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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Templo Positivista do RJ busca salvação após 120 anos de fundação


A matéria é do Estadão:

Igreja Positivista do Brasil tenta proteger acervo relacionado à Proclamação da República

Prédio no bairro da Glória, no Rio, está em péssimas condições

RIO - Berço de parte do ideário republicano brasileiro, a Igreja Positivista do Brasil (IPB) viu sua sede, o Templo da Humanidade, no bairro da Glória, no Rio, completar 120 anos no primeiro dia de 2017. Mas não há motivos para comemorações. O prédio, em estilo que emula o do Pantheon de Paris, está em péssimas condições, com um telhado danificado, por onde passa água da chuva – o que levou à suspensão dos cultos em 2009.

O acervo histórico que abriga, formado por documentos que mostram a relação da doutrina com o fim da monarquia e a Abolição da Escravidão, e onde até seis anos atrás estava o protótipo da bandeira nacional (um óleo roubado e nunca encontrado), está se deteriorando. A busca por patrocinadores para preservar esse patrimônio tem se mostrado infrutífera, embora a instituição já tenha obtido a chancela da Lei Rouanet para a captação de recursos.

Para reverter essa situação, os resistentes gestores estão atacando em várias frentes. Fecharam acordo com o Museu da República, no vizinho Catete, para que parte do acervo seja transferida para lá. Estão montando uma força-tarefa com os órgãos de patrimônio estadual e federal para socorrer o material e o edifício. Prospectam editais de fomento para cuidar dos documentos em papel, como cartas dos fundadores. Planejam um crowdfunding no Brasil e em países onde as ideias positivistas, do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) encontraram eco – França, Inglaterra e Estados Unidos. Só a reforma da sede está orçada em R$ 20 milhões. A publicação, no New York Times, de uma reportagem no Natal sobre o ocaso da IPB pode ajudar.

O positivismo religioso foi introduzido no Brasil pelos filósofos Teixeira Mendes (autor da bandeira) e Miguel Lemos em 1881, e teve como seguidores figuras centrais para a República e sua consolidação, como Benjamin Constant e o Marechal Cândido Rondon. O grupo se colocou fortemente contra a escravidão e a manutenção da monarquia e a favor do Estado laico. São atribuídas à influência positivista conquistas sociais como o direito do trabalhador ao descanso semanal, a férias e à aposentadoria. Também teve o dedo da instituição a criação do calendário republicano, com feriados em 7 de setembro, 15 de novembro e 21 de abril. “As pessoas não sabem da importância dos positivistas, confundem a IPB com religião tradicional”, lamenta o presidente da Associação de Amigos do Templo, Luiz Edmundo Costa Leite. “Se ninguém fizer nada, isso aqui vira pó”, diz o diretor da IPB, Alexandre Martins, que sonha com a criação de um centro de pesquisa. O museólogo André Angulo, responsável pela reserva técnica do Museu da República, acredita que o acervo possa reescrever a história da República no País: “Tem muita coisa guardada nas gavetas dos móveis desde o início do século 20. Ninguém leu”.

O museu receberá dois estudos da bandeira, em fase de restauro; os bustos que ficavam na nave do templo, de figuras consideradas por Comte de grande expressão, como Shakespeare, Aristóteles e Homero (equivalentes às imagens sacras da Igreja Católica); telas de Décio Villares, pintor positivista que fez o desenho da bandeira, logo após a Proclamação da República; peças de vestuário usadas em cerimônias. Ainda falta dar destino ao mobiliário, do qual faz parte uma cama que teria sido de Tiradentes.

Primeiro templo positivista no mundo, a sede é poeira pura. Andaimes sustentam o teto da nave. No friso da fachada está a máxima “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim” –, do qual saiu o “ordem e progresso” da bandeira.



sábado, 23 de janeiro de 2016

Taiwan terá igreja sapatinho de cristal para atrair mulheres


Parece que a mescla entre consumismo e religiosidade anda assumindo formas mais, digamos, concretas, segundo noticia a BBC Brasil, com vídeo do Wall Street Journal mais abaixo:

Taiwan inaugura igreja em forma de sapatinho de cristal 'para atrair mulheres'

Uma igreja de 16 metros de altura feita de vidro e em forma de sapatinho de cristal foi construída em Taiwan, aparentemente para atrair mais mulheres.

A igreja fica na província litorânea de Chiayi e, com seu enorme formato de salto, parece ter sido perdida por uma Cinderela gigante em fuga.

O edifício foi feito com 320 painéis de vidro colorido azul e tem mais de dez metros de largura. O custo da construção: 23 milhões de novos dólares taiwaneses (cerca de R$ 2,7 milhões).

A igreja deve ser aberta ao público no dia 8 de fevereiro, a tempo do Ano Novo Chinês.

Imagens aéreas mostram que construção inclui um palco aberto, também em azul, com refletores.

Inspiração

A igreja em forma de sapatinho de cristal foi ideia do órgão local responsável pelo turismo.

Pan Tsuei-ping, gerente do órgão, disse à BBC que a igreja não será usada para missas de rotina, apenas sessões de fotos de casamento e as próprias cerimônias de casamento.

"Nosso plano é fazer um local feliz e romântico... Toda menina imagina como será quando se vestir de noiva", afirmou.

