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domingo, 1 de novembro de 2015

Nova Zelândia vence Copa do Mundo de Rugby 2015

Richie McCaw, o capitão dos All Blacks, e Dan Carter, melhor jogador, com a Webb Ellis Cup

A Copa do Mundo de Rugby 2015 terminou ontem no estádio de Twickenham em Londres coroando a Nova Zelândia como maior ganhadora das 8 edições do evento até aqui.

Foi o terceiro título dos neozelandeses (o primeiro foi em 1987), cuja seleção foi também a primeira a vencer duas Copas do Mundo em seguida (2011 e 2015).

A partida final foi emocionante, com a Nova Zelândia (os "All Blacks") impondo seu forte jogo coletivo sobre a Austrália (os "wallabies") no primeiro tempo, desenvolvendo uma boa vantagem no segundo tempo mas a poucos minutos do término do jogo os australianos reduziram sensivelmente a diferença, o que não impediu os All Blacks de retomarem o controle do jogo para fechá-lo em 34 x 17.

Destaque para Dan Carter, hoje com 33 anos de idade e considerado por muitos o melhor jogador de rugby do mundo, o que ele confirmou ontem com uma atuação soberba digna de sua fama.

Agora é se preparar para a Copa do Mundo de 2019, que será realizada no Japão.

Veja no vídeo abaixo os melhores momentos da final:





sábado, 31 de outubro de 2015

Austrália e Nova Zelândia decidem hoje a Copa do Mundo de Rugby 2015


Termina hoje na Inglaterra a Copa do Mundo de Rugby edição 2015, com o clássico entre Austrália (os "wallabies") e Nova Zelândia (os "All Blacks").

Uma final dos sonhos, portanto. Os dois países detêm dois títulos mundiais cada um, a Austrália em 1991 e 1999 e a Nova Zelândia em 1987 e 2011.

A outra bicampeã mundial, a África do Sul (1995 e 2007), venceu ontem a Argentina por 24 a 13, e garantiu o terceiro lugar.

Além das três ex-colônias britânicas, o outro país que já ganhou um título da Copa do Mundo de Rugby é a Inglaterra, vencedora em 2003.

A exemplo do que aconteceu com a Copa Jules Rimet, que ficou na posse definitiva do país que primeiro venceu 3 Copas do Mundo de futebol, no caso o Brasil em 1970, a sua correspondente no rugby, a Copa Webb Ellis, será hoje levada para casa para sempre por quem vencer a final.

Os fãs do rugby estão em festa porque as duas seleções da Oceania representam o melhor que o esporte pode oferecer.

A partida começa pontualmente às 14 h deste sábado no mítico estádio de Twickenham em Londres, e será exibida no Brasil pelo canal a cabo (ou satélite) ESPN.

Não se esqueça, entretanto, de ligar a TV ali pelas 13 h para ver a cerimônia de encerramento da Copa e o cerimonial que antecede o jogo, em especial o momento em que os jogadores neozelandeses fazem seu tradicional ritual maori, o haka.

Não perca! Oportunidade de ouro para começar a entender o que é este esporte ainda pouco praticado no Brasil, além de diversão e emoção garantidas neste sábado chuvoso em boa parte do país.

Como aperitivo, veja abaixo o vídeo do haka que os All Blacks fizeram antes da partida contra a África do Sul pela semifinal da Copa do Mundo de Rugby 2015, vencida pelos neozelandeses pelo apertado placar de 20 x 18:





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Começa hoje na Inglaterra a Copa do Mundo de Rugby 2015


O mundo do rugby está hoje em festa, pela volta do esporte ao seu lar, a Inglaterra, só que desta vez para a realização da Copa do Mundo 2015.

Treze estádios serão utilizados para o evento, sendo doze na Inglaterra (três em Londres) e um em Cardiff, capital do País de Gales, um dos integrantes do Reino Unido (juntamente com Escócia e Irlanda do Norte).

A Irlanda tem uma particularidade interessante no que diz respeito ao rugby. Sua seleção é representada por jogadores da República da Irlanda (capital Dublin) e da Irlanda do Norte (capital Belfast), numa união que não é vista em nenhum outro esporte de massas e muito menos na política.

Tal fato se explica, talvez, pela importância que se dá à confraternização com o time adversário no rugby.

Apesar das partidas serem disputadas, aos olhos do leigo, com algo que ele chamaria de "truculência", o respeito e a lealdade entre os jogadores são fatores sempre incentivados e vividos na prática. Rivalidade só dentro de campo.

Assim como do futebol, a Inglaterra é o berço do esporte que nasceu na cidade de Rugby, de onde tomou seu nome.

Naquela época, se praticava um esporte parecido com o futebol moderno, onde não havia, por exemplo, limite no número de jogadores por equipe.

Por sinal, essa estranha forma de futebol primitivo havia sido proibida pelo rei Eduardo III (1312-1377), por considerá-lo um esporte "não cristão".

No começo do século XIX, o futebol estava de volta à Inglaterra, sendo disputado principalmente nos colégios.

Diz a lenda que, em 1823, um jovem estudante do colégio de Rugby, chamado William Webb Ellis, revoltado com o excessivo número de jogadores em campo e a dificuldade de praticar o jogo com os pés, pegou a bola com as mãos e saiu correndo até a linha de fundo adversária.

Teria surgido aí o esporte que hoje conhecemos como rugby, cujas regras, a exemplo do que ocorreu com o futebol, foram sendo atualizadas e fixadas com o passar do tempo. No rugby, a bola terminou oval.

