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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Igreja batista atacada no Texas pode ter sido primeira vítima do programa "Igreja com partido"


Ainda é cedo para fazer uma análise profunda da barbárie que acometeu ontem a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, uma pequena comunidade de 400 habitantes situada a cerca de 56 km de San Antonio, a metrópole mais próxima, e a cerca de 123 km de Austin, outra metrópole não tão longe assim.

O ataque à pacífica Igreja em questão deixou 26 fiéis mortos, 8 da mesma família, segundo as informações mais recentes, com uma faixa etária das vítimas entre 5 e 72 anos de idade, deixando ainda 20 feridos em estado grave.

O acusado do massacre é Devin Patrick Kelley, americano branco (infelizmente, esta referência é necessária dada as circunstâncias atuais dos episódios racistas nos Estados Unidos) de 26 anos de idade, que terminou morto ainda não se sabe se por suicídio ou por ter sido alvejado por alguém das forças de segurança que acudiram imediatamente a igreja que estava sendo atacada.

Dado o pouco tempo transcorrido desde o incidente terrorista de domingo à noite, o  que se sabe até agora é que Devin Patrick Kelley teria se identificado em uma rede social como professor de estudos bíblicos para crianças e, ainda que as informações estejam desencontradas a essa altura dos acontecimentos, parece que ele chegou a frequentar a igreja batista de Sutherland Springs até algum tempo atrás.

É cedo demais, portanto, para entender o que levou Kelly a perpetrar o ato de terror, mas já começam a surgir algumas pistas.

O fato é que a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs não é exatamente uma igreja conservadora no sentido mais estrito da palavra, o que pode ser um pecado mortal no atual estado de coisas que impera no meio evangélico fundamentalista norte-americano, todo ele alinhado com Donald Trump, o atual (e polêmico) presidente do país.

O Estado do Texas, com 38 votos no colégio eleitoral que elege o presidente, é o segundo maior nos Estados Unidos, atrás apenas da California (com 55 votos), e foi maciçamente pró-Trump nas eleições de 2016.

E foi exatamente neste meio fundamentalista que a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs ousou postar em sua página no facebook - em maio de 2016 - um artigo que defendia o direito da rede varejista Target (uma gigante do porte do Walmart, para você ter uma ideia) de autorizar pessoas transgênero a utilizarem o banheiro com o qual se identificassem nas suas lojas, fato que gerou uma comoção entre os mais conservadores (em sua maioria evangélicos fundamentalistas), que se opõem a qualquer iniciativa que vise a reconhecer o direito dos transgêneros em, digamos, existir.

A igreja de Sutherland Springs criticou o boicote organizado pelos evangélicos e disse, através do artigo em questão, que isto causava mais danos ao evangelho do que tolerar a prática institucional da Target.

Ao fazer isto, ela se colocou na contramão da maioria dos evangélicos norteamericanos que creem piamente que o conservador Donald Trump é inspirado por Deus a comandar a nação, conforme a gravura abaixo, que circula nos meios fundamentalistas:



Teria esta atitude maleável e tolerante da igreja acionado o gatilho que perpetrou o abominável ato terrorista?

Ainda não é possível responder afirmativamente a esta questão, mas nestes tempos bicudos em que os evangélicos de todo lugar estão mais preocupados em combater ideologias que não são as suas (sim, eles têm partido...), e defender o programa "Escola Sem Partido" para que seus filhos não sejam educados a conviverem com o diferente, talvez a barbárie ocorrida no Texas seja um símbolo trágico do risco que estão correndo mesmo aqueles evangélicos que ousam discordar da guinada ideologicamente conservadora e partidária que suas igrejas estão seguindo. 

O fim realmente está próximo.

Quem viver, responderá...

First Baptist Church of Sutherland Springs, uma igreja pacífica de gente querida que merece ser lembrada.




quarta-feira, 26 de julho de 2017

A dor da jovem que foi escrava sexual do Estado Islâmico


A matéria é da BBC Brasil:

'Fui estuprada todos os dias por 6 meses': o inferno de jovem transformada em escrava sexual pelo Estado Islâmico

Ekhlas, uma jovem iraquiana da minoria yazidi, vive hoje em um hospital psiquiátrico na Alemanha. Não é o ideal, mas pelo menos mais seguro do que seu último destino, no norte do Iraque.

"Minha vida era bonita, mas duas horas a mudaram completamente", contou ela a Fiona Lamdin, do programa Victoria Derbyshire, da BBC.

"Eles vieram com sua bandeira negra. Mataram os homens e estupraram as meninas."

Em agosto de 2014, a aldeia de Ekhlas foi atacada por militantes do grupo que se autodenomina Estado Islâmico. Muitos homens foram mortos. Mulheres e crianças, capturadas.

Ela, então com 14 anos, e sua família tentaram escapar pelas montanhas, mas não chegaram muito longe.

"Mataram meu pai diante dos meus olhos. Vi o sangue dele em suas mãos."

