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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Traficante se converte e denuncia grupo que planejava matar promotor em SP


Curioso é que deram à operação o nome de "Judas Iscariotes"...

De qualquer maneira, isso sim é um claríssimo sinal de arrependimento (Lucas 3:8). Quisera outras pessoas que "viram evangélicos" tivessem o mesmo comportamento...

A informação foi publicada no Estadão de 23/09/17:

Operação prende 25 de organização que ameaçava matar promotor em Rosana

De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município.

José Maria Tomazela

SOROCABA - Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), na manhã deste sábado (23), prendeu 25 integrantes de uma organização de traficantes de drogas que atuava em Rosana, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município. Foram cumpridos também 30 mandados de busca. A Polícia Civil ainda apura a ligação dos suspeitos com outras organizações criminosas.

De acordo com o delegado Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, as investigações foram iniciadas a partir de denúncias anônimas e ganharam corpo depois que um dos envolvidos se tornou evangélico e decidiu “entregar” o grupo – a operação foi batizada de “Judas Iscariotes”, numa referência ao traidor de Jesus Cristo. “Observamos que pequenos grupos de traficantes formavam uma rede em que os líderes se comunicavam e faziam referência a uma liderança maior. Eles se ajudavam e trocavam informações”, disse. A cidade fica na divisa com o Mato Grosso do Sul e está na rota dos carregamentos de drogas procedentes do Paraguai.

O plano de atentar contra a vida do promotor foi revelado por uma testemunha que prestou depoimento sob sigilo. “Foi uma menção clara de dar um tiro no promotor de Justiça que atua no enfrentamento do tráfico de drogas no município. Com as prisões, vamos prosseguir as investigações, em parceria com o Ministério Público”, disse. A Polícia Militar e a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) colaboraram com a operação, com cães farejadores para a busca de drogas. A PM participou com um helicóptero.

Com os suspeitos, foram apreendidos entorpecentes, celulares e rádios comunicadores. Conforme o delegado, os grupos trabalhavam com pequenas quantidades de drogas, uma espécie de varejo do crime. A investigação vai prosseguir para identificar o esquema de fornecimento da droga. Os detidos tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça por 30 dias. Todos foram levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, na mesma região.



terça-feira, 6 de junho de 2017

Não gostou da tatuagem? Agora não adianta reclamar...



INSATISFAÇÃO COM RESULTADO DE TATUAGEM NÃO GERA RESTITUIÇÃO DO SERVIÇO

A 1ª Turma Recursal do TJDFT confirmou sentença do 1º Juizado Cível do Gama, que julgou improcedente pedido de restituição de valores e remoção de tatuagem julgada insatisfatória pela contratante. A decisão foi unânime.

A autora alega que em novembro de 2016 fez uma tatuagem com a parte ré, pelo valor de R$ 200,00, mediante pagamento à vista. Sustenta que a tatuagem ficou diferente do solicitado e que, por isso, necessita retirá-la. Assim, sob a alegação de que não foi possível solução consensual, requer a condenação da ré na restituição do valor pago pelo serviço e no custeio dos procedimentos necessários para a medida de remoção da tatuagem.

Em sua defesa, a ré argumenta que não houve falha no serviço prestado, uma vez que o desenho corresponde ao escolhido e aprovado pela autora, entendendo que na hipótese o que houve foi arrependimento posterior quanto à arte escolhida.

Segundo o juiz originário, "a partir da fotografia juntada aos autos, numa verificação superficial, não se vislumbra má qualidade no desenho realizado, o que realmente leva a crer que a parte autora se arrependeu. Assim, uma vez que, conforme o procedimento na realização do serviço de tatuagem, houve o consentimento da parte autora quanto ao resultado apresentado ainda no momento do esboço da arte, e ante sua ausência de interesse em realizar o retoque nas alegadas imperfeições por ela informadas, não há que se falar em dever de restituição do valor pago, uma vez que houve a efetiva prestação do serviço; bem como não tem a parte requerida o dever de suportar o ônus de procedimento de remoção da tatuagem, tendo em vista que não restou demonstrado que houve falha na prestação do serviço".

Desse modo, prossegue o juiz, "se agiu a parte autora sem a devida segurança em sua decisão na realização de um procedimento com resultados definitivos, incumbe a ela arcar com os ônus decorrentes do processo de remoção desejado".

Em sede recursal, o relator verificou que a autora não colacionou as provas devidas, pois a despeito de ter juntado foto da tatuagem que serviu de modelo, nas conversas de e-mail trocadas entre as partes restou claro que havia um pedido da autora de sombreamento na tatuagem. "Assim, conclui-se que não há uma total correspondência entre o modelo apresentado na foto e o que foi, de fato, solicitado pela autora", registrou.

Diante disso, o Colegiado negou provimento ao recurso, aderindo ao entendimento do titular do Juizado do Gama.

PJe: 0701927-20.2016.8.07.0004



terça-feira, 24 de junho de 2014

A complicada relação do Vaticano com a máfia


No último domingo, reproduzimos aqui a notícia de que o papa Francisco excomungou os mafiosos. Agora, o IHU publica entrevista com a professora Alessandra Dino, da Universidade de Palermo, que trata das complicadas relações entre o Vaticano e a máfia:

As estreitas relações entre máfia e religião. 
Entrevista com Alessandra Dino


"Nenhuma ruptura." As palavras do Papa Francisco proferidas em Síbaris são uma evolução da frase "Arrependei-vos, virá o juízo de Deus", dirigida aos mafiosos pelo Papa Wojtyla em 1993, no Valle dei Templi. A explicação é de Alessandra Dino, professora de sociologia da Universidade de Palermo e autora do livro La Mafia devota. Chiesa, religione, Cosa Nostra [A máfia devota. Igreja, religião, Cosa Nostra], que analisa a relação entre a Igreja e a máfia, com pesquisas de campo e entrevistas com os párocos da província de Palermo entre 2004 e 2005. 


A reportagem é de Mario Marcis, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 22-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


Eis a entrevista.

Que uso a máfia fez da religião ao longo do tempo?

