terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ateus confrontam discriminação na política dos EUA

Matéria publicada no Estadão de 31/08/14:

Ateus dos EUA se organizam para influenciar política

CLÁUDIA TREVISAN

Em contraposição à crescente direita religiosa, céticos tentam promover candidaturas com uma visão de Estado mais secular

Com o avanço da direita religiosa nos EUA, os descrentes decidiram sair do armário e se organizar para influenciar políticas públicas, principalmente nas áreas de educação, saúde e mudanças climáticas. Depois de estabelecer um grupo de lobby em Washington, os céticos de todo o gênero criaram um comitê para financiar candidatos às eleições legislativas de novembro comprometidos com uma visão secular de governo.

Nenhum integrante do Congresso americano é abertamente ateu, em um reflexo do rechaço a essa opção em um país no qual referências religiosas frequentam as manifestações políticas. O presidente dos EUA termina seus discursos solenes com "Deus salve a América" e todas as sessões do Senado e da Câmara são abertas por capelães oficiais, que juntos ganham salários anuais de US$ 345 mil, pagos com dinheiro público.

Na última década e meia, a influência dos conservadores religiosos ultrapassou os rituais e passou a afetar uma série de aspectos da vida pública americana. Em muitas escolas, a Teoria da Evolução começou a ser ofuscada pelo ensino do criacionismo, que apresenta a visão bíblica da origem do mundo.

As restrições ao aborto aumentaram e o rechaço ao custeio de certos métodos anticoncepcionais por motivos religiosas foi chancelado pela Suprema Corte, que também considerou constitucional a realização de orações em encontros da comunidade para discutir políticas públicas.

Sair do armário não é só uma figura de linguagem. Os militantes da não religião seguem os passos dos gays e dos ativistas que defendem direitos civis para ampliar a visibilidade. "Ao não sermos notados, ajudamos a criar uma atmosfera na qual todo o mundo nos EUA parece ser cristão. Os secularistas devem ser visíveis e participar do debate público, para que os deputados e senadores tenham de considerar o que seus eleitores ateus e agnósticos pensam, o que reduz o poder da direita religiosa", disse o advogado David Niose, diretor da American Humanist Association (AHA), uma das principais entidades seculares dos EUA.

Criada em 1941, a organização ganhou visibilidade na última década, em parte como resposta ao crescimento do fundamentalismo cristão. O número de associados que contribuem financeiramente para a entidade se multiplicou por seis, para 29 mil. Outros 300 mil são seguidoras da AHA no Facebook.

"Um dos nossos objetivos é nos livrar do estereótipo negativo e criar uma atmosfera na qual as pessoas podem ser abertas em relação a suas crenças e saber que terão apoio de organizações como a nossa", observou Bishop McNeill, coordenador do Freethought Equality Fund, um comitê que arrecadou US$ 25 mil em doações individuais de aproximadamente 500 pessoas. O grupo declarou apoio a 15 candidatos, nem todos ateus. Entre eles, há religiosos que professam uma agenda secular, na qual está a separação entre Estado e Igreja.

Apesar de minoritários, os secularistas são a fatia demográfica que cresce mais rapidamente nos EUA. Sua participação subiu de 15,3% da população, em 2007, para 19,6%, em 2012. A maior parte desse contingente diz não ter nenhuma convicção particular e não se identifica com os rótulos de "ateu" ou "agnóstico".

O que os une é a não filiação a uma religião, o que levou o Pew Research Center a batizá-los de "nenhuns". Entre os jovens de 18 a 29 anos, o porcentual de "nenhuns" é de 32%, mais que o dobro dos 15% registrados entre pessoas de 50 a 64 anos. Na faixa de 30 a 49 anos, o índice é de 21%. "A maioria das pessoas da próxima geração não terá filiação religiosa", aposta Don Wharton, ativista ateu de Washington. Segundo ele, o rótulo "humanista secular" tende a encontrar menos resistência que "ateu". "Os ateus ainda são demonizados e vítimas de intolerância. Temos de mostrar que temos tantas preocupações éticas quanto os humanistas."



Tribunal derrubou lei contra ateísmo na Carolina do Sul

Originário de família judaica contestou norma que proibia ateus de ocuparem cargos públicos no Estado

Criado numa família judaica ortodoxa da Filadélfia, Herb Silverman tornou-se descrente na adolescência e foi um não religioso "apático" até o fim dos anos 80, quando se mudou para a Carolina do Sul e descobriu que a Constituição estadual proibia ateus de ocuparem cargos públicos.

"Achei que isso era demais." Silverman consultou advogados da União Americana pelas Liberdades Civis (UCLA, na sigla em inglês) e concluiu que o único caminho para derrubar a restrição era disputar o governo estadual como candidato abertamente ateu e levar o caso ao Judiciário. Na eleição de 1990, ele registrou seu nome e deu início a uma batalha judicial que só terminou em 1997, quando a Suprema Corte da Carolina do Sul decidiu que o veto aos ateus era inconstitucional. O Estado fica no "Cinturão da Bíblia" dos EUA, a região do sudeste do país fortemente influenciada pelo protestantismo evangélico.

Depois da vitória na Suprema Corte estadual, ele manteve seu ativismo ateu e, em 2002, participou da criação da Secular Coalition for America, grupo que defende interesses de não religiosos em âmbito nacional e em Washington. "Com a nossa cultura se tornando cada vez mais teocrática, pensei que era importante criar uma rede de organizações para sermos mais influentes", afirmou.

Formada originalmente por 3 entidades, a coalizão reúne hoje 17 instituições, é registrada como grupo de lobby em Washington e realiza uma convenção nacional todos os anos.

