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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Igrejas evangélicas pegam fogo (literalmente) no Chile


Um templo da Assembleia de Deus foi consumido pelo fogo na localidade chilena de Vilcún, na província de Cautín da IX Região da Araucanía, na tarde do dia 25 de julho de 2017.

Ao que tudo indica, se trata de um incêndio criminoso, já que no local havia panfletos com a inscrição "Liberdade para os presos políticos mapuches".

Os mapuches são o povo aborígene nativo da Patagônia chilena e argentina, no cone sul do continente sulamericano, cuja história é marcada pela violência que foi cometida contra eles pelos colonizadores espanhóis e as repúblicas independentes que os seguiram.

Até hoje, os mapuches chilenos estão constantemente envolvidos em militância política na qual confrontam o poder estabelecido no Chile, exigindo direitos para seu povo, sua terra e sua cultura.

No caso incendiário de Vilcún, quando os bombeiros chegaram já não havia nada mais a fazer, visto que as chamas tinham consumido o templo.

Apesar dos indícios criminosos, o incidente ainda está sob investigação.

Outro incêndio havia ocorrido a 90 km dali, em Ercilla, também na região da Araucanía, alguns meses atrás (mais precisamente no início de abril), que arrasou o templo do Centro Evangélico Misionero.

Apesar dos disparos ouvidos no início do incêndio de abril, as investigações da polícia chilena chegaram à conclusão de que a verdadeira causa do fogo foi o mau funcionamento da calefação a lenha que servia a humilde instalação, segundo noticiou o portal biobiochile.

Independentemente disso, os ânimos continuam exaltados na região da Araucanía, e o bispo católico de Temuco, D. Hector Vargas, vem insistindo num chamado à paz para todas as comunidades ali representadas.

Fontes: Religión Digital, La Tercera, MSN Chile (com vídeo).



terça-feira, 27 de junho de 2017

Religiões se unem para tentar salvar as florestas tropicais


Talvez o problema seja exatamente que tudo fica apenas na "tentativa".

A matéria é da versão brasileira do El País:

Um encontro ecumênico na Noruega para salvar as “florestas sagradas”

Religiosos e indígenas se reúnem em Oslo para unir esforços para frear desmatamento das matas tropicais

ALEJANDRA AGUDO

Enquanto você lê esta frase, 120 hectares de floresta tropical desapareceram. São 24 por segundo. Este alto ritmo de desmatamento significa, na prática, a destruição do lar da metade das espécies conhecidas do planeta, além de seres humanos e de um importante armazém de milhões de toneladas de carbono. A eficácia das florestas para absorver esse elemento é tão grande que “pode representar um terço da mitigação da mudança climática durante as próximas décadas”, segundo o ministro de Clima e Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen. Por isso, “é preciso lutar contra o desmatamento e reparar os danos causados”, completou Helgesen, na segunda-feira, durante a cerimônia de abertura da Iniciativa Ecumênica de Oslo para as Florestas Tropicais, que o Governo norueguês organiza em conjunto com a Rainforest Foundation Noruega e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Uma reunião – que termina nesta quarta-feira – de líderes religiosos e indígenas do mundo todo para enfatizar seu papel nesta batalha. O objetivo dos religiosos é aproveitar seu poder de influência para atrair os fiéis a essa causa. Já os indígenas mantêm o conhecimento ancestral para a proteção de sua casa, a natureza, que defendem todos os dias para o benefício de todos, arriscando sua vida.

“Os políticos e cientistas, que ocupam diversos cargos em outros âmbitos, não podem falar com a mesma autoridade moral que os líderes religiosos. A prática da religião é uma forma de se relacionar com os valores mais sagrados da vida”, afirmou Kusumita Pedersen, subdiretora do Parlamento das Religiões do Mundo. “A ciência, por si só, não muda o coração humano”, acrescentou Mary Evelyn Tucker, diretora do Fórum de Religião e Ecologia da Universidade Yale. Agora esse poder pode (e deve) se concentrar numa causa: salvar as florestas tropicais. “Cada lugar de oração deve ser um centro ecológico, oferecendo formas de mudar o mundo”, sugeriu William Vendley, secretário-geral das Religiões para a Paz. No momento, o plano é se reunir de novo numa cúpula global ecumênica em 2018, já com um programa de ação elaborado. As florestas tropicais, atualmente palcos de disputas pela propriedade e o uso de seus recursos, transformam-se também num lugar para o entendimento entre religiões e tradições espirituais, unidas para a sua salvaguarda. À espera de propostas concretas, os diálogos preliminares propiciaram um consenso entre os presentes sobre várias ideias.

“Se continuarmos desmatando, será um suicídio. Nós, como mensageiros de Deus e guardiões da criação, temos que promover a proteção de nossa casa comum.” O Arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, abriu a primeira mesa de debate com essa afirmação, que seria depois compartilhada por seus acompanhantes no palco do Nobel Peace Center da capital norueguesa. Indígenas, budistas, judeus, muçulmanos, hindus e católicos acreditam que a Terra é uma criação divina que deve ser cuidada. Um sentimento e um objetivo comuns numa época em que o entendimento entre as crenças parece pouco provável. Mas deve ser, afirmou o prelado. “Não é fácil rezar juntos, mas temos que agir unidos para conservar o planeta que Deus nos deu.”

