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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Morre 16º presidente mundial dos mórmons aos 90 anos de idade

Thomas S. Monson, 1927-2018 


Faleceu na noite passada, na cidade de Salt Lake City, capital do Estado de Utah nos EUA e sede mundial da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (também conhecidos como SUD ou mórmons), o presidente da instituição, Thomas S. Monson.

Depois de longa enfermidade, o passamento do Sr. Monson ocorreu na sua residência, cercado por sua família, às 22:01 h locais do dia 2 de janeiro de 2018, 3:01 h do dia 3 de janeiro de 2018 pelo horário de Brasília,

Nascido em 1927, o presidente Monson faleceu a um mês de completar 10 anos no cargo que assumiu em 3 de fevereiro de 2008 (sucedendo Gordon B. Hinckley), e o novo líder mórmon será escolhido pelo chamado Quórum dos Doze Apóstolos da igreja logo após o seu funeral.

Thomas Monson esteve no Brasil para dedicar o templo mórmon de Curitiba (PR) em 1º de junho de 2008.

Aos mórmons, nossos sentimentos.

As informações aqui repassadas foram publicadas no portal da sala de imprensa mórmon no Brasil.



sábado, 30 de setembro de 2017

Mórmons abrem ao público seus acervos genealógicos


A matéria foi publicada no Estadão em 25/09/17:

Mórmons ajudam a descobrir raízes

Grupo libera acesso a arquivos de cartórios e igrejas para quem pesquisa sobre antepassados

Edison Veiga

SÃO PAULO - Vocês querem catalogar a humanidade inteira, é isso? A pergunta deste repórter não tirou o foco de Mario Silva, gerente de relacionamento do FamilySearch no Brasil. “Olha, sabemos que é algo impossível. Mas nossa pretensão é fazer o máximo possível nessa direção”, respondeu ele, ciente de que dados de sua instituição guardam 3,5 bilhões de cópias de documentos, microfilmados, em um imenso arquivo-cofre de mais de 6 mil metros quadrados localizado na Granite Mountain, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

Estamos falando do maior acervo de registros genealógicos do mundo, trabalho iniciado em 1894 pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons. Para esses religiosos, pesquisar a genealogia é mais do que uma curiosidade. “De acordo com nossa doutrina, os laços familiares são eternos”, explica Silva. “Assim, somos incentivados a conhecer os antepassados.”

Aos poucos, em esforço que hoje mobiliza 10 mil arquivos e mais de 200 mil voluntários em todo o mundo, o FamilySearch foi montando seu impressionante acervo. No sistema, hoje digitalizado, estão livros de cartórios e de cemitérios, fichas de imigrantes, certidões emitidas por igrejas católicas e diversos outros tipos de documentos que ajudam a reconstituir árvores genealógicas.

Essas informações sempre estiveram ao alcance de todos, religiosos ou não religiosos, nos Centros de História da Família que funcionam anexos aos templos dos mórmons. De graça. “Entendemos que seria egoísmo restringir essas informações apenas aos membros da igreja”, afirma Silva. Desde 1999, entretanto, com o lançamento do site www.familysearch.org, o acesso a tais materiais pode ser feito de qualquer lugar – com algumas restrições, já que por razões de segurança alguns documentos ainda só podem ser visualizados dos centros físicos.

Atualmente, o site recebe 10 milhões de visitantes por dia. Já são 9 milhões os usuários cadastrados. No sistema, há um banco de 6 bilhões de nomes com pelo menos um documento cada. “Todo indivíduo tem o desejo, ainda que latente, que descobrir de onde vem”, acredita o gerente.

Dos 305 Centros de História da Família do Brasil, um terço está no Estado de São Paulo. A reportagem esteve no maior deles, que fica na sede da instituição no bairro paulistano do Caxingui. Voluntários e funcionários da igreja auxiliam nas pesquisas em computadores e incentivam as pessoas a mergulharem fundo nas suas genealogias. Por mês, o endereço recebe cerca de 300 pesquisadores. “A maior parte é da igreja mesmo. Mas ultimamente tenho observado um número cada vez maior de interessados em descobrir detalhes de antepassados para pleitear dupla cidadania”, comenta Marisa Cuellar, diretora desse Centro de História da Família.

De volta para o passado. Quando um antepassado é encontrado, a comemoração costuma ser compartilhada. Foi assim quando a advogada Magna Pereira da Silva, de 65 anos, encontrou o registro de nascimento de seu avô, Afonso Aloi, italiano da Calábria. “O único documento dele que eu tinha era sua certidão de óbito, já que ele morreu aqui no Brasil há 53 anos”, conta. “Mas nela não estava informado o local de nascimento na Itália, então tive de olhar página por página, de várias cidades, até encontrar.”

Muito além da simples curiosidade, o documento será importante para os planos futuros de Magna. Ciente da localização e data exata do nascimento de seu antepassado, ela vai solicitar agora à Itália a cópia da certidão de nascimento do avô para que possa dar início ao processo de reconhecimento de cidadania italiana.

Uma das mais assíduas pesquisadoras é a administradora de empresas Adriana da Cunha Sinibaldi, 39 anos, frequentadora do centro desde os 16. “Pesquisa genealógica não é algo rápido”, diz ela, que vai ao local presencialmente pelo menos uma vez por semana e diariamente também busca informações de sua casa. “Na igreja a gente dá valor à família, à importância de conhecer os antepassados”, explica ela, que é mórmon.

Como o sistema permite que o usuário vá alimentando sua própria árvore genealógica e esta se cruze com outros pesquisadores com antepassados em comum, as ramificações vão recuando no tempo. “No mais longo ramo da minha família cheguei a 166 gerações”, diz Adriana.

