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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Cristãos sírios erguem árvore de Natal a partir das ruínas de Homs


A informação foi publicada no Estadão:

Natal em meio a escombros na Síria

Cristãos voltam a Homs e erguem árvore natalina


Três anos e meio após as forças do presidente sírio, Bashar Assad, terem reconquistado o controle sobre Homs, derrotando os opositores que tornaram a cidade a “capital da revolução”, muitos cristãos que tinham fugido da guerra retornaram a suas casas. Em meio aos edifícios destruídos na cidade velha, um pinheiro com uma estrela no topo indica que a celebração do Natal ocorrerá em paz.

Próximo do pinheiro, instalado no bairro de Al-Hamidiyah, um reduto cristão na parte antiga de Homs, dezenas de retratos dos mortos nos combates estão penduradas no “muro da honra”, alguns já descoloridos pela chuva.

De acordo com dados da ADF International, ONG que advoga pela liberdade religiosa, quando o levante contra Assad começou, em 2011, 1,25 milhão de cristãos viviam na Síria – em 2016, esse número tinha baixado para menos de 500 mil, segundo a entidade, em razão da guerra e da perseguição por parte de radicais islâmicos.

Segundo outro levantamento, da Missão Portas Abertas, organização que dá apoio a comunidades cristãs perseguidas, há 794 mil cristãos da Síria.

O cerco a Homs por parte das forças de Assad durou até maio de 2014, quando cerca de 2 mil rebeldes entrincheirados no bairro antigo se entregaram. “Em 2014, quando voltamos ao nosso bairro devastado, a árvore de Natal foi feita com escombros”, afirmou a cristã Rula Barjur, enquanto dava os últimos toques na decoração – de guirlandas prateadas e azuis – do pinheiro instalado na cidade velha.

Em uma reportagem publicada no início deste mês, o World Watch Monitor, que divulga histórias seguidores do cristianismo que sofrem perseguição, narrou o retorno dos cristãos a Homs. Abdul al-Yussef, de 70 anos, pediu para ser fotografado diante da árvore em Al-Hamidiyah, para mandar a seus filhos, que se refugiaram da guerra na Alemanha. “Quero lhes pedir que retornem.” / AFP



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Perseguição matou 90 mil cristãos em 2016


Tragicamente, o número de muçulmanos mortos - em geral por outros muçulmanos - não é muito diferente. 

A informação é da Rádio Vaticano:

Segundo estimativas, 90 mil cristãos foram mortos em 2016

Roma (RV) – A Igreja festeja neste 26 de dezembro Santo Estêvão, o primeiro mártir. A perseguição não é um fenômeno esporádico na história do cristianismo, mas marcou profundamente a vida dos cristãos até os dias de hoje, em muitos países do mundo.

O próprio Papa tem reiterado em diversas ocasiões, que a violência contra os cristãos é mais intensa hoje do que nos primeiros tempos da Igreja.

O Diretor do Centro de Estudos Novas Religiões, Prof. Massimo Introvigne, falou à Rádio Vaticano sobre esta perseguição, baseado em estimativas que indicam que 90 mil cristãos foram mortos devido à sua fé em 2016, ou seja, um a cada seis minutos. Por outro lado, entre 500 a 600 milhões de cristãos não podem professar sua fé de modo totalmente livre no mundo de hoje:

“O reconhecido Center for Study of Global Christianity publicará no próximo mês a sua estatística 2016, que fala de 90 mil cristãos mortos pela sua fé, um morto a cada 6 minutos, um pouco menos do que os 105 mil mortos há dois anos. Deste, 70 % (63 mil), foram mortos em conflitos tribais na África. O Centro estadunidense os inclui na estatística, porque considera que em grande parte trata-se de cristãos que se recusam a pegar em armas por razão de consciência. Os outros 30%, ou seja, 27 mil, derivam, pelo contrário, de atentados terroristas, destruição de povoados cristãos, perseguições governamentais, como no caso da Coreia do Norte”.

RV: Mas, em relação aos cristãos perseguidos em todo o mundo, existe alguma estimativa?

“Confrontando as estatísticas de pelo menos três diversos Centros de pesquisa dos Estados Unidos, e também do meu, o Censur, e comparando os dados de 102 diferentes países, as estimativas variam de 500 a 600 milhões de cristãos que não podem professar a própria fé de modo totalmente livre. Sem querer esquecer ou diminuir os sofrimentos dos membros de outras religiões, os cristãos são o grupo religiosos mais perseguido no mundo. Alguém pode ficar perplexo diante das estatísticas, pois em algum lugar o Center for Study of Global Christianity nos dá esta cifra de 90 mil, enquanto outros nos falam de alguns milhares, outros ainda de algumas centenas. Quando as discrepâncias são assim grandes, é claro que estão sendo consultadas fontes diversas. Quem conta as pessoas colocadas diante - conscientemente - à trágica escolha: “Ou renegues a tua fé ou morrerás”, conta a cada ano centenas. Quem tem uma noção um pouco mais ampla: não “candidatos à beatificação”, mas pessoas que consideram que poderiam ser mortas realizando certos gestos ou práticas de fé, fala de algumas milhares. Se, porém, se fala que são mortas no sentido estreito porque são cristãs, então chegamos aos 90 mil, ou seja, um morto a cada seis minutos”.

RV: Não se pode que não recordar aquela que é a brutal perseguição contra os cristãos, e não somente, perpetrada pelo autoproclamado Estado Islâmico nos territórios conquistados. Existem exemplos de cristãos que perderam a vida por permanecerem fieis ao Senhor nestes territórios?

“Sim, nos territórios do autoproclamado Estado Islâmico existem diversos casos, entre os quais a Igreja está estudando em vista de uma possível beatificação; existem cristãos que escolheram conscientemente permanecer nestes territórios e continuar, como podiam, testemunhar a sua fé. Falando do Estado Islâmico, não devemos esquecer que o Estado Islâmico mata também muitos muçulmanos e que, em 2016, segundo as nossas estimativas, o número de cristãos mortos pela sua fé e o número de muçulmanos mortos pela sua fé – caso se fizer exceção à África, mas falamos de outros continentes, em particular a Ásia – é um número muito semelhante. Os muçulmanos, no geral, são mortos por outros muçulmanos: os muçulmanos xiitas, muçulmanos que não estão de acordo com uma certa declinação do Islã, são mortos por muçulmanos mais extremistas, como no caso do Isis”.

