terça-feira, 19 de setembro de 2017

Deputados evangélicos viram fiscais de tudo

Quadro "Não matarás", de José Zaragoza. Não se sabe se os deputados evangélicos o compreenderam...






Para desgraça do Brasil, infelizmente.

Bons tempos aqueles em que Marco Feliciano era "só" "fiscal de fiofó", né...

Bem que meu pai me dizia que o primeiro sinal da contaminação irreversível pelo vírus da política é a perda do senso de ridículo.

Logo, logo, queimarão livros e quadros em praça pública (e o mundo já viu este filme antes).

A matéria é do Congresso em Foco:

Deputados evangélicos inspecionam mostra sobre ditadura, e não encontram o que censurar

EDSON SARDINHA E JOELMA PEREIRA

Uma comitiva de deputados federais evangélicos fez uma “inspeção” no Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília, para saber se havia conteúdo impróprio para crianças na exposição “Não matarás”, mostra coletiva que faz uma releitura da ditadura militar. Mas eles não encontraram nada para censurar.

O grupo, capitaneado pelo coordenador da Frente Parlamentar Evangélica, Takayama (PSC-PR), e pelo Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), decidiu visitar o museu depois de receber pelo WhatsApp “denúncia” de uma mãe que alegou ter ficado incomodada ao levar o filho menor de idade ao espaço cultural e se deparar com imagens de corpos nus. Depois de ver as obras e ouvir as explicações de um funcionário, os parlamentares concluíram que não havia qualquer motivo para contestar a exposição.

A inspeção dos parlamentares, feita nessa quarta-feira (13), ocorreu três dias após o banco Santander cancelar a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que abordava a diversidade sexual, para atender pedido do Movimento Brasil Livre (MBL), entre outros grupos. Eles acusaram os organizadores da mostra de incentivar a pedofilia, a zoofilia e a blasfêmia. O recuo, porém, gerou uma grande onda de indignação e protestos nas redes sociais contra o Santander e o MBL, acusados de censurar manifestações artísticas e culturais.

A visita dos deputados ao Museu Nacional, em Brasília, foi organizada por Takayama. Além dele e de Feliciano, também participaram os deputados Arolde de Oliveira (PSC-RJ), Lincoln Portela (PRB-MG), Marcos Soares (DEM-RJ) e Luciano Braga (PRB-BA).

Embora não tenham encontrado conteúdo impróprio, os parlamentares informaram ao Congresso em Foco, por meio de sua assessoria, que vão discutir a necessidade de apresentar um projeto lei fixando classificação etária indicativa para espaços que abriguem exposições artísticas.

Não censurarás

Para o diretor do Museu Nacional, o artista plástico Wagner Barja, o simples fato de uma comissão sair da Câmara para “inspecionar” um espaço cultural é preocupante. “No meu entender, um museu existe para as pessoas entrarem e saírem diferentes, pensando em alguma coisa, assim como num templo religioso, que tem o mesmo propósito. Os propósitos são distintos, mas temos em comum o objetivo de melhorar as pessoas. Museu tem linguagem subjetiva. A exposição tem caráter político, mas não acusamos ninguém, mostramos uma interpretação livre dos artistas de um tempo do país. Não trabalhamos com censura”, afirmou o artista plástico ao Congresso em Foco.

Barja diz que os deputados não seriam atendidos se pedissem o cancelamento da exposição ou tentassem censurá-la. “Nem por mim nem pela secretaria de Cultura do Distrito Federal, que é quem me respalda para fazer esse trabalho. É diferente de uma outra instituição financeira que tem dinheiro envolvido. Não é por descontentamento de um ou outro que se fecha uma exposição. O museu é um serviço público. A gente vive em uma democracia, pelo menos que eu saiba”, ressaltou.

O diretor do museu diz não acreditar que os parlamentares tivessem a intenção de censurar a exposição. “Eles também têm direito de ir ao museu e fazer avaliação crítica ou não de uma obra ou exposição. Agora, fechar ou censurar uma exposição não compete aos deputados.”

Referência metafórica

Segundo Barja, a exposição “Não matarás” estimula a reflexão sobre a ditadura militar e não faz menção a qualquer presidente ou outro personagem especificamente. “Há uma referência de forma metafórica a um período em que a censura predominou”, explicou.

A exposição reúne um conjunto das obras pintadas e doadas ao museu pelo publicitário José Zaragoza, espanhol radicado no Brasil que faleceu em 2013. Também foram incluídas peças de outros 45 artistas com releitura sobre a ditadura militar. “Uma frase que nos inspirou é do grande crítico de arte e pensador Mário Pedrosa: em tempos de crise, o bom é ficar do lado dos artistas”, disse Barja.

Queermuseu

A polêmica em torno da censura a exposições artísticas ganhou força no início da semana. Ao anunciar o cancelamento da “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, o Santander Cultural pediu desculpas àqueles que se sentiram ofendidos por alguma obra da mostra.

“Ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana”, destacou trecho da nota. A exposição só seria encerrada em 8 de outubro. O banco anunciou que vai devolver os R$ 800 mil captados por meio da Lei Roaunet, de incentivo à cultura.

“Rumo ao passado. E que vergonhosa a nota do Santander, querendo justificar, valendo-se de hipócrita retórica corporativa, o ato de censura que cometeu. Viva a diversidade!”, protestou no Facebook o crítico de arte Moacir Dos Anjos, ex-curador da Bienal de São Paulo. Na quarta-feira, duas pessoas foram detidas em frente ao Santander Cultural, na capital gaúcha, após confronto entre grupos defensores e contrários à exposição.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Novo fim do mundo está marcado para sábado, dia 23/9


Essa turnê do fim do mundo é o show bizarro que não termina nunca de circular, não é mesmo?

A data do apocalipse da vez foi divulgada no Estadão:

Numerólogo defende que 'fim do mundo' será daqui a uma semana

De acordo com David Meade, o mundo vai acabar no dia 23 de setembro, quando um planeta chamado Nibiru vai colidir com a Terra

Teorias sobre quando será o "fim do mundo" surgem o tempo todo – e um numerólogo britânico garante que esse fim está muito próximo. David Meade é autor do livro Planet X - The 2017 Arrival e acredita que o mundo vai acabar no dia 23 de setembro.

De acordo com sua teoria, um planeta chamado Nibiru, que ele também chama de Planeta X, vai colidir com a Terra em breve. Entretanto, a Nasa nega que esse planeta sequer exista.

Meade diz que passagens bíblicas reforçam sua teoria. Anteriormente, ele havia dito que a colisão entre a Terra e Nibiru seria em outubro, mas agora ele adiantou o "fim". O numerólogo ainda disse que o Grande Eclipse Americano que aconteceu no dia 21 de agosto, indicava a aproximação do Planeta X à Terra.

"O Grande Eclipse Americano do dia 21 de agosto é um grande, enorme prenúncio", disse o numerólogo ao The Daily Star, jornal da Inglaterra.

Ele conta que se baseia em trechos do 13º capítulo do livro de Isaías no Velho Testamento da Bíblia, que diz: "Vejam, o Dia do Senhor está vindo – um dia cruel, com ira e fúria – para tornar a Terra desolada e destruir os pecadores dentro dela. As estrelas do céu e suas constelações não vão se iluminar. O sol será escuro e a Lua não mostrará sua luz".

Além disso, Meade ainda fala que sua teoria tem como base uma série de coincidências com o número 33. "A lua vai ficar preta. Isso ocorre a cada 33 meses. Na Bíblia, o nome de Elohim [um dos nomes de Deus] aparece 33 vezes em Gênesis. O eclipse começou em Oregon, o 33º Estado", falou ele ao Daily Star.



domingo, 17 de setembro de 2017

Igreja da Suécia elege hoje pelo voto direto quem lhe comandará nos próximos 4 anos

Bispos eleitos nas eleições gerais de 2013 da Igreja da Suécia, de confissão luterana.

A matéria é da BBC Brasil:

Suécia terá eleições neste domingo para eleger a cúpula da Igreja

Claudia Wallin

Na democracia sueca, a Igreja também tem seu dia de eleições gerais: no próximo domingo, cidadãos suecos vão às urnas para escolher os representantes da cúpula da Igreja da Suécia (Svenska kyrkan), a instituição protestante de confissão luterana que é a maior organização religiosa do país.

A cada quatro anos, os cidadãos filiados à instituição elegem uma espécie de "Parlamento" da Igreja Sueca - que é composto tanto por representantes do clero como por leigos. E este Parlamento eclesiástico tem o poder de decidir não só questões mundanas, assim como a reforma das paróquias e o valor de doações a países pobres, como também assuntos de ordem teológica - a exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado pela Igreja Sueca em 2009.

"A Constituição sueca é clara: a Igreja deve ser democrática e aberta", diz à BBC Brasil a padre sueca Jenny Sjögren, chefe do Departamento de Teologia e Ecumenismo da Igreja Sueca.

"Pode-se dizer que a Igreja Sueca tem um sistema eleitoral único no mundo, no sentido de que todas as instâncias do poder decisório da instituição são eleitas de forma direta. Embora as igrejas protestantes de países como a Noruega realizem algum tipo de eleições, em geral os pleitos ocorrem apenas a nível paroquial. Já na Suécia, desde a virada do milênio o próprio Sínodo Geral, que pode ser definido como o Parlamento da Igreja Sueca, é eleito nas urnas", acrescenta Sjögren, que se tornou padre há 17 anos: desde 1958, a Igreja da Suécia aceita a ordenação feminina.

Para participar das eleições - seja como eleitor, ou como candidato -, o cidadão deve ser membro da Igreja Sueca. A idade mínima para votar é de 16 anos, e a partir de 18 anos é possível se candidatar ao pleito.

