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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Jornal destaca MMA da igreja Renascer na periferia de SP


A matéria foi publicada no Estadão em 10/07/17:

Pancadaria e orações entre os lutadores de Deus

Igreja Renascer em Cristo de São Mateus tem time de artes marciais cujo treinador também é pastor

Gonçalo Junior

Os 70 fiéis que acompanham o culto das oito na igreja Renascer em Cristo de São Mateus não estranham a pancadaria que rola no andar de cima do prédio. O pastor Jefferson Paiva não interrompe sequer as orações. Às segundas e às quartas-feiras, virou rotina a boa convivência entre os cultos no térreo e as aulas de MMA, oferecidas pela própria igreja, no primeiro andar. A Renascer tem até uma equipe de artes marciais mistas, chamada Reborn Team.

Luta e oração se misturam em alguns momentos. O pastor e treinador Roberto Pedroso interrompe a sequência de chutes e socos para pregar. Isso acontece no início, no meio e no fim dos treinos.

Mesmo esbaforido e pingando suor, Walker Araújo Mendes, aluno há quatro meses, fecha os olhos e ouve o pastor falar que todos enfrentam diversas lutas, mas uma delas é a mais importante: ter uma vida espiritual bem treinada. Que é preciso exercício para ficar longe da maldade e que cada um precisa vencer também dentro do seu octógono espiritual. Todos respondem “Glória a Deus” e a porrada volta. “Pastor, eu tenho de chutar quantas vezes?”, pergunta Angel Hayashida, de 17 anos apenas, apontando para o protetor que a companheira segura com dentes cerrados.




“Todo esporte combina com a igreja. Alguns gostam de futebol. Nós gostamos de luta. Quando tem luva, é esporte. Quando não tem luva, é violência”, diz Pedroso, mais conhecido como pastor Giraia. “Unimos a disciplina da arte marcial e a verdade da palavra de Deus”.

Quem tem mais de 30 anos sabe de onde vem o apelido Giraia. Para os mais jovens, Jiraiya – essa é a grafia oriental – foi o um seriado japonês de TV dos anos 1990. É da família do Jaspion. Como Roberto tinha cabelos longos e seus olhos são meio puxados, o apelido pegou.

Foi ele que ampliou a prática da luta na Renascer a partir de 2009, quando surgiu uma equipe para disputar torneios dentro e fora da igreja. O time é abençoado. O grupo fez crescer a ideia inicial de oferecer uma atividade esportiva para atrair mais jovens e hoje conta com atletas de todas as idades. Em oito anos, mais de seis mil pessoas já passaram por ali. O MMA começou na Vila Industrial, zona leste, chegou a São Mateus e hoje está em dezenas de unidades da terceira maior igreja neopentecostal do Brasil.

Fundada em 1986 por Estevam Hernandes e Sônia Hernandes, a Renascer possui cerca de 600 templos, mas não divulga o número dos fiéis seguidores.

Tirando as orações e a proibição de palavrões, o treino é idêntico ao de uma academia tradicional. Puxado. Tem condicionamento físico, trabalho técnico e muscular. Na primeira aula, quase todos perguntam se é preciso frequentar a igreja. Não é. O espaço recebe amadores, gente que quer aprender a lutar, emagrecer ou melhorar o condicionamento, e também oito profissionais, aqueles que vivem do esporte. Ou deveriam viver.


Zé Reborn é o cara...

Zé Reborn é o principal lutador do ‘time de Deus’. Ele já atuou no Jungle Fight, grande competição brasileira de MMA, mas precisa de um patrocínio para se dedicar só aos treinos. Juntando vários torneios, soma 31 lutas com dez derrotas e hoje atua na categoria até 57 kg. “Eu queria me dedicar só aos treinos. Mas tenho de sustentar meus filhos. Sem patrocínio, não dá”, diz o alagoano de 29 anos que se chama, na verdade, José Alexandre e trabalha na área de limpeza de condomínios. “Chamar só Zé não tem graça para um lutador, né? Zé Reborn traz o nome da igreja e é mais chamativo”.



domingo, 15 de abril de 2012

A lista demoníaca de Pat Robertson

Você achou que a gente tinha esquecido dele, né? De fato, já faz um tempinho que ele não aparece por aqui. Mas não, nós não conseguimos nos esquecer de Pat Robertson; aliás, ele é uma figura inolvidável para boa parte da mídia, pelo menos o blog Media Matters for America, que fez uma lista das coisas e situações que o conhecido televangelista norteamericano tem classificado como demoníacas no seu programa 700 Club.