RV: O que mais toca neste caso das perseguições?

“Dois pontos. O primeiro é que um pouco em todos os países cresce a intolerância e a intolerância é a entrada para a discriminação que depois, por sua vez, é a entrada para as perseguições. E depois o comportamento calmo, nobre, muitas vezes exemplar de minorias cristãs submetidas a todo tipo de opressões, mas que somente em casos raríssimos responderam à violência com a violência, enquanto na maior parte dos casos testemunharam serenamente a sua fé, muito frequentemente perdoando seus perseguidores e rezando por eles”.

(je/dd)



terça-feira, 29 de novembro de 2016

O desafio de (ainda) ser cristão no Iraque


Um dia, no futuro, quando alguém escrever a história atualizada do cristianismo, pelo menos um capítulo especial será reservado para o exemplo de força e fé que poucos, mas valorosos cristãos estão vivendo (e sobrevivendo) diariamente no Oriente Médio.

A matéria é da BBC Brasil:

‘Destruam nossos filhos antes de nossas igrejas’: cristãos iraquianos falam sobre devastação deixada pelo EI em Mossul

Quando o Estado Islâmico (EI) avançou sobre o território do Iraque, em 2014, milhares de cristãos foram os primeiros a deixar o país. Os poucos que restaram sob domínio do EI foram mortos ou forçados a se converter ao Islã. Agora, com a ofensiva do exército iraquiano sobre o local, alguns cristãos estão retornando às suas casas – e à sua religião.

Mossul, segunda maior cidade do Iraque, foi tomada pelo EI em junho de 2014. Localizada em uma província rica em petróleo e próxima da Síria - e das posições do EI no deserto - a cidade se tornou símbolo do poder dos extremistas. Foi ali que seu líder máximo, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um "califado".

Por isso, desde o dia 17 de outubro, uma força de ataque formada por 50 mil combatentes iraquianos, entre soldados, guerrilheiros peshmerga (como são conhecidos os curdos iraquianos), tribos sunitas e milicianos xiitas – assistidos por aviões militares e consultores de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos – luta para reconquistar Mossul.

A batalha ainda está longe do fim, mas muitos têm conseguido escapar em meio aos combates e fugir para campos de refugiados ou para outras cidades no Iraque.

Uma delas é a cidade de Qaragosh. No mês passado, o exército iraquiano retomou o controle sobre a cidade, considerada a mais importante para os cristãos locais antes da invasão. Lá, as igrejas foram destruídas, estátuas de Maria decapitadas e crucifixos queimados pelo EI.

“Eu preferia perder meus filhos do que ver a igreja assim”, disse uma mulher à BBC.

Já Ismail, um jovem de 16 anos, e sua mãe foram forçados pelo Estado Islâmico a se converter ao Islã. “Eles me disseram ‘não há outro Deus além de Alá’ e ‘você será um muçulmano’. Eu disse ‘não há outro Deus além de Jesus’ e ele me bateu”, contou.

"Ele apontou uma arma na minha cabeça e disse à minha mãe 'se você não se converter ao Islã, vamos matar seu filho'", disse Ismail à BBC.

De volta a uma igreja perto de sua casa, Ismail espera começar uma nova vida. Mas para ele - e para milhares de outros cristãos no Iraque - o futuro ainda é incerto.



sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Martin Scorsese lança filme sobre origens do cristianismo no Japão


Sobre o tema e o livro que inspirou o filme, já publicamos aqui no blog:



O artigo abaixo foi publicado no blog Carmadélio:

‘Silêncio’, o novo filme de Martin Scorsese sobre os cristãos perseguidos no Japão

Após uma acidentada rodagem, o diretor de formação católica, apresentará em dezembro o drama de dois jovens jesuítas que vão ao Japão em busca de um missionário que perdeu sua fé após sofrer inúmeras torturas.

O diretor de cinema Martin Scorsese, finalmente irá estrear, em dezembro, seu aguardado filme Silêncio. Um filme que está na mente do cineasta desde 2004 e que contará o drama dos cristãos perseguidos no Japão dos samurais

Scorsese, de formação católica, explica que a história será protagonizada por Liam Neeson, Adam Driver e Andrew Garfield, e tratará de dois jovens jesuítas que vão ao Japão em busca de um missionário que perdeu sua fé após sofrer inúmeras torturas. Ali viverão a experiência da perseguição.

O filme, produzido pela Paramount, viveu uma rodagem muito acidentada durante as 14 semanas de filmagens em Taiwan. Segundo conta Religión en Libertad, em janeiro de 2015, um teto caiu, causando a morte de um funcionário e ferindo outros três.

O diretor baseou o roteiro do seu filme no romance Silêncio, do escritor católico japonês Shusaku Endo (1913-1997). Uma história ambientada no Japão dos séculos XVI e XVII, e que se centra principalmente no choque de mentalidades entre a espiritualidade dos jesuítas espanhóis e portugueses e o pragmatismo materialista dos japoneses.

O autor escreveu este romance após anos de estudos da literatura cristã francesa e de autores como Paul Claudel ou Emmanuel Mounier.

A perseguição de cristãos no Japão

As primeiras perseguições de convertidos japoneses aconteceram em nível local, provocadas principalmente pelos protestantes ingleses e holandeses, pelo clero budista e a nobreza. Os ataques aconteceram até 1873, chegando a se expandir por todo o império

O romance conta como os jesuítas começam a pregar no país sob o assédio das autoridades. A perseguição fez os religiosos e o padre Sebastián Rodríguez, enviado ao Japão para consolar os que ali se encontravam e julgar um padre apóstata, se colocarem a questão de se realmente valia a pena sofrer tantas desgraças, inclusive quem é verdadeiramente Jesus e o papel de Deus.