Sequestro e estupro

Quando capturaram sua família, os militantes do Estado Islâmico separaram Ekhlas da mãe e a colocaram em uma prisão.

"Tudo o que escutava eram gritos, choro. Todos estávamos com fome, eles não alimentavam ninguém", disse ela.

"Vi um homem de mais ou menos 40 anos sobre uma menina de 10. A menina gritava."

"Nunca me esqueci desses gritos. Ela dizia 'mamãe, mamãe...', mas não conseguimos fazer nada."

A jovem foi escolhida por um militante entre um grupo com 150 adolescentes.

"Era tão feio, como um monstro, com cabelos compridos. Cheirava tão mal... tinha tanto medo que não conseguia olhá-lo."

"Me estuprou todos os dias, durante seis meses. Tentei me matar", relatou a adolescente ao programa da BBC.

"Como consigo contar tudo isso sem chorar? Fiquei sem lágrimas", concluiu.

Na Alemanha

Um dia, aproveitando que seu sequestrador estava no campo de batalha, Ekhlas conseguiu escapar. Foi levada a um campo de refugiados e lá conheceu Jaqueline Isaac, uma advogada americana encarregada de realocar jovens em países da União Europeia.

"Quando a conheci, não fazia contato visual", relata a advogada.

Atualmente, entre 2 mil e 4 mil jovens yazidis estão em poder do EI.

Quase três anos após ser sequestrada, Ekhlas está hoje em um centro de apoio psiquiátrico. Frequenta a escola e participa de terapia em grupo para crianças e adolescentes refugiados.

"Focamos em certas emoções, como amor, paz e felicidade, para lidar com o medo, a ansiedade e outras emoções negativas", diz um dos terapeutas que faz parte da equipe multicultural e disciplinar que atende os jovens.

Uma das meninas que frequenta a instituição, de 13 anos, também foi sequestrada pelo Estado Islâmico. Hoje só se comunica por meio de desenhos e sinais e não sabe se seus pais estão vivos.

Outro tinha apenas sete anos quando seus pais foram sequestrados. Desde então já se passaram três anos.

Sua mãe foi vista há alguns meses em um campo no Iraque, depois de escapar do cativeiro.

Durante sua última sessão de meditação, ele imaginou que todos os seus familiares estavam livres e que comemorava com a mãe o fato de estarem todos novamente reunidos. Ekhlas, por sua vez, voltou a olhar as pessoas nos olhos, canta e quer ser advogada.

"Você pode pensar que sou forte como uma pedra, mas quero que saiba que estou ferida por dentro. Minha dor é como a de cem mortes."



quarta-feira, 7 de junho de 2017

Irã é a bola da vez do Estado Islâmico


Parece que ódio para o Estado Islâmico é algo assim como um esporte a mais: eles entram em campo não importando o adversário.

Só que - neste caso - o "esporte" é matar...

A notícia é da Deutsche Welle:

Parlamento do Irã é alvo de ataque

Atiradores invadem sede do Legislativo iraniano, e homens-bomba atacam mausoléu do aiatolá Khomeini. "Estado Islâmico" reivindica os dois atentados, que deixam ao menos 12 mortos.

Homens armados invadiram nesta quarta-feira (07/06) o Parlamento iraniano em Teerã, enquanto outro grupo realizava um ataque simultâneo ao mausoléu do aiatolá Khomeini, a cerca de 20 quilômetros da sede do Legislativo.

Um parlamentar afirmou à emissora Irib que a invasão ao Parlamento foi realizada por ao menos quatro atiradores, armados com fuzis e uma pistola. Segundo a agência, um homem-bomba detonou explosivos no local.

A agência Irib citou um funcionário do mausoléu do líder revolucionário iraniano, dizendo que atiradores abriram fogo no local, onde uma mulher realizou um ataque suicida, detonando explosivos. Um jardineiro morreu durante a invasão, segundo informações da agência de notícias Isna.

O ministério iraniano da Inteligência, citado por uma emissora de televisão do país, atribuiu o ataque a grupos terroristas e afirmou que conseguiu deter um terceiro atentado. "Nesta manhã, dois grupos terroristas atacaram o Parlamento e o mausoléu do imã Khomeini. Membros de um terceiro grupo foram presos antes de realizarem um ataque", afirmou a emissora.

Mais de três horas após o início dos ataques, a imprensa local informava que o incidente no Parlamento estava encerrado e que quatro terroristas foram mortos no local.

Segundo a mídia iraniana, 12 pessoas morreram e 42 ficaram feridas nos dois ataques. Não está claro se os ao menos quatro agressores do Parlamento e dois suicidas do mausoléu estão incluídos no total de mortos.

O grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) assumiu a responsabilidade pelos dois atentados. A agência de notícias Amaq, ligada ao grupo, afirmou que "combatentes do EI atacaram o templo de Khomeini e Parlamento em Teerã". Esta é a primeira vez que o EI reivindica a autoria de um ataque em solo iraniano.



sábado, 27 de maio de 2017

Egito ataca Estado Islâmico para vingar cristãos martirizados



Este mundo está cada vez mais louco...