Metropolitan Emmanuel, vice-presidente da Conferência Europeia de Igrejas, aceitou o desafio: “O cuidado da Terra deve nos unir. Isso vai além das diferenças doutrinarias”. “A Bíblia nos diz: mesmo quando é preciso defender o próprio país , não tem sentido destruir a fonte de sua própria sobrevivência”, agregou o rabino David Rosen, diretor internacional de assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano em Israel. “Quando Deus criou o primeiro ser humano, levou-o entre as árvores do Éden e lhe disse: ‘Olha minha obra, quão maravilhosa e digna de reconhecimento. E tudo o que criei é para teu benefício. Tem cuidado para não saquear nem destruir meu mundo, porque, se o fizeres, não haverá quem o recupere depois”, prosseguiu, lendo o Eclesiastes Rabá para ressaltar que não há desculpas para causar um prejuízo irreparável ao planeta. Ainda assim, é isso o que ocorre na prática: todos os anos, é desmatada uma área de floresta tropical do tamanho da Áustria. E, tal como a adverte a Rainforest Foundation Noruega com evidências científicas, os danos podem levar décadas, séculos ou até milênios para serem sanados (se é que isso é possível).

A destruição das florestas tropicais significa não apenas um ataque contra a criação de Deus, tal como descrevem os líderes religiosos, mas também contra a fonte de vida das pessoas. Isso porque essas matas absorvem carbono. Evitam que milhões de toneladas de gás acabem na atmosfera e contribuam para o aquecimento global. Também regulam os ciclos da água, razão pela qual seu desaparecimento altera as chuvas de maneira negativa. Acima de tudo, são o lar e o sustento de 1,6 bilhão de pessoas.

Phra Paisal Vongvoravisit, membro do Comitê Consultivo da Rede Internacional de Budistas, na Tailândia, recordou que “nossa existência só é possível graças ao ar, à água, aos alimentos e às outras espécies da natureza.” Por isso, “o fato de quebrar o galho de uma árvore é o mesmo que causar um dano a um amigo que nos ajuda”, explicou. Se for assim, grandes indústrias extrativistas, produtores de óleo de palma e soja, mineradoras, construtores de rodovias e represas de água estão massacrando nossos amigos, transformando-os literalmente em terra queimada. “É muito preocupante. A natureza é destruída em nome do desenvolvimento”, disse Paisal.

Essa realidade tem consequências. A ciência demonstrou a relação causa-efeito entre o desmatamento e a elevação das temperaturas, assim como de fenômenos climáticos adversos. Para Nanditha Krishna, presidenta da Fundação Ramaswami Aiyar, a explicação está no carma: “Toda ação tem uma reação.”

Alguns participantes afirmaram que tais empresas não fazem outra coisa a não ser satisfazer uma demanda crescente dos produtos que conseguem na floresta. “Nos preocupa o sentimento de perda. Acreditamos de forma errônea que as aquisições materiais preencherão nossas vidas, e por isso compramos de forma desmedida. Quanto mais, melhor. Não somos conscientes de que o sentimento de perda desaparecerá quando vivermos em paz, em vez de acumular cada vez mais”, advertiu Paisal. “E todas as religiões podem ajudar as pessoas a viver em paz. A cooperação entre os cultos é fundamental para lutar contra o materialismo e, desse modo, contra o desmatamento.” O monge tem pelo menos um aliado nessa missão:

Din Syamsuddin, diretor do Centro para o Diálogo e a Cooperação entre Civilizações, da Indonésia. “Os seres humanos são integrantes da comunidade da natureza e devem basear seu consumo na moderação. Temos que mudar nossa maneira de viver, protegendo as gerações futuras.” Para isso, disse o representante do islã na mesa, “é necessária a colaboração entre cientistas, empresários, religiões e a sociedade.” E concluiu seu discurso com uma citação. “Como disse o profeta, embora se aproxime o dia da destruição, se alguém tiver uma semente na mão, que a semeie.”

A Noruega plantou uma semente há uma década: decidiu converter a preservação das florestas tropicais em uma de suas prioridades internacionais. A partir de então, não só investiu com essa finalidade mais de 3 bilhões de dólares (10 bilhões de reais), estima o ministro do Clima e Meio Ambiente norueguês, como também tomou medidas para a redução do consumo do óleo de palma (azeite de dendê) e da importação de madeiras de procedência tropical. Em benefício do desenvolvimento sustentável e da mitigação do aquecimento global também estimula a paulatina substituição de veículos de combustão fóssil por elétricos – cerca de 30% dos vendidos em 2016 são assim. Desse modo, o país reduz suas emissões. No entanto, exporta o problema: sua principal indústria (40% do PIB) ainda é a da produção de petróleo. Algo que o ministro Helgesen reconhece que precisa ser mudado nos próximos anos, seguindo os conselhos de Nanditha Krishna: “A teologia hindu diz que devemos tomar da Terra somente o que necessitamos. Mas devemos simplificar nossos desejos, nos submetermos a uma transformação pessoal”.

Indígenas, os guardiães da floresta

"Para nós que vivemos em florestas tropicais, as árvores, as plantas, animais e micro-organismos são membros de nossa comunidade. Temos, além disso, deidades que protegem as árvores e as águas. E temos árvores sagradas. Infelizmente, somos ameaçados por proteger as florestas, nossos direitos são violados e esmagados. Estamos em uma crise”, afirmou em sua intervenção Vicky Tauli-Corpuz, relatora das Nações Unidas para a defesa das pessoas indígenas. Ela, que vive no norte das Filipinas, sabe bem que aos riscos do desmatamento se somam os que correm aqueles que ousam defender a venerada, sagrada, divina, mas maltratada, casa de todos.

"Todos os dias lutamos contra os ataques do Estado brasileiro, as hidrelétricas, as empresas mineradoras, as madeireiras, contra a ampliação das ferrovias, as diferentes formas de pressão. O Brasil é o país que mais mata ativistas indígenas”, denunciou Sonja Guajajara, coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Apesar de defenderem seus territórios na selva amazônica, a líder enfatiza que sua luta não é local. “Não tem fronteiras, por isso temos de nos juntar e reunir todas as forças presentes”, disse, pedindo o apoio do grande público presente.

