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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Batistas do Sul são maiores apoiadores do livre porte de arma nos EUA


A matéria foi publicada no Estadão:

Análise: Evangélicos se opõem a controle de armas

Batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião 

Sarah Pulliam Bailey / W. Post

O massacre de domingo foi o pior ocorrido em uma igreja na história moderna dos EUA. Para muitos evangélicos conservadores, políticas adotadas especificamente para o porte e uso de armas não estão detalhadas na Bíblia e eles não acham que medidas nesse sentido são constitucionais e poderiam resolver o problema dos assassinatos em massa, foi o que disse Russel Moore, presidente do braço político da Convenção Batista do Sul.

Os batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião. Muitos americanos pertencentes a grandes grupos religiosos defendem leis mais rígidas, incluindo os protestantes negros (76%), os católicos (67%), os protestantes brancos (57%), de acordo com pesquisa realizada em 2013 pelo Public Religion Research Institute. Mas os evangélicos – que constituem um quarto da população --, são os menos inclinados a apoiar leis mais rigorosas a respeito (38% são a favor e 59% contra).

Para Jen Hatmaker, escritor e orador conhecido de Austin, o direito às armas se tornou um tema central de debate enraizado na política evangélica. “Conheço perfeitamente mulheres cristãs sensatas, amáveis, que não possuem armas que dirão que ‘não se trata de armas, mas do coração’. É espantoso”, disse ele. “Isso tem raízes profundas e inalteráveis no coração dos evangélicos conservadores, e é tão sagrado quanto a Trindade”.

Depois de o evangelista Franklin Graham ser convidado a rezar durante um café da amanhã da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), em 2014, ele sugeriu no Facebook que não estava de acordo com a exigência de verificação de antecedentes de todo mundo. Por outro lado, defendeu a verificação de antecedentes no caso de imigrantes muçulmanos.

As armas estão incorporadas na estrutura e na psique da cristandade americana desde sua fundação, afirma Karen Swallow Prior, professora de inglês na Liberty University, que escreveu por que carrega uma arma durante suas idas a áreas rurais da Virgínia. “O país foi fundado para escapar da perseguição religiosa. Os EUA se expandiram como um experimento em individualismo e adentraram fronteiras que exigiam armas para a sobrevivência, para autodefesa e para conseguir alimento”.

Os evangélicos também enfatizam muito mais o individualismo e a responsabilidade pessoal do que outros grupos religiosos.

Algumas pessoas acham que a razão pela qual os evangélicos não desejam leis mais rígidas no campo das armas é simples. Os evangélicos votam nos republicanos e os republicanos têm aversão por políticas mais rígidas para as armas. Muitos evangélicos também se opõem porque acham que elas podem acabar infringindo a liberdade religiosa.

“Acho que eles são totalmente partidários. Os evangélicos votam com base nas linhas do partido, tenham elas sentido teológico ou não. Os que são contra o aborto apoiariam qualquer coisa que fosse parte de uma agenda liberal, o que significaria, no final, endossar o aborto, se for parte dessa agenda”.

Em sua análise de dados de uma ampla pesquisa de 2016 chamada CCES Common Content Dataset, o cientista político Ryan Burge comparou as respostas de evangélicos, protestantes brancos e católicos à seguinte pergunta: Você apoia ou se opõe à uma proibição dos rifles de assalto?”. Ele encontrou diferenças que dependiam mais da filiação partidária do inquirido, se era democrata ou republicano, do que da sua identidade religiosa.

Joe Carter, editor da Gospel Coalition, acredita que os evangélicos são mais avessos a mais regulamentos porque são mais adeptos às armas. Os evangélicos brancos são os mais propensos a possuir uma arma, segundo estudo do Pew Research Center, publicado no Christianity Today. Segundo o estudo, 41% dos evangélicos brancos possuem uma arma, em comparação com 33% dos protestantes brancos (33%), indivíduos sem uma religião definida (32%), protestantes negros (29%) e católicos (24%).

