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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Série da TV portuguesa associa evangélicos brasileiros à corrupção

Igreja da Felicidade Universal e Bem Estar Geral - a IFUBEG

Por que será?

A matéria saiu no Comércio do Jahu:

Série lusa trata de corrupção à brasileira

Produção, disponível gratuitamente na internet, satiriza política, religião e relação entre os dois países

Com um grande escândalo de corrupção prestes ser revelado, a ministra da Cultura de Portugal resolve distrair a população patrocinando a criação de uma telenovela grandiosa. O Brasil, que tem experiência de sobra tanto em falcatruas como nos folhetins, é escolhido como parceiro ideal nesta empreitada.

É esse o ponto de partida da série “País Irmão”, exibida agora pela RTP (televisão pública de Portugal), que recorre ao humor ácido e aos clichês das telenovelas para contar uma história política.

Gravada nos dois países, a produção traz rostos conhecidos dos brasileiros, como os atores Marcos Pasquim, Pedro Cardoso e Natália Lage.

A trama narra bastidores dessa fictícia operação abafa, mas com expedientes usados na corrupção real: preços superfaturados, produtora fictícia, edital fraudado, e muitos conflitos de interesses.

Em 18 episódios, explora a trama dos personagens conforme avança na montagem da novela luso-brasileira, escrita por pai e filho que têm uma relação complicada.

A escolha por uma telenovela como mote não foi à toa. “Portugal é provavelmente o único país da Europa que passa três horas de novela no horário nobre”, conta o escritor Hugo Gonçalves, que assina a trama juntamente de Tiago Santos e João Tordo.

“A telenovela é a forma como o Brasil mais chega aos portugueses”, conta o roteirista, que morou por quatro anos no Rio e adquiriu repertório para muitas das piadas e tiradas presentes na trama.

Em um dos episódios ambientados no Rio, a produtora Branca, vivida por Natália Lage, fica cansada de ver um colega português ser sucessivamente enrolado pelos cariocas. De maneira didática, a personagem explica para ele o funcionamento da brasileiríssima “lei de Gérson” (de se levar vantagem em tudo).

Os autores também brincam com a dificuldade que muitos brasileiros têm em entender o sotaque lusitano e as diferenças no português de cada lado do Atlântico.

A sátira política também se mistura à religiosa em “País Irmão”. É que para dar vida à novela de época “Corte Tropical”, que conta história da fuga da família real portuguesa para o Brasil, os políticos corruptos se unem a uma ambiciosa igreja evangélica.

Em troca de apoio e dinheiro para o projeto, o grupo pede que o governo ceda a concessão de um canal de TV, um prédio em área nobre da cidade e o direito de escalar uma fiel da igreja como personagem central da história.

O núcleo da Igreja da Felicidade Universal e Bem Estar Geral (Ifubeg) é recheado de tiradas ácidas. Em determinado momento, os políticos se queixam de como é difícil enrolar o alto funcionário da igreja vivido por Marcos Pasquim. “Quando se trata de aldrabice (trapaças), a religião leva milhões de anos de avanço”, diz o mafioso, resignado.

“País Irmão” pode ser assistida gratuitamente no site da RTP (www.rtp.pt).

40 anos de sucesso

Embora hoje não tenham o mesmo alcance do passado, as novelas brasileiras ainda fazem muito sucesso em Portugal. “Gabriela, Cravo e Canela”, exibida em 1977, inaugurou a obsessão local com as tramas brasileiras.

Segundo a Globo Portugal, mais de 200 folhetins da emissora já foram exibidos. Muitos em horário nobre.

O sucesso incentivou o país de Camões a criar as próprias tramas, que hoje já exportam atores para o Brasil.

“A telenovela é, e com muito mérito, a única indústria audiovisual que Portugal tem. Mas há pouco espaço e pouco dinheiro para apostar em coisas diferentes. E mesmo quando se aposta, é um combate duro. Porque chegam a estar 3 milhões de pessoas a ver novelas no horário nobre”, diz Hugo Gonçalvez.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O cachorro que trocou o pastor evangélico pelo padre



A história é antiga, a reportagem é de 2015, mas continua atual e divertida. Confira no vídeo abaixo:




sábado, 6 de janeiro de 2018

Viaduto de SP terá nome de filho do casal Hernandes da Renascer

No lugar, funciona há décadas um albergue para a população de rua.  
A informação é do Estadão:

Viaduto de SP terá nome de filho de 
fundadores da Igreja Renascer

Sancionada por Doria, mudança homenageia filho de Sonia e Estevam Hernandes; logradouro da região central passa a se chamar Viaduto Pedroso - Bispo Tid Hernandes

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), sancionou na quinta-feira, 4, a mudança do nome do Viaduto Pedroso para Viaduto Pedroso - Bispo Tid Hernandes. A mudança é uma homenagem ao bispo evangélico Tid Hernandes, filho dos fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Sonia e Estevam Hernandes, morto em 2016.