Para a máfia, ela sempre foi um instrumento. Sempre foi importante ter a religião por trás. Depois, ela serviu para tornar mais sólido o vínculo associativo em seu interior, porque ela cria formas de ritualidade entre os membros dos clãs, que se sentem assim legitimados de cometer crimes sem nenhum senso de culpa. Mas acima de tudo dá à máfia uma legitimação das suas ações criminosas. Mas também a Igreja usou a máfia. Basta pensar nas declarações de Francesco Marino Mannoia, que contou sobre os investimentos de Michele Sindona no IOR.

Qual é a sensibilidade dos párocos em relação à máfia? No seu livro, você escreve que 65% dos seus entrevistados manifestaram muita ambiguidade.

Veio à tona a partir da pesquisa que a consciência do fenômeno mafioso era percebida em uma porcentagem muito reduzida. Pedi que os párocos me dessem uma definição de "mafioso". Muitas vezes, a resposta era a que os mafiosos dariam de si mesmos, "homens de honra". Mas o aspecto mais chocante foi a resposta que muitos deles davam à pergunta "Quem são os colaboradores da justiça". O juízo era mais negativo do que o dado pelos mafiosos. Surgia a ideia da traição. Para eles, o único arrependimento possível é o diante de Deus.

Mas, então, a Igreja é contra ou a favor da máfia?

Existem muitas Igrejas. Há inúmeros testemunhos de padres que se rebelaram contra o crime organizado e, por isso, foram mortos. Depois, é preciso dizer que a Igreja, como instituição, enfrentou o problema muito tarde. O primeiro documento oficial sobre a máfia é o do cardeal Ruffini, que, em 1963, falava a respeito como de "uma invenção dos comunistas para prejudicar a Democracia Cristã". Isso logo depois do massacre de Ciaculli. Tiveram que passar 30 anos para que a Igreja tomasse uma posição mais clara, com o discurso do Papa Wojtyla. Poucos meses depois, no dia 15 de setembro de 1993, era assassinado o padre Pino Puglisi. A morte, que ocorreu depois do discurso do papa, demonstra os efeitos que podem produzir os posicionamentos claros da Igreja e dos papas, em particular. Foi uma vingança, uma resposta direta a João Paulo II.

O Papa Francisco foi o primeiro a pronunciar a palavra "excomunhão"?

Houve, na Igreja, quem se pronunciou em favor da excomunhão contra os mafiosos. Mas se referia aos homicídios realizados, não ao simples fato de fazer parte do crime organizado. As palavras do Papa Francisco podem ser lidas como um 416-bis [artigo do Código Penal italiano que penaliza a "associação para delinquir"] da Igreja. Desta vez, há o agravante. É muito importante que a Igreja se pronuncie contra sem ambiguidade, porque a força dessa conivência sempre foi justamente a ambiguidade. A máfia também a usava para dar de si uma imagem "divina" para fora. Prova disso são os pizzini [folhetos da máfia] de Provenzano, em que se retomavam as passagens da Bíblia ou o fato de que Nino Mangano se fizesse chamar por "U Signuri".

Qual é a diferença entre as palavras de Wojtyla e as do Papa Francisco?

Não há nenhuma diferença, mas continuidade. A Igreja, antes, pediu o arrependimento terreno e depois de 21 anos introduziu um segundo nível. Você tem a oportunidade de se arrepender; se não o fizer, está fora. Foi isso que Bergoglio disse hoje.



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nos tempos da capa de Acã

Escrevendo aos Efésios (5:10-13), Paulo ordena: "aprendei a discernir o que é agradável ao SENHOR. E não vos associeis às obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as; pois é vergonhoso até mesmo mencionar as coisas que fazem às escondidas" (versão KJV Atualizada).

Portanto, pouparemos os distintos leitores deste blog das palavras chulas decupadas (degravadas) das escutas autorizadas das chamadas telefônicas altamente reveladoras do (atualmente preso) "pastor" Marcos Pereira, disponibilizadas pelo Extra para quem tiver a curiosidade irrefreável de saber no que consistiam as "conversas picantes" do indigitado.

A se confirmar que a voz da gravação é do referido "pastor", saberemos se ele efetivamente segue (ou não) a ordem de Paulo aos Efésios.

Entretanto, o mesmo "pastor" em questão é useiro e vezeiro em passar o seu paletó sobre os incautos, fazendo-os "cair" mediante um "poder" que ele atribui a Deus, como se pode ver nos vídeos abaixo:

No primeiro vídeo, inclusive, ele passa o paletó que afirma ter ganho de "Edson Freitas, cabeleireiro da Xuxa", o que não é surpresa, já que Marlene Mattos, quem diria, já deu o ar de sua graça na igreja dele.



Não era de hoje que nos assustávamos com (mais) esse espetáculo grotesco perpetrado em nome de algum "deus" que não tem nada a ver com o Deus da Bíblia, a mesma que traz as palavras de Jesus dizendo que "não existe nada escondido que não venha a ser revelado, ou oculto que não venha a ser conhecido" (Lucas 12:2 KJV)

Também fica claro pelo ensino bíblico que, quando alguém insiste muito no pecado e no desatino, a ponto de se tornar aberração, "o seu estado último se torna pior do que o primeiro" (Mateus 12:45, Lucas 11:26, 2ª Pedro 2:20), razão pela qual obviamente nos entristecemos, mas não nos surpreendemos.

Os vídeos e o personagem (ora preso) acima nos remetem a uma certa ocasião muito tempo atrás, também em tempos bíblicos, quando Josué se empenhava em liderar o povo de Israel na duríssima conquista da terra prometida (Canaã) depois da morte de Moisés.

Josué havia empreendido a conquista de Jericó (um acontecimento bíblico muito utilizado hoje em dia por evangélicos e católicos em suas campanhas de evangelismo e oração), e o Senhor ordenara ao povo de Israel que não retirara para uso pessoal nenhum despojo da cidade que terminaria fragorosamente vencida (Josué 6:17-18).