A dona de casa Silvana Lemos Noronha Santos, de 49 anos, já está nos anos 1600 em sua própria genealogia. Tomou gosto pelas pesquisas de família por conta do pai, o funcionário público Expedido Justiniano de Noronha, que morreu em 2006. “Aprenda a amar seus antepassados e serás eterno na lembrança dos que vierem depois”, dizia ele. E então, fazia das férias sempre uma peregrinação por cartórios, cemitérios e igrejas espalhadas pelo País, em busca de algum fragmento que ajudasse a compor sua genealogia. “Colocava a gente no fusquinha azul e íamos todos. Depois escrevia tudo à mão. Fui eu quem passei para o computador”, conta Silvana.

Mas de onde vem toda essa informação? No Brasil, é o gerente Mario Silva quem se encarrega de fazer as parcerias. Firma acordos com cartórios, com igrejas católicas, com arquivos públicos. “Oferecemos a digitalização gratuita de todo o material em troca de termos uma cópia. Não há dinheiro envolvido”, afirma. No País, os mórmons têm 30 câmeras trabalhando simultaneamente. Cada uma tem capacidade de produzir 50 mil imagens por mês.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Mórmons carentes cantam sua versão de "Hello" da Adele


Até que ficou legalzinho, vai...




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O pai solteiro mórmon que adotou 8 meninos

Éderson segura o bebê na foto acima, em que estão 6 dos seus 8 filhos adotivos.

A matéria foi publicada no UOL Estilo em 03/02/17:

"Desejo de ser pai me levou a adotar 8 meninos, mesmo sendo solteiro"

Melissa Diniz

No coração do jornalista e microempresário Éderson Flávio Ribeiro, 43 anos, de Taubaté (SP), parece sempre haver espaço para mais um filho. Ao longo de sete anos, ele adotou oito meninos, alguns deles com histórias de vida tristes e que tinham sido devolvidos aos abrigos, após tentativas frustradas de adoção. Além disso, acolheu mais um, que não tinha para onde ir, até ele encontrar um emprego e conseguir se sustentar. Hoje, apesar de solteiro, Éderson tem uma família grande e feliz.

Leia o depoimento que ele deu ao UOL.

"Homem também tem instinto paterno"

Muitas pessoas pensam que somente as mulheres desejam ter filhos. Mas homem também tem instinto paterno. Eu sempre quis ser pai, tanto que adorava ninar os filhos dos meus amigos e participava com frequência de campanhas de doação de brinquedos para crianças carentes. Acho que grande parte desse desejo veio do fato de meu pai ter se separado da minha mãe quando eu tinha 13 anos e de me lembrar da falta que ele fez e de como sua ausência doeu nas formaturas, Dia dos Pais, Natais e outras datas importantes.

Então, em 2002, comecei a ter sonhos recorrentes nos quais eu via um menino. Na época, eu namorava uma moça de 17 anos, a Carol, e até brinquei com ela que, se nos casássemos, queria ter no mínimo quatro filhos. Nós ficamos dois anos juntos, mas acabamos nos separando. Nesse meio-tempo, os sonhos continuaram acontecendo e duraram quatro anos. Aquilo realmente chamou minha atenção, pois eram bastante repetitivos. Sou mórmon e, em minha religião, sonhos são compreendidos como revelações e senti que precisava fazer algo a respeito.

"Diziam que seria impossível eu adotar"

Foi aí que comecei a visitar abrigos de crianças, em uma tentativa de encontrar e adotar aquele menino, porém, muitas portas se fecharam na minha cara. As pessoas diziam que seria impossível um homem solteiro ser pai adotivo. Primeiro eu teria que me casar, orientavam. Não que a lei não permitisse, mas o preconceito ainda era grande e os juízes não aprovavam.

Tive um problema sério de saúde, precisei mudar de cidade, mas, apesar das dificuldades, não desisti de adotar aquele menino. Acabei descobrindo que muitos adolescentes iam parar nas ruas porque, assim que completavam 18 anos, eram expulsos dos abrigos. Então, uma amiga me contou sobre o Anderson, um rapaz que estava desesperado, pois passava exatamente por essa situação e logo não teria onde ficar. Ele não queria ser adotado, mas decidi acolhê-lo por um tempo.

"Reconheci o menino dos meus sonhos"

Quando cheguei ao abrigo para conhecer o Anderson, senti algo muito forte. Enquanto conversávamos, outro menino começou a correr perto de nós. Ao olhar para trás, o reconheci. Era o garoto que sempre via nos sonhos. Seu nome era Eduardo e tinha 13 anos.

Curioso, fui conversar com o psicólogo do abrigo para saber se ele poderia ser adotado. Foi aí que soube que ele estava lá desde os seis anos de idade e havia sido devolvido três vezes. Nas duas primeiras, as mães conseguiram engravidar e desistiram da adoção. Na terceira, o marido era alcoólatra e o conselho tutelar pediu que a mãe adotiva escolhesse entre ele e a criança, mas ela preferiu ficar com o marido.

Levou três meses para que a adoção se concretizasse e ele se tornou meu filho em 2007. Antes, eu precisei passar por uma avaliação psicológica, além de comprovar que não tinha antecedentes criminais, como é praxe no processo.

Nós três nos tornamos uma família e, claro, passamos por uma fase de adaptação no começo. Fiquei sabendo, depois, que quando uma criança ou adolescente é adotado vive um período de regressão, isto é, começa a se comportar como se fosse mais novo. É normal. Até mesmo o Anderson, que também considero como filho, apesar de ter 18 anos na época, às vezes agia de maneira imatura, mas nada que a paciência e diálogo não pudessem resolver.

"Perguntaram se eu queria adotar mais um"

Tornei-me colaborador daquele abrigo de onde os meninos vieram. Fazia visitas e doação de brinquedos. Passados três meses da adoção, os funcionários me ligaram para falar sobre o Jean, um menino de quatro anos que estava sofrendo bullying das outras crianças por ser muito bonzinho. Perguntaram se eu estaria interessado em adotá-lo também, pois ninguém estava. Não resisti.

