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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

STJ condena padre a pagar danos morais por impedir aborto que se consumou naturalmente

Este é um caso clássico de aborto permitido pela lei brasileira que merece ser divulgado e analisado para que alguém consiga responder a uma simples questão: - até que ponto uma pessoa leiga deve sofrer para satisfazer os dogmas religiosos de outros?

A notícia foi publicada pelo Superior Tribunal de Justiça:

Padre é condenado a pagar danos morais por impedir interrupção de gravidez

Em decisão unânime, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou um padre do interior de Goiás a pagar indenização de danos morais no valor de R$ 60 mil por haver impedido uma interrupção de gestação que tinha sido autorizada pela Justiça.

Em 2005, o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz impetrou habeas corpus para impedir que uma mulher grávida levasse adiante, com auxílio médico, a interrupção da gravidez de feto diagnosticado com síndrome de Body Stalk – denominação dada a um conjunto de malformações que inviabilizam a vida fora do útero. No habeas corpus impetrado em favor do feto, o padre afirmou que os pais iriam praticar um homicídio.

Acompanhando o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, a Terceira Turma entendeu que o padre abusou do direito de ação e violou direitos da gestante e de seu marido, provocando-lhes sofrimento inútil.

Ao saber que o feto não sobreviveria ao parto, os pais, residentes na cidade de Morrinhos, a 128 quilômetros de Goiânia, haviam buscado – e conseguido – autorização judicial para interromper a gravidez.

Durante a internação hospitalar, a gestante, já tomando medicação para induzir o parto, foi surpreendida com a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás, que atendeu ao pedido do padre e determinou a interrupção do procedimento.

A grávida, com dilatação já iniciada, voltou para casa. Nos oitos dias que se seguiram, assistida só pelo marido, ela agonizou até a hora do parto, quando retornou ao hospital. O feto morreu logo após o nascimento. O casal ajuizou uma ação por danos morais contra o padre, que preside a Associação Pró-Vida de Anápolis. Não obtendo sucesso na Justiça de Goiás, recorreu ao STJ.

Aterrorizante

Em seu voto, Nancy Andrighi classificou de “aterrorizante” a sequência de eventos sofridos pelo casal.

“Esse exaustivo trabalho de parto, com todas as dores que lhe são inerentes, dão o tom, em cores fortíssimas, do intenso dano moral suportado, tanto pela recorrente como pelo marido”, disse.

A ministra afirmou que o caso deve ser considerado à luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, julgada em abril de 2012, quando se afastou a possiblidade de criminalização da interrupção de gestação de anencéfalos.

“É inegável que ambas as condições, anencefalia e síndrome de Body Stalk, redundam, segundo o conhecimento médico atual, na inviabilidade da vida extrauterina”, comparou a ministra.

Embora o julgamento da ADPF tenha sido posterior ao caso, a ministra assinalou que a orientação manifestada pelo STF não tem limites temporais, e já em 2005 era a mais consentânea com as normas constitucionais, inclusive pela reafirmação do caráter laico do Estado brasileiro e pelo reconhecimento da primazia da dignidade da gestante em relação aos direitos de feto sem viabilidade de vida extrauterina.

Ação temerária

A relatora avaliou ainda que o padre agiu “temerariamente” quando pediu a suspensão do procedimento médico de interrupção da gravidez, que já estava em curso, e impôs aos pais, “notadamente à mãe”, sofrimento inócuo, “pois como se viu, os prognósticos de inviabilidade de vida extrauterina se confirmaram”.

De acordo com a ministra, o padre “buscou a tutela estatal para defender suas particulares ideias sobre a interrupção da gestação” e, com sua atitude, “agrediu os direitos inatos da mãe e do pai”, que contavam com a garantia legal de interromper a gestação.

Andrighi refutou ainda a ideia de que a responsabilidade não seria do padre, que apenas requereu o habeas corpus, mas, sim, do Estado, pois foi a Justiça que efetivamente proibiu a interrupção da gestação.

Segundo ela, “a busca do Poder Judiciário por uma tutela de urgência traz, para aquele que a maneja, o ônus da responsabilidade pelos danos que porventura a concessão do pleito venha a produzir, mormente quando ocorre hipótese de abuso de direito”.

A turma condenou o padre ao pagamento de R$ 60 mil como compensação por danos morais, valor a ser acrescido de correção monetária e juros de mora a partir do dia em que a recorrente deixou o hospital.



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dicas para superar a dor do divórcio

separation marriage
Matéria publicada no Estadão:

Como desintoxicar após um divórcio

Livrar-se do veneno de tal dor e desapontamento pede uma desintoxicação consciente, mental

JUDI LIGHT HOPSON, EMMA H. HOPSON E TED HAGEN - THE BELLINGHAM HERALD

Está tentando se recuperar do sofrimento de um divórcio? Talvez você tenha desatado o nó recentemente, ou talvez o tenha feito anos atrás. Livrar-se do veneno de tal dor e desapontamento pede uma desintoxicação consciente, mental. Se não, suas emoções escuras corroerão a qualidade de sua vida.

Você terá de ser proativo(a), porém. Simplesmente decida o que você quer curar. Enquanto algumas pessoas podem dizer: "Nós nos separamos amigavelmente", a maioria dos divorciados não pode dizê-lo. Afinal, o divórcio é a morte de um relacionamento. Se você consegue ser indiferente sobre isso, talvez não tenha investido muito de si no relacionamento.

Para encerrar a questão e curar seu espírito machucado, tente as seguintes técnicas:

- Escreva uma carta a seu (sua) ex e despeje seu sofrimento. Não envie a carta. Apenas procure expressar como se sente sem esconder nada. Depois, rasgue a carta.

- Faça uma lista das incompatibilidades do casal. Quando reconhecer como você era "incompatível", isto o(a) ajudará a ver que o divórcio era o desfecho desta tensão. A separação não foi necessariamente uma espécie de ação deliberada partindo de um dos cônjuges.

Imagine com quem você combinaria. A vida não acabou, por isso imagine o tipo de pessoa que você gostaria de encontrar algum dia. A cura pode levar anos, mas ao menos tenha uma visão dos valores pessoais e traços de personalidade que consideraria atraentes. Essas medidas ajudarão a limpar as feridas. Vislumbrar uma nova relação no futuro alimenta as esperanças.

Desintoxicar emocionalmente após um divórcio implica um esforço para expurgar a negatividade de nosso pensamento. As emoções negativas têm de ir a algum lugar. Elas não podem permanecer no nosso íntimo, nos enlouquecendo. Podemos tentar nos livrar delas falando com um terapeuta, ou escrevendo num diário pessoal.

"A chave da cura é falar cada vez menos ao longo do tempo de nossos sofrimentos", diz um psicólogo a quem chamaremos Mark. Por exemplo, Mark diz a seus clientes que é imperativo que eles comecem a falar menos do(a) ex após seis meses aproximadamente.