O sapato-igreja foi criado para homenagear uma mulher da região - e sua história não tem nada a ver com o mito de Cinderela.

Na década de 1960, Wang era uma jovem pobre de 24 anos que morava na região, ficou doente e teve as duas pernas amputadas, o que levou ao cancelamento de seu casamento. Ela continuou solteira e passou o resto da vida morando em uma igreja.

Críticas

A igreja do sapatinho de cristal não foi unanimidade nas redes sociais.

"Além de cópia , que tipo de padrão esta igreja tem?", perguntou um taiuanês no fórum da web PTT.

"Por que desta vez as pessoas não falam (que a igreja) está objetificando as mulheres?", disse uma outra usuária do fórum.

"O que as autoridades estavam pensando quando encomendaram esta construção horrível naquela área? Só é desrespeitoso", disse um usuário da rede de microblog chinesa Weibo.

Outra usuária do Weibo, Jessie Chou, afirmou: "De qualquer modo eu uso chinelo...".

No entanto, outras usuárias da rede defenderam a igreja do sapatinho de cristal.

"Se o sapato serve, porque não usar? Eu gosto, é mais bonita que a maioria das igrejas modernas", disse Lao Fu Qing.

Outra usuária, da província de Shandong, afirmou: "A maioria das meninas adoram contos de fadas, é ótimo que as autoridades queiram se concentrar nas mulheres pelo menos uma vez."








quarta-feira, 26 de março de 2014

A demolição das antigas igrejas de São Paulo (SP)

Igrejas Demolidas do Centro Velho – Fotomontagem de Gilberto Calixto RiosNota: a data ao lado dos nomes das igrejas, é o ano de sua abertura/inauguração.

Trabalho brilhante de Gilberto Calixto Rios divulgado pelo excelente blog Sampa Histórica em 20/05/13:

As igrejas demolidas do Centro Velho

A partir de 1880, logo depois do governo de João Teodoro (1872-1874), que, como se diz, promoveu a “segunda fundação de São Paulo”, tal as modificações que fez na cidade, começou-se a viver um “frenesi” de modernidade e, a renegar toda a vida anterior de “cidade pobre”. Passou-se então a ter vergonha de seu passado colonial, e de sua provincialidade, principalmente com a chegada dos estilos franceses e alemães, trazidas pelos novos ricos, os chamados “barões do café”, que nessa época começaram a construir suas mansões na capital, nos recentes “bairros planejados”.

Uma das consequências desse modo de pensar, começou a ser sentida principalmente nas antigas igrejas do centro, como podemos observar no trecho de uma carta da Curia para vigário da igreja da Consolação, a respeito da remodelação daquele templo. O texto expõe bem esse espírito da época: “… havemos por bem de conceder-lhe faculdade para mandar demolir a actual igreja matriz da parochia afim de que no mesmo lugar se possa erigir uma nova matriz que possa CORRESPONDER AOS BELOS EDIFÍCIOS QUE ORA EXISTEM NESTA CAPITAL” (D. Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo metropolitano, ao vigário da Igreja da Consolação, 15 de agosto de 1909).”

Nesta onda “modernizadora”, a primeira a cair, foi a Igreja da Misericórdia em 1884, seguida de outras onze igrejas, mostradas nas fotos acima. A última que foi “tombada”, foi a igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em 1940, já que impedia o livre fluxo dos automóveis na nova praça João Mendes, de acordo com o “Plano de Avenidas” do então Prefeito Francisco Prestes Maia. As únicas (no centro) que escaparam dessa derrubada em massa, foram a Igreja da Boa Morte, de 1810, a da Ordem Terceira dos Carmelitas (Igreja do Carmo), de 1648, as duas Igrejas de São Francisco, de 1647, a Igreja de São Gonçalo na Praça João Mendes de 1840 e a Igreja dos Aflitos, de 1779 na Liberdade.

As motivações foram várias: umas porque estavam deterioradas demais, outras para serem substituídas por templos “mais modernos”, outras por necessidade de ampliação das vias de tráfego, e por aí afora. O fato é que São Paulo perdeu um patrimônio histórico inestimável, apenas para ser incluída no âmbito das cidade “modernas” (??).

Matéria e Imagem de autoria do amigo Gilberto Calixto Rios


Nossa nota: a Igreja de Anchieta que hoje existe no Pátio do Colégio é, na verdade, uma réplica do templo anterior que existia naquele lugar (demolido em 1896), que, por sua vez, havia sido a terceira igreja de Anchieta construída no local. A atual igreja (inaugurada em 1979) é, portanto, o quarto templo do conjunto arquitetônico que representa a fundação de São Paulo. Do primeiro templo, nada restou. Do segundo, apenas o muro de taipa e do terceiro, os alicerces, que estão ali à mostra do público que visita o Museu Anchieta.



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Templo é construído em forma de pênis nos EUA


Dixon é uma pequena cidade com pouco mais de 15.000 habitantes no Estado do Illinois, nos Estados Unidos, que - de repente - foi tirada do anonimato por causa da construção de um templo pertencente à Sociedade de Ciência Cristã local.

Ciência Cristã, para quem não conhece, é um movimento religioso surgido em Boston, Massachussets, no ano de 1866, fundado por Mary Baker Eddy, que tem uma interpretação bastante própria - um tanto quanto esotérica - da Bíblia, com ênfase na cura, e que hoje está ramificada em diversas outras facções.