Passados três meses, Jean vinha se juntar aos irmãos adotivos para iluminar a casa. Anderson e Eduardo o acolheram com muito carinho. Mas Jean tinha irmãos biológicos e eu não fazia ideia de que eles estavam naquele mesmo abrigo. Então, um tempo depois, os funcionários me ligaram novamente para falar sobre o Bruno, na época com 11 anos, e Rafael, que tinha 13. Não preciso dizer que ambos vieram fazer parte da família também e lá estava eu com cinco filhos.

"Abracei a causa da adoção tardia"

Por minha própria experiência e por ver tantas crianças e adolescentes totalmente esquecidos nos abrigos, abracei a causa da adoção tardia e me tornei palestrante em grupos de apoio à adoção. Certa vez, fui participar de um evento em São Paulo e fiquei sabendo de dois irmãos que estavam em Guarapuava, no Paraná, Luiz Fernando, 18, e Rodrigo, 14. Eles também haviam passado por experiências dolorosas e tinham sido devolvidos. Senti que precisava fazer algo a respeito e perguntei aos meus filhos o que eles achavam. Eles disseram: ‘ah, pai, onde cabem cinco cabem sete’. Lá fui eu para Guarapuava em uma viagem que durou 15 horas. Entrei com o pedido de guarda e levou seis meses para a adoção sair. Agora tinha sete filhos.

Quando o Rodrigo fez 18 anos, eu o levei de volta a Guarapuava para visitar os amigos e as tias do abrigo. Ao chegar lá, um rapazinho me chamou para conversar e disse que queria muito ser adotado. Falou que comia pouco e que dormiria no sofá. Não tinha ido lá para adotar ninguém, mas ele estava pedindo socorro. Mantivemos contato por um tempo, conversei novamente com meus filhos e decidimos que sim. Brinco que Kelvin, que na época estava com 15 anos, é ‘o último dos moicanos’, meu oitavo filho. Pelo menos, por enquanto.

"As pessoas achavam que eu era louco"

Nunca pensei nas dificuldades que enfrentaria ao fazer as adoções. Pensava que tinha condições de trabalhar e de sustentar a casa, então não havia motivo para não fazer. As pessoas achavam que eu era louco, por isso sempre tomei as decisões sem ficar falando para ninguém. Já ouvi piadas de mau gosto, comentários negativos a meu respeito e até duvidaram do meu caráter, mas não me importo, meus filhos sabem quem eu sou e isso basta. Sempre os orientei sobre o preconceito da sociedade e ensinei que deveriam estar preparados para lidar com a maldade dos outros.

Houve momentos que eles foram questionados sobre não terem o nome da mãe na carteira de identidade. Uma mulher certa vez perguntou: ‘Vocês nasceram do vento?’. Olhou para mim e disse que havia algo errado. Nisso, um dos meus filhos respondeu: ‘A única coisa errada aqui é a postura da senhora.’ Isso me dá orgulho, pois eles sabem se defender.

Durante esse tempo todo, tive apenas relacionamentos curtos, assim que as namoradas descobriam quantos filhos eu tinha, sumiam. Perdi a conta de quantas esposas quiseram me arrumar, mas a minha prioridade são meus filhos e trazer uma mulher para casa tiraria a liberdade deles.

"Perdi três empregos para não perder a guarda"

Cada vez que um filho era adotado, começava a vigilância da assistência social que durava de um ano a um ano e meio. Eles faziam visitas-surpresa na minha casa para saber se estava tudo bem, ligavam na escola para saber se os meninos estavam estudando e queriam saber se eu tinha condições de sustentá-los. Não foi fácil.

Perdi três empregos por isso, pois, quando me ligavam, diziam que estavam na porta de minha casa e tinha que largar tudo para ir atendê-los. Sem contar as idas ao médico e ao fórum, onde os meninos ficaram cansados de ter que reafirmar que queriam permanecer comigo. Apesar dos contratempos, são medidas necessárias para a segurança das crianças. Infelizmente, há muitos casos de abuso e maus-tratos.

Já fui garçom, faxineiro, entregador de panfletos e já fiz muita permuta para que os meninos pudessem estudar. Houve momentos em que precisei conciliar três empregos. Se o curso não era gratuito, faxinava a escola em troca das aulas e assim eles puderam fazer informática, por exemplo.

Meus filhos cresceram, uns já se formaram, outros ainda estudam e alguns trabalham para me ajudar. Ainda moram comigo o Jean, hoje com 13 anos, Rafael, 20, Eduardo, 22, e Bruno, 18. Hoje eu tenho uma microempresa de eventos e meu escritório é em casa. Faço festas, casamentos e formaturas e espero fazer minha empresa crescer mais. Meu sonho é que o Luciano Huck venha me ajudar a ter um espaço bom para trabalhar. Mas, o principal é que nada falte aos meus filhos."



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

10.000 brasileiros mórmons vivem em Utah

O Templo - centro da devoção mórmon em Salt Lake City e no mundo.

Mesmo sem ser mórmon, tive o prazer de conhecer o Estado de Utah duas vezes, passando pela capital Salt Lake City em 2014 e 2015.

Utah é uma terra de grandes belezas naturais, com seus lindos e imensos parques nacionais, além dos pontos turísticos que fazem parte do inconsciente coletivo mundial como o Monument Valley.

Na segunda oportunidade, tomei mais tempo para conhecer um pouco da capital, em especial a praça do templo onde estão instalados os principais órgãos diretivos dos mórmons no mundo, além do Templo que é sede da religião.