"Peço para meus clientes usarem uma fita de borracha em volta do pulso", diz Mark. "Quando eles começam a pensar num(a) ex, devem estalar a borracha com força e dizer 'não' para si mesmos. Tenho um paciente que diz que isto funcionou tão bem que ele esqueceu sua ex por tempo suficiente para começar a sair com outras mulheres de novo. Ele estava divorciado há 10 anos!"

Emoções negativas precisam se dissipar com o tempo, porque elas podem facilmente criar raízes e causar seu impacto original de novo, segundo Mark. "A mente humana é um terreno muito fértil", revela Mark. "As pessoas tendem a se aferrar demais a experiências dolorosas, mas depois de um bom tempo, esses pensamentos começam a exalar pelos poros. Ela nunca atrairá amigos de mente sã, um parceiro de encontros viável ou bons parceiros de negócios na vida. Os maus pensamentos nos fazem emanar vibrações terríveis."

Desintoxicar de uma ruptura traumática, como depois de pegar o(a) ex traindo, requer o uso de uma certa fantasia, e humor também. Por exemplo, você pode se imaginar dando uma bela surra no(a) ex. Dê a surra mentalmente para dar vazão aos sentimentos fortes que estão explodindo em seu íntimo.

Mas após algumas sessões dessas surras em fantasia, use o humor para se colocar em terreno mais sólido. Aprenda a rir dos relacionamentos da vida que não funcionam e siga em frente.

Será que você já não perdeu tempo demais num navio afundando?

Judi Light Hopson é diretora executiva do site de gestão de estresse USA Wellness Cafe em www.usawellnesscafe.com. Emma Hopson é escritora e educadora em enfermagem. Ted Hagen é um psicólogo familiar.

Tradução de Celso Paciornik



domingo, 7 de abril de 2013

"Papai, eu sei que vou para o céu", disse o filho de Rick Warren

Ainda na esteira de toda a repercussão que envolve a recente morte de Matthew, filho caçula de Rick Warren, que se suicidou aos 27 anos de idade, foram divulgados trechos da carta que o famoso pastor americano divulgou ao público, com algumas incorreções, dada a urgência da notícia.

Agora vem à tona a íntegra do referido comunicado, que segue abaixo em inglês e com nossa tradução livre em português.

Entre outras coisas ainda não conhecidas, a nota oficial de Rick Warren relata um episódio ocorrido 10 anos atrás, em que Matthew teria dito a Rick Warren: "Papai, eu sei que vou para o céu. Por que eu não posso morrer já e acabar com essa dor?"

Palavras terríveis, sem dúvida, e que revelam o sofrimento agonizante de uma mente perturbada, situação repetida em tantos lares do mundo e à nossa volta, mais perto do que poderíamos imaginar, e que todos nós deveríamos ser mais atentos, proativos e compassivos junto a pessoas que enfrentam essa dor, e aqueles que deles cuidam.

Eis a íntegra da nota oficial em inglês, com a nossa tradução livre logo a seguir:

Subject: Needing your prayers

To my dear staff,

Over the past 33 years we've been together through every kind of crisis. Kay and I've been privileged to hold your hands as you faced a crisis or loss, stand with you at gravesides, and prayed for you when ill. Today, we need your prayer for us.

No words can express the anguished grief we feel right now. Our youngest son, Matthew, age 27, and a lifelong member of Saddleback, died today.

You who watched Matthew grow up knew he was an incredibly kind, gentle, and compassionate man. He had a brilliant intellect and a gift for sensing who was most in pain or most uncomfortable in a room. He'd then make a bee-line to that person to engage and encourage them.

But only those closest knew that he struggled from birth with mental illness, dark holes of depression, and even suicidal thoughts. In spite of America's best doctors, meds, counselors, and prayers for healing, the torture of mental illness never subsided. Today, after a fun evening together with Kay and me, in a momentary wave of despair at his home, he took his life.

Kay and I often marveled at his courage to keep moving in spite of relentless pain. I'll never forget how, many years ago, after another approach had failed to give relief, Matthew said " Dad, I know I'm going to heaven. Why can't I just die and end this pain?" but he kept going for another decade.

Thank you for your love and prayers. We love you back.

Pastor Rick

Assunto: Precisamos das suas orações

À minha querida equipe,

Já há 33 anos nós temos estado juntos através de todo tipo de crise. Kay e eu temos sido privilegiados por segurar as suas mãos enquanto vocês enfrentavam uma crise ou perda, ficamos com vocês ao lado de sepulturas, e oramos por vocês quando estavam doentes. Hoje, nós precisamos das suas orações por nós.

Palavras não conseguirão expressar a dor angustiante que nós sentimos neste momento. Nosso filho caçula, Matthew, com 27 anos de idade, membro por toda a vida da igreja Saddleback, morreu hoje.

Vocês que observaram o crescimento de Matthew, sabem que ele era um rapaz incrivelmente especial, gentil e compassivo. Ele tinha um intelecto brilhante e um dom para perceber quem estava com mais dor ou se sentia mais desconfortável numa sala. Ele então se aproximava daquela pessoa para mostrar interesse e encorajá-la.

Entretanto, só aqueles mais próximos sabiam que ele lutava desde o nascimento com uma enfermidade mental, poços escuros de depressão, e até pensamentos suicidas. Apesar dos melhores médicos, conselheiros e intercessores por cura da América, a tortura da doença mental nunca cedeu. Hoje, após uma noite divertida junto com Kay e eu, num surto de desespero na sua casa, ele tirou a sua vida.

Kay e eu sempre ficamos boquiabertos vendo a sua coragem de seguir em frente apesar da dor insuportável. Eu jamais me esquecerei como, muitos anos agrás, depois de falhar em mais uma tentativa de conseguir alívio, Matthew me disse: "Papai, eu sei que vou para o céu. Por que não posso morrer já e acabar com essa dor?", mas ele continuou lutando por mais uma década.

Agradeço a todos vocês por seu amor e orações. Nós também os amamos.

Pastor Rick



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Revisitando Eclesiastes - capítulo 7



Leitura anterior: Revisitando Eclesiastes - capítulo 6



O capítulo 7 é o mais longo de Eclesiastes, e talvez seja o mais belo e o mais injustiçado, já que muita atenção se dá a Eclesiastes 3 em detrimento da profundidade dos ensinamentos do Pregador em Eclesiastes 7. 

Para mim, este é o momento de sua pregação em que aquilo que parecia etéreo, excêntrico, digamos, "filosófico demais", começa a ter uma aplicação mais prática, mais "pé no chão". 

Assim, ele lista uma série de situações em que a nossa vaidade é despertada, em que nos sentimos importantes e especiais, como no caso de um ungüento precioso (7:1), o banquete na casa (7:2), a canção do insensato (7:5), e a cada uma dessas circunstâncias específicas em que a vaidade é realçada, o Pregador contrapõe outra situação em que a sabedoria verdadeira está sendo negligenciada. 

