sábado, 28 de março de 2015

A vida real é feita de rotina


Artigo de Raquel Rocha no seu blog Céu de nuances:

Que a rotina vire felicidade


Um dia desses, no casamento de uma amiga querida, o celebrante fez a seguinte reflexão direcionada aos noivos (não exatamente com essas palavras, claro): “Aproveitem muito o dia de hoje, com certeza será um dia que vocês guardarão para sempre no coração e na memória. Dias como esses são muito importantes, mas não se esqueçam, a nossa vida acontece na rotina, nos dias comuns”.

Algo que parece tão óbvio me fez pensar como passamos o tempo todo em busca de acontecimentos incríveis e singulares e, dado isso, acabamos nos esquecendo de viver a rotina, o comum. Atualmente noto que há um grande medo assolando o ser humano, o de ser uma pessoa comum. Ser um profissional comum, ter uma família padrão, alegrias e tristezas normais...

É necessário viver momentos incríveis e realizar proezas a todo momento, caso contrário para que serve essa vida? As redes sociais, com toda certeza, agravam esse fenômeno. Como a minha volta todos amam o trabalho, fazem a viagem do sonho, têm uma família perfeita, são emocionalmente equilibrados e só vivem dias espetaculares – mesmo que para isso glamourizem a rotina ou até mesmo o sofrimento – quem seria eu para ousar viver uma vida comum? Provavelmente, um fracassado.

Reconheço que é delicioso e até mesmo difícil de explicar o que sentimos quando nos casamos, fazemos a viagem dos sonhos, somos promovidos no trabalho ou alcançamos qualquer feito importante para nós. Trata-se de uma mistura de bons sentimentos para qual não existe nome. Entretanto, isso não é o que acontece na maior parte dos nossos dias, aqueles corriqueiros, de lutas e pequenas conquistas. A vida real é feita da rotina, da correria do dia a dia, dos momentos de tristeza e mau humor, das angústias acerca de nossas escolhas, e claro, das “pequenas grandes alegrias”. Alegrias essas que nos arrancam um sorriso verdadeiro e, por milésimos de segundo, nos fazem esquecer da felicidade do futuro. Pode ser um pedacinho bonito do caminho até trabalho, um encontro com as amigas, um elogio sincero ou um beijo carinhoso de boa noite.

Eu almejo sim batalhar pelos meus sonhos e viver intensamente o contentamento de suas realizações. Pois como o celebrante falou, esses instantes de glória são importantes, e, muitas vezes, inesquecíveis. Contudo, espero ter sempre a consciência do que a vida realmente é feita. Não quero sentir angústia ao final de cada um dos inúmeros dias comuns, nem estar sempre pensando no futuro ou ainda necessitar viver eventos magníficos para me sentir plena. Quero ousar ser feliz nos dias ordinários, em que nada e, ao mesmo tempo, tudo acontece. E quero além disso atrever-me a me sentir completa e em paz com essa felicidade.

Há uma frase por aí que diz: “que a felicidade vire rotina” acho que prefiro a versão: “que a rotina vire felicidade”.



sexta-feira, 27 de março de 2015

Asteroide "tira casca" da Terra hoje


A informação é do UOL Ciência:

Grande asteroide irá passar próximo da Terra na sexta-feira (27)

Um asteroide, com a área de uma das faces de um quilômetro quadrado, está a caminho da Terra nesta semana. Ele deve atingir o ponto mais próximo do planeta na sexta-feira (27), segundo a agência espacial norte-americana (Nasa).

O asteroide 2014-YB35 viaja numa velocidade de 37 mil quilômetros por hora e deve passar "raspando" a 4,4 milhões de quilômetros, algo como 11,7 vezes a distância da Terra à Lua. Não há previsão de danos nem impactos.

