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domingo, 20 de agosto de 2017

Música para resgatar a esperança contra a barbárie


Nestes tempos bicudos em que estamos vivendo, parece que esta semana que passou foi tão terrivelmente ruim, com o ressurgimento de fantasmas do passado rondando as mais altas esferas, que só nos resta buscar um pouco de beleza e esperança para seguir em frente contra todos os desígnios malignos que podem, eventualmente, vencer uma ou outra batalha, mas jamais terão a palavra final.

Tiramos esse domingão chuvoso no centro-sul do Brasil para buscar a luz do céu com "I Will Follow Him", a canção que entrou para a posteridade sob a batuta de Whoopi Goldberg em "Mudança de Hábito" ("Sister Act", 1992), e a versão de André Rieu em 2011.

Como uma réstia de esperança num mundo melhor, lembremos que até algumas décadas atrás era impensável ver cantoras europeias e africanas cantando juntas numa praça como esta de Maastricht, na Holanda.

Deliciemo-nos nessa doce fé, portanto:





quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Esperança para 2016


Já que "esperança" é uma das palavras-chave para o Ano Novo, que tal encerrarmos 2015 ouvindo a linda canção "Esperança" d'Os Arrais:




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Quando a graça e a verdade se encontram


Carlos é Promotor de Justiça com carreira de sucesso em um dos Estados brasileiros.

Entre as muitas áreas em que atuou ao longo de vários anos, se destaca o júri, onde lhe coube centenas de vezes a função de Estado de acusar pessoas que foram processadas por terem cometido crimes contra a vida.

Aquela terça-feira seria um dia como outro qualquer: mais um júri para fazer, mais jurados para convencer, mais uma vítima de homicídio cujo sangue e família clamavam por Justiça, mais um réu para – se possível - condenar.

Só que Carlos não estava tão convicto da culpabilidade desse réu em particular.

18 anos haviam se passado desde que Juca fora assassinado, e o principal suspeito do crime era seu cunhado Silas, que havia sido casado à época com a irmã da vítima.

18 anos antes, Silas havia deixado a esposa no interior do Brasil e chegou à capital daquele Estado, com a intenção declarada (e tida como inocente) de fazer ali uma breve escala para depois ir a São Paulo procurar melhor sorte.

Chegando lá, foi se hospedar – sem ter sido convidado - no barraco em que Juca a duras penas sobrevivia.

Este, gentil ao extremo, como só os humildes conseguem ser, cedeu ao cunhado a sua própria cama e passou a dormir num colchão estendido no chão.

Mal sabia o pobre coitado que essa hospitalidade lhe custaria a existência.

Já Silas sabia que Juca estava então recebendo seguro-desemprego, o que, naquela ciranda de infortúnios, era uma quantia tentadora para quem tinha pouca (se alguma) esperança na vida.

Silas ficou uma semana no barraco de Juca, e saiu um sábado qualquer dizendo que - por fim – iria a São Paulo. Com que dinheiro ninguém soube precisar.

Na manhã seguinte, um domingo, dois vizinhos que eram grandes amigos de Juca estranharam não tê-lo visto logo cedo, como era seu costume de regar todos os dias as parcas plantas de seu miserável jardim.

Chamaram por ele, e a ausência de resposta os levou a investigar melhor. O que não foi difícil, já que nem muro ou cerca separava o pobre Juca da curiosidade alheia.

Uma porta entreaberta denunciou que nunca mais teriam o companheiro de tantas histórias sofridas e mínimas alegrias. Seu corpo jazia no colchão estendido no chão com as marcas sanguinolentas de uma marretada na cabeça.

O assassino nem se dera ao trabalho de levar ou esconder a marreta, que – ensanguentada – servia de testemunha inanimada do fim inglório de Juca.

Os bolsos da calça de Juca estavam para fora, como se seu algoz os tivesse revirado, e o suspeito mais provável era Silas, que fizera questão de alardear sua finalmente chegada viagem a São Paulo um dia antes como um álibi talvez por demais conveniente.

Investigadores, delegados, promotores e juízes se sucederam no caso, os amigos de Juca mantiveram firmes suas versões por todo o tempo, mas por quase duas décadas não foi possível encontrar o paradeiro de Silas, até que alguém o localizou a milhares de quilômetros dali.

Trazido ao banco dos réus, o promotor Carlos agora não tinha certeza se havia evidências suficientes para condenar Juca, mas antes de pedir a absolvição por falta de provas, decidiu inquirir melhor o acusado.