Temos, portanto, uma sabedoria prática, aplicada às cenas cotidianas que todos nós vivenciamos, e este é o momento em que o Pregador começa a dizer a que veio, e qual é sua real intenção.

Assim, a preocupação do primeiro versículo é com a reputação, com a "boa fama", a qual o Pregador considera melhor do que um perfume caro, o "ungüento precioso", o que não deixa de ser uma comparação bastante atual, já que muitas pessoas preferem camuflar a sua reputação atrás de perfumes e roupas caríssimas, como se elas tivessem o condão de modificar o que lhes vai por dentro. 

A estes Jesus chamaria de "sepulcros caiados" (Mateus 23:27), e alguns de nós poderiam usar o provérbio "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". 

Na sabedoria prática de Qohélet, é melhor o dia da morte do que o do nascimento, porque a morte, sobretudo para o cristão, não deixa de ser um momento de redenção, uma tarefa cumprida, uma volta para casa, um encontro com a eternidade, enquanto o nascimento é apenas o começo de uma vida sujeita a todas as vaidades debaixo do sol. 

Neste diapasão, é melhor ir a um velório do que a um banquete (v. 2), pois diante da morte do outro (seja ele querido ou não) é que compartilhamos da humanidade que nos une, do destino comum a todos nós, e aí podemos refletir como estamos, de fato, levando a nossa própria vida. 

Afinal, só temos um vaguíssimo vislumbre da morte pela experiência dela pelo outro.  Curiosamente, nenhum de nós passará - em vida - pela experiência da morte, razão pela qual ninguém sabe exatamente o que seja o fim que a todos é reservado, e é nos velórios que somos lembrados de que ela existe e nos espera. 

Não que os banquetes não sejam bons, mas a comida e a bebida tendem a entorpecer os nossos verdadeiros objetivos nesta vida. E, ainda que não nos demos conta disso, as festas não deixam de ser - também - uma fuga da tomada de consciência da finitude que é inerente a todos nós

Ainda nesta lógica, digamos, esquisita, é melhor magoar-se do que rir (v. 3), permitindo-nos inferir que a mágoa (conforme traduzido na versão Atualizada), em geral, é conseqüência do conhecimento de algo ou de alguém que até então se apresentava (dissimuladamente) como verdadeiro e agora vemos que é falso, enquanto rir pode ser algo meramente inútil e inconsequente. 

Entretanto, "mágoa" talvez não seja a melhor tradução para a palavra hebraica כּעס (ka‛as). A NVI a traduz por "tristeza". As versões católicas são mais felizes ao captar o real significado do v. 3:


Mais vale o desgosto do que o riso,
pois pode-se ter a face triste e o coração alegre.
(Bíblia de Jerusalém)

É melhor sofrer do que rir,
pois dor por fora cura por dentro.
(Bíblia do Peregrino)

O sofrimento, o desgosto e a dor, se devidamente encarados, vividos, apreendidos e aprendidos, sem vitimização ou alarido, purificam e nos fazem crescer. É por isso que "o coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria" (v. 4). 

Repare que há uma palavra que não está escrita no capítulo 7 de Eclesiastes (ela só aparece uma vez em 9:17), mas que está diretamente relacionada ao, digamos, "ambiente" desse contexto de luto: o silêncio.

Saber silenciar-se numa hora de dor, mágoa e sofrimento, para - no tempo oportuno - se recompor, isto sim é uma arte que todos podem e devem aprender.

Embora a maioria das pessoas não goste, é melhor ser repreendido pelo sábio do que juntar-se à cantoria dos insensatos (v. 5), cujas gargalhadas se comparam a espinhos crepitando debaixo de uma panela (v. 6). 

Ora, o que mantém o fogo acesso são as achas de lenha e não os espinhos, que apenas crepitam, fazendo o efeito sonoro irritante que, além de disturbar o silêncio, é inútil para o cozinhar.

A seguir, o Pregador volta a um tema que lhe preocupa bastante durante todo o livro de Eclesiastes, a opressão, que chega a enlouquecer o sábio, e a corrupção dos subornos (v. 7). 

O mundo é corrupto, o sábio não se cansa de dizer, e ninguém está imune a se ver diante de uma situação que pode corrompê-lo ou em que ele pode corromper alguém.

"Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio" (v. 8), o que contraria, até certo ponto, o senso comum, de que o fim das coisas é sempre triste, mas Qohélet tem outros olhos para isso, pois vê as coisas de outra perspectiva, que é a eternidade, como já havia deixado claro em Eclesiastes 3:11. 

Nesse prisma, as coisas que realmente importam não têm princípio nem fim, pertencem a outra dimensão, a qual tocamos rapidamente em nossa passagem pelo planeta, mas neste mundo tudo é temporal e se desgasta naturalmente. 

Ele ainda encontra lugar para nos admoestar de que devemos ser tardios em irar-nos (v. 9), uma característica geralmente atribuída a Deus no Velho Testamento (Números 14:18; Salmos 103:8, 145:8; Joel 2:13, por exemplo) e que Tiago (1:19) nos aconselha a cultivar. 

Salomão já havia dito isso em Provérbios 19:11 – "a sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas" – NVI. Então, no v. 10, o Pregador dá um conselho que contraria ainda mais aquilo que estamos acostumados a pensar:


"Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim."

No nosso mundo, a juventude é admirada, louvada, apreciada, benquista. O envelhecimento é tido como algo feio, sujo, ruim, malvado, que devemos evitar a todo custo, embora seja o curso natural (e inevitável) das nossas vidas. 

Por isso mesmo, nos cercamos de saudosismo e nostalgia. Ficamos a nos lembrar, morbidamente, de como éramos felizes e não sabíamos, de como o que passou tem mais valor do que o que estamos vivendo, de como o passado é melhor do que o presente. 

O Pregador se indigna com este tipo de pensamento, e eu acho que ele está certo. O envelhecimento, visto como amadurecimento, é uma bênção de Deus

Não podemos nos trancar no baú de recordações do passado, recusando-nos a envelhecer e, assim, nos esquecermos de que temos que viver o hoje, e hoje a nossa vida - devida e friamente considerada - é mais feliz e completa do que foi alguns ou muitos anos atrás. 

Não podemos nos esquecer, também, de que a memória é traiçoeira, e ela tende a apagar e relativizar os maus momentos e reforçar, adoçar, açucarar mesmo as boas lembranças. 

Qohélet se insurge contra esta atitude na vida, pois o que verdadeiramente importa é o hoje, o presente. Como eu já havia dito no primeiro capítulo, o Pregador é existencialista no melhor sentido da palavra, e o que lhe importa é o aqui e o agora, não o que passou. 

O elixir da juventude é a eternidade no nosso coração.

Nos vv. 11 e 12, o Pregador faz uma comparação interessante entre sabedoria e dinheiro. Pela primeira vez, ele diz que herança e dinheiro podem ser coisas boas, para aqueles que veem o sol, mas somente a sabedoria preserva a vida. 

