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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Indonésia tem montanha onde sexo casual é ritual "abençoado"


A Indonésia é o país que tem a maior população muçulmana no mundo, mas pelo jeito não está livre da superstição.

A matéria é da BBC Brasil:

A montanha remota que atrai indonésios em busca de relações sexuais com desconhecidos para ritual

Rebecca Henschke

Gunung Kemukus é uma montanha em Java, a principal ilha da Indonésia, que a cada 35 dias recebe muçulmanos de todo o país para participar de um ritual insólito.

O evento acontece em uma data auspiciosa segundo o ciclo Wetonan, que sobrepõe os cinco dias do antigo calendário javanês aos sete dias do calendário moderno (7x5=35).

Quando a escuridão cai no misterioso local, os peregrinos acendem velas e se sentam em esteiras ao redor das sagradas árvores dewadaru e das raízes retorcidas de enormes figueiras.

Na montanha "mágica", há um túmulo no qual se acredita estarem guardados os restos mortais de um legendário príncipe e de sua amante.

Adultério em troca da boa sorte

"O jovem príncipe Pangeran Samodro fugiu com a rainha Nyai Ontrowulan, que era sua madastra", conta Keontjoro Soeparno, psicólogo social da Universidad Gadjah Mada em Yogyakartax, na Indonésia.

"Eles se esconderam em Gunung Kemukus."

Até o dia em que, flagrados durante uma relação sexual, foram assassinados e enterrados no cume da montanha.

Os peregrinos acreditam, assim, que se cometerem adultério nesse local serão "abençoados com boa sorte", explica Seoparno, que estudou o ritual durante 30 anos.

Por isso, Gunung Kemukus é também conhecida como a "montanha do sexo".

Regras do jogo

O ritual começa com orações e oferendas de flores ao túmulo de Pangeran Samodro e Nyai Ontrowulan.

Em determinado momento, os peregrinos devem banhar-se em um dos dois riachos sagrados da montanha. E, em seguida, fazer sexo com uma pessoa desconhecida.

"Para receber bênçãos e dinheiro, é preciso fazer sexo com alguém que não seja seu marido ou mulher. Tem de ser alguém que você não conheça", destaca Soeparno.

"Além disso, deve ser em Juman Pon (quando a sexta-feira coincide com Pon, um dos cinco dias do calendário javanês). A relação sexual tem de acontecer a cada 35 dias sete vezes consecutivas, de forma que dure em torno de um ano", explica.

"Se por algum acaso não seja possível completar as sete vezes, é preciso começar tudo de novo. Essa é a parte difícil, especialmente para quem não é tão jovem."

"O compromisso entre os dois é muito significativo: eles têm de trocar telefones e endereços, e combinar aonde vão se encontrar da próxima vez."

Comida e teto

As noites mais concorridas podem reunir até 8 mil peregrinos.

"A maioria é dona de pequenos negócios. Eles esperam que, se completarem o ritual, suas vendas vão melhorar, vão ganhar muito dinheiro e terão muito sucesso", afirma Soeparno.

Desde a década de 90, a montanha ganhou uma pequena infraestrutura para acomodar a multidão.

Além do santuário, há um restaurante onde é possível comprar chá, macarrão e amendoim. Na parte de trás dele, é possível alugar um dos dois pequenos quartos.

Vejo uma mulher de véu e um homem, ambos com cerca de 50 anos, sumindo atrás de uma cortina para completar o ritual em um dos quartos. Ao tentar entrevistá-los, eles fogem, e a dona se aproxima para pedir que deixemos o local.

"O que acontece é que eles só estão juntos aqui na montanha. Se aparecerem na TV e seus respectivos cônjuges souberem disso, terão problemas. Aconteceu isso antes com o ex-proprietário desse restaurante: um homem apareceu na TV falando com uma mulher em uma noite e seus familiares o viram. A família ficou arrasada e o casal se divorciou", afirmou.

Anteriormente, os casais faziam sexo ao ar livre, mas depois começaram a alugar quartos por valores irrisórios.

Em segredo

Dentro do santuário, Pak Slamat está lendo o Alcorão. Quando terminar, vai procurar uma amante.

"Aqui há muitas pessoas que te dizem que funciona, que antes de vir aqui seu negócio não estava dando certo e depois se recuperou. Deve ser controlado por Alá (Deus). Não há ninguém maior do que Alá", afirma.

"Se vejo uma mulher que esteja disponível, me aproximo dela. Não ligo só para a aparência. O que vem de dentro é o mais importante. Já que estamos fazendo sexo com um objetivo, nossa motivação interna deve ser a mesma", acrescenta.

Pak Slamat é casado e tem três filhos. Sua mulher não sabe onde ele está - ela acredita que ele esteja na mesquita, rezando.

"Ela não teria permitido que eu viesse para cá, mas o importante é que eu estou fazendo isso pelo bem dos negócios."

Milhares chegam sozinhos em busca de um acompanhante. Os que estão no meio do ritual devem encontrar o(a) mesmo(a) acompanhante das vezes anteriores.

Sem laços

No santuário também está Ibu Winda, uma mulher de 60 anos vestida com uma blusa florida dourada, uma minissaia curta, meias de prata e uma jaqueta de couro. Ela ostenta um batom vermelho brilhante e seu rosto está todo maquiado.

"Tenho quatro filhos, além dos netos. Se meu marido me pergunta, digo que estou trabalhando para meu negócio funcionar bem. Se eu lhe dissesse que viria a Kemukus, ele não me permitiria vir", diz ela.

Nos últimos dez anos, Winda, que tem uma barraca de frutas no povoado onde mora, vem à "montanha do sexo" para se encontrar com o mesmo homem.