O saber tradicional dos povos indígenas está reconhecido no Acordo de Paris como uma potente ferramenta contra as mudanças climáticas. A evidência científica demonstra que onde eles vivem e fazem o manejo da floresta não há desmatamento, ocorrem menos incêndios e as árvores são ativamente (e não só em palavras) respeitadas. Sofrem, porém, constantes ataques, como descreveu Guajajara. Um recente relatório da Anistia Internacional revelou que, dos 281 ativistas assassinados no mundo em 2016, a metade atuava em problemas ligados à terra, território e meio ambiente.

“Os povos indígenas formam uma unidade com a Natureza, e a Natureza não ataca, mas dá respostas”, disse a líder brasileira ao justificar sua resistência à destruição de seu habitar em nome do progresso. Joseph Itongwa, membro do Comitê de Povos Indígenas da África, na República Democrática do Congo, aprofundou essa ideia: “Não me ensinaram o valor das árvores na escola. Desde crianças aprendemos seu valor para nossa sobrevivência. Produzem tudo de que precisamos: dão frutos, abrigam pássaros, são nossas guias... Temos uma relação de respeito com a Natureza. Assim, cortar árvores vai bem além do que se disse aqui. É uma perda de nossa identidade. Quando se derruba uma árvore é como se cortassem nossa identidade”.

Nesse sentido, Harol Jhony Rincon, secretário-geral da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (OPIAC), perguntou: “Por que dizem que somos os guardiães da Natureza? ”Sem intenção de ofender”, disse, ele lançou sua resposta: “Porque os ambientalistas assumem que a preservação é o mesmo que a cosmovisão dos indígenas”. Uma equivalência que Rincon nega: “Nós não falamos de ambientalismo, mas de governo de nossos territórios porque o pai criador nos deu essa missão”,

O necessário reconhecimento real da titularidade das terras tem sido um dos assuntos mais debatidos atualmente, nos palcos, em grupinhos, cafés e encontros paralelos. Sem ele, a porta para que as grandes corporações e Governos se aproveitem dos recursos naturais em detrimento do bem comum está aberta. E passam por ela sempre que podem, sem se importar em muitas ocasiões que dentro da casa haja um indígena, milhares de espécies, árvores milenares, milhões de insetos... vivendo. Mas sua existência, luta e morte é invisível para a maioria dos habitantes do planeta. “Temos que nos tornar visíveis”, declarou Abdon Nabalan, vice-presidente do Conselho Nacional da Aliança de Indígenas do Arquipélago, na Indonésia. A iniciativa inter-religiosa para salvar as florestas tropicais, da qual tratou, tem sido uma oportunidade. “E que haja mais”, conclui.



domingo, 7 de maio de 2017

Índios isolados estão ameaçados, denuncia pastor ex-presidente da FUNAI


O pastor batista Antonio Fernandes Costa foi demitido esta semana, conforme informamos ontem aqui no blog.

A matéria é do Estadão:

Índios isolados correm risco de virar 'catástrofe internacional', alerta ex-presidente da Funai

Exonerado, Toninho Costa critica esvaziamento de postos de fiscalização da fundação em região ameaçada por sucateamento da fundação

BRASÍLIA – Os povos indígenas que vivem em áreas isoladas da Amazônia estão com existência ameaçada pelo sucateamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), alertou o ex-presidente do órgão Antônio Fernandes Toninho Costa ao tratar das causas de sua exoneração nesta sexta-feira, 5. Reportagem publicada pelo Estado mostrou, na semana passada, que a região de maior concentração de índios isolados do planeta sofre com sucessivas invasões e abandono.

Segundo Toninho, os postos de fiscalização da Funai na região, chamados de Frentes de Proteção, foram esvaziados. “As Frentes de Proteção me preocupam muito, porque isso poderá causar uma grande catástrofe internacional se esses índios ficarem desprotegidos. É isso o que me preocupa. Os que estão aldeados podem ter acesso às políticas públicas. Os que estão isolados estão desprotegidos”, disse Toninho. “A Funai corre risco sim de ser extinta, se continuar esses ataques parlamentares e cortes de orçamentos.”

Governos de todo o mundo já cobram do Brasil uma resposta aos crimes contra povos indígenas, a garantia de recursos para a Funai e um processo acelerado das demarcações de terras. Recentes críticas foram feitas durante a sabatina realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra nesta sexta-feira, 5, sobre as políticas de direitos humanos do País.

“Mais do que acabar com a Funai, querem acabar mas com as políticas públicas de demarcação de terras. O governo não tem neste momento um sentimento para compreender o que é a Funai”, afirmou Toninho, que responsabilizou o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, pelo esvaziamento da instituição. “Com a posição do atual ministro, esses conflitos poderão ser acirrados, porque há proteção por parte de alguns segmentos políticos que estão dando cobertura a isso.”

Exoneração. Segundo o ex-presidente da Funai, Serraglio teve atuação direta em sua saída. “A ideologia dele (Serraglio) é uma, a minha é outra. É um ministro contra as políticas indígenas. A bancada (ruralista) não só assumiu o controle das questões indígenas, mas de todo o Congresso Nacional". Por outro lado, Serraglio afirma que a instituição necessita uma "atuação mais ágil" da que vinha sendo implementada. "O recém iniciado contingenciamento de recursos foi estabelecido para todos os órgãos do governo e não afetou o início da gestão de Costa", afirmou. O ministro acrescentou ao Estado que "há várias questões que demandam soluções e ações urgentes, como o desbloqueio de rodovias em várias partes do país e as demarcações de terras".

A Funai precisa de cerca de R$ 9 milhões por mês para pagar suas contas e manter suas operações, mas em abril recebeu apenas R$ 4 milhões. Na última semana, enquanto indígenas se manifestavam em Brasília durante o evento Terra Livre, Serraglio reduziu o orçamento da fundação para este ano em 44%. O montante que estava aprovado em gastos obrigatórios, como contas administrativas, era de R$ 107,9 milhões, mas foi reduzido para R$ 60,7 milhões.

