quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mesmo que o morto tenha RG, São Paulo enterra como indigente

A dor da perda de um ente querido já é algo difícil de suportar, experiência triste pela qual todos nós passamos várias vezes na vida. 

Pior ainda é quando os governantes e os funcionários públicos que, com um simples telefonema pago por nossos impostos (aqueles mesmos que pagam seus salários e aposentadorias), poderiam aliviar muito esse sofrimento, permitindo aos enlutados que - pelo menos - pudessem sepultar seus parentes e amigos com um mínimo de dignidade.

Se você pensava que isso só acontece - infelizmente - com mendigos indocumentados, saiba que, em São Paulo, qualquer um pode ser enterrado como indigente numa vala comum, mesmo se tiver com a identidade e o telefone de casa no bolso. Basta ter a infelicidade de morrer subitamente na hora e no local "errados", se é que existe algum momento "certo" para isso, e ter seu óbito processado por um desumano qualquer.

E de nada adiantará a família e os amigos procurarem pelo "desaparecido" nas instituições que deveriam atender esse pleito simples e desesperado do cidadão. Podem passar décadas até que os parentes descubram que seu ente querido foi anonimamente jogado numa cova rasa.

O horror nem sempre depende da violência física ou de uma arma letal. Basta uma canetada para perpetrá-lo.

A notícia foi publicada na Folha de S. Paulo de 22/04/14:

Mesmo identificados, 3.000 mortos são mandados para vala comum em SP

ROGÉRIO PAGNAN
REYNALDO TUROLLO JR.

Nos últimos 14 anos, a rotina do técnico em telecomunicação Cláudio Rocha, 53, inclui a procura desesperada pelo pai, desaparecido.

Desde 15 de janeiro de 2000, ele visitou um sem-número de hospitais, unidades do IML e delegacias de São Paulo, mas nunca mais teve notícias do aposentado João Rocha, que tinha 72 anos quando sumiu de casa.

Na semana passada, Cláudio recebeu um telefonema que pôs fim à sua procura.

As notícias não poderiam ser piores: o pai estava morto e, apesar de ter se identificado ao dar entrada no hospital, foi enterrado como indigente em março de 2000.

Quatorze anos de procura em vão. "Eu esperava encontrá-lo vivo até hoje. Isso é um descaso muito grande", afirmou ele à Folha.

A família Rocha foi vítima de uma falha na burocracia estadual, que, revela-se agora, mandou para a vala comum cerca de 3.000 pessoas que possuíam identificação quando morreram nos últimos 15 anos na capital paulista.

Os "indigentes com RG" foram descobertos numa investigação do Ministério Público de São Paulo, coordenada pela promotora Eliana Vendramini, que se dedica a descobrir o paradeiro de desaparecidos em São Paulo.

Ela custou a acreditar, mas descobriu que o próprio sistema funerário estatal pode ter sido responsável pelo "desaparecimento" de milhares de pessoas na capital.

Isso porque o Estado manda para as valas públicas os corpos não reclamados por parentes num prazo de 72 horas, mesmo se o morto estiver com o RG no bolso. Vale-se de norma estadual de 1993, criada no governo Fleury (PMDB).

Faz isso sem tentar avisar qualquer parente, embora tenha dados de todos os mortos. Assim, deixa famílias numa busca sem fim.

Os enterros são realizados em parceria com o Serviço Funerário Municipal nos cemitérios 1 e 2 da Vila Formosa, na zona leste da cidade –onde os corpos chegam nus em caixotes de madeira com tampas de papelão.

Antes, também eram enterrados no cemitério Dom Bosco, em Perus, na zona norte.

A responsabilidade pelos casos investigados pelo Ministério Público é do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), órgão ligado à Faculdade de Medicina da USP.

O órgão atende casos de mortes naturais, em que não há suspeita de violência, mas que necessitam de investigação da causa do óbito.

Agora, o Ministério Público quer saber por que o Estado não procurou as famílias dos mortos identificados.

Ao contrário da Promotoria, a direção do SVO entende que a lei não o obriga a procurar os familiares.

Diz ainda que não tem equipes para executar essa tarefa e que está disposto a colaborar com a investigação do Ministério Público.

À Promotoria, o SVO afirmou que não tinha informações suficientes para chegar aos parentes. "Mas é tão possível localizar as famílias que nós estamos conseguindo", contesta a promotora.

Vendramini diz ainda que, além da Constituição Federal, que em seu artigo 1º trata da "dignidade da pessoa humana", o Código Civil obriga o serviço a fazer essa comunicação, porque o corpo pertence à família.

"É uma questão óbvia. Vai ter uma lei para dizer o óbvio? Vai ter uma lei para dizer: 'Não enterre um corpo identificado sem avisar a família?'", questiona.

Outro problema é o fato de o SVO ser desconhecido da maioria da população, que, em geral, procura familiares desaparecidos apenas no IML –que é encarregado de lidar exclusivamente com mortes violentas ou com corpos sem identificação.

O Ministério Público quer acabar com as procuras desnecessárias das famílias e pôr fim aos enterros sem aviso.

Primeiro, está cruzando a lista dos cerca de 3.000 "indigentes identificados" que passaram pelo SVO com a lista de desaparecidos do Estado de São Paulo.

O objetivo é saber quantas famílias ainda estão buscando seus familiares para dar-lhes a notícia da morte e limpar os nomes que inflam a lista de desaparecidos.

João Rocha estava nessa lista e faz parte da primeira família avisada.

Nas últimas duas semanas, a Folha localizou outras quatro famílias. Nenhuma delas foi procurada pelos serviços do Estado e os parentes foram enterrados como indigentes.

NAS DELEGACIAS

O Ministério Público também vê problemas no trabalho da Polícia Civil.

Segundo a legislação, a polícia é obrigada a registrar boletins de ocorrência das mortes antes de enviar os corpos para o SVO. Da mesma forma, a polícia registra o desaparecimento quando as famílias dão queixa numa delegacia.