"Ele me disse que se ficasse com ele por pelo menos três anos, me levaria a Meca (Arábia Saudita) para fazer a peregrinação do Hajj (a maior importante do Islã). Ele chegou, inclusive, a vir me buscar no meu povoado. Mas eu tenho uma família, por isso só falamos por telefone. Quando viemos aqui, nos comportamos como marido e mulher", diz.

"Desde que comecei a vir com ele, meus negócios vão de vento em popa. Bendito seja Alá", completa.

Mistura javanesa

Mulheres com véus e outras com pouca roupa se misturam a homens de meia idade. Eles vão formando pares, ora debaixo de árvores ou dos bares de karaokê. O ritual, porém, não é uma prática do Islã.

Na verdade, restringe-se à Indonésia, e trata-se de uma mescla de tradições religiosas com influências islâmicas, hindus, budistas e animistas conhecido popularmente como kejawen.

Nos últimos anos, com o país caminhando rumo ao Islamismo mais ortodoxo, o governo local vem tentando encorajar uma versão mais "familiar" do evento, mais afinada aos preceitos do Islã.

As autoridades preferiam que o aspecto sexual do ritual fosse negligenciado, mas não decidiram proibi-lo.

"Esse é um lugar de turismo religioso; a religião é formada por crenças e tradições, incluindo as de nossos ancestrais", diz M. Suparno, coordenador de turismo de Gunung Kemukus.

Passagem do tempo

Até os anos 80, não havia nem restaurantes nem bares na "montanha do sexo". Só árvores.

Mas na década seguinte, Gunung Kemukus desenvolveu, inclusive, uma "zona vermelha".

Na medida em que a noite avança, as pessoas se dirigem aos bares de karaokê que se localizam ao longo dos becos perto do santuário e do túmulo. Em um deles, seis homens estão em um sofá vendo uma mulher cantar e dançar de uma maneira muito sexual.

"Costumava ser diferente. As pessoas realmente tinham relações sexuais ao ar livre. Mas o governo local decidiu que isso não era uma boa ideia e instalou cabanas de bambu. Como resultado, a prostituição tomou conta", diz Soeparno.

O professor calcula que cerca da metade das mulheres que vão à montanha são trabalhadoras do sexo.

Ritual valioso

Em todo o caso, o santuário tornou-se muito valioso em outro sentido.

Os aldeãos locais começaram a cobrar por cada veículo que entrava na área. O governo local, por sua vez, cobrava taxas tanto dos peregrinos quanto dos proprietários dos restaurantes e quartos.

Com o aumento da popularidade do ritual, o departamento de turismo passou a ganhar cada vez mais dinheiro.

Em 2014, as autoridades abriram uma clínica especializada em tratar doenças venéreas, distribuir preservativos e fazer testes de HIV.

"Quando uma tradição é praticada por tanto tempo, não é possível livrar-se dela. A prostituição brotou dessa tradição e pensei que necessitávamos de uma clínica para lidar com as consequências. Assim, podemos tornar algo negativo em positivo", indica Mohammad Rahmat, que trabalha para o governo local.

Resultados

Na "montanha do sexo", existem várias maneiras para que alcançar a "meta".

Mulheres como Dian não têm muito problema.

Com um pano rosa na cabeça e jeans, está cercada por um grupo de homens em jaquetas de couro em meio a nuvem de fumaça.

Dian já completou seu ritual, mas voltou ao local para agradecer.

"Vim porque no passado minha vida era muito difícil", diz.

"Meu marido me deixou e tenho três filhos, dois adotados e um nosso", acrescenta.

"Meus amigos me disseram que minha vida ficaria mais fácil se viesse aqui. E depois de cumprir o ritual, muitas coisas mudaram. Sinto que agora tudo está realmente mais fácil; não é como antes. O resultado foi positivo", conclui.



sábado, 5 de março de 2016

Eike Batista paga R$ 700 mil para Iemanjá devolver sua fortuna


Depois dessa, se não der certo a mandinga, não duvido nada que algum "pastô" venda a "unção de Jonas" para o Eike por uns 600 "pila".

A informação é do Extra:

Eike Batista faz oferenda de R$ 700 mil a Iemanjá, e vidente diz: ‘Ele vai voltar ao topo’

No último dia 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, Eike Batista despachou no mar de Ipanema, na Zona Sul do Rio, uma oferenda que, se achada, poderia valer um tesouro. Aproximadamente R$ 700 mil foram gastos com a oferenda à rainha do mar. Eike foi aconselhado por dois videntes a “fazer as pazes com Iemanjá”. “Falei com ele que tudo o que havia tirado do mar teria que ser devolvido e agradecido. Tudo que ele explorou nos últimos anos estava ligado ao oceano”, diz um destes videntes, que prefere se manter no anonimato.

Eike chegou à Urca, também na Zona Sul do Rio, numa lancha grande, e encontrou um babalorixá à sua espera com a oferenda pronta. No barco foram colocadas flores, perfumes importados, garrafas de champanhe, imagem da entidade e 700 moedas de ouro. As moedas não têm um valor exato. Mas para se ter uma ideia, uma destas moedas comemorativas da Copa do Mundo de 2014 pode ser encontrada no mercado por R$ 1 mil.

O despacho aconteceu numa cerimônia muito íntima no mar de Ipanema, do qual só participaram Eike, a tripulação e o pai de santo. “Ele vai voltar a ser o homem mais rico do Brasil em questão de meses”, profetiza. Em junho de 2015, na primeira entrevista que deu após meses sem fazer declarações públicas, Eike Batista disse que sua dívida de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 4 bilhões, estava zerada e que ele iria recomeçar. O empresário, que já foi o sétimo mais rico do mundo segundo a “Forbes”, em 2011, no entanto, continua pedindo aos céus uma ajudinha extra, com um X bem grande.

