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sábado, 7 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 7


O TEMPO E O SÁBADO - PARTE I

E Deus concluiu no sétimo dia sua obra que fizera e descansou no sétimo dia de toda sua obra que fizera. 
Gênesis 2.2

Aqui surge uma pergunta. Moisés diz que no sétimo dia o Senhor descansou da obra que fizera, isto é, que ele parou de trabalhar no sétimo dia. Cristo, por seu turno, diz em Jo 5[.17]: “Meu pai trabalha até agora, e eu [também] trabalho”. Faz parte dessa passagem o que a Epístola aos Hebreus afirma nos capítulos 3[.18] e 4[.3] sobre o descanso: “Se entrarem”, certamente não na terra da promissão, mas “em meu descanso” etc.

A essa pergunta nós simplesmente respondemos desta maneira: a solução é dada pelo próprio texto, quando diz: “Foram concluídos os céus e a terra”. Pois o sábado ou o descanso do sábado significa que Deus parou por completo, não criando outro céu e outra terra. Isso não significa que Deus deixou de conservar e governar o céu e a terra que ele havia criado.

Portanto, a solução é fácil. Deus descansou do seu trabalho, isto é, estava contente com o céu e a terra criados através da Palavra; não criou novos céus, nem uma nova terra, nem novas estrelas, nem árvores novas. Contudo, Deus continua trabalhando até hoje. Ele, efetivamente, não abandonou a natureza que criou, mas a governa e a conserva mediante a força da sua Palavra. Ele terminou de criar, mas não cessou de governar o que havia criado. Com Adão, teve início o gênero humano; na terra, [iniciou todo o tipo de] animais, por assim dizer; no mar, iniciaram os peixes mas estes não cessaram [de se multiplicar]. Até hoje permanece a Palavra que foi dita sobre o gênero humano:> “Crescei e multiplicai-vos”; também permanece a Palavra: “O mar produza peixes e aves do céu”. Sua Palavra continua onipotente, pois é por seu poder e sua força que [ele] conserva e governa toda a criação.

Moisés estabeleceu, pois, com clareza, que no início estava a Palavra. Como todas as coisas crescem, se multiplicam, são conservadas e governadas da mesma forma como foi desde o início do mundo, segue-se, evidentemente, que a Palavra dura até agora e que ela não morreu. Portanto, o fato de dizer que “Deus descansou da ora” não se refere à evolução das coisas, ao modo como são conservadas e governadas, mas, simplesmente ao início, ou seja, [significa] que Deus cessou de [dar] ordens, como se diz em linguagem comum, e de [criar] novas espécies ou novas criaturas.

Se olhares para a minha pessoa, eu sou algo novo, porque sessenta anos atrás eu nada era. Assim julga o mundo. O julgamento de Deus, no entanto, é outro, porque diante dele eu fui gerado e multiplicado logo no início do mundo, pois a Palavra “E Deus disse: ‘Criemos o ser humano’” também criou a mim. Pois tudo que Deus criar, criou-o no momento em que falou. Nem tudo, porém, ficou visível aos nossos olhos. De forma semelhante como uma flecha ou um projétil, lançados de um canhão (que tem uma velocidade maior) atingem o alvo, por assim dizer, ao mesmo tempo e, no entanto, são lançados com um determinado intervalo, assim Deus percorre o mundo, através de sua Palavra, do início até seu fim. Pois para ele não existe antes e depois, mais rápido e mais lento, mas todas as coisas estão presentes diante dos seus olhos, porque ele está fora das dimensões do tempo.

Quando Moisés diz que o Senhor descansou, ele está se referindo à conjuntura original do mundo. Como não havia pecado, nada de novo foi criado nele. Não existiam cardos, nem espinhos, nem serpentes e nem sapos; caso tenham existido, eles não continham veneno e não tinham a intenção de prejudicar. [Moisés] refere-se, portanto, à criação de um mundo perfeito. No início, o mundo era, pois, puro e inocente, porque o ser humano era puro e inocente. Agora, quando o ser humano mudou devido ao pecado, também o mundo começou a ficar diferente, isto é, à queda do ser humano seguiu-se a corrupção e a maldição da criatura. “Maldita é a terra”, disse Deus a Adão, “por causa de ti; ela te produzirá espinhos e cardos” [Gn 3.17]. E, em vista de [uma pessoa] amaldiçoada, Caim, a terra é maldiçoada, de modo que, mesmo cultivada, ela não produz seus melhores frutos. Depois disso, em razão do pecado do mundo todo, veio o dilúvio, e o gênero humano inteiro é destruído, com exceção de alguns poucos justos, para que se cumprisse a promessa relativa a Cristo. Do mesmo modo como vemos que a terra foi deformada pelo pecado, assim eu também creio que a luz do sol era mais clara e mais bela porque foi criada antes do pecado do ser humano.