Os missionários católicos chegaram ao Japão em 1549 e embora, em um princípio, a fé cristã parecesse não tocar a comunidade nipônica, finalmente se estabeleceu no país. Em 1600, já havia 95 jesuítas estrangeiros no país (57 portugueses, 20 espanhóis, 18 italianos) e ao menos 70 jesuítas nativos do Japão.

O auge do cristianismo provocou, em 1614, o início de uma perseguição sistemática contra os cristãos e que se proibisse os padres de continuarem sua pregação. Desse momento em diante, o cristianismo entrou na clandestinidade e, segundo os historiadores, pelo menos 18 jesuítas, sete franciscanos, sete dominicanos, um agostiniano, cinco sacerdotes seculares e um número desconhecido de jesuítas nativos foram descobertos e executados.

A perseguição provocou mil mártires diretos e milhares de cristãos leigos morreram por causa de doenças e da pobreza aos sofrerem o confisco dos seus bens.

Durante 240 anos o Japão permaneceu fechado ao mundo e embora algumas comunidades tenham tentado manter o cristianismo sem contato com o exterior e sem sacerdotes, o número de católicos diminuía e iam se afastando do cristianismo.

Fonte: Actuall



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O pastor presbiteriano paquistanês que se refugiou no Brasil

A dura vida dos cristãos no Paquistão

Uma história de perseguição que está bem próxima de nós, segundo noticia a BBC Brasil:

'A perseguição destrói tudo dentro de você', diz cristão paquistanês refugiado no Brasil

Cláudio Goldberg Rabin

Três anos atrás, S. Masih vivia em uma cidade no Estado de Punjab, no sudeste do Paquistão, onde era o principal pastor de uma igreja presbiteriana com 3 mil membros. Vestia-se bem, tinha 10 auxiliares e morava com os três filhos pequenos e a mulher.

Hoje, ele é pastor assistente em uma igreja na Penha, bairro da zona leste de São Paulo. Chegou ao Brasil sem a família, com visto de turismo, mas recebeu o status de refugiado — fugiu da perseguição religiosa em seu país, onde os cristãos representam 2,59% da população.

Nos últimos anos, a comunidade cristã paquistanesa foi alvo de diversos atentados terroristas. O maior deles, na Páscoa de 2015, deixou 17 mortos e dezenas de feridos. Dois anos antes, um atentado a uma igreja matou 80 pessoas.

No momento, o pastor aguarda por uma autorização para sair do país pela primeira vez desde que chegou. Quer voltar ao Paquistão para resgatar sua família e rever a mãe, que está doente. Para toda a operação, calcula que precisará de R$ 35 mil, quantia que ainda não conseguiu arrecadar.

Masih, 41 anos, pediu que não fosse identificado por medo de represálias a sua família. Contudo, revelar seu último nome não é um problema: no Paquistão a maior parte dos cristãos tem o mesmo sobrenome, que é conferido pelo Estado.

"Não escolhi o Brasil. Eu não conhecia nada daqui. Tinha pedido visto para a Tailândia, porque era mais perto e mais fácil, mas minha avó morreu na época e o visto venceu. Mas eu precisava sair", disse o refugiado que já fala português, entrevistado pela BBC Brasil em uma tarde de agosto.

Perseguição

Os problemas do pastor começaram em 2009, quando recebeu em seu escritório na igreja um homem que o convidou a se converter ao islã. Ele negou. "Fui educado, porque no Paquistão você não pode xingar", disse Masih. A necessidade de polidez não era apenas por educação, era medo de ser acusado de blasfêmia, um crime para o qual a punição pode ser a morte.

"Ele voltou duas ou três semanas depois e falou a mesma coisa. Na terceira vez, ele me disse: 'te ofereci o islã três vezes e você o desonrou três vezes. Agora, fique pronto para as consequências."

A pressão veio rápido: duas semanas depois do último encontro, Masih recebeu uma carta do tribunal local no qual o ofendido exigia que o pastor lhe pagasse US$ 70 mil (cerca de R$ 220 mil) pela ofensa cometida. Ele teve dificuldades em conseguir um advogado, pois, segundo conta, ninguém queria defender um cristão.

O caso se arrastou no tribunal por quatro anos até que o juiz decidiu por um valor menor, algo dentro das possibilidades de Masih. O perseguidor, porém, não queria o dinheiro, mas a conversão. No começo de 2013, ele conta ter sido agredido.

"O meu acusador chamou um bando de fanáticos que me atacaram na minha casa. Me bateram na frente dos meus filhos e da minha esposa. Quando cansaram, disseram que iriam me acusar de blasfêmia". O risco se tornara grande demais para ficar no Paquistão.

O relatório 2015/2016 da ONG Anistia Internacional diz que Punjab é o Estado paquistanês onde as leis sobre blasfêmia são empregadas com maior vigor, sendo "desproporcionalmente usadas contra as minorias religiosas". O caso mais famoso é o de uma cristã chamada Asia Bibi, condenada à morte em 2010. O então governador de Punjab, Salman Taseer, a apoiou publicamente e acabou morto por um de seus seguranças, posteriormente condenado e executado. Bibi segue presa.

Brasil

A ideia de sair do país partiu da esposa. A sugestão do lugar, o Brasil, veio um amigo padre. Era a época da Jornada Mundial da Juventude e da visita do papa Francisco, o que tornava mais fácil conseguir um visto de turista. Masih chegou ao Rio de Janeiro sem nem saber que língua os brasileiros falavam.

"Quando eu estava saindo do Paquistão, minha mãe me perguntou: 'onde é o Brasil? Fica na Inglaterra? Na Arábia?'. Respondi que era longe. Ela me perguntou se eu conhecia alguém lá e eu respondi: 'Sim, Jesus.'"

Masih saiu do aeroporto do Galeão com US$ 13 mil (cerca de R$ 41 mil) numa maleta, pegou um táxi e o motorista o levou até um hotel na Lapa. Cobrou R$ 80 pela corrida. Depois o levou a uma igreja presbiteriana no bairro Santíssimo ao custo de R$ 200.

"A igreja era pequena, mas eles me acolheram rapidamente sem me questionar. Me deram uma casa e, depois de seis meses, comecei a dar aulas de inglês. Também fui apresentado como missionário e recebi muitos convites de pregação em outras igrejas".