A chegada de George W. Bush à presidência, em 2001, é apontada pelos secularistas como o momento que marcou o fortalecimento do fundamentalismo cristão e da influência da religião sobre políticas públicas. Segundo Silverman, esse movimento se refletiu em referências cada vez mais frequentes a Deus em discursos políticos e no respeito crescente a posições religiosas no espaço público. "Isso fez com que os ateus se sentissem cidadãos de segunda categoria, com a percepção de que para ser patriota você precisa ser religioso."

Silverman presidiu a Secular Coalition for America por dez anos, até 2012, quando passou a ser seu presidente emérito. Naquele ano, ele lançou o livro no qual narra sua trajetória: Candidate Without a Pray - An Autobiography of a Jewish Atheist in the Bible Belt (Candidato Sem Uma Oração - Autobiografia de um Judeu Ateu no Cinturão da Bíblia).

O link para o segundo artigo é esse aqui.



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Estados Unidos treinam o Vaticano contra o terror

Matéria publicada no IHU:

Treinar o Vaticano contra o terrorismo: o projeto secreto dos EUA


Enquanto ecoam os boatos (negados) de um risco de atentado contra o Papa Francisco, o Wikileaks revela que, desde 2008, os Estados Unidos se ofereceram para treinar os serviços de segurança vaticanos. Para proteger a Santa Sé. E envolvê-la nos programas antiterrorismo. 

A reportagem é de Stefania Maurizi, publicada na revista L'Espresso, 28-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


"Objetivo papa". Antes, muito antes que os degoladores do IS emergissem como ameaça global, a diplomacia norte-americana avaliou o risco de um ataque ao Vaticano por parte do fundamentalismo islâmico, chegando a pedir que o Departamento de Estado financiasse um curso de formação para a Gendarmeria vaticana, com o objetivo de "ajudar o Vaticano a enfrentar a ameaça terrorista".

A revelação é dos documentos da diplomata norte-americana publicados pelo Wikileaks. E, nestes dias em que o jornal Il Tempo, citando fontes da inteligência não identificadas, relança o alerta de um risco de terrorismo contra o Papa Francisco – imediatamente liquidado como infundado pelo diretor da Sala de Imprensa vaticana, o padre Federico Lombardi –, volta à mente a tentativa norte-americana de "preparar" as forças do papa em caso de ataque.

Tudo começou em 2008. Em um telegrama secreto, o então embaixador em Roma, Ronald Spogli, pediu que Washington avaliasse a criação e o financiamento de um curso para os serviços de segurança do Vaticano. Spogli não cita nenhuma ameaça específica que pairava sobre a Santa Sé e de que os EUA tivessem conhecimento, mas escreve que "a Al-Qaeda identificou publicamente o papa e a Igreja Católica como um inimigo ("cruzados"), e a Cidade do Vaticano atrai milhares de cidadãos norte-americanos em visita a cada ano, seja como turistas, seja como peregrinos. Por exemplo, os museus vaticanos acolhem todos os dias até 25 mil visitantes, e um número considerável deles são cidadãos norte-americanos".

O diplomata lembra que, no passado, a Gendermeria pedira um treinamento sobre explosivos ao FBI, mas a ambição de Spogli desta vez é mais ampla, como ele mesmo relata no documento: "O objetivo é duplo: potencializar a capacidade do Vaticano de responder a uma crise e favorecer um diálogo sobre o combate ao terrorismo".

São os anos em que a América de Bush está sob acusação pelas piores invenções da "guerra contra o terror": de Guantánamo às prisões secretas da CIA. A distância entre o Vaticano e os EUA é enorme, mas, desde o 11 de setembro, a Casa Branca visou a criar um diálogo similar ao que o governo norte-americano havia desenvolvido com João Paulo II durante a Guerra Fria: como haviam trabalhado juntos contra o comunismo, agora deviam encontrar um sistema para cooperar contra o terrorismo.

Não se fez nada em relação ao curso de treinamento em 2008, mas, um ano depois, Ronald Spogli voltou ao ataque. O diplomata contou que o ICITAP (International Criminal Investigative Training Assistance Program) preparou um curso de 12 dias de treinamento para a Gendermeria, por um total de 110.841 dólares.

O ICITAP é uma divisão especial do Departamento de Justiça que trabalha em todo o mundo para treinar as forças de polícia contra o crime internacional e o terrorismo. O programa pensado para o Vaticano visa a formar de 15-20 chefes de equipe da Gendarmeria, identificada como "o serviço de segurança primária para a Cidade do Vaticano", ao contrário dos guardas suíços, que "são responsáveis apenas pela segurança do papa".

"Quantas divisões tem o papa?", perguntava Stalin. Os números do Vaticano, que emergem dos telegramas, são impressionantes: uma cidade-Estado de nem meio quilômetro quadrado e 800 habitantes, mas que condiciona a vida de 1,3 bilhão de pessoas, alinha 400 mil sacerdotes, 750 mil freiras, 75 mil monges, tem três milhões de escolas, cinco mil hospitais e uma rede de relações diplomáticas com 177 países do mundo.

No entanto, o embaixador norte-americano conta que a Gendarmeria vaticana é formada por apenas 160 homens, que devem se ocupar de tudo: da ordem pública às investigações criminais, até o controle do trânsito. E "a capacidade do corpo de responder eficazmente a um grande incidente ou vários simultaneamente não está comprovada". Nem o treinamento recebido do FBI sobre os explosivos "permitiu avaliar a sua preparação em saber responder a um atentado terrorista".

Para os EUA, o Vaticano é motivo de preocupação não só pelo enorme fluxo de visitantes, "4,44 milhões por ano. Uma parte significativa destes são norte-americanos, já que cerca de seis milhões de cidadãos norte-americanos visitam a Itália anualmente". Os EUA também olham para um patrimônio artístico de valor inestimável, que torna o Vaticano um objetivo de extraordinária visibilidade.