Nas escolas de Teologia é corrente dizer-se: “Discerne os tempos e colocarás em concordância as Escrituras”. Por isso é preciso falar muito diferente do mundo depois da catastrófica corrupção por causa do pecado do que falaríamos sobre o mundo original, puro e íntegro. Consideremos um exemplo que está diante dos olhos: aqueles que viram a terra da promissão em nossos dias dizem que ela em nada se assemelha ao louvor que se encontra nas Sagradas Escrituras. Por isso, depois que o conde Stolberg a tinha explorado com singular diligência, disse que preferia a terra que tinha na Alemanha. Pois, por causa do pecado, da impiedade e da maldade dos seres humanos, a terra se tornou uma salina, como diz o Sl 107[.34], assim como Sodoma era uma espécie de paraíso antes de perecer pelo fogo do céu, Gn 13[.10].

Em geral, a maldição se segue ao pecado, e a maldição [, por seu turno,] muda as coisas, de modo que de ótimas passam a ser ótimas passam a ser péssimas. Por isso, Moisés está falando sobre a perfeição das criaturas, como elas eram antes do pecado. Se o ser humano não tivesse pecado, todos os animais teriam permanecido obedientes até que Deus tivesse transferido o ser humano do paraíso ou da terra; depois do pecado, porém, todas as coisas mudaram para pior.

Desse modo, permanece a solução proposta acima: em seis dias, Deus terminou sua obra, isto é, deixou de criar novas criaturas, e fez tudo o que quis fazer. Ele não disse novamente: “Haja uma nova terra, um novo mar” etc. O benefício do qual fomos alvo pelo fato da virgem Maria ter dado à luz o Filho de Deus deixa claro que o recebemos por causa da desgraça em que caímos pelo pecado. Contudo, antes de realizar essa admirável e poderosa obra, anunciou, através da sua Palavra, que haveria de fazê-la, assim como também assinalou por meio da sua Palavra outros milagres que haveriam de acontecer.

Esta é a primeira questão que diz respeito à afirmação de que Deus concluiu o céu e a terra e, depois, nada fez de novo. Agora, para que também o aprendamos, é preciso explicar o que é o sábado, ou o descanso de Deus; de que modo Deus santificou o sábado, como diz o texto.

(LUTERO, Martinho. Textos Selecionados da Preleção sobre Gênesis. MARTINHO LUTERO, Obras Selecionadas. 1535-1545. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Canoas: Ulbra, 2014, vol. 12, tradução de Geraldo Korndörfer, págs. 113-115)


(continua...)


domingo, 17 de janeiro de 2016

Confiança é a base da amizade (entre macacos)


Os resultados da curiosa pesquisa foram publicados no Estadão:

Amizade entre chimpanzés é baseada em confiança, dizem cientistas

GIOVANA GIRARDI

Cientistas partiram da noção de que confiança traz benefícios evolutivos quando a espécie depende pesadamente em cooperação entre os indivíduos

SÃO PAULO - Que chimpanzés fazem alianças e têm amigos, em comportamentos semelhantes aos humanos, é algo sabido já há bastante tempo pela ciência. Mas uma nova pesquisa mostra que esses relacionamentos são baseados em algo que se imaginava ser unicamente um traço do Homo sapiens: a confiança.

É o que diz uma dupla de pesquisadores em um estudo publicado nesta quinta-feira (14) na revista científica Current Biology.

Eles partiram da noção de que confiança traz benefícios evolutivos quando a espécie depende pesadamente em cooperação entre os indivíduos e imaginaram se esse seria o caso entre os animais mais próximos de nós na linha evolutiva – os chimpanzés.

A premissa é que confiança não é algo com o qual facilmente se possa contar porque envolve o risco de não-reciprocidade e de traição. Por exemplo, entregar a alguém uma quantidade de recursos, achando que vai receber algo em troca, e o outro simplesmente desaparecer com tudo. Por outro lado, quando dá certo, é algo que ajuda os indivíduos a prosperar juntos.

Foi isso que os pesquisadores Jan Engelmann e Esther Herrmann, do Instituto Max Planck para Antropologia Evolutiva, na Alemanha, investigaram com um grupo de 15 chimpanzés de um santuário para esses animais no Quênia.

A princípio, ao longo de um período de cinco meses, eles avaliaram como eram as interações sociais entre esses indivíduos. Com quem os animais, por exemplo, comiam juntos e em quem faziam “grooming” (uma espécie de “carinho” entre os chimpanzés, aquela coçadinha que um dá na cabeça do outro, catando piolho, etc). Dessa observação, os cientistas estabeleceram quais eram amigos e quais não.



Na sequência eles passaram por uma bateria de testes semelhante ao jogo de confiança feito entre humanos. De dois em dois, uma de cada lado de duas cordas ligadas a bandejas com comida, os chimpanzés eram colocados diante da escolha de puxar a “corda da confiança” ou a “corda da não confiança”.

Se o primeiro animal puxasse a corda da não confiança, ele imediatamente recebia uma porção de comida que ele não gosta muito. Mas se puxasse a outra, o outro animal receberia um alimento bem mais gostoso. Este, por sua vez, tinha a possibilidade de enviar uma parte dessa comida de volta para o outro. Nesta opção, os dois lados saiam ganhando, mas somente se o primeiro confiasse que o segundo lhe mandaria algo em retorno.

