quinta-feira, 17 de abril de 2014

Freira Cristina vence segunda etapa do The Voice italiano


Depois de causar comoção nacional e enorme repercussão internacional quando cantou pela primeira vez na edição italiana do The Voice, a freira Cristina Scuccia superou mais uma fase ontem à noite, quando venceu a concorrente Luna Palumbo no duelo em que as duas interpretaram "Girls Just Want To Have Fun" ("Garotas Só Querem Se Divertir") de Cindy Lauper.

A performance das duas competidoras foi equivalente, mas J-Ax, o mentor de ambas, terminou escolhendo a freira Cristina com a justificativa de que ela sabe se relacionar melhor com a plateia, ao mirá-la nos olhos.

Tire as suas próprias conclusões no vídeo abaixo:





quarta-feira, 16 de abril de 2014

Telexfree é pirâmide também nos EUA

O esquema Telexfree, que fez a alegria de muitos incautos prometendo enriquecimento fácil e rápido, foi proibido nos Estados Unidos diante da constatação (óbvia) de que se tratava do velho e conhecido golpe da "pirâmide financeira", que lá no Norte da América é chamado de "Ponzi scheme" ("esquema de Ponzi").

As autoridades de Massachussets se preocuparam, sobretudo, com a significativa comunidade brasileira que mora naquele Estado, e pediram o início de uma ação na Justiça americana visando não só coibir a prática como ressarcir - tanto quanto possível - aqueles que foram lesados pela Telexfree.

No relatório em que justificam a iniciativa, os promotores locais dizem que foram informados do golpe em trâmite naquelas paragens por um jornalista brasileiro.

Como a Justiça americana não está lá para brincadeiras, parece que a Telexfree já correu para pedir concordata, o que vai prejudicar ainda mais quem acreditou no conto do bilhete premiado.

O que mais nos impressiona nisso tudo, tanto lá como cá, é a enorme quantidade de "evangélicos" que aderem a esses "milagres financeiros" sem se preocuparem com sua legalidade ou com as consequências de seus atos, não só ligados à Telexfree como a outros esquemas que pululam por aí, mas atraem os "crentes" doidos por "prosperidade" como formigas atrás de um torrão de açúcar.

Mais impressionante ainda é que tem deputado que também se diz "evangélico" e defende com unhas e dentes essas práticas, havendo até quem queira legalizar o esquema de pirâmide no Brasil.

O esquema Telexfree já havia sido proibido no Brasil pela Justiça do Estado do Acre e, mesmo assim, chegou a patrocinar (pelo menos até ontem) a equipe carioca do Botafogo através de sua sede americana.

Recomendamos, ainda, a leitura do artigo "Há evangélicos que preferem as pirâmides" para uma análise mais detalhada do que são as malfadadas "pirâmides financeiras".

A matéria abaixo é do G1 Economia:

Telexfree é pirâmide e arrecadou US$ 1,2 bi no mundo, diz estado dos EUA

Massachusetts pede o fim das atividades e compensação aos investidores.
Empresa está bloqueada no Brasil e pediu concordata nos EUA.

Um relatório da Secretaria de Estado de Massachusetts, EUA, divulgado nesta terça-feira (15) afirma que a Telexfree é uma pirâmide financeira que arrecadou cerca de US$ 1,2 bilhão em todo o mundo. No documento, as autoridades pedem o fim das atividades da empresa, a devolução dos lucros e o ressarcimento das perdas causadas aos investidores, chamados de "divulgadores".

"Embora apresentado como uma mudança de paradigma em telecomunicações e publicidade, a Telexfree é meramente uma pirâmide velada e um esquema Ponzi (como também são conhecidas as pirâmides financeiras, em homenagem a Charles Ponzi, o homem que no início do século passado protagonizou uma das maiores fraudes financeiras da história) que tem como alvo a trabalhadora comunidade brasileiro-americana", diz a denúncia assinada pelo secretário William Galvin (Clique aqui para ler a íntegra do documento, em inglês).

No documento de quase 50 páginas, as autoridades de Massachusetts, onde fica a sede da Telexfree, afirmam que a empresa montou um esquema ilegal de venda fraudulenta de títulos e pedem a abertura de uma ação judicial para que sejam interrompidas as atividades da empresa e que os investidores sejam compensados por suas perdas.

Segundo o relatório da investigação, dos cerca de US$ 1,2 bilhão que o grupo faturou de janeiro de 2012 a fevereiro de 2013, apenas US$ 238 milhões vieram da venda de pacotesde telefonia VoIP (por meio da internet).

O documento destaca que a empresa prometia retorno de 200% a 250% aos "divulgadores", que compram e revendem pacote de contas e "recrutam" novos revendedores.

"Usando várias contas de bancos e entidades relacionadas, a Telexfree já arrecadou mais de US$ 90 milhões em Massachusetts e cerca de US$ 1 bilhão no mundo", afirma a secretaria Massachusetts.

A denúncia acontece um dia após a empresa anunciar que ingressou um pedido de concordata no Tribunal de Falências do Distrito de Nevada. Com a ação, as autoridades de Massachusetts tentam proteger alguns ativos para eventual ressarcimento das vítimas - um esforço que poderá ser frustrado caso o pedido de recuperação judicial seja aceito pelo Tribunal de Nevada. A corte ainda não apreciou as solicitações. As audiências estão previstas para os próximos dias.

Empresa sempre negou prática de pirâmide

Os representantes da Telexfree no Brasil não foram localizados pelo G1 para comentar o assunto. Desde segunda-feira (15), a reportagem deixou recados no escritório do advogado da empresa, Horst Fuchs, e enviou e-mails para a Telexfree no Brasil e nos Estados Unidos, mas não obteve retorno. Após a divulgação do resultado das investigações do governo de Massachusetts, o site internacional da empresa saiu do ar. Segundo um comunicado, a página está em manutenção.

A empresa sempre negou a prática de pirâmide ou qualquer irregularidade. Em comunicado divulgado na sua página internacional na segunda-feira (14), o presidente interino da Telexfree, Stuart A. MacMillan, defendeu a recuperação judicial da empresa. "Esperamos que o nosso negócio vai continuar a operar, e tudo faremos para apoiar os nossos associados de vendas e clientes com novos produtos e melhoria dos serviços, incluindo os serviços de VoIP que estão se expandindo para alcançar mais de 70 países", afirmou.