Os evangélicos brancos (44%) também se mostram satisfeitos com as leis sobre armas. Por outro lado, pouco mais da metade dos americanos que professa uma religião (52%) acham que a legislação deve ser mais rígida. Segundo Joe Carter, muitos evangélicos apoiariam leis mais rigorosas se acreditassem que elas seriam eficazes para conter os assassinatos. “Mas eles não acreditam que um criminoso que mata pessoas inocentes irá atender a regras estabelecidas para a compra de armas de fogo”, disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O dilema do evangélico contra o aborto e a favor das armas


Não é contraditório, para um evangélico, ser contra o aborto e a favor das armas?

Esta é a questão levantada pelo documentário "The Armor of Light" ("A Armadura da Luz"), como você pode ler em excelente resenha publicada no Estadão de 01/11/15:

Apelo ao diálogo

KENNETH SERBIN

Estrelado por pastor, documentário americano pergunta como evangélicos conservadores podem ser ‘pro­-life’ e favoráveis às armas

Enquanto a bancada BBB – Bala, Boi e Bíblia – do Congresso brasileiro fez o País dar mais um passo para uma maciça ampliação do acesso a armas de fogo graças à votação obtida por uma importante comissão sobre este projeto de lei, esta semana, um membro destacado da família Disney acaba de lançar um documentário que vira de ponta cabeça a justificativa religiosa e moral do porte de armas.

The Armor of Light (A Armadura de Luz), que estreou em cinemas selecionados em vinte cidades americanas na sexta­-feira, onde será exibido por uma semana, é dirigido por Abigail Disney. Sobrinha­-neta de Walt Disney, o fundador do império do entretenimento, ela é doutora em filosofia pela Universidade de Columbia. À primeira vista, é possível que ela seja menosprezada por alguns como mais um representante da elite liberal dos Estados Unidos, fora da realidade da vida diária dos cidadãos que procuram se proteger da violência.

Entretanto, em vez de criticar severamente a posse de armas, The Armor of Light levanta um dilema moral fundamental, mas há muito ignorado: como é possível que cristãos evangélicos conservadores defendam posições que são ao mesmo tempo favoráveis à vida (contra o aborto) e favoráveis às armas?

O título do filme foi extraído da Carta de São Paulo aos Efésios: “Abandonemos as obras das trevas, do medo, do ódio, da vingança, e vistamos a armadura da luz”. A armadura é a Palavra de Deus.

Evitando a abordagem tendenciosa típica de muitos documentários realizados nos últimos anos (como Tiros em Columbine, de Michael Moore), Armor of Light explora a questão através dos olhos de duas pessoas profundamente religiosas que foram dolorosamente atingidas pela violência.

Rob Schenck, ministro evangélico branco, tem impecáveis credenciais conservadoras. Nos anos 90, ele liderou protestos contra o aborto, e numa ocasião carregou um feto morto em público para demonstrar seu opróbrio por esta prática, cena que foi reproduzida no filme.

Fundou um grupo de pressão cristão, Fé e Ação, com escritórios instalados num edifício em frente à Suprema Corte dos Estados Unidos, e lembra que já chegou a vestir um colete à prova de balas com medo de represálias por suas atividades. Mas ficou traumatizado por um incidente ocorrido em seu bairro, em 2013, no qual um indivíduo armado matou doze pessoas.

Então, ele encontrou uma aliada em Lucy McBath, mãe de Jordan Davis, o adolescente afro­americano que, desarmado, foi morto em 2012 por um homem branco irritado porque o jovem e seus amigos ouviam música muito alto no carro em que andavam. Lucy transformou sua dor inenarrável em ativismo, tornando-­se a porta­-voz do movimento Moms Demand Action for Gun Sense (“Mães exigem ação e em favor de bom senso com as armas”) nos Estados Unidos.