Entretanto, um homem chamado Acã se encantou com uma capa babilônica, além de ouro e prata que havia encontrado em Jericó (Josué 7:20-21), e os surrupiou para si, imaginando que poderia manter segredo do seu ato inescrupuloso.

Como resultado de sua ação vergonhosa, o povo de Israel foi derrotado na batalha seguinte, na cidade de Ai, e todos queriam saber a razão pela qual Deus os havia desamparado depois da vitória esfuziante que haviam obtido em Jericó.

A resposta não tardou em vir mediante revelação do Senhor, e o povo reunido viu Acã tendo que confessar o seu crime, para depois ser apedrejado e queimado com toda a sua família e todos os seus bens, a fim de eximir Israel do grave pecado que havia cometido contra Deus.

Na mesma carta em que Paulo escreve aos coríntios (a 1ª, capítulo 5) sobre imoralidade sexual na igreja, ele diz que "se a obra de alguém se queimar, este sofrerá prejuízo; ainda assim, será salvo como alguém que escapa por entre as chamas do fogo" (1ª Coríntios 3:15 KJV).

Talvez ainda haja esperança para Marcos Pereira, que atende pelo nome de "pastor". A ele dedicamos o conselho de Lamentações de Jeremias 3:9, "ora, põe o teu rosto rente ao pó da terra; em sinal de arrependimento, talvez ainda haja esperança!".

Se não houver arrependimento e genuína conversão, entretanto, tememos que o seu destino possa ser o mesmo que teve Acã por causa de uma capa.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Os 5 maiores arrependimentos antes de morrer


Quando a morte é inevitável, quais são os principais arrependimentos que os pacientes terminais têm em relação à vida que se esvai?

O excelente vídeo abaixo, produzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, se propõe a responder essa questão:





quinta-feira, 21 de julho de 2011

Síndrome de Esaú

A proliferação de falsos profetas que infesta a igreja evangélica brasileira nas últimas décadas, com seus ensinamentos esdrúxulos e práticas exóticas, que promovem a si mesmos e não têm nenhum respeito pela Palavra de Deus (apenas a arranham e deturpam com objetivos escusos) nem pela História da Igreja (já que se consideram os fundadores da sua religião clonada do cristianismo), faz com que surja a pergunta: por que eles não se arrependem de seu erro?

Neste período em que “profetas” e esotéricos de todo calibre marcam a data do fim do mundo, a Igreja (convenientemente) se esqueceu de que o final dos tempos “não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2ª Tessalonicenses 2:3). Parece que a apostasia se apoderou da igreja evangélica não só no Brasil, mas especialmente por aqui. Não é preciso nem listar quem são os apóstatas, pois eles são evidentes para o crente que tem o Espírito Santo e um mínimo de interesse em confrontar as pregações de seus líderes com o que a Bíblia diz. É verdade que a leitura e o estudo bíblicos foram trocados por um prato de lentilhas que agrada o estômago: a repetição exaustiva de lemas, slogans e promessas de riqueza que, no fundo, nada significam. O “filho da perdição” ainda não foi revelado, embora haja vários candidatos ao posto, que obstinada e fingidamente buscam se firmar como o “porta-voz oficial de Deus” para a nossa era, ainda que esta autoafirmação se dê na base do pensamento positivo e da manipulação irresponsável do seu rebanho.

Há um momento, entretanto, em que são obrigados a se despirem de suas ilusões e se encararem de frente no espelho do banheiro e da vida, quando, longe das vistas enganadas e dos palcos do triunfalismo barato, se veem e se reconhecem “coitados, miseráveis, pobres, cegos e nus” (Apocalipse 3:17). Por que será, então, que esses lobos trajados de ovelha não se arrependem de seus malfeitos? Provavelmente, porque, a exemplo de Esaú, já não encontram lugar de arrependimento, mesmo que o procurassem (Hebreus 12:17).

Esaú era um sujeito popular, dinâmico, falador, bem diferente de seu irmão gêmeo Jacó, que era mais calado e dissimulado. Muito provavelmente, se fôssemos apresentados aos dois personagens bíblicos sem saber quem eles eram e o que lhes estava reservado por Deus, nos simpatizássemos mais com Esaú. O próprio irmão Jacó viu que Esaú era incapaz de guardar mágoa, quando o recebeu de braços abertos (Gênesis 33), décadas depois de tê-lo enganado. Para seu triste destino, entretanto, Esaú também era incapaz de se arrepender. Teve uma boa vida, cheio de amigos e de posses, mas não havia mais como voltar atrás de seu ato de desprezar a graça de Deus, talvez por nunca ter entendido o que ela - de fato - significa.

Assim estão nossos Narcisos beijando suas lenhosas faces no espelho, com uma ponta de mórbida satisfação porque construíram impérios, vivem como nababos, e têm um séquito de fanáticos que os adoram e se atirariam ao abismo por eles. Mas – triste sina! - por isso mesmo, não dá mais pra voltar atrás. Como denunciar-se publicamente como um guia cego que não tem como afastar outros cegos da ruína (Mateus 15:14) ? Como reconhecer que desviam os seus seguidores do único e verdadeiro reino da graça de Deus (Mateus 23:13), do qual também se excluem para construir seu paraíso particular e temporal na Terra (Lucas 12:20) ? Como vender tudo o que amealharam com a má fé e dar aos pobres (Mateus 19:21) ? Até Judas Iscariotes, diante desta impossibilidade, devolveu as 30 moedas de prata e foi se enforcar (Mateus 27). O dinheiro cobrado e rejeitado pelo beijo traidor ao menos serviu para providenciar um cemitério para quem não tinha onde cair morto. Já os celeiros dos Judas e Esaús modernos estão por demais abarrotados de bens e de almas, afundados na egolatria desvairada, difícil demais de desapegar, mas o seu espírito se esvaiu, o espelho quebrou, e é tarde demais para reconhecer o erro e pedir perdão.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Já inventaram pílula para esquecer lembranças ruins

Tudo é ainda muito experimental e relacionado com experiências traumáticas, mas este avanço da medicina é daqueles que ainda vai dar muito que falar. Pode até acabar com aquela desculpa de "beber pra esquecer", mas também ajudaria a lidar com a culpa de traições e a "a-pagar" dívidas, além de aliviar a barra de quem não gosta da palavra (e do ato de) "arrependimento". Se a moda pega... Confira a matéria da MSNBC, traduzida por Bruno Calzavara e publicada no HypeScience:

Esqueça seus problemas: pílula pode apagar memórias ruins

Boa notícia para quem assistiu ao filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” e se identificou com o personagem que procurava uma forma de deletar memórias. O procedimento não é exatamente igual ao da ficção, mas quase.

