segunda-feira, 25 de julho de 2016

Xeque da maior mesquita brasileira é corinthiano


Bom, o "Curíntia" é só um detalhe na biografia do xeque Dr. Abdul Hamid Metwally, e a pergunta que ele faz sobre a qualidade da faca revela a sua sabedoria.

A matéria foi publicada no Estadão de 23/07/16:

Xeque da maior mesquita da América Latina diz que EI 'não é Estado e nem islâmico'

'Não tem nada a ver com a nossa religião', diz Xeque dr. Abdul Hamid Metwally

Xeque dr. Abdul Hamid Metwally, 45 anos, tira o celular do bolso e entra em sua página do Facebook. Nela, clica em um vídeo em que discursa sobre o Estado Islâmico. “Não é Estado, não é islâmico e não tem nada a ver com a nossa religião”, diz. Pensando em aproveitar a “deixa”, o repórter pergunta se as redes sociais não têm feito mais mal do que bem à comunidade muçulmana ou a difusão do islã ao redor do mundo. O xeque sorri e devolve a pergunta com outra questão. “Você diria que uma faca é um objeto bom ou ruim?”

Sem deixar que o repórter responda, ele pede cinco minutos de paciência. O relógio marca 18h e, com outros nove homens (e seis mulheres que ficam no fundo do salão), ele se vira a Meca e inicia sua quarta oração do dia. O ritual é simples, mas realizado com seriedade e devoção. No fim, ele volta acompanhado de um intérprete. Embora o português dele seja bom, o religioso prefere não deixar nenhuma dúvida no ar.

Como responsável pela Mesquita Brasil, a maior da América Latina, e presidente do Conselho Superior dos Teólogos dos Assuntos Islâmicos no Brasil, Metwally será um dos líderes religiosos a participar das Olimpíada do Rio. Na cidade dos Jogos, ele terá o papel de aconselhar e até advertir os atletas muçulmanos e outros praticantes da religião envolvidos com o evento. “A segurança do Brasil também é a nossa segurança”, diz o xeque.

Assim, Metwally apoia a atitude do governo brasileiro e a detenção dos 11 suspeitos de supostamente tramarem ações violentas durante os jogos. “O que precisa ficar claro é que eles não são muçulmanos, não conhecem o islã, não podem se confundir com nosso povo”, diz. O xeque exemplifica sua posição com a própria história. “Fiz universidade no Egito, sou mestrado e doutorado em religião. Estudei 27 anos para estar aqui. Uma pessoa que passa seis meses no Egito (um dos suspeitos presos passou alguns meses no Egito) não pode voltar dizendo que conhece o Alcorão e pregar isso ou aquilo. Essa pessoa não tem conhecimento. Ou foi buscá-lo na fonte errada”, comenta. Bom de comparações, o xeque alerta: “É como se você estivesse doente e fosse ao barbeiro ao invés de procurar um médico. Esses meninos brasileiros estão doentes e foram procurar um barbeiro”, diz. “Eles acham que ser muçulmano é deixar a barba crescer e usar roupas diferentes”, completa.

O próprio xeque diz que eventualmente já recebeu em sua mesquita jovens com uma ideia distorcida do islã. Nesses casos, procura passar o verdadeiro sentido do que é seguir Alá. “Se não entendem, se preferem continuar na ignorância, nós os colocamos para fora. Não são aceitos em nossa comunidade. Ou mudam ou são expulsos.” Metwally recorda que o principal mal-entendido desses jovens radicalizados é em relação ao significado da palavra “Jihad”. “Jihad não é ataque, não é guerra. Significa defesa. Não tem nada a ver com o que prega o Estado Islâmico”.

O religioso lembra que o Estado Islâmico tem em sua bandeira a frase “Deus é maior” e que isso é uma farsa. “Eles têm uma frase na bandeira e nada no coração. O coração não tem bandeira. Eles, os terroristas, são apenas aparência. Não têm essência nenhuma”.

Nesse ponto da conversa, um homem que acompanhava a conversa no interior da mesquita, tira o celular do bolso e começa a mostrar um vídeo de um ataque do EI contra crianças na Síria. “Mais de 200 crianças mortas. Você acha que isso é Deus? Acha que nós defendemos isso?”, diz.

A reação do homem, um sírio, é fácil de entender. Infelizmente, as ações do EI e de outros grupos terroristas fez com que o preconceito religioso atingisse em cheio os muçulmanos no País. Não raro, frequentadores da mesquita, homens como aquele que mostrou o vídeo dos ataques contra as crianças, ouvem comentários do tipo “chegou o homem-bomba” ou percebem outras pessoas evitando permanecerem no mesmo espaço do que eles - provavelmente por medo de atentados. “Ignorância. Muita ignorância e falta de conhecimento básico sobre religião. As pessoas temem o que não conhecem”, afirma.

Para o religioso, os ataques têm um alvo claro: os próprios muçulmanos - e que eles seriam produzidos ou fomentados por americanos e europeus. “Hoje o nome é Estado Islâmico, mas já teve o nome de Osama Bin Laden, já foi Taleban e Al-Quaeda.São apenas nomes que criam com intenções veladas de atingir a verdadeira religião”. Metwally diz acreditar que os Jogos acontecerão sem incidente mais grave. “Estou disposto, assim como outros religiosos, a colaborar: a segurança do Brasil é a nossa segurança também. Estamos aqui para defender esse País de qualquer coisa”, avisa.

