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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Série da TV portuguesa associa evangélicos brasileiros à corrupção

Igreja da Felicidade Universal e Bem Estar Geral - a IFUBEG

Por que será?

A matéria saiu no Comércio do Jahu:

Série lusa trata de corrupção à brasileira

Produção, disponível gratuitamente na internet, satiriza política, religião e relação entre os dois países

Com um grande escândalo de corrupção prestes ser revelado, a ministra da Cultura de Portugal resolve distrair a população patrocinando a criação de uma telenovela grandiosa. O Brasil, que tem experiência de sobra tanto em falcatruas como nos folhetins, é escolhido como parceiro ideal nesta empreitada.

É esse o ponto de partida da série “País Irmão”, exibida agora pela RTP (televisão pública de Portugal), que recorre ao humor ácido e aos clichês das telenovelas para contar uma história política.

Gravada nos dois países, a produção traz rostos conhecidos dos brasileiros, como os atores Marcos Pasquim, Pedro Cardoso e Natália Lage.

A trama narra bastidores dessa fictícia operação abafa, mas com expedientes usados na corrupção real: preços superfaturados, produtora fictícia, edital fraudado, e muitos conflitos de interesses.

Em 18 episódios, explora a trama dos personagens conforme avança na montagem da novela luso-brasileira, escrita por pai e filho que têm uma relação complicada.

A escolha por uma telenovela como mote não foi à toa. “Portugal é provavelmente o único país da Europa que passa três horas de novela no horário nobre”, conta o escritor Hugo Gonçalves, que assina a trama juntamente de Tiago Santos e João Tordo.

“A telenovela é a forma como o Brasil mais chega aos portugueses”, conta o roteirista, que morou por quatro anos no Rio e adquiriu repertório para muitas das piadas e tiradas presentes na trama.

Em um dos episódios ambientados no Rio, a produtora Branca, vivida por Natália Lage, fica cansada de ver um colega português ser sucessivamente enrolado pelos cariocas. De maneira didática, a personagem explica para ele o funcionamento da brasileiríssima “lei de Gérson” (de se levar vantagem em tudo).

Os autores também brincam com a dificuldade que muitos brasileiros têm em entender o sotaque lusitano e as diferenças no português de cada lado do Atlântico.

A sátira política também se mistura à religiosa em “País Irmão”. É que para dar vida à novela de época “Corte Tropical”, que conta história da fuga da família real portuguesa para o Brasil, os políticos corruptos se unem a uma ambiciosa igreja evangélica.

Em troca de apoio e dinheiro para o projeto, o grupo pede que o governo ceda a concessão de um canal de TV, um prédio em área nobre da cidade e o direito de escalar uma fiel da igreja como personagem central da história.

O núcleo da Igreja da Felicidade Universal e Bem Estar Geral (Ifubeg) é recheado de tiradas ácidas. Em determinado momento, os políticos se queixam de como é difícil enrolar o alto funcionário da igreja vivido por Marcos Pasquim. “Quando se trata de aldrabice (trapaças), a religião leva milhões de anos de avanço”, diz o mafioso, resignado.

“País Irmão” pode ser assistida gratuitamente no site da RTP (www.rtp.pt).

40 anos de sucesso

Embora hoje não tenham o mesmo alcance do passado, as novelas brasileiras ainda fazem muito sucesso em Portugal. “Gabriela, Cravo e Canela”, exibida em 1977, inaugurou a obsessão local com as tramas brasileiras.

Segundo a Globo Portugal, mais de 200 folhetins da emissora já foram exibidos. Muitos em horário nobre.

O sucesso incentivou o país de Camões a criar as próprias tramas, que hoje já exportam atores para o Brasil.

“A telenovela é, e com muito mérito, a única indústria audiovisual que Portugal tem. Mas há pouco espaço e pouco dinheiro para apostar em coisas diferentes. E mesmo quando se aposta, é um combate duro. Porque chegam a estar 3 milhões de pessoas a ver novelas no horário nobre”, diz Hugo Gonçalvez.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O antipetismo batista de Curitiba e a Lava-Jato


Artigo publicado no Diário do Centro do Mundo:


Como o antipetismo fanático das igrejas batistas de Curitiba fez a cabeça de Dallagnol.


Por Kiko Nogueira

Ninguém duvida que o coordenador da força tarefa da Lava Jato, Deltan Martinazzo Dallagnol, é um homem de convicções. Mais do que isso, é um homem de fé.

No ano passado, Dallagnol fez uma peregrinação por igrejas evangélicas em busca de apoio às suas 10 medidas de combate à corrupção.

