Mostrando postagens com marcador prosperidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador prosperidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 16


AS RIQUEZAS

Desse modo, quanto mais formos favorecidos com riquezas, tanto mais será necessário, para todos nós, algum defeito pelo qual nos tornemos humildes. Em segundo lugar, os ricos confiam nas riquezas. Ora, Deus quer que eles transformem os outros em pessoas ricas. As suas riquezas são sombras e sinais das verdadeiras riquezas. Se querem ser salvos, empenhem-se para que sejam "ricos em boas obras". "Que pratiquem o bem". [O apóstolo] não diz, apenas, que devem praticar boas obras, mas que devem fazê-lo em abundância, pois está ao alcance de suas mãos a capacidade de vestir os pobres e dar de beber aos que têm sede. Isso porque "a quem mais foi dado, dele mais será pedido" [Lc 12:48]. Que não façam, apenas, o bem, mas que o façam em maior profusão do que os outros, a fim de que não sejam ricos em ouro e prata, mas, sim, em boas obras. "Que repartam com presteza". Aqui ele fala de um ponto de vista específico ou de acordo com a "espécie", ao passo que, acima, falara em geral, ou de acordo com o "gênero" fazer boas obras. Que tenham presteza em partilhar. "[Que sejam] generosos". São "pessoas que repartem" com aqueles que passam necessidade e que se comportam com benevolência e disposição para compartilhar, de sorte que as pessoas possam obter algum benefício de sua parte. Assim como as coisas ou a caixa comum está disponível ao uso de todos os irmãos, o mesmo se dá com o rico. É difícil repartir, ser magnânimo. "Coinônico" (de koinonicos – generoso – em contraposição a canônico), pelo contrário, é que se gostaria de ser! "Que acumule tesouros" [6.19]. Isto explica a frase "nem depositem a sua esperança na incerteza [da riqueza]", etc. [1 Tm 6.17], pois é isso o que fazem os ricos. Aqui, porém, eles procuram um "fundamento" fiel, que dura para sempre. O mesmo diz Cristo: [Lucas 16.9]: "Fazei, para vós, amigos a partir da idolatria da riqueza" [Lc 16.9]. "Dai esmola e eis que tudo [vos será limpo]" [Lc 11.41]. Os ricos devem observar isso diante dos outros, daqueles que são atribulados pela penúria.

(Martinho Lutero, "Apontamentos do Dr. M.[artinho] à Primeira Epístola a Timóteo", in Martinho Lutero. Obras Selecionadas – Interpretação do Novo Testamento – Mateus 5-7 – 1 Coríntios 15 – 1 Timóteo, tradução de Luís H. Dreher. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Canoas: Ulbra, 2005, vol. 9, p. 594)



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Americano rouba US$ 7 bi porque "Jesus queria que ele ficasse rico"

Já publicamos vários artigos comentando sobre esta estranha predominância do "pensamento mágico" no meio evangélico brasileiro, importado em larga escala dos EUA, discurso que é filho bastardo da "teologia da prosperidade" importada de lá e ao qual damos o nome de "triunfalismo" e abordamos por vários ângulos, como em:

As jumentinhas de Balaão (agosto de 2009)

O conto do bilhete premiado (agosto de 2009)


Pirlimpimpim gospel (julho de 2010)

Sentimentalismo gospel (fevereiro de 2011)


Crendices quânticas (setembro de 2013)


Agora chega dos Estados Unidos uma notícia publicada no UOL Tabloide que dá uma ideia de até onde esse delírio pode chegar:

Homem diz que roubou US$ 7 bilhões porque Jesus quer que ele fique rico

Um norte-americano acusado de ter acumulado US$ 7 bilhões (cerca de R$ 21,8 bilhões) em transferências fraudulentas afirmou, em audiência na Justiça, que só roubou o dinheiro porque Jesus queria que ele ficasse rico.

John Michael Haskew, morador de Lakeland, na Flórida (EUA), foi preso em dezembro do ano passado depois de ter feito transferências bancárias fraudulentas de uma "renomada instituição financeira" para sua própria conta.

Haskew precisava de dinheiro para pagar uma dívida com o governo federal. O americano usou um esquema para fazer mais de 70 transferências que acumularam um total de US$ 7 bilhões.

Segundo os investigadores da polícia, Haskew afirmou que acreditava que merecia o dinheiro porque "Jesus quer que todos sejam ricos". O fraudador disse que com o esquema criminoso iria conseguir "obter a riqueza que Jesus criou para ele e que pertencia a ele".

Apesar de toda sua "fé", Haskew pode ser condenado a até cinco anos de prisão e terá de pagar uma multa de até US$ 250 mil (cerca de R$ 780 mil).



domingo, 21 de fevereiro de 2016

"Opção preferencial pelos ricos" põe anglicanos em risco de extinção

É o que diz análise da própria cúpula da Igreja Anglicana, segundo noticia o IHU.

Melhor os ideólogos da prosperidade repensarem o seu foco, não é mesmo? 

Eis a matéria:

Sínodo anglicano ouve que a vida católica em comunidades carentes está desaparecendo rapidamente

O sínodo geral da Igreja da Inglaterra ouviu, nesta quarta-feira, que ela vem estando demasiadamente focada na classe média e na meia idade e que precisa levar “a batalha pela alma cristã desta nação” a comunidades periféricas, aos jovens e minorias étnicas. Muitos vigários têm pregado somente aos convertidos em vez de ativamente buscarem novos recrutas ao “partilhar a nova do bom pastor”.

