sábado, 25 de abril de 2015

A tragédia de Gallipoli, 100 anos depois


Há exatos 100 anos, no dia 25 de abril de 1915, começava a campanha terrestre que passou para a história da humanidade como a batalha de Gallipoli (ou de Çanakkale, como os turcos a chamam), que duraria pouco menos de 9 meses e consumiria cerca de 500 mil vítimas.

A Primeira Guerra Mundial havia começado no dia 28 de julho de 1914, como relembramos aqui, e de um lado estava o Império Britânico com suas colônias e seus aliados tradicionais (os mais importantes - naquele momento - eram a França e a Rússia), e do outro a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano.

Todos os Impérios listados no parágrafo acima seriam dissolvidos no século XX. O Britânico resistiria até a Segunda Guerra (1939-1945), mas o Austro-Húngaro e o Otomano se esfacelariam após o fim da Primeira.

O Império Otomano se transformou, com muita perda de possessões, na atual Turquia, em cujo território fica a península de Gallipoli, que se converteria na carnificina cujo centenário é tristemente lembrado hoje.

Os britânicos acreditavam que era de vital importância estratégica a conquista da península, o que lhes garantiria uma rota segura para o abastecimento da Rússia, o controle do estreito de Dardanelos e a conquista de Istambul, capital do Império Otomano.

Em 18 de março de 1915, um ataque naval confuso e precipitado havia sido ordenado pelo então Primeiro Lorde do Almirantado britânico, Winston Churchill, que mais tarde seria o grande líder dos aliados contra a Alemanha nazista na guerra que se seguiu.

A resistência turca foi ferrenha e a tentativa de um desembarque naval resultou num retumbante fracasso.

A invasão por terra começou no dia 25 de abril de 1915, especialmente com forças australianas e neozelandesas, cujos países haviam sido - até alguns anos antes - colônias do Império Britânico.

Embora tenha estabelecido cabeças-de-ponte no território de Gallipoli, o exército aliado mal conseguiu avançar frente à feroz resistência otomana, comandada por Mustafá Kemal.

No combate corpo-a-corpo, centenas de milhares de soldados de ambos os lados foram massacrados, expostos que eram à linha de tiro do adversário sem nenhuma piedade.

A batalha de Gallipoli terminou com a derrota das forças aliadas, mas forjou dois grandes líderes mundiais e o sentimento de identidade nacional da Austrália e da Nova Zelândia.

Churchill, diante da fragorosa derrota, renunciaria ao Almirantado e, após um tempo recluso, decidiu combater com a Infantaria nas trincheiras europeias. 

Isso lhe devolveu o amor próprio e o respeito de seus pares, preparando-o para ser o grande líder aliado que venceria a Segunda Guerra Mundial.

Atatürk, o "Pai da Turquia"
Mustafá Kemal, grande político e estrategista militar, se tornaria no grande líder da formação da Turquia, abolindo o califado e o sultanato, além de modernizar e ocidentalizar o país que até hoje vive às turras com a estrutura laica e a influência islâmica.

Kemal chegou ao ponto de abolir o alfabeto árabe e transliterar o idioma turco para o alfabeto latino, a fim de adequá-lo ao mundo ocidental.

Não por acaso, portanto, o grande comandante otomano passaria para a história acrescentando o apelido de Atatürk, que significa "pai dos turcos".

Por outro lado, as imensas perdas humanas que sofreram Austrália e Nova Zelândia sob o comando desastrado de oficiais britânicos fizeram com que os dois povos recém-independentes reforçassem sua identidade nacional.

Gallipoli aglutinou a tragédia comum e funcionou, portanto, como uma espécie de "mito fundador" da nacionalidade de australianos e neozelandeses.

ANZAC (Australian and New Zealand Army Corps) era o nome do contingente de ambos os países que combateu em Gallipoli, que até hoje relembram a tragédia no ANZAC Day que é celebrado todo dia 25 de abril.

Gallipoli foi nome, também, de um excelente (impactante e triste) filme de 1981, com a melancólica trilha sonora do Adágio de Albinoni, dirigido por Peter Weir e estrelado pelo então novato Mel Gibson, cujo trailer e íntegra (com legendas) podem ser vistos abaixo:



Nada de novo, infelizmente. Milhares de jovens perdendo suas vidas na estupidez de uma guerra ordenada por senhores engravatados.



sexta-feira, 24 de abril de 2015

100 anos depois do genocídio armênio

O Império Otomano foi a potência muçulmana que dominou por muitos séculos boa parte do Oriente Médio, da África do Norte, da Ásia Menor e do Leste Europeu.

Era contra os otomanos que as Cruzadas se batiam naquilo que chamavam de libertação de Jerusalém dos não-cristãos, entre os séculos XI e XIII.

Responsáveis pela queda de Constantinopla em 1453, os otomanos conquistaram o antigo (e cristão) Império Bizantino e faltou pouco para que islamizassem todo o continente europeu, cujos reinos cristãos se uniram e venceram a batalha de Lepanto em 1571, o que impediu a expansão islâmica para o Ocidente.

No início do século XX, o Império Otomano havia perdido muito de sua antiga glória e poder, mas mesmo assim era fundamental no jogo geopolítico da época, pois ainda dominava vastas regiões do Oriente Médio e Ásia Menor.

Entre essas regiões estava a Armênia, a primeira nação que se declarou oficialmente cristã (dentro do que se podia entender como "religião oficial" na época) no ano de 301 d. C.