Afinal, presentes ao tribunal estavam os pais de Juca, e aguardavam para depor os dois amigos e vizinhos que - por 18 anos – não faltaram nenhuma vez quando era necessário ouvi-los a respeito do que havia ocorrido naquele fatídico dia perdido na penumbra dos tempos.

Ao ser interrogado pela última vez, Silas não conseguiu sustentar a versão de sua viagem a São Paulo, por mais que ele e seu advogado tivessem tentado fazê-la parecer crível.

No confronto de sua narração dos fatos com os testemunhos convincentes dos dois amigos, não restava nenhuma dúvida sobre quem falava a verdade.

Ficou óbvio para todos os presentes ao tribunal que Silas não conseguia contar uma história minimamente coerente com pessoas, horários e locais compatíveis, e ele próprio terminou se enredando e contradizendo em sua ficção.

O veredito final, que claudicava antes do julgamento, agora não podia ser outro: condenação!

Os pais e amigos de Juca não conseguiram disfarçar sua dolorosa satisfação. Haviam honrado o compromisso de punir o responsável pela morte de alguém tão gentilmente simples, mas tão humildemente querido.

Como os quatro amigos que um dia destelharam uma choupana a fim de descer pendurado o leito de um paralítico para que Jesus o curasse (Marcos 2:1-12), Juca, embora morto, tinha quatro pessoas com quem contar, quatro seres queridos que – por 18 anos – não desistiram de honrar o amor e a amizade e prestar-lhe a perene homenagem dessa tão humana justiça.

Como Abraão, creram em esperança contra a própria esperança (Romanos 4:18) para que não perecesse o grito sufocado de socorro e a memória singela de um ente querido.

Quatro pessoas e um Promotor de Justiça podiam agora voltar para casa com a alma lavada e a consciência serena do dever cumprido.

O promotor Carlos, com tantos júris nas costas, tampouco conseguia esconder seu íntimo regozijo por “vingar”, representando o Estado, a morte de um cidadão que perambulou rápida e cordialmente por uma vida que lhe foi tão sovina.

Não havia, entretanto, tempo para celebrações. O dia seguinte chegaria inexoravelmente para todos eles, trazendo seus dilemas, rotinas e as mesmas ou novas obrigações.

O sol só não se levantaria mais para Juca, que – pelo menos - finalmente repousaria em paz.

Esta é uma história real. Os nomes e alguns pequenos detalhes foram trocados para que os verdadeiros personagens não fossem identificados.

É bom saber que ainda existe um Brasil que funciona, que existem amigos verdadeiros e há pessoas que agem em nome do Estado, agindo em nome de fracos e oprimidos e procurando dar voz e honra a vivos e mortos que não puderam se defender.

Infelizmente, nem todas as histórias terminam assim nos tribunais, mas esse parece ser um lembrete de que é sempre possível que a Justiça seja solenemente servida a quem pouco ou nada tem para esperar.


“Encontraram-se a graça e a verdade,
a justiça e a paz se beijaram
Da terra brota a verdade,
dos céus a justiça baixa o seu olhar”
(Salmo 85:10-11)






segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A vida é um contínuo chegar de esperanças

Já que o clichê manda dizer que o Ano Novo é um contínuo renovar de esperança, nada melhor do que fechar 2012 com o brilhante artigo abaixo, de Mariana Filgueiras (que faz recordar os melhores tempos do autêntico jornalismo), publicado n'O Globo de 25/11/12:

‘P.S. Eu te amo’

Dedicatórias e cartas encontradas em livros revelam histórias emocionantes que mexem com corações e mentes de donos de sebos do Rio

MARIANA FILGUEIRAS

RIO - Era uma noite de terça-feira insuspeita em Copacabana. No fim daquele dia, 23 de outubro, um grupo de frequentadores do sebo Baratos da Ribeiro faria exatamente o que faz há cinco anos: se espremeria entre as prateleiras abarrotadas da livraria para mais um encontro do Clube da Leitura, evento quinzenal em que leem trechos de livros e trocam impressões sobre contos próprios. Quando chegou a sua vez na roda, o dono do sebo e fundador do clube, Maurício Gouveia, tirou da gaveta um livro que guardava há dez anos escondido no acervo: um exemplar em italiano de “Nove contos”, do escritor americano J.D. Salinger.

