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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Fafá de Belém é madrinha de navio-hospital católico que atenderá ribeirinhos da Amazônia


A informação foi publicada no blog da Sonia Racy no Estadão em 23/12/17, e - cá entre nós - não deu o destaque devido à brilhante iniciativa do Ministério Público do Trabalho, citada en passant no final da matéria:

Fafá, a madrinha do barco-hospital da Amazônia


Sempre às voltas com a valorização da Amazônia, Fafá de Belém virou madrinha de um novo projeto: um hospital flutuante, pensado para atender à população ribeirinha do Estado do Pará. “Tem lugares lá aos quais só se chega de barco”, explicou a cantora belenense, que fez o show de lançamento do projeto no início do mês.

O barco-hospital se chamará “Papa Francisco”, terá 100 leitos, quatro centros cirúrgicos, laboratório e uma unidade de imagens preparada para enviar raios-x e ultrassons, por satélite, para outras instituições – como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, em SP.

A iniciativa é do frei Francisco Belotti, fundador da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, ao lado do empresário Henrique Prata, presidente do Hospital do Câncer de Barretos, do procurador Ronaldo José de Lima, do Ministério Público do Trabalho em Campinas, e da Emgepron, empresa de projetos da Marinha.

O atendimento será completado, em rios menores – que não comportam barcos com 48 metros de extensão –, por 12 “ambulanchas”. E o melhor: orçado em R$ 24,5 milhões, o projeto já tem quem pague a conta. Os recursos virão da indenização por dano moral coletivo firmada em 2013 entre as empresas Raízen e Basf e o MP do Trabalho. A previsão é que fique pronto até agosto do ano que vem. /PAULA REVERBEL



terça-feira, 27 de junho de 2017

Religiões se unem para tentar salvar as florestas tropicais


Talvez o problema seja exatamente que tudo fica apenas na "tentativa".

A matéria é da versão brasileira do El País:

Um encontro ecumênico na Noruega para salvar as “florestas sagradas”

Religiosos e indígenas se reúnem em Oslo para unir esforços para frear desmatamento das matas tropicais

ALEJANDRA AGUDO

Enquanto você lê esta frase, 120 hectares de floresta tropical desapareceram. São 24 por segundo. Este alto ritmo de desmatamento significa, na prática, a destruição do lar da metade das espécies conhecidas do planeta, além de seres humanos e de um importante armazém de milhões de toneladas de carbono. A eficácia das florestas para absorver esse elemento é tão grande que “pode representar um terço da mitigação da mudança climática durante as próximas décadas”, segundo o ministro de Clima e Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen. Por isso, “é preciso lutar contra o desmatamento e reparar os danos causados”, completou Helgesen, na segunda-feira, durante a cerimônia de abertura da Iniciativa Ecumênica de Oslo para as Florestas Tropicais, que o Governo norueguês organiza em conjunto com a Rainforest Foundation Noruega e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Uma reunião – que termina nesta quarta-feira – de líderes religiosos e indígenas do mundo todo para enfatizar seu papel nesta batalha. O objetivo dos religiosos é aproveitar seu poder de influência para atrair os fiéis a essa causa. Já os indígenas mantêm o conhecimento ancestral para a proteção de sua casa, a natureza, que defendem todos os dias para o benefício de todos, arriscando sua vida.

“Os políticos e cientistas, que ocupam diversos cargos em outros âmbitos, não podem falar com a mesma autoridade moral que os líderes religiosos. A prática da religião é uma forma de se relacionar com os valores mais sagrados da vida”, afirmou Kusumita Pedersen, subdiretora do Parlamento das Religiões do Mundo. “A ciência, por si só, não muda o coração humano”, acrescentou Mary Evelyn Tucker, diretora do Fórum de Religião e Ecologia da Universidade Yale. Agora esse poder pode (e deve) se concentrar numa causa: salvar as florestas tropicais. “Cada lugar de oração deve ser um centro ecológico, oferecendo formas de mudar o mundo”, sugeriu William Vendley, secretário-geral das Religiões para a Paz. No momento, o plano é se reunir de novo numa cúpula global ecumênica em 2018, já com um programa de ação elaborado. As florestas tropicais, atualmente palcos de disputas pela propriedade e o uso de seus recursos, transformam-se também num lugar para o entendimento entre religiões e tradições espirituais, unidas para a sua salvaguarda. À espera de propostas concretas, os diálogos preliminares propiciaram um consenso entre os presentes sobre várias ideias.

“Se continuarmos desmatando, será um suicídio. Nós, como mensageiros de Deus e guardiões da criação, temos que promover a proteção de nossa casa comum.” O Arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, abriu a primeira mesa de debate com essa afirmação, que seria depois compartilhada por seus acompanhantes no palco do Nobel Peace Center da capital norueguesa. Indígenas, budistas, judeus, muçulmanos, hindus e católicos acreditam que a Terra é uma criação divina que deve ser cuidada. Um sentimento e um objetivo comuns numa época em que o entendimento entre as crenças parece pouco provável. Mas deve ser, afirmou o prelado. “Não é fácil rezar juntos, mas temos que agir unidos para conservar o planeta que Deus nos deu.”

Metropolitan Emmanuel, vice-presidente da Conferência Europeia de Igrejas, aceitou o desafio: “O cuidado da Terra deve nos unir. Isso vai além das diferenças doutrinarias”. “A Bíblia nos diz: mesmo quando é preciso defender o próprio país , não tem sentido destruir a fonte de sua própria sobrevivência”, agregou o rabino David Rosen, diretor internacional de assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano em Israel. “Quando Deus criou o primeiro ser humano, levou-o entre as árvores do Éden e lhe disse: ‘Olha minha obra, quão maravilhosa e digna de reconhecimento. E tudo o que criei é para teu benefício. Tem cuidado para não saquear nem destruir meu mundo, porque, se o fizeres, não haverá quem o recupere depois”, prosseguiu, lendo o Eclesiastes Rabá para ressaltar que não há desculpas para causar um prejuízo irreparável ao planeta. Ainda assim, é isso o que ocorre na prática: todos os anos, é desmatada uma área de floresta tropical do tamanho da Áustria. E, tal como a adverte a Rainforest Foundation Noruega com evidências científicas, os danos podem levar décadas, séculos ou até milênios para serem sanados (se é que isso é possível).

A destruição das florestas tropicais significa não apenas um ataque contra a criação de Deus, tal como descrevem os líderes religiosos, mas também contra a fonte de vida das pessoas. Isso porque essas matas absorvem carbono. Evitam que milhões de toneladas de gás acabem na atmosfera e contribuam para o aquecimento global. Também regulam os ciclos da água, razão pela qual seu desaparecimento altera as chuvas de maneira negativa. Acima de tudo, são o lar e o sustento de 1,6 bilhão de pessoas.

Phra Paisal Vongvoravisit, membro do Comitê Consultivo da Rede Internacional de Budistas, na Tailândia, recordou que “nossa existência só é possível graças ao ar, à água, aos alimentos e às outras espécies da natureza.” Por isso, “o fato de quebrar o galho de uma árvore é o mesmo que causar um dano a um amigo que nos ajuda”, explicou. Se for assim, grandes indústrias extrativistas, produtores de óleo de palma e soja, mineradoras, construtores de rodovias e represas de água estão massacrando nossos amigos, transformando-os literalmente em terra queimada. “É muito preocupante. A natureza é destruída em nome do desenvolvimento”, disse Paisal.

Essa realidade tem consequências. A ciência demonstrou a relação causa-efeito entre o desmatamento e a elevação das temperaturas, assim como de fenômenos climáticos adversos. Para Nanditha Krishna, presidenta da Fundação Ramaswami Aiyar, a explicação está no carma: “Toda ação tem uma reação.”

Alguns participantes afirmaram que tais empresas não fazem outra coisa a não ser satisfazer uma demanda crescente dos produtos que conseguem na floresta. “Nos preocupa o sentimento de perda. Acreditamos de forma errônea que as aquisições materiais preencherão nossas vidas, e por isso compramos de forma desmedida. Quanto mais, melhor. Não somos conscientes de que o sentimento de perda desaparecerá quando vivermos em paz, em vez de acumular cada vez mais”, advertiu Paisal. “E todas as religiões podem ajudar as pessoas a viver em paz. A cooperação entre os cultos é fundamental para lutar contra o materialismo e, desse modo, contra o desmatamento.” O monge tem pelo menos um aliado nessa missão:

Din Syamsuddin, diretor do Centro para o Diálogo e a Cooperação entre Civilizações, da Indonésia. “Os seres humanos são integrantes da comunidade da natureza e devem basear seu consumo na moderação. Temos que mudar nossa maneira de viver, protegendo as gerações futuras.” Para isso, disse o representante do islã na mesa, “é necessária a colaboração entre cientistas, empresários, religiões e a sociedade.” E concluiu seu discurso com uma citação. “Como disse o profeta, embora se aproxime o dia da destruição, se alguém tiver uma semente na mão, que a semeie.”