Embora Lucy seja favorável ao direito de escolha na questão do aborto, ela e Schenck descobriram uma causa comum na questão das armas.

Abigail Disney capta as tensões que se criam quando Schenck estimula seus colegas conservadores a refletir sobre o problema da posse de armas. “Como pessoa que crê, quais são os seus sentimentos quando eu coloco a seguinte questão: Cristãos e armas”?, ele indaga. “Esta é uma pergunta que os cristãos “deveriam se fazer com devoção, com cautela e com espírito bíblico.”

Penetrando no cerne da cultura dos cidadãos brancos conservadores americanos, Schenck confessa que está “surpreso ao se dar conta de quão profundamente as armas estão integradas na vida, nos pensamentos e até em sua espiritualidade”. Ele destaca que isso é algo novo no cristianismo americano, onde os evangélicos antes da “Revolução Reagan” republicana conservadora eram predominantemente democratas e incluíam em suas fileiras pacifistas e objetores de consciência.

Os evangélicos tornaram-­se “vulneráveis à venda das nossas almas” ao permitirem que a defesa da posse de armas e sua identificação com a Associação Nacional do Rifle (NRA na sigla em inglês), organização extremamente influente, confundissem os limites entre fé e política, afirma Schenck. Por outro lado, em Lucy e em outros cristãos afro­-americanos – uma comunidade onde o medo de ser morto por uma bala é constante – ele encontra um desejo de paz.

“Não penso que a Bíblia peça que nos tornemos guerreiros prontos para a ação, e para mim é isso que quem carrega uma arma está fazendo”, afirma uma mulher negra cristã num encontro com Schenck. “É como se dissesse: ‘Estou preparado para a guerra’.”

“Os Estados Unidos estão vivendo uma crise”, conclui Schenck. E insta seus colegas clérigos a se informarem mais sobre a violência das armas e a “oferecer corajosamente uma clara orientação espiritual, moral e ética sobre esta questão de vida e morte. Não há mais tempo para permanecermos calados”. O direito constitucional de portar armas deve ser moderado por “medidas de segurança inspiradas no bom senso”, observa Lucy McBath.

Abigail produziu uma raridade no panorama da mídia e da política americana: um filme de profunda sensibilidade religiosa, de respeito por ideias opostas e um apelo ao diálogo sobre um dos problemas mais inquietantes do país. Ela espera continuar este diálogo pessoalmente. Com Schenck e Lucy, comparecerá a algumas exibições para conversar com o público, e oferece ingresso gratuito a membros da NRA.

As questões cruciais levantadas por este filme aplicam­-se não somente aos Estados Unidos, mas também ao Brasil e a outras sociedades atormentadas pela violência das armas. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Fuzil AK-47 e o sentimento de culpa de Kalashnikov


Mikhail Kalashnikov faleceu em dezembro de 2013, aos 94 anos de idade, com sentimento de culpa por ter criado o fuzil AK-47 (que não lhe rendeu dinheiro, ao contrário da vodka que leva seu nome), segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo de 13/01/14:

Kalashnikov mostrou arrependimento por mortes causadas por fuzil

O russo Mikhail Kalashnikov, que criou o fuzil AK-47, enviou uma carta ao chefe da Igreja Ortodoxa da Rússia manifestando seu temor por ser o responsável por criar uma arma que matou milhões de pessoas em todo o mundo, informou nesta segunda-feira o jornal "Izvestia".

Kalashnikov morreu em 23 de dezembro aos 94 anos. Durante sua vida, ele nunca havia manifestado seu arrependimento em relação à invenção. Em diversas ocasiões, ele disse que havia inventado a arma para defender seu país e não tinha culpa se os políticos e guerrilheiros a usaram para atrocidades.

Na carta publicada pelo "Izvestia", no entanto, ele afirmou ao patriarca da Igreja Ortodoxa russa, Kirill, que sentia uma dor espiritual insuportável.

