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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Padre desce de tirolesa até o altar para celebrar missa no interior de SP

Ainda bem que o padre usa calças por baixo da batina, né...

Está cada dia mais difícil atrair fiéis para as atividades religiosas, a julgar por esta notícia  - com vídeo mais abaixo - que vem do Estadão:


Padre usa tirolesa para entrar em igreja


SARA ABDO

Missa especial celebrava Nossa Senhora Rosa Mística

Era 13 de novembro, dia da Rosa Mística, quando religiosos foram surpreendidos pela entrada inusitada do padre que celebraria a missa: descalço, ele "desceu" ao altar a partir de uma tirolesa.

O pároco Augusto Alves Ferreira, do município de Espírito Santo do Pinhal, interior do Estado de São Paulo, é conhecido na cidade por fazer missas animadas. "Mas descer a tirolesa foi a primeira vez", disse ao E+ a usuária @stylesfatal, quem compartilhou a foto em seu Twitter e preferiu não se identificar.

Embora responda pela Paróquia Divino Espírito Santo, a entrada triunfal de Augusto foi na catedral da cidade. A missa era em celebração à Nossa Senhora Rosa Mística, comemorada todo dia 13.

O padre fez toda a travessia segurando a santa nas mãos.

A publicação ficou popular no Twitter. Veja algumas repercussões:









sábado, 3 de junho de 2017

Conhecido por sua música sacra, Bach também tinha um lado profano


A matéria é do Estadão:

Religioso, Bach via em música profana 
'divertimento do espírito'

Compositor criou mais música profana do que sacra em seus anos vividos em Leipzig

João Marcos Coelho*

A imagem que temos hoje de Johann Sebastian Bach (1685-1750) é a de um compositor capaz de introduzir estudantes na música com as tecnicamente fáceis Invenções a Duas e Três Vozes e o Pequeno Livro de Ana Magalena Bach, mas também de desafiar os maiores virtuoses com o Cravo Bem Temperado, sem esquecer a grandiosidade das 200 cantatas, da Missa em Si Menor e da Arte da Fuga, obra abstrata sem indicação de instrumentação.

Alfa e ômega para os músicos, Bach é o Himalaia do público. Sua imagem convencional é a do homem profundamente religioso que compunha uma cantata por semana como responsável pela música em um punhado de pequenas cidades espalhadas por um raio de cem quilômetros – carreira provincial que culminou na Igreja de Santo Tomás, em Leipzig, em seus derradeiros 27 anos.

Um retrato curiosamente desmontado por um dos maiores especialistas na sua música sacra, o inglês John Eliot Gardiner, responsável pela gravação de todas as cantatas, as paixões, a Missa e o Oratório de Natal. Sua devoção a Bach é tamanha que sua gravadora chama-se SDG, as iniciais da expressão que Bach costumava colocar no pé de seus manuscritos: Soli Deo Gloria. Mesmo num ritmo alucinante de gravações e concertos, comemorou seus 70 anos, em 2013, concluindo e lançando na Inglaterra seu livro Música no Castelo do Céu.

Herdamos do século 19 a imagem que temos de Bach, diz Gardiner, como o organista e compositor de cantatas, religioso por excelência. Alguns números desmentem isso: ele compôs, em 27 anos de atividade em Leipzig, 800 horas de música sacra; e 1.200 horas de música profana em dez anos à frente do Collegium Musicum. Numa peça publicada em 1738, Bach acrescentou ao costumeiro “Soli Deo Gloria” o seguinte: “Para a glória de Deus e o legítimo divertimento do espírito (...) se não se leva isso em conta, não há música verdadeira.”

O capítulo sobre o Bach profano o mostra divertindo-se semanalmente no Café Zimmermann, comandando uma orquestra para dar autênticos shows aos cultores da bebida que, então recém-chegada à Europa, era sinônimo de droga quase proibida. Bach interessou-se pela música profana por causa das constantes brigas com o Conselho da cidade, que lhe tolhia as iniciativas e cortava verbas. De outro lado, seus 20 filhos exigiam que ele se multiplicasse: comercializava instrumentos. Os shows no Zimmermann complementaram sua renda. Ele dirigiu o Collegium Musicum entre 1728 e 1737; nos dois anos seguintes foi “artista convidado” e em 1739 retomou a titularidade até 1741. Anualmente, fazia 61 apresentações no Café: no verão, das 16 às 18 horas, na parte externa, com as mesas ao ar livre; no inverno, à noite, na parte fechada. Para dar mais brilho, compôs as quatro aberturas orquestrais e adaptou para cravo solista concertos originais para violino de Antonio Vivaldi. Um dos hits bachianos era a Cantata do Café, música e versos deliciosos cantando o nirvana que proporcionava a novíssima bebida. Um pesquisador imaginou o repertório desses concertos: Bach esbanjando técnica no estonteante Prelúdio e Fuga em Dó Menor do Cravo (BWV 847); a Suíte para Orquestra em Ré Maior (BWV 1068); e o Concerto em Fá Maior para Cravo, Duas Flautas Doces e Cordas (BWV 1057), que nada mais é do que um arranjo do Concerto de Brandenburgo no. 4, com o próprio solando e liderando os músicos.

