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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Série da TV portuguesa associa evangélicos brasileiros à corrupção

Igreja da Felicidade Universal e Bem Estar Geral - a IFUBEG

Por que será?

A matéria saiu no Comércio do Jahu:

Série lusa trata de corrupção à brasileira

Produção, disponível gratuitamente na internet, satiriza política, religião e relação entre os dois países

Com um grande escândalo de corrupção prestes ser revelado, a ministra da Cultura de Portugal resolve distrair a população patrocinando a criação de uma telenovela grandiosa. O Brasil, que tem experiência de sobra tanto em falcatruas como nos folhetins, é escolhido como parceiro ideal nesta empreitada.

É esse o ponto de partida da série “País Irmão”, exibida agora pela RTP (televisão pública de Portugal), que recorre ao humor ácido e aos clichês das telenovelas para contar uma história política.

Gravada nos dois países, a produção traz rostos conhecidos dos brasileiros, como os atores Marcos Pasquim, Pedro Cardoso e Natália Lage.

A trama narra bastidores dessa fictícia operação abafa, mas com expedientes usados na corrupção real: preços superfaturados, produtora fictícia, edital fraudado, e muitos conflitos de interesses.

Em 18 episódios, explora a trama dos personagens conforme avança na montagem da novela luso-brasileira, escrita por pai e filho que têm uma relação complicada.

A escolha por uma telenovela como mote não foi à toa. “Portugal é provavelmente o único país da Europa que passa três horas de novela no horário nobre”, conta o escritor Hugo Gonçalves, que assina a trama juntamente de Tiago Santos e João Tordo.

“A telenovela é a forma como o Brasil mais chega aos portugueses”, conta o roteirista, que morou por quatro anos no Rio e adquiriu repertório para muitas das piadas e tiradas presentes na trama.

Em um dos episódios ambientados no Rio, a produtora Branca, vivida por Natália Lage, fica cansada de ver um colega português ser sucessivamente enrolado pelos cariocas. De maneira didática, a personagem explica para ele o funcionamento da brasileiríssima “lei de Gérson” (de se levar vantagem em tudo).

Os autores também brincam com a dificuldade que muitos brasileiros têm em entender o sotaque lusitano e as diferenças no português de cada lado do Atlântico.

A sátira política também se mistura à religiosa em “País Irmão”. É que para dar vida à novela de época “Corte Tropical”, que conta história da fuga da família real portuguesa para o Brasil, os políticos corruptos se unem a uma ambiciosa igreja evangélica.

Em troca de apoio e dinheiro para o projeto, o grupo pede que o governo ceda a concessão de um canal de TV, um prédio em área nobre da cidade e o direito de escalar uma fiel da igreja como personagem central da história.

O núcleo da Igreja da Felicidade Universal e Bem Estar Geral (Ifubeg) é recheado de tiradas ácidas. Em determinado momento, os políticos se queixam de como é difícil enrolar o alto funcionário da igreja vivido por Marcos Pasquim. “Quando se trata de aldrabice (trapaças), a religião leva milhões de anos de avanço”, diz o mafioso, resignado.

“País Irmão” pode ser assistida gratuitamente no site da RTP (www.rtp.pt).

40 anos de sucesso

Embora hoje não tenham o mesmo alcance do passado, as novelas brasileiras ainda fazem muito sucesso em Portugal. “Gabriela, Cravo e Canela”, exibida em 1977, inaugurou a obsessão local com as tramas brasileiras.

Segundo a Globo Portugal, mais de 200 folhetins da emissora já foram exibidos. Muitos em horário nobre.

O sucesso incentivou o país de Camões a criar as próprias tramas, que hoje já exportam atores para o Brasil.

“A telenovela é, e com muito mérito, a única indústria audiovisual que Portugal tem. Mas há pouco espaço e pouco dinheiro para apostar em coisas diferentes. E mesmo quando se aposta, é um combate duro. Porque chegam a estar 3 milhões de pessoas a ver novelas no horário nobre”, diz Hugo Gonçalvez.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Rodrigo Maia doa dinheiro público brasileiro a igreja em Belém (Israel)


Manja aquele ditado popular "fazer moral com o chapéu alheio"?

Pois é... a informação é do MSN Notícias:

Maia doa R$ 792 mil de cofres públicos para restaurar templo cristão

No comando interino do Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), doou R$ 792 mil dos cofres públicos para a restauração da Basílica da Natividade, em Belém, na Cisjordânia.

Os recursos foram autorizados por meio de medida provisória, publicada nesta sexta-feira (26), e serão repassados ao governo palestino por meio de dotação orçamentária do Ministério das Relações Exteriores.

O aporte ocorre três meses depois de Maia ter viajado com uma comitiva parlamentar para a cidade de Belém e feito uma visita ao templo religioso.

Na época, foi solicitada à comitiva brasileira a doação de recursos para a finalização da obra de restauração. Em Jerusalém, ficaram hospedados no hotel de luxo David Citadel, cuja diária é de cerca de R$ 1.400 por quarto.