"Me faço sempre a mesma pergunta que não posso responder: 'Se meu rifle terminou com a vida de tantas pessoas, pode ser que eu seja culpado pelas mortes, ainda que fossem inimigos?'".

O documento foi enviado em maio de 2012 em papel timbrado da organização chefiada pelo criador da arma e assinada por ele, que se descreveu como "um servo de Deus, o designer Mikhail Kalashnikov".

O secretário de imprensa do Patriarca, Alexander Volkov, declarou ao "Izvestia" que o chefe da Igreja ortodoxa russa recebeu esta carta e escreveu uma resposta pessoal.

"A Igreja tem uma posição muito clara: quando as armas servem para proteger a pátria, a Igreja apoia tanto seus criadores quanto os soldados que as utilizam", disse Volkov. "Ele desenhou este fuzil para defender seu país, não para que os terroristas pudessem utilizá-lo na Arábia Saudita", acrescentou.

FUZIL

Estima-se que a arma, que desenhou em 1947, quando era oficial do Exército Vermelho e se recuperava de ferimentos sofridos durante a Segunda Guerra (1939-1945), vendeu 100 milhões de exemplares.

O fuzil logo se tornou o rifle de assalto padrão da infantaria soviética e, nos anos seguintes, passou a ser adotado por exércitos de mais de 80 países, por guerrilheiros radicais e até por terroristas como Osama bin Laden.

Ele nunca cobrou regalias ou recebeu direitos relativos à criação do fuzil AK-47. Curiosamente, a sua maior fonte de renda provinha da venda de uma vodca que também leva seu o nome.



sábado, 9 de abril de 2011

Matador do Realengo pode ser enterrado como indigente

O massacre de inocentes na escola de Realengo, no Rio de Janeiro, por mais inexplicável e injustificável que pareça (e seja) aos nossos olhos, desperta em nós os instintos mais primitivos, como diria um ex-deputado cassado, também carioca. À medida em que as horas e os dias passam, tentamos, entretanto, procurar explicações e nos deparamos com a gigantesca miséria humana à qual julgávamos estar imunes, e que nos afeta a todos, democrática e lamentavelmente. A notícia do jornal O Globo, de que o corpo do responsável pela barbárie, Wellington Menezes de Oliveira, permanece no Instituto Médico Legal sem que ninguém o reclame, acrescenta uma pitada de indigência ao enredo macabro, que mesmo assim não deixa de ter relevância.

Segundo os primeiros relatos, ao que tudo indica, Wellington era um rapaz tímido e desajustado socialmente embora este desajuste não se traduzisse em atos de rebeldia ou violência perceptíveis a olho nu. Filho adotivo de uma família humilde do subúrbio carioca, cuja mãe biológica já era esquizofrênica, foi criado e educado aparentemente com todo o carinho e cuidado possíveis a uma família nessas condições. ¡Que estranho desajuste emocional e social que é este que fica cozinhando em fogo brando por mais de 20 anos! As informações são desencontradas ainda, já que os familiares e amigos próximos, compreensivelmente, evitam aparecer e dar declarações sobre a história pregressa do hoje facínora. Fica difícil, portanto, traçar um perfil psicológico detalhado de Wellington, mas, a julgar pela carta que deixou (vide abaixo), ele teria tido sérios problemas de sexualidade e misticismo religioso que se juntaram no caldeirão de desgraças estruturais da sua personalidade, e resultaram no massacre do último dia 7 de abril.

O corpo de Wellington permanece no IML e, se ninguém reclamá-lo nos 15 dias seguintes à sua morte, ele será enterrado como indigente. O desejo de muitos hoje seria matá-lo tantas vezes quantas fosse possível antes de enterrá-lo, mas temos que aproveitar o momento para refletir sobre que tipo de sociedade estamos vivendo, com todas nossas carências e omissões. Muitos Wellingtons vivem à nossa volta sem que nós percebamos que são pessoas doentes que precisam de tratamento especializado. É claro que 99,9999% desses Wellingtons que conhecemos ou trombamos na rua jamais farão uma loucura como a do Wellington de Realengo, mas precisamos desenvolver uma maneira coletiva de identificar possíveis Wellingtons e cuidadosamente orientá-los e encaminhá-los a pessoas, psicólogos, psiquiatras, instituições, etc., que possam dar um pouco de coesão a essas personalidades tão fragmentadas e dissociadas de um sentimento comunitário razoavelmente solidário e significativo.