Dados reunidos pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostram que R$ 27,8 milhões já foram gastos nos primeiros quatro meses deste ano com manutenção, despesas administrativas e programas. Com isso, sobram apenas R$ 22 milhões até o final do ano.



sábado, 6 de maio de 2017

Pastor batista demitido da presidência da FUNAI culpa pressões políticas

Cacique Raoni com pastor Antônio Fernandes: parceria que alguns "homens brancos" não gostaram. 

Conforme havíamos comentado aqui em janeiro deste ano, o pastor havia sido nomeado por indicação do PSC, partido que abriga, ao que parece, tudo o que há de pior no governo Temer, inclusive ruralistas e militares seguidores de Bolsonaro.

Parece também que o pastor Antônio Fernandes era uma rara e decente exceção.

O portal G1 da Globo, por exemplo, destaca que ele afirmou que "não compactua com os malfeitos do governo federal em relação às causas indígenas". 

É tão raro - hoje em dia - ver um evangélico preocupado com os pobres, os fracos e os oprimidos, que a gente até se assusta, não é mesmo?

A informação é da Agência Brasil:

Ex-presidente da Funai diz que foi exonerado por rejeitar “ingerência política"

Alex Rodrigues

Exonerado hoje (5) da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio Fernandes Toninho Costa atribuiu sua saída do cargo à “ingerência política” e à incompreensão de setores do governo sobre o papel institucional da fundação. Em entrevista coletiva, Costa criticou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, e o líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC-SE), e disse que foi impedido de executar o que estabelece a Constituição.

“Há uma incompreensão por parte do Estado, que não entende que o papel do presidente [da Funai] é defender as políticas indígenas. Foi isso que eu fiz desde meu primeiro momento no cargo. Creio que isso deve ter contrariado alguns setores”, afirmou Costa na entrevista, concedida na calçada em frente à sede da fundação, em Brasília.

Costa disse que foi pressionado para contratar pessoas sem a devida qualificação técnica, por indicação do líder do governo, André Moura. mas que não aceitou as indicações. "A Funai é composta por cargos técnicos, por servidores concursados”, afirmou Costa. Ele considerou preocupante a situação dos povos indígenas e disse que há risco de a Funai ser extinta.

“A Funai está fragilizada. Ela foi esquecida pelo Estado brasileiro, não só pelo atual governo, mas também pelos anteriores, que deixaram a instituição em uma situação caótica”, ressaltou Costa, que estava no cargo desde janeiro. Formado em odontologia, ele é especialista em saúde indígena. Entre 2010 e 2012, foi coordenador-geral de Monitoramento e Avaliação da Saúde Indígena na Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde.

Costa acusou o ministro Osmar Serraglio de representar os interesses dos ruralistas na pasta da Justiça, à qual a Funai está subordinada,. “Ele está sendo o ministro de uma causa que defende no Parlamento”, afirmou o ex-presidente. Como deputado pelo PMDB do Paraná, Serraglio foi relator de proposta que transferiria a atribuição de demarcar terras indígenas da Funai para o Congresso Nacional – o que, para o movimento indígena e entidades que o defendem, é uma forma de barrar a demarcação e o reconhecimento de novas áreas.

Pastor evangélico e ex-assessor parlamentar, Costa reagiu à avaliação do governo de falta de eficiência na Funai, criticando o recente corte no Orçamento federal, que afetou a fundação. Segundo ele, desde março, a Funai recebe os recursos previstos necessários para manter suas ações e projetos.

A presidência da Funai será ocupada interinamente pelo atual diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, general Franklimberg Freitas.

Outro lado

Em nota, o ministro Osmar Serraglio justificou a exoneração de Costa afirmando que a Funai precisa de uma atuação “mais ágil e eficiente” e destacando que todos os órgãos do governo foram impactados pelo contingenciamento de recursos federais. Ao citar exemplos de “questões que demandam soluções e ações urgentes”, Serraglio citou o desbloqueio de rodovias e a falta de providências, pela Funai, para permitir que uma linha de transmissão de energia elétrica seja instalada em terras indígenas na Amazônia para garantir o abastecimento à população de Roraima.

A Agência Brasil não conseguiu contato com o líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura.

Edição: Lidia Neves



sábado, 21 de janeiro de 2017

Temer nomeia pastor batista para presidência da FUNAI


A informação é do portal Amazônia Real:

Governo Temer nomeia pastor a presidente da Funai e inclui um general do Exército na equipe, ambos do PSC

Elaíze Farias
12/01/2017 20:56

A indicação do pastor Antônio Toninho Costa (de blusa branca) ocorre em meio a exigência do governo para acelerar obras do PAC paralisadas por causa de demarcação de terras (Foto: Reprodução Youtube)

O Ministério da Justiça anunciou nesta quinta-feira (12) a nomeação do dentista, assessor parlamentar e pastor evangélico Antônio Fernandes Toninho Costa para presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), cargo que estava sendo ocupado interinamente há sete meses após a exoneração do ex-senador João Pedro Gonçalves (PT). O nome do pastor Antônio, como é conhecido na Primeira Igreja Batista no Guará, em Luziânia, em Goiás, é uma indicação do Partido Social Cristão (PSC).

Em um rápido contato com agência Amazônia Real, o pastor Antônio Toninho Costa disse que tinha “25 anos de militância nas políticas indígenas” e destacou ser especialista em Saúde Indigenista. Disse ainda que daria entrevista após a publicação de sua nomeação no Diário Oficial da União (DOU).

O Ministério da Justiça disse que a nomeação de Antônio Toninho Costa, que já atuou na questão indígena pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, será publicada nesta sexta-feira (13) no DOU. Atualmente, ele trabalhava como assessor parlamentar do PSC na Câmara dos Deputados.