Este Bach profano revive no recentíssimo CD Bach Trios (Nonesuch), aventura fascinante de três músicos notáveis: o bandolinista californiano Chris Thile, 35 anos, que surgiu com o grupo de bluegrass progressivo Nickel Creek; o violoncelista Yo-Yo Ma, 61 anos, há décadas superstar que rompeu fronteiras artísticas; e o contrabaixista Edgar Meyer, de 56 anos. Três músicos de experiências, formações e personalidades muito diferentes, que comprovam o acerto da afirmação do jovem compositor californiano Timo Andres, 32 anos, em seu texto no encarte: “Junte aleatoriamente um grupo qualquer de músicos numa sala: independente de seus instrumentos, histórias pessoais e personalidades, eles vão acabar encontrando um fundamento comum tocando Bach.”

Como Bach, que intercambiava melodias em textos ora profanos, ora sacros, e brincava literalmente com todas as músicas do mundo europeu que o rodeava, este trio nos convida a um show bachiano num formato tipicamente barroco, o da trio sonata, em que dois ou três instrumentos melódicos eram acompanhados pelo cravo, que fazia a base harmônica (o chamado baixo contínuo). Aqui, o bandolim ora arpeja como o contínuo, por exemplo, no Prelúdio Coral para Órgão BWV 650; ora assume o comando melódico como no Vivace Inicial da Trio Sonata BWV 530 que abre o CD. O violoncelo de sonoridade ampla democraticamente dá bastante espaço ao bandolim, mas por momentos brilha de modo intenso, como em outro Coral para Órgão, BWV 639.

Tudo aqui é muito conhecido. As melodias frequentam o inconsciente coletivo. Talvez o ponto culminante da perfeita integração entre eles ocorra na Sonata BWV 1029, original para viola da gamba. Na seção central da fuga, uma linha contínua é tocada pelos três instrumentos sucessivamente, como se fosse uma corrida de revezamento, em que é perfeita a passagem do bastão (oops!, da melodia) de um para outro. Isto sim é música que alimenta a alma, como queria o “Soli Deo Gloria” de Bach. Mas sem esquecer que a música é também um “legítimo divertimento do espírito”. Pois só assim “há música verdadeira”.

*João Marcos Coelho é crítico musical e jornalista


Para o nosso deleite, "A Arte da Fuga", BWV 1080 - T. Koopman and T. Mathot:




Uma caricatura de leve para humanizar Bach.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Imagens pop revoltam católicos de Goiânia


O caso aconteceu no ano passado e passou meio despercebido, mas ainda levanta polêmica sobre os tênues limites entre arte e blasfêmia.

A matéria foi publicada no Vice em 31/05/16:

A Justiça proibiu uma artista brasiliense de produzir e comercializar suas estátuas de santos pop

DEBORA LOPES

Ofendido, um religioso da Arquidiocese de Goiânia entrou com ação na Justiça e ganhou o caso.

Em fevereiro deste ano, religiosos se incomodaram com as imagens de santos costumizadas pela artista brasiliense Ana Smile, criadora da marca Santa Blasfêmia. Em nota publicada nesta quinta (31), o Tribunal de Justiça de Goiás proibiu a artista de fabricar e comercializar suas estátuas de gesso inspiradas em personagens da cultura pop como Mulher Maravilha, Frida Kahlo, Batman e Galinha Pintadinha. A ação foi impetrada por dom Washington Cruz, religioso da Arquidiocese de Goiânia.

Caso descumpra a ordem, Ana estará sujeita a uma multa de R$ 50 mil. A decisão obrigou também que os perfis da Santa Blasfêmia no Facebook e no Instagram fossem deletados – o que já aconteceu –, e também a retirada dos produtos de uma loja física em Brasília. A decisão cabe recurso.

Na época, o Ministério Público do Distrito Federal recebeu diversas denúncias feitas por religiosos que ficaram ofendidos com as obras. Quando o assunto viralizou na internet, Ana afirmou que estava sendo perseguida e ameaçada nas redes sociais e até mesmo pelo WhatsApp. "Recebi comentários como 'Por que você não faz uma santa com a sua cara sendo penetrada?'", disse a artista para a VICE em fevereiro.

Para Abílio Wolney Aires Neto, juiz da 9ª Vara Cível de Goiânia, ao confeccionar imagens satirizadas dos santos representantes da Igreja Católica, Ana "está deliberadamente extrapolando ao seu direito Constitucional e obstando o direito de imagem da requerente [Igreja]".

A artista Ana Smile foi procurada pela VICE, mas não atendeu as ligações até a publicação desta reportagem.



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nossa Senhora Aparecida vira enredo de escola de samba em SP


Sem peladões e com a bênção das autoridades eclesiásticas da capital paulista, a santa servirá até como inspiração para a indumentária da ala das baianas da Unidos de Vila Maria, segundo noticia o Estadão:

Com aval da Igreja, Nossa Senhora vira samba-enredo da Vila Maria

Carnavalesco da escola da zona norte promete desfile comportado e sem exibição de nudismo, conforme pedido feito por bispos

José Maria Mayrink

SÃO PAULO - A imagem de Nossa Senhora Aparecida vai desfilar no sambódromo de São Paulo no samba-enredo da escola Unidos de Vila Maria com a bênção da Igreja Católica. Será um desfile bem comportado, sem a exibição de cenas de nudismo nem insinuações eróticas, como pediram bispos e padres, prontamente atendidos pelos carnavalescos.

A ala das baianas mostrará mulheres com fantasias da Padroeira do Brasil, uma Nossa Senhora Aparecida estilizada, atendendo a outro compromisso, o de não apresentar o fac-símile da santa pescada nas águas do Rio Paraíba. Não haverá também alusões a sincretismo religioso, como estatuetas de Iemanjá ou outros ícones de crenças da devoção popular.