O diplomata norte-americana escreve que a Santa Sé é um Estado soberano e independente, que "não está disponível para ser visto como submetido a qualquer outra nação, nem mesmo à Itália, com a qual ele tem uma história complicada". Não só: para os norte-americanos, "o processo de tomada de decisão do Vaticano é tradicionalmente opaco".

No entanto, depois de uma série de contatos com a embaixada norte-americana no Vaticano com "e algumas agências especializadas junto à embaixada de Roma, a liderança da Gendarmeria aceitou a proposta de colaborar em um programa de treinamento, que tem o apoio do cardeal Giovanni Lajolo, que supervisiona o governo da Cidade do Vaticano". Um apoio importante, já que "Lajolo será crucial em qualquer colaboração posterior com os serviços de segurança dos Estados Unidos em caso de ataque".

O programa de 12 dias de treinamento pensado pelo ICITAP parece excessivo ao embaixador Ronald Spogli naquela fase inicial. O que ele propõe é um curso de três dias, a ser realizado no Vaticano para 15-20 líderes de equipe da Gendarmeria: um objetivo realista e que visa tanto a reforçar a capacidade da Santa Sé "de responder a um ataque, quanto a aprofundar a nossa colaboração em questões de combate ao terrorismo".

Spogli enfatiza que "qualquer ataque contra o Vaticano levaria a uma reação global. Um dos objetivos do programa é esclarecer as relações de segurança entre Santa Sé e Itália, e outros Estados-chave. Essa é a primeira vez que o governo e a liderança da segurança do Vaticano aceitam a colaboração com os Estados Unidos em nível de policy [antiterrorismo]. E esse programa poderia abrir as portas a um posterior envolvimento do Vaticano na luta contra o terrorismo".



domingo, 31 de agosto de 2014

Governo e indústria concordam em reduzir sódio de alimentos processados

Uma boa notícia do Ministério da Saúde que merece ser divulgada:

Acordo retira mais de mil toneladas de sódio de produtos industrializados

Parceria entre Ministério da Saúde e Abia garantiu redução de sal em pães de forma, bisnaguinhas e macarrões instantâneos. Pesquisa mostra que os brasileiros têm uma percepção equivocada sobre a quantidade correta de sal a ser consumida diariamente

As indústrias alimentícias, em um ano, reduziram 1.295 toneladas de sódio em três tipos de alimentos: pão de forma, bisnaguinhas e macarrão instantâneo. A previsão é que a retirada deste item, que começou em 2011, alcance mais de 1,8 mil toneladas até o fim deste ano. Esses ganhos na alimentação do brasileiro são resultados do acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde e a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia) para monitoramento do uso de sódio em alimentos industrializados.

“Esta redução de sódio na alimentação do brasileiro se materializa na redução, ao longo prazo, no número de óbitos por doenças Crônicas Não Transmissíveis, como infarto e AVC. É importante ressaltar ainda que não estamos banindo o consumo do sal, e sim, evitando o excesso, que é prejudicial à saúde”, destaco o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

A previsão é de que até 2020, mais de 28 mil toneladas de sódio estejam fora das prateleiras, como resultado dos quatro Termos de Compromisso firmados entre Ministério da Saúde e Abia. O total das parcerias reúne 16 categorias de alimentos que representam mais de 90% do sódio em produtos industrializados. O objetivo é alertar a população para a mudança de alguns hábitos alimentares, tanto no consumo de sal na hora das refeições quanto na escolha dos produtos nas gôndolas dos supermercados.

Para o presidente da Abia, Edmundo Klotz, “a autorregulamentação é um instrumento positivo que definiu metas a serem alcançadas pela indústria da alimentação em acordo firmado com o setor público”. Ele acrescentou ainda “que trata-se também de um mecanismo indutor que incentiva as empresas que não são associadas à ABIA a investirem em tecnologia para a redução do sódio”, enfatiza o presidente da Abia, Edmundo Klotz.

CONSUMO DE SAL – Um estudo feito pelo Ministério da Saúde mostra que o brasileiro tem uma percepção equivocada sobre a quantidade correta de sal a ser consumida diariamente, pois acredita que utiliza menos sal do que realmente chega às mesas. Segundo a pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), 48,6% dos brasileiros avaliaram como médio seu nível de consumo diário de sal. No entanto, no Brasil, estima-se consumo médio de quase 12g por pessoa por dia, o que é mais do que o dobro do que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de no máximo de 5 gramas ao dia.

O consumo exagerado do sal está relacionado ao aumento no risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e doenças renais, entre outras. As DCNT são responsáveis por 63% dos óbitos no mundo e 72% dos óbitos no Brasil. Um terço destas mortes ocorre em pessoas com idade inferior a 60 anos. Se o consumo de sódio for reduzido a quantidade recomendada pela OMS, por exemplo, os óbitos por acidentes vasculares cerebrais podem diminuir em 15%, e as mortes por infarto em 10%.

O Brasil alcançou importantes resultados nesta área nos últimos anos. Além de conseguir retirar, em um ano, 1.295 toneladas de sódio em três categorias de alimentos processados, superou a meta estabelecida para a redução da mortalidade prematura por doenças crônicas, que era de 2% ao ano. No entanto, entre 2010 e 2011, o índice de queda da mortalidade prematura (30 a 70 anos) por DCNT foi de 3,8%. A expectativa é chegar a 25% em 2022.

