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domingo, 2 de abril de 2017

Seres humanos que verão o século 22 já estão nascendo. Saiba quem são:


Bem, do jeito que a coisa anda, só o fato de UM ser humano chegar ao século XXII já é lucro, não é mesmo?

A matéria é do Estadão:

A bebê que deve chegar ao século 22

Sophie, de 6 meses, tem expectativa de vida de 84,9 anos, beneficiada pela estrutura local

GENEBRA - Sophie Morelli Maguire nasceu no dia 5 de setembro de 2016 em Genebra, filha de um pai suíço e uma mãe brasileira. Sentada ao colo da bisavó paterna, de 94 anos, ela ainda não sabe, mas é uma das pessoas que terá grandes chances de estar entre as que conhecerão o século 22. Com uma das maiores expectativas de vida do mundo, as mulheres suíças que nasceram entre 2016 e 2017 são as que, pela primeira vez, têm uma perspectiva real de ainda estarem vivas quando o século 21 acabar.

Envelhecer na Suíça é considerado pelos especialistas como um privilégio. Hoje, mais de 1,5 mil pessoas no país tem acima de cem anos, número que deve aumentar de forma exponencial nas próximas décadas. A bisavó de Sophie, Fernanda Sorg, é um exemplo claro dessa realidade. Aos 94 anos, ela vive sozinha em um apartamento em Genebra e não esconde seu orgulho em relação à independência. “Meu segredo para viver tantos anos é nunca exagerar, em nada”, disse.

Com a bisneta no colo, ela compartilha sua própria história, repleta de aventuras em uma Europa em guerra. “Meu pai era suíço. Mas ele migrou para a Itália, onde eu nasci”, contou. “Ele tinha duas lojas. Mas quando os fascistas chegaram, decidiu levar a família toda de volta para a Suíça, em 1930. Eu tinha apenas 7 anos”, disse. A viagem a um país neutro salvou a família.

Com as mãos imitando marionetes, ela brinca com a bisneta de olhos azuis e repete, espantada, a ideia de que sua herdeira poderá conhecer o século 22. Sophie é uma dessas crianças que, de fato, nasceu em um lugar privilegiado. Se permanecer na Suíça, conviverá com uma das taxas de violência absolutas mais baixas do mundo. Em 2014, foram apenas 41 homicídios, ante 59,6 mil no Brasil.

O país alpino também tem uma das rendas mais elevadas do planeta, a escolaridade está garantida pelo serviço público e observa-se uma das menores taxas de desemprego do mundo – de 3%. Em 2015, apenas 340 crianças morreram no primeiro ano de vida, uma para cada mil nascimentos. A taxa é muito inferior às 32 mortes para cada mil no mundo. Mas é o avanço na ciência e a capacidade de o Estado bancar o envelhecimento de sua sociedade que têm sido os principais motivos dessa transformação. No ano de 1900, a expectativa de vida de um suíço era de 46 anos. Em 2000, passou a 80 anos e, hoje, está em 80,7 para os homens e 84,9 para as mulheres. Apenas os japoneses têm uma taxa superior.

Hoje, 17% da população suíça – cerca de 1,4 milhão de pessoas – tem acima de 65 anos de idade. De acordo com a entidade Pro Senectute, até 2060 mais de 1 milhão de suíços terão mais de 80 anos, ante 400 mil hoje.

Na avaliação de especialistas, o que diferencia o país alpino do restante é a atenção que passou a ser dada à terceira idade. A Suíça foi eleita o melhor país para se envelhecer, de acordo com o relatório Global Age Watch 2015, um índex desenvolvido com dados disponibilizados por organizações como o Banco Mundial e as Nações Unidas.