Nada de censura, só o cuidado de evitar imprecisões no texto ou caricaturas na passarela que pudessem criar constrangimentos e irritações. Alguma coisa, por exemplo, que lembrasse o incidente do carnaval de 1989 no Rio, quando o cardeal Eugênio Sales proibiu o Cristo Redentor na avenida e o carnavalesco Joãosinho Trinta deu a volta por cima, cobrindo a estátua com um pano preto, em inconformado sinal de protesto.

“Nossa intenção era evitar qualquer choque com os católicos”, disse Marcelo Müller, diretor da Vila Maria responsável pelo levantamento histórico dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, da pesca da imagem negra às comemorações neste ano do terceiro centenário.

“Fizemos o que o papa Francisco está pedindo, estamos evangelizando”, afirmou Sidnei França, o carnavalesco que, com base nos arquivos do Santuário de Aparecida, projetou os carros alegóricos e as fantasias, vendidas a R$ 400 e a R$ 450, para cerca de 3,5 mil figurantes. Artesãos, costureiras e escultores, 300 na quadra da escola no Jardim Novo Mundo e 50 no galpão da Fábrica do Samba, na Barra Funda, trabalham na confecção das alegorias. Algumas costureiras da quadra e os escultores comandados pelo diretor artístico Dalmo de Moraes, na Barra Funda, vieram de Parintins, no Amazonas.

“Trabalho aqui e no Caprichoso, no Festival de Parintins”, disse Rachel Amaral, bordadeira católica, com militância na Renovação Carismática e em grupos de oração. A costureira Anália Terezinha Gomes arremata fantasias e coordena a ala infantil, de cem crianças, que este ano vão desfilar em cima de um carro alegórico. Ao lado de Marcelo Müller, que já foi presidente da Vila Maria, o vice-presidente Válter Belo, de 57 anos (43 deles na escola), supervisiona os preparativos finais nas oficinas. Amostras de fantasias em exposição reproduzem a moda do século 18, com vestidos longos, batinas e uniformes para quem quiser desfilar.

Missionários. Uma das alas presta homenagem aos missionários redentoristas, cujas fantasias incluem túnicas, mitras e báculos, que são usados por bispos. Os padres de Aparecida serão convidados para o desfile e, segundo o reitor do Santuário, padre João Batista de Almeida, devem aceitar o convite. “Tudo foi feito em sintonia com a Arquidiocese de São Paulo e o Santuário Nacional”, informa o reitor, responsável pelo dossiê de dados fornecidos à diretoria da escola de samba. O padre acredita que, se for convidado, o novo arcebispo de Aparecida, d. Orlando Brandes, não se recusaria a ver o desfile no sambódromo.

“A letra do samba-enredo é uma oração”, disse padre João Batista. Em sua avaliação, a parceria da Unidos de Vila Maria com a Igreja Católica está no caminho certo, “pois se faz um carnaval fiel ao que é histórico”. É esta a opinião de padre Tarcísio Mesquita, coordenador do Vicariato da Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Os carnavalescos atenderam às sugestões dos padres, a começar pela substituição da palavra “adorar” por “venerar”. Foi uma alteração importante, observa padre Tarcísio, “porque veneramos, mas não adoramos Nossa Senhora, já que adoração é só para Deus”.

O jornalista Rafael Alberto dos Santos, secretário do Vicariato de Comunicação, revelou que o cardeal-arcebispo d. Odilo Scherer desde o início, há dois anos, concordou com a homenagem. Rafael, padre Tarcísio e o reitor João Batista assistiram a vários ensaios e conferiram as fantasias.

Cinco carros alegóricos lembrarão a história de Nossa Senhora Aparecida e a devoção do povo brasileiro. Um deles levará à passarela uma maquete da Basílica-Santuário. Uma réplica da coroa doada à Padroeira do Brasil pela Princesa Isabel será um dos destaques. Cada região do Brasil será representada por uma escultura: um operário no Sudeste, um cangaceiro no Nordeste, um gaúcho no Sul, um índio no Norte e um político no Centro-Oeste.

A atriz Isabel Fillardis (ex-TV Globo) e a apresentadora Claudete Troiano (TV Aparecida) desfilarão como devotas. A madrinha da Unidos de Vila Maria, a terceira escola a entrar no sambódromo no dia 24, será a modelo Dani Bolina. “Dani não vai exagerar, não vai se expor”, previne o diretor Marcelo Müller. Até os índios vão usar fantasias colantes da cor da pele. As roupas serão discretas, sem modulação do corpo feminino, diz Rafael Alberto. Os representantes da Igreja acreditam que o samba da Vila Maria vai ajudar a derrubar preconceitos com o clero trabalhando junto com carnavalescos, em vez de só criticar.

Rei. A canção Nossa Senhora, de Roberto Carlos, será cantada pela Unidos de Vila Maria quando o carro abre-alas entrar no Anhembi. O compositor cedeu os direitos autorais para os ensaios, abertura do desfile e gravação do CD da escola. “Nós convidamos Roberto Carlos para desfilar no último carro, o da Basílica de Aparecida, mas ele ainda não confirmou a participação”, disse o carnavalesco Sidnei França.

Bandeirantes e tropeiros, os pioneiros que levaram o culto de Aparecida a todos os cantos do Brasil, acompanharão, do alto do carro alegórico, a canção que Roberto compôs em parceria com Erasmo Carlos. O texto do refrão é uma oração: “Nossa Senhora, me dê a mão, cuida do meu coração, da minha vida, do meu destino, do meu caminho, cuida de mim”. A escola convidou também o cantor Daniel para participar do desfile.