Não tinha coragem de vendê-lo. Com as bordas amareladas e as páginas carcomidas, aquele “Nove racconti” guardava uma dedicatória em português na página de rosto que Maurício considerava mais bonita do que todo o livro do autor do clássico “O apanhador no campo de centeio”. Um homem comum — que poderia ser um médico, um vendedor de sapatos ou um trapezista de circo — declarava seu amor a uma mulher, em Milão, em 26 de dezembro de 1966. Maurício leu a dedicatória enorme, que começava com a frase “De tudo que vem de você, permanece em mim uma vontade de sorrir” e se encerrava com a oração “a vida é um contínuo chegar de esperanças”. Ao final, subiu o tom para ler o nome do santo: Sylvio Massa de Campos.

Foi quando um dos frequentadores do clube soltou um “opa!”. O jornalista George Patiño conhecia a família Massa, da qual Sylvio era o patriarca. Ele não vendia sapatos, trabalhava em circo ou morava em Milão: o matemático e escritor Sylvio Massa de Campos estava vivo, trabalhara a vida toda na Petrobras, tinha 74 anos e morava logo ali, no Leblon.

— Tem certeza? — perguntou Maurício.

— Trago ele aqui no próximo encontro — prometeu George.

Feito. No dia 6 de novembro, um senhor de cabelos brancos, sorriso fácil e porte altivo entrou no sebo acompanhado de duas filhas e três netos. Emocionado, recebeu das mãos de Maurício o livro perdido. Releu a dedicatória em voz alta, com pausas longas entre uma frase e outra, o que só aumentava o suspense na livraria, entrecortado pelo ruído dos netos inquietos. Depois de ser longamente aplaudido, contou aos novos colegas a história por trás daquela mensagem.

Em 1966, ele fazia mestrado em Matemática em Milão com uma bolsa do governo brasileiro. Lá, conheceu uma italianinha de nome Febea, que tinha concluído os estudos em Literatura em Londres, e acabava de retonar à Itália. Quando ela comentou que conhecia José Lins do Rego e João Cabral de Melo Neto, e que adoraria aprender português para ler Guimarães Rosa, Sylvio se apaixonou na hora: apesar de trabalhar com algoritmos, era na literatura que descansava seus teoremas. Prestes a terminar a pós-graduação, no entanto, logo voltaria ao Brasil. O amor foi construído à distância.

— Nosso namoro durou um ano, 136 cartas, nove livros, dois telegramas e um telefonema — contou Sylvio, para suspiro coletivo da plateia, e espanto das filhas, que não conheciam todos aqueles números. — Naquele tempo, dar um telefonema era uma fortuna. Esta dedicatória escrevi no dia do meu aniversário, já doido por ela. Eu nem sei como perdi o livro, acho que foi numa mudança nos anos 80.

Um ano depois, Febea veio morar no Brasil, e Sylvio montou um apartamento no Méier para ela. Tiveram duas filhas, Isabella e Gabriella — que a essa altura se debulhavam em lágrimas na livraria —, e viveram felizes para sempre. Até que um câncer levou Febea aos 41 anos de idade. Sylvio nunca mais se casou.

— A arte de viver é a arte de acreditar em milagres, disse o poeta italiano Cesare Pavese, e se hoje eu estou aqui é porque ele está certo. Febea foi a pessoa que eu amei mais profundamente em toda a minha vida. E ela está presente aqui, nessas cinco pessoas que fizemos, nossas duas filhas e três netos. Esse é o milagre — declarou Sylvio, lembrando, ao final, uma frase que ouvira do neto quando ele tinha 4 anos, e que levava como mantra de vida: “Vovô, nada é grave.”

Na rotina dos livreiros de sebos, dedicatórias anônimas aparecem com muita frequência. Mais até do que os exemplares usados de “O Xangô de Baker Street”, de Jô Soares, um campeão nacional em rotatividade. Os livros já chegam com cantadas, desculpas, felicitações, despedidas, malfazejos.

— O livro usado traz uma história que muitas vezes é mais interessante do que aquela que ele conta. Aqui na Baratos nós tínhamos uma caixinha para guardar os objetos encontrados dentro das páginas, como cheques, receitas médicas, ingressos de cinema, flores, contas, fotos... Daria uma exposição — comenta Maurício, que também guardou por algum tempo dois livros trocados entre amigos, com dedicatórias irônicas em que tentavam dissuadir o outro das suas convicções políticas (um era de direita; o outro, um anarquista convicto).

Mas acabou vendendo os exemplares. É da natureza da profissão: o livreiro não é um colecionador, mas um comerciante.