O 2014-YB35 foi descoberto em dezembro do ano passado e deve voltar próximo à Terra em 2033, a uma distância de 3,3 milhões de quilômetros. Ele é considerado um asteroide de potencial destrutivo (PHA). Segundo a Nasa, existem no espaço cerca de 1.500 asteroides nessas condições.



quinta-feira, 26 de março de 2015

Vaticano abre as portas hoje para receber mendigos de Roma


A informação é do IHU:

Museus Vaticanos abertos gratuitamente para sem tetos de Roma



Os Museus Vaticanos e a Capela Sistina abrirão suas portas, no dia 26 de março, para que um grupo de 150 “sem tetos” de Roma possam admirar as obras de arte que são conservadas em seu interior, conforme informou, hoje, o jornal vaticano “L’Osservatore Romano”. 

A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 24-03-2015. A tradução é do Cepat.


Estas pessoas sem lar serão acompanhadas pelo esmosleiro vaticano, Konrad Krajewski, em uma visita especial que tem como objetivo fazer com que “as belezas artísticas vaticanas” também sejam “admiradas pelos pobres que, em geral, conhecem apenas a colunata de São Pedro”, segundo o jornal.

A visita está prevista para o período da tarde do dia 26 de março. Os sem tetos serão divididos em três grupos, cada um com um guia, e contarão com fones de ouvido para escutarem as explicações.

Além disso, antes de chegar aos Museus Vaticanos, os grupos farão um percurso privilegiado que lhes proporcionará passar pela Casa Santa Marta e continuar por trás da abside da Basílica de São Pedro até atravessar os Jardins vaticanos. Trata-se de mais uma iniciativa do pontificado do papa Francisco em favor dos pobres.

No último dia 17 de fevereiro, também a pedido de Jorge Bergoglio, os sem tetos que vivem em São Pedro e nos arredores puderam se lavar e cortar o cabelo nos novos chuveiros e barbearia instalados no Vaticano, para permitir que mantenham boas condições de higiene.

No último dia 5 de fevereiro, o Papa mandou doar 300 guarda-chuvas que pertenciam a turistas que os deixaram esquecidos nos Museus Vaticanos, para que pudessem se proteger da forte chuva.

Finalmente, por ocasião dos seus 78 anos, em 18 de dezembro do ano passado, Francisco doou 400 sacos de dormir para os que vivem nas ruas de Roma.



quarta-feira, 25 de março de 2015

Universal ameaça com processo chargista que ironizou Gladiadores do Altar


Já falamos sobre os Gladiadores do Altar aqui. A interpelação da universal pode ser lida na página de Vitor Teixeira no facebook. A matéria abaixo é do Brasil Post, que reproduz a caricatura em questão:

Igreja Universal do Reino de Deus ameaça processar cartunista que fez charge sobre 'gladiadores do altar'

Luciana Sarmento

A Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) ameaçou entrar na Justiça contra o cartunista Vitor Teixeira por conta de uma charge feita pelo artista no início deste mês. Na imagem, um dos 'gladiadores do altar' da igreja aparece matando uma mãe de santo com uma espada.

A notificação extrajudicial chegou a Teixeira por e-mail, na semana passada. O documento, assinado pelo jurídico da igreja, diz que "a propagação da intolerância religiosa feita pelo 'cartunista' precisa ser cessada de forma imediata, de forma que o provedor Notificado deve retirar de imediato a página do ar, sob pena de dano irreparável ou de difícil reparação".

"Não poderia tirar a página do ar e correr o risco de perder trabalhos. Sou ilustrador independente e a página já tem um alcance grande", conta Teixeira. Com medo de perder a fan page, o cartunista afirma que fez um acordo com a Iurd e retirou a charge, que já contava com mais de 2 milhões de visualizações, de sua página. Em troca, segundo ele, a igreja desistiria de processá-lo.

Apesar do trato, Teixeira decidiu trazer à tona a ameaça de processo ao reproduzir a notificação em sua página no Facebook. "É uma questão de honra. Eles são um império da comunicação - têm TV, jornal e rádio - e estão falando para uma pessoa independente que ela não pode falar, atacando um peixe pequeno. É um absurdo", explica.