Porém, em todos os casos analisados pela Folha, os dados dos boletins de ocorrência –de morte e de desaparecimento– não foram cruzados, o que teria encerrado as buscas das famílias.

Três das cinco famílias procuradas pela Folha, que tiveram parentes ou amigos desaparecidos, disseram desconhecer a existência do SVO. Nesses casos, os reclamantes ou ainda procuravam os desaparecidos ou já tinham desistido da busca.

Em um caso, o parente havia morrido também. Em outro, a filha encontrou o pai 20 dias após a morte, já enterrado como indigente. Buscou ajuda até de um pai de santo.

Há ainda um número desconhecido de pessoas identificadas e enterradas como indigentes pelo IML, vítimas de violência ou de acidente.



Bebês choram à noite para evitar que papai e mamãe gerem novos filhos

O título deste artigo poderia parecer até uma piadinha inocente, não fosse a prestigiosa universidade de onde procede a teoria sobre o choro egoísta do bebê: Harvard!

O biólogo evolucionista David Haig escreveu sobre isso no livro "Evolution, Medicine and Public Health" ("Evolução, Medicina e Saúde Pública"), onde defende a ideia de que o bebê que berra a todo momento à noite pedindo para ser amamentado, na verdade está tentando impedir que sua querida mamãe fique grávida de novo.

Esse choro nada altruísta serviria, portanto, para impedir que outro óvulo e outro espermatozoide da mesma família se encontrem e assim gerem um irmãozinho ou uma irmãzinha com o(a) qual o bebê ranheta teria que dividir os pais.

Já que ele não poderia forçar sua mãe a tomar pílulas ou seu pai a usar camisinha, só lhe restaria o aleitamento noturno para importunar sua mamãe e assim impedi-la de ter relações sexuais com o papai, até porque o cansaço torraria a libido de ambos.

Além disso, esse incômodo todas as noites faria com que a mãe atrasasse seu ciclo fértil, devido a mudanças hormonais que, embora não seja um método contraceptivo seguro, é o único recurso de que dispõe o bebê chorão.

Haig esclarece que, obviamente, os filhos recém-nascidos não fazem isso de propósito, mas em razão de que, no passado remoto, os bebês que eram amamentados à noite tinham uma maior possibilidade de sobrevivência.

O momento em que essas demandas noturnas começam a ser percebidas acontece por volta de 6 meses de idade do bebê, e tende a aumentar significativamente nos meses seguintes.

Em apoio à sua tese, David Haig acrescenta que certas desordens genéticas herdadas de cada um dos genitores mostram o acerto de sua teoria. Bebês que recebem certos genes do lado materno dormem mais à noite, o que favorece com que sua mãe engravide logo em seguida. 

Por outro lado, os rebentos que herdam os mesmos genes do lado paterno acordam mais vezes à noite, postergando a ovulação de suas mães, o que faz sentido evolucionário, pois os pais não teriam a garantia de que o próximo bebê fosse dele, o que lhes deixaria interessados em que o ciclo fértil de sua parceira fosse interrompido por um período.

Outros cientistas ouvidos pelo portal ScienceNews chamaram a atenção para o fato de que vivemos em uma sociedade muito diferente da primitiva, e que não há como voltar no tempo para testar a teoria na época em que o ser humano surgiu no mundo.

Haig conclui que, na sociedade moderna, não é mais necessário que as mães se preocupem tanto em amamentar os filhos à noite, pois bebês que não se alimentam à noite ou tomam mamadeiras durante o dia tendem a dormir um sono mais regular sem perturbar seus pais.



terça-feira, 22 de abril de 2014

Pat Robertson prevê fim do mundo para a próxima semana

Sim, ele está de volta: Pat Robertson! E desta vez para prever o fim do mundo para a semana que vem, mais especificamente dia 27 de abril de 2014.

É que justamente neste dia o asteroide 2014 HW passará "triscando" nosso querido planeta azul, a uma distância de 806 mil km da Terra, o que - em termos astronômicos - é uma lasquinha de nada (ou de tudo, dependendo do ponto de vista, é claro)

Alertando que já havia escrito em 1995 o livro "The End of the Age" ("O Fim da Era") sobre o tema, Pat Robertson disse em seu programa The Club 700 desta semana, que a profecia de Apocalipse 8:8, "O segundo anjo tocou a sua trombeta, e foi lançado no mar como que um grande monte ardendo em fogo", se refere a um asteroide em rota de colisão com a Terra, e a hora chegou.

Logo, se o mundo acabar na semana que vem, foi porque Pat Robertson avisou 19 anos atrás, não se esqueça disso, se tiver tempo...

Como não é bobo, nem nada, Robertson deixou a porta aberta para uma desculpa, caso o asteroide siga seu rumo junto ao infinito e nos deixe aqui são e salvos, ainda que com o coração na mão, dizendo: "Pode ser na próxima semana, ou pode ser daqui a mil anos, mas de qualquer maneira nós queremos estar prontos para qualquer que seja o tempo em que o Senhor diga 'estou embrulhando tudo', será a hora de voltar para casa".

Quem viver, verá!

Eis o vídeo da declaração de Pat Robertson:




segunda-feira, 21 de abril de 2014

A menina que caça com uma águia dourada


Matéria publicada com outras lindas fotos que podem ser vistas na galeria do UOL:

Caçada nas alturas

Um fotógrafo colheu imagens do que pode ser a única menina do mundo que aprendeu a caçar com uma águia-dourada na Mongólia.

Ashol-Pan tem 13 anos e, segundo o fotógrafo e escritor de guias de viagens Asher Svidensky, a menina fica muito mais à vontade com as águias.

Os meninos cazaques no oeste da Mongólia começam a aprender a caçar com estas grandes aves aos 13 anos, principalmente por raposas e lebres.

Os cazaques da cadeia de montanhas Altai, no oeste do país, são os únicos que caçam com estas águias e, atualmente, existem cerca de 400 falcoeiros praticantes. Ashol-Pan, que é filha de um famoso caçador da região, pode ser a única menina aprendiz desta arte.