No vídeo abaixo, você encontra boa parte dessa lista, além de outros vídeos que estão linkados no blog Media Matters for America, mas fique sabendo desde já que entre as "obras demoníacas" classificadas por Pat Robertson estão:
  • ter um quadro de Buda pendurado na sala (queima ele!)
  • consultar espíritos e fazer “levitação” em festas do pijama
  • consultar horóscopo
  • feng shui
  • artes marciais (já que alguns lutadores “inalam” demônios para que sua força venha de uma fonte demoníaca...)
  • yoga (tai chi chuan tá liberado)
  • médiuns
  • filmes da série “Crepúsculo” (“Twilight”)
  • adotar crianças de outros países (especialmente africanos) pode trazer “influências demoníacas” para dentro de casa.
  • programas sobre “caçadores de fantasmas”
  • Harry Potter
  • Halloween
É bom lembrar que, dois meses atrás, Pat Robertson já tinha proposto a descriminalização da maconha. E aí, no que você discorda ou concorda com ele?







segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Jesus faixa preta

A notícia é do Extra:

Projeto evangélico ensina jiu-jítsu para adolescentes

Tatames no chão e jovens lutadores trajando kimonos e prontos para treinar jiu-jítsu. A rotina seria normal em qualquer academia ou centro de artes marciais. Mas a certeza de que não se trata de um espaço convencional chega quando dezenas de adolescentes bradam o grito de guerra: “Um, dois, três! Faixa Preta de Jesus!”.

A cena ocorre diariamente num dos espaços do projeto Faixa Preta de Jesus, em Nova Iguaçu. Só na cidade, 60 jovens participam da iniciativa, que existe há dois anos. O projeto também é realizado em Nilópolis, Bento Ribeiro, Campo Grande, Recreio, Cachoeiras de Macacu e Valença, sempre em espaços cedidos pela Igreja do Nazareno. Ao todo, são 1.600 jovens atendidos.

Para o fundador do projeto, Ricardo Cavalcante, a disciplina para o esporte se relaciona com a evangélica.

— Para lutar jiu-jítsu, é preciso estar bem com tudo na vida, inclusive no plano espiritual.

A religião, segundo Ricardo, foi a origem do projeto. Ele conta que o próprio nome “Faixa Preta de Jesus” surgiu a partir de um sonho.

— Eu ganhei esse projeto de Deus. Sonhei com o nome “Faixa Preta de Jesus”. Depois sonhei com uma pessoa amarrando uma faixa com as mãos furadas — revela Ricardo, que garante que o projeto, apesar de ser religioso, beneficia a todos.

Ex-viciado em drogas, o professor de jiu-jítsu, Maicon Martins da Silva, de 18 anos, viu no projeto a chance de reconstruir a vida.

— Minha namorada me apresentou ao projeto que acontecia na quadra. Só mudou minha vida porque uniu a luta com Jesus.

Duas horas depois do treino, os alunos se reunem, ajoelham e começa o momento de oração. Em vez do pastor, quem dirige a cerimônia é Raphael Soares, de 35 anos, o “Pregador do Tatame”. Para Raphael, o momento é fundamental para trabalhar o comportamento das crianças do projeto.