Por cidade. Os serviços de diferentes cidades suíças também têm sido adaptados a essa nova população. Em Lugano e Ulter, por exemplo, as prefeituras planejam redesenhar um espaço urbano voltado a uma sociedade que envelhece. Já Zurique faz parte de um programa que incentiva o acolhimento de estudantes em casas de idosos que possuem quartos vazios, permitindo uma troca de alojamento por alguns serviços e ajuda. Em Genebra, festas e atividades como idas a museus e cinemas são organizadas. Um espaço chamado “cité senior” recebe toda primeira terça-feira de cada mês uma enfermeira que permanece à disposição para controlar a pressão e níveis glicêmicos, além de tirar possíveis dúvidas.



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Senha da conta de Eduardo Cunha na Suíça é o nome da mãe


A matéria é do Estadão:

Cunha usou nome da mãe como senha

ADRIANO CEOLIN E FÁBIO FABRINI

Documento de banco suíço mostra que presidente da Câmara forneceu dados pessoais para acessar informações de conta

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), forneceu o nome da mãe como contrassenha a ser usada em consultas ao banco suíço Julius Baer.

A informação consta dos documentos de abertura da conta Triumph-SP, uma das quatro atribuídas ao deputado pela Procuradoria-Geral da República. Para investigadores envolvidos no caso, trata-se de mais um indicativo de que os recursos no exterior eram diretamente controlados pelo peemedebista.

Entre os procedimentos de segurança, o banco exige que o cliente responda a uma pergunta secreta, definida no momento da criação da conta. Ela serve para acessar o serviço de helpdesk (suporte técnico).

A questão escolhida na abertura da Triumph-SP foi "O nome de minha mãe". A resposta a ser dada, preenchida numa das fichas de abertura, era "Elza". O deputado é filho de Elza Cosentino da Cunha.

Para os investigadores, o uso de informações pessoais para acessar a conta enfraquece os argumentos de Cunha, que desde a semana passada afirma não ter ingerência sobre os valores nela depositados.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, publicada no sábado (8) passado, o presidente da Câmara afirmou ter repassado recursos de seus negócios no exterior, entre eles a venda de carne enlatada na África, para agentes fiduciários, os quais seriam os responsáveis pela administração dos ativos.

A Triumph-SP seria uma conta de truste, ou seja, uma conta de "confiança", gerida por terceiros com autorização do deputado. "Contratei o truste, os ativos passaram para o truste, para sua gestão. Sou o beneficiário em vida, como se eu fosse ‘usufrutuário’ do bem", disse Cunha.

Conselho de Ética

As alegações do presidente da Câmara dos Deputados vão ser entregues ao Conselho de Ética da Casa, que abriu processo para avaliar se ele mentiu, em março deste ano, ao afirmar perante a CPI da Petrobras que não tinha contas no exterior.

A defesa foi considerada "inconsistente" e "desastrosa" pela oposição. Em reação às explicações, a bancada do PSDB na Casa anunciou ontem o rompimento com deputado, após hesitar por várias semanas sobre qual posição assumir.

O Ministério Público da Suíça contesta a versão do presidente da Câmara, argumentando que há provas de que ele é o responsável pelas contas e que os depósitos têm origem ilícita. Para as autoridades daquele país, há ainda indícios de lavagem de dinheiro nas operações financeiras.

A Triumph-SP, aberta em 2007 em Genebra, foi encerrada em maio do ano passado, dois meses após a deflagração da Operação Lava Jato, com a transferência de US$ 246 mil para outra conta.

Questionado, o presidente da Câmara afirmou que não reconhece o documento citado pela reportagem. "Não tem qualquer assinatura minha. E não sei o que se trata", disse o deputado à reportagem.



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Da Ferrari de Neymar à família de Eduardo Cunha, testemunho evangélico desaba no país


Definitivamente, a semana que se encerra amanhã está sendo tenebrosa para aqueles que se fiam no "testemunho" dos expoentes evangélicos no país, no caso dois homens que fazem questão de se apresentar como representantes desse segmento religioso, o deputado Eduardo Cunha e o jogador Neymar.