Um desses convites o levou a Natal, no final de 2014, onde conheceu o pastor Amaury Costa de Oliveira, que há cinco anos acompanha as igrejas perseguidas na Ásia e Oriente Médio e que se interessou pela história de Masih. Ficaram amigos e o pastor brasileiro convidou o paquistanês para trabalhar em seu ministério, na Igreja Presbiteriana da Penha.

"Ele teve uma boa aceitação na igreja. Quando escutam a história dele, as pessoas o acolhem bem. Masih acaba conscientizando os fiéis sobre o que acontece com os cristãos em outros lugares do mundo", disse Oliveira.

Agora, Amauri, em colaboração com a ONG Preparando o Caminho, é um dos responsáveis pela arrecadação de fundos para ajudar o refugiado paquistanês a voltar ao seu país, onde vai buscar sua família. Masih vai passar pelo menos um mês na sua terra natal e reencontrar a mãe. "Ela quer ficar lá, mas pediu para me ver uma última vez".

O pai ele perdeu no ano passado. "O dia que ele faleceu me machucou muito. Você deixa seu pai, ele te dá um abraço e um beijo de despedida, com a promessa de um reencontro em breve. Mas ele não estará mais lá. A perseguição destrói tudo dentro de você."

Quando retornar ao Brasil depois da visita ao Paquistão, Masih vai seguir pregando no templo da Penha e vai morar por um tempo com a família em uma casa de passagem que está sendo construída ao lado da igreja. Dois dos pedreiros são jovens cristãos paquistaneses e também pediram para que o nome não fosse revelado. O sobrenome de um deles pode ser divulgado sem risco — também é Masih.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Padre francês escreveu pedindo paz mundial antes de ser degolado pelo EI


A matéria é da Agência Brasil:

Em último texto, padre degolado na França pediu “mundo mais humano”

O padre Jacques Hamel, degolado nesta terça-feira (26) durante uma missa na França em um ataque assumido pelo grupo Estado Islâmico, pediu um "mundo mais humano" em sua última mensagem publicada no boletim da paróquia de Saint-Etienne-du-Rouvray.

"Vivemos em uma época que podemos escutar o convite de Deus para tornarmos esse mundo em que vivemos um mundo mais acolhedor, humano e fraterno", escreveu o sacerdote, de 86 anos. Ordenado em 1958, Hamel vivia na igreja onde celebrava missas e era muito conhecido na comunidade católica local, uma das mais fortes da França, apesar da grande presença de muçulmanos.

Dois homens invadiram a igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray ontem e fizeram o padre como refém. A dupla obrigou o sacerdote a se ajoelhar e o degolou. Os dois agressores foram mortos pela polícia e um menor de idade está preso sob suspeita de ligação com o ato.

Padre-auxiliar, Hamel já estava afastado de algumas funções devido à sua idade, mas tinha pedido para permanecer colaborando ativamente na paróquia (o Vaticano permite que um sacerdote se aposente a partir dos 75 anos).



sábado, 6 de fevereiro de 2016

Encontro histórico do papa com o patriarca ortodoxo russo será em Cuba


A informação é da Agência Brasil:

Reunião do papa e do patriarca russo vai se centrar na perseguição aos cristãos

O encontro histórico entre o papa Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill, que ocorrerá no dia 12 deste mês em Havana vai se centrar na perseguição aos cristãos, informou hoje (5) o chefe das Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa russa, metropolitano Hilarion de Volokolamsk.

“O tema das perseguições aos cristãos será central neste encontro”, disse Hilarion, em entrevista coletiva sobre a visita do patriarca russo em países da América Latina.

Nesta reunião, também serão abordados temas referentes a relações bilaterais e política internacional. “O encontro terminará com a assinatura de uma declaração conjunta”, acrescentou Volokolamsk.

Será “o primeiro encontro da história” entre os dois principais dirigentes dos cristãos do Ocidente e do Oriente separados, desde o cisma de 1054 que dividiu a Igreja Católica em duas, informou o Vaticano.

O encontro ocorrerá à margem de uma visita à América Latina do patriarca Kirill, cuja igreja conta com 130 milhões de fiéis, e da viagem ao México do papa Francisco, que guia 1,2 bilhão de católicos.

Segundo o porta-voz, o patriarca russo não queria que o encontro ocorresse na Europa. “Foi precisamente com a Europa, que está vinculada à grave história de separação e conflitos entre os cristãos.”

O representante da Igreja ortodoxa disse esperar que o encontro entre Francisco e Kirill “abra uma nova página nas relações entre ambas as Igrejas”.

*Com informações das agências Sputnik e Lusa



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Cuiabá respira religião durante a Copa

É o que informa o UOL Copa:

Com tradução, torcida e festa, religiosos tentam se aproximar da Copa em MT

Guilherme Costa

Minutos antes de a Nigéria chegar para treinar na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), na véspera do confronto com a Bósnia na Arena Pantanal, um grupo de torcedores esperava a seleção africana. Eram todos brasileiros, e chamava atenção um trio envolvido em bandeiras com as cores do país africano. Arthur Marques, Camila Brígida e Graziela Gallo acompanharam a equipe nacional desde o desembarque no aeroporto em Cuiabá. Os três viajaram à capital mato-grossense como parte de um programa de uma igreja e simbolizam o quanto diferentes religiões têm feito esforços para se aproximar da Copa do Mundo de 2014.

Arthur, Camila e Graziela viajaram de Bragança Paulista para Cuiabá com passagens compradas pela comunidade religiosa que frequentam. Os três tiveram de custear despesas na capital mato-grossense – eles ficaram hospedados em aposentos da própria igreja. O trio levou panfletos em diferentes idiomas para espalhar entre torcedores das seleções que passarem pela cidade.

"Irã, Argélia, Nigéria, Rússia e Colômbia estão entre os países que mais matam cristãos no mundo, e os três últimos têm jogos da Copa em Cuiabá", relatou Graziela. Além dos panfletos e das bandeiras, o trio levou camisetas especiais à capital mato-grossense. Eles fazem parte de uma missão fundada pelo pastor Jonathan Ferreira dos Santos, que espalhou representantes em todas as sedes da Copa.