Cada animal participou do jogo repetidas vezes: 12 rodadas com um amigo e 12 rodadas com um não-amigo. E o resultado é que os chimpanzés demonstraram confiar muito mais no primeiro do que no segundo. “Eles foram significativamente mais propensos a voluntariamente colocar recursos à disposição dos parceiros, desse modo escolhendo uma opção arriscada, mas potencialmente de retorno mais alto, quando a interação era com um amigo, na comparação com um não-amigo”, escrevem os autores no artigo.

Se entre humanos amizade e confiança são sentimentos praticamente intrínsecos, o mesmo não se tinha certeza em relação a chimpanzés. “Na verdade nem mesmo a noção de que eles formam amizades é algo amplamente aceito entre cientistas”, disse Engelmann ao Estado. “Muitas pessoas ainda acreditam que só humanos são capazes disso. Por isso queríamos checar se fortes relações entre eles são baseadas em confiança. Muitos argumentam que interações cooperativas entre chimpanzés são devidas a intimidação ou dominação pela força. Nossos resultados sugerem, no entanto, que os chimpanzés se engajam numa cooperação baseada na confiança”, explicou o pesquisador.

No artigo, os autores escrevem que “os chimpanzés, assim como os humanos, desenvolveram formas robustas de confiança em relação aos seus parceiros sociais mais próximos, o que pode permitir que eles forjem relações de cooperação mesmo em contextos onde existem riscos de deserção por traidores”.

Ao Estado, ele afirmou ainda que pesquisas com outras espécies de primatas, como babuínos, por exemplo, mostrou que indivíduos que formam relações de longo prazo, como amizades, vivem mais, tem mais filhos e níveis de estresse mais baixos. “Então eu diria que confiar em algo e, desse modo formar relações duradouras, tem claros benefícios evolutivos.”



sábado, 28 de novembro de 2015

Rodovias brasileiras matam 1,3 milhão de animais silvestres por dia


A única notícia boa é que já tem gente estudando o absurdo massacre de animais nas estradas brasileiras, conforme já tivemos oportunidade de comentar aqui várias vezes sobre o tamanduá-bandeira (leia o artigo Bandeira 2 para o tamanduá para ter uma ideia de nossa militância em seu favor).

A trágica informação vem da BBC Brasil:

Por que o Brasil massacra 1 milhão de animais por dia em suas estradas?

Thiago Guimarães

BR-101, norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um cheiro forte e localiza uma anta – o maior mamífero terrestre brasileiro – na margem da pista, em estado avançado de decomposição.

Cinco meses antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e hematomas. Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a vítima fora uma onça-parda.

As cenas com espécies ameaçadas de extinção são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança de animais por atropelamentos em estradas.

Essa é, de longe, a principal causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal, desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3 milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade Federal de Lavras (MG).

Quem puxa a lista são os pequenos vertebrados, como sapos, cobras e aves de menor porte – respondem por 90% do massacre, ou 430 milhões de bichos. O restante se divide em animais de médio porte (macacos, gambás), com 40 milhões, e de grande porte (como antas, lobos e onças), com 5 milhões.

A situação, dizem especialistas, é o resultado natural para um país que desconsiderou os bichos ao planejar as rodovias e ainda dá os primeiros passos na adoção de medidas para minimizar os impactos das vias.

Corrida contra o tempo

"Está acontecendo uma desgraça total e não temos tempo nem de estudar o que ocorre", disse à BBC Brasil Áureo Banhos, professor do departamento de biologia da Universidade Federal do Espírito Santo.

Banhos coordena um time que monitora os atropelamentos no trecho de 25 km da BR-101 que corta uma das manchas verdes mais intactas do país. É um mosaico de 500 km² (ou um terço da cidade de São Paulo) de unidades de conservação rasgado pela pista única da via.

Um exemplo do alerta do professor: das 70 espécies de morcegos identificadas na região, 47 já foram atropeladas na estrada – e uma delas era desconhecida da ciência até então. Ao todo, 165 espécies de diferentes animais perderam a vida por ali (10 anfíbios, 21 répteis, 63 aves e 71 mamíferos) – são 50 mortes por dia apenas nesse ramo da rodovia, ou 20 mil por ano.

Essa floresta integra as reservas de mata atlântica da Costa do Descobrimento, patrimônio natural da humanidade desde 1999. Por ser um raro fragmento contínuo de mata, é o último refúgio na região para várias espécies ameaçadas, como a anta, a onça-pintada, o tatu-canastra e a harpia.

O fotógrafo Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, fez um trabalho de registro da Reserva Biológica de Sooretama, a maior peça do mosaico verde da região. Impressionado pelos atropelamentos, acabou se engajando nas ações de conscientização para a gravidade do problema.

"Você nem precisa de dados para ver o impacto real do problema", afirma ele. Um vídeo do instituto que registrou uma onça-parda atropelada na estrada teve mais de 1 milhão de visualizações.

Em locais como esse, a perda de um único indivíduo pode ter impacto muito grande sobre a biodiversidade. "Engenheira" dos ecossistemas, por dispersar sementes e servir de presa para grandes predadores, a anta, por exemplo, leva 13 meses na gestação (com um filhote por vez) e demora dois anos entre as concepções.

Um possível caminho para os animais cruzarem para o outro lado da via são os dutos de drenagem de água sob a pista, mas nem sempre é simples mudar seus hábitos.