A reportagem é de Harriet Sherwood, publicada por The Guardian, 16-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O arcebispo de Canterbury, Justin Welby, que preside a força-tarefa da Igreja e fez do trabalho missionário um objetivo central da instituição religiosa sob o seu comando, disse que o evangelismo não é “uma técnica de sobrevivência como decorrência de uma inquietação com os mais recentes números mostrando a frequência à igreja”, e sim um “compromisso com a sua renovação”.

Philip North, bispo de Burnley, disse que a igreja tem centrado demais os seus recursos na classe média e falou que ela deveria aumentar a sua presença entre as comunidades mais carentes. “A batalha pela alma cristã desta nação não será vencida ou perdida em Kensington, Cobham ou Harrogate, mas nos locais onde a vida é difícil e onde a vida da igreja está desaparecendo rapidamente”, declarou, acrescentando que a igreja esteja, pelo menos, presente nas “comunidades mais pobres, nos bairros periféricos das nossas cidades”.

Segundo uma análise apresentada num encontro sinodal em Londres:

• per capita, a igreja gasta significativamente menos em comunidades carentes na relação com a média nacional (£ 5,09 por ano numa média de £ 7.90);

• a frequência à igreja entre os que vivem em comunidades carentes está menos da metade abaixo do que os dados nacionais: – 0,8% em comparação com 1,7%;

• a velocidade do declínio na frequência à igreja é quase quatro vezes mais rápida aqui do que na comparação nacional.

O clero se sente isolado, sozinho e esquecido, segundo North. “A igreja em nossas comunidades carentes está morrendo, e está morrendo muito rapidamente. A conclusão é óbvia: somos líderes de uma igreja que assumiu uma opção preferencial pelos ricos”. Uma igreja que “abandona os pobres abandonou a Deus”, disse ele.

A força-tarefa da Igreja da Inglaterra realizará um congresso no próximo mês no Palácio de Bishopthorpe, a casa do arcebispo de York, para debater o potencial de expansão de sua presença entre os pobres nas comunidades carentes.

O sínodo foi também advertido que a igreja está enfrentando um desafio urgente no engajamento com os jovens. Mais da metade das paróquias tinham menos de cinco pessoas com idade inferior a 16 anos em suas congregações, afirmou Mark Russell, membro da força-tarefa. Ele citou um estudo que descobriu que apenas 1% dos cristãos começam a vir à igreja com a idade de 45 anos, e disse: “É fundamental compreender a seriedade da situação que enfrentamos; a situação continua crítica”.

As dioceses e paróquias deveriam investir em cargos pagos no trabalho junto às crianças e jovens, é o que recomenda a força-tarefa em seu relatório, que foi aprovado pelo sínodo. A igreja pensa em nomear um coordenador nacional para o evangelismo junto aos jovens.

O relatório também diz que negros e pessoas de minorias étnicas tinham uma baixa representação na instituição. Muitos falaram que “se sentiam diferentes na igreja, com perguntas de onde eram e em que lugar vivem. O foco está em enfatizar as diferenças culturais”.

As igrejas deveriam “criar uma cultura que acolha a diversidade cultural dentro de si e que aborde ativamente o preconceito inconsciente”, lê-se no texto.

A força-tarefa destacou questões significativas sobre a disposição de alguns clérigos em se engajar no evangelismo. “Para muitos deles, o entendimento vocacional que possuem está firmemente focado no ministério pastoral que encontra a sua mais completa expressão no exercício dos deveres litúrgicos, na oração, na pregação e no ministério pastoral (...) o trabalho social intencional era de uma importância relativamente menor”.

O clero existente e o clero futuro precisam se equipar como “líderes de missão e testemunho”; o evangelismo é central às vocações ordenadas e “não uma opção extra para alguns”. Os pedidos de ordenação deveriam ser selecionados com base na disposição das pessoas em se envolver com os não cristãos, diz o relatório.



quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ex-Globeleza diz que teve "encontro mágico" com Deus

No final da entrevista concedida a Bruno Astuto, colunista da revista Época, publicada em novembro de 2014, a ex-Globeleza Valéria Valenssa conseguiu expressar em poucas palavras muito do que caracteriza o atual movimento evangélico brasileiro. Eis a frase:
Não tinha uma religião e tive um encontro mágico com Deus. Passei a ler mais a Bíblia e hoje tenho uma Igreja Batista.
Esta frase está no contexto de uma resposta de Valéria à pergunta sobre se sentia falta da época em que era uma celebridade carnavalesca.

Não estamos aqui querendo analisar a experiência de conversão da celebridade em questão, até porque não a conhecemos pessoalmente e sinceramente esperamos que ela tenha tido um verdadeiro encontro com Deus.

Portanto, não há nenhuma crítica pessoal a ela, que pode, inclusive, passar a escolher melhor as palavras daqui por diante.

O que nos chama a atenção no discurso de Valéria Valenssa é a presença de dois lugares comuns no fenômeno evangélico considerado como um todo no país.

O primeiro lugar comum é o "encontro mágico" com Deus.

Parece que muitos evangélicos (não só no Brasil, diga-se de passagem) pautam sua vida pelo "pensamento mágico", do qual o "pensamento positivo" é uma subespécie e a teologia da prosperidade o seu tentáculo mais visível.

Grande parte dos evangélicos não está preocupada no que creem, mas "como" creem. É o discurso utilitarista da "fé na fé", conforme já tivemos oportunidade de abordar aqui.

O segundo lugar comum é o "hoje tenho uma Igreja Batista". Talvez tenha sido um ato falho de Valéria Valenssa, mas boa parte dos líderes evangélicos brasileiros realmente pensa assim: eles têm uma igreja para chamar de sua, e isso no sentido mais possessivo e patrimonialista da palavra.