A viagem feita no final de outubro foi duramente criticada por acontecer em um momento crítico da política brasileira e pelo fato de ter sido custeada pelos cofres públicos.

A Basílica da Natividade é um dos templos cristãos mais antigos do mundo e, segundo a lenda, foi construída sobre o local onde Jesus Cristo teria nascido. Com informações da Folhapress.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Brasileiro que causou crise diplomática com Venezuela diz ser "médium"


Parece que os manuais psiquiátricos e a C.I.D. terão que abrir, em breve, espaço para as novas manias geradas pela compulsão-obsessão político-ideológica, como se não já tivéssemos lunáticos suficientes, tristemente...

A matéria é do IG Último Segundo:

Brasileiro que foi preso na Venezuela já teve internação em clínica psiquiátrica

Em entrevista ao Estadão, Jonatan Diniz reafirma que foi à Venezuela com a intenção de ser preso para divulgar sua ONG e os problemas no país

Jonatan Diniz, o brasileiro de 31 anos que ficou 11 dias preso na Venezuela e foi expulso do país no último sábado (6), disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que viajou ao país já prevendo que seria preso. Sua intenção, afirmou, era promover sua ONG, que conforme Diniz ajuda crianças em situação de rua.

Em sua entrevista ao Estadão, o brasileiro também disse já ter sido internado em clínicas psiquiátricas por ser médium. “Tenho uma mediunidade, recebo mensagens. A prisão de 11 dias na Venezuela não é nada comparado às minhas internações”, relatou.

“Eu sabia que ia ser preso. Eu estava em um país com enorme repressão. Eu critiquei o governo e eles sabiam quem eu era. Só um burro ia achar que eu não seria preso. Eu estava tentando ajudar”, contou ao jornal.

Antes, em suas redes sociais, Jonatan havia dito que decidiu ir para o país para doar parte do dinheiro que tinha e para iniciar o projeto “Time To Change The Earth” junto com amigos ao redor do mundo. “Nada mais era que doar roupas, comidas, brinquedos e o que necessitasse para quem realmente precisasse”, escreveu.

Para o governo venezuelano, entretanto, a entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos internacionais”, que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra o governo.

Jonatan diz que o que mais o impressionou em sua estada no país foi a participação de crianças nos protestos contra o governo de Nicolás Maduro. “Sim, odiei muito Maduro nesse tempo por todas as bombas lacrimogêneas que tive que respirar e sim, vi muita barbaridade tanto de um lado quanto do outro. Quando eu não chorava pela notícia de mais um jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov no meio da avenida para se prepararem para os confrontos”.

O Movimento Brasil Livre (MBL), que pediu nas redes sociais a liberdade de Jonatan, quando soube que ele havia premeditado a prisão na Venezuela disse estar arrependido pelo apoio. Questionado pelo Estadão sobre o que achou disso, Jonatan disse que sequer havia ouvido falar do movimento.



sábado, 23 de dezembro de 2017

Quem são as mulheres católicas e evangélicas que lutam pelo direito ao aborto?


Matéria extensa publicada na BBC Brasil:

Os argumentos das católicas brasileiras que há 25 anos defendem o aborto

Camilla Veras Mota

O Papa Francisco não chega a comover. Elas não vão à missa aos domingos, defendem o Estado laico, a contracepção, o casamento gay e, há quase 25 anos, o aborto.

O mais antigo movimento no Brasil de católicas que pregam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres nasceu entre um grupo de jovens que se inquietavam com questões que não ecoavam na Igreja, ainda no início dos anos 90.

"Nós falávamos dos pobres, mas não olhávamos para as mulheres", diz Regina Soares Jurkewicz, coordenadora do Católicas pelo Direito de Decidir (CDD), referindo-se à Teologia da Libertação, corrente progressista que norteava a atuação das pastorais sociais das quais ela, a professora da PUC-SP Maria José Rosado-Nunes e a teóloga Luiza Tomita, também fundadoras, faziam parte nos anos 80.

Em 1993, elas conheceram a médica uruguaia Cristina Grela - hoje parte da equipe do Ministério da Saúde do Uruguai, único país da América do Sul onde o aborto foi totalmente legalizado, em 2012, até a 12ª semana de gestação - em alguns casos, esse limite é maior.

Naquela época a ativista era integrante do grupo americano Catholics For Choice - que completa 45 anos em 2018 - e fazia um périplo pelo continente na tentativa de organizar um movimento semelhante na região. Além do Brasil, há "Católicas por el Derecho a Decidir" em outros dez países latinoamericanos.

Depois de um evento na Igreja do Carmo, em São Paulo, o movimento foi lançado no dia 8 de março daquele ano. Está presente hoje em 14 Estados e atua em duas frentes - a educativa, com a produção de material didático para o ensino da religião e a realização de seminários para formação de multiplicadoras, e política, organizando debates, marchas e idas a Brasília.