Vídeos dos gladiadores do altar começaram a circular na internet no início deste mês. As imagens mostravam uma espécie de "exército" da Igreja Universal: jovens uniformizados marcham, batem continência e gritam "estar prontos para a batalha". A junção de religião com militarismo ganhou ares de fundamentalismo e, após a repercussão, os vídeos foram retirados do YouTube.

Em suas ilustrações, Teixeira deixa claro seu apoio às minorias e defende os direitos humanos. O cartunista diz que fez o desenho para "alertar a população de religiões de raiz africana" e avisa: vai continuar fazendo mais charges críticas:



Procurada pela reportagem, a Igreja Universal do Reino de Deus confirmou o envio da notificação extrajudicial. Por meio de nota, a Iurd afirmou que quis alertar o cartunista de que "a publicação incitava o ódio contra as religiões de matriz africana e contra a própria Universal, o que é vedado pela lei brasileira".

De acordo com a igreja, o pedido para retirar a página do ar não chegou a ser encaminhado ao Facebook porque "o autor espontaneamente apagou a postagem". "Só não é cabível falar em censura e em cerceamento da liberdade de expressão, pois ele atendeu o pedido de modo voluntário", completa a nota.



terça-feira, 24 de março de 2015

530 anos depois, Ricardo III finalmente tem o seu funeral de rei

Ricardo III (1452-1485) foi rei da Inglaterra de 26 de junho de 1483 a 22 de agosto de 1485, data de sua morte.

Para chegar ao trono, não economizou conspirações nem mortes dos herdeiros que estavam à sua frente na linha de sucessão.

Eternizado na peça que leva seu nome, de Shakespeare, Ricardo III passou para a história como o vilão usurpador que, a pé diante dos inimigos nos últimos instantes de vida, clamava "meu reino por um cavalo!".

Com os ossos descobertos recentemente, o polêmico rei shakespeariano finalmente terá seu funeral de Estado, segundo noticia o Correio Braziliense:

Ricardo III terá enterro digno após corpo ser encontrado em estacionamento

O monarca morreu aos 32 anos, entre 1483 e 1485, pôs fim à Guerra das duas Rosas

O rei Ricardo III da Inglaterra, monarca do século XV, cujos restos mortais foram encontrados debaixo de um estacionamento em 2012, receberá, enfim, um enterro digno de um membro da realeza na quinta-feira na Catedral de Leicester. A cerimônia, que será transmitida pela televisão, será o ponto culminante de cinco dias de celebrações iniciadas neste domingo.

Seu caixão foi exposto na Universidade de Leicester (centro da Inglaterra) neste domingo pouco antes das 11h00 GMT (8h00 no horário de Brasília). Membros da universidade e alguns de seus descendentes depositam cada um rosas brancas sobre o caixão.

O último rei da dinastia Plantagenet seguiu em seu caixão de chumbo para o lugar onde foi disputada a batalha de Bosworth, onde encontrou a morte. O último rei medieval da Inglaterra será sepultado na quinta-feira, na presença de membros da família real e dos mais importantes clérigos do país.

A morte, aos 32 anos, de Ricardo III, monarca entre 1483 e 1485, pôs fim à Guerra das duas Rosas, entre a casa de York e os Plantagenet. Embora seu corpo nunca tenha sido encontrado, segundo alguns escritos, ele repousava em uma capela franciscana, destruída no século XVI.

Após a sua morte, a coroa passou para Henrique VII e os reis da dinastia Tudor que, com ajuda de Shakespeare e de outros dramaturgos, descreveram Ricardo III como um vilão brutal e corcunda, que não se detinha diante de nada, chegando a assassinar dois jovens sobrinhos para assegurar o trono.

A Alta Corte de Londres decidiu, em maio, que o rei tinha de ser enterrado na catedral de Leicester, descartando assim o apelo de seus descendentes, que pretendiam enterrá-lo em York.

A extraordinária epopéia de como seu esqueleto foi encontrado em um estacionamento cerca de 530 anos após sua morte, em 1485, rodou o mundo.

"É incrível tê-lo encontrado intacto", afirma Mathew Morris, que liderou as escavações, explicando que uma obra da era vitoriana havia passado a centímetros do crânio de Ricardo III.

