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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Jornal destaca MMA da igreja Renascer na periferia de SP


A matéria foi publicada no Estadão em 10/07/17:

Pancadaria e orações entre os lutadores de Deus

Igreja Renascer em Cristo de São Mateus tem time de artes marciais cujo treinador também é pastor

Gonçalo Junior

Os 70 fiéis que acompanham o culto das oito na igreja Renascer em Cristo de São Mateus não estranham a pancadaria que rola no andar de cima do prédio. O pastor Jefferson Paiva não interrompe sequer as orações. Às segundas e às quartas-feiras, virou rotina a boa convivência entre os cultos no térreo e as aulas de MMA, oferecidas pela própria igreja, no primeiro andar. A Renascer tem até uma equipe de artes marciais mistas, chamada Reborn Team.

Luta e oração se misturam em alguns momentos. O pastor e treinador Roberto Pedroso interrompe a sequência de chutes e socos para pregar. Isso acontece no início, no meio e no fim dos treinos.

Mesmo esbaforido e pingando suor, Walker Araújo Mendes, aluno há quatro meses, fecha os olhos e ouve o pastor falar que todos enfrentam diversas lutas, mas uma delas é a mais importante: ter uma vida espiritual bem treinada. Que é preciso exercício para ficar longe da maldade e que cada um precisa vencer também dentro do seu octógono espiritual. Todos respondem “Glória a Deus” e a porrada volta. “Pastor, eu tenho de chutar quantas vezes?”, pergunta Angel Hayashida, de 17 anos apenas, apontando para o protetor que a companheira segura com dentes cerrados.




“Todo esporte combina com a igreja. Alguns gostam de futebol. Nós gostamos de luta. Quando tem luva, é esporte. Quando não tem luva, é violência”, diz Pedroso, mais conhecido como pastor Giraia. “Unimos a disciplina da arte marcial e a verdade da palavra de Deus”.

Quem tem mais de 30 anos sabe de onde vem o apelido Giraia. Para os mais jovens, Jiraiya – essa é a grafia oriental – foi o um seriado japonês de TV dos anos 1990. É da família do Jaspion. Como Roberto tinha cabelos longos e seus olhos são meio puxados, o apelido pegou.

Foi ele que ampliou a prática da luta na Renascer a partir de 2009, quando surgiu uma equipe para disputar torneios dentro e fora da igreja. O time é abençoado. O grupo fez crescer a ideia inicial de oferecer uma atividade esportiva para atrair mais jovens e hoje conta com atletas de todas as idades. Em oito anos, mais de seis mil pessoas já passaram por ali. O MMA começou na Vila Industrial, zona leste, chegou a São Mateus e hoje está em dezenas de unidades da terceira maior igreja neopentecostal do Brasil.

Fundada em 1986 por Estevam Hernandes e Sônia Hernandes, a Renascer possui cerca de 600 templos, mas não divulga o número dos fiéis seguidores.

Tirando as orações e a proibição de palavrões, o treino é idêntico ao de uma academia tradicional. Puxado. Tem condicionamento físico, trabalho técnico e muscular. Na primeira aula, quase todos perguntam se é preciso frequentar a igreja. Não é. O espaço recebe amadores, gente que quer aprender a lutar, emagrecer ou melhorar o condicionamento, e também oito profissionais, aqueles que vivem do esporte. Ou deveriam viver.


Zé Reborn é o cara...

Zé Reborn é o principal lutador do ‘time de Deus’. Ele já atuou no Jungle Fight, grande competição brasileira de MMA, mas precisa de um patrocínio para se dedicar só aos treinos. Juntando vários torneios, soma 31 lutas com dez derrotas e hoje atua na categoria até 57 kg. “Eu queria me dedicar só aos treinos. Mas tenho de sustentar meus filhos. Sem patrocínio, não dá”, diz o alagoano de 29 anos que se chama, na verdade, José Alexandre e trabalha na área de limpeza de condomínios. “Chamar só Zé não tem graça para um lutador, né? Zé Reborn traz o nome da igreja e é mais chamativo”.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

Caderno 2 do Estadão resenha Bíblia de Estudo da Reforma da SBB


É raro, para não dizer "inédito", que a edição de uma Bíblia (ainda mais de tradição protestante) consiga penetrar no catálogo secular de resenhas literárias publicadas na imprensa em geral.

Parece que os 500 anos da Reforma Protestante, a serem comemorados no próximo mês de outubro, já produziram este primeiro milagre em terras tupiniquins.

Quem rompeu este cerco sagrado no sábado passado foi a Bíblia de Estudo da Reforma, com uma interessante e honesta resenha que pode ser lida no Estadão:

'Bíblia de Estudo da Reforma' traz ampla biografia de Martinho Lutero

Obra faz homenagem ao monge alemão

José Maria Mayrink

O mais novo lançamento da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) é uma homenagem a Martinho Lutero, por sua dedicação às Escrituras Sagradas, centro e base de sua espiritualidade e de sua teologia. O luxuoso volume da Bíblia de Estudo da Reforma, de 2.304 páginas, abre com minuciosa biografia do monge agostiniano alemão que rachou a Igreja Católica no século 16 e inaugurou uma nova comunidade cristã, embora não fosse sua intenção se separar de Roma.

Além da vida de Lutero, ilustrada por belas gravuras dele, de sua mulher Catarina von Bora, de seus pais e de vários personagens da época, aliados ou adversários, com fotografias das casas, conventos e igrejas, essa edição da Bíblia reproduz os prefácios que o reformador escreveu para cada livro do Antigo e do Novo Testamento.

É uma edição rica na apresentação, capa em couro sintético, e riquíssima no conteúdo. Mais de 40 mil notas de rodapé, cerca de 120 quadros, mapas e diagramas, 220 artigos e introduções aos textos bíblicos e citações dos pais ou padres da igreja, a começar por São Jerônimo, autor da Vulgata, em latim, são fruto do trabalho de tradutores e revisores da Sociedade Bíblica do Brasil. O original de todo esse material é da The Lutheran Study Bible, publicado em 2009 pela Concordia Publishing House, nos Estados Unidos. A tradução do texto bíblico é de João Ferreira de Almeida, revista e atualizada. O mesmo texto, portanto, usado em todas as edições SBB.

A história de Lutero narra cronologicamente em detalhes os primeiros passos de sua vocação religiosa, a rotina no convento de Erfurt, a viagem a Roma, o combate à venda de indulgências, o casamento com a ex-monja Catarina von Bora e a propagação pela Europa da doutrina evangélica que ficou conhecida como protestantismo. Por tabela, o texto divulga o perfil de papas, príncipes e teólogos no cenário político da Alemanha. É uma biografia densa, suficiente para dar aos leitores uma visão clara e, enquanto possível, imparcial de Martinho Luder, sobrenome que ele mudou para Lutero, ou Elêuteros, em grego, cujo significado se traduz por livre ou independente.