Em uma de suas campanhas mais recentes, o CDD foi às ruas em novembro para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 181, que pode criminalizar o aborto mesmo nos casos em que ele hoje é permitido, como em gestações resultantes de estupro.

Entre seus membros, leigos e religiosos, está a freira feminista Ivone Gebara, punida pelo Vaticano em 1995 por defender publicamente em uma entrevista a descriminalização e a legalização do aborto.

Na época à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger - que anos depois se tornaria o papa Bento 16 - determinou que ela voltasse à Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, onde obteve seu doutorado, para passar dois anos reclusa, em "reeducação teológica".

Por não estar ligado à estrutura da Igreja, contudo, o movimento em si está fora dos limites de repreensão da hierarquia católica. As perseguições também não são frequentes, diz Jurkewicz.

O que há são questões pontuais como a de Gebara e a que ela mesmo enfrentou quando publicou seu doutorado. Logo após a apresentação do trabalho, que reunia 21 casos de abuso sexual de mulheres por padres, a assistente social foi demitida da universidade em que lecionava, ligada à diocese de Santo André.

O antagonismo mais organizado vem de setores conservadores da religião, de instituições como Arautos do Evangelho e Opus Dei.

As "ameaças", dizem, chegam geralmente por email ou pelas redes sociais. "São mensagens dizendo que a gente vai para o inferno, essas coisas. Nada grave."

O aborto sempre foi considerado pecado?

Para defender o aborto dentro da lógica religiosa, as ativistas argumentam que o início da vida sempre foi um ponto de divergência dentro da fé católica.

Nos primeiros séculos do cristianismo, exemplifica Jurkewicz, houve Santo Agostinho, que condenava o controle de natalidade e o aborto por romperem a conexão entre ato conjugal e procriação, mas que afirmava que ele não era um ato de homicídio.

Seus escritos a respeito do Êxodo diziam, sobre o feto, que "não existe alma viva em um corpo que carece de sensações". Ele nunca chegou a uma conclusão sobre o momento em que a vida começava.

Já o teólogo Tertuliano defendia em 160 que a concepção era o início de tudo e, por isso, condenava a prática.

"Não é um dogma de fé, é uma questão disciplinar", diz ela, acrescentando que nos cadernos penitenciais da Igreja na Idade Média o aborto era colocado entre outros pecados sexuais.

Os Cânones Irlandeses de 675, por exemplo, previam 14 anos a pão e água para aquele que tivesse relação sexual com a vizinha e três anos e meio para quem destruísse um embrião no ventre.

O tema passou a ser oficialmente condenado pela Igreja apenas em 1869, a partir de um boletim do papa Pio 9.

A posição da Igreja hoje e o papa Francisco

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua nota "Pela vida, contra o aborto", de abril deste ano, afirma que "a tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana".

O texto defende a "integralidade, inviolabilidade e a dignidade da vida humana desde a sua concepção até a morte natural" e condena "todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil".

"A posição sempre foi a mesma: defender e cuidar da vida humana desde a sua concepção. A vida humana é preciosa demais para ser eliminada ou descartada", diz o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, em nota enviada à BBC Brasil.

O papa Francisco manteve o entendimento que herdou dos antecessores, apesar de ter autorizado, em novembro do ano passado, que padres pudessem perdoar o aborto - prerrogativa que antes era restrita a bispos ou confidentes especiais da Igreja.

"A ideia (por trás da iniciativa do Papa Francisco) é mais de compaixão, de perdão. A Igreja não trabalha com direitos (para as mulheres)", diferencia Jurkewicz.

As ativistas do CDD são críticas em relação ao papel do feminino na Igreja Católica, que limitaria "os espaços de poder e saber" aos homens.

"A posição oficial guarda a tradição da mulher como mãe, está carregada de atributos de gênero. Mesmo as freiras são vistas como 'mães espirituais'", ressalta.

São Tomás de Aquino

O princípio do "recurso à consciência" é outro argumento usado pelas ativistas para defender suas bandeiras e o primeiro destacado pelo movimento do qual se originou o CDD, o americano Catholics for Choice (CFC).

A ideia é que cada católico tome decisões guiadas pelo pensamento individual, ponderando o efeito de suas ações sobre si e sobre o próximo, e que respeite o arbítrio do outro.

"São Tomás de Aquino afirmava que nossa consciência não é um atributo das instituições", diz Amanda Ussak, diretora do programa internacional do CFC.

A organização surgiu nos Estados Unidos em 1973, ano em o aborto foi legalizado no país após decisão da Suprema Corte no emblemático caso Roe v. Wade.

Prevendo uma onda de reações contrárias de instituições religiosas, um grupo de católicas decidiu se reunir e se contrapor às pressões por recuos. Uma década depois, o movimento deu início à sua expansão internacional.

A iniciativa, afirma Ussak, veio da percepção de que criminalização do aborto prejudicava especialmente as mulheres pobres, grupo que ainda hoje registra o maior número de mortes por complicações em procedimentos feitos em clínicas clandestinas.