Ainda que as invocações cerimoniais religiosas de Wellington quanto ao seu sepultamento sejam apenas um fruto diletante dos seus delírios automistificadores - e agradasse ao nosso íntimo a ideia de que seu corpo fosse atirado num lixão qualquer -, a sociedade não pode permitir que ele seja enterrado como indigente. Ainda que nos cause náusea a sua figura, ele tem rosto, nome, RG, CPF e - principalmente - uma triste história de vida empanada pela morte inútil e trágica. Podia ter ido embora sozinho e anônimo, é o que todos nós pensamos agora, mas na sua insana busca de fama (e infâmia) levou crianças inocentes e traumatizou todo um país. Ao conceder a Wellington um enterro de gente, não só promovemos um ritual e a catarse de sua descida ao inferno (que começou em vida) como estamos nos comprometendo conosco mesmos, coletivamente, de que também somos gente e vamos tratar os muitos desajustados à nossa volta como gente, dentro do possível que cada um pode fazer, para evitar que tenhamos que descer a novos infernos como este. O momento exige coragem para enfrentarmos os novos fantasmas e exorcizarmos os nossos medos. Coragem para, apesar da dor, ainda cantar o refrão de "Divino, Maravilhoso", letra de Caetano Veloso e Gilberto Gil, na interpretação de Gal Costa: "é preciso estar atento e forte, não temos que temer a morte".


(clique na imagem para ampliá-la)



sábado, 22 de maio de 2010

Desejo de matar

Os recentes acontecimentos envolvendo a situação nuclear do Irã, inclusive com "pronunciamento" público e pago de Silas Malafaia a respeito, revelam o quanto todos nós somos peças insignificantes no tabuleiro de interesses econômicos que realmente dá as cartas no jogo da guerra: a indústria de armamentos. A revelação feita ontem, 21/05/10, pela agência Reuters, da existência de uma carta de Obama a Lula em que o presidente americano dava sinal verde à tentativa de acordo diplomático do presidente brasileiro, duas semanas antes de sua visita ao Irã, para depois de formalizado o acordo, voltar atrás com ameaça de novas sanções ao país persa, mostra como "forças ocultas" agem por trás das melhores vontades políticas. Tudo indica que Lula tenha pago um king kong ao ter acreditado em Obama, e talvez seja tarde demais para o Irã voltar atrás no jogo do qual participou com (mau) gosto desde o início. Notícia de ontem do The New York Times revela mais uma contradição gritante: os Estados Unidos concordaram em que a Rússia venda - agora - armas ao Irã, especialmente baterias antiaéreas, em troca do apoio russo às sanções anti-Irã. Algo parecido como ameaçar a guerra com uma mão, e com a outra dar algumas armas para que haja um mínimo esboço de defesa, beneficiando a indústria bélica um terceiro país, levando o setor bélico global a um delírio lucrativo. Ações explodem na bolsa, ganhos se multiplicam e se concentram nas mãos de poucos, e o grande derrotado, além do Irã, é o desejo de paz no mundo, ferido de morte pela ganância de alguns, e que - pasmem! - inspira "pastores" a publicar matéria paga nos jornais brasileiros defendendo a guerra.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vídeo mostra soldados americanos metralhando jornalistas e crianças no Iraque