Cunha, deputado pelo PMDB-RJ e presidente da Câmara, é apontado como o maior responsável pela agenda conservadora que as votações da casa demonstram, entre elas a do Estatuto da Família, que tenta impor o conceito de casamento como a união de um homem e uma mulher, rejeitando a união homossexual, iniciativa que reuniu praticamente todos os líderes denominacionais do país, dos mais tradicionais aos mais neopentecostais, quando de sua propositura no Congresso Nacional.

O que esses líderes talvez não esperavam é que, justamente nesta semana, o Ministério Público da Suíça informasse à Procuradoria Geral da República, seu órgão similar no Brasil, a abertura de um processo criminal no país europeu envolvendo contas pertencentes a familiares de Eduardo Cunha, que foram imediatamente congeladas.

Uma das contas teria o próprio Cunha como beneficiário, e outra estaria no nome de sua esposa, Cláudia Cordeiro Cruz, que foi apresentadora de telejornais da Rede Globo de Televisão entre 1989 e 2001. 

O presidente da Câmara de Deputados já havia declarado à CPI da Petrobrás, em março deste ano, que não tinha contas no exterior. 

A se confirmar a acusação dos promotores suíços, o deputado mentiu, o que não significa muita coisa do ponto de vista jurídico, já que - providencialmente - não existe o crime de perjúrio no Brasil. 

Não é de hoje que - aqui - todo mundo pode mentir à vontade, sob juramento ou não, que não fica corado nem comete crime algum. Coisas de país subdesenvolvido.

Se já não bastasse o caos político instaurado no país, agora é a vez de Eduardo Cunha não ter mais como se segurar no seu cargo, talvez tampouco no seu mandato. 

Os adversários do deputado não perderam tempo para ironizar sua ambiguidade, como foi o caso de Luciana Genro, que foi candidata à Presidência da República nas últimas eleições pelo PSOL, através do Twitter:



Por outro lado, o jogador Neymar, do Barcelona (Espanha), teve um Porsche apreendido e R$ 188 milhões bloqueados pela Receita Federal, por suspeita de sonegação fiscal num processo que envolve a empresa que leva seu nome e é gerida por seu pai.

O atleta, entretanto, não se fez de rogado, e postou ontem, 01/10/15, uma imagem da sua Ferrari recém-comprada na sua conta do Twitter, agradecendo a Deus pelo presente que se deu a si mesmo:



Obviamente, todas essas denúncias deverão ser apuradas, como de fato já estão sendo, nos seus devidos processos legais, mas pairam nuvens escuras sobre o nome "evangélico" no Brasil.

No meio de tanta confusão político-ideológica, talvez seja o caso daqueles evangélicos sedentos de poder e fama procurarem outros modelos para seguir, ou (cá entre nós, de preferência) voltar - pura e simplesmente - ao bom e humilde evangelho de Jesus Cristo pregado na cruz do Calvário.

É mais seguro...

Fontes: Folha de S. Paulo, Brasil Post e Extra



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Vida e obra de Ulrico Zuínglio

O Reformador de Zurique, Ulrico Zuínglio, apesar de sua importância no contexto da Reforma Protestante do século XVI, é - injustamente - muito menos conhecido do que João Calvino e Martinho Lutero, os dois mais famosos.

O Gustavo, co-editor deste blog, preparou uma pequena biografia de Zuínglio para o portal e-cristianismo, da qual publicamos o trecho inicial abaixo:

No dia 1 de janeiro de 1484, na pequena cidade de Wildhaus, nascia um personagem bastante influente na Suíça de seus dias, mas cuja história, por estes estranhos motivos que a vida nos reserva, é pouco conhecida em nossos dias. Seus pais batizariam a criança de Ulrich Zwingli, embora futuramente ele viesse a adotar o nome de Huldrych Zwingli. Seu nome em português, no entanto, estaria mais próximo do nome de batismo: Ulrico Zuínglio. Havia uma grande variação do primeiro nome do reformador, que é explicado com maestria por Rea Rother:
No monumento e em várias publicações ele se chama Ulrich, outros o chamam de Huldreich, e ele mesmo costumava assinar Huldrych ou Huldrychus. - Então como se chamava de fato este Zuínglio nascido há bons 500 anos?