A Noruega plantou uma semente há uma década: decidiu converter a preservação das florestas tropicais em uma de suas prioridades internacionais. A partir de então, não só investiu com essa finalidade mais de 3 bilhões de dólares (10 bilhões de reais), estima o ministro do Clima e Meio Ambiente norueguês, como também tomou medidas para a redução do consumo do óleo de palma (azeite de dendê) e da importação de madeiras de procedência tropical. Em benefício do desenvolvimento sustentável e da mitigação do aquecimento global também estimula a paulatina substituição de veículos de combustão fóssil por elétricos – cerca de 30% dos vendidos em 2016 são assim. Desse modo, o país reduz suas emissões. No entanto, exporta o problema: sua principal indústria (40% do PIB) ainda é a da produção de petróleo. Algo que o ministro Helgesen reconhece que precisa ser mudado nos próximos anos, seguindo os conselhos de Nanditha Krishna: “A teologia hindu diz que devemos tomar da Terra somente o que necessitamos. Mas devemos simplificar nossos desejos, nos submetermos a uma transformação pessoal”.

Indígenas, os guardiães da floresta

"Para nós que vivemos em florestas tropicais, as árvores, as plantas, animais e micro-organismos são membros de nossa comunidade. Temos, além disso, deidades que protegem as árvores e as águas. E temos árvores sagradas. Infelizmente, somos ameaçados por proteger as florestas, nossos direitos são violados e esmagados. Estamos em uma crise”, afirmou em sua intervenção Vicky Tauli-Corpuz, relatora das Nações Unidas para a defesa das pessoas indígenas. Ela, que vive no norte das Filipinas, sabe bem que aos riscos do desmatamento se somam os que correm aqueles que ousam defender a venerada, sagrada, divina, mas maltratada, casa de todos.

"Todos os dias lutamos contra os ataques do Estado brasileiro, as hidrelétricas, as empresas mineradoras, as madeireiras, contra a ampliação das ferrovias, as diferentes formas de pressão. O Brasil é o país que mais mata ativistas indígenas”, denunciou Sonja Guajajara, coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Apesar de defenderem seus territórios na selva amazônica, a líder enfatiza que sua luta não é local. “Não tem fronteiras, por isso temos de nos juntar e reunir todas as forças presentes”, disse, pedindo o apoio do grande público presente.

O saber tradicional dos povos indígenas está reconhecido no Acordo de Paris como uma potente ferramenta contra as mudanças climáticas. A evidência científica demonstra que onde eles vivem e fazem o manejo da floresta não há desmatamento, ocorrem menos incêndios e as árvores são ativamente (e não só em palavras) respeitadas. Sofrem, porém, constantes ataques, como descreveu Guajajara. Um recente relatório da Anistia Internacional revelou que, dos 281 ativistas assassinados no mundo em 2016, a metade atuava em problemas ligados à terra, território e meio ambiente.

“Os povos indígenas formam uma unidade com a Natureza, e a Natureza não ataca, mas dá respostas”, disse a líder brasileira ao justificar sua resistência à destruição de seu habitar em nome do progresso. Joseph Itongwa, membro do Comitê de Povos Indígenas da África, na República Democrática do Congo, aprofundou essa ideia: “Não me ensinaram o valor das árvores na escola. Desde crianças aprendemos seu valor para nossa sobrevivência. Produzem tudo de que precisamos: dão frutos, abrigam pássaros, são nossas guias... Temos uma relação de respeito com a Natureza. Assim, cortar árvores vai bem além do que se disse aqui. É uma perda de nossa identidade. Quando se derruba uma árvore é como se cortassem nossa identidade”.

Nesse sentido, Harol Jhony Rincon, secretário-geral da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (OPIAC), perguntou: “Por que dizem que somos os guardiães da Natureza? ”Sem intenção de ofender”, disse, ele lançou sua resposta: “Porque os ambientalistas assumem que a preservação é o mesmo que a cosmovisão dos indígenas”. Uma equivalência que Rincon nega: “Nós não falamos de ambientalismo, mas de governo de nossos territórios porque o pai criador nos deu essa missão”,

O necessário reconhecimento real da titularidade das terras tem sido um dos assuntos mais debatidos atualmente, nos palcos, em grupinhos, cafés e encontros paralelos. Sem ele, a porta para que as grandes corporações e Governos se aproveitem dos recursos naturais em detrimento do bem comum está aberta. E passam por ela sempre que podem, sem se importar em muitas ocasiões que dentro da casa haja um indígena, milhares de espécies, árvores milenares, milhões de insetos... vivendo. Mas sua existência, luta e morte é invisível para a maioria dos habitantes do planeta. “Temos que nos tornar visíveis”, declarou Abdon Nabalan, vice-presidente do Conselho Nacional da Aliança de Indígenas do Arquipélago, na Indonésia. A iniciativa inter-religiosa para salvar as florestas tropicais, da qual tratou, tem sido uma oportunidade. “E que haja mais”, conclui.



domingo, 7 de maio de 2017

Índios isolados estão ameaçados, denuncia pastor ex-presidente da FUNAI


O pastor batista Antonio Fernandes Costa foi demitido esta semana, conforme informamos ontem aqui no blog.

A matéria é do Estadão:

Índios isolados correm risco de virar 'catástrofe internacional', alerta ex-presidente da Funai

Exonerado, Toninho Costa critica esvaziamento de postos de fiscalização da fundação em região ameaçada por sucateamento da fundação

BRASÍLIA – Os povos indígenas que vivem em áreas isoladas da Amazônia estão com existência ameaçada pelo sucateamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), alertou o ex-presidente do órgão Antônio Fernandes Toninho Costa ao tratar das causas de sua exoneração nesta sexta-feira, 5. Reportagem publicada pelo Estado mostrou, na semana passada, que a região de maior concentração de índios isolados do planeta sofre com sucessivas invasões e abandono.

Segundo Toninho, os postos de fiscalização da Funai na região, chamados de Frentes de Proteção, foram esvaziados. “As Frentes de Proteção me preocupam muito, porque isso poderá causar uma grande catástrofe internacional se esses índios ficarem desprotegidos. É isso o que me preocupa. Os que estão aldeados podem ter acesso às políticas públicas. Os que estão isolados estão desprotegidos”, disse Toninho. “A Funai corre risco sim de ser extinta, se continuar esses ataques parlamentares e cortes de orçamentos.”

Governos de todo o mundo já cobram do Brasil uma resposta aos crimes contra povos indígenas, a garantia de recursos para a Funai e um processo acelerado das demarcações de terras. Recentes críticas foram feitas durante a sabatina realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra nesta sexta-feira, 5, sobre as políticas de direitos humanos do País.

“Mais do que acabar com a Funai, querem acabar mas com as políticas públicas de demarcação de terras. O governo não tem neste momento um sentimento para compreender o que é a Funai”, afirmou Toninho, que responsabilizou o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, pelo esvaziamento da instituição. “Com a posição do atual ministro, esses conflitos poderão ser acirrados, porque há proteção por parte de alguns segmentos políticos que estão dando cobertura a isso.”

Exoneração. Segundo o ex-presidente da Funai, Serraglio teve atuação direta em sua saída. “A ideologia dele (Serraglio) é uma, a minha é outra. É um ministro contra as políticas indígenas. A bancada (ruralista) não só assumiu o controle das questões indígenas, mas de todo o Congresso Nacional". Por outro lado, Serraglio afirma que a instituição necessita uma "atuação mais ágil" da que vinha sendo implementada. "O recém iniciado contingenciamento de recursos foi estabelecido para todos os órgãos do governo e não afetou o início da gestão de Costa", afirmou. O ministro acrescentou ao Estado que "há várias questões que demandam soluções e ações urgentes, como o desbloqueio de rodovias em várias partes do país e as demarcações de terras".

A Funai precisa de cerca de R$ 9 milhões por mês para pagar suas contas e manter suas operações, mas em abril recebeu apenas R$ 4 milhões. Na última semana, enquanto indígenas se manifestavam em Brasília durante o evento Terra Livre, Serraglio reduziu o orçamento da fundação para este ano em 44%. O montante que estava aprovado em gastos obrigatórios, como contas administrativas, era de R$ 107,9 milhões, mas foi reduzido para R$ 60,7 milhões.

Dados reunidos pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostram que R$ 27,8 milhões já foram gastos nos primeiros quatro meses deste ano com manutenção, despesas administrativas e programas. Com isso, sobram apenas R$ 22 milhões até o final do ano.



sábado, 11 de março de 2017

Falta de padres na Amazônia faz papa cogitar a ordenação de casados


A matéria curiosa foi publicada no Estadão de 09/10/17:

Papa admite estudar ordenação de homens casados

Em entrevista a um jornal alemão, o pontífice disse que mudança não seria solução para falta de padres na Igreja, mas se colocou aberto ao tema

O papa Francisco disse em uma entrevista ao jornal alemão Die Zeit, publicada nesta quinta-feira, 9, que a Igreja Católica deveria estudar se é possível ordenar os “viri probati”, homens casados de fé comprovada. Na longa entrevista, Francisco destaca que acabar com a regra do celibato não é a resposta para a falta de padres na Igreja Católica, mas expressou uma abertura a estudar se os “viri probati” poderiam ser ordenados.

“Também devemos determinar quais seriam suas funções, por exemplo, em localidades remotas”, destacou o papa Francisco.

De acordo com os jornais alemães, integrantes da Igreja acreditam que, diante da falta de párocos em vários países, seria necessário abrir uma nova via: juntamente com os sacerdotes, que fazem voto de celibato em sua ordenação, seria recomendável ordenar os “viri probati”, homens casados que tenham tempo e possam demonstrar um compromisso duradouro com a Igreja.