— Fo sobre orar pelo outro, amar o próximo e digo que a guerra não é no tatame, mas aqui fora revela o também psicanalista Raphael.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Anderson Silva ama o Burger King


Até que ficou legal a nova propaganda do Burger King, em que o astro brasileiro do MMA Anderson Silva ("The Spider" - "O Aranha") declara o seu amor a um hambúrguer da rede de lanchonetes, dublando o clássico "Lovin' You" na voz de Minnie Riperton. Não deixa de ser, também, uma sátira do slogan do principal concorrente, o McDonald's, "I'm loving it" (no Brasil, "Amo muito tudo isso"). Ponto para o corajoso lutador Anderson Silva, uma das grandes estrelas do próximo UFC Rio, que não se constrangeu ao auto-ironizar sua voz fina, que é motivo de chacota dos adversários, e mandou bem na dublagem. Confira, primeiro, a propaganda, e depois a versão original de Minnie Riperton:



quinta-feira, 14 de julho de 2011

O bullying afeminado de Mark Driscoll


O momento atual do conhecido pastor Mark Driscoll, da Mars Hill Church em Seattle (WA), nos Estados Unidos, é uma polêmica que ele próprio - talvez inadvertidamente - criou. A "bola dividida" começou com uma pergunta que ele fez na sua página do facebook:


("Então, qual história você tem pra contar sobre o anatomicamente macho líder de louvor mais afeminado que você já tenha testemunhado pessoalmente?") 

Ainda que a questão tenha sido proposta de maneira um tanto quanto enviesada e enigmática (mesmo em inglês), a repercussão não demorou muito pra se manifestar, e Mark Driscoll se viu envolvido numa polêmica com os próprios irmãos na fé. 

Uma das primeiras reações, segundo informa o site Urban Christian News, veio da escritora cristã Rachel Held Evans, que acusou Driscoll de bullying, acrescentando que "se esta questão do facebook fosse a primeira ofensa do Pr. Mark Driscoll, não seria necessária uma resposta forte. 

Mark, entretanto, desenvolveu um padrão de imaturidade e falta de gentileza que tem permanecido largamente negligenciada pela sua igreja. 

Nos círculos evangélicos ele age como o garoto de colégio que faz piadas cruéis em qualquer oportunidade que se apresenta, utiliza as palavras "gay" e "bicha" para descrever as coisas que ele mais detesta, encorajando seus amigos a sujeitar ao ridículo os garotos impopulares, e rebaixa os caras que não são "machos" ou "másculos" o suficiente para estar no seu clube". 

Um trecho do texto de Rachel H. Evans merece ser traduzido e ampliado por se aplicar a tantas situações conflituosas da vida cristã:



Homens de Deus ajudam as pessoas, e não tiram sarro delas.
Homens de Deus honram as mulheres, e não as rebaixam.
Homens de Deus amam seus próximos gays e lésbicas, e não os ridicularizam.
Homens de Deus celebram a feminilidade, e não a espancam.
Homens de Deus estão seguros de sua sexualidade, e não precisam ostentá-la.
Homens de Deus buscam a paz, e a ela não renunciam.
Homens de Deus pairam sobre a violência, e não a glorificam.
Homens de Deus constroem a Igreja, e não a envergonham.
Homens de Deus imitam a Cristo - que louvou os misericordiosos e aqueles que buscam a paz, que esteve ao lado dos explorados e abusados, que mostrou compaixão pelos caídos e oprimidos, que valorizou as mulheres, e que amou seus inimigos ao ponto de morrer por eles.



A reação à pergunta foi tão forte que, após pouco mais de 600 comentários, ele a retirou do seu perfil no facebook, escrevendo posteriormente uma espécie de pedido de desculpas (que não atingiu o objetivo de se desculpar, se é que Driscoll o teve), em que diz que às vezes publica opiniões que deveriam ser melhor trabalhadas pessoal e intimamente. 

Entretanto, o estrago já estava feito, e muitos crentes - que sofreram bullying na escola por serem afeminados - também comentaram sobre o tema, como Tyler Clark, que disse que, felizmente, teve o apoio de sua igreja e seu pastor quando tinha apenas 13 anos de idade, para vencer o preconceito e ser um homem adulto, cristão, feliz e realizado. 

Muitos dirigentes de louvor de conceituadas igrejas evangélicas norteamericanas se mostraram igualmente ofendidos com o preconceito escancarado de Driscoll. 