Mary B. Eddy fundou, entre outras coisas, o conhecido jornal The Christian Science Monitor, que existe até hoje em sua edição virtual, do qual ela foi sua primeira editora e redatora, isto em 1908, dois anos antes de sua morte aos 89 anos de idade.

O inusitado no caso de Dixon é que, quando se vê uma imagem aérea do templo da Ciência Cristã, ele tem a forma de um pênis, conforme você pode ver na reprodução abaixo que ilustra este artigo, ou checá-la diretamente no Google Maps.

O templo atende pelo pomposo nome de "Gathering Light - Center for Spiritual Seeking", cuja tradução é algo como "Luz do Encontro - Centro para a Busca Espiritual".

Curioso é que ninguém percebeu o, digamos, "problema gráfico" quando desenhavam e analisavam a planta da igreja. Será que são tão ingênuos assim?

Tire as suas próprias conclusões:


A fonte da informação é o BuzzFeed



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O que aprendi com Niemeyer


O grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer morreu ontem, 5 de dezembro de 2012, aos 104 anos de idade.

Segundo informaram os médicos que dele cuidaram, esteve lúcido até a manhã do último dia de sua longa e profícua vida, e o que mais lhes chamou a atenção no paciente famoso foi o seu imenso desejo de viver.

Esta belíssima ânsia da vida em ser vivida já é, por si só, uma das maiores lições que Niemeyer deixou a um mundo onde se dá tão pouco valor à existência própria e à dos outros.

Entretanto, há outras lições que o gênio da arquitetura nos legou, e elas merecem ser pensadas e divulgadas para que as novas gerações nunca percam a capacidade de se reinventarem e construírem um mundo melhor.

Mesmo não sendo nenhum especialista em arquitetura, tive a oportunidade de conhecer ao vivo e a cores várias obras de Niemeyer, em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro, Niterói e sua obra-prima Brasília.

Como ele mesmo gostava de dizer, você pode gostar ou não de suas obras, mas jamais passará indiferente por elas.

Seja no Copan de São Paulo, na Pampulha de BH, nos museus de Curitiba e Niterói ou no Sambódromo da Sapucaí, suas obras de arte são exatamente isso, arte, e interagem ludicamente com as pessoas e o ambiente em que estão inseridas.

Brasília, apesar da má fama que - injustamente - maus políticos lhe atribuem, é um capítulo à parte. Seja pela imensidão do seu horizonte em 360º, seja pelos prédios monumentais plantados no cerrado, tudo ali respira Niemeyer.

Na minha modesta opinião, nenhuma obra dele comunica mais do que a catedral de Brasília. Poucos monumentos no mundo captaram tão bem o significado "das trevas para a luz".




Se vista de fora, os seus arcos invertidos já lembram mãos em oração, quando se está lá dentro, a imensidão da luz que os céus de Brasília enviam de fora para dentro do templo fazem da experiência arquitetônica um vislumbre transcendental.

Pelo menos para mim, ainda que a entrada já seja de uma beleza profunda, o momento mais, digamos, luminoso, aconteceu ao sair da catedral pela rampa que leva de volta ao mundo real.

Não sei se foi o horário em que lá estive, ou as condições climáticas daquele dia específico, mas ao me deparar com a rampa de saída, havia uma espécie de explosão de luz que nos chamava lá de fora.

Ali entendi que o ateu e comunista Oscar Niemeyer havia transmitido - através de uma câmara negra - uma crítica subliminar em sua arquitetura religiosa: "vocês estão aí dentro rezando, mas a luz está aqui fora".

No fundo, ele tinha uma boa dose de razão. Por mais que os templos sejam lugares sagrados de oração e adoração, suas palavras e seus ideais pouco significam se não forem traduzidos em ações concretas no mundo real.

Do ponto de vista cristão, uma igreja que se isola e se encapsula dentro de si mesma nunca será sal da terra nem luz do mundo.

O Brasil perdeu um grande homem, que deixou marcas profundas que serão lembradas por muito tempo ainda.

Fosse ele cristão, talvez pudesse pregar com suas obras arquitetônicas Mateus 5.13-16:
Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.
Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.




Sugerimos a leitura, também, do artigo "As igrejas do ateu Oscar Niemeyer"



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A igreja transparente


Não, não estamos falando da qualidade de uma igreja, por mais que seja desejável vê-la transparente em seus procedimentos, mas nos referimos à arquitetura.

Obs arquitetos belgas Pieterjan Gijs e Arnout Van Vaerenberg tiveram a brilhante ideia de construir uma capela de 10 metros de altura, com 100 ripas de madeira e 2000 colunas de aço, na região de Limburg, no seu país natal.

Até aí, nada muito diferente do que é feito no resto no mundo. Só que o projeto belga, depois de executado, mostrou que a pequena igreja, além de se integrar perfeitamente à paisagem que a cerca, pode ser vista de vários modos, dependendo do ângulo do observador.

Aí, dependendo de onde você a vê, ela pode se apresentar maciça ou transparente, ao gosto do freguês.

Trata-se, portanto, de uma questão de perspectiva, não só do ponto de vista do desenho original, mas também no sentido figurado, afinal qual é a sua perspectiva da igreja?