Hoje a organização atua também na Europa e na África, dando treinamento às organizações para comunicar as campanhas e apoio às iniciativas para mudar as leis locais.

Um exemplo recente de atuação nesse sentido aconteceu no Chile, onde o Congresso aprovou, em agosto, a descriminalização em caso de risco de vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro. Até então, qualquer tipo de aborto era proibido.

Na Argentina, o Católicas por el Derecho a Decidir (CDD) participou das discussões que culminaram, em 2006, na Lei de Educação Sexual Integral - semelhante à educação de gênero hoje debatida no Brasil -, na Lei para Prevenir e Erradicar a Violência contra a Mulher, de 2009, e a Lei de Identidade de Gênero, de 2012, que permitiu que travestis e transexuais escolhessem o sexo no registro civil.

"Nos falta ainda a legalização do aborto", afirma Victoria Tesoriero, uma das coordenadoras do movimento argentino.



As evangélicas

Hoje há iniciativas semelhantes às ONGs católicas entre mulheres pentecostais e neopentecostais. O Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), por exemplo, nasceu em 2015 voltado especialmente para a questão da violência contra a mulher.

"Eu nasci nas Assembleias de Deus, no movimento pentecostal, e durante muito tempo testemunhei todo tipo de violência, institucional, simbólica, assédio", conta Valéria Vilhena, uma das fundadoras da rede, que hoje soma 3 mil mulheres.

Em sua tese de mestrado, feita na Universidade Metodista, onde dá aulas hoje, ela mergulhou no cotidiano de uma casa de acolhimento para vítimas de violência doméstica em São Paulo e verificou que 40% das atendidas eram evangélicas.

O aborto, para ela, entra na problemática da negação de direitos às mulheres e da violência. A posição pública a favor, contudo, veio apenas neste ano, em reação à PEC 181.

"Não estamos trabalhando a questão da legalização a partir da Bíblia porque nós queremos desvinculá-la da questão religiosa. É uma questão de saúde pública", destaca. "A questão é essa: mulheres morrem", emenda.



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Lei obriga escolas de Rondônia a hastearem a bandeira imperial


E o ex-país chamado Brasil segue a passos largos em sua marcha-à-ré em direção ao passado escravocrata e colonizado, com destino final na mais completa insignificância e irrelevância no contexto mundial. 

A evidência neste sentido vem, hoje, do Estado de Rondônia, onde há vasta população evangélica, devidamente representada no parlamento local.

A notícia foi publicada pela Gazeta do Povo de Curitiba:

Lei estadual obriga escolas a hastear bandeira do Brasil Imperial

Projeto aprovado em Rondônia também obriga a execução diária dos hinos Nacional, da Independência e do estado. No varejo, custo das bandeiras do Império passa de R$ 60 mil

As mais de 400 escolas do ensino fundamental e médio de Rondônia terão de hastear diariamente a bandeira do Brasil Império. Uma lei estadual aprovada neste mês obriga todas as escolas a realizar, nos dias letivos, cerimônia de hasteamento e arriamento das bandeiras do Brasil, do Brasil Imperial e a bandeira do estado, junto com a execução dos os hinos nacional, da Independência e estadual.

O autor do projeto, deputado Lebrão (PMDB), afirma que a iniciativa tem o objetivo de criar o civismo entre os jovens. A justificativa para obrigar a inclusão da bandeira imperial no rol de pavilhões nas escolas é a comemoração do bicentenário da independência do Brasil, em 2022.

“Considerando há (sic) falta de civismo por essa geração, que muitas vezes desconhece a própria letra do Hino Nacional. Somado o alto grau de violência que nossa sociedade passa, valores éticos e morais se perderam com o decorrer das décadas. Por todo exposto, e por ser um clamor quase unânime das famílias de bem de nosso querido estado, que na ânsia de voltar aos bons tempos do respeito e dos símbolos nacionais, como forma de demonstrar orgulho e respeito a nossa pátria é que apresentamos importante projeto a ser deliberado”, escreveu o deputado na justificativa.

Os movimentos monarquistas articularam a inclusão dos símbolos do Império em lei que já prevê a cerimônia cívica nas escolas. O líder da Organização Império Brasil (OIB) em Rondônia, Uílian Martins, conta que os deputados que apoiaram o projeto – 20 dos 24 parlamentares, em votação em dois turnos – se sensibilizaram pela importância de os jovens conhecerem os hinos e símbolos cívicos.

“O bicentenário da independência ocorre em cinco anos. No princípio o deputado ficou receoso, mas depois apoiou”, disse Martins.

A expectativa é que o projeto seja publicado oficialmente no começo do ano que vem, pois agora a assembleia estadual entra em recesso. A lei foi aprovada em plenário em 5 de setembro, mas voltou com veto do governador no dia 28 de novembro. Na última terça-feira (12), o veto foi derrubado pelos deputados.