Egípcio de nascimento e há 10 anos aqui, com uma filha brasileira, se diz corintiano: “Sou brasileiro também. Minha mesquita é aberta para a comunidade, para pessoas de todas as raças e credos. Estamos aqui para fazer parte da sociedade, para dividir experiências com todos que estiverem dispostos a também nos conhecer melhor”.



domingo, 24 de julho de 2016

Quando as redes sociais prejudicam o diálogo


A entrevista com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman foi publicada na versão brasileira do El País em 09/01/16:

Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

Ele é a voz dos menos favorecidos. O sociólogo denuncia a desigualdade e a queda da classe média. E avisa aos indignados que seu experimento pode ter vida curta

Zygmunt Bauman acaba de completar 90 anos de idade e de tomar dois voos para ir da Inglaterra ao debate do qual participa em Burgos (Espanha). Está cansado, e admite logo ao começar a entrevista, mas se expressa com tanta calma quanto clareza. Sempre se estende, em cada explicação, porque detesta dar respostas simples a questões complexas. Desde que colocou, em 1999, sua ideia da “modernidade líquida” – uma etapa na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso” –, Bauman se tornou uma figura de referência da sociologia. Suas denúncias sobre a crescente desigualdade, sua análise do descrédito da política e sua visão nada idealista do que trouxe a revolução digital o transformaram também em um farol para o movimento global dos indignados, apesar de que não hesita em pontuar suas debilidades.

O polonês (Poznan, 1925) era criança quando sua família, judia, fugiu para a União Soviética para escapar do nazismo, e, em 1968, teve que abandonar seu próprio país, desempossado de seu posto de professor e expulso do Partido Comunista em um expurgo marcado pelo antissemitismo após a guerra árabe-israelense. Renunciou à sua nacionalidade, emigrou a Tel Aviv e se instalou, depois, na Universidade de Leeds (Inglaterra), onde desenvolveu a maior parte de sua carreira. Sua obra, que arranca nos anos 1960, foi reconhecida com prêmios como o Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades de 2010, que recebeu junto com Alain Touraine.

Bauman é considerado um pessimista. Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros é sumamente crítico. Em A riqueza de poucos beneficia todos nós?, explica o alto preço que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos 80 e a “trintena opulenta” que veio em seguida. Sua conclusão: a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira. Em Cegueira moral, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a perda do sentido de comunidade em um mundo individualista. Em seu novo ensaio, Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, volta a se destacar. O livro da editora Zahar, que já está disponível para pré-venda no Brasil, trata de um momento histórico de grande incerteza.

Bauman volta a seu hotel junto com o filósofo espanhol Javier Gomá, com quem debateu no Fórum da Cultura, evento que terá sua segunda edição realizada em novembro e que traz a Burgos os grandes pensadores mundiais. Bauman é um deles.

Pergunta. Você vê a desigualdade como uma “metástase”. A democracia está em perigo?

Resposta. O que está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes. Para atuar, é necessário poder: ser capaz de fazer coisas; e política: a habilidade de decidir quais são as coisas que têm ser feitas. A questão é que esse casamento entre poder e política nas mãos do Estado-nação acabou. O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto antes. A política tem as mãos cortadas. As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas. É o que está evidenciando, por exemplo, a crise de migração. O fenômeno é global, mas atuamos em termos paroquianos. As instituições democráticas não foram estruturadas para conduzir situações de interdependência. A crise contemporânea da democracia é uma crise das instituições democráticas.

P. Para que lado tende o pêndulo que oscila entre liberdade e segurança?

R. São dois valores extremamente difíceis de conciliar. Para ter mais segurança é preciso renunciar a certa liberdade, se você quer mais liberdade tem que renunciar à segurança. Esse dilema vai continuar para sempre. Há 40 anos, achamos que a liberdade tinha triunfado e que estávamos em meio a uma orgia consumista. Tudo parecia possível mediante a concessão de crédito: se você quer uma casa, um carro... pode pagar depois. Foi um despertar muito amargo o de 2008, quando o crédito fácil acabou. A catástrofe que veio, o colapso social, foi para a classe média, que foi arrastada rapidamente ao que chamamos de precariat (termo que substitui, ao mesmo tempo, proletariado e classe média). Essa é a categoria dos que vivem em uma precariedade contínua: não saber se suas empresas vão se fundir ou comprar outras, ou se vão ficar desempregados, não saber se o que custou tanto esforço lhes pertence... O conflito, o antagonismo, já não é entre classes, mas de cada pessoa com a sociedade. Não é só uma falta de segurança, também é uma falta de liberdade.

P. Você afirma que a ideia de progresso é um mito. Por que, no passado, as pessoas acreditavam em um futuro melhor e agora não?

R. Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas. Não sou capaz de profetizar. Estamos experimentando novas formas de fazer coisas. A Espanha foi um exemplo com aquela famosa iniciativa de maio (o 15-M), em que essa gente tomou as praças, discutindo, tratando de substituir os procedimentos parlamentares por algum tipo de democracia direta. Isso provou ter vida curta. As políticas de austeridade vão continuar, não podiam pará-las, mas podem ser relativamente efetivos em introduzir novas formas de fazer as coisas.

P. Você sustenta que o movimento dos indignados “sabe como preparar o terreno, mas não como construir algo sólido”.

R. O povo esqueceu suas diferenças por um tempo, reunido na praça por um propósito comum. Se a razão é negativa, como se indispor com alguém, as possibilidades de êxito são mais altas. De certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são muito potentes e muito breves.

P. E você também lamenta que, por sua natureza “arco íris”, o movimento não possa estabelecer uma liderança sólida.

R. Os líderes são tipos duros, que têm ideias e ideologias, o que faria desaparecer a visibilidade e a esperança de unidade. Precisamente porque não tem líderes o movimento pode sobreviver. Mas precisamente porque não tem líderes não podem transformar sua unidade em uma ação prática.

P. Na Espanha, as consequências do 15-M chegaram à política. Novos partidos emergiram com força.

R. A mudança de um partido por outro não vai a resolver o problema. O problema hoje não é que os partidos estejam equivocados, e sim o fato de que não controlam os instrumentos. Os problemas dos espanhóis não estão restritos ao território nacional, são globais. A presunção de que se pode resolver a situação partindo de dentro é errônea.