Quando puder, ainda que de passagem, visite o Utah e a sempre bela e 

As fotos que ilustram esta matéria são de minha autoria e os artigos abaixo foram escritos por Cláudia Trevisan e publicados no Estadão de 27/11/16:

Dez mil brasileiros vivem o ‘sonho americano mórmon’

No centro mundial da religião, ainda reside o veterano Cláudio dos Santos, de 101 anos, que embarcou para Salt Lake City em 1955

SALT LAKE CITY - Ser mórmon no Brasil de 1955 era integrar uma minoria de 500 pessoas, entre as quais estava Cláudio dos Santos. Naquele ano, ele decidiu se mudar com a família para Salt Lake City, o centro mundial da religião fundada nos Estados Unidos na década de 1820. Aos 101 anos, Santos é o veterano dos cerca de 10 mil brasileiros que vivem na cidade, a maioria dos quais integrantes da igreja.

Em 1955, ele embarcou com a mulher e os três filhos para Miami em uma Fortaleza Voadora, um avião militar de quatro motores usado na 2.ª Guerra Mundial. De lá, eles viajaram por uma semana de ônibus até Utah, o Estado do Oeste americano cuja paisagem árida e montanhosa foi um dos cenários preferidos para os clássicos filmes de cowboy hollywoodianos.



Placa de boas-vindas na fronteira sul do Estado, com o Arizona, já anunciando o esplendor do Monument Valley a seguir.


Quando se fala no País, a especialidade lembrada é o rodízio

Feijoada ainda aparece, mas em segundo plano; grande parte dos funcionários é brasileira e busca aprender inglês

SALT LAKE CITY - Rodízio é sinônimo de Brasil nos Estados Unidos e, em Salt Lake City, a concorrência de espetos é acirrada. Na capital do Estado de Utah também há lugares de prato feito, feijoada, pudim e brigadeiro, regados a guaraná. Com o nome gringo de Rodizio Grill, o restaurante da família Utrera abriu as portas na cidade em 1998, quando a rede que já tem 19 endereços no país ainda engatinhava.

Dos 70 funcionários da empresa em Salt Lake City, 70% são brasileiros, na maioria integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, segundo Nicolas Utrera, filho do fundador do negócio, Ivan Utrera. Entre eles está Diego Souza, que se batizou como mórmon em 2007, quando tinha 16 anos, e se mudou para a capital de Utah em 2014.

Depois de estudar inglês por alguns meses, ele entrou na LDS Business College, a escola de negócios ligada à igreja –a sigla de três letras se refere à versão em inglês de Santos dos Últimos Dias. Os mórmons são a força dominante em Utah e representam 60% da população do Estado. Além da igreja, eles controlam algumas das melhores instituições de ensino locais e oferecem a seus seguidores estrangeiros as mesmas anuidades que cobram dos americanos – em geral, os estudantes internacionais estão sujeitos a preços mais elevados.

Souza estuda contabilidade e se formará no fim de 2017. No ano passado, ele se casou com uma americana que conheceu na igreja, com a qual pretende ter o primeiro filho em breve. “No Brasil, eu era pobre. Aqui eu também sou pobre, mas tenho carro e consigo viajar para o exterior e pensar em comprar uma casa”, disse Souza, que trabalha como garçom e churrasqueiro. Enquanto ele falava com a reportagem, um de seus colegas passou anunciando o resultado de um jogo entre Corinthians e Flamengo: “2 a 1 para o Coringão!”.

Diego Cavalcante Quiroga, de 32 anos, chegou a Salt Lake City em abril com a mulher, Jessica, e os dois filhos, de 5 e 2 anos. Mórmon como o xará, ele é garçom da Rodizio Grill, estuda inglês e pretende entrar em uma faculdade de Utah. “Para ter algo melhor, eu precisava do inglês e vim para cá para aprender mais rápido”, disse Quiroga, que é de uma família mórmon.

Feijoada. O Rodizio Grill é um dos pelo menos seis restaurantes brasileiros que existem na região de Salt Lake City – em sua maioria churrascarias. Uma das exceções é o Sweet Spot, da família Drogueti, especializado em feijoada, salgadinhos, pratos feitos e doces brasileiros. Atrás do balcão, o patriarca Reinaldo Drogueti atende cerca de 150 brasileiros a cada sábado em busca de feijoada.

A cearense Lucy Filizola, que não pertence ao mundo dos restaurantes, se mudou para Salt Lake City em 1997, quando tinha 17 anos. “Minha mãe queria que eu viajasse”, disse a filha de uma família mórmon de classe média alta do Ceará. A brasileira se casou no ano seguinte e teve seis filhos, seguindo a tradição de grandes famílias da igreja. Formada em contabilidade na LDS Business College, Lucy é separada e cria sozinha os seus seis filhos, um dos quais tem paralisia cerebral. “Não tenho empregada e todos ajudam com o irmão na cadeira de rodas”, disse a cearense, dona de uma empresa de consultoria. “Não é como no Brasil. Aqui, eles são autossuficientes e cada um é responsável por suas coisas.”

Saída em missão é ritual de ‘transição’ para a vida adulta

Aos 17 anos, Vitor, o filho de Solange Cruz e de Silvio, prepara-se para seus dois anos como missionário, um ritual que todos os homens da igreja são encorajados a desempenhar. As mulheres servem por períodos menores – 18 meses – e representam um número crescente dos jovens mórmons que tentam converter pessoas ao redor do mundo. Atualmente, a igreja tem 75 mil missionários, alguns dos quais trabalhando nos Estados Unidos.

Há 16 meses, a brasileira Luiza Renta saiu de Porto Seguro para ser missionária em Salt Lake City. Sua função é ficar na Praça do Templo para explicar a visitantes os princípios e a história da igreja, em um misto de relações públicas e busca de convertidos para a religião. Missionárias de diferentes países trabalham no local, levando crachás com suas respectivas bandeiras. Como os homens, elas andam em dupla. A atual companheira de Renata é da Mongólia, mas o par muda a cada duas semanas. “Não trocaria os 18 meses por nada.”


Placa de boas-vindas na fronteira norte de Utah, com o Idaho, na rodovia I-15 que leva a Salt Lake City.