"No parque nacional Banff, no Canadá, os ursos demoraram oito anos para começar a usar esse tipo de passagem", afirma Alex Bager, coordenador do CBEE. No caso da BR-101, apenas 15% dos bichos atropelados usam as manilhas.

Ou seja, talvez seja mais fácil mudar os hábitos dos motoristas, por meio de ações como redução de velocidade, radares inteligentes que multam pela média de velocidade (e não em apenas um ponto) e placas de advertência.

A Eco-101, concessionária responsável pelo trecho da BR-101 em questão, diz que o segmento tem dois radares fixos, velocidade máxima de 60 km/h (especialistas defendem 25 km/h) e dez placas educativas. Afirma ainda promover ações de conscientização e que estuda a "ampliação dos dispositivos de segurança para os animais silvestres".

Ausência de normas

A situação da BR-101 no Espírito Santo – que ainda enfrenta a perspectiva de duplicação até 2025 – é uma amostra aguda de um problema nacional. São mais de 15,5 mil km de estradas atravessando áreas federais de conservação.

Os pontos críticos estão por todo o Brasil. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Ecológicas em três trechos de rodovias de Mato Grosso do Sul (1.161 km nas BRs 267, 262 e 163) entre abril de 2013 e março de 2014, por exemplo, localizou 1.124 carcaças de 25 espécies diferentes, como cachorro-do-mato (286 mortes), tamanduá-bandeira (136) e jaguatirica (7).

E não há normas nacionais específicas para a construção de rodovias que cortam reservas naturais. Tudo tramita como um licenciamento ambiental padrão. O problema vem mobilizando a classe acadêmica no país. Paralelamente a uma explosão nos estudos em ecologia de estradas, há articulações institucionais em curso no Congresso e em órgãos ambientais.

Um fruto recente desse debate é o PL (Projeto de Lei) 466/2015, do deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), que busca tornar obrigatórias ações como monitoramento e sinalização em áreas "quentes" de atropelamentos, além da criação de um cadastro nacional de acidentes com animais silvestres.

Sobre essa última medida, um esforço já partiu da própria academia, com a criação do Sistema Urubu, uma espécie de rede social para compartilhamento e validação de informações sobre atropelamentos de bichos.

No ar há um ano, a iniciativa do CBEE conta com um aplicativo gratuito pelo qual qualquer pessoa pode fotografar e enviar imagens de acidentes com animais. Os registros são enviados para uma base de dados central e são validados por especialistas cadastrados no sistema, tudo online.

Já são cerca de 15 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil fotos enviadas. Para entrar no sistema, cada registro precisa ser validado por cinco especialistas, e ter o consenso de três deles sobre qual é a espécie em questão – são 800 "validadores" ativos na rede, cada um especializado numa classe animal.

"Muitas vezes, as pesquisas sobre o tema no Brasil são muito regionalizadas, restritas ao raio da universidade por falta de recursos. Com o sistema poderemos criar um mapa de áreas críticas de atropelamentos no país e usá-lo como política pública de conservação", afirma Alex Bager, do CBEE.

Diante da perspectiva da fase mais explosiva de construção de estradas na história, com pelo menos 25 milhões de km de novas rodovias no mundo até 2050, especialistas defendem que essas intervenções passem, cada vez mais, por estudos de custo-benefício.

Seria um modo de evitar a proliferação de vias em regiões de alto valor ambiental mas potencial agrícola apenas modesto, como a bacia Amazônica. "Construir estradas é abrir uma caixa de Pandora de problemas ambientais, e ainda estamos na pré-história da mitigação de impactos", afirma Banhos.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Cachorros não caem na mentira


É o que se deduz da matéria publicada pela BBC Brasil:

Cachorros sabem quando alguém é desonesto, aponta pesquisa

Melissa Hogenboom

Cachorros podem não parecer incrivelmente inteligentes quando correm atrás de seus próprios rabos, mas usam outras maneiras para demonstrar como são criaturas espertas. Uma de suas melhores qualidades é que eles estão sempre atentos aos seres a sua volta, tanto humanos como outros cães.

Muitos estudos já demonstraram que cachorros são capazes de perceber as emoções humanas. Pesquisas recentes descobriram que eles podem notar a diferença entre rostos alegres e tristes, e conseguem até demonstrar ciúme.

Mas um trabalho que foi há pouco tempo publicado na revista científica Animal Cognition revelou que os cachorros também percebem quando uma pessoa não é confiável. E uma vez que decidem que determinado indivíduo é desonesto, param de seguir suas instruções.

O estudo foi realizado na Universidade de Kyoto, no Japão, pela equipe da cientista Akiko Takaoka. Partindo da noção já comprovada de que os cães entendem quando um humano aponta algo para eles, os investigadores puderam concluir que os animais também percebem rapidamente quando o gesto de um humano é enganoso.

A equipe liderada por Takaoka realizou três rodadas de experimentos com 34 cães.

Na primeira vez, uma pessoa apontava corretamente para um recipiente que escondia comida. Mas na segunda rodada, o indivíduo indicava um recipiente que acabava se revelando vazio.