Quem acha que Huldrych é a forma original do nome Ulrich, está enganado. O nome de batismo de Zuínglio era Ulrich (em homenagem ao santo Ulrich de Augsburg de cerca de 930 d.C.), seu perpétuo primeiro nome deveria ser pronunciado Ueli ou Uoli. Já como estudante o jovem Zuínglio desenvolveu uma considerável tendência para a encenação de seu nome e escrevia desde então o latinizado Udalricus. Depois quis Zuínglio abertamente entrar para a história como um homem huldrycher (huldreicher, gracioso, benevolente) e começou a assinar suas traduções e cartas como Huldrychus.

O conselho zuriquenho de fato não participou das brincadeiras com o nome de Zuínglio. Nos protocolos do conselho ele continuou como "Meister Uolrich".
Continue lendo no e-cristianismo



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ainda há cristãos na Europa



O avanço do secularismo e do islamismo na Europa faz a gente ter a impressão de que há cada vez menos cristãos por lá, apesar de muitos europeus se declararem - pelo menos nominalmente - católicos ou protestantes.

Não deixa de ser interessante, portanto, que algumas manifestações tenham sido feitas nos últimos meses e anos em concentrações públicas (seguindo a linha do flash mob), para anunciar que ainda há cristãos no continente.

O maior movimento se chama "Up To Faith", mas há algumas variações locais como o francês "Un Coeur pour Lyon".

Há vários vídeos no youtube, dos quais destacamos alguns. O primeiro é o "Rise Up" de Berna, na Suíça:



O segundo é o "Un Couer pour Lyon", em Lyon, na França:



E o terceiro é em Budapeste, na Hungria:





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O centenário de Francis Schaeffer