O samba-enredo "ungido" sendo apresentado na quadra da escola de samba:




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Padre de SP escandaliza fiéis com drag queen em missa


A informação é do Extra:

Fiéis pedem afastamento de padre por presença de drag queen em missa

Um grupo de fiéis que frequenta o Santuário Nossa Senhora da Paz, no distrito de São Miguel Paulista, em São Paulo, criou um abaixo-assinado solicitando o afastamento de Paulo Sérgio Bezerra, o pároco local. A revolta dos fiéis foi motivada pela presença de uma drag queen durante uma das missas celebradas pelo religioso.

O texto, que até o momento foi assinado por 1.849 pessoas, é endereçado ao Bispo Dom Manuel Parrado Carral e afirma que os fiéis da igreja "estão perplexos com as atividades, pronunciamentos e posicionamentos escandalosos" adotados pelo padre. Segundo eles, o religioso convidou uma drag queen para frequentar a igreja, além de abrir as portas da instituição religiosa para que umbandistas também pudessem acompanhar as missas.

Em julho, o ator Albert Roggenbuck, criador da drag queen Dindry Buck, foi convidado pelo pároco para ministrar a homilia no novenário de Nossa Senhora do Carmo. Durante a celebração da missa, Albert também participou da distribuição da comunhão para os fiéis.

Por meio de suas redes sociais, Padre Paulo se defendeu e reafirmou seu propósito na igreja:

"Sou discípulo do homem mais livre que existiu sobre a face da terra: Jesus de Nazaré. Há 57 anos ando com ele (e com outros/as tantos que por ele se deixaram seduzir e convencer) - não me arrependo. Ele (eles) me inspiram ao diálogo com quem quer que seja, à tolerância, à abertura pluralista de idéias e práxis, a não me deixar engessar pela burocracia eclesiástica jurídica, fria e anacrônica. Mesmo que for parar na cruz, vou até o fim e, para escândalo de alguns e loucura para outros tantos, confesso: Ele é meu Senhor e meu Redentor", desabafou o pároco.

Procurado pelo Extra, o padre Paulo preferiu não se manifestar e argumentou que uma nova entrevista poderia "dar mais pano pra manga". O Bispo Dom Manuel Parrado Carral não foi localizado na Diocese para comentar o caso.



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Miguel Falabella vira "deus" no teatro


É arte ou profano? Decida-se lendo a matéria do Estadão:

Miguel Falabella estreia 'God', peça que ironiza e humaniza o todo-poderoso

Trata-se de uma versão traduzida e adaptada pelo próprio ator e diretor

Ubiratan Brasil

Além de ser brasileiro, Deus ostenta uma elegante cabeleira grisalha, bigode e cavanhaque. “E, como Ele mesmo gosta de dizer, é egocêntrico, sexista, genocida”, comenta o ator, diretor e dramaturgo Miguel Falabella que, no papel do Todo-Poderoso, estreia nesta sexta-feira, dia 18, a peça God, no Teatro Procópio Ferreira.

Trata-se de uma versão traduzida e adaptada pelo próprio Falabella (responsável também pela direção) do espetáculo escrito pelo americano David Javerbaum que, na Broadway, foi encenada por Jim Parsons (o Sheldon do seriado The Big Bang Theory) e, depois, por Sean Hayes (conhecido pelo hilariante papel de Jack McFarland, de Will & Grace). “Enquanto o Deus deles é mais frívolo, o meu é mais poderoso, até por causa da minha voz”, conta Falabella que, antes de chegar a São Paulo, apresentou o espetáculo em Niterói, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, Brasília e Porto Alegre, como aquecimento. “Foi emocionante. Sem contar os musicais, desde Louro, Alto, Solteiro, Procura (de 1994), eu não era recebido tão calorosamente pela plateia. Cheguei a chorar em Porto Alegre.”

O motivo é simples - ao longo de uma vasta carreira, construída especialmente na televisão, Falabella cultivou uma fidelidade com o espectador baseada na confiança. Sua ironia rasgadamente crítica sempre traduziu com exatidão os anseios de seu público e, incrivelmente, mesmo os personagens mais insolentes, como Caco Antibes, do seriado Sai de Baixo, proferiam frases que bem poderiam ser repetidas pela plateia.

Em God, a situação se repete. Na peça, ele vive o Criador que, cansado do descaso da humanidade com a natureza e com os Dez Mandamentos, volta à Terra a fim de, à la Steve Jobs, criar o “universo dois ponto zero”, com uma interface mais bem resolvida. “Segundo suas próprias palavras, se o ser humano não se cuidar, em dez anos a Nokia vai apresentar o novo modelo de homem”, diverte-se. “Sem se esquecer da Bíblia em formado iPad.”

O texto da peça é ágil e se explica por um motivo prosaico: David Javerbaum começou escrevendo tuítes em que tratava, em tom de brincadeira, de passagens da Bíblia. Em seguida, ele reuniu o material e escreveu um livro, The Last Testament: A Memoir By God (O Velho Testamento: Uma Memória de Deus), que inspirou, por fim, a peça.

Em sua versão, Falabella criou um Deus mais mundano. “É um ser muito engraçado, que confessa suas limitações, sem esconder os lances mais horrorosos. Afinal, o que Ele fez a Abrão, incitando-o a sacrificar o próprio filho como teste de sua fé, é um ato maldoso”, explica o ator. “Mas o mais interessante do espetáculo é que o texto não fala de religião, mas do homem. Com isso, ninguém se sente ofendido.”