Não por acaso, portanto, a belíssima construção teve seu projeto batizado de "Lendo nas Entrelinhas".

E aí, captou?








domingo, 1 de julho de 2012

Radicais islâmicos ameaçam destruir tesouros islâmicos de Timbuktu



Timbuktu (Tombouctou em francês) é um patrimônio histórico da humanidade, assim declarado pela UNESCO em 1988, que fica na região central do Mali, na África.

Se não bastasse o fato de sua riqueza arquitetônica exótica estar ameaçada pelo tempo, pelas areias do deserto do Saara e pela pobreza endêmica da região, Timbuktu agora está sendo vítima de radicais islâmicos que controlam boa parte do norte do país.

Ontem, 30 de junho de 2012, os guerrilheiros do movimento Ansar Dine atacaram vários mausoléus muçulmanos da cidade, entre eles os do sheik el-Kebir, Sidi Mahyud, Sidi Moctar e Alpha Moya.

Timbuktu é conhecida entre os muçulmanos como "a cidade dos 333 santos", que são respeitáveis sábios do passado islâmico que lá estão enterrados, simbolizando o tempo remoto em que o lugar serviu de centro irradiador do Islã para o Centro e o Norte da África.

Não deixa de ser surpreendente, portanto, que a violência agora seja cometida por muçulmanos contra muçulmanos, já que o Ansar Dine ameaça destruir todos os santuários locais, o que representaria não só um crime contra o Islã, mas contra toda a humanidade, dada a importância histórica de Timbuktu.

Mais estranho ainda é que um suposto porta-voz dos guerrilheiros teria dito que a destruição dos mausoléus se deu em razão da ameaça da UNESCO em colocar Timbuktu na lista de patrimônios históricos da humanidade que correm risco de destruição.

Na sua lógica perversa e bizarra, os radicais islâmicos dizem que a UNESCO não pode dar nenhuma opinião a respeito da religião muçulmana e - contraditoriamente - destroem uma das mais belas contribuições arquitetônicas do Islã para o mundo como um todo, o tesouro chamado Timbuktu.

Se já não era compreensível nem aceitável o crime histórico que foi a destruição das antigas estátuas gigantes de Buda pelo Talibã no Afeganistão em 2001, mais espanto causa a violência cometida contra a própria religião.

Tudo isto ocorre num momento em que o Mali vive uma crise política intensa, com fanáticos muçulmanos de um lado (incluindo facções da Al-Qaeda) e os nômades tuaregues do outro, sem ninguém saber exatamente quem é quem nem como é que isso tudo vai terminar.

Que pelo menos alguém se lembre de salvar o que resta de Timbuktu...

Fonte: Al-Arabiya



domingo, 6 de maio de 2012

Templo budista tailandês decorado com figuras de Matrix e Superman



O templo budista Wat Rong Khun fica em Chiang Rai, na Tailândia, é conhecido pelo esplendor de sua cor branca - que representa a pureza - e dos espelhos que simbolizam a sabedoria de Buda que brilha em toda a Terra.

O santuário é uma criação do artista tailandês Chalermchai Kositpipat, e ainda se encontra em processo de construção que durará ainda muitas décadas, o que não é tanto assim se você se lembrar que a Catedral da Sagrada Família, de Gaudí, começou a ser construída em 1882 em Barcelona e ainda não foi completada.



Aliás, a ornamentação do templo budista guarda alguma semelhança, ainda que distante e em menor escala, com o projeto de Gaudí, embora a profusão de branco e de espelhos pareça ter vindo da cabeça de algum carnavalesco carioca.

O turista mais apressado que visitar Wat Rong Khun pode não reparar em alguns detalhes curiosos, que são as representações gráficas de ícones de Hollywood e dos quadrinhos, como o Homem Aranha, Superman, Predador, Avatar, e o Neo do filme Matrix, além de outros símbolos modernos como naves espaciais.





Fonte: Feelguide



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ateus planejam construir templos para sua religião

Este blog não tem nem usa bola de cristal, mas há tempos vem constatando o óbvio: na verdade, o neoateísmo é uma antiga religião. Comprova - mais uma vez - essa tese a notícia que circulou ontem, de que construir uma rede de templos ateus é o novo projeto do filósofo suíço Alain de Botton, autor do livro "Religião para Ateus" (que eu até já comprei baratinho na promoção, prometo ler e comentar...), que segue a linha ateísta menos radical, como já demonstrou numa entrevista a Dan Stulbach no canal GNT da Globosat. Os templos ateus seriam construído por toda a Grã-Bretanha, e o primeiro deles já tem planta assinada pelo escritório de arquitetura de Tom Greenall, e consistiria numa enorme torre negra de 46 metros de altura aninhada entre os edifícios do centro financeiro de Londres, a famosa "City" londrina. A proposta arquitetônica é lançar um olhar em perspectiva sobre o centro da capital britânica (e simbolicamente sobre o mundo, é claro!) e os 46 metros não são despropositados, apesar de que os ateus - até outro dia - gostavam muito do acaso e do aleatório. Exercício de matemática básico: 46 metros são 4.600 centímetros, correto? Então... cada centímetro equivale a 1 milhão de anos da presumida idade da Terra (4.600.000.000 no total) e na base da estrutura haveria um fio dourado de 1 milímetro representando o período da presença humana no planeta, proporcionalmente à altura simbólica. Engraçado... mas não eram os ateus que criticavam tanto os rituais, símbolos e mitos das religiões?

