sábado, 9 de julho de 2011

Malafaia quer liberdade de expressão só pra ele


Este blog já não dá muita bola mais pra Silas Malafaia, considerando que tudo de importante que se deva saber sobre ele já foi suficientemente comentado, ficando por conta e risco de quem o segue o fardo de segui-lo. 

Entretanto, vez ou outra, ele volta à baila por causa de seus comentários que, ocasionalmente, vemos nos seus programas, como foi o caso de hoje cedinho (vídeos abaixo), em que Malafaia desfilou mais um xororô dizendo-se vítima de uma série de agruras e perseguições para - em seguida - pedir dinheiro. 

Nada de novo no front. Não será surpresa se, nas próximas semanas, Morris Cerullo ou Mike Murdoch aparecerem por lá com mais uma de suas campanhas mágicas de prosperidade. 

O esquema é sempre esse: xororô-Cerullo ou xororô-Murdoch. Acredita quem quer. Afinal, vivemos num país democrático e livre, e cada um cuida de si e – tanto quanto pode – dos outros. Se for engodado pela própria concupiscência (Tiago 1:14) e cair no conto do bilhete premiado, aí já é problema dele com Deus.

A pregação matinal de Malafaia foi razoavelmente proveitosa. A análise do seu discurso serve muito mais a exercícios de retórica ideológica deteriorada do que – propriamente – teologia. Vale pelo que não é dito e se pode ler nas entrelinhas. 

Primeiramente, a tradicional autovitimização em relação às críticas que recebe (inclusive deste blog). Ainda que não tenha nomeado nenhum blogueiro em particular, parece que sua grita maior é contra o blog Genizah, de Danilo Fernandes, quando se referiu aos “blogs apologéticos com humor” (ou coisa parecida) e à passagem da sacolinha na ESLAVEC (escola de líderes patrocinada pelo Malafaia, em tese gratuita). 

Sinal que ele lê os blogs, mas não dá pra ter certeza se as críticas realmente o incomodam, ainda que o façam - às vezes - mudar o discurso. Elas parecem funcionar mais como combustível para sua autovitimização panfletária. No fundo, massageiam o seu já inflado ego. 

Até porque Malafaia diz defender a liberdade de expressão, especialmente na sua campanha contra os movimentos homossexuais e o PLC 122. Exaspera-se, entretanto, quando é ele o alvo das críticas e não quer que esta mesma liberdade de expressão valha para todos. 

Só vale para ele e os demais que sejam convenientemente amordaçados. Ele até paga anúncio em jornal defendendo a liberdade de expressão, mas que ninguém ouse criticá-lo. Curiosamente, sua atitude cai na vala comum do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Malafaia se propôs, também, a justificar seus ganhos financeiros com uma argumentação enviesada, em que não fica claro quem é quem e – sobretudo – quanto tem na divisão do patrimônio entre associação, igreja, editora e o particular dele, sem especificar, entretanto, quais são os bens que gozam de imunidade tributária e a que (ou a quem) se destinam.

Diga-se, a seu favor, que ele não tem obrigação legal de revelar essas questões publicamente, mas como diria o antigo filósofo corinthiano Vicente Matheus, “quem sai na chuva é pra se queimar”. 

Se Malafaia arrecada dinheiro pública e legalmente para cobrir os milhões de despesas que afirma ter "pra sustentar esta brincadeira toda", deveria se dar, pelo menos, ao trabalho de prestar contas detalhadas do destino dessa verba lúdica. 

Eticamente, seria um ponto importantíssimo a seu favor. Entretanto, o detalhamento supérfluo de seu orçamento serve apenas para se dizer perseguido e voltar a xingar seus críticos de "bandidos", “imbecis”, “idiotas” e adjetivos afins, como já é rotina e não assusta mais a ninguém, a não ser quando nos perguntamos se Jesus, Paulo e Pedro usariam este tipo de expediente verborrágico.

Por fim, depois de todos esses rodeios, Malafaia chega à sua denúncia “bombástica”: a de que um conhecido pastor, juntamente com dois assessores, estaria visitando diretores das redes de TV onde Malafaia aluga horários para criticá-lo e dizer que ele não teria mais condições de cumprir com suas obrigações contratuais. 

Ora, Malafaia, não há nada de “bombástico” nisso, a não ser o fato de “pastores” disputarem a tapa os horários na TV. Ninguém é bobo, nem acredita mais que exista este ecumenismo gospel entre os telepastores, salvo quando se trata de motivos políticos e ideológicos, em que geralmente estão todos no mesmo iate. É a famosa briga de foice no escuro. Nem vale a pena imaginar quem seria o pastor-conspirador de plantão. São tantos os candidatos...

A única bomba, infelizmente, é o estrago atômico que toda esta vaidade e cobiça tem feito na pregação do evangelho no Brasil, depois que “pastores” viraram Sílvios Santos vendendo o Baú da Felicidade, e igrejas e denominações se transformaram em organizações político-ideológicas. Volta logo, Senhor Jesus!






3 comentários:

  1. Graça e Paz!!

    Ótimo artigo, suas palavras foram muito sábias e pertinentes. Infelizmente a grande maioria evangelica aplaudem esses caras, financiam todas essas festas, e espestaculos circenses...e de fato, o evangelho vem sendo maculado, mas, todos sabemos que é sinal dos tempos, e a prova de que o nosso Senhor Jesus está voltando!

    Taciano Cassimiro
    TEOLOGIA REFORMADA WWW.INTRODUOTEOLOGICA.BLOGSPOT.COM

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  2. Este texto praticamente tirou as palavras da minha mente :D

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    Respostas
    1. E isto muito me honra, Gustavo. Ganhei o meu dia :D obrigado!

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