No espetáculo, Deus e seus dois arcanjos dedicados, Miguel (Magno Bandarz) e Gabriel (Elder Gattely), respondem a algumas das questões mais profundas que têm atormentado a humanidade desde a Criação, em apenas 90 minutos. Sem paciência com as confusões políticas, Ele oferece uma nova versão dos Dez Mandamentos, entre eles os seguintes: “Honrarás teus filhos”, “Separar-me-ás do Estado” e “Não me dirás o que devo fazer”.

Também não poderia faltar humor, característica marcante de Falabella, especialmente nos desabafos de Deus. “Ele fala sobre o dilúvio de uma forma muito engraçada, dizendo que deu um trabalho danado enxugar tudo aquilo para recriar a vida”, diz. “Deus também desmistifica a origem da humanidade ao revelar que, no início, eram dois homens, Adão e Jefferson, e que a mulher chegou depois.”

Como autor da versão nacional, Falabella não se esquivou de rechear o texto com citações locais, como a referência à Rua 25 de Março (“Gosto daquele barulho”) e, ao fazer um pot-pourri de várias canções, emendou músicas de Leonardo com Mara Maravilha. “Menciono também a revista Caras, quando Deus reclama de quando teve uma única chance de aparecer na capa: ‘A Ana Maria Braga e o diabo do Louro José ficaram na minha frente na foto’.”

Apesar do tom de comédia, o espetáculo sofre uma reviravolta perto de seu final. É quando Deus recrimina os atos destrutivos do homem contra a natureza. “Ele é firme ao falar que estamos rumando contra um muro e sem freio”, comenta Falabella. “Abro mão do humor nesse momento em que Deus culpa o homem pelo apocalipse. Ao fazer minha versão, acabei retirando uma citação de José Saramago, que se encaixa bem: ‘A vida é um manual de maus costumes’.”

GOD

Teatro Procópio Ferreira. Rua Augusta, 2823. Tel.: 3083-4475. 6ª, 21h. Sáb., 18h e 21. Dom., 18h. R$ 90 / R$ 150. Até 18/12.



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Já existem crentes "ungidas e rasgadas"

É o que publicou O Globo em sua edição de 25/08/15. Destaque para a frase "Deus é fofo":

Projeto de fundadora de igreja mistura fé e malhação: 'Mulher de Deus Ungida e Rasgada'

À frente da Igreja Batista Soul, na Barra, teóloga Danielle Favatto reúne mulheres cristãs em prol dos cuidados com o corpo.

MARTA PAES

RIO - Espírito, mente e corpo em sintonia com Deus. À frente da Igreja Baptista Soul, na Barra — denominação ligada à Primeira Igreja Batista do Recreio —, a pedagoga e teóloga Danielle Favatto também é adepta do culto ao corpo. E “puxar ferro” na academia em nada a afasta da palavra de Deus. Pelo contrário. No dia 1º deste mês, ela lançou o Projeto Mulher de Deus Ungida e Rasgada, sucesso nas redes sociais (#projetomulherdeusungidaerasgada), com o propósito de elevar a autoestima de mulheres que já participavam do grupo de oração que promove.

— Sou cristã consciente; acredito que a espiritualidade é integral. E sou marombeira — afirma Danielle. — Gosto de malhar, me cuido e sou mulher de Deus.

O inusitado nome do projeto vem da união dessas características:

— Ungida porque é uma mulher abençoada, e rasgada porque essa é uma expressão da maromba para mulher definida, malhada.

O projeto, que começou com três pessoas, já reúne 64 mulheres e conta com assessoria e acompanhamento da nutricionista Renata Miranda.

— Eu pesei, calculei percentual de gordura e medi a circunferência da cintura de 47 mulheres. Dividi o grupo em três, montando um planejamento alimentar para cada grupo. E vamos trocando dicas e orientações pelo WhatsApp — conta Renata.

O aplicativo de mensagens via celular, aliás, tornou-se a maior ferramenta do grupo.

— São mensagens dia e noite. Sempre uma dando força a outra — conta Danielle, que usa também o Instagram.

— Ungida porque é uma mulher abençoada, e rasgada porque essa é uma expressão da maromba para mulher definida, malhada.

O projeto, que começou com três pessoas, já reúne 64 mulheres e conta com assessoria e acompanhamento da nutricionista Renata Miranda.

— Eu pesei, calculei percentual de gordura e medi a circunferência da cintura de 47 mulheres. Dividi o grupo em três, montando um planejamento alimentar para cada grupo. E vamos trocando dicas e orientações pelo WhatsApp — conta Renata.

O aplicativo de mensagens via celular, aliás, tornou-se a maior ferramenta do grupo.

— São mensagens dia e noite. Sempre uma dando força a outra — conta Danielle, que usa também o Instagram.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A igreja em que gay recebe 100 dólares por deixar de ser gay

Sim, é isto mesmo o que você leu no título acima. E - infelizmente - como diria o Datena, temos as "ibagens" no vídeo que segue mais abaixo.

No último domingo, 9 de novembro de 2014, por ocasião da Convenção Anual da Church of God in Christ (COGIC) em Saint Louis (Missouri, EUA), o pastor Earl Carter, superintendente da denominação, estava perguntando ao jovem que foi à frente do que ele queria ser libertado, dizendo que isso já lhe havia sido concedido.

Então, o rapaz - entre uma e outra tentativa de "labachurias" - respondeu: "eu não sou mais gay", "eu não gosto mais de homens", "eu gosto de mulheres", "não vou namorar um homem", "eu não vou carregar uma bolsa", "eu não vou me maquiar", desfilando uma série de estereótipos.

Segue-se uma dancinha (talvez) animada (demais), e o pastor Carter diz que o rapaz está sozinho e conclama outras pessoas a irem à frente para dançar com ele. Muitos homens aceitaram o convite.