— Todo sebo começa do mesmo jeito, quando a pessoa precisa vender os próprios livros. Esta é a diferença de um livreiro para um colecionador. Só o livreiro tem coragem de se desapegar. Ele sabe que os livros que são de verdade voltam. Já encontrei livro que tinha sido meu em acervo que fui comprar. Todo lote sempre está cercado de histórias, seja uma morte, uma herança, uma mudança repentina de casa, de estilo de vida — explica Marcelo Lachter, que começou a vender livros usados há 14 anos e hoje é dono da Gracilianos do Ramo, um sebo virtual.

Mesmo defendendo o caráter comercial do ofício, Marcelo tem um “Nove racconti” para chamar de seu: há seis anos, guarda na gaveta um exemplar de “Recortes”, livro de ensaios de Antonio Candido publicado em 1993, na esperança de devolvê-lo à família do antigo dono. A história teve início em 2006, quando Marcelo recebeu o telefonema de uma moradora da Barra da Tijuca, interessada em se desfazer da biblioteca do marido, morto meses antes. Como era uma coleção especializada em Humanas, área com muita procura, Marcelo arrematou o lote todo. Antes de fechar negócio, no entanto, a viúva fez um pedido: caso ele encontrasse ali perdido um exemplar com uma dedicatória do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan ao marido, que devolvesse o título. Ambos tinham sido amigos de infância, perderam o contato e retomaram pouco antes de Malan tornar-se o braço forte de Fernando Henrique Cardoso.

Marcelo encontrou o livro e a dedicatória: “Meu melhor, apesar de distante, amigo. Espero que você goste deste ‘Recortes’, deste gênio literário e excepcional figura humana que é Antonio Candido. Precisamos ler coisas como estas para que não esqueçamos nunca de que há muito mais coisas na vida e no mundo que o nosso trabalho e nossas pequenas procupações cotidianas. Feliz aniversário, um abraço deste amigo e saudoso, Pedro Malan.” Mas perdeu a viúva de vista.

Outra história que aguarda um desfecho parecido é a de Nice Motta, de 46 anos, livreira há dez. Assim como Marcelo, Nice desistiu de uma loja física para se dedicar às vendas pela internet, suporte que salvou da falência milhares de livreiros no país, através do sucesso de sites como o Estante Virtual. Dona da Bola de Gude Livros, um acervo que ocupa 98% do seu apartamento na Vila da Penha, Nice é ainda mais romântica do que os colegas livreiros: ela embarga a voz cada vez que se depara com um fragmento de história perdida nos livros que compra e vende. É mais metódica também. Os objetos encontrados nos livros são reunidos numa caixa que ela guarda como um pequeno museu alheio.

Em meio aos objetos, há fotos, desenhos infantis, ingressos de espetáculos e até um passaporte para o Museu do Holocausto, na Alemanha. Há uma carta bem alegre: “Esta porra foi concebida pelo maior amigo putinho, mas com carinho. Uma beijunda e um abraçaralho deste que te escreve, com muito amor, 27/10/86, Edinho”); e uma muito triste (“À amiga Katia: cursei faculdade e não terminei, namorei cinco anos e não me casei, escrevi um livro e não publiquei. Minha vida segue em frente, sempre pela metade. Wagner, 73.”

Mas a pepita é um livro encontrado por ela em 2007: “O poder do jovem”, best-seller de autoajuda do parapsicólogo Lauro Trevisan. O exemplar tem duas dedicatórias. Uma escrita nas costas da primeira página: “Bruno, eu vi este livro e achei que você ia gostar. É coisa de mãe, fica tentando adivinhar o gosto do filho, eu queria te dar o mundo, mas é melhor você descobrir com a ajuda deste livro o seu mundo inteiro. Estou sempre aqui, filho, conte comigo, sua mãe, beijos, te amo, te amo e te amo, Rio, 15/03/02.”

Seria só uma mensagem emocionada, não houvesse a segunda, na página seguinte: “Rafael, este livro foi o último presente que eu dei para o Bruno, ele não chegou a ler. Como eu sei que ele te adorava, gostaria de dar a você, leia por ele e por você, com carinho, Clara, 15/03/06.”