Embora haja controvérsias sobre a "lenda" contada acima, não há dúvidas de que o esporte realmente nasceu em Rugby, e o troféu que é dado à seleção campeã da Copa do Mundo, não por acaso, tem o nome de William Webb Ellis.

Esta será a oitava edição da Copa do Mundo de Rugby. Nova Zelândia (os "All Blacks"), Austrália (os "Wallabies") e África do Sul (os "Springboks"), com 2 títulos cada, e Inglaterra, com 1, integram a restrita galeria de quem já levou o troféu para casa. São também as grandes favoritas para o título de 2015.

Ao seu lado, com chances de vitória, poderíamos escalar França, País de Gales e Irlanda, que correm por fora como azarões.

Ainda incipiente no Brasil, os fãs sul-americanos do esporte vão ter que torcer para a Argentina (os "Pumas"), que tem uma seleção tradicional nas competições mundiais, com alguma chance de pelo menos surpreender algum dos favoritos na edição de 2015.

A imperdível final será disputada no mítico estádio de Twickenham, em Londres, no dia 31 de outubro de 2015.

Os jogos poderão ser acompanhados, no Brasil, pela transmissão dos canais por assinatura da ESPN. A abertura do campeonato ocorre hoje às 15:45h de Brasília, com a partida Inglaterra x Fiji.

Apesar de todo o carinho que sente pela Argentina, este que vos escreve, como sempre, vestirá sua camiseta dos All Blacks e torcerá pela Nova Zelândia, a atual campeã e, a exemplo do Brasil no futebol, a seleção "queridinha" do rugby no mundo.

Se você ainda não conhece o rugby, aproveite a Copa do Mundo que começa hoje para começar a entendê-lo e apreciá-lo. 

Há grandes chances de você, no mínimo, se divertir bastante.

Hoje o troféu William Webb Ellis começa a ser assediado pelas principais seleções do mundo.




quarta-feira, 29 de julho de 2015

Testemunhas de Jeová ocultaram mais de 1000 casos de pedofilia na Austrália


A matéria é do IHU:

Testemunhas de Jeová ocultam mais de mil casos de abusos sexuais de crianças em mais de 60 anos


As Testemunhas de Jeová da Igreja australiana não informaram à polícia mais de mil casos de abusos sexuais praticados contra crianças em mais de 60 anos, anunciou nesta segunda-feira, 27 de julho, uma investigação do governo sobre o abuso e suas consequências. 


A reportagem é publicada por Religión Digital, 27-07-2015. A tradução é de André Langer. 


A Comissão Real da Austrália, encarregada de responder institucionalmente aos abusos sexuais infantis, foi fundada em 2013 entre acusações de abusos sexuais em série cometidos contra menores na Igreja católica australiana. Esta comissão tem um amplo mandato para examinar as organizações religiosas e civis.

No início da audiência sobre as Testemunhas de Jeová, realizada nesta segunda-feira, Angus Stewart, o conselheiro superior assistente da Comissão, descreveu a igreja como uma seita insular, com regras projetadas para evitar os relatórios sobre abusos sexuais.

“A evidência de que a igreja não informou às autoridades civis nenhum dos 1.006 supostos casos sexuais identificados pelas Testemunhas de Jeová desde 1950, será apresentada à Comissão Real”, afirmou.

“Isto sugere que existem práticas na Igreja das Testemunhas de Jeová para reter informações sobre os delitos de abuso sexual infantil, impedindo de apresentar alegações sobre os abusos sexuais contra crianças à polícia ou às autoridades competentes”.

As Testemunhas de Jeová, cuja sede central encontra-se nos Estados Unidos, contam com cerca de oito milhões de membros em todo o mundo e são conhecidos por seus ministros exteriores e suas campanhas de porta em porta. Há cerca de 68 mil membros na Austrália, disse Stewart.

Dois membros da igreja, identificados como BCB e BCG, darão proximamente seu testemunho, que contém acusações contra membros mais antigos da Igreja, que os incitaram a não informar sobre os abusos sofridos.

Stewart descreveu múltiplas falhas institucionais na proteção das crianças ou na censura dos supostos abusadores, incluindo a doutrina liberadora de anciãos da igreja de sua responsabilidade de informar sobre os abusos, apesar de não existir uma obrigação legal para isso.

A igreja expulsou 401 membros após tomar conhecimento dos abusos internos, mas as Testemunhas de Jeová permitiram que 230 deles voltassem. Além disso, 35 membros voltaram inúmeras vezes.

Outro obstáculo que a igreja levantou contra este tipo de processo é o requisito de apresentar duas ou mais testemunhas para que a igreja procedesse à convocação do “comitê judicial”. Isto impediu o conhecimento de 125 acusações, assegurou Stewart.

A Comissão Real impediu os australianos de denunciar os abusos, encobrindo as características mais altas de suas comunidades de judeus ortodoxos e católicos romanos há décadas.

As denúncias chegaram inclusive ao Vaticano, onde o cardeal australiano George Pell, que se encontra agora no cargo de reformar os departamentos econômicos do Vaticano, foi objeto de numerosas acusações que alegavam que este não fez o suficiente para proteger as crianças vítimas de abusos. Este, no entanto, chamou essas acusações de “falsas” e “indignantes”.



sábado, 25 de abril de 2015

A tragédia de Gallipoli, 100 anos depois


Há exatos 100 anos, no dia 25 de abril de 1915, começava a campanha terrestre que passou para a história da humanidade como a batalha de Gallipoli (ou de Çanakkale, como os turcos a chamam), que duraria pouco menos de 9 meses e consumiria cerca de 500 mil vítimas.