O nome de Antônio Toninho Costa foi anunciado pelo Ministério da Justiça menos de 24 horas após o presidente da República Michel Temer exigir do ministro Alexandre de Moraes que resolvesse a questão da Funai durante a reunião que discutiu a retomada do crescimento econômico nesta quarta-feira (11), em Brasília. Na reunião, Temer foi comunicado que haviam obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) inacabadas ou paralisadas por causa da demarcação de terras indígenas. Segundo a Globonews, nesta ocasião, Temer foi avisado que a Funai não tinha um presidente efetivo.

Tudo indica que o governo do presidente Temer escolheu o nome do pastor Antônio Toninho Costa por ser, aparentemente, mais técnico, já que a intenção sempre foi colocar um general do Exército na presidência da Funai, como queria o PSC. Ainda assim, um militar foi nomeado para um outro cargo da Funai. O Diário Oficial desta quinta-feira (12) publicou a nomeação pelo ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, do general do Exército Franklimberg Rodrigues de Freitas para o cargo de Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai.

O general Franklimberg, que é assessor do Comando Militar da Amazônia, em Manaus, foi indicado, em agosto passado, para ser presidente da fundação pelo PSC, partido presidido pelo Pastor Everaldo Nascimento, que defende as bancadas ruralista e evangélica.

Desde a entrada de Temer no Planalto, o PSC lidera um movimento com indicações de militares para a Funai. Antes, o partido indicou o general Sebastião Roberto Peternelli, mas o governo acabou desistindo depois da reação do Movimento Nacional Indígena e de organizações que defendem os direitos indígenas e os direitos humanos. Lideranças indígenas também rejeitaram o nome do general Franklimberg.

Na Funai, o general Franklimberg vai ocupar o cargo no lugar de Antônio Nobre Mendes, funcionário de carreira e que foi exonerado pelo ministro Eliseu Padilha da Diretoria Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. Entre os meses e junho a setembro, Nobre ocupou interinamente a presidência da fundação. Ele foi afastado da presidência, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, após repudiar, em nota oficial da Funai, a organização dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016 por promover ofensas aos povos indígenas do Brasil. No lugar de Nobre, assumiu a Funai o interino Agostinho do Nascimento Netto, assessor especial do Ministério da Justiça.

Em declaração à reportagem da Amazônia Real, o general Franklimberg Ribeiro de Freitas disse que vai viajar para Brasília (ele não disse a data) para saber os procedimentos de sua posse no cargo.

A mudança no comando da Funai acontece em meio aos protestos que ocorrem desde o ano passado contra propostas do governo do presidente Michel Temer de alterar o processo de demarcação de terras indígenas e reestruturar a fundação. Na reestruturação, o governo prevê, conforme apurou a reportagem, um novo arranjo na fundação, que inclui uma eventual transferência do Departamento de Proteção Territorial, responsável pelo sistema de demarcação das terras indígenas, para a Casa Civil, hoje chefiada pelo ministro Eliseu Padilha.

Conforme o Ministério da Justiça, Antônio Fernandes Toninho Costa é graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Alfenas (1995), com especialização em Saúde Indígena pela Universidade Federal de São Paulo (2010). Entre os anos de 2010 e 2012, foi coordenador-geral de Monitoramento e Avaliação da Saúde Indígena na Secretaria Especial de Saúde Indígena.

Desde maio de 2016, Antônio Toninho Costa era assessor parlamentar pelo PSC na Câmara dos Deputados, trabalhando como assistente técnico da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, presidida pelo deputado Victório Galli (PSC/MT). Também foi assessor técnico na Comissão de Legislação Participativa da Câmara (2015) e na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara (2014).

Costa atuou como Consultor da Organização Pan-americana para Saúde Indígena (2009) e do Departamento de Saúde Indígena da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (2002/2005). Entre 2005 e 2009, trabalhou na ONG Missão Evangélica Caiuá, na saúde indígena.

Conforme apurou a agência Amazônia Real, como pastor evangélico, Antônio Toninho Costa é dirigente da Primeira Igreja Batista no Guará em Jardim Bandeirante, no município de Luziânia, em Goiás, fundada em 2006. A igreja é uma congregação da PIBGuará, que foi fundada em 1963, em Brasília. Hoje tem membros nos municípios de Benjamin Constante, no Amazonas, e em Islândia, no Peru. A PIB trabalha com a Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, criada em 1907.

Repercussão entre indígenas

A nomeação do pastor Antônio Toninho Costa surpreendeu o Movimento Indígena Nacional. Estava sendo cotado para assumir o cargo de presidente da Funai o indígena Sebastião Manchineri, filiado ao DEM do Acre. Foi indicado também Noel Villas-Bôas, advogado do PSDB de São Paulo, filho do sertanista Orlando Villas-Bôas.

Nos últimos meses, Sebastião Manchineri recebeu apoio de várias organizações indígenas do país, que divulgaram notas em favor de sua nomeação, entre elas a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Em grupos de Whatsapp, lideranças se mostraram céticas em relação à nova gestão da Funai e já falam em intensificar as mobilizações.

Procurado pela reportagem, Sebastião Manchineri se mostrou frustrado com a decisão do governo de Michel Temer, apesar de todas as articulações que vinha realizando em Brasília e do apoio das lideranças indígenas, mas disse que não desistiu.

“Se vão nomear (Antônio Toninho Costa), não vamos desistir de tirar o que é nosso. Assim como eles acham que têm direito de impor, para nos intimidar, evangelizar, diminuir, oprimir, nós temos o direito à liberdade e a dignidade de defender a nossa autenticidade, princípios, valores e continuidade. Se é um jogo, vamos jogar. Se é para ser feito assim, vamos fazer”, disse Sabá.