Num culto, respondeu a uma espectadora que queria saber sobre seus planos, de acordo com o Estadão: “Eu descartaria poucas coisas em relação a meu futuro, cogito talvez até virar pastor. Mas nós focamos no presente”.

Dallagnol é membro da Igreja Batista de Bacacheri, bairro de Curitiba, onde costuma ministrar palestras com seu indefectível powerpoint.

Lança mão de imagens fortes para impactar as plateias. O mesmo sujeito que apontou Lula como “comandante máximo” e “grande general” da “propinocracia” gosta de lembrar que “a corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa”, uma “serial killer que se disfarça de buracos de estradas, de falta de medicamentos, de crimes de rua e de pobreza.”

A retórica e as técnicas do show de Dallagnol foram influenciadas pesadamente pelas lideranças religiosas de sua terra. Não só a forma: o moralismo, o maniqueísmo e o antipetismo vieram dali.

“Dentro da minha cosmovisão cristã, eu acredito que existe uma janela de oportunidade que Deus está dando para mudanças”, disse ele no Rio em sua turnê religioso-política.

Repetiu essa sentença numa entrevista ao pastor Paschoal Piragine Júnior, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, dono de um programa meia boca de bate papos que ele chama de talk show (assista abaixo).

Piragine é uma referência para esse povo. Ganhou fama em 2010 ao pedir a seus fieis que não votassem em candidatos do PT por causa do posicionamento do partido em relação a temas como aborto, criminalização da homofobia e divórcio.

O mote da pregação era “iniquidade”. Piragine denunciou o Programa Nacional de Direitos Humanos. “Se você olhar, vai ver como a máquina estatal está mobilizada. Se os ministros de Estado que estão ligados a esse governo não trabalharem assim, perdem o seu cargo”, falou. O vídeo da peroração tem, hoje, mais de 3 milhões de visualizações.

Uma das admiradoras mais entusiasmadas de Dallagnol é Marisa Lobo, autodenominada “psicóloga cristã”, campeã de causas como a da cura gay. Marisa faz conferências na mesma igreja do amigo sobre sua nova obsessão, a ideologia de gênero, tema de seu último livro.


Depois da apresentação da denúncia contra Lula num hotel curitibano de luxo, postou uma mensagem de solidariedade ao “irmão”: “Dallagnol congrega na mesma igreja que eu e é nosso orgulho. Deus está usando a Lava Jato para limpar o Brasil”.

A Igreja Batista do Bacacheri foi fundada em 1959. O site da empresa informa que L. Roberto Silvado, que serve ali desde 1988, é o atual coordenador geral do colegiado de pastores.

Silvado tem uma atuação mais discreta que fanáticos desmiolados como Marisa, mas deixa claras suas preferências e intenções no Facebook. Milita intensamente pelas célebres medidas de Dallagnol.

“Nossa Igreja participou ativamente na coleta de assinaturas. Ao todo foram mais de 2 milhões em todo Brasil. (…) Nós fazemos parte disso, vamos continuar manifestando apoio até que sejam aprovadas. Artistas e líderes de todo país precisam se manifestar, como o fez a atriz Maria Fernanda Cândido no vídeo abaixo”, diz numa de suas postagens.

Dallagnol, registre-se, não está sozinho. O procurador Roberson Pozzobon palestrou num templo em 2015 durante o Fórum Batista de Ação Social. Foi anunciado como “nosso irmão em Cristo, Procurador da República e colaborador do Juiz Sergio Moro que coordena a Operação Lava Jato”.

Pozzobon é o autor da seguinte frase: “Não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário, no papel, do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário é uma forma de ocultação.”

Há seis anos, André Egg, professor da UNESPAR e da UFPR, escreveu um artigo na revista Amálgama sobre Piragine e os evangélicos do Paraná que ainda soa atual. “Em que lugar neste caminho o protestantismo brasileiro se perdeu?”, perguntava.
“Suspeito que em algum momento durante os anos 1950-60, quando missionários fundamentalistas norte-americanos implantaram diversas instituições para-eclesiásticas no Brasil, organizando acampamentos, fundando editoras, livrarias, conjuntos musicais, trazendo uma fé irracional, trabalhando com crianças e jovens (APEC, Palavra da Vida, MPC, JOCUM, Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo) para formar gerações de abestalhados/alienados que perderam o compromisso com o país, com a fé, com o exame das Escrituras, com a liturgia, com a tradição não-conformista do protestantismo.