Alain de Botton, é preciso reconhecer, já havia elogiado muito a beleza e a organização que as religiões, cada uma a seu modo, trouxeram ao mundo. Parece que ele tem enorme apreço pela estética, principalmente quando pergunta: "Por que as pessoas religiosas deveriam ter os prédios mais bonitos nessa terra? É chegada a hora dos ateus terem as suas próprias versões das grandes igrejas e catedrais". A inveja, ah! a inveja, como move o mundo, já diria outro ateu famoso chamado Friedrich Nietzche em sua "Genealogia da Moral". Pois é, Nietzche, parece que seus próprios colegas ateus se esqueceram completamente de você... o que até nos faz agradecer a ateus como Alain de Botton, porque eles nos poupam o trabalho de comprovar as nossas teses sobre o ateísmo. Eternamente agradecido, Alain!

O filósofo suíço sempre insistiu que os ateus deveriam copiar as maneiras como as religiões expuseram suas ideias e seus dogmas ao mundo, e um dos meios mais úteis foram as obras-primas representadas pelos seus templos, igrejas, mesquitas, sinagogas e catedrais. Ele acrescenta: "Como as religiões sempre souberam, um edifício bonito é uma parte indispensável para propagar a sua mensagem. Os livros por si só não seriam capazes disso". Indagado sobre a necessidade de um deus para se consagrar o templo, Alain de Botton rebate dizendo que "você pode construir um templo para qualquer coisa que é positiva e boa. Isto poderia significar, por exemplo, um tempo dedicado ao amor, à amizade, à calma ou à pespectiva". A sugestão do finado seriado cômico MadTV (vídeo abaixo) continua, então, atualíssima, e sua sugestão de ritual nas manhãs de domingo segue firme e forte. Logo, logo, veremos ateus tocando bumbo nas praças, distribuindo folhetos de dois em dois, passando a sacolinha, pedindo "sementes" de 900 paus e até comprando rede de TV para produzir um reality show em que beldades nuas discutem Dawkins e Hitchens, por que não? Afinal, estão cada dia mais religiosos, à sua maneira, é claro. E no enorme mercado da fé em que se tornou boa parte das denominações, sempre cabe mais um, não é mesmo? Por isso, não se surpreenda se daqui a algum tempo você ver algum ateu jogando tarô ou lendo bola de cristal...



Fonte: Dezeen



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como transformar uma ponte numa obra de arte



A ponte de Manhattan em Nova York é a galeria a céu aberto escolhida para exibir a mostra "As above, so below" (algo que poderia ser traduzido "Como acima, assim é embaixo"), obra coletiva de Farkas Fülöp, Ryan Uzilevsky, Simon Anaya, Sina Taherkhani, John Ensor Parker, Johnny Moreno e Richard Jochum, assessorados por uma enorme equipe de produção descrita na página da Vimeo, indicada abaixo, todos responsáveis pela espetacular projeção de arte digital nas estruturas da ponte. Taí, Kassab! Antes todas as pontes fossem assim:





quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Taj Mahal pode desabar em 5 anos

O Taj Mahal é provavelmente o monumento indiano mais conhecido do mundo, e não por acaso reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, além de ter sido eleito uma das 7 maravilhas do mundo moderno numa votação virtual realizada em 2007, título ganho ao lado do Cristo Redentor, entre outros. Construído por cerca de 20.000 homens entre 1630 e 1652 em Agra, na Índia, também é conhecido como a maior prova de amor do mundo. O Taj Mahal é o mausoléu que o imperador mogol Shah Jahan mandou construir sobre o túmulo de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, que faleceu ao dar a luz ao seu 14º filho. No monumento de mármore branco há várias incrustações de pedras preciosas, além de fios de ouro que ornamentam a sua cúpula. De inspiração islâmica, composto ainda por duas mesquitas laterais e cercado por 4 minaretes, o Taj Mahal é certamente uma das construções mais belas e famosas do mundo, daí a preocupação causada pela notícia de que suas fundações estão à beira do colapso, e por uma razão prosaica que mostra o efeito da ação catastrófica do homem na natureza. É que os alicerces do mausoléu foram projetados para aproveitar o solo úmido do rio Yamuna, que passa ao seu lado, e são originalmente constituídos de estacas de madeira nobre fincadas em poços que eram inundados com as águas do rio, mas, com a poluição e o desflorestamento ao longo de sua quase quatricentenária existência, o rio secou e as fundações seguiram o mesmo caminho, não podendo mais suportar o peso do majestoso edifício que está acima da sua agora frágil base. A se confirmar o perigo, algo deverá ser feito com urgência a fim de que a humanidade não corra o risco de ver uma de suas mais belas obras reduzida a pó.