— É muito emocionante pensar no amor desta mãe, que o filho morreu, e que ela teve o carinho de dividir o amor com o amigo do filho. Eu sou mãe, e sei como é inconcebível pensar na perda de um filho. Se ao menos eu pudesse repará-la em relação à perda do livro... — diz Nice, sonhando com um acaso que a coloque no caminho daquela mãe. — Trabalhar com livros é apaixonante. O livro não é só a história que o autor conta, mas a história que o antigo dono também conta.

No início deste ano, Nice encontrou outro volume de “O poder do jovem”, que ela ainda está pensando se vai para a caixinha ou não. A mensagem na folha de rosto diz o seguinte: “Para o meu querido neto Fábio conservar à sua cabeceira, e enfrentar a caminhada da vida sempre forte! E vencedor! 05/88, vovó Abigail Araújo.” Por enquanto, vai ficar lá.





quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Nem o gelo impede o bom pastor de salvar sua ovelha

Os dois vídeos abaixo mostram o cuidado que todo bom pastor deve ter com suas ovelhas.

Não importa a altura, a dificuldade ou a temperatura, ele deve sempre estar pronto para resgatar a ovelha em perigo.

No primeiro vídeo, uma ovelha está soterrada debaixo da neve depois de uma tempestade, mas existe alguém que se importa e lhe providencia o socorro.

No segundo vídeo, mesmo assustada à beira do precipício, há alguém corajoso que desce até seu minúsculo ponto de apoio para tirá-la da perdição fatal.

Mesmo que chova a mais não poder, faça sol inclemente, caia a neve ou lhe sirva de sepultura o gelo, o Bom Pastor estará sempre lá para te estender a mão.

O destino de ambas parecia selado, e não havia nada que elas fizessem por si só que lhes garantisse uma saída daquela situação.

Mas a ajuda veio, ainda que improvável nessas circunstâncias aparentemente irremediáveis.

Por isso, mesmo que o mundo desabe sobre a sua cabeça, não perca a esperança jamais. 

"Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (João 10:11).

Tenha fé!

Inspire-se com essas belíssimas imagens:







sábado, 31 de dezembro de 2011

Dando adeus a 2011 com Fernando Pessoa e Cora Coralina



Três poemas de Fernando Pessoa em vídeo para nos despedirmos de 2011. Os dois primeiros, "Poema em Linha Reta" e "Grandes São os Desertos", na declamação de Paulo Autran. O terceiro, "Amigos, Ainda...", na voz de Hugo Moura Pereira (com a transcrição do poema em seguida). De brinde, ainda vai "Saber Viver", de Cora Coralina, na voz de Juca de Oliveira:







Amigos, ainda...

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudade de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tontos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até os momentos de lagrimas, da angustia, das esperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem paar sempre.
Hoje não tenho mais certeza disso
Em breve casa um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe… nas cartas que trocaremos podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Ai, os dias vão passar, meses… anos… Ate este contrato se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo…
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas?
Diremos que eram nossos amigos e isso vai doer tanto!
“Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar ouvir aquelas vozes novamente
Quando nosso grupo estiver completo reuniremos para um ultimo adeus de um amigo
E entre lagrimas nos abraçaremos
Então faremos promessas de nos encontrar mais daquele dia em diante
Por fim vai cada um para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perderemos no tempo
Por isso fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades…
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!






sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Enfrentando a solidão do fim de ano

Matéria publicada na Folha de S. Paulo de 27/12/11:

Solidão de fim de ano congestiona serviço de prevenção ao suicídio

FILIPE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A procura por atendimento no CVV (Centro de Valorização da Vida) aumenta 20% durante as festas de fim de ano, de acordo com estimativas da entidade. O objetivo da instituição é atender gratuitamente pessoas que precisam de apoio emocional imediato.

Nesta época, a maior queixa das pessoas é a solidão de não ter com quem passar o Natal e o Ano-Novo, segundo a voluntária do CVV Adriana Rizzo, 41. Para ela, muitos sofrem ao ver que o mundo inteiro está em festa enquanto eles não conseguem aproveitar. "Quero que esta época passe logo para eu voltar à rotina" é um comentário feito por vários dos que ligam anonimamente à entidade em busca de ajuda.

A maior procura acontece durante a noite e aos finais de semana e o atendimento não é interrompido na véspera de Natal ou no Réveillon. Em muitos momentos, as linhas ficam congestionadas. A Folha tentou entrar em contato entre as 10h e 11h da manhã de quinta-feira (22) e por quatro vezes recebeu a informação de que todas as linhas estavam ocupadas. O mesmo fato se repetiu três vezes na noite de sábado (24).