Na terceira rodada, a mesma pessoa apontava de novo para um objeto contendo comida. Mas desta vez os cachorros não respondiam ao comando daquele indivíduo. Segundo Takaoka, isso sugere que os cães se baseiam em sua experiência anterior com aquela pessoa para avaliar se se trata de alguém confiável.

Depois das três experiências, outra pessoa completamente diferente repetia a primeira rodada, e novamente os cães seguiam avidamente suas orientações.

A cientista diz ter ficado surpresa com o fato de os cachorros restaurarem sua confiança em um humano tão rapidamente.

“Os cães têm uma inteligência social mais sofisticada do que pensávamos. Isso evoluiu seletivamente na longa história que esses animais têm com o ser humano”.

Segundo Takaoka, o próximo passo de sua equipe será testar espécies relacionadas aos cachorros, como os lobos. Isso poderia ajudar a revelar “os efeitos profundos da domesticação” na inteligência social dos cães.

Previsibilidade

Para John Bradshaw, da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, a principal conclusão do estudo japonês é o fato de que cães gostam que as coisas sejam previsíveis.

Assim que os acontecimentos em suas vidas se tornam irregulares, eles procuram por atividades alternativas.

E se eles consistentemente ficam sem saber o que vai acontecer, podem se tornar agressivos ou medrosos. “Cachorros cujos donos são inconsistentes costumam apresentar distúrbios de comportamento”, afirma Bradshaw.

Cada vez mais nos convencemos de que os cães são mais inteligentes do que se acreditava no passado, mas, segundo Bradshaw, essa inteligência é diferente da nossa.

“Cachorros são muito sensíveis ao comportamento humano, mas eles têm menos pré-concepções”, diz o cientista. “Eles vivem no presente e não refletem sobre o passado de maneira abstrata, assim como também não planejam o futuro.”

Quando encontram uma situação, os cães reagem para o que está ali “em vez de pensar profundamente no que aquilo significa”.

Para Brian Hare, diretor científico da empresa americana Dognition, especializada em testes de personalidade com cachorros, esses animais claramente estão atentos quando uma pessoa gesticula para eles, e este estudo prova isso.

“Cães avaliam a informação que transmitimos com base em quão confiável ela é em ajudá-los a conseguir seus objetivos”, diz Hare.



sábado, 18 de outubro de 2014

O remédio que você excreta muda o sexo dos peixes


Não. Não estamos falando do Levy Fidelix, mas o seu sistema excretor elimina na natureza uma série de substâncias que alteram até o sexo dos peixes, segundo informa a BBC Brasil:

Impacto de remédios na natureza faz peixes machos ficarem femininos

Nós, seres humanos, tomamos paracetamol para dor de cabeça, contraceptivos para evitar a gravidez e Prozac para a depressão.

Mas para onde vão os resíduos destas substâncias uma vez cumprida a sua função?

O corpo humano elimina muitos dos medicamentos que ingerimos através da urina. A urina vai para os esgotos e, depois de atravessar um sistema imperfeito de purificação, os resíduos desembocam nos rios que alimentam o planeta.

Embora as concentrações de drogas na água sejam baixas, as conseqüências destas para os ecossistemas não deixam de ser preocupantes: desde peixes machos que adquirem características femininas até aves selvagens que perdem a vontade de comer, além de populações inteiras de peixes e outros organismos aquáticos dizimadas.

Diversos estudos sobre o impacto da poluição farmacêutica sobre a vida selvagem apontam que o uso crescente de drogas projetadas para serem biologicamente ativas em baixas doses pode estar causando uma crise global da vida selvagem.

"As populações de muitas espécies que vivem em paisagens alteradas pelo homem estão encolhendo por razões que não podemos explicar completamente", disse a pesquisadora Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra.

"Acreditamos que é hora de explorar novas áreas, como a poluição farmacêutica."

Machos femininos

Para os seres humanos, no entanto, a presença de drogas em baixa concentração na água não é um problema: seria necessário tomar entre 10 milhões e 20 milhões de litros de água da torneira para ingerir medicação suficiente para, digamos, aliviar uma dor de cabeça.

No caso dos peixes, a história é outra.

O biólogo John Stumper, da universidade britânica de Brunel, foi um dos primeiros a estudar os peixes machos com características femininas descobertos na década de 90.

"A primeira coisa que descobrimos foi que havia muitos peixes nos rios que tinham proteína do sangue que é comumente conhecida como a gema. A síntese desta proteína no fígado é controlada pelo (hormônio) estrogênio", disse a Stumper à BBC.

Ele explica que mesmo os peixes machos - que não produzem quantidades significativas de estrogênio e, portanto, não têm gema - apresentavam uma alta concentração dessa proteína. "Especialmente aqueles que habitavam os rios perto de uma estação de tratamento ", notou Stumper.

"Uma vez que eram os machos que estavam se tornando mais femininos e não o contrário (fêmeas adotando características mais masculinas), achamos que a causa poderia ser o estrogênio."

Stumper estava certo: estudos posteriores confirmaram que essas mudanças estavam relacionadas à presença de resíduos de contraceptivos na água.

"Em nível molecular, os peixes são extremamente semelhantes a nós", disse o biólogo. Assim, quase todos os fármacos para seres humanos têm um efeito sobre os peixes.