Dinheiro do Fundeb para comprar bandeiras do Império

A cerimônia cívica e o hasteamento das bandeiras – inclusive a imperial – deve começar em março de 2018, projeta o monarquista. Será necessário fazer licitação para a compra das mais de 400 bandeiras imperiais, além de unidades da bandeira brasileira e do estado para as escolas que informarem que estão sem o material.

Os custos para a compra das bandeiras não está previsto no Orçamento do estado, mas defensores da medida avaliam que até mesmo os recursos do Fundo Nacional da Educação (Fundeb) poderão ser utilizados com esse fim.

Em lojas especializadas em bandeiras na internet, a bandeira imperial com 1,35 m x 1,93 m é vendida por R$ 155 a unidade. Em preço de varejo, seriam R$ 62 mil para a aquisição das 400 bandeiras.

“A lei ajudará a contar a história da maneira certa. Os livros contam a história de maneira errada. Se fala da Monarquia, mas se omite muita coisa”, afirmou Peterson Freitas Inácio, um dos líderes do movimento monarquista em Rondônia.

Deputados derrubaram veto do governador

Os deputados estaduais tiveram de derrubar veto do governador Confúcio Moura (PMDB) ao projeto. Em sessão da Assembleia Legislativa no dia 12 de dezembro, os deputados estaduais garantiram a manutenção da lei, que agora será promulgada pelo presidente da casa. Na sessão, os deputados defenderam a aplicação da medida.

“Esse projeto é muito importante. O respeito às nossas tradições, à pátria. Estamos pedindo ajuda de todos os parlamentares para derrubar o veto”, afirmou o deputado Alex Redano (PRB).

“Isso é a volta da educação moral e cívica nas escolas. Se pegarmos nossos alunos do ensino médio, eles não sabem cantar o hino nacional. Eles não conhecem nem a bandeira do Brasil, infelizmente. Nós perdemos os nossos valores”, afirmou o autor no projeto e primeiro-secretário da Assembleia, deputado Lebrão.



sábado, 4 de novembro de 2017

Papa canonizou 30 brasileiros mortos pelos holandeses em 1645


Olá, amigos leitores!

Como vocês perceberam, passamos o mês de outubro relembrando alguns textos de Lutero, dentre as milhares (talvez milhões) de páginas de sua vasta obra, pra que pudéssemos ver  e ler um panorama multifacetado do seu pensamento, dentro do que foi possível organizá-lo e selecioná-lo.

Retornamos agora, então, com nossa "programação normal", relembrando um fato que aconteceu alguns dias atrás e que representou, de certa forma, um contraponto católico à celebração do quinto centenário da Reforma Protestante, o que demonstra, ainda que de maneira capciosa, que manobras religiosas são também políticas e ideológicas, é só uma questão de aproveitar a ocasião, manja?

Trata-se da canonização de trinta "santos" brasileiros, martirizados pelos holandeses calvinistas que invadiram a então colônia portuguesa do Brasil no século XVII.

A matéria foi publicada na BBC Brasil em 14 de outubro de 2017:

O massacre holandês há 372 anos que levou o papa Francisco a decretar a santidade de 30 brasileiros

Renata Moura

Uma missa de domingo em uma capela, ameaças em campo aberto às margens de um rio e 150 pessoas brutalmente assassinadas. Dois massacres registrados no Rio Grande do Norte e apontados como símbolos da intolerância religiosa de holandeses que dominavam o Nordeste brasileiro em 1645 renderam ao país, 372 anos depois, 30 novos santos - "os primeiros santos mártires do Brasil".

Os chamados "mártires de Cunhaú e Uruaçú" - nomes de duas localidades da época que hoje correspondem aos muncípios potiguares de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante - foram beatificados no ano 2000 pelo Papa João Paulo II e canonizados neste domingo pelo Papa Francisco.

"Pela exaltação da fé católica e incremento da fé cristã, declaramos e definimos santos os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e seus 27 companheiros leigos", disse o papa.

Na mesma cerimônia, ele canonizou Cristobal, Antonio e Juan, mortos em 1527 e 1529, e considerados os Protomártires do México e de todo o continente americano; o sacerdote espanhol Faustino Míguez, fundador do Instituto Calasanzio, Filhas da Divina da Divina Pastora, e o Frade Menor Capuchinho italiano Angelo d'Acri.

Os 30 novos santos do Brasil são os únicos mortos identificados em dois massacres que deixaram um saldo de aproximadamente 150 vítimas. Por esse motivo, somente eles foram reconhecidos na cerimônia.

O caso é considerado emblemático, entre outros motivos, porque os massacrados teriam "dado a vida, derramado o sangue, na vivência de sua fé", segundo a Igreja.

Em Cunhaú, 70 teriam sido assassinados em 16 de julho de 1645. O episódio é apontado como retaliação holandesa aos que seguiam a fé católica e se recusavam a migrar para o movimento religioso protestante que difundiam, o calvinismo.

O livro "Beato Mateus Moreira e seus companheiros mártires", escrito pelo Monsenhor Francisco de Assis Pereira a partir de pesquisas históricas e dados que embasaram a beatificação, afirma que os holandeses contaram com a ajuda de indígenas para invadir uma capela da região, fechar as portas e matar quem estivesse dentro, em uma manhã de domingo.

