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quinta-feira, 18 de maio de 2017

O dia em que a Terra parou



A noite do dia 18 de maio de 2017 entrará para a história do Brasil como o dia em que a Terra parou.

De repente, assim do nada, como se todos já não estivessem cansados de saber disso, fomos expostos - mais uma vez - à vergonha nacional da corrupção e da indecência.

Qual um certo apóstolo, percebemos que "não há um justo, nem um sequer" (Romanos 3:10).

Aos mais puristas que se julgavam "éticos" por terem votado neste ou naquele candidato, ou por terem derrubado este ou aquele governo, só lhes restou fingir que foram pegos de surpresa ao verem que ninguém se salva, queira a mídia global dizer quem vai para o céu ou para o inferno a seu bel prazer, ou não.

O escândalo da corrupção e da obstrução da Justiça no governo Michel Temer é algo que ainda está se desdobrando e assustando a todos pela sua extensão e profundidade.

O horror, ah, o horror...

Que triste destino o do Brasil, e de seu povo, só nos resta lamentar ouvindo Raul Seixas cantando "O Dia em que a Terra parou":


Malucos do meu Brasil varonil, não foi um sonho e ainda vai demorar muito para que possamos acordar desse pesadelo.

Preparemo-nos!



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Conclusões olímpicas


Sim, meus queridos amigos, é triste ter que admitir isso mas a Olimpíada brasileira, mais especificamente carioca, acabou...

A grande notícia é que ela transcorreu sem maiores problemas, sobretudo quanto a violência e terrorismo, embora ainda tenhamos que passar pelas Paralimpíadas para podermos comemorar dois eventos pacíficos em seguida.

Quanto aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foram duas semanas bastante divertidas, em que o brasileiro mostrou ao mundo o seu jeito estabanado de ser, meio confuso, espalhafatoso e contraditório, mas espontâneo e bem-humorado tanto quanto possível.

As cerimônias de abertura e de encerramento agradaram por sua simplicidade e baixo custo, mostrando ao mundo a cultura e a criatividade brasileiras em seu estado de pura arte, sem querer concorrer com festas e sedes antigas, até porque, cá entre nós, ainda que os mais jovens não entendam o que isso significa, nada vai superar o painel humano do ursinho Misha derramando uma lágrima na despedida de Moscou 1980.

Só quem viu esta cena pela televisão 36 anos atrás pode tentar descrever a emoção que sentiu naquele contexto histórico em que a tecnologia ainda perdia de 10 x 0 para a ideologia.

Depois disso, tudo virou mais do mesmo, inclusive a grandiosidade de Pequim 2008, que mostrou ao globo o despropósito de uma China faraônica, logo uma cultura milenar que tem tantas coisas lindas e simples para compartilhar.

Portanto, o Rio de Janeiro acertou em cheio ao fazer cerimônias relativamente simples, muito mais ligadas à emoção do que à ostentação, mostrando o que o Brasil tem de melhor, sua música, sua gente, sua malemolência, seu bom humor.

Claro que este rumo foi ditado, em larga parte, pelas limitações orçamentárias, mas que bom que foi assim, pois serviu de antítese ao negócio bilionário que são os jogos patrocinados pelo Comitê Olímpico Internacional.

Sim, no fim tudo se limita a isso, um negócio. Vivemos num mundo onde a economia impera, e o espírito olímpico é só uma desculpa para que grandes contratos sejam assinados à sombra dos seus arcos.

Tenebrosa é a coincidência a que permitiu que o Brasil encerrasse sua Olimpíada na mesma semana em que vai decidir o impeachment de sua primeira mulher que chegou à Presidência.

De novo, engana-se quem acha que é a lei ou os políticos que vão decidir o destino de Dilma Rousseff. Não, caros amigos, quem parece que já decidiu pela sua defenestração é a economia, mediante aqueles famosos tentáculos invisíveis do mercado, que são afinal quem decide o destino de cidades olímpicas e presidentes.

Era este o cenário em 2009, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede olímpica para 2016, e o Brasil era muito mais interessante do ponto de vista econômico do que político ou esportivo.

Cabalísticos sete anos depois, tudo mudou.

Parece que o Brasil se despediu não só dos seus Jogos mas também de uma era, e - seja no esporte ou na política - não há boas perspectivas no horizonte.

Tentemos, então, perpetuar (enquanto pudermos) este sentimento gostoso e anestésico de duas semanas em que o mundo nos visitou e interagimos com o diferente.

Foi bom enquanto durou...



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Denominações cristãs se dividem sobre impeachment de Dilma

A matéria é do Estadão:

Conselho de igrejas critica impeachment

CONSTANÇA REZENDE

Conic, que reúne evangélicos e católicos, divulgou nota em que acusa Eduardo Cunha de se basear em ‘argumentos frágeis’ para abrir processo

RIO - O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), composto pelas igrejas Evangélica de Confissão Luterana, Episcopal Anglicana do Brasil, Metodista e Católica, divulgou nota em que diz que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se baseou em “argumentos frágeis” ao abrir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A posição da entidade não é acompanhada por lideranças evangélicas ouvidas pelo Estado, favoráveis a Cunha, que é membro da Assembleia de Deus de Madureira. No documento, o Conic sustenta que o processo de impeachment não tem legitimidade e que o afastamento de Dilma “nos conduziria para situações caóticas”.

“Vemos com muita preocupação que o presidente da Câmara tenha acolhido um pedido de impeachment com argumentos frágeis, ambíguos e sem a devida sustentação fática para acusação de crime de responsabilidade contra a presidente da República”, diz o pronunciamento. “Perguntamos quais seriam as consequências para a democracia brasileira diante de um processo de deposição de um governo eleito democraticamente em um processo sem a devida fundamentação.”

Já o pastor Omar Silva da Costa, presidente do Conselho Nacional de Pastores e da Convenção Geral das Igrejas Assembleias de Deus no Brasil, disse que as duas instituições defendem a abertura do processo. “Se Dilma for condenada, deve não só perder o mandado, como também ir para atrás das grades, onde já está José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil). Mandamos e-mails para os pastores pedindo para orar pelas autoridades. Mas a autoridade que está fazendo um governo injusto, vivendo de corrupção, como foi provado pela Operação Lava Jato, deve ser condenada”, disse.

Na sua página na rede social Twitter, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, comemorou a abertura do processo de impeachment e criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por defender sua sucessora e correligionária. “Lula reclamando do encaminhamento do impeachment de Dilma, dizendo que é insanidade, é um brincalhão, farsante, o PT fez isso com outros governos”, escreveu.

O presidente do Conselho Político da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, pastor Lelis Washington, não só apoiou a atitude de Cunha, como afirmou que ele demorou muito tempo para tomá-la.

Autonomia. Pastora luterana e ex-presidente do Conic, Lusmarina Garcia disse que o impeachment não tem bases legais, pois sua “argumentação legal” é “muito frágil”. “É uma ação irresponsável por parte do presidente da Câmara e uma agressão às regras da democracia. Dilma foi democraticamente eleita e o seu impeachment seria um golpe”, disse ela, que considerou “natural” e “previsível” a Assembleia de Deus se manifestar a favor do processo, já que Dilma “contraria alguns interesses conservadores”.

Clemir Fernandes, pastor da Igreja Batista e sociólogo do Instituto de Estudos da Religião (Iser), afirma que nem sempre as crenças têm a mesma opinião política, mas que o cenário é comentado pelos líderes em cultos. “Nas igrejas em que circulo, mesmo que um pastor manifeste uma posição política, isso não tem alterado as opiniões dos fiéis.”



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