ela a Fiona Lamdin, do programa Victoria Derbyshire, da BBC.

"Eles vieram com sua bandeira negra. Mataram os homens e estupraram as meninas."

Em agosto de 2014, a aldeia de Ekhlas foi atacada por militantes do grupo que se autodenomina Estado Islâmico. Muitos homens foram mortos. Mulheres e crianças, capturadas.

Ela, então com 14 anos, e sua família tentaram escapar pelas montanhas, mas não chegaram muito longe.

"Mataram meu pai diante dos meus olhos. Vi o sangue dele em suas mãos."

Sequestro e estupro

Quando capturaram sua família, os militantes do Estado Islâmico separaram Ekhlas da mãe e a colocaram em uma prisão.

"Tudo o que escutava eram gritos, choro. Todos estávamos com fome, eles não alimentavam ninguém", disse ela.

"Vi um homem de mais ou menos 40 anos sobre uma menina de 10. A menina gritava."

"Nunca me esqueci desses gritos. Ela dizia 'mamãe, mamãe...', mas não conseguimos fazer nada."

A jovem foi escolhida por um militante entre um grupo com 150 adolescentes.

"Era tão feio, como um monstro, com cabelos compridos. Cheirava tão mal... tinha tanto medo que não conseguia olhá-lo."

"Me estuprou todos os dias, durante seis meses. Tentei me matar", relatou a adolescente ao programa da BBC.

"Como consigo contar tudo isso sem chorar? Fiquei sem lágrimas", concluiu.

Na Alemanha

Um dia, aproveitando que seu sequestrador estava no campo de batalha, Ekhlas conseguiu escapar. Foi levada a um campo de refugiados e lá conheceu Jaqueline Isaac, uma advogada americana encarregada de realocar jovens em países da União Europeia.

"Quando a conheci, não fazia contato visual", relata a advogada.

Atualmente, entre 2 mil e 4 mil jovens yazidis estão em poder do EI.

Quase três anos após ser sequestrada, Ekhlas está hoje em um centro de apoio psiquiátrico. Frequenta a escola e participa de terapia em grupo para crianças e adolescentes refugiados.

"Focamos em certas emoções, como amor, paz e felicidade, para lidar com o medo, a ansiedade e outras emoções negativas", diz um dos terapeutas que faz parte da equipe multicultural e disciplinar que atende os jovens.

Uma das meninas que frequenta a instituição, de 13 anos, também foi sequestrada pelo Estado Islâmico. Hoje só se comunica por meio de desenhos e sinais e não sabe se seus pais estão vivos.

Outro tinha apenas sete anos quando seus pais foram sequestrados. Desde então já se passaram três anos.

Sua mãe foi vista há alguns meses em um campo no Iraque, depois de escapar do cativeiro.

Durante sua última sessão de meditação, ele imaginou que todos os seus familiares estavam livres e que comemorava com a mãe o fato de estarem todos novamente reunidos. Ekhlas, por sua vez, voltou a olhar as pessoas nos olhos, canta e quer ser advogada.

"Você pode pensar que sou forte como uma pedra, mas quero que saiba que estou ferida por dentro. Minha dor é como a de cem mortes."



sexta-feira, 3 de março de 2017

Khatla Ali Abdullah, 90 anos de idade, foge do Estado Islâmico

A dor e o alívio em uma foto que vale mais que um bilhão de palavras. 

Khatla Ali Abdullah, uma senhora muçulmana de 90 anos de idade, com a ajuda dos netos, consegue fugir de Mossul, cidade iraquiana ocupada pelo Estado Islâmico e que hoje se encontra debaixo de forte ataque por parte das forças armadas do Iraque.

Os cliques antológicos que a fotógrafa Zohra Bensemra, da agência Reuters, consegue tirar dessa aventura sofrida e inusitada são daquelas imagens que valem mais que alguns bilhões de palavras.

A foto acima ilustrou a matéria do Estadão sobre o fato, publicada hoje.

Confira a dor, o sofrimento e o alívio na sequência abaixo:














terça-feira, 29 de novembro de 2016

O desafio de (ainda) ser cristão no Iraque


Um dia, no futuro, quando alguém escrever a história atualizada do cristianismo, pelo menos um capítulo especial será reservado para o exemplo de força e fé que poucos, mas valorosos cristãos estão vivendo (e sobrevivendo) diariamente no Oriente Médio.