Quase três meses depois desse episódio, em 3 de outubro, outras 80 pessoas também viraram alvos em outro cenário: às margens do rio Uruaçú, foram despidas e assassinadas por não terem se convertido ao protestantismo.

Nem crianças foram poupadas do ataque. Uma delas, com dois meses de vida, foi uma das vítimas, junto com uma irmã e o pai.

Também parte desse segundo grupo, o camponês Mateus Moreira acabou virando símbolo do martírio porque, no momento de sua morte, teria bradado: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". A louvação seria uma prova incontestável de sua fé, na visão católica. Ele foi morto ao ter o coração arrancado pelas costas.

A presença da igreja católica no Nordeste já era considerada "marcante" nessa época, como descreve o Monsenhor Pereira, postulador da causa da beatificação dos mártires, no livro. "Havia padres seculares (padres pertencentes a dioceses), numerosos conventos de franciscanos, carmelitas, jesuítas e beneditinos. Eram mais de 40 mil católicos", escreve ele.

Os holandeses aportaram na região em 1630. Eles chegaram nesse período a Pernambuco e assumiram o comando político e militar da área - estendendo o domínio posteriormente a outras capitanias, inclusive à do Rio Grande, como era chamado o Rio Grande do Norte.

Os colonizadores teriam perseguido e assassinado adeptos da religião católica que não aceitaram virar calvinistas. Na mesma época em que, por meio da Inquisição, a Igreja Católica ainda perseguia, julgava e punia acusados de heresia.

Adultos, jovens e crianças: quem são os mártires canonizados

A lista de novos santos inclui um total de 25 homens, entre eles dois padres, e cinco mulheres. Eram 16 adultos, 12 jovens e duas crianças - a mais nova, o bebê de dois meses de idade.

"A identificação dos canonizados não se dá tanto pelos nomes, mas também por identificação de parentesco e de amizade (das vítimas)", ressalta o padre Julio Cesar Souza Cavalcanti, responsável por encaminhar a canonização dos mártires na Arquidiocese de Natal.

A missa solene em que o papa Francisco proclamou a canonização, na Basílica de São Pedro, em Roma, aconteceu às 10h deste domingo, no horário local (5h no Brasil), com a praça completamente lotada.

A professora aposentada Sônia Nogueira, de 60 anos, ficou em Natal, a mais de sete mil quilômetros de distância da cerimônia, mas em vigília e "com o coração cheio de gratidão pelos mártires".

Ela diz que, por intermédio deles, pediu "a graça da cura e da libertação" para o marido, José Robério, que em 2002 começou a enfrentar as consequências de um câncer no cérebro.

Fortes dores de cabeça levaram o militar aposentado, hoje com 68 anos, ao diagnóstico.

O caminho trilhado a partir desse ponto foi marcado por "apreensão", mas também pelo que Sônia resume com letras maiúsculas em um texto: "MILAGRE DA SOBREVIDA!"

A frase foi escrita por ela em um relatório que enviou à Igreja Católica no Rio Grande do Norte, em 2016, para contar a história do marido em meio a exames, tratamentos de saúde, cirurgias e momentos de "fé".

Rezar foi a estratégia fundamental, segundo Nogueira, para que Robério resistisse à doença, que raramente possibilita sobrevida de mais de três anos aos pacientes após diagnóstico. No laudo médico que a professora apresentou para embasar cientificamente o que considera um milagre, o neurocirurgião que acompanhou o caso de Robério o coloca no rol de "exceções da medicina", porque ele sobreviveu.

"Já se vão 15 anos e 5 meses desde que soubemos do tumor", diz Sônia, em entrevista à BBC Brasil. Ela não tem dúvidas: "Foi um milagre. A medicina foi só um complemento".

Comprovação de milagres não foi exigida no processo

Robério e sua mulher estão entre os mais de cinco mil fiéis que já relataram à Arquidiocese de Natal "graças alcançadas" por meio dos "novos santos" do Brasil. Não foram necessários, porém, milagres para fundamentar a canonização.

"O papa Francisco, quando decidiu pela canonização com a dispensa do milagre, colocou como um ponto básico (para a aprovação) a antiguidade do martírio e a perpetuidade da devoção do povo aos mártires", explica o padre Julio.

Por meio do chamado processo de equipolência, o papa reconhece a santidade considerando três requisitos: a prova da constância e da antiguidade do culto aos candidatos a santos, o atestado histórico incontestável de sua fé católica e virtudes e a amplitude de sua devoção.

O mesmo processo, em que milagres foram dispensados, foi adotado para a canonização de São José de Anchieta, outro santo do Brasil.

Para Nogueira e Robério, no Rio Grande do Norte, o milagre que os mártires teriam realizado é, porém, inquestionável. "Robério foi bem aventurado no processo, por intercessão deles", justifica a aposentada. "Como um paciente pode chegar a (sobreviver) 15 anos tomando uma medicação que segura outros por no máximo três?".