Esta não é a primeira vez que Eike Batista recorre ao oculto, Supersticioso, o empresário chegou a ir para Cusco, no Peru, após oos conselhos de uma vidente carioca que o mandou alinhar os chacras e a fazer uma readaptação cósmica. O ex-marido de Luma de Oliveira ficou deitado por pelo menos cinco minutos no alto de uma colina, meditando sobre seu futuro. Depois disso, por indicação de um guia, chegou até uma mulher que fazia previsões com folhas de coca. Na mesma viagem, nos anos 90, deu de cara com um sol inca, numa barraquinha de souvenir, e teve a ideia de colocar aquele símbolo como logomarca de suas empresas.

“Ele vai voltar ao topo”

O mago Ubirajara Pinheiro é um velho conhecido de Eike Batista. Ele é responsável pela Casa do Mago, situada no Humaitá, na Zona Sul do Rio, frequentada por políticos e celebridades. É no templo que Eike costuma ir há anos em busca de alento espitirual. “Falo o que tenho para falar na lata, como falo para qulquer pessoa que busca esta casa. E avisei a ele de tudo o que aconteceria”, diz Ubirajara, que foi entrevistado pelo EXTRA.

O senhor aconselhou Eike Batista a fazer uma oferenda a Iemanjá?

O aconselhei assim como aconselho a todos. Eike sabe que é filho de Iemanjá com Oxóssi, Nossa Senhora e São Sebastião.

Mas precisava ser algo muito caro?

Quantidade não é questão de fé. A fé é maior sempre. Você pode me dar potes de ouro e uma broa de milho, que adoro, e eu preferir a broa...

O senhor acredita que Eike Batista estava endividado espiritualmente?

Você não retira o minério da terra sem agradecer, sem devolver a ela benfeitorias. Nem sempre estamos preparados para os castigos de Deus, e só vamos perceber o que fizemos depois.

Ele é um homem muito místico. Finalmente fez as pazes com as entidades?

Apesar de não ser um religioso, ele conta com luz de Luma (de Oliveira, ex-mulher do empresário). É na força dela que ele consegue a dele.

Ele vai voltar ao topo?

Vai. É questão de meses.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Origens do misticismo do sal grosso

A notícia abaixo, do caderno Paladar do Estadão, passou um tanto quanto despercebida, mas não deixa de ser curiosa e um testemunho pungente sobre o misticismo que assola o futebol brasileiro:

É sol, é sal, é gol

Por Dias Lopes

Dirigentes do São Paulo espalharam sal grosso em um dos degraus da escada do Estádio do Morumbi, através da qual os jogadores têm acesso ao gramado, no dia 25 de agosto. Era para esconjurar o jejum de vitórias do Brasileirão 2013 que já durava 12 partidas. A mandinga funcionou. O São Paulo venceu o Fluminense do Rio de Janeiro por 2 a 1.

Não é pouco o poder que a fé do povo atribui ao sal grosso. “Afasta o azar, a inveja, o mau-olhado, a doença e as energias negativas”, sustentam os crentes. Alguém atravessa um momento difícil na vida? Que tome banho de sal grosso!

Turbina-se o efeito do sal grosso associando-o a outra crendice. No Estádio do Morumbi, ele foi colocado no terceiro degrau da escada, contado de baixo para cima. Três é um número propiciador, com magia fundamentada na saga cristã. O mistério da Santíssima Trindade preconiza que Deus é único, mas reunido em três figuras distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Três reis magos levaram presentes a Jesus. As Sagradas Escrituras contam que Cristo foi pregado na cruz “na terceira hora” (Mc 15.25). Três mulheres cuidaram do seu corpo. Ele ressuscitou no terceiro dia.

Na magia, sal grosso ou fino, que são a mesma substância (cloreto de sódio), têm finalidade ambivalente. Servem também para amaldiçoar. Os executores de Tiradentes salgaram o terreno da casa onde ele morava, em Vila Rica, para que nada voltasse a nascer ali. Luís da Câmara Cascudo, em um dos capítulos de Superstições e Costumes (Antunes & Cia., Rio de Janeiro, 1958), mostra uma faceta diferente do sal.

Segundo o mestre do folclore, comê-lo junto com uma pessoa reforça laços de convivência. Na França, aconselha-se comer “un miud de sel” com o futuro amigo. Em uma das histórias das Mil e Uma Noites, um homem participa de um assalto ao tesouro do rei. Na escuridão, vislumbra alguma coisa branca que brilha e a toca com a língua. Muda imediatamente de lado. Considera-se hóspede do rei, ligado a ele pelo laço da hospitalidade estabelecida pelo sal. Enfrenta os outros ladrões e os obriga a interromper o assalto.

Segundo Cascudo, justamente pelo fato de ser um símbolo de amizade, derramar sal é um gesto de repúdio, de traição. Leonardo da Vinci, no afresco Última Ceia, pintou um saleiro entornado diante do cotovelo de Judas. O traidor de Cristo se matou a seguir. Acredita-se que a Igreja Católica assimilou esse e outros significados do sal para incorporá-lo a seus rituais. Até 1973, empregou-o no batismo das crianças. O oficiante tomava o sal na mão e fazia o batizando provar uma pitada. Simbolicamente, purificava as culpas e pecados, acendia a luz da fé e promovia a aliança com Deus.

Na raiz das superstições em torno do sal se encontra a perplexidade do homem primitivo com seus prodígios na alimentação. Até o século 20, foi a mais importante substância para conservar e manter o sabor dos alimentos. Sem o sal não haveria o charque e o bacalhau, por exemplo.

Os exércitos e os navegadores de antigamente teriam passado fome em suas expedições se não dispusessem da comida preservada pelo sal. Ele também beneficiou a indústria moderna. Do pão de fôrma ao presunto, nenhuma substância natural prolonga mais a validade dos alimentos e lhes dá tanto sabor.