O reverendo prossegue dizendo que "o Senhor lhe falou" que havia mais 50 pessoas que precisavam de um livramento naquela noite e estavam com medo de serem rotuladas, pelo que convoca mais pessoas para irem à frente.

Quando as coisas se acalmam, Earl Carter profere algumas palavras encorajadoras para o ex-gay, dizendo que a igreja o ama, e lhe pede que corra até a câmera no fundo da igreja para dizer que agora ele tem uma nova vida.

Depois, faz algumas perguntas ao jovem, que diz ter 21 anos de idade e é autor de 14 livros.

No ato final, o pastor Carter diz que "Deus lhe mandou" dar uma nota de 100 dólares pelo comprometimento do rapaz, no que é seguido por outros membros da igreja, que lhe dão mais algumas cédulas.

O vídeo abaixo prova que alguma coisa estranha está acontecendo no meio evangélico, não só nos Estados Unidos como no mundo todo. 

Parece que - em muitas igrejas evangélicas - o discurso antigay tomou o lugar outrora reservado à pregação do evangelho de Jesus Cristo, e ninguém sabe dizer ao certo onde é que isso vai parar.




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Há evangélicos que preferem as pirâmides


Não vou citar nomes, porque eles não merecem sequer ser referidos ou lembrados, mas é impressionante a profusão dos esquemas de pirâmide que se espalham entre os evangélicos.

Esse fenômeno é um tanto quanto cíclico, embora varie de roupagem com o passar do tempo. O "conto do vigário" vira o "conto do pastor" e vice-versa...

No começo da década de 2000, por exemplo, quando nem havia redes sociais, era muito comum ser exposto às "correntes" que eram enviadas por cartas convencionais, via email ou pelos fóruns de discussões na internet, em que os "irmãos" passavam uma espécie de "lista" em que cada pessoa era convidada a "abençoar" outros "irmãos" com o depósito de uma certa quantia (geralmente R$ 1,00) para o(s) nome(s) imediatamente anteriores.

Algo mais ou menos assim:



Mais "pirâmide" que isso, impossível. O golpe todo se sustentava nos espertos que acreditavam (ou fingiam acreditar) na balela que um "irmão" lhes contava e tratavam de envolver outros incautos no esquema.

Ai do recipiente da mensagem que fosse honesto e se recusasse a participar dessa maracutaia! A simpática e alvissareira "cartinha" já deixava claras as maldições para aqueles que "quebrassem a corrente".  

[Sim, há certos "evangélicos" especializados em rogar praga...]

A fraude era bem amadora e nem se preocupava em mascarar o óbvio estelionato, fornecendo dados completos como nome, RG e conta bancária, e havia crente que insistia em dizer que aquilo era uma "bênção", e coitado de quem ousasse lhes dizer que estavam cometendo um crime.

Quando confrontados, das duas uma: ou faziam questão de persistir no erro dizendo que não havia nada de errado no que estavam fazendo, ou alegavam não saber que o esquema configurava crime.




Um dos princípios básicos de direito, em latim, entretanto, diz que "ignorantia legis neminem excusat", ou seja, "ninguém pode alegar desconhecer a lei". Não adianta o sujeito dizer que não sabia que a "pirâmide" que ele promovia era crime.

Como você já deve ter imaginado, o golpe tem um certo prazo de validade, porque é insustentável no tempo. O estouro é inevitável.

Chega uma hora em que a corda estica demais e adivinhe de que lado ela vai arrebentar...

Ao contrário do ditado popular, os últimos a entrarem só serão os primeiros a reclamar que foram lesados por algum estelionatário que lhes vendeu a ilusão.

Como há muita gente envolvida, e os valores subtraídos na ponta são de pequena monta, a apuração desses crimes geralmente não dá em nada, salvo raras exceções.

O vigarista que teve a ideia inicial, e está no topo da pirâmide, é quem realmente faz a festa.


Agora, o que é impressionante é a quantidade de "evangélicos" que não só caem como promovem e "ungem" este golpe.

Primeiramente, como já tivemos oportunidade de comentar no artigo "O conto do bilhete premiado", “cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tiago 1:14).

É fácil e cômodo vestir a máscara de "vítima" e se dizer enganado por alguém, mas esses "evangélicos" são ludibriados mesmo é pela sua própria cobiça, pelo seu desejo de se dar bem, o que é até compreensível (embora inaceitável) com o pensamento mágico da prosperidade que é pregado todo santo dia em muitas "igrejas" que se dizem cristãs por aí.

Em segundo lugar, conforme também já analisamos no artigo "Os ais de Habacuque e o triunfalismo evangélico", os "crentes" de hoje em dia recebem a palavra de certos "pastores" como verdades insofismáveis e revelações novidadeiras, sem o cuidado bereano de conferirem na Bíblia se o que eles pregam corresponde à verdade de Deus.

Um dos "ais" de Habacuque (2:9) se refere a esse desejo mórbido e inconsequente do dinheiro fácil: “Ai daquele que adquire para a sua casa lucros criminosos, para por o seu ninho no alto, a fim de se livrar das garras da calamidade!”

O lucro fácil e criminoso - este SIM! - corresponde a uma maldição bíblica, que nada tem a ver com a "bênção" da pirâmide próspera apregoada em certos púlpitos ou com as pragas rogadas contra aqueles que quebram a corrente "ungida".

Parece que o livro de Habacuque foi descartado da Bíblia, assim como a busca da santidade, a ética e o bom senso da vida de certos indivíduos que se dizem "cristãos".