Manchineri afirmou que nasceu com a missão de “lutar e buscar e defender aquilo que seja humano e digno” e que não vai apoiar “a exploração em detrimento da vontade e do interesse dos exploradores e das pessoas que vivem da miséria dos outros”.

Em entrevista à Amazônia Real, Nara Baré, vice-coordenadora da Coiab, afirmou que a decisão do governo confirma o retrocesso denunciado pelos indígenas nos últimos meses. Para ela, a governo Temer está tentando usar a Funai como manobra contra os próprios indígenas.

“Não vamos permitir que nosso próprio órgão indigenista, que existe para proteger e promover nossos direitos, venha contra nós”, disse Nara Baré.

Marcos Apurinã, representante dos povos indígenas de Rondônia no Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), comentou a nomeação de Franklimberg Rodrigues de Freitas no cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável.

“Conversamos com ele anteriormente e me pareceu despreparado. Ele nos disse que só assumiria um cargo na Funai se fosse como presidente. É estranho que agora ele tenha aceitado uma diretoria. O que me parece é que ele assumiu para complicar a vida dos povos indígenas”, disse Apurinã.

Segundo a liderança, no cargo de Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Franklimberg Ribeiro de Freitas terá poder de autorizar licenciamentos sobre grandes obras, como hidrelétricas e rodovias. Para Apurinã, somente alguém comprometido com os povos indígenas, como o caso de Sebastião Manchineri, poderia barrar qualquer decisão contrária ao direito dos indígenas.

“Colocaram uma pessoa que pode prejudicar nossos direitos, nosso acesso aos recursos e a nossa sustentabilidade. Está entrando para complicar a Funai nesse setor, para que pessoas de fora, não indígenas, tenham acesso aos recursos das terras indígenas. Pode prejudicar a situação das comunidades. Não queremos nem paternalismo, nem ditadura. Queremos acesso à sustentabilidade”, disse Apurinã.

Promessa de manifestações

Nara Baré disse que o movimento indígena não está quieto e vai responder e reagir a qualquer tentativa de ataque aos seus direitos.

“Ano passado fizemos mobilizações. O Ocupa Funai. O Ocupa Sesai. Vamos lutar sempre. A gente não está para brincadeira. Se conversando não está resolvendo, vamos partir para ações mais concretas. Estamos sempre de prontidão. Quando menos esperarem, a gente ataca, vamos partir para a guerra. O governo não sabe do que somos capazes. Deixo minha casa, enfrento aqueles ‘Robocops’ de Brasília, levo bala de borracha. É pelas futuras gerações que faço isso, pelos meus filhos e minha terra”, disse Nara Baré, indígena da região do Alto Rio Negro (AM).

Para Nara Baré, Sebastião Manchineri não foi escolhido porque ele não “baixaria a cabeça” aos interesses anti-indígenas. “Eles [governo] não querem uma Funai fortalecida, mas uma Funai marionete dos interesses contrários aos nossos”.

(Colaborou Alberto César Araújo, da Amazônia Real)



domingo, 23 de outubro de 2016

Canadá aos poucos vai se fechando a estrangeiros


Um dos países mais lindos, receptivos e agradáveis do mundo aos poucos vai se rendendo à xenofobia e ao racismo, infelizmente.

A matéria é da BBC Brasil:

O silencioso e inquietante crescimento de grupos racistas e xenófobos no Canadá

Jessica Murphy

No início do mês, pacotes de panfletos da organização supremacista branca Ku Klux Klan foram parar nos degraus de dezenas de casas em duas cidades da Província canadense de British Columbia. O material era similar a papeis deixados em uma comunidade vizinha no verão.

Nas últimas semanas, pôsteres com mensagens contra muçulmanos e a religião monoteísta indiana sikh apareceram nos campi de duas universidades na Província de Alberta.

Esses incidentes contrastam com a imagem do Canadá como país aberto e multicultural, e que recentemente abriu as portas para cerca de 30 mil refugiados sírios.

A polícia investiga os casos, mas ainda não está claro quem está por trás das manifestações.

Para pesquisadores como James Ellis, da Rede Canadense para a Pesquisa sobre Terrorismo, Segurança e Sociedade, os eventos não surpreendem.

"Aqui no Canadá parece haver menos preocupação com o extremismo de direita do que com o de outros tipos", disse. "Há muitas indicações de ressurgência do extremismo de direita e do terrorismo no mundo ocidental e não há razões especiais pelas quais o Canadá não sentiria os mesmos efeitos."

Influência do vizinho

Para Ellis, a extrema direita no Canadá - definida informalmente por apreço à desigualdade social e étnica, crença no nacionalismo étnico e uma forma radical de atingir esses objetivos - se fortaleceu com a retórica anti-imigração que circula nos Estados Unidos.

Assim como em outros países, esse sentimento também é reforçado pela instabilidade social e econômica.

Há cerca de cem grupos de extrema direita ativos no Canadá nos últimos anos - de pequenas a grandes células até grupos mais organizados, embora sejam menos violentos do que os da Europa e EUA.

Apesar disso, Ellis destaca que há uma espécie de "polinização cruzada" das ideias desses grupos, e o Canadá tem sido fonte de muita bagagem ideológica.

"Há muitas situações nas quais o discurso de ódio e as músicas mais violentas se originaram aqui e influenciaram pessoas em toda parte", afirma.

Panfletos da Ku Klux Klan similares aos distribuídos em British Columbia também foram encontrados nos EUA - da Carolina do Norte até a Califórnia e a Pensilvânia.

De acordo com a entidade Southern Law Center, que monitora organizações extremistas e fica no Alabama (EUA), há um crescimento dos grupos radicais de direita nos Estados Unidos.

Entre 2014 e 2015, o número desses grupos cresceu 14%, e o número de células da KKK subiu de 72 em 2014 para 190 no ano passado.