Se vivo fosse, o teólogo Francis Schaeffer completaria hoje exatos 100 anos de idade. Nascido no bairro de Germantown na Philadelphia, Pennsylvania, nos Estados Unidos, no dia 30 de janeiro de 1912, e falecido aos 72 anos de idade no dia 15 de maio de 1984, Schaeffer é pouco conhecido das gerações mais jovens de cristãos, mas até a sua morte exerceu enorme influência no cristianismo em todo o mundo, influência esta mais percebida entre os de origem protestante, mas que também foi sentida em menor escala nos outros ramos da religião. Em 1955, juntamente com sua esposa Edith, fundou a comunidade L'Abri ("o abrigo" em francês) na Suíça, instituição hoje presente em todo o mundo, inclusive no Brasil, em Belo Horizonte (MG). O L'Abri serviu para a sua época inicial, principalmente, como um ponto de encontro e discussão para jovens e líderes de todo o mundo que enfrentavam a ansiedade típica de seu tempo (do nosso também, é forçoso reconhecer) e buscavam respostas para conciliar a sua fé com os parâmetros relativistas da modernidade (com o perdão da aparente contradição no termo, já que parâmetros deveriam ser minimamente estáticos ou "absolutos", mas a pós-modernidade impõe parâmetros que mal duram um ano, ou um mês às vezes). Francis Schaeffer se viu, então, de certa maneira compelido a orquestrar uma reação cristã de raiz protestante às muitas influências que ameaçavam solapar a fé de tanta gente. Para atingir este objetivo, trabalhou basicamente em duas áreas principais: a apologética e a política. Na primeira, salientou a necessidade de se debater de maneira direta e contundente quando se tratava de defesa da fé. Na segunda, incentivou a participação política maciça dos cristãos para que assim influenciassem os destinos de sua nação e do mundo em geral. Seu livro "Um Manifesto Cristão" de 1981 era uma clara referência, já no título, ao Manifesto Comunista de 1848 e ao Manifesto Humanista de 1933 e 1973. O subtítulo da edição americana era suficientemente claro: "A crise moral da América e o que os cristãos devem fazer". Os títulos de outros livros seus, como "A Morte da Razão", "O Deus que se Revela", "O Deus que Intervém" e "Como Viveremos", revelam por si só como ele não se intimidava ao enfrentar as angústias de seu tempo. Talvez no tema do aborto se sinta a maior influência que ele teve em outras searas cristãs, como a Igreja Católica, já que advogava por uma militância anti-aborto tão ativa como a dos partidos políticos e movimentos feministas. Como você percebe, qualquer semelhança com o tema aborto levantado por religiosos nas últimas eleições presidenciais brasileiras não é mera coincidência, ainda que quase nenhum deles (provavelmente nenhum) soubesse que foi Francis Schaeffer que deu o pontapé inicial no jogo político dos evangélicos fundamentalistas, primeiro em seu país natal, e agora em todo o mundo. Por isso mesmo, ele é muito criticado por ter sido o precursor e incentivador desse movimento, sobretudo nos Estados Unidos, onde o Partido Republicano é dirigido pelo conservadorismo evangélico local. Muito provavelmente, Francis Schaeffer não tinha ideia de onde o seu ativismo político-religioso poderia desembocar, mas o convívio muito próximo com a direita fundamentalista norteamericana levou com que seu filho Frank Schaeffer, que havia participado de todas as iniciativas políticas de Francis, após a morte deste se afastasse do protestantismo e hoje ele professa a fé ortodoxa grega, além de combater as ideias dos políticos religiosos que beberam na fonte de seu pai. Frank escreveu inclusive uma espécie de autobiografia dessa época, intitulado "Crazy for God" ("Louco por Deus"), mas dando uma conotação diferente à frase do que aquela que você talvez imagine. De qualquer maneira, Francis Schaeffer deixou um legado muito importante para a Igreja que talvez ainda não tenha sido compreendido em toda a sua extensão e nas amplas teias de suas implicações. Vivemos tempos muito conturbados no último século, nos quais ainda estamos emaranhados, e talvez um dia possamos avaliar melhor a sua obra, inclusive naquilo que a acusam de politização excessiva ou extremismo conservador. Algumas questões poderiam ser levantadas desde já. Até que ponto, por exemplo, essa ênfase excessiva na política pode ser culpada pela bandalheira da prosperidade e do materialismo que vem assolando o meio evangélico nas últimas décadas? Em que medida o foco cristão na campanha ideológica pela normatização de preceitos morais pode ter descaracterizado, sublimado ou - pior - substituído a pregação pura e simples do evangelho da cruz de Cristo? Entretanto, se este blog aqui existe (como tantos outros ditos "apologéticos", diga-se de passagem) não deixa de ter o seu 0,01% de influência de Francis Schaeffer, já que o que procuramos fazer, de maneira equilibrada, responsável e descontraída, é defender a fé cristã, mas sem desprezar ou desrespeitar ninguém, na medida do possível, é claro, já que não somos perfeitos e nem sempre aquilo que se escreve é entendido da maneira correta, aquela pretendida pelo emissor da mensagem. Talvez tenha sido este o caso de Francis Schaeffer. Quem pode garantir o contrário? Apesar da data estar passando em branco no Brasil (ah! estava até agora!)- nem a editora que publica seus livros por aqui aproveitou a efeméride -, e com pouca repercussão pelo mundo afora, parabéns pelo centenário, Francis!






terça-feira, 29 de novembro de 2011

Fé larga na frente da ciência na trepidante busca da "partícula de Deus"