Muitas vezes, tanto a herança como o dinheiro causam a morte de quem os recebe. A sabedoria é muito melhor. 

O v. 13 mostra a impotência do homem diante dos decretos de Deus, já que ninguém pode endireitar o que ele torceu. 

É no v. 14 que o Pregador retoma um dos pilares de seu discurso, a providência divina, pois Deus tanto faz o dia da prosperidade como o da adversidade. 

Os bons morrem, e muitos maus vivem bastante (v. 15), logo não há razão para imaginar que a providência de Deus seja uma lógica matemática. 

Somente Ele sabe os seus desígnios e, principalmente, o que se passa dentro de cada coração humano. Portanto, o equilíbrio deve ser buscado em tudo na vida. Todos os extremismos devem ser evitados. 

Não devemos ser demasiadamente justos nem exageradamente sábios (v. 16), mas também não podemos ser demasiadamente perversos ou loucos (v. 17). Estes dois versículos deviam ser mais lidos na igreja para evitar tanto o farisaísmo como a licenciosidade. 

É o equilíbrio que, por assim dizer, constitui o amálgama dos 4 pilares onde se sustenta Eclesiastes: a sabedoria, a providência divina, a eternidade e o temor de Deus, pois "quem teme a Deus de tudo isso sai ileso" (v. 18). 

No v. 20, está uma declaração que embasa também o pensamento de Paulo em Romanos 3:10, pois "não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque". 

Para quê, então, viver à espreita de quem possa estar cometendo um erro ou falando mal de nós (v. 21), se somos todos sujeitos aos mesmos pecados (v. 22)?


Ainda com relação a Eclesiastes 7:16-17, sobre não ser demasiadamente justo, a palavra hebraica traduzida por justo aí é צדּיק - tsaddîyq - que quer dizer basicamente justo, legal, correto, no sentido de algo que está de acordo com a lei. 

Eu acho que "justo" não é uma boa tradução, já que ninguém pode definir exatamente o que seja justiça. Aquilo que é justo para um pode ser injusto para outro. Além disso, há muitas leis injustas. 

Martinho Lutero, por sinal, seguindo seus primeiros ensinamentos de Direito antes da Teologia, vai por esta linha ao comentar Eclesiastes 7:16
É melhor ter paz e sossego, ainda que com desvantagem e direito menor, do que buscar com intranquilidade e desassossego interminável o direito mais exigente e rigoroso. De qualquer modo, até aí jamais chegaremos. Pois não é necessário que um bom atirador acerte sempre na baliza ou na mosca. Quem acerta bem próximo da mosca ou várias vezes no alvo também é bom atirador. Todos os grandes sábios e também a experiência confirmam que existem e diariamente vão surgindo muito mais litígios e casos do que se pudesse abranger com leis e direito. Por isso também dizem que a lei rigorosa é a maior injustiça, como também diz Salomão: "Não sejas demasiadamente justo, para não quebrares a cabeça".
(Bíblia Sagrada com Reflexões de Lutero, p. 624)
Então, parece que estão com a razão alguns comentaristas que dizem que deve se entender essa palavra por legal, legalista, que cumpre a lei ao pé da letra. Desta maneira, não devemos ser legalistas como os fariseus, por exemplo. 

Com relação ao "exageradamente sábio", o significado me parece que seja também de não querer ser o sabe-tudo, o dono da verdade, alguém que não só dita mas detém o monopólio da interpretação das regras como se fosse o próprio Deus. 

Além disso, bem no espírito de Eclesiastes, o Pregador quer que se viva a vida sem grandes obrigações de ser a mais certinha das pessoas. O lema dele é "viva por prazer e não por obrigação". 

Por "demasiadamente perverso ou louco", eu acho que o contexto indica que não devemos ser alucinadamente materialistas, ou seja, que vivamos única e exclusivamente em função de aumentar o nosso prazer material, esquecendo-nos do espiritual e dos pequenos prazeres da vida. 

E entenda-se por "prazer material" aí tanto os excessos carnais como tudo aquilo que desrespeita, rouba, fere e mata os outros, apenas para que consigamos atingir os nossos objetivos mundanos pisando neles. 

É na mescla de todas essas qualidades que o sábio sugere que devemos encontrar o equilíbrio na vida.

Como o Pregador já havia dito logo no começo (1:8), muito conhecimento é enfado. Logo, perseguir a sabedoria apenas por perseguir também é vaidade, pois ela sempre se afasta de nós (v. 23). 

Quanto mais sábios ficamos, menos sabemos, o que lembra a frase atribuída a Sócrates: "só sei que nada sei!". Ser sábio é ter consciência das próprias limitações e a elas se acomodar. 

Isto também tem uma aplicação prática e corriqueira. Por que se preocupar tanto em saber, com minúcias, o que acontece com certa pessoa ou situação? Qual benefício advém de focar a vida unicamente em algo ou alguém?

Querer saber demais nos põe em contato com a perversidade, a insensatez e a loucura (v. 25). Talvez por isso Deus tenha dito a Moisés que "as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus" (Deuteronômio 29:29) e Jesus tenha dito aos discípulos: "ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora" (João 16:12). 

Por fim, Qohélet faz um ataque aparentemente genérico às mulheres no v. 26, mas que deve ser entendido como uma autocrítica de Salomão a respeito de suas mulheres, o momento de introspecção de alguém que tinha 700 mulheres e 300 concubinas, "que lhe perverteram o coração" (1 Reis 11:3). 

As mulheres não devem se sentir desprestigiadas por esse trecho final do capítulo 7, mas há que entender a amargura de um homem poderoso que, no fim da vida, se viu "metido em muitas astúcias" (v. 29) que ele próprio causou.



Leitura seguinte: Revisitando Eclesiastes - capítulo 8






segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Quando estiver triste, não gaste!

Excelente artigo publicado no caderno Eu & Fim de Semana do jornal Valor Econômico no dia 18 de janeiro de 2013:

Tristeza não tem fim, dinheiro sim

Por Alexandre Rodrigues

Quando pesquisava para seu livro "O Poder do Hábito", o escritor americano Charles Durhigg deparou com uma prática a princípio inexplicável das empresas de cartões de crédito dos Estados Unidos. Sempre que descobrem, comparando dados pessoais, prática permitida no mercado americano, que um de seus clientes se divorciou, as empresas cortam seu limite de crédito. A redução é ainda mais radical caso o cliente seja do sexo masculino, diminuindo o limite pela metade. A explicação: analisando o histórico de crédito de recém-separados, matemáticos a serviço dessas empresas cruzaram os dados e notaram que não muito tempo depois de mudar seu status de relacionamento para "solteiro" no Facebook os homens, principalmente, começam a ter problemas para pagar suas dívidas.

À primeira vista, pode parecer um exagero - além de uma intromissão indevida na vida dos clientes -, mas um estudo recente conduzido pelos departamentos de psicologia das Universidades de Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que há uma lógica emocional por trás dessa situação: estar triste pode ter um custo financeiro.