A Primeira Guerra Mundial havia começado no dia 28 de julho de 1914, como relembramos aqui, e de um lado estava o Império Britânico com suas colônias e seus aliados tradicionais (os mais importantes - naquele momento - eram a França e a Rússia), e do outro a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano.

Todos os Impérios listados no parágrafo acima seriam dissolvidos no século XX. O Britânico resistiria até a Segunda Guerra (1939-1945), mas o Austro-Húngaro e o Otomano se esfacelariam após o fim da Primeira.

O Império Otomano se transformou, com muita perda de possessões, na atual Turquia, em cujo território fica a península de Gallipoli, que se converteria na carnificina cujo centenário é tristemente lembrado hoje.

Os britânicos acreditavam que era de vital importância estratégica a conquista da península, o que lhes garantiria uma rota segura para o abastecimento da Rússia, o controle do estreito de Dardanelos e a conquista de Istambul, capital do Império Otomano.

Em 18 de março de 1915, um ataque naval confuso e precipitado havia sido ordenado pelo então Primeiro Lorde do Almirantado britânico, Winston Churchill, que mais tarde seria o grande líder dos aliados contra a Alemanha nazista na guerra que se seguiu.

A resistência turca foi ferrenha e a tentativa de um desembarque naval resultou num retumbante fracasso.

A invasão por terra começou no dia 25 de abril de 1915, especialmente com forças australianas e neozelandesas, cujos países haviam sido - até alguns anos antes - colônias do Império Britânico.

Embora tenha estabelecido cabeças-de-ponte no território de Gallipoli, o exército aliado mal conseguiu avançar frente à feroz resistência otomana, comandada por Mustafá Kemal.

No combate corpo-a-corpo, centenas de milhares de soldados de ambos os lados foram massacrados, expostos que eram à linha de tiro do adversário sem nenhuma piedade.

A batalha de Gallipoli terminou com a derrota das forças aliadas, mas forjou dois grandes líderes mundiais e o sentimento de identidade nacional da Austrália e da Nova Zelândia.

Churchill, diante da fragorosa derrota, renunciaria ao Almirantado e, após um tempo recluso, decidiu combater com a Infantaria nas trincheiras europeias. 

Isso lhe devolveu o amor próprio e o respeito de seus pares, preparando-o para ser o grande líder aliado que venceria a Segunda Guerra Mundial.

Atatürk, o "Pai da Turquia"
Mustafá Kemal, grande político e estrategista militar, se tornaria no grande líder da formação da Turquia, abolindo o califado e o sultanato, além de modernizar e ocidentalizar o país que até hoje vive às turras com a estrutura laica e a influência islâmica.

Kemal chegou ao ponto de abolir o alfabeto árabe e transliterar o idioma turco para o alfabeto latino, a fim de adequá-lo ao mundo ocidental.

Não por acaso, portanto, o grande comandante otomano passaria para a história acrescentando o apelido de Atatürk, que significa "pai dos turcos".

Por outro lado, as imensas perdas humanas que sofreram Austrália e Nova Zelândia sob o comando desastrado de oficiais britânicos fizeram com que os dois povos recém-independentes reforçassem sua identidade nacional.

Gallipoli aglutinou a tragédia comum e funcionou, portanto, como uma espécie de "mito fundador" da nacionalidade de australianos e neozelandeses.

ANZAC (Australian and New Zealand Army Corps) era o nome do contingente de ambos os países que combateu em Gallipoli, que até hoje relembram a tragédia no ANZAC Day que é celebrado todo dia 25 de abril.

Gallipoli foi nome, também, de um excelente (impactante e triste) filme de 1981, com a melancólica trilha sonora do Adágio de Albinoni, dirigido por Peter Weir e estrelado pelo então novato Mel Gibson, cujo trailer e íntegra (com legendas) podem ser vistos abaixo:



Nada de novo, infelizmente. Milhares de jovens perdendo suas vidas na estupidez de uma guerra ordenada por senhores engravatados.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Católicos australianos associam pedofilia ao celibato

Australia catholic church
Artigo publicado no IHU:

Igreja católica australiana vincula o celibato a abusos sexuais


A Igreja Católica na Austrália apresentou, pela primeira vez, os votos de celibato dos sacerdotes como um fator que pode ter contribuído para abusos sexuais de menores, segundo um documento publicado hoje.

A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 12-12-2014. A tradução é do Cepat.

“O celibato obrigatório pode ter contribuído para o abuso em algumas circunstâncias”, destaca o texto do Conselho de Justiça e Cura que coordena a posição da Igreja Católica junto à comissão governamental que analisa a resposta das instituições australianas aos abusos sexuais contra menores no seio das entidades estatais, sociais e religiosas.


O documento também admite que alguns líderes religiosos aparentemente esconderam estes abusos nas ordens e nas dioceses e tentaram proteger a reputação da Igreja Católica ao invés de velar pelo bem-estar dos menores, reporta a Agência Australiana de Imprensa.

Também recomenda reformar os procedimentos para abordar as queixas das vítimas proporcionando assistência no local do enfrentamento, assim como pede abertura diante dos eventuais julgamentos em casos como esses.


O diretor executivo deste Conselho, Francis Sullivan, considerou que esta admissão pode gerar polêmica entre os líderes religiosos, mas insistiu que seu organismo atuou com independência.

Em 2012, a Igreja Católica confirmou 620 casos de abusos sexuais contra menores cometidos na Austrália por sacerdotes, desde os anos 1930, em uma revelação inédita neste país.