O organismo humano precisa do cloreto e do sódio reunidos no sal para manter o equilíbrio do corpo, a atividade dos músculos e nervos. Mas a medicina quer acabar com ele. Alega que seu consumo excessivo aumenta a pressão arterial e causa problemas renais, arritmia, infarto, etc. Se o sal for banido, porém, nossa comida ficará insípida e, no jogo de volta, o São Paulo vai levar uma goleada do Fluminense.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Exorcismo dá grana na Indonésia

"Desencapetamento" é uma atividade rentável em qualquer lugar do mundo e em qualquer religião, conforme mostra artigo publicado no IHU:

Exorcismo é negócio lucrativo na Indonésia

O indonésio, que já está até aqui com engarrafamentos, enchentes e outros problemas de infraestrutura, vem buscando a ajuda de exorcistas e xamãs para lidar com outro entrave ao crescimento: os jinns, seres sobrenaturais acusados de provocar pandemônio em canteiros de obras e afugentar operários.

A reportagem é de James Hookway, publicada pelo The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 27-11-2012.

Várias vezes ao ano, Agus Yulianto dirige um de seus carros esportivos até uma nova obra no centro de Jacarta, abate um búfalo com um facão e enterra a cabeça do bicho entre os alicerces do edifício. Tudo para apaziguar os espíritos, mais conhecidos no mundo ocidental como "gênios".

Quanto cobra? Um bilhão de rúpias, ou algo como US$ 104.000, incluindo o búfalo. É cerca de US$ 20.000 a mais do que cobrava no ano passado. "O negócio vai bem", disse Yulianto, que tem 50 anos e é mais conhecido como Ki Joko Bodo: um dos xamãs mais famosos da Indonésia.

Segundo antropólogos, o jinn - que no Alcorão é descrito como um ser feito de "fogo sem fumaça" - parece exercer mais influência do que nunca na Indonésia. É que o crescimento econômico do país de maioria muçulmana estaria expulsando os espíritos de lugares onde eles tradicionalmente viviam, levando incorporadoras a pagar uma bolada a Yulianto e a outros xamãs para conseguir alguma proteção contra um possível revide dos demônios.

"Isso é muito comum aqui", disse um executivo indonésio de uma consultoria imobiliária estrangeira em Jacarta. "Os clientes dizem que não acreditam, mas querem aparecer fazendo o que é visto como certo".

A crença em espíritos e feitiçaria é incrivelmente comum entre os 240 milhões de habitantes da Indonésia. É fruto, em parte, de velhas tradições pré-islâmicas do lugar. Mais da metade dos indonésios que participaram de uma pesquisa recente feita pelo centro de estudos americano Pew Research Center disse que acredita em gênios; 69% dizem acreditar em magia negra e bruxaria.

Essa crença pega gente de todos os estratos sociais. Em 2009, o presidente Susilo Bambang Yudhoyono reclamou que certos adversários estavam usando magia negra contra ele. Ano passado, quando um vigia em Bandung foi demitido por ter chutado uma estudante fantasiada de espírito, milhares de indonésios saíram em sua defesa. Alguns até criaram uma página no Facebook para ajudar o segurança a se defender. Para eles, o vigia estava apenas fazendo seu trabalho.

À medida que a Indonésia - um dos países do mundo que mais crescem - vai enriquecendo, a tendência das pessoas é buscar com mais frequência alguma forma de ajuda sobrenatural, explica Mary Steedly, professora de antropologia da Universidade de Harvard e estudiosa do tema.

"É um fenômeno urbano, uma coisa de classe média que está associada com a modernidade e o progresso", disse Steedly. "Não tem nada a ver com a retomada de velhas tradições. É uma maneira de lidar com um presente que não para de mudar e com um futuro incerto".

Para quem não pode pagar por alguém famoso como o xamã Yulianto - que, é bom lembrar, já protagonizou vários filmes de terror nacionais -, há classificados nas últimas páginas de revistas como a "Misteri", que traz as últimas notícias sobre a impressionante fauna de assombrações, vampiros e, claro, jinns da Indonésia. Ao lado de anúncios de cremes para aumentar os seios e de pílulas para turbinar a virilidade, xamãs barateiros oferecem feitiços e encantamentos a preços módicos para, entre outras coisas, causar impotência no marido que trai a mulher.

"Há muita gente perdida na Indonésia", disse o editor da "Misteri", Yon Bayu Wohyono, na redação da revista, um prédio de dois andares com vista para um fétido canal. "O que fazemos é dar um meio de escape, só isso".

Em sua mansão nos subúrbios de Jacarta, o xamã Yulianto diz acreditar que a onda de investimento estrangeiro que está inundando a Indonésia, assim como a influência de facções árabes mais conservadoras do islamismo em algumas partes do país, só vão aumentar a demanda por seus serviços. "A ponte entre os dois mundos - entre humanos e jinns - está sendo quebrada", disse. "Eu posso ajudar os espíritos a aceitar o que está acontecendo."



sábado, 13 de outubro de 2012

Milagre nos Andes, 40 anos depois


A foto em preto e branco acima é o retrato definitivo de uma das mais belas e - simultaneamente - trágicas páginas da história da humanidade.

É que hoje faz exatos 40 anos do acidente aéreo que entrou para a História como o caso dos sobreviventes dos Andes, no dia 13 de outubro de 1972, uma sexta-feira 13 que - lamentavelmente - fez jus à superstição.

Essa é uma das histórias mais conhecidas de acidente aéreo no mundo, numa época em que era praticamente impossível que alguém sobrevivesse a tragédias com aviões.

Hoje, felizmente, a indústria aeronáutica evoluiu tanto que os acidentes se tornaram muito menos frequentes, e já não são mais raras as oportunidades em que haja um bom número de sobreviventes quando um avião sofre uma avaria qualquer.

Naquele tempo, entretanto, a notícia do desaparecimento do voo 571 da Força Aérea Uruguaia quando sobrevoava a Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Argentina e Chile, despertou os piores temores e o longo período de buscas infrutíferas provocou a certeza de que ninguém havia sobrevivido.

O avião modelo Fairchild Hiller FH-227 transportava o time amador de rugby dos "Old Christians", do Colégio Stella Maris de Montevidéu, que disputaria uma partida em Santiago do Chile, que no dia anterior já havia feito uma parada forçada em Mendoza, na Argentina, por conta do mau tempo.

Eles não sabiam até então, mas 23 dos 78 aviões Fairchild 227 fabricados no mundo sofreram graves acidentes ao longo de sua vida (in)útil em razão de problemas de potência no motor, matando 393 pessoas no total.

Tudo indica que foi exatamente o motor fraco, associado ao cálculo equivocado dos fortes ventos contrários (que reduziram dramaticamente a velocidade real em comparação com aquela apontada pelos controles do avião), que levou os pilotos a se chocarem contra as montanhas numa área de ínfima visibilidade.

Milagrosamente, depois dos seguidos choques com a crista da montanha, que foram tirando as asas e a fuselagem traseira do avião, só sobrou o "charuto" anterior, onde se concentraram os sobreviventes.

Das 45 pessoas a bordo, (40 passageiros e 5 tripulantes), 7 desapareceram lançados aos ares nos primeiros choques e 6 morreram instantaneamente no impacto final com o solo.

Havia 32 sobreviventes quando os restos do avião "estacionaram" na neve após deslizarem por centenas de metros no local conhecido como "Glaciar de las Lágrimas", a 3.500 m de altitude sobre o nível do mar, 2 km abaixo de onde a cauda se havia despedaçado ao tocar o primeiro pico.

Na madrugada e no dia seguintes, mais 4 passageiros não resistiram aos graves ferimentos provocados não só pelo choque como pela "avalanche" de poltronas que se amontoaram nos bancos da frente.

6 corpos dos 7 desaparecidos lançados aos ares foram encontrados por uma expedição no dia 24 de outubro, mas não havia nem sinal do avião, cujos ocupantes agonizavam num local de difícil acesso e visualização pelas equipes de resgate.

No domingo, 29 de outubro de 1972, uma avalanche soterra os sobreviventes por 3 dias, matando 8 deles que até então resistiam bravamente às intempéries e à tragédia anunciada.

Nos dias 15 e 18 de novembro, e 11 de dezembro, morrem mais 3 corajosos (até então) sobreviventes, um em cada dia.

Desde o começo, eles haviam racionado os poucos alimentos que tinham, mas diante da impossibilidade de encontrar comida animal ou vegetal no local em que estavam, são obrigados a se valer dos corpos enterrados na neve, de seus amigos e familiares, para continuarem vivos.

Talvez tenha sido o canibalismo que mais chamou a atenção do mundo do que o acidente em si, mas um dos sobreviventes, José Pedro Algorta buscou uma referência religiosa - na eucaristia católica - para justificar o ato e dar ânimo aos demais dizendo que "seus amigos lhes davam os seus corpos para sua vida física, assim como Jesus  lhes havia dado o seu corpo para sua vida espiritual".

Foi esta decisão radical - verdadeira injeção de ânimo - que lhes permitiu seguirem vivos, até que três deles, Antonio Vizintín, Fernando Parrado e Roberto Canessa, inconformados com o decreto de morte certa, um dia após a última morte de um companheiro, decidem se aventurar pela cordilheira em busca de socorro, já que não havia mais esperança sequer de que alguém continue tentando encontrá-los.

Com muito esforço, eles haviam feito o rádio do avião funcionar e já sabiam que eram dados como mortos e as buscas já tinham sido suspensas.

Depois de 3 dias de caminhada, Vizintín escorrega e se machuca, voltando ao improvisado "acampamento", e depois de percorrerem 55 km, 10 dias após haverem iniciado a marcha equivocadamente para oeste (no Chile, quando seria muito mais rápido e fácil serem localizados indo para leste, na Argentina), Parrado e Canessa encontram o chileno Sergio Catalán, que chama os carabineiros para socorrerem os 16 sobreviventes.

No dia 22 de dezembro de 1972, para delírio e alívio do mundo que acompanhava o drama (inclusive deste que vos escreve, então com 9 anos de idade) termina o resgate do último sobrevivente, 72 dias após o terrível acidente.

Essa é, sem dúvida, uma das mais emocionantes, famosas e impressionantes histórias de resgate de vítimas e superação humana de que se tem notícia, razão pela qual se tornou objeto de muitos livros e filmes ao longo desses 40 anos.

Em 2010, não muito longe dali, só que no deserto de Atacama, 33 mineiros chilenos manteriam o mundo em suspense até seu resgate espetacular. Estranha (e feliz) propensão dessa região a proporcionar histórias quase inacreditáveis de sobrevivência em ambientes hostis.

Se os Andes por si só já representam um milagre da natureza, um presente de Deus para os sulamericanos, a história dos heróis uruguaios da humanidade será contada para sempre como um dos mais belos milagres que se tem notícia.

O Terra preparou um belo infográfico para celebrar a data, e abaixo seguem dois vídeos, o primeiro da reconstituição do acidente no filme "Vivos" ("Alive" - 1993) e o segundo um excelente documentário ("Estou Vivo: Milagre nos Andes") na íntegra do History Channel:





Último grupo de sobreviventes na última noite no avião,
felizes por saber que seriam resgatados na manhã seguinte.
Os 16 sobreviventes em foto tirada esta semana


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Misticismo não tão moderno assim


A matéria é do site Cracked, foi traduzida por Stephanie D'Ornelas e publicada no HypeScience:


7 formas “antigas” de misticismo que são na verdade invenções recentes

Você quer adicionar um pouco mais de sentido e profundidade na vida? Não está mais encontrando respostas apenas em latinhas de cerveja? Se você está em busca de novas crenças, ou tem apenas curiosidade de conhecê-las, porque não se aprofundar em uma antiga e mística?
Mas tome cuidado quando você está escolhendo, porque algumas dessas “antigas” práticas são tão autênticas quanto uma nota de três reais. Confira abaixo 7 formas de crenças “antigas” que tiveram uma invenção recente:
7 – Ioga

Se você perguntar para qualquer expert em ioga a quanto tempo existe essa atividade, ele possivelmente dirá que ela é praticada há mais ou menos 5 mil anos. Em outras palavras, centenas de anos antes dos aliens construírem as pirâmides egípcias, pessoas já se alongavam e refletiam serenamente.
A realidade: a ioga como conhecemos hoje – um conjunto de posturas combinadas com técnicas de respiração – remontam aos anos 1960. “Mas como assim? Estão me enganando!”, você grita rasgando seu colchonete de ioga em dois. Bem, é que 5 mil anos de idade foi a quando foi encontrada uma imagem no Vale do Indo de um homem sentado de pernas cruzadas. Mas convenhamos, embora essa seja uma das principais posições do ioga, é também uma maneira de se sentar em uma superfície plana.
A palavra ioga também é mencionada em alguns textos religiosos hindus de 2,5 mil anos de idade, mas é provável que tenha sido usada com outro significado, relacionado com cavalos.
Apenas no século 19 um príncipe indiano chamado Krishnaraja Wodeyar III produziu algo parecido com o que chamamos de ioga hoje: um manual chamado Sritattvanidhi, que listou 122 posições inspiradas principalmente na ginástica indiana. O que realmente influenciou o ioga moderno, entretanto, foi o Império Britânico que introduziu aos índios à nova mania de exercícios que varria a Europa no momento.
Depois, um cara chamado B.K.S. Iyengar veio com a ideia de combinar essas técnicas de exercício com alguns dos ensinamentos descritos nos textos antigos hindus, como o Yoga Sutras, na década de 1960. Desde então, os fãs de ioga têm crescido aos milhões, mas poucos percebem que estão praticando uma versão de aula de ginástica do início do século 20.

6 – Tarô

Qualquer coisa relacionada com cartas de tarô provavelmente vai ser descrita como antiga e misteriosa. De acordo com os fãs das cartas, elas têm origem no Egito antigo, e através do tempo, por algum motivo, acabaram relacionadas com cabala e com mitos do Santo Graal.
A realidade: as cartas de tarô foram originalmente concebidas não para serem observadas por pessoas enquanto elas ouvem música de harpa e fazem adivinhações, mas para servirem para um jogo de cartas semelhante a qualquer outro dos dias atuais.
As pessoas só começaram a usar o tarô para descobrir sua fortuna há cerca de 250 anos. Isso representa bons 400 anos depois que as cartas foram importadas do Oriente Médio para as outras partes do mundo. Cartões normais de jogo têm uma história mais longa na Europa do que cartas de tarô, precedendo-as por no mínimo 50 anos.

5 – Satanismo

Se formos ter a cultura popular como base, o satanismo teria existido desde nossos primeiros antepassados. Filmes como A Nona Porta, estrelado por Christopher Lee, retratam satanistas praticamente na Idade Média.
A realidade: o satanismo como conhecemos hoje, com pentagramas, cruzes invertidas e devoção por roupas pretas desbotadas, data do ano de 1966 e foi inventado por um músico chamado Anton LaVey. Isso torna o satanismo mais jovem do que os Rolling Stones. Claro, você pode encontrar descrições de atividades satanistas de vários séculos passados. Mas esse “satanismo” deve ser uma má interpretação de uma prática religiosa obscura e não o que conhecemos hoje.

4 – Tabuleiro Ouija

Há quem ache que o tabuleiro Ouija é um passatempo inofensivo ou um portal para o inferno feito de papelão. Sejam amantes ou inimigos de Ouija, todos concordam com uma coisa: as placas para evocar espírito têm uma história longa e misteriosa, tendo surgido na China antiga ou até mesmo com os romanos.
A realidade: o tabuleiro Ouija é tão místico como uma boneca da Optimus Prime: na verdade, as duas criações são de propriedade da mesma pessoa. O tabuleiro foi inventado por empresários em 1890, e ainda hoje a palavra “Ouija” é uma marca registrada da companhia Parker Brothers.
Os ritos Ouija são confundidos com a prática chinesa “Fuji”, que envolve um método completamente diferente de adivinhação e usa uma vara para escolher os caracteres chineses escritos em areia. Outras culturas antigas podem ter usado métodos vagamente semelhantes para obter conhecimentos ocultos sobre o futuro, através de “espíritos”. Mas dizer que estes ritos eram Ouija é como dizer que as corridas de carruagem romana eram uma antiga forma de Stock Car.

3 – Ninjutsu

A coleção secreta de sabedorias e habilidades ninjas conhecida como “ninjutsu” tem em torno de mil anos, segundo alguns praticantes. Mas você pode aprendê-la ainda hoje! Mesmo que na América atual não exista um sistema de classes rígidas com senhores feudais para lutar contra.
A realidade: ninjas nunca usaram macacões pretos e máscaras, como Hollywood nos ensinou. Mas eles existiram, certo? Sim, provavelmente, mas não antes do século 20. A escola de Stephen Hayes, que popularizou ninjutsu no Ocidente na década de 1970, não foi nem sequer levada a sério pelas tradicionais escolas de artes marciais no Japão. Suas pretensões de legitimidade histórica são baseadas em um monte de antigos pergaminhos que seu líder se recusa a mostrar para qualquer pessoa.

2 – Sexta-feira 13

De acordo com Dan Brown, a má reputação da sexta-feira 13 remonta a 13 de outubro de 1307. Dezenas de cavaleiros templários foram presos pelo rei corrupto da França, enquanto ansiavam pelo fim de semana. Os cavaleiros, cuja missão era proteger os peregrinos na Terra Santa, foram presos e torturados, e seu líder foi queimado na fogueira. Antes de morrer, ele lançou uma maldição sobre os presentes, e muitos morreram dentro de um ano. Os franceses ficaram tão impressionados com isso que obedientemente decidiram não só lembrar da maldição para sempre, mas também maldizer as sextas 13.
A realidade: há abundantes referências históricas para explicar o motivo da sexta-feira 13 e do próprio número ser considerado azarado. Mas, em um exemplo da vida imitando a arte, ninguém ligava em se casar ou não às sextas ou dias 13 até o início do século 20, depois de um romance best-seller com o nome de “Friday the Thirteenth” (Sexta-Feira 13) ter sido lançado.
Esse livro de 1907 conta a história de um empresário desonesto que conspirava para derrubar o mercado de ações. Sim, sem máscaras de hóqueis, apenas negócios. Mas, inexplicavelmente, a partir daí a data ficou marcada negativamente em nosso calendário.

1 – A religião Viking

Vikings são tão impressionantes quanto os mitos da Escandinávia pré-cristã que os acompanham. Há desde martelos gigantes até cavalos de oito patas nas histórias épicas. Mas para muitas pessoas – aqueles que sentem uma profunda ligação com a cultura nórdica e querem se juntar a uma gangue ou apenas estão zangadas por seus pais fazerem elas se levantarem cedo para ir à igreja – o paganismo escandinavo continua vivo. Ele é conhecido como Odinismo ou Asatru por seus seguidores modernos.
A realidade: praticamente tudo que sabemos sobre o paganismo escandinavo vem do Eddas, dois livros compilados no século 13 por um cara hilariante, conhecido como Snorri Sturluson. Mas espere, o século 13 ainda é bastante antigo, certo? Sim, mas há um problema aqui: Snorri escreveu os livros centenas de anos após a Escandinávia ter sido cristianizada. Para muitos estudiosos o Ragnarok – o conhecido fim do mundo viking – é apenas uma releitura do Apocalipse.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Poder da superstição é maior do que você imagina

Artigo do LiveScience traduzido por Natasha Romanzoti e publicado no site HypeScience:

Superstição: você não é idiota por acreditar

Você fica feliz quando encontra um trevo de quatro folhas? Você evita passar debaixo de escadas? Você coloca sua cueca da sorte quando seu time vai jogar? Então, parabéns, você faz parte do grupo de indivíduos que aprendem com as experiências (esse grupo inclui os pombos).

Uma nova pesquisa encontrou evidências de que as superstições não são tão inúteis quanto parecem. Ao adotar a crença de que você pode – ou não pode – fazer algo para afetar o resultado que você deseja, você tem um aprendizado.

A superstição é uma “surpresa” evolutiva: segundo os pesquisadores, não faz sentido que os indivíduos acreditem que uma ação específica influencie o futuro (pois obviamente não pode).

No entanto, o comportamento supersticioso é reconhecido em muitos animais, não apenas humanos, e muitas vezes persiste em face da evidência contra ele.

As superstições não são “gratuitas” – os rituais e as coisas que o animal evita custam a ele em termos de energia ou de oportunidades perdidas. A questão torna-se: como a seleção natural pode criar, ou simplesmente permitir, tal comportamento inapropriado?

“De uma perspectiva evolucionária, superstições parecem inadequadas”, diz o biólogo Kevin Abbott, coautor do estudo com Thomas Sherratt.

Assim, a nova pesquisa procurou razões para tais anomalias existirem. Talvez a superstição tenha um efeito placebo ou sirva para a sociabilidade. Ou talvez seja realmente inadequada agora, mas é o resultado de traços que foram adequados no passado (como os dentes do siso).

A primeira descrição de comportamento supersticioso em animais é de 1948. Um cientista colocou pombos mortos de fome em gaiolas, oferecendo-lhes alguns segundos de acesso a alimentos em intervalos regulares.

Enquanto os intervalos eram curtos, as aves começaram a ter comportamentos como girar no sentido anti-horário, balançar de um lado para o outro ou jogar a cabeça para cima. Os comportamentos pareciam ter uma relação causal com a apresentação dos alimentos. Uma vez que os comportamentos foram estabelecidos, eles persistiram, mesmo quando os intervalos de tempo alongaram.

O cientista comparou o comportamento dos pombos a respostas condicionadas; as aves estavam tentando aprender a produzir alimentos por conta própria.

Em 1977, outro pesquisador desafiou essa conclusão, dando oportunidades aos pombos de detectar se o resultado (ganhar comida) foi devido às suas ações (o comportamento estranho), ou simplesmente ao acaso.

Ele descobriu que os pássaros podiam discernir diferenças sutis, assim como os humanos. As aves podiam julgar a causa e o efeito, pelo menos quando tinham todas as informações necessárias.

Hoje, os cientistas concluem que a insuficiência de informações ou “crenças anteriores” podem orientar as aves a conclusões erradas (se elas acharem que o comportamento causa o ganho de comida, vão continuar agindo assim – pura superstição).

Em 2009, pesquisadores compararam superstição com uma boa aposta. Um rato, ouvindo um barulho na grama de um gato, se esconde debaixo da terra. Quando um galho farfalha por causa do vento, o rato também se esconde – mas isso não é uma ação estúpida, e sim reflete a falta de dados: o rato não pode dizer se o barulho é de um gato na grama ou do vento nas árvores.

O novo estudo, de Kevin Abbott e Thomas Sherratt, vai além na análise da superstição. Eles projetaram a escolha e a experiência em modelos.

O cenário são duas opções. Uma delas é uma máquina de jogos, na qual você tem uma chance de pagar para jogar porque você acha que pode ganhar, e o prêmio é grande. A segunda dá-lhe a escolha entre duas armas, uma na qual você tem experiência e a outra não.

Esse modelo inclui a capacidade de treinar e aprender com isso. Os resultados representam a mudança com base na experiência, de preferência com parâmetros que permitam a mudança ou deixem o assunto envolvido em hábito supersticioso.

O modelo prevê o que ocorre na vida real: o que acontece nos últimos 10 ou mais eventos tem um impacto. Os resultados tendem a seguir o senso comum: você será supersticioso se isso não for lhe custar muito caro, em comparação com velhos caminhos seguros (ou seja, se não for caro para jogar na máquina, você acredita e arrisca; se seu risco de morrer for grande, você opta pelo seguro, a arma que você sabe usar).

Esse modelo mostra como as superstições podem persistir em face de evidências contraditórias. Quanto mais você carrega um amuleto da sorte, mais provável que você se convença de que ele não funciona, mesmo que inicialmente você acreditasse (ele não vai lhe ajudar sempre).

Agora, se você duvida de algo em primeiro lugar, mas um grande número de situações lhe apresenta experiências positivas, você pode muito bem começar a acreditar. Isso mostra como os mecanismos adaptativos de aprendizagem nos levam a lugares que não devemos ir (e vice-versa).

Mais simples ainda, a superstição pode ser apenas um jeito dos humanos acharem que estão controlando uma situação que não depende deles – é a nossa cara, não?

sábado, 5 de março de 2011

Roberto Leal alega ter psicografado Mamonas Assassinas

brasilia amarelaNo último dia 2 fez 15 anos (tudo isso?!) que os Mamonas Assassinas morreram no trágico acidente aéreo na Serra da Cantareira em Guarulhos, e certamente a turma da Brasília amarela merecia uma homenagem melhor do que uma psicografia mal-ajambrada. 

A notícia é do diário carioca Extra, e dá uma amostra de como se pode apelar inconsequentemente para a crendice e superstição a fim de vender qualquer coisa:

15 anos sem Mamonas Assassinas: 

Roberto Leal diz ter psicografado música composta por Dinho


Renata Sofia

Para quem sente saudades das composições de Dinho, uma nova música pode ser ouvida. Não se trata de nenhum arquivo perdido de gravadora e sim uma letra psicografada. Quem apresenta a criação é o cantor português Roberto Leal, que afirma ter sentido a presença do vocalista do Mamonas Assassinas no momento em que escreveu “A festa ainda pode ser bonita”.

Se parece estranho a homenagem ter sido feita justamente pelo cantor parodiado em “Vira-vira”, Roberto diz que existia uma grande amizade entre os dois desde que foram apresentados nos bastidores de um programa de TV.

A história da letra

Roberto Leal preparou uma recepção em Portugal para receber o Mamonas Assassinas. O acidente aconteceu no dia anterior ao que estava marcado a chegada dos meninos no país. Assim que soube do acidente, Roberto Leal escreveu a letra rapidamente, sem pausas e muito emocionado:

Foi escrito com lágrimas, eu senti a presença do Dinho. Eu tenho outras experiências espirituais, não foi a primeira vez.

Conheça a letra


A Festa Ainda Pode Ser Bonita

Roberto Leal e Dinho

Roda, roda, vira, olha se roda bem
Mas que raio de festa que eu não encontro ninguém
Roda, roda, vira, olha se roda bem
Procurei por todo o lado, não há festa, não há fado
E não há nada pra ninguém
Fui convidado para ir a uma festa
Um miúdo veio logo me avisar
Ele disse vou dançar a noite inteira
Com seus amigos, você não pode faltar
Mas ao chegar fiquei assustado
Imaginava meus amigos lá também
Pois numa festa sem amigos ao meu lado
Não há festa não há fado, e não há nada pra ninguém.
Roda, roda, vira, olha se roda bem.
Mas que raio de festa que eu não encontro ninguém
Roda, roda, vira, olha se roda bem
Procurei por todo o lado, não há festa não há fado.
E não há nada pra ninguém
Meus amigos vejam como eu estou
Nem imaginam como eu estou sofrendo
Ainda acho que a festa não acabou
Pois vão tocando que outra festa vai nascendo
Eu sinto falta dos amigos de verdade
Que bom seria se isso fosse mesmo agora
Onde no cais vai zarpando a amizade
O peito enche de saudade ao ver o barco ir embora
Roda, roda, vira, olha se roda bem
Mas que raio de festa que eu não encontro ninguém
Roda, roda, vira, olha se roda bem
Procurei por todo o lado, não há festa não há fado.
E não há nada pra ninguém.
Mas a festa ainda pode ser bonita
Arrebita, arrebita, arrebita
Longe é perto para aquele que acredita
Arrebita, arrebita, arrebita
O pá estamos todos nesta fita
Arrebita, arrebita, arrebita
O sanfoneiro bota o fole pra mexer
Lá em cima ou lá embaixo outra festa vai nascer.
Roda, roda, vira, olha se roda bem
Mas que raio de festa que eu não encontro ninguém
Roda, roda, vira, olha se roda bem
Procurei por todo o lado, não há festa não há fado
E não há nada pra ninguém



brasilia amarela

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