Se você pudesse, tomaria uma pílula que apagasse suas memórias mais dolorosas?

Para a maioria de nós, seria difícil optar por perder peças do nosso passado, mas para quem possui problemas realmente sérios, como transtorno de estresse pós-traumático, a tal pílula pode trazer um grande alívio.

Em um estudo que se parece muito com uma cena do filme, os pesquisadores mostraram que a medicação pode realmente ajudar a apagar más lembranças.

Eles contaram com a presença de 33 estudantes universitários, que assistiram a uma apresentação de vídeo cuja história mostrava uma pequena menina sofrendo um terrível acidente durante sua visita à casa dos avós. Enquanto a menina e seu avô estavam construindo uma casa de passarinho, uma serra acabou cortando uma das mãos da menina. Uma das fotos mostradas aos voluntários do estudo é de sua mão mutilada.

Embora a mão da garota acabasse sendo salva no hospital e a história tivesse um final feliz, a apresentação é psicologicamente difícil de ser encarada porque tende a provocar nos espectadores sofrimentos emocionais, explica a autora do estudo, Marie-France Marin. “Não é divertido de assistir”, explica. “O vídeo é carregado de uma grandes emoções, complicadas de digerir”.

Antes do vídeo, Marin havia instruído seus voluntários a assistir com muito cuidado a apresentação. Depois, ela e seus colegas coletaram amostras de saliva para medir níveis do hormônio do estresse, o cortisol.

Três dias depois, os voluntários do estudo voltaram ao laboratório. Alguns deles haviam recebido um placebo, enquanto o resto havia ingerido uma de duas doses de uma droga que controla e limita a quantidade de cortisol circulando no corpo.

A teoria é de que o cortisol está de alguma forma envolvido na preservação de memórias, especialmente aquelas carregadas de emoção, explica Marin. Ao reduzir a quantidade de cortisol no organismo, os cientistas talvez sejam capazes de mexer com a memória – mesmo depois que ela já tenha sido criada e armazenada no cérebro.

Quando Marin pediu aos voluntários que tentassem se lembrar do vídeo de apresentação, aqueles que tinham recebido a droga para o controle do cortisol tiveram maior dificuldade para recordar os detalhes mais dolorosos. Quanto maior a dose, mais difícil se tornava a tarefa de recordar.

Quatro dias depois, os voluntários retornaram ao laboratório. Surpreendentemente, o impacto da droga sobre a memória ainda era aparente: voluntários que a tomaram continuavam apresentando dificuldades em lembrar as cenas emocionalmente intensas.

Marin espera que o estudo possa um dia ajudar pessoas que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TSPT). Ela suspeita que, no ambiente certo, a droga pode ajudar a diminuir a potência do evento traumático que desencadeou a situação. A ideia é que o paciente retome o assunto do evento com um psicoterapeuta, depois de ter tomado a droga.

Uma das conclusões mais intrigantes do estudo é o fato de que as lembranças não são tão sólidas e imutáveis como imaginamos. Cada vez que pensamos sobre elas em nossas mentes parece haver uma chance de “editar” o que aconteceu, conta Marin.

“Isso significa que realmente podemos mudá-las ou mesmo criar falsas memórias”, observa. “É uma questão que deve ser investigada. Ainda podemos mudar as memórias uma vez que já estão formadas? Parece que sim. E isso levanta questões éticas quando se trata de testemunhas de um crime, por exemplo”, cita.

domingo, 17 de abril de 2011

Computadores e consumidores arrependidos

"Arrependimento" de computador pode virar ferramenta de marketing, segundo noticia o Olhar Digital:

Cientistas financiados pelo Google querem ensinar computadores a se arrepender

Pesquisadores israelenses da Universidade de Tel-Aviv acreditam que sistema permitirá que computadores 'enxerguem' o futuro com facilidade

Cientistas da Universidade de Tel-Aviv, em Israel, estão desenvolvendo uma pesquisa voltada para a área de inteligência artificial que pretende ensinar computadores a sentir "arrependimento". Por arrependimento, os pesquisadores entendem que a máquina deva ser capaz de entender se o resultado de determinada ação foi o esperado ou ficou abaixo disso e, com essas informações, traçar linhas para minimizar o arrependimento.

Com o financiamento anunciado recentemente pelo Google, os cientistas acreditam que os computadores poderão verificar todas as variáveis de determinada ação e calcular os resultados com antecedência. Isso permitiria que as máquinas avaliassem condições de trânsito, por exemplo, e ajustassem dados para otimizar a situação em tempo real.

O interesse da gigante das buscas no projeto pode estar nas melhoras que o sistema pode trazer para as plataformas AdSense e AdWords da empresa. Com a noção de "arrependimento", o sistema poderia prever com mais exatidão que tipo de publicidade poderia funcionar com determinado usuário.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Arrependimento: modo de usar


É raro ler ou ver matérias que envolvam o tema do arrependimento do ponto de vista estritamente humano, quer dizer, analisado do ângulo da saúde física e emocional da pessoa que se arrepende de alguma coisa, ainda que a confusão de arrependimento com o remorso pareça uma constante quando se aborda este tema, especialmente do ponto de vista espiritual

Por isso, vale a pena destacar esta matéria do Science Daily, traduzida por Natasha Romanzoti e publicada no site HypeScience, transcrita abaixo. 

Ainda que os dados sejam sucintos e não tenhamos acessos a todas as informações analisadas, é um pouco estranha esta, digamos, "terapia" sugerida de comparar-se a quem estaria em piores condições. 