A matéria é da BBC Brasil:

‘Destruam nossos filhos antes de nossas igrejas’: cristãos iraquianos falam sobre devastação deixada pelo EI em Mossul

Quando o Estado Islâmico (EI) avançou sobre o território do Iraque, em 2014, milhares de cristãos foram os primeiros a deixar o país. Os poucos que restaram sob domínio do EI foram mortos ou forçados a se converter ao Islã. Agora, com a ofensiva do exército iraquiano sobre o local, alguns cristãos estão retornando às suas casas – e à sua religião.

Mossul, segunda maior cidade do Iraque, foi tomada pelo EI em junho de 2014. Localizada em uma província rica em petróleo e próxima da Síria - e das posições do EI no deserto - a cidade se tornou símbolo do poder dos extremistas. Foi ali que seu líder máximo, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um "califado".

Por isso, desde o dia 17 de outubro, uma força de ataque formada por 50 mil combatentes iraquianos, entre soldados, guerrilheiros peshmerga (como são conhecidos os curdos iraquianos), tribos sunitas e milicianos xiitas – assistidos por aviões militares e consultores de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos – luta para reconquistar Mossul.

A batalha ainda está longe do fim, mas muitos têm conseguido escapar em meio aos combates e fugir para campos de refugiados ou para outras cidades no Iraque.

Uma delas é a cidade de Qaragosh. No mês passado, o exército iraquiano retomou o controle sobre a cidade, considerada a mais importante para os cristãos locais antes da invasão. Lá, as igrejas foram destruídas, estátuas de Maria decapitadas e crucifixos queimados pelo EI.

“Eu preferia perder meus filhos do que ver a igreja assim”, disse uma mulher à BBC.

Já Ismail, um jovem de 16 anos, e sua mãe foram forçados pelo Estado Islâmico a se converter ao Islã. “Eles me disseram ‘não há outro Deus além de Alá’ e ‘você será um muçulmano’. Eu disse ‘não há outro Deus além de Jesus’ e ele me bateu”, contou.

"Ele apontou uma arma na minha cabeça e disse à minha mãe 'se você não se converter ao Islã, vamos matar seu filho'", disse Ismail à BBC.

De volta a uma igreja perto de sua casa, Ismail espera começar uma nova vida. Mas para ele - e para milhares de outros cristãos no Iraque - o futuro ainda é incerto.



terça-feira, 15 de novembro de 2016

Após 2 anos sem vê-la, soldado iraquiano reencontra a mãe fugindo de Mossul


O vídeo abaixo mostra um desses momentos emocionantes em que todos nós nos sentimos iguais como seres humanos, independentemente de nossas origens nacionais, culturais e religiosas.

Nem precisa entender a língua, porque quando se trata de amor entre mãe e filho, o idioma é universal.

O vídeo em questão mostra a busca do soldado iraquiano de nome Saad, que saiu de Mossul dois anos atrás para servir ao exército iraquiano, exatamente no momento em que o Estado Islâmico invadiu e tomou aquela cidade sagrada do norte do país, deixando boa parte de sua família por lá.

Depois de dois anos, Saad está de volta a Mossul na ofensiva liderada pelo exército iraquiano, que está libertando a cidade das mãos cruéis e assassinas dos militantes do Estado Islâmico.

É aí que ele fica sabendo que sua família está num dos muitos ônibus que estão levando os civis já liberados para longe da cidade, e ele vai atrás de sua mãe.

É lindo ser humano. Pena que nossas diferenças banais nos façam perder a chance de viver nossa humanidade comum em sua plenitude.

Emocione-se então:




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Mossul pode marcar o fim do Estado Islâmico

Quando o Estado Islâmico chegou em Mossul, muita gente se atreveu a comemorar. Arrependeram-se.

Interessante lembrar que a palavra "muçulmano" tem sua origem em Mossul, na bíblica província de Nínive, hoje no Iraque.

A informação é da BBC Brasil:

Três motivos pelos quais a batalha de Mossul contra o Estado Islâmico é tão importante

Até 2014, antes de cair no domínio do grupo autodenominado Estado Islâmico, Mossul era a próspera capital petroleira da província de Nínive, no Iraque. Também era o centro político, econômico e cultural do noroeste do Iraque.

Agora, depois de três meses de planejamento, forças de segurança iraquianas lançaram nesta semana uma enorme ofensiva na cidade, com reforço de combatentes peshmerga (Exército curdo no Iraque), grupos tribais sunitas e milícias xiitas, todos apoiados pela coalizão internacional encabeçada pelos Estados Unidos.

O objetivo é expulsar o grupo extremista da segunda cidade mais importante do Iraque. Mas por que é tão importante recuperar Mossul?