Os luteranos e anglicanos parece que restaram como únicos oásis diante do domínio absoluto do fundamentalismo, que tragou todos os grupos oriundos do calvinismo (batistas, presbiterianos, congregacionais) e suas dissidências pentecostais. (…)

O pastor incita os fiéis a não votarem no PT, por ele ser contra a “fé bíblica”. Curiosamente, isso é feito sem apoio em nenhum versículo bíblico (…)

Assembleias batistas viraram instâncias de homologação de pastores show-men que trazem as decisões prontas para o pessoal levantar a mão. Batistas de igrejas como a Primeira Igreja Batista de Curitiba e a Igreja Batista do Bacacheri não se dão nem ao trabalho de conferir a autenticidade dos diplomas de doutorado que seus pastores apresentam como credencial. Preferem ser enganados (…).”
É desse caldo que estão saindo os vingadores que vão salvar o Brasil. Deus nos proteja.




domingo, 9 de julho de 2017

Bispos moçambicanos querem saber quem lucrou com "dívidas ocultas" do país


Ah Moçambique, país querido de povo irmão, como nossas tragédias políticas são parecidas, além dos bilhões que nos roubam e da língua que falamos...

Talvez aqui seja um pouco pior, porque as dívidas públicas são abertas, claras e conhecidas, assim como quem delas se aproveita, e pouco ou nada acontece, principalmente se o político é filiado ao partido "certo" e "inimputável", não é mesmo?!

A matéria é da Rádio Vaticano:

Moçambique. Bispos reagem ao relatório de auditoria sobre "dívidas ocultas"

A Comissão Episcopal de Justiça e Paz de Moçambique, reagiu em carta publicada no dia 4 de julho corrente, ao relatório de auditoria sobre as dívidas ocultas, cujo resumo foi divulgado semana passada pela Procuradoria-Geral da República. O relatório de auditoria foi formalmente entregue à PGR em Maio findo, pela consultora internacional Kroll.

Segundo o bispo de Pemba e igualmente presidente da Comissão Episcopal de Justiça e Paz, Dom Luíz Fernando Lisboa, o povo não deve ser responsabilizado e prejudicado por aqueles que contraíram a dívida ilegalmente.

Na carta partilhada com a imprensa moçambicana, pode-se ler o seguinte: «Não podemos permitir que ao povo moçambicano seja imputada a responsabilidade de pagar com a miséria, sangue e morte as dívidas contraídas em nome dele, de forma ilegal e inconstitucional».

Usar política como forma de caridade

Ainda de acordo com o documento da Comissão Episcopal de Justiça e Paz, os Bispos moçambicanos pedem que o órgão competente declare inconstitucional a inclusão, por parte da Assembleia da República, das dívidas ocultas contraídas em 2013 no orçamento de 2015, de forma unilateral, ilegal e ilegítima e que a PGR responsabilize as pessoas e/ou instituições que não favoreceram o trabalho da auditoria independente com vista a esclarecer o destino dos empréstimos contraídos e os seus beneficiários. Porém, acima de tudo, e em primeiro lugar, responsabilize aqueles que directamente contraíram a dívida.

«Queremos ainda lembrar aos cristãos que trabalham na política as palavras de Papa Francisco: “A política é uma das formas mais altas de caridade, porque procura o bem comum”. Ninguém está obrigado a obedecer a disciplina de qualquer partido político ou aos dirigentes que contradigam à sua consciência cristã. Com efeito, não podemos colocar um partido político nem seus dirigentes acima da justiça, do amor a Deus e do amor aos irmãos. No final dos nossos dias seremos julgados conforme o amor. Não levaremos riqueza nem poder», lê-se na carta da Comissão de Justiça e Paz, divulgado no dia 4 de julho em curso.

Entretanto, Moçambique viu a sua dívida ultrapassar 11 mil milhões de dólares após a descoberta, em Abril de 2016, de dívidas secretamente avalizadas pelo anterior Governo moçambicano, entre 2013 e 2014.

A descoberta das dívidas levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os doadores a suspenderem a ajuda ao País, condicionando o reatamento do apoio à realização de uma auditoria internacional à dívida pública.

No passado dia 24 de Junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique divulgou o sumário do relatório da auditoria às dívidas ocultas, assinalando que a mesma deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos pelas três empresas estatais entre 2013 e 2014.

Hermínio José, Maputo



segunda-feira, 3 de julho de 2017

Janot diz que não precisa de "prova satânica" para condenar Temer

A afirmação - no mínimo estranha - foi publicada no G1:

Janot diz que não é preciso prova ‘satânica’ para ligar Temer a mala com dinheiro

Em evento em SP, procurador-geral afirmou que provas contra o presidente são mais do que suficientes para apresentar denúncia: 'Ninguém vai passar recibo'.