No total, cerca de 5,2 milhões de suecos têm direito a votar nas eleições do próximo domingo, neste país de pouco mais de 10 milhões de habitantes.

Também a eleição de bispos e arcebispos na Suécia costuma ser realizada com a participação popular: 50 por cento do eleitorado deve ser composto por leigos.

"Em várias partes do mundo protestante, as eleições de bispos e arcebispos se dão através do voto tanto de clérigos como de leigos. Isto se dá por razões históricas: ao contrário do que ocorre no Catolicismo, a participação de leigos nos processos decisórios representa um papel importante nas igrejas luteranas, e nas congregações protestantes em geral", diz Jenny Sjögren.

Em 2013, a Suécia elegeu elegeu pela primeira vez uma mulher como arcebispa - a até então bispa da cidade de Lund, Antje Jackelén.

Campanha Eleitoral

Na mídia sueca, a cobertura da campanha para as eleições gerais da Igreja segue, ainda que em menor dimensão, o figurino dos pleitos políticos. Nesta reta final da corrida eleitoral, candidatos leigos e religiosos duelam na TV e no rádio, jornais debatem as diferentes propostas, e os "partidos" - chamados de "grupos" - apresentam filmes de campanha publicitária. Nas ruas, cartazes e panfletos reforçam o clima de eleição.

"Todo o processo das eleições eclesiásticas é muito semelhante ao processo eleitoral para o Parlamento, assim como as regras democráticas que regem o funcionamento das assembléias eleitas pelos membros da Igreja", diz à BBC Brasil o membro da Igreja David Axelson Fisk, que participou do comitê organizador das primeiras eleições gerais, na virada do milênio.

"Até o ano 2000, a Igreja Sueca realizava apenas eleições a nível paroquial, como ocorre em outros países protestantes. Mas quando a separação entre Igreja e Estado entrou em vigor, naquele ano, entendeu-se que a forma mais democrática de gerir a instituição deveria ser através de eleições gerais e diretas para todas as instâncias do poder eclesiástico", observa David.

As eleições da Igreja Sueca são organizadas em três níveis, num único dia de votação: a nível local, os membros de cada uma das 2.225 paróquias do país elegem uma Assembléia da Paróquia (Kyrkofullmäktige). A nível regional, os eleitores das 13 dioceses escolhem a Assembléia da Diocese (Stiftsfullmäktige), com 81 representantes. E a nível nacional, é eleito o Sínodo Geral da Igreja da Suécia (Kyrkomötet) - a mais alta instância da instituição, composta por 251 integrantes.

A Arcebispa sueca é a representante da Igreja para eventos ecumênicos e conferências internacionais, mas a autoridade máxima de poder decisório da instituição é o Sínodo Geral. E pelas regras suecas, os bispos não fazem parte do Sínodo, embora devam estar presentes nas sessões do órgão.

"Os 13 bispos do país podem se pronunciar ou apresentar propostas nas sessões do Sínodo, mas não estão autorizados a votar", esclarece Ewa Almqvist, do departamento de Comunicação da Igreja sueca. Por outro lado, segundo Jenny Sjögren, os bispos detêm influência no poderoso Comitê Doutrinário do Sínodo.

Em sua composição atual, 187 dos 251 assentos do Sínodo Geral são ocupados por representantes leigos. Entre os 64 clérigos da assembléia, estão 61 padres e três diáconos. Os valores suecos da igualdade de gênero também se refletem na formação da assembléia nacional eleita no último pleito: são 124 mulheres e 127 homens, segundo dados fornecidos à BBC Brasil pela Igreja da Suécia.

Os representantes eleitos não ganham salário: recebem apenas compensação pelas horas que deixam de trabalhar em seus empregos regulares, a fim de exercer suas atividades do Sínodo. E em cumprimento às práticas suecas de transparência, as atividades e finanças da Igreja Sueca também são disponibilizadas para a fiscalização pública.

Críticas

Um dos principais temas do debate da campanha eleitoral deste ano foi o questionamento sobre a participação política nas eleições da Igreja. Embora as agremiações que concorrem ao voto não tenham a denominação de "partido", o fato é que três dos oito partidos políticos tradicionais do país disputam o pleito com suas próprias legendas, ao lado de grupos independentes - o Partido Social-Democrata, o Partido do Centro e o Democratas da Suécia, de extrema-direita.

"Há diferentes pontos de vista, e o tema é complexo", diz a padre sueca Jenny Sjögren.

"Um eleitor pouco familiarizado com as questões da Igreja, por exemplo, pode sentir-se mais seguro ao votar no candidato de um partido político com o qual ele tem afinidade. Este seria um lado positivo de se ter representantes de partidos políticos tradicionais na disputa. Por outro lado, muitos começam a questionar esse envolvimento político na Igreja. Mas cada vez mais, surgem novos grupos independentes que não possuem conexão com partidos. Portanto, este é um processo em evolução", ela ressalta.