O fotógrafo descreve Ashol-Pan como uma menina sorridente, gentil e tímida. As imagens da menina em uma atividade tão idemtificada com o mundo masculino mostra um pouco como a Mongólia está mudando no século 21.

Svidensky afirma que esta geração vai decidir o que acontecerá com as tradições. "Tudo ali vai mudar e será redefinido - as as possibilidades são fantásticas."



domingo, 20 de abril de 2014

Ressurreição em tempos modernos

A imagem fala por si só, e com bom humor:





sábado, 19 de abril de 2014

Mãe salva da forca o assassino de seu filho


Enquanto, no Brasil, certos "cristãos" defendem e disputam a tapa - envergonhada e dissimuladamente - o direito de se fazer - contra a lei - "justiça instantânea" com as próprias mãos, vem do Irã a notícia de que a mãe da vítima salvou da forca o homem que matou seu filho em 2007, conforme se pode ver nas impressionantes imagens que ilustram esta matéria.

Afinal, mãos que condenam à morte também podem perdoar. Só que, no caso, essas mãos são muçulmanas...

A notícia é do Terra:

Mãe de vítima salva iraniano da forca à beira de execução

O filho da mulher teria aparecido em um de seus sonhos e pedido que a família não se vingasse

Um homem foi salvo da forca pela mãe do rapaz que assassinou segundos antes de ser executado no Irã, de acordo com o Daily Mail. Balal já estava com os olhos vendados quando a mãe da vítima, Abdollah Hosseinzadeh Jnr, surpreendeu a todos e retirou a corda de seu pescoço.

De acordo com o pai da vítima, sua esposa mudou de ideia após ver o filho morto em um sonho. "Há três dias, minha esposa viu meu filho mais velho em um sonho e ele dizia que estava em um lugar bom e que não era para ela se vingar. Isso acalmou a minha esposa, e então decidimos pensar mais até o dia da execução", contou Abdolghani Hosseinzadeh.

O casal já havia perdido outro filho, de 11 anos, em um acidente de moto, de acordo com o Guardian.

Balal foi sentenciado à morte por matar Abdollah Hosseinzadeh Jnr, de 18 anos, à facadas, durante uma briga de rua, na cidade iraniana de Royan, em 2007. De acordo com o pai da vítima, o rapaz não tinha a intenção de matar Abdollah: "Balal não sabia como manejar uma faca, ele foi ingênuo".

De acordo com a lei islâmica (Sharia), os familiares de vítimas são autorizados a participar de execuções. Eles têm o direito de se posicionar em relação à pena de morte, mas não em relação à prisão do acusado.

Não foi confirmado se Balal será libertado.





sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gabriel García Márquez se vai


Faleceu ontem na Cidade do México, aos 87 anos de idade, o grande escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

Para quem conhece a literatura de García Márquez, morrer assim, na véspera da Sexta-Feira da Paixão, feriado católico que é tão celebrado e sentido na América Latina, parece ser uma dessas pequenas anedotas do destino.

É que ele, como nenhum outro escritor, soube captar o espírito místico e religioso do povo latinoamericano e transpô-lo para os livros, dentro do gênero "realismo mágico", do qual é fundador.

A exemplo de muitos outros leitores ao redor do mundo, este aqui que vos escreve acha que a primeira frase de um livro já é suficiente para dizer se a obra é boa ou não. 

Neste aspecto, García Márquez é responsável por duas das melhores aberturas de romance que eu, modestamente, conheço.

A primeira está em "Cem Anos de Solidão": "Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo".

A segunda (a meu ver, a melhor da literatura universal) é de "Crônica de Uma Morte Anunciada": “No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5 e 30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo”.

Ambas as aberturas, coincidentemente, abordam uma morte anunciada, uma execução irreversível, uma espécie de sexta-feira-santa-e-pagã, e mesmo assim cada trama se desenrola e se desenvolve de maneiras surpreendentemente distintas.

Só esses dois pequenos trechos de sua monumental obra podem dar, a quem nunca o leu, a dimensão de sua genialidade e importância para quem aprecia as boas letras.

Além dos dois romances citados acima, pessoalmente eu incluo mais dois entre os, digamos, vinte melhores livros que li na vida: "O Amor Nos Tempos do Cólera" e "Do Amor e Outros Demônios".

Tão acostumado a retratar o misticismo tipicamente latinoamericano em suas obras, não deixa de ser uma fina ironia o escritor e militante esquerdista "Gabo" ter morrido na quinta-feira da Semana Santa, período em que multidões seguem suas procissões chorosas pelo continente, do Rio Grande à Terra do Fogo.

Aqui no blog, já tivemos a oportunidade de destacar três momentos especiais de Gabriel García Márquez, aos quais remetemos o leitor nos links indicados a seguir: a nossa resenha de "Cem Anos de Solidão" (publicado em junho de 2008), a sua crítica mordaz sobre as festas de Natal (em dezembro de 2010) e seu discurso quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura  de 1982 (em março de 2012).

Morre o homem, mas fica seu gênio literário para ser apreciado enquanto o mundo for mundo e houver alguém disposto a sair da rotina e ler um bom livro.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Freira Cristina vence segunda etapa do The Voice italiano


Depois de causar comoção nacional e enorme repercussão internacional quando cantou pela primeira vez na edição italiana do The Voice, a freira Cristina Scuccia superou mais uma fase ontem à noite, quando venceu a concorrente Luna Palumbo no duelo em que as duas interpretaram "Girls Just Want To Have Fun" ("Garotas Só Querem Se Divertir") de Cindy Lauper.

A performance das duas competidoras foi equivalente, mas J-Ax, o mentor de ambas, terminou escolhendo a freira Cristina com a justificativa de que ela sabe se relacionar melhor com a plateia, ao mirá-la nos olhos.