A Lei Municipal 16.788/18 é de autoria dos vereadores evangélicos Carlos Apolinário (PDT) e Gilberto Nascimento (PSC) e foi aprovada na Câmara Municipal de Vereadores em dezembro.

Uma placa será afixada no viaduto com a nova denominação. "A execução da presente lei contará com recursos orçamentários próprios, suplementados se necessário", diz o texto.

Polêmica. Outro viaduto de São Paulo foi recentemente alvo de críticas após ser batizado com o nome da ex-primeira dama Marisa Letícia, que foi casada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lei foi sancionada em dezembro pelo então prefeito em exercício Milton Leite (DEM), presidente da Câmara, e foi chamada de uma homenagem "injusta" pela Prefeitura de São Paulo.



sábado, 23 de dezembro de 2017

Quem são as mulheres católicas e evangélicas que lutam pelo direito ao aborto?


Matéria extensa publicada na BBC Brasil:

Os argumentos das católicas brasileiras que há 25 anos defendem o aborto

Camilla Veras Mota

O Papa Francisco não chega a comover. Elas não vão à missa aos domingos, defendem o Estado laico, a contracepção, o casamento gay e, há quase 25 anos, o aborto.

O mais antigo movimento no Brasil de católicas que pregam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres nasceu entre um grupo de jovens que se inquietavam com questões que não ecoavam na Igreja, ainda no início dos anos 90.

"Nós falávamos dos pobres, mas não olhávamos para as mulheres", diz Regina Soares Jurkewicz, coordenadora do Católicas pelo Direito de Decidir (CDD), referindo-se à Teologia da Libertação, corrente progressista que norteava a atuação das pastorais sociais das quais ela, a professora da PUC-SP Maria José Rosado-Nunes e a teóloga Luiza Tomita, também fundadoras, faziam parte nos anos 80.

Em 1993, elas conheceram a médica uruguaia Cristina Grela - hoje parte da equipe do Ministério da Saúde do Uruguai, único país da América do Sul onde o aborto foi totalmente legalizado, em 2012, até a 12ª semana de gestação - em alguns casos, esse limite é maior.

Naquela época a ativista era integrante do grupo americano Catholics For Choice - que completa 45 anos em 2018 - e fazia um périplo pelo continente na tentativa de organizar um movimento semelhante na região. Além do Brasil, há "Católicas por el Derecho a Decidir" em outros dez países latinoamericanos.

Depois de um evento na Igreja do Carmo, em São Paulo, o movimento foi lançado no dia 8 de março daquele ano. Está presente hoje em 14 Estados e atua em duas frentes - a educativa, com a produção de material didático para o ensino da religião e a realização de seminários para formação de multiplicadoras, e política, organizando debates, marchas e idas a Brasília.

Em uma de suas campanhas mais recentes, o CDD foi às ruas em novembro para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 181, que pode criminalizar o aborto mesmo nos casos em que ele hoje é permitido, como em gestações resultantes de estupro.

Entre seus membros, leigos e religiosos, está a freira feminista Ivone Gebara, punida pelo Vaticano em 1995 por defender publicamente em uma entrevista a descriminalização e a legalização do aborto.

Na época à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger - que anos depois se tornaria o papa Bento 16 - determinou que ela voltasse à Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, onde obteve seu doutorado, para passar dois anos reclusa, em "reeducação teológica".

Por não estar ligado à estrutura da Igreja, contudo, o movimento em si está fora dos limites de repreensão da hierarquia católica. As perseguições também não são frequentes, diz Jurkewicz.

O que há são questões pontuais como a de Gebara e a que ela mesmo enfrentou quando publicou seu doutorado. Logo após a apresentação do trabalho, que reunia 21 casos de abuso sexual de mulheres por padres, a assistente social foi demitida da universidade em que lecionava, ligada à diocese de Santo André.

O antagonismo mais organizado vem de setores conservadores da religião, de instituições como Arautos do Evangelho e Opus Dei.

As "ameaças", dizem, chegam geralmente por email ou pelas redes sociais. "São mensagens dizendo que a gente vai para o inferno, essas coisas. Nada grave."

O aborto sempre foi considerado pecado?

Para defender o aborto dentro da lógica religiosa, as ativistas argumentam que o início da vida sempre foi um ponto de divergência dentro da fé católica.

Nos primeiros séculos do cristianismo, exemplifica Jurkewicz, houve Santo Agostinho, que condenava o controle de natalidade e o aborto por romperem a conexão entre ato conjugal e procriação, mas que afirmava que ele não era um ato de homicídio.

Seus escritos a respeito do Êxodo diziam, sobre o feto, que "não existe alma viva em um corpo que carece de sensações". Ele nunca chegou a uma conclusão sobre o momento em que a vida começava.

Já o teólogo Tertuliano defendia em 160 que a concepção era o início de tudo e, por isso, condenava a prática.

"Não é um dogma de fé, é uma questão disciplinar", diz ela, acrescentando que nos cadernos penitenciais da Igreja na Idade Média o aborto era colocado entre outros pecados sexuais.

Os Cânones Irlandeses de 675, por exemplo, previam 14 anos a pão e água para aquele que tivesse relação sexual com a vizinha e três anos e meio para quem destruísse um embrião no ventre.

O tema passou a ser oficialmente condenado pela Igreja apenas em 1869, a partir de um boletim do papa Pio 9.

A posição da Igreja hoje e o papa Francisco

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua nota "Pela vida, contra o aborto", de abril deste ano, afirma que "a tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana".

O texto defende a "integralidade, inviolabilidade e a dignidade da vida humana desde a sua concepção até a morte natural" e condena "todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil".

"A posição sempre foi a mesma: defender e cuidar da vida humana desde a sua concepção. A vida humana é preciosa demais para ser eliminada ou descartada", diz o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, em nota enviada à BBC Brasil.

O papa Francisco manteve o entendimento que herdou dos antecessores, apesar de ter autorizado, em novembro do ano passado, que padres pudessem perdoar o aborto - prerrogativa que antes era restrita a bispos ou confidentes especiais da Igreja.

"A ideia (por trás da iniciativa do Papa Francisco) é mais de compaixão, de perdão. A Igreja não trabalha com direitos (para as mulheres)", diferencia Jurkewicz.

As ativistas do CDD são críticas em relação ao papel do feminino na Igreja Católica, que limitaria "os espaços de poder e saber" aos homens.

"A posição oficial guarda a tradição da mulher como mãe, está carregada de atributos de gênero. Mesmo as freiras são vistas como 'mães espirituais'", ressalta.

São Tomás de Aquino

O princípio do "recurso à consciência" é outro argumento usado pelas ativistas para defender suas bandeiras e o primeiro destacado pelo movimento do qual se originou o CDD, o americano Catholics for Choice (CFC).

A ideia é que cada católico tome decisões guiadas pelo pensamento individual, ponderando o efeito de suas ações sobre si e sobre o próximo, e que respeite o arbítrio do outro.

"São Tomás de Aquino afirmava que nossa consciência não é um atributo das instituições", diz Amanda Ussak, diretora do programa internacional do CFC.

A organização surgiu nos Estados Unidos em 1973, ano em o aborto foi legalizado no país após decisão da Suprema Corte no emblemático caso Roe v. Wade.

Prevendo uma onda de reações contrárias de instituições religiosas, um grupo de católicas decidiu se reunir e se contrapor às pressões por recuos. Uma década depois, o movimento deu início à sua expansão internacional.

A iniciativa, afirma Ussak, veio da percepção de que criminalização do aborto prejudicava especialmente as mulheres pobres, grupo que ainda hoje registra o maior número de mortes por complicações em procedimentos feitos em clínicas clandestinas.

Hoje a organização atua também na Europa e na África, dando treinamento às organizações para comunicar as campanhas e apoio às iniciativas para mudar as leis locais.

Um exemplo recente de atuação nesse sentido aconteceu no Chile, onde o Congresso aprovou, em agosto, a descriminalização em caso de risco de vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro. Até então, qualquer tipo de aborto era proibido.

Na Argentina, o Católicas por el Derecho a Decidir (CDD) participou das discussões que culminaram, em 2006, na Lei de Educação Sexual Integral - semelhante à educação de gênero hoje debatida no Brasil -, na Lei para Prevenir e Erradicar a Violência contra a Mulher, de 2009, e a Lei de Identidade de Gênero, de 2012, que permitiu que travestis e transexuais escolhessem o sexo no registro civil.

"Nos falta ainda a legalização do aborto", afirma Victoria Tesoriero, uma das coordenadoras do movimento argentino.



As evangélicas

Hoje há iniciativas semelhantes às ONGs católicas entre mulheres pentecostais e neopentecostais. O Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), por exemplo, nasceu em 2015 voltado especialmente para a questão da violência contra a mulher.

"Eu nasci nas Assembleias de Deus, no movimento pentecostal, e durante muito tempo testemunhei todo tipo de violência, institucional, simbólica, assédio", conta Valéria Vilhena, uma das fundadoras da rede, que hoje soma 3 mil mulheres.

Em sua tese de mestrado, feita na Universidade Metodista, onde dá aulas hoje, ela mergulhou no cotidiano de uma casa de acolhimento para vítimas de violência doméstica em São Paulo e verificou que 40% das atendidas eram evangélicas.

O aborto, para ela, entra na problemática da negação de direitos às mulheres e da violência. A posição pública a favor, contudo, veio apenas neste ano, em reação à PEC 181.

"Não estamos trabalhando a questão da legalização a partir da Bíblia porque nós queremos desvinculá-la da questão religiosa. É uma questão de saúde pública", destaca. "A questão é essa: mulheres morrem", emenda.



quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Após tomar o poder com maciço apoio evangélico, Temer se benze com pai-de-santo


Bem, no quesito "pragmatismo religioso de resultados" talvez seja tudo uma coisa só, não é mesmo?

Triste destino de um país e um partido que já tiveram um homem chamado Ulysses Guimarães para liderá-los.

A informação é do Congresso em Foco:

Com “bênção” de pai de santo a Temer, PMDB aprova mudança de nome para MDB

EDSON SARDINHA

Em convenção nacional realizada nesta terça-feira (19), o PMDB aprovou resolução para voltar a se chamar apenas MDB, sigla utilizada entre 1966 e 1979, durante o bipartidarismo na ditadura militar. Desgastada pela crise política e por graves denúncias contra sua cúpula, a legenda tenta colar sua imagem a lideranças do passado, que fizeram história na luta contra o regime autoritário, como Ulysses Guimarães. “Não é volta para o passado, é um passo gigantesco para o futuro”, disse o presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), ele mesmo um dos investigados na Operação Lava Jato. “O MDB foi retirado da política por força da ditadura militar. Retorna agora mais pujante”, acrescentou. A mudança no nome da sigla precisa ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Depois de ter cancelado sua ida, o presidente Michel Temer compareceu ao evento. Ele foi recebido no palco por um pai de santo chamado Uzêda, com um ramo de arruda. Pai Uzêda, como é chamado, esteve presente à cerimônia de posse de Joaquim Barbosa como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012 e escreveu uma carta a Dilma, em 2015, pedindo que ela tomasse cuidado com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Após o evento, Pai Uzêda disse ao Globo que foi contratado pelo partido para benzer Temer e o Palácio do Jaburu. “Fizeram um trabalho de vodu contra o presidente Temer, por isso que ele teve a doença. Jogaram pesado contra o presidente. Eu fui defumar, benzer, tirar tudo. Foram encontrados quatro bonecos com foto do doutor Michel. O trabalho que fizeram contra o Dr. Michel foi para ele morrer no hospital”, contou. O partido negou ter contratado os trabalhos do pai de santo.

Com o seu nome gritado por representantes da juventude peemedebista, Temer ironizou sua baixa popularidade. “Vocês que viram que eu sei ganhar aplauso”, disse, rindo, para a plateia. O presidente defendeu sua gestão, que, segundo ele, tem caráter reformista. “Todas as reformas fundamentais estão sendo feitas pelo PMDB. Temos a coragem de ser um governo reformista, coisa que ninguém [promoveu]. Não foi fácil pegar o governo como peguei, com uma oposição muito radical. Normalmente você tem um tempo de transição entre governos, mas nós não. Quando cheguei ao Palácio [do Planalto], a única preparação foi uma mocinha na recepção. Todos os arquivos tinham sido eliminados dos computadores”, declarou.

Em seu discurso, Romero Jucá disse que o futuro do país pelo MDB, assim como o passado recente do país. “Com Itamar Franco, FHC, Lula e Dilma, garantimos a governabilidade. Entramos, então, na maior crise de todos os tempos. Não fugimos à luta. Com Temer, iniciamos a recuperação do país. Damos um passo para o futuro, com a retomada do nosso nome, MDB. Seguimos na luta pelo direito à liberdade econômica e à prosperidade”, afirmou.

Entre outras mudanças aprovadas pelos peemedebistas está a criação de um segmento evangélico e de outro voltado para a pauta socioambiental. A mudança de nome, com a exclusão do “P” de partido, tem sido adotada por várias legendas para fugir do desgaste político e eleitoral. O PTN virou Podemos; o PTdoB, Avante. Já o PSDC se apresenta como Democracia Cristã, e o PEN, como Patriota.

Maior bancada

Com 62 deputados e 22 senadores, o PMDB possui a maior bancada no Congresso. A sigla nunca chegou à presidência por meio de eleição direta. No entanto, já está em sua terceira presidência do país. O primeiro presidente pelo partido foi José Sarney, em 1985, que assumiu a Presidência após a morte de Tancredo Neves. Em 1992, Itamar Franco, que havia se filiado meses antes, assumiu a Presidência após o impeachment do então presidente Fernando Collor. Situação semelhante ocorreu em 2016, com a chegada de Michel Temer à Presidência em meio ao impeachment de Dilma.

De acordo com levantamento exclusivo da Revista Congresso em Foco, o PMDB é o segundo partido em número de parlamentares investigados no Supremo Tribunal Federal, atrás apenas do PP, que tem 35 parlamentares sob suspeita. O PMDB aparece ao lado do PT, com 32 congressistas com acusações criminais.



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Justiça reconhece vínculo empregatício de bispo da igreja Fonte da Vida


A informação foi publicada no portal Jusbrasil:

Bispo tem reconhecido vínculo empregatício com Igreja Evangélica

Sentença é do TRT/SP

Davi D'lírio

Um bispo que trabalhou para a Igreja Apostólica Fonte da Vida, durante o período de 10/2/1990 a 22/9/2015, conseguiu o reconhecimento do vínculo empregatício, com determinação de registro em carteira.

A decisão é do juiz do Trabalho Diego Cunha Maeso Montes, da 39ª vara de São Paulo/SP, refutou o argumento da igreja de que o reclamante atuava como sacerdote.

Conforme o magistrado, não há qualquer óbice que impeça o reconhecimento do vínculo empregatício desde que preenchidos os requisitos previstos na CLT.
“Com efeito, a onerosidade está presente no fato do autor ter recebido valores mensais da ré, a pessoalidade se faz presente no fato do autor não poder se fazer substituir por outra pessoa, a habitualidade e a subordinação também se fazem presentes, inclusive com a testemunha indicada pela própria ré ter afirmado que o "reclamante fazia a abertura do salão para o início do culto; ... que o reclamante fazia parte de um conselho de bispos, coordenado pelo apóstolo, que definia a forma como a igreja de responsabilidade do autor seria dirigida, coordenada".
Em decorrência do vínculo, o julgador determinou o pagamento ao bispo do saldo de salário, férias vencidas simples e em dobro, décimo terceiro salário, FGTS de todo o período trabalhado e restituição de contribuição compulsória e ministerial que lhe era imposta.

O advogado Eli Alves da Silva, do escritório Eli Alves da Silva Advogados Associados, patrocinou a ação do reclamante.




sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Guilherme Pádua é consagrado "pastor" em BH


Sim, é verdade, as pessoas podem mudar da água para o vinho, inclusive os piores criminosos. Mas "reputação" é um pré-requisito incontornável para quem deseja alcançar o ministério cristão.

Portanto, daí a se tornar um pastor cristão vai uma longa estrada e gigantesca diferença.

Entretanto, conforme a igreja evangélica vai se impondo ao país como ideologia, certos versículos bíblicos vão se tornando "letra morta", lamentavelmente, como

“Escolhei, pois, irmãos dentre vós, sete homens de boa reputação…” 
Atos 6.3 (na escolha de diáconos para a igreja primitiva, a primeira de que se tem notícia na Bíblia)

1 Timóteo 3

2 É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar;
7 Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo.

A matéria é d'O Povo:

Guilherme Pádua, assassino de Daniella Perez, se torna pastor evangélico

Em 1992, Pádua e a ex-mulher, Paula Thomaz, armaram uma emboscada para atriz, filha da autora Glória Perez, e a mataram com tesouradas

O ex-ator Guilherme de Pádua, 48 anos, se tornou pastor de uma igreja evangélica, em Belo Horizonte, cidade onde mora. O condenado pela morte de Daniella Perez se converteu à religião em 2002, um ano depois de sair da prisão em que cumpria a pena. Formado em teologia ao lado da nova companheira, Juliana Lacerda, no fim de novembro, Pádua foi nomeado pastor neste fim de semana.

“Enfim, agora Pastor Guilherme! Ele esperou mais que 15 anos para que esse dia chegasse, mas como nós dizemos, tudo no tempo do Senhor. Chegou o seu tempo meu amor", escreveu Lacerda em sua rede social.

No Instagram, Guilherme compartilhou a imagem de sua formatura. "Glória a Deus por mais esta benção. A palavra de Deus é sempre mais do que imaginávamos", escreveu ele.

Em 1992, Pádua e a ex-mulher, Paula Thomaz, armaram uma emboscada para atriz Daniella Perez, filha da autora Glória Perez, e a mataram com tesouradas. O casal foi condenado por homicídio qualidicado depois de cinco anos do crime.



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Talibã evangélico quer proibir aborto até em casos de estupro


O projeto da República Islâmica Evangélica do Brasil vai de vento em popa, para terror dos fracos e oprimidos, obrigado!

Uma comissão formada em sua maioria por homens e evangélicos aprovou a proposta de emenda constitucional (PEC) que criminaliza o aborto em toda e qualquer situação, inclusive naqueles casos em que o Código Penal (de 1940) já havia descriminalizado, ou seja, nos casos de gravidez resultante de estupro ou risco de morte para a mãe, além dos precedentes jurisprudenciais que incluíram nessa descriminalização a má formação do feto em certos casos.

A PEC ainda será submetida aos trâmites próprios nas duas casas do Congresso Nacional antes de - se aprovada - entrar em vigor.

Agora imagine você, querido leitor, a situação em que se encontraria uma mulher que foi estuprada e descobre estar grávida, sendo-lhe tirada a já difícil opção de abortar. 

Ela já tem problemas demais para lidar, e agora seria obrigada a carregar o feto do seu violador apenas para satisfazer a consciência religiosa de pessoas que não lhe dão a mínima.

Se ela escolher fazer o aborto neste caso que a lei atualmente autoriza, ela também já terá problemas suficientes de consciência para lidar, mas agora a bancada evangélica lhe acrescenta outras dores de cabeça no seu momento de maior fragilidade.

Curioso é que a bancada evangélica justifica sua posição antiaborto apelando para o direito à vida, mas apoia à Presidência da República nas próximas eleições um candidato (aquele cujo nome não se pronuncia) que defende incondicionalmente a tortura. 

Talvez a preocupação gospel seja só a idade do feto.

E durma-se com uma hipocrisia dessas...

A notícia é da revista Marie Claire:

Comissão aprova projeto para criminalizar aborto em todos os casos: "Retrocesso", diz deputada

A PEC 181/2011 foi votada nesta quarta-feira (08.11) e foi aprovada por 18 votos a 1. "Eles estão se aproveitando de um consenso que é a extensão da licença-maternidade para instalar um retrocesso", diz deputada Érika Kokay, que votou contra

Nesta quarta-feira (08.11) uma comissão especial da Câmera dos Deputados votou a PEC 181/2015. À princípio, a PEC era para ampliar o prazo de licença-maternidade para mães de bebês prematuros. Por uma monobra da bancada evangélica foi incluido no texto a proibição da interrupção da vida desde sua concepção, ou seja, o que tornaria crime o aborto até mesmo em casos considerados legais hoje pela legislação brasileira, como em situação de estupro ou de risco de morte para a mãe. Entre os 19 parlamentares, apenas a deputada Érika Kokay (PT-DF) votou contra.

Em entrevista à Marie Claire, a deputada disse que agora esse texto segue para uma discussão de seus destaques no dia 21 de novembro. Se aprovado, vai para duas sessões de votação na câmera, em que é preciso ter 308 votos favoráveis, e depois segue para o senado.

"Vamos mobilizar a sociedade contra esse adendo que desvirtuou a proposta original da licença-maternidade e criou o uma situação que é contra a lei aprovada nos anos 1940, que garante à mulher o direito ao aborto em casos de estupro, risco de vida da mãe e anencefalia. Eles estão se aproveitando de um consenso que é a extensão da licença-maternidade para instalar um retrocesso", diz a deputada. "Tentaremos retirar essa anomalia de todas as meneiras, mesmo que tenhamos de ir ao poder judiciário.

Em comunicado oficial à imprensa, Jurema Werneck, Diretora executiva da Anistia Internacional, afirma: “O Estado tem o dever de garantir o aborto seguro e legal, para casos de estupro, agressão sexual ou incesto, risco à vida ou a saúde da mulher, ou comprometimento fetal grave. Além de oferecer às mulheres acesso ao atendimento de qualidade após o aborto, especialmente nos casos de aborto realizados em condições inseguras. Qualquer proposta que busque retirar o acesso ao aborto legal e seguro em caso de estupro deve ser repudiada".

E completou: "Quem é vítima não pode ser exposta a um tratamento degradante, cruel e de extrema violência física e psicológica. O aborto em condições não seguras é uma das principais causas de morte materna. A tentativa de criminalização do acesso ao aborto nos casos já previstos na legislação viola obrigações do Brasil frente a tratados internacionais. Além disso, é fundamental que sejam garantidos serviços de qualidade para o controle de complicações resultantes do aborto, independente da legalidade do procedimento”.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Batistas do Sul são maiores apoiadores do livre porte de arma nos EUA


A matéria foi publicada no Estadão:

Análise: Evangélicos se opõem a controle de armas

Batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião 

Sarah Pulliam Bailey / W. Post

O massacre de domingo foi o pior ocorrido em uma igreja na história moderna dos EUA. Para muitos evangélicos conservadores, políticas adotadas especificamente para o porte e uso de armas não estão detalhadas na Bíblia e eles não acham que medidas nesse sentido são constitucionais e poderiam resolver o problema dos assassinatos em massa, foi o que disse Russel Moore, presidente do braço político da Convenção Batista do Sul.

Os batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião. Muitos americanos pertencentes a grandes grupos religiosos defendem leis mais rígidas, incluindo os protestantes negros (76%), os católicos (67%), os protestantes brancos (57%), de acordo com pesquisa realizada em 2013 pelo Public Religion Research Institute. Mas os evangélicos – que constituem um quarto da população --, são os menos inclinados a apoiar leis mais rigorosas a respeito (38% são a favor e 59% contra).

Para Jen Hatmaker, escritor e orador conhecido de Austin, o direito às armas se tornou um tema central de debate enraizado na política evangélica. “Conheço perfeitamente mulheres cristãs sensatas, amáveis, que não possuem armas que dirão que ‘não se trata de armas, mas do coração’. É espantoso”, disse ele. “Isso tem raízes profundas e inalteráveis no coração dos evangélicos conservadores, e é tão sagrado quanto a Trindade”.

Depois de o evangelista Franklin Graham ser convidado a rezar durante um café da amanhã da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), em 2014, ele sugeriu no Facebook que não estava de acordo com a exigência de verificação de antecedentes de todo mundo. Por outro lado, defendeu a verificação de antecedentes no caso de imigrantes muçulmanos.

As armas estão incorporadas na estrutura e na psique da cristandade americana desde sua fundação, afirma Karen Swallow Prior, professora de inglês na Liberty University, que escreveu por que carrega uma arma durante suas idas a áreas rurais da Virgínia. “O país foi fundado para escapar da perseguição religiosa. Os EUA se expandiram como um experimento em individualismo e adentraram fronteiras que exigiam armas para a sobrevivência, para autodefesa e para conseguir alimento”.

Os evangélicos também enfatizam muito mais o individualismo e a responsabilidade pessoal do que outros grupos religiosos.

Algumas pessoas acham que a razão pela qual os evangélicos não desejam leis mais rígidas no campo das armas é simples. Os evangélicos votam nos republicanos e os republicanos têm aversão por políticas mais rígidas para as armas. Muitos evangélicos também se opõem porque acham que elas podem acabar infringindo a liberdade religiosa.

“Acho que eles são totalmente partidários. Os evangélicos votam com base nas linhas do partido, tenham elas sentido teológico ou não. Os que são contra o aborto apoiariam qualquer coisa que fosse parte de uma agenda liberal, o que significaria, no final, endossar o aborto, se for parte dessa agenda”.

Em sua análise de dados de uma ampla pesquisa de 2016 chamada CCES Common Content Dataset, o cientista político Ryan Burge comparou as respostas de evangélicos, protestantes brancos e católicos à seguinte pergunta: Você apoia ou se opõe à uma proibição dos rifles de assalto?”. Ele encontrou diferenças que dependiam mais da filiação partidária do inquirido, se era democrata ou republicano, do que da sua identidade religiosa.

Joe Carter, editor da Gospel Coalition, acredita que os evangélicos são mais avessos a mais regulamentos porque são mais adeptos às armas. Os evangélicos brancos são os mais propensos a possuir uma arma, segundo estudo do Pew Research Center, publicado no Christianity Today. Segundo o estudo, 41% dos evangélicos brancos possuem uma arma, em comparação com 33% dos protestantes brancos (33%), indivíduos sem uma religião definida (32%), protestantes negros (29%) e católicos (24%).

Os evangélicos brancos (44%) também se mostram satisfeitos com as leis sobre armas. Por outro lado, pouco mais da metade dos americanos que professa uma religião (52%) acham que a legislação deve ser mais rígida. Segundo Joe Carter, muitos evangélicos apoiariam leis mais rigorosas se acreditassem que elas seriam eficazes para conter os assassinatos. “Mas eles não acreditam que um criminoso que mata pessoas inocentes irá atender a regras estabelecidas para a compra de armas de fogo”, disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Igreja batista atacada no Texas pode ter sido primeira vítima do programa "Igreja com partido"


Ainda é cedo para fazer uma análise profunda da barbárie que acometeu ontem a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, uma pequena comunidade de 400 habitantes situada a cerca de 56 km de San Antonio, a metrópole mais próxima, e a cerca de 123 km de Austin, outra metrópole não tão longe assim.

O ataque à pacífica Igreja em questão deixou 26 fiéis mortos, 8 da mesma família, segundo as informações mais recentes, com uma faixa etária das vítimas entre 5 e 72 anos de idade, deixando ainda 20 feridos em estado grave.

O acusado do massacre é Devin Patrick Kelley, americano branco (infelizmente, esta referência é necessária dada as circunstâncias atuais dos episódios racistas nos Estados Unidos) de 26 anos de idade, que terminou morto ainda não se sabe se por suicídio ou por ter sido alvejado por alguém das forças de segurança que acudiram imediatamente a igreja que estava sendo atacada.

Dado o pouco tempo transcorrido desde o incidente terrorista de domingo à noite, o  que se sabe até agora é que Devin Patrick Kelley teria se identificado em uma rede social como professor de estudos bíblicos para crianças e, ainda que as informações estejam desencontradas a essa altura dos acontecimentos, parece que ele chegou a frequentar a igreja batista de Sutherland Springs até algum tempo atrás.

É cedo demais, portanto, para entender o que levou Kelly a perpetrar o ato de terror, mas já começam a surgir algumas pistas.

O fato é que a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs não é exatamente uma igreja conservadora no sentido mais estrito da palavra, o que pode ser um pecado mortal no atual estado de coisas que impera no meio evangélico fundamentalista norte-americano, todo ele alinhado com Donald Trump, o atual (e polêmico) presidente do país.

O Estado do Texas, com 38 votos no colégio eleitoral que elege o presidente, é o segundo maior nos Estados Unidos, atrás apenas da California (com 55 votos), e foi maciçamente pró-Trump nas eleições de 2016.

E foi exatamente neste meio fundamentalista que a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs ousou postar em sua página no facebook - em maio de 2016 - um artigo que defendia o direito da rede varejista Target (uma gigante do porte do Walmart, para você ter uma ideia) de autorizar pessoas transgênero a utilizarem o banheiro com o qual se identificassem nas suas lojas, fato que gerou uma comoção entre os mais conservadores (em sua maioria evangélicos fundamentalistas), que se opõem a qualquer iniciativa que vise a reconhecer o direito dos transgêneros em, digamos, existir.

A igreja de Sutherland Springs criticou o boicote organizado pelos evangélicos e disse, através do artigo em questão, que isto causava mais danos ao evangelho do que tolerar a prática institucional da Target.

Ao fazer isto, ela se colocou na contramão da maioria dos evangélicos norteamericanos que creem piamente que o conservador Donald Trump é inspirado por Deus a comandar a nação, conforme a gravura abaixo, que circula nos meios fundamentalistas:



Teria esta atitude maleável e tolerante da igreja acionado o gatilho que perpetrou o abominável ato terrorista?

Ainda não é possível responder afirmativamente a esta questão, mas nestes tempos bicudos em que os evangélicos de todo lugar estão mais preocupados em combater ideologias que não são as suas (sim, eles têm partido...), e defender o programa "Escola Sem Partido" para que seus filhos não sejam educados a conviverem com o diferente, talvez a barbárie ocorrida no Texas seja um símbolo trágico do risco que estão correndo mesmo aqueles evangélicos que ousam discordar da guinada ideologicamente conservadora e partidária que suas igrejas estão seguindo. 

O fim realmente está próximo.

Quem viver, responderá...

First Baptist Church of Sutherland Springs, uma igreja pacífica de gente querida que merece ser lembrada.




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Traficante se converte e denuncia grupo que planejava matar promotor em SP


Curioso é que deram à operação o nome de "Judas Iscariotes"...

De qualquer maneira, isso sim é um claríssimo sinal de arrependimento (Lucas 3:8). Quisera outras pessoas que "viram evangélicos" tivessem o mesmo comportamento...

A informação foi publicada no Estadão de 23/09/17:

Operação prende 25 de organização que ameaçava matar promotor em Rosana

De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município.

José Maria Tomazela

SOROCABA - Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), na manhã deste sábado (23), prendeu 25 integrantes de uma organização de traficantes de drogas que atuava em Rosana, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município. Foram cumpridos também 30 mandados de busca. A Polícia Civil ainda apura a ligação dos suspeitos com outras organizações criminosas.

De acordo com o delegado Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, as investigações foram iniciadas a partir de denúncias anônimas e ganharam corpo depois que um dos envolvidos se tornou evangélico e decidiu “entregar” o grupo – a operação foi batizada de “Judas Iscariotes”, numa referência ao traidor de Jesus Cristo. “Observamos que pequenos grupos de traficantes formavam uma rede em que os líderes se comunicavam e faziam referência a uma liderança maior. Eles se ajudavam e trocavam informações”, disse. A cidade fica na divisa com o Mato Grosso do Sul e está na rota dos carregamentos de drogas procedentes do Paraguai.

O plano de atentar contra a vida do promotor foi revelado por uma testemunha que prestou depoimento sob sigilo. “Foi uma menção clara de dar um tiro no promotor de Justiça que atua no enfrentamento do tráfico de drogas no município. Com as prisões, vamos prosseguir as investigações, em parceria com o Ministério Público”, disse. A Polícia Militar e a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) colaboraram com a operação, com cães farejadores para a busca de drogas. A PM participou com um helicóptero.

Com os suspeitos, foram apreendidos entorpecentes, celulares e rádios comunicadores. Conforme o delegado, os grupos trabalhavam com pequenas quantidades de drogas, uma espécie de varejo do crime. A investigação vai prosseguir para identificar o esquema de fornecimento da droga. Os detidos tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça por 30 dias. Todos foram levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, na mesma região.



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