Will Soares, G1 SP

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse neste sábado (1º) que não é preciso uma prova “satânica”, “quase impossível”, para ligar o presidente Michel Temer à mala com dinheiro recebida pelo ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial de Temer.

Janot defendeu que os indícios contra o presidente são mais do que suficientes para apresentar uma denúncia, relembrando um questionamento antigo dentro da Procuradoria. "Não é possível que para eu pegar um picareta eu tenha que tirar a fotografia do sujeito tirando a carteira do bolso de outro. Ninguém vai passar recibo. Esse tipo de prova é satânica, é quase impossível. Tem que se olhar a narrativa."

A expressão usada pelo procurador-geral faz um trocadilho com o termo “prova diabólica”. No direito, "prova diabólica" é a modalidade de prova impossível ou excessivamente difícil de ser produzida.

A declaração foi dada durante a palestra “Desafios no combate à corrupção: a Operação Lava Jato”, no 12° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). A Operação Lava Jato foi tema central do evento em São Paulo, que começou na quinta-feira (29) e termina neste sábado.

A palestra de Janot foi mediada pela jornalista Renata Lo Prete, da GloboNews, que apresentou o procurador-geral como o "entrevistado mais procurado da República". Janot rebateu, de imediato, com bom humor: "Mas sem tornozeleira".

Janot também afirmou que denunciar o chefe do Executivo do país não é algo que lhe dá prazer. "Queria passar ao largo disso, mas tenho que cumprir minha missão."

Sobre Rocha Loures, solto neste sábado após decisão do STF, Janot disse que “a mala já diz tudo”. O ex-deputado foi flagrado pela Polícia Federal deixando uma pizzaria com uma mala de dinheiro.

Leia mais trechos da apresentação de Janot na reportagem: 'Mala diz tudo', diz Janot sobre denúncia contra Rocha Loures.



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Michel Temer não sabe como Deus o colocou lá... os "evangélicos" sabem!


As definições de cinismo, além de outras "qualidades" menos recomendáveis, estão sendo atualizadas diariamente durante a crise política que se arrasta há anos no Brasil.

Ontem, ao (tentar) se defender da denúncia de corrupção passiva protocolada pelo Procurador Geral da República junto ao Supremo Tribunal Federal, tendo ao seu lado a deputada federal Raquel Muniz (PSD/MG), que teve seu marido, o prefeito de Montes Claros (MG) Ruy Muniz, preso pela Polícia Federal por corrupção no dia seguinte ao que ela votou eufórica pelo impeachment de Dilma Rousseff, comandado pelo então presidente da Câmara, o deputado "evangélico" Eduardo Cunha, o presidente da república michel temer (sim, com letras minúsculas), disse, sem engasgar, que "não sabe como Deus o colocou lá".

Eis o vídeo da deputada:


Eis o pronunciamento do presidente em que ele usa o nome de Deus em vão:


Já os "evangélicos", sejam eles os políticos ou seus eleitores do curral gospel, sabem muito bem a quem michel temer se referia:





sexta-feira, 16 de junho de 2017

Marcha gospel confirma que "evangélicos" cavam sua sepultura ao lado de Temer


Estevam Hernandes, aquele líder da Renascer que curtiu uma temporada preso nos EUA, mesma situação pela qual passou sua esposa Sonia Hernandes, por terem tentado entrar naquele país com milhares de dólares escondidos dentro da Bíblia, aproveitou a Marcha para Jesus - realizada ontem em São Paulo (SP) - para defender o governo de Michel Temer, o presidente do Brasil que é acusado de vários crimes e está sendo processado no Supremo Tribunal Federal.

Esta foi a 25ª edição do evento gospel que, apesar de ter começado - curiosa e paradoxalmente - com uma oração "contra a prostituição e a corrupção", prova que, apesar das autoproclamações de piedade e arrependimento, do ponto de vista moral e espiritual os resultados são os piores possíveis, já que o Brasil só vem descendo o poço desde a primeira Marcha e - até o momento - não se consegue discernir o seu fundo.

Alguma coisa está errada, portanto, se o objetivo da Marcha, conforme diz o "bispo" Leonardo Migliolo (acho que confundiram o nome do Leandro Miglioli) na matéria, é "orar pelo País". "Orar pelo presidente, pelo governador, pelo prefeito". Tá bão...