1. É o último grande bastião do EI no Iraque

Mossul, com 1,5 milhão de habitantes, era uma das cidades mais diversas do Iraque, com uma população de árabes, curdos, sírios, turcos e muitas minorias religiosas.

"Mossul foi onde o EI ganhou reputação global, já que antes de tomar a cidade era apenas um grupo local", diz Caroline Hawley, correspondente de assuntos diplomáticos da BBC.

"Então, quando tomaram Mossul com um ataque impressionante que o Exército iraquiano não foi capaz de reagir, todos começaram a ouvir falar do EI e o grupo virou uma grave ameaça que deveria ser levada a sério."

Por que somos míopes?

Seis meses antes de tomar Mossul, o grupo, que então se denominava "Estado Islâmico do Iraque e do Levante", já havia tomado a cidade de Faluja e depois conquistou vitórias importantes na guerra civil da Síria.

Mas quando entraram em Mossul, entre 10 mil e 30 mil soldados e forças de segurança iraquianas abandonaram seus postos e fugiram diante de cerca de 800 extremistas.

Desde então, o EI destruiu a autoridade do Estado iraquiano na região, estabeleceu um regime brutal que levou a um êxodo em massa de moradores e impôs sua autoridade perseguindo minorias e matando opositores.

Os extremistas continuaram avançando e tomaram boa parte da região de Nínive, além de outras áreas, em questão de dias.

2. É um centro cultural, político e econômico vital

Dias depois de tomar Mossul, o líder do grupo, Abu Bakr al Baghdadi, declarou o "califado", ou seja, um "Estado" governado segundo a lei islâmica, a sharia.

A partir de Mossul, o EI estabeleceu sua operação para recrutar seguidores pelo mundo. Pela proximidade com a Síria, tornou-se um reduto de combatentes estrangeiros e se tornou o prêmio maior do grupo extremista.

Mossul era a principal área de maioria sunita em um país dominado pelos grupos xiitas e, antes da invasão do EI, também era a cidade com maior população cristã do Iraque.

Os membros do EI são jihadistas que fazem uma interpretação extrema do ramo sunita do Islã e acreditam ser os únicos reais fiéis. Veem o resto do mundo como infiéis que querem destruir sua religião.

No começo, muitos moradores sunitas de Mossul pareciam receber bem os extremistas. Mas a oposição começou a crescer conforme escalou a brutalidade do regime.

A cidade fica perto de importantes poços de petróleo e não muito longe de Síria e Turquia. Com uma importante rede de estradas, é um centro comercial chave na região. Mossul se tornou uma fonte importante de receita para o EI, com impostos, trabalhos forçados e extorsões. Perder a cidade seria um enorme golpe para as finanças do grupo extremista.

Antiga cidade síria, também é patrimônio cultural no Iraque, rica em antiguidades e pontos históricos, muitos dos quais foram destruídos pelo Estado Islâmico.

3. Poderia ser o começo do fim do EI

Na batalha para recuperar Mossul, participam cerca de 35 mil membros das forças de segurança do Iraque, combatentes curdos, grupos tribais sunitas e forças paramilitares xiitas, com apoio da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos.

Para analistas, a ofensiva deverá ser extremamente difícil. O secretário de Defesa dos EUA descreveu a batalha como "momento decisivo" para derrotar o EI.

Calcula-se que o EI tenha entre 5 mil e 8 mil combatentes prontos para defender Mossul. Acredita-se que eles estejam escondidos entre a população, estimada em 1,5 milhão de pessoas - 200 mil possivelmente serão desalojadas nas próximas semanas.

O Estado Islâmico levou meses para se preparar para essa batalha e, segundo a correspondente da BBC Caroline Hawley, é provável que empregue táticas não convencionais para vencer as forças iraquianas, como emboscadas, bombas e franco-atiradores.

"Se o EI perder Mossul, perderá uma base urbana extremamente importante", explica Hawley.

"Mas sabemos que o EI luta de maneiras pouco convencionais e temos visto que quando eles se veem sob pressão no campo de batalha, voltam a se defender com ataques terroristas", diz.

A queda de Mossul também seria um golpe nos extremistas em termos de rotas de abastecimento entre Iraque e Síria. E isso facilitaria uma operação da coalizão em Raqqa, considerada a capital do grupo na Síria.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Líder do Estado Islâmico era craque do seu time de futebol


É o que informa a ESPN Brasil:

Terrorista mais procurado do mundo 
já foi o 'Messi do Iraque'

Ibrahim Awwadty Ibrahim Ali Muhammad al-Badri al-Samarrai, mais conhecido como Abu Bakr al-Baghdadi, é o terrorista mais procurado do mundo.