Também em 2012, a Polícia de Nova Gales do Sul acusou a Igreja de acobertar estes crimes, procurar silenciar as investigações e destruir provas cruciais para evitar processos judiciais.

As autoridades criaram uma comissão de investigação sobre as respostas institucionais diante dos abusos contra menores cometidos em instituições sociais, religiosas e públicas.



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Brasileira pode ser uma das reféns de terroristas islâmicos na Austrália


As informações ainda são um tanto quanto desencontradas, mas existe a suspeita de que uma das reféns seja a goiana Marcia Mikhail.

A crise ainda está se desenrolando e pode ser acompanhada em tempo real no Estadão:

Homem armado faz reféns em café em Sidney; acompanhe

Suspeito mantém reféns no local, que fica no distrito financeiro da maior cidade australiana; governo trata o episódio como terrorismo Um homem armado mantém há mais de 12 horas reféns em um café no centro comercial de Sidney, a maior cidade da Austrália. Durante a madrugada, cinco pessoas conseguiram deixar o local e a polícia negocia com o sequestrador, que fez os reféns exibirem na janela uma bandeira com dizeres islâmicos. O governo australiano trata o caso como terrorismo. Acompanhe a crise em tempo real.

Um dos primeiros atos do sequestrador de um café em Sidney foi exibir uma bandeira preta com inscrição islâmica conhecida como Shahada, que diz: "Só Alá é Deus e Maomé é seu profeta".





quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dupla de mórmons bêbados ataca transeunte na Austrália

Quem vive em cidades grandes está - de certa forma - acostumado a ver as duplas de missionários mórmons, com o crachá que os identifica (com os nomes começados por "Elder"), fazendo visitas para divulgar a sua religião.

O que ninguém espera é que aqueles jovens com suas gravatas e camisas brancas tomem uns gorós e tenham um acesso de loucura atacando aleatoriamente a primeira pessoa com quem cruzam na rua.

Pois foi exatamente isto o que aconteceu na Austrália no último dia 29 de dezembro, na paradisíaca região de Surfers Paradise (com o perdão da redundância).

A bela Costa Dourada australiana foi palco do ataque de fúria de dois missionários mórmons, Amanaki Kaufusi (21 anos de idade) e Onesi Taufui (18), que moram em Sidney, mas têm raízes familiares em Tonga, arquipélago da Oceania.

Centenas de mórmons se reuniram na cidade de Gold Coast, a 16 km de Surfers Paradise, para uma conferência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no bairro de Tallebudgera.

Entretanto, os dois jovens acusados do crime, Kaufusi e Taufui, preferiram dar uma escapadinha e foram aproveitar a noite de sábado (28/12/13) na zona boêmia da cidade, conhecida como "Sin City" ("Cidade do Pecado").

Segundo as testemunhas que presenciaram a insólita ocorrência, já na manhã do domingo, o embriagado Kaufusi teria gritado "Eu quero bater em alguém. Vou socar a próxima pessoa que passar na minha frente".

No seu perfil no facebook, Kaufusi (foto ao lado) curte a página Awesome Fights ("Lutas Lindas"), o que talvez explique alguma coisa, se é que é possível explicar.

As pessoas que estavam com ele tentaram fazê-lo ver que estava bêbado, mas ele teria dito em tonganês: "Vocês querem ver o que é bêbado? Isso é que é ser bêbado..."

Ato contínuo, o jovem atacou a primeira pessoa que viu, um turista de 24 anos de idade chamado Onyekachi Okoye, que desabou inconsciente na calçada e, após ser socorrido, foi hospitalizado.

Não se sabe ao certo quem é a vítima, mas uma busca no Google mostra que Onyekachi Okoye é um nome de origem africana.

Não contentes em ver o inocente transeunte desfalecido no chão, ambos os missionários, Kaufusi e Taufui, teriam ainda chutado a cabeça do rapaz antes de tentarem a fuga.

Outros missionários mórmons que estavam no local ainda insistiram para que eles se entregassem, mas eles pegaram um táxi pensando em retornar o mais rápido possível ao retiro de Tallebudgera.

O fato é que os dois missionários enfurecidos foram presos pela polícia australiana e agora aguardam o seu julgamento.

A favor da igreja mórmon, é bom que se diga que o triste fato poderia ocorrer em qualquer comunidade, religiosa ou não, mas, conforme seu próprio portal na internet diz, "durante o período em que servem em tempo integral, os missionários são representantes oficiais da Igreja".

O serviço missionário é uma prática comum dos jovens mórmons, incentivado pela igreja, dura de 18 meses a 2 anos, e se trata de um serviço voluntário e gratuito que prestam à sua organização.

Talvez seja o caso de se tomar mais cuidado para que fatos lamentáveis como este não se repitam.

A fonte da informação acima é o CourierMail.



domingo, 21 de abril de 2013

95 anos atrás morria o Barão Vermelho


No dia 21 de abril de 1918, Manfred von Richthofen, o aviador de guerra mais renomado de que se tem notícia, fez o seu último voo, poucos meses antes da Primeira Guerra Mundial chegar ao seu final com a derrota da sua pátria alemã.

Conhecido pela posteridade como o "Barão Vermelho", sua fama era tão grande e respeitada que os próprios inimigos trataram de lhe providenciar um funeral com todas as honras militares possíveis naquele momento, mesmo tendo ele anteriormente abatido 80 aviões dos aliados (vídeo abaixo).