“Essa edição é uma contribuição grande para as igrejas evangélicas na comemoração dos 500 anos da Reforma pelas abundantes citações de Lutero e pela transcrição de textos dele”, disse o reverendo Erni Walter Seibert, secretário de Comunicação, Ação Social e Arrecadação, da Sociedade Bíblica do Brasil. Lançada em fevereiro com 11 mil exemplares, a Bíblia de Estudo da Reforma deverá dobrar a tiragem até o fim do ano. Conforme observa Seibert, o reformador Martinho Lutero provocou uma revolução na teologia, com repercussão na política e na educação. Sua tradução da Bíblia para o vernáculo, contribuiu para a unificação da língua alemã e deu ao povo a possibilidade de ler os textos sagrados, antes só disponíveis em latim.

Algumas observações na narração da vida de Lutero são particularmente interessantes. Por exemplo, a suspeita de que não foi do próprio reformador, mas de seguidores seus, a iniciativa de afixar as 95 teses contra as indulgências na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, onde ele costumava pregar. Outra informação, curiosa e honesta para um texto quase hagiográfico, é o registro da aversão de Lutero aos judeus. Depois de ter aconselhado uma mudança de atitude em relação ao povo judaico nos anos 1520, ele escreveu a obra A Respeito dos Judeus e de Suas Mentiras, publicada em 1543, na qual afirma que os judeus não passam de filhos de Satanás e que a presença deles entre os cristãos representaria um grande perigo para todos os crentes.

“Hoje, essas ofensas que Lutero, ao final de sua vida, proferiu contra os judeus são vistas como a principal mácula na biografia do Reformador”, observa o texto da Bíblia de Estudo da Reforma, acrescentando que “por ter sido tão rigoroso em seus juízos e pronunciamentos, Lutero não foi seguido em tudo, nem mesmo por seus contemporâneos e enquanto ele ainda vivia”.

O professor luterano Lauri Wirth contou ao Estado que, ao ler na sala de aula trechos do que Lutero escreveu sobre os judeus, seus alunos da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo disseram que não sabiam quem era o autor, mas que só podia ser um nazista.

A Bíblia de Estudo da Reforma soma-se à Bíblia Sagrada com Reflexões de Lutero, lançada em 2012 pela SBB, que também apresenta uma breve biografia, comentários sobre alguns trechos dos dois Testamentos, o Catecismo Menor para pastores e pregadores indoutos e, uma preciosidade, uma seleção de hinos compostos por Martinho Lutero, com a transcrição de letra e partitura.

BÍBLIA DE ESTUDO DA REFORMA
Tradução: Almeida Revista e Atualizada
Editora: Sociedade Bíblica do Brasil (2.304 págs.,R$ 159,90)



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bancada evangélica se une a José Genoíno contra o STF

Alguns dias atrás, em represália contra as manifestações que pedem a renúncia de Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara de Deputados, um grupo de evangélicos fiéis ao deputado do PSC/SP foi até a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da mesma casa, para protestar contra a presença dos deputados José Genoíno e João Paulo Cunha, ambos do PT/SP e réus condenados no processo do mensalão, pedindo que ambos também renunciassem.

Olho por olho, dente por dente, mandato por mandato portanto. Só que a hipocrisia, o oportunismo e o "jogo para a plateia" da atitude não demorou mais que uma semana para se revelar durante nova reunião da CCJ. 

Como a memória de brasileiro (especialmente a política) é curta, vamos refrescá-la um pouquinho, caro leitor.

Decisões polêmicas do Supremo Tribunal Federal nos últimos anos, como a descriminalização do aborto de feto anencéfalo e a aprovação das uniões estáveis homossexuais, fizeram com que a bancada evangélica propusesse e apoiasse ostensivamente a Proposta de Emenda à Constituição que - na prática - submete os julgamentos do STF ao crivo do Poder Legislativo.

Indignado com a "libertinagem" do STF, o deputado Marco Feliciano, que ainda não presidia a CDH e estava na CCJ, protestou em seu blog com o artigo "A Hipócrita Laicidade Brasileira" no dia 13 de abril de 2012, dizendo, entre outras coisas:
Nesta semana, a barbárie desumana foi convocada a firmar estacas em nosso país através da votação e aprovação do ABORTO DOS ANENCÉFALOS, em seus votos, os juízes do STF usaram por inúmeras vezes a expressão religião, e em nome da laicidade brasileira assustaram mais uma vez a família brasileira
... 
Avisei no twitter que falaria aqui sobre a única forma de sustar estas decisões tomadas pelo STF e que provocam tanto desconforto na sociedade brasileira, que se sente lesada, afinal não votamos em Juízes, votamos no legislativo e o executivo. Quem representa o pensamento do povo não pode ser 11 homens/mulheres e sim os Deputados, Senadores e a Presidente.

Tramita já na casa, mas está “engavetada” a PEC 143/2012 do Nobre Deputado Nazareno Fonteles PT-PI (dep.nazarenofonteles@camara.gov.br) que fixa o mandato de 7 anos para o Supremo Tribunal Federal, e a PEC 3/2011 do mesmo Deputado, que da poderes ao Congresso Nacional para Sustar as Decisões do STF quando estas violarem os direitos do povo brasileiro.

(PEC = PROJETO DE EMENDA CONSTITUCIONAL).

Estas PECs estão na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, cujo presidente atual da CCJC é o Deputado Eduardo Berzoine PT-SP (dep.ricardoberzoini@camara.gov.br).

Se conseguirmos mobilizar homens e mulheres desse país, que são contrários a decisão do Supremo Tribunal Federal, e convencermos estas PECs serem colocadas em votação e cada um de nós procurarmos os deputados da CCJC (sou titular desta comissão) escrevermos e pedirmos para que votem a favor, e sendo aprovada a PEC, poderemos sustar a decisão do STF.

Por isso peço encarecidamente a todos que lerem este simples e objetivo artigo, a enviarem um email para o Presidente da Comissão de Constituição de Justiça e Cidadania:

dep.ricardoberzoini@camara.gov.br

1) Pedindo para que seja colocada em votação a PEC 143/2012 Emenda que Altera dispositivos da Constituição Federal, dispondo sobre a forma de escolha e a fixação de mandato de sete anos para Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Contas da União e dos Estados.

2) Pedindo que também seja colocada em votação a PEC 03/2011, que propõe a possibilidade de o Legislativo sustar atos do Judiciário que “exorbitem suas funções”

Convoco mais uma vez os evangélicos, os católicos, e todos os que amam e respeitam a vida e ficaram indignados com a decisão do STF a Repassarem este artigo ao maior número de pessoas possíveis, faça a sua parte.

Também gostaria que se possível, este artigo chegue aos veículos de imprensa escrita, radiofônica ou televisa dos segmentos religiosos, podemos assim despertar nosso povo. Não podemos ficar calados, de braços cruzados por termos perdido esta batalha, afinal a guerra não acabou ainda! Apelo aos grandes comunicadores cristãos, aos lideres religiosos que me ajudem a divulgar esta matéria, e agradeço desde já.
Pois é, como o próprio Marco Feliciano havia pedido, a PEC 3/2011 foi impulsionada com o apoio maciço da bancada evangélica até ser aprovada pela CCJ ontem, 25/04/13, segundo noticia o Estadão.