O vídeo abaixo, divulgado pelo site Wikileaks, dirigido por Julian Assange, mostra uma tragédia ocorrida em 12 de julho de 2007, quando soldados americanos embarcados em helicópteros filmaram uma ação em que confundiram dois jornalistas da agência Reuters e civis iraquianos com terroristas, e desfecharam um ataque fatal. Não é recomendado para pessoas que se impressionam com a violência, mas é fundamental divulgá-lo para que mais pessoas vejam a que ponto pode chegar a barbárie. Os soldados confundiram uma câmera filmadora com um fuzil AK-47. Depois da saraivada de balas, uma van chega tentando socorrer um dos jornalistas feridos, com duas crianças a bordo, mas mesmo assim são metralhados novamente. O vídeo só foi liberado porque a agência Reuters recorreu a todos os mecanismos legais para expor a trágica trapalhada das forças americanas.


terça-feira, 30 de março de 2010

9 guerrilheiros "cristãos" presos

Segundo o programa da Rachel Maddow na MSNBC, foram 9 (e não 7, como divulgado anteriormente) os militantes da guerrilha "cristã" Hutaree que foram presos pelo FBI ontem, 29/03/10, e que serão indiciados, entre outros crimes, por conspiração para derrubar o governo americano e promover uma guerra civil. Os meios para atingir este objetivo, de acordo com planos apreendidos com os membros do Hutaree, incluiriam ataques e tocaias a policiais. Segundo informa Maddow no seu programa, Hutaree é um nome que não significa absolutamente nada em inglês, mas teria sido escolhido pelos seus integrantes pelo fato do som da sua pronúncia se assemelhar ao de alguma palavra bíblica, seja lá o que isso queira dizer. No símbolo do Hutaree, aparecem também as iniciais CCR, que remetem ao nome Colonial Christian Republic ("República Cristã Colonial"), numa referência do grupo aos tempos em que os Estados Unidos eram uma colônia formada quase que exclusivamente por religiosos, protestantes e brancos.






segunda-feira, 29 de março de 2010

Milícia "cristã" americana planejava matar policiais

Leio no blog de Frank Schaeffer, que a epidemia taleban continua contaminando radicais da direita chamada "cristã" nos EUA. Segundo fontes da agência de notícias AP, o FBI prendeu sete integrantes da "milícia cristã" Hutaree, suspeitos de planejar ataques a policiais no Meio-Oeste americano, no pior estilo PCC em São Paulo, que infelizmente parece que lançou a moda macabra. Ao que tudo indica, o atentado estaria inserido num plano para desestabilizar o governo Obama depois da aprovação da reforma da saúde pública, além de pintá-lo como o Anticristo. Diante da divulgação do complô, o site do Hutaree (com roupagem camuflada - clique na imagem abaixo) está assim meio fora do ar, mas é assustadora a mistura que eles fazem entre ativismo ideológico e cristianismo, e a maneira como eles se definem dá uma dimensão do seu fanatismo:


HUTAREE; Guerreiro Cristão


Como cristãos nós todos somos parte das Almas do Corpo de Cristo, a única e verdadeira igreja de Cristo. Não quaisquer específicos prédios feitos ou organizações controladas por homens. Esta é a crença do soldado Hutaree, como deveria ser a de todos os seguidores de Cristo.

Nós cremos que um dia, como a profecia diz, haverá um Anticristo. Todos os cristãos precisam saber disso e se preparar, como Cristo ordenou. Lucas 22:35-37, E Ele lhes disse: “E perguntou-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada”. 36 Disse-lhes pois: “Mas agora, quem tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e quem não tiver espada, venda o seu manto e compre-a. 37, “Porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento.” Isto claramente fundamenta a razão para o treinamento e a preparação dos Hutaree.

Jesus queria que nós estivéssemos prontos a nos defendermos usando a palavra e que estivéssemos vivos usando o equipamento. A única coisa na terra para salvar o testemunho e aqueles que o seguem, são os membros do testemunho, até o retorno de Cristo nas nuvens. Nós, os Hutaree, estamos preparados para defender todos aqueles que pertencem a Cristo e salvar aqueles que não são. Nós ainda espalharemos a palavra, e lutaremos para guardá-la, até o tempo da grande volta.

Ser Hutaree é manter o Testemunho de Cristo vivo, e seguir um lema, João 15:13, “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” Nós esperamos que, através deste website, nós possamos alcançar aqueles que não têm a palavra de Deus e aqueles que estão perdidos em ideias vãs de Cristo. Muitas das coisas que Cristo disse aconteceriam, têm acontecido e algumas coisas ainda estão em vias de acontecer.

Nós todos precisamos saber que todos carregam uma cruz e a cruz do soldado é tão pesada como qualquer outra. Da mesma maneira como Jesus fez, nós devemos também carregar a nossa cruz até o nosso destino a que nossa vida aponta. Todas as pessoas estão tendo um destino pela vontade de Deus e têm que continuar caminhando até o seu próprio Gólgota. Entretanto, muitas pessoas, mesmo cristãs, não concordam com as coisas que nós fazemos, mas tudo o que temos que dizer é que nós não discutiremos sobre a Bíblia, apenas a leremos pelo que ela é. Nós cremos apenas no que a Bíblia diz e não em somente filosofia, como muitos cristãos atuais fazem. Cristo é o nosso rei dos reis e máximo general de todas as coisas, pelo que nós não somos deste mundo, mas vivemos nele.

O Hutaree um dia irá ver seu inimigo e o enfrentará no campo de batalha se Deus assim o quiser. Nós alcançaremos aqueles que ainda estão cegos nos últimos dias dos reinos de homens e os traremos à vida em Cristo. Daniel 11:32-35, “Ainda aos violadores do pacto ele perverterá com lisonjas; mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas. 33 Os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia por muitos dias cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo despojo. 34 Mas, caindo eles, serão ajudados com pequeno socorro; muitos, porém, se ajuntarão a eles com lisonjas. 35 Alguns dos entendidos cairão para serem acrisolados, purificados e embranquecidos, até o fim do tempo; pois isso ainda será para o tempo determinado”.




O treinamento deles, com fundo musical alemão, também pode ser visto no youtube:



O segundo vídeo já tem um rock gospel como trilha sonora:

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Armas americanas no Iraque têm versículos gravados em código


A ABCNews mostrou ontem uma reportagem sobre as armas utilizadas pelas tropas americanas no Iraque e no Afeganistão, que trazem na sua luneta de mira versículos bíblicos gravados em código, denunciando a possibilidade de se estar realizando uma nova cruzada e o perigo de se combater o radicalismo com radicalismo, já que as armas são utilizadas também pelas forças de segurança iraquianas e afegãs. Além do vídeo disponível no link acima (da ABCNews), reproduzo abaixo texto de autoria do escritor e cineasta americano Frank Schaeffer em seu blog, que gentilmente me autorizou a traduzi-lo e publicá-lo aqui:



FORNECEDORES MILITARES QUE ODEIAM A AMÉRICA

por Frank Schaeffer

Que tal pintar um alvo em nossos homens e mulheres! Que tal, assim, fazer o próximo vídeo da campanha de recrutamento do Taliban e da Al Qaeda!

Estou falando sobre a reportagem do site da ABC News - "U.S. Military Weapons Inscribed With Secret 'Jesus' Bible Codes" – “Armas Americanas com Códigos Bíblicos Secretos de ‘Jesus’ (19 de janeiro de 2009). Referências codificadas a passagens bíblicas do Novo Testamento sobre Jesus Cristo estão inscritas nas lunetas de mira de alta precisão dos rifles fornecidos aos militares dos Estados Unidos por uma empresa de Michigan, segundo uma investigação da ABC News apurou.

As miras são usadas por soldados americanos no Iraque e Afeganistão e no treinamento de soldados iraquianos e afegãos. A fabricante das miras, Trijicon, tem um contrato plurianual de US$ 660 milhões, para fornecer até 800.000 miras aos marines (fuzileiros navais) e contratos adicionais de fornecimento de miras ao exército americano.

As regras militares dos Estados Unidos proíbem especificamente o proselitismo de qualquer religião no Iraque ou no Afeganistão, e foram redigidas para evitar críticas de que o país havia embarcado numa “cruzada” religiosa na sua guerra contra Al Qaeda e os insurgentes iraquianos.

Uma das referências nas miras das armas parece ser uma referência a 2ª Coríntios 4:6 do Novo Testamento, que traz: “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”.

Outras referências incluem citações dos livros de Apocalipse, Mateus e João tratando Jesus como “a luz do mundo” (João 8:12), inscrito nas miras das armas como JN8:12, que diz, “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

Trijicon confirmou à ABCNews.com que acrescenta os códigos bíblicos às miras vendidas aos militares americanos. Tom Munson, diretor de vendas e marketing da Trijicon, que está baseada em Wixom, Michigan, disse que as inscrições “sempre estiveram ali” e disse que não havia nada de errado ou ilegal em adicioná-las. Munson disse ainda que o tema estava sendo levantado por um grupo que “não é cristão”.

A visão da empresa é descrita no seu site: “Guiados por nossos valores, nós procuramos ter nossos produtos usados em qualquer lugar onde soluções de precisão na mira são requeridas para proteger a liberdade individual”.

Portavozes do exército e do corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos disseram que seus departamentos não tinham sido informados sobre as marcas bíblicas...

“Isto está errado, viola a Constituição, viola um número de leis federais”, disse Michael “Mikey” Weinstein, da Fundação para Liberdade Religiosa Militar, um grupo que busca preservar a separação da igreja e do Estado entre os militares. “Isto permite que os muhajedins, o Taliban, a Al Qaeda e os insurretos e jihadistas se queixem dizendo que eles estão sendo atingidos por rifles de Jesus”, ele disse.

Os fabricantes dessas miras e os oficiais militares que souberam disto, não são patriotas na sua negligência criminal. Eu cheguei até esta história como, 1) o pai de um marine e, 2) como um ex-fundamentalista religioso de direita que, antes que deixasse o movimento em meados dos anos 80, era parte de uma subcultura evangélica que se especializou neste tipo de cruzada religiosa (como eu descrevo em meu novo livro Patience With God - Faith For People who don't Like Religion (Or Atheism) – Paciência com Deus – Fé para Pessoas Que Não Gostam de Religião (ou Ateísmo).

O que há de tão terrível com esta ruptura com nossa Constituição é que isto mostra como a subcultura evangélica está profundamente infiltrada entre nossos militares. Desde os capelães fundamentalistas até os generais zelosos e proselitistas, as Forças Armadas estão contaminados com a nossa própria versão do extremismo que estamos combatendo. Para “cristãos” fundamentalistas apaixonados pelo apocalipse, nós realmente estamos lutando uma cruzada bushista do tipo “Manda ver!”.

É tempo do governo se mexer e parar essa situação surreal de uma vez por todas. Oficiais que sabiam do ocorrido deviam ser levados à corte marcial. A empresa em questão deveria perder o seu contrato e nunca mais ser contratada para qualquer projeto militar.

E os idiotas evangélicos que, por um lado, enxergam as nossas Forças Armadas como um campo missionário para converter soldados, e, por outro lado, através deles projetar os esforços missionários internacionalmente, devem ser advertidos de uma vez por todas: “Tirem as mãos das nossas Forças Armadas!”.

Nós estamos combatendo pessoas que recrutam com base na sua crença de que estão lutando uma “guerra santa” e – como Mikey Weinstein muito bem notou – e isto os joga contra as próprias mãos. Os fabricantes dessas miras poderiam também ter pintado alvos nas costas de cada homem e mulher que estão servindo. Eles são traidores das nossas Forças Armadas e de nosso país.

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