Ele tinha então só 25 anos de idade. Ali morria o piloto e nascia o mito. A matéria é do Opera Mundi:

1918: Aviador Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, é abatido pelos Aliados

Ás da aviação derrubou 80 aviões inimigos, passando para a história como uma dos maiores ases da aviação militar

Nos céus de intensa presença de aviões sobre o rio Somme na França, o barão Manfred von Richthofen, o famoso ás da aviação, conhecido como o Barão Vermelho, é abatido pelo fogo de artilharia dos Aliados em 21 de abril de 1918.

Richthofen (na foto à esquerda), filho de um nobre prussiano, é transferido do exército alemão para a Força Aérea Imperial em 1915. Em 1916, aterrorizou em seu biplano Albatroz aviões inimigos que voavam sobre o Front Ocidental em apoio às suas tropas, derrubando 15 aviões no decorrer do ano, inclusive um pilotado por outro ás, mas desta vez britânico, o major Lanoe Hawker.

Em 1917, Richthofen ultrapassou todos os recordes de um ícone da aviação em ambos os lados do Front Ocidental passando a pilotar um Fokker triplano, pintado inteiramente de Vermelho como homenagem ao seu antigo regimento de cavalaria. Apesar de o ter empregado apenas nos últimos oito anos de sua carreira, foi o aparelho com o qual Richthofen é mais habitualmente associado e que lhe conferiu o epíteto dado pelos ingleses de Barão Vermelho.

Em 21 de abril de 1918, com 80 vitórias contabilizadas até então, Richthofen comanda um esquadrão de triplanos avançando bastante sobre o território aliado na França na caça de um aparelho de observação britânico. A investida chamou a atenção de um esquadrão aliado comandado pelo piloto da Força Aérea Real Canadense, capitão Arthur Roy Brown.

Como Richthofen passou a perseguir um aeroplano pilotado por um compatriota de Brown, Wilfred R. May, o Barão Vermelho aventurou-se demasiadamente longe em território inimigo e excessivamente baixo em relação ao solo.

Quatro quilômetros atrás das linhas aliadas, exatamente quando Brown buscava aproximar-se de Richthofen para tentar abatê-lo a tiros, o caça vermelho passa sobre uma bateria de metralhadoras australiana que imediatamente abriu fogo.

Richthofen foi ferido no peito. Ainda assim tratou de aterrissar seu avião na estrada que ligava Corbie a Bray, perto de Sailley-le-Sac. Quando as tropas australianas se aproximaram do aparelho já o encontraram morto. É geralmente atribuído a Brown o crédito de ter abatido o Barão Vermelho, embora muitos afirmem que na verdade foi um artilheiro australiano em terra quem assestou-lhe o tiro fatal. A controvérsia prosseguiu até os dias de hoje. Manfred von Richthofen foi enterrado pelos Aliados num pequeno cemitério militar em Bertangles, França, com plenas honras militares. Tinha 25 anos quando foi abatido. Seu corpo foi posteriormente removido para um cemitério mais amplo em Fricourt.

Em 1925, foi novamente trasladado, a pedido de seu irmão, Karl Bolko, desta vez para Berlim, para ser enterrado no Cemitério dos Inválidos após concorridas cerimônias fúnebres patrocinadas pelo Estado.

Numa época em que aparelhos aéreos eram fabricados combinando metal, madeira e tecido, quando vinte vitórias aéreas proporcionavam ao piloto um status de lenda, o Barão Vermelho derrubou 80 aviões inimigos, passando para a história como uma dos maiores ases da aviação militar e emergindo como um dos grandes heróis da Primeira Guerra Mundial de ambos os lados do conflito.






terça-feira, 2 de outubro de 2012

TV australiana julgada culpada por documentário sobre índios brasileiros


No último mês de março noticiamos aqui que a JOCUM (Jovens com uma Missão) havia sido acusada de mentir sobre os casos de infanticídio de uma tribo amazônica, os suruwaha, em documentário exibido pela TV australiana.

Chega agora a notícia - via Survival - de que o órgão regulador da imprensa na Austrália considerou racista o documentário em questão:

Culpados: Channel 7 da Austrália é censurado por programa ‘racista’ sobre infanticídio

O canal de televisão, Channel 7, da Austrália, foi declarado culpado pelo regulador da imprensa por umas sérias violações do código de comunicação, após terem exibido uma emissão tão extrema, que foi classificada como um ‘Show de Horrores na TV’ pela Survival International.

O programa classificou a tribo brasileira dos Suruwaha como assassinos de crianças; relíquias da ‘Idade da Pedra’; e ‘alguns dos piores violadores dos direitos humanos no mundo’.

A Survival reclamou ao regulador australiano ACMA, depois que o Channel 7 recusou-se a publicar uma correção à emissão, que foi ao ar no programa Sunday Night.

Em um julgamento histórico, a ACMA declarou que o Channel 7 é culpado pela quebra da sua cláusula de racismo – ‘provocar um intenso desgosto, sério desprezo ou severo ridículo de uma pessoa ou um grupo’. Acredita-se que isto é a primeira vez em que uma emissora foi declarada culpada por esta ofensa séria sob o código de televisão de 2010. A ACMA também declarou que o Channel 7 é culpado por emitir material impreciso.

O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, ‘Essa foi uma das piores matérias sobre povos indígenas contemporâneos que já vimos. Fantasiaram-nos como monstros cruéis e inumanos, no mesmo desprezo colonialista do século XIX que os considerava como ‘selvagens primitivos’.