Tire as suas próprias conclusões no vídeo abaixo:





quarta-feira, 16 de abril de 2014

Telexfree é pirâmide também nos EUA

O esquema Telexfree, que fez a alegria de muitos incautos prometendo enriquecimento fácil e rápido, foi proibido nos Estados Unidos diante da constatação (óbvia) de que se tratava do velho e conhecido golpe da "pirâmide financeira", que lá no Norte da América é chamado de "Ponzi scheme" ("esquema de Ponzi").

As autoridades de Massachussets se preocuparam, sobretudo, com a significativa comunidade brasileira que mora naquele Estado, e pediram o início de uma ação na Justiça americana visando não só coibir a prática como ressarcir - tanto quanto possível - aqueles que foram lesados pela Telexfree.

No relatório em que justificam a iniciativa, os promotores locais dizem que foram informados do golpe em trâmite naquelas paragens por um jornalista brasileiro.

Como a Justiça americana não está lá para brincadeiras, parece que a Telexfree já correu para pedir concordata, o que vai prejudicar ainda mais quem acreditou no conto do bilhete premiado.

O que mais nos impressiona nisso tudo, tanto lá como cá, é a enorme quantidade de "evangélicos" que aderem a esses "milagres financeiros" sem se preocuparem com sua legalidade ou com as consequências de seus atos, não só ligados à Telexfree como a outros esquemas que pululam por aí, mas atraem os "crentes" doidos por "prosperidade" como formigas atrás de um torrão de açúcar.

Mais impressionante ainda é que tem deputado que também se diz "evangélico" e defende com unhas e dentes essas práticas, havendo até quem queira legalizar o esquema de pirâmide no Brasil.

O esquema Telexfree já havia sido proibido no Brasil pela Justiça do Estado do Acre e, mesmo assim, chegou a patrocinar (pelo menos até ontem) a equipe carioca do Botafogo através de sua sede americana.

Recomendamos, ainda, a leitura do artigo "Há evangélicos que preferem as pirâmides" para uma análise mais detalhada do que são as malfadadas "pirâmides financeiras".

A matéria abaixo é do G1 Economia:

Telexfree é pirâmide e arrecadou US$ 1,2 bi no mundo, diz estado dos EUA

Massachusetts pede o fim das atividades e compensação aos investidores.
Empresa está bloqueada no Brasil e pediu concordata nos EUA.

Um relatório da Secretaria de Estado de Massachusetts, EUA, divulgado nesta terça-feira (15) afirma que a Telexfree é uma pirâmide financeira que arrecadou cerca de US$ 1,2 bilhão em todo o mundo. No documento, as autoridades pedem o fim das atividades da empresa, a devolução dos lucros e o ressarcimento das perdas causadas aos investidores, chamados de "divulgadores".

"Embora apresentado como uma mudança de paradigma em telecomunicações e publicidade, a Telexfree é meramente uma pirâmide velada e um esquema Ponzi (como também são conhecidas as pirâmides financeiras, em homenagem a Charles Ponzi, o homem que no início do século passado protagonizou uma das maiores fraudes financeiras da história) que tem como alvo a trabalhadora comunidade brasileiro-americana", diz a denúncia assinada pelo secretário William Galvin (Clique aqui para ler a íntegra do documento, em inglês).

No documento de quase 50 páginas, as autoridades de Massachusetts, onde fica a sede da Telexfree, afirmam que a empresa montou um esquema ilegal de venda fraudulenta de títulos e pedem a abertura de uma ação judicial para que sejam interrompidas as atividades da empresa e que os investidores sejam compensados por suas perdas.

Segundo o relatório da investigação, dos cerca de US$ 1,2 bilhão que o grupo faturou de janeiro de 2012 a fevereiro de 2013, apenas US$ 238 milhões vieram da venda de pacotesde telefonia VoIP (por meio da internet).

O documento destaca que a empresa prometia retorno de 200% a 250% aos "divulgadores", que compram e revendem pacote de contas e "recrutam" novos revendedores.

"Usando várias contas de bancos e entidades relacionadas, a Telexfree já arrecadou mais de US$ 90 milhões em Massachusetts e cerca de US$ 1 bilhão no mundo", afirma a secretaria Massachusetts.

A denúncia acontece um dia após a empresa anunciar que ingressou um pedido de concordata no Tribunal de Falências do Distrito de Nevada. Com a ação, as autoridades de Massachusetts tentam proteger alguns ativos para eventual ressarcimento das vítimas - um esforço que poderá ser frustrado caso o pedido de recuperação judicial seja aceito pelo Tribunal de Nevada. A corte ainda não apreciou as solicitações. As audiências estão previstas para os próximos dias.

Empresa sempre negou prática de pirâmide

Os representantes da Telexfree no Brasil não foram localizados pelo G1 para comentar o assunto. Desde segunda-feira (15), a reportagem deixou recados no escritório do advogado da empresa, Horst Fuchs, e enviou e-mails para a Telexfree no Brasil e nos Estados Unidos, mas não obteve retorno. Após a divulgação do resultado das investigações do governo de Massachusetts, o site internacional da empresa saiu do ar. Segundo um comunicado, a página está em manutenção.

A empresa sempre negou a prática de pirâmide ou qualquer irregularidade. Em comunicado divulgado na sua página internacional na segunda-feira (14), o presidente interino da Telexfree, Stuart A. MacMillan, defendeu a recuperação judicial da empresa. "Esperamos que o nosso negócio vai continuar a operar, e tudo faremos para apoiar os nossos associados de vendas e clientes com novos produtos e melhoria dos serviços, incluindo os serviços de VoIP que estão se expandindo para alcançar mais de 70 países", afirmou.

As atividades da empresa no país estão suspensas desde junho de 2013, por determinação da Justiça do Acre, por suspeita de prática de pirâmide financeira. Em fevereiro, a Telexfree teve negado pela segunda vez seu pedido de recuperação judicial no Brasil. Para a Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES), a empresa não poderia fazer o pedido por ter menos de dois anos de atividade.



terça-feira, 15 de abril de 2014

Malafaia censura canal de blogueira no youtube

Conforme já havíamos comentado aqui em julho de 2011, no artigo "Malafaia quer liberdade de expressão só para ele", o polêmico pastor carioca, através do estúdio que produz seus programas, mandou retirar do youtube um vídeo que o criticava, intitulado "Silas Malafaia, Mike Murdock e Morris Cerullo: como vender bênçãos divinas".