O que se sabe sobre ele é que tem 44 anos, nasceu em Samarra, no Iraque, é o líder do grupo "Estado Islâmico" e tem uma recompensa de US$ 10 milhões (R$ 38 milhões) colocada pelos Estados Unidos por informações que levem à sua captura.

O que poucos sabem, porém, é que ele era um atacante de primeira no futebol.

"Ele era o Messi do nosso time, nosso melhor jogador", contou Abu Ali, amigo do extremista, ao jornal inglês The Telegraph.

Ibrahim Awwadty era o principal jogador do time da mesquita de Tobchi, bairro pobre localizado na zona oeste de Bagdá, para onde o hoje terrorista se mudou quando deixou Samarra para cursar a Universidade Islâmica da capital iraquiana.

Entusiasta dos esportes, e também descrito como muito religioso, o homem mais procurado do mundo era capitão da equipe e um líder-nato, lembra seu amigo.

"Ele tinha uma voz poderosa, e isso servia tanto para a reza quanto para comandar o time. Nós adorávamos jogar futebol juntos. Nos tempos de Saddam (Hussein), também visitávamos lugares fora de Bagdá, como Anbar, pois ele gostava muito de nadar", recordou.

O futebol, contudo, perdeu espaço na vida de Ibrahim Awwadty quando a coalizão liderada por Estados Unidos e Inglaterra invadiu o Iraque, em 2003, dando início a um conflito que até hoje deixa milhares de mortos no Oriente Médio e no resto do mundo.

Logo após conseguir seu PhD em Estudos do Islã, ele passou a se dedicar ao aprendizado e aplicação da xaria, as leis islâmicas que regem a Constituição de diversos países muçulmanos.

Silenciosamente, passou a tramar uma maneira de um dia expulsar os americanos e ingleses de seu país natal, ao mesmo tempo em que ascendia como líder regilioso nas zonas mais conflituosas da combalida Bagdá.

"Ele nunca demonstrou nenhuma hostilidade aos invasores. Ele não tinha sangue quente, como a maioria das pessoas. Imagino que ele tenha planejado tudo isso de maneira calada, dentro da cabeça dele", opinou o amigo Abu Ali.

"Era um cara insignificante. Ele liderava a reza em uma mesquita perto de onde eu morava, mas ninguém nunca prestou muita atenção nele", completou Ahmed al-Dabash, ex-colega de Ibrahim Awwadty na Universidade Islâmica.

De acordo com Dabash, o companheiro de curso era um homem "calado e tímido", que só era notado pelos óculos grossos, já que tem um alto grau de miopia.

O fato é que, à sua maneira, o hoje líder terrorista foi ganhando reputação. Primeiro, fundou o grupo militante Jamaat Jaysh Ahl al-Sunnah wa-l-Jamaah logo após a invasão do Iraque, em 2003. Três anos depois, já influente, foi convocado para o grupo MSC, embrião do "Estado Islâmico".

Em 2006, Abu Musab al-Zarqawi, líder do MSC, foi morto em um bombardeiro americano, e Abu Omar al-Baghdadi assumiu seu lugar. Quatro anos depois, Abu Omar foi morto em outro bombardeio liderado pelos Estados Unidos, e Ibrahim Awwadty acabou eleito novo líder, posição que ocupa até hoje.

Foi então que ele acabou renomeado como Abu Bakr al-Baghdadi.

"Para mim, ainda é um mistério o porquê de terem escolhido Ibrahim como líder. Havia muitos outros que já estavam na organização antes dele. O fato é que, de 11 votos possíveis entre os conselheiros, ele obteve nove", salientou Hisham al-Hashim, estrategista de segurança iraquiano, provando a influência do líder.

De acordo com Hashim, o fato decisivo na mudança de personalidade de Ibrahim Awwadty de um homem tímido e calado em um líder fanático aconteceu em 2005, quando ele foi preso pelos Estados Unidos no acampamento de Camp Bucca pela participação no grupo militante Jamaat Jaysh Ahl al-Sunnah wa-l-Jamaah.

Misterioso, manteve seus segredos ocultos, e acabou liberado em 2009. "Percebi que ele era um cara mau, mas ele não era o pior dos piores", relembrou o coronel Kenneth King, do exército norte-americano, e que conheceu al-Baghdadi em Camp Bucca .