Impactos

De acordo com um relatório da Agência Federal Ambiental da Alemanha, as drogas para os seres humanos que mais causam desequilíbrios ambientais são os hormônios, antibióticos, analgésicos, antidepressivos e drogas para combater o câncer.

Entre os medicamentos veterinários, o relatório destaca os hormônios, antibióticos e parasiticidas.

Assim como os hormônios sexuais sintéticos, os antidepressivos se dissolvem em gordura, não na água. Por isso, podem entrar na corrente sanguínea dos organismos expostos à água contaminada.

Leia mais: Conheça cinco animais transgênicos e entenda argumentos contra e a favor de seu uso

Um estudo de Kathryn Arnold que deve ser publicado no fim deste mês sugere que este fator está afetando o comportamento e a capacidade dos estorninhos, um tipo de pássaro, de se alimentar.

Arnold e colegas da Universidade de York analisaram como o Prozac impacta essas aves, que se alimentam de lagartas, vermes e moscas em áreas próximas a estações de tratamento de resíduos.

Estes organismos, por sua vez, se alimentam de alimentos encontrados na área - em geral, contendo altos níveis de fármacos, principalmente Prozac.

"No inverno, as aves tendem a consumir um bom café da manhã, beliscar ao longo do dia e comer bem antes de escurecer", disse a pesquisadora.

Sob o efeito do antidepressivo, elas não faziam isso: em vez de duas grandes refeições, elas comiam esporadicamente ao longo do dia e, no cômputo geral, comiam menos.

"Esse comportamento pode afetar o seu peso, os riscos que decidem correr ou não para obter alimentos e como se socializam", afirma a cientista.

"São variações pequenas e sutis mudanças que vão se somando e, no fim, podem comprometer a sobrevivência de uma espécie."

Uso excessivo?

Se o problema tem origem na água de resíduos, talvez a solução passe por reduzir a presença de farmacêuticos que vai parar em rios e córregos.

Pode-se, por exemplo, desenvolver métodos mais eficientes de tratamento da água. Mas esta pode ser uma solução cara e gerar um gasto de energia muito elevado.

Ole Phal, professor da Universidade de Glasgow Caledonian, defende uma abordagem que inclua uma discussão sobre a produção e o uso de medicamentos.

"Estamos tomando (medicamentos) demais? Estamos utilizando-os corretamente? Existe alguma maneira de se desfazer deles que seja mais benéfica para o meio ambiente?", questiona Phal.

"Precisamos refletir sobre o nosso uso de drogas farmacêuticas."



quarta-feira, 25 de junho de 2014

Maio foi o mês mais quente registrado na história


A preocupante notícia vem da Agência Brasil:

Maio foi o mês mais quente no planeta desde 1880

O mês de maio foi o mais quente no planeta desde que se começaram a registrar temperaturas, em 1880, divulgou hoje (23) a agência norte-americana responsável pelos oceanos e pela atmosfera.

A temperatura média do planeta chegou a 15,54 graus centígrados, 0,74 grau acima da média do século 20, de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). O recorde anterior tinha sido estabelecido em 2010.

"A maior parte do mundo teve temperaturas mais quentes que a média mensal, com temperaturas altas recorde no leste do Cazaquistão, em partes da Indonésia, e no centro e noroeste da Austrália", comunicou a NOAA.

A temperatura dos meses de maio dos últimos 39 anos tem sido superior à média de todo o século 20. Abril também é um mês historicamente quente por todo o globo, e a temperatura média registrada igualou os valores de 2010, os mais altos desde 1880, divulgou a NOAA.

O aumento da temperatura é consequência do aquecimento global. A última vez que as temperaturas de maio ficaram abaixo da média do século 20 foi em 1976, de acordo com a agência norte-americana.



sábado, 7 de junho de 2014

Grand Canyon e Monument Valley


Alguns dias atrás, eu tive o imenso privilégio de conhecer a beleza estonteante desses dois megatesouros naturais, o Grand Canyon e o Monument Valley, que estão localizados a cerca de 300 km um do outro, respectivamente no Arizona e em Utah nos Estados Unidos.

As fotos que ilustram este artigo foram tiradas por mim em 27 de maio de 2014.

Gostaria de compartilhar com os leitores do blog um pouco dessa experiência, e o vídeo abaixo, intitulado Yikáisdáhá, palavra do idioma navajo para "Via Láctea", dá uma pálida ideia do que significa se deparar com algo tão extraordinariamente belo:







terça-feira, 3 de junho de 2014

Que mundo maravilhoso!


O vídeo é antigo, com Sir David Attenborough declamando a letra de "What a Wonderful World" de Louis Armstrong para apresentar a série da BBC sobre a Terra que foi sucesso no Brasil também quando o programa Fantástico da Globo a reproduziu, mas é sempre bom revê-la para nos darmos conta do lindo planeta que nos tocou viver e compartilhar:




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Estranhas figuras geométricas "naturais" surpreendem o mundo

Para os fãs do fim do mundo, os últimos dias estão sendo deliciosos. É que a natureza tem sido pródiga em mostrar estranhos sinais naturais que não parecem assim tão naturais, digamos.