Já faz muito tempo que não comentamos sobre Silas Malafaia aqui no blog, e talvez seja isso que o esteja incomodando. Aos poucos ele percebe que perdeu a importância que imaginava ter e caminha a passos largos para a total irrelevância no mundo cristão, e isso deve incomodá-lo muito, além de - obviamente - prejudicar os negócios de suas empresas.

Ninguém mais se lembrava daquele vídeo, até porque poucos incautos ainda se deixam enganar por Mike Murdock e Morris Cerullo, afinal já deu tempo mais do que suficiente para perceber que todas as "bênçãos" que eles venderam (Bíblia a 900 paus, por exemplo) anos atrás eram engodo.

É que, graças a Deus, ainda tem crente que lê a Bíblia, e percebe que em Deuteronômio 18:22 está escrito: "Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás"

Aliás, a Bíblia do Malafaia foi vendida a 900 reais em 2009, e, se a profetada do Morris Cerullo tivesse dado certo, já haveria milhares de testemunhos sobre os seus poderes milagrosos, não é mesmo? Alguém ouviu um só?

O espírito de censura que baixou em terras malafaianas agora mostra apenas que o seu discurso de liberdade de expressão vale só para ele. O resto que cale a boca!

Bons tempos aqueles em que pastores não amaldiçoavam, mas abençoavam, nem tinham que recorrer a "agências" e "estúdios" para se defenderem, pois cristãos de verdade sabiam, como continuam sabendo, que seu único socorro é a Verdade de Cristo Jesus.

A informação é do exemplo bereano:

Inquisição gospel: Malafaia é contra liberdade de expressão.

Pelo menos quando a liberdade de expressão o denuncia. Minha amiga Vera (uma estrangeira no mundo) acabou de nos comunicar que foi censurada no Youtube por uma postagem onde apresentava e comentava cenas de um programa do Malafaia. O mesmo Silas que esbraveja na TV, criticando tudo não aceita criticas. Espero que a Vera consiga reverter a situação e volte com seu vídeo para que mais pessoas possam ver e refletir sobre quem é este senhor travestido de pastor e as barbaridades que ele prega como se fosse Palavra de Deus.

Qual o medo deste senhor? De ser contestado? Avaliando o que ele prega da para entender o medo da contestação pois seus argumentos são como castelos de areias que facilmente podem ser derrubados. Se fossem sólidos, moral e biblicamente falando, ele não precisa usar da censura para tentar calar quem discorda dele.

Abaixo o texto da Vera publicado no Facebook.


Pessoal, descobri hoje que o vídeo "Silas Malafaia, Mike Murdock e Morris Cerullo: como vender bênçãos divinas" (editado por mim com cenas dos programas desses (im)pastores, nas quais usam das mesmas técnicas de manipulação para levar os fiéis a doarem grandes quantias de dinheiro em troca de bênçãos financeiras e outras mais) foi REMOVIDO do Youtube. E ainda recebi uma ameaça do site, dizendo que se uma nova denúncia for feita eu perderei o canal "Estrangeira no Mundo".

Quem fez a "denúncia" foi a empresa Emotion Studius, que tem com um de seus clientes justamente o (IM)Pastor Silas Malafaia e sua ADVec (conforme http://www.emotiondigital.com.br/partners.php ). Devem estar se mobilizando para novas denúncias, já que há outros vídeos desmascarando o Malafaia em meu canal.

O vídeo deletado tinha 17.159 visitas. Espero, mesmo, que tenha sido bem compartilhado. De qq forma, vou ver se consigo postá-lo aqui no Face. Abaixo, a "notificação" após a remoção do vídeo. Os (IM)Pastores querem calar a todo custo quem denuncia suas HERESIAS, mas o Deus que servimos não dormita.

A Ele, toda a honra e toda a glória para sempre.

Prezado(a) Estrangeira no mundo:

Desativamos o seguinte material como resultado de uma notificação de terceiros de Emotion Studios Ltda alegando que este material é infrator: Silas Malafaia, Mike Murdock e Morris Cerullo: como vender bênçãos divinas


Observação: A reincidência na violação de direitos autorais acarretará a exclusão da conta do usuário infrator e dos respectivos vídeos enviados. Para evitar que isso ocorra, remova todos os vídeos sobre os quais você não detém os direitos de reprodução e não envie outros vídeos que violem os direitos autorais de terceiros. Para saber mais sobre a política de direitos autorais do YouTube, leia nossas Informações sobre direitos autorais.

Se uma de suas postagens for identificada incorretamente como infratora, o usuário poderá enviar uma contranotificação. Veja informações sobre esse processo em nossa Central de Ajuda.

Observe que na seção 512(f) da Lei de Direitos Autorais, qualquer pessoa que intencionalmente apresentar declaração falsa de que um material foi desativado por engano ou identificação incorreta pode estar sujeita à penalidades por danos.

Atenciosamente,

— Equipe do YouTube



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Compaixão à la Sheherazade


Esclareçamos logo de largada: Rachel Sheherazade e seus discípulos têm todo o direito a manifestar sua opinião, ainda que abjeta. Ponto.

Entretanto, quando ela se apresenta como “evangélica” e utiliza uma concessão pública para defender a violência, também deve estar preparada para ser contraditada. Faz parte do jogo democrático que, apesar de reconhecidamente falho, ainda não inventaram nada melhor.

Além disso, toda e qualquer questão polêmica tem vários ângulos pelos quais pode ser analisada. Portanto, quando a opinião se baseia em apenas um ponto de vista rasteiro, ela deve ser esmiuçada para que as pessoas que debatem (ou acompanham o debate) possam chegar à sua própria conclusão.