No entanto, a missão não foi a única tentativa de religiosos se aproximarem da Copa. Um grupo ligado a outra igreja realizou ações no Fifa Fan Fest e nas imediações da Arena Pantanal. Eles ofereceram pinturas de rosto e fizeram danças coreografadas.

Igrejas católicas de Cuiabá apostaram em missas traduzidas. A São Gonçalo criou cerimônia em espanhol, e a catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá fez toda a liturgia em inglês. O programa especial foi um pedido do prefeito Mauro Mendes.

No bairro Bandeirantes, um grupo montou no dia 12 de junho uma tenda para difundir o islamismo em Cuiabá. Lideradas pelo sheik Omar Omama, as pessoas distribuem livros e panfletos sobre a religião e tentam interação com o público. O material é traduzido para inglês, espanhol, russo, alemão e italiano.

Ao site "Mídia News", Omama disse que Cuiabá tem 200 famílias de origem muçulmana e outras 15 convertidas. O foco da ação, contudo, é a presença de turistas estrangeiros na cidade – sobretudo para o jogo do último sábado, disputado por Bósnia e Nigéria, dois países que têm grandes contingentes de praticantes da religião.

Na sexta-feira, jogadores da seleção da Bósnia e alguns torcedores da Nigéria estiveram na mesquita de Cuiabá. Até aqui, mais de 100 mil livros foram distribuídos pelos muçulmanos na cidade.





sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Síria se desintegra em meio a sexo, mentiras e videotape


O jornalista americano Boake Carter disse, em 1938, que "em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade", frase que se tornou célebre e foi confirmada por todas as guerras seguintes.

Enquanto a Síria se esfacela como nação, fica quase impossível saber o que é verdade ou mentira nas notícias que saem de lá, conforme artigo publicado no Estadão de 13/10/13:

A jihad do sexo

As principais mentiras elaboradas pela campanha de desinformação do ditador sírio, Bashar Assad

Christoph Reuters, do Der Spiegel

Sexo vende. E a Al-Qeda está impaciente por chamar a atenção. Mas a combinação de ambos - sexo e jihad - é irresistível. Dezenas de jovens mulheres estão se oferecendo aos jihadistas, segundo uma das mais recentes histórias de horror da mídia procedentes da Síria. Um xeque da Arábia Saudita teria emitido uma fatwa que permite que adolescentes proporcionem alívio a combatentes sexualmente frustrados.

No fim de setembro, Rawan Qadah, de 16 anos, apareceu na TV síria e deu um relato detalhado de como teve de satisfazer sexualmente um insurgente extremista. Quando o ministro do Interior da Tunísia informou que as jovens do seu país estavam viajando para a Síria para a jihad do sexo - e mantinham relações sexuais com 20, 30 e até mesmo 100 rebeldes -, a história ganhou as manchetes dos jornais alemães. Na Alemanha, os sites do Bild, tabloide de grande circulação, e da revista Focus atraem os leitores com artigos sobre essa "prática bizarra".

Na esteira do massacre com gás tóxico, dia 21 de agosto, Damasco lançou uma importante ofensiva de relações públicas. Mas, além da propaganda oficial, há uma segunda campanha: uma iniciativa secreta e cuidadosamente elaborada para semear a dúvida e desviar a atenção dos crimes do governo. Como muitos desses artigos fictícios, as histórias da jihad do sexo tentam convencer os críticos no exterior da monstruosa depravação dos rebeldes.

Nenhum outro líder da região - nem Saddam Hussein, no Iraque, nem Muamar Kadafi, na Líbia - recorreu a uma propaganda tão maciça quanto Bashar Assad. Sua equipe de relações públicas divulga incessantemente notícias parcialmente ou completamente fabricadas, referentes a atos terroristas contra cristãos, aumento do poderio da Al-Qaeda e a iminente desestabilização da região. As histórias, veiculadas por TVs russas e iranianas e por emissoras cristãs, acabaram sendo transmitidas pela mídia ocidental.

Um exemplo é a lenda das orgias realizadas com terroristas. A menina de 16 anos apresentada na TV estatal pertence a uma destacada família da oposição, em Deraa. Como o regime não conseguiu capturar seu pai, ela foi sequestrada pelas forças de segurança quando voltava da escola, em novembro de 2012.

No mesmo programa, uma segunda mulher confessou que teve de se submeter a práticas sexuais em grupo com membros da fanática Frente Nusra. Entretanto, segundo a família da jovem, ela foi presa na Universidade de Damasco enquanto participava de um protesto contra Assad. Ambas estão desaparecidas. Suas famílias dizem que foram forçadas a fazer declarações na TV, que a história da jihad do sexo é mentira.

Uma suposta jihadista do sexo da Tunísia também desmentiu as notícias quando foi ouvida pela mídia árabe. "É tudo mentira", afirmou. Ela admitiu que esteve na Síria, mas como enfermeira. Diz que é casada e, desde então, fugiu para a Jordânia.

Duas organizações de defesa dos direitos humanos tentaram averiguar as informações sobre a jihad do sexo, mas não conseguiram nada de concreto. Parece que o ministro do Interior da Tunísia tinha outros motivos para acreditar no boato: centenas de islamistas deixaram seu país e viajaram para a Síria - e ele tenta conter essa migração desacreditando os combatentes. O xeque Mohamed al-Arifi, que estaria por trás da fatwa da jihad do sexo, desmente tudo. "Ninguém em seu juízo perfeito aprovaria isso."

É difícil checar todas as histórias de horror na guerra síria. Isso ocorre quando elas são difundidas de maneira indireta, como o caso da maioria dos relatos sobre a perseguição de cristãos. Isso inclui a foto de uma mulher amarrada a um pilar em Alepo, que apareceu no site LiveLeak, em setembro, como se fosse uma cristã que havia sido sequestrada por rebeldes da Al-Qaeda. Na realidade, embora a foto tenha sido tirada em Alepo, ela data do período em que as tropas de Assad ainda controlavam a cidade. Um vídeo da cena, postado no YouTube no dia 12 de junho de 2012, mostra milícias leais ao regime repreendendo energicamente a mulher.