Muitas denominações hoje são verdadeiros conglomerados familiares, pequenos ou grandes feudos em que o poder (supostamente vindo do alto) é mundanamente hereditário. Passa de pai a filho sem pudor algum.

É de se duvidar que Deus realmente precise dessa profusão de nomes e placas de igreja, que escancaram a incapacidade de seus caciques de se submeterem a uma doutrina firmemente estabelecida, daí não terem vergonha alguma de inventar as suas próprias "teologias", geralmente copiando as heresias que estão dando certo na denominação concorrente da rua de trás (as tais "igrejas customizadas", sobre as quais escrevemos em 2010).

Cá entre nós, no fundo é uma ofensa a Ele ver que seus supostos "servos" precisam "ter" uma igreja sem necessariamente "serem" cristãos.

É muito provável que Valéria Valenssa tenha apenas escolhido mal as palavras, que eventualmente não correspondam à sua vivência espiritual nem expressem com precisão o que ela pensa do cristianismo, mas o seu discurso enviesado nos permite enxergar um pouco mais além do óbvio ululante que motiva muitos movimentos evangélicos no Brasil.



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Quando Myles Munroe disse a Malafaia e Pr. Everaldo que "Deus não ataca o governo"

No último domingo à tarde, o conhecido pastor Myles Munroe, natural das Bahamas, faleceu num acidente aéreo em Freeport, naquele arquipélago, que também vitimou sua esposa Ruth e sua filha Charis, além de do piloto e mais cinco acompanhantes.

Embora tenha começado seu trabalho no Brasil com Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, Munroe ficou mais conhecido por sua parceria com Silas Malafaia, desde que este último se enveredou pelos tortuosos caminhos da teologia da prosperidade.

A pregação e os livros de Myles Munroe, promovidos por Malafaia, se assemelhavam mais a uma palestra motivacional de auto-ajuda, tendo pouco ou nada de propagação do evangelho da cruz de Cristo.

Curioso é ver, logo no começo do vídeo abaixo, gravado durante a 1ª ESLAVEC de 2012, o momento em que Munroe diz, na presença de Malafaia e do Pr. Everaldo, candidato derrotado do PSC à Presidência da República nas últimas eleições, que "Deus não ataca o governo".

Pelo jeito, Malafaia e Everaldo não seguiram este conselho de Myles Munroe.




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Megatemplo consolida a marca "Universal" no mercado religioso brasileiro


A opinião é do especialista entrevistado pela Deutsche Welle, numa análise muito interessante:

Megatemplo consolida posição da Universal no "mercado das religiões"

Construção de quase 700 milhões de reais reforça presença da igreja de Edir Macedo na forte disputa entre as religiões, num momento em que pequenas unidades de periferia puxam o crescimento das neopentecostais.

Dezenas de igrejas fazem parte da paisagem do bairro do Brás, em São Paulo. Poucas centenas de metros de uma das principais avenidas, a Celso Garcia, concentram dezenas delas, de pentecostais a tradicionais, de pequenas a prédios.

Entre todas, uma passou a se impor na região: o novo templo da Igreja Universal do Reino de Deus, inaugurado nesta quinta-feira (31/07). A construção custou 685 milhões de reais, pode receber até 10 mil visitantes e deve consolidar a posição da Universal no concorrido mercado das religiões brasileiras.

"A inauguração do megatemplo representa uma consolidação da Universal, mas não do neopentecostalismo como um todo", opina Edin Abumanssur, professor de sociologia da religião da PUC-SP. "Esse megatemplo é uma forma de marcar e consolidar uma posição na disputa do mercado das religiões. A abertura do templo na maior metrópole brasileira significa que a Universal tem condições de se perpetuar no tempo."

De acordo com o IBGE, o segmento religioso dos evangélicos foi o que mais cresceu no Brasil entre 2000 e 2010. Foi de 15,4% da população brasileira para 22,2%, um aumento de 16 milhões no número de adeptos, totalizando hoje 42,3 milhões. Como comparação, o percentual de católicos diminuiu de 73,6% para 64,6%.

Mensagem para os pobres

Em 2010, entre os adeptos de igrejas evangélicas de origem pentecostal, a Universal (1,87 milhão) era a terceira, atrás apenas da Assembleia de Deus (12,3 milhões) e da Congregação Cristã do Brasil (2,2 milhões).

Parte do crescimento dessas igrejas é atribuída à nova realidade econômica e à maior atuação junto às populações de baixa renda e baixa escolaridade. A Universal, por exemplo, tem uma mensagem que é bem recebida por esse público.

Ela inclui a cura pela fé, que responde a uma demanda específica da população mais pobre; a teologia da prosperidade, em que a Igreja incentiva que as pessoas procurem empregos e criem redes de contato para saírem da exclusão social; além do uso dinâmico de meios de comunicação e de ferramentas de internet.

"Quase toda cidade brasileira, na região central, possui uma igreja católica. Mas nas periferias, principalmente das grandes cidades, a Igreja Católica não conseguiu se expandir e chegar perto dessas populações mais pobres. Quem faz isso são as igrejas evangélicas, especialmente as pentecostais", explica Eustáquio Diniz, demógrafo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

O grande número de adeptos se deve à proliferação de pequenas unidades autônomas, geralmente localizadas em bairros de periferia e frequentadas por cerca de 50. No Censo de 2010, foram cerca de 5,2 milhões de fiéis que se encaixaram na classificação "outras igrejas evangélicas de origem pentecostal" e mais 9,2 milhões que entraram na rubrica "evangélica não determinada".