As atividades da empresa no país estão suspensas desde junho de 2013, por determinação da Justiça do Acre, por suspeita de prática de pirâmide financeira. Em fevereiro, a Telexfree teve negado pela segunda vez seu pedido de recuperação judicial no Brasil. Para a Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES), a empresa não poderia fazer o pedido por ter menos de dois anos de atividade.



terça-feira, 15 de abril de 2014

Malafaia censura canal de blogueira no youtube

Conforme já havíamos comentado aqui em julho de 2011, no artigo "Malafaia quer liberdade de expressão só para ele", o polêmico pastor carioca, através do estúdio que produz seus programas, mandou retirar do youtube um vídeo que o criticava, intitulado "Silas Malafaia, Mike Murdock e Morris Cerullo: como vender bênçãos divinas".

Já faz muito tempo que não comentamos sobre Silas Malafaia aqui no blog, e talvez seja isso que o esteja incomodando. Aos poucos ele percebe que perdeu a importância que imaginava ter e caminha a passos largos para a total irrelevância no mundo cristão, e isso deve incomodá-lo muito, além de - obviamente - prejudicar os negócios de suas empresas.

Ninguém mais se lembrava daquele vídeo, até porque poucos incautos ainda se deixam enganar por Mike Murdock e Morris Cerullo, afinal já deu tempo mais do que suficiente para perceber que todas as "bênçãos" que eles venderam (Bíblia a 900 paus, por exemplo) anos atrás eram engodo.

É que, graças a Deus, ainda tem crente que lê a Bíblia, e percebe que em Deuteronômio 18:22 está escrito: "Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás"

Aliás, a Bíblia do Malafaia foi vendida a 900 reais em 2009, e, se a profetada do Morris Cerullo tivesse dado certo, já haveria milhares de testemunhos sobre os seus poderes milagrosos, não é mesmo? Alguém ouviu um só?

O espírito de censura que baixou em terras malafaianas agora mostra apenas que o seu discurso de liberdade de expressão vale só para ele. O resto que cale a boca!

Bons tempos aqueles em que pastores não amaldiçoavam, mas abençoavam, nem tinham que recorrer a "agências" e "estúdios" para se defenderem, pois cristãos de verdade sabiam, como continuam sabendo, que seu único socorro é a Verdade de Cristo Jesus.

A informação é do exemplo bereano:

Inquisição gospel: Malafaia é contra liberdade de expressão.

Pelo menos quando a liberdade de expressão o denuncia. Minha amiga Vera (uma estrangeira no mundo) acabou de nos comunicar que foi censurada no Youtube por uma postagem onde apresentava e comentava cenas de um programa do Malafaia. O mesmo Silas que esbraveja na TV, criticando tudo não aceita criticas. Espero que a Vera consiga reverter a situação e volte com seu vídeo para que mais pessoas possam ver e refletir sobre quem é este senhor travestido de pastor e as barbaridades que ele prega como se fosse Palavra de Deus.

Qual o medo deste senhor? De ser contestado? Avaliando o que ele prega da para entender o medo da contestação pois seus argumentos são como castelos de areias que facilmente podem ser derrubados. Se fossem sólidos, moral e biblicamente falando, ele não precisa usar da censura para tentar calar quem discorda dele.

Abaixo o texto da Vera publicado no Facebook.


Pessoal, descobri hoje que o vídeo "Silas Malafaia, Mike Murdock e Morris Cerullo: como vender bênçãos divinas" (editado por mim com cenas dos programas desses (im)pastores, nas quais usam das mesmas técnicas de manipulação para levar os fiéis a doarem grandes quantias de dinheiro em troca de bênçãos financeiras e outras mais) foi REMOVIDO do Youtube. E ainda recebi uma ameaça do site, dizendo que se uma nova denúncia for feita eu perderei o canal "Estrangeira no Mundo".

Quem fez a "denúncia" foi a empresa Emotion Studius, que tem com um de seus clientes justamente o (IM)Pastor Silas Malafaia e sua ADVec (conforme http://www.emotiondigital.com.br/partners.php ). Devem estar se mobilizando para novas denúncias, já que há outros vídeos desmascarando o Malafaia em meu canal.

O vídeo deletado tinha 17.159 visitas. Espero, mesmo, que tenha sido bem compartilhado. De qq forma, vou ver se consigo postá-lo aqui no Face. Abaixo, a "notificação" após a remoção do vídeo. Os (IM)Pastores querem calar a todo custo quem denuncia suas HERESIAS, mas o Deus que servimos não dormita.

A Ele, toda a honra e toda a glória para sempre.

Prezado(a) Estrangeira no mundo:

Desativamos o seguinte material como resultado de uma notificação de terceiros de Emotion Studios Ltda alegando que este material é infrator: Silas Malafaia, Mike Murdock e Morris Cerullo: como vender bênçãos divinas


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Atenciosamente,

— Equipe do YouTube



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Compaixão à la Sheherazade


Esclareçamos logo de largada: Rachel Sheherazade e seus discípulos têm todo o direito a manifestar sua opinião, ainda que abjeta. Ponto.

Entretanto, quando ela se apresenta como “evangélica” e utiliza uma concessão pública para defender a violência, também deve estar preparada para ser contraditada. Faz parte do jogo democrático que, apesar de reconhecidamente falho, ainda não inventaram nada melhor.

Além disso, toda e qualquer questão polêmica tem vários ângulos pelos quais pode ser analisada. Portanto, quando a opinião se baseia em apenas um ponto de vista rasteiro, ela deve ser esmiuçada para que as pessoas que debatem (ou acompanham o debate) possam chegar à sua própria conclusão.

Quando Rachel Sheherazade lançou a campanha “adote um marginalzinho” em apoio ao quase linchamento de um rapaz negro e menor de idade, sua ironia barata apenas mostrava que o ovo da serpente estava chocando.

E seu veneno é tão tóxico que impede as pessoas de analisarem e dialogarem construtivamente sobre o caso.

Imediatamente se associa quem se opõe a esse raciocínio raso de Sheherazade a algum tipo de “amante do crime” ou “protetor de criminosos”, quando – na verdade – se trata de algo totalmente distinto, que a pressa em julgar e condenar não permite alcançar.

Quem prefere que as pessoas sejam investigadas, presas e condenadas segundo o rito previsto em lei não está apoiando o crime. Isto não significa que elas gostam de criminosos ou lhes queiram bem.

Tampouco se trata de divergências ideológicas entre direita e esquerda. O que se discute aqui é o respeito mínimo a regras de convivência em sociedade.