Com dificuldades para falar e andar sem apoio, após a segunda e última cirurgia que fez, o marido faz coro: "Estava muito doente e os mártires me levantaram".

"Quem não vai ficar bom tendo um santo dentro de casa?", ele questiona, referindo- se ao fato de os novos santos terem origem no estado em que mora.

A canonização deste domingo eleva para 36 a quantidade de santos considerados nacionais. Até agora, só um deles, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão - santificado em 11 de maio de 2007 - é, porém, brasileiro de nascimento. Os outros cinco já oficializados, São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues, São João de Castilho, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus e São José de Anchieta, são estrangeiros, mas desenvolveram missões no país. Eles são reconhecidos por milagres.

Para o padre Júlio, "a grande mensagem com a canonização é de reconhecer que mesmo pensando diferente, seja em qualquer campo, devemos sempre respeitar o outro e jamais destruir alguém, de nenhum modo".



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Justiça gaúcha anula doação de terreno municipal para construção de mesquita


Sorte dos católicos que até em Brasília (DF), Oscar Niemeyer já havia até desenhado a Catedral, né...

Imagine nas cidadezinhas desses sertões então...

Quem mandou os muçulmanos chegarem somente agora?

A informação é do Consultor Jurídico:

Justiça anula doação de terreno por prefeitura para construção de mesquita

Prefeituras não podem doar terrenos para construções religiosas sem avaliar o interesse público, pedir a autorização dos vereadores e/ou promover licitação, na modalidade de concorrência, como regula o artigo 17, inciso I, da Lei 8.666/1996 — que institui normas para licitações e contratos da administração pública. Ou seja, toda doação de patrimônio municipal tem de se subordinar ao interesse público, que deve ser devidamente justificado pelo administrador público.

A ausência desta justificativa levou a 2ª Vara Cível da Comarca de Bagé (RS) a declarar nulo o ato administrativo que doou um terreno de 7,7 mil metros quadrados, no valor R$ 580 mil, para construção de uma mesquita do Centro Islâmico. Na mesma sentença, também foi declarada nula a Lei Municipal que embasou a doação (5.082/2012), por entrar em contradição com a Lei Orgânica de Bagé, com as leis vigentes e com os princípios da administração pública.

Atração turística

Na ação civil pública, o Ministério Público gaúcho afirmou que o município não poderia ter feito a doação, que é mais onerosa, mas somente da concessão de direito real de uso, instituto previsto no Direito Administrativo, conforme o artigo 102 da Lei Orgânica. Com isso, a municipalidade atenderia princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse particular. Observou que a administração pública se guia pelos princípios constitucionais previstos no artigo 37 da Constituição Federal. Assim, o gestor público deve acatar a legalidade, sem incorrer em ‘‘favorecimentos intoleráveis’’.

Convocado a se manifestar na Justiça, o Centro Islâmico de Bagé informou que as áreas construídas naquele local beneficiarão toda a comunidade bageense. Além disso, ressaltou que as demais entidades religiosas concordaram com a doação. A municipalidade, por sua vez, disse que a mesquita será ponto de atração turística. Assegurou que a doação se encontra em conformidade com o ordenamento jurídico vigente, visto que é possível realizar a doação de bem público sem licitação.

Interesse público

A juíza Marina Wachter Gonçalves explicou que a doação é regulada pelo artigo 17 da Lei 8.666/1996 e deve observar o que dispõe o artigo 101, inciso I, combinado com o artigo 102, caput e parágrafo único, da Lei Orgânica Municipal de Bagé (ver link abaixo). É preciso levar em conta, também, o que diz o artigo 13, inciso IV, da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul: ‘‘É competência do Município, além da prevista na Constituição Federal e ressalvada a do Estado, (...) dispor sobre autorização, permissão e concessão de uso dos bens públicos municipais’’.

Dessa forma, escreveu na sentença, o gestor municipal teria de se valer da concorrência pública e pedir autorização dos vereadores. Só poderia dispensar a concorrência se o uso do imóvel fosse destinado a entidades assistenciais ou quando houvesse relevante interesse público devidamente justificado — o que não foi observado pelo Município de Bagé.

‘‘Isso porque, não houve justificativa plausível para a dispensa da licitação, pois o uso do imóvel não está sendo destinado à entidade assistencial, haja vista que o Centro Islâmico é uma entidade religiosa, bem como pelo fato de que não restou demonstrado nos autos a existência de relevante interesse público devidamente justificado, uma vez que os documentos juntados no Inquérito Civil 00718.00063/2015, os quais deveriam conter expressamente o interesse público justificado, nada demonstram, objetivando, apenas, a autorização da doação’’, encerrou a juíza. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

Clique aqui para ler a sentença.
Clique aqui para conhecer a Lei Orgânica de Bagé (RS).



sábado, 12 de agosto de 2017

A religiosidade brasileira e sua "fé de conveniência"

Interessante análise do jornalista britânico Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil (e talvez o mais brasileiro dos ingleses), sobre a religiosidade nacional (de lá e - principalmente - de cá), não por acaso publicada na BBC Brasil, como era de se imaginar:

Tim Vickery: A religiosidade brasileira muitas vezes é fé de conveniência

Estou sozinho agora na casa da minha mãe, nos arredores de Londres, porque ela foi à igreja - ela faz parte de uma minoria da sociedade britânica, de talvez 5%, que ainda tem o hábito de ir ao culto.