Segundo King, a mensagem de despedida que o hoje todo-poderoso do "Estado Islâmico" deixou para o coronel e os soldados dos EUA até hoje tira seu sono.

"Vejo vocês em Nova York", previu o terrorista, antes de virar as costas e ir embora.



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os curdos pagam o pato na guerra da Turquia contra o Estado Islâmico

Militantes curdos aprendem a dura lição: nem sempre o inimigo do seu inimigo é seu  amigo!

E são todos muçulmanos... a informação é da BBC Brasil:

Por que a Turquia também bombardeia os inimigos do 'Estado Islâmico'?

A Turquia deixou de ser, na semana passada, uma observadora dos ataques contra o grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI) para se tornar um agente militar ativo no combate aos extremistas.

No entanto, os bombardeios turcos não têm como alvo apenas o EI: também caíram sobre bases do separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Iraque.

E milicianos curdos das Unidades de Proteção Popular (YPG) na Síria - uma das forças que mais fizeram para conter os avanços do "Estado Islâmico" - também disseram ter sido alvejados pelos ataques turcos.

Mesmo derrotando o Estado Islâmico, a guerra não acabou para as bravas mulheres guerreiras curdas do YFG na Síria.

"Em vez de atacar os terroristas do EI, as tropas turcas atacaram posições dos nossos defensores. Essa não é uma atitude correta", disse um porta-voz do YPG, referindo-se ao bombardeio de seus postos perto de Zormikhar, na Província síria de Aleppo.

Muitos veem a ação turca como uma "traição" e como uma tentativa de usar a ofensiva contra o EI como uma desculpa para avançar contra quem considera seus principais inimigos, os separatistas curdos.

Muitos curdos acusam os Estados Unidos de fazer vista grossa a essa estratégia de Ancara, em troca do apoio logístico turco no combate aos extremistas islâmicos.

As autoridades em Ancara afirmam, em resposta, que os nacionalistas curdos na Síria "não estão contemplados dentro do atual esforço militar" e prometeram investigar os bombardeios. Mas também alegam que os ataques do PKK contra a Turquia impossibilitam negociações de paz.

Política local

30 milhões de curdos compõem a maior etnia
sem um Estado que os represente no mundo.
Os curdos formam a minoria étnica sem Estado próprio mais numerosa do Oriente Médio: são mais de 30 milhões de pessoas - segundo os cálculos mais conservadores - ocupando um território que engloba partes da Turquia, da Síria, do Iraque e do Irã.

E os bombardeios contra o PKK - que lidera a luta pela independência curda na Turquia - poderiam ser um elemento-chave para conquistar os votos nacionalistas que o atual governo de Ancara precisa para recuperar a maioria perdida nas recentes eleições de junho.

EUA e Turquia têm trabalhado para criar uma "zona segura", no norte da Síria, para libertar a região do EI. A área, de cerca de 90 km de extensão, seria usada para treinar forças moderadas de oposição, informa o correspondente da BBC na Turquia, Mark Lowen.

O objetivo de Ancara é também permitir que refugiados sírios na Turquia possam retornar ao seu país por essa "zona segura".

Mas o líder do partido pró-curdos Partido Democrático do Povo (HDP, um dos principais partidos vencedores da última eleição turca), Selahattin Demirtas, disse à BBC na quarta-feira que a operação de Ancara contra o EI além das fronteiras turcas é um "disfarce" para alvejar rebeldes curdos e impedi-los de avançar na luta por um Estado próprio.

Ele alega que a verdadeira intenção da "zona segura" é fazer uma incursão a áreas de predominância curda na Síria para impedir que os curdos sírios controlem um território contínuo.

Estratégia arriscada

Se for essa mesmo a estratégia turca, ela é arriscada, explica o correspondente Mark Lowen.

"Ao atacar as duas frentes, a Turquia pode se ver exposta a mais ataques por parte do EI e fomentar mais violência entre a minoria curda", diz.

Os bombardeios colocam em perigo o frágil processo de paz entre o governo turco e os separatistas curdos, iniciado em 2012.

Ao mesmo tempo, analistas explicam que dificilmente Ancara poderia ficar de braços cruzados ante o atentado suicida de Suruc, na semana passada - fato apontado como determinante para a entrada da Turquia na ofensiva militar atual.

O atentado, que a Turquia atribui ao "Estado Islâmico", deixou 32 mortos no vilarejo do sul turco, no dia 20 de julho. Em seguida, forças do EI atacaram guardas de fronteira turcos.