Êxodo

Apesar do caro e complexo aparato democrático para a realização de eleções diretas nos três níveis decisórios da Igreja, o comparecimento às urnas tem sido relativamente baixo. Especialmente nestes novos tempos, em que a Igreja Sueca enfrenta uma perda considerável de seu rebanho.

Nas últimas eleições gerais da Igreja, em 2013, apenas 700 mil pessoas votaram. O índice de comparecimento às urnas não costuma ultrapassar 15% do eleitorado - em claro contraste com o percentual registrado nas eleições políticas para o Parlamento sueco, que costuma girar em torno de 86%.

O êxodo têm preocupado as autoridades eclesiásticas. Em 2016, mais de 90 mil pessoas deixaram de ser membros da Igreja - praticamente o dobro do índice registrado no ano anterior. Segundo pesquisa conduzida pelo instituto sueco Norstat, o principal argumento dos fiéis que decidiram abandonar a instituição é franco: eles não acreditam em Deus.

A Igreja da Suécia abandonou a Igreja Católica Romana no século XVI, quando aderiu à Reforma Protestante.

Na virada do milênio, quando a Suécia se tornou oficialmente um Estado laico, 82% dos suecos eram membros da Igreja Sueca - mais por tradição, segundo muitos comentam, do que por uma real afirmação de fé. Atualmente, segundo os números oficiais, a instituição possui 6,1 milhões de membros (cerca de 62% da população). Mas cada vez mais, a tradição religiosa perde força neste país de descrentes.

Até meados da década de 90, os filhos de membros da Igreja Sueca se tornavam automaticamente, ao nascer, também membros da instituição. Na era do Estado laico, a nova geração tende a desfazer esses tênues laços religiosos: hoje, pelos cálculos da agência central de estatísticas da Suécia (Statistiska centralbyrån), somente cinco por cento dos suecos costumam frequentar algum tipo de igreja.

Apenas 29% da população afirma ter alguma crença religiosa. E na hora de casar, um em cada três casais optam por uma cerimônia civil.



sábado, 16 de setembro de 2017

Papa diz que quem nega aquecimento global é "estúpido"


E, cá entre nós, o papa pegou leve...

Chamar esses imbecis, para dizer o mínimo, de "estúpidos", até que ficou simpático.

A matéria é da BBC Brasil:

'O homem é um estúpido': a crítica do papa aos que negam mudanças climáticas

O papa Francisco citou a Bíblia para fazer duras críticas a líderes mundiais que se recusam a levar a sério as ameaças das mudanças climáticas.

"O homem é estúpido, é um teimoso que não vê", disse, atribuindo a frase a uma passagem do Antigo Testamento. Em seguida, emendou: "o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra".

O pontífice disse que os recentes furacões Harvey e Irma mostraram que os efeitos das mudanças climáticas podem ser vistos "com seus próprios olhos".

"Quem nega as mudanças climáticas tem de perguntar aos cientistas. Eles são claros e precisos", assinalou o líder da Igreja Católica em conversa com a imprensa na sua viagem de volta a Roma, após uma visita à Colômbia.

Ele disse ainda que a história julgará os líderes mundiais que nada fazem para minimizar os danos causados ao meio ambiente.

Apesar de o papa associar o aquecimento global às tempestades que provocaram prejuízo milionário a ilhas do Caribe e aos EUA nas últimas semanas, nem todo mundo concorda com essa visão.

Momento inapropriado

O chefe da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, em inglês), Scott Pruitt, disse ser um momento inapropriado para discutir a relação entre aquecimento global e a passagem dos furacões pelo Caribe e EUA.

Pruitt, que anteriormente declarou não concordar que emissões de dióxido de carbono fossem uma das principais causas do aquecimento global, afirmou à rede de televisão CNN que a especulação sobre "as causas e efeitos dos furacões...são descabidas".

O chefe da agência americana disse que as discussões, nesse momento, deveriam focar nos esforços de limpeza.

O prefeito de Miami, Tomás Regalado, que viu a própria cidade ficar parcialmente submersa depois da passagem do furacão Irma, discorda. Ele declarou ao jornal Miami Herald que "agora é a hora de falar sobre aquecimento global". "É a hora do presidente (Trump), da EPA e de quem mais toma decisões de falar sobre mudança climática".

Podemos associar furacões mais devastadores às mudanças climáticas?

Matt McGrath, analista da BBC para assuntos de meio ambiente, afirma que furacões são fenômenos complexos, difíceis de prever, mesmo com ou sem o aquecimento global como pano de fundo das discussões.

Ligar a incidência e a gravidade do impacto dos furacões a mudanças climáticas, diz McGrath, também é difícil de provar, simplesmente porque são eventos raros e não existe uma quantidade significativa de dados históricos para serem analisados e comparados.

Mas o especialista pondera que há algumas certezas. A equação de Clausius-Clapeyron nos permite afirmar que atmosfera mantém mais umidade, diz ele. Para cada grau Celsius extra no clima, a atmosfera pode conter 7% mais de água. Isso tende a tornar as chuvas ainda mais fortes, quando ocorrem.