MONITORAMENTO DO SÓDIO - O número de redução de sódio em alimentos processados foi identificado a partir da análise de rotulagem nutricional e amostras avaliadas em laboratórios pela Anvisa em três categorias de alimentos. Foram coletados dados de rotulagem de 172 marcas de massas instantâneas, 102 marcas de pães de forma e 13 marcas de bisnaguinhas, representando em nível nacional as empresas que comercializam estes produtos. Para a análise laboratorial, foram coletadas amostras em nove estados, correspondentes a 54 produtos.

Os parâmetros utilizados foram as metas de redução de sódio estabelecidas em 2011 no acordo entre o Ministério da Saúde e a Abia. O documento definiu o teor máximo de sódio a cada 100 gramas em alimentos industrializados. No caso das massas instantâneas, a quantidade foi limitada a 1.920,7 miligramas (ou 1,9 grama) até 2012. Isso representa uma diminuição anual de 30% no valor máximo de sódio desses alimentos. Nos pães de forma, o acordo previu a redução do teor máximo de sódio para 645 miligramas, até 2012, e para 522 miligramas, até 2014; enquanto que, nas bisnaginhas, o limite era de 531 e 430 miligramas, nas mesmas datas. Essas metas estabelecidas correspondiam a uma redução de 10% ao ano no valor máximo de sódio.

Dos 54 produtos avaliados em laboratórios, 40 ficaram abaixo da meta de quantidade de sódio. Das 29 marcas de macarrão instantâneo, 19 (65,5%) ficaram abaixo da média (1920,7 mg/100g). Já entre as 16 marcas de pães de forma, 15 (93,75%) estavam abaixo da média (645mg/100g) e entre as nove marcas de bisnaguinhas seis (66,6%) ficaram abaixo da meta (531 mg/100g).

As análises de rotulagem mostram tendência semelhante de cumprimento das metas em relação aos teores médios de sódio por categoria. Do total, 94,9% das massas instantâneas, 97,7% dos pães de forma e 100% das bisnaguinhas estavam abaixo das suas metas, que são 1920,7mg/100g, 645mg/100g e 531mg/100g, respectivamente. Resultados semelhantes foram encontrados mesmo em empresas que não estão associadas à Abia, mostrando que o acordo de cooperação também teve um efeito indutor na reformulação dos produtos em todo o mercado.

O acordo, que tem adesão voluntária, estabelece o acompanhamento das informações da rotulagem nutricional dos produtos e as análises laboratoriais de produtos coletados no mercado e da utilização dos ingredientes à base de sódio pelas indústrias. Desde o início de 2013, estão sendo coletadas e analisadas amostras de categorias de produtos firmados nas duas primeiras etapas da parceria. Foram pactuadas metas voluntárias de redução, oficializadas por meio de quatro termos de compromisso entre o Ministério da Saúde e a Abia.

PROMOÇÃO DA SAÚDE –Essas ações, assim como o incentivo à atividade física e a alimentação saudável, a prevenção da obesidade infantil nas escolas, orientações sobre a importância de parar de fumar e a expansão da assistência em doenças crônica, integram o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde. Lançado em 2011, a iniciativa visa prevenir e reduzir asmortes prematuras por diabetes, câncer, hipertensão e outras doenças do aparelho circulatório e respiratório.



sábado, 30 de agosto de 2014

Quer combater a violência? Comece por você mesmo!

Excelente artigo publicado no UOL Mulher. Estranhamente, entretanto, não há uma só menção ao papel que a mídia desempenha na educação e na perpetuação dos padrões de violência no Brasil:

Reconhecer a própria agressividade ajuda a conter a disseminação do ódio

Marina Oliveira e Suzel Tunes

O Conselho Nacional do Ministério Público divulgou dados alarmantes, em 2012: homicídios cometidos por impulso ou por motivos fúteis representaram 100% do total de assassinatos com causas identificadas registrados no Acre, entre 2011 e 2012. No mesmo período, em São Paulo e Santa Catarina, esse índice ficou acima de 80%.

Na categoria, entram crimes que começam com uma simples briga, motivada por conflitos entre vizinhos, desavenças, ciúmes e desentendimentos no trânsito. Em 2014, os casos de linchamento por suspeita de crime aconteceram em diferentes estados brasileiros. E, nas redes sociais, as declarações de ódio crescem e se espalham continuamente.

Mas o que leva um povo internacionalmente reconhecido como cordial e pacífico a agir motivado pela raiva? A resposta talvez esteja na própria questão. Afinal, a definição de cordialidade nada mais é do que agir com o coração. E ter as emoções à flor da pele também significa se deixar levar do amor ao ódio, em poucos segundos –basta lembrar dos crimes passionais.

E, ainda que esses dados sejam recentes, a história do país mostra que não fomos sempre um povo 100% pacífico. "O Brasil tenta jogar para debaixo do tapete a sua brutalidade. Mas é importante lembrar da nossa história violenta contra os índios e negros, do tempo do cangaço e das nossas guerras civis, que preferimos chamar de outro nome, como revolta ou insurreição", afirma o doutor em filosofia Gerson Leite de Moraes, professor de Ética da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Ao ignorar a própria natureza agressiva, mascaramos a contribuição individual para o caos. Quem se vê como alguém pacífico, cercado de pessoas violentas, conclui que o problema está no outro e não em si.

"Incluir-se no mundo é fundamental para criar consciência. O trânsito é, de longe, o palco por onde desfila nossa boçalidade e violência. Mas a culpa é sempre do outro: do caminhão, do ônibus, das motos, dos pedestres, dos ciclistas, dos bêbados. Ninguém diz: o trânsito é ruim porque tem gente como eu circulando nas ruas", afirma o historiador Leandro Karnal, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

Assim, a violência é sempre definida pelo sujeito. Aquele que é agredido vai abrandar a própria reação, não menos violenta, como uma resposta justa de alguém que precisa se defender. É essa a perspectiva dos que argumentam que "bandido bom é bandido morto" e que preferem fazer justiça com as próprias mãos. Os envolvidos em linchamentos, por exemplo.