Outros, como Tony Jones, foram mais duros com o pastor de Mars Hill, satirizando a sua paixão por MMA (Mixed Martial Arts - o antigo "vale-tudo"), fazendo uma espécie de "bullying reverso" com a declaração de Mark Driscol de que "não existe nada mais puro do que dois homens lutando num ringue, sem bolas, bastões, varas, ajuda, time, só pra ver qual deles é melhor" (frase em inglês na primeira gravura acima, além do vídeo abaixo). 

Para Jones, "não existe nada mais homoerótico do que MMA", questionando o gosto de Driscoll por dois machos suados lutando com sungas apertadas. 

Enfim, tudo se resume em um festival de ofensas (algumas bem baixas) disparadas por cristãos contra cristãos, e - simplesmente - nada disso teria acontecido se Driscoll tivesse pensado melhor antes de pressionar a tecla ENTER. 

Parece que é sempre bom você contar até 10 antes de publicar as suas ideias na internet, ainda mais se você é um pastor pop como Mark Driscoll. 

Nesta era de pastores-celebridades (para o bem e para o mal), nunca é demais lembrar que a vaidade é o pecado que mora ao lado.




Agora, cá entre nós, será que o Mark Driscoll viu esses lutadores de MMA se beijando?


domingo, 10 de julho de 2011

Como se defender de um tarado

Tudo bem, o áudio está em inglês, mas, convenhamos, você entenderá perfeitamente o que ele quer dizer por "grabbing testicles and squeezing"...


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O lutador ungido

O fenômeno nacional do MMA (Mixed Martial Arts, ainda mais conhecido como vale-tudo) nas igrejas, também tem acontecido nos Estados Unidos, onde se pode encontrar o grupo Anointed Fighter ("Lutador Ungido"), que parece ser um movimento muito mais organizado, com eventos, testemunhos e uma revista especializada, além de uma visão empresarial bem estabelecida, como eles próprios se definem:

Visão: Servir como embaixadores de Cristo para a comunidade de lutadores ao redor do mundo, criando plataformas e recursos que entregam o evangelho em termos relevantes à cultura do combate.

Anointed Fighter (AF) reconhece que o MMA (Mixed Martial Arts) se tornou um fenômeno cultural como o esporte de maior crescimento de audiência no mundo. AF deseja alcançar o mundo do MMA e sua cultura com a mensagem da salvação provendo esperança, encorajamento e verdade de uma maneira relevante enquanto quebra conceitos equivocados sobre o que significa ser um discípulo de Cristo.

AF vislumbra um tempo em que todos os entusiastas do MMA ao redor do mundo serão impactados por seu ministério através de merchandise licenciado, publicações impressas, produções multimidia e eventos relâmpago que levarão a programas de discipulado de longo prazo e autossustentáveis.

AF aspira a atingir essas metas mediante a colaboração com os maiores lutadores cristãos e as melhores organizações da comunidade MMA. Esses lutadores e organizações irão trabalhar ombro a ombro com AF para formular e proporcionar os melhores produtos e serviços nas suas respectivas áreas.

Não vai tardar muito para esta organização chegar ao Brasil, se é que já não chegou. Mesmo que eu não entenda bem como violência e evangelho possam ser apresentados conjuntamente, a não ser pela semelhança do sangue, admito que eles têm todo o direito de pregar o que creem. Vejo neles, entretanto, uma aversão à religião institucionalizada, como se pode ver pela imagem abaixo:


Neste ponto, me parece que eles cometem o mesmo equívoco daqueles que dizem que não gostam de teologia, embora criem todo um discurso teológico para combatê-la. Assim, muitos não gostam de religião nem de religiosidade, embora façam de suas práticas uma verdadeira religião antirreligião. Há que se levar em conta, também, o fato de se apresentarem como "lutadores ungidos". Cá entre nós, o que não falta no Brasil, é "unção" de todo tipo, não necessariamente cristã.

Como mostra a imagem abaixo, a oração deles não deixa de ser interessante:


"Cristo, endureça-me contra a luta que vem do meu corpo. O lutador fraco com uma voz patética que clama para que o round acabe em vez de lutar por tempo sem fim na lona.

Eu mesmo, arqui-inimigo da minha alma, meu pior parceiro de treinamento, meu adversário mais mortal, minha voz interior, pedindo "água".