Ao apoiar o polêmico presidente do país em suas reformas antipopulares, o "apóstolo" da Renascer não está sozinho, entretanto, pois seguiu o mesmo exemplo da liderança da Assembleia de Deus - Ministério Madureira, que foi beijar a mão de Michel Temer outro dia, acompanhada de gente do nível do Pastor Everaldo e Jair Bolsonaro, conforme se vê pela publicação da CONAMAD no Facebook.

Líderes "evangélicos" se associam, portanto, ao que existe de pior na política brasileira, provando (mais uma vez) que a palavra "evangélico" denota hoje no Brasil um termo muito mais ideológico (da pior espécie, aquela que quer levar vantagem em qualquer situação) do que teológico, infringindo fragorosamente o segundo mandamento, que, caso você não se lembre ou não leia a Bíblia, ordena para não se levar o santo nome de Deus em vão.

Sair mal na foto, afinal, parece que passou a ser pré-requisito para aparecer na mídia e nos portais gospel como "liderança evangélica brasileira", seja lá o que isto significa.

A coisa anda tão feia que Miguel Reale Junior, ex-ministro da Justiça de FHC e um dos juristas autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, disse que iria se desfiliar do PSDB ao constatar que o partido não vai se desligar do governo Temer, dizendo que espera que "o partido encontre um muro suficientemente grande que possa servir de túmulo".

Parece que os evangélicos já encontraram uma marcha suficientemente grande para tanto.

Do jeito que a coisa anda, não se assuste se a praga de "The Walking Dead" começar pelo Brasil...




A vergonhosa informação (para os verdadeiros cristãos) foi publicada no Estadão:

Marcha para Jesus atrai multidão para as ruas de São Paulo e tem tom político

Neste ano, a Marcha tem como lema #EuAcheiMeuRei, em referência a Jesus. Criador defendeu a permanência do presidente Michel Temer no cargo, além da aprovação das reformas propostas pelo governo federal

Felipe Resk

SÃO PAULO - Uma oração contra a prostituição e a corrupção no Brasil abriu nesta quinta-feira, 15, a Marcha Para Jesus, que atraiu uma multidão de evangélicos por ruas do centro e da zona norte de São Paulo. Criador do evento, o apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, também defendeu a permanência do presidente Michel Temer (PMDB) e as reformas da previdência e do trabalho, propostas pelo governo.

Em cima do trio elétrico, logo no início da passeata, Hernandes foi breve. "Oramos contra a corrupção e a prostituição, baseado em um preceito bíblico. A Bíblia fala que, quando nós oramos e clamamos, mudamos situações", afirmou. "Como brasileiros, nós estamos sendo afetados com toda essa loucura que o Brasil tem passado, de corrupção, de miséria."

O apóstolo também se posicionou contrário à saída do presidente Michel Temer. "Particularmente, sou favorável que termine esse mandato por causa de todo o trauma que a nação tem passado", disse. "Mas não que eu, ou nós, tenha um apoio explícito ao governo Temer."

Para ele, se houver "sustentação do Congresso", Temer "pode chegar ao final do mandato". "Agora, a gente sabe que está extremamente complicado", disse o apóstolo, que defendeu, ainda, as reformas propostas pelo governo. "Isso é fundamental para o Brasil, para que a economia volte a crescer e para que a gente tenha uma retomada do que é mais fundamental: o emprego."

O bispo Leonardo Migliolo, da Renascer, afirmou que o objetivo da Marcha é "orar pelo País". "Orar pelo presidente, pelo governador, pelo prefeito", disse. "Para que Deus possa conduzir com sabedoria toda essa situação que o País está enfrentando."

Politicos. Presente ao evento, o vice-prefeito Bruno Covas elogiou a organização. "São Paulo, além de ser uma cidade que tem uma tolerância religiosa muito grande, é vocacionada para eventos grandes como esse", disse.

Covas também compareceu para representar o prefeito João Doria (PSDB), que está em viagem a Porto Rico, no Caribe, para comemorar o aniversário da 15 anos da filha. "A viagem foi solicitada há dois anos, portanto muito antes de ele sonhar em disputar as prévias do PSDB", disse Covas.

O senador Magno Malta também participou do evento. Apesar de ter informado o comparecimento à organização, o governador Geraldo Alckmin não apareceu.

Esta é a 25ª edição da Marcha Para Jesus, com o lema #EuAcheiMeuRei. A concentração começou por volta das 10 horas, em frente à Estação da Luz, do Metrô, na região central. De lá, oito trios elétricos partiram em direção à Santana, na zona norte, onde fica o palco, instalado na Praça Heróis da FEB, com shows de música gospel.

