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terça-feira, 22 de junho de 2010

O crente Kaká contra o ateu Juca Kfouri

Conforme já divulgado aqui no blog, Juca Kfouri é ateu e critica a mistura entre religião e futebol. Agora, se já não bastassem os problemas de Dunga com a Globo, numa entrevista coletiva nesta manhã (vídeo abaixo), Kaká aproveitou uma pergunta de André Kfouri, filho do jornalista em questão, para dizer o seguinte: "repetidamente em seu blog, os canhões do teu pai têm me atingido. O motivo pelo qual Juca me ataca não é profissional, ele já deixou claro muitas vezes que me ataca porque eu defendo publicamente a minha fé em Jesus. Mas da mesma forma que eu respeito ele como ateu, gostaria que ele respeitasse a mim e a milhões de brasileiros que crêem em Jesus Cristo" (fonte: eBand).

Pelo andar da carruagem, com esta mistura explosiva de futebol, religião e - obviamente - política, se o Brasil ganhar a Copa, aí sim vai ser um milagre...


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Deus na Copa do Mundo

Matéria do jornal americano San Francisco Chronicle traduzida e transcrita no blog do Juca Kfouri:


Deus vai aparecer na África do Sul?


Do “San Francisco Chronicle”, de ontem:

A FIFA está preocupada que Deus vai dar as caras na África do Sul.

Deus nunca fez uma aparição completa nos gramados das copas.

O mais próximo a que ele chegou foi quando mostrou sua mão ao ajudar Diego Maradona marcar o famoso gol com a “mão de Deus” durante a copa de 1986 – uma concepção imaculada.

E Ele também já mandou suas bençãos através de seus agentes – o Papa abençoou a seleção irlandesa antes da copa de 90, o que não foi suficiente para levar os irlandeses à glória.

Desde então, Ele voltou a ser misterioso e fazer o que melhor faz – cegar árbitros em momentos cruciais.

Pergunte aos irlandeses sobre Thierry Henry, ou aos ingleses sobre Maradona.

Mas agora a FIFA se depara com a possibilidade de Deus levantar a taça da Copa do Mundo.

E com tantas visões Dele voando pelo mundo nos dias atuais, alguém pode acabar se ofendendo.

Por isso, a Fifa está rezando para que o Brasil não ganhe a Copa.

Seu capitão, Lúcio, é zagueiro de Deus, e a estrela do time, Kaká, é o seu goleador.

Na final da Copa das Confederações do ano passado na África do Sul, ambos os jogadores tiraram as camisetas da equipe para revelar mensagens sugerindo que Deus era o verdadeiro vencedor da competição.

E a fé deles pode ter sido fortalecida pelo fato de que o Brasil virou um jogo de um 2-0 para derrubar a separação da igreja e dos futebolistas americanos.

A FIFA está advertindo as confederações nacionais para certificar-se de que vitória e celebrações de gols continuem sendo humanas e não divinas.
Nenhuma imposição religiosa será exposta sob qualquer cor nacional.

A questão é esta: Kaká e outros discípulos – incluindo Steven Pienaar, da África do Sul, outro serviçal do Senhor, vão seguir a Palavra da FIFA ou a Palavra do Todo Poderoso?

O chefão da FIFA, Sepp Blatter, que também tem um poder fantástico, vai jogar um raio em qualquer um que questione a onipotência do futebol.

Sejamos intelectualmente sãos por um momento.

Sem dúvida, a Copa do Mundo é positivamente darwiniana – os mais fortes sobrevivem – onde nações de futebol em desenvolvimento podem agora estar maduras para arrancar o Manto Sagrado das mãos das poucas nações escolhidas – Brasil, Itália, Alemanha e Argentina.

(OK, basta. É Deus demais para um domingo…)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Deixem Jesus em paz

Artigo do Juca Kfouri na Folha de S. Paulo de ontem, disponível no blog dele:

JUCA KFOURI

Deixem Jesus em paz

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

MEU PAI , na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para se dizer ateu", sentenciou.

Confesso que fiquei meio sem entender.

Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que Não Creem", uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.

De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.

Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso.

Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.

Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.

Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.

E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.

Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.

E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes.

Como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial.

Ora, há limites para tudo.

É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...

Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não é mesmo à toa que Deus prefere os ateus...  


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