E os tais sinais apareceram em lugares distintos e distantes um do outro, no caso, a Croácia e os Estados Unidos, com o detalhe curioso de que foram vistos como círculos no país europeu e como um quadrado na Califórnia, onde este que vos escreve pretende estar daqui a 15 dias, se mais quadrados não aparecerem por lá, não é mesmo?

Na Croácia, o que tem chamado a atenção dos especialistas são estranhas formações circulares de algas marinhas que se mantêm de maneira regular e equidistante da costa de algumas ilhas do país.

Mais curioso ainda é que os círculos marinhos são formados por areia circundada por algas da espécie Posidonia oceanica, típica do Mar Mediterrâneo.

A associação com os círculos nas plantações britânicas é imediato, obviamente, mas já se sabe à exaustão que aqueles "fenômenos" - inicialmente atribuídos a seres extraterrestres - foram produzidos por humanos bem-humorados que queriam pregar uma peça nos incautos.

Ninguém conseguiu chegar - ainda - a uma conclusão sobre a origem dos círculos de algas, mas há quem cogite que se trata de sequela de algum experimento militar abortado muito tempo atrás.

A foto abaixo, por exemplo, foi tirada na ilha croata de Dugi Otok:



Já os habitantes da cidade de Stockton, na Califórnia, ficaram surpresos ao olharem para o céu e verem uma formação quadrada nas nuvens.

O espanto, obviamente, foi geral, já que o mesmo fenômeno havia ocorrido em 2010, e, como naquela ocasião, houve quem alegasse que se tratava de um fenômeno extraterrestre ou de um portal para outras dimensões.

O meteorologista Mark Finan, entretanto, trouxe a polêmica para terrenos mais palpáveis, ao aventar a possibilidade de que o "quadrado" seria, na verdade, uma "nuvem perfurada", fenômeno raríssimo que acontece quando - no momento da formação do gelo nas nuvens - a temperatura da água está abaixo de zero, acrescentando que "quando os cristais de gelo se formam, as gotas de água ao redor deles evaporam, deixando um grande buraco na nuvem":



Há estranhos sinais no céu e no mar, portanto. Interprete-os ao seu bel prazer!

É... "a vida corre contra o tempo"! Nada melhor do que terminar nosso artigo, então, com a pré-histórica canção "Nuvem Passageira" de Hermes de Aquino:



As fontes das informações aqui referidas são o Terra e o Mashable.



domingo, 13 de abril de 2014

Todo ser humano nasce prematuro

A pretexto de falar sobre cólicas em bebês, o Dr. Moises Chencinski (pediatra e homeopata) escreve um interessante artigo para o Guia do Bebê que vai mais além, conforme você pode conferir abaixo:

Cólicas em Bebês - parte 2

Para compreender as cólicas nos bebês é preciso primeiro entender que todo ser humano nasce prematuro e por isso precisa de cuidados especiais

Nesse “capítulo” e no próximo, quero levar vocês comigo em uma viagem muito diferente, mas muito legal (pelo menos, em minha opinião) e gostaria que vocês pudessem, por algumas linhas, ter a mente aberta para novas informações e sensações.

Depois disso, poderemos ter novas “ferramentas” e novos caminhos a trilhar para compreender não só as cólicas, mas o choro e o desenvolvimento dos nossos bebês e não teremos mais medos, preocupações ou noites sem sono e sim uma fase linda da vida da família, da qual teremos saudades.

Vamos lá?

Todo ser humano nasce prematuro

Muitos estudos e muita observação mostra que independente de nosso tempo de gestação (9 meses – quase 270 dias), se de termo ou não, todas as crianças da “raça humana” nascem antes do tempo, quer seja avaliada a questão clínica, física, social ou psicológica.

Após uma gestação inteira de preparação, a criança quando nasce não sabe se alimentar sozinha, não enxerga adequadamente, escuta mal, não fala, não anda, não senta, não sustenta nem a cabeça, não se relaciona com os seus semelhantes e leva muito tempo para atingir um patamar próximo ao do recém-nascido de qualquer outra raça do reino animal. Isso significa que, se esse bebê fosse deixado para se virar por conta própria e não tivesse a sorte de ser um Tarzan (o rei da selva -1918) ou um Mowgli (o menino lobo), ele certamente não sobreviveria.

Isso mostra sua necessidade e até dependência dos adultos da sua família para seus cuidados, alguns dos quais só pode ser suprido pela mãe.

Mas, se por um lado, ser prematuro significa que o bebê não está pronto ao nascer, como grande parte dos animais que dependem de habilidades para sobreviver desde muito cedo, por outro lado, ele está aberto para se desenvolver de forma única, podendo ser mais flexível em suas adaptações e tem constante necessidade e capacidade de inovar e aprender. E esse meio ambiente influencia diretamente o desenvolvimento da criança.

Com poucas horas de vida, boa parte dos animais está preparada para andar, correr, buscar seu alimento, se esconder e se defender. Um “bebê da raça humana” pode levar anos para se desenvolver a esse nível. Essa é uma das razões pelas quais a infância é tão longa até chegarmos à adolescência.

Somos inteligentes e racionais

Ou quase isso.

Vamos a uma sessão você sabia?