Em várias ocasiões, pontífices já haviam afirmado que a proibição de ordenar homens casados não era um ponto de doutrina irreversível. Antes de Francisco, o papa Bento XVI afirmou que isso não constituía um dogma, como, por exemplo, a fé na ressurreição de Jesus Cristo.

Ainda de acordo com a publicação alemã, o cardeal dom Claudio Hummes, um amigo de longa data do papa Francisco, tem pressionado para permitir a ordenação de “viri probati” na região da Amazônia, onde a Igreja tem cerca de um padre para cada 10 mil católicos. O Estado não conseguiu nesta quinta falar com o religioso a respeito.

Francisco ainda destacou que momentos de crise de fé podem ser oportunidades para crescer e, ele mesmo, já passou por “vazios”. “Na vida humana acontece assim. O crescimento biológico sempre é uma crise, não? A crise de uma criança que se torna adulta. Com a fé é o mesmo. A crise faz parte da vida de fé. Uma fé que não entra em crise para crescer, permanece infantil.”

Ataques. Na mesma entrevista, o pontífice afirmou que não perde a paz por causa das críticas internas que possa vir a receber. Recentemente, ele foi alvo de panfletos apócrifos em Roma, supostamente ligados a pessoas da Igreja que não comungam de suas posições, consideradas progressistas. Com bom humor, que afirma sempre procurar manter no dia a dia, chegou a destacar que o manifesto contrário é “belíssimo” e bem escrito.

“Sobre isto eu farei uma confissão sincera”, disse Francisco. “Desde o momento que fui eleito papa não perdi a paz. Entendo que meu modo de agir não agrada a alguns, também justifico isto: existem tantos modos de pensar; é também lícito, é também humano e também uma riqueza.” / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Ex-prefeito pedófilo do AM é solto por indulto de Michel Temer




Nossos "parabéns" a todos os que apoiaram (mais) esta indecência, retrato perfeito e acabado da ignorância política da população brasileira.


A notícia é do Congresso em Foco:


Ex-prefeito acusado de pedofilia tem pena de 11 anos de prisão extinta

Acusado de chefiar uma rede que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos, conforme mostrou série de reportagem do Fantástico em 2014, o ex-prefeito de Coari (AM)
Adail Pinheiro recebe indulto natalino, ganha liberdade e se livra de processo

EDSON SARDINHA

Condenado a 11 anos de prisão por exploração sexual de crianças e adolescentes, o ex-prefeito de Coari (AM) Adail Pinheiro recebeu indulto e teve sua pena extinta nessa quarta-feira (24). Com isso, o político acusado de chefiar uma rede que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos, conforme mostrou série de reportagem do Fantástico em 2014, ganhará liberdade e se livrará das acusações.

A decisão que o beneficiou foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), com base em parecer favorável do Ministério Público estadual, que concluiu que Adail se encaixava nos requisitos do perdão presidencial, definido em decreto assinado no final de 2016 pelo presidente Michel Temer. O ex-prefeito cumpria pena em regime domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

O decreto presidencial prevê o indulto a condenados em crimes praticados sem grave ameaça ou violência à pessoa e quando a pena não for superior a 12 anos de prisão. O preso, no entanto, precisa ter cumprido um quarto da pena, se não for reincidente, ou um terço, se tiver reincidido em crime.

A sentença foi assinada pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Luís Carlos Valois, que alega ter analisado apenas a conformidade do parecer do Ministério Público com o decreto presidencial do indulto.

“A pena aplicada e o período de pena cumprido, somados à ausência de infração disciplinar (requisito subjetivo disciplinado no art.9º do mesmo decreto) indicam que realmente o apenado preenche os requisitos do decreto, na forma do que já foi esclarecido nos autos, nesta decisão e no parecer do Ministério Público”, escreveu Valois na decisão em que determina a soltura do político.

Celular na cadeia

Adail foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, em novembro de 2014, a 11 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele já estava preso preventivamente à época em processo que apura outros casos de pedofilia. Em novembro do ano passado, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar.

Embora a decisão que o livrou da pena ateste seu bom comportamento, em julho de 2016 uma revista na cela onde Adail estava preso com outros dois ex-prefeitos encontrou três aparelhos celulares, dois carregadores e R$ 100. O político já havia sido preso, em 2008, por suspeita de desviar R$ 40 milhões dos cofres públicos, na Operação Vorax, da Polícia Federal.

A família do ex-prefeito ainda exerce forte poder político em Coari, cidade de 77 mil habitantes localizada às margens do Rio Solimões. O filho dele, Adail Junior foi eleito prefeito no ano passado. A vice, Mayara Pinheiro, também é filha dele. Jeany Pinheiro, a vereadora mais votada, é irmã de Adail. Um sobrinho dele também é vereador, segundo o jornal A Crítica, de Manaus.

Uma série de reportagens do Fantástico mostrou, no início de 2013, depoimento de adolescentes e familiares, além de outras testemunhas, que apontavam Adail como chefe de uma quadrilha que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos. “Eu tinha 9 anos. E a minha mãe cozinhava no barco. Eu ficava lá brincando, enquanto minha mãe estava trabalhando. Ele me estuprou dentro do barco mesmo, entendeu. Eu fiquei muito apavorada, com vergonha, nunca consegui colocar isso para fora. Hoje em dia, ele quer a minha filha”, contou uma vítima. “Ela tem 11 anos, então ele está destruindo a minha vida inteira, porque aconteceu comigo, aconteceu com o meu sangue e agora ele quer a minha filha. É monstruoso demais”, acrescentou.

Adail sempre negou as acusações.



sábado, 21 de janeiro de 2017

Temer nomeia pastor batista para presidência da FUNAI


A informação é do portal Amazônia Real:

Governo Temer nomeia pastor a presidente da Funai e inclui um general do Exército na equipe, ambos do PSC

Elaíze Farias
12/01/2017 20:56

A indicação do pastor Antônio Toninho Costa (de blusa branca) ocorre em meio a exigência do governo para acelerar obras do PAC paralisadas por causa de demarcação de terras (Foto: Reprodução Youtube)

O Ministério da Justiça anunciou nesta quinta-feira (12) a nomeação do dentista, assessor parlamentar e pastor evangélico Antônio Fernandes Toninho Costa para presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), cargo que estava sendo ocupado interinamente há sete meses após a exoneração do ex-senador João Pedro Gonçalves (PT). O nome do pastor Antônio, como é conhecido na Primeira Igreja Batista no Guará, em Luziânia, em Goiás, é uma indicação do Partido Social Cristão (PSC).

Em um rápido contato com agência Amazônia Real, o pastor Antônio Toninho Costa disse que tinha “25 anos de militância nas políticas indígenas” e destacou ser especialista em Saúde Indigenista. Disse ainda que daria entrevista após a publicação de sua nomeação no Diário Oficial da União (DOU).

O Ministério da Justiça disse que a nomeação de Antônio Toninho Costa, que já atuou na questão indígena pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, será publicada nesta sexta-feira (13) no DOU. Atualmente, ele trabalhava como assessor parlamentar do PSC na Câmara dos Deputados.

O nome de Antônio Toninho Costa foi anunciado pelo Ministério da Justiça menos de 24 horas após o presidente da República Michel Temer exigir do ministro Alexandre de Moraes que resolvesse a questão da Funai durante a reunião que discutiu a retomada do crescimento econômico nesta quarta-feira (11), em Brasília. Na reunião, Temer foi comunicado que haviam obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) inacabadas ou paralisadas por causa da demarcação de terras indígenas. Segundo a Globonews, nesta ocasião, Temer foi avisado que a Funai não tinha um presidente efetivo.

Tudo indica que o governo do presidente Temer escolheu o nome do pastor Antônio Toninho Costa por ser, aparentemente, mais técnico, já que a intenção sempre foi colocar um general do Exército na presidência da Funai, como queria o PSC. Ainda assim, um militar foi nomeado para um outro cargo da Funai. O Diário Oficial desta quinta-feira (12) publicou a nomeação pelo ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, do general do Exército Franklimberg Rodrigues de Freitas para o cargo de Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai.

O general Franklimberg, que é assessor do Comando Militar da Amazônia, em Manaus, foi indicado, em agosto passado, para ser presidente da fundação pelo PSC, partido presidido pelo Pastor Everaldo Nascimento, que defende as bancadas ruralista e evangélica.

Desde a entrada de Temer no Planalto, o PSC lidera um movimento com indicações de militares para a Funai. Antes, o partido indicou o general Sebastião Roberto Peternelli, mas o governo acabou desistindo depois da reação do Movimento Nacional Indígena e de organizações que defendem os direitos indígenas e os direitos humanos. Lideranças indígenas também rejeitaram o nome do general Franklimberg.

Na Funai, o general Franklimberg vai ocupar o cargo no lugar de Antônio Nobre Mendes, funcionário de carreira e que foi exonerado pelo ministro Eliseu Padilha da Diretoria Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. Entre os meses e junho a setembro, Nobre ocupou interinamente a presidência da fundação. Ele foi afastado da presidência, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, após repudiar, em nota oficial da Funai, a organização dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016 por promover ofensas aos povos indígenas do Brasil. No lugar de Nobre, assumiu a Funai o interino Agostinho do Nascimento Netto, assessor especial do Ministério da Justiça.