A notícia é do Estadão:

Egito ataca base do EI na Líbia após 
atentado que matou 28 cristãos

Mascarados atiraram contra o ônibus que transportava fiéis a um mosteiro copta, deixando também 24 feridos; ação ocorre pouco mais de um mês após os atentados do Estado Islâmico a igrejas coptas no Dia de Ramos

CAIRO - O presidente egípcio, Abdel-Fatah al-Sissi, ordenou nesta sexta-feira um ataque aéreo contra bases de treinamento do Estado Islâmico na Líbia horas após um atentado contra cristãos coptas deixar 28 mortos e 24 feridos. Ele também apelou ao presidente americano, Donald Trump, que lidere a luta contra o terrorismo.

Homens mascarados abriram fogo com armas automáticas contra um ônibus e outros veículos que transportavam fiéis para o mosteiro copta de São Samuel, na Província de Minia. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.

O atentado, a oeste da localidade de Al Adua, coincide com a ofensiva iniciada há alguns meses pelo braço egípcio do grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra a minoria cristã copta no país – que representa cerca de 10% dos 90 milhões de habitantes do Egito – em meio à perda de terreno do grupo no Iraque e na Síria.

Forças de segurança iniciaram uma busca pelos agressores, montando dezenas de postos de verificação e patrulhas na estrada desértica.

O ataque ocorreu na véspera do início do mês muçulmano sagrado do Ramadã e na esteira de uma série de atentados a bomba contra igrejas cristãs coptas no Egito reivindicados pelo EI. Em 9 de abril, atentados contras as catedrais coptas de São Jorge, na cidade de Tanta, no Delta do Rio Nilo, e de São Marcos, em Alexandria, deixaram 45 mortos e um ataque suicida em 11 de dezembro contra a Igreja de São Pedro, no Cairo, matou 29 fiéis, a maioria mulheres e meninas.

Após os atentados do Domingo de Ramos, o presidente egípcio declarou estado de emergência por três meses. Na ocasião, ele acusou os jihadistas de tentar dividir o país com ataques contra minorias.

Os coptas são uma das comunidades cristãs mais importantes do Oriente Médio, e uma das mais antigas. Os muçulmanos sunitas são maioria no Egito.

A Justiça civil anunciou na semana passada o envio à Justiça militar de 48 pessoas suspeitas de envolvimento nos ataques contra as três igrejas coptas realizados desde dezembro.

Segundo a Promotoria, os acusados comandavam ou pertenciam a “duas células” vinculadas ao EI, no Cairo e no sul do Egito, e participaram em “treinamento militar em campos na Líbia e na Síria”.

Um braço do grupo extremista atua ao norte da Península do Sinai, onde ataca com frequência as forças de segurança, sobretudo desde que o Exército destituiu em 2013 o presidente Mohamed Morsi, ligado à proscrita Irmandade Muçulmana.

A comunidade cristã do Egito recebeu no mês passado o apoio do papa Francisco. Durante uma visita de dois dias, o pontífice defendeu a tolerância e o diálogo entre muçulmanos e cristãos. Fervoroso defensor do ecumenismo, Francisco reuniu-se na ocasião com o papa copta ortodoxo do Egito, Teodoro II, e com o imã Ahmed Al-Tayeb, da mesquita de Al-Azhar, a instituição mais prestigiosa do Islã sunita.

Em um comunicado, o Vaticano disse que o papa ficou “muito triste” com o “bárbaro” ataque. Em uma mensagem de condolências, o papa afirmou que continuará com sua “intervenção pela paz e a reconciliação” no Egito.

“O incidente de Minia é inaceitável para os muçulmanos e os cristãos e atenta contra a estabilidade do Egito”, afirmou o imã Al-Tayeb em um comunicado. Em sua página oficial no Facebook, a Irmandade Muçulmana disse que, como em outras ocasiões, o “derramamento do sangue egípcio é proibido” e os ataques são um “crime”.

A Igreja copta apelou, por sua vez, “por mais medidas para prevenir esses incidentes que prejudicam a imagem do Egito”.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Atentado contra ônibus mata 23 cristãos no Egito


A trágica notícia vem da Agência Brasil:

Ataque contra ônibus de cristãos no Egito deixa pelo menos 23 mortos

Pelo menos 23 pessoas morreram nesta sexta-feira (27) e 27 ficaram feridas em um ataque feito por um grupo de homens desconhecidos contra um ônibus de cristãos no povoado de Al Adua, na província de Minia, no Sul do Egito, informou à Agência EFE e o porta-voz do Ministério da Saúde egípcio, Jaled Muyahid.

Entre os feridos, sete estão em estado grave, segundo uma fonte de segurança.