Adriana, que é voluntária do CVV há 13 anos, conta que já foi escalada para passar uma noite de Natal atendendo ligações. Ela diz que foi gratificante passar o momento comemorativo trabalhando: "Foi interessante. Muitas pessoas ligavam para desabafar e outras que foram ajudadas por nós queriam agradecer e desejar feliz Ano-Novo".

Para ela, não existe um conselho único para ser dado às pessoas que se sentem mal nesta época. O que ela costuma fazer é ficar aberta para ouvir tudo o que a pessoa quer e precisa falar. "O momento é dela", diz.

As conversas não tem tempo predeterminado. A duração pode variar entre cinco minutos e uma hora, de acordo com a necessidade.

Anualmente o CVV recebe aproximadamente 1,2 milhões de ligações telefônicas, o principal canal de atendimento. Dentre elas, pouco mais da metade são pedidos de ajuda (excluindo enganos e procura por informações).

Como o anonimato é preservado, não é possivel identificar qual a faixa etária ou sexo predominante entre os que procuram o serviço.

SUICÍDIO

Desde 1962, quando a entidade foi criada, o foco do atendimento mudou. Inicialmente, o objetivo era a intervenção com pessoas que estavam prestes a se matar. Atualmente, a filosofia do grupo é dar oportunidade para que as pessoas precisando de ajuda possam desabafar e falar de seus sofrimentos antes de pensarem em suicídio.

Adriana já atendeu pessoas que falavam em suicídio. Segundo ela, após alguns minutos de conversa a pessoa costuma se acalmar. Nesse momento, cabe ao voluntário tentar entender qual o motivo do sofrimento. Mesmo assim, em muitos casos é impossível saber qual foi a decisão da pessoa e o que aconteceu depois.

Alessandro (nome fictício), 55, nunca conversou com alguém que dizia explicitamente estar disposto a se matar, apesar de algumas pessoas atendidas contarem que já tinham pensado nisso. Voluntário há um ano, ele conta que é comum que as pessoas digam que se sentem melhor ao final da ligação, após conseguir verbalizar seus problemas.

SERVIÇO

Os atendimentos do CVV são feitos 24 horas, a partir da central telefônica 141, por e-mail, Voip, por correspondência ou pessoalmente em uma das 71 unidades espalhadas pelo Brasil. O site também oferece um serviço de chat em que se pode conversar com um voluntário reservadamente.

Os atendentes são voluntários que passam por uma seleção e por um treinamento de três meses.



sábado, 1 de janeiro de 2011

O melhor ano da sua vida

Leitura bíblica:

"Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração."

(Jeremias 29:11-13)

Meditação:

O sinal seguro de que temos um relacionamento autêntico com Deus é crermos mais no futuro que no passado. O passado não pode ser fonte de confiança nem de condenação. Na sua graça, Deus dividiu nossa vida em dias e anos para que pudéssemos abrir mão de nossos ontens e antegozar os nossos amanhãs. Para os erros passados, ele oferece-nos o perdão e a habilidade de esquecer. Para nossos amanhãs, ele nos dá a dádiva da expectação e da emoção.

O que o Senhor disse ao povo de Israel que se definhava no exílio babilônico aplica-se a qualquer de nós que nos encontramos exilados dele, sem esperança para o futuro. Ele tem planos para cada um de nós - bons planos para nosso crescimento em sua graça - a fim de que tenhamos um futuro com esperança. Emil Brunner disse: "O que o oxigênio é para os pulmões, a esperança é para a alma." A esperança possibilita uma qualidade de vida imprescindível; liberta-nos para ousar, dá-nos a confiança para as frustrações diárias e a coragem para viver a vida venturosamente. A dádiva da esperança para o futuro é a chave que abre as comportas do poder do Senhor e destranca o fluxo de suas possibilidades surpreendentes e ilimitadas.

Muitos dizem: "Precisamos ter esperança!" como se a esperança fosse algo que pudéssemos conseguir por nós mesmos. A esperança vem de algo ou de alguém. A esperança autêntica vem de Cristo, por causa do que ele é e do que ele pode fazer. Sua ressurreição é a fonte suprema de esperança. Nada pode derrotar a Cristo". O pior que o homem fez no Calvário foi seguido da melhor esperança para todas as eras. Ele se encontra conosco hoje a fim de dar-nos ânimo para o futuro.