Em declaração à reportagem da Amazônia Real, o general Franklimberg Ribeiro de Freitas disse que vai viajar para Brasília (ele não disse a data) para saber os procedimentos de sua posse no cargo.

A mudança no comando da Funai acontece em meio aos protestos que ocorrem desde o ano passado contra propostas do governo do presidente Michel Temer de alterar o processo de demarcação de terras indígenas e reestruturar a fundação. Na reestruturação, o governo prevê, conforme apurou a reportagem, um novo arranjo na fundação, que inclui uma eventual transferência do Departamento de Proteção Territorial, responsável pelo sistema de demarcação das terras indígenas, para a Casa Civil, hoje chefiada pelo ministro Eliseu Padilha.

Conforme o Ministério da Justiça, Antônio Fernandes Toninho Costa é graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Alfenas (1995), com especialização em Saúde Indígena pela Universidade Federal de São Paulo (2010). Entre os anos de 2010 e 2012, foi coordenador-geral de Monitoramento e Avaliação da Saúde Indígena na Secretaria Especial de Saúde Indígena.

Desde maio de 2016, Antônio Toninho Costa era assessor parlamentar pelo PSC na Câmara dos Deputados, trabalhando como assistente técnico da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, presidida pelo deputado Victório Galli (PSC/MT). Também foi assessor técnico na Comissão de Legislação Participativa da Câmara (2015) e na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara (2014).

Costa atuou como Consultor da Organização Pan-americana para Saúde Indígena (2009) e do Departamento de Saúde Indígena da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (2002/2005). Entre 2005 e 2009, trabalhou na ONG Missão Evangélica Caiuá, na saúde indígena.

Conforme apurou a agência Amazônia Real, como pastor evangélico, Antônio Toninho Costa é dirigente da Primeira Igreja Batista no Guará em Jardim Bandeirante, no município de Luziânia, em Goiás, fundada em 2006. A igreja é uma congregação da PIBGuará, que foi fundada em 1963, em Brasília. Hoje tem membros nos municípios de Benjamin Constante, no Amazonas, e em Islândia, no Peru. A PIB trabalha com a Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, criada em 1907.

Repercussão entre indígenas

A nomeação do pastor Antônio Toninho Costa surpreendeu o Movimento Indígena Nacional. Estava sendo cotado para assumir o cargo de presidente da Funai o indígena Sebastião Manchineri, filiado ao DEM do Acre. Foi indicado também Noel Villas-Bôas, advogado do PSDB de São Paulo, filho do sertanista Orlando Villas-Bôas.

Nos últimos meses, Sebastião Manchineri recebeu apoio de várias organizações indígenas do país, que divulgaram notas em favor de sua nomeação, entre elas a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Em grupos de Whatsapp, lideranças se mostraram céticas em relação à nova gestão da Funai e já falam em intensificar as mobilizações.

Procurado pela reportagem, Sebastião Manchineri se mostrou frustrado com a decisão do governo de Michel Temer, apesar de todas as articulações que vinha realizando em Brasília e do apoio das lideranças indígenas, mas disse que não desistiu.

“Se vão nomear (Antônio Toninho Costa), não vamos desistir de tirar o que é nosso. Assim como eles acham que têm direito de impor, para nos intimidar, evangelizar, diminuir, oprimir, nós temos o direito à liberdade e a dignidade de defender a nossa autenticidade, princípios, valores e continuidade. Se é um jogo, vamos jogar. Se é para ser feito assim, vamos fazer”, disse Sabá.

Manchineri afirmou que nasceu com a missão de “lutar e buscar e defender aquilo que seja humano e digno” e que não vai apoiar “a exploração em detrimento da vontade e do interesse dos exploradores e das pessoas que vivem da miséria dos outros”.

Em entrevista à Amazônia Real, Nara Baré, vice-coordenadora da Coiab, afirmou que a decisão do governo confirma o retrocesso denunciado pelos indígenas nos últimos meses. Para ela, a governo Temer está tentando usar a Funai como manobra contra os próprios indígenas.

“Não vamos permitir que nosso próprio órgão indigenista, que existe para proteger e promover nossos direitos, venha contra nós”, disse Nara Baré.

Marcos Apurinã, representante dos povos indígenas de Rondônia no Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), comentou a nomeação de Franklimberg Rodrigues de Freitas no cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável.

“Conversamos com ele anteriormente e me pareceu despreparado. Ele nos disse que só assumiria um cargo na Funai se fosse como presidente. É estranho que agora ele tenha aceitado uma diretoria. O que me parece é que ele assumiu para complicar a vida dos povos indígenas”, disse Apurinã.

Segundo a liderança, no cargo de Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Franklimberg Ribeiro de Freitas terá poder de autorizar licenciamentos sobre grandes obras, como hidrelétricas e rodovias. Para Apurinã, somente alguém comprometido com os povos indígenas, como o caso de Sebastião Manchineri, poderia barrar qualquer decisão contrária ao direito dos indígenas.

“Colocaram uma pessoa que pode prejudicar nossos direitos, nosso acesso aos recursos e a nossa sustentabilidade. Está entrando para complicar a Funai nesse setor, para que pessoas de fora, não indígenas, tenham acesso aos recursos das terras indígenas. Pode prejudicar a situação das comunidades. Não queremos nem paternalismo, nem ditadura. Queremos acesso à sustentabilidade”, disse Apurinã.

Promessa de manifestações

Nara Baré disse que o movimento indígena não está quieto e vai responder e reagir a qualquer tentativa de ataque aos seus direitos.

“Ano passado fizemos mobilizações. O Ocupa Funai. O Ocupa Sesai. Vamos lutar sempre. A gente não está para brincadeira. Se conversando não está resolvendo, vamos partir para ações mais concretas. Estamos sempre de prontidão. Quando menos esperarem, a gente ataca, vamos partir para a guerra. O governo não sabe do que somos capazes. Deixo minha casa, enfrento aqueles ‘Robocops’ de Brasília, levo bala de borracha. É pelas futuras gerações que faço isso, pelos meus filhos e minha terra”, disse Nara Baré, indígena da região do Alto Rio Negro (AM).

Para Nara Baré, Sebastião Manchineri não foi escolhido porque ele não “baixaria a cabeça” aos interesses anti-indígenas. “Eles [governo] não querem uma Funai fortalecida, mas uma Funai marionete dos interesses contrários aos nossos”.

(Colaborou Alberto César Araújo, da Amazônia Real)



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Autora de "Harry Potter" inventa escola de bruxos na Amazônia



Parece que o Brasil está crescendo de importância no universo harrypotteriano, essa máquina interminável de ganhar dinheiro mesmo depois do fim da série de livros e filmes. 

Alguns dias atrás, ficamos sabendo da versão turística de Hogwarts em Campos do Jordão (SP); agora é a vez de J. K. Rowling, escritora da saga infanto-juvenil, inventar uma escola de bruxos na Amazônia, segundo informa a revista Galileu:

J.K. Rowling revela escola de magia no Brasil

De acordo com o site Pottermore, o colégio Castelobruxo está localizado na Amazônia

Jovens brasileiros que sempre sonharam em ser bruxos, renovem suas esperanças! Em um evento da saga Harry Potter, um mapa com nomes e localizações de quatro escolas de magia e bruxaria foi exibido e, sim, há uma escola para bruxos no Brasil!

De acordo com o mapa, a escola Castelobruxo fica na Amazônia, protegida por caiporas, e recebe estudantes de todos os países da América do Sul. O conteúdo revelado faz parte do Pottermore, um site idealizado pela escritora J.K. Rowling, que publica novidades e conteúdo exclusivo sobre o universo que ela criou.

As outras escolas anunciadas foram a Ilvermorny (Estados Unidos), Uagadou (África do Sul) e Mahoutokoro (Japão). Estas se somam às já conhecidas Hogwarts (Reino Unido), Beauxbatons (França) e Durmstrang (leste europeu, localização precisa desconhecida).

Confira abaixo uma tradução livre do texto descritivo sobre Castelobruxo, publicado no Pottermore:

“A escola brasileira de magia, que recebe estudantes de todos os países da América do Sul, pode ser encontrada nas profundezas das florestas tropicais amazônicas. Para os poucos trouxas que já colocaram os olhos no fabuloso castelo, ele aparenta ser apenas uma ruína (o mesmo truque usado por Hogwarts; opiniões sobre quem inventou o truque são divididas). Castelobruxo é um imponente edifício quadrado de pedras douradas, muitas vezes comparado a um templo. O perímetro da escola é protegido por caiporas, seres espirituais pequenos e peludos, extremamente travessos, que saem de seus esconderijos à noite para proteger os estudantes e as criaturas que vivem nas florestas. Numa visita a Hogwarts, a ex-diretora da escola, Benedita Dourado, ouviu o diretor da escola inglesa, Armando Dippet, reclamar do Pirraça, o poltergeist. Morrendo de rir, ela ofereceu o envio de algumas caiporas à Floresta Proibida para “mostrar o que era problema de verdade”. Dippet recusou.