Significa apenas que os opositores do julgamento sumário (mais conhecido por “linchamento”) querem evitar o pior dos pesadelos na aplicação da justiça humana: a execução de um inocente.

Nesses casos, o comportamento de manada justiceira que se segue à indicação de alguém como responsável por um crime, como a própria expressão sugere, declina rapidamente para o instinto animal e impede que os passos lógicos da razão sejam seguidos para que se tenha certeza da culpabilidade do suposto criminoso, para somente então aplicar-lhe a punição cabível.

Essas regras básicas da vida em sociedade, entregando o suspeito às autoridades constituídas para que ele seja investigado e julgado segundo os ditames legais, nos permitem ter a consciência tranquila de que não vamos condenar um inocente à morte.

Se – mesmo assim – não estamos imunes aos erros judiciários, imagine o risco que corremos ao tomar a espada da Justiça em nossas mãos e decepar cabeças em “julgamentos” instantâneos.

Alegar que as autoridades constituídas para tanto não cumprem o seu papel (o que é absoluta realidade no Brasil em todos os níveis e esferas de responsabilidade), não basta para que combatamos a barbárie com a barbárie, o crime com o crime e o desrespeito com o desrespeito.

O fato de não vivermos num mundo ideal não nos isenta de buscar o equilíbrio e a racionalidade possíveis na sociedade e realidade ingratas que compartilhamos.

Um erro não justifica o outro!

A indignação contra a desídia, lentidão e impunidade patrocinadas pelas autoridades não pode servir de desculpa para que tomemos a justiça em nossas próprias mãos. Se eles erram por ação e – sobretudo – por omissão, nós corremos o risco de errar muito mais com “soluções” equivocadas e irreversíveis.

O linchamento de Alailton Ferreira às margens da BR 101 em Serra (ES), um jovem negro de 17 anos de idade e – supostamente - doente mental, revela o quanto a nossa sociedade pode ficar enferma quando um formador de opinião como Sheherazade, ainda que por via transversa e se valendo de uma concessão pública como é a televisão, defende a atitude execrável de fazer justiça com as próprias mãos.

Obviamente, a culpa que eventualmente se possa atribuir a Sheherazade deve ser diluída no caldeirão de descaso e indiferença para com os anseios de segurança da população, que as autoridades constituídas vêm cultivando ao longo de décadas, mas não há como eximi-la de responsabilidade, nem aqueles que repercutem seus delírios nas redes sociais.

Pior ainda é que muitos deles se dizem cristãos. Esquecem-se convenientemente de que foi o cristianismo que introduziu os conceitos de compaixão, perdão e reabilitação (conversão) na história do Direito e da Justiça.

Antes da influência cristã vigorava, nesses casos, a justiça retributiva dos gregos e a lei hebraica do talião: dente por dente, olho por olho. Ainda assim, pelo menos um simulacro de julgamento era necessário. Mesmo que fosse para soltar Barrabás.

Em 2014, no Brasil, nem isso mais é possível. Basta uma acusação qualquer que, em questão de segundos, o suposto meliante é executado pela massa ignara. Com direito a replay.

E pessoas que se dizem cristãs - e compartilham emotiva e hipocritamente lindos trechos bíblicos em suas redes sociais – disputam no tapa o delirante privilégio de atirar a primeira pedra.



domingo, 13 de abril de 2014

Todo ser humano nasce prematuro

A pretexto de falar sobre cólicas em bebês, o Dr. Moises Chencinski (pediatra e homeopata) escreve um interessante artigo para o Guia do Bebê que vai mais além, conforme você pode conferir abaixo:

Cólicas em Bebês - parte 2

Para compreender as cólicas nos bebês é preciso primeiro entender que todo ser humano nasce prematuro e por isso precisa de cuidados especiais

Nesse “capítulo” e no próximo, quero levar vocês comigo em uma viagem muito diferente, mas muito legal (pelo menos, em minha opinião) e gostaria que vocês pudessem, por algumas linhas, ter a mente aberta para novas informações e sensações.

Depois disso, poderemos ter novas “ferramentas” e novos caminhos a trilhar para compreender não só as cólicas, mas o choro e o desenvolvimento dos nossos bebês e não teremos mais medos, preocupações ou noites sem sono e sim uma fase linda da vida da família, da qual teremos saudades.

Vamos lá?

Todo ser humano nasce prematuro

Muitos estudos e muita observação mostra que independente de nosso tempo de gestação (9 meses – quase 270 dias), se de termo ou não, todas as crianças da “raça humana” nascem antes do tempo, quer seja avaliada a questão clínica, física, social ou psicológica.

Após uma gestação inteira de preparação, a criança quando nasce não sabe se alimentar sozinha, não enxerga adequadamente, escuta mal, não fala, não anda, não senta, não sustenta nem a cabeça, não se relaciona com os seus semelhantes e leva muito tempo para atingir um patamar próximo ao do recém-nascido de qualquer outra raça do reino animal. Isso significa que, se esse bebê fosse deixado para se virar por conta própria e não tivesse a sorte de ser um Tarzan (o rei da selva -1918) ou um Mowgli (o menino lobo), ele certamente não sobreviveria.

Isso mostra sua necessidade e até dependência dos adultos da sua família para seus cuidados, alguns dos quais só pode ser suprido pela mãe.

Mas, se por um lado, ser prematuro significa que o bebê não está pronto ao nascer, como grande parte dos animais que dependem de habilidades para sobreviver desde muito cedo, por outro lado, ele está aberto para se desenvolver de forma única, podendo ser mais flexível em suas adaptações e tem constante necessidade e capacidade de inovar e aprender. E esse meio ambiente influencia diretamente o desenvolvimento da criança.

Com poucas horas de vida, boa parte dos animais está preparada para andar, correr, buscar seu alimento, se esconder e se defender. Um “bebê da raça humana” pode levar anos para se desenvolver a esse nível. Essa é uma das razões pelas quais a infância é tão longa até chegarmos à adolescência.

Somos inteligentes e racionais

Ou quase isso.

Vamos a uma sessão você sabia?

- Você sabia que um bebê nasce com um cérebro de 25% do tamanho do cérebro do ser humano adulto?

Ao nascer, nosso cérebro pesa cerca de 350 gramas (no adulto chega a 1.400 gramas) e tem um volume 4 vezes menor do que o do adulto. Após um mês, ele pesa 420 gramas, ao final de um ano 700 gramas (metade do tamanho do adulto).