Ele está no controle deste novo ano. Ele tem um plano! Entregue-lhe o ano que você tem pela frente, agradeça ao Senhor, pois tudo o que lhe vai acontecer está de acordo com o que ele planejou a fim de ajudar-nos a nos tornarmos mais à sua semelhança. Tenha um ano cheio de alegria!

Pensamento do dia:

O melhor que Deus tem para a minha vida começa com uma esperança vibrante para o futuro.

(Lloyd John Ogilvie, em "O que Deus tem de melhor para a minha vida", Ed. Vida, meditação de 1º de janeiro)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sossegai!

Há dias de muita luta em nossas vidas, há momentos terríveis que atravessamos, em que a paralisia parece que vai nos vencer. O medo toma as rédeas das nossas emoções e a atitude mais cômoda, por contraditório que pareça, é simplesmente deixar-se levar pela correnteza, inapelavelmente. Entretanto, temos que seguir em frente, não podemos olhar pra trás, pois o que passou, passou, há desafios enormes pela frente, mas, graças a Deus, a vitória é garantida. Quando nosso inconsciente se depara com estes desafios, ele provoca um curto-circuito geral, porque o que vem à frente é novo e inovador, desconhecido mas – provavelmente - infinitamente melhor do que tudo o que já vivemos, mas o nosso inconsciente é uma criança mimada e insegura, que prefere agarrar-se à falsa segurança de emoções antigas, ainda que sejam erradas, destrutivas, e carregadas de culpa.

Há esperança, todavia. Podemos optar pela verdadeira segurança, que é entregar a Deus todo o nosso caminho, o que significa certeza de abrigo, mesmo em meio à tempestade, certeza de resgate, mesmo em meio ao mar enfurecido, certeza de paz, mesmo debaixo do bombardeio incessante, certeza de salvação, mesmo vivendo num mundo destinado à perdição. O que passou, passou, não voltará, e se a sensação de paralisia é forte demais, podemos nos inspirar no que fez Paulo, durante a tempestade na viagem pra Roma, deixando de lado, por longos dias, todos os meios humanos pra tentar se salvar no barco à deriva (Atos 27:13-44). Se é esta a situação em que estamos, deixemos o barco à deriva até que o Senhor decida em que ilha nós vamos aportar, ou em que pedra o barco vai se estilhaçar, mas, em toda e qualquer situação, nós seremos salvos (Atos 27:22), e apenas o barco, a carcaça desta velha vida, naufragará.

De qualquer maneira, o sol beijará outra manhã, o mar voltará a cantar canções de ninar, o vento tornará a acariciar no seu vem e vai, e nós continuaremos vivos e de pé na presença do Senhor, eternamente. Nunca perca esta verdade do seu horizonte.

Com Cristo no barco, tudo vai muito bem...

Sossegai...


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lata velha

por C. S. Lewis:

Há um alerta ou incentivo para cada um de nós. Se você é uma pessoa legal – que tem facilidade em alcançar virtudes -, tenha cuidado! Muito se espera daqueles a quem muito é dado. Se você considerar mérito seu o que na verdade são presentes que Deus lhe deu por meio da natureza e se contentar em ser uma pessoa simplesmente legal, não passará de um rebelde. E os dons só o levarão a cair de forma ainda mais terrível; o tornarão ainda mais corrupto e seu mau exemplo, ainda mais desastroso. O próprio demônio já foi um arcanjo; os dons naturais dele estavam tão acima dos seus, quanto os seus estão acima das habilidades dos chimpanzés.

Mas, se você não passa de uma pobre criatura – envenenada por uma má criação, numa família cheia de invejas e intrigas absurdas – premiada com alguma perversão sexual independente de sua vontade; e atormentada pelo complexo de inferioridade que a faz humilhar-se diante dos seus melhores amigos -, não se desespere. Ele sabe de tudo isso. Você é um dos pobres que ele abençoou. Ele sabe muito bem que lata velha você está tentando dirigir. Não desista. Faça o que puder. Algum dia (quem sabe em um outro mundo, mas talvez até antes disso) ele lhe jogará no ferro velho e lhe dará uma carcaça novinha. Então, você poderá nos impressionar a todos – e não menos a si mesmo -, pois terá aprendido a guiar na auto-escola mais exigente do mundo. (Alguns dos últimos serão os primeiros e alguns dos primeiros, os últimos).