Cristo, conceda-me força interna para executar um contra-ataque poderoso, para superar meus maiores medos e estrangulá-los pela eternidade, porque eu sei que, quando estou fraco, Tu és forte. Então, quando minha alma é levantada, é o teu nome que é louvado".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais vale-tudo na igreja

Parece que a febre das lutas marciais como "estratégia" evangelística, sob o curioso pretexto de "injetar masculinidade em seus ministérios", não é "só" mais um fenômeno nacional, conforme informa o BOL Notícias:

Igrejas promovem vale-tudo para conectar-se com os jovens

R.M. Schneiderman
Em Memphis (EUA)
Deborah Weinberg

Em uma sala de ensaio do teatro da rua Beale, o pastor John Renken, 42, recentemente puxou uma oração com um grupo de jovens: “Agradecemos por esta noite. Que seja uma representação do Senhor”.

Uma hora depois, um membro de seu rebanho que havia baixado a cabeça em sinal de respeito estava dando uma chuva de socos em um oponente. As orientações de Renken não eram exatamente delicadas.

“Golpeie com força!”, gritava ao lado de um ringue de um evento de artes marciais chamado Gaiola de Ataques. “Termine a luta! Vai na cabeça! Na cabeça!”

O jovem era membro de uma equipe de luta do Ministério Extremo, uma pequena igreja próxima a Nashville que serve também de academia de artes marciais. Renken, que fundou a igreja e a academia também é técnico da equipe. O lema da escola é “Onde os pés, os pulsos e a fé colidem”.

O ministério de Renken faz parte de uma parcela pequena mas crescente de igrejas evangélicas que adotam o vale-tudo -um esporte com fama de violência e sangue que combina vários estilos de luta- para alcançar e converter jovens, cujas participação na igreja tem sido persistentemente baixa. Os eventos de vale tudo atraíram milhões de telespectadores; um deles foi o maior evento pay-per-view de 2009.

O recrutamento nessas igrejas, predominantemente brancas, envolve reuniões para assistir lutas na televisão e palestras que usam os combates para explicar como Cristo lutou pelo que acreditava. Outros ministros vão mais longe, sediando ou participando de eventos ao vivo.

O objetivo, segundo esses pastores, é injetar masculinidade em seus ministérios -e na imagem de Jesus- na esperança de tornar o cristianismo mais atraente. “Amor e compaixão, concordamos com essas coisas também. Mas o que me fez encontrar Cristo foi que Jesus era um lutador”, disse Brandon Beals, 37, pastor da igreja Canyon Creek no subúrbio de Seattle.

O esforço faz parte de um programa mais amplo e mais antigo de alguns ministros que temem que suas igrejas tornaram-se femininas demais, promovendo a gentileza e a compaixão à custa da força e da responsabilidade.

“O homem deve ser o líder do lar. Criamos uma geração de menininhos”, disse Ryan Dobson, 39, pastor e fã do vale tudo que é filho de James C. Dobson, fundador do grupo evangélico proeminente “Foco na Família”.

Esses pastores dizem que o casamento da fé com o combate tem a intenção de promover os valores cristãos, citando versos como “trave a boa luta da fé”, Timóteo 6:12.

Muitos estimam que o número de igrejas que estão adotando as artes marciais está em torno de 700, de um total de 115.000 igrejas evangélicas brancas nos EUA. O esporte é considerado uma ferramenta legítima para alcançar os jovens pela Associação Nacional de Evangélicos, que representa mais de 45.000 igrejas.

“Existem muitos jovens perturbados que cresceram sem pais e estão vagando sem esperança. Eles próprios também são péssimos pais, perdidos”, disse Paul Robie, 54, pastor da igreja comunitária de South Main em Dhackerer, Utah.

A luta como metáfora faz sentido para alguns jovens.

“Estou lutando para fornecer uma qualidade de vida melhor para minha família e dar-lhe coisas que eu não tive quando era pequeno”, disse Mike Thompson, 32, ex-membro de gangue e estudante de Renken que até recentemente era desempregado e hoje luta com o apelido de “A Fúria”.