Falta-lhes, no mínimo, discernimento. A palavra "evangélico" adquiriu um sentido mágico no Brasil, de maneira que basta qualquer meliante se dizer "evangélico" que um bando de "evangélicos" passa a crer neles de olhos vendados.

Abusando do argumento do "não julgueis" de Mateus 7:1, esses evangélicos deliberada e convenientemente se esquecem do "julgai segundo o reto juízo" de João 7:24 (leia a comparação clicando aqui) e - a exemplo dos guias cegos de Mateus 23:24 - engolem pilantras camelos enquanto coam mosquitos.

Na sua busca desenfreada por poder e dinheiro, Deus é só um detalhe útil para enganar os outros.

Nos últimos tempos, o esquema de pirâmide se apropriou do pomposo nome de "marketing multinível", que é até um negócio que - em certas condições bastante específicas - não tem nada de errado, embora haja muita gente que queira ampliar o seu conceito para açambarcar esferas assim não tão confiáveis.


Algumas empresas se aproveitaram desse nome para gerar gigantescas pirâmides financeiras que estão sendo investigadas pelas autoridades competentes, mas que - antes de virarem casos de polícia - chegaram a levar cidades inteiras à beira da falência quando o esquema ruiu.

Não por acaso, havia muitos "evangélicos" nessas pirâmides de nome chic. Afinal, ninguém vai montar uma pirâmide e dar-lhe o nome de "sepulcro caiado", por mais múmias malcheirosas que haja lá dentro.

Se o ocorrido já não bastasse para a desonra do nome de "evangélico", que um dia já foi respeitado no Brasil, parece que agora há "pastores", "bispos" e "apóstolos" que estão propondo novos negócios de "marketing multinível" com o "caridoso" e "desinteressado" fim de dar "prosperidade" aos "irmãos".

Como são bonzinhos...

Assim, na ânsia do lucro fácil, muitos "evangélicos" estão preferindo voltar à escravidão do Egito para construírem lá as suas inglórias pirâmides, ao invés de desfrutarem da paz de consciência e da liberdade que há no evangelho puro e simples de Jesus Cristo.

Não tardará muito para que eles também sejam investigados, denunciados, proibidos e - queira Deus! - punidos, mas até lá muitos incautos serão irremediavelmente lesados, com o agravante de algum espertalhão ter usado o nome de Deus em vão para engodá-los.

Vai ser muito difícil, então, confirmar se resolve alguma coisa aquele outro ditado popular: "vá reclamar com o bispo!"





sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O circo da bênção chegou!


Para você que não se surpreende mais com a capacidade inesgotável dos "evangélicos" em inventar modismos sem atentar para a seriedade e santidade deles, certamente não se assustará com mais esta criação do infindável baú de invencionices gospel.

Muito provavelmente, o povo deve ter se cansado das "tendas" das bênçãos, dos milagres, etc., que já devem ter ficado muito batidos, e (com uma lona maior, talvez) então resolveram dar um upgrade na "tenda", que virou "circo".

Nessa inovação, respeitável público, ainda não se sabe quem está fazendo o papel de palhaço nesse picadeiro (com toda a nossa solidariedade aos palhaços profissionais, gente séria que deve estar ofendida com a usurpação de sua carreira).

E vai começar o espetáculo:





quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma homenagem aos cristãos anônimos


É uma pena que, quando se ouve a palavra “evangélico” no Brasil, imediatamente se associe o termo a uma série de líderes vaidosos e gananciosos mais preocupados com batalhas políticas, dinheiro e poder, além do séquito de pessoas que os defendem cegamente.

Imediatamente também se esquece de uma legião de homens e mulheres simples e anônimos, que levam o amor e a Palavra de Deus a milhares, talvez milhões de pessoas, sem esperar nada em troca.

Fazem isso não só pelo prazeroso dever de compartilhar o evangelho, mas principalmente pelo amor que o Espírito Santo lhes derramou no coração (Romanos 5:5).

Na mesma carta aos Romanos, no capítulo 16, Paulo listou várias pessoas que, se não ficaram exatamente anônimas, foram reconhecidas pelo apóstolo e tiveram os seus nomes associados ao verdadeiro significado de ser cristão.

Poucos atentaram para os seus nomes, mas estão lá Febe, Prisca, Áquila, Epêneto, Maria, Andrônico, Júnias, Ampliato, Urbano, Estáquis, Apeles, Aristóbulo, Herodião, Narciso, Trifena, Trifosa, Pérside, Rufo, Asíncrito, Flegonte, Hermas, Pátrobas, Hermes, Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas, Timóteo, Lúcio, Jáson, Sosípatro, Tércio, Gaio, Erasto e Quarto.

Com exceção de Timóteo e de Hermas (a quem se atribui o antigo livro “O Pastor”), todos os demais pouco ou nenhum destaque tiveram na história registrada da igreja cristã.

Muito provavelmente nem Paulo nem seus acompanhantes se lembravam do nome da irmã de Nereu, mas o apóstolo fez questão de mencioná-la para que ninguém se esquecesse da sua humilde existência e do seu trabalho simples e valoroso.

Da mesma maneira, milhares, talvez milhões de crentes, hoje estão fazendo seus trabalhos simples, sem esperar reconhecimento, poder ou dinheiro.

Eles levam a preciosa semente da mensagem da cruz de Cristo (Salmo 126:6) a todo lugar, indistintamente, de porta em porta, de pessoa em pessoa, sem negociá-la com as trevas.