Encravados que estavam entre russos e otomanos, a identidade armênia foi forjada na fricção entre as duas potências e construída, em enorme parte, com seus fundamentos cristãos, o que não impediu que boa parte do seu território fosse tomado pelo Império islâmico no século XVI.

A convivência entre cristãos e muçulmanos nunca foi fácil, até que - no início da Primeira Guerra Mundial - os armênios se aliaram aos russos para combater o Império Otomano, que havia entrado no conflito ao lado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro.

Na noite de 24 de abril de 1915, um domingo, o governo otomano prendeu e executou cerca de 600 líderes e intelectuais armênios, e por isso esta data é considerada como o marco inicial daquilo que ficou conhecido como o "genocídio armênio".

Embora as estatísticas continuem polêmicas, estima-se que, nos dois anos que se seguiram, cerca de 1.500.000 de armênios foram assassinados das mais diferentes maneiras, por cremação, afogamento, crucificação, fome, gás tóxico, e outras modalidades de crueldade que ficaram mais conhecidas na Segunda Guerra Mundial.

O Império Otomano estava no meio de uma guerra que ia lhe custar a própria sobrevivência como país. No dia seguinte (25 de abril de 1915) começaria a invasão britânico-francesa da península turca de Gallipoli, na qual morreriam - inútil e estupidamente - 500.000 soldados dos dois lados.

Insuflada pelo desejo armênio de independência e pelo ódio religioso, a reação otomana perpetraria em proporções assustadoras o primeiro genocídio do século XX.


Oficial turco provocando crianças armênias famintas,
fingindo oferecer-lhes pão.

A derrota no fim da Primeira Guerra marcou a ruína do Império Otomano, cuja maior parte do território foi assumida pelo país que hoje conhecemos como Turquia.

Os armênios não tiveram paz, entretanto. Após novo conflito com a nascente nação turca, que lhe abocanhou boa parte do território, a Armênia foi incorporada à União Soviética em 1922, como uma das 15 Repúblicas Socialistas que formaram a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

País que tem o Monte Ararate como símbolo nacional, o que nunca faltou na história da Armênia foram dilúvios de toda espécie, afinal.

Os turcos jamais aceitaram que se usasse a palavra "genocídio" para descrever o massacre dos armênios. Sua principal defesa é a de que se tratava de um período de guerra no qual a barbárie e a traição corriam soltas.

Embora muitos países, como o Brasil, evitem o uso dessa palavra para evitar melindres diplomáticos com a Turquia, o fato é que a maior parte da comunidade internacional e quase a totalidade dos historiadores não-turcos concordam que o holocausto que começou naquela noite de 2015 configura um genocídio.

Apenas 10 países reconhecem oficialmente o genocídio armênio: Argentina, Bélgica, Chile, Chipre, França, Canadá, Alemanha, Grécia, Itália e Lituânia. 

Como você percebeu, também Israel e Estados Unidos dão às costas ao nome "genocídio" para manter boas relações com os turcos.

Alguns dias atrás, inclusive, o papa Francisco foi severamente criticado pelo governo turco por ter utilizado o termo "genocídio" em missa concelebrada com o patriarca Karekin II, da Igreja Ortodoxa Armênia.

O pontífice romano foi incisivo em sua fala: "Não podemos nos silenciar sobre o que vimos e ouvimos".

Curiosamente, apesar do centenário que hoje tristemente se relembra, esta declaração papal foi vista como inoportuna, pois enfraquece politicamente a Turquia num momento difícil em que o seu maior inimigo é o Estado Islâmico que lhe ameaça as fronteiras com a Síria e o Iraque.

De qualquer maneira, o genocídio armênio precisa ser relembrado para que, a exemplo de tantos outros massacres que maculam a história da humanidade, jamais seja repetido.

Este risco, infelizmente, está sempre batendo à porta de um planeta ainda contaminado pelo fanatismo e pela barbárie. O horror, ah, o horror...


Mosteiro de Khor-Virap, na fronteira com a Turquia tendo o Monte Ararate ao fundo.
Desde 642 d. C., é testemunha da história da Armênia, sempre esperando dias melhores.



quinta-feira, 23 de abril de 2015

John Travolta defende Cientologia contra acusações de documentário

A matéria foi publicada no Brasil Post:

John Travolta diz que segue a Cientologia porque "funciona"

O ator John Travolta, uma das mais famosas personalidades da Igreja da Cientologia ao lado de Tom Cruise, afirmou nesta segunda-feira que a ignorância está por trás das críticas a esta crença e que a segue porque "funciona". O ator defendeu a Cientologia em declarações concedidas ao programa Good Morning América, da emissora americana ABC, enquanto fazia a promoção de seu próximo filme, The Forger.

Travolta rebateu as recentes desqualificações contra a Cientologia motivadas pela estreia na HBO do documentário Going Clear: Scientology and the Prison of Belief, no qual um grupo de antigos fiéis dessa crença, entre eles o diretor de cinema Paul Haggis, falam dos supostos maus-tratos que sofrem seus membros. "Fui parte (da Cientologia) durante quarenta anos, desfrutei cada minuto e a minha família também. É algo fantástico pra mim, salvei vidas, salvei minha própria vida em várias ocasiões", disse Travolta, que considera que a campanha de desprestígio ocorre porque "quando algo funciona bem se transforma em alvo de crítica".