"Uma pessoa triste não é necessariamente uma pessoa sábia quando se tratam das escolhas financeiras", afirma Ye Li, professor da Universidade Riverside, na Califórnia, que participou do estudo como pós-doutorando do Centro de Ciências da Decisão de Columbia. "Descobrimos que as pessoas tristes são mais impacientes e frequentemente irracionais."

Nos últimos dez anos, estudos aprofundaram essas descobertas, mostrando que pessoas tristes têm mais problemas com as finanças pessoais, dívidas do cartão de crédito e financiamentos, empréstimos e seguros duvidosos. Por trás de todos os resultados, está o que Ye Li e os outros dois autores do estudo, Jennifer Lerner, da Escola Kennedy de Governança e diretora do Centro de Ciência da Decisão de Harvard, e Elke U. Weber, também de Columbia, chamam de miopia da tristeza.

A miopia da tristeza é, segundo o estudo, responsável por um preconceito momentâneo que leva as pessoas a ignorar os ganhos maiores que vêm com a espera em troca da satisfação imediata. Mais: o gasto em si recebe mais atenção do que o benefício que poderá produzir. A miopia da tristeza, conclui a pesquisa, é um fenômeno robusto e potencialmente perigoso para a vida financeira das sociedades.

É certo que decisões econômicas, incluindo o que compramos, envolvem escolhas que costumam ser feitas com base em razões que nos parecem consistentes. "As pessoas não querem pagar ou consumir mais do que deviam mesmo quando estão tristes", observa Nitika Garg, professora da Australian School of Business e coautora, com Jennifer Lerner, do estudo "Tristeza e Consumo". É bem capaz que neguem a influência, como os voluntários da maioria dos estudos. Mais ainda: a combinação de tristeza e consumo em excesso pode levar a um ciclo em que o próprio hábito de gastar leva a alterações de humor. Por que então a propensão aos gastos?

"A pessoa que está propensa a comprar pensa: 'Eu sou a solução para os meus problemas'", explica Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista e autora do livro "A Cabeça do Investidor". "E uma das formas mais fáceis de encontrar satisfação é por meio das compras. Quanto mais radical a sensação de perda ou de desamparo, mais radical será a busca por compensação."

Esse não é um processo consciente, ressaltam todos os estudos. E nem mesmo faz sentido à luz da lógica. Se uma pessoa triste é mais pessimista, o normal seria que nas centenas de decisões que toma todos os dias fosse mais cética. "Nossa pesquisa não visava propriamente saber se pessoas tristes fazem avaliações mais pessimistas. Mas ser pessimista sobre o futuro é uma das possíveis explicações sobre por que elas querem obter as coisas o mais cedo possível", diz Ye Li.

Economistas e psicólogos tomam direções diferentes quando tentam explicar o papel das emoções nas decisões. A teoria econômica tradicional não costuma dar valor a motivações individuais nas decisões financeiras, considerando que os indivíduos tendem a agir de forma racional, pesando expectativas e probabilidades. Psicólogos ligados à economia comportamental contra-argumentam, no entanto, que as teorias econômicas não conseguem dar conta dos verdadeiros processos mentais por trás de nossas decisões. Novos estudos nas duas últimas décadas começaram a aproximar os dois campos, assim como a neurociência, principalmente no que diz respeito ao consumo.

É inegável - aponta o estudo de Harvard e Columbia - que as pessoas normalmente fazem algumas das escolhas econômicas mais importantes da vida por causa das emoções. "O amor impulsiona a decisão de propor ou aceitar o casamento. Raiva pode levar a uma separação. O medo leva à decisão de abandonar a casa em meio a um desastre", dizem os pesquisadores. Um funeral pode obrigar alguém a tomar decisões financeiras importantes em um estado emocional conturbado. Com o trauma da separação, um divórcio vem acompanhado de novos gastos com habitação e alimentação, entre outros.

A tristeza, no entanto, há séculos é vista como uma boa parceira econômica. Samuel Coleridge (1772-1834), poeta e filósofo inglês experimentou crises profundas de ansiedade e depressão. Sua vida o inspirou a criar uma frase famosa: "O homem mais triste e mais sábio aumenta o amanhecer do dia seguinte". Centenas de trabalhos de psicologia corroboraram essa ideia na segunda metade do século XX, atribuindo à tristeza o papel de antídoto para os otimistas em excesso, capaz de impedir alguém de agir por impulso.

Indivíduos mais tristes, segundo esses estudos, tendem a pesar mais racionalmente as implicações financeiras de suas escolhas. Então, de maneira tímida, nos anos 1980 e com mais profusão nos anos 90 e na década passada, um grupo de cientistas começou a apontar que se trata do contrário.

Tristeza, como definida pelos psicólogos, é um estado temporário, como numa morte ou separação, sendo ligada às sensações de desamparo e perda. Um de seus efeitos é provocar pessimismo sobre determinada situação, um efeito conhecido na psicologia como congruência de humor. Isso leva a uma mudança nos motivos pelos quais as pessoas em estados de tristeza costumam fazer escolhas. Por exemplo: um estudo conduzido por dois psicólogos, William Morris & Nora Reilly, descobriu que pessoas tristes, quando tinham de escolher um parceiro para resolver um problema, preferiam alguém com mais afinidade pessoal do que os mais capazes.

A pesquisa de Harvard e Columbia, concluída no fim do ano passado, teve como voluntários 200 estudantes das duas universidades, que, respondendo a um anúncio, receberam uma remuneração pela participação. Ao contrário de grande parte dos estudos anteriores, nos quais os voluntários assinalavam em um questionário qual era seu estado emocional no momento, os testes foram concebidos para provocar, respectivamente, uma "condição de tristeza", uma "condição de desgosto" e um "estado neutro".

Colocados em cabines individuais, os voluntários tiveram de assistir a três vídeos. Um mostrava a morte do personagem principal, interpretado pelo ator Jon Voight, diante do filho no filme "O Campeão"; outro, a cena de um banheiro infecto e insalubre no filme "Trainspotting". O terceiro clipe foi um trecho de um documentário do canal National Geographic sobre a vida dos peixes na Grande Barreira de Corais.

Se fosse o caso, os voluntários também deveriam escrever um pequeno texto sobre uma história triste ou desagradável da qual tinham participado. Em seguida, escolheram entre 27 montantes de dinheiro e créditos no site da Amazon que deveriam receber naquele dia (entre US$ 11 e US$ 80) e maiores quantidades de dinheiro (entre US$ 25 e US$ 85) em um prazo que variava de uma semana a seis meses.

"A média dos participantes tristes em obter recompensas futuras foi de 13% a 34% menor do que dos participantes em um estado mental neutro", diz Li. Houve casos em que os voluntários preferiram receber US$ 37 na hora a esperar três meses em troca de US$ 85 - mais do que o dobro.

Em outro dos trabalhos pioneiros, realizado pela Universidade de Columbia, estudantes tinham de informar se naquele momento se sentiam mais tristes ou ansiosos. Os dois estados levaram a decisões diferentes em um jogo. Enquanto os voluntários que se diziam tristes corriam mais riscos em busca de recompensas maiores, os ansiosos fizeram o contrário, se arriscando pouco em busca de um lucro menor, porém mais seguro de obter. A ansiedade aumentou a preocupação com o risco e a incerteza enquanto a tristeza aumenta as preocupações com a recompensa.

Se há uma arena em que as emoções reconhecidamente dirigem a necessidade de consumo é o mercado de ações. Em seu livro "Exuberância Irracional", Robert Shiller afirma que o estado emocional dos investidores é um dos fatores mais importantes para explicar subidas fortes de preços. Foi assim nas bolhas dos últimos anos, principalmente a da internet e imobiliária. Tanto no momento de euforia e ganância como de pânico, diz a "teoria das emoções" no mercado financeiro, existe o efeito manada. Decisões de momento podem custar anos de economias.

"Ganância e medo movem a maioria das decisões. Mas duas emoções particularmente importantes são o orgulho e arrependimento. Por exemplo, pensa-se que o arrependimento tem como efeito a disposição para vender cedo demais ações que subiram rapidamente e manter aquelas que estão caindo. Se você vender uma 'perdedora', vai sentir arrependimento", diz Lucy Acket, professora da Universidade Kennesaw, autora de estudos sobre as emoções e o mercado financeiro.

Uma medida do efeito da miopia da tristeza sobre os investidores foi descoberta por Jennifer Lerner e mais duas pesquisadoras, Deborah A. Small e George Loewenstein. Voluntários foram levados a fazer negócios numa experiência parecida com o que ocorre em um "home broker". Metade ficou com um objeto, definindo por qual preço pretendiam vendê-lo, e a outra metade pôde fazer uma oferta de compra. Todos assistiram aos mesmos filmes do estudo atual, assim como cada um foi convidado a escrever explicando como se sentia. Então começaram a negociar.

Os participantes que assistiram ao vídeo mais triste e eram vendedores passaram a reduzir seus preços assim como os compradores fizeram ofertas maiores a ponto de superar as ofertas de venda. Isso aconteceu, segundo os pesquisadores, porque tanto em um caso como outro estava em jogo a busca por mudança. "No caso de venda, livrar-se do que se tem é uma oportunidade para mudar as circunstâncias que estão fazendo a pessoa sofrer, enquanto no caso de compra, a aquisição de novos bens é uma oportunidade para alterar uma realidade desagradável", explica Jennifer.

"Um dos conselhos que dou é que a pessoa tenha um diário de bordo", diz Vera Rita de Mello, que faz palestras e dá consultoria a investidores. "É importante colocar por conta própria o que está acontecendo. Assim, a pessoa consegue encontrar padrões."

Um dos estudos de Jennifer, responsável por grande parte das descobertas que ligam emoções à tomada de decisões financeiras, concluiu que a tristeza deixa uma pessoa mais generosa e também mais propensa a apoiar programas sociais do que se estiver irritada. Com base no estudo, a irritação dos conservadores americanos com Barack Obama por instituir a saúde gratuita poderia ter sido menor se não fosse a crise econômica. Em um cenário de frustração, a reação de uma parte do Partido Republicano foi radicalizar, fazendo surgir o movimento ultraconservador Tea Party.

Mas a tristeza não afeta apenas a maneira como se gasta dinheiro. Estudos sobre sua relação com a alimentação chegaram às mesmas conclusões, dessa vez com o aumento do consumo de pizza, salgadinhos, sorvete e doces. As pessoas tristes se entopem de "junk food" porque procuram conforto na comida, dizem outros estudos. O fenômeno é conhecido das indústrias de alimentos, que põem seus psicólogos para entendê-lo assim como um desdobramento perigoso para as vendas: se concluem que um produto não está ajudando a melhorar o humor, as pessoas tristes param de comprá-los.

Um consolo é que a miopia da tristeza é um estado temporário. No estudo de Harvard e Columbia, quando tinham de optar por receber uma quantia apenas três meses depois ou em um ano, os resultados foram parecidos entre todos os grupos. Sem a chance de obter prazer imediato, as decisões se tornam mais racionais.

Com problemas financeiros, dívidas, obesidade e problemas cardiovasculares sendo consequências da tristeza, as descobertas levam a uma questão: se as pessoas comprometem as próprias finanças por uma razão inconsciente e momentânea, mecanismos podem ser adotados para evitar a ruína financeira? "Eu penso nesse caso que isso deveria ser uma decisão pública", diz Li.

"Por exemplo: a Federal Trade Comission [Comissão Federal de Comércio americana] tem uma regra que permite o cancelamento das vendas em três dias, exceto no caso de seguros e de imóveis." No Brasil, as regras são parecidas. O Código de Defesa do Consumidor permite a desistência da compra em até sete dias se a compra for feita pela internet. Mas no caso de imóveis, se o comprador desistir, tem de indenizar o vendedor. "Eu acho que estender a mesma regra aos outros setores seria benéfico, embora os detalhes da implementação fossem difíceis."

E, finalmente, uma das lacunas diz respeito ao objetivo do aumento do consumo. Embora dezenas de estudos tenham verificado a relação entre tristeza e consumo, faltam trabalhos que expliquem se gastar dinheiro realmente ajudou. "Não conheço nenhuma pesquisa que mostre que comprar realmente alivie um sentimento negativo", diz Ye Li. "Tristeza apenas cria um desejo de comprar, mas não é necessariamente a melhor solução."



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quando a aflição é boa

O Salmo 119 é conhecido por ser o salmo (e capítulo) mais longo da Bíblia (176 versículos) e é constantemente lembrado por se referir quase que exclusivamente à importância da Palavra de Deus para aqueles que dizem segui-lO. São muitas as lições e referências, daí a importância de se concentrar num tema específico para extrair dele o máximo possível. Um desses temas é a aflição. O salmista diz no v. 71 que “foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos”. Soa estranho ver algo bom na aflição, na tribulação, ainda mais numa época em que o discurso triunfalista de muitos líderes evangélicos no Brasil ensina que a aflição é coisa do diabo e que o sinal distintivo do cristão é exatamente a ausência dela. Por sinal, nada mais estranho ao salmista do que o discurso da assim chamada "teologia da prosperidade", conforme fica claro no v. 14: "Folgo mais com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas". Infelizmente, muitos líderes evangélicos brasileiros reescreveriam este versículo assim: "Folgo mais com meia dúzia de riquezas do que com o caminho dos teus testemunhos". Entretanto, o salmista enaltece a aflição como uma espécie de “terapia”, por assim dizer, ainda que dolorosa, para se aprender e fixar os ensinamentos da Palavra de Deus. O mesmo raciocínio ele usa pouco depois, no v.75, clamando: "Bem sei eu, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que em tua fidelidade me afligiste". Esta é certamente a experiência de muitos cristãos, que através da dor e do sofrimento se achegam mais a Deus e à Sua Palavra. No v. 67 o salmista já dizia que “antes de ser afligido, eu me extraviava; mas agora guardo a tua palavra”, o que lhe dá a firmeza a que se refere no v. 133 (“Firma os meus passos na tua palavra; e não se apodere de mim iniquidade alguma”).