Coincidência ou um sinal? O "esqueleto nº 1", como foi batizado num primeiro momento, foi encontrado sob a vaga do estacionamento marcado com a letra "R" de "reservado".

Última batalha antes de sepultamento

Antes mesmo dos testes de DNA, a probabilidade do esqueleto em questão ser de Ricardo III era muito forte: a datação por carbono 14 mostraram que o homem tinha morrido entre 1455 e 1540, enquanto que a coluna vertebral curvada e as oito lesões na cabeça eram coerentes com a história deste rei, que sofria de escoliose grave e que morreu no campo de batalha.

O "esqueleto nº1" foi finalmente identificado oficialmente por meio de testes de DNA realizados em Michael Ibsen e Wendy Duldig, ambos descendentes da irmã mais velha de Ricardo III, Ana de York.

Mas estes testes também trouxeram à tona evidências de uma "falsa paternidade", o que levanta dúvidas sobre as alegações reais de gerações de monarcas britânicos.

Durante as análises, os pesquisadores não encontraram combinações na linhagem masculina da família, descendente de João de Gaunt, irmão do bisavô de Ricardo III.

Isto significa que, em algum ponto, deve ter havido uma criança, cujo pai presumido, segundo a genealogia oficial, não era o pai verdadeiro.

De todas as formas, Ricardo III precisou travar uma última batalha antes de poder descansar em paz, a escolha do local para o sepultamento. Por fim, a justiça decidiu a favor dos arqueólogos, escolhendo Leicester à custa de York.

Embora católico, o rei medieval será enterrado de acordo com o rito anglicano. Contudo, rituais católicos acontecerão ao longo da semana, incluindo uma missa de requiem na segunda-feira, conduzida pelo cardeal Vincent Nichols, o mais alto prelado católico da Inglaterra.

Quinta-feira, o enterro será celebrado na presença do chefe da Igreja Anglicana, o arcebispo de Canterbury Justin Welby, e da condessa de Wessex, Sophie, nora de Elizabeth II, e do príncipe Ricardo, Duque de Gloucester, patrono da associação Ricardo III e descendente do rei.

O túmulo será aberto ao público no sábado.



segunda-feira, 23 de março de 2015

Sob chuva, católicos de SP fazem procissão pedindo água

A matéria é do IHU:

No Dia Mundial da Água, católicos fazem procissão pedindo chuva em São Paulo

Em frente à igreja da Consolação, na rua de mesmo nome, o corretor Sérgio Santos, 50, levanta os braços e chama seus batedores.

Os seis motoqueiros de um grupo cristão de motociclismo, todos de preto e a bordo de suas Harley-Davidson, respondem ao chamado e dão a partida nas motos.

São eles que abrem o caminho para a multidão de católicos que saiu às ruas do centro de São Paulo, na tarde deste domingo (22), Dia Mundial da Água, em uma procissão para pedir chuva.

A reportagem é de Lígia Mesquita, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 23-03-2015.

Antes mesmo da caminhada promovida pela Arquidiocese de São Paulo ter início, a água já caía do céu. Segundo os organizadores, 1.500 pessoas participaram do ato, que terminou com uma missa rezada pelo arcebispo paulista, dom Odilo Scherer, na Catedral da Sé. O último evento desse tipo na cidade havia ocorrido em 1957.

No carro de som, um padre passa um sermão: "Muitas vezes jogamos os problemas nas costas de alguns e não assumimos nossas responsabilidades com nossa cidade".

Carregando uma imagem de São José na mão esquerda e um guarda-chuva na direita, Conceição Santos, 55, concorda com a bronca e diz que a chuva que cai já é "uma resposta de Deus" à marcha pela água. "Deus está nos mostrando que não se brinca com a mãe natureza. Ficamos esbanjando e deu no que deu."

Para a aposentada, em um primeiro momento, a procissão pela chuva não salvará a capital de um possível racionamento de água. "Mas Jesus está vindo aos pouquinhos. Sem água não vamos ficar."