Detalhe sinistro: com o apoio entusiasmado dos mesmos José Genoíno e João Paulo Cunha que os fãs evangélicos de Feliciano haviam escrachado uma semana antes.

Ou seja, hipocrisia no Congresso Nacional é só uma questão de oportunidade. Ou oportunismo...



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Celibato católico cresce no Ceará

A notícia foi publicada no Estadão. O - no mínimo - curioso interesse do Estadão no celibato será comentado em seguida.

Cresce no Ceará número de celibatários católicos

LAURIBERTO BRAGA

Cresce no Ceará o número de celibatários na Igreja Católica. São pessoas que não são padres nem freiras, mas leigos que fizeram a opção de dedicar a vida a serviço da Igreja. Um exemplo é um grupo de 45 leigos que se consagrou no celibato no mês passado, em cerimônia na Comunidade Católica Shalom, em Fortaleza.

A Shalom, maior representante da Renovação Carismática Católica no Brasil, abriga em suas residências casais, sacerdotes e celibatários. Os celibatários - que são reconhecidos pelo Vaticano -correspondem hoje ao grupo que mais cresce na Shalom. Segundo o assessor de imprensa da Shalom, Vanderlúcio Souza, "os celibatários, no lugar de dedicar amor exclusivo a uma pessoa, escolhem amar a todos e continuar o legado de Cristo. E Cristo é a maior referência de celibato, pois ele viveu como celibatário quando esteve entre os homens". Os celibatários, portanto, mantêm-se solteiros e sexualmente abstinentes. Na Igreja Católica, todos os sacerdotes fazem voto de castidade.

Consagração. A ex-estudante de Medicina Gabriella Dias é uma das celibatárias que foram consagradas em Fortaleza. Ela integra a comunidade Shalom há 15 anos e agora recebeu a consagração perpétua no Celibato pelos Reinos dos Céus. "Após discernimento com as autoridades da Shalom, escuta de Deus e retiros, chego ao último estágio para a consagração definitiva", diz Gabriella.

Para o Shalom, a decisão de Gabriella remete "à eternidade e vai na contramão do senso comum da vivência de provisoriedade".

Gabriella cursou até o sétimo semestre de Medicina e resolveu abrir mão de ser médica para se dedicar à Shalom, onde atualmente comanda a missão de produzir grandes eventos como o Festival Halleluya, o retiro Renascer e a Exponatal. Ela representa a Shalom na Arquidiocese Metropolitana de Fortaleza e na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Shalom hoje tem mais de 15 mil membros engajados no Ceará.



É de conhecimento geral que o Estadão é um dos órgãos mais conservadores da imprensa brasileira, condição que não o descarta como uma voz influente na política do país, principalmente porque é bem escrito e faz questão de dizer de que lado está, sem dissimulações, como acontece com o seu maior concorrente, a Folha de S. Paulo.

Com a presente extinção sistemática dos jornais de papel, engolidos pela internet, não demorará muito tempo para que ambos os jornais deem adeus ao meio impresso, mas a cruzada conservadora católica do Estadão, ao que parece, continuará por um bom tempo.

Alguém poderia sugerir que isso se deve à ligação do jornal com a Opus Dei, já que a família Mesquita hoje responde apenas pelo editorial do órgão.

Afinal, Carlos Alberto Di Franco, 66 anos de idade, colunista influente do Estadão e celibatário autoproclamado virgem, seria numerário da Opus Dei no Brasil e daria "formação cristã" ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conforme notícia da revista Época de janeiro de 2006:

Entrevista com Carlos Alberto Di Franco, um dos numerários mais influentes e bem relacionados do Opus Dei

Eliane Brum e Débora Rubin

Ligações poderosas

Carlos Alberto Di Franco dá formação cristã ao governador Geraldo Alckmin e treinou mais de 200 editores da imprensa

Carlos Alberto Di Franco, 60 anos, é um dos numerários mais influentes e bem relacionados do Opus Dei. Representante no Brasil da Escola de Comunicação da Universidade de Navarra e diretor do Master em Jornalismo, um programa de capacitação de editores que já formou mais de 200 cargos de chefias dos principais jornais do País, é citado no livro Opus Dei - Os Bastidores como o executor da política da Obra para a mídia do Brasil e na América Latina. Nos últimos anos, tem feito periodicamente uma preleção sobre valores cristãos na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes a convite do governador Geraldo Alckmin (confira matéria na página xx). O encontro, apelidado de 'Palestra do Morumbi', reúne um seleto grupo de empresários e profissionais do Direito, entre eles o vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Ometo. Na sede do Master, em São Paulo, em cujos andares superiores funciona o centro da Obra onde vive, Di Franco deu a seguinte entrevista a Época.

ÉPOCA - A partir do final dos anos 80 a Universidade de Navarra, que é do Opus Dei, passou a dar cursos nas redações brasileiras. Como surgiu essa estratégia?
Carlos Alberto Di Franco - Vários professores de lá participaram de um seminário no Rio e chamaram atenção pela sua visão de Jornalismo. Esse foi o início de um trabalho não de universidade, mas de consultoria de alguns profissionais que também são professores em Navarra. Mais recentemente Navarra montou uma empresa de consultoria que atualmente está sendo reestruturada, e eu tenho uma empresa e contrato consultores de Navarra e também daqui.

ÉPOCA - O Master em Jornalismo é uma estratégia do Opus Dei para influenciar a imprensa brasileira e da América latina?
Di Franco - Absolutamente nada a ver. É um trabalho profissional meu. A única coincidência é que Carlos Alberto Di Franco é do Opus Dei. A imprensa tem suficiente discernimento e filtros próprios para se deixar submeter a qualquer coisa deste tipo.

ÉPOCA - O senhor é numerário do Opus Dei, é representante da Escola de Comunicação da Universidade de Navarra, que é do Opus Dei, o Master traz professores de Navarra que também são numerários, mas o senhor afirma que não há nenhuma estratégia do Opus Dei em influenciar a imprensa através de um curso de formação de editores?
Di Franco - Muitos professores de Navarra que vêm não são do Opus Dei. O Master é um programa técnico de capacitação de editores e não de Religião. O Master tem uma identidade cristã? Claro. Quando eu abro o Master, a primeira coisa que eu faço é dizer que o centro conta com serviço de capelania entregue à prelazia do Opus Dei. Isso implica numa série de serviços de atendimento espiritual para quem queira recebê-los. Deixo absolutamente claro o que acontece aqui. O prestígio do Master não depende do número de gotas de água benta, mas de sua qualificação profissional.

ÉPOCA - Quantos professores tem o Master e, destes, quantos são do Opus Dei?
Di Franco - Onze fixos, seis são da Obra.