Esta ideia da aflição como uma etapa necessária do crescimento espiritual do cristão é recorrente nas Escrituras. No Novo Testamento, Paulo retoma este tema:

Romanos 5:
3 E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança,
4 e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança;
5 e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

2ª Coríntios 1:
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação,
4 que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
5 Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.

Logo, o cristão não deve fugir das aflições e tribulações a todo custo, ou ver nelas uma negativa peremptória do socorro divino. O próprio salmista apela a Deus dizendo: “olha para a minha aflição, e livra-me, pois não me esqueço da tua lei” (Salmo 119:153). Neste caso ele não estava sendo afligido por haver-se desviado (v. 67) ou para que aprendesse a lei como havia dito no v. 71, mas mesmo não se esquecendo dela, estava passando por aflição e clamava a Deus por livramento. Este sentimento fica mais explícito no v. 143, quando confessa que “tribulação e angústia se apoderaram de mim; mas os teus mandamentos são o meu prazer”. Nada mais contundente, portanto. Mesmo com tribulação e angústia “tomando posse” do salmista, a Palavra de Deus continuava sendo o seu grande prazer, algo completamente diferente do que se ensina nas igrejas hoje como “tomar posse”. Na tribulação e na angústia, o salmista encontrava prazer nos mandamentos de Deus, não porque os havia transgredido antes, mas por aceitar que o sofrimento e a dor faziam parte do seu crescimento espiritual. Guardadas as devidas proporções, sua atitude se assemelha àquela que Paulo atribui a Abraão, que “à vista da promessa de Deus, não vacilou por incredulidade, antes foi fortalecido na fé, dando glória a Deus, e estando certíssimo de que o que Deus tinha prometido, também era poderoso para o fazer” (Romanos 4:20-21). Palavra de Deus também é promessa, e bem-aventurado aqueles que a guardam, respeitam e esperam, mesmo na aflição, como diz o salmista no Salmo 91: “Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o honrarei”. Poucos percebem que Deus promete estar com o crente durante seu período de angústia. Dure o que durar, haverá livramento, mas principalmente incessante companhia divina antes, durante e depois. O Salmo 119 (vv. 49-50) também proclama esta verdade: "Lembra-te da promessa que fizeste ao teu servo, na qual me tens feito esperar. O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica". Basta crer na Palavra-Promessa de Deus. Ele não te desampara e não te deixa atravessar sozinho a aflição. E se for difícil crer, siga o conselho de Abraão para fortalecer a sua fé: louve!





Para um comentário mais aprofundado do Salmo 119, recomendo a leitura do texto de minha autoria que está no site e-cristianismo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lata velha

por C. S. Lewis:

Há um alerta ou incentivo para cada um de nós. Se você é uma pessoa legal – que tem facilidade em alcançar virtudes -, tenha cuidado! Muito se espera daqueles a quem muito é dado. Se você considerar mérito seu o que na verdade são presentes que Deus lhe deu por meio da natureza e se contentar em ser uma pessoa simplesmente legal, não passará de um rebelde. E os dons só o levarão a cair de forma ainda mais terrível; o tornarão ainda mais corrupto e seu mau exemplo, ainda mais desastroso. O próprio demônio já foi um arcanjo; os dons naturais dele estavam tão acima dos seus, quanto os seus estão acima das habilidades dos chimpanzés.

Mas, se você não passa de uma pobre criatura – envenenada por uma má criação, numa família cheia de invejas e intrigas absurdas – premiada com alguma perversão sexual independente de sua vontade; e atormentada pelo complexo de inferioridade que a faz humilhar-se diante dos seus melhores amigos -, não se desespere. Ele sabe de tudo isso. Você é um dos pobres que ele abençoou. Ele sabe muito bem que lata velha você está tentando dirigir. Não desista. Faça o que puder. Algum dia (quem sabe em um outro mundo, mas talvez até antes disso) ele lhe jogará no ferro velho e lhe dará uma carcaça novinha. Então, você poderá nos impressionar a todos – e não menos a si mesmo -, pois terá aprendido a guiar na auto-escola mais exigente do mundo. (Alguns dos últimos serão os primeiros e alguns dos primeiros, os últimos).

(C. S. Lewis em “Mero Cristianismo”, citado em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 232)

sábado, 19 de junho de 2010

Pai herói

A notícia abaixo, publicada na Folha de S. Paulo de hoje, 19/06/10, faz a gente se maravilhar, ainda que de maneira dolorida, com o que a humanidade é capaz de fazer por amor, no caso, de um pai a seu filho, assim como mostra que ainda existem bons juízes no Brasil. O pai em questão se chama Adolfo Celso Guidi, e segundo vi nesta página na internet (de onde vem a foto ao lado), é evangélico e não desiste nunca. Ao contrário de muitos evangélicos que têm verdadeira fixação com a morte e a desgraça, Adolfo Guidi luta pela vida de seu filho Vítor todos os dias, e o seu sorriso nas fotos acima e abaixo é uma enorme demonstração de fé e graça. A notícia merece ser divulgada não só pelo belíssimo exemplo de amor e dedicação paternais, mas também para que mais pessoas possam ser beneficiadas por esta solução encontrada pela juíza do caso, até então desconhecida da quase totalidade dos mortais:


Justiça ajuda pai de filho com doença rara

Quase despejado de casa, pai recebe verba de fundo pecuniário para saldar dívida

JULIANNA GRANJEIA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma decisão inédita da Justiça reverteu verba do fundo pecuniário -recolhido de condenações judiciais- para quitar a casa de um pai que abandonou o emprego para pesquisar a doença rara e incurável do filho. Ele seria despejado por não pagar.

A história -que lembra a do filme "Óleo de Lorenzo"- aconteceu em Curitiba. O engenheiro mecânico Adolfo Celso Guidi, 52, deixou o cargo de gerente de uma concessionária em 2000, ao descobrir que o filho Vitor, à época com dez anos, tinha gangliosidose GN1 tipo 2.

"Nenhum médico no Brasil conseguiu diagnosticá-lo. Larguei tudo e fiquei uma semana em Buenos Aires, onde diagnosticaram a gangliosidose. Quando retornei, um médico me disse que não tinha o que fazer", afirmou.

Inconformado com a resposta, o engenheiro começou a estudar a doença na biblioteca da faculdade de medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

"A gangliosidose impede a reprodução de neurônios, que degeneram. Por meio de um processo homeopático, a gente fornece essa enzima e o organismo trabalha", explicou o pai, que encontrou a "fórmula" em 2001.