P. Você analisa a crise do Estado-nação. Qual é a sua opinião sobre as aspirações independentistas da Catalunha?

R. Penso que continuamos com os princípios de Versalhes, quando se estabeleceu o direito de cada nação baseado na autodeterminação. Mas isso, hoje, é uma ficção porque não existem territórios homogêneos. Atualmente, todas as sociedades são uma coleção de diásporas. As pessoas se unem a uma sociedade à qual são leais, e pagam impostos, mas, ao mesmo tempo, não querem abrir mão de suas identidades. A conexão entre o local e a identidade se rompeu. A situação na Catalunha, como na Escócia ou na Lombardia, é uma contradição entre a identidade tribal e a cidadania de um país. Eles são europeus, mas não querem ir a Bruxelas por Madri, mas via Barcelona. A mesma lógica está emergindo em quase todos os países. Mantemos os princípios estabelecidos no final da Primeira Guerra Mundial, mas o mundo mudou muito.

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.



sábado, 23 de julho de 2016

TJSP condena banco por não emprestar dinheiro a idoso


Isto é incrível, mas bancos às vezes perdem (pouco) no nosso queridíssimo Poder Judiciário, segundo noticia o próprio Tribunal de Justiça de São Paulo:

BANCO É CONDENADO POR NEGAR EMPRÉSTIMO A IDOSO

A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça condenou banco a indenizar idoso que teve pedido de empréstimo negado em razão de sua idade. O montante foi fixado em R$ 30 mil, a título de danos morais.

Consta dos autos que o autor, ao solicitar crédito na referida instituição, teve o pedido negado pelo fato de se tratar de pessoa idosa. A sentença fixou a indenização em R$ 3 mil, razão pela qual ambas as partes apelaram.

Ao julgar o recurso, o desembargador Roberto Mac Cracken afirmou que ficou caracterizada ofensa aos artigos 4º e 5º do Estatuto do Idoso, o que gera o dever de indenizar. “A senilidade não pode, jamais, ser usada, como fez o banco apelante, como subterfúgio para atos discriminatórios, pois a situação fática retratada configura, ainda que de forma indireta, exclusão do sujeito de direitos, em tal fase de sua vida, do convívio social, o que não pode ser tolerado.”

O relator citou ainda os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e considerou as circunstâncias do caso e as condições econômicas do infrator para aumentar o valor da indenização.

Do julgamento, que teve votação unânime, participaram também os desembargadores Sérgio Rui e Alberto Gosson.

Apelação nº 1000147-22.2016.8.26.0269

Comunicação Social TJSP



sexta-feira, 22 de julho de 2016

Clérigos sauditas proíbem Pokemon (de novo)

A informação é d'O Globo:

Religiosos árabes dizem que 'Pokémon' promove blasfêmia

Justiça na Arábia Saudita reeditou lei islâmica contra franquia da Nintendo

DUBAI, Emirados Árabes - A alta corte religiosa da Arábia Saudita reeditou uma fatwa (decreto islâmico) de 2001 segundo a qual a franquia "Pokémon" é anti-islâmica, segundo informou a mídia estatal do país nesta quarta-feira.

O decreto, porém, não citou o jogo de realidade aumentada "Pokémon Go", que se tornou uma febre mundial desde seu lançamento, no último dia 6, nos EUA. Desde então, o jogo chegou a dezenas de outros países e deve estar acessível para brasileiros nos próximos dias.

O Secretariado Geral do Conselho de Acadêmicos Religiosos comunicou que reeditou o decreto de 2001, criado na época para responder a questionamentos de muçulmanos. Segundo os clérigos, as mutações dos personagens no jogo, que recebem poderes especiais, representam uma blasfêmia por promover a teoria da evolução natural.

"É escandaloso que a palavra 'evolução' esteja tão presente nas línguas de crianças", afirma a fatwa reeditada.

O decreto também diz que o game tem outros elementos proibidos pela Lei Islâmica, incluindo "politeísmo contra Deus por multiplicar o número de divindades, e jogatina, que Deus proíbe no Corão". A fatwa acrescenta que os símbolos usados no passatempo da Nintendo promove xintoísmo, cristiandade, maçonaria e outras crenças.

Na conservadora Arábia Saudita, país onde estão situadas as cidades sagradas de Meca e Medina, cinemas são proibidos e esportes femininos são criticados como algo que promove o pecado. O governo considera a era antes do Islã como uma idade da ignorância (a religião surgiu no século VII).



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jogador Cicinho diz que encontrou Jesus "depois de 14 caipirinhas e 18 cervejas"


A entrevista foi dada ao programa "Bola da Vez" da ESPN Brasil (vídeo mais abaixo), e a matéria foi reproduzida no portal português O Jogo, que inverteu o número de caipirinhas e long necks:

"Vi Jesus Cristo depois de beber 18 caipirinhas e 14 cervejas"

Uma viagem ao inferno do lateral brasileiro que na Europa chegou a representar Real Madrid e Roma

Cicinho foi entrevistado pela estação de televisão ESPN Brasil e acabou a revelar os graves problemas que teve com o álcool. Nesta entrevista o atual jogador do Sivaspor, da Turquia, explica que o alcoolismo foi o refúgio que encontrou quando tudo o resto lhe corria mal. "Quanto pior as coisas estavam, mais bebia. Não era capaz de beber um copo ou dois, tinha de beber até cair".

Na parte da entrevista que a ESPN já revelou, o futebolista brasileiro, de 36 anos, conta um episódio em particular. "Vi Jesus Cristo depois de beber 18 caipirinhas e 14 cervejas".




quarta-feira, 20 de julho de 2016

Acordem, filhos! Suas mães não estão aguentando o tranco...

Esta é a espantosa conclusão à qual chegou pesquisa publicada no Estadão em 16/07/16:

As mães de hoje avisam: precisam de ajuda

Pesquisa mostra que, exaustas, muitas já até esqueceram o filho em loja ou na escola

As mães precisam de ajuda e nem todo mundo percebe isso. A rotina é tão cansativa e diferente da mostrada em propagandas que algumas chegam a esquecer os filhos em locais públicos ou permitem que eles durmam em suas camas por falta de energia para fazê-los dormir sozinhos. Elas não querem o rótulo de “mães perfeitas”, que têm dedicação exclusiva às crianças: a mãe brasileira se define como alguém que “ama seus filhos, mas também ama o seu trabalho, seu parceiro e tem outros objetivos na vida”.