ÉPOCA - São Escrivá disse que era preciso embrulhar o mundo em papel-jornal...
Di Franco - Qualquer pessoa que pense dois minutos percebe que os meios de comunicação são um poderoso facho para o bem e para o mal. Essa preocupação de evangelização tendo em conta os meios de comunicação social é legítima. Mas você poderá difundir a mensagem cristã não com água benta e nem metendo-se a montar estruturas piegas, mas atuando na sua atividade profissional. Estou convicto de que se o mundo tiver mais cristãos ou gente comprometida com sua fé será um lugar melhor.

ÉPOCA - O senhor publicou um artigo no jornal O Estado de S.Paulo criticando o Código da Vinci, um livro de ficção que mostra o Opus Dei como uma seita capaz de assassinar para alcançar seus objetivos. O senhor assina como jornalista e professor de ética. O senhor não acha que deveria ter informado ao leitor que é um numerário?
Di Franco - Não, porque não acrescenta nada. Na mídia todo mundo sabe.

ÉPOCA - O senhor acredita que todos os leitores do jornal sabem?
Di Franco - Todos os leitores não, mas eu não sei o que ser membro do Opus Dei acrescenta ao meu currículo. O que eu fiz foi uma análise do Dan Brown mostrando a sua desonestidade intelectual que qualquer jornalista poderia fazer, budista ou ateu.

ÉPOCA - Poderia. Mas o senhor não acha que a informação de que quem criticava um livro contra o Opus Dei era alguém do Opus Dei teria sido relevante para o leitor?
Di Franco - Eu fiz uma crítica técnica e não movida por razões religiosas.

ÉPOCA - Como começaram as 'palestras do Morumbi', que acontecem na última quarta-feira do mês, no Palácio, com o governador Geraldo Alckmin e um grupo de empresários e profissionais do Direito?
Di Franco - Não é uma reunião regular, depende das agendas. O governador é cristão, muito católico. Nesta reunião tratamos temas relacionados a práticas ou virtudes cristãs.

ÉPOCA - De quem partiu essa idéia?
Di Franco - Nasceu de uma conversa do governador com um sacerdote da Obra com quem ele tem direção espiritual periódica.

ÉPOCA - O Padre (José) Teixeira, confessor do governador?
Di Franco - Isso, o Padre Teixeira. Aí eu e o governador conversamos sobre a melhor maneira de fazer e sobre quem participaria. O grupo é formado por amigos comuns, todos católicos. Eu sou o palestrante. Uma coisa rápida, meia-hora, um cafezinho. A última foi em agosto ou setembro. Depois teríamos outra, mas eu não pude. Agora ele entrou em campanha. Acredito que no final de janeiro combinaremos a próxima.

ÉPOCA - Essas palestras são pagas?
Di Franco - Não é um trabalho profissional, é uma atividade de formação cristã.

ÉPOCA - O senhor não acha que a proibição de ir ao cinema, teatro ou estádio de futebol conflitua com seu trabalho de jornalista?
Di Franco - Para mim nunca foi problema. Não é que não pode, a expressão está mal colocada. Não vai ao cinema porque não quer ir ao cinema. Os numerários vivem, voluntariamente, uma série de abstenções em função de sua entrega como numerários.

ÉPOCA - Como o senhor faz com o cilício?
Di Franco - O cilício é uma mortificação corporal ultratradicional na Igreja. Se você falar com qualquer pessoa que viva o cristianismo é a coisa mais corriqueira e comum.

ÉPOCA - O senhor usa, duas horas por dia?
Di Franco - Sim, como qualquer numerário.

ÉPOCA - Quando o senhor está com o cilício se concentra no sofrimento de Cristo?
Di Franco - Essa pequena mortificação você oferece por várias intenções. A partir de hoje vou oferecer para você.

ÉPOCA - Não é necessário.
Di Franco - Como colega. O incômodo se oferece.

ÉPOCA - É muito difícil o celibato?
Di Franco - Qualquer pessoa tem desejo, é normal. Eu sinto atração pelas mulheres, claro que sinto, sobretudo pelas bonitas.

ÉPOCA - O senhor é virgem?
Di Franco - Você está entrando em território perigoso. Mas sou, se quer saber sou.



E apenas para continuar na mesma seara, é bom lembrar da matéria do Financial Times sobre a Opus Dei, que foi traduzida e publicada no Radar Econômico do Estadão em dezembro de 2010:

‘Financial Times’: Opus Dei injeta cristianismo no capitalismo

Sílvio Guedes Crespo

O jornal britânico “Financial Times” examinou uma das escolas de negócios mais proeminentes do mundo, a Iese Business School, que pertence à organização católica Opus Dei. O diário tenta explicar a relação entre esse segmento religioso e o capitalismo.

A conclusão aparece no início do texto: essa escola “é o centro dos esforços dos movimentos mais conservadores da Igreja Católica para injetar princípios cristãos no capitalismo global”.

A Iese, fundada em 1958 como parte da Universidade de Navarra, tem também cursos técnicos e escolas de negócios em outros países, incluindo unidades recém inauguradas em Lagos (Nigéria) e Nova York (Estados Unidos). Projetos na América Latina, no Leste Europeu e na África estão em curso.

A escola se destaca entre as instituições de ensino e pesquisa ligadas ao cristianismo “por sua absoluta qualidade”, afirma o “FT”. “Mas por que ela é tão boa? E qual o papel da sua afiliação religiosa?”

A organização acredita que as pessoas devem aspirar a santidade nas atividades rotineiras, inclusive no trabalho, disse ao jornal o padre Domènec Melé. “Seria estranho oferecer a Deus uma coisa ‘meia-boca’. Se você está tentando dar o máximo, por Deus, então você provavelmente vai ser promovido e trabalhar direito”, afirmou um aluno.

A partir de depoimentos de membros da Opus Dei e alunos, a reportagem observa que a escola procura adotar “noções de respeito, honestidade, integridade e a ideia de que os negócios devem considerar as conseqüências humanas das decisões”. Esses princípios, avalia o jornal, “deveriam basear qualquer decisão empresarial”.

Como resultado, a Iese teve uma receita de 77 milhões de euros para o ano letivo, oriunda do apoio de mais de cem empresas, doações de funcionários e pagamento de mensalidade dos alunos (o MBA de dois anos custa 87 mil euros).

O texto é predominantemente favorável à instituição, mas não deixa de citar as críticas que normalmente são feitas. Por exemplo, as acusações de “lavagem cerebral” dos jovens e a influência na política, no Poder Judiciário e no mundo dos negócios, especificamente na Espanha e na América Latina. O jornal diz, ainda, que críticos da Opus Dei a acusam de ter uma lista de livros para cuja leitura é requerida uma autorização prévia, como obras de Jean-Paul Sartre, Karl Marx, Anthony Burgess e outros. A organização nega as acusações.




domingo, 2 de dezembro de 2012

Como sofrem os cristãos de Gaza

Sim, existem cristãos na Faixa de Gaza, e eles estão morrendo, segundo informa o Estadão em matéria publicada no último dia 25 de novembro:

Comunidade cristã sofre com violência em Gaza

A pequena comunidade cristã da Faixa de Gaza, cerca de 2 mil pessoas, está de luto. A guerra entre Israel e o grupo radical islâmico Hamas matou um dos fiéis da Igreja Ortodoxa de São Porfírio, do século XII, onde, na sexta-feira de manhã, foi celebrada uma missa com mais de cem pessoas em memória da vítima.