Passamos apenas 2% de nosso tempo de vida na infância, mas 80% de nosso cérebro cresce até os 2 anos de idade e 90% aos 3 anos.

Essa lentidão do desenvolvimento do cérebro e do nosso desenvolvimento (comparada ao de outros animais) pode ser vista como uma vantagem porque possibilita a influência do meio em que ele vive em seu desenvolvimento ao longo da vida, permitindo uma maior capacidade de aprendizagem e uma adaptação ao meio. Mas, isso também mostra uma maior necessidade da presença de outros seres humanos, de preferência da família e, sempre que possível dos pais, nesse processo.

- Você sabia que um macaco nasce com 50% do tamanho do cérebro do macaco adulto?

Isso mostra que um macaco recém-nascido (após 237 dias de gestação se for um chimpanzé) já nasce com condições de um desenvolvimento e uma adaptação muito mais rápida que a do bebê humano, até porque precisa disso para sobreviver em seu meio ambiente natural.

Estudos de 1944, por Adolf Portmann (zoólogo - 1897-1982) já mostravam que para um bebê humano recém-nascido atingir a fase do desenvolvimento de um macaco recém-nascido, a gestação teria que ter 21 meses. Será que alguma mãe estaria disposta a esperar assim?

Outro autor (Bostok) dizia que para que um recém-nascido pudesse “pensar em se cuidar sozinho”, tentando escapar de perigos por conta própria, ele precisaria pelo menos engatinhar (ficar “quadrúpede”) e isso acontece por volta de 266 dias após seu nascimento (9 meses), ou seja, o mesmo tempo de uma gestação dentro do útero.

Assim os macacos, assim como outros “animais irracionais” nascem prematuros, mas permanecem imaturos por menos tempos do que os bebês de “animais racionais” (nós).

- Você sabia que é o tamanho da cabeça do bebê e da pelve estreita da mãe que determina a hora de nascer?

No último trimestre de gestação, o cérebro do bebê cresce demais. Se os bebês não nascessem após 266 dias de gestação, e ficassem mais tempo dentro do útero, e se seus cérebros continuassem a crescer na mesma velocidade, a cabeça não passaria pelo canal vaginal e colocaria em risco a sua vida e a de sua mãe. Dessa forma, mesmo sem estar “completamente pronto”, o bebê precisa nascer e nasce por conta própria, ao seu próprio tempo.

Isso mostra a necessidade do cuidado do nascimento ao tempo certo, sem nada nem ninguém para apressá-lo. Ele já está nascendo antes do que deveria para estar pronto. Tirar um bebê do útero sem respeitar seu próprio tempo de desenvolvimento (cérebro, sistema digestório, circulatório, respiratório) pode acarretar grandes riscos para sua sobrevivência após o corte do cordão umbilical.

Já consegui convencer vocês que nosso bebê nasce antes do que devia (prematuro), que precisaria de pelo menos mais 9 meses de gestação para nascer “mais pronto”, que demora a se desenvolver e precisa da presença mais constante de seus pais e familiares para que esse processo ocorra da forma mais satisfatória e completa possível?

Vamos devagar, tá? Sem pressa. Vou dar um tempo para se digerir melhor essas informações e voltamos na semana que vem, pode ser? Aguardo vocês aqui de novo.



sábado, 12 de abril de 2014

Bíblia: a nossa estrada comum


Artigo publicado no IHU:

Bíblia e literatura: o Nazareno beat. 
Artigo de Gianfranco Ravasi


Apesar de toda rejeição ou desmemoriamento, a Bíblia é – nas palavras do título do célebre ensaio de Northrop Frye – "o grande código" da nossa cultura; o Evangelho é a fonte da nossa civilização, como asseverava Kant; e o cristianismo, a "língua materna" da Europa, para usar uma definição bem conhecida de Goethe. 


A opinião é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado no jornal Il Sole 24 Ore, 30-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto. 

Eis o texto.


Nietzsche estava convencido de que Jesus tinha morrido jovem demais: "De fato, ele mesmo teria renegado a própria doutrina se tivesse chegado à minha idade" (em Assim falou Zaratustra). O autor do Anticristo, então, estava persuadido de que o apóstolo Paulo era um deletério "desangelista", isto é, anunciador de uma "má nova", ao contrário dos evangelistas, e propunha no Ecce Homo a substituição de Dionísio no lugar de Cristo sobre os altares da civilização ocidental, elevando assim Atenas e Roma à ribalta, e afundando Jerusalém nos abismos, ao contrário do que sonhava João no Apocalipse. No entanto, o mesmo filósofo foi forçado a reconhecer em Aurora que, para nós, ocidentais, entre a experiência da leitura dos Salmos e a de Píndaro ou de Petrarca, há a mesma diferença existente entre a pátria e a terra estrangeira.

Não há dúvida: apesar de toda rejeição ou desmemoriamento, a Bíblia é – nas palavras do título do célebre ensaio de Northrop Frye – "o grande código" da nossa cultura; o Evangelho é a fonte da nossa civilização, como asseverava Kant; e o cristianismo, a "língua materna" da Europa, para usar uma definição bem conhecida de Goethe.

Eis, então, há muito tempo, a multiplicação de textos que aprofundam a chamada Wirkungsgeschichte, ou seja, a "história dos efeitos" que as Sagradas Escrituras e, mais em geral, o patrimônio cultural cristão induziram no nosso pensar, dizer e agir. O último livro que prossegue – obviamente, por sondagens e por símbolos – nessa busca vê como autora uma teóloga que também é filóloga clássica e anglicista, a alemã Karin Schöpflin, professora em Göttingen.

As suas páginas se entrelaçam ao longo da trama diacrônica da Bíblia, partindo, portanto, do incipit genesíaco, avançando de etapa em etapa através dos livros históricos, sapienciais e proféticos do Antigo Testamento, para chegar aos Evangelhos, à Igreja das origens dominada pela figura de Paulo e à tela grande final pintada pelo Apocalipse joanino.

Em cada uma dessas etapas, a autora demarca o seu discurso sobre dois registros: um é puramente exegético ("biblicamente"), o outro, ao invés, é dedicado à exemplificação da recepção literária das narrativas, dos personagens, dos símbolos, dos temas bíblicos ("literariamente"). Tem-se, assim, a intersecção de dois textos que, por si sós, também poderiam ser usados autonomamente, a fim de obter, no fim, uma introdução à Bíblia, de um lado, e uma vasta antologia literária, de outro.