Os estudantes de Castelobruxo usam vestes verdes e são muito habilidosos com Herbologia e Magizoologia. A escola também tem programas de intercâmbio muito populares entre os estudantes europeus interessados em estudar a magia na fauna e flora da América do Sul. Em Castelobruxo se formaram muitos bruxos conhecidos, como um dos mais famosos boticários do mundo, Libatius Borage (autor, entre outros trabalhos, de “Estudos Avançados de Poções”, e “Soros Asiáticos”), e João Coelho, capitão do time de quadribol mundialmente conhecido Tarapoto Tree-Skimmer (Rasa-árvores de Tarapoto), sediado no Peru.”



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Aniversariante do dia, papa é convidado a visitar a Amazônia

Parabéns ao papa Francisco que completa 79 anos de idade hoje.

A informação é da acidigital:

Papa Francisco é convidado por bispos brasileiros para visitar a Amazônia

No ano de 2017, o Brasil espera um retorno do Papa Francisco ao país, por motivo dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Mas, a visita pode se estender até o Norte do país, mas especificamente na Amazônia, conforme indicou o Presidente da Comissão para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Cláudio Hummes.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o Prelado revelou ter entregue oficialmente ao Pontífice uma carta convidando-o a visitar uma comunidade indígena.

“O Papa é um homem que tem grande amor pela Amazônia. Está querendo muito ajudar para que a Igreja possa ali realmente desenvolver a sua missão plenamente, cada vez melhor”, disse o Cardeal, sublinhando que o Santo Padre acompanha de perto e com carinho o trabalho da Igreja nesta região.

Segundo Dom Hummes, Francisco “fará certamente todo o possível para que, de fato, ele possa dar um apoio maior, o que seria simbolicamente muito forte se ele pudesse visitar a Amazônia”

Dizendo-se confiante nesta possível visita, o Cardeal ressaltou que nada pode ser confirmado ainda.

Este, porém, não é o primeiro convite que o Santo Padre recebe para ir à Amazônia. De acordo com Dom Hummes, os Bispos do estado do Pará – que fica no Regional Norte 2 da CNBB – também enviaram uma carta ao Pontífice “pedindo que visitasse uma missão”.

“Isso não significa que o Papa visitará esta ou outra comunidade indígena. O que, sobretudo, nós queríamos é que ele visitasse uma comunidade indígena”, completou.



terça-feira, 17 de junho de 2014

Quando uma atéia picada de cobra precisa recorrer ao pajé


Incidente que tinha tudo para dar errado, mas - após vários percalços - termina com final feliz, segundo noticia o Estadão:

Nas mãos do pajé

BARBARA MAISONNAVE ARISI

Antropóloga picada de cobra na floresta amazônica denuncia a falta de atenção da ‘saúde dos brancos’ com os indígenas

Quinta-feira, 5 de junho, final de tarde amazônico, o céu alaranjando. Após um dia de filmagem com os índios matis e a equipe de Céline Cousteau, neta de Jacques Cousteau, tomar um banho de rio parece ser o merecido presente para um longo dia ouvindo as trágicas narrativas de mortes e perdas que fazem parte do cotidiano de quem vive na Terra Indígena Vale do Javari, segunda maior área de proteção etnoambiental brasileira.

Desço no rumo do Rio Branco e ela me escolhe. Salta e a flagro ainda em voo, negra, comprida e ainda com o rabo enrodilhado. A dor aterrissa na minha panturrilha. Sinto o veneno entrar na carne, a queimação. Levanto a perna e a cobra fica pendurada, ganho noção de seu peso. Ela me solta e corre. Grito em inglês para o colega da equipe que caminhava à frente: “snake bite”. E em matis: “dunu peax”, a cobra picou.

Aperto minha perna e correm dois fios de sangue. Meu irmão adotivo indígena Tëpi me segura e vamos para a casa de madeira serrada que abriga a farmácia da aldeia Tawaya. Entro e o enfermeiro está arrumando a maca estropiada onde costuma fazer atendimento ambulatorial dos indígenas. Felipe Machado começou a trabalhar no Javari em janeiro, antes estava na área ticuna. “Vamos que vamos, amigo, você vai me salvar”, digo. “É meu primeiro acidente ofídico, mas eu conheço o protocolo”, responde ele.

Prepara o antianafilático, enquanto a técnica dissolve a ampola de antiofídico liofilizado. Já vi quatro acidentes assim. Sempre carreguei o soro produzido na Colômbia cuja importação é proibida pela Anvisa. No Brasil, temos soros que precisam de geladeira para serem armazenados. Quem se salva com soro quase sempre usa o colombiano.

Estou a 14 horas da cidade de Atalaia do Norte. Um menino do povo marubo, vítima de acidente ofídico como eu, teve a perna amputada neste ano. Mesmo ateia, rezo uma ave-maria e, na hora do “nossa morte”, arremedo “que não vai ser hoje, não”.

Chega o ancião matis Binan Chapu Chu, conhecedor de tratamentos para cobras, um de meus professores e interlocutor de minha tese. Ele me olha tranquilo e pergunta se tenho dor de cabeça, se meu pé dói, se vomitei. Felipe começa a aplicar o soro e Binan Chapu se oferece para chupar a picada e sugar para cuspir o veneno. Recebo hidrocortisona. A comunicação por rádio UHF não opera depois das 18 horas, mas Felipe consegue informar Magna Nobre, técnica da Secretaria Especial de Saúde Indígena. Magna é sobrevivente da queda da aeronave que, em 2009, levava a equipe de vacinação de Cruzeiro do Sul (AC) para Tabatinga (AM). Ela e os colegas passaram a noite na floresta e, graças a Txema Matis (ancião que caçava quando percebeu um motor de avião silenciar durante o voo), foram achados no dia seguinte. Ela retornava: “Barbara? A antropóloga?”. Consultou o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena, Jean Heródoto Salles, e informou que remoção por helicóptero era só para indígenas. Felipe, incrédulo, questionava: “E se fosse da equipe da saúde?”.

O gerador para de funcionar e acendemos três velas. Alguns matis e um piloto da equipe de saúde partem para a aldeia Bokwat-Paraíso, para buscar outra ampola de soro. O enfermeiro pendura sua rede perto da minha maca e, a cada tanto, confere meus sinais vitais. Às 23h, chega a canoa com motor peque-peque, e aplicamos mais uma ampola. “Calma, não acelera o coração.” Na parede, move-se uma caranguejeira. Seguro a bolsa de soro enquanto Felipe mata a aranha com um pau de vassoura.

Às 7h, transportam-me na rede até a baleeira com motor de 200 HP. Vamos pelo Rio Branco, desembocamos no Rio Itacoaí e às 17 horas chegamos à base de vigilância da Funai. O enfermeiro de lá me avalia e descemos pelo Rio Javari no rumo de Atalaia do Norte. Chegamos à balsa flutuante na sexta às 20h30, perto de um hospital. Mas não há médicos no plantão. Não é surpresa para mim. Em 2011, escrevi com a médica Deise Francisco e o antropólogo Pedro Cesarino, a pedido do Instituto Socioambiental e do Centro de Trabalho Indigenista, um diagnóstico sobre o Javari com recomendações para uma política de saúde indígena na região. Agora vivia a vulnerabilidade de uma emergência, com precários recursos, falta de controle social e o descaso.

O coordenador da regional da Funai, Bruno Pereira, dirige mais 25 km até Benjamin Constant por uma péssima estrada. Chegamos ao hospital geral, onde sou atendida por um médico que administra mais cinco ampolas de soro antiofídico e entra com antibióticos. Muitos doutores que atendem lá são da Colômbia, Peru e Bolívia, pois não há médicos brasileiros que se candidatem a essas vagas. Esses doutores não têm registro no CRM e não podem “referenciar” pacientes para prosseguir tratamento em outros hospitais ou prescrever medicações. Como eles, enfermeiros, técnicos e auxiliares são terceirizados, não possuem plano de carreira nem direitos trabalhistas.

Fico hospitalizada dois dias. Assino um documento em que me responsabilizo por optar sair do hospital. Argumento que busco melhor atendimento e a proximidade da família. De Benjamin, barco catraia para Tabatinga. De lá, voamos para Manaus. A equipe segue para os EUA e eu para Cumbica. Chove em Foz do Iguaçu e o aeroporto está fechado. Estou há mais de 24 horas sem antibióticos. Penso em buscar atendimento em São Paulo, mas há greve de metrô e o trânsito está caótico. Meu voo é anunciado. Tenho 38° de febre quando me apresento novamente no hospital, onde conto essa longa história e faço a notificação nacional de ataque de animal peçonhento. Entrarei na triste estatística de 20% de mulheres que sofrem esse tipo de acidente.

Cobras só atacam quando alguém manda. O aparecimento da aranha na mesma noite comprova que os animais que têm “xó” (poder xamânico) andavam à minha espreita. Como vivi depois de uma “quase morte”, agora o “dunu tsussin” (força desencorporada da cobra) vai me ensinar e posso seguir estudando para ser pajé. O caminho é longo, mas certamente menor do que lutar por uma mudança do governo quanto à saúde dos povos indígenas e daqueles que, como o enfermeiro Felipe e eu, trabalham com eles na Amazônia. Como pesquisadora, continuarei a caminhar pela floresta no Vale do Javari. Melhor contar com a força e o espírito da jararaca. A saúde dos brancos pelo jeito nunca será solução.