A reportagem é de Roberto Simon e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 25-11-2012.

De acordo com o relato de amigos que participavam da cerimônia, Salem Bolos Suelem, um carpinteiro de 54 anos, era vizinho de um prédio no centro da Cidade de Gaza que foi duramente bombardeado por Israel.

Os oito dias de violência, na semana passada, "transformaram a vida de todos no isolado território palestino - e os cristãos não são exceção", afirma Nabil Ayad, primo de Suelem e zelador da igreja de nove séculos.

Questionado sobre como é viver sob o governo islâmico do Hamas, que fechou os cinemas de Gaza e pressiona as mulheres a usar o véu, ele muda o assunto da conversa. "Contra Israel, estamos todos unidos", repete várias vezes. "Há cristãos em grupos como Fatah, a Frente Popular Pela Libertação da Palestina e muitos outros. Sempre lutamos contra a ocupação."

A história dos cristãos de Gaza tem milênios, mas apenas alguns ficaram para contá-la. Desde 1967, quando Israel ocupou a faixa mediterrânea que antes era do Egito, a maior parte decidiu emigrar para países como Canadá, EUA e Austrália.

A comunidade da Igreja de São Porfírio é próspera para os padrões de Gaza e, entre os fiéis, há vários profissionais liberais e empresários. No entanto, ela continua encolhendo, enquanto jovens deixam o território palestino à procura de melhores empregos no exterior.

A última vez em que um membro da igreja morreu por "motivos políticos", na expressão de Ayad, havia sido em 2007, na luta entre o Hamas e a facção Fatah. Desde então, o grupo islâmico fundamentalista controla a Faixa de Gaza e Israel impõe um bloqueio ao território.

Um dos que foram à missa de sexta-feira afirma que "se incomoda" ao ver como o radicalismo islâmico é cada vez mais forte no território palestino. Ele diz se lembrar da época em que mulheres podiam ir à praia com roupas de banho. A costa da Gaza hoje é vazia.

A relação entre os cristãos e o Hamas é um tabu nas conversas. Publicamente, vários contam histórias de como a comunidade já ajudou militantes do Hamas a fugir de soldados israelenses ou contrabandear coisas do Egito para Gaza.

No entanto, na conversa de canto, após a missa, aparecem reclamações sobre como a facção islâmica está mudando a cultura e impondo valores que são estranhos à comunidade cristã em Gaza.

Mobilização

Há alguns meses, um escândalo mobilizou os fiéis. Dois cristãos, um homem de 25 anos e uma mulher de 31 anos, supostamente teriam sido forçados a se converter ao Islã. Revoltados, os fiéis da igreja ortodoxa organizaram um protesto diante da Igreja de São Porfírio, mas a polícia - ligada ao Hamas - diz que os dois decidiram se tornar muçulmanos por vontade própria.

A versão da família dos dois convertidos é que eles foram levados à força para um centro islâmico diretamente ligado ao movimento que governa Gaza e mantidos presos até aceitarem abandonar a fé cristã.

O Hamas colocou na internet um vídeo em que a mulher aparece dizendo ter se convertido por que quis. "Vivemos agora com uma família islâmica, ela nos ajuda e nos ensina a rezar. Temos tudo o que precisamos", afirma Hiba Daoud no vídeo.

Em culturas do Oriente Médio, a mudança de religião é geralmente vista como uma traição à sua cultura, motivo de grande desonra para a família. Fiéis de São Porfírio dizem que a mulher foi coagida a gravar o depoimento.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Entrevista imperdível de Ciro Gomes à Record News

Você tem todo o direito de não gostar de Ciro Gomes, nem das alianças políticas ou das opiniões dele sobre determinados temas e pessoas, mas há de concordar que muito do que ele fala é extremamente relevante e deve ser levado em consideração por todo cidadão brasileiro que quiser - de fato - ajudar a mudar o país.

A entrevista foi concedida ao programa Brasil em Discussão, da Record News, com direito inclusive a uma crítica rápida ao "culto" que é dono da rede de televisão (leia-se "universal"). 



Quem quiser discutir o país de verdade, tem que ter sempre em mente os temas fundamentais que ele levanta. Vale muito a pena ver a íntegra da entrevista no vídeo abaixo:




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pesquisa diz que jejum ajuda a combater alguns tipos de câncer

A notícia é do Estadão:

Jejum colabora no tratamento do câncer, diz estudo

Segundo pesquisa feita nos EUA, ficar sem comer durante períodos curtos tem um impacto similar ao da quimioterapia, pois torna mais lento o crescimento dos tumores

Jejuns curtos e severos tem um impacto similar ao da quimioterapia em certos tipos de câncer, e os dois procedimentos combinados aumentam substancialmente o índice de sobrevida, segundo estudo feito com ratos e publicado na revista "Science Translational Medicine".

A pesquisa, liderada por Valter Longo, professor de Gerontologia e Ciências Biológicas na Universidade Southern Califórnia, constatou que em cinco de oito tipos de câncer em ratos o jejum atuou de forma positiva, pois a privação de alimentos tornou o crescimento dos tumores mais lento.

E em todos os casos "a combinação de ciclos de jejum com a quimioterapia foi mais ou muito mais eficaz que a quimioterapia sozinha", explicou Longo.

Os pesquisadores afirmaram que os múltiplos ciclos de jejum combinados com quimioterapia curaram 20 % dos ratos afetados por um tipo de câncer infantil altamente agressivo, que tinha se propagado por todo o corpo, e 40% dos ratos com uma propagação menor do mesmo tumor.

Nenhum dos ratos, em ambos grupos, sobreviveu só com a quimioterapia.

O professor advertiu que só provas clínicas, que ainda levariam anos para serem concluídas, comprovarão se o tratamento é eficaz em humanos.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A morte do jornalista que "enforcou" Jesus

Antes de mais nada, um esclarecimento é necessário já que o tema é pra lá de delicado.

Não há aqui nenhuma intenção de tripudiar sobre a morte de Daniel Piza, colunista do Estadão, aos 41 anos de idade, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) no último dia 30 de dezembro.

Independentemente do que alguém possa pensar sobre suas opiniões religiosas, políticas ou esportivas, áreas sobre as quais ele costumeiramente escrevia, não se pode negar que era um bom articulista, sabia debater e foi um escritor prolífico.

Uma perda lamentável, portanto, para a sociedade brasileira como um todo.