De acordo com o pesquisador Ryan Scrivens, da Universidade de Fraser, em British Columbia, autoridades europeias e americanas têm conseguido monitorar esses grupos de forma mais efetiva do que no Canadá.

"Pensamos que somos esse país perfeito e multicultural, mas não somos. Não vemos as mesmas insurgências aqui porque nossa população é menor, mas eles estão aqui de toda forma", disse Scrivens, que estuda grupos extremistas de direita.

Scrivens e seu grupo de pesquisadores identificaram casos de violência extremista espalhados pelo país e registraram centenas de incidentes entre 1980 e 2015, documentando assédios verbais e físicos, além de atos de vandalismo relacionados a esses grupos.

As atividades estão agrupadas em torno de Quebec, ao oeste de Ontário, em Alberta e no centro de British Columbia.

O monitoramento da violência ligada ao extremismo mostra que os alvos mais comuns são muçulmanos, judeus, minorias mais visíveis e a população aborígene.




Brincando com fogo

Um ex-extremista radical e violento afirma, no entanto, que está mais preocupado com o rumo que a maioria do país está tomando do que com as células extremistas.

O canadense Anthony McAleer era organizador e recrutador no Canadá para o grupo neonazista Resistência Ariana Branca.

Agora ele trabalha para uma organização norte-americana sem fins lucrativos chamada Life After Hate (Vida após o Ódio, em tradução livre), fundada por ex-membros de movimentos radicais de direita e dedicada a combater a ideologia da extrema direita.

Para ele, é preciso se preocupar com a retórica do candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump - que chegou a sugerir o banimento de muçulmanos do país. "Ele está mexendo com o centro dos EUA, e quando ele empurra esse centro certamente atinge os extremos."

Ele alerta ainda que, apesar de o Canadá não ser afetado pela desigualdade como outras nações e ter sido capaz de integrar refugiados e imigrantes, há uma pressão que pode mudar a cultura do país.

Essas pressões vão desde a retórica de outras regiões que chega via noticiário até grupos anti-islâmicos como o Pegida - um acrônimo para Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente, que se estabeleceu no Canadá.

As propostas de Kellie Leitch, que concorre pela liderança do Partido Conservador no Canadá, incluem revista a imigrantes baseada apenas em "valores canadenses". As medidas foram criticadas por espalharem medo, mas pesquisas de opinião mostram que têm apoio da maioria da população do país.

Além disso, há focos de estagnação econômica nas regiões produtoras de petróleo.

Para McAleer, são esses "influenciadores" que preocupam mais do que os extremistas que operam no país.

"É preciso olhar para os dois com atenção. Um é certamente uma ameaça ao cumprimento da lei. O outro é uma ameaça ao tecido social."

Nós te amamos, Canadá!
Volta pra nós, vai....




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A versão fúnebre do haka


Já que o feriado prolongado foi merecidamente tomado pelo rugby da Nova Zelândia, que venceu sábado passado a Copa do Mundo da modalidade, aproveitamos o Dia de Finados para continuar no pique da Oceania e apresentar aos nossos leitores a versão fúnebre do haka.

Haka, para quem ainda não está familiarizado com o termo, é um ritual típico do povo maori, os aborígenes das ilhas que hoje compõem o país que conhecemos como Nova Zelândia.

Mundialmente conhecido pela performance que a seleção neozelandesa de rugby, os All Blacks, realiza diante do time adversário antes das suas partidas, que se parece mais com um grito de guerra, o haka não se limita a isso.

O ritual varia conforme a ocasião: pode ser uma dança de celebração, uma cerimônia de boas vindas, uma homenagem a alguém que mereça ou mesmo um funeral, entre outros usos.

Na sua versão fúnebre, o haka parece ser ainda mais emocionante, uma mescla de lamento com reconhecimento pelos feitos de alguém que se foi, conforme você pode ver pelos três vídeos abaixo.

O primeiro é de um regimento da Infantaria neozelandesa, dando adeus a companheiros que morreram em serviço no Afeganistão:



O segundo é dos cerca de 2700 alunos da escola Palmerston North Boys' High School, em homenagem póstuma ao seu professor Dawson Tomatea:




O terceiro é dos próprios atletas dos All Blacks que jogam nos times de rugby da França, em homenagem na beira da estrada (autoroute A9 perto de Béziers) ao seu colega Jerry Collins, que faleceu em 5 de junho de 2015 num acidente de trânsito que vitimou também sua companheira Alana Madill, deixando uma filhinha então com 3 meses de idade, Ayla, ainda hoje em recuperação.



Culturas e oceanos à parte, não deixa de ser uma maneira bastante diferente (e interessante) de se encarar a morte e dar ao momento do adeus um sentido talvez mais nobre e vibrante, não acha?



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Papa faz o seu discurso mais ideológico durante visita à Bolívia

Do apelo à preservação do meio-ambiente ao pedido de perdão aos indígenas pelos abusos cometidos pela igreja na colonização da América, sobrou para todo mundo (inclusive o Estado Islâmico) no discurso anticapitalista do papa ontem, 09/07/15, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, segundo informa a Folha de S. Paulo:

Em discurso anticapitalista, Francisco prega "mudança de estruturas"

FABIANO MAISONNAVE

No discurso mais político em pouco mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu nesta quinta-feira (9) uma "mudança de estruturas" mundial, chamou o capitalismo de "ditadura sutil" e exortou os movimentos sociais a realizar "três grandes tarefas" na economia, na união entre os povos e na preservação do ambiente.

"Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?", perguntou o papa a algumas centenas de representantes de movimentos sociais de vários países, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros,durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia).

"Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco", completou o papa no encontro, realizado no auditório da Expocruz (feira agropecuária de Santa Cruz).