O ator afirmou que foi sua fé que o ajudou a superar a perda de seu filho Jett, morto por uma apoplexia em 2009, com apenas 16 anos, e convidou a audiência do Good Morning America a se informar antes de opinar sobre o assunto. "As pessoas não a compreendem. Tem que levar um tempo e ler um livro, esse é meu conselho. A menos que façam isso, elas estarão especulando. Acho isso um erro", defendeu.

Em Going Clear: Scientology and the Prison of The Belief são relatados abusos físicos e psicológicos como parte do funcionamento dessa religião, criada em 1954 pelo escritor americano L.R Hubbard, além das pressões sofridas pelos fiéis que resolvem abandoná-la.

Essas pessoas passam por um processo de "desligamento". Qualquer parente ou amigo que pertence à Cientologia é obrigado a lhe dar as costas. Certos castigos podem ser muito humilhantes, como limpar o chão de um banheiro com a língua.

Boa parte do documentário trata sobre o papel de Cruise e Travolta na hora de recrutar membros, obter fundos e de como a organização controlou as vidas de ambos. A Igreja da Cientologia qualificou o Going Clear: Scientology and the Prison of The Belief de "propaganda de primeira categoria", baseado em comentários de pessoas desonestas, hipócritas e que atuam de forma oportunista.



quarta-feira, 22 de abril de 2015

Justiça catarinense suspende "lei da Bíblia"

A informação é da Folha de S. Paulo:

Justiça decide suspender 'lei da Bíblia' em escolas de Florianópolis

LULY ZONTA

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu uma lei municipal em Florianópolis que obriga escolas públicas e particulares da capital catarinense a manter cópias da Bíblia em suas bibliotecas. Para o juiz, a lei "é uma afronta à liberdade religiosa".

A lei, publicada há um mês no "Diário Oficial" do município, é de autoria do vereador Jerônimo Alves (PRB), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.

O texto determinava que houvesse três exemplares da Bíblia, em texto, áudio e braile, "em local de destaque" nos colégios de ensino fundamental e médio, inclusive da rede privada.

A lei foi considerada inconstitucional e suspensa, liminarmente. Segundo o TJ, o desembargador Lédio Rosa de Andrade, relator na Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) ajuizada pelo Ministério Público, reconheceu vício formal e material na lei.

O relator também apontou risco de ofensa aos direitos e valores extrapatrimoniais das crianças e adolescentes nas escolas, bem como aumento de despesas para a administração pública.

"Esse tipo de imposição é uma afronta à liberdade religiosa e levará, sem dúvida, à intolerância e ao sectarismo, senão ao fundamentalismo, responsável por inúmeras guerras e matanças na história da humanidade", diz trecho da decisão.

Ainda não há prazo para julgamento do mérito da ação.

O projeto de lei 9.734 sempre suscitou polêmica. O prefeito Cesar Souza Jr. (PSD) teve o veto ao projeto derrubado pela Câmara. Assim como a prefeitura, o Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina ameaçava acionar a Justiça contra a proposta.

"A Bíblia hoje é o livro mais lido no mundo, por ser um livro histórico e de consulta, onde as pessoas deveriam ter acesso. Esse seria o principal objetivo do projeto, sem mexer na grade curricular ou querer inserir a religião no ensino, pois não é o nosso intuito", argumentou o vereador. Ele afirma que irá se reunir com sua assessoria jurídica antes de decidir o que fazer.

Na semana anterior à publicação da lei catarinense, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) ações diretas de inconstitucionalidade questionando leis estaduais similares no Amazonas, Rondônia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.



terça-feira, 21 de abril de 2015

A "epidemia" alemã de suicídios no fim da 2ª Guerra

Família Goebbels com Hitler em 1938:
em 1945 os adultos se suicidaram,
as crianças foram assassinadas.
E isto é só uma pequena parte
do horror que se seguiu ao fim
da Segunda Guerra Mundial.
Artigo interessante publicado n'O Globo de 14/03/15:

Suicídios contaminaram Alemanha nos dias finais da Segunda Guerra

Livro revela que exemplos de Hitler e Goebbels não foi fenômeno restrito à cúpula nazista

POR GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER

BERLIM - O lugar onde o pior ditador do século XX encontrou o seu fim fica no subsolo de um estacionamento de carros, junto a um prédio de apartamentos simples, de arquitetura despojada típica da era comunista, no centro de Berlim. A aparência banal do terreno que fica sobre o bunker do Führer é intencional, projetada pelo regime comunista da extinta República Democrática Alemã, onde ficava essa parte da rua Wilhelm no período de 1949 até 1989. No bunker onde a cúpula do regime nazista procurou proteção quando a derrota já parecia inevitável, ocorreram cenas dramáticas nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, que terminaram com a morte de todos. Mas o clima de tragédia dos derrotados não ficou limitado à cúpula: contaminou a Alemanha. Num livro sobre como os alemães reagiram à derrota nas semanas e meses de transição, pouco antes da chegada dos vencedores, o historiador Florian Huber revela que o suicídio de Hitler e Goebbels não foi um caso isolado, mas parte de uma histeria nacional que tomou conta da Alemanha.

— O mito do soldado nazista que lutou por sua ideologia racista até a última gota de sangue precisa ser revisto — contou Huber em entrevista ao GLOBO, pouco depois de ler trechos da obra “Kind, versprich mir, dass du dich nicht erschiesst” (“Criança, prometa-me que não vais te suicidar”, em tradução livre), escrita em forma de reportagem, no salão literário da Casa Bertolt Brecht, em Berlim.