O perfil foi traçado pela pesquisa A Nova Mãe Brasileira, feita pelo Instituto Qualibest e pelo site Mulheres Incríveis. Foram ouvidas 1.317 mil mães, todas com mais de 18 anos – 81% delas têm de um a dois filhos.

Dois terços das mães brasileiras consideram a rotina difícil, exaustiva ou impossível. Apenas 9% dizem se identificar com a imagem da mãe que aparece na mídia e 70% também afirmaram que se sentem julgadas ou cobradas.

“Chamou-nos a atenção que, quando solicitamos às entrevistadas que fizessem um pedido, 40% disseram querer ajuda nas atividades domésticas”, afirma a jornalista Brenda Fucuta, idealizadora da pesquisa. “Ela quer mais ajuda para cuidar da casa do que dos filhos: isso mostra que ser mãe é difícil, mas a grande questão é resolver a administração da casa.” O desafio atual da mãe brasileira parece ser envolver o cônjuge e as crianças nas tarefas domésticas.

Atitudes. A pesquisa perguntou às mães se elas já tomaram alguma atitude com os filhos que consideram constrangedora ou vergonhosa. “Dei umas palmadas”, responderam 33%. “Deixei ele ficar assistindo TV ou vídeos na internet para eu poder descansar, dormir ou fazer alguma outra atividade do meu interesse” (28%), “Ofereci comida industrializada” (21%), “Já ameacei ir embora de casa e deixá-lo para outros cuidarem” (15%), “Já dei uma surra” (10%), “Já dei remédio para que ele se acalmasse” (3%), “Deixei-o trancado sozinho em casa” (2%), “Esqueci-o numa loja ou na escola” (2%).

De certa forma, os dados da pesquisa mostram que há uma discrepância entre o discurso-padrão da maternidade sonhada com a vida real enfrentada pelas mães, em que dificuldades se somam aos prazeres. Foi por vivenciar isso na pele que a publicitária Luciana Cattony, de 38 anos, decidiu criar o site Maternidade Real. Ela é mãe de Henrique, de 5 anos. “Quero dar leveza e alegria para as mães, mas ninguém fala sobre o lado difícil da maternidade. Isso também é importante.”

Desde maio, a cineasta Helen Ramos, de 29 anos, “desromantiza” a maternidade em seu canal Hel Mother, no YouTube. As experiências com o filho Caetano, de 2 anos, estão entre os temas abordados. “Ninguém chegava antigamente e até recentemente para falar que a amamentação será difícil, todo mundo só falava que é o maior amor do mundo. Depois que eu tive filho, percebi como foi importante saber a verdade.” Helen diz que é fundamental que mais mulheres falem sobre suas dificuldades e consigam pedir ajuda para as pessoas que estão ao seu redor.

A designer e ilustradora Thaiz Leão, de 26 anos, mãe de Vicente, de 2, chegou à maternidade com as referências de “mãe ideal” passadas por filmes e propagandas, e se deparou com uma situação completamente diferente. “Eles mentiram para mim, pelo menos em parte. Eu não sabia que iria dormir tão pouco, eu não sabia que um bebê tinha tantas necessidades e que, para algumas delas, eu seria impotente. Eu achava que estaria no controle, mas esquece, não havia controle algum.” Foi assim que ela resolveu fazer ilustrações sobre o tema e criou a página Mãe Solo.

Realidade. “As famílias que aparecem na mídia para vender margarina trabalham com a imagem da família e mães ideais. Mas a família real não é assim o tempo todo. Existem conflitos, separações e todos os outros sentimentos, porque são seres humanos. Se o meu real está muito longe disso, gera um conflito com consequências diferentes para as diferentes pessoas”, avalia a psicóloga Ceneide Maria de Oliveira Cerveny, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e autora do livro A Família como Modelo.

Gabriela Malzyner, professora do curso de formação em psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP/SP), diz que as mães não precisam buscar uma fórmula para exercer a maternidade. “A mãe tem de trabalhar, sair com o marido e com os amigos. Essas trocas são importantes, porque o bebê tem de entender que ele não é o único interesse da mãe, isso pode ser nocivo para ambos.”

“Não conheço nenhuma mãe que não ame seu filho acima de qualquer coisa, mas todas têm algo para desabafar.”





terça-feira, 19 de julho de 2016

O procurador que quer ser pastor


Matéria publicada no Estadão de 18/07/16:

Combater a corrupção como ‘amor ao próximo’

Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato, prega mudanças na lei em igrejas e congressos

No auditório da Primeira Igreja Batista de Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol propõe a cada espectador da palestra “Liderança Corajosa” que, durante um minuto, discuta com o companheiro ao lado sobre a questão: a Operação Lava Jato transforma o País? “Outro dia, fiz a mesma proposta para um grupo de mulheres e quase não consegui retomar a palestra”, brinca Dallagnol. A plateia ri, conversa e pouco depois o procurador retoma o raciocínio. Diz que a investigação do maior esquema de desvio de recursos e pagamento de propina em estatais brasileiras “infelizmente não muda o País”, mas pode despertar uma inédita mobilização de combate à corrupção. “Vivemos uma janela de oportunidade, o caso Lava Jato deixou a sociedade altamente sensível e esperançosa de mudanças”, diz Dallagnol.

A declaração é quase um mantra do procurador de 36 anos que chefia a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, onde a investigação começou em março de 2014. Além do trabalho na Lava Jato, Dallagnol se dedica a viajar o País para divulgar a campanha Dez Medidas contra a Corrupção, que alcançou 2,2 milhões de assinaturas e já tramita como projeto de lei de iniciativa popular na Câmara dos Deputados. Em palestra no Rio para investidores, na semana passada, o procurador disse que já fez, “sem ganhar nada por isso”, mais de 150 palestras só sobre as medidas anticorrupção e perdeu as contas das apresentações sobre outros temas ligados ao combate ao crime.