"Se nós trabalhássemos com uma ética mais geral, entenderíamos que, se é errado matar alguém, isso vale para o bandido e para o Estado. Sob essa perspectiva, o homicídio na rua é tão ilegal quanto dentro da prisão", diz o historiador.

O valor atribuído à força

Pesa também o fato de que o ódio, no Brasil, é visto como uma característica que confere força e capacidade de ação, um ensinamento passado de geração em geração. Na nossa cultura, alguém que se revolta é frequentemente julgado como uma pessoa de atitude, diferente daqueles que agem com tolerância e que se abrem para o diálogo. Esses últimos podem até ser vistos como fracos, apesar de colocarem a razão acima da emoção.

Para o historiador Leandro Karnal, o peso histórico da escravidão colocou o chicote como um argumento estrutural na consciência coletiva. "O que torna a violência sedutora é que ela funciona, enquanto a razão só tem êxito se os dois lados estiverem jogando de acordo com as mesmas regras", explica o especialista.

O descontentamento com o poder público, da mesma forma, aguça nas pessoas um ímpeto egoísta, uma tentativa de diminuir ou extinguir as violências que elas próprias poderão vir a sofrer futuramente. Aqueles que defendem a pena de morte, o porte de armas e a diminuição da maioridade penal, geralmente, compartilham esse sentimento.

"Onde não existe política e Estado, existe o despotismo e o egoísmo", explica a filósofa Adriana Mattar Maamari, professora da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos). "Nesse cenário, infelizmente, eclodem os piores movimentos, os mais insensatos e hostis aos próprios seres humanos, que opõem uns contra os outros. É a natureza humana tentando sobreviver em meio a tantas adversidades", diz.

Violência gera violência

Outro ponto de atenção é que quanto menos se coíbe a violência, mais ela cresce. Por isso, responder a um ato de agressividade sem hostilidade talvez seja o maior dos desafios contemporâneos. "Fica mais fácil fazer isso se compreendermos que somos falhos e capazes de praticar maldades, tanto quanto qualquer outra pessoa. O outro agiu mal, mas você também poderia ter agido. Todos nós somos sublimes e infames", afirma o filósofo Jorge Claudio Ribeiro, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Nos pequenos atos, a cultura da violência se perpetua. "O discurso agressivo e o bullying, por exemplo, desencadeiam violências maiores, assim como os comentários raivosos nas redes sociais", declara o professor de ética Gerson Leite de Moraes.

E como conter o próprio ódio em uma sociedade violenta, em que cada um reproduz o que aprendeu, ao longo dos anos? Para os especialistas, a educação ainda é a melhor saída. Tanto a adquirida nas escolas quanto a ensinada pelos pais, a aprendida em livros, debates e outras manifestações culturais.

"Na base da nossa violência está uma cegueira em relação ao outro. Por isso, defendo uma educação que dissemine a tolerância e indique que é bom que sejamos diferentes, do ponto de vista estético, sexual, social ou étnico. É preciso ensinar a solidariedade com o outro", diz Karnal.



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Resposta ao tempo


Sexta-feira agitada, tempo correndo furiosamente, e inspirado nele oferecemos aos nossos queridos leitores a linda canção "Resposta ao Tempo", composição de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, na voz sempre marcante de Nanna Caymmi. Deleitem-se:


Resposta ao Tempo

Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Pastor Everaldo diz que soltou pum na entrevista ao JN da Globo


A matéria é do Terra Magazine:

“Teve pum. Mas foi silencioso e sem cheiro”, diz Pastor Everaldo sobre entrevista no JN

RODRIGO RODRIGUES

Auto intitulado “candidato da família”, o Pastor Everaldo (PSC) não estava numa noite muito inspirada nesta terça-feira (26) durante debate entre os presidenciáveis na TV Bandeirantes, em São Paulo.

Nervoso, o candidato várias vezes se atrapalhou ao responder as perguntas dos oponentes e estava visivelmente desconfortável com o relógio que marcava o tempo de réplicas e tréplicas.

Na saída do estúdio da Band, Everaldo confirmou o nervosismo, mas se disse satisfeito com o desempenho no debate.

“O relógio de fato me atrapalhou um pouco, porque gosto de seguir as regras que foram acertadas previamente. Mas acho que conseguimos dizer o que a gente pensa sobre temas caros a comunidade evangélicas e às famílias brasileiras. Foi apenas o primeiro debate e acho que a medida que outros forem acontecendo, a gente vai ficando mais a vontade”, declarou o pastor.

Esbanjando bom humor e simpatia, o pastor foi indagado pela reportagem de Terra Magazine se ficou ofendido com um vídeo que circula na internet fazendo piada sobre a participação dele no Jornal Nacional.

Em montagem feita por internautas, Pastor Everaldo aparece soltando um pum durante entrevista na Rede Globo, no último dia 19 de agosto.

O candidato afirma que as brincadeiras fazem parte do jogo político e fez uma confissão:

“Claro que não. A gente entra na campanha e acaba virando alvo das brincadeiras mesmo. Faz parte do jogo. Mas vou te confessar um segredo: teve pum. Mas foi silencioso e sem cheiro”, brincou o pastor, que estava acompanhado da esposa e de partidários do PSC.


A brincadeira contra o Pastor Everaldo é inspirada numa outra montagem feita em 2008, chamada de Hillary Clinton Farts (Pum de Hillary Clinton).

O vídeo já foi visualizado por mais de 6,7 milhões de pessoas e a então candidata das prévias do Partido Republicano solta um pum de mentira durante o debate com os colegas de sigla que disputavam as prévias para concorrer à Presidência da República.