Fontes:
Daily Mail
Metro
The Huffington Post

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

As igrejas do ateu Oscar Niemeyer

Matéria publicada no jornal Valor Econômico de 22/08/11:

“A arquitetura ainda me convoca com toda a força”, diz Oscar Niemeyer


Por Bruno Yutaka Saito

SÃO PAULO – Segundo relatos da história, Napoleão teria dito que, dentro da imponente catedral de Chartres, um dos principais exemplos da arquitetura medieval, até os ateus se sentiam desconfortáveis. Nascido em 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer não teve a chance de contradizer pessoalmente o imperador francês (1769-1821) sobre a atmosfera proporcionada por uma igreja.

Para este arquiteto ateu “desde muito cedo”, igrejas nunca o fizeram cogitar a possibilidade de existência de Deus. Suas convicções, no entanto, não o impedem de projetar várias construções ligadas ao sagrado.

O livro "As Igrejas de Oscar Niemeyer", que será lançado amanhã (dia 23), reúne imagens e desenhos dessas 16 obras (executadas de fato ou não), como a Catedral de Brasília, o templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Paricatuba, PA) e a famosa Igreja da Pampulha (Belo Horizonte, MG).

Inaugurada em 1943, a construção em Minas Gerais causou certo desconforto local à época devido, entre outros fatores, às suas formas inovadoras. Em Pampulha, Niemeyer mostrou as diretrizes de seu trabalho posterior. Forma e estrutura são um elemento apenas, em que o concreto revela-se plasticamente flexível, resultando em uma construção ousada e sinuosa para a época. Durante anos os cultos foram proibidos na Igreja da Pampulha.

Aos 103 anos, Niemeyer é uma das principais referências de Brasil para o mundo, admirado não apenas por arquitetos e não apenas pela idade. Este carioca é de uma época anterior a iPhone, internet e televisão, de um tempo em que o homem ainda não tinha chegado à Lua e que duas guerras mundiais encontraram espaço para explodir. Viu as turbulências do Brasil, Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek, ditaduras e Fernando Collor, mas continuou firme na sua crença no PT.

“Vivemos um momento importante. Não posso avaliar se este seria o mais promissor de nossa história... Tenho a certeza de que houve avanços sociais relevantes graças ao empenho do presidente Lula”, afirma Niemeyer.

Se levarmos em conta o benefício da aposentadoria por idade, aos 65 anos para os homens, faz 38 anos que Niemeyer trabalha a mais, já que descarta a possibilidade de parar. As ideias e os pensamentos seguem contínuos, como mostra nesta entrevista exclusiva ao Valor.

Valor: Nunca cogitou a possibilidade de acreditar em Deus?
Oscar Niemeyer: Eu defini essa minha posição em relação à religião desde muito cedo, apesar das minhas origens familiares católicas. Na introdução que escrevi para o livro “As Igrejas de Oscar Niemeyer”, procurei lembrar que na casa dos meus avós maternos em Laranjeiras minha avó organizava missas todos os domingos, a que muita gente assistia. Eram pessoas de muito boa índole, solidárias e generosas, acima de tudo tementes a Deus.

Valor: Qual a diferença entre projetar uma igreja e outros tipos de construções? O fato de a igreja ser um lugar sagrado para seus frequentadores interfere no modo como o sr. idealiza o projeto?
Niemeyer: Sempre apreciei esse tema, procurando responder, com a minha fantasia de arquiteto, a tal identificação que muitos fazem desses templos religiosos como lugares do sagrado. Isso tudo sem que eu tenha alguma crença dessa ordem.

Valor: A sua fé no comunismo nunca se abalou? O sr. acredita que os modelos de esquerda vigentes na Venezuela, em Cuba e na China são eficazes?
Niemeyer: Continuo a defender a mensagem básica que é possível reconhecer nos escritos de Marx – a sua confiança no advento de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Aprecio muito a coragem política e a capacidade de resistência ao imperialismo dos EUA de líderes como Fidel – em primeiro lugar – e Chávez... Não sou cientista político; portanto, não posso avaliar “tecnicamente” o grau de eficácia do modelo político adotado na Venezuela e na China.

Valor: O sr. está gostando do governo de Dilma Rousseff ou preferia o governo do Lula? Por quê?
Niemeyer: Estou gostando bastante do governo da presidente Dilma. Acho prematuro fazermos comparações entre este e a gestão de Lula – um líder inconteste do povo brasileiro a quem admiro profundamente.

Valor: Os casos de corrupção que acontecem atualmente e aconteceram no governo abalaram a sua confiança no PT?
Niemeyer: Atenção, há outros partidos ou integrantes de partidos diversos do PT envolvidos em esquemas de corrupção que vêm sendo desmascarados...

Valor: O Brasil está preparado para receber uma Copa do Mundo e uma Olimpíada?
Niemeyer: Acho que sim. É bem verdade que caberá a nossos dirigentes políticos assegurar as condições de realização dos grandes eventos desportivos a terem lugar.

Valor: O sr. pensa em aposentadoria? O que o motiva a continuar trabalhando?
Niemeyer: Que é isso? A arquitetura ainda me convoca, com toda a força, e permanece este meu entusiasmo em prosseguir, realizando esta arquitetura diferente, tão pessoal, que tenho defendido desde o projeto da igrejinha de São Francisco de Assis na Pampulha. Projeto que, aliás, se encontra bem destacado no meu novo livro sobre as igrejas.