Mais tarde, o PKK reivindicou a morte de dois policiais turcos em represália pelo ocorrido em Suruc - os separatistas curdos sempre acusaram o governo em Ancara de colaborar com os fundamentalistas islâmicos.

E, oficialmente, foi por isso que a resposta das autoridades turcas não incluíram apenas ataques contra o EI, mas também a detenção de centenas de simpatizantes do PKK e o bombardeio de seus postos no Iraque.

Assim, o cessar-fogo determinado pelo PKK em 2013 está oficialmente terminado, trazendo à tona memórias de uma guerra civil que matou mais de 40 mil pessoas em três décadas.

A situação fica ainda mais complexa considerando-se que os curdos fazem parte da coalizão que combate o "Estado Islâmico".



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Bilionário judeu ajuda cristãos a fugir do Estado Islâmico

A matéria é do portal Aleteia:

Bilionário judeu resgata cristãos perseguidos pelo Estado Islâmico: 
"Tenho uma dívida de gratidão"

Lord George Weidenfeld é grato aos cristãos que salvaram a sua vida durante o Holocausto

ZOE ROMANOWSKY

O britânico lord George Weidenfeld está financiando uma missão de resgate de até 2.000 famílias cristãs no Iraque e na Síria. Segundo o Catholic Herald, do Reino Unido, ele quer seguir o exemplo do falecido sir Nicholas Winton, cristão que salvou 669 crianças judias destinadas à morte em campos de concentração nazistas durante o Holocausto.

O bilionário de 95 anos diz que tem "uma dívida a pagar".

Em 1938, os quakers e os Irmãos de Plymouth, cristãos, organizaram a transferência segura de judeus de Viena para a Inglaterra através do “Kindertransport”, ajudando-os a escapar dos nazistas. Os judeus receberam comida, roupas, hospedagem e transporte. Weidenfeld estava entre eles.

"Eu tenho uma dívida a pagar", disse lord Weidenfeld em entrevista ao Times. "Ela vale para os muitos jovens que estavam nos ‘Kinderstransport’. Foi uma operação muito nobre, e nós, judeus, devemos ser gratos e fazer algo pelos cristãos que estão em perigo".

A primeira fase do esforço de resgate organizado pela Weidenfeld Safe Havens Fund conseguiu levar 150 pessoas da Síria para a Polônia neste último 10 de julho, com a permissão do governo polonês e do regime de Assad na Síria.

O jornal Express, do Reino Unido, informa que o fundo de Weidenfeld pretende dar suporte econômico de 12 a 18 meses para os refugiados. Alguns países, como os Estados Unidos, se recusaram a participar do projeto porque ele não inclui os muçulmanos, também eles alvo do Estado Islâmico.

Os cristãos, os yazidis, os drusos e os muçulmanos xiitas são perseguidos pelo grupo terrorista na Síria e no Iraque. Lord Weidenfeld, no entanto, defendeu o objetivo específico do seu projeto:
"Eu não posso salvar o mundo todo, mas tenho uma possibilidade muito específica no caso dos cristãos. Outros podem fazer o que eles querem que seja feito pelos muçulmanos".
Nascido na Áustria em 1919, Weidenfeld recebeu o título de “lord” em 1976. Chegado à Grã-Bretanha sem um tostão, ele fez fortuna criando a editora Weidenfeld e Nicholson.



terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ex-extremista diz que é tarde demais para deter o Estado Islâmico

Entrevista publicada na Folha de S. Paulo:

É tarde demais para tentar acabar com Estado Islâmico, diz ex-extremista

LEANDRO COLON

Coordenador de um centro de pesquisa acadêmica sobre conflitos na Síria e no Iraque, o britânico Shiraz Maher, 33, é categórico em entrevista à Folha: é "tarde demais" para o Ocidente tentar acabar com o Estado Islâmico (EI).

A facção radical vem tomando territórios no Iraque e na Síria e, na semana passada, divulgou vídeo com a decapitação do jornalista americano James Foley.

Maher afirma que o EI é "mais extremista e mais inteligente" do que a Al-Qaeda

Crescido na Arábia Saudita e de origem paquistanesa, o pesquisador é membro do Centro Internacional de Estudos de Radicalização do King's College, em Londres.

Ele ganhou fama no Reino Unido por ter sido extremista no passado e, recentemente, por manter contato com alguns dos "mais de 500" jovens britânicos que afirma terem sido recrutados para a jihad (luta sagrada).