O fato que não pode ser apagado da história, entretanto, até para que as pessoas aprendam com ele, é que Daniel Piza - um garoto ainda - teve a infelicidade de cometer um dos erros mais crassos da história da imprensa brasileira, quando escreveu que Jesus havia sido "enforcado", e não crucificado, num artigo para a Folha de S. Paulo em 06/12/1994, na página 3 do caderno Ilustrada, que inclusive está ilegível no acervo digital que a própria Folha - supostamente - disponibiliza ao público em geral.

A gafe ("barriga", na gíria jornalística) gerou uma errata que se tornou célebre e foi publicada no dia seguinte:
"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)
Religião costuma ser um terreno pantanoso para jornalistas novatos, afobados ou distraídos. A Folha, por sinal, tem uma página dedicada aos erros bíblicos que já publicou, tanto o do "enforcamento" acima como outros do tipo "arca de Jó" e não de Noé (para acessá-la, clique aqui).

Isto revela o quanto se escreve diariamente sobre os mais variados assuntos nos jornais e na mídia em geral, sem que o repórter ou articulista conheça um mínimo plausível sobre o assunto que informa ou opina, ou - pior - diz dominar.

A favor dos jornalistas, por outro lado, se deve dizer que líderes e sacerdotes religiosos cometem erros muito mais absurdos, e com consequências muitíssimo mais graves, sobre assuntos que eles têm a obrigação de dominar.

Apesar da "barriga" tê-lo perseguido por toda a sua - infelizmente - curta vida, Daniel Piza não se deixou abater e seguiu adiante, construindo uma respeitável carreira de sucesso e reconhecimento.

Uma história de superação, portanto. Erros acontecem e ninguém está imune a eles, afinal.

Em agosto de 2007, ele voltou ao tema "religião", declarando-se agnóstico e criticando a militância ateísta panfletária da assim chamada "modernidade".

O artigo está no blog dele no Estadão, de onde transcrevemos um trecho, e lá você encontrará o link para a íntegra:

A fé e o tom

Perdi o pouco que tinha ou poderia ter de fé religiosa entre os 13 e 14 anos, depois de um coquetel de leituras que viria a conter Dostoiévski, Darwin, Nietzsche (O Anticristo) e Bertrand Russell (Por Que não Sou Cristão), os dois últimos na coleção Os Pensadores da editora Abril. Mas, na realidade, já desconfiava de tudo aquilo desde quando fui obrigado a fazer primeira comunhão, aos 10 anos, período em que de fato tentei acreditar e rezar e confessar. A chatice e caretice das aulas, a falta de vontade de obedecer aos padres, a sensação de que não fazia sentido pedir perdão por um pecado que a espécie humana teria gravado em sua alma, não apenas por eventualmente ter roubado o chocolate do meu irmão do armário da cozinha – tudo isso era difícil de engolir, como a hóstia que só provei naquela ocasião e nunca mais.

Passei a me declarar agnóstico, como que dizendo “não sei se Deus existe”, o que era a mais pura e dura verdade. Depois aprendi que o termo tinha sido cunhado por outro escritor-biólogo de grande estilo, Thomas Huxley, com intenção muito mais combativa: a de negar qualquer possibilidade de conhecermos fenômenos supernaturais ou místicos. Ao mesmo tempo, ele traçou uma distinção com os ateístas da época, que supunham poder provar a não-existência de Deus ou deuses. Em países como o Brasil, porém, quando alguém declara ser ateu ou agnóstico causa levantar de sobrancelhas ou olhares de esguelha, como se prestes a cometer algum gesto feio ou autodestrutivo. Nos EUA, principalmente em certas regiões, a reação é ainda pior.

De uns anos para cá, talvez por causa dos atentados de 11/9/2001, os ateus e agnósticos decidiram sair do armário. Surgiram movimentos como o dos “brights” (você leu aqui primeiro), que acham importante aglutinar pessoas que não acreditam em entidades superiores, espírito e vida pós-morte. O livro do mais célebre desses “brights”, Richard Dawkins, Deus, um Delírio (Companhia das Letras), acaba de chegar ao Brasil, onde no final do ano passado já tinha sido publicado o do quase tão célebre Daniel C. Dennett, Quebrando o Encanto (Globo). Recentemente li também God Is not Great, de Christopher Hitchens (Twelve), o polemista inglês. Todos têm bons argumentos, mas, devo dizer, nada acrescentam ao que eu já tinha lido e pensado naquele tempo.

O que fica sem destaque nesses livros é a observação de que até mesmo pessoas não-religiosas atribuem sentidos diversos à palavra Deus, como a qualquer palavra genérica e antiga, e de que isso é um direito delas. Para umas, é justamente a aceitação de que não podemos explicar tudo, de que somos pequenos diante dos mistérios e da passagem do tempo, etc. Minha palavra para isso é Natureza. Para outras, Deus é uma crença que ajudaria a fortalecer valores morais, em especial a humildade e a responsabilidade, numa era em que há tanto materialismo e egoísmo. Chamo a isso Ética. E outras defendem a noção como forma de consolo ou esperança, necessária para situações de desespero como a do pai de família bêbado e agressivo que encontra conforto na palavra de Jesus. Meu nome para isso é Ânimo – ou boa vontade, ou bom humor, ou qualquer coisa que designe disposição de continuar vivendo e superar obstáculos.

Mas, se quiserem chamar de Deus, estarei errado ao supor que defendam ou estejam sujeitas a defender um comportamento repressivo e hipócrita, como diz em especial Hitchens, que é mais um panfletário do que um pensador e nem sequer reconhece o papel do imaginário cristão na tradição cultural. Dennett se mostra mais inclinado a investigar por que o cérebro humano precisa de uma dose de ilusão sobre o futuro, mas acha que não existe convívio possível entre ciência e religião, como se a mesma pessoa não pudesse encarar a fé como “encanto” e defender evolução e genética. Dawkins, no prefácio à nova edição de seu best-seller, rebate a crítica – de que a presença da religião na humanidade desde priscas eras é inelutável – dizendo que a aceitaria se dita “num tom que chegasse pelo menos perto do da pena ou da preocupação”.

Aqui está, portanto. A religião me preocupa quando pretende explicar a dinâmica das coisas e estimula dogmatismo e conformismo; só não perco meu tempo sonhando em aboli-la. E, tal como Dawkins, acho que seu problema e o de Dennett e Hitchens é de tom. Há algo tolo em quem critica o fundamentalismo com o mesmo dedo em riste e a mesma pregação exaltada daqueles que acusa.