Quando Dallagnol, com um grupo de colegas, decidiu levar adiante a campanha pelo projeto de iniciativa popular, o ponto de partida foi a Igreja Batista, que frequenta desde criança. Os convites se expandiram. Hoje vão do Congresso Brasileiro de Cirurgiões à Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital, plateia do procurador na noite de 7 de julho em um hotel no Rio. “Vou decepcionar os que esperam mais um momento sobre como lucrar nos negócios. Se vocês seguirem minhas dicas, infelizmente vão falir. Tenho ações de Petrobrás, do BTG Pactual e da Queiroz Galvão”, disse o procurador, citando estatal, banco e empreiteira investigados na Lava Jato, para diversão dos investidores.

Weber, Luther King. O palestrante adapta sua apresentação à plateia, mas segue um roteiro padrão que mistura pequenos filmes, tabelas, charges, mapas, citações de intelectuais como Max Weber, um dos pensadores da sociologia, e o pastor e ativista americano Martin Luther King. Vez ou outra, faz referência a alguma passagem bíblica. Rebate acusações de abusos da Lava Jato, como excesso de prisões preventivas e delações premiadas. Insistentemente defende a tese de que o combate à corrupção “é uma questão de amor ao próximo, de serviço à sociedade”.

Criador do curso “Humanismo em Nove Lições”, voltado para juízes, e um dos autores do estudo Corpo e Alma na Magistratura Brasileira, o cientista social Luiz Werneck Vianna tem observado a nova geração de profissionais de Direito no Brasil. “São filhos dessas novas correntes que aproximam o Direito da sociedade. Estávamos necrosados em uma tradição positivista que interditava uma percepção nova dos problemas sociais. É um movimento geracional que coincide com a mudança de bibliografia do Direito, em que cientistas sociais têm sido cada vez mais incorporados. É um Direito mais responsivo, mais aberto a problemas sociais, voltado para temas como o reconhecimento das minorias”, disse.

Em muitos profissionais, Werneck Vianna identificou traços comuns, como o fato de completarem os estudos em universidades americanas, vínculos com a religião e idades em torno de 40 anos. “A velha tradição está sendo deslocada. A “common law” (Direito baseado mais na jurisprudência e nas decisões dos tribunais do que apenas no texto da lei) passou a ser incorporada por essas novas gerações, muitos foram estudar nos Estados Unidos. Há um grupo de pessoas formadas no campo do Direito que escolheu a carreira pública e tenta assumir um protagonismo em mudanças no País. Há um movimento em que está presente a mística da salvação, da missão de salvação. Há alguma coisa de revolução dos santos, como a que ocorreu com o advento do protestantismo, nesses juízes e promotores”, disse o pesquisador.

Dallagnol em muito se encaixa nesse novo perfil. Em 2003, quando ingressou por concurso no Ministério Público Federal, tinha 23 anos e era o segundo mais novo procurador do País. Logo passou a trabalhar na investigação de remessas ilegais de dinheiro para o exterior no caso Banestado. “Hoje está perdido nos escaninhos do Judiciário rumo à prescrição”, lamenta ele em mais um trecho recorrente de suas palestras. “Minha história é de alguém que teve fracassos sucessivos no combate à corrupção”, resume. Entre 2013 e 2014, Dallagnol fez mestrado na Universidade Harvard (EUA). “Quanto voltei, estava ‘grávido’ do meu primeiro filho, pensava em ir para a academia. Mas entrei em um caso (inicialmente, uma investigação sobre lavagem de dinheiro) que hoje é a Lava Jato. Deu no que deu”, conta o procurador aos ouvintes.

O coordenador da Lava Jato desperta na plateia muita curiosidade sobre os rumos das investigações e a impunidade, mas também sobre sua vida pessoal. Conta que é casado, tem dois filhos e reconhece que sacrifica a vida familiar pela causa do combate à corrupção. Não são raras as perguntas sobre o que planeja no futuro. A uma espectadora que foi mais direta e questionou se pretende entrar para a política, o procurador não afastou a possibilidade. “Eu descartaria poucas coisas em relação a meu futuro, cogito talvez até virar pastor. Mas nós focamos no presente”, respondeu.



segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mãe de 8 portadores de transtorno psiquiátrico tem jornada reduzida pela Justiça do DF


Que situação pra lá de excepcional é esta publicada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal:

JUIZ DETERMINA REDUÇÃO DE JORNADA DE MÃE DE 8 PORTADORES DE TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS

por BEA

O juiz da 8ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal julgou procedente pedido e assegurou à mãe de crianças com necessidades especiais a redução de 20% de sua jornada de trabalho, sem a necessidade de posterior compensação e sem prejuízo de sua remuneração.

A autora, que é médica vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do DF, ajuizou ação no intuito de obter a redução de sua jornada de trabalho, sem compensação de horários ou redução salarial, sob a alegação de que precisa prestar auxílio constante aos seus 8 filhos que possuem transtornos psiquiátricos graves.

O DF apresentou defesa na qual, em resumo, alegou a improcedência do pedido, pois não estaria de acordo com a Lei Complementar nº 840/2011, que permite a concessão de horário especial, desde que mediante compensação, e que a redução de sua carga horária, sem diminuição da remuneração, seria uma forma de aumento de remuneração indevido. Sustentou ainda que a fixação da jornada de trabalho do servidor público deve observar a conveniência e oportunidade da Administração Pública, no intuito de preservar o interesse público e o bem comum da coletividade.