A multidão de autores envolvidos – respondem ao apelo todos os maiores, de Alighieri a Tolstoi, apenas para evocar os extremos alfabéticos mais significativos – revela uma surpreendente sintonia com as Sagradas Escrituras, às vezes de formas inesperadas, outras vezes de modo provocativo. Assim, por exemplo, pode surpreender que – diante da infindável tradição literária que se agarrou àquela obra-prima que é o livro de Jó, até empurrá-lo ao longo de territórios estranho (pensemos em Resposta a Jó, de Jung) – Schöpflin tenha escolhido, além do drama Jedermann (Cada um) de von Hofmannsthal, a última novela do Decamerão, a de Gualtieri, Marquês de Saluzzo, e da pobre Griselda.

No interminável "paratexto" que flui a partir do "texto" evangélico e do seu protagonista, Jesus Cristo, emerge uma trilogia que vê dois sujeitos imponentes como o Messias, de Klopstock, e a Ressurreição, de Tolstoi, mas surpreendentemente também a "fábula de inverno" Deutschland, de Heine, com um Cristo "fracassado", mas transformador do mundo.

E, se quisermos voltar ao Bere'shit, o "No princípio" do Gênesis, eis que vêm ao nosso encontro necessariamente o Paraíso Perdido, de Milton, mas também o insuspeito Frankenstein, de Shelley (aquele horror, de fato, é sutilmente teológico, por ser prometeico e, portanto, obra de uma decriação antidivina), o menos conhecido Gellert, um poeta do século XVIII, e o "metafísico" do século XVII Marvell com o seu The Garden, centrado na desconcertante interpretação do paraíso como solidão absoluta, rompida pela presença do outro (Eva), verdadeiro pecado original.

Detemo-nos, sem continuar em uma leitura de extraordinária atração e de muitas iridescências. Fazemo-lo para abrir espaço não para uma resenha, mas apenas para uma sinalização de outro livro ainda mais fascinante que engloba, mas também transborda, o gênero agora proposto. Antonio Spadaro é o jesuíta nascido em 1966 que se tornou conhecido em todo o mundo pela entrevista com o Papa Francisco que publicada na Civiltà Cattolica, por ele dirigida.

Na verdade, ele é também um finíssimo intérprete da cultura norte-americana contemporânea e manifesta isso agora descrevendo a sua paisagem literária, porque se trata de uma verdadeira paisagem existencial e espiritual que se cruza com a histórico-geográfica. Esse afresco da América na sua pele e nas suas veias (como diz o título) se transforma em uma cavalgada ao longo de milhares de páginas poéticas e narrativas que são evocadas por Spadaro com a agudeza das suas análises, mas também com a entrada direta das vozes dos protagonistas através do encaixe das citações.

Vai-se do profeta e pioneiro Whitman e da inesquecível Dickinson, da "comédia humana" da antologia de Lee Masters ou ainda do "anel metafísico do mundo selvagem" de London, até a "inteligência lírica" de Ferlinghetti, à "épica das coisas e das imagens" e às suas epifanias de um Williams ou de Bishop. Mas se vai além, até personagens que sempre emocionam como Carver, Sylvia Plath, a O'Connor de Wise Blood e aquele "estranho solitário louco místico católico", como Kerouac se autodefine.

É justamente o retrato desse ícone da beat generation que nos surpreende pela sua insone espiritualidade, confiada a cartas, orações, poesias, invocações dirigidas a Deus, a Jesus, até mesmo a São Paulo: "Deus, devo ver o teu rosto esta manhã, o Teu Rosto através dos vidros empoeirados da janela, entre o vapor e o furor; devo ouvir a tua voz acima do clamor da metrópole...".

E, assim, Na estrada se torna uma peregrinação, e beat é a primeira "batida" evangélica de bem-aventurança: "Uma tarde, eu fui para a igreja da minha infância em Lowell, Massachusetts, e, de repente, com lágrimas nos olhos, quando ouvi o sagrado silêncio da igreja, tive a visão do que eu realmente quis dizer com a palavra Beat, a visão que a palavra Beat significava bem-aventurado...".



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reedição de "Mein Kampf" de Hitler assusta alemães


"Mein Kampf" ("Minha Luta" em alemão) é o livro maldito escrito por Adolf Hitler entre 1924 e 1925, em que ele delineia os princípios básicos do nazismo, alguns anos antes de chegar ao poder (em janeiro de 1933) e levar o mundo a outra guerra generalizada que ceifou cerca de 50 milhões de vidas entre 1939 e 1945.

O livro continua proibido na Alemanha, mas só até 1915, quando passa a ser de domínio público, o que provoca desde já reações dentro do país para que a obra de Hitler siga proibida por lá.

AS matérias abaixo foram publicadas no Estadão de 30/03/14, nos links indicados:


MARIA LUIZA TUCCI CARNEIRO

A recente notícia de que Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler, poderá ser reeditada em uma versão comentada pelo Instituto de História Contemporânea de Munique (Alemanha) tem gerado polêmica nos meios midiáticos. Ao mesmo tempo, tem criado apreensão entre aqueles que defendem a liberdade de expressão e lutam contra a proliferação do racismo no mundo contemporâneo. É natural e compreensível que tal anúncio repercuta negativamente nas comunidades judaicas, que durante o Holocausto foram as principais vítimas do programa de extermínio nazista e, ainda hoje, são foco da intolerância em vários países da Europa e Américas.

O fato de os direitos autorais de Mein Kampf - publicado em 18 de julho de 1925 - expirarem em 2015 não quer dizer que as ideias racistas ali editadas tenham seu tempo de validade vencido. O vírus da intolerância, endossado por Hitler e colaboradores enquanto programa genocida de Estado, não encontrou ainda - apesar de todas as resoluções e comissões de direitos humanos criadas pós-Auschwitz - um antídoto capaz de extirpar o veneno do antissemitismo, que continua vivo na epiderme da sociedade globalizada. Ainda que os direitos autorais dessa "bíblia nazista" estejam protegidos pelo Ministério das Finanças da Baviera desde 1948, a internet não encontrou barreiras legais para multiplicar e vender (a preço de doação) a obra.