Valor: Como o sr. avalia o governo Barack Obama? Acredita que a atual crise econômica nos EUA indica a falência de um modelo?
Niemeyer: Os Estados Unidos enfrentam nova crise – recorrente – que tem marcado a história do capitalismo. É evidente que todo o quadro presente me preocupa... até porque o aprofundamento de tal crise deverá afetar os países emergentes, a exemplo do Brasil.

Valor: Como o ideal comunista do sr. se traduz nos seus projetos?
Niemeyer: Considero que não existe essa conexão de que vocês falam. Mas é evidente que os meus projetos têm por objetivo garantir a todos que visitam as minhas obras – independentemente de sua classe ou status social – um momento de surpresa, que é possível associarem a minha busca permanente da beleza e da invenção. Valores que podem ser apreciados por todo o mundo.

“As Igrejas de Oscar Niemeyer”
Autor: Oscar Niemeyer
Organizador: Vera Lucia Guimarães Niemeyer
Preço: R$ 150 (56 págs.)
Editora: Nosso Caminho

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Como a religião criou a civilização

A próxima edição de junho da revista National Geographic, na sua edição norteamericana, trará uma matéria sobre Göbekli Tepe, o local na Turquia onde foi encontrado o primeiro templo de que se tem notícia no mundo. Provavelmente, a sua versão brasileira trará em breve o mesmo material. Segundo a Wikipedia:
Göbekli Tepe (Monte com Barriga ou Monte com Umbigo em turco) é o topo de uma colina onde foi encontrado um santuário, no ponto mais alto de um encadeamento montanhoso que forma a porção mais a sudeste dos montes Tauro, a aproximadamente 15km a nordeste de Şanlıurfa (Urfa) no sudeste da Turquia. O tel tem 15 metros de altura por 300 de diâmetro. O sítio arqueológico, que está sendo escavado por arqueólogos alemães e turcos, foi construído por caçadores-coletores no décimo milénio a.C., antes do advento do sedentarismo. Junto com o sítio de Nevalı Çori, revolucionou o conhecimento do neolítico e as teorias sobre o início da civilização. As descobertas também têm um importante impacto sobre a história das religiões. Tem se especulado na mídia popular estrangeira e em blogs conexões com o Jardim do Éden bíblico. Devido à forma das casas, está tentar interpretar-se se eram casas ou templos porque os 2 pilares centrais de todas as estruturas encontradas, estão virados para Oeste, que, nestas culturas do crescente fértil, representa o renascer.

A matéria da National Geographic, intitulada The Birth of Religion ("O Berço da Civilização"), destaca que Göbekli Tepe foi construída muito antes do que se imaginava. O sítio lembra vagamente o antigo templo britânico de Stonehenge, embora tenha sido construído muito tempo antes e seja muito mais elaborado do ponto de vista artístico, já que não se tratava apenas de blocos de pedras geometricamente colocados, mas de pilares de granito decorados com baixos relevos de gazelas, cobras, raposas, escorpiões e javalis ferozes. A investigação científica indica que Göbekli Tepe tem cerca de 11.600 anos de idade, 7 milênios antes, por exemplo, da Grande Pirâmide de Quéops. É o primeiro caso registrado de arquitetura monumental na história da humanidade, e quando o templo foi construído, até onde se sabe não havia nada no mundo que pudesse ser minimamente comparado, já que a população então existente era quase que completamente constituída por tribos nômades. Ao que parece, grandes descobertas ainda estão reservadas para se compreender o real significado de Göbekli Tepe.

Comentando o artigo em questão na sua coluna no The Huffington Post, o rabino Brad Hirschfield provoca: "Did Religion Create Civilization?" ("A Religião Criou a Civilização?"):
Por anos, historiadores, arqueólogos, antropólogos, e provavelmente todos os outros "ólogos" têm concordado que a agricultura criou a civilização, incluindo a religiâo, como nós a conhecemos nos últimos 12.000 a 15.000 anos. Era assumido que, ao se fixarem e estabelecerem para viver da agricultura, as pessoas construíram cidades, criaram a arte e inventaram religiões organizadas que se adequassem às suas novas necessidades, que eles tinham que encarar na transição de coletores e caçadores para fazendeiros. Ou não.

O site da National Geographic disponibiliza também um vídeo que mostra uma maquete em argila que especula como teria sido o templo de Göbekli Tepe no seu esplendor.




Atualização de 19/06/11:

A matéria da National Geographic já foi traduzida e publicada em sua versão brasileira, e pode ser acessada clicando-se aqui. Destacamos um pequeno trecho da matéria:

Antropólogos supõem que a religião organizada começou como um recurso para mitigar as tensões que surgiram quando os caçadorescoletores se fixaram, adotaram a agricultura e desenvolveram sociedades populosas. Comparada a um grupo nômade, a sociedade de um vilarejo tem objetivos complexos e de mais longo prazo: armazenar grãos, manter habitações. É maior a probabilidade de que os moradores alcancem esses objetivos se os membros se comprometerem com o empreendimento coletivo. Embora práticas religiosas primitivas - sepultar os mortos, criar arte em cavernas, esculpir estatuetas - houvessem surgido dezenas de milhares de anos antes, a religião organizada, segundo essa concepção, só veio a emergir quando foi necessária uma visão comum da ordem celestial para dar coesão a novos, numerosos e frágeis grupos humanos. Ela também poderia ter ajudado a justificar a hierarquia social que se formava em uma sociedade mais complexa. Os que ascendiam ao poder eram vistos como dotados de uma ligação especial com os deuses. Comunidades de fiéis, unidas em uma visão sobre o mundo e seu lugar nele, eram mais sólidas que os meros ajuntamentos de gente briguenta.