Não se sabe se por causa do pum ou não, mas Obama saiu o vencedor daquela eleição e governa os Estados Unidos até hoje.




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Jornal italiano diz que papa está na mira do Estado Islâmico

A matéria é do IHU:

Francisco na mira dos jihadistas do Estado Islâmico

O Papa Francisco “está na mira do grupo jihadista Estado Islâmico”, responsável pela decapitação do jornalista estadunidense James Foley, por ser “portador da falsa verdade”, segundo publica nesta segunda-feira o jornal italiano Il Tempo.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Ditial, 25-08-2014. A tradução é de André Langer.

No artigo, o jornal aponta que “fontes israelenses acreditam que o Papa Francisco está na mira do Estado Islâmico, ele que é o maior expoente da religião cristã, por ser portador da falsa verdade”.

A notícia cita também “fontes da inteligência italiana” para acentuar que a “Itália é um trampolim de lançamento para os mujadines (combatentes da guerra santa) e que “as contínuas chegadas de imigrantes servem de base para a entrada dos jihadistas no Ocidente”.

O jornal conservador adverte, além disso, para o fato de que o autoproclamado califa do Estado Islâmico, Abu Bakr Al Bahgdadi, “quer superar a Al Qaeda e as façanhas do ‘chefe do terror’ (Osama Bin Laden)”.

Por último, o jornal garante que o líder do Estado Islâmico, “segundo fontes israelenses, presume em seu entorno mais próximo contar com a presença de conversos ocidentais, mas também com jovens da segunda geração, filhos de imigrantes nascidos em países europeus, e que agora optaram por abraçar o fundamentalismo islâmico”.

O Papa Francisco fez diversos apelos pela paz no Oriente Médio em diversas ocasiões e precisamente no último domingo pediu orações para que acabe “a violência insensata” e para “um amanhecer de paz e reconciliação entre os homens”.

Fê-lo numa mensagem que foi lida durante a celebração de uma missa em honra a Foley, que aconteceu na igreja de Rochester, em New Hampshire, nos Estados Unidos.

“Não nos inquieta, é uma notícia descabida. Não temos que nos deixar levar por isso, não é nada confirmado oficialmente, são apenas rumores”, afirmou Guillermo Karcher em conversa com o C5N.

Consultado sobre se as ameaças provinham das declarações do Papa que pediu para terminar com os extremismos, disse: “Qualquer pessoa de senso comum diz isso, não se assustem, que não vai acontecer uma coisa que não é”.

Segundo publicou o jornal Il Tempo, Francisco estaria atualmente na mira dos terroristas do ISIS, hoje na boca de todos pela recente execução do jornalista norte-americano Foley, e que combate na Síria e no Iraque. A notícia, como era de se esperar, gerou alarma no Vaticano e na Europa, diante da possível chegada do grupo ao continente e de algum tipo de atentado contra o Pontífice.

Enquanto isso, o Vaticano mantém suas reservas sobre o assunto, embora caiba destacar que desde a eleição de Jorge Bergoglio como Papa no conclave de 13 de março de 2013, se estão reforçando as medidas de prevenção do terrorismo na Santa Sé.

Neste sentido a Guarda Pontifícia já recrutou numerosos especialistas em informática e inteligência, e conta também com a colaboração dos serviços secretos de vários países.

Antecedente: no dia 13 de maio de 1981, o terrorista turco de direita Ali Mehmed Agca, um muçulmano, deu dois tiros no Papa João Paulo II na Praça de São Pedro. O Papa foi levado de ambulância ao hospital policlínico Gemelli, aonde chegou quase sem vida, mas os médicos conseguiram salvá-lo.



terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ex-extremista diz que é tarde demais para deter o Estado Islâmico

Entrevista publicada na Folha de S. Paulo:

É tarde demais para tentar acabar com Estado Islâmico, diz ex-extremista

LEANDRO COLON

Coordenador de um centro de pesquisa acadêmica sobre conflitos na Síria e no Iraque, o britânico Shiraz Maher, 33, é categórico em entrevista à Folha: é "tarde demais" para o Ocidente tentar acabar com o Estado Islâmico (EI).

A facção radical vem tomando territórios no Iraque e na Síria e, na semana passada, divulgou vídeo com a decapitação do jornalista americano James Foley.

Maher afirma que o EI é "mais extremista e mais inteligente" do que a Al-Qaeda

Crescido na Arábia Saudita e de origem paquistanesa, o pesquisador é membro do Centro Internacional de Estudos de Radicalização do King's College, em Londres.

Ele ganhou fama no Reino Unido por ter sido extremista no passado e, recentemente, por manter contato com alguns dos "mais de 500" jovens britânicos que afirma terem sido recrutados para a jihad (luta sagrada).

Folha - Qual sua avaliação da ação do EI na Síria e Iraque?

Shiraz Maher - Não é a primeira vez que uma organização toma um território. Vimos isso no Afeganistão, no Paquistão, na Somália. Mas, em todos esses casos, o Ocidente interferiu, e os grupos perderam terreno.

Mas não há, agora, apetite do Ocidente para fazer algo na Síria ou no Iraque. Além disso, as forças iraquianas e sírias são incapazes. O EI está muito fortalecido e é muito difícil fazê-los recuar.

Há forma de contê-los em curto prazo?

Qualquer ação vai levar anos. Acredito que vamos ficar ouvindo falar do EI por pelo menos mais cinco anos, dez anos. É um grupo com bilhões de dólares e combatentes de todo o mundo.

O EI foi estimulado pela guerra da Síria (onde luta contra o regime de Bashar al-Assad). Começou a tomar territórios e foi inteligente, tomando grandes áreas de campos de gás e petróleo.