Com faixas de "Deus é Fiel" e "100% Jesus", jovens representaram grande parte do público. Na multidão, havia fiéis de todas as idades, de bebês a idosos. A dona de casa Rosangela Cazella, 35 anos, levou a filha de 10 meses para a Marcha. "Já vim várias vezes, mas esta é a orimeira com ela", disse ela, fiel da Orgeja Verbo da Vida.

O marido Lucas Bispo, de 34, técnico em telecomunicação acompanhou a família. "O evento é muito importante, é uma manifestação do corpo de Cristo e também uma oportunidade de ir para a rua e falar de Jesus, mostrar a alegria do nosso povo."

Apesar de ser católico, o treinador de futebol Antônio Carlos oliveira, de 44 anos, saiu de Cajamar, na Grande São Paulo, para participar da festa. "Minha familia é toda evangélica, da Renascer", afirmou. "O evento é muito bacana porque une todo mundo." Organizadores do evento afirmaram que a quantidade de pessoas que participaram da festa foi maior de todas as edições, mas não divulgaram números. Em 2016, a organização afirmou que 3 milhões de pessoas participaram do evento.



quarta-feira, 24 de maio de 2017

Preso por corrupção o procurador que defendia leis anticorrupção


Que tempos esquisitos estes do Brasil, viu...

A noticia é do Conjur:

Procurador preso nesta quinta foi à Câmara defender pacote "anticorrupção" do MPF

O procurador da República Ângelo Goulart Villela, preso nesta quinta-feira (18/5) sob suspeita de repassar detalhes de investigações ao dono do frigorífico JBS, já subiu à tribuna da Câmara dos Deputados para defender as chamadas 10 Medidas contra a Corrupção — proposta de reforma do Código de Processo Penal defendida pelo Ministério Público Federal.

Em audiência no dia 22 de junho e 2016, ele afirmou ser necessário o “aprimoramento do combate à corrupção em nosso país” e pediu “um basta no caixa dois” eleitoral. Das dez medidas listadas pelo MPF, ele destacou proposta para tipificar a contabilidade paralela como crime e determinar que partidos políticos respondam de forma objetiva (independentemente de dolo ou culpa) por qualquer dissimulação de valores.

Diretor de Assuntos Legislativos da Associação Nacional dos Procuradores da República e assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral, Villela integrou um grupo criado pela Procuradoria-Geral da República para “velar pela preservação do espírito do projeto inicial” da proposta, quando a Câmara sugeriu mudanças no texto.

Ele iniciou a audiência na Câmara dos Deputados saudando o “estimado colega e amigo” Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação “lava jato” e também participante da audiência.

“É preciso dar um basta no caixa dois, que acaba gerando um abuso do poder econômico e acaba sequestrando daqueles candidatos que querem participar de um pleito justo, limpo, equilibrado e de igual possibilidade de eles contribuírem no processo eleitoral”, declarou.

Ainda estavam na Câmara, naquele dia, os procuradores Bruno Freire de Carvalho Calabrich, José Maria de Castro Panoeiro, Guilherme Guedes Raposo, Thaméa Danelon Valiengo e Roberson Pozzobon, além da subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Frischeisen, coordenadora da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (que cuida da área criminal).

Gosto amargo

Segundo o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, Villela recebeu propina para vazar informações sigilosas sobre a operação greenfield, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão de funcionários de estatais. A primeira denúncia da operação foi apresentada também nesta quinta. Foram denunciadas 14 pessoas, incluindo os ex-diretores da Funcef, empresários ligados à Engevix, além de políticos e um ex-superintendente da Caixa Econômica Federal.

Em comunicado a colegas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, declarou que a prisão “tem um gosto amargo para a nossa instituição”.




terça-feira, 23 de maio de 2017

Quando Malafaia chamava Eduardo Cunha de "gênio"


Só se for "jênio" com "j", não é mesmo? 

"Acusação muito ridícula para o nível do cara"? Isto que é "profeta" boquirroto, meu povo!




domingo, 21 de maio de 2017

A segunda morte de Tancredo Neves


Coluna de Juca Kfouri no seu blog no UOL, de leitura obrigatória para todos aqueles que acompanharam em tempo real a agonia de Tancredo Neves naquele longínquo ano de 1985:

A segunda morte de Tancredo Neves

Tancredo Neves, o presidente que foi sem nunca ter sido, teve dos mais gloriosos enterros já vistos no Brasil.

Menos pelo que era, mais pela esperança que despertou depois de 21 anos de ditadura.

Conservador, malicioso, frasista, dava nó em pingo d’água.