Segundo declarou essa mesma fonte à Agência EFE, o ataque aconteceu quando o ônibus, que transportava cristãos coptas, dirigia-se ao mosteiro de São Samuel, a poucos quilômetros de Al Adua.

A fonte de segurança afirmou que um número indeterminado de homens armados, que estavam em quatro veículos, rodearam o ônibus e começaram a disparar enquanto o veículo circulava por um caminho perto de Al Adua, a caminho do mosteiro.

Os feridos foram levados, segundo o porta-voz, a três hospitais nos povoados de Magaga, Al Adua e Bani Mazar, na província de Minia.

O número de vítimas poderia aumentar pelo estado de saúde das pessoas feridas, segundo a fonte de segurança.

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria do ataque e ainda não se sabe quantas pessoas contribuíram pelo ocorrido.

A minoria cristã copta foi vítima de numerosos atentados nos últimos meses, pois em 9 de abril, Domingo de Ramos, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) cometeu dois ataques nas catedrais de São Jorge, na cidade de Tanta (delta do Nilo), e de São Marcos de Alexandria (costa mediterrânea), nas quais morreram 46 pessoas.

Além disso, em 11 de dezembro um terrorista filiado ao EI se explodiu no interior da Igreja de São Pedro, situada junto à catedral copta da capital egípcia do Cairo, e matou uns 30 fiéis, a maioria mulheres e crianças.

Os coptas egípcios representam entre 10% e 12% da população.

Edição: Graça Adjuto



domingo, 9 de abril de 2017

Atentados a igrejas coptas no Egito deixam dezenas de mortos e feridos


Por enquanto, são essas as trágicas estatísticas - ainda incertas e com base em informações que necessitam ser confirmadas - com que os cristãos no mundo todo recebem o Domingo de Ramos, uma festa de tradição católica mas que marca para toda a humanidade o início dos rituais que lembram a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

O primeiro atentado aconteceu na igreja de São Jorge ("Mar Girgis") em Tanta, uma cidade a 120 km ao norte do Cairo, capital egípcia, e os primeiros números de vítimas apontavam 21 mortos e 53 feridos. Os dados mais recentes indicam 25 mortos e 69 feridos, e as perspectivas de atualização não são animadoras.

Depois houve um segundo atentado perto da Basílica de São Marcos em Alexandria, templo que equivale, para os coptas, ao que significa a Basílica de São Pedro no Vaticano para os católicos.

Em Alexandria, um terrorista suicida se explodiu perto da igreja no momento em que os fiéis estavam chegando para a missa, e há registro, por enquanto, de pelo menos 6 mortos e 21 feridos.

Alexandria é a sede patriarcal dos coptas, e o atual "papa" deles, Tawadros, estava no local por ocasião da explosão, mas segundo as últimas informações, não foi atingido e está sendo protegido de eventuais rescaldos terroristas.

O papa Francisco foi inteirado da triste notícia pouco antes de rezar o seu tradicional Angelus dominical na praça de São Pedro, ocasião em que fez questão de condenar o ataque terrorista e se solidarizar com os irmãos coptas.

Segundo as autoridades egípcias que estão apurando os fatos, realmente se trata de um ato terrorista, visto que na igreja de Mar Girgis foi encontrado um artefato que havia sido "plantado" no local com antecedência, a fim de que explodisse no horário da celebração religiosa que anuncia a Semana Santa, e o segundo atentado foi efetivamente perpetrado por um homem-bomba.

Em dezembro de 2016, um outro ataque reivindicado pelo Estado Islâmico deixou 29 mortos numa igreja copta do Cairo.

Aguardam-se informações no decorrer do dia, mas desejamos que haja paz no Egito.

As fontes das informações aqui coligidas são o Observador e o Times of Israel.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

É de uma muçulmana o rosto dos protestos anti-Trump nos EUA


O artigo foi traduzido e publicado no UOL Notícias:

Conheça Munira, a muçulmana cujo rosto se tornou um símbolo da resistência a Trump

Christina Cauterucci, para o Slate

Além das imitações de Donald Trump feitas com pães de queijo, Munira Ahmed talvez tenha sido o rosto mais visível nos protestos durante a posse no último fim de semana e na Marcha das Mulheres em Washington. Uma foto de Ahmed, uma muçulmana de 32 anos e intérprete autônoma que vive no bairro de Queens, em Nova York, serviu de inspiração para uma das imagens mais populares da resistência a Trump: uma mulher usando uma bandeira americana como "hijab", o lenço de cabeça usado por algumas muçulmanas.

Shepard Fairey, o artista que criou a imagem icônica "Esperança", da candidatura de Barack Obama, transformou a foto de Ahmed feita por Ridwan Adhami em um retrato da resiliência muçulmana e da contestação feminina, interpretadas em vermelho, branco e azul. Fairey faz parte do conselho consultivo da Fundação Amplifier, um grupo de artistas-ativistas que ofereceu várias imagens dele e de outros de graça para download e impressão nas semanas que antecederam a posse de Trump. A imagem de Ahmed foi um dos cartazes mais comumente vistos nos protestos e na marcha.