Assim, cai por terra a justificativa do Instituto de História Contemporânea de Munique de que uma nova edição comentada, conforme propõe, "evitaria a publicação de outras edições financiadas pela extrema direita". Pura ingenuidade. Na minha opinião, obras como Mein Kampf e a obra apócrifa Os Protocolos dos Sábios de Sião continuam a incitar ao ódio aos judeus, além de pregar a intolerância sem limites. Sobrevivem de forma camuflada, servindo para alimentar mitos políticos, sendo inseridas na categoria "propaganda e psicologia política", conforme a Amazon.com, ou como obras de "ajuda mútua", vendidas em sebos e tiendas de feiras de antiguidades e livros usados. Argumentar que a proibição da reedição de Mein Kampf infringe os direitos de liberdade de expressão ou que atenta contra a liberdade científica não tem sustentação, pois antes de mais nada devemos nos prevenir contra a reedição do ódio e a incitação às práticas genocidas. Para esses casos, excepcionalmente, a palavra "liberdade" impõe limites, pois abre oportunidades para o renascimento da "besta nazista". Alguma razão maior deve existir para que a reprodução e venda de Mein Kampf estivessem proibidas na Alemanha, que ainda hoje tenta lidar com a própria história e o número de 6 milhões de judeus exterminados durante o Holocausto.

O livro Mein Kampf , escrito em dois volumes entre 1924-1925, é certamente uma obra fundamental para compreendermos o processo de construção dos ideais do nacional-socialismo. No entanto, ainda que contextualizado cientificamente, reeditará a visão da pureza racial ariana e o ódio aos judeus que têm suas raízes nas pseudoteorias do século 19. Mein Kampf é um documento histórico e, como tal, deve estar preservado nas sessões de obras raras dos arquivos e bibliotecas de qualquer país consciente do recrudescimento do antissemitismo no mundo atual. Não deve ser leiloado como "peça de antiquário" nem vendido como "exemplar raro" pelos sebos que, a cada dia, conquistam clientes racistas camuflados de colecionadores favorecidos pelo anonimato do mundo digital.

A reedição comentada de Mein Kampf, por mais bem-intencionada que seja, sempre abrirá espaço para interpretações dúbias por parte daqueles que não estão interessados em diferenciar uma obra comentada do conteúdo racista da obra original. Ela abre uma fratura que favorece atos racistas da extrema direita e servirá de munição para os neonazistas, que, assim como seus antecessores nazistas, pouco se importam com esclarecimentos científicos. Uma nova edição de Mein Kampf não vai minimizar o antissemitismo latente, cada vez mais, no mundo globalizado de hoje.

Impossível concordar com a reedição de Mein Kampf, que, do ponto de vista da legislação brasileira, será interpretado como uma publicação que incita ao ódio aos judeus, sendo passível de penalização como "crime de racismo, inafiançável e imprescritível". Foi com base na Lei 7.716, de 25 de janeiro de 1989, que Siegfried Ellwanger Castan, proprietário da Editora Revisão e autor de várias obras que negavam o Holocausto, foi condenado pelo STF em 2003, um marco histórico na jurisprudência brasileira. A condenação veio apos várias denúncias encaminhadas, desde 1986, à Coordenadoria das Promotorias Criminais e ao Ministério Público. Manifestaram-se na ocasião o grupo Movimento Popular Anti-Racismo, formado pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, pelo Movimento Negro Brasileiro e pela comunidade judaica de Porto Alegre. Em 1991, a Justiça ordenou a busca e apreensão dos exemplares dos livros publicados pela Editora Revisão, entre os quais: Holocausto Judeu ou Alemão? Nos Bastidores da Mentira do Século, do próprio Castan, Hitler Culpado ou Inocente?, de Sérgio Oliveira, e Os Protocolos dos Sábios de Sião, prefaciado por Gustavo Barroso, sendo essa uma "edição comemorativa" em homenagem ao principal teórico antissemita no Brasil dos anos 1930 e 40. Em São Paulo, as denúncias contra obras racistas podem ser encaminhadas à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), órgão público criado para o combate aos crimes de racismo e homofobia, preconceito e intolerância, sobretudo religiosa.

Em síntese: Mein Kampf não é uma publicação liberada no Brasil, ainda que com o selo do conceituado Instituto de História Contemporânea de Munique. Não vejo aqui conflito entre liberdade de expressão e a dignidade humana, ambos direitos constitucionalmente protegidos pela legislação brasileira. É, antes de mais nada, um direito humano universal de preservação da vida.

Dois exemplares autografados de Mein Kampf, de Adolf Hitler, foram leiloados por US$ 64 mil no dia 28 de fevereiro, em Los Angeles. Na quinta-feira, o alemão Kim Dotcom (fundador do MegaUpload) disse que adquiriu uma cópia assinada do livro como 'investimento'.





Mein Kampf (Minha Luta), escrito por Adolf Hitler, é um livro maldito. Trata-se, provavelmente, da obra mais execrada da historiografia do século 20, um dos principais símbolos do regime mais odiado desse período, senão de toda a história. Por essa razão, sua reedição, na Alemanha, estava até recentemente cercada de interdições. Temia-se, não sem razão, que a liberação de um livro tão identificado com o pensamento hitleriano pudesse disseminar ainda mais essa ideologia hedionda, alimentando o antissemitismo feroz que dele transborda. No entanto, a obra passará ao domínio público em 2015. Nessa ocasião, o respeitadíssimo Instituto de História Contemporânea de Munique, comissionado pelo governo da Baviera, pretende lançar uma edição comentada de Mein Kampf - e nem todo o provável cuidado que o instituto terá ao lidar com o texto de Hitler é suficiente para afastar o receio de que, uma vez em circulação sem nenhum tipo de censura, o livro se torne imediatamente difusor das ideias nazistas. Em razão disso, muitos defendem que Mein Kampf permaneça proibido. Trata-se de um equívoco.

O texto de Hitler é daqueles casos em que o livro é muito mais comentado do que lido. Enfadonha, mal escrita e pretensiosa, a obra chegou a ser distribuída pelo regime nazista a todo casal recém-casado na Alemanha, como um presente do Führer. No entanto, havia gente dentro do próprio regime que não havia lido o livro - Reinhard Heydrich, o executor da Solução Final, nunca ouvira falar de Mein Kampf até pelo menos 1930, quando conheceu sua futura mulher, que, nazista convicta, lhe apresentou a obra.