O magistrado ressaltou que o caso se trata de uma exceção, que não foi prevista na legislação que regula os servidores do DF, e que a redução de jornada, nesse caso, não implica em aumento de salário da autora, mas garante mais proteção aos seus filhos que são portadores de deficiência: “A hipótese delineada nesta ação é absolutamente peculiar, não apenas pelo fato de a autora ser mãe de oito crianças, mas, fundamentalmente, em razão de seus oito filhos apresentarem algum tipo de transtorno mental. Aplicar o direito ordinário a situações excepcionais equivale a promover o nivelamento de casos desiguais e, portanto, negar a própria realização da justiça. Certamente, o legislador, ao positivar a norma contida no art. 61, II, em sua combinação com o § 2º da Lei Complementar Distrital nº 840/2011, não previu a possibilidade de uma servidora ser mãe de 8 (oito) filhos, todos com deficiência.A hipótese relatada nestes autos não pode, ao menos do ponto de vista abstrato e objetivo, ser considerada menos grave que a de um servidor em que ele próprio é portador de alguma deficiência, hipótese em que a lei admitiu a concessão de horário especial sem que houvesse a respectiva compensação (art. 61, I, da Lei Complementar Distrital nº 840/2011). Registre-se, por outro lado, que a adoção do entendimento aqui sufragado não caracteriza aumento indireto do salário e tampouco visa a beneficiar a servidora pública requerente. Pretende-se, a toda evidência, conferir maior proteção aos filhos da autora, portadores de deficiência, os quais necessitam de maior atenção e cuidado maternos. Deve-se conferir, nesses termos, elevada valoração normativa à dignidade da pessoa humana, princípio de hierarquia constitucional (art. 1º, III, da Constituição Federal de 1988), e, por consequência, plena aplicabilidade à proteção de direitos de pessoas com deficiência”.

A decisão não é definitiva e pode ser objeto de recurso.

Processo: 2015.01.1.141211-5



domingo, 17 de julho de 2016

Presidente turco quer que EUA extraditem clérigo muçulmano

Gülen à esquerda e Erdogan à direita: a Turquia entre a lua crescente e a espadinha...
A informação é da Agência Brasil:


Presidente turco pede que EUA extraditem acusado de liderar tentativa de golpe


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu neste sábado (16) a extradição do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado de estar por trás da tentativa de golpe militar de ontem (15). O imã vive em exílio voluntário na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Fethullah Gülen lidera o movimento que leva seu nome Gülen (ou Hizmet) e que se diz laico, mas prega uma versão moderada do islamismo. Segundo Erdogan, membros do Hizmet estão infiltrados em todos os aparatos do Estado.

O clérigo apoiou o presidente até 2013, mas a aliança foi rompida após o governo ter fechado diversas escolas gülenistas na Turquia. Gülen, que vive em exílio voluntário nos Estados Unidos, nega "categoricamente" qualquer participação no golpe.

Prisões

O comandante do Exército turco Adem Huduti foi detido por suspeita de envolvimento na tentativa de golpe militar, informou a imprensa local neste sábado. Mais cedo, autoridades turcas prenderam o suposto líder do golpe, general Akin Ozturk, ex-comandante da Força Aérea turca, informou o jornal Sabah.

Por cerca de um ano, Ozturk, que pode estar ligado a Fethullah Gülen, vem sendo considerado suspeito de tentar organizar um golpe militar. Ele foi comandante da Força Aérea turca entre 2013 e 2015.

O juiz da Corte Constitucional da Turquia Alparslan Altan também foi preso sob a acusação de apoiar o imã Fethullah Gülen.

Algumas horas depois da tentativa de golpe de Estado na Turquia, o órgão de controle de magistrados e procuradores removeu do cargo 2.745 juízes de todo o país.

Segundo a agência estatal de notícias Anadolu, a decisão tem como objetivo adotar medidas disciplinares contra os suspeitos de ligação com o clérigo muçulmano Fethullah Gülen.



sábado, 16 de julho de 2016

Turquia vive noite de caos e povo resiste a golpe militar


A matéria é da BBC Brasil:

Governo declara ter impedido tentativa de golpe militar na Turquia

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse na manhã deste sábado que seu governo resistiu à tentativa de golpe militar que na noite de sexta-feira causou caos no país. Segundo informações da mídia local e da agências de notícias internacionais, mais de 2.300 militares foram presos e centenas dos soldados que tinham ocupado pontos estratégicos de Istambul e Ancara, as duas principais turcas, renderam-se.

Erdogan estava de férias em um resort no balneário de Marmaris e retornou a Istambul ainda na noite de sexta para combater a ação dos militares. Em uma entrevista por telefone ao serviço turco da rede CNN Ele afirmou que o ato foi uma "traição" e que fará uma "limpeza" no Exército. O governo anunciou ainda que estuda reinstaurar a pena de morte para punir os participantes da tentativa de golpe.

Por meio de sua conta no Twitter, o presidente pediu que "o povo continue nas ruas para defender a democracia". O uso da rede social não deixou ser der irônico, já que o presidente anteriormente tentou censurar comentários críticos a seu governo na internet.

Em um pronunciamento pela TV, o comandante interino das Forças Armadas, o generla Umit Dundar, disse que 104 pessoas, descritas como "conspiradoras", tinham sido mortas em confrontos. Informações extra-oficiais são de que 190 pessoas, incluindo civis, morreram em enfrentamentos nas ruas. Há relatos de que soldados atiraram contra um multidão de pessoas que protestavam na sexta-feira contra o golpe na Praça Taksim, em Istambul.

Tensão

O número de feridos passa de mil.

"O povo foi para as ruas e declarou seu apoio à democracia. A nação jamais esquecerá essa traição. A Turquia irreversivelmente encerrou o capítulo dos golpes militares", afirmou Dundar, que assumiu o cargo depois de o titular, o general Hulusi Akar, ter sido feito prisioneiro durante a tentativa de golpe.

Foi uma alusão aos quatro golpes militares ocorridos na Turquia entre as décadas de 60 e 90, em que as forças armadas exerceram o que chama de "defesa do secularismo". Dessa vez, porém, o exército turco não pareceu estar unido em torno da bandeira do golpe.

E tampouco pareceu esperar a reação dos adeptos de Edogan e de seu partido, o AKP, de linha conservadora e religiosa, e que desde 2004 domina a política turca - de maneira controversa, sob acusações de censura da mídia e de cerceamento da liberdade de expressão. Manifestantes foram às ruas, desafiando o toque de recolher imposto pelos golpistas.