McGrath diz que outra certeza é que a temperatura dos mares está mais alta - e cita o cientistas Brian Hoskins, do Instituto de Mundanças Climáticas Grantham, que disse que "as águas do Golfo do México estão 1,5 graus mais quentes que a temperatura registrada entre 1980 e 2010".

O debate sobre mudanças climáticas saiu da pauta oficial do governo dos EUA depois que Donald Trump assumiu a Casa Branca.

O presidente dos EUA reverteu algumas leis de proteção ambiental - muita delas implementadas por Barack Obama. Trump também anunciou a intenção de retirar os EUA do Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, como resposta global à ameaça da mudança do clima.

No entanto, não se sabe ao certo o que Trump pensa hoje sobre o aquecimento global. Em 2012, ele escreveu no Twitter que "o conceito de aquecimento global foi criado pela China" para prejudicar a competitividade da indústria norte-americana.

Responsabilidade de todos

O papa Francisco, por sua vez, não tem dúvidas sobre essa ameaça. Ele disse temer que o impacto será maior sobre os mais pobres, e critica abertamente quem não se disponha a agir contra o problema.

Suas declarações recentes foram vistas como críticas veladas a líderes como Trump.

"Eu não acho que seja algo para brincar. Cada pessoa tem sua responsabilidade, os políticos têm as suas."

- Desculpe, Sua Santidade, mas eu não acredito.
- Há esperança para todos, meu filho.
- Eu estou falando sobre mudança climática...
- Então, acho que não há esperança para você...




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Justiceiros "evangélicos" obrigam mãe de santo a quebrar imagens em terreiro do RJ


É difícil classificar o vídeo abaixo fora das fronteiras da barbárie, em que bandidos invadem um terreiro de umbanda e obrigam a mãe de santo a quebrar seus objetos religiosos.

Talvez sirva para revelar o perigo de um país em que a palavra "evangélico" seja vista mais como ideologia do que teologia, em que pessoas que se sentem superiores a outros só por professarem uma determinada religião e não são capazes de conviver com o diferente.

Esses seres abjetos certamente nunca leram Zacarias 4:6, que diz: 'Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito'

A matéria é da CBN:

Criminosos obrigam mãe de santo a destruir próprio terreiro em Nova Iguaçu

Testemunhas disseram à CBN que os traficantes chegaram a urinar nas imagens sacras. Toda a ação foi gravada e divulgada nas redes sociais. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apura um outro vídeo nas mesmas circunstâncias. O caso também teria ocorrido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Por André Coelho

Mais um terreiro de candomblé foi atacado por bandidos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sete criminosos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma.

Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram à CBN que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de "bruxaria" naquela comunidade.

Os "filhos de santo", como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as "guias", um tipo de cordão, do pescoço deles.

Nas imagens, é possível ouvir os criminosos usando termos cristãos enquanto a mulher quebra as imagens sagradas.

'Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o "demônio-chefe"! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!'

As imagens de outro ataque também circulam nas redes sociais. As primeiras informações obtidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apontam que o caso teria ocorrido no Parque Flora, também em Nova Iguaçu. Na gravação, um homem é obrigado por criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé.

Os bandidos ameaçam a vítima com um bastão de beisebol onde está escrita a palavra 'diálogo'. Eles dizem para a vítima que ela será morta, caso tente montar um novo terreiro na favela. O grupo chega a gritar o nome de uma facção criminosa durante a ação, além de citar o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos evangélicos.

'É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o "mano" não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!'

Ativistas que defendem a liberdade religiosa condenaram os novos casos de violência. O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas. Para ele, os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes.

'Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, 'ah, Jesus mandou, fui lá e fiz'. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem contruído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas.'

Ontem, o secretário de Segurança, Roberto Sá, se reuniu com o secretário estadual de Direitos Humanos Átila Nunes e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, para discutir a possível criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Nós entramos em contato com a Polícia Civil por causa dos dois vídeos, mas ainda não tivemos retorno.

Na semana passada, a CBN exibiu dados do Tribunal de Justiça do Rio que mostram que, desde 2012, o estado não registrou condenações por preconceito ou depredação de itens religiosos.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Arte cristã de Bernini sobreviveria aos "cristãos" brasileiros de 2017?


A "crentaiada" pudica que se associa ao que há de pior no fascismo brasileiro é uma ameaça a todas as liberdades civis que a humanidade conquistou - a duras penas - nos últimos séculos.

A indecência não está na mostra de arte X ou Y que afronta este ou aquele símbolo cristão. Vai lá quem quer, já sabendo de antemão se vai se ofender ou não.

Eu jamais entraria numa exposição (seja do que for) que ofende meu sistema de crenças ou simplesmente o meu - acho eu - bom gosto, mas nem por isso vou tentar impedir que quem quer que seja exiba ou queira apreciar aquilo que eles chamam de "arte". Ou uma dobradinha. É um problema deles, simples assim. 