É quase impossível que pelo menos alguns de seus nomes venham a ser conhecidos na imensa balbúrdia em que se tornou a militância ideológica evangélica no Brasil, mas o seu valoroso anonimato merece ser homenageado assim como Paulo fez com seus anônimos cooperadores da Roma de 20 séculos atrás.

Desconfio, porém, que é por amor a esses pastores e crentes fiéis (e àqueles a quem eles servem piedosa e silenciosamente) que Deus – na Sua infinita misericórdia - ainda não trouxe a destruição que merecem todos os usurpadores da fé que profanam Seu nome por aqui.



sábado, 22 de dezembro de 2012

Pastor de Uganda explica o sexo das frutinhas


No vídeo abaixo, disponibilizado pelo Huffington Post, o reverendo ugandense Martin Ssempa participa de um debate com uma lésbica no programa "Morning Breeze", da TV local.

Nunca é demais lembrar que - recentemente - o parlamento de Uganda quis aprovar a pena de morte a homossexuais como "presente de Natal" aos cristãos do país, o que só não ocorreu devido à enorme pressão internacional contra a iniciativa.

Entre os vários argumentos contra o movimento homossexual, o pastor lista a forte incidência de AIDS na África e, para se justificar, passa a utilizar bananas, pepinos e cenouras, demonstrando gestualmente como ele imagina ser o sexo entre os gays.

Inadvertidamente, portanto, o líder religioso de Uganda mostra que, pelo menos no caso dele, tem muito mais fetiche e humor involuntário envolvidos do que qualquer pregação bíblica que se respeite.

Outro detalhe que merece destaque é o fato de que existe um limite muito tênue (e facilmente transponível) entre o discurso fanático e o pornográfico, geralmente em debates políticos, como tivemos inclusive oportunidade de mencionar rapidamente aqui no blog.

Então, fica a dica para o Malafaia passar na feira antes do próximo debate dele sobre o tema na TV brasileira.





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Arrebatamento cóspel

Tem um pessoal que sempre consegue se superar na falta de senso de ridículo, como no tal "Arrebatanga", versão cóspel daquela praga chamada Ragatanga, do finado grupo Rouge:





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hillsong Londres ataca de Dynamite e Gangnam Style

Comprovando a tese de que o negócio (ou "business") de muitas igrejas hoje em dia, lamentavelmente, é o entretenimento e não a pregação do evangelho da cruz de Cristo (com o qual, em geral, não têm nenhum compromisso), a Hillsong Church de Londres realizou um encontro embalado ao som (e à coreografia) dos hits batidões "Dynamite" (de Taio Cruz) e Gangnam Style (do rapper coreano PSY, mas sem o "sexy lady"), com uma pitadinha de "Stronger" da Kelly Clarkson no meio.

Ao que parece, a intenção da inusitada performance - registrada no vídeo abaixo - é promover a conferência da Hillsong prevista para 2013, com o título "This is Revival" ("Isto é Avivamento", curiosamente utilizando imagens de Billy Graham e do Cristo Redentor do Rio de Janeiro na propaganda institucional).

Entretanto, se o Gangnam Style for a ideia de "avivamento" da Hillsong, melhor pedir misericórdia a Deus para que Ele cuida bem do remanescente do seu povo que ainda sabe distinguir o sagrado do profano.



Pelo menos eles não tentaram criar uma versão gospel de Gangnam Style como aquela bizarra já produzida no Brasil:




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Feministas atacam catedral de Posadas na Argentina


No último domingo, dia 7 de outubro de 2012, manifestantes feministas reunidas para o Encontro Nacional de Mulheres em Posadas, capital da província de Misiones na Argentina, resolveram atacar a catedral católica da cidade.

Depois de picharem as paredes do templo com mensagens pró-aborto e contra padres pedófilos (entre outras atacando os católicos), as militantes tentaram invadir o santuário para profaná-lo.

Só não conseguiram o intento porque vários jovens católicos (provavelmente muitos deles seminaristas) se deram os braços e fizeram uma barreira humana compacta em frente à porta principal, acompanhados de alguns padres locais.

Indignadas com a resistência da juventude católica de Posadas, as feministas passaram a agredi-los com cusparadas, spray de tinta, batom na boca e palavras de de ordem como "Iglesia, basura, apoyó la dictadura" ("Igreja, lixo, apoiou a ditadura").

Algumas manifestantes tiraram suas roupas, outras se beijavam na frente dos padres, se revezando nas ofensas a todos por horas a fio.

Enquanto eram molestados, tendo inclusive suas partes íntimas pintadas com tinta spray, os jovens católicos mantiveram estoicamente a calma e a serenidade rezando o rosário.

Trata-se de uma atitude admirável da juventude católica de Posadas, que resistiu pacificamente ao cerco e à violência verbal e física das manifestantes, conseguindo afinal proteger pelo menos a parte interna do seu templo do vandalismo perpetrado do lado de fora.

Por outro lado, fica claro no vídeo abaixo (editado e disponibilizado pela agência católica Aciprensa) o destempero e o despropósito das militantes feministas, que têm a sua intolerância e barbárie expostas de maneira nua e crua (literalmente).

Chama a atenção, entretanto, o ódio que muitos jovens devotam às igrejas e ao cristianismo de maneira geral, isso num país que até certo tempo atrás foi muito religioso, a ponto da própria constituição argentina prever (em seu art. 2º) que o "governo federal deve sustentar o culto católico apostólico romano".

Algo estranho anda acontecendo no mundo, ao que parece, e profundas reflexões devem ser feitas por todos os cristãos sobre as razões que lhes trouxeram a esse estado de coisas, e - principalmente - como reagirão aos muitos desafios que ainda virão.





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