Bárbara Maisonnave Arisi é antropóloga e professora de Etnologia Indígena na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)



sábado, 28 de setembro de 2013

Santo Daime e o direito ao chá alucinógeno


Matéria muito interessante publicada no Blog da Amazônia do Terra Magazine, com entrevista do juiz federal Jair Araújo Facundes, que traz aspectos muito interessantes sobre o direito constitucional à prática religiosa, com ramificações e imbricações em várias outras áreas do saber humano:

“Ritual do Santo Daime deve ser examinado à luz de um direito fundamental”, diz juiz federal

O juiz federal Jair Araújo Facundes dedicou os últimos dois de seus 43 anos a realizar uma pesquisa para dissertação de mestrado em que aborda aspectos relacionados aos direitos fundamentais a partir do estudo de uma reivindicação concreta do direito à liberdade consubstanciada no caso ayahuasca. Trata-se do controvertido uso ritual de uma bebida psicoativa, mais conhecida como Santo Daime, que contém uma substância, o alcalóide dimetiltriptamina (DMT), proibida em tratado internacional e na legislação de vários países.

Titular da 3ª Vara da Seção Judiciária do Acre, Jair Facundes examina decisões proferidas no âmbito administrativo e judicial e conclui que permitir ou negar o exercício de uma prática religiosa somente se justifica quando amparada por uma teoria política mais ampla acerca de como os bens, espaços e liberdades escassos devem ser ordenados no interior de uma comunidade política que busca se organizar por princípios que garantam a todos a mesma consideração e o mesmo respeito por parte do governo e da comunidade.

Em certa medida a pesquisa é sobre um processo registrado em 1974, em Rio Branco, envolvendo Leôncio Gomes, dirigente do centro original da doutrina do Daime, que foi intimado pela Polícia Federal para que se abstivesse de fazer uso da bebida psicoativa de origem indígena, feita a partir do cozimento de duas plantas, conhecidas, entre outros nomes, por ayahuasca, yagé, uascar, huni etc. A notificação policial relatava que várias “organizações altamente especializadas e laudos foram elaborados que comprovam, sem margem de dúvidas, a periculosidade de tal xarope”. Qualificava a bebida como droga, e afirmava que seu uso causa mal “não só físico mas à mente”.

Leôncio Gomes moveu uma ação contra o governo em que pedia à Justiça Federal a proteção do que compreendia como seu direito de praticar livremente sua religião, conforme a liberdade de religião assegurada na Constituição. Argumentou se tratar de prática religiosa secular entre os indígenas e que, no meio urbano e arredores, contaria com mais de 50 anos de uso, que se tratava de uma religião popular e que nos dias de grandes festejos compareciam as autoridades locais, como governadores, prefeitos, parlamentares federais e estaduais, pessoas de todas as classes sociais, evidenciando que se tratava de uma religião integrada à paisagem moral e cultural da região, sem registro de malefícios à saúde física ou mental de seus adeptos.

O então juiz federal Ilmar Galvão, que posteriormente se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal, determinou que a PF explicasse as razões da proibição. A PF justificou que a bebida continha substância capaz de causar dependência psíquica. Juntou três laudos divergentes quanto à composição da bebida. A sentença de Ilmar Galvão reconheceu que os laudos eram imprestáveis tanto para demonstrar a composição química da bebida quanto sua periculosidade ou nocividade.

- Não se sabia se alguma das substâncias proibidas se encontrava presente na bebida, mas a proibição foi mantida, com a afirmação de que a ausência de prova da periculosidade não ensejava a conclusão de que o preparo e uso da bebida fossem lícitos – lembra o magistrado.

Existem inúmeros estudos (antropológicos, sociológicos, psicológicos, musicais, farmacológicos, químicos, médicos sob várias perspectivas e em várias idades e estados etc) sobre ayahuasca. Porém, a arena onde as batalhas acerca do reconhecimento da legitimidade de seu uso se deu e se dá é no campo do direito. Apesar dessa circunstância, não havia um estudo jurídico que investigasse as decisões em si mesmas, sua estrutura interna, sua lógica e argumentação. Quando muito havia alguma pesquisa que descrevia as decisões, mas não havia uma crítica sistematizada acerca de seu conteúdo. A pesquisa busca iniciar o debate ao sugerir um referencial a partir do qual o assunto possa ser visto sob um prisma comum, ao afirmar que devem decidir ou propor alguma teoria mais ampla acerca de como as diferenças devem ser tratadas em sociedades complexas.

Jair Araújo Facundes, juiz federal há 13 anos, tem mestrado em Constituição e Sociedade pelo Instituto Brasiliense de Direito Oúblico (IDP), em Brasília. Ele integrou o Grupo Multidisciplinar de Trabalho da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), em 2006, que elaborou a resolução que regulamentou o uso religioso da ayahuasca no país e é membro do Grupo de Trabalho Legislação sobre Drogas, do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad/Senad), ligado ao Ministério da Justiça.

A pesquisa fornece elementos capazes de aumentar a qualidade do debate jurídico sobre ayahuasca a policiais federais, delegados, promotores, juízes e agentes públicos com atuação decisiva na questão. Muitos desses profissionais, oriundos de estados fora da Amazônia, se veem obrigados a decidir a cultura local, e o fazem sem maiores elementos e contextualização, adotando pré-concepções e correndo o risco de incorrer em preconceito.

- Num resumo, a pesquisa versa sobre o que é um direito fundamental, seja a liberdade religiosa, seja a liberdade de expressão, seja a igualdade etc. Por incrível que pareça, há várias definições que determinam vereditos diferentes. A pesquisa examina o que é um direito a partir de um caso concreto: a ayahuasca.

Veja os melhores trechos da entrevista exclusiva de Jair Araújo Facundes:

BLOG DA AMAZÔNIA – Do que trata a sua pesquisa?

JAIR FACUNDES - O objeto central da pesquisa é oferecer uma resposta consistente e funcional sobre o que é o direito, os direitos e as liberdades fundamentais. Então adentramos em vários campos, como a teoria do direito, teorias políticas, teorias da interpretação e da decisão judicial, da democracia etc. Para não ficar uma investigação muito ampla e genérica, nos concentramos no exame de um direito fundamental em especial, a liberdade de religião, considerada por muitos teóricos como a “mãe de todas de todas as liberdades”, pois o reconhecimento histórico desta liberdade deu origem a várias outras. E a fim de que a pesquisa não se tornasse muito teórica e enfadonha, o estudo se desenvolveu a partir do exame de uma prática religiosa que tem suas raízes na Amazônia e que é imensamente controvertida, a ayahuasca, permitindo ver como algo tão controvertido é debatido por operadores do direito em vários países, âmbitos e no decorrer dos anos.

Como o uso da ayahuasca se relaciona com o direito?

As várias decisões sobre ayahuasca ao longo de mais de 40 anos, em vários países e sistemas judiciais diferentes, tornam esse assunto singularmente emblemático do que é uma liberdade fundamental ou o que é o direito, e de como o veredito varia segundo o sentido (forte, fraco) que o intérprete lhe atribui. Todas as decisões são equacionadas na forma de um confronto entre a liberdade religiosa e outros interesses – saúde do indivíduo, evitar uso recreativo e abusivo de uma substância, cumprimento de tratado internacional que proíbe tal substância.

Como é no Brasil essa liberdade fundamental em relação à ayahuasca?

Mesmo no interior de um mesmo país, de um mesmo órgão, as opiniões sobre o que implica tal liberdade variam, ora essa liberdade resistindo a certos argumentos e interesses, como proteção da saúde, cumprimento de tratado internacional, ora sucumbindo frente aos mesmos interesses. Se temos dois termos numa equação e um deles se mantém fixo -as características da ayahuasca, sua composição, seus efeitos, a lei proibitiva-, então o diferencial é a variável, ou, no caso, aquilo que entendemos por liberdade religiosa. Em larga medida não haveria maior diferença entre a decisão mais antiga que se tem notícia, envolvendo Leôncio Gomes da Silva, e a mais recente. O veredito depende mais de como o intérprete define o que é um direito do que dos outros interesses confrontados. Podemos comparar um direito ou liberdade fundamental a um escudo, mas esse escudo pode ser imensamente frágil, como papel, sucumbindo a qualquer pretensão em sentido contrário, como em Leôncio, ou gradativamente mais forte e robusto, de madeira, ferro, aço, resistindo a confrontos com outros interesses.

O que isso resulta?

Diante de uma liberdade fundamental, no sentido forte já mencionado, não basta dizer que há lei proibindo dada conduta ou prática. Enquanto expressão da maioria, a lei, por si só, é insuficiente para afastar um direito. Exige-se mais. Bem mais.

Mas a ayahuasca contém DMT, a dimetiltriptamina, substância proscrita em vários países. O que dizer?

Frente a essa noção de liberdade fundamental é insuficiente dizer que a maioria não concorda com a prática religiosa, ou que ayahuasca contém DMT, ou que esta substância tem o potencial de desencadear certos estados mentais alterados. Há de se demonstrar que o exercício desse direito afeta direitos de terceiros, ou que impõe ao restante da comunidade algum custo insuportável ou severo demais. Algumas decisões claramente tomam esse sentido forte de direito, de barreiras das minorias contra a maioria.