Tudo o que Hitler tinha a dizer, muitas vezes sem nenhum constrangimento ou desejo de esconder suas verdadeiras intenções, ele o fazia em seus discursos - e não se tem conhecimento de que esses pronunciamentos, carregados de ódio, estejam proibidos. Muito ao contrário: eles constam de qualquer dos livros mais respeitados da historiografia sobre o nazismo e integram antologias documentais, como a clássica obra de Max Domarus The Essential Hitler, que reúne todos os discursos do ditador.

Ademais, há livros e textos muito mais virulentos que Mein Kampf e que não são objeto de censura. Um bom exemplo é o diário de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler. Nele, por exemplo, encontram-se, sem subterfúgios, descrições dos judeus como se fossem animais. A propósito dos judeus que ele viu no gueto de Lódz, na Polônia, Goebbels fala da necessidade urgente de exterminá-los (vernichtet): "É indescritível. Eles não são mais seres humanos. São animais. Assim, não se trata de uma tarefa humanitária, mas cirúrgica. Do contrário, a Europa perecerá graças à peste judaica".

Textos como esse circulam livremente e estão nas melhores livrarias do mundo. Mesmo que não estivessem, mesmo que, por hipótese, todas as diatribes pronunciadas ou escritas por nazistas e seus simpatizantes fossem proibidas de uma hora para outra, o acesso a essas obras estaria garantido: basta ter um computador ligado à internet e entrar nos sites de livrarias virtuais, como iTunes e Amazon, ou em diversos sites neonazistas, inclusive com tradução para o português. Na loja do iTunes, por exemplo, duas versões do Mein Kampf apareciam em 12º e 15º lugar entre os e-books de "política e atualidades" mais vendidos em janeiro.

Por essa razão, até mesmo a Liga Antidifamação (ADL, em sua sigla em inglês), principal entidade judaica dedicada a combater o antissemitismo no mundo e que por décadas defendeu a censura ao Mein Kampf, rendeu-se às evidências de que proibir a circulação, neste caso, é simplesmente inútil. No mês passado, a ADL decidiu publicar um prefácio ao Mein Kampf para ser anexado pelos editores do livro na forma de e-book, de modo a alertar os leitores sobre a natureza do texto e seu papel na disseminação do ódio aos judeus. "Acreditamos que a única forma construtiva de publicar o livro seja com uma introdução que explique seu contexto histórico e o impacto do pensamento por trás das palavras de Hitler", diz o texto da ADL. A edição que o Instituto de História Contemporânea de Munique pretende lançar tem o mesmo objetivo.

A precaução é obviamente necessária. Mein Kampf não é um livro qualquer. É o "livro sagrado" do nazismo, como salientou Victor Klemperer, o linguista judeu que permaneceu na Alemanha durante o nazismo e descreveu em seus diários a destruição da civilização naquele país. A obra de Hitler guarda esse simbolismo e deve, portanto, ser cercada de cuidados especiais. Mas proibi-la seria privar os historiadores e outros interessados na Alemanha nazista de um texto fundamental. Trata-se de um documento de rara importância, pois lá estão delineados os projetos de extermínio dos judeus, na luta racial de vida ou morte que Hitler vislumbrou quase uma década antes de chegar ao poder.

Ademais, manter a obra indefinidamente sob censura é inútil principalmente porque os antissemitas não precisam de Mein Kampf para nutrir seu ódio aos judeus. Não é um livro que guarda o espírito do Mal.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

Comunidade campineira nega sexo, cerveja e futebol a marido violento


Essa é uma daquelas histórias que seriam cômicas se não fossem trágicas e que - principalmente - mostram a capacidade de organização de uma comunidade contra a violência quando o Estado, que deveria dar a todos as condições mínimas de educação e segurança (só para citar alguns fatores), não faz a sua parte.

A experiência de Campinas (SP) lembra, de certa forma e guardadas as devidas proporções, a "greve do sexo" da comédia grega "Lisístrata", escrita por Aristófanes em 411 a. C., em que as mulheres de Atenas e Esparta, cansadas do fratricídio que arruinava seu povo, se unem e passam a negar relações sexuais com seus maridos enquanto eles não parassem com a Guerra do Peloponeso, em que se confrontaram as duas cidades-Estado.

Isto nos remete à linda canção "Mulheres de Atenas", de Chico Buarque, que você pode ver na gravação de 1976 que encerra este artigo, mais abaixo.

A matéria é da Folha de S. Paulo:

Marido agressivo fica sem sexo em comunidade em Campinas (SP)

GIOVANNA BALOGH

Nada de sexo, cerveja no bar nem partidas de bilhar ou futebol. Para grande parte dos homens, ficar sem apenas um desses itens já é uma verdadeira tortura. Em uma comunidade carente do bairro Jardim Columbia, em Campinas (a 99 km de SP), esse é um perigo constante.

Manter os companheiros "na seca" foi a saída encontrada pelas mulheres do local para puni-los por agressões físicas ou verbais.

A ideia foi reduzir os recorrentes casos de violência doméstica o que, segundo moradores, tem dado certo.

O chamado período de "disciplina", onde os homens são privados de sexo ou qualquer atividade de lazer, dura 15 dias e vale para todas as 200 famílias da comunidade que, por coincidência ou não, chama Menino Chorão.

A líder comunitária e cozinheira Maria do Carmo Pereira de Sousa, 44, diz que no bairro não existe o ditado "em briga de marido e mulher não se mete a colher". "Aqui todo mundo se mete e interfere."

Ela diz que a medida foi adotada há cerca de dois anos e só tem dado resultado porque são as próprias mulheres quem fiscalizam se o castigo está sendo cumprido.

"Se o meu companheiro está em disciplina e toma cerveja no bar com um amigo, a mulher dele vai puni-lo também deixando de fazer sexo com ele", diz Maria do Carmo, que faz reuniões quinzenais com as vizinhas para discutir os casos de agressão.

Ela, que é mais conhecida como Carmem, afirma que também foi vítima de violência doméstica quando vivia em Pernambuco com o pai dos seus sete filhos.

"Apanhei muitos anos sem saber o motivo. Muitas mulheres passam por isso diariamente e não sabem como se defender", diz a líder comunitária que vai contar hoje sobre essa experiência no "I Fórum sobre Violência contra a Mulher: Múltiplos Olhares", a partir das 9h na Unicamp.

Dono do único bar da comunidade, Ualas Conceição dos Santos, 24, diz que nunca agrediu a mulher, mas que vê muitos homens proibidos de frequentar seu estabelecimento. "Aqui quem manda são as mulheres. A "disciplina" funciona e acho bom pois as mulheres têm sido muito maltratadas", afirma.