"São comunidades que não têm condições de sustentar um pastor em tempo integral", explica Abumanssur. "Geralmente o pastor é um trabalhador, por exemplo funcionário público ou taxista, que, no domingo à noite, abre um templo. Muitas vezes funciona na garagem da casa dele", completa o especialista da PUC-SP.

A Universal, em particular, perdeu adeptos entre 2000 e 2010 – passou de 2,1 para 1,87 milhão. Mas não dá mostras de enfraquecimento: na década passada, a igreja ampliou seus espaços na política institucional, e a TV Record, de sua propriedade, se consolidou como o segundo canal de televisão aberta do país em audiência.

Passou, ainda, a estar presente em mais de cem países. Nos EUA, onde iniciou seu processo de internacionalização, chega a ter mais de 190 templos. Já na África do Sul, são mais de 380. Existem ainda unidades no Japão, em Moçambique, na Letônia, na Rússia, na Grécia e na China.

Ostentação

Em seus 74 mil metros quadrados de área construída e capacidade de abrigar confortavelmente 10 mil fiéis sentados, o megatemplo demorou quatro anos para ser construído. A edificação é cerca de três vezes maior do que o Santuário Nacional de Aparecida – que perde, assim, o posto de maior espaço religioso do país.

A inauguração deverá contar com a presença da presidente Dilma Rousseff; do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva; do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad. Jornalistas não poderão entrar durante a inauguração e vão acompanhar a cerimônia do lado de fora. O único discurso ficará a cargo do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, há 37 anos.

A construção, que tem altura equivalente a 18 andares, apresenta detalhes impressionantes. A iluminação da fachada, no valor de 22 milhões de reais, promete imitar o entardecer em Jerusalém. Cerca de 40 mil metros quadrados de pedras foram importados de Hebron, em Israel, por 30 milhões de reais, para revestir as paredes do megatemplo. Dois telões trazidos da Bélgica, próximos ao altar, facilitarão a visão dos fiéis.

O acabamento inclui cadeiras importadas da Espanha, com o custo, cada uma, de 2,2 mil reais; mármore rosa italiano; e um jardim de oliveiras importadas do Uruguai para relembrar o Monte das Oliveiras, onde Jesus passou a sua última noite na Terra antes de ser crucificado. Uma esteira rolante vai receber o dízimo dos fiéis e levará o dinheiro do altar para uma sala-cofre.

A obra marca uma nova fase da Universal e tenta, segundo especialistas, tornar a igreja ainda mais visível no espaço social. "Os templos da Universal estavam sendo esvaziados pela concorrência, que copiava seus métodos de trabalho. Agora, ela troca a capilaridade de seus pequenos e médios templos por grandes e vistosas catedrais", diz Leonildo Silveira Campos, professor de ciências da religião da Universidade Metodista de São Paulo.

As paredes laterais internas do megatemplo vão ser decoradas por menorás, os candelabros de sete braços comuns em sinagogas. Um memorial ao lado do templo vai explicar a história das 12 tribos de Israel, contada no Velho Testamento. Em dois subsolos, serão disponibilizadas cerca de 2 mil vagas para carros, ônibus e motos.

O complexo contará com escolas bíblicas com capacidade para comportar aproximadamente 1,3 mil crianças, estúdios de televisão e rádio, auditório, além de hospedagem para pastores. Para atrair fiéis de outras Igrejas, a Universal não vai usar seu nome nem a inscrição "Jesus Cristo é o Senhor" – comum em seus edifícios – no megatemplo.



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Hitler e a espiritualidade contemporânea

Hitler comanda ataque nazista em caricatura soviética de 1942

Artigo de Mateus Prates Mori, a quem agradecemos por ter gentilmente autorizado sua reprodução aqui:

ESPIRITUALIDADE CONTEMPORÂNEA:
O que Hitler tem a ver com isso?

Muitos hoje baseiam qualquer tipo de espiritualidade com algo absorvido ou criado por eles mesmos. Como diz o ditado, no Mundo há tantas pessoas como religiões. Mas, o que Hitler tem a ver com tudo isso?

A grosso modo, pode-se dizer que hoje a religião imperante é uma espécie de Unismo. Como explica o Dr. Peter Jones, no Unismo acredita-se que se há um deus, ele está em todas as coisas e é todas as coisas. Em uma analogia, deus seria o conjunto dos números reais, ou seja, todos os números. Nesse bem bolado, você necessita ter olhos para ver o todo. Você faz parte do Cosmos sendo uma parte muito importante do Universo. Você deve exercitar olhar para dentro de si e achar o seu deus interior. Não é um exercício fácil e você pode e deve fazer o uso de várias técnicas, como meditação transcendental, questionamento da moralidade vigente, esvaziamento e libertação da mente em direção a um estado de harmonia com o universo, algo semelhante a um Nirvana. Seja como for, o que se deve buscar é toda a capacidade dentro de si para ser feliz e ser uma pessoa realizada, amando a si mesmo primeiro, para enfim entrar em harmonia consigo e com o universo. Só assim você entenderá o seu papel. Somente dessa forma você pode oferecer ao próximo o seu melhor. Você deve ser satisfeito sozinho e buscar a completude sem haver a necessidade de encontrar a felicidade em alguém. Você pode ser tudo o que você desejar, sendo capaz de realizar seus sonhos sempre tendo em mente que isso faz parte de um plano geral.