Para alcançar o resultado, Guidi diz que gastou, na época, cerca de US$ 80 mil (R$ 149.500 atualmente) e deixou de pagar as prestações de sua casa, que foi a leilão.
O processo da Caixa Econômica Federal, financiadora da casa, contra Guidi teve início em 2001. Após recursos, o caso chegou à juíza federal Anne Karina Costa.

"Já estava tramitando em julgado. Caso ele não pagasse, teria que sair do imóvel. Então, durante uma audiência de conciliação, ele disse que queria explicar o motivo de não ter pago a dívida e contou a história do filho."

O banco reduziu a dívida para R$ 48.500, mas ele ainda não podia pagar. Sua renda passara a vir de trabalhos esporádicos na oficina que montou em sua casa.

A juíza se lembrou, então, do fundo que a Justiça mantém com penas pecuniárias. "O dinheiro arrecadado vai para entidades assistenciais. Eu tive a ideia de inscrever Guidi como um projeto."

DECISÃO INÉDITA

Em decisão, que segundo a juíza é inédita no Brasil, o Ministério Público Federal e a 1ª Vara Criminal autorizaram que o fundo fosse utilizado para o pagamento da dívida de Guidi. A audiência final foi em novembro de 2009.

A juíza diz esperar que a decisão se repita e sensibilize as instituições financeiras. Hoje, Guidi cuida do filho sozinho -há três anos ele se separou da mulher- e auxilia duas outras crianças com a mesma doença. "Com a enzima e a alimentação que pesquisei, ele está muito melhor. Ele não tem mais dificuldades de engolir e a musculatura não é mais contraída."

Aos 21 anos, Vitor usa cadeira de rodas e frequenta uma escola especial. Para Guidi, sua história é uma "grande obra de Deus". "Sempre soube que não ia perder minha casa."



Fonte da foto: Paraná Online


Adolfo Celso Guidi tem, também, um texto interessante no blog que, ao que parece, apenas começou a escrever, e que merece ser destacado aqui:

Como evangelizar um deficiente, vítima de degeneração cerebral ???


Por alguns anos questionei ao meu Senhor, como alcançar estes seres maravilhosos , puros, amorosos, carentes de atenção?

Então na busca da intimidade por uma resposta, o espírito de Deus abriu o entendimento, "é pela família que se evangeliza um deficiente".

Iniciei um solitário projeto de evangelização, no início de 2009, pude assistir a família de um portador de down com complicações cardíacas , resgatar a dignidade de vida da mãe, reformar a casa deles devolvendo-lhes a dignidade de viver, re-evangelizamos a mãe, aproximando-a à uma denominação, com os retornos, agregava novas ajudas, como cestas de alimentação e higiene, assistência a problemas renais e pudemos observar o progresso do menino na escola.

Como é maravilhoso ver que sua ação resulta no resgate de pessoas, progrediram mãe e filho juntamente.

no amor com Deus, na saúde, na alegria de viver.

Este é o Projeto 29, deficientes e suas famílias para Cristo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A arte da renúncia


“Jesus dizia a todos: 
Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, 
tome diariamente a sua cruz e siga-me. 
Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; 
mas quem perder a sua vida por minha causa, 
este a salvará. 
Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, 
e perder-se ou destruir a si mesmo?”
(Lucas 9:23-25)

Aprende a arte de renunciar. É na renúncia das vontades e escolhas pessoais que Te aperfeiçôo. Ninguém pode ser Meu discípulo se não aprender tal ensinamento. Renunciei aos céus. Renunciei à glória. Aprendi os caminhos da humilhação, desconforto, e incompreensão. Pude então, compreender melhor o comportamento dos homens. Estou formando em ti um caráter semelhante ao Meu. Para que isso aconteça, é necessário trilhares os meus caminhos. Quero que estejas preparado para a obra que deverás realizar. Este processo, aparentemente indesejável, te dará a têmpera ideal para o combate. Lembra-te, a alma humana é aperfeiçoada na adversidade e no rugir dos acontecimentos. As tensões deste processo te aproximam de minha graça. Por esta razão, tenho enviado provas sobre ti a fim de que aprendas o caminho da vida. Não fujas de tal processo espiritual, pois, se tentares amenizar o calor da fornalha, não alcançarás a tão desejada pureza. Quando te sentires incapaz, exercita tua fé. Ela te foi dada exatamente para isto. Quero que desfrutes das aventuras do universo da fé. O mundo lá fora não pode adentrar ao palco sagrado dos grandes acontecimentos sobrenaturais. É um privilégio de Meus filhos a realização de obras impossíveis para a mente humana. Por esta razão te admoesto: “Aprende a arte de renunciar”. Assim, Me permitirás agir em tua vida.


(Paulo Solonca, em “Raios de Esperança”)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Âncoras seguras na tempestade

Leitura bíblica: Atos 27:27-44

Versículo-chave: “E, receosos de que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras, e oravam para que rompesse o dia.” (Atos 27:29)

Meditação: Quais são suas âncoras na tempestade? O que, em seu interior, estabiliza o navio da vida em meio aos ventos cortantes da dúvida, do mar amargo da dor, das rochas afiadas da tentação? É o que nos acontece na tempestade, não na calma ou na tranqüilidade dos portos da vida, que testa a nossa fé.

Paulo partiu para Roma sob a guarda romana. Na viagem de Creta a Malta, um vento nordeste, chamado Euro-aquilão, soprou das montanhas de Creta, apanhando o navio e atirando-o à deriva por vários dias. Só Paulo tinha confiança em meio ao desespero. Enquanto o navio vagava ao léu, perto da costa de Malta, os marinheiros lançaram sondas e, temendo dar contra as rochas, abaixaram quatro âncoras. E Paulo orava para que despertasse o dia. A vida é assim. Que quatro âncoras seriam capazes de estabilizar nossa alma no mar turbulento do tempo? Paulo possuía mais que âncoras físicas. Em oração, ele lançou as verdadeiras âncoras da vida.

Ele tinha a âncora da confiança na ajuda presente de Deus. Mediante o seu ministério, Deus havia sido fiel em cada crise. Paulo podia confiar nele agora. A seguir, ele tinha a âncora da esperança. A esperança de Paulo estava firmada no Senhor da história, que o havia ajudado a atravessar fielmente cada dificuldade. O salmista tinha razão: “Espere no Senhor”.

Mas Paulo também tinha a âncora do propósito. Ele sabia que sua obra ainda não estava terminada. Ele devia ir à presença de César. Deus terminaria o que havia começado. O propósito nos liberta dos temores e nos dá coragem. Nosso propósito é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre, a despeito do que acontece ou do que as pessoas dizem. Finalmente, havia a âncora da comunhão: “Deus por sua graça te deu todos quantos navegam contigo”. Aqueles que aceitaram a mensagem de Paulo deviam responder por ele. Deus sempre provê alguém que sabe, compreende, ouve e ama. São essas as nossas âncoras até romper a aurora de um novo dia.

Pensamento do dia: Há âncoras para a tempestade.

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 17 de agosto)

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