- Você sabia que um bebê nasce com um cérebro de 25% do tamanho do cérebro do ser humano adulto?

Ao nascer, nosso cérebro pesa cerca de 350 gramas (no adulto chega a 1.400 gramas) e tem um volume 4 vezes menor do que o do adulto. Após um mês, ele pesa 420 gramas, ao final de um ano 700 gramas (metade do tamanho do adulto).

Passamos apenas 2% de nosso tempo de vida na infância, mas 80% de nosso cérebro cresce até os 2 anos de idade e 90% aos 3 anos.

Essa lentidão do desenvolvimento do cérebro e do nosso desenvolvimento (comparada ao de outros animais) pode ser vista como uma vantagem porque possibilita a influência do meio em que ele vive em seu desenvolvimento ao longo da vida, permitindo uma maior capacidade de aprendizagem e uma adaptação ao meio. Mas, isso também mostra uma maior necessidade da presença de outros seres humanos, de preferência da família e, sempre que possível dos pais, nesse processo.

- Você sabia que um macaco nasce com 50% do tamanho do cérebro do macaco adulto?

Isso mostra que um macaco recém-nascido (após 237 dias de gestação se for um chimpanzé) já nasce com condições de um desenvolvimento e uma adaptação muito mais rápida que a do bebê humano, até porque precisa disso para sobreviver em seu meio ambiente natural.

Estudos de 1944, por Adolf Portmann (zoólogo - 1897-1982) já mostravam que para um bebê humano recém-nascido atingir a fase do desenvolvimento de um macaco recém-nascido, a gestação teria que ter 21 meses. Será que alguma mãe estaria disposta a esperar assim?

Outro autor (Bostok) dizia que para que um recém-nascido pudesse “pensar em se cuidar sozinho”, tentando escapar de perigos por conta própria, ele precisaria pelo menos engatinhar (ficar “quadrúpede”) e isso acontece por volta de 266 dias após seu nascimento (9 meses), ou seja, o mesmo tempo de uma gestação dentro do útero.

Assim os macacos, assim como outros “animais irracionais” nascem prematuros, mas permanecem imaturos por menos tempos do que os bebês de “animais racionais” (nós).

- Você sabia que é o tamanho da cabeça do bebê e da pelve estreita da mãe que determina a hora de nascer?

No último trimestre de gestação, o cérebro do bebê cresce demais. Se os bebês não nascessem após 266 dias de gestação, e ficassem mais tempo dentro do útero, e se seus cérebros continuassem a crescer na mesma velocidade, a cabeça não passaria pelo canal vaginal e colocaria em risco a sua vida e a de sua mãe. Dessa forma, mesmo sem estar “completamente pronto”, o bebê precisa nascer e nasce por conta própria, ao seu próprio tempo.

Isso mostra a necessidade do cuidado do nascimento ao tempo certo, sem nada nem ninguém para apressá-lo. Ele já está nascendo antes do que deveria para estar pronto. Tirar um bebê do útero sem respeitar seu próprio tempo de desenvolvimento (cérebro, sistema digestório, circulatório, respiratório) pode acarretar grandes riscos para sua sobrevivência após o corte do cordão umbilical.

Já consegui convencer vocês que nosso bebê nasce antes do que devia (prematuro), que precisaria de pelo menos mais 9 meses de gestação para nascer “mais pronto”, que demora a se desenvolver e precisa da presença mais constante de seus pais e familiares para que esse processo ocorra da forma mais satisfatória e completa possível?

Vamos devagar, tá? Sem pressa. Vou dar um tempo para se digerir melhor essas informações e voltamos na semana que vem, pode ser? Aguardo vocês aqui de novo.



segunda-feira, 24 de março de 2014

Quando um rio renasce no deserto de Israel


Localizado em Bersebá (בְּאֵר שֶׁבַע), em pleno deserto do Negueb (ou Negev), no sul de Israel, rio Zin não é, digamos, exatamente um rio na acepção usual do termo, já que tudo o que se vê é uma ilusão hídrica num leito seco, já que água propriamente dita poucas vezes foi vista por ali ao longo da história da Terra Santa.

Na semana passada, depois de anos de seca em Israel, chuvas torrenciais que caíram nas montanhas próximas fizeram com que o rio Zin voltasse a correr belo e caudaloso, para delírio dos habitantes locais, conforme você pode ver no vídeo abaixo.

Em momentos como esse, é inevitável a associação do ocorrido com textos proféticos, sobretudo de Isaías:

Isaías 35:4 Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus! com vingança virá, sim com a recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.
5 Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão.
6 Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
7 E a miragem tornar-se-á em lago, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.
8 E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos. Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele não errarão.
9 Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá por ele, nem se achará nele; mas os redimidos andarão por ele.
10 E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.

Isaías 43:18 Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.
19 Eis que faço uma coisa nova; agora está saindo à luz; porventura não a percebeis? eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo.
20 Os animais do campo me honrarão, os chacais e os avestruzes; porque porei águas no deserto, e rios no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu escolhido,
21 esse povo que formei para mim, para que publicasse o meu louvor.

Isaías 58:9 Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente;
10 e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.
11 O Senhor te guiará continuamente, e te fartará até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca falham.




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