Preocupa-me esta atitude (também) tipicamente humana de valorizar o "menos pior", mais sintonizada - talvez - com uma sociedade altamente consumista, competitiva e - principalmente - utilitária (os fins justificam os meios), o que não quer dizer que esta alternativa esteja automaticamente validada, ainda que pareça que é esta a ideia que o artigo quer passar. 

O mundo estaria muito melhor se as pessoas (e os grupos dos quais fazem parte) - sem ênfase na competição - procurassem sempre isso mesmo: o melhor (ainda que seja o "melhor possível"):

Não saber afastar os arrependimentos pode causar problemas de saúde

Difícil existir alguém que não se arrependa de nada que já tenha feito na vida. E para superar esse sentimento, afirma um novo estudo, você deve comparar-se a outros que estão em pior situação – ao invés de observar pessoas em posições mais invejáveis.

A pesquisa analisou a forma como os adultos e jovens lidam com os arrependimentos da vida. Um mecanismo comum de enfrentamento é através de comparações sociais, o que, segundo os pesquisadores, pode ser tanto bom quanto ruim, dependendo se as pessoas acham que podem desfazer seus pesares ou não.

O estudo incluiu 104 adultos de várias idades, que completaram um questionário sobre seus maiores arrependimentos (eles variavam de “não passar muito tempo com a família” até “ter casado com a pessoa errada”).

Em seguida, os pesquisadores pediram que os participantes classificassem a gravidade de seu próprio arrependimento em comparação com os arrependimentos de outras pessoas de sua idade.

Geralmente, se as pessoas se comparam aos que estão em situação pior, eles se sentem melhor. Mas, se se comparam a pessoas em melhor situação, isso os faz se sentirem pior.

Mais do que isso: além do efeito psicológico, existe um efeito físico. Os participantes que fizeram comparações sociais com pessoas em pior situação relataram ter menos sintomas de resfriado.

Os pesquisadores explicam que o estresse emocional do arrependimento pode desencadear uma desregulação biológica dos hormônios e do sistema imunológico, o que torna as pessoas mais vulneráveis a desenvolver problemas de saúde clínicos.

Em geral, a comparação social “para baixo” teve um efeito positivo sobre o bem-estar emocional e físico das pessoas.

Ao contrário dos resultados de estudos anteriores sobre o mesmo tema, na pesquisa atual a idade não determinou o grau de eficácia do “perdão” pelos arrependimentos. A eficácia dos mecanismos de sobrevivência dependia mais da habilidade percebida de um indivíduo para mudar o seu arrependimento do que de sua idade.

Segundo os cientistas, seguir em frente e ser capaz de manter um bem-estar emocional depende muito da oportunidade de um indivíduo de corrigir a causa de seus arrependimentos.

sábado, 24 de julho de 2010

Conversões imaginárias

por C. S. Lewis:

Se o cristianismo é verdadeiro, então por que nem todos os cristãos são necessariamente mais agradáveis do que os não-cristãos? O que está por trás dessa questão é em parte razoável e em parte inadmissível. A parte razoável é esta: se a conversão ao cristianismo não representa nenhum aperfeiçoamento nas ações do ser humano – se ele continuar sendo tão metido, rancoroso e vingativo; tão corroído pela inveja ou ambicioso como antes – então teremos fortes motivos para suspeitar que sua “conversão” foi totalmente imaginária. Depois da nossa conversão inicial, toda vez que achamos que fizemos algum avanço, esse é o teste que devemos aplicar. Sentimentos delicados, novos insights, um interesse maior pela “religião” podem não significar nada, se o termômetro indicar que a nossa temperatura continua subindo. Nesse sentido, o mundo secular está totalmente certo em julgar o cristianismo por seus resultados. Uma árvore é conhecida pelos seus frutos; ou, como diz o dito popular, a prova do pudim está em comê-lo. Quando nós, cristãos, nos comportamos mal, ou deixamos de nos comportar como deveríamos, tornamos o cristianismo desacreditado para o mundo lá fora. Os cartazes e panfletos dos tempos de guerra diziam que conversa fiada pode custar vidas. A recíproca é verdadeira: “vidas fiadas” dão o que falar. Se levarmos nossas vidas sem responsabilidade, as pessoas de fora começarão a falar; e nós teremos lhes dado bons motivos para duvidar do próprio cristianismo.

(C. S. Lewis em “Mero Cristianismo”, transcrito em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 230)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Casa de Davi desliga Davi

Dois meses atrás, houve toda a repercussão do caso da retratação pública das mentiras contadas por Davi Silva nos onze anos que serviu ao lado de Mike Shea na Casa de Davi. Segundo aquele comunicado, Davi Silva se submeteria a um tratamento interno na instituição e depois revelaria detalhadamente todas as mentiras que havia contado ao longo desses onze anos. Entretanto, no último dia 18 de junho, a Casa de Davi soltou outro comunicado, informando que Davi Silva foi desligado da instituição por não ter se submetido ao "tratamento" combinado. Confira:

Irmãos da família de Deus,

No dia 12 de abril de 2010, Davi Silva e Mike Shea vieram a público, acompanhados de outros integrantes do ministério Casa de Davi, através de um vídeo publicado em nosso site. O objetivo era a retratação pelas mentiras que Davi praticava em certos testemunhos – isso como ministro e um dos líderes da Casa de Davi.

Na retratação, assumimos, sob a palavra do Davi, o compromisso de publicar um documento discriminando as mentiras e esclarecendo quais eram as verdades em tais testemunhos. Essa atitude visava colocar o público, a quem ele e outros do ministério haviam ministrado, a par de tudo, pois, tanto nós do ministério como outros inúmeros irmãos conhecidos em três continentes, “ecoamos” muitos desses testemunhos ao longo dos anos, andando em amor e confiança. Desejávamos alinhar e apurar seus testemunhos para que, uma vez restaurado, Davi pudesse voltar ao ministério; além de dar uma satisfação a você, que tem nos acompanhado há tantos anos.