Na comunidade, é difícil achar um homem que fale abertamente que ficou de "castigo". O técnico em refrigeração, Michel Nascimento Barbosa, 23, aprova a "disciplina" e diz que já enfrentou as restrições de lazer e de sexo. "Foi ruim, mas elas estão certas", diz ele, todo comedido.

REINCIDÊNCIA

Em caso de reincidência, o agressor também pode apanhar. "Ele pode ser amarrado e a mulher bate nele na frente de todo mundo", diz.

Nos casos mais graves, o homem é expulso da comunidade. Segundo ela, já ocorreram quatro expulsões e as vítimas escolhem se desejam ficar no local ou ir embora com o agressor. "Infelizmente, algumas foram com eles."

A delegada Maria Cecília Favero Lopes, da Delegacia de Defesa do Direito da Mulher, desconhecia a justiça feita por conta própria das mulheres do Menino Chorão.

Segundo ela, a recomendação é que as vítimas de violência doméstica denunciem os casos e, se for necessário, solicitem medida protetiva prevista na Lei Maria da Penha. "O homem que for agredido pela mulher também deve procurar uma delegacia e relatar o caso", diz a delegada.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, em 2012, foram registrados 3.108 casos de lesão corporal dolosa na DDM de Campinas. No ano passado, foram 2.242 ocorrências. A pasta não divulgou, no entanto, os números deste ano.







quarta-feira, 9 de abril de 2014

Hoje começa o fenômeno astronômico que - dizem - marca o início do fim do mundo


Esta noite erga seus olhos para o céu, onde não estiver nublado, e veja a Terra, o Sol e Marte alinhados, conjunção astronômica que antecipa o fenômeno conhecido como "lua de sangue" que poderá ser observado na semana que vem.

Até aí, não há nada, digamos, "anormal", embora o fenômeno seja raro. O estranho é que teremos este ano mais três "luas de sangue" (além daquela da semana que vem) em seguida, até o dia 28 de setembro, o que faz delirar os profetas do fim do mundo.

Quem viver, verá! Será? A matéria é do Terra:

Alinhamento entre Terra, Sol e Marte antecipa 'fim do mundo'

Um evento cósmico raro é esperado para esta noite, antecedendo as 'quatro luas de sangue' que alguns acreditam ser presságio do fim do mundo

Mrte, Terra e Sol vão se alinhar no Espaço na noite desta terça-feira, um evento conhecido também como “oposição de Marte” que só acontece uma vez a cada 778 dias. Porém, o que faz o acontecimento cósmico marcante é ele antecede as "luas de sangue", um fenômeno que poderá ser visto da terra na próxima semana e que é interpretado por muitos como um sinal bíblico do fim dos tempos.

De acordo com a Nasa, a rara sequência de quatro eclipses lunares (as ”luas de sangue”) é conhecida como tétrade, e será seguida por seis luas cheias. O ciclo começa na semana que vem, no dia 15 de abril, e terminará apenas em 28 de setembro deste ano.

Ainda segundo a Nasa, as quatro luas de sangue só foram vistas por três vezes em mais de 500 anos: a primeira vez na Idade Média, em 1493, quando os judeus foram expulsos pela Inquisição Católica na Espanha; a segunda, em 1949, quando o Estado de Israel foi estabelecido na Palestina, e a terceira em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias entre Árabes e Israelenses.

Para alguns fiéis, as luas de sangue significam mais que um evento cósmico raro: são um presságio para o “fim do mundo” e o retorno de Cristo à Terra para o Juízo Final. Na passagem bíblica do Livro de Joel, no Antigo Testamento, diz: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Joel, 2:31).



Marco Feliciano assume seu lado "fiscal de fiofó"

Você, amigo crente, que escondia a revista Playboy enrolada na toalha ao passar pela família na sala em direção ao banheiro, não precisa mais se preocupar. Os seus problemas acabaram!

É que a conhecida revista pornográfica erótica traz na edição deste mês, entre uma e outra moça pelada, a opinião do pastor pop-star e deputado Marco Feliciano sobre questões essenciais da vida cristã e da humanidade em geral.

Assim, se papai ou mamãe perguntarem o que você vai fazer com a Playboy no banheiro, responda-lhes que está mais interessado no conteúdo, sobretudo na opinião de Marco Feliciano sobre os temas mais candentes do mundo atual.

Na entrevista em questão, o pastor Feliciano declara que já consumiu cocaína quando tinha 12 anos de idade e, questionado sobre o prazer anal dos homossexuais, acrescenta:
“Com certeza, tem homens que têm tara por ânus, sim. Eu não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus, e espero nunca fazer, porque pa­rece que quem faz não volta mais. [Risos]. Deve ser uma coisa tão estranha…”.
O deputado Feliciano tem todo o direito de emitir a opinião que quiser sobre qualquer tema e também pode manifestá-la onde preferir, ainda que sejam - no mínimo - de mau gosto suas afirmações sobre sexo anal.

Na verdade, ele poderia manifestá-la onde preferisse, não fosse sua insistência em se apresentar à sociedade como "pastor" e "evangélico".

O estranho é que ele venha a público fazer suas colocações esdrúxulas numa revista mais conhecida por suas fotos de mulheres nuas, entre umas e outras páginas grudadas em razão do uso alternativo que ela brinda aos seus "leitores".

Bons tempos aqueles em que evangélicos zelavam pela sua imagem e por não se associarem a veículos de massa que exploram o mundanismo e a sensualidade.

Bons tempos aqueles em que os pastores pregavam apenas a mensagem da cruz sem nem imaginar em se intrometer em meandros anais.

Como Paulo já aconselhava no capítulo 5 da carta aos Efésios, "toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm" (versos 3 e 4) e "não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso" (vv. 11 e 12).

Entretanto, certos "pastores" modernos do Brasil, que pregam (e vivem) apenas o que lhes convém, não só estão ficando mais conhecidos por suas expressões verbais vergonhosas, como associam sua imagem a uma revista pornográfica erótica sem nenhum constrangimento.

Afinal, nunca vai faltar trouxa para segui-los em seus delírios midiáticos. O que vai faltar, sim, é gente que leia a Bíblia para conferir se as palavras de seus líderes correspondem à verdade e realmente edificam (Efésios 4:29).

Tá rindo de quê, Marco Feliciano?



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