‘O que piora ainda mais essa situação, é que os Suruwaha têm sido atacados por missionários fundamentalistas há anos; eles estão liderando uma campanha que os calunia como assassinos de crianças. Os missionários estão por trás de um projeto de lei que os permitiria remover crianças indígenas de suas comunidades, algo com ecos horripilantes do escândalo das Gerações Roubadas.

‘A equipe do Channel 7 disse aos Suruwaha que lhes permitiria mostrar o seu lado da história – contudo, acabaram produzindo uma das definições mais grotescas e distorcidas de um povo indígena que podemos nos lembrar. O programa, inclusive, promoveu abertamente uma arrecadação de recursos para os missionários em seu website. Nós esperamos que esta decisão signifique que veremos menos lixo como esse na televisão no futuro.’

O Channel 7 está buscando uma revisão judicial na Corte Federal da Austrália.

Nota aos editores:

1. A Survival escreveu uma série de princípios éticos para ajudar produtores de filmes a trabalhar de forma responsável com tribos. Promovemos também a nossa campanha Stamp it Out, desafiando representações racistas na mídia.

2. Previamente, a Survival destacou como a companhia britânica de televisão, Cicada Films, foi acusada de ter colocado em risco a vida de índios peruanos por terem, alegadamente, provocado uma epidemia de gripe entre eles; e como uma série de TV sobre uma tribo da Amazônia foi rotulada por especialistas como ‘encenada, falsa, fabricada e distorcida’.

3. Formas de infanticídio são encontradas em todas as sociedades, inclusive nas industrializadas. A prática é rara e está desaparecendo entre os índios amazônicos. A Survival se opõe a práticas não consensuais que machucam ou matam pessoas. Isso inclui o infanticídio.

4. Faça o download do arquivo da Survival sobre a proposta ‘lei Muwaji’ (pdf). Tal projeto de lei é o resultado de uma campanha no Brasil por missionários fundamentalistas da organização JOCUM. JOCUM é o ramo brasileiro da organização estadunidense Jovens com uma Missão.

5. Faça o download do arquivo sobre o que os especialistas e os indígenas afirmam sobre as alegações de infanticídio por parte da JOCUM (pdf, 58 KB).

6. Faça o download da carta da Survival para o Channel 7 (pdf, 201 KB).

7. Faça o download das declarações dos índios Suruwaha sobre a matéria do Channel 7 (pdf, 33 KB).

8. Faça o download do material da Survival sobre a tribo Suruwaha (pdf, 34 KB).



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Médico perde licença por castrar quimicamente seguidor de seita australiana

Dois meses atrás, quando o mundo celebrava o centenário de Alan Turing, comentamos brevemente sobre como ele foi castrado quimicamente à força para "resolver" a questão de sua homossexualidade.

Agora chega da Austrália a informação de uma seita que se diz cristã - e é um tanto quanto desconhecida -, que praticou o mesmo procedimento, só que com a concordância do castrado.

Dá até medo de divulgar a notícia do Opera Mundi, já que o que não falta é maluco para copiar as loucuras alheias, mas é importante saber do que se trata para se evitar o pior.

O horror, ah, o horror...

Médico australiano perde licença por castrar quimicamente um homossexual

Mark Craddock, seguidor da seita Brethren Christian, receitou ao paciente acetato de ciproterona

Um médico australiano, membro de uma seita religiosa, perdeu sua licença após prescrever em 2008 um tratamento de castração química a um jovem que buscava "curar-se" do homossexualismo.

Mark Christopher James Craddock, seguidor da seita Brethren Christian, receitou a seu paciente acetato de ciproterona durante uma consulta que durou menos de dez minutos, publicou nesta terça-feira (04/09) o jornal Sydney Morning Herald.

O acetato de ciproterona, que tem propriedades antiandrogênicas e reduz a libido, é utilizada em tratamentos contra o câncer de próstata e desordens severas nos homens, assim como em pacientes com desvios sexuais.

Em uma carta às autoridades sanitárias, o paciente, que também era membro da seita, relatou que um dos líderes da Brethren Christian lhe recomendou consultar-se com Craddock para que lhe receitasse remédios, acrescentou a fonte.

Craddock admitiu em uma audiência perante as autoridades médicas realizada em junho que ele não manejou o histórico médico nem submeteu seu paciente, cuja identidade não foi revelada, a um exame físico, assim como também não lhe falou dos efeitos colaterais, como a impotência.

No mês passado, o comitê médico determinou que Craddock, de 75 anos, é culpado de conduta profissional não satisfatória e lhe proibiu de praticar a medicina.



sexta-feira, 27 de julho de 2012

Três homens e um gesto olímpico para sempre


A foto acima é uma das mais conhecidas da história das Olimpíadas, e se tornou um marco dos conflitos raciais do século XX.

Nela, dividem o pódio dos 200 metros rasos - dos Jogos Olímpicos da Cidade do México de 1968 - os norteamericanos Tommie Smith (ouro) e John Carlos (bronze), juntamente com o australiano Peter George Norman (prata).

O gesto dos atletas americanos, com os punhos levantados, calçando apenas meias negras sem calçado para denunciar a pobreza dos negros americanos, ficou marcado para sempre como um símbolo da luta contra o racismo até então institucionalizado nos Estados Unidos.

Afinal, era o dia 16 de outubro de 1968, e o expoente máximo da luta pelos direitos civis no país, o pastor batista Martin Luther King Jr., havia sido assassinado no dia 4 de abril daquele ano que mudou o mundo em várias áreas para sempre.