Göbekli Tepe, na opinião de Schmidt, sugere um cenário inverso: a construção de um templo por um grupo de extrativistas é indício de que a religião organizada pode ter surgido antes da agricultura e dos outros aspectos da civilização. Sugere que o impulso de se reunir para rituais sagrados nasceu quando os seres humanos deixaram de se ver como parte do mundo natural e passaram a buscar o domínio sobre a natureza. Quando os extrativistas começaram a se fixar em povoações, criaram uma divisão entre a esfera humana - o aglomerado fixo de casas com centenas de habitantes - e a perigosa terra além da fogueira, povoada por animais mortíferos.

O arqueólogo francês Jacques Cauvin supôs que essa mudança de mentalidade foi uma "revolução de símbolos", um desvio conceitual que permitiu aos seres humanos imaginar deuses - seres sobrenaturais à semelhança do homem - em um universo fora do mundo físico. Schmidt vê Göbekli Tepe como uma evidência em favor da teoria de Cauvin. "Os animais eram guardiões do mundo dos espíritos", diz. "Os relevos esculpidos nos pilares em T ilustram esse outro mundo."

Schmidt imagina que os extrativistas que viviam em um raio de 160 quilômetros de Göbekli Tepe tenham criado o templo como um local sagrado para se reunir em eventos, e talvez trazer presentes e tributos a seus sacerdotes e artesãos. Teria sido preciso algum tipo de organização social não só para construir mas também para lidar com as multidões que o lugar atraía. Podemos imaginar cantos e tambores, os animais nos grandes pilares dando a impressão de se moverem à luz bruxuleante das tochas. Decerto havia festas; Schmidt descobriu bacias de pedra que talvez tenham sido usadas para cerveja. O templo era um locus espiritual, mas também pode ter sido a versão neolítica da Disneylândia.

Com o passar do tempo, acredita Schmidt, a necessidade de obter alimento suficiente aos que trabalhavam e se reuniam nas cerimônias em Göbekli Tepe pode ter levado ao cultivo intensivo de cereais silvestres e à criação de algumas das variedades domesticadas. De fato, hoje os cientistas supõem que um centro agrícola surgiu no sul da Turquia, a uma distância factível de Göbekli Teppe, bem na época em que o templo estava no auge. Os ancestrais silvestres mais próximos conhecidos da espécie de trigo Triticum monococcum são encontrados nas encostas de Karaca Dağ, uma montanha a 96 quilômetros no nordeste de Göbekli Tepe. Em outras palavras, a guinada para a agricultura apregoada por V. Gordon Childe pode ter sido resultado de uma necessidade arraigada na mente humana, uma fome que ainda impele pessoas a viajar pelo globo em busca de visões inspiradoras de reverência.

Algumas das primeiras evidências de domesticação de plantas provêm de Nevalı Çori, um povoado nas montanhas a mais de 30 quilômetros. Como Göbekli Tepe, Nevalı Çori surgiu logo depois da mini-idade do gelo, uma época que os arqueólogos designam pelo insosso termo Neolítico Pré-Cerâmica (NPC ). Nevalı Çori agora está inundado por um lago de uma usina hidrelétrica. Mas, antes que as águas impedissem as pesquisas, arqueólogos encontraram pilares em forma de T e imagens de animais parecidos com os que Schmidt mais tarde descobriria em Göbekli Tepe. Pilares e imagens semelhantes existiram em povoações do NPC distantes 160 quilômetros de Göbekli Tepe. Assim como hoje é possível supor que os lares com cenas da Virgem Maria pertencem a cristãos, diz Schmidt, as imagens nesses sítios do NPC indicam uma religião comum - uma comunidade de fé ao redor de Göbekli Teppe que pode ter sido o primeiro grupo religioso de fato grande no mundo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

E tudo se copia...

Longe de mim querer ser o único a ter reparado nisso, até porque fui procurar no Google e vi que o grande jornalista Flávio Gomes chamou a atenção para o fato na sua coluna no IG, mas parece mesmo que não é só o brasileiro que não tem memória; a arquitetura também. Guardadas as devidas proporções, o famoso Cubo D'água (1ª foto abaixo), onde estão sendo disputadas as provas de natação nas Olimpíadas de Pequim-2008, lembra muito a antiga rodoviária de São Paulo (2ª foto), desativada em 1982, depois transformada num centro de compras, o Shopping Fashion Luz, e que atualmente está sendo desapropriada para se integrar ao contíguo conjunto arquitetônico e cultural da Sala São Paulo (na antiga Estação Júlio Prestes, da Estrada de Ferro Sorocabana). Naquele tempo, a rodoviária era considerada um monumento kitsch ao mau gosto (com o perdão da redundância), com a sua fumaça concentrada, suas plantas de plástico, e aquela balbúrdia nas imediações, que só ajudou a deteriorar ainda mais o centro de São Paulo. Hoje, este tipo de arquitetura é considerado o supra-sumo da modernidade. Mudaram os tempos ou mudamos nós?




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