Eu prefiro poupar meu precioso tempo e meu suado dinheirinho, se é que me entende...

Não por acaso, antes da 2ª guerra e mesmo durante o conflito, Hitler fazia questão de rodar pela Alemanha com a sua mostra de "arte degenerada", segundo os seus dizeres.

Aquilo que hoje consideramos "arte moderna" é o que Hitler, fanzoca da arte clássica greco-romana e renascentista, chamava de "arte degenerada", mas - incrível para os padrões fascistas atuais - Hitler promovia um tour de deboche pela Alemanha mostrando o que era aceitável ou não do ponto de vista nazista no quesito "arte".

Nem isso os boçais radicais brasileiros são capazes de fazer.

Os "compenetrados" Himmler, Goebbels e - ali na frente - Hitler observam a "arte degenerada" em Munique, 1937.
Nossos censores militontos decidem o que é ruim e fazem campanha para exterminá-lo. 

Hoje, o gosto artístico de Hitler é lembrado apenas para ridicularizá-lo.

Entretanto, perceba o contraponto: Hitler aproveitava o que chamava de "arte degenerada" - principalmente o moderno expressionismo - para contrapô-la ao seu ideal "artístico" e promover sua política da eugenia, ou seja, o extermínio de tudo e todos que fogem à "normalidade" genética ou cultural da estética nazista.

Tudo termina, para o fascista, em extermínio...

O expressionismo foi o grande inimigo da "estética nazista"
Sim... "estética" nazista. É incrível como os fascistas de ontem e de hoje continuam preocupados com a "beleza", mas na verdade há outro nome para isso, bem nu e cru: fetiche!

Seguindo seu profeta mal humorado de um tal Movimento Brasil Livre, de "Kinta Katiguria", os "cristãos" brasileiros se esquecem do conselho bíblico de que "o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe" (Efésios 5:12) e se põem a divulgar o que dizem condenar, atuando mais como promotores do que censores da libido alheia.

E, para tanto, se valem do discurso pornográfico, tão afeto ao fanatismo, conforme já tivemos oportunidade de comentar aqui no blog.

Se realmente lessem a Bíblia, não divulgariam nem se importariam com essas coisas, mas não: -  é preciso militar, proibir, divulgar e coibir.

Isso, sim, tem nome: fetiche!

Os que se dizem cristãos se esquecem - convenientemente - de que Jesus veio ao mundo em carne e osso num período em que orgias de todos os tipos eram patrocinadas pelos palácios imperiais e nem por isso Ele deixou de colocar seus sacrossantos e ensanguentados pés empoeirados nas mansões de Herodes e Pilatos, para - sobretudo e sobre todos - pregar o evangelho que transformou o mundo.

Fico imaginando o que os que se dizem "cristãos" atualmente diriam quando o gênio do barroco italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), responsável "só" pelo conjunto arquitetônico da Praça e da Basílica de São Pedro, no Vaticano, entre tantas outras obras, quisesse exibir seus monumentos "O Êxtase de Santa Teresa" e o tumular "Beata Ludovica Albertoni", só para citar dois deles.

Indubitavelmente, Bernini seria apedrejado na Praça da Sé de São Paulo em 2017 como tarado.

Confira você mesmo, prezado fascista com mente poluída, o que há de errado, primeiro com a "Beata Ludovica Albertoni":


Esse olhar perdido e lânguido da beata, meu Pai do Céu, como é que pode?


E depois, se os seus olhos ainda puderem ver tamanha afronta à sua "fé", horrorize-se com "O Êxtase de Santa Teresa":


Esse "êxtase", esse anjo com cara de safado, essa flecha, sei não...


Que horror, oh, que horror...

Mas, poxa, Bernini, e esse "Rapto de Prosepina" que fica na Galleria Borghese de Roma?



E a Santa Bibiana com seus raios dourados na igreja que lhe é dedicada em Roma, hein, Bernini?



Ah, Bernini, seu tarado! Como ousas ofender nossos sacrossantos olhos castos?

Ai, minha Santa Rita do Passa Quatro, dá um "passa moleque!" nesse tarado que só pensa naquilo...

E, por gentileza, mal humorados de plantão, nos poupem dos seus comentários supostamente indignados.

Aos "cristãos" que queiram discutir a questão de maneira mais apaixonada e aprofundadamente teológica, recomendamos o excelente ensaio crítico de Mario Persona, no seu blog "O que respondi?", intitulado "Devo protestar contra a exposição de arte LGBT?".

E não se esqueçam de atirar a primeira pedra, ok?!



Reforma no Código Penal do Nepal quer impedir conversões religiosas

Cristãos nepaleses: duas palavras ameaçadas de não andarem mais juntas no Nepal.