Tudo isso é muito bonito, muito belo e com certeza fala ao coração da humanidade. Não acredito que haja um ser humano que em sua essência natural deseja ser um fracassado. Esse discurso se assemelha bastante com a filosofia de Nietzsche destacando que "A sociedade nunca considerou a virtude outra coisa senão um meio para a força, o poder e a ordem". Em 'A vontade de poder', Nietzsche profetizou a vinda de uma raça de dominadores, "uma espécie humana particularmente forte, altamente dotada de inteligência e vontade". Quase todo tipo de ideologia mama, de alguma forma, nesse fundamento. A teologia da prosperidade que cresce no meio evangélico não é diferente. Afinal, se o Todo-Poderoso o salvou, Ele o salvou para ser um vencedor. Você é um campeão de Deus e como tal deve determinar a sua vitória sobre todas as coisas, pois se Ele prometeu nos dar todas as coisas, assim Ele fará.

De modo muito interessante esse tipo de pensamento rondava a mente de Adolf Hitler. Ouve-se, por vezes, que Hitler era cristão católico. Não era, sabemos, mas não também era abertamente anticristão. Sempre usou a Igreja como massa de manobra para impor sua ideologia e quando necessário distorcia as Escrituras. O Führer apoiou a ala da Igreja denominada de Cristãos Alemães que criaram o 'Cristianismo Positivo'. Uma similaridade que se nota com a espiritualidade atual e a doutrina propagada pelos Cristãos Alemães era o DESPREZO AO ENSINO DO PECADO E DA GRAÇA. O próprio Hitler considerava a pregação cristã de "mansidão" inútil à ideologia nacional-socialista da época, dizendo: "Temos a desgraça de que a nossa religião não nos convém.

Por que não temos a religião dos japoneses, cuja aspiração máxima é o sacrifício pela pátria? Para nós a religião maometana teria sido melhor que o cristianismo, uma religião frouxa e paciente". Em seu livro 'A cruz distorcida: o movimento cristão alemão do Terceiro Reich', a historiadora Doris Bergen escreveu que "os Cristãos Alemães pregavam um cristianismo como o polo oposto do judaísmo, Jesus como líder antissemita, e a cruz como símbolo de guerra contra os judeus". O Evangelho da cruz de Cristo era aquém e negativo demais para recuperar o orgulho e a força do povo alemão após a humilhação no Tratado de Versalhes. Admitir a derrota não é uma opção.

Se você leu até aqui, espero que você possa trazer à memória o que traz esperança. Sim, Jesus Cristo venceu todas as coisas e nos deu a salvação eterna oferecendo-se a si mesmo, de uma vez por todas, como sacrifício vicário (substitutivo) pelos nossos pecados (Hb 7.27). Porém, Cristo jamais pregou e viveu como se dele emanasse poder autogerado. Todo poder por ele exercido emanava do Pai das Luzes (Tg 1.17) e vinha como resultado da perfeita submissão do Filho ao Pai (Mt 11.27; Jo 8.28; Jo 12.49). O Evangelho de Jesus veio revelar que o homem é pecador e que não há esperança de salvação para ninguém abaixo dos céus senão por uma ação ativa de amor do Pai revelando esse favor imerecido por intermédio de Jesus (Mt 19.16-26). O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Mas apesar de sermos filhos de Deus, nós não somos deuses. "A igreja possui um único altar, o altar do Todo-Poderoso [...] perante o qual toda criatura deve se ajoelhar. Aquele que procura coisa diferente disso deve se afastar; não pode se juntar à casa de Deus [...]. A igreja possui um único púlpito, e, do púlpito, a fé em Deus (que está em Cristo Jesus) será pregada, e nenhuma outra fé, e nenhuma outra vontade que não a vontade de Deus, por mais bem-intencionada. [...] não podemos simplesmente não estar atento com o fato de que a causa de Deus nem sempre é o sucesso; nós realmente podemos ser 'malsucedidos': e, ainda assim, estar no caminho certo" (Dietrich Bonhoeffer).

Na verdadeira espiritualidade, para Deus sucesso é:

  • Humildade para o reconhecimento de sua natureza pecaminosa.
  • Arrependimento do que te leva a se distanciar de Deus (inclusive, eventualmente fazer tudo "certinho" e não dar glória a Deus pelo privilégio de ser participante de Sua Obra)
  • Submissão à vontade de Deus (que é naturalmente contrária a sua, o que inclui negar-se a si mesmo).
  • Fidelidade à promessa da Palavra de Deus de que Ele irá cumprir a transformação que começou em cada um dos crentes até o dia que encontraremos com o nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo diante dos fracassos e derrotas que tivermos aqui nesse mundo.


Disse Jesus: "Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (Jo 16.33).

"Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Rm 8.36 e 37).



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Papa se irrita com cardeais que moram em coberturas 5 estrelas em Roma

O que tem de "pastor", "bispo" e "apóstolo" "evangélico" da prosperidade que vai gostar dessa notícia não está no gibi...

Parece que cardeais (e bispos, como os de Limburg, na Alemanha, e o de Atlanta, nos EUA) também são chegados numa mansãozinha para chamar de sua, o que tem irritado o cardeal argentino D. Jorge Mario Bergoglio, mais conhecido como papa Francisco.

A matéria publicada no Diário do Centro do Mundo:

O escândalo dos cardeais com coberturas cinco estrelas em Roma

Publicado originalmente no Il Fatto.

O Papa Francisco só soube há dois dias que o ex-secretário de Estado, Tarcisio Bertone, decidira viver em uma megacobertura com um grande terraço. O papa sabe que Bertone não ficou satisfeito com o apartamento comum desde 20 de dezembro do ano passado, quando Marco Lillo, no jornal italiano Il Fatto, publicou a notícia.