Quando Rachel Sheherazade lançou a campanha “adote um marginalzinho” em apoio ao quase linchamento de um rapaz negro e menor de idade, sua ironia barata apenas mostrava que o ovo da serpente estava chocando.

E seu veneno é tão tóxico que impede as pessoas de analisarem e dialogarem construtivamente sobre o caso.

Imediatamente se associa quem se opõe a esse raciocínio raso de Sheherazade a algum tipo de “amante do crime” ou “protetor de criminosos”, quando – na verdade – se trata de algo totalmente distinto, que a pressa em julgar e condenar não permite alcançar.

Quem prefere que as pessoas sejam investigadas, presas e condenadas segundo o rito previsto em lei não está apoiando o crime. Isto não significa que elas gostam de criminosos ou lhes queiram bem.

Tampouco se trata de divergências ideológicas entre direita e esquerda. O que se discute aqui é o respeito mínimo a regras de convivência em sociedade.

Significa apenas que os opositores do julgamento sumário (mais conhecido por “linchamento”) querem evitar o pior dos pesadelos na aplicação da justiça humana: a execução de um inocente.

Nesses casos, o comportamento de manada justiceira que se segue à indicação de alguém como responsável por um crime, como a própria expressão sugere, declina rapidamente para o instinto animal e impede que os passos lógicos da razão sejam seguidos para que se tenha certeza da culpabilidade do suposto criminoso, para somente então aplicar-lhe a punição cabível.

Essas regras básicas da vida em sociedade, entregando o suspeito às autoridades constituídas para que ele seja investigado e julgado segundo os ditames legais, nos permitem ter a consciência tranquila de que não vamos condenar um inocente à morte.

Se – mesmo assim – não estamos imunes aos erros judiciários, imagine o risco que corremos ao tomar a espada da Justiça em nossas mãos e decepar cabeças em “julgamentos” instantâneos.

Alegar que as autoridades constituídas para tanto não cumprem o seu papel (o que é absoluta realidade no Brasil em todos os níveis e esferas de responsabilidade), não basta para que combatamos a barbárie com a barbárie, o crime com o crime e o desrespeito com o desrespeito.

O fato de não vivermos num mundo ideal não nos isenta de buscar o equilíbrio e a racionalidade possíveis na sociedade e realidade ingratas que compartilhamos.

Um erro não justifica o outro!

A indignação contra a desídia, lentidão e impunidade patrocinadas pelas autoridades não pode servir de desculpa para que tomemos a justiça em nossas próprias mãos. Se eles erram por ação e – sobretudo – por omissão, nós corremos o risco de errar muito mais com “soluções” equivocadas e irreversíveis.

O linchamento de Alailton Ferreira às margens da BR 101 em Serra (ES), um jovem negro de 17 anos de idade e – supostamente - doente mental, revela o quanto a nossa sociedade pode ficar enferma quando um formador de opinião como Sheherazade, ainda que por via transversa e se valendo de uma concessão pública como é a televisão, defende a atitude execrável de fazer justiça com as próprias mãos.

Obviamente, a culpa que eventualmente se possa atribuir a Sheherazade deve ser diluída no caldeirão de descaso e indiferença para com os anseios de segurança da população, que as autoridades constituídas vêm cultivando ao longo de décadas, mas não há como eximi-la de responsabilidade, nem aqueles que repercutem seus delírios nas redes sociais.

Pior ainda é que muitos deles se dizem cristãos. Esquecem-se convenientemente de que foi o cristianismo que introduziu os conceitos de compaixão, perdão e reabilitação (conversão) na história do Direito e da Justiça.

Antes da influência cristã vigorava, nesses casos, a justiça retributiva dos gregos e a lei hebraica do talião: dente por dente, olho por olho. Ainda assim, pelo menos um simulacro de julgamento era necessário. Mesmo que fosse para soltar Barrabás.

Em 2014, no Brasil, nem isso mais é possível. Basta uma acusação qualquer que, em questão de segundos, o suposto meliante é executado pela massa ignara. Com direito a replay.

E pessoas que se dizem cristãs - e compartilham emotiva e hipocritamente lindos trechos bíblicos em suas redes sociais – disputam no tapa o delirante privilégio de atirar a primeira pedra.



domingo, 13 de abril de 2014

Todo ser humano nasce prematuro

A pretexto de falar sobre cólicas em bebês, o Dr. Moises Chencinski (pediatra e homeopata) escreve um interessante artigo para o Guia do Bebê que vai mais além, conforme você pode conferir abaixo:

Cólicas em Bebês - parte 2

Para compreender as cólicas nos bebês é preciso primeiro entender que todo ser humano nasce prematuro e por isso precisa de cuidados especiais

Nesse “capítulo” e no próximo, quero levar vocês comigo em uma viagem muito diferente, mas muito legal (pelo menos, em minha opinião) e gostaria que vocês pudessem, por algumas linhas, ter a mente aberta para novas informações e sensações.

Depois disso, poderemos ter novas “ferramentas” e novos caminhos a trilhar para compreender não só as cólicas, mas o choro e o desenvolvimento dos nossos bebês e não teremos mais medos, preocupações ou noites sem sono e sim uma fase linda da vida da família, da qual teremos saudades.

Vamos lá?

Todo ser humano nasce prematuro

Muitos estudos e muita observação mostra que independente de nosso tempo de gestação (9 meses – quase 270 dias), se de termo ou não, todas as crianças da “raça humana” nascem antes do tempo, quer seja avaliada a questão clínica, física, social ou psicológica.

Após uma gestação inteira de preparação, a criança quando nasce não sabe se alimentar sozinha, não enxerga adequadamente, escuta mal, não fala, não anda, não senta, não sustenta nem a cabeça, não se relaciona com os seus semelhantes e leva muito tempo para atingir um patamar próximo ao do recém-nascido de qualquer outra raça do reino animal. Isso significa que, se esse bebê fosse deixado para se virar por conta própria e não tivesse a sorte de ser um Tarzan (o rei da selva -1918) ou um Mowgli (o menino lobo), ele certamente não sobreviveria.