SEM VIDA DEPOIS DO FÜHRER

Pouco depois do suicídio de Hitler e Eva Braun, Joseph e Magda Goebbels mataram primeiro as filhas Helga, de 12 anos, Hilde, 11 anos, Holde, 8 anos, Hedda, 6 anos, e Heide, de 4 anos, bem como o único filho, Helmut, de 9 anos (todos os nomes começavam com H em homenagem a Hitler), antes de dar fim às suas próprias vidas. “A vida no mundo que vai chegar depois do Führer e do nacional-socialismo não vale a pena”, escreveu Magda na carta de despedida ao seu filho mais velho, Harald Quandt, o único que sobreviveu. Harald (1921-1967), que por parte de pai pertencia à familia dos magnatas da empresa BMW, era filho do primeiro casamento de Magda com o industrial Günther Quandt, de quem ela se divorciou para casar, mais tarde, com o nazista Joseph Goebbels.

Segundo Huber, o suicídio coletivo no centro do poder nazista começou já em janeiro de 1945, quando nem o próprio ditador conseguia acreditar que seria possível uma vitória. No livro, o historiador diz que a “histeria nacional de suicídio” é o capítulo mais obscuro da história do Terceiro Reich. Foram dezenas de milhares de suicídios em toda a Alemanha. Só em Berlim, mais de seis mil pessoas suicidaram-se nos últimos dias da guerra. O clima de medo era não somente em relação aos soviéticos: também as grandes cidades ocidentais, como Munique ou Colônia, que foram libertadas pelos aliados, caíram na febre da maior onda de suicídio do mundo moderno.

Os números, no entanto, são apenas aproximados, porque nunca houve um levantamento exato dos casos, que até agora não tinham despertado atenção. Eram homens e mulheres que entraram em pânico por medo do futuro em um país ocupado, depois de uma ditadura durante a qual haviam esquecido qualquer resquício de humanidade.

— De um lado havia o confronto com um mundo que estava desmoronando. Depois de mais de 12 anos de regime nazista, as pessoas se deparavam com o nada, como se o mundo tivesse acabado. Mas havia também a convicção da culpa que haviam acumulado nesses anos e o medo terrível de que os inimigos vitoriosos na guerra praticassem contra elas as mesmas atrocidades que os nazistas haviam cometido contra os judeus — explica Huber.

No cemitério de Demmin, cidade que tem hoje 12,2 mil habitantes, um monumento lembra a tragédia que tomou conta do lugar no início de 1945. Quando os soviéticos atingiram Demmin, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, 230 km ao norte de Berlim, um pânico coletivo tomou conta da população. Em apenas três dias, quase mil pessoas se mataram.

— Mães e pais matavam os filhos por afogamento, estrangulamento ou com um tiro na cabeça, para depois fazer o mesmo consigo. A tragédia marcou para sempre a vida de muitas pessoas que conseguiam matar os filhos mas depois não tinham coragem de se matar — revela Huber.

Apenas um homem de Demmin, entre as centenas que sobreviveram depois de matar a família (e não ter tido coragem de tirar a própria vida), foi julgado pelo crime: o assassinato da esposa e dos dois filhos a tiros. O julgamento terminou com absolvição, porque os juízes consideraram o pai vítima de uma situação extrema, sem culpabilidade e isento de pena, do ponto de vista jurídico.

As vítimas da tragédia de Demmin estão sepultadas em uma cova coletiva. Os mortos eram enterrados apenas com a roupa que usavam no momento final ou em caixões de papelão — com tantos cadáveres em tão pouco tempo, não havia mais caixões de madeira disponíveis. As lápides, improvisadas, às vezes nem revelam os nomes, apenas descrições sobre a morte, como “menina enforcada pelo avô”, “menino afogado pela mãe” ou “crianças levadas pela mãe no suicídio”.

Manfred Schuster tinha 10 anos quando foi testemunha da tragédia de Demmin. Ele viu uma mãe pular no rio Peene, tendo os filhos pequenos fixados junto ao próprio corpo com a ajuda de uma corda de varal, usada para pendurar roupas.

— Duas das crianças conseguiram se desamarrar e nadar até a margem, de onde observaram a última luta dos irmãos para não afundar nas águas junto com a mãe — lembra Schuster, hoje com 80 anos, filho de um soldado da Wehrmacht.

SUICÍDIOS ERAM ROTINA NO PÓS-GUERRA

Karl Schlosser, também de 80 anos, é o último sobrevivente das famílias suicidas. Ele lembra como conseguiu escapar da tentativa da mãe de matá-lo com uma navalha de barbear.

— Minha mãe preferiu matar os dois filhos e seu pai, meu avô, para depois se suicidar, em vez de viver em uma cidade dominada pelas tropas do ditador soviético Josef Stalin — recorda Schlosser, que acompanhou a “epidemia de suicídio” em sua cidade natal como a principal rotina do final da guerra.

Todos os dias, ele via corpos sendo levados pela correnteza do rio, adultos e crianças enforcados que ainda estavam pendurados nas árvores ou pessoas mortas com a fisionomia desfigurada por causa do veneno que haviam tomado ou recebido dos parentes próximos. O veneno mais consumido era o cianureto de potássio, e, segundo Schlosser, as pessoas falavam sobre o cianureto na taça de vinho tinto como se fosse um pouco de leite no café.

— Toda a elite do regime nazista tinha doses de cianureto que planejava usar para o caso de cair nas mãos do inimigo. Com esse veneno, alguns condenados no Tribunal de Nuremberg evitaram uma execução, morrendo antes — explica o historiador e autor do livro. — Esse veneno era muito popular porque qualquer farmacêutico conseguia produzi-lo artesanalmente e porque ele oferecia a possibilidade de uma morte rápida.