E o governo turco acusou os militares revoltosos de estarem alinhados com o Hizmet, um movimento político-religioso liderado pelo clérigo Fethullah Gülen, radicado nos EUA, e crítico ferrenho do regime de Erdogan.

Mas porta-vozes do recluso Gülen afirmaram seu repúdio ao golpe, que classificaram como uma "irresponsabilidade" dos setores militares envolvidos.

Na sexta-feira, pontes foram fechadas em Istambul e aviões militares sobrevoaram a capital, Ancara, no momento em que o grupo iniciou a tentativa de golpe.

De acordo com a agência de notícias estatal Anadolu Agency, tiros vindos de helicópteros militares foram ouvidos próximos ao Complexo Presidencial, em Ancara.

O helicóptero do Exército - que pertenceria ao grupo que tenta tomar o poder na Turquia - acabou derrubado por um avião de combate turco, segundo informações da emisssora estatal NTV.

A agência Anadolu relatou que 17 policiais foram mortos em um ataque aéreo no departamento de operações especiais Golbasi em Ancara.

A mesma agência afirmou ainda que jatos do Exército sobrevoavam a capital para "neutralizar" os helicópteros usados pelo grupo militar.

'Regime democrático corroído'

Logo nas primeiras horas da tentativa de golpe, o grupo de militares declarou lei marcial e impôs um toque de recolher, segundo informações da emissora estatal de TV TRT.

Uma nota oficial do grupo armado foi lida ao vivo na emissora. "O regime democrático e secular da Turquia foi corroído pelo atual governo. O país agora é administrado por um 'conselho de paz' que irá garantir a segurança da população", afirma a nota. "Uma nova Constituição será preparada o mais rápido possível."

O trânsito foi bloqueado para cruzar a ponte do Bósforo e a ponte Fatih Sultão Mehmet, duas das principais vias de Istambul.

A agência de notícias AFP relatou que houve uma explosão violenta em Ancara. Além disso, tiros foram ouvidos próximos ao quartel general militar na capital, segundo a Reuters.

Mais tarde, a emissora estatal TRT foi tomada pelo grupo armado, que invadiu os estúdios e tirou o canal do ar. Imagens do caos foram transmitidas na televisão, com homens armados no centro do estúdio, enquanto centenas de funcionários do canal estavam em volta pedindo calma.

A CNN turca também chegou a ser tirada do ar pelo grupo militar, que tomou os estúdios locais. A repórter da BBC Katy Watson, que está no país, compartilhou uma foto do canal de TV 'vazio'.

Tiros e explosões

Houve registros de tiros e explosões na capital Ancara e também em Istambul. Um dos locais mais violentos de conflito foi a ponte Bósforo, onde diversas pessoas ficaram feridas após confrontos com militares.

No aeroporto de Istambul, todos os voos foram cancelados e só começaram a ser retomandos na manhã deste sábado. Nas ruas, a tensão era visível pelos tanques militares que ocupavam as vias.

A mídia estatal na Turquia também noticiou que uma das explosões aconteceu no prédio do Parlamento, na capital turca.

'Golpe'

Segudo a agência de notícias Reuters, uma fonte da União Europeia disse que a ação na Turquia parece um "golpe muito bem orquestrado".

"Parece realmente um golpe relativamente bem orquestrado por partes importantes dos militares, não apenas alguns coronéis", afirmou.

O primeiro-ministro Binali Yildirim disse à NTV pelo telefone que o governo "não iria permitir nenhuma atividade que pudesse prejudicar a democracia".

"Houve um ato ilegal liderado por um grupo de militares que agiu de maneira independente do comando central do Exército. Nosso povo deve saber que não vamos permitir isso", afirmou.

Enquanto isso, a população passou a lotar lojas e supermercados para abastecer suas casas. Um repórter da BBC em Antália compartilhou imagens de filas imensas em postos de gasolina ou caixas eletrônicos e até lojas de conveniência - segundo relatos, sensação no país é de "golpe", e a população estáaria tentando se preparar para dias difíceis que estariam por vir.

Reação internacional

O presidente americano, Barack Obama, se manifestou por meio de nota sobre a situação e fez um apelo para todos os partidos da Turquia apoiarem "o governo democraticamente eleito e evitar qualquer violência ou derramamento de sangue".

No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também soltou uma nota pedindo "respeito às instuições e à ordem constitucional".

"Em relação aos acontecimentos em curso na Turquia, o governo brasileiro insta todas as partes a se absterem do recurso à violência e recorda a necessidade de pleno respeito às instituições e à ordem constitucional."

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que é importante "evitar um banho de sangue".



sexta-feira, 15 de julho de 2016

Terror islâmico não cede na França


O atentado do dia segundo a Agência Brasil:

François Hollande confirma que ataque em Nice foi ato terrorista

O presidente francês François Hollande disse hoje (14), em um pronunciamento de TV, que o atentado com um caminhão em Nice que matou pelo menos 77 pessoas, incluindo crianças, foi um ato terrorista. “A natureza terrorista [do ataque] não pode ser negado. O motorista foi morto a tiros, não sabemos se ele tinha cumplices”, disse Hollande. “Toda a França está sob ameaça do terrorismo islâmico”.

Hollande declarou que o estado de emergência iniciado após os ataques de novembro de 2015 e que se encerrariam no dia 26 de julho agora serão extendidos por mais três meses após o ataque de Nice. De acordo com o presidente, o trabalho da polícia aumentará, inclusive nas fronteiras

O presidente também disse que a França vai fortalecer sua campanha na Síria e no Iraque após o ataque a Nice.

Motorista morto a tiros

O último balanço do ataque registrava 77 mortos após um caminhão avançar contra uma multidão durante as comemorações da Queda da Bastilha, um feriado nacional francês. A prefeitura de Nice disse, pelo Twiter, que houve um atentado. A prefeitura do Departamento dos Alpes Marítimos, onde está localizada a cidade de Nice, disse que o motorista do caminhão foi morto a tiros pela polícia. Segundo a imprensa local, ele seria um residente de Nice de origem tunisiana.