Depois, entrou no Iraque rapidamente e com sucesso. Foi muito esperto em recrutar combatentes estrangeiros. Traz muita gente da Tchetchênia e da Bósnia. O capital humano de mais valor na área militar é o combatente com experiência.

Eles são mais extremistas que a Al Qaeda?

Mais extremistas e mais inteligentes. A principal diferença é que a Al Qaeda é uma organização terrorista, enquanto o EI era uma organização insurgente que agora se declara um Estado, que oferece serviços sociais, uma alternativa de sociedade. Não há só combatentes. Querem operar como um novo país.

A esta altura, o que deveria ser feito pelas potências?

Não combatê-los significa que o EI vai continuar crescendo e mexendo no mapa do Oriente Médio. O Ocidente pode tentar ir adiante para tentar tirá-los, acabar com eles, mas é muito tarde agora. É preciso encontrar uma forma de conter a expansão, mantê-los onde estão agora.

Como avalia a divulgação do vídeo da decapitação do jornalista James Foley?

Foi feito para chamar a atenção do mundo, e eles conseguiram. É essencialmente uma chantagem contra o presidente americano, Barack Obama. É algo poderoso porque eles têm outros reféns cuja vida dizem depender de Obama. Fez com que todo mundo do Ocidente parasse e prestasse atenção.

O sr. acha que o extremista que aparece no vídeo ao lado do jornalista é de origem britânica?

O sotaque aponta que é ou pelo menos viveu muito tempo aqui. Mas é possível que seja porque os britânicos estão sendo recrutados, já foram pelo menos 500. E acho que ele foi colocado no vídeo também para que a mensagem fosse em um inglês capaz de o Ocidente entender.

Mídias sociais contribuem para esse recrutamento, não?

Com certeza. A mídia social humaniza os combatentes. Antes você lia sobre Iêmen, mas não sabia muito, era um mistério. Agora, esse jovem pode mandar mensagem de Manchester e pensar: ele é como eu. Isso é muito poderoso.

Como evitar o recrutamento?

É muito difícil porque não é ilegal pegar um avião para a Turquia. É muito difícil rastrear, move-se muito fácil com passaporte europeu. Os britânicos são parte de uma estratégia de ambição global do EI. Os europeus são importante porque têm passaporte, podem se mover facilmente.

O sr. tem contatos com eles?

Sim, eles conversam por alguns meses e somem. Vinha conversando com um no ano passado; desde fevereiro, parou de falar comigo. Ele estudou na Queen's University. Foi convencido a ir para a luta. Não era extremista, dizia que era terrível sequestrar, e lá se transformou em radical.

O sr. já foi um extremista?

Em 2001, eu era extremista, não terrorista, de um grupo chamado Hizb ut-Tahrir, em defesa de um Estado islâmico. Era um movimento global e político. Fiquei até 2005, e deixei porque vi que era perda de tempo. No extremismo, é preto ou branco, não tem cinza. Mas o mundo tem muitas coisas cinzas.



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Mark Driscoll vai pro paredão

Mark Driscoll é um pastor evangélico norteamericano de 43 anos de idade, que até ontem respondia pela liderança da Mars Hill Church de Seattle, no Estado de Washington, mega-igreja da qual foi um dos fundadores em 1996.

Nascido em 11 de outubro de 1970, Driscoll foi criado numa família católica até que, aos 19 anos de idade, se converteu ao evangelicalismo e se graduou em Teologia no Western Seminary de Portland, Oregon.

Logo após a fundação da Mars Hill Church, Driscoll teve muito êxito ao fazer uma espécie de mistura do movimento da igreja emergente com pitadas de neocalvinismo, ajudando a organizar redes de plantação de igrejas como a Atos 29 e The Resurgence ("A Ressurgência"), que reuniam pregadores jovens dos Estados Unidos na propagação do evangelho para uma sociedade pós-moderna.

O figurino era (e continua sendo) mais ou menos o seguinte, com pequenas variações: uma igreja "cool" com nome descolado e gente antenada, um pastor jovem que prega mensagens moderninhas com um viés neocalvinista para uma plateia de jovens bem sucedidos, que querem tirar um tempinho de suas semanas agitadas para obter conforto para suas perturbadas almas (ou consciências, vai saber).

No início, até que foi tudo bem, conferências lotadas, zilhões de livros vendidos, mas parece que Driscoll começou a exagerar na mão, ou no gogó, se é que me entende.

A partir de 2011, o consagrado pastor de Seattle começou a fazer algumas declarações, digamos, estranhas, que inclusive já repercutimos aqui no blog nos seguintes artigos, cujos títulos - por si só - dão uma pequena ideia da verborragia driscolliana:



O evangelho macho de Driscoll e Piper (sim, até o John Piper entrou na dança)



Seatlle, terra do grunge, Pearl Jam, Alice in Chains, Nirvana, Kurt Cobain e.... Mark Driscoll, é claro!

A coisa degringolou de vez este ano, entretanto. Acusações de plágio em seus livros, questionamentos sobre uso de fundos da igreja e o tratamento rude e grosseiro (chulo, até) que ele dispensava aos líderes de sua igreja começaram a pipocar aqui e ali, de maneira que desenterraram denúncias de 10 anos atrás, que já davam conta de que havia algo podre no reino da Driscollândia.

Só que muito pouca gente sabia até então...

Alguns dias atrás, a rede Atos 29 excluiu Mark Driscoll dos seus quadros, e ele teve que cancelar a realização da próxima conferência da The Resurgence, sobre a qual tem mais controle.