Para o papa, a "globalização da esperança" nasce e cresce entre os pobres, mas até a elite econômica quer mudanças: "Dentro dessa minoria cada vez menor que acredita que se beneficia com este sistema reinam a insatisfação e especialmente a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza."

Em outra dura crítica ao capitalismo, Francisco afirmou que, "atrás de tanta dor, tanta morte e destruição está o fedor disso que [são] Basílio de Cesareia (330-379) chamava de 'o esterco do Diabo' [dinheiro]". Segundo ele, o capitalismo é uma "ditadura sutil".

O líder católico atacou também "a concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural". Para ele, trata-se de "colonialismo ideológico".

Apesar da análise dura, Francisco advertiu contra o excesso de pessimismo e exortou os movimentos sociais a protagonizar as mudanças: "Eu me atrevo a dizer-lhes que o futuro da humanidade está, em grande medida, em suas mãos", afirmou. "Vocês são os semeadores das mudanças."

Em seguida, o pontífice propôs a realização de três tarefas aos movimentos sociais. A primeira é a "colocar a economia a serviço dos povos": A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas "a administração correta da casa comum". O objetivo, diz, é assegurar os "três Ts: trabalho, teto e terra".

"A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, a tarefa é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e aos povos o que lhes pertence."

A segunda tarefa, segundo o pontífice, é "unir nossos povos no caminho da paz e da justiça". Ele defendeu o conceito de "pátria grande", usado por movimentos de esquerda para pregar a união latino-americana.

Francisco afirmou que problemas como a violência não podem ser resolvidos sem cooperação entre os países e atacou o "novo colonialismo": "Interação não é sinônimo de imposição", afirmou. "Colocar a periferia em função do centro lhe nega o direito a um desenvolvimento integral. Isso é iniquidade, e a iniquidade gera tal violência que não haverá recursos policiais, militares ou de inteligência capazes de deter."

Por último, o líder católico pediu a preservação da "Mãe Terra", tema de sua encíclica mais recente: "Não se pode permitir que certos interesses –que são globais, mas não universais– se imponham, submetam os Estados e organismos internacionais e continuem destruindo a criação".

'3ª GUERRA EM PARCELAS

O papa também condenou o assassinato de católicos pelo grupo terrorista Estado Islâmico e disse que o mundo vive "uma Terceira Guerra Mundial em parcelas".

"Isto também deve ser denunciado: dentro desta Terceira Guerra Mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em marcha, e ele deve cessar", declarou o pontífice.

Visitando um país de maioria indígena, Francisco pediu desculpas pelo atuação da Igreja Católica durante a colonização –momento do discurso em que ele foi mais aplaudido pelos fiéis.

"Digo-lhes com pesar: foram cometidos muitos e graves pecados contra os povos originários da América em nome de Deus", disse. "E quero dizer-lhes, quero ser muito claro, como foi são João Paulo 2°: peço humildemente perdão, não apenas pelas ofensas da própria igreja como pelo crimes contra os povos originários durante a chamada conquista da América."

Ao final do discurso, disse: "Digamos juntos de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem velhice digna. Sigam a sua luta e, por favor, cuidem muito da Mãe Terra."



quinta-feira, 2 de julho de 2015

Papa mascará folhas de coca durante visita à Bolívia


No que faz muito bem, pois este que vos escreve já teve que mascar folhas de coca (além de abusar do respectivo chá) para enfrentar as extremas altitudes da cordilheira dos Andes.

Fiquem tranquilos, queridos leitores, não fiquei "doidão". Só quem fica desesperado em busca de oxigênio nas altitudes superiores a 2.500m do nível do mar sabe como a coca (a planta, e não sua derivada, a cocaína) é essencial para aguentar o tranco.

No fundo, a experiência de mascar coca ou tomar o seu chá é um teste de força para o coração, que passa a bombear loucamente o sangue para retirar o máximo de oxigênio do ar rarefeito que os pulmões inspiram do ambiente ao seu redor.

A experiência é curiosa, confesso. O simples ato de inspirar o ar, que em altitudes menores requer um ou dois segundos, de repente passa a durar o triplo ou quádruplo.

Esperamos que o coração do papa resista bravamente ao exercício. Desejamos longa vida e muito oxigênio para o pontífice romano.

A notícia é da BBC Brasil:

Papa 'pretende mascar coca durante viagem à Bolívia', diz governo de Morales


O papa Francisco pediu para mastigar folhas de coca durante sua visita à Bolívia, segundo o ministro da Cultura do país, Marko Machicao.
O pontífice deve chegar ao país no dia 8 de julho.


A folha de coca, um dos ingredientes usados para a fabricação da cocaína, é usada em vários países dos Andes há milhares de anos para combater os males da altitude e também como um leve estimulante.

Machicao disse que o governo ofereceu ao papa o chá da folha de coca e o pontífice fez um "pedido específico", para mastigar as folhas.

O Vaticano não comentou a afirmação do ministro boliviano.

Ilegal e sagrada

As folhas de coca foram declaradas uma substância ilegal sob a Convenção da ONU para Drogas Narcóticas de 1961.

Mas, o cultivo de folhas de coca com fins religiosos e medicinais é legal na Bolívia.

Muitos indígenas bolivianos consideram a planta da coca sagrada e mastigar as folhas, ou fazer um chá com elas, é muito popular.

A Constituição boliviana de 2009 até declarou que a folha de coca é um "patrimônio cultural" do país.

O presidente do país, Evo Morales, já foi agricultor e cultivava as folhas. Ele faz campanha para descriminalizar o consumo de folhas de coca.

Se o papa Francisco realmente mascar folhas de coca durante sua visita à Bolívia, o ato significaria um grande apoio à campanha de Morales.

"Estamos esperando o santo padre com a folha sagrada de coca", disse Machicao.

A visita do papa à Bolívia é parte de uma viagem do pontífice pela América do Sul, que deve passar também pelo Equador e Paraguai.



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