Neste momento, viemos comunicar:

1. No dia 20 de maio de 2010, Davi Silva interrompeu o processo assumido por ele junto ao ministério, que visava sua restauração pessoal e ministerial, e o esclarecimento dos relatos inverídicos.
2. Com isso, Davi Silva deixou a liderança e a participação do ministério na Casa de Davi.
3. Todos e quaisquer esclarecimentos acerca dos testemunhos pessoais de Davi Silva – conforme compromissado no vídeo e no texto postados em 12 de abril de 2010 em nosso site – são, a partir de agora, de inteira responsabilidade de Davi Silva.
4. Com sua saída, toda e qualquer declaração ou solicitação deve ser dirigida a ele através do e-mail: davisilva2404@gmail.com .
5. O ministério Casa de Davi informa que, desde agosto de 1999 até maio de 2010, andamos em amor e na luz com o irmão Davi Silva. Em nenhum momento Casa de Davi acobertou pecados de qualquer ministro. Tratamos tudo o que vem à luz nas devidas proporções, a fim de estender misericórdia e amor em proteção aos irmãos.Valorizamos a importância da postura ativa no arrependido para que haja uma verdadeira transformação.Afirmamos que Casa de Davi desejou acompanhar o Davi num processo de restauração ministerial. Sua confissão pública se fez necessário pela natureza do pecado e sua expansão. Pelos valores que vivemos do Reino, expomo-nos junto com o Davi, pois o amamos. Ressaltamos, ainda, que a publicação do vídeo contendo a confissão do irmão Davi Silva em 12 de abril de 2010 foi feita em concordância entre ambas as partes.
6. Hoje, removemos o referido vídeo de retratação de nosso site. Deixaremos sua transcrição, até o momento oportuno, como ponto de referência para maior entendimento deste comunicado.
7. O ministério Casa de Davi não endossa nenhum dos testemunhos contados pelo Davi Silva durante seus anos no ministério, uma vez que descumpriu o passo de esclarecer os mesmos.
8. Expressamos nosso amor pelo Davi e por sua família.
9. Expressamos nossa profunda tristeza com tudo que tem transcorrido. Procuramos todos os meios de proporcionar amor, perdão, e misericórdia dentro de princípios do Reino de Deus que resguardassem a integridade do ministério e a pessoa do Davi. Nos expomos em prol do amor e na luta pela verdade que fundamenta a igreja verdadeira do Senhor. Como diretor do ministério, peço perdão à família de Deus pelo escândalo que tanto feriu aos amados. Lamentamos por todo o ocorrido e desejamos que o Senhor nos ajude.

Peço que o Senhor tenha misericórdia de todos nós.

Com pesar e tristeza,

Mike Shea
Casa de Davi

terça-feira, 13 de abril de 2010

A mentira da unção

Algum tempo atrás, um vídeo de Davi Silva tendo uns piripacos numa ministração da Casa de Davi em Londrina (PR) provocou polêmica na rede, pelo seu testemunho um tanto quanto esdrúxulo, e também por manifestações físicas (muito mal ensaiadas e desempenhadas, por sinal) que se assemelhavam mais a um terreiro de umbanda:



O espetáculo grotesco parecia mais uma farsa, por mais que a gente não quisesse admitir que alguém que diz falar em nome do Senhor cometesse tal blasfêmia. Pois, infelizmente, nossos piores temores foram confirmados. Vejo hoje no blog do Pastor Valdir que Mike Shea (líder da Casa de Davi) e o próprio Davi Silva publicaram um vídeo em que este último diz que muitos dos seus testemunhos e práticas eram, na verdade, mentira...


o texto na íntegra está no site da Casa de Davi

Triste, não? Repare na ênfase reiterada que Mike Shea dá, no seu discurso, à expressão "custe o que custar". Parece que muitos evangélicos não se satisfazem mais com o sacrifício único e insubstituível de Jesus, Aquele que, verdadeiramente, não mediu custos para nos salvar. 

Da mesma maneira, é estranho que tantos "pastores" preguem exclusivamente sobre o "sobrenatural" e não consigam enxergar o que está acontecendo um palmo à frente do nariz. 

É lamentável que muitos crentes aceitem esses testemunhos como verdadeiros sem nenhuma reserva crítica, um mínimo de discernimento cristão, quando tudo indica que eles servem apenas para autoafirmação de uma autoridade espiritual inexistente ou para recreação e entretenimento de almas perdidas. 

Isto fica mais claro no vídeo em que Davi Silva dá seu testemunho na Igreja Batista da Lagoinha, contando que "foi curado de síndrome de Down" (?!?!?!). 

Ora, qualquer pessoa de mediana instrução sabe que a síndrome de Down é uma anomalia genética, provocada por três cromossomos 21 (um a mais do que o normal), e dizer que precisa ou deva ser curada não deixa de revelar um enorme preconceito, pois a quase totalidade das famílias - muitas evangélicas - que têm um portador de Down em casa sabem que eles são uma bênção de Deus nas suas vidas e não a consideram uma "doença". 

Logo, fica difícil sustentar uma "cura" como essa, pois revela de duas uma: ou ignorância ou mentira. Se bem que não se pode descartar a hipótese das duas coisas ocorrerem simultaneamente...


De qualquer maneira, a mentira não subsistiu. 

Apesar de discordar dos métodos tanto de Mike Shea (e seu evangelho judaizante) como de Davi Silva, peço a Deus que dê a ambos, e àqueles que os seguem (ou seguiam) a verdadeira conversão a Cristo, que dispensa espetáculos, unções inventadas, entretenimentos e shofares. 

Temo, entretanto, que muitos dos "testemunhos" que vemos e ouvimos todos os dias nas igrejas pelo Brasil provenham da mesma origem: o pai da mentira (que sequer foi mencionado no vídeo da "retratação"). 

Se a contrição de Davi Silva é arrependimento ou remorso, ele se entenderá com o Senhor. 

A seu favor conta o fato de ter se retratado publicamente, mas se sofre de mitomania, deveria procurar tratamento especializado. 

Há esperança para você, Davi! 

 É sintomático que a igreja evangélica brasileira goste muito de alguns dons do Espírito Santo, como operação de milagres, profecias e falar em línguas, mas se esqueça completamente do dom de discernir espíritos que está no mesmo versículo (1 Coríntios 12:10).


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Examinando nosso arrependimento

por Thomas Watson - via Editora Fiel:

Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.

Se alguém diz que se arrependeu, desejo que examine-se a si mesmo, seriamente, por meio dos sete... efeitos do arrependimento delineados pelo apóstolo em 2 Coríntios 7.11.

1. Cuidado. A palavra grega significa uma diligência intensa ou um esquivar-se atento de todas as tentações ao pecado. O homem verdadeiramente arrependido foge do pecado como Moisés fugiu da serpente.

2. Defesa. A palavra grega é apologia. O sentido é este: embora tenhamos muito cuidado, podemos cair no pecado devido à força da tentação. Ora, nesse caso, o crente arrependido não deixa o pecado supurar em sua alma; antes, julga a si mesmo por causa de seu pecado. Derrama lágrimas perante o Senhor. Clama por misericórdia em nome de Cristo e não O deixa, enquanto não obtém o seu perdão. Assim, em sua consciência, ele é defendido da culpa e se torna capaz de criar uma apologia para si mesmo contra Satanás.

3. Indignação. Aquele que se arrepende levanta o seu espírito contra o pecado, assim como o sangue de alguém sobe quando ele vê um indivíduo a quem odeia mortalmente. A indignação significa ficar importunado no coração por causa do pecado. O penitente sente-se inquieto consigo mesmo. Davi chamou a si mesmo de “ignorante” e “irracional” (Sl 73.22). Agradamos mais a Deus quando arrazoamos com nossa alma por conta do pecado.

4. Temor. Um coração sensível é sempre um coração que teme. O penitente sentiu a amargura do pecado. Este vespa o ferrou, e agora, tendo esperança de que Deus está reconciliado, ele teme se aproximar novamente do pecado. A alma penitente está cheia de temor. Tem medo de perder o favor de Deus, que é melhor do que a vida, e receia que, por falta de diligência, fique aquém da salvação. A alma penitente teme que, depois de amolecido o seu coração, as águas do arrependimento sejam congeladas, e ela seja endurecida no pecado novamente. “Feliz o homem constante no temor de Deus” (Pv 28.14)... Uma pessoa que se arrependeu teme e não peca; uma pessoa que não tem a graça de Deus peca e não teme.

5. Desejo intenso. Assim como o bom tempero estimula o apetite, assim também as ervas amargas do arrependimento estimulam o desejo. O que o penitente deseja? Ele deseja mais poder contra o pecado, bem como ser livre deste. É verdade que ele está livre de Satanás; mas anda como um prisioneiro que escapou da prisão com algemas nas pernas. Ele não pode andar com liberdade e destreza nos caminhos de Deus. Deseja, portanto, que as algemas do pecado sejam removidas. Ele quer ser livre da corrupção. Clama nas mesmas palavras de Paulo: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Em resumo, ele deseja estar com Cristo, assim como tudo deseja estar em seu devido lugar.

6. Zelo. Desejo e zelo são colocados lado a lado a fim de mostrar que o verdadeiro desejo se manifesta em esforço zeloso. Oh! como o crente arrependido se estimula nas coisas pertinentes à salvação! Como se empenha para tomar por esforço o reino de Deus (Mt 11.12)! O zelo incita a busca pela glória. Ao se deparar com dificuldades, o zelo é encorajado pela oposição e sobrepuja o perigo. O zelo faz o crente arrependido persistir na tristeza santa mesmo diante de todos os desencorajamentos e oposições. O zelo desprende o crente de si mesmo e leva-o a buscar a glória de Deus. Paulo, antes de sua conversão, era enfurecido contra os santos (At 26.11). Depois da conversão, ele foi considerado louco por amor a Cristo: “As muitas letras te fazem delirar!” (At 26.24). Paulo tinha zelo e não delírio. O zelo causa fervor na vida espiritual, que é como fogo para o sacrifício (Rm 12.11). O zelo é um estímulo para o dever, assim como o temor é um freio para o pecado.

7. Vindita. Um crente verdadeiramente arrependido persegue os seus pecados com uma malignidade santa. Busca a morte dos pecados como Sansão queria vingar-se dos filisteus pelos seus dois olhos. O crente arrependido age com seus pecados da mesma maneira como os judeus agiram com Cristo. Ele lhes dá fel e vinagre para beberem. Crucifica as suas concupiscências (Gl 5.24). Um verdadeiro filho de Deus busca a ruína daqueles pecados que mais desonram a Deus... Com o pecado, Davi contaminou o seu leito; depois, pelo arrependimento, ele inundou seu leito com lágrimas. Os israelitas pecaram pela idolatria e, posteriormente, viram como desgraça os seus ídolos: “E terás por contaminados a prata que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas imagens de fundição” (Is 30.22)... As mulheres israelitas que haviam se vestido à moda da época e, por orgulho, tinham abusado do uso de seus espelhos ofereceram-nos depois, tanto por zelo como por vingança, para o serviço do tabernáculo de Deus (Êx 38.8). Com o mesmo sentimento, os mágicos... quando se arrependeram, trouxeram seus livros e, por vindita, queimaram-nos (At 19.19).

Estes são os benditos frutos e resultados do arrependimento. Se os acharmos em nossa alma, chegamos àquele arrependimento do qual nos arrependeremos (2 Co 7.10).

Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.

Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright© Editora FIEL 2009.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Arrependimento x Remorso

Bible path
Muitas vezes, alguém que gosta de se aprofundar no estudo das Escrituras se pergunta qual é a diferença espiritual entre arrependimento e remorso, e o interessante é que a própria Bíblia, no seu original grego, traz a diferença entre ambas as atitudes.


METANOIA x METALOMAI


Primeiro, a palavra grega traduzida por “arrependimento” é metanoia (μετάνοια) e sempre significa uma mudança de mente ou atitude, essencial à salvação, como no "batismo de arrependimento" de Atos 13:24.