Huber esteve na região do Palatinado, no Sudoeste da Alemanha, e teve a ideia de escrever o livro ao recordar as narrativas do seu pai, que tinha 11 anos quando a guerra acabou na região. Os soldados alemães tinham ido embora, os americanos eram esperados, mas não haviam ainda chegado, e as pessoas começaram a acabar com suas vidas como se tivessem perdido o equilíbrio mental.

— Meu pai contava que havia um clima de profunda incerteza, talvez porque as pessoas, no fundo, já soubessem que quase tudo que era lei no regime nazista passaria a ser visto como crime contra a Humanidade — conta Huber.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Divórcio aumenta risco de ataque cardíaco, diz pesquisa

A matéria é do Brasil Post:

Divórcio pode aumentar risco de ataque cardíaco em até 77%. Entenda o porquê.

Ione Aguiar

Você é divorciado? Então preste atenção no coração.

Pessoas que se divorciaram correm mais risco de sofrer ataques cardíacos do que pessoas casadas, revelou um estudo da Duke University.

Os pesquisadores acompanharam quase 16 mil pessoas durante 18 anos e concluíram que, especialmente para as mulheres, o divórcio pode ser um fator de risco tão alto quanto a pressão alta e o diabetes.

Mulheres que passaram por um divórcio têm 24% mais risco de sofrer enfartes.

Já entre as que se divorciaram mais de uma vez, o risco é 77% maior do que entre as casadas. O número é similar ao de hipertensos e diabéticos, cuja propensão de ter problemas cardíacos gira em torno de 73% e 81%, respectivamente.

Entre os homens, a diferença é mais modesta. Divorciados uma vez têm chances 10% maiores. Para duas vezes ou mais, o risco sobe para 30%.

Curiosamente, casar novamente diminui os riscos, mas só para os homens.

Por quê?

À BBC, a pesquisadora Linda George disse acreditar que o desgaste psicológico do divórcio leva a níveis mais altos de inflamação e aumenta os hormônios do estresse.

"A imunidade é prejudicada, e se isso continua por muitos anos realmente existe um preço fisiológico a se pagar", explicou.

Ela atribui a diferença entre os sexos à forma como homens e mulheres lidam com a separação. Segundo a pesquisadora, o divórcio pode ser "um fardo psicológico" mais pesado para a maior parte das mulheres.



domingo, 19 de abril de 2015

A sabedoria de Einstein, 60 anos depois de sua morte


Artigo interessante publicado no Brasil Post:

60 anos da morte de Albert Einstein: 6 frases inspiradoras do maior cientista da história

Ione Aguiar

"Amável", "nobre" e "são". Estas são algumas das palavras usadas para descrever Albert Einstein no obituário que estampou as páginas do New York Times em 19 de abril de 1955.

Neste sábado (19), faz 60 anos que Einstein morreu aos 76 anos, deixando para trás um mundo muito, mas muito diferente de quando nasceu.

O sentido do espaço e do tempo foi completamente demolido com sua Teoria da Relatividade. E duas bomba atômicas, consequências infelizes de sua genialidade, comprovaram até onde pode ir irracionalidade humana.

É consenso em suas várias biografias que Einstein foi um pacifista, dotado de agudo senso de justiça e de tolerância.

O Brasil Post reuniu algumas de suas frases, que provam que Einstein era muito mais do que um grande cientista. Era um homem fascinante.

1. Sobre o maravilhamento

"A mais linda experiência que podemos ter é o misterioso. É a emoção fundamental, berço da verdadeira arte e da verdadeira ciência. Quem quer que não a conheça e já não possa imaginar ou se maravilhar, está morto."

2. Sobre o senso comum

"Senso comum não é nada mais do que um depósito de preconceitos colocados na mente antes de fazermos dezoito anos"

3. Sobre o sucesso

"Se A é sucesso na vida, então A é igual a X mais Y mais Z. X é trabalho. Y é diversão, e Z é manter sua boca fechada!"

4. Sobre a paixão

"Nada realmente valioso nasce da ambição ou do mero senso de dever. Só surge do amor e da devoção pelos homens"

5. Sobre o nacionalismo

"Nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da raça humana."

6. Sobre a solidão

"Meu apaixonado senso de responsabilidade social sempre contrastou com minha pronunciada ausência de necessidade de contato direto com outros humanos. Eu sou realmente um 'viajante solitário' e nunca pertenci a meu país, meu lar, meus amigos ou mesmo à minha família com todo meu coração. Mesmo com todos estes laços, nunca perdi a necessidade de estar sozinho".



sábado, 18 de abril de 2015

Dietrich Bonhoeffer, 70 anos depois de sua morte

No dia 9 de abril de 1945, um mês antes da capitulação da Alemanha nazista frente aos aliados, Dietrich Bonhoeffer foi enforcado nu por ter tido a coragem de se opor à insanidade que havia tomado conta do país.

Em homenagem ao grande teólogo protestante alemão, reproduzimos o artigo abaixo publicado no IHU:


O desafio de Bonhoeffer ao nazismo.
Artigo de Alberto Melloni


Bonhoeffer não é um homem forçado a viver sob o nazismo: ele poderia ter ficado nos Estados Unidos ou em Londres, onde ele tinha sido levado pelo seu trabalho como teólogo e onde sonhou um concílio de todas as Igrejas para anunciar a paz de Cristo ao mundo em delírio.