Isso mostra sua necessidade e até dependência dos adultos da sua família para seus cuidados, alguns dos quais só pode ser suprido pela mãe.

Mas, se por um lado, ser prematuro significa que o bebê não está pronto ao nascer, como grande parte dos animais que dependem de habilidades para sobreviver desde muito cedo, por outro lado, ele está aberto para se desenvolver de forma única, podendo ser mais flexível em suas adaptações e tem constante necessidade e capacidade de inovar e aprender. E esse meio ambiente influencia diretamente o desenvolvimento da criança.

Com poucas horas de vida, boa parte dos animais está preparada para andar, correr, buscar seu alimento, se esconder e se defender. Um “bebê da raça humana” pode levar anos para se desenvolver a esse nível. Essa é uma das razões pelas quais a infância é tão longa até chegarmos à adolescência.

Somos inteligentes e racionais

Ou quase isso.

Vamos a uma sessão você sabia?

- Você sabia que um bebê nasce com um cérebro de 25% do tamanho do cérebro do ser humano adulto?

Ao nascer, nosso cérebro pesa cerca de 350 gramas (no adulto chega a 1.400 gramas) e tem um volume 4 vezes menor do que o do adulto. Após um mês, ele pesa 420 gramas, ao final de um ano 700 gramas (metade do tamanho do adulto).

Passamos apenas 2% de nosso tempo de vida na infância, mas 80% de nosso cérebro cresce até os 2 anos de idade e 90% aos 3 anos.

Essa lentidão do desenvolvimento do cérebro e do nosso desenvolvimento (comparada ao de outros animais) pode ser vista como uma vantagem porque possibilita a influência do meio em que ele vive em seu desenvolvimento ao longo da vida, permitindo uma maior capacidade de aprendizagem e uma adaptação ao meio. Mas, isso também mostra uma maior necessidade da presença de outros seres humanos, de preferência da família e, sempre que possível dos pais, nesse processo.

- Você sabia que um macaco nasce com 50% do tamanho do cérebro do macaco adulto?

Isso mostra que um macaco recém-nascido (após 237 dias de gestação se for um chimpanzé) já nasce com condições de um desenvolvimento e uma adaptação muito mais rápida que a do bebê humano, até porque precisa disso para sobreviver em seu meio ambiente natural.

Estudos de 1944, por Adolf Portmann (zoólogo - 1897-1982) já mostravam que para um bebê humano recém-nascido atingir a fase do desenvolvimento de um macaco recém-nascido, a gestação teria que ter 21 meses. Será que alguma mãe estaria disposta a esperar assim?

Outro autor (Bostok) dizia que para que um recém-nascido pudesse “pensar em se cuidar sozinho”, tentando escapar de perigos por conta própria, ele precisaria pelo menos engatinhar (ficar “quadrúpede”) e isso acontece por volta de 266 dias após seu nascimento (9 meses), ou seja, o mesmo tempo de uma gestação dentro do útero.

Assim os macacos, assim como outros “animais irracionais” nascem prematuros, mas permanecem imaturos por menos tempos do que os bebês de “animais racionais” (nós).

- Você sabia que é o tamanho da cabeça do bebê e da pelve estreita da mãe que determina a hora de nascer?

No último trimestre de gestação, o cérebro do bebê cresce demais. Se os bebês não nascessem após 266 dias de gestação, e ficassem mais tempo dentro do útero, e se seus cérebros continuassem a crescer na mesma velocidade, a cabeça não passaria pelo canal vaginal e colocaria em risco a sua vida e a de sua mãe. Dessa forma, mesmo sem estar “completamente pronto”, o bebê precisa nascer e nasce por conta própria, ao seu próprio tempo.

Isso mostra a necessidade do cuidado do nascimento ao tempo certo, sem nada nem ninguém para apressá-lo. Ele já está nascendo antes do que deveria para estar pronto. Tirar um bebê do útero sem respeitar seu próprio tempo de desenvolvimento (cérebro, sistema digestório, circulatório, respiratório) pode acarretar grandes riscos para sua sobrevivência após o corte do cordão umbilical.

Já consegui convencer vocês que nosso bebê nasce antes do que devia (prematuro), que precisaria de pelo menos mais 9 meses de gestação para nascer “mais pronto”, que demora a se desenvolver e precisa da presença mais constante de seus pais e familiares para que esse processo ocorra da forma mais satisfatória e completa possível?

Vamos devagar, tá? Sem pressa. Vou dar um tempo para se digerir melhor essas informações e voltamos na semana que vem, pode ser? Aguardo vocês aqui de novo.



sábado, 12 de abril de 2014

Bíblia: a nossa estrada comum


Artigo publicado no IHU:

Bíblia e literatura: o Nazareno beat. 
Artigo de Gianfranco Ravasi


Apesar de toda rejeição ou desmemoriamento, a Bíblia é – nas palavras do título do célebre ensaio de Northrop Frye – "o grande código" da nossa cultura; o Evangelho é a fonte da nossa civilização, como asseverava Kant; e o cristianismo, a "língua materna" da Europa, para usar uma definição bem conhecida de Goethe. 


A opinião é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado no jornal Il Sole 24 Ore, 30-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto. 

Eis o texto.


Nietzsche estava convencido de que Jesus tinha morrido jovem demais: "De fato, ele mesmo teria renegado a própria doutrina se tivesse chegado à minha idade" (em Assim falou Zaratustra). O autor do Anticristo, então, estava persuadido de que o apóstolo Paulo era um deletério "desangelista", isto é, anunciador de uma "má nova", ao contrário dos evangelistas, e propunha no Ecce Homo a substituição de Dionísio no lugar de Cristo sobre os altares da civilização ocidental, elevando assim Atenas e Roma à ribalta, e afundando Jerusalém nos abismos, ao contrário do que sonhava João no Apocalipse. No entanto, o mesmo filósofo foi forçado a reconhecer em Aurora que, para nós, ocidentais, entre a experiência da leitura dos Salmos e a de Píndaro ou de Petrarca, há a mesma diferença existente entre a pátria e a terra estrangeira.