Metanoia aparece 58 vezes no Novo Testamento. Já outra palavra que às vezes é traduzida como arrependimento é metamelomai (μεταμέλομαι), que aparece 6 vezes no Novo Testamento, mas está muito mais ligada à idéia de tristeza, de remorso, do que propriamente mudança de rumo, de mente.


O exemplo clássico é o caso de Judas em Mateus 27:3, conforme você pode perceber nessas 3 diferentes versões para o português:

Mat 27:3 Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, ARREPENDIDO, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, (Almeida Revista e Corrigida - ARC)

Mat 27:3 Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora condenado, devolveu, COMPUNGIDO, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo: (Almeida Revista e Atualizada - ARA)

Mat 27:3 Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado, foi TOMADO DE REMORSO e devolveu aos chefes dos sacerdotes e anciãos as trinta moedas de prata. (Nova Versão Internacional - NVI)


Mat 27:3 Quando Judas, o traidor, viu que Jesus havia sido condenado, SENTIU REMORSO e foi devolver as trintas moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e aos líderes judeus (Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH)


Já a tradução católica da Bíblia do Peregrino (BP) traduz o mesmo versículo dizendo que "Judas se arrependeu", enquanto as igualmente católicas Bíblia de Jerusalém (BJ) e Edição Pastoral (EP), com "sentiu remorsos" em ambas, e a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB - "assaltado de remorsos"), concordam com a versão protestante.

A palavra traduzida por "arrependido" (ARC e BP), "compungido" (ARA) e "tomado de remorso" (todas as demais), é metamelomai, que mostra que Judas ficou triste pelo que fez, "arrependido" até certo ponto, como Esaú, que "querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado; porque não achou lugar de arrependimento, ainda que o buscou diligentemente com lágrimas" (Hebreus 12:17). A palavra aí traduzida por "arrependimento" é metanoia, algo que Esaú buscou com lágrimas, mas não achou.

Logo, me parece que arrependimento significa uma conversão real, verdadeira, uma mudança de rumo, enquanto remorso é apenas o reconhecimento de que se fez algo errado, mas, talvez, se pudesse voltar atrás, a pessoa teria feito a mesma coisa, e a única coisa que lhe restou foi o gosto amargo de ter feito o que fez.


Por fim, há outro versículo em que podemos fazer uma comparação entre ambas as condições, 2ª Coríntios 7:9, em que Paulo escreve:
Agora, folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padeceste dano em coisa alguma. (ARC)
As demais versões (protestantes e católicas) não fogem à tradução da ARC, apenas trocando "contristados" por "entristecidos" ou variações de "tristeza".

O versículo 9 citado acima deve ser interpretado no contexto em que está inserido, e o versículo seguinte (10) diz que "com efeito, a tristeza segundo Deus produz arrependimento que leva à salvação e não volta atrás, ao passo que a tristeza segundo o mundo produz a morte" (BJ).

A palavra arrependimento aqui (μετάνοιαν) é acompanhada da condição de que "não volta atrás" (ametamelētos - ἀμεταμέλητον), o que mostra que o texto bíblico separa definitivamente "arrependimento" de "remorso".

Bem, o versículo 9 nos fala de Paulo se alegrando, não por que os coríntios se entristeceram (οὐχ ὅτι ἐλυπήθητε), mas por que se entristeceram para o arrependimento (ὅτι ἐλυπήθητε εἰς μετάνοιαν).

Paulo portanto se alegrou por que a tristeza deles resultou em arrependimento, já que a preposição εἰς pode indicar resultado, o melhor sentido para esta passagem (entre outros sentidos possíveis estão propósito, espacial [para dentro de], temporal [durante], referência [com referência a], vantagem ou desvantagem). Em seguida Paulo diz que os coríntios portanto se arrependeram segundo Deus (κατὰ θεόν).

O versículo 10 então explica o que aconteceu ali. Os coríntios se arrependeram segundo Deus (κατὰ θεόν), e por isto houve o arrependimento.

É muito interessante aqui perceber que Paulo nos diz que a tristeza que resulta em arrependimento é segundo Deus (κατὰ θεόν), enquanto que a tristeza que produz morte é do mundo (τοῦ κόσμου), provavelmente aqui empregando um genitivo de produtor. Ou seja, ele atribui a origem da segunda tristeza ao mundo, mas não faz isto para a primeira tristeza.


TRISTEZA x ARREPENDIMENTO


A tristeza que resulta em arrependimento aqui não é atribuída a Deus, mas ela segue o padrão de Deus. Já aquele pesar que gera morte é sim produzido pelo mundo.

Está claro, portanto, que Paulo está propositalmente contrastando as duas tristezas (λύπη), já que ele coloca tanto κατὰ θεόν quanto τοῦ κόσμου em destaque, na frente de λύπη.

É curioso também que vários dicionários colocam ἀμεταμέλητον ("sem remorso", "sem voltar atrás") como um adjetivo feminino, embora a terminação dele seja masculina ou neutra.

Provavelmente eles estão tentando fazer este adjetivo concordar com alguma palavra do texto, seja arrependimento (μετάνοιαν) ou seja salvação (σωτηρίαν), todas elas femininas.

Não se pode descartar, portanto, a possibilidade de que ἀμεταμέλητον seja neutra, categorizando todo o "arrependimento para salvação" (μετάνοιαν εἰς σωτηρίαν), ou seja, tratando-o como uma unidade.

remorse x repentance


NA PRÁTICA COTIDIANA:


Independentemente de qualquer debate teológico ou do caráter religioso da dúvida, uma maneira simples de identificar se o que alguém (ou você) sente é arrependimento ou remorso é imaginar os seguintes cenários e (tentar) analisar o que mais, digamos, se "encaixa" na situação específica:

1) A pessoa arrependida se expressa (geralmente de forma verbal e sincera) da seguinte forma: "Eu sinto muito e peço perdão pelo erro que eu cometi";

2) A pessoa que sente remorso transmite a mensagem (raramente de forma verbal e - neste caso - dissimulada) deste modo: "Eu sinto muito pelo fato das coisas não terem acontecido da maneira como eu gostaria que tivessem acontecido".

Captou?

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