A opinião é de Alberto Melloni, historiador da Igreja, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII de Bolonha. O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 09-04-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Era dezembro de 1931. Um jovem livre professor evangélico, pároco dos estudantes da escola técnica de Berlim, ávido leitor do livro de capa violeta de Otto Dibelius, O século da Igreja, vai escutar uma palestra do admirado teólogo, superintendente geral da Igreja Luterana em Berlim.

E conta a Erwin Sutz a cena hilariante que se revela a ele: "Dibelius nos informou em uma conferência sobre o fato de que a Igreja tem 2.500 estudantes a mais e que, por isso, aos teólogos poderão ser feitos pedidos particulares, incluindo, em primeiro lugar, a disponibilidade ao martírio, em uma luta em que estariam entrelaçados ideais políticos e religiosos! (...). Os ouvintes pisoteavam como loucos: viva a 'Igreja violeta'".

O ouvinte afiado e cortante daquela infantil arrogância era Dietrich Bonhoeffer: jovem teólogo de alta linhagem acadêmica (o bisavô era o historiador da Igreja Karl August von Hase, chamado por Goethe a Jena, o avô era o pregador da corte Karl Alfred), cuja figura e cuja obra marcam um antes e um depois na história do cristianismo.

Bonhoeffer não é um homem forçado a viver sob o nazismo: ele poderia ter ficado nos Estados Unidos ou em Londres, onde ele tinha sido levado pelo seu trabalho como teólogo e onde sonhou um concílio de todas as Igrejas para anunciar a paz de Cristo ao mundo em delírio.

De volta à pátria, trabalhou no seminário clandestino da Igreja Confessante, na que Dibelius também tinha entrado: e aceitou entrar na contraespionagem alemã, posição essencial para uma ação de resistência que visava a matar Hitler.

Preso no dia 5 de abril de 1943, deu-se conta, depois do fracasso do complô de Canaris, que não tinha saída e, da prisão de Tegel, escreveu, em forma de pensamentos, cartas e poesias, textos que cumpriam o percurso teológico iniciado com a tese sobre a Communio sanctorum em 1927 e que continuou nos cursos (o de 1932 saiu em italiano no dia 22 de abril, com o título Tra Dio e il mondo [Entre Deus e o mundo], pela editora Castelvecchi, traduzido por Nicholas Zippel, p. 64 e 69).

Assim, naquela série de textos que seria reunida com o título Resistência e submissão, Bonhoeffer marca uma ruptura no modo de pensar Deus com uma "fé concreta". Em torno dessa interrogação da responsabilidade se desdobrará a sua vida como prisioneiro até o dia 9 de abril de 1945, quando, em uma Alemanha já derrotada, Bonhoeffer foi levado ao castelo de Flossenbürg, submetido a um processo rocambolesco para salvar as formas e enforcado pouco antes da chegada dos Aliados.

Bonhoeffer não vive esse trajeto com a alma febril dos pisoteadores exaltados da "Igreja violeta", mas com a dolorosa ternura de quem viu a dupla "substituição vicária" da Igreja e do mundo, colocada, uma, lá onde deveria estar o outro, em um deslocamento em que o Cristo se revela como tal "para o mundo" e não "para si mesmo".

Ele já tinha escrito isso em uma pregação de 1932: "É possível que o cristianismo, iniciado de modo tão revolucionário, seja agora e para sempre conservador? (...) Se é realmente assim, não devemos nos admirar que até mesmo a nossa Igreja volte ao tempo em que será pedido o sangue dos mártires. Mas esse sangue, admitindo-se que ainda tenhamos a coragem, a honra e a fidelidade para derramá-lo, não será tão inocente e luminoso como o das primeiras testemunhas. Sobre o nosso sangue, haverá o peso de uma nossa grandes culpa: a culpa do servo inútil, que é jogado para fora, nas trevas".

Mas, ao se reconhecer assim, ele descobre a graça cara. E, ao mesmo tempo, descobre que somente "o Christus intercedens nos assegura da graça de Deus".



sexta-feira, 17 de abril de 2015

Refugiados muçulmanos jogam cristãos no Mar Mediterrâneo


A informação é do Brasil Post:

Imigrantes muçulmanos jogam cristãos no mar durante travessia para a Itália

Gabriela Bazzo

A polícia italiana prendeu 15 homens suspeitos de obrigarem 12 imigrantes cristãos de pularem de um barco em pleno Mediterrâneo durante uma travessia entre o continente africano e a costa da Itália.

De acordo com a polícia de Palermo, os homens presos eram da Costa do Marim, do Mali e do Senegal. Eles serão acusados de múltiplo homicídio motivado por ódio religioso. Além de provocarem a morte dos imigrantes, que vinham da Nigéria e de Gana, eles ameaçaram outros cristãos que estavam no barco.

De acordo com a BBC, eles estavam entre 105 pessoas que viajam em um barco inflável vindos da Líbia. Segundo os sobreviventes, outros cristãos que estavam no barco relataram terem sido ameaçados.

Segundo a CNN, os outros passageiros se salvaram porque formaram um cordão humano que evitou que eles fossem lançados no mar.

O incidente agrava uma crise humanitária: segundo a Organização Internacional para a Migração (IOM, siga em inglês), cerca de 20 mil pessoas chegaram à costa italiana este ano - durante a travessia, mais de 900 pessoas morreram desde o começo de 2015.