O que pouca gente sabe é que cada atleta negro levanta um punho vestido com uma só luva porque John Carlos havia esquecido as suas no alojamento, e o atleta australiano foi quem lhes deu a ideia de dividir o par que Tommie Smith havia trazido.

Peter George Norman foi avisado por seus companheiros americanos de que eles realizariam o protesto, mas antes queriam consultá-lo para não constrangê-lo num momento que também seria tão especial - como polêmico - para o australiano.

Eles lhe perguntaram se ele acreditava nos direitos humanos, e Norman, militante contrário à política branca contra os aborígenes de seu país, disse que sim.

Então os atletas americanos lhe perguntaram se ele acreditava em Deus, e Norman respondeu que cria fortemente em Deus, principalmente devido ao seu passado no Exército da Salvação.

Depois lhe contaram o que iriam fazer, e o australiano respondeu uma frase que ressoa até hoje: "Estou junto com vocês!"

Ao se dirigir à cerimônia, Norman viu o remador americano Paul Hoffman usando uma pequena flâmula do movimento olímpico pelos direitos humanos, e o pediu emprestado para usá-lo no pódio.

Após o protesto, todos os três atletas foram perseguidos por seus respectivos comitês olímpicos (os americanos foram expulsos imediatamente da Vila Olímpica), e levaria ainda muito tempo para que o seu gesto fosse oficialmente reconhecido como válido, embora o momento (e o registro) histórico já tivesse sido alcançado.

Tommie Smith e John Carlos ficaram mais conhecidos, dada a importância e pertinência de sua rebeldia afroamericana diante dos holofotes olímpicos, e Norman foi muito menos lembrado, mas jamais esquecido, até porque naquela prova em 1968 ele estabeleceu o record australiano dos 200 metros rasos, que dura até hoje.

Outro gesto envolveu os três grandes personagens olímpicos 38 anos depois, em outubro de 2006, quando, por ocasião do funeral de Norman (foto abaixo), lá estavam carregando o caixão seus companheiros de pódio, Tommie Smith e John Carlos, depois de terem voado metade do planeta para homenagear o corajoso amigo.

Infelizmente, nesta época de negócios e consumismo em que vivemos, parece que sobra pouco espaço nas Olimpíadas (e na vida) para que homens simples produzam momentos grandiosos que marcam toda uma geração e que nem a efemeridade da vida humana consegue apagar.



Fontes: The Age e Wikipedia


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Segunda chance para o bóson de Higgs

Em novembro de 2011 repercutimos aqui no blog a trepidante busca pelo bóson de Higgs, a assim chamada "partícula de Deus", até então inconclusiva. Pois parece que essa semana o bóson tem uma segunda chance de dar as caras, segundo noticia o Ciência Hoje:

A incrível notícia da partícula que ainda não existe

Textos em jornais e blogues respeitados alimentam forte rumor de que a descoberta do bóson de Higgs, um dos acontecimentos mais aguardados pela comunidade científica nos últimos tempos, será anunciada na semana que vem.

Lá vamos nós outra vez. Vamos escrever que o bóson de Higgs foi postulado pelo físico inglês Peter Higgs na década de 1960 para fechar o modelo padrão da física de partículas. Vamos dizer que o bóson de Higgs seria a chave, ou a peça que falta, para explicar a origem da massa de outras partículas elementares. E vamos – novamente, mais uma vez, de novo! – perguntar: será que finalmente vão anunciar a descoberta do bóson de Higgs?

Parte da blogosfera científica internacional, alguns veículos respeitados mundo afora e a Reuters – agência de notícias que ditou a pauta da maioria das editorias de ciência brasileiras – bancaram o "é possível que sim". A data para o anúncio seria 4 de julho, próxima quarta-feira, durante a Ichep, importante conferência sobre partículas de alta energia que ocorrerá em Melbourne, na Austrália.

Em 13 dezembro do ano passado, o mundo da ciência parou para ver a coletiva de imprensa que poderia ter noticiado a descoberta do bóson de Higgs. Bateu na trave. Na matéria 'Colisões inconclusivas', publicada no mesmo dia, contamos que os cientistas se aproximaram da partícula, limitando sua localização a um determinado intervalo energético.

Sabe-se que essas análises vêm, desde dezembro, sendo refinadas e retrabalhadas pelos pesquisadores, de modo a garantir estatisticamente que as atividades observadas em dezembro eram uma evidência do bóson de Higgs, e não um sinal mal interpretado.

O Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), responsável pela pesquisa e pelo suposto anúncio, não diz nem que sim nem que não. Rumores dão conta, e o Cern confirma em seu blogue oficial, de que neste momento os cientistas responsáveis pela busca do bóson de Higgs estão confinados – e assim permanecerão até o dia da conferência – analisando os dados obtidos. Dados, aliás, que duplicaram, quando comparados aos registrados no ano passado, segundo nota oficial da própria instituição.

"Você vai ter de ser paciente!"

De fato, o primeiro dia do evento na Austrália contará com a divulgação oficial dos novos dados sobre a busca do bóson de Higgs no Cern. Logo depois, haverá uma coletiva de imprensa no próprio centro, em Genebra (Suíça).

Uma das teorias que apontam para a divulgação da descoberta do bóson de Higgs chama a atenção para um fato que passou despercebido pela maioria: a Austrália não faz parte oficialmente do Cern e a divulgação de uma notícia desse quilate no país seria pouco provável – daí a importância de a coletiva de imprensa ocorrer em Genebra, no Cern, após o evento em Melbourne.