Até rimou, mas a graça acaba aí onde começa a ameaça aos 20% dos 31 milhões de nepaleses que não professam o hinduísmo, segundo alerta a Rádio Vaticano:

Nepal: preocupação dos cristãos 
com lei que pune conversões

Katmandu (RV) – Uma modificação no Código Penal do Nepal que pune todas as conversões religiosas e as atividades de evangelização e proselitismo, trouxe grande preocupação à comunidade cristã local.

A lei, que entrará em vigor a partir de agosto de 2018, estabelece que qualquer pessoa que for “pega em flagrante” fazendo ações de proselitismo com o objetivo de converter uma pessoa “ou a minar a religião, a fé ou o credo de outra casta, grupo étnico ou comunidade”, poderá ser punido com até cinco anos de detenção.

Ademais, qualquer pessoa que ”ofender o sentimento religioso” (de um outro grupo confessional), poderá ser condenada a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 2 mil rúpias nepalesas (cerca de 16 euros).

A pena será aplicada quer aos cidadãos como aos estrangeiros, incluindo os missionários.

Diversos expoentes cristãos nepaleses expressaram à Agência Asianews o temor de que a nova normativa possa levar a uma reviravolta em relação à liberdade religiosa, que em teoria, é garantida pela Constituição laica e democrática aprovada em 2015.

Entre esses, está Dom Paul Simick, Vigário Apostólico do Nepal, para quem “existe a possibilidade de que seja limitado o direito dos sacerdotes de exercer o próprio credo e obrigações”.

Na tentativa de justificar a reforma, o Ministro da Justiça Agni Kharel, afirmou que “o controle se aplica também aos hinduístas e aos budistas e não somente aos cristãos”.

Também o Conselheiro do Primeiro Ministro, Dinesh Bhattarai, assegurou que a nova normativa “não quer atingir de maneira particular uma fé ou algum fiel”.

Opinião diferente tem o Presidente da Federação Cristã nepalesa, C. B. Gahatraj. Para ele o objetivo do novo Código Penal é “controlar a liberdade religiosa e de conversão. Condenamos este controle”, afirmou com veemência.

O líder cristão denuncia que “os partidos políticos estão tentando controlar o crescente interesse das pessoas em se converter ao cristianismo”, reiterando que “nós não obrigamos ninguém e ao mesmo tempo não pedimos que ninguém mude de religião”.

(JE/LZ)



terça-feira, 12 de setembro de 2017

O inusitado cemitério bizantino na Chapada Diamantina


O Brasil tem suas belezas e seus mistérios, como o que você pode ver no sertão da Bahia.

A matéria é do Globo Repórter, com vídeo na página indicada, exibido em abril de 2015:

Epidemia na Chapada Diamantina faz cemitério ser erguido em montanha

Globo Repórter visita cemitério bizantino criado nos tempos de garimpo após epidemia de cólera em Mucugê, quando decreto proibiu enterros nas igrejas.

Nos bons tempos dos garimpos, dinheiro sobrava no bolso dos barões do diamante e sobrava tanto que eles deixaram registros para as futuras gerações da vida abastada que levaram na Chapada. Alguns contrataram arquitetos do exterior para projetar seus túmulos no cemitério.

Globo Repórter: A história deste cemitério começa com uma epidemia. Como é que foi esta história?

Nélia Paixão, arquiteta: Por volta de 1855, houve uma epidemia de cólera em Mucugê! E morreram muitas pessoas. Por causa de um decreto, o Brasil era um império não poderia mais enterrar pessoas nas igrejas, como era comum e aí eles escolheram um espaço para construir este cemitério.

Embaixo da montanha e de frente para a cidade. Com a proibição do sepultamento nas igrejas, os túmulos foram erguidos com muito capricho, como pequenas imitações dos templos católicos. Ao logo dos anos o cemitério foi preservado como uma obra de arte das mais importantes. É um dos patrimônios histórico da Chapada. Atração turística de Mucugê.

Globo Repórter: Aqui ninguém foi enterrado a sete palmos?

Nélia Paixão: Não, não, pode, é rocha. Rocha sobre rocha. Não tem como.

Labirinto embaixo da terra leva equipe do Globo Repórter até um belo cartão postal

Está na natureza o patrimônio mais valioso da Chapada. Descemos um despenhadeiro cercado de rochas. Fomos conhecer um misterioso labirinto embaixo da terra. Na escuridão é parecido ter cuidado para não cair do precipício. A caverna é pequena – das menores da Chapada. Em compensação tem um poço que chega a ser chocante de tão bonito que é.

O poço tem o encantamento de uma caverna inundada, mas durante cinco meses do ano, o sol produz na água o cenário de um belo cartão postal.

“Ver este azul, saber que não é da água e que quando a incidência da luz chega aqui. Deixa a gente pequeno! Deixa a gente emocionado”, diz a psicóloga Carolina Couto.

O povo da região costuma dizer que esse é o Caribe da Chapada, claro que é uma brincadeira, mas pelo menos, na cor e na transparência da água, parece o caribe mesmo.