“Quando aceitei Cristo em minha vida, compreendi que uma pessoa pode lutar pelo bem”, disse Thompson.

Igrejas evangélicas sem denominação têm uma longa história de usar a cultura popular -rock, skate e até ioga- para atingir novos seguidores. Ainda assim, mesmo entre as seitas mais experimentais, o vale tudo têm críticos.

“Aquilo que você usa para atrair as pessoas para Cristo também será aquilo que você vai precisar para manter as pessoas”, disse Eugene Cho, 39, pastor da igreja Quest, uma congregação evangélica em Seattle. “Eu não vivo pelo Jesus que come carne vermelha, bebe cerveja e bate em outros homens.”

Robert Brady, 49, vice-presidente executivo de um grupo evangélico conservador concordou, dizendo que a mistura do vale tudo com o evangelismo “tira tão facilmente o verdadeiro foco da igreja que é o gospel”.

Há quase uma década, o vale tudo era considerado um esporte sangrento, sem regras ou regulamentos. Foi proibido em quase todos os Estados e criticado por políticos como o senador republicano do Arizona John McCain.

Nos últimos cinco anos, contudo, graças a um inteligente marketing do Ultimate Fighting Championship, a principal marca do esporte, o vale tudo se tornou comum. Hoje, é legal e regulamentado em 42 estados.

Seus defensores apontam para um estudo da Universidade Johns Hopkins mostrando que os participantes das lutas sofrem menos nocautes do que os lutadores de boxe.

No último ano e meio, uma sub-cultura evoluiu, com os cristãos das artes marciais vestindo marcas como “Jesus didn’t tap” e redes sociais cristãs como a anointedfighter.com.

Cerca de 100 homens, muitos tatuados e de cabeça raspada, participam das festas de lutas em Canyon Creek, assistindo combates em quatro grandes televisões da igreja. Há vendedores de cachorro-quente e de camisetas com a frase “Predestinado a Lutar”.

Metade dos que estão ali não são membros da igreja, mas vieram por meio de amigos, disse Beals, conhecido como o pastor da luta.

Os homens de 18 a 34 anos estão ausentes das igrejas, disseram os pastores, porque as igrejas se tornaram mais cômodas para mulheres e crianças.

“Crescemos em igreja de tons pastéis. Os homens caíam no sono”, disse Tom Skiles, 37, pastor da igreja Spirit of St. Louis em Montana.

Ao se focar na dureza de Cristo, os líderes evangélicos estão voltando a um movimento similar do início do século passado, dizem os historiadores, quando as mulheres começaram a entrar para força de trabalho. Os proponentes desse cristianismo muscular defendiam o levantamento de peso e outros esportes como forma de expressarem sua masculinidade.

“Toda essa geração foi criada com a idéia que estão em uma guerra pelo coração e alma dos EUA”, disse Stephen Prothero, professor de religião da diversidade Boston.

Paul Burress, capelão e técnico de luta da igreja Batista Victory, em Rochester, disse que o vale tudo dera a seus alunos uma chance de trabalhar de corpo, alma e espírito. “Ganhando ou perdendo, representamos Jesus”, disse ele. “E vencemos na maior parte das vezes.”

Contudo, na noite fria de Memphis, Renken, o pastor dos Ministérios Extremos, assistiu a dois de seus três lutadores apanhando, um quebrando o tornozelo.

O outro, Jesse Johnson, 20, potencial convertido, foi dominado pelo pescoço e decidiu não voltar para casa com os outros membros da igreja. Ele ficou em Memphis bebendo e estejando com amigos ao longo da rua Beale, ponto agitado e cheio de neons da cidade.

Veja também: O lutador ungido

sábado, 1 de agosto de 2009

Caio Fábio e o Vale-Tudo

A seguir, devidamente autorizado pelo meu amigo e irmão Cristiano Martins, reproduzo a entrevista que ele fez (por email) com o Pr. Caio Fábio D'Araújo Filho, para a comunidade Psicóticos por Vale Tudo - MMA do orkut (também disponível no site do Caio Fábio):

Entrevista:

Psicóticos: Pr Caio, o senhor é de Manaus. Pelo que percebemos em seu site o senhor foi praticante de Jiu-jitsu. Qual a sua relação hoje com a arte suave, qual ou quais foram seus mestres na arte suave?

Caio Fabio:

Hoje minha relação é apenas a de um apaixonado que não teve tempo e ocasião de continuar treinando, mas que tem todo interesse em tudo, e, por isto, assino o Primier Combate e veja pelo menos duas a três horas de luta todos os dias, sem falar que não perco nenhum evento de luta no canal, especialmente todos os UFCs, desde o Royce... Meus mestres foram Arthur Virgílio Neto, Rolls Gracie, Rayson Gracie e Carlson Gracie.

Psicóticos: Como é de Manaus o senhor já conheceu algum atleta de renome em alguma modalidade que é Manauara, tipo Wallid Ismail por exemplo?

Caio Fabio: Acompanho o Wallid desde os tempos dele no Carlson, que também foi meu mestre. Depois acompanhei o resto da carreira dele, até que se tornou empresário e agente de atletas. Gostei muito quando ele iniciou o Jungle Fight e espero que não pare... De Manaus, hoje, não conheço a ninguém pessoalmente, embora acompanhe o Jacaré, o José Aldo, e outros muitos. Afinal, Manaus se tornou um dos pólos mais importantes de Jiu-Jitsu e MMA do Brasil.

Psicóticos: Sabemos que o senhor é fã do canal Combate e de alguns nomes do MMA mundial. Quais nomes vem a sua cabeça em relação a lutadores estrangeiros e quais em relação a lutadores nacionais?

Caio Fabio:

Dos brasileiros tenho o Minotauro como o cara mais consistente e sério; vejo o mesmo no Leoto Machida, que é maravilhoso na sua combinação de estilos; aprecio muito a técnica exuberante e bela do Anderson Silva, embora ache que ele anda fazendo muito corpo mole ultimamente; sou fã da valentia do Wanderley Silva; e acho que o Demian Maia uma das melhores promessas brasileiras na atualidade. Entre os estrangeiros gosto do G.S.P., B.J., Randy, Fedor, entre outros...

Psicóticos:O senhor já recebeu em seu gabinete ou mesmo aconselhou algum lutador de MMA ou de alguma arte marcial? Alguém que tenha se envolvido direta ou indiretamente em seu trabalho?

Caio Fabio:

Não! Mas já tive gente do Jiu-Jitsu e também da família Gracie me assistindo sistematicamente nas pregações.

Psicóticos: Há alguns meses atrás foi lançado um tópico na comunidade que deu o que falar, se tratava de um pastor da Igreja Renascer em Cristo que faz um trabalho com jovens e levou um ringue de Vale Tudo ou algo parecido para dentro das dependências da igreja; e após as lutas ele se reunia com essa galera e fazia uma espécie de culto. Diga o que o Senhor pensa a esse respeito. Igreja é lugar para se praticar tal atividade?

Caio Fabio:

Meu conceito de Igreja não tem a ver com um lugar, mas apenas com gente e com atitude... Não gostei do que foi feito porque tratava-se de uma “estratégia de evangelização”; e, para mim, “estratégia de evangelização” sempre é tapeação. Quer ensinar, ensine; é bom e lícito. Mas não precisa ser para “aproximar” a moçada da “igreja”. Aí é manipulação...

Psicóticos: Em setembro desse ano teremos na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no Estádio do Maracanãzinho, um dos maiores eventos de MMA que o Brasil já produziu: o Bitteti Combat — organizado pelo campeão mundial de Jiu-jitsu Amauri Bitteti, com a presença de Paulão Filho, Ricardo Arona, Rogério Minotouro, Pedro Rizzo..., entre outros. O senhor já ouviu falar no evento? O que acha da iniciativa do Amauri e do governo do Estado do Rio de Janeiro? Pretende vir ao Rio assistir o evento?

Caio Fábio:

Acho que o Amauri tem cacife e história para organizar tal evento. Acho que o Governo do Rio faz bem. Afinal, é uma vergonha que o mundo todo tenha aprendido o Vale Tudo, o MMA, com os Gracie e depois com os que deram seqüência, e, aqui no Brasil, o desconhecimento e a irrelevância do estilo aqui criado e provado como o melhor no mundo, não tenha aqui seu devido lugar. Se puder irei...

Psicóticos: Deixe uma mensagem para a família Psicótica no teor que o senhor achar apropriado...

Desde já agradecemos a atenção.

Caio Fábio:

Fui introduzido ao Jiu-Jitsu pelo meu amigo, hoje Senador, Arthur Virgílio Neto e seu irmão Ricardo. Eles me levaram para os Gracie. Lá fui instruído pelo Rolls, pelo Rayson e pelo Carlson, já em Niterói. Para mim o exemplo de atleta de Jiu-Jitsu, o que mais honrou a filosofia do velho Carlos, foi o Rolls. Nunca vi nenhum lutador de Jiu-Jitsu, até hoje, ter a inteligência criativa que o Rolls possuía. Tornamo-nos bons amigos. Chorei a sua morte.

Gosto do Jiu-Jitsu porque é a arte suave. Sim, justamente por isto. Vi no Jiu-Jitsu uma arte na qual minha inteligência também poderia ter plena expressão. Amei o Jiu-Jitsu pela sua inteligência. Eu jamais gostaria de uma luta burra. E o Jiu-Jitsu é para mim a mais inteligente de todas elas.



sexta-feira, 13 de março de 2009

JJJ - Jiu-Jitsu de Jesus (?!)

Pra começo de conversa, três esclarecimentos são necessários:


1) O título deste texto é apenas uma generalização do vale-tudo para aproveitar a sigla JJJ. Para quem não conhece, jiu-jitsu não é sinônimo de vale-tudo, embora o vale-tudo (hoje conhecido por MMA - Mixed Martial Arts) possa eventualmente incluir o jiu-jitsu entre as técnicas de luta desenvolvidas no combate, como a própria sigla MMA fala por si só;


2) Não tenho nada contra jiu-jitsu, MMA ou outras artes marciais. Pelo contrário, considero-as verdadeiras artes, como o próprio nome indica. Se as pessoas fazem mau uso delas, é outra história;


3) Também não tenho nada contra cristãos que as praticam. Apenas questiono, a seguir, a conveniência de se misturar templo, adoração e evangelismo no mesmo recinto.


É que a Folha de S. Paulo de ontem trouxe artigo (reproduzido na Folha Online) sobre um ringue de vale-tudo montado no templo da Igreja Renascer de Alphaville (bairro rico do município de Barueri, na Grande São Paulo), em que jovens são atraídos para as lutas de vale-tudo, segundo os pastores da igreja, para "propósitos evangelísticos". Fica difícil entender como é que algum pastor considera "normal" ver rapazes em trajes sumários lutando jiu-jitsu dentro da igreja, afinal a única manifestação de ira de Jesus, relatada nos evangelhos, diz respeito à expulsão dos vendilhões do templo, mas não consta que ele tenha recorrido ao vale-tudo para fazer isso. Graças a Deus não havia pitbulls naquela época.


Definitivamente, o profano se instalou em algumas igrejas que se dizem "evangélicas". Há uma polêmica antiga envolvendo o boxe, em que há muita gente que diz que não se trata propriamente de um esporte, mas de violência gratuita. O mesmo não se diz de lutas marciais como o judô, o karatê, o tae-kwon-do e o jiu-jitsu, que têm toda uma moderação nos golpes (e proteção nos lutadores) que os tornam mais parecidos com arte do que propriamente com esporte. Se já é discutível levar nobilíssimas lutas de judô para dentro de um templo, muito mais questionável é fazer do vale-tudo um ritual litúrgico. Afinal, a força do evangelho reside muito mais no Espírito do que no corpo. Por outro lado, esses tropeços têm o seu lado positivo (como quase tudo na vida): revelam que para algumas igrejas (e seus pastores) vale tudo mesmo...



Atualização: veja uma entrevista com o Pr. Caio Fábio sobre este tema,
clicando aqui.

veja também:

Pregação pode ser feita de qualquer jeito?

Mais vale-tudo na igreja

O lutador ungido

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