Folha - Qual sua avaliação da ação do EI na Síria e Iraque?

Shiraz Maher - Não é a primeira vez que uma organização toma um território. Vimos isso no Afeganistão, no Paquistão, na Somália. Mas, em todos esses casos, o Ocidente interferiu, e os grupos perderam terreno.

Mas não há, agora, apetite do Ocidente para fazer algo na Síria ou no Iraque. Além disso, as forças iraquianas e sírias são incapazes. O EI está muito fortalecido e é muito difícil fazê-los recuar.

Há forma de contê-los em curto prazo?

Qualquer ação vai levar anos. Acredito que vamos ficar ouvindo falar do EI por pelo menos mais cinco anos, dez anos. É um grupo com bilhões de dólares e combatentes de todo o mundo.

O EI foi estimulado pela guerra da Síria (onde luta contra o regime de Bashar al-Assad). Começou a tomar territórios e foi inteligente, tomando grandes áreas de campos de gás e petróleo.

Depois, entrou no Iraque rapidamente e com sucesso. Foi muito esperto em recrutar combatentes estrangeiros. Traz muita gente da Tchetchênia e da Bósnia. O capital humano de mais valor na área militar é o combatente com experiência.

Eles são mais extremistas que a Al Qaeda?

Mais extremistas e mais inteligentes. A principal diferença é que a Al Qaeda é uma organização terrorista, enquanto o EI era uma organização insurgente que agora se declara um Estado, que oferece serviços sociais, uma alternativa de sociedade. Não há só combatentes. Querem operar como um novo país.

A esta altura, o que deveria ser feito pelas potências?

Não combatê-los significa que o EI vai continuar crescendo e mexendo no mapa do Oriente Médio. O Ocidente pode tentar ir adiante para tentar tirá-los, acabar com eles, mas é muito tarde agora. É preciso encontrar uma forma de conter a expansão, mantê-los onde estão agora.

Como avalia a divulgação do vídeo da decapitação do jornalista James Foley?

Foi feito para chamar a atenção do mundo, e eles conseguiram. É essencialmente uma chantagem contra o presidente americano, Barack Obama. É algo poderoso porque eles têm outros reféns cuja vida dizem depender de Obama. Fez com que todo mundo do Ocidente parasse e prestasse atenção.

O sr. acha que o extremista que aparece no vídeo ao lado do jornalista é de origem britânica?

O sotaque aponta que é ou pelo menos viveu muito tempo aqui. Mas é possível que seja porque os britânicos estão sendo recrutados, já foram pelo menos 500. E acho que ele foi colocado no vídeo também para que a mensagem fosse em um inglês capaz de o Ocidente entender.

Mídias sociais contribuem para esse recrutamento, não?

Com certeza. A mídia social humaniza os combatentes. Antes você lia sobre Iêmen, mas não sabia muito, era um mistério. Agora, esse jovem pode mandar mensagem de Manchester e pensar: ele é como eu. Isso é muito poderoso.

Como evitar o recrutamento?

É muito difícil porque não é ilegal pegar um avião para a Turquia. É muito difícil rastrear, move-se muito fácil com passaporte europeu. Os britânicos são parte de uma estratégia de ambição global do EI. Os europeus são importante porque têm passaporte, podem se mover facilmente.

O sr. tem contatos com eles?

Sim, eles conversam por alguns meses e somem. Vinha conversando com um no ano passado; desde fevereiro, parou de falar comigo. Ele estudou na Queen's University. Foi convencido a ir para a luta. Não era extremista, dizia que era terrível sequestrar, e lá se transformou em radical.

O sr. já foi um extremista?

Em 2001, eu era extremista, não terrorista, de um grupo chamado Hizb ut-Tahrir, em defesa de um Estado islâmico. Era um movimento global e político. Fiquei até 2005, e deixei porque vi que era perda de tempo. No extremismo, é preto ou branco, não tem cinza. Mas o mundo tem muitas coisas cinzas.



sábado, 23 de agosto de 2014

Papa falou com pais de jornalista americano decapitado no Iraque

A informação é do Zenit:

Papa Francisco telefona para os pais de James Foley

Padre Lombardi confirma a informação. A ligação para os pais do repórter brutalmente morto pelo ISIS ocorreu na quinta-feira à noite; o Papa ficou impressionado com a fé da mãe

Papa Francisco telefonou para os pais de James Foley, jornalista americano morto pelo ISIS, cujo vídeo de decapitação horrorizou o mundo. Padre Lombardi, porta-voz do Vaticano, confirmou a informação à Zenit, informando que o telefonema do Santo Padre teve lugar ontem a noite, depois do jantar.