Valdemiro Santiago transforma até rodovia em estacionamento



Parece que o primeiro milagre do novo megatemplo de Valdemiro Santiago às margens da Via Dutra, em Guarulhos (SP), foi a transformação (irregular) da movimentadíssima rodovia num bolsão de estacionamento para ônibus dos fiéis, estimados em 500.000 pessoas de todo o Brasil e países vizinhos, que foram ao evento. Considerando ainda que se tratava do primeiro dia do ano, em que muita gente já começava a voltar pra casa depois das festas, o resultado do segundo milagre de Valdemiro - a "multiplicação dos ônibus" - foi um megacongestionamento que fez muitas pessoas - que não tinham nada que ver com isso - perderem seus voos marcados para o aeroporto de Cumbica, ali perto, só porque alguma autoridade deu vazão aos delírios megalomaníacos do "apóstolo" sem nenhum tipo de planejamento prévio dos impactos causados pelo rebanho deslocado. E - como sói acontecer em ocasiões da estirpe - teve gente que ainda aproveitou pra faturar uma graninha extra com a religião confusão. Conforme Valdemiro Santiago vai dando voos cada vez mais altos, é melhor você escolher um aeroporto bem longe dele pra não ter dor de cabeça na sua viagem. A notícia é do Estadão:

Abertura de igreja na Dutra isola Cumbica e faz centenas perderem voos

Ônibus, vans e carros que levaram as cerca de 500 mil pessoas estacionaram na estrada

Nataly Costa, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A inauguração de uma igreja evangélica na Rodovia Presidente Dutra e o estacionamento de centenas de ônibus de caravanas nos dois sentidos da estrada bloquearam o acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na tarde deste domingo, 1º. No desespero, centenas de pessoas largaram os carros na rodovia e saíram andando, com malas e na chuva, até o aeroporto. Muitas perderam o voo. Para quem voltava do feriado de ano-novo, a lentidão passou dos 20 km na Dutra, afetou a Ayrton Senna e as principais ruas de Guarulhos.

Com o desespero de pessoas na iminência de perder o voo, alguns se aproveitaram da situação para faturar. Vans circulavam pelo entorno cobrando de R$ 10 a R$ 15 para levar passageiros até Cumbica.

O templo da Igreja Mundial do Poder de Deus, com capacidade para 150 mil fiéis, foi inaugurado no km 217 da Dutra, perto do aeroporto. O problema, segundo a concessionária Nova Dutra, não foi a chegada das pessoas, mas a forma como os ônibus pararam: ocupando duas faixas da rodovia em alguns trechos, enfileirados no acostamento e nos canteiros, chegaram a bloquear os dois sentidos da Dutra em alguns momentos, além do acesso à Rodovia Hélio Smidt, que leva a Cumbica. “Transformaram a rodovia em um grande bolsão de estacionamento”, disse Marcos Brunelli, gestor de atendimento do trecho São Paulo da Nova Dutra.

Brunelli afirma que só foi avisado do megaevento - chamado de “1.º Milagre” - na semana entre o Natal e o ano-novo. À concessionária, organizadores disseram que o público estimado era de 100 mil pessoas. “Mas nossa estimativa é de quase 500 mil.” Procurados, representantes da igreja e da Prefeitura de Guarulhos, que autorizou o evento, não foram localizados.

A Polícia Militar avaliou como “normal” o trânsito naquela área e não mandou reforços para desinterditar a rodovia, que permanecia parcialmente bloqueada até as 20h de domingo.

No Brás. Não é a primeira vez que um megatemplo da Igreja Mundial dá o que falar. Em 2009, uma unidade no Brás foi fechada pela Prefeitura por ter sido construída em zona estritamente residencial. O bispo Valdemiro Santiago chegou a colar cartazes no bairro com fotos do prefeito Gilberto Kassab (PSD) com chifres de diabo.

No ano passado, a igreja foi novamente interditada, dessa vez por decisão da Justiça, que alegou falta de alvará de funcionamento.

Reações. Revoltados, passageiros e moradores de Guarulhos se manifestaram no Twitter. “Pela primeira vez perdi o voo, eu e mais todo mundo que tentou viajar por Guarulhos. Responsáveis?”, questionou AnielleGianello (@anigianello).

“Parabéns, Prefeitura de Guarulhos, ninguém chega ao Aeroporto. São 1.000 ônibus travando o acesso do Aeroporto. Que vergonha. Perdi meu voo”, disse Rosy Mello (@rosymello).



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um silêncio ensurdecedor

Desde meados da semana passada, uma parte significativa da população brasileira, pelo menos aquela porção que tem condições de acessar informação não controlada pela mídia ou pelo governo, está estarrecida com o lançamento de um livro pela Geração Editorial, "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que expõe os intestinos da era da privatização da telefonia brasileira, no governo FHC, do PSDB, com ênfase nas articulações pouco ortodoxas de José Serra, ex-candidato a Presidente da República em 2002 e 2010, mas também sobra parte da munição para gente do PT, segundo dizem, já que não tive oportunidade de ler ainda o livro, que já está a caminho de casa, segundo a Livraria Saraiva me informou ontem. Entretanto, o livro em si, ao que parece, traz provas irrefutáveis de ligações tucanas no mínimo estranhas com gente que foi (muito) beneficiada pelas privatizações no Brasil. Aliás, não se trata nem de uma discussão se a privatização foi ou não uma boa solução para o Brasil, mas se a sua motivação principal foi a abertura da economia ou o desvio de recursos públicos e a venda de estatais a um grupinho seleto de amigos. Independentemente do que você ache a respeito, ou mesmo da sua posição política a favor ou contra esse ou aquele partido, o que está chamando a atenção nos últimos é o silêncio da grande mídia brasileira a respeito do assunto. Não só da mídia, registre-se, mas também do PT, a quem - em tese - interessaria investigar e execrar seus rivais tucanos diante de uma bomba como essa. Só que os deputados e senadores do PT fingem que nada sabem, e seu comportamento de avestruz revela que o teatro político brasileiro não deve ter nenhum mocinho. Pelo jeito, são todos vilões.

Diante desse quadro de mistura nada ética de políticos de situação e oposição num pacto do algodão no ouvido e do esparadrapo na boca, a imprensa deveria ser a nossa salvação. Só que reina um silêncio mortal nas redações da Globo, SBT, Folha, Abril e Estadão. A lei da mordaça impera nesse lugares, e eles nem se preocupam em desqualificar o livro ou seu autor, talvez porque seja realmente impossível desmontar as provas documentais que ele traz. Este silêncio ensurdecedor, como diz Bob Fernandes no comentário abaixo, feito na pouco vista TV Gazeta de SP, é revelador. Mostra o perigo que TODA a sociedade brasileira está correndo com uma mídia que - ao que tudo indica - deve ter o rabo preso com alguém, ou com algum esquema do qual se favoreceu ou é favorecida, a ponto de se calar sobre o maior fenômeno editorial dos últimos anos, um livro que tem vendido na casa dos milhares ao dia, mesmo que a primeira edição já tenha se esgotado e as próximas reimpressões já estejam dobradas. Mais do que a reputação desse ou daquele político medalhão, ou da própria imprensa, o que está em jogo é a democracia brasileira. Como já dissemos em outra oportunidade aqui no blog, liberdade de imprensa não é sinônimo de liberdade de expressão, e ambas também não se confundem com a liberdade de informação. São três liberdades distintas, e do equilíbrio entre elas depende a saúde democrática de um país. Liberdade de expressão temos todos. Liberdade de imprensa só têm aqueles que conseguem montar um veículo próprio para noticiar o que querem. Liberdade de informação deveríamos ter todos, mas ultimamente só aqueles que vão buscá-la em veículos como a internet é que conseguem alcançá-la. Além do conchavo político por baixo dos panos entre PSDB e PT, o silêncio que reina na imprensa brasileira sugere, pelo menos, que existe algo tão grave por trás dos bastidores das suas redações que jornais, revistas e televisões têm tanto medo de revelá-lo a ponto de arriscarem a sua própria sobrevivência para levar o segredo à cova. Independentemente da sua preferência partidária, você tem TODO o direito de ser corretamente informado. É por essa e outras que o comentário de Bob Fernandes, abaixo, é tanto revelador como assustador:



Abaixo segue a íntegra da entrevista do escritor Amaury Ribeiro Jr., em que fatos e conexões nunca imaginados são revelados:






Abaixo a entrevista do autor Amaury Ribeiro Jr. a Heródoto Barbeiro, no Jornal da Record News:



Abaixo a entrevista do autor a Paulo Henrique Amorim, na Record News:






domingo, 16 de outubro de 2011

O calvário do ateu

O conhecido militante do neoateísmo Christopher Hitchens segue sua luta contra a morte, conforme já foi divulgado aqui no blog, mais especificamente nos textos "Um ateu diante da morte" e "Ateu Christopher Hitchens pode ser "salvo" por adversário cristão". O Estadão de hoje traduz e publica um artigo muito interessante do The New York Times sobre o estágio atual de saúde de Hitchens, por ocasião do prêmio Freethinker of the Year ("Livre Pensador do Ano") que ele acaba de receber. Destaque para a sua postura preocupada com a, digamos, "institucionalização" do ateísmo como religião, constatação sábia, sóbria e constantemente reiterada de Hitchens (veja "Seria o neoateísmo uma antiga religião?") que fica muito evidente no último parágrafo - en especial na última frase - do artigo:

A VIDA PELA ESCRITA

Em tratamento contra um câncer, Christopher Hitchens fala de carreira e morte

CHARLES MCGRATH , THE NEW YORK TIMES , HOUSTON - O Estado de S.Paulo

Christopher Hitchens, o mais famoso ateu dos EUA, recebeu o prêmio Freethinker of the Year na convenção anual da Atheist Alliance of America. Alguns dias antes, disse ter ficado lisonjeado com a honra, mas também um pouco constrangido. "Não estou certo de que precisamos ser homenageados por conta do ateísmo. Não necessitamos de reforço positivo. Por outro lado, temos que nos defender, especialmente num lugar como o Texas."

Hitchens, um prolífico ensaísta e autor de Deus Não É Grande, descobriu em junho de 2010 que estava com câncer em estado avançado no esôfago. Abreviou sua agenda repleta de aparições em público, mas na semana passada abriu uma exceção a pedido da Atheist Alliance - em parte porque a homenagem coincidiu com o dia de sua mudança, há 30 anos, da Inglaterra, onde nasceu, para os EUA. Ele já estava em Houston para se submeter a um tratamento, tendo transformado seu quarto no 12º andar de um hospital em biblioteca.

Hitchens não tem mais aquela antiga corpulência. Sua voz está mais branda do que costuma ser e pela segunda vez desde o início do tratamento, perdeu quase todo o cabelo. Outrora um fumante inveterado, renunciou ao vício. Não tem bebido desde julho, quando um tubo gástrico foi colocado no seu estômago para ele se alimentar. "Este é o aspecto mais deprimente", disse ele. "O paladar desapareceu. Nem mesmo quero comer. É incrível com o que você tem que se acostumar." Mas, em muitos outros aspectos da vida Hitchens continua firme, preferindo se ver como uma pessoa vivendo com câncer e não morrendo da doença.

Para Hitchens, escrever parece ser algo tão natural quanto falar - e ele associa as duas coisas. "Se você consegue falar, consegue escrever. Você precisa ter cuidado para que seu discurso seja o mais imaculado possível. É o que mais temo. Tenho horror de perder minha voz. Escrever é algo que faço para viver, é o meu sustento. Mas é também a minha vida. Não conseguiria viver sem isso."

Seu mais recente livro, publicado no mês passado, é Arguably, enorme coletânea de ensaios. A gama de assuntos é tipicamente hitchensiana. Há textos - quase que miniaturas de panfletos - sobre temas políticos e especialmente sobre o perigo que o terrorismo islâmico e o totalitarismo representam para o Ocidente; panegíricos ao sexo oral; discursos prolixos sobre os indóceis sommeliers. Na introdução, escreve: "Alguns destes artigos foram escritos com a plena consciência de que podem ser realmente os últimos." No seu quarto de hospital, ele sugeriu que a consciência da mortalidade é útil para um escritor, mas deve permanecer latente. "Tento não pensar nisso, salvo uma ou outra vez. Se precisar escolher entre dois assuntos, por exemplo, não vou optar pelo que me aborrece."

O que Hitchens mais lamenta no momento foi que, como tinha que cumprir com seus muitos prazos para entrega de artigos para a imprensa, não teve energia para trabalhar também num livro. Recentemente teve algumas ideias sobre o seu herói, George Orwell. Entre elas, que ele podia ter tido a Síndrome de Asperger - e disse que deveria também inclui-las numa edição revisada do seu livro, lançado em 2002, Why Orwell Matters. Pensou também em escrever um livro sobre a morte. "Poderia chamá-lo de What To Expect When You're Expecting", ele disse rindo.

Mas voltando a falar sério, disse: "Passei algumas noites com a alma sombria, naturalmente, mas ceder à depressão seria uma capitulação, uma derrota." E acrescentou: "Não sei porque fiquei tão doente. Talvez por causa do cigarro, ou talvez seja genético. Meu pai morreu da mesma coisa. Não há sentido em falar de remorso."

No final das contas, refletiu, o ano passado foi muito bom. Ganhou o National Magazine Award, publicou seu livro Arguably, debateu com Tony Blair diante de uma grande plateia e acrescentou dois estados à lista daqueles que já visitou. "Falta somente Dakota do Norte e do Sul e Nebraska, embora talvez não chegue lá, salvo se alguém propuser um tratamento de câncer à base de etanol em Omaha."

Christopher Hitchens conta com uma enorme rede de apoio que inclui sua mulher, Carol Blue, e seus amigos James Fenton e Martin Amis. Martin é conhecido como uma pessoa fria e mordaz, mas quando beijou e abraçou Hitchens, que visitou quando estava a caminho de um festival literário no México, sua afeição pelo amigo era evidente. "O otimismo de Hitch é surpreendente", ele disse mais tarde. "Ele tem um grande amor pela vida, que até invejo, porque acho que sou um pouco deficiente neste aspecto. É curioso dizer, mas ele se comporta quase como um monge tibetano. É como se tivesse tornado religioso". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO



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