O prefeito de Nice, Christian Estrosi, escreveu no Twitter pedindo para que os moradores residentes em Nice permanecessem em casa. Ele também declarou que foram encontradas armas e granadas no interior do caminhão e que o motorista disparou contra a multidão.

A mídia francesa informou que o caminhão bateu nas pessoas enquanto a multidão estava reunida assistindo a um show de fogos de artifícios no Paseio dos Ingleses, um ponto turístico muito popular em Nice. Também há informações não confirmadas de tiroteios no mesmo local.



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Bancada evangélica é derrotada na eleição para presidente da Câmara dos Deputados

Depois de colecionar muitas vitórias político-ideológicas, a massa amorfa batizada pelo nome de "bancada evangélica", mais conhecida por sua luta incessante pelo direito de odiar livremente, sofreu uma derrota significativa na eleição de Rodrigo Maia para presidente da Câmara dos Deputados na noite passada.

A matéria é do Congresso em Foco:

Sucessão na Câmara: evangélicos fazem campanha contra Rodrigo Maia

Grupo religioso é contra Rodrigo Maia porque ele foi o autor do requerimento para votação em regime de urgência do projeto de lei que criminaliza a homofobia – aprovado pela Câmara em 2006 e parado no Senado

POR LEONEL ROCHA

A frente evangélica está fazendo campanha para derrotar o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) no segundo turno da eleição para a presidência da Câmara. O motivo alegado pelos deputados religiosos é que Maia foi o autor do requerimento para votação em regime de urgência do projeto de lei que criminaliza a homofobia – aprovado pela Câmara em 2006 e parado no Senado por influência dos religiosos.

Para favorecer Rogério Rosso (PSD-DF), que também integra o grupo evangélico, a bancada convenceu o deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP) a retirar sua candidatura em pleno processo eleitoral na Casa. A campanha dos evangélicos contra Rodrigo Maia pode decidir a eleição ainda esta noite em favor de Rosso.

Maia dificilmente vai conseguir demover deputados evangélicos da influência desta campanha. O deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) é o mais empenhado em derrotar Maia. Ele usa o argumento em todas as conversas nesta noite na Câmara. A bancada evangélica tem cerca de 200 votos.



terça-feira, 12 de julho de 2016

Arqueólogos encontram cemitério filisteu em Israel

A Filisteia em tempos bíblicos: englobando a atual Faixa de Gaza em
meio às tribos israelitas retornadas do Egito

A questão é bem mais complicada do que a matéria abaixo, da BBC Brasil, quer fazer parecer, com o perdão da tripla locução verbal.

É que a etimologia do topônimo "Palestina", caso você ainda não tenha percebido, deriva do termo grego antigo Philistia, que evoluiu para o nome que ficou conhecido durante o Império Romano, Palaistinē (Παλαιστίνη, em grego, e Palæstina em latim).

Logo, fica complicado para o atual Estado de Israel lidar com uma necrópole enterrada no seu atual território, em que estão sepultados filisteus, já que toda a justificativa para a posse da terra se fundamenta na ocupação ancestral (desse mesmo espaço geográfico limitado do planeta) pela sua etnia.

Eis o artigo:

Arqueólogos fazem 'descoberta inédita' de cemitério filisteu em Israel

Pesquisadores em Israel afirmam ter descoberto um cemitério filisteu - seria, segundo eles, o primeiro a ser encontrado na história.

O achado, ocorrido em 2013 e tornado público neste domingo, pode trazer respostas sobre o antigo mistério em torno da origem do povo.

A descoberta marcou o fim da escavação realizada pela Expedição Leon Levy na região do Parque Nacional de Ashkelon, no sul de Israel. Os trabalhos duraram 30 anos.

Os líderes da pesquisa dizem ter encontrado 145 conjuntos de restos mortais em várias câmaras fúnebres, algumas cercadas por perfume, comida, joias e armas.

As ossadas são originárias do período compreendido entre os séculos 11 a.C. e 8 a.C.

Povo migrante

Os filisteus são mencionados na Bíblia como arqui-inimigos dos antigos israelitas.

Acredita-se que eles tenham migrado para as terras de Israel por volta do século 12 a.C, vindos de áreas do oeste.

O filisteu mais famoso nos dias atuais é Golias, guerreiro gigante que, segundo o livro sagrado, foi vencido pelo jovem Davi antes de ele se tornar rei.

"Após décadas estudando o que os filisteus deixaram para trás, nós finalmente ficamos cara a cara com essas pessoas", afirmou Daniel M. Master, um dos líderes da escavação.

"Com essa descoberta, nós estamos próximos de desvendar o segredo em torno de suas origens."

Segredo de três anos

O achado foi mantido em segredo por três anos até que os trabalhos fossem finalizados. O objetivo era evitar atrair a atenção de ativistas judeus ultraortodoxos, que já haviam feito atos contra escavações.

Os manifestantes acusavam os arqueólogos de perturbar locais de sepultamento.

"Nós tivemos que segurar as nossas línguas por um longo tempo", disse Master.

Especialistas que estudaram o período divergem sobre a origem geográfica dos filisteus - Grécia, sua ilha Creta, Chipre e Anatólia, na Turquia, são apontados.

A equipe da expedição está agora fazendo exames de DNA, de datação por radiocarbono e outros testes nos restos mortais em uma tentativa de apontar com previsão sua ascendência.

A maioria dos corpos não foi enterrada com itens pessoais, afirmam os pesquisadores, mas perto de alguns havia utensílios onde eram guardados perfumes, jarras e pequenas tigelas.

Poucos indivíduos foram sepultados com pulseiras e brincos. Outros, com armas.

"É assim que filisteus tratavam seus mortos, e esse é o 'livro de códigos' para decifrar tudo", disse o arqueólogo Adam Aja, um dos participantes da escavação.



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