Clã Neeleman fica entre EUA e Brasil há 60 anos

Missionários chegaram ao País na década de 1950; família reúne hoje cerca de 80 pessoas

SALT LAKE CITY, UTAH - “Você voltaria para o Brasil comigo?” foi a primeira pergunta que Gary Neeleman fez à então namorada, Rose Lewis, quando retornou a Utah, depois de servir por dois anos como missionário mórmon no interior do Paraná e Santa Catarina. “Mas você acabou de voltar”, ela respondeu. “Sim, mas ainda não acabei”, justificou ele.

O ano era 1956. Dezoito meses mais tarde, o casal chegava a São Paulo com seu filho de 4 meses, John. Nos dez anos seguintes, Neeleman trabalharia como correspondente da agência de notícias United Press Internacional no Brasil. Nesse período, 3 dos 7 filhos do casal nasceram no Hospital Samaritano, na capital paulista, entre os quais David, dono da empresa de aviação Azul.

Sessenta e dois anos depois de pisar pela primeira vez no Brasil, Neeleman ainda não terminou sua história com o País. Desde 2001, ele é cônsul honorário do Brasil em Salt Lake City, responsável por atender uma comunidade estimada em 20 mil pessoas nos Estados de Utah, Idaho, Wyoming, Montana e Oeste do Colorado. Nove de seus descendentes foram missionários no Brasil, entre os quais um neto e uma neta que ainda estão servindo em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Além dos sete filhos, Neeleman e Rose têm 35 netos e 21 bisnetos, a maioria dos quais detentores de cidadania americana e brasileira. Com maridos e mulheres que foram agregados à família, o clã é formado por 80 pessoas.

“Eu gostei do Brasil e gostei dos brasileiros”, disse Neeleman, lembrando sua experiência de meados da década de 1950. Aos 82 anos, ele caminha com ajuda de uma bengala fabricada por outro empreendedor da família, Mark, dono de uma fábrica de produtos de bambu no Brasil.

Ao lado de Rose, que tem 81 anos, Neeleman fez seis viagens à Amazônia nos últimos anos para entrevistar pessoas e levantar dados para dois dos quatro livros sobre o Brasil que escreveram juntos: Trilhos na Selva, de 2011, e Soldados da Borracha, publicado no ano passado.

O primeiro conta a história fracassada da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, no início do século 20, na qual cerca de 10 mil trabalhadores faleceram, vítimas de doença tropicais. O outro fala da história de milhares de seringueiros que morreram na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial para garantir o crucial fornecimento de borracha para as forças aliadas durante o conflito. Em uma das viagens que fizeram à Rondônia para levantar dados para os livros, Rose e Gary passaram uma noite na estrada, quando o carro em que os levava a Jaci-Paraná quebrou.

Guerra Civil. O mais recente livro do casal, A Migração Confederada ao Brasil, conta a história dos americanos que imigraram para o Brasil no fim do século 19, deixando o Sul dos Estados Unidos, depois da derrota para o Norte na Guerra Civil americana (1861-1865).



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Começa a debandada evangélica da candidatura Trump nos EUA

É, Donald, tem gente que ainda acredita que basta segurar uma Bíblia pra dizer que é cristão...

Não, meus amigos leitores, não são só os evangélicos brasileiros que vestem uma cara de piedade e, assim, na cara dura mesmo, subvertem uns versículos bíblicos para apoiar a sua ideologia de ocasião.

Os nossos aprenderam com os evangélicos do Norte, que atualmente estão envolvidos com as suas eleições presidenciais.

Qualquer alma com o mínimo de bom senso neste planeta azul (visto de fora) sabia que faltava um ou um milhão de parafusos na cabeça alaranjada de turbante loiro chamada Donald Trump, o magnata que restou ungido pelo Partido Republicano para concorrer à vaga que será deixada por Barack Obama no fim do ano.

Isto, entretanto, não impediu que milhões de evangélicos estadunidenses embarcassem no transatlântico furado do bilionário americano, invocando os mais trágicos, para não dizer risíveis, argumentos pseudoespirituais para justificar sua posição tresloucada.

Tropeço após tropeço do candidato republicano com as palavras e evidências, o apoio gospel a Trump foi se esvaindo até a divulgação, na semana passada, de um vídeo gravado em 2005, no qual o bilionário faz considerações depreciativas explícitas às mulheres, o que gerou enorme revolta no país.

Uma das declarações mais contundentes de Trump foi quando disse que nenhuma mulher casada estaria tranquila se fosse deixada só na sua companhia.

Diante do constrangimento nacional, vários figurões evangélicos resolveram então desembarcar da canoa de Trump, a começar pelo presidente da Convenção Batista do Sul dos EUA, a mais poderosa denominação evangélica no país, Albert Mohler Jr., em artigo escrito e publicado no The Washington Post, mesmo jornal que noticiou, na mesma edição, o abandono da candidatura pelo conhecido e respeitado teólogo Wayne Grudem.

Mesmo os mórmons, que não pertencem ao mainstream evangélico, mas sempre se associaram aos republicanos, tanto que o candidato do partido nas eleições passadas era o mórmon Mitt Romney, já começam a dizer adeus a Trump, como é o caso do senador pelo Estado do Idaho, Mike Crapo, que disse que o comportamento do magnata não lhe deixou outra escolha senão a porta de saída do apoio à sua candidatura, pedindo-lhe ainda a sua renúncia à corrida eleitoral, segundo o portal Politico.

O rebuliço chegou a tal ponto que James McDonald, pastor da Harvest Bible Chapel de Rolling Meadows, Illinois, membro do Comitê Executivo Evangélico que assessora a campanha de Trump, o chamasse de "lascivo" e "sem valor", segundo informa o Christian Today.

Difícil mesmo é acreditar que todos eles não soubessem quem estavam apoiando desde o início da campanha.



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

TRT-PR condena mórmons por demitirem empregado que não dava o dízimo

imagem meramente ilustrativa

A informação é do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná):

Igreja deverá indenizar trabalhador 
demitido porque não pagava o dízimo

Um coordenador de ensino que trabalhava para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deverá receber R$ 30 mil de indenização por ter sido demitido depois de deixar de pagar o dízimo à instituição religiosa. A decisão dos desembargadores da 5ª Turma do TRT do Paraná, da qual cabe recurso, considerou a dispensa discriminatória e confirmou a sentença dada pelo juiz José Wally Gonzaga Neto, da 4ª Vara de Curitiba.

O funcionário trabalhava há 12 anos na igreja quando foi despedido, sem justa causa, em março de 2012. Pouco tempo antes da demissão, um documento emitido pelo bispo e líder eclesiástico da instituição informou ao empregador que o coordenador de ensino não estava em dia com a contribuição mensal, que corresponde a 10% do salário. A igreja também havia constatado que, enquanto pagava o dízimo, o empregado foi promovido e recebeu um acréscimo nos rendimentos, mas não aumentou o valor da doação.

Com o contrato rescindido, o profissional ajuizou ação na Justiça do Trabalho alegando ter sido vítima de discriminação e pedindo ressarcimento pelos danos morais.

Em depoimento, o representante do empregador argumentou que, sendo também membro da igreja, o funcionário deveria observar as normas da instituição religiosa e que o pagamento do dízimo é obrigação de todos os crentes. Não fazer as doações mensais corretamente, segundo o preposto, é considerada falta gravíssima a ponto de justificar a demissão.

O juiz de primeiro grau concluiu que, apesar de ter dispensado o trabalhador sem justa causa, a instituição agiu motivada pela ausência das contribuições, conduta que demonstrou a invasão da esfera religiosa sobre o campo da Constituição Federal e das leis trabalhistas. Para o magistrado, a postura do coordenador como profissional não poderia ser simplesmente encerrada por disposição moral da igreja.

Ao confirmar a sentença, os desembargadores da 5ª Turma ressaltaram que a atitude foi ilegal e inconstitucional. "O empregador não pode impor condições que direta ou indiretamente afetem o princípio da intangibilidade salarial ou imponham qualquer hipótese de redução salarial (de -10%, no caso) como requisito de manutenção de emprego, diante do disposto também na Constituição Federal (art. 7º, VI) (fl. 485)", afirmou o desembargador relator do acórdão, Archimedes Castro Campos Júnior.

Notícia publicada em 28/10/2015
Assessoria de Comunicação do TRT-PR
(41) 3310-7313
ascom@trt9.jus.br



domingo, 2 de agosto de 2015

Mórmons não querem líderes gays dos escoteiros nos EUA


Matéria publicada no IHU:

Igreja Mórmon dos EUA se opõe a decisão dos escoteiros de permitir líderes gays


A organização de escoteiros Boy Scouts of America suspendeu na segunda-feira (27/7) sua proibição nacional de líderes adultos abertamente homossexuais. 



A reportagem é de Erik Eckholm, publicada pelo jornal The New Yorl Times e reproduzida pelo portal Uol, 29-07-2015.

A nova política, entretanto, permite que as unidades patrocinadas por igrejas escolham os líderes das unidades locais que compartilham seus preceitos, mesmo que isso signifique a restrição desses cargos a homens heterossexuais.

Mesmo com esta exceção, a Igreja Mórmon disse que poderá deixar a organização. Sua postura surpreendeu a muitos e levantou dúvidas se outros patrocinadores conservadores, incluindo a Igreja Católica Romana, não seguirão o exemplo.

"A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está profundamente preocupada com o resultado da votação de hoje pelo Conselho Executivo Nacional dos Boy Scouts of America", disse um comunicado emitido pela igreja momentos depois dos escoteiros anunciarem sua nova política. "Quando a liderança da Igreja retomar a sua programação regular de reuniões em agosto, a associação de um século com os escoteiros terá de ser reavaliada".

Há apenas duas semanas, a Igreja Mórmon deu a entender que poderia permanecer associada ao grupo, desde que suas unidades pudessem escolher seus próprios líderes.

Os principais líderes escoteiros, incluindo Robert M. Gates, atual presidente e ex-secretário de defesa que promoveu a nova política, não responderam imediatamente à declaração mórmon. Em declarações anteriores, Gates manifestou a esperança de que, com a aprovação da isenção para grupos religiosos, os escoteiros pudessem evitar uma fragmentação devastadora.

Muitos líderes dos Boy Scouts of America disseram que não esperavam a resposta dura da Igreja Mórmon e sua ameaça de deixar a parceria.

"Minha suposição era de que a decisão votada hoje tinha sido avaliada, de modo a evitar surpresas desnecessárias", disse Jay Lenrow, líder escoteiro e voluntário de longa data em Baltimore, que está no comitê executivo da região nordeste e atua no comitê nacional de relações religiosas da organização.

"Eu só posso dizer que eu estou esperançoso de que, quando a liderança da Igreja se reunir e discutir a questão, encontrará uma maneira de continuar a apoiar os escoteiros", acrescentou Lenrow.

Os mórmons usam os Boy Scouts of America como sua principal atividade não religiosa para meninos, e as unidades que patrocinam foram responsáveis por 17% de todos os jovens no escotismo em 2013, o último ano para o qual foram publicados dados.

Sob a política adotada na segunda-feira, a discriminação com base na orientação sexual também será banida em todos os escritórios dos Boy Scouts of America e todos os empregos remunerados –uma medida que visa evitar ações na justiça em Nova York, Colorado e outros Estados que proíbem a discriminação no emprego.

Uma ameaça jurídica foi imediatamente evitada. Em resposta à mudança, o procurador geral de Nova York, Eric T. Schneiderman, anunciou na segunda-feira que seu escritório estava arquivando sua investigação dos escoteiros por violação das leis estaduais de combate à discriminação.

O conselho executivo nacional dos escoteiros, composto de 71 líderes civis, empresariais e da igreja, aprovou as alterações com 79% dos votos daqueles que participaram da reunião por telefone, de acordo com um comunicado emitido pelos escoteiros. O anúncio não disse quantos conselheiros estavam ausentes.

A mudança de política, que já era esperada, foi amplamente vista como um divisor de águas para uma instituição que tem enfrentado crescente turbulência sobre a sua posição em relação a pessoas homossexuais, enquanto se esforça para deter um declínio de longo prazo. Ela foi elogiada por organizações de defesa dos direitos gays como um grande passo, apesar de incompleto, para acabar com a discriminação.

Em 2013, enfrentando crescente pressão pública e interna, os escoteiros decidiram que jovens abertamente gays poderiam participar das atividades, mas não adultos. Essa abordagem não satisfez a ninguém. Ela forcou a expulsão dos homossexuais Eagle Scouts quando completavam 18 anos, mas ainda não impediu a saída de alguns conservadores.

Gates fez uma advertência urgente em maio dizendo que, por causa da cascata de mudanças sociais e legais, a organização não tinha escolha senão acabar com a proibição de líderes gays.

Em uma declaração em 13 de julho, a Igreja Mórmon pareceu sugerir que aceitaria a solução adotada na segunda-feira. A declaração dizia que qualquer novo padrão de liderança deveria preservar "o direito de selecionar líderes escoteiros que adiram aos princípios morais e religiosos consistentes com nossas doutrinas e crenças".

Mas o tom da declaração dos mórmons de segunda-feira após o anúncio formal da nova política de Escoteiros foi marcadamente mais negativo.

"A Igreja sempre recebeu todos os meninos em suas unidades de escoteiros, independentemente da orientação sexual", disse a declaração da sede da Igreja Mórmon. "No entanto, a admissão de líderes abertamente homossexuais é incompatível com as doutrinas da igreja e os valores tradicionais dos Boy Scouts of America".

A declaração também sugeriu outra razão pela qual os mórmons estão pensando em deixar os Boy Scouts of America: a possível criação de uma organização similar própria para servir aos seus membros em todo o mundo.

"Como uma organização global com membros em 170 países, a Igreja há muito vem avaliando as limitações que metade de seus jovens enfrenta onde o escotismo não está disponível", disse o comunicado.

Algumas igrejas evangélicas conservadoras cortaram os laços com os escoteiros após a decisão de 2013 ao admitir jovens abertamente gays. O total de jovens matriculados, que tinha declinado em alguns pontos percentuais em muitos anos anteriores, caiu 6% em 2013 e 7% em 2014, para 2,4 milhões.

É provável que outros conservadores religiosos se afastem, disse Russell D. Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. Moore expressou ceticismo sobre a promessa dos escoteiros em deixar que unidades patrocinadas pela igreja excluíssem líderes gays por motivos religiosos.

"Depois que os escoteiros mudaram a regra de adesão, eles disseram aos grupos religiosos que isso não afetaria as lideranças", disse ele. "Agora, estão dizendo que essas mudanças não afetarão os grupos de base religiosa. As igrejas sabem que esta é a palavra final somente até o próximo desdobramento".

Por outro lado, com a mudança de segunda-feira, os executivos dos escoteiros esperam renovar os laços com doadores corporativos, escolas e órgãos públicos e atrair pais que tinham afastado seus filhos do escotismo por causa de sua política.

"Vamos continuar a focar em alcançar e servir os jovens, ajudando-os a crescer para se tornarem cidadãos bons e fortes", disse o comunicado dos Boy Scouts of America na segunda-feira.

O desafio mais difícil, dizem os líderes escoteiros, talvez seja conquistar o tempo e o entusiasmo dos jovens cada vez mais urbanos, diversificados e atarefados de hoje. Para aumentar seu apelo, os escoteiros construíram novos campos de aventura com atividades como mountain bike e tirolesa, e criaram novas medalhas de mérito em áreas como robótica e animação.



terça-feira, 3 de março de 2015

Como as religiões terrestres reagiriam a alienígenas?


É esta a pergunta que procura responder matéria publicada no HypeScience:

O fim da sua religião e a descoberta de vida alienígena

Apesar de muitas teorias absolutamente convincentes para explicar o Paradoxo de Fermi e o grande silêncio que vivenciamos até agora com relação à vida extraterrestre, alguns, como David A. Weintraub, da Universidade de Vanderbilt (em Tennessee, nos Estados Unidos), acreditam que a prova de que a vida existe fora da Terra está finalmente chegando.

E aí vem aquela pergunta que não quer calar: como a humanidade vai reagir depois que os astrônomos nos mostrarem evidências científicas e sólidas para a existência de vida extraterrestre?

Quando os cientistas anunciarem essa descoberta, só temos uma certeza: tudo vai mudar. E nossas filosofias e religiões terão que incorporar essas novas informações.

A busca por sinais de vida lá fora

Os astrônomos já identificaram milhares de planetas que orbitam em torno de outras estrelas. No ritmo atual de descobertas, a expectativa é que outros milhões de planetas sejam encontrados ainda neste século.

Já tendo encontrado os planetas físicos, os astrônomos estão agora à procura de nossos vizinhos biológicos. Isso significa que ao longo dos próximos 50 anos, eles irão começar o tentador estudo detalhado de milhões de planetas à procura de evidências da presença de vida na superfície, no subterrâneo ou nas atmosferas desses planetas.

E é muito provável que encontrem o que estão procurando.

Lá nos Estados Unidos foi feito um levantamento e mais de um terço dos entrevistados disseram acreditar que os extraterrestres já visitaram a Terra, sem a gente saber. Tipo de visita que vem sem ser convidada e sai sem dar tchau. Acreditamos que essa proporção não fuja muito disso a nível mundial. Mas, apesar desse “achismo” de senso comum, a primeira evidência de vida além de nosso planeta provavelmente não contará com sinais de rádio, ou com homenzinhos verdes chegando pelo céu com discos voadores metálicos.