Se vai vencer a corrida no final, a história ainda está sendo escrita. Quatro anos atrás, com a construção do laboratório acelerador de partículas na fronteira entre a Suiça e a França, o LHC - "Large Hadron Collider" ("Grande Colisor de Prótons"), havia muita expectativa em relação à comprovação definitiva da existência do bóson de Higgs, em teoria a partícula fundamental que comporia a matéria que forma o universo, como anunciava em abril de 2007 o portal Inovação Tecnológica:


Bóson de Higgs

Quando os prótons se chocam no centro dos detectores as partículas geradas espalham-se em todas as direções. Para capturá-las, o Atlas e o CMS possuem inúmeras camadas de sensores superpostas, que deverão verificar as propriedades dessas partículas, medir suas energias e descobrir a rota que elas seguem.

O maior interesse dos cientistas é descobrir o Bóson de Higgs, a única peça que falta para montar o quebra-cabeças que explicaria a "materialidade" do nosso universo. Por muito tempo se acreditou que os átomos fossem a unidade indivisível da matéria. Depois, os cientistas descobriram que o próprio átomo era resultado da interação de partículas ainda mais fundamentais. E eles foram descobrindo essas partículas uma a uma. Entre quarks e léptons, férmions e bósons, são 16 partículas fundamentais: 12 partículas de matéria e 4 partículas portadoras de força.

A Partícula de Deus

O problema é que, quando consideradas individualmente, nenhuma dessas partículas tem massa. Ou seja, depois de todos os avanços científicos, ainda não sabemos o que dá "materialidade" ao nosso mundo. O Modelo Padrão, a teoria básica da Física que explica a interação de todas as partículas subatômicas, coloca todas as fichas no Bóson de Higgs, a partícula fundamental que explicaria como a massa se expressa nesse mar de energias. É por isso que os cientistas a chamam de "Partícula de Deus".

O Modelo Padrão tem um enorme poder explicativo. Toda a nossa ciência e a nossa tecnologia foram criadas a partir dele. Mas os cientistas sabem de suas deficiências. Essa teoria cobre apenas o que chamamos de "matéria ordinária", essa matéria da qual somos feitos e que pode ser detectada por nossos sentidos.

Mas, se essa teoria não explica porque temos massa, fica claro que o Modelo Padrão consegue dar boas respostas sobre como "a coisa funciona", mas ainda se cala quando a pergunta é "o que é a coisa". O Modelo Padrão também não explica a gravidade. E não pretende dar conta dos restantes 95% do nosso universo, presumivelmente preenchidos por outras duas "coisas" que não sabemos o que são: a energia escura e a matéria escura.

É por isso que se coloca tanta fé na Partícula de Deus. Ela poderia explicar a massa de todas as demais partículas. O próprio Bóson de Higgs seria algo como um campo de energia uniforme. Ao contrário da gravidade, que é mais forte onde há mais massa, esse campo energético de Higgs seria constante. Desta forma, ele poderia ser a fonte não apenas da massa da matéria ordinária, mas a fonte da própria energia escura.

Em dois ou três anos saberemos se a teoria está correta ou não. Ou, talvez, nos depararemos com um mundo todo novo, que exigirá novas teorias, novos equipamentos e novas descobertas.


Agora parece que a coisa está prestes a desandar de vez, e a ciência vai descartar o bóson de Higgs e tratar de procurar outra teoria que explique a formação do universo, segundo informa a Reuters, em matéria traduzida por Natasha Romanzoti e publicada no HypeScience. Haja fé:

Busca por bóson de Higgs se afina sem resultados: a partícula de Deus existe mesmo?

Recentemente, físicos do laboratório CERN focaram sua pesquisa para o bóson de Higgs, a partícula que muitos pensam que deu forma ao universo após o Big Bang, e agora estão restritos a uma faixa estreita do espectro de massa para tentar encontrá-la.