A física Pauline Gagnon, que, além de atuar no Cern, está na linha de frente da comunicação do centro, respondeu e-mail enviado ontem à noite de modo simpático, mas um tanto misterioso.
"Olá Thiago,

Infelizmente, a informação está embargada até o seminário. Neste momento, nem mesmo o diretor geral está a par de todo o cenário. Os cientistas estão fazendo os retoques finais em suas análises, acrescentando os dados mais recentes e fazendo combinações. Tudo isso ainda está em andamento. [...]

É muito importante, quando divulgamos um resultado, que ele seja seguro e confiável. As pessoas estão trabalhando muito duro agora para produzir bons resultados científicos em tempo para o seminário. Não faz sentido dizer nada até que esse processo seja concluído.

Desculpe, não posso dizer mais nada neste momento. Você vai ter de ser paciente!"
Além desse contato com Pauline, conversamos também com um físico de confiança da redação que está agora no Cern e que pediu, como era de se esperar, para não ter seu nome divulgado: ele não assegurou, mas disse que há reais chances de o esperado anúncio ser feito.

Para ter certeza de que 'agora vai', vamos ter de esperar até a próxima semana. O Cern transmitirá ao vivo pela sua página na internet o seminário na Austrália e, em sequência, a coletiva de imprensa em Genebra. É um programa para quem acorda cedo, ou dorme tarde: o evento na Austrália começa às 4 horas da manhã, horário de Brasília (9 horas de Genebra). Quem sabe a quarta-feira que vem não amanhece com um bóson de Higgs no ar?



quinta-feira, 8 de março de 2012

Tribo amazônica acusa JOCUM de mentir sobre infanticídio

Esta é uma daquelas notícias sobre as quais nunca se pode tomar conclusões precipitadas. Sob qualquer ângulo que se analise a influência de missionários evangélicos em comunidades indígenas isoladas e primitivas, bem como as suas práticas rituais ancestrais, sempre vai haver visões contrárias e polêmicas. Até onde sei, a JOCUM (Jovens com Uma Missão) é uma organização missionária séria, com larga presença no Brasil e no mundo. O povo suruwaha, por outro lado, é uma tribo isolada no Oeste da Amazônia, sem vez e sem voz, composta de pouco mais de 100 membros que tiveram trágicas experiências no contato com o chamado "homem branco", uma das razões pelas quais, segundo a JOCUM, o infanticídio e o suicídio seriam práticas rituais entre eles. Se essa história em si já representa o horror em doses amazônicas, é preciso muito cautela para averiguar o que realmente acontece com um povo à beira da extinção. Perguntas ficam no ar, entretanto. Um povo isolado por séculos tem o direito de se manter nessa condição sem que ninguém os perturbe? Até que ponto se justifica o contato missionário com essas tribos? As instituições oficiais deveriam garantir proteção a esse isolamento? Para sustentar as organizações missionárias, elas não precisariam pintar o pior quadro possível a fim de angariar fundos? Essas são apenas algumas questões às quais as respostas não são simples e fáceis de serem formuladas. Todavia, depois de pintados como facínoras aborígenes, parece que os suruhawas estão tendo a oportunidade de fazer com que a sua minúscula voz ser ouvida, e isso na Austrália, segundo noticia a revista Carta Capital:

Tevê Australiana mostra tribo brasileira como assassina de crianças

O programa Sunday Night, da emissora de tevê australiana Channel 7, classificou a tribo brasileira Suruwaha como infanticidas e os “piores violadores dos direitos humanos do mundo”.

Segundo divulgou nesta quarta-feira 7 a ONG de direitos indígenas Survival International, o programa exibido em setembro de 2011 descreveu os índios da tribo amazônica como “cultuadores do suicídio” presos na “Idade da Pedra”.

Em entrevista à ONG, um Suruwaha disse que os australianos filmaram a tribo e depois mentiram a seu respeito.

“Eles fizeram muitas filmagens. Filmaram os Suruwaha e foram embora. Chegaram na terra dos estrangeiros e mentiram sobre nós”, conta.

“Há muito tempo houve infanticídios. Hoje isso não acontece mais”, garante o índio.

Missão evangélica

De acordo com a Survival, o programa Sunday Night possui vínculos com os missionários evangélicos. “O site do programa está abertamente angariando fundos para uma organização evangélica associada à campanha contra os indígenas”, disse Sarah Shenker a CartaCapital.

Esta não é a primeira vez que os índios da tribo Suruwaha sofreram com relatos distorcidos. Anteriormente, a organização evangélica Jovens Com Uma Missão (JOCUM) do Brasil já havia afirmado que membros da tribo assassinavam regularmente bebês recém-nascidos.

“Atualmente, a JOCUM faz um lobby junto à bancada evangélica do Congresso Brasileiro pela aprovação de uma lei permitindo que crianças indígenas sejam retiradas de suas famílias”, afirma Shenker.

Em reposta às acusações de missionários evangélicos, um indígena Suruwaha dispara: “Esta mensagem é para a JOCUM: Por quê vocês estão maltratando os Suruwaha? Os Suruwaha não maltratam suas crianças. São os integrantes da JOCUM que são maltratadores. Junto também com os australianos.”

Devido ao conteúdo distorcido da reportagem, o Channel 7 está sob investigação formal da Autoridade Australiana em Mídia e Comunicação (ACMA).

“Este relato é muito prejudicial aos índios e tem gerado grande raiva entre os Suruwaha. Este tipo de matérial é completamente inaceitável e traz lembranças do desprezo colonialista aos índios ‘selvagens e primitivos’. Esperamos que as autoridades brasileiras também processem o Channel 7″, frisa Shenker.



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