Em vez disso, um Galileu do século 21, usando um enorme telescópio de 50 metros de diâmetro, vai coletar a luz das atmosferas de planetas distantes, procurando as assinaturas de moléculas biologicamente significativas. Algo que não tem exatamente um grande potencial para virar filme de Hollywood.

O que os astrônomos fazem é filtrar a luz de longe através de espectrômetros, que são prismas de alta tecnologia que provocam a luz distante em seus muitos comprimentos de onda distintos. Eles fazem isso à procura por impressões digitais reveladoras de moléculas que não existiriam em abundância nesses ambientes, na ausência de coisas vivas. Os dados espectroscópicos, então, dirão se o ambiente de um planeta foi alterado de forma que apontam para processos biológicos.

Qual é o nosso lugar no universo? Se não estamos sozinhos, quem somos nós?

Com a descoberta de um planeta distante no espectro de luz, com uma substância química que só poderia ser produzida por seres vivos, a humanidade vai ter a oportunidade de ler uma página nova no livro do conhecimento. Nós não ficaremos mais especulando sobre se outros seres existem no universo. Nós saberemos de uma vez por todas que não estamos sozinhos.

Dá um frio na barriga só de pensar.

Afinal, uma resposta afirmativa à pergunta “a vida existe em nenhum outro lugar no universo além da Terra?” levantaria questões imediatas e profundamente importantes, tanto para as ciências quanto para a filosofia e teologia, sobre o nosso lugar no universo. Se os seres extraterrestres realmente existirem, isso significará que a minha religião, minhas crenças e práticas religiosas não podem mesmo ser universais.

Se a minha religião não é universalmente aplicável a todos os outros extraterrestres, talvez ela não precise ser oferecida, nem muito menos forçada, a todos os outros terrestres. Em última análise, podemos aprender algumas lições importantes aplicáveis aqui em casa, só pelo fato de considerar a possibilidade de vida fora do nosso planeta.

David Weintraub investigou os escritos sagrados das religiões mais amplamente praticadas do mundo, perguntando o que cada religião tem a dizer sobre a exclusividade ou não singularidade da vida na Terra, e como, ou se, uma religião em particular iria funcionar em outros planetas em partes distantes do universo. É o tipo de pergunta que faz o cérebro de qualquer um ferver!

Os extraterrestres poderiam ser cristãos?

Vamos examinar uma questão teológica aparentemente simples, mas extremamente complexa: os extraterrestres poderiam ser cristãos? Se Jesus morreu para redimir a humanidade do estado de pecadores no qual os humanos nascem, a morte e a ressurreição de Jesus, na Terra, também iria salvar seres extraterrestres de todos os seus pecados?

Se for assim, por que os extraterrestres seriam pecadores? O pecado é item de série no próprio tecido de espaço e tempo do universo? Ou a vida pode existir em partes do universo sem estar em um estado de pecado e, portanto, sem a necessidade de redenção e, portanto, sem a necessidade do cristianismo? Muitas soluções diferentes para estes enigmas que envolvem a teologia cristã foram apresentadas na pesquisa de Weintraub. Mas a verdade é que nenhuma delas satisfaz a todos os cristãos do mundo.

O mundos dos Mórmons

A Escritura Mórmon ensina claramente que existem outros mundos habitados e que “os seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus” (Doutrinas e Convênios 76:24). A Terra, porém, é um mundo favorecido no mormonismo, porque Jesus, como entendido pelos mórmons, viveu e foi ressuscitado só na Terra.

Além disso, diz também que os mórmons só podem alcançar seus próprios objetivos espirituais durante as suas vidas na Terra, e não em vidas em outros mundos. Assim, para os mórmons, a Terra pode até não ser o centro físico do universo, mas é o lugar mais favorecido dele. Tal visão implica que todos os outros mundos são, de alguma forma, mundos menores do que a Terra.

Há anos-luz de Meca

Os pilares da fé para os muçulmanos exigem que os fiéis rezem cinco vezes por dia, virados para a direção de Meca. Como determinar a direção certa de Meca pode ser extremamente difícil em um planeta que fica há milhões de anos-luz da Terra, praticar a mesma fé em um outro mundo pode não fazer nenhum sentido.

No entanto, as palavras do Alcorão nos dizem que “quaisquer que sejam os seres, nos céus e na terra, devem adorar a Allah” (13:15). Mas poderiam os muçulmanos terrestres aceitar que a religião profeticamente revelada de Muhammad é destinada apenas para os seres humanos na Terra e que outros mundos têm os seus próprios profetas?

Astrônomos são destruidores de paradigmas

Em certos momentos ao longo da história, as descobertas dos astrônomos têm exercido uma enorme influência sobre a cultura humana. Os gregos antigos astrônomos, por exemplo, desachataram a Terra – embora muitos deles resolveram esquecer esse conhecimento.

Da escola da Renascença, os estudiosos Copérnico e Galileu colocaram a Terra em movimento em torno do sol e tiraram os seres humanos do centro do universo.

No século 20, Edwin Hubble eliminou a própria ideia de que o universo tem qualquer coisa que se pareça com um centro. Ele demonstrou que o universo tem um começo no tempo e que, curiosamente, tem um tecido tridimensional, em constante expansão.

Claramente, quando os astrônomos chegam com novas ideias ousadas para o mundo, eles não brincam em serviço. Outra nova ideia tão demolidora de paradigma pode estar na luz que chega a nossos telescópios agora.

Não importa quão religioso ou não você seja. Em um futuro muito próximo, todos estaremos nos fazendo perguntas como “o meu Deus é o Deus de todo o universo? Minha religião é terrestre ou universal?”.

Muitas pessoas terão que trabalhar para conciliar a descoberta de vida extraterrestre com suas respectivas religiões, adaptando-se a essa notícia que promete ser bombástica.



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