Agora, o La Repubblica relata a reação de Bergoglio, irritado com a escolha do ex- secretário de Estado de unir dois apartamentos em um: aquele atribuído a ele, onde antes vivia o ex-chefe da Gendarmeria vaticana, Camillo Cibin, que morreu em 2009; e o de Dom Bruno Bertaglia, vice-presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, que morreu em 2013.

Tamanho da super cobertura: cerca de 600 metros quadrados (segundo o La Repubblica) com 100 metros quadrados de terraço. O apartamento onde Bertone passará a sua aposentadoria está localizado no Palazzo San Carlo, a poucos passos da Domus Sanctae Marthae, onde reside o Papa Francisco, que escolheu um apartamento de dois quartos de 70 metros quadrados.

Aí também vive o secretário de Estado, Pietro Parolin, que se contentou com um simples apartamento de um quarto. E no mesmo edifício também vivem (em apartamentos de dois quartos) os dois secretários de Bergoglio, Mons. Alfred Xuereb e Mons. Fabian Pedacchio Leaniz.

Mas nem todos, incluindo cardeais e altos prelados, fizeram a mesma escolha do papa e dos seus fidelíssimos. Muitos vivem em apartamentos muito maiores do que o de Bergoglio. Entre os imóveis em reforma, por exemplo, está o do chefe da Gendarmeria, Domenico Giani, interceptado pela Procuradoria de Roma enquanto escrevia em papel timbrado aos órgãos italianos de polícia para ajudar Dom Nunzio Scarano (agora em julgamento por ter recebido ilegalmente 20 milhões de euros na Itália) para recuperar 400 mil euros dados ao agente dos serviços secretos GiovanniZito.

Giani, em um primeiro momento, tinha ido morar em uma casa em Aurelia, em território italiano. Alojamento temporário. De fato, estavam terminando a reforma do seu apartamento com vista para a Via di Porta Angelica. Acima do terceiro andar, apareceu de repente um novo andar, com três janelas e duas grandes vidraças, às quais se acrescentam dois banheiros com banheira de hidromassagem e um terraço.

Mas, passeando dentro dos muros vaticanos, há muitos palácios suntuosos, com apartamentos que variam de 200 a 250 metros quadrados. Muitas deles são habitados por cardeais, que não os usam totalmente, deixando muitos quartos completamente fechados. No Palazzo Sant’Ufficio, ao lado da Praça de São Pedro, por exemplo, mora, juntamente com duas irmãs, o cardeal Velasio De Paolis, presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé.

O cardeal Giuseppe Bertello, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, vive no último andar doPalácio do Governatorato. Também nesse caso, é utilizada apenas uma parte da casa. O cardeal Angelo Sodano, por outro lado, vive em um andar do palacete que abriga o Colégio Etíope, atrás de São Pedro, depois de ter que abandonar o apartamento mais suntuoso na primeira Loggia do Palácio Apostólico.

E esses são apenas alguns exemplos. Do lado de fora dos muros vaticanos – sempre em grandes apartamentos de propriedade da Santa Sé – vivem outros altos prelados. No mesmo palácio, na praça da cidade leonina, vivem, por exemplo, o cardeal Walter Kasper, teólogo alemão, e o bispo bávaro Gerhard Ludwig Müller, que teve o privilégio de viver no mesmo apartamento que antes era de Ratzinger e onde ainda se encontra parte da sua biblioteca. Esses exemplos citados são apenas alguns dos imóveis de propriedade do Vaticano.

Não existe uma estimativa pública do valor imobiliário de todos esses palácios. Nos últimos anos, segundo algumas notícias da imprensa, o patrimônio imobiliário disseminado no mundo de propriedade do Vaticano chegava a cerca de 2 bilhões de euros. Cerca de metade se encontra na Itália e se trata de 20% do patrimônio nacional.

Com um patrimônio desse porte, há anos discute-se a possibilidade de cobrar o IMU, o imposto sobre imóveis, da Igreja também. Mario Monti [ex-primeiro-ministro italiano], para evitar a multa europeia, em 2012, estabeleceu que as entidades eclesiásticas deviam pagar pela parte comercial dos seus imóveis. A regulamentação normativa, porém, não foi aprovada antes dos termos das declarações. O jogo, portanto, será decidido este ano.



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

STJ condena Universal a devolver doações de fiel

O resumo da ópera é o seguinte: pastor da universal convence contadora da igreja a "sacrificar" o valor do trabalho honesto dela para os cofres da denominação, só que o pastor some com o dinheiro e ela é levada à ruína econômica.

Um exemplo triste de como é possível manipular a crença das pessoas com os mais vis interesses.

Destaque negativo também para a defesa da universal incluir a "oferta da viúva pobre" na sua argumentação, diante de um quadro vergonhoso desses.

A notícia é do Superior Tribunal de Justiça:

Igreja Universal terá de devolver mais de R$ 74 mil de doações feitas por fiel

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) terá de devolver a uma ex-fiel mais de R$ 74 mil, em valores de 2004 a serem corrigidos. A igreja não conseguiu fazer com que seu caso fosse reavaliado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF).

A fiel trabalhava como contadora. Em 2003, recebeu uma grande quantia em pagamento de um trabalho. Um pastor da IURD a teria então pressionado para que fizesse um sacrifício “em favor de Deus”. A insistência do pastor incluía ligações e visitas à sua residência.

Segundo alegou, estava em processo de separação judicial, atordoada e frágil. Diante da pressão, teria feito a doação de mais de R$ 74 mil, em duas parcelas. Depois disso, o pastor teria sumido da igreja, sem dar satisfações. A IURD afirmava não saber do ocorrido nem ter como ajudá-la. Em 2010, a contadora ingressou com ação para declarar nula a doação.

Ela alegou que, após a doação, passou a sofrer de depressão, perdeu o emprego e ficou em crescente miséria. Testemunhas apontaram que chegou a passar fome, por falta de dinheiro.

Ato de fé

Para a IURD, atos de doação como esse estão apoiados na liturgia da igreja, baseada em tradição bíblica. Disse que a Bíblia prevê oferendas a Deus, em inúmeras passagens.

A defesa da IURD destacou a história da viúva pobre, em que a Bíblia afirmaria ser muito mais significativo o ato de fé de quem faz uma doação tirando do próprio sustento.

Assim, a doação da contadora não poderia ser desvinculada do contexto religioso. A IURD apontou ainda a impossibilidade de interferência estatal na liberdade de crença, sustentando que o estado não poderia criar embaraços ao culto religioso.

Além disso, a fiel teria capacidade de reflexão e discernimento suficiente para avaliar as vantagens de frequentar a igreja e fazer doações.

Subsistência

Para o TJDF, as doações comprometeram o sustento da ex-fiel. Entendeu que o ato violava o artigo 548 do Código Civil, que afirma ser nula a doação de todos os bens sem reserva de parte ou de renda suficiente para a subsistência do doador.

O TJDF apontou ainda que o negócio jurídico nulo não pode ser confirmado nem convalesce com o decurso do tempo. Por isso, não se fala em decadência no caso.

O tribunal também afastou a análise do caso sob o ponto de vista do vício de consentimento, já que se discutia a questão da doação universal de bens.

Declínio

Sob essa perspectiva, as testemunhas apontaram que o padrão de vida da contadora foi progressivamente reduzido diante das campanhas de doação. A insistência do pastor teria impedido que ela realizasse seus planos de investimento do dinheiro recebido, entre eles a aquisição de um imóvel.

Além disso, o TJDF entendeu que, sendo profissional autônoma, ela não poderia contar com remuneração regular, e o valor doado constituiria reserva capaz de ser consumida ao longo de anos na sua manutenção.

“Dos autos se extrai um declínio completo da condição da autora, a partir das doações que realizou em favor da ré, com destaque para a última, que a conduziu à derrocada, haja vista que da condição de profissional produtiva, possuidora de renda e bens, passou ao estado de desempregada, endividada e destituída da propriedade de bem imóvel”, afirma a decisão do TJDF.

O tribunal observou ainda que “todo o quadro de ruína econômica em que se inseriu abalou seu estado de ânimo, havendo, ao que consta, até mesmo sido afetada por depressão, que mais ainda dificultou a reconstrução de sua vida”.

Revisão de provas

No STJ, a IURD pretendia demonstrar que o ato da contadora não constituía doação universal, já que ela havia mantido um imóvel, carro e parte da renda obtida com o trabalho.

Mas, para o ministro Sidnei Beneti, a análise da pretensão recursal da Igreja Universal exigiria o reexame de provas do processo, o que é vedado em recurso especial. Por isso, o relator negou provimento ao agravo da igreja, o que mantém a decisão do TJDF.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Abraço do papa x abraço de afogado


Na tradicional audiência geral da quarta-feira, 6 de novembro de 2013, o papa Francisco surpreendeu o mundo ao abraçar um homem desfigurado pela neurofibromatose, também conhecida como "doença de Von Recklinghausen".

A enfermidade, de origem genética e até o momento incurável, se caracteriza pelo crescimento descontrolado do tecido nervoso conhecido como neurofibroma, e se apresenta em várias formas, que podem eventualmente ser tratadas com radioterapia ou remoção cirúrgica, caso seja possível.

Em sua pior manifestação, o enfermo pode ficar completamente desfigurado pelos tumores e arquejado pelas fortes dores, como se pode perceber pelo que aconteceu no evento com o papa.

A rejeição social é, portanto, um equivalente moderno da situação pela qual passavam os leprosos na época de Jesus, o que chama ainda mais a atenção para o belo gesto do papa em abraçar alguém que tenha essa doença.

É inevitável notar, também, o contraste do gesto papal com a atitude de certos líderes evangélicos brasileiros, que se afogam (e geram afogados) em suas preocupações e pregações com mansões, aviões, carrões e televisões, deixando de lado o cuidado com o próximo, cuidado este que - muitas vezes - se basta com um simples abraço.





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Há evangélicos que preferem as pirâmides


Não vou citar nomes, porque eles não merecem sequer ser referidos ou lembrados, mas é impressionante a profusão dos esquemas de pirâmide que se espalham entre os evangélicos.

Esse fenômeno é um tanto quanto cíclico, embora varie de roupagem com o passar do tempo. O "conto do vigário" vira o "conto do pastor" e vice-versa...

No começo da década de 2000, por exemplo, quando nem havia redes sociais, era muito comum ser exposto às "correntes" que eram enviadas por cartas convencionais, via email ou pelos fóruns de discussões na internet, em que os "irmãos" passavam uma espécie de "lista" em que cada pessoa era convidada a "abençoar" outros "irmãos" com o depósito de uma certa quantia (geralmente R$ 1,00) para o(s) nome(s) imediatamente anteriores.

Algo mais ou menos assim:



Mais "pirâmide" que isso, impossível. O golpe todo se sustentava nos espertos que acreditavam (ou fingiam acreditar) na balela que um "irmão" lhes contava e tratavam de envolver outros incautos no esquema.

Ai do recipiente da mensagem que fosse honesto e se recusasse a participar dessa maracutaia! A simpática e alvissareira "cartinha" já deixava claras as maldições para aqueles que "quebrassem a corrente".  

[Sim, há certos "evangélicos" especializados em rogar praga...]

A fraude era bem amadora e nem se preocupava em mascarar o óbvio estelionato, fornecendo dados completos como nome, RG e conta bancária, e havia crente que insistia em dizer que aquilo era uma "bênção", e coitado de quem ousasse lhes dizer que estavam cometendo um crime.

Quando confrontados, das duas uma: ou faziam questão de persistir no erro dizendo que não havia nada de errado no que estavam fazendo, ou alegavam não saber que o esquema configurava crime.




Um dos princípios básicos de direito, em latim, entretanto, diz que "ignorantia legis neminem excusat", ou seja, "ninguém pode alegar desconhecer a lei". Não adianta o sujeito dizer que não sabia que a "pirâmide" que ele promovia era crime.

Como você já deve ter imaginado, o golpe tem um certo prazo de validade, porque é insustentável no tempo. O estouro é inevitável.

Chega uma hora em que a corda estica demais e adivinhe de que lado ela vai arrebentar...

Ao contrário do ditado popular, os últimos a entrarem só serão os primeiros a reclamar que foram lesados por algum estelionatário que lhes vendeu a ilusão.

Como há muita gente envolvida, e os valores subtraídos na ponta são de pequena monta, a apuração desses crimes geralmente não dá em nada, salvo raras exceções.

O vigarista que teve a ideia inicial, e está no topo da pirâmide, é quem realmente faz a festa.


Agora, o que é impressionante é a quantidade de "evangélicos" que não só caem como promovem e "ungem" este golpe.

Primeiramente, como já tivemos oportunidade de comentar no artigo "O conto do bilhete premiado", “cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tiago 1:14).

É fácil e cômodo vestir a máscara de "vítima" e se dizer enganado por alguém, mas esses "evangélicos" são ludibriados mesmo é pela sua própria cobiça, pelo seu desejo de se dar bem, o que é até compreensível (embora inaceitável) com o pensamento mágico da prosperidade que é pregado todo santo dia em muitas "igrejas" que se dizem cristãs por aí.

Em segundo lugar, conforme também já analisamos no artigo "Os ais de Habacuque e o triunfalismo evangélico", os "crentes" de hoje em dia recebem a palavra de certos "pastores" como verdades insofismáveis e revelações novidadeiras, sem o cuidado bereano de conferirem na Bíblia se o que eles pregam corresponde à verdade de Deus.

Um dos "ais" de Habacuque (2:9) se refere a esse desejo mórbido e inconsequente do dinheiro fácil: “Ai daquele que adquire para a sua casa lucros criminosos, para por o seu ninho no alto, a fim de se livrar das garras da calamidade!”

O lucro fácil e criminoso - este SIM! - corresponde a uma maldição bíblica, que nada tem a ver com a "bênção" da pirâmide próspera apregoada em certos púlpitos ou com as pragas rogadas contra aqueles que quebram a corrente "ungida".

Parece que o livro de Habacuque foi descartado da Bíblia, assim como a busca da santidade, a ética e o bom senso da vida de certos indivíduos que se dizem "cristãos".



Falta-lhes, no mínimo, discernimento. A palavra "evangélico" adquiriu um sentido mágico no Brasil, de maneira que basta qualquer meliante se dizer "evangélico" que um bando de "evangélicos" passa a crer neles de olhos vendados.

Abusando do argumento do "não julgueis" de Mateus 7:1, esses evangélicos deliberada e convenientemente se esquecem do "julgai segundo o reto juízo" de João 7:24 (leia a comparação clicando aqui) e - a exemplo dos guias cegos de Mateus 23:24 - engolem pilantras camelos enquanto coam mosquitos.

Na sua busca desenfreada por poder e dinheiro, Deus é só um detalhe útil para enganar os outros.

Nos últimos tempos, o esquema de pirâmide se apropriou do pomposo nome de "marketing multinível", que é até um negócio que - em certas condições bastante específicas - não tem nada de errado, embora haja muita gente que queira ampliar o seu conceito para açambarcar esferas assim não tão confiáveis.


Algumas empresas se aproveitaram desse nome para gerar gigantescas pirâmides financeiras que estão sendo investigadas pelas autoridades competentes, mas que - antes de virarem casos de polícia - chegaram a levar cidades inteiras à beira da falência quando o esquema ruiu.

Não por acaso, havia muitos "evangélicos" nessas pirâmides de nome chic. Afinal, ninguém vai montar uma pirâmide e dar-lhe o nome de "sepulcro caiado", por mais múmias malcheirosas que haja lá dentro.

Se o ocorrido já não bastasse para a desonra do nome de "evangélico", que um dia já foi respeitado no Brasil, parece que agora há "pastores", "bispos" e "apóstolos" que estão propondo novos negócios de "marketing multinível" com o "caridoso" e "desinteressado" fim de dar "prosperidade" aos "irmãos".

Como são bonzinhos...

Assim, na ânsia do lucro fácil, muitos "evangélicos" estão preferindo voltar à escravidão do Egito para construírem lá as suas inglórias pirâmides, ao invés de desfrutarem da paz de consciência e da liberdade que há no evangelho puro e simples de Jesus Cristo.

Não tardará muito para que eles também sejam investigados, denunciados, proibidos e - queira Deus! - punidos, mas até lá muitos incautos serão irremediavelmente lesados, com o agravante de algum espertalhão ter usado o nome de Deus em vão para engodá-los.

Vai ser muito difícil, então, confirmar se resolve alguma coisa aquele outro ditado popular: "vá reclamar com o bispo!"





LinkWithin

Related Posts with Thumbnails