Miguel, que é guia, também é um dos responsáveis por cuidar da caverna. Aos turistas ele explica como ocorre o fenômeno e avisa: ninguém onde entrar no poço. É só para a alegria dos olhos a paisagem encantada.

Vinte quilômetros adiante, em outra caverna, o banho é permitido: o poço azul. O povo da região costuma dizer que ele é o Caribe da Chapada.

“Nós somos do Recife é a minha trigésima terceira vez que estou aqui. É como se fosse a primeira vez”, conta o professor Denis Andrade.

Há milhares de anos, quando a Chapada era o paraíso da fauna pré-histórica, o poço azul muitas vezes foi uma fonte para os animais que buscavam água para matar a sede. Em 2005, 45 esqueletos de animais pré-históricos foram retirados daquelas águas por uma equipe de paleontólogos e mergulhadores, o maior deles estava a 21 metros de profundidade, era o esqueleto de uma preguiça gigante.

Quantas histórias guardadas. Quantos segredos escondidos. Da energia ainda há muito o que se descobrir e sentir. Da beleza, admiração. Um pedaço do Brasil difícil de esquecer.



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Polícia investiga suposta aliança entre traficantes e pastores contra umbandistas no RJ


Alguma coisa está errada na Baixada Fluminense e na sua capital. 

Imagine no dia em que os "evangélicos" dominarem o mundo...

A matéria é do Extra:

Ataques a terreiros do Rio podem ter partido de traficantes envolvidos com pastores evangélicos, diz Átila Nunes

Ricardo Rigel

O secretário estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), Átila Nunes, afirmou ao EXTRA, nesta sexta-feira, que os recentes ataques a terreiros de umbanda e candomblé ocorridos na Baixada Fluminense e na Capital podem ter relações com traficantes envolvidos com supostos pastores evangélicos. Denúncias recebidas através do Disque Combate ao Preconceito (2334-9551), apontam que traficantes estariam ameaçando os líderes religiosos para que deixassem de celebrar os cultos.

— Nós estamos estudando uma forma de resguardar essas pessoas que frequentam esses centros e ao mesmo tempo cobrar que estes casos sejam apurados rapidamente. Nós temos recebido várias denúncias de que falsos pastores têm criado uma relação com o tráfico de drogas de regiões como as de Nova Iguaçu, para lavar o dinheiro do tráfico dentro das igrejas. Tenho conversado com a Polícia Civil para que esses casos passem a ser investigados — contou o secretário Átila Nunes.

Nas últimas duas semanas, seis casos de intolerância religiosa foram registrados em Nova Iguaçu. Segundo a Secretaria Estadual de Direitos Humanos, na terça-feira, um grupo de criminosos invadiu um terreiro de candomblé, no Parque Flora, também no município, e quebrou imagens e objetos usados nos cultos. Mas, neste caso, os donos do terreiro não tiveram coragem de registrar o fato.

— Já conversei com os donos do local, mas eles têm muito medo de tudo que está acontecendo. Estamos fazendo uma mediação com a Polícia Civil, para que tudo seja apurado. Esse é um fenômeno terrível que não pode continuar crescendo em nossa sociedade.

Elaine Dias Pereira, de 64 anos, a Mãe Elaine de Oxalá, responsável por um terreiro de Candomblé, no bairro de Santa Rita, também em Nova Iguaçu, diz que também tem sofrido com ataques de intolerância religiosa. Há quatro meses, criminosos jogaram uma bomba no terreiro dela:

— Foi um absurdo o que fizeram comigo. Explodiram o meu relógio e fugiram. O caso foi registrado como intolerância religiosa. O que mais me deixa tensa é que tenho esse terreira há quase 30 anos e estamos com muito medo de novos ataques.

Ainda de acordo com a mãe de santo, ela também tem conhecimento de que outros terreiros estão sofrendo ameaças de traficantes ligados a pastores.

— Uma filha de santo me relatou que viu um traficante ordenando o fechamento de um terreiro aqui em Nova Iguaçu. Estamos assustados e queremos uma providência das autoridades — reclamou Mãe Elaine de Oxalá.

Entre as denúncias recebidas pela (SEDHMI), um filho de santo de outro terreiro, também em Nova Iguaçu, chegou a relatar os ataques que o centro dele vem sofrendo:

"Nossa casa foi invadida por traficantes. Assim como outras casas também foram. Nos proibiram de exercer qualquer tipo de culto, atabaques e até mesmo usar roupas que remetam a nossa religião. Nosso medo da exposição é exatamente de perder o nosso barracão".

A polícia Civil está investigando os casos relacionados aos ataques em Nova Iguaçu. Ainda segundo Átila Nunes, na próxima semana, ele volta a se reunir com o Secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, e com o delegado Carlos Leba, chefe da Polícia Civil, para definir o cronograma de obras para a implantação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi):

— A nossa expectativa é que o órgão comece a funcionar ainda este ano.



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails