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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Assembleia de Deus "reza pro santo errado" no Paraná


Evangélicos e política é uma combinação cada vez mais comum, infelizmente.

Que não costuma dar certo, diga-se de passagem.

Nada, entretanto, como um ato falho grandioso para revelar essa estranha incompatibilidade.

A gafe em questão aconteceu na última quarta-feira, 30 de outubro de 2013, por ocasião da reunião anual da Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus do Estado do Paraná (CIEADEP), realizada em Londrina.

"Prestigiando" o evento estava o atual governador do Estado, Beto Richa (PSDB).

Entre as várias decisões tomadas no congresso, uma delas foi "ungir" a vereadora curitibana Noemia Rocha (PMDB) como candidata oficial da denominação para a Assembleia Legislativa estadual.

Aí você se pergunta: desde quando existe essa tal "unção" para candidaturas políticas?

Pois é, para certos "evangélicos" hoje existe absolutamente tudo na Bíblia, que - para eles - virou uma casa de secos e molhados (para não dizer outra coisa), e é tudo ao gosto do freguês.

Estava tudo sob controle até que uma das pastoras presentes ao ágape foi chamada para fazer uma oração especial em favor do governador Beto Richa, que, todo pimpão, se preparou para receber mais uma "unção".

O problema é que - ao fazer a oração - a pastora trocou o nome do governador pelo do seu arqui-inimigo político, o ex-governador Roberto Requião (PMDB), para estupefação e constrangimento geral dos cerca de 2.000 pastores que testemunharam a involuntária "ofensa" ao atual mandatário paranaense.

Roberto Requião, é claro, não perdeu tempo nem a oportunidade e - no seu twitter - vaticinou: "recebo o acontecido como um sinal de Deus".

Já o blog do Esmael Morais, de onde vem esta informação, aproveitou para dizer que a Assembleia de Deus do Paraná está "rezando" para o "santo" errado.

Não, você está enganado. "Os Trapalhões" não foram convidados para animar o evento. Ah!  e o "complexo de Balaão" não foi catalogado como, digamos, "distúrbio psicológico"...





segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Foi orar e perdeu a prova do ENEM


As provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o popular ENEM, foram realizadas no último fim-de-semana, com as habituais confusões e intercorrências que, até onde se sabe, não chegaram a macular o evento.

Entretanto, uma cena na entrada de uma das escolas chamou a atenção pelo seu, digamos, "ineditismo".

Conforme você pode conferir no vídeo abaixo, uma candidata foi barrada na porta de entrada de uma das escolas que aplicava o ENEM, e fez um tremendo escândalo, chorando e gritando.

Até aí, nenhuma novidade, não é mesmo?

Aos berros, a candidata (ou a mãe dela, não dá para saber ao certo) dizia que havia "parado para orar" na frente da escola, e por isso clamava o bordão "Abre em nome de Jesus!".

Não dá para identificar a candidata no vídeo, e embora já estejam circulando informações desencontradas sobre o seu nome verdadeiro, preferimos omiti-las porque não têm qualquer serventia à reflexão que queremos propor.

Independentemente do drama pessoal de cada um, o qual nos esforçamos o máximo para compreender e ter um certo nível de empatia, o fato inusitado revela o descolamento que certos evangélicos têm em relação à realidade.

No fundo, a fé  que muitas pessoas que se dizem evangélicas têm não é propriamente a fé em Jesus e no que Ele representa para os cristãos, mas a sua fé é direcionada para um discurso religioso que guarda algumas semelhanças com o evangelho, mas de sua essência nada tem.

É a chamada "fé na fé", na definição do sociólogo austríaco Peter Berger, ou seja: "creia, porque é bom crer, e dá resultados".

A "fé de resultados", uma versão utilitária da fé muito comum no Brasil, é muito bem demonstrada no episódio aqui registrado.

Se a intenção da candidata e de sua acompanhante era orar em frente à escola, nada as impedia de terem feito isso num horário conveniente e suficientemente seguro para adentrar com tempo de sobra ao recinto onde a prova seria aplicada.

Afinal, como diz certo comentarista de arbitragem de futebol nas tardes de domingo, "a regra é clara!"



São muitas as razões que podemos aventar para o fato da jovem ter perdido o ENEM.

Diante da necessidade "evangélica" brasileira de "atos proféticos", ela pode ter sido influenciada a rodear a escola 7 vezes, por exemplo.

Alguns lunáticos chegam a "ungir" com óleo e - nos piores casos - urinar para "demarcar território" de suas supostas batalhas espirituais.

Daí não ser surpresa o fato dela pedir insistentemente "abre em nome de Jesus" como se fosse uma espécie de abracadabra gospel sem qualquer sentido que não a mandinga e a reza braba do pensamento mágico que invadiu muitas igrejas que se dizem "evangélicas" no Brasil.







sábado, 9 de junho de 2012

A "unção" do helicóptero

Para "enriquecer" o repertório de bailados esotéricos que infestam as igrejas evangélicas brasileiras, agora chega a "unção" do helicóptero do vídeo abaixo. Se bem que está mais para "unção" da garça atolada no pântano...





quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Unção da vassoura

Dando sequência à sua incansável campanha pela desevangelização do Brasil, muitos "pastores evangélicos" se esforçam ao máximo em fazer malabarismos esotéricos combinados com contorcionismos verborrágicos para vender ao seu rebanho um vão sincretismo religioso, pinçando passagens da Bíblia para criar "doutrinas" exóticas, como essa ampla variedade de "unções" que são indiscriminadamente negociadas no mercado gospel, em detrimento da única unção que o cristão tem, que é o Espírito Santo (1ª João 2:20). Registre-se que eles têm uma criatividade imensa para ficar inventando nomes para as suas simpatias, mas já são tantas que está difícil encontrar um nome assim pomposo, daí talvez terem que utilizar essa voz impostada para enganar os incautos. Agora é a vez do "pastor" do vídeo abaixo inventar uma tal "unção da vassoura" (com óleo de fogo ainda) pro "deus" dele limpar a sua vida e a sua casa. Pelo menos a gente arranja ainda mais inspiração pra pedir ao Deus verdadeiro que faça uma faxina urgente na igreja que se diz dEle:





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Evangélicos sacrificam cordeiros e fazem chover em Uberlândia

Um registro inicial é necessário: todas as pessoas têm o direito de seguir (ou não) uma religião de acordo com as suas convicções. Quando elas dizem que essa religião que seguem é "cristianismo", é necessário então passar pelo crivo da ortodoxia cristã. Por "ortodoxia" aqui não se entenda o ramo oriental da Igreja (grega, russa, armênia, etc.), mas os fundamentos básicos que toda e qualquer denominação que se apresente ao mundo como cristã deve seguir, frutos de profundas discussões nos primeiros séculos da Igreja, sob pena de serem apenas um arremedo, uma versão manca, mística, copiada e adaptada do cristianismo. Por isso chama tanto a atenção o episódio ocorrido em Uberlândia (MG) pouco tempo atrás, no fim do mês de outubro de 2011, quando um grupo que se diz cristão oferece 5 cordeiros a um profeta que chega ao aeroporto local trazendo, segundo eles dizem, a "unção de Elias" e chuva. De fato, não precisa ser metereologista nem estatístico para perceber que depois de alguns meses de seca típicos do inverno, quando se aproxima novembro começa a chover no Sudeste do Brasil. Basta o bom senso para chegar a essa constatação. Antes da colonização, qualquer tribo indígena que habitava a região sabia disso. Agora, entretanto, o misticismo que se associa a determinadas práticas ditas "evangélicas" por aqui faz com que as pessoas não só percam o bom senso como também NEGUEM o próprio sacrifício ÚNICO de Cristo em nosso favor, ao oferecer "sacrifício de cordeiros" a alguém que chega e se apresenta como profeta. Não há nada de cristão nisso, talvez - no máximo - uma evocação esotérica do Velho Testamento interpretado ao gosto do freguês. Aparentemente, pelo que se pode depreender dos vídeos abaixo, o "sacrifício de cordeiros" é representado por uma oferta financeira em notas de 100 reais (talvez seja o valor correspondente a 5 cordeiros, vai saber...), o que não melhora em nada a situação. Profeta que recebe dinheiro no Velho Testamento é mais conhecido como Balaão, e até uma jumentinha é usada pra adverti-lo e discipliná-lo (Números 22). Como pouca gente lê a Bíblia nessas igrejas, se é que leem, então os falsos profetas nadam de braçada na chuva da ignorância. Os vídeos a seguir são uma bofetada na cara daqueles que são verdadeiramente cristãos e pregam o evangelho puro e simples da cruz de Cristo, e mostram o quanto boa parte (talvez a maior) da igreja que se diz "evangélica" no Brasil, na verdade, apostatou e segue um sincretismo desordenado de inspirações cristãs, judias, umbandistas e, por que não dizer, tupi-guaranis. Daqui a pouco farão dança da chuva invocando o deus Tupã... sai de baixo!

A dica do primeiro vídeo veio do blog Plugados com Deus:



Depois investigamos mais e vimos outras pérolas. Aqui a esposa do pastor da igreja fala do "sacrifício de cordeiro" (a "oferta", pelo jeito), da chuva e da "unção de leão":



Aqui uma moça da igreja, com a cabeça raspada (talvez num voto místico de "nazireu" - totalmente despropositado para um cristão), também fala da chuva, e celebra a queda de um muro na casa de alguém (sabe-se lá por quê), além de ressaltar as "ofertas":



Neste outro vídeo, outro membro da igreja repete a questão da chuva e da "oferta de cordeiro", diz que houve uma enchente "sobrenatural" na igreja, com 10 cm de água, e uma hora e meia depois, tinha secado também "sobrenaturalmente". Talvez seja o caso do prefeito Gilberto Kassab chamar o profeta pra ficar em São Paulo no verão...



Por fim, o vídeo abaixo mostra a chegada do "profeta" em Uberlândia, e a partir de 2m40s se vê a oferta em dinheiro sendo entregue a ele. Repare que além da moça com a cabeça raspada já mostrada acima, há outra na mesma condição. Perceba também que já está chovendo na cidade ao fundo, mas nos vídeos acima, eles dizem que começou a chover em cima da igreja, o que revela o poder de sugestão que o auto-engano coletivo proporciona. Eles querem crer em qualquer coisa e de qualquer jeito, desde que creiam. É a tristemente famosa "fé na fé":



Devia ser impressionante, mas infelizmente não é mais por ter se tornado tão rotineira, essa fixação "evangélica" por dinheiro, em detrimento da pregação pura e simples do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, sem tambores de chuva nem contas bancárias polpudas. Muito provavelmente, eles devem também atacar os cristãos tradicionais e ortodoxos dizendo que esses últimos são muito "religiosos", sem perceberem a enorme contradição entre esse discurso incauto e as práticas místicas pra lá de religiosas que eles adotaram. É no mínimo estranho que esse pessoal não vá fazer chover no sertão do Nordeste ou na África. Se eles tivessem todo esse poder e fossem mesmo cristãos, certamente estariam lá faz tempo. Está mais do que na hora dos verdadeiros evangélicos, protestantes, reformados, renunciarem a qualquer tipo de comunhão ou "ecumenismo de ocasião" com essas denominações que se entregaram de corpo e alma ao misticismo desenfreado, denunciando o paganismo que os acomete e marcando bem as diferenças. É muito provável que eles sejam a maioria dos que se dizem "evangélicos" no Brasil, mas a minoria cristã deve ter coragem de dizer que não tem nada a ver com esse grotesco espetáculo de nuvens tenebrosas que assola a igreja no país.



sábado, 12 de novembro de 2011

A cantora gospel besuntada

Outro dia um pastor de Arapongas (PR) tomou um banho de 12 litros de azeite invocando um tal de "Nilo", e a gente o julgou mal, achando que só ele estava viajando na maionese no azeite cóspel. Ledo engano, irmãos, nós até já tínhamos nos esquecido desse triste episódio, mas ele está na companhia da popstar gospel Fernanda Brum que, segundo recorda o Rev. Rodrigo G. da Silva, do blog Pensamento Quase Livre, já havia feito a mesma "lavagem" em Londres, em 2008. Aliás, eu sempre estranho porque esses "servos" do Senhor nunca vão ministrar em lugares pobres, que não faltam no mundo. Eles nunca vão pras regiões miseráveis da África, por exemplo. Estão sempre em Londres, Paris e Boca Raton, na Flórida. E sempre sobre tempo pra dar uma esticadinha e comprar uma bota de píton na Prada de Nova York, não é mesmo?. Eita bênção, sô! Na ocasião britânica em questão, Fernanda Brum diz que vai fazer uma "dinâmica" de "improviso" para mostrar uma tal de "unção de Arão". Talvez ela pratique uma religião em que o deus dela goste de "dinâmicas de grupo" e "improvisos". O cenário é sempre o mesmo, aquele violãozinho de fundo, aquela voz doce e embargada, tudo preparando um clima emocional que aceita qualquer coisa, inclusive a tal "nova unção" que os atuais pregadores judaizantes utilizam (uma nova) todo santo dia para se mostrarem "iluminados", portadores de uma informação exclusiva de Deus, que parece ter anulado o Novo Testamento, varrendo a única e verdadeira unção que todo cristão recebe quando se converte a Cristo (1ª João 2:20-27), mas como parece que ninguém mais lê a Bíblia, esse povo deita e rola nas suas pirotecnias e trollagens cóspel, num espetáculo grotesco em que o sentimentalismo pagão jorra aos borbotões. Fernanda Brum ainda utiliza todo o jargão evangélico atual, com profecias genéricas de colete, repetição exaustiva da palavra "sobrenatural", invocação de adoradores, etc., mas isso não significa que o ritual exótico que ela esteja fazendo seja cristão. Pode ser até algo parecido com o cristianismo, mas não tem nada a ver com a essência do evangelho. Claro que há gente ingênua e sincera tomando parte nesses rituais pagãos travestidos de um arremedo de "cristianismo" judaizante. Aliás, eles têm todo o direito de praticar a religião que quiserem do jeito que lhes convier, desde que não queiram nos obrigar a aceitar que essa excrescência é - de fato - cristianismo. Fica, portanto, a nossa oração para que se convertam - de verdade - ao evangelho puro e simples da cruz de Cristo e do Seu sangue vertido no Calvário.







quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O dia em que ex nihilo virou ex nilo



Ex nihilo é uma expressão latina que significa "do nada", no sentido sobretudo teológico de que o mundo foi criado por Deus ex nihilo, ou seja, a partir "do nada" (creatio ex nihilo).

O contrário seria creatio ex materia, ou seja, que o mundo foi criado a partir de uma matéria pré-existente. 

Ex nihilo não se restringe ao campo teológico, entretanto. É utilizado também na filosofia, como na expressão latina ex nihilo nihil fit, frase comumente atribuída ao filósofo grego Parmênides, e que significa que "do nada nada se faz" ou "o nada não vem do nada", com o perdão da confusão que o duplo negativo causa na nossa bela e inculta língua portuguesa. 

A rigor, trata-se do princípio da causalidade, ou seja, deve existir sempre uma causa pré-existente para que o efeito visível e materialmente constatável seja observado. 

Obviamente, este argumento filosófico tem uma repercussão teológica fundamental, pois se o universo não surgiu do nada, então deve haver um Criador, o que já dá pano pra muita manga.

O problema é que apareceu um 'pastor' em Arapongas (PR) que deve ter ouvido ex nihilo em algum lugar, achou bonito e resolveu usar a expressão para parecer sábio aos próprios olhos e aos de sua congregação, só que na hora em que recebia um banho de 12 litros de óleo (supostamente uma "unção") ele se esqueceu de como é que se falava e soltou alguns ex nilo

A não ser que ele continue escravo besuntado do outro lado do rio Nilo e ainda não encontrou a Terra Prometida. 

Como a este povo já não basta mais a única e verdadeira unção de Cristo (1ª João 2:20-27), eles têm que inventar essas coisas esdrúxulas, tudo embalado a uma verdadeira (e antiga) "terapia do grito primal", com alguns toques de línguas estranhas (o famoso ralanabashuria). 

Que bom seria se eles aproveitassem de outra maneira o tempo que gastam imaginando novos modismos para "impactar" e "lubrificar" sua gente com malabarismos novidadeiros: lendo a Bíblia, por exemplo. 

No caso em questão, podiam também contextualizar um pouco mais: como Arapongas (PR) é uma bela e progressista cidade cheia de indústrias de móveis, não deve faltar óleo de peroba por lá (#ficadica). 

Confira o vídeo abaixo e se exaspere com mais esse espetáculo grotesco de crendice cóspel da pior qualidade:



Dica dos blogs Web Evangelista, Bereianos e Pensamento Quase Livre, com base em informação do Rev. Rodrigo G. da Silva



sábado, 30 de julho de 2011

O morris profetandi do Malafaia



Pedindo antecipadamente desculpas pela autocitação, ainda não terminou o mês de julho e no último dia 9, no texto "Malafaia quer liberdade de expressão só pra ele", este blog - sem precisar consultar nenhum oráculo - previa:
Entretanto, vez ou outra, ele volta à baila por causa de seus comentários que, ocasionalmente, vemos nos seus programas, como foi o caso de hoje cedinho (vídeos abaixo), em que Malafaia desfilou mais um xororô dizendo-se vítima de uma série de agruras e perseguições para - em seguida - pedir dinheiro. Nada de novo no front. Não será surpresa se, nas próximas semanas, Morris Cerullo ou Mike Murdoch aparecerem por lá com mais uma de suas campanhas mágicas de prosperidade. O esquema é sempre esse: xororô-Cerullo ou xororô-Murdoch. Acredita quem quer. Afinal, vivemos num país democrático e livre, e cada um cuida de si e – tanto quanto pode – dos outros. Se for engodado pela própria concupiscência (Tiago 1:14) e cair no conto do bilhete premiado, aí já é problema dele com Deus.
Pois é... este blog não tem bola de cristal, não joga búzios, não consulta espíritos, não lê mãos ou cartas, nem leva o nome de Deus em vão, mas hoje cedo apareceu o pândego "profetólogo" Morris Cerullo no programa do Malafaia, com uma nova "promoção" de unção financeira não mais a 900 paus, como em 2009, mas a 911 reais. O esquisito é que este povo nunca DÁ bênçãos e unções de graça, por amor e liberalidade, né? Sempre tem que ter algum dinheiro em troca da "unção". Agora, porque R$ 911? Teria sido a inflação? Alguma referência ao 11 de setembro (9/11 na datação inglesa)? Estaríamos diante de mais uma hecatombe malafaiana? Não sabemos... só sabemos que este blog não precisou de revelação ou profecia para antever que dentro de alguns dias os espectros mal-assombrados de Morris Cerullo ou Mike Murdoch (os Nâzgul do Malafaia) iriam aparecer vendendo unção no programa dele. É que já é bastante conhecido o modus operandi do camarada em questão. Se bem que no caso do Cerullo, seria "morris profetandi"? De qualquer maneira, aproveitando os eflúvios místicos e premonitórios baianos, já que os três gostam tanto de "vitória financeira", se eles montassem um trio elétrico de axé, sairiam no Corredor da Vitória em Salvador cantando "chorei, chorei, até ficar com dó de mim + me dá um dinheiro aí", emendando uma na outra sem fim, e não vai faltar folião rasgando dinheiro atrás deste bloco da insensatez...


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Mais numerologia gospel

Parece que a cantora Alda Célia é mais um expoente do mundo gospel a se deixar levar pela numerologia, esta verdadeira praga que infesta as igrejas ditas "evangélicas" no Brasil, conforme foi comentado aqui um ano atrás no artigo "Os numerólogos evangélicos". Alertado pelo blog Web Evangelista, fui conferir o twitter da cantora, conforme os "prints" abaixo (de trás pra frente), e - a pretexto da chegada do ano 2011 - lá estavam escritas bobagens cmo "Vc tem 11 meses p trabalhar e 1 para descansar!"; "Para os torcedores fanáticos, provavelmente a curiosidade mais importante é q o futebol tem 11 jogadores em campo!" e "este ano completamos 10 anos do ataque de 11/09 sobre as torres gemeas, que formavam o numero 11!", entre outros chutes, para aproveitar o argumento futebolístico. Até uma autointitulada "apóstola", Denise Halawi, respondeu à cantora dizendo que "querida você esta na unção dos 11!! Quando vai fazer 11 canções novas profetizo isso na tua vida este ano!". Até uma tal "unção dos 11" já inventaram... O gnosticismo entranhado nessas "constatações" (ou "curiosidades", como diz a cantora) tem exatamente esta característica: a de atribuir ao portador da "mensagem" ou "revelação" uma iluminação exclusiva que o(a) torna "superior" a todos os outros, o que lhe dá "autoridade" sobre os demais. Só que, neste caso do número 11, é só pegar qualquer outro número que certamente você encontrará referências bíblicas ou mundanas para "validá-las" como "revelações" que só você tem. Enquanto isso, a mensagem da cruz passa a léguas de distância da trave dos futeboleiros e numerólogos gospel. Talvez fosse mais proveitoso se as novas numerólogas gospel da praça pegassem o número 2011, por exemplo, e "encontrassem" versículos bíblicos para adaptá-los às suas crendices:

Mateus 20:11 E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:

Lucas 20:11 Tornou a mandar outro servo; mas eles espancaram também a este e, afrontando-o, mandaram-no embora de mãos vazias.

João 20:11 Maria, porém, estava em pé, diante do sepulcro, a chorar. Enquanto chorava, abaixou-se a olhar para dentro do sepulcro,

Obviamente, entretanto, nenhum desses versículos se encaixaria nas profetadas que rodam a granel no Brasil no ano de... 2011.






segunda-feira, 24 de maio de 2010

A "unção" da vagina

Peço desculpas antecipadamente pelo título esdrúxulo (e talvez chulo para alguns) deste texto, mas só expondo ao ridículo e ao rigor da lei algumas práticas safadas de alguns "pastores" evangélicos é que - queira Deus - podemos abrir os olhos de tanta gente enganada pela megalomania fetichista de alguns líderes. Como se não bastassem os escândalos e as heresias que vemos espoucando aqui e ali no Brasil, este povo ainda vai aprontar suas safadezas no exterior, e o cara ainda diz que quer voltar pra Goiânia agora, segundo informa o blog Webevangelista. Então, goianas, preparai-vos, porque leio no Tela Crente (com fonte no site Parkear) a notícia bizarra abaixo:

Escândalo em Everett: vítima conta como foi abusada por Elimar Gomes-Alves

Wanderley Resende
e Jehozadak Pereira
Agência Metropolitan
editor@parkear.com

A reportagem de A Notícia ouviu com exclusividade uma das vítimas de Elimar Gomes-Alves e deu detalhes de como era molestada. Os detalhes dos abusos sofridos por pelo menos cinco mulheres vieram a tona no dia 5 de abril quando uma delas procurou um dos obreiros da igreja que levou ao conhecimento dos pastores da igreja que obtiveram de Elimar Gomes-Alves o reconhecimento de que havia cometido os abusos contra as mulheres.

Até o fechamento desta edição, pelo uma das mulheres havia denunciado o abusador na Delegacia de Polícia de Everett, e que outras duas mulheres concordaram que seus nomes fossem citados na queixa.

O METROPOLITAN de sexta-feira, 15, mostrou a confirmação de que Elimar Gomes-Alves foi excluído da Assembly of God Fellowship, Ministério de Madureira em Everett, mesmo passo tomado pela CONAMAD, entidade que reune as igrejas da mesma convenção nos EUA. Com emoção e indignação o depoimento foi dado diante de duas testemunhas e gravado em audio. Confira a seguir os detalhes do que foi dito.

O casal teve problemas no casamento e a mulher buscou conselhos com o pastor Elimar, que fazia orações e dava conselhos num longo processo que durou cerca de quatro anos. Numa destas visitas há mais ou menos dois anos quando o marido não estava presente, Elimar tocou no seio dela por dentro da blusa, e disse que ela era como filha dele e que aquilo não era nada. A mulher tomou um susto e ficou sem saber o que fazer.

Quando ela disse ao marido o que havia acontecido ele tomou um choque e pensou que devia ser um acidente e não quis acreditar. Elimar dizia que as dificuldades do casal podia ser alguma coisa hereditária e que precisava orar.

O marido disse para a esposa que não fosse mais sozinha e quando ele ia Elimar orava normalmente e as vezes pedia para que o marido colocasse a mão nos órgãos genitais da esposa e colocava a mão dele por cima.

Numa outra vez que a mulher foi sozinha ele tocou nela por dentro da saia e falou que tinha que ungí-la, e ela perguntou a ele o que estava acontecendo, afirmando que aquilo estava errado, mas Elimar retrucou dizendo que tinha que ungir porque Deus estava mandando que ele fizesse. Uma certa vez Elimar Gomes Alves foi na casa do casal que que havia se desentendido e disse que ia orar por ela, mas que o marido teria que ficar dentro do quarto para que ele pudesse fazer a oração na sala sozinho com a mulher.

Nesta ocasião Elimar abaixou a roupa dela e ela puxou de volta e disse que daquele jeito ela não permitiria. Quando o marido soube e foi falar com ele, Elimar confessou o que havia feito, mas que não era o que o homem estava pensando e ainda citou um texto da Bíblia dizendo que ‘Todas as coisas são puras para quem é puro e todas as coisas são impuras para quem é impuro’. “Quando soube disto eu falei que tinha que fazer alguma coisa.

Porém tinha medo de falar na igreja e ninguém acreditar e segurei tudo isto já há um ano”, diz o homem. Marido e mulher foram falar com Elimar e exigiram conversar com a esposa dele, e sempre que tocavam no assunto, eram levados na conversa e pensavam que Elimar podia estar certo por causa do modo como ele falava. Quando o casal descobriu que Elimar estava agindo e abusando de outras mulheres resolveram buscar ajuda e chegaram à conclusão de que tinham que tomar uma providência urgente. “Ele estava de safadeza e procurei os pastores”, continua o homem.

Os pastores foram na casa do casal que contou a eles tudo o que havia acontecido e foram até Elimar que confessou os abusos, escreveu uma carta para a igreja pedindo perdão e foi lavrada uma ata na igreja e quando saiu de lá inverteu as coisas dizendo que as pessoas estão inventando coisas a seu respeito, diz o depoimento.

“Está sendo duro demais e soube que ele fez um churrasco na casa dele junto com algumas pessoas e para não fazer nada contra ele vou procurar as autoridades”, diz o homem que se mostra abalado e inconformado com as histórias que ouviu de abusos contra as outras mulheres em comportamentos semelhantes de Elimar Gomes-Alves. “Conversei com uma delas e é o mesmo modo de ação, e Elimar dizia que agia daquele modo porque Deus estava mandando que ele ungisse as mulheres nas partes íntimas”, conclui.

As palavras que estão sendo ouvidas na igreja é que Elimar Gomes-Alves faltou com o decôro eclesiástico, quando se fala entre o povo é é que na realidade ele enfiava as mãos dentro das saias e blusas das mulheres abusando delas durante anos sem que elas tivessem coragem de buscar ajuda e denunciá-lo pelos abusos que sofreram. “A característica principal destas mulheres que foram abusadas pelo Elimar é a fragilidade emocional, das quais ele tirou proveito e abusou delas”, diz um membro da igreja que pede para que seu nome seja preservado.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

100 vezes Malafaia

Talvez inspirado por seu mentor Morris Cerullo (e na ausência dele), o Silas Malafaia deu mais uma "inovada" neste último fim de semana. Conforme mostra o vídeo abaixo, premido pelas necessidades financeiras do mês de fevereiro (já que ele ainda não confirmou nem desmentiu se - de fato - comprou um avião), pediu mais dinheiro ao seu público, e já que o Cerullo não estava ali do lado pra fazer o papel da "profetada", o Malafaia "liberou uma palavra", dizendo que quem contribuísse com ele nesta semana ainda, teria o retorno de 100 vezes mais no prazo de 1 ano. Dizendo-se portador de uma "revelação especial" de Deus, Malafaia se propôs a orar por quem plantasse uma "sementinha" que fosse no ministério dele (veja o vídeo abaixo). Além disso, esta "semente" serviria para "proteger" os empregos e os negócios dos ofertantes de todos os gafanhotos do maligno, uma nova "simpatia evangélica" muito em voga hoje em dia.

A primeira coisa que chama a atenção é uma simples análise econômica. A economia é um dos frutos da inteligência que Deus deu ao homem para que administrasse com sabedoria as coisas desse mundo. Malafaia já disse várias vezes que tem que arcar com milhões de reais para manter seus programas no ar. Apenas para efeito de exercício mental, suponhamos que Malafaia arrecade 10 milhões de reais com esta "oferta especial". Imaginando que a "profecia" funcione, e considerando que a imensa maioria dos ofertantes é das classes média e baixa, no prazo de um ano 100 vezes mais, ou seja - 1 BILHÃO DE REAIS -, transferiria de mãos como que num passe de mágica, o que geraria dois sérios problemas econômicos:

1) este dinheiro sairia do bolso de outras pessoas e empresas, que teriam que cobrir o rombo com outras pessoas e empresas, num efeito cascata que terminaria gerando - na ponta - um empobrecimento maciço de boa parte da população brasileira, além da quebra de algumas empresas com o consequente desemprego que isto acarretaria;

2) se o dinheiro for aparecer, assim, do "nada", sem origem fática e palpável, isto injetaria na economia uma quantidade enorme de moeda - 1 BILHÃO DE REAIS - o que inevitavelmente geraria uma alta inflação, com os efeitos danosos já conhecidos por boa parte da população.

Aí alguém pode perguntar: agradaria a Deus que tudo isto acontecesse só pra sustentar o programa do Malafaia na televisão?

Do ponto de vista bíblico, como diria Arnaldo César Coelho, a regra é clara: "Como conheceremos a palavra que o Senhor não falou? Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou" (Deuteronômio 18.21-22)". Logo, daqui a um ano, como é que saberemos se a "palavra liberada" por Malafaia se cumpriu? A única maneira de, digamos, aferir e conferir esta profecia seria termos dados objetivos e transparentes em que pudéssemos nos basear, o que nos defronta com dois novos problemas:

1) os ministérios evangélicos brasileiros primam pelo fato de não serem transparentes. Poucas igrejas efetivamente prestam contas das suas contas de maneira pública, auditada e confiável. Claro que há organizações evangélicas sérias que se preocupam com esta transparência, mas infelizmente são a exceção que envergonha a regra. Se até agora não sabemos exatamente quantos foram beneficiados pela "unção financeira dos 900 reais" do Cerullo, cujo prazo fatal era o final de 2009, não há qualquer razão para esperarmos que Malafaia preste conta da "unção dos 100" daqui a um ano;

2) é legítimo que os ofertantes não queiram divulgar os seus nomes ou os valores que contribuem. É garantia constitucional o direito à privacidade e é perfeitamente compreensível que pessoas sérias e corretas não queiram se expor ao escrutínio público de suas ofertas. De novo, como não há qualquer auditoria independente que ateste a lisura das contas e dos resultados, ficamos novamente num beco sem saída.

Desta maneira, tanto do ponto de vista econômico como bíblico, cada crente tem que recorrer a este precioso dom que Deus lhe deu: a inteligência. Na hora do aperto ou do apelo, é comum as pessoas se deixarem levar pelas emoções, mas o uso da razão é um recurso valioso demais para ser desprezado ou subutilizado quando se avalia as ações e as palavras de quem quer que seja. A "palavra liberada" por Malafaia fica, portanto, no limbo do comodismo: tanto faz como tanto fez. De qualquer maneira, ele não responderá pelo sucesso ou pelo fracasso do que disse, já que sempre lhe restará a desculpa-padrão de que o ofertante não teve fé suficiente para alcançar a promessa (se já não alcançaram com Cerullo, por que a alcançariam agora?). E muitos, movidos pela mórbida tentação do autoengano, aceitarão cegamente esta alegação. Para Malafaia, a única sanção que lhe pode ser aplicada é o juízo de valor de quem o segue. Afinal, se não há compromisso algum com a Bíblia e com o resultado da sua "profecia", o melhor termo para designá-la talvez fosse "reza braba".




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O lutador ungido

O fenômeno nacional do MMA (Mixed Martial Arts, ainda mais conhecido como vale-tudo) nas igrejas, também tem acontecido nos Estados Unidos, onde se pode encontrar o grupo Anointed Fighter ("Lutador Ungido"), que parece ser um movimento muito mais organizado, com eventos, testemunhos e uma revista especializada, além de uma visão empresarial bem estabelecida, como eles próprios se definem:

Visão: Servir como embaixadores de Cristo para a comunidade de lutadores ao redor do mundo, criando plataformas e recursos que entregam o evangelho em termos relevantes à cultura do combate.

Anointed Fighter (AF) reconhece que o MMA (Mixed Martial Arts) se tornou um fenômeno cultural como o esporte de maior crescimento de audiência no mundo. AF deseja alcançar o mundo do MMA e sua cultura com a mensagem da salvação provendo esperança, encorajamento e verdade de uma maneira relevante enquanto quebra conceitos equivocados sobre o que significa ser um discípulo de Cristo.

AF vislumbra um tempo em que todos os entusiastas do MMA ao redor do mundo serão impactados por seu ministério através de merchandise licenciado, publicações impressas, produções multimidia e eventos relâmpago que levarão a programas de discipulado de longo prazo e autossustentáveis.

AF aspira a atingir essas metas mediante a colaboração com os maiores lutadores cristãos e as melhores organizações da comunidade MMA. Esses lutadores e organizações irão trabalhar ombro a ombro com AF para formular e proporcionar os melhores produtos e serviços nas suas respectivas áreas.

Não vai tardar muito para esta organização chegar ao Brasil, se é que já não chegou. Mesmo que eu não entenda bem como violência e evangelho possam ser apresentados conjuntamente, a não ser pela semelhança do sangue, admito que eles têm todo o direito de pregar o que creem. Vejo neles, entretanto, uma aversão à religião institucionalizada, como se pode ver pela imagem abaixo:


Neste ponto, me parece que eles cometem o mesmo equívoco daqueles que dizem que não gostam de teologia, embora criem todo um discurso teológico para combatê-la. Assim, muitos não gostam de religião nem de religiosidade, embora façam de suas práticas uma verdadeira religião antirreligião. Há que se levar em conta, também, o fato de se apresentarem como "lutadores ungidos". Cá entre nós, o que não falta no Brasil, é "unção" de todo tipo, não necessariamente cristã.

Como mostra a imagem abaixo, a oração deles não deixa de ser interessante:


"Cristo, endureça-me contra a luta que vem do meu corpo. O lutador fraco com uma voz patética que clama para que o round acabe em vez de lutar por tempo sem fim na lona.

Eu mesmo, arqui-inimigo da minha alma, meu pior parceiro de treinamento, meu adversário mais mortal, minha voz interior, pedindo "água".

Cristo, conceda-me força interna para executar um contra-ataque poderoso, para superar meus maiores medos e estrangulá-los pela eternidade, porque eu sei que, quando estou fraco, Tu és forte. Então, quando minha alma é levantada, é o teu nome que é louvado".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os numerólogos "evangélicos"


A Igreja evangélica brasileira tem visto, na ultima década em especial, a proliferação de uma abordagem numerológica da Bíblia, como se alguns “pastores” fossem verdadeiros lançadores de sortes com base em interpretações esdrúxulas de alguns versículos cuidadosamente pinçados. Chama a atenção, por exemplo, que no triste episódio da “unção financeira de 900 reais”, o Morris Cerullo tenha falado ao Silas Malafaia que “9” é o número de “estar completo”, e este tenha concordado como se fosse um tremendo segredo numerológico conhecido apenas pelos iniciados. Este fato aparentemente isolado ilustra bem o que tem acontecido no meio evangélico: a invasão do gnosticismo em suas versões mais antigas. A palavra grega gnosis (gnose, daí gnosticismo) significa exatamente isto: “conhecer”, e neste sistema, o conhecimento se limita a um círculo restrito de iluminados que, por detê-lo e não difundi-lo (senão em doses homeopáticas de mistério), impõem aos seus seguidores uma relação de autoridade. O gestual de Malafaia assentindo com a cabeça - e com ar de superioridade - a uma bobagem dita por Cerullo mostra a que ponto chegamos, já que se trata de um líder evangélico reconhecido como tal por parcela expressiva da população brasileira, que – culturalmente – não está habituada a questionar o “ensinos”, as “unções” e as ordens que lhe são enfiados goela abaixo. Trata-se, portanto, de uma relação de poder e dominação, logo, ideológica (ainda que travestida de “teologia”).