Quais os exemplos disso?

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, proferida em favor da União do Vegetal, a UDV, ou a decisão proferida pelo extinto Conselho Federal de Entorpecentes, em 1987, entre várias outras. Direito fundamental assim configurado deixa de ser discutido no âmbito exclusivamente jurídico e passar a ser discutido no âmbito de uma teoria mais ampla, política e moral. Pressupõe algumas respostas que devem ser dadas antes da leitura da própria Constituição. Criamos uma Constituição para atribuir a cada um o mesmo respeito e consideração? Algum grupo deve ser merecedor de maior respeito e consideração? Se sim, por quê? As pessoas devem ser reconhecidas como detentoras de autonomia ou devem ser tratadas como crianças passíveis de paternal proteção governamental? Que tipo de autonomia uma constituição pressupõe reconhecer nas pessoas? Essas perguntas e respostas são anteriores à leitura da Constituição, e guiarão ou não a interpretação.

O título da pesquisa é “Pluralismo, Direito e Ayahuasca: Autodeterminação e legitimação do poder no mundo desencantado”. Por que “mundo desencantado”? Utilizei uma ideia de Max Weber, pensador alemão. O modelo de sociedade que nos antecedeu ficou conhecida como tradicional. Sua estrutura e organização se baseava na tradição, que explicava as posições de poder, o sentido da própria vida, a distribuição dos bens e recursos escassos na sociedade, e remetia à ideia de que se vivia uma realidade divina. Se alguém adoecia, era pobre, nobre ou príncipe, se havia fome, tudo era justificado à luz de um mito; o mundo era encantado, explicado através de um mito, uma tradição religiosa. Com a chegada do capitalismo, do iluminismo, o mundo desencantou-se. Já não se aceitava que alguém devia governar apenas por ser filho do rei, ou por ser nobre; já não se aceitava que alguém fosse pobre ou rico apenas em razão do berço. O catolicismo deixa de ser a única opção religiosa, o absolutismo e o “direito divino” são questionados por ideias como democracia, república, governo popular e mesmo anarquia etc.?

Como é na sociedade moderna?

Na sociedade moderna o poder deixa de ter origem divina e passa a ter gradativamente origem mundana, humana. A ideia de igualdade se expande e exige que as posições de poder sejam justificadas por alguma ideia como autogoverno ou democracia. Neste mundo desencantado não se aceita o argumento da autoridade religiosa ou outro dogmático, mas caminha-se para a autoridade do argumento, fundado em razões e em princípios que possam ser compartilhados.

Como o caso de Leôncio se relaciona com isso?

O mundo pode ser encantado não só no sentido religioso, mas sempre que o enxergarmos como se dotado de um sentido indiscutível e “natural”, ou dogmático, mas a sociedade é uma construção bem humana. Leôncio questiona e se insurge contra uma realidade que queria se impor a ele como encantada, imune a qualquer justificação, acima de qualquer questionamento. Nesse sentido Leôncio, aqui representando vários outros líderes, como Raimundo Irineu Serra, Daniel Pereira de Matos, Gabriel Costa, os seguidores destes, é exemplo de resistência política, moral e cultural.

O que diz o processo?

Lendo o processo, a petição inicial, em particular, percebe-se que Leôncio não aceita a validade da lei em si mesma, da autoridade por si mesma. Ele buscava, na forma de se conduzir e de argumentar, alguma razão que tivesse apelo para ele, que o convencesse que seu direito deveria ser restringido ou negado, que era uma questão de respeito e igualdade que o Governo, representado pela Polícia Federal ou pelo juiz, mostrasse a fonte da legitimidade de sua ordem, que esta ordem fosse aceitável à luz da legitimidade. Isso porque Leôncio questionou o fundamento da lei.

A ayahuasca ainda é uma prática alvo de preconceito?

Sim, demais. Imagine isso em pleno regime militar, de exceção, quando Leôncio e vários outros se insurgiram contra uma decisão da instituição que representava o regime militar, a Polícia Federal, com toda sua estrutura técnica e seu prestígio.

Diria que naquela época se exigia certa coragem para praticar essa religião?

Muita. Hoje não podemos aquilatar o que foi o regime militar. Ministros do STF, senadores, governadores e prefeitos perdiam o mandato a partir de informações prestadas pela Polícia Federal, entre outros órgãos, acerca de quem era “subversivo”. Não era algo prudente se insurgir contra suas decisões. Havia clima de medo. Se um ministro do STF perdia o cargo sem processo ou defesa, por uma mera “canetada”, deputados perdiam mandatos, pessoas eram presas sem explicação, exigia-se redobrada coragem para assumir certas posturas, mesmo que tais posturas não fossem explicitamente político-ideológicas. Mesmo hoje há pessoas que tem receio de assumir tal prática religiosa, por exercerem posições de destaque na sociedade, com medo de integrarem uma religião de pobres, de seringueiros, índios, enfim, uma religião marginal.

Há, na sua pesquisa, uma parte em que é analisada a questão num país hipotético que tenha constituição ou carta de direitos. Por que?

Abordo uma hipótese no qual levo às últimas consequências o argumento central da pesquisa: que os direitos fundamentais são melhor compreendidos e extraem seu significado no âmbito mais profundo de uma teoria da justiça ou sobre moralidade política, sobre quais princípios devem reger a vida em comunidade, que direitos temos contra o Estado, se temos algum, e contra a maioria da sociedade, sobre como devem se relacionar maioria e grupos minoritários. Confesso desconhecer se há algum país em tal situação. Mesmo a Inglaterra tem carta de Direitos, e ali nasceu a própria ideia de uma carta de direitos, com a Magna Carta, e de controle de poder, com a Revolução Gloriosa. As piores tiranias publicam constituições para conferir um verniz de legitimidade ao exercício do poder. E mesmo constituições aprovadas por assembleias populares não garantem legitimidade. A Constituição brasileira de 1934, aprovada por assembleia constituinte regularmente eleita, determinava a educação eugênica, por exemplo, prestigiando brancos e ricos.

Como deveria agir um juiz num país sem liberdades fundamentais consagradas em algum texto positivado?

A resposta é a mesma: essa sociedade quer, almeja ou declara se organizar atribuindo a cada o mesmo respeito e mesma consideração? Todos seus cidadãos detêm o mesmo status? Se sim, então os direitos fundamentais surgem desse autorreconhecimento de que não é possível se sustentar nenhum direito que não possa ser compartilhado pelo outro, porque os direitos, as liberdades fundamentais surgem quando nos percebemos no mundo com o outro, e aí surge a dimensão de moralidade política, pela qual eu sou obrigado a reconhecer no outro aquilo que quero para mim mesmo. E aí a Constituição já não é tanto constitutiva, mas declarativa de um direito moral que aspira concretização como condição de legitimidade da Constituição em si mesma e para o exercício legítimo do poder: a igualdade, porque ninguém é capaz de provar para os outros que é merecedor de algum valor a mais, ou que seja superior ao outro.

A ayahuasca…

Veja que não se afirma que há um direito moral a usar ayahuasca, mas que há um direito moral à liberdade religiosa que goza de supremacia e prioridade. Permitir ou proibir qualquer religião, não só ayahuasca, depende então de o governo ser capaz de demonstrar que uma prática religiosa agride direitos de terceiros, impõe severo ônus à sociedade ou outra razão passível de aceitação entre pessoas dotadas de autonomia.

Há quem sustente que, no caso brasileiro, a lei 11.343/06, ao autorizar o uso de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso, como a ayhauasca, violaria a Convenção de Viena de 1971. Alega-se que o tratado internacional, subscrito pelo Brasil, permite o uso ritual, desde que o país tenha feito reserva quanto à substância. Como o Brasil não fez tal reserva, então, mesmo a lei atual seria “ilegal”. Como interpreta isso?

Por primeiro, imagine a situação em 1971. Representantes do governo brasileiro, resolvem assinar um tratado pelo qual o Brasil assumirá a obrigação de proibir várias substâncias, e estão cientes, os representantes, de que poderão excetuar da proibição as substâncias nativas utilizadas em ritual religioso. Vamos submeter essa situação a um exame severo e bem estrito, sem atentar para outros detalhes bem mais importantes. Pois bem, esses representantes, em 1971, sabiam que várias e várias substâncias nativas eram utilizadas em rituais? Temos algum dado para presumir que eles tinham essa informação? Temos, em sentido contrário, isto é, somente após 1971 o governo brasileiro, através da Polícia Federal, tomou ciência de que grupos faziam uso de substâncias psicoativas em rituais religiosos. Agora temos duas opções: podemos entender que aquele momento para apresentar reservas era único, e que se os representantes dos países não sabiam das plantas utilizadas em rituais religiosos, azar, que se prenda e reprima quem assim faz uso. Mas podemos entender que a Convenção não proibia a exceção na hipótese de o governo somente anos depois descobrir que havia uso de substâncias psicoativas em rituais religiosos.

Além disso, os grupos que faziam uso ritual de substâncias psicoativas não tinham representação política, ou eram minorias sem voz e sem acesso aos canais de deliberação política, como índios, caboclos, analfabetos, seringueiros, agricultores.