Não há dúvida: apesar de toda rejeição ou desmemoriamento, a Bíblia é – nas palavras do título do célebre ensaio de Northrop Frye – "o grande código" da nossa cultura; o Evangelho é a fonte da nossa civilização, como asseverava Kant; e o cristianismo, a "língua materna" da Europa, para usar uma definição bem conhecida de Goethe.

Eis, então, há muito tempo, a multiplicação de textos que aprofundam a chamada Wirkungsgeschichte, ou seja, a "história dos efeitos" que as Sagradas Escrituras e, mais em geral, o patrimônio cultural cristão induziram no nosso pensar, dizer e agir. O último livro que prossegue – obviamente, por sondagens e por símbolos – nessa busca vê como autora uma teóloga que também é filóloga clássica e anglicista, a alemã Karin Schöpflin, professora em Göttingen.

As suas páginas se entrelaçam ao longo da trama diacrônica da Bíblia, partindo, portanto, do incipit genesíaco, avançando de etapa em etapa através dos livros históricos, sapienciais e proféticos do Antigo Testamento, para chegar aos Evangelhos, à Igreja das origens dominada pela figura de Paulo e à tela grande final pintada pelo Apocalipse joanino.

Em cada uma dessas etapas, a autora demarca o seu discurso sobre dois registros: um é puramente exegético ("biblicamente"), o outro, ao invés, é dedicado à exemplificação da recepção literária das narrativas, dos personagens, dos símbolos, dos temas bíblicos ("literariamente"). Tem-se, assim, a intersecção de dois textos que, por si sós, também poderiam ser usados autonomamente, a fim de obter, no fim, uma introdução à Bíblia, de um lado, e uma vasta antologia literária, de outro.

A multidão de autores envolvidos – respondem ao apelo todos os maiores, de Alighieri a Tolstoi, apenas para evocar os extremos alfabéticos mais significativos – revela uma surpreendente sintonia com as Sagradas Escrituras, às vezes de formas inesperadas, outras vezes de modo provocativo. Assim, por exemplo, pode surpreender que – diante da infindável tradição literária que se agarrou àquela obra-prima que é o livro de Jó, até empurrá-lo ao longo de territórios estranho (pensemos em Resposta a Jó, de Jung) – Schöpflin tenha escolhido, além do drama Jedermann (Cada um) de von Hofmannsthal, a última novela do Decamerão, a de Gualtieri, Marquês de Saluzzo, e da pobre Griselda.

No interminável "paratexto" que flui a partir do "texto" evangélico e do seu protagonista, Jesus Cristo, emerge uma trilogia que vê dois sujeitos imponentes como o Messias, de Klopstock, e a Ressurreição, de Tolstoi, mas surpreendentemente também a "fábula de inverno" Deutschland, de Heine, com um Cristo "fracassado", mas transformador do mundo.

E, se quisermos voltar ao Bere'shit, o "No princípio" do Gênesis, eis que vêm ao nosso encontro necessariamente o Paraíso Perdido, de Milton, mas também o insuspeito Frankenstein, de Shelley (aquele horror, de fato, é sutilmente teológico, por ser prometeico e, portanto, obra de uma decriação antidivina), o menos conhecido Gellert, um poeta do século XVIII, e o "metafísico" do século XVII Marvell com o seu The Garden, centrado na desconcertante interpretação do paraíso como solidão absoluta, rompida pela presença do outro (Eva), verdadeiro pecado original.

Detemo-nos, sem continuar em uma leitura de extraordinária atração e de muitas iridescências. Fazemo-lo para abrir espaço não para uma resenha, mas apenas para uma sinalização de outro livro ainda mais fascinante que engloba, mas também transborda, o gênero agora proposto. Antonio Spadaro é o jesuíta nascido em 1966 que se tornou conhecido em todo o mundo pela entrevista com o Papa Francisco que publicada na Civiltà Cattolica, por ele dirigida.

Na verdade, ele é também um finíssimo intérprete da cultura norte-americana contemporânea e manifesta isso agora descrevendo a sua paisagem literária, porque se trata de uma verdadeira paisagem existencial e espiritual que se cruza com a histórico-geográfica. Esse afresco da América na sua pele e nas suas veias (como diz o título) se transforma em uma cavalgada ao longo de milhares de páginas poéticas e narrativas que são evocadas por Spadaro com a agudeza das suas análises, mas também com a entrada direta das vozes dos protagonistas através do encaixe das citações.

Vai-se do profeta e pioneiro Whitman e da inesquecível Dickinson, da "comédia humana" da antologia de Lee Masters ou ainda do "anel metafísico do mundo selvagem" de London, até a "inteligência lírica" de Ferlinghetti, à "épica das coisas e das imagens" e às suas epifanias de um Williams ou de Bishop. Mas se vai além, até personagens que sempre emocionam como Carver, Sylvia Plath, a O'Connor de Wise Blood e aquele "estranho solitário louco místico católico", como Kerouac se autodefine.

É justamente o retrato desse ícone da beat generation que nos surpreende pela sua insone espiritualidade, confiada a cartas, orações, poesias, invocações dirigidas a Deus, a Jesus, até mesmo a São Paulo: "Deus, devo ver o teu rosto esta manhã, o Teu Rosto através dos vidros empoeirados da janela, entre o vapor e o furor; devo ouvir a tua voz acima do clamor da metrópole...".

E, assim, Na estrada se torna uma peregrinação, e beat é a primeira "batida" evangélica de bem-aventurança: "Uma tarde, eu fui para a igreja da minha infância em Lowell, Massachusetts, e, de repente, com lágrimas nos olhos, quando ouvi o sagrado silêncio da igreja, tive a visão do que eu realmente quis dizer com a palavra Beat, a visão que a palavra Beat significava bem-aventurado...".



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