Ahmed participou dos protestos na McPherson Square, em Washington, no dia da posse, e esteve na Marcha das Mulheres no National Mall no dia seguinte. Ela falou comigo por telefone sobre o significado da imagem original, o que significou posar com um hijab, sendo que normalmente ela não usa o lenço, e como se sentiu ao ver seu rosto como símbolo da resistência à agenda de Trump. (Nossa conversa foi condensada e editada para ficar mais clara.)

Slate: Quando foi tirada a foto original em que você usa o hijab de bandeira?

Munira Ahmed: Foi tirada em 2007, durante uma sessão de fotos para a revista "Illume". Na época, era uma pequena publicação voltada para questões muçulmano-americanas, e as capas eram muito atraentes. [O fotógrafo Ridwan Adhami] teve a ideia de tirar a foto na frente do prédio da Bolsa de Nova York --na época havia uma grande bandeira americana pendurada na fachada. A proximidade do Ponto Zero [do atentado de 11 de Setembro] lhe dava um significado impactante. Desde então ela foi usada várias vezes em artigos e editoriais online. Com frequência sou assinalada em comentários no Facebook que dizem "Ei, é você, não é?". Certa vez, quando minha amiga me marcou e disse: "Quero que você saiba que sionistas pró-Israel que estão online usam essa imagem e fizeram uma espécie de editorial sobre os muçulmanos que são americanos, dizendo que são lobos em pele de cordeiro e não são confiáveis". Essa foi a imagem que usaram. Eu disse: "Puxa, que maravilha". [Risos]

Slate: Você esperava que a foto durasse tanto?

Ahmed: Eu sabia que ela tinha um aspecto atemporal, mas não esperava que tivesse tanta repercussão. Sei que é uma linda foto, tecnicamente bem iluminada, mas não sabia quanta gente diria "Seu olhar naquela foto, meu Deus!" Eu apenas pensava, honestamente, que pareceria qualquer mulher muçulmana usando uma bandeira no estilo de um hijab. Eu realmente não via o aspecto de eu estar lá. Tenho parentes, nenhum dos quais é meu amigo no Facebook, que me perguntam até hoje: "Então, qual é a história daquela foto sua usando uma bandeira como hijab? É uma linda foto, mas nunca ouvi você falar sobre isso".

Slate: O que passou pela sua cabeça quando Ridwan tirou a foto perto do Ponto Zero?

Ahmed: Havia muitas emoções misturadas. Eu nasci em Nova York, e vi o segundo avião [do 11 de Setembro] da janela da minha classe quando eu estava no colegial. Meu colégio era o Brooklyn Tech. Eu não sabia até aquele dia, para ser muito franca, que o centro do Brooklyn era tão próximo geograficamente do centro de Manhattan. Eu era uma garota de Queens que pegava o trem G, evitava Manhattan para chegar à escola. Por isso não fazia sentido para mim quando o céu se encheu de fumaça preta. Pensamos que fosse um incêndio em uma casa ou um prédio. Estávamos no quinto ou sexto andar do prédio. Houve um aviso pelo alto-falante alguns minutos depois, dizendo o que estava acontecendo, então olhamos pela janela e todos diziam "Oh, meu Deus, é isso, bem ali, o World Trade Center". E literalmente vimos o segundo avião chegar.

Todos ficaram arrasados naquele dia. Durante anos depois disso, quando eu pensava a respeito, tinha de parar o que estivesse fazendo, sentar-me e chorar. E [a foto do hijab] foi em 2007, acho. Então foi seis anos depois, e foi naquele lugar, e [eu estava pensando] aqui é tão escuro. Estar realmente perto daquele ataque como uma nova-iorquina.

Eu sabia que havia muita coisa acontecendo que fazia os muçulmanos serem acusados. Mesmo nós, que éramos pessoas comuns, ouvíamos: "Você não se manifesta o suficiente. Você não fala contra esses terroristas". E eles não têm ideia de que estamos constantemente fazendo isso --dizendo que eles não são como nós, que são pessoas que cometem pecados contra o islã. Quando dizemos essas coisas, os EUA não escutam. Houve muitas emoções de simplesmente me sentir cansada, mas também realmente dominada pela emoção de onde eu estava.

Slate: Como a foto acabou chegando a Shepard Fairey para o cartaz de resistência?

Ahmed: Pelo que eu sei, [a Fundação Amplifier] tinha imagens em mente para recriar para essa campanha. E Mark Gonzales, seu diretor de parcerias estratégicas, disse que apresentou essa imagem dizendo que devia ser considerada. Shepard me disse que lhe apresentaram muitas imagem de mulheres usando uma bandeira americana como hijab. Ele falou: "Munira, não sei se você sabe disso, mas há muitas fotos que têm uma mulher muçulmana usando uma bandeira como hijab". E: "Quando eu vi a sua, decidi na hora". E ele fez um comentário sobre a resiliência em meus olhos ou algo assim. E apenas disse: "Parece que você é uma pessoa normal --muitas outras fotos parecem modelos posando, e a sua foto fala sobre o que estava acontecendo muito mais que as outras".