São tantas as denúncias, e tão complexas, que não vamos nos deter muito em listá-las aqui, por uma questão de tempo e espaço para fazê-lo, mas aqueles que quiserem se aprofundar no tema e têm fluência no inglês, poderão acessar a página The Mark Driscoll Controversy e ler o artigo publicado no (nada mais, nada menos) The New York Times na última sexta-feira, 22 de agosto de 2014.

Parece que ver seu nome pululando (negativamente) nas páginas do NYT foi demais para o ego de Driscoll.

Ainda que timidamente, ontem, 24 de agosto de 2014, ele anunciou que está tirando uma licença de 6 semanas da Mars Hill Church para que a liderança da igreja investigue essas denúncias e avalie se Driscoll deve permanecer por lá ou não, segundo publica o The Huffington Post.

Ele deveria retornar de suas férias ontem, mas enviou uma mensagem pré-gravada para ser exibida à congregação e, bem ao seu estilo, se "desculpou" jogando a culpa nos outros, dizendo:
Eu quero dizer à minha família passada e presente da Mars Hill que eu sinto muito. Eu genuinamente sinto (...) Sinto pelas vezes que eu tenho estado nervoso, rasteiro ou insensível. Desculpem-me por qualquer coisa que eu tenha feito para nos desviar de nossa missão mediante a abertura à crítica, controvérsia e atenção negativa da mídia (...) Comecei a me encontrar com uma equipe profissional de cristãos maduros que me proverão com sábios conselhos para me ajudar no meu desenvolvimento pessoal e na maturidade diante de Deus e dos homens.
Lembra de um certo "pastor" brasileiro que gosta de atacar os "críticos"?

Eles nunca têm culpa de nada, mas parece que o Driscoll acaba de fundar (mais) uma espécie de "rehab" cristã...




domingo, 24 de agosto de 2014

Atividade física aumenta longevidade de mulheres idosas

A matéria é do HypeScience:

O exercício é o melhor remédio, mostra estudo com mulheres idosas

Um estudo da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, mostrou que as mulheres se beneficiariam muito se exercícios fossem receitados como remédio. A pesquisa revelou que atividade de intensidade moderada a alta é essencial para reduzir o risco de morte em mulheres idosas.

Segundo Debra Anderson, do Instituto de Saúde, Biomédica e Inovação da Universidade, além de tratamentos convencionais para a saúde física e mental, os profissionais de saúde devem prescrever programas de exercícios adaptados a mulheres mais velhas.

Em coautoria com Charlotte Seib, Anderson publicou seu artigo na revista “Maturitas”, publicação internacional de saúde de meia-idade e além. “Pensávamos que 30 minutos de exercícios leves por dia eram o suficiente para melhorar a saúde, mas a pesquisa agora nos diz que as mulheres mais velhas deveriam estar fazendo pelo menos 30 a 45 minutos, cinco vezes por semana”, conta a cientista.

Também é importante que o exercício seja adaptado para garantir que tenha alta intensidade suficiente para obter os efeitos positivos. Os estudos da dupla mostraram que exercícios de alta intensidade depois de uma vida sedentária reduzem significativamente o risco de morte. “Os idosos que realizam atividade física regular também relatam significativamente menos deficiência, melhor função física e isso independe de sua massa corporal”, disse Anderson.

De acordo com o estudo, as mulheres mais ativas têm mais chances ​​de sobreviver do que aquelas menos fisicamente ativas. “Temos uma população em envelhecimento e, como resultado, a promoção do envelhecimento saudável tornou-se uma estratégia importante para reduzir a morbidade e a mortalidade”, explica. A pesquisa também apontou conexões entre o exercício e melhorias no bem-estar mental.

Anderson, que trabalha em estreita colaboração com mulheres mais velhas em programas especializados no bem-estar de idosos, disse que elas foram capazes de realizar uma série de atividades além de simplesmente caminhar, como correr, nadar, escalar e praticar equitação. Para ela, os profissionais da saúde deveriam desenvolver programas de exercícios para serem praticados em casa e que sejam “fáceis de incorporar como parte das atividades cotidianas”.



sábado, 23 de agosto de 2014

Papa falou com pais de jornalista americano decapitado no Iraque

A informação é do Zenit:

Papa Francisco telefona para os pais de James Foley

Padre Lombardi confirma a informação. A ligação para os pais do repórter brutalmente morto pelo ISIS ocorreu na quinta-feira à noite; o Papa ficou impressionado com a fé da mãe

Papa Francisco telefonou para os pais de James Foley, jornalista americano morto pelo ISIS, cujo vídeo de decapitação horrorizou o mundo. Padre Lombardi, porta-voz do Vaticano, confirmou a informação à Zenit, informando que o telefonema do Santo Padre teve lugar ontem a noite, depois do jantar.

O Papa assegurou à família sua proximidade e oração. O vice-diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Pe. Ciro Benedettini informou que o Santo Padre inicialmente conversou com a mãe de Foley, que é católica.

A mulher – explica Pe. Ciro - "impressionou" o Papa por sua "grande fé". Depois disso, o Papa também falou com o pai do jornalista assassinado e um membro da família de língua espanhola, com quem falou em espanhol.

Conforme relatado pelo padre jesuíta americano James Martin, o casal Foley, que vive em Richmond, New Hampshire, está "emocionado e agradecido" pelo interesse do Papa.

O mundo, entretanto, está chocado com o vídeo do assassinato brutal do jovem repórter americano cometido pelas mãos de um terrorista do Estado islâmico, como um sinal de vingança e advertência contra as recentes ações militares tomadas contra o Isis.

Os terroristas, no mesmo vídeo, confirmam que há outro refém: o jornalista Steven Sotloff. Eles ameaçam de matá-lo no próximo movimento do presidente Barack Obama.



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