O regime também forjou a lenda da destruição da aldeia cristã de Maaloula. No início de setembro, rebeldes pertencentes grupos radicais atacaram dois postos militares nos arredores da cidade controlada pelas milícias Shabiha, leais a Assad. Em seguida, os rebeldes se retiraram. O regime, porém, deu a seguinte versão, que chegou a ser publicada pela Associated Press: Terroristas estrangeiros saquearam, queimaram igrejas e ameaçaram decapitar cristãos que se recusaram a converter-se ao Islã.

A história não correspondia aos relatos das freiras do convento de Thekla, em Maaloula, e do patriarca grego ortodoxo de Antioquia. Eles disseram que nada foi danificado e ninguém foi ameaçado. Um repórter russo esclareceu involuntariamente a confusão. Enquanto acompanhava o Exército sírio, ele filmou o ataque a Maaloula, no qual o mosteiro foi bombardeado.

A atual interpretação dos eventos é uma política consciente. A maioria das publicações evita os riscos e o esforço de checar as histórias. Os fatos verdadeiros, como aquele em que os jihadistas queimaram uma igreja na cidade de Rakka, no sul da Síria, mesclam-se com as atrocidades inventadas para influenciar a opinião global.

Até as inconsistências mais gritantes são aceitas sem questionamentos. Quando a mídia oficial noticiou que o imã Mohamed al-Buti, que apoia Assad, foi morto por um suicida em sua mesquita, em 21 de março, todos os rebeldes negaram envolvimento com o ataque. É claro que isso não significa muita coisa, mas mesmo um olho pouco treinado perceberia que as fotos não mostravam sinais de explosão: lustres, ventiladores, tapetes estavam intactos.

Havia, porém, buracos de bala numa parede de mármore e poças de sangue mostravam onde os corpos foram encontrados. Muitas das vítimas estavam com sapatos, o que é extremamente inusitado numa mesquita. Também não havia testemunhas. Tudo alimenta a suspeita de que as vítimas tenham sido forçadas a entrar no edifício e foram assassinadas, para montar o cenário de um ataque que nunca ocorreu.

Depois do ataque com gás sarin, em agosto, a propaganda falhou. Enfrentando uma onda global de indignação, o regime fracassou em explicar a situação. Em primeiro lugar, Assad disse que nada ocorrera. Então, a TV estatal mostrou imagens de um esconderijo rebelde com um tambor com o letreiro descaradamente óbvio "Made in Saudia (sic)". A notícia dizia que se tratava de gás da Arábia Saudita para os "terroristas", que inadvertidamente teriam se envenenado e morrido.

A fonte da história era um site desconhecido, o Mint Press, de Minnesota, norte dos EUA. Um dos autores disse que não tinha nada a ver com o caso. O outro, um jovem jordaniano que usa vários pseudônimos, limitou-se a dizer que estudava no Irã. Entretanto, em um comentário online a um artigo do jornal britânico Daily Mail, ele deu os detalhes que faltavam.

"Algumas pessoas chegaram a Damasco provenientes da Rússia. Fiz amizade com uma delas - que me contou que tinha provas de que os rebeldes haviam usado armas químicas." Dias mais tarde, o chanceler russo citou o artigo como prova da inocência de Assad.

Uma explicação diferente foi apresentada à TV britânica Sky News pela assessora de Assad, Buthaina Shaaban. Ela disse que terroristas haviam sequestrado 300 crianças alauitas, que foram levadas para Damasco e assassinadas para que pudessem ser apresentadas como vítimas. Agora, surge uma nova linha de defesa. Em entrevista à Der Spiegel, Assad diz que o sarin é um gás "de cozinha", porque pode ser feito "em qualquer lugar".

Embora Assad acoberte seus crimes com uma intensa campanha da mídia, ele prefere uma reunião com a imprensa para contar diretamente sua versão. Assim, ele apresenta seu regime como o último baluarte contra o terror global, embora costume ordenar ataques que atribui aos seus adversários. (Tradução de Anna Capovilla)



terça-feira, 15 de outubro de 2013

União Soviética e o ateísmo de Estado

"Os felizes nascem sob a estrela soviética",
diz o cartaz da propaganda.
Promessa (não cumprida) do paraíso na Terra.

Gostaríamos de recomendar enfaticamente o excelente artigo do Gustavo, co-editor deste blog, no portal E-cristianismo, em que ele refuta a argumentação ateísta de que a extinta União Soviética não era exatamente um Estado ateu.

Trata-se de leitura obrigatória para todos os que se interessam pelo tema. Abaixo, a introdução do artigo que poderá ser lido na íntegra no link que indicaremos a seguir:



Tradução: "Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá"


O ateísmo soviético e a perseguição religiosa

Houve há alguns dias um debate sobre o Estado Laico promovido no programa Na moral, da Rede Globo. O programa contou com a participação do representante católico, padre Jorjão, representante das religiões afro-brasileiras, Ivanir dos Santos, o pastor Silas Malafaia e o representante ateu Daniel Sottomaior, da ATEA.

O primeiro ponto tratado no programa são riscos dos argumentos religiosos no sistema jurídico1. E é aqui que Daniel Sottomaior tenta demonstrar o impacto negativo das religiões na sociedade com o argumento muitas vezes utilizado por ateus:
Agora que entra o estado laico, né? Na história da humanidade, os governos, na imensa parte dos nossos últimos milhares de anos, no ocidente, os governos se pautaram pela religião, e nos banharam de sangue com isso, sempre oprimindo os diferentes. Até que um belo dia chegou a revolução francesa e disse “vamos separar o Estado da religião”, o Estado não tem mais poder para interferir na religião e vice-versa.
A isto o pastor Silas Malafaia responde, dizendo:
Deixa eu (sic) discordar do colega sobre o banho de sangue... porque quem deu banho de sangue na humanidade foram aqueles que tinham o ateísmo como base. A Revolução que aconteceu na Rússia e que matou mais de 70 milhões de pessoas, a Revolução da China que matou mais de 50 milhões de pessoas, o Pol Pot lá, agora, no Camboja, naquela região... Estes camaradas tinham como doutrina a exclusão total da religião... Tanto a União Soviética como também a China, a exclusão total, o Estado laicista, ninguém derramou mais sangue do que aqueles que eram a favor da anulação de ideal da sociedade... Ninguém, isto é histórico, sociológico e antropológico, então, se quiser mudar isso...
Muitos ateus conhecem esta resposta. E muitos ateus a rejeitam, alegando que a perseguição no regime soviético se dava por causa de seu comunismo, não do ateísmo. Alguns chegam a declarar que este comunismo teria adquirido um status de religião para seus membros, podendo assim ser catalogado como exemplo de “religião” promovendo “banhos de sangue”.