Cientistas estão sugerindo que, se a partícula não for encontrada até meados de dezembro, provavelmente vai ficar comprovado que ela não existe, e algum outro mecanismo para explicar como a matéria nasceu no cosmos terá que ser procurado.

GeV, ou giga elétron-volts, é um termo usado na física para quantificar campos de energia das partículas. A procura por Higgs no Grande Colisor de Hádrons (LHC) e no Tevatron (agora fechado, no laboratório Fermilab dos EUA) variou até 476 GeV.

A região de maior massa já foi praticamente descartada, mas o bóson de Higgs ainda poderia estar em qualquer lugar na faixa entre 114 e 141 GeV. Físicos como o italiano Tomasso Dorigo, que trabalha com o CERN, agora dizem que, se existir, o Higgs deve ser encontrado em cerca de 120 GeV, enquanto o pesquisador britânico independente Philip Gibbs chuta 140 GeV em seu site, vixra.org /.

As últimas descobertas sobre a partícula Higgs foram compiladas por duas equipes de pesquisa, ATLAS e CMS, e ambas estão trabalhando duro para tentar completar a análise de dados do colisor até o início de dezembro.

O Conselho do CERN se reúne entre 12 de dezembro e 16 de dezembro e qualquer sinal concreto do Higgs – cuja existência foi postulada há quatro décadas pelo cientista britânico Peter Higgs – será relatado durante a sessão.

A faixa de baixa massa, onde os cientistas sempre pensaram que iriam encontrar a partícula, é também aquela em que seria mais difícil de encontrá-la. Sendo assim, parece pouco provável que ela seja descoberta em breve, e pode ser que realmente não exista.

A partícula é parte do modelo padrão da física de partículas que procura explicar como o universo funciona em seu nível mais básico, mas ela é quase o único elemento do modelo cuja existência ainda não foi provada.

Se não for encontrada, os cientistas precisarão explorar o próximo conjunto de possibilidades para explicar o universo.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O relógio de Calvino

Uma mirada sobre Calvino fora da seara teológica, publicada no jornal Valor Econômico de 23/09/11:

Calvinismo iniciou cultura relojoeira

Por De Schaffhausen

A tradição relojoeira suíça remonta ao século XVI e está intimamente ligada à Reforma Protestante. O teólogo João Calvino, um dos protagonistas daquele movimento de contestação à Igreja Católica, acompanhou o fluxo de fugitivos da perseguição aos protestantes franceses e exilou-se a Suíça em 1536 - quando ela ainda era Confederação Helvética - e, entre idas e vindas, lá se estabeleceu.

Em Genebra, em 1541, ele começou a pregar suas "leis morais", que aconselhavam os fiéis da nova doutrina a buscar uma conduta diária irrepreensível e a fugir, entre outros pecados, da ostentação.

Os joalheiros, diante do impasse, resolveram começar a se dedicar à relojoaria. Mais discretos que as joias e com uma função prática - a de mostrar as horas -, os relógios (na época apenas de bolso) não eram mal vistos pelo calvinismo. Mais que isso, os mais raros e bem acabados ainda serviam para seus donos como indicativo de prosperidade, principal sinal da "predestinação", um dos pilares centrais da religião.

Em 1601 os relojoeiros em Genebra uniram-se em uma guilda e os relógios suíços já eram reputados em regiões próximas. A partir daí, a tradição de montagem, criação e desenvolvimento das chamadas complicações para relógios mecânicos se espalhou para outras cidades do oeste do país, especialmente aquelas no entorno das montanhas Jura, como Neuchâtel e Bienne.

A indústria relojoeira suíça só viveria tempos realmente difíceis quase 400 anos depois, durante a "crise do quartzo". Movidos a bateria e mais baratos que os mecânicos, os relógios de "quartzo", começaram a ser vendidos em escala a partir da década de 1970 e tiraram a hegemonia suíça.

Muitas marcas sobreviveram - e se destacaram no mercado - vendendo relógios mecânicos como artigo de luxo.



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