O Papa assegurou à família sua proximidade e oração. O vice-diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Pe. Ciro Benedettini informou que o Santo Padre inicialmente conversou com a mãe de Foley, que é católica.

A mulher – explica Pe. Ciro - "impressionou" o Papa por sua "grande fé". Depois disso, o Papa também falou com o pai do jornalista assassinado e um membro da família de língua espanhola, com quem falou em espanhol.

Conforme relatado pelo padre jesuíta americano James Martin, o casal Foley, que vive em Richmond, New Hampshire, está "emocionado e agradecido" pelo interesse do Papa.

O mundo, entretanto, está chocado com o vídeo do assassinato brutal do jovem repórter americano cometido pelas mãos de um terrorista do Estado islâmico, como um sinal de vingança e advertência contra as recentes ações militares tomadas contra o Isis.

Os terroristas, no mesmo vídeo, confirmam que há outro refém: o jornalista Steven Sotloff. Eles ameaçam de matá-lo no próximo movimento do presidente Barack Obama.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Professor muçulmano é morto por defender cristãos no Iraque


Felizmente ainda há quem se levante contra toda a violência que se perpetra em nome da religião contra seus amigos e irmãos, mesmo que tenha que pagar com a própria vida, como fez esse professor muçulmano do Iraque.

A matéria é do IHU:

Muçulmano sacrificou-se pelos cristãos de Mosul

Não aceitou permanecer em silêncio diante da violência contra os cristãos de Mosul, obrigados a decidir entre a conversão ao Islã, o pagamento da “jizya” (imposto islâmico para os não muçulmanos) ou a fuga. Assim, o professor Mahmoud Al’Asali, que ensina leis no Departamento de Pedagogia da Universidade de Mosul, teve a coragem de denunciar abertamente esta forma de brutal limitação que, na sua opinião, vai contra os preceitos do Islã. Um gesto que pagou com a vida: os milicianos do Isil o assassinaram neste domingo em Mosul.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli e publicada no sítio Vatican Insider, 21-07-2014. A tradução é de André Langer.

A notícia foi dada pelo sítio caldeu Ankawa.com, um dos mais ágeis e atualizados sobre a calvário vivido pelos cristãos no norte do Iraque. Entre todos os fatos dramáticos destas horas, os que se ocupam do sítio quiseram que não se esquecesse este grande gesto de coragem por parte de um muçulmano. O professor Al’Asali sabia que estava se arriscando muito: em Mosul, todos sabem que em Raqqa, a cidade síria governada há um ano pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil), são muitíssimos os ativistas que lutam pelos direitos humanos que pagaram com suas vidas por se oporem à intolerância do Isil.

No entanto, Al’Asali não podia permanecer em silêncio. Como muitos outros muçulmanos, que no domingo, em Bagdá, lançaram uma campanha “Eu sou iraquiano, eu sou cristão”, em resposta aos “N” de “Nazarenos” marcados nas casas dos cristãos de Mosul. Alguns deles se reuniram fora da Igreja caldeia de São Jorge com um cartaz em que se podia ler a referida frase. Depois publicaram a foto no Facebook.

Entretanto, estes gestos de valor são sinais que não freiam a loucura dos fundamentalistas do Estado Islâmico. Seguindo com seu projeto de limpeza étnica, os integrantes do Isil publicaram nesta segunda-feira as tarifas da “jizya”, o imposto islâmico “de proteção” que deverão pagar todos os que não são muçulmanos que queiram permanecer ou voltar para Mosul. O número indicado é de 450 dólares por pessoa/mês: uma soma astronômica para os que vivem no norte do Iraque.

Na segunda-feira, chegou também a notícia de outro lugar cristão cheio de história no norte do Iraque e que caiu nas mãos do Estado Islâmico: trata-se do mosteiro sírio-católico de Mar Benham, muito próximo de Qaraqosh, a cidade cristã da planície de Nínive, para onde fugiu a maior parte dos cristãos. Em Mar Benham, a presença monástica começou no século IV. “Obrigaram os três monges e algumas famílias que vivem no mosteiro a abandoná-lo e deixar-lhes as chaves”, contou à agência Fides o bispo sírio-católico de Mosul, Yohanna Petros Moshe. O mosteiro, indicou o sítio Bagdadhope, havia sido reformado em 1986 e converteu-se, a partir de então, em meta de peregrinação para os cristãos e também para alguns muçulmanos.



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