Democrata, posicionou-se a todo risco pessoal tanto contra o golpe que levou Getúlio Vargas ao suicídio quanto contra o que derrubou João Goulart.

Pagou o preço de suas escolhas e certamente jamais apoiaria nem Lula nem Dilma Rousseff.

Do mesmo modo que desaprovou os golpes contra dois presidentes legítimos nos anos 1950 e 1960, provavelmente não aprovaria outro golpe mesmo contra adversários.

E, sem dúvida, não merece que sua história seja pisoteada de maneira tão vil e tão burra como está sendo por dois netos como Aécio e Andrea, um afastado do Senado depois de pego em gravações criminosas, e de baixíssimo calão, outra presa por cumplicidade depois de, hipocritamente, jurar inocência em nome da filha e da mãe.

Aécio e Andrea não honram a memória do avô.

Nem a teoria de Darwin.



sábado, 20 de maio de 2017

Será que Sheherazade vai amarrar filha de Silvio Santos no poste?


Rachel Sheherazade, a jornalista fascista da Paraíba que apresenta o telejornal noturno do SBT, e que se autointitula "evangélica", está com tudo e não está prosa nesta semana.

Já no dia 18 de maio, ela arranjou uma confusão no Twitter com um pessoal da esquerda, dizendo que Hitler havia fundado o PT da Alemanha, já que o nazismo - a seu ver - é uma ideologia de direita.




Essa é uma bobagem comumente dita por fãs de Bolsonaro e outros expoentes da direita, que não resistem a uma análise histórica simples e geralmente não são nem levados a sério por outros debatedores.

Afinal, é uma ideia tão tola que não compensa debater, e a gente indica alguns caminhos para que cada um faça a sua pesquisa.

Dois conselhos a respeito, apenas. Procure saber nos seus livros de História favoritos:

1) o sufoco que foi para o Hitler cumprir o prazo que ele dera a si próprio para o ataque à Polônia em 1º de setembro de 1939 (que deflagrou a Segunda Guerra Mundial). Joachim von Ribbentrop, seu ministro de Relações Exteriores levou uma carta dele próprio a Stalin (algo que Hitler abominou ter que fazer) implorando para que se finalizasse o pacto de não-agressão o quanto antes, o que foi feito em 23 de agosto de 1939 por von Ribbentrop e seu homólogo soviético Viatcheslav Molotov (sim, aquele do "coquetel"). Com isto, Stalin ganhou metade do território da Polônia e Hitler pôde concentrar todos seus esforços na frente Leste enquanto tinha garantido os inesgotáveis recursos naturais da União Soviética, com a qual ele tinha agora uma fronteira comum que invadiria em 22 de junho de 1941.


Stalin, entre von Ribbentrop e Molotov.
No fundo, ele não entendia direito o que Hitler queria, mas seus ganhos eram grandes demais para dizer não.


2) uma quase anedota: por que a suástica nazista está virada para a direita? A suástica é um símbolo ancestral, encontrado em culturas tão antigas e distintas como os astecas e os budistas do Tibete, geralmente no sentido anti-horário. Hitler desenhou a bandeira nazista (posteriormente alemã) girando a suástica para a direita porque não queria nenhuma referência à esquerda.


Buda com suástica girando à esquerda


Se alguém insistir muito, mas muito mesmo, a gente indica uma bibliografia, tá...

Feitos esses esclarecimentos singelos, já que não nos interessa aqui essa discussão inútil, hoje as redes sociais estão em polvorosa com a delação de Ricardo Saud, diretor da JBS-Friboi, dizendo que Patrícia Abravanel, filha de Sílvio Santos, esteve presente num jantar em que o magnata negociava uma propina para o sogro de Patrícia, Robinson Faria, hoje governador do Rio Grande do Norte pelo PSD.

Patrícia teria participado do jantar na casa de um dos donos da JBS, Joesley Batista, ao lado do seu atual marido, o deputado Fábio Faria (PSD-RN).

Aí, então, a internet foi à loucura com a ilustre empregada do SBT, Rachel Sheherazade, que trabalha para Sílvio Santos, pai de Patrícia e dono da rede de televisão, lembrando o triste episódio em que a nervosinha gospel ironizou um ladrão que havia sido preso a um poste e linchado.




Todos estavam querendo saber se Sheherazade, esse exemplo maravilhoso de "amor cristão", não ia querer prender Patrícia Abravanel num poste também.

Dois pesos e duas medidas?



Delator envolve Malafaia no escândalo JBS-Friboi


Aparentemente, a denúncia está relacionada ao indiciamento de Malafaia ocorrido em fevereiro de 2017.