No ano passado, foram 3.200 mortes registradas e, desde 2000, 22 mil pessoas morreram tentando chegar à Itália.

No ano passado, 170 mil pessoas fugiram da África e do Oriente Médio e realizaram a travessia, de pelo menos 500 km, até a Itália.




quinta-feira, 16 de abril de 2015

Vaticano atrasa admissão de embaixador gay da França


A matéria rocambolesca é do IHU:

O embaixador francês é gay. A Santa Sé não o credencia

Em Paris, ele é considerado "a melhor personalidade possível para esse papel", mas o Vaticano ainda não deu o aval para Laurent Stefanini. O motivo pelo qual a Santa Sé atrasa o seu sim à nomeação do novo embaixador da França seria, de acordo com a mídia francesa, a sua declarada homossexualidade.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 10-04-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Sala de Imprensa vaticana opõe formalmente um "no comment" aos pedidos de esclarecimento dos jornalistas, que ressaltam a incongruência desse episódio com a sensibilidade acentuada em relação à condição homossexual manifestada tanto por Francisco ("Se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?", disse o papa no retorno da Jornada Mundial da Juventude do Rio), quanto do último Sínodo dos bispos sobre a família.

Por trás do silêncio das fontes oficiais, na Cúria, admite-se que o problema existe e que diz respeito não tanto à condição pessoal indicado do embaixador indicado por Paris, mas ao seu perfil público de apoiador do casamento gay.

Melhor outro nome

Na Secretaria de Estado, salientam que a decisão ainda não foi tomada e que a questão está sendo assumida pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados, que ocupa esse cargo há pouco mais de dois meses e que ainda não tem aprofundou a questão.

A última palavra caberá ao papa, depois de ouvir o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado. Na atual situação, a diplomacia pontifícia também espera que possa chegar de Paris a proposta de um outro nome.

O ex-chefe do protocolo do Eliseu e ex-número dois da Embaixada da França junto à Santa Sé, Laurent Stefanini, foi nomeado no dia 5 de janeiro pelo presidente François Hollande para suceder Bruno Joubert na Villa Bonaparte.

"Filha predileta"

No tabuleiro internacional, a França, "filha predileta" do papado, é historicamente um ambiente fundamental para a Santa Sé, a tal ponto que os serviços secretos franceses sempre tiveram a defesa do pontífice como uma das suas missões fundamentais, como demonstra também o alerto que chegou ao Vaticano pouco antes do atentado de 1981, na Praça de São Pedro, contra Karol Wojtyla.

"Não há figura mais apta do que Stefanini para desempenhar o papel de embaixador da França junto à Santa Sé", garantem no Quai d'Orsay, reiterando o "profundo conhecimento" por parte do diplomata dos dossiês ligados ao mundo católico e às relações com o Vaticano.

A melhor oferta

Stefanini obteve o "total apoio" da Conferência Episcopal Francesa, e o fato de que, para Paris, "não havia melhor candidatura possível" é garantido por fontes do governo francês.

Tal estado de impasse ao longo do eixo Vaticano-Paris ocorrera em 2008. "Quanto à sua sexualidade, é uma questão estritamente privada. Abstemo-nos de qualquer comentário", apontam em Paris, explicando que, nesse tipo de assunto, "nunca há um não", mas sim "uma ausência de resposta" sobre a proposta de candidatura.

Em todo o caso, o procedimento está ainda em curso. De acordo com vários meios de comunicação franceses, incluindo o Canard Enchaîné, Les Echos e Le Journal du Dimanche, o Vaticano ainda não deu o aval a Stefanini como embaixador francês junto à Santa Sé justamente por ele ser gay.



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Número de mortes por depressão cresce assustadoramente no Brasil

A informação foi publicada no UOL Saúde:

No Brasil, mortes por depressão crescem 705% em 16 anos

Fabiana Cambricoli

Em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil, mostra levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.

Foi a depressão, somada à dependência química, o que provavelmente levou o ator americano Robin Williams, de 63 anos, a se matar, na segunda-feira passada, dia 11. Os dados mostram que, em 1996, 58 pessoas morreram por uma causa associada à depressão. Em 2012, último dado disponível, foram 467.

O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil. Passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia. As taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.

No Brasil, a faixa etária correspondente à terceira idade é a que reúne as estatísticas mais preocupantes. No caso de mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos.

No caso dos suicídios, embora os números absolutos não sejam maiores entre os idosos, a maior taxa de crescimento no período analisado ocorreu entre pessoas com mais de 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.

Causas

Segundo especialistas, o aumento de suicídios e de mortes associadas à depressão está relacionado com dois principais fatores: o aumento das notificações e o crescimento de casos do transtorno. "Como o assunto é mais discutido hoje, há maior procura por atendimento médico e mais diagnósticos. Mas também está provado, por estudos epidemiológicos, que a incidência da depressão tem aumentado nos últimos anos, principalmente nos grandes centros", disse Miguel Jorge, professor associado de psiquiatria da Unifesp.

Jorge explica que, além do componente genético, que pode predispor algumas pessoas à doença, fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade profissional, podem favorecer o aparecimento da doença.

No caso dos idosos, a chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades os tornam mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. "Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e álcool e insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. Fazer escolhas pessoais e profissionais que ajudem a controlar esses fatores é uma forma de prevenir a depressão", diz o especialista.



terça-feira, 14 de abril de 2015

Já existe aula de yoga com maconha na California


A matéria é do Catraca Livre:

Professora inaugura aula de yoga com maconha na Califórnia

Em São Francisco, na Califórnia, EUA, a maconha para uso medicinal já é legalizada desde a década de 1990. Recentemente, a professora canadense Dee Dussault resolveu criar a Ganja Yoga, que consiste em uma aula de yoga em que os alunos são convidados a fumar a erva antes, durante e depois da prática. As informações são do Vírgula, da UOL.

A professora é especializada em Hatha Yoga e, em entrevista à CBC San Francisco, disse que as aulas de yoga 420 são "um caminho para que as pessoas possam desfrutar de relaxamento, alívio das dores, sensualidade e paz interior".

A ideia, que está fazendo muito sucesso, funciona da seguinte maneira: os primeiros 15 minutos são de consumo de maconha, seguidos de 90 minutos de prática de Hatha Yoga.

Os benefícios da prática de conciliar a atividade física com a maconha ainda não foram estudados. Algumas pessoas afirmam que a erva pode atrapalhar, pois tira o foco do aluno, já outros acreditam que os canabinoides potencializam o relaxamento e a dedicação durante as posturas. Para participar das aulas, é necessário ter o registro de usuário medicinal.



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Egípcia passa 43 anos por homem para sustentar família


A matéria é do Extra:

Mulher recebe condecoração após se passar por homem durante 43 anos para trabalhar e sustentar a família

Uma mulher egípcia, que durante 43 anos se passou por homem para conseguir emprego e sustentar sua família, recebeu uma condecoração do governo da cidade de Luxor, no Egito, na última terça-feira. Sisa Abu Daooh, de 64 anos, foi honrada pela Direção da Solidariedade Social local com o prêmio de “mulher chefe de família” por seus anos de trabalho árduo para alimentar a filha e os netos. A história dela só foi descoberta no ano passado. As informações são do jornal The New York Daily News.

Sisa perdeu o marido quando ainda estava grávida da filha. Ela, que não queria pedir esmolas nas ruas, mas estava pressionada socialmente para ficar em casa, decidiu, então, se disfarçar de homem para sustentar a pequena Houda. Assim, durante 43 anos, ela trabalhou fazendo tijolos e engraxando sapatos, entre outras atividades, para ganhar dinheiro.

“Eu preferia trabalhos pesados como levantar tijolos, sacos de cimento e limpar sapatos, que mendigar nas ruas. Eu precisava ganhar a vida para mim, para a minha filha e para meus netos”, disse ela.

Ela chegou a casar a filha com um homem, quando a menina já era jovem. Porém, o rapaz ficou doente e não pôde trabalhar. Por isso, Sisa continuou sua farsa. Para não ser descoberta, ela usava roupas masculinas - incluindo turbantes - para sair de casa.

“Para me proteger dos homens e de seus assédios, e para fugir da perseguição por causa das tradições, eu decidi ser um homem. Me vestia com as roupas deles para trabalhar ao lado deles (como igual), em aldeias onde ninguém me conhecesse”, lembra.

Atualmente, Sisa diz que se mantém trabalhando como engraxate porque, assim, ganha uma “renda decente”. “Minha mãe é a única que ainda provê para a família. Ela acorda todos os dias às seis da manhã para começar a polir sapatos na estação de Luxor. Eu carrego os kits de trabalho para ela porque ela já está em idade avançada”, diz a filha Houda.

Gentil, Sisa agradece quem já ajudou em seu percurso. “Obrigado a todos que têm me ajudado. Espero ver o Egito em uma situação melhor”, diz.



domingo, 12 de abril de 2015

Por que é tão difícil mudar?

Artigo de Marcelo Levites no Estadão:

Por que é tão difícil mudar?

A pior coisa da vida é ser obrigado a abrir mão de algo que gostamos e que nos dá prazer. Seja um alimento, um vício ou até mesmo um hábito. Todos nós sabemos que para ter uma vida saudável é preciso se exercitar, manter uma alimentação balanceada, dormir com qualidade, não fumar, não beber, ter amigos etc. Mas por que é tão difícil fazer algo que sabemos que é bom para nós?

A primeira explicação pode estar no fato de o nosso cérebro estar programado a fazer algo daquela maneira, sempre. E mudar essa programação é sempre muito difícil. Muitas vezes achamos até impossível, mas não é.

Outra é a autossabotagem. Isso ocorre muitas vezes na dieta. Mesmo o médico nos dizendo que estamos proibidos de consumir determinado alimento, pois passaremos mal, nosso cérebro dá um jeitinho de nos dizer o contrário e acabamos sempre nos dando mal.

Uma terceira hipótese é a certeza de que somos inatingíveis. “Sempre fiz desta maneira e nunca me aconteceu nada”.

Para quem tem mais idade, mudar é algo muito complicado. Mas é possível e, garanto a vocês, muito prazeroso. Não digo que precisa ser algo tão radical. Dar pequenas escorregadelas na dieta, furar a academia é algo do ser humano, mas não pode ser regra.

Várias estratégias podem ajudar nosso cérebro a criar novos hábitos. Antes de comer algo que possa lhe fazer mal pense duas vezes e lembre-se das consequências ruins que aquele alimento pode provocar. Antes de desistir do exercício pense seriamente nos efeitos positivos e saiba: somos frágeis sim e algo ruim como um AVC ou um infarto pode ocorrer conosco e não só com o vizinho.

Viver intensamente é respeitar os limites do corpo e da mente e ter qualidade de vida.

Viva mais e melhor.



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