(C. S. Lewis em “Mero Cristianismo”, citado em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 232)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Âncoras seguras na tempestade

Leitura bíblica: Atos 27:27-44

Versículo-chave: “E, receosos de que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras, e oravam para que rompesse o dia.” (Atos 27:29)

Meditação: Quais são suas âncoras na tempestade? O que, em seu interior, estabiliza o navio da vida em meio aos ventos cortantes da dúvida, do mar amargo da dor, das rochas afiadas da tentação? É o que nos acontece na tempestade, não na calma ou na tranqüilidade dos portos da vida, que testa a nossa fé.

Paulo partiu para Roma sob a guarda romana. Na viagem de Creta a Malta, um vento nordeste, chamado Euro-aquilão, soprou das montanhas de Creta, apanhando o navio e atirando-o à deriva por vários dias. Só Paulo tinha confiança em meio ao desespero. Enquanto o navio vagava ao léu, perto da costa de Malta, os marinheiros lançaram sondas e, temendo dar contra as rochas, abaixaram quatro âncoras. E Paulo orava para que despertasse o dia. A vida é assim. Que quatro âncoras seriam capazes de estabilizar nossa alma no mar turbulento do tempo? Paulo possuía mais que âncoras físicas. Em oração, ele lançou as verdadeiras âncoras da vida.

Ele tinha a âncora da confiança na ajuda presente de Deus. Mediante o seu ministério, Deus havia sido fiel em cada crise. Paulo podia confiar nele agora. A seguir, ele tinha a âncora da esperança. A esperança de Paulo estava firmada no Senhor da história, que o havia ajudado a atravessar fielmente cada dificuldade. O salmista tinha razão: “Espere no Senhor”.

Mas Paulo também tinha a âncora do propósito. Ele sabia que sua obra ainda não estava terminada. Ele devia ir à presença de César. Deus terminaria o que havia começado. O propósito nos liberta dos temores e nos dá coragem. Nosso propósito é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre, a despeito do que acontece ou do que as pessoas dizem. Finalmente, havia a âncora da comunhão: “Deus por sua graça te deu todos quantos navegam contigo”. Aqueles que aceitaram a mensagem de Paulo deviam responder por ele. Deus sempre provê alguém que sabe, compreende, ouve e ama. São essas as nossas âncoras até romper a aurora de um novo dia.

Pensamento do dia: Há âncoras para a tempestade.

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 17 de agosto)

sábado, 8 de agosto de 2009

Espere no Senhor

“O SENHOR é bom
para com aqueles
cuja esperança está
nele,
para com aqueles
que o buscam;
é bom esperar
tranqüilo
pela salvação
do SENHOR.”

(Lamentações 3:25-26)


É mais fácil trabalhar do que esperar. Com freqüência é mais importante esperar do que trabalhar. Podemos confiar que Deus fará o trabalho necessário enquanto nós esperamos; mas se não estamos dispostos a esperar e insistimos em trabalhar enquanto Ele quer que estejamos quietos, podemos interferir na obra efetiva e triunfante que Ele está fazendo em nossa vida. Nossa espera pode ser o mais difícil que podemos fazer, pode ser a prova mais severa que Deus nos dá.

É verdade o que Oswald Chambers disse: “Uma das maiores tensões da vida é a tensão de esperar em Deus. Deus toma o santo como se fosse um arco que Ele estende, chegamos até certo ponto e dizemos “não posso agüentar mais”; mas Deus o continua estendendo. Ele não está buscando o nosso objetivo, mas o dEle, e a paciência dos santos é o fato de que devemos esperar até que Ele permita que a flecha voe direto ao alvo que Ele propôs. Se estivermos dispostos a lembrar sempre do chamado e da segurança que Deus nos dá, não há necessidade de nenhuma tensão enquanto estamos esperando. O tempo do “arco estendido” pode ser para nós um tempo de descanso ininterrupto, enquanto “descansamos no Senhor e aguardamos por ele com paciência” (Salmo 37:7)

A menos que a corda de um violino se estique até produzir o som desejado quando o arco se desliza sobre ela, não há música. Uma corda de violino solta, sem tensão, é inútil, está morta, não tem voz. Mas quando se estende até chegar à perfeita tensão, produz o tom correto e só então é útil para o músico.

“No eterno plano de Deus, um mês, um ano
É como uma hora de um lento mês de abril,
Que contém as sementes
daquilo que esperamos ou tememos
Para que floresça no tempo certo.”

O Todo-Poderoso pode parecer lento, mas o Seu caminho é seguro!


(“Manantiales en el Desierto”, Lettie Cowman, Ed. Vida-Zondervan, meditação de 04 de agosto)

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