O objetivo deste texto, portanto, é esclarecer esta questão. Afinal de contas, por que o governo soviético perseguia religiosos? Seria o ateísmo ali uma questão periférica? Teria o socialismo adquirido um status de religião?




Continue lendo o artigo no E-Cristianismo

Múmia: o cadáver de Lenin permanece insepulto na Praça Vermelha de Moscou




terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cristãos viram alvos no tiroteio do mundo árabe



Afinal, o "tiro ao cristão" está virando uma espécie de esporte macabro no Oriente Médio? Quem está atirando, quem resiste ou foge e quem está tentando protegê-los? 

Você imaginaria que "para os cristãos sírios, quem os protege são a Rússia e o Irã, além de Assad, e não os EUA e a França, a quem consideram aliados do extremismo islâmico"?

Essas são apenas algumas das questões e das surpreendentes contradições geopolíticas e religiosas que artigo bastante detalhado e elucidativo do blog do Guga Chacra tenta explicar no Estadão:


Entenda a situação dos cristãos do Egito

Os cristãos do Egito, majoritariamente coptas, desde a Revolução Arabista de Nasser, nos anos 1950, nunca tiveram a mesma importância dos cristãos do Líbano, do Iraque e da Síria para seus países. Diferentemente de seus pares em Damasco, Bagdá e Beirute, onde integram ou integravam a elite, os egípcios sempre enfrentaram dificuldades no Cairo e Alexandria.

Durante o regime de Hosni Mubarak, muitos deles viviam nos lixões do Cairo, onde criavam porcos. Os cristãos também eram perseguidos e raros, como o ex-secretário-geral da ONU Boutros Boutros Ghali, alcançavam posições de importância.

Apenas como comparação, no Líbano, os cristãos possuem o cargo de presidente, chefe das Forças Armadas, metade do gabinete ministerial e metade do Parlamento. Verdade, representam cerca de um terço da população, enquanto no Egito são 10%. Mas, na Síria, onde a proporção é similar à egípcia, os cristãos sempre tiveram cargos importantes, incluindo, até recentemente o de ministro da Defesa.

Mesmo antes da Primavera Árabe, os cristãos, ao redor do mundo árabe, buscaram se aliar a setores mais fortes em suas sociedades para tentar se proteger. Algo normal para minorias religiosas. Ditadores seculares sempre foram vistos como protetores em Bagdá e Damasco, por exemplo. No Iraque, até 2003, os cristãos eram abertamente a favor do regime de Saddam Hussein – o número dois do regime era o cristão caldeu Tariq Aziz. Na Síria, sempre estiveram ao lado da família Assad.

No Líbano, até a Guerra Civil de 1975 a 90, os cristãos eram os mais poderosos. Depois, em uma nação politicamente nos dias de hoje dividida entre sunitas e xiitas, a maior parte dos cristãos, seguidores de Michel Aoun, buscou em uma aliança com os xiitas do Hezbollah a sua proteção. Outros, como os seguidores de Samir Gaegea, acharam melhor se aliar aos sunitas de Saad Hariri.


No Iraque, a aposta dos cristãos, em se aliar a Saddam, foi um grande erro. A invasão americana fez centenas de milhares de cristãos iraquianos buscar refúgio na Síria e nos braços de Assad que, como o ditador em Bagdá, sempre protegeu os cristãos.

A Guerra Civil da Síria fez os cristãos sírios, incluindo autoridades religiosas, a apoiarem em massa as forças de Assad, um líder secular, embora alauíta, uma vertente moderada do islamismo, e com o apoio da classe média sunita não religiosa das grandes cidades. O medo dos cristãos sírios eram acabar como os iraquianos. Neste caso, a aposta deles tem sido positiva, por um lado, pois Assad está vencendo a guerra. De outro, porém, são alvos dos rebeldes radicais sunitas da oposição que, com o apoio do Golfo e de Nações ocidentais, alvejam vilas cristãs que são alvos de massacres – para os cristãos sírios, quem os protege são a Rússia e o Irã, além de Assad, e não os EUA e a França, a quem consideram aliados do extremismo islâmico.

Os cristãos egípcios, por sua vez, nunca tiveram um protetor. Para eles, não há um Assad ou um Saddam e tampouco uma Rússia ou um Irã para defende-los. E tampouco possuem o poder político e econômico dos cristãos libaneses, que também são elite ao redor do mundo, incluindo em São Paulo.

Já tratados cidadãos de segunda classe nos anos de Mubarak, os cristãos apostaram inicialmente na redemocratização do Egito. Mas, com o presidente Mohammad Morsy, da Irmandade Muçulmana, fazendo propostas que não respeitavam totalmente as demais religiões do Egito, especialmente a cristã, eles se juntaram aos milhões de manifestantes pedindo a queda do então líder egípcios. E decidiram apostar nos militares.

Esta opção, porém, parece não estar sendo eficiente. Os cristãos, que não são responsáveis diretos pelos massacres de membros da Irmandade Muçulmana nesta semana, vem se transformando em bode expiatório por parte da Irmandade. Dezenas de igrejas foram queimadas nos últimos dias. O problema é que, diferentemente de Saddam e de Assad, com todos os seus defeitos de ditadores sanguinários, o general Sisi, assim como Mubarak anteriormente, não está preocupado com os cristãos. De uma certa forma, até os usa como tática de PR para dizer que os membros da Irmandade Muçulmana são radicais no Ocidente.

Uma pena, mas o cristianismo egípcio corre enorme risco. Cada vez mais, o único bastião seguro para os cristãos no mundo árabe é o Líbano e a Cisjordânia, além da Síria, se Assad conseguir vencer a guerra.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Haddad compara gays a cristãos na Parada Gay de SP

A matéria é do GGN:

Haddad compara gays a cristãos e negros em evento da Parada Gay de SP

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, comparou neste domingo (2) os gays aos cristãos. "Assim como os homossexuais, os judeus, os cristãos, os negros e as mulheres já tiveram que defender seus direitos ao longo da História", afirmou Haddad em evento de abertura da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, conhecida como Parada Gay, que acontece hoje na região da avenida Paulista.

Segundo ele, a Parada é mais uma jornada "desta luta por aceitação e contra a intolerância". De acordo com Haddad, "aquele que é homofóbico hoje em dia já precisou lutar por sua própria liberdade em algum momento. Não podemos admitir que alguém que foi vítima de discriminação hoje persiga alguém".

O prefeito afirmou ainda que a luta LGBT em busca de convivência pacífica é de todos. "Quem não compreende isso terá que se render aos fatos. O ser humano nasceu para ser livre e será livre".

Kit gay

Indagado sobre a possibilidade de um kit gay nas escolas da rede municipal, Haddad disse que já existem programas de combate à intolerância na rede de ensino que focam não apenas a diversidade sexual, mas preconceitos de cor.

O tema da parada este ano será "Para o armário nunca mais! União e Conscientização na luta contra a homofobia". O objetivo dos organizadores é lutar contra possíveis retrocessos nos direitos já conquistados pela comunidade LGBT. A manifestação contra figuras públicas que de alguma forma se posicionaram contra os homossexuais será feita no último dos 17 trios elétricos a desfilar pela avenida Paulista.

"Lugar de religião é na igreja e não no Legislativo"

O presidente da APOGLBT, Fernando Quaresma, criticou neste domingo (2) a omissão do Poder Legislativo com relação à ampliação dos direitos LGBT. "Enquanto o Judiciário faz justiça, o Congresso se omite e o fundamentalismo religioso tem prevalecido na Casa. O Estado é laico e lugar de religião é na igreja".

Quaresma também criticou empresas que se dizem amigas dos gays, mas tem receio de ligar suas marcas à Parada. "Muitas companhias só querem o dinheiro dos gays, mas não a responsabilidade social que o apoio a esta causa traz".

Apesar do clima de festa do evento, Quaresma afirmou que a Parada "não é Carnaval fora de época" e sim mais uma possibilidade de dar visibilidade para um setor da sociedade que é oprimido.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL - RJ) também defendeu a aprovação da PL 122 e falou da necessidade de transformar a liminar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) , que aprovou o casamento gay, em lei. "Também precisamos de leis que garantam mais direitos às pessoas trans. A transexualidade ainda é vista como uma patologia. E muitas vezes para conseguir a operação para readequação sexual, a pessoa trans precisa se identificar como um doente".

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, classificou a eleição do pastor Marco Feliciano, deputado federal pelo PSC, para a presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados como uma "tragédia grega". "Eu sou psicológa e ser gay não é considerado uma doença há muito tempo. Colocar alguém que quer discutir a cura gay à frente da comissão é um enorme desrespeito à comunidade LGBT".



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Papa e patriarca copta se reúnem pela paz no Vaticano

O encontro histórico aconteceu na manhã de hoje, 10/05/13, e a notícia vem do Estadão:

Papa copta e papa Francisco rezam juntos no Vaticano

Dois papas rezaram juntos nesta sexta-feira no Vaticano, um católico e outro ortodoxo, um sinal da melhora dos laços após a eleição dos novos líderes para as duas igrejas.

O papa Francisco saudou o líder da igreja ortodoxa copta do Egito, papa Tawadros II, na primeira reunião desse tipo no Vaticano em 40 anos, dizendo que a visita do colega "fortalece os laços de amizade e fraternidade entre as duas igrejas".

As igrejas copta e católica se separaram no século 5º, por causa de diferenças teocráticas.

Os cristãos são cerca de 10% da população egípcia. A igreja copta ortodoxa do Egito conta com cerca de 10 milhões de fiéis, enquanto a igreja católica copta no Egito - cujos fiéis são leais ao papa Francisco, têm cerca de 165 mil seguidores.

As duas igrejas têm reclamado a respeito da crescente discriminação e dos ataques contra eles desde 2011, ano em que o presidente Hosni Mubarak foi derrubado e teve início o aumento de poder da Irmandade Muçulmana no Egito.

Os dois papas rezaram juntos pela paz nesta sexta-feira na moderna capela Redemptoris Mater (Mãe do Redentor), localizada no interior do Palácio Apostólico.

A visita celebra os 40 anos da assinatura da declaração de melhoria de relações, de 1973, pelo papa Paulo VI e o antecessor de Tawadros, papa Shenouda III, que morreu no ano passado. O papa João Paulo II visitou Shenouda no Cairo em 2000.

Francisco citou nesta sexta-feira o "sofrimento" dos cristãos, dizendo que seu sofrimento compartilhado pode ser uma fonte de força e união. "Do sofrimento compartilhado pode florescer o perdão, a reconciliação e a paz, com a ajuda de Deus", disse ele.

Desde que assumiu o cargo no ano passado, Tawadros tem se aproximado da comunidade católica egípcia, participando da posse do novo patriarca católico e ajudando na formação de um conselho de igrejas cristãs no Egito.

Francisco, por sua vez, tem se aproximado da igreja ortodoxa. O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, participou da cerimônia de posse de Francisco, o que representa um importante gesto de unidade.

Tawadros já havia declarado que queria ir a Roma para parabenizar Francisco por sua eleição, convidá-lo para ir ao Egito e tentar construir a unidade entre as igrejas e a paz na região. "Trabalhar juntos para promover o diálogo ecumênico e a paz na Terra será nosso objetivo mútuo", disse ele em inglês.

A presença de Tawadros no interior do Palácio Episcopal significa que havia na verdade três papas no Vaticano nesta sexta-feira. O papa emérito Bento XVI está em sua casa de repouso localizada nos jardins do Vaticano. As informações são da Associated Press.



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