Resta saber a extensão deste relacionamento, se é crime ou não. Aguardemos maiores informações.

A matéria é da Folha de Pernambuco:

Advogado da JBS liga procurador preso a presidente da OAB-DF e cita Malafaia

Em delação premiada, advogado confirmou que a empresa fazia pagamentos ao Procurador da República Ângelo Goulart Villela

Em depoimento que integra acordo de delação premiada, o advogado Francisco de Assis e Silva, do grupo JBS, confirmou que a empresa fazia pagamentos ao Procurador da República Ângelo Goulart Villela. Villela fazia parte da força-tarefa da Operação Greenfield, que investiga a JBS e subsidiárias em esquema de uso irregular de dinheiro de fundos de pensão. Ele foi preso na quinta-feira (18).

Segundo o advogado Silva, Villela teria sido apresentado a ele e a Joesley Batista, empresário dono do grupo J e F, por intermediação dos advogados Willer Tomaz e Juliano Costa Couto, presidente da OAB no Distrito Federal.

No vídeo do depoimento, ocorrido em 10 de maio de 2017, Silva diz que "o relacionamento do grupo com o advogado Willer Tomaz começa no finalzinho do ano passado, quando um amigo do Joesley, preocupado com as operações Greenfield e Sepsis, indica o advogado Juliano Costa Couto, que teria relacionamento próximo com a 10ª Vara Federal", afirma.

Segundo o advogado, para ilustrar sua intimidade com o magistrado responsável pelas operações, Willer lhe disse que o juiz teria aceitado se encontrar informalmente com o pastor Silas Malafaia, que desejava estreitar relações com o Judiciário após ter sido alvo de condução coercitiva.

Segundo Silva, o objetivo do grupo era "que o procurador conseguisse convencer o juiz para que ele visse um erro na representação do Ministério Público [Federal]". Para tanto, teriam sido acordados honorários de R$ 4 milhões, e mais R$ 4 milhões caso o arquivamento do inquérito fosse bem-sucedido.

O advogado relata ainda ameaças que teria sofrido após ele e o grupo JBS iniciarem, em segredo, as tratativas para uma delação premiada - a informação teria sido passada pelo procurador Villela. "Na sexta-feira, antes do Carnaval, Willer me liga e diz: 'Que sacanagem é essa de delação premiada?', eu desconversei, ele respondeu: 'O Ângelo me contou'".

Em outra reunião, prossegue o delator, Willer teria lhe dito: "Estou de olho em você e ainda vou entender o que você está fazendo". Silva afirma, então, que perguntou a Willer "sobre uma história de mensalinho de R$ 50 mil ao procurador". "Eu pergunto: 'tá certo que ele tem remuneração por isso?', e ele diz 'tá certo', e reclama que teve que dividir os honorários que pagamos a ele com o procurador e os juízes."



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quando a bancada evangélica disse que Deus havia escolhido Temer

Não deu certo, Feliciano! 

A bancada evangélica que assombra o Congresso Nacional com o que há de pior no meio evangélico, por ocasião da assunção da presidência da República por Michel Temer, não perdeu tempo e se reuniu com o traidor e golpista para - supostamente - "abençoá-lo", como se pode ver no vídeo abaixo.

No vídeo em questão, o deputado federal João Campos (PSDB-MG), cercado por figuras exóticas como Marco Feliciano e Silas Malafaia, além do que parece ser um sacerdote ortodoxo grego (?!), lê um trecho da Bíblia (versículos pinçados de 1ª Crônicas 28), para dizer que "Deus escolheu Michel Temer para governar o Brasil", justo ele que acabava de assumir interinamente o cargo de presidente do Brasil, no dia 12 de maio de 2016.

Não precisa ser nenhum gênio para perceber que, de profecia e Espírito Santo, esse povo está bem longe, senão não teriam se exposto a uma situação ridícula como esta, se vista um ano depois.

Eles não estão nem aí também com o mandamento que diz para "não tomar o nome de Deus em vão", já que o utilizam sem preocupação alguma com o significado e a extensão de suas palavras.

Depois se queixam que Deus não ouve suas orações...

Imagine então quem acredita piamente no Malafaia e segue cegamente a indicação dele a cada eleição:

Tem gente que acerta mais usando bola de cristal, Malafaia... 


Talvez o deputado gospel pudesse ter dado mais ênfase ao versículo 9 de 1ª Crônicas 28, que diz: "Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre". 

E tem gente que ainda vota nesses caras ou nos canalhas que eles indicam (ou justificam).

Que reclamem com o bispo depois...




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