O primeiro grande problema que a Igreja primitiva enfrentou foi justamente o gnosticismo. Nesta época, o Império Romano era, de certa forma, sucessor do Império Helênico de Alexandre, o Grande, e todos os distintos povos conquistados estavam misturados, numa efervescência cultural e religiosa poucas vezes registradas na história da humanidade, se é que algum dia houve algo parecido. O cristianismo se espalhava pelas rotas romanas a todos os cantos do Império, e havia algo de novo na proposta cristã, ainda que os pagãos não conseguissem entender bem a altura, a extensão e a profundidade do evangelho. Talvez por isso mesmo misturassem a mensagem cristã com uma série de influências das religiões de mistério da época, formando muitos sistemas de crenças que ficaram conhecidos como “gnósticos”, mas que basicamente tinham em comum complexos cálculos numerológicos dominados apenas por um grupo restrito de iniciados. Para conhecer - em detalhe - vários desses sistemas gnósticos, recomenda-se a leitura do livro "Contra as Heresias", de Irineu de Lião. Já o historiador cristão Justo L. González tenta explicar o aparentemente inexplicável da seguinte maneira:

Apesar de haver elementos especulativos muito importantes no gnosticismo, o fato desse ensino ser usualmente apresentado como um conjunto de sistemas de especulações numerológicas tornou impossível entender como tal doutrina pode ter sido um rival tão forte da igreja. O fato do gnosticismo ter se tornado uma alternativa atraente em relação ao Cristianismo ortodoxo deve-se, sobretudo, a seu interesse soteriológico. A fim de entender este apelo, deve-se interpretar o gnosticismo, acima de tudo, como um modo de salvação. O cosmopolitanismo que acompanhou as conquistas de Alexandre tinha sua contraparte no individualismo das pessoas. Acreditava-se que as antigas religiões nacionais não eram mais capazes de satisfazer às necessidades do indivíduo. Por esta razão, os séculos nos quais o Cristianismo começou a conquistar seu espaço no mundo foram caracterizados por uma procura pela salvação individual; consequentemente, nesse tempo, houve um crescimento daquelas religiões que proclamavam oferecê-la – e além do Cristianismo, assim faziam as religiões de mistério e o gnosticismo.
..........
De qualquer forma, a doutrina da salvação deve estar baseada em uma compreensão de nosso lugar no universo, e esta é a função das complicadas construções especulativas dentro dos vários sistemas gnósticos. Se o espírito está aprisionado na matéria, deve haver uma razão para esta condição; e esta razão os gnósticos tentam oferecer por meio de suas especulações. Há duas características principais nestas especulações: seu dualismo derivado e sua numerologia. O dualismo do gnosticismo, que por muitos eruditos têm sido enfatizado como uma de suas principais características, não é um dualismo primário ou inicial; ao contrário, resulta de um monismo inicial. As especulações gnósticas são traçadas a partir de um único princípio eterno, do qual outros princípios ou aeons são produzidos em um processo declinante, até – geralmente é dito, devido a um erro em um dos aeons anteriores – o mundo material ser produzido. Assim aparece o dualismo derivado entre a matéria e o espírito, ou entre o celestial e o terreno. Dentro do processo de produção dos vários níveis de aeons, a numerologia – outra característica muito comum na especulação helenística – representa um papel importante, pois os aeons geralmente são produzidos seguindo certos modelos numéricos. A cosmologia gnóstica nasce de tal combinação entre o dualismo derivado e a especulação numerológica, e é caracterizada por uma complexa série de aeons que ficam entre o absoluto e o mundo material. Estes seres são frequentemente vistos como esferas que o espírito deve atravessar em seu retorno à eternidade.

(GONZÁLEZ, Justo L., Uma História do Pensamento Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. vol. 1, pp. 125-127 – veja o excerto completo no site e-cristianismo)

Justo González chama a atenção para outro aspecto da efervescência religiosa dos dois primeiros séculos cristãos - o individualismo -, que não por acaso, é uma das características marcantes do atual estágio da igreja evangélica no Brasil, em pleno século XXI. A teologia da prosperidade pregada aos 4 ventos (sem qualquer simbologia no “4”), as unções financeiras de 900 reais, as “campanhas” que geralmente envolvem números e símbolos esotéricos, a necessidade mórbida de se estabelecer alvos financeiros expressos em cifras milionárias, enfim, tudo aponta para uma invasão gnóstica entre os evangélicos no Brasil. Ainda há tempo de reverter este quadro, mas infelizmente muita gente já se perdeu, e combater o “gnosticismo evangélico” certamente não vai trazer “popularidade” a quem levantar sua voz contra esta heresia revisitada, mas se Cristo não for exaltado nas nossas vidas, de que vai adiantar a fama, o dinheiro e os números? Nada!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Unções perigosas

Pelo jeito, Robson Rodovalho não tem tido muito sucesso nas suas orações e unções...

Paulo Octavio



José Roberto Arruda



Joaquim Roriz



Leonardo Prudente

"A ninguém imponhais precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro."

1 Timóteo 5:22

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