E essa fatia minúscula não é de fanáticos. Uma vez, numa visita anterior, eu (que não tenho nenhum sentimento religioso) comentei que não consigo ver a ligação entre a morte de Jesus Cristo e nossos pecados.

"Estranho", respondeu a minha mãe. "O meu pastor falou exatamente a mesma coisa na semana passada."

Trata-se de uma doutrina fundamental de qualquer religião cristã, mas até um empregado da Igreja Anglicana não acredita nele. A igreja dele tem pouco a ver com religião, mais a ver com uma missão vaga de ser "um bom sujeito".

Tudo isso, claro, nada mais é do que uma consequência do recuo da fé cega a partir do Iluminismo, no século 16, e a descoberta de que a Terra gira ao redor do Sol. Por que acreditar naqueles que afirmavam o contrário?

Uma pesquisa recente aponta que somente 28% da população britânica acredita em Deus ou em qualquer poder espiritual, ante 38% totalmente sem tal fé. Me lembra bem a minha época na escola, quando uma sessão de zombaria da professora sempre começava com a pergunta "Senhora, você acredita em Deus?"

Como a situação é diferente nas Américas! Nos Estados Unidos, por volta de 60% da população vai para a igreja. E, no Brasil, não acreditar em Deus é inconcebível para muitos.

As minhas enteadas ficavam tão fascinadas com o assunto que cada vez que alguém me visitava da Inglaterra isso sempre era a primeira pergunta que tinha que traduzir.

Uma vez a resposta a respeito de religiosidade foi "Não, não tenho nenhuma tolerância para superstições medievais", frase que foi um desafio e tanto para suas mentes então pré-adolescentes.

Mas - e estou ciente de estar entrando em uma generalização vasta e vulgar - se a crença na existência de Deus é quase total no Brasil, a fé, em muitos casos, parece bastante rasa.

Quando vejo políticos corruptos dando benção para dinheiro ilegal, ou jogadores de futebol louvando depois de cavar um pênalti, fico com a sensação de que a religiosidade brasileira, com frequência, trata-se de uma fé de conveniência.

É menos um código que determina como viver a vida e mais um recurso que se pega ou se larga conforme as circunstâncias.

Pode ser que seja uma extensão da tara brasileira por parentesco fictício. A figura do pai ausente é muito importante numa terra de padrinhos, onde o personagem político de mais destaque na formação do país, Getúlio Vargas, cultivava um tipo de fascismo benigno do tio universal.

É bastante factível que vários brasileiros imaginem Deus como uma espécie de Vargas celestial, bonzinho e indulgente.

Vargas também desempenhou um papel importante no desenvolvimento da religião no Brasil, e não me refiro à aproximação com a Igreja Católica que leva à estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Muito mais importante é a urbanização do país que ele promoveu.

O interessante aqui é que, no exemplo inglês, o crescimento das cidades foi um fator significativo no declínio da religião.

No caso da minha mãe, por exemplo, ela é uma mulher do interior que cresceu com o hábito de ir à igreja e nunca o perdeu. Mas não é de hoje que as igrejas nas cidades vivem vazias - na verdade, nunca encheram. A mudança para uma vida urbana acabou cortando a prática de ir à igreja.

No Brasil, entretanto, o que mais se vê na periferia das cidades são igrejas - só que nesse caso a Igreja Católica tradicional perdeu, mas as evangélicas novas ganharam espaço.

E seu público, em grande parte, são os migrantes internos, que trocaram a vida do campo pelas oportunidades da cidade grande - e também as suas complexidades, problemas a ameaças.

Nesse ambiente novo, complexo e confuso, as igrejas evangélicas não somente oferecem o conforto espiritual da fé, mas também uma rede de apoio social.

Nesse cenário, não é somente a ausência da figura paternal que impulsionou o crescimento da religião, mas também a ausência do Estado.

*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick.



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Adeus, Luiz Melodia!


O cantor e compositor Luiz Melodia, pérola rara da música popular brasileira, faleceu esta madrugada no Rio de Janeiro (RJ), em decorrência de um câncer na medula óssea que, lamentavelmente, se revelou devastador.

O nosso ex-país perde, portanto, uma de suas grandes referências musicais.

Luiz Melodia tinha 66 anos de idade, nos deixa muito cedo mas como uma vastíssima obra da melhor qualidade.

Em sua homenagem, ouçamos então, os superclássicos "Estácio, Holly Estácio" e "Pérola Negra":






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