Se eles tinham voz ativa, se tinham representantes, é razoável e plausível que os consideremos representados, e podemos impor a eles todas as decisões tomadas pelos representantes brasileiros. Mas talvez a outra opção se mostre mais plausível. Os representantes políticos e diplomáticos não os representavam, Nessa hipótese, aquela decisão governamental não os vinculava, porque eles não foram ouvidos. Mas ultrapassemos essa dificuldade. Aceitemos por hipótese, que em 1971, em pleno regime militar, o governo brasileiro representava não os interesses de uma classe bem definida no extrato social brasileiro, que podemos sem receio de errar acreditar que o governo era representativo e se preocupava com todos os grupos da realidade cultural brasileira, que se esforçava para ser imparcial e ouvir todos os reclamos e interesses dos vários segmentos sociais. Não vale rir, é apenas uma hipótese.

Como os demais países interpretaram a cláusula?

Peguemos o país que não só assinou mas promoveu, estimulou essa convenção, os Estados Unidos. Ele não apresentou reservas para o peyote, cacto com propriedades psicoativas utilizado em rituais em vários estados americanos, mas, apesar de não ter feita a reserva, não proibiu essa prática religiosa, nem saiu prendendo seus nativos. Se os Estados Unidos, um dos principais proponentes da Convenção, compreendia e compreende que a reserva não era condição para o uso religioso, por que o Brasil deveria optar por uma interpretação mais rigorosa? Que razões teríamos para sustentar essa interpretação diferenciada? Observe que os Estados Unidos aplicaram o mesmo raciocínio, explicitamente, para a ayahuasca, proclamando que a ausência de reserva não era, por si só, suficiente para excluir a permissão de uso ritual. Agora temos duas interpretações possíveis: uma interpretação é formal; uma outra é substancial, considera que na essência, na substância, a comunidade internacional aprovou o uso religioso, e que a formalidade não deve ser obstáculo ao reconhecimento daquele direito substancial.

O STF já decidiu o assunto?

Diretamente não, mas extrai-se de sua jurisprudência duas orientações importantes. A primeira é que o STF tem decidido que os tratados internacionais são incorporados ao ordenamento brasileiro com o status de lei, de modo que uma lei poderia revogar, no âmbito interno, um tratado, exceto se o tratado verse sobre direitos fundamentais. O tratado continua em vigor até ser denunciado, que é o meio adequado para que percam a validade no âmbito internacional, mas internamente perderia sua eficácia. Há precedentes nesse sentido. Há também na ADPF 187, expressamente uma referência de que a reserva não seria condição para reconhecimento do uso ritual, no voto do ministro Celso de Mello. Porém, Altino, debater esse tema nesses termos escamoteia um aspecto essencial, e acaba revelando mais das intenções de quem sustenta esse tipo de discussão.

Como assim?

Não se pode debater liberdade sem previamente decidir o que é uma liberdade, qual seu sentido, função, força. Somente depois de definirmos o que é uma liberdade, podemos confrontá-la com leis, tratados, portarias, resoluções, recados, instruções normativas, memorandos, bilhetes. Veja como ao longo da entrevista tenho enfatizado esse aspecto, e quando tocamos no assunto “Convenção de Viena” a discussão quis tomar outro rumo, focando detalhes, formalidades. Essa é uma discussão lateral. A discussão de fundo é sabermos o que é uma liberdade fundamental, e ao que essa liberdade é capaz de resistir, que tipos de argumentos podem afastá-la. É bem sintomático que o artigo da Convenção de Viena, que permite o uso religioso, só veio para o Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas, o Conad, quando as entidades foram chamadas para participação da elaboração das normas. Até então a Convenção era lida só na parte da proibição. Pulava-se, suprimia-se o artigo que tratava da liberdade. Não interessava à então Divisão de Medicamentos, à Anvisa, à Polícia Federal. A Resolução 1/2010, do Conad, refere então essa Convenção e então se seguiu uma discussão secundária: “ok, o tratado internacional permite o uso ritual, mas o Brasil não fez reservas quanto ao DMT”, e com isso se foge do debate central: o que é uma liberdade? Na Suprema Corte dos Estados Unidos e no Supremo Tribunal Federal no Brasil, entre outros, tem-se afirmado, em vários casos, que o tratado internacional deve ser interpretado em harmonia com as liberdades reconhecidas pela Constituição. Não o contrário. Não devemos interpretar a Constituição com base no tratado: é o contrário, sob pena de “a carroça puxar o boi”.

Sua pesquisa descreve e examina o conjunto das decisões proferidas pelo Confen e Conad. Que conclusões podemos extrair das deliberações?

Várias, e sob múltiplos aspectos. Na pesquisa enfatizei apenas o aspecto jurídico e alguns outros correlatos imediatamente. Mas caberia um trabalho autônomo. São várias decisões que vão de 1985, proferida pela Dimed, órgão integrante do Ministério da Saúde, até 2010, com a Resolução 1/2010 do Conad. O Confen, mais tarde substituído pelo Conad, é um órgão que mudou ao longo do tempo tanto na sua composição, gradativamente aumentou a representação da sociedade civil na sua composição, na sua localização topográfica ou institucional – ora integrava a Presidência da República, ora na Secretaria ora o Ministério da Justiça.

Mudanças que espelharam as mudanças no quadro político brasileiro?

Sim. Quando se examina suas decisões ao longo do tempo, verifica-se algumas constantes. Houve decisões originadas de relator e houve decisões originadas de grupos de trabalho integrados por profissionais de várias áreas. As decisões restritivas provieram de relatores individualizados, em geral, ligados à área médica, quando se enfatizava a razão médica, farmacológica, enquanto as decisões multidisciplinares reconheciam a liberdade, enfatizando o uso concreto e socialmente localizado da bebida, com argumentos não só farmacológicos, mas provenientes das ciências humanas – antropologia, política, sociologia, filosofia etc.


Ao longo de suas decisões o extinto Confen ou Conad não proibiram a ayahuasca.


Não e no máximo impôs, durante algum tempo, algumas restrições. A decisão de 1985, a primeira decisão governamental brasileira sobre o tema, foi proferida pela Dimed e se revestiu de várias falhas tanto jurídicas quanto técnicas, quando afirmou, por exemplo, que o DMT era presente no cipó, quando é encontrada na folha utilizada no preparo da bebida. Há inúmeros outros aspectos, mas quero destacar um para não me alongar. A análise das várias decisões do órgão é, em seu conjunto, um reconhecimento às entidades pioneiras e tradicionais que fazem uso de ayahuasca.

A primeira decisão conclusiva do Confen é de 1987?

Sim, mas em 1986 houve uma decisão provisória baseada em estudos de campo, com visitas às principais entidades. Esse contato permitiu aos pesquisadores constatar que os efeitos do DMT, abstratamente considerados, são diferentes dos efeitos da ayahuasca no uso ritual. Com base no que viram, pesquisaram, fotografaram, decidiram que o uso ritual devia ser liberado integralmente.

Mas os estudos detectaram, já naquela época, outro uso, digamos não tradicional, que se distanciava do modelo compreendido e aceito como uso ritual da ayahuasca.

Esse outro uso era uma espécie de desdobramento do uso tradicional, e incorporava outros elementos e, em especial, maconha. Na época, as entidades que faziam esse outro uso, comprometeram-se a interrompê-lo. Ocorre que esse outro uso, não-tradicional, continuou e expandiu-se ao abrigo genérico daquela permissão para o uso ritual tradicional. As decisões supervenientes do Confen/Conad são respostas a esse uso alternativo. Com o tempo aquele uso alternativo passou a ser confundido com o uso tradicional, e as decisões, embora visassem o uso alternativo, faziam uso de uma linguagem que confundia. Publicava-se uma decisão e dali algum tempo o Confen/Conad recebia várias denúncias, algumas graves, envolvendo comércio, adolescente viciada em maconha com a mãe pedindo providência para resgatar sua filha, mortes etc. Mas quando se examina as decisões, suas razões, seus considerandos, seu histórico, percebe-se que esses fatos posteriores não disseram respeito às entidades tradicionais. Curiosamente, quando se publicava na imprensa escândalos, quem veio a público, quem comparecia aos órgãos públicos foram as entidades tradicionais. A mídia, e por vezes até o poder público, não fazia nem faz essas distinções.

O ministro Gilmar Mendes participou da sua banca de exame, aprovando e recomendando a publicação da pesquisa. Como isso aconteceu?

O ministro Gilmar Mendes é mais conhecido como um integrante do Supremo Tribunal Federal, e autor de várias contribuições jurisprudenciais importantes. Mas o ministro é, de longa data, professor universitário e um pesquisador com enorme produção teórica e acadêmica, um dos mais influentes constitucionalistas brasileiros. Foi meu professor no mestrado. É autor de várias obras sobre interpretação constitucional, dogmática constitucional e sobre direitos fundamentais, algumas das quais indispensáveis para quem quer conhecer o direito constitucional brasileiro. Nessa condição de acadêmico, o professor que foi meu orientador, Álvaro Ciarlini, enviou para ele a pesquisa, e ele considerou a possibilidade de participar da banca, pelo ineditismo do assunto. Para mim, foi uma enorme honra e uma grande oportunidade, como um acreano, nascido na zoa rural comendo pão de milho com leite de castanha, defender uma dissertação sobre teoria do direito através de um tema tipicamente acreano, perante uma banca formada por pessoas tão eruditas. Não sonhava tanto.



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