Slate: Você sabia antes que a foto fosse escolhida que poderia ser o centro de uma enorme campanha?

Ahmed: Não! Eu não sabia de nada até que o fotógrafo me procurou, há cerca de um mês, e me disse: "É isso que vamos fazer, e eu quero que você seja a primeira a saber... e preciso da sua aprovação e autorização para fazer isso".

Slate: Você hesitou antes de aceitar?

Ahmed: Sim. Eu sou dessas pessoas que precisam saber de todos os detalhes possíveis antes de seguir em frente com qualquer coisa. Eu sempre estou meio na retaguarda desse jeito. Precisava ter mais consciência do que realmente ia acontecer com essa foto. Quando eu recebi mais informação foi quando troquei e-mails com Mark Gonzales. Então comecei a me sentir mais à vontade e embarquei.

Slate: O que a imagem simboliza para você? E o que você acha que as pessoas sentem quando a veem em um cartaz?

Ahmed: O que é mais aparente e simbólico na imagem, não importa quem esteja olhando, é que é uma mulher muçulmana e americana, e ela é as duas coisas e não está fazendo um compromisso.

Slate: Como essa intersecção de identidades ocorre na sua vida?

Ahmed: Sou uma mulher muçulmana --fui muçulmana toda a minha vida, e também sou americana desde que nasci. Por isso não posso separar as duas coisas. Não poderia nem que quisesse. Mesmo que um dia eu pensasse em deixar minha religião --o que não vou fazer--, ser muçulmana está entranhado em quem eu sou.

Já tive alguns choques racistas, mesmo com desconhecidos. Houve um em particular --eu estava sentada em um ônibus e uma mulher começou a falar alto e deixar claro que falava sobre mim, e dizia para sua amiga: "Esta aqui, não sei de que maldito lugar ela vem". E as pessoas ignoravam o que estava acontecendo, ou apontavam e riam, divertindo-se com a cena. Quando eu percebi o que estava acontecendo, eu disse: "Desculpe-se", para que ela soubesse que eu estava escutando. E ela disse: "Volte para o seu maldito país". E eu: "Eu nasci aqui, sua cadela", porque não consegui segurar a raiva que senti. Não acho apropriado chamar alguém que você não conhece de cadela, mas também acho que eu não devia deixar de me defender. Realmente me fez sentir que não sou deste país porque não sou parecida com você.

Slate: Eu li que você normalmente não usa hijab. O que você pensou ao fazer essa foto e se tornar um símbolo da mulher com hijab?

Ahmed: Quando Ridwan me apresentou o conceito, lembro que pensei: "É apropriado alguém que não usa hijab posar com um hijab?" Porque eu não vejo isso como uma simples roupa. Sei que é um símbolo de muito mais. Mas também sei que sou tão muçulmana quanto uma mulher com hijab. E quero que elas saibam que respeito sua escolha. É bonito. Muitas mulheres realmente se tornam mais poderosas e radiantes quando o usam, ao contrário do que as pessoas pensam, que é oprimida ou vítima patriarcal.

O que me fez achar que devia fazer isso foi quando naquela época li algo que disse que David Chapelle era muçulmano. E quando alguém lhe perguntou sobre sua identidade islâmica, ele disse: "Eu realmente não quero falar sobre isso, porque não quero que alguém associe as coisas ruins que há em mim com algo que é tão bonito". E quando eu li isso pensei: "Puxa, não seria bacana se ele não se importasse e simplesmente fosse muçulmano, e todo mundo neste país saberia que uma das figuras mais populares da cultura deste país é muçulmano, que isso fosse sabido por todos?" Eu queria que as pessoas vissem que você pode ser alguém que não é perfeito, tem vícios, talvez fale palavrões, talvez estrele um filme chamado 'Pra Lá de Bagdá', e ainda pode ser um muçulmano. Não somos caricaturas, somos pessoas reais.

Slate: Como foi ver seu rosto em toda parte nos protestos da posse e na Marcha das Mulheres?

Ahmed: Foi realmente surreal. Eu não sabia que ia estar em todo lugar daquele jeito. Sabia que muita gente baixou a foto no site da Amplifier. Só não sabia se seria principalmente nas cidades onde há sedes da Amplifier, ou em Nova York. Não sabia que na própria Washington estaria em todo lugar, na marcha principal. Foi incrível! Só digo isso, foi incrível. Mas o interessante é que ninguém me reconheceu nela. Não é uma cópia exata da foto. É como uma versão de quadrinhos de super-herói daquela foto, o que foi legal, porque eu pude me aproximar das pessoas que seguravam a foto e dizer: "Oi, posso tirar uma foto sua com esse cartaz?" Havia uma mulher que a usava como um broche. Eu apontei e disse: "Oi, gostei do seu broche", só para ser simpática. E ela: "Este broche? Este?", e eu disse: "Bacana". Só queria ver o que ela diria, por que ela gostava da imagem. E afinal ela tirou o broche e o deu para mim. Foi quando percebi que ela era surda. Quando tentei devolver, ela insistiu que eu o guardasse e indicou que tinha muitos outros iguais.

Foi um lindo dia. Sinceramente, acho que o que fizemos foi algo que realmente entrará na história. Todas as marchas de irmãs em todo o mundo fizeram-me sentir que eu faço parte de uma coisa obviamente muito maior que eu, mas que também me inclui.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves



terça-feira, 15 de novembro de 2016

Após 2 anos sem vê-la, soldado iraquiano reencontra a mãe fugindo de Mossul


O vídeo abaixo mostra um desses momentos emocionantes em que todos nós nos sentimos iguais como seres humanos, independentemente de nossas origens nacionais, culturais e religiosas.

Nem precisa entender a língua, porque quando se trata de amor entre mãe e filho, o idioma é universal.

O vídeo em questão mostra a busca do soldado iraquiano de nome Saad, que saiu de Mossul dois anos atrás para servir ao exército iraquiano, exatamente no momento em que o Estado Islâmico invadiu e tomou aquela cidade sagrada do norte do país, deixando boa parte de sua família por lá.

Depois de dois anos, Saad está de volta a Mossul na ofensiva liderada pelo exército iraquiano, que está libertando a cidade das mãos cruéis e assassinas dos militantes do Estado Islâmico.

É aí que ele fica sabendo que sua família está num dos muitos ônibus que estão levando os civis já liberados para longe da cidade, e ele vai atrás de sua mãe.

É lindo ser humano. Pena que nossas diferenças banais nos façam perder a chance de viver nossa humanidade comum em sua plenitude.

Emocione-se então:




sábado, 27 de agosto de 2016

Colômbia finalmente encontra a paz


O futuro dirá se o título deste artigo é realidade ou mais um desejo que se evaporou nas brumas das florestas sulamericanas.

Esperamos que a paz prevaleça, pois das grandes alegrias que tive na vida, uma delas foi ter visitado a Colômbia e conhecido seu povo maravilhoso, muito além dos estereótipos do tráfico e da guerrilha.

Que país lindo, que pessoas dignas, que gente especial!

Por isso festejamos aqui o acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC, encerrando uma guerra civil que durava décadas e tem suas origens remotas no Bogotazo de 1948.

Por sinal, guardadas as devidas proporções, o Brasil passa por um momento de fratura político-social que assusta e lembra o triste destino que imergiu a Colômbia no caos e na violência.

Que não copiemos nem renovemos a tragédia que morou ao lado e hoje se encerra!

A matéria é do Opera Mundi:

Santos entrega texto do acordo de paz com FARC ao Congresso e ordena cessar-fogo definitivo

Presidente colombiano pretende realizar 'plebiscito pela paz' no dia 2 de outubro, quando população do país deverá referendar o acordo para que entre em vigor

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, entregou nesta quinta-feira (25/08) ao Congresso Nacional o texto final do acordo de paz do governo com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assinado na quarta-feira (24/08) em Havana, Cuba, após quatro anos de negociações.

Durante o ato de entrega do texto ao presidente do Congresso, Mauricio Lizcano, Santos anunciou que a partir da próxima segunda-feira (29/08) estão suspensas as ações militares ofensivas e defensivas contra a guerrilha.

“Como comandante-chefe das Forças Militares da Colômbia, ordeno o cessar-fogo definitivo com as FARC a partir das 00:00 do dia 29 de agosto”, declarou o presidente. “Termina assim o conflito armado com as FARC.”

Além do texto final do acordo de paz, Santos entregou também uma carta em que informa o Congresso que deseja realizar o “plebiscito pela paz” no dia 2 de outubro, quando a população do país deverá referendar o acordo para que ele entre em vigor. Os legisladores colombianos devem analisar e aprovar o texto do acordo de paz e autorizar a convocação do plebiscito.

Santos afirmou que o acordo “deve ser referendado pelo povo para que tenha mais legitimidade”. “Sou consciente de que não tinha essa obrigação legal, mas sim a obrigação moral, porque sou um democrata e porque creio que o povo deve ter a última palavra”, disse.

A assinatura do acordo final de paz foi feita na quarta-feira (24/08) em Havana, capital de Cuba, onde desde novembro de 2012 se desenrolavam os diálogos de paz.

Humberto de La Calle, representante do governo da Colômbia, e Ivan Marquez, representante das FARC, assinaram o texto do acordo final, assim como os representantes dos governos de Cuba e Noruega, países fiadores do processo de paz.

Os dois lados assinaram um cessar-fogo bilateral em junho, um dos pontos mais complexos do acordo e que abriu caminho para a conclusão das negociações. As condições sobre como será a anistia aos guerrilheiros, sua futura participação política e reincorporação à vida civil foram os últimos temas a serem acordados.

Segundo o acordo de paz, as FARC irão pôr fim à luta armada e buscar seus objetivos políticos por meio da atuação partidária na democracia representativa colombiana.

Espera-se que, com a vitória do “sim” ao fim do conflito segundo o texto do acordo no referendo popular em outubro, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das FARC, Timoleon Jimenez, assinem o texto final até o fim deste ano, o que colocaria em vigor o acordo de paz.

Para além destes passos, a verificação e o respeito aos pontos da agenda discutida nos últimos quatro anos em Havana são as garantias para a paz duradoura na Colômbia. Em janeiro, os dois lados concordaram na participação da ONU como monitora do cessar-fogo e da resolução das eventuais disputas que possam surgir da desmobilização de pelo menos 7 mil guerrilheiros armados.

Em agosto, foram anunciados os critérios para escolha dos juízes que atuarão na Jurisdição Especial para a Paz, um tribunal estabelecido no processo de diálogo entre as partes e que julgará delitos cometidos durante o conflito entre a guerrilha e as forças colombianas.

O conflito entre diversas guerrilhas, entre elas as FARC, e o governo colombiano já deixou mais de 220 mil mortos e pelo menos um milhão de pessoas desalojadas desde 1964. O governo Santos e as FARC estão desde 2012 negociando um acordo de paz que dê fim ao conflito entre as duas partes e trate de justiça e reparação para as vítimas e de reinserir as pessoas envolvidas na guerrilha na sociedade civil.





terça-feira, 16 de agosto de 2016

Brasileiro supostamente ligado ao Estado Islâmico tem liberdade negada por juiz

A informação é da Agência Brasil:

Juiz nega liberdade a investigado suspeito de envolvimento com Estado Islâmico

Daniel Isaia

A Justiça Federal negou pedido de liberdade apresentado pela defesa de Oziris Moris Lundi dos Santos de Azevedo, um dos 14 presos na Operação Hashtag. A decisão é do juiz Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba.

O homem de 27 anos foi preso em Manaus no dia 21 de julho, por suspeita de envolvimento com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) para planejar atentados durante a Olimpíada do Rio de Janeiro.

No pedido de revogação da prisão, os advogados alegaram que Oziris é jovem, tem emprego lícito e é o único provedor da família. Além disso, a defesa sustentou que a investigação não conseguiu identificar, nas conversas telefônicas interceptadas, elementos que comprovassem o envolvimento do acusado com o Estado Islâmico.

A decisão judicial destacou que Oziris foi identificado como fundador do grupo secreto do Facebook intitulado Defensores da sharia. O juiz Marcos Josegrei definiu o acusado como “um dos mais atuantes e radicais em suas postagens de apoio às atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico em nome de sua concepção deturpada e violenta do Alcorão e da fé islâmica”.

Na decisão, o magistrado lembrou que, durante as investigações, foram interceptadas mensagens eletrônicas trocadas entre o acusado e uma pessoa identificada como Leonid.

Segundo Marcos Josegrei, nas mensagens Oziris discute detalhes sobre o financiamento de uma célula do Estado Islâmico no Brasil, além de responder positivamente ao chamado para treinamento de artes marciais e manejo de armas em um sítio na Bolívia.

“Os indícios de engajamento à causa terrorista patrocinada pelo Estado Islâmico que justificaram a decretação de prisão temporária do investigado não apenas eram eloquentes o bastante para fundamentá-la e agora restaram mais robustecidos ainda”, concluiu o juiz no indeferimento do pedido da defesa.

Edição: Armando Cardoso



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Padre francês escreveu pedindo paz mundial antes de ser degolado pelo EI


A matéria é da Agência Brasil:

Em último texto, padre degolado na França pediu “mundo mais humano”

O padre Jacques Hamel, degolado nesta terça-feira (26) durante uma missa na França em um ataque assumido pelo grupo Estado Islâmico, pediu um "mundo mais humano" em sua última mensagem publicada no boletim da paróquia de Saint-Etienne-du-Rouvray.

"Vivemos em uma época que podemos escutar o convite de Deus para tornarmos esse mundo em que vivemos um mundo mais acolhedor, humano e fraterno", escreveu o sacerdote, de 86 anos. Ordenado em 1958, Hamel vivia na igreja onde celebrava missas e era muito conhecido na comunidade católica local, uma das mais fortes da França, apesar da grande presença de muçulmanos.

Dois homens invadiram a igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray ontem e fizeram o padre como refém. A dupla obrigou o sacerdote a se ajoelhar e o degolou. Os dois agressores foram mortos pela polícia e um menor de idade está preso sob suspeita de ligação com o ato.

Padre-auxiliar, Hamel já estava afastado de algumas funções devido à sua idade, mas tinha pedido para permanecer colaborando ativamente na paróquia (o Vaticano permite que um sacerdote se aposente a partir dos 75 anos).



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