Funcionária de uma padaria, Andressa Araújo, 20, também caminha pedindo chuva. Moradora da Vila Mariana, ela nunca ficou sem água, mas não descarta passar pelo problema. "Acredito que esse pedido aqui vai dar certo. Deus pode ajudar, mas temos que fazer nossa parte."

Protesto

Logo atrás dos motociclistas, integrantes da Pastoral do Povo da Rua, coordenada pelo padre Júlio Lancellotti, aproveitam o evento para protestar. Seguram faixas e cartazes pedindo água para a população de rua.

A professora Mara Zanin, 50, carrega uma cartolina com a mensagem "Higienização não. A cidade é de todos".

"O poder público tinha que ter olhado para esse problema da falta de água há dez anos. Agora, estamos correndo atrás do prejuízo, então nos resta mesmo rezar", fala.

Para o padre Lancellotti, a crise hídrica "é muito grave" e não há um plano contingencial do poder público. "A procissão é um sinal de que quando estão faltando planos do governo, temos que recorrer a Deus", afirma.

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, caminha em meio aos fiéis. E defende a realização desse tipo de procissão, normalmente feita em cidades do interior e do Nordeste, na maior cidade do país. "Não é coisa de cidade pequena. A fé se faz em toda parte. São Paulo também precisa de água", diz.

Segundo dom Odilo, a marcha da igreja serve também para conscientizar a população sobre o uso racional da água. "Pedir água [a Deus] não exime ninguém, nem políticos nem cidadãos, da responsabilidade. Agora descobrimos que conseguimos viver com menos água."



domingo, 22 de março de 2015

Será que gratidão combate insônia?

É o que propõe Gaía Passarelli em seu blog no Brasil Post:

Uma técnica simples para espantar a insônia

Experimente agradecer.

Todo mundo sabe o que é não conseguir pegar no sono por causa da tagarelice mental. Uma boa noite de sono normalmente é resultado de uma cabeça tranquila, da perspectiva de um dia agradável depois de acordar. Ou seja: é coisa rara. Pensamentos ansiosos (contas, mágoas, arrependimentos, deveres) vão se acumulando, a cabeça não descansa, o sono não chega.

Já pensou que a solução pode estar justamente na abordagem contrária?

Tente fazer uma lista mental das três coisas boas que aconteceram no seu dia. Pode ser comida boa no almoço, notícias de um amigo, o capítulo na novela. Aliás, agradeça por ter trabalho, ter um teto, ter saúde. E agradeça por ter uma cama quentinha para dormir, por ter alguém que ama ao seu lado, por seus filhos estarem por perto. Lembre de agradecer por sua saúde, pela água que sai da torneira, pelo teto acima da cabeça. Por ter pais ou avós vivos, por se dar bem com seus irmãos, por ter pão com manteiga para comer de manhã.

Tá, talvez algumas dessas coisas não possam entrar na sua lista. Com certeza algumas não estão na minha! Digo porque estou passando por uma fase difícil (quem não está?) e dormir se tornou um drama, mas não tomo remédios nem encho a cara pra pegar no sono. O que eu quero é um sono limpo, restaurador, do qual acorde pronta pra fazer café e começar o dia. Foi numa noite qualquer que tentei pensar nas coisas boas que estão ao meu lado, para acalmar o coração. Funcionou. E tem funcionado, noite após noite. Tanto que quis vir aqui repartir.

Hoje tive mais um dia bem merda. Mas na hora de dormir vou poder lembrar que o professor elogiou o inglês do meu filho. Que uma amiga trouxe um donut recheado de Nutella. Que há meses não fico doente. Que tomei um banho quente. É mais do que algumas pessoas têm pra dizer, menos do que outras. Mas é meu e de verdade.

Lembrar que nem tudo na vida está desabando não só acalma a cabeça e o coração, mas ajuda a colocar as coisas em perspectiva também.

Tente isso hoje. Aliás, tente isso AGORA e melhore seu dia.



sábado, 21 de março de 2015

Existem bilhões de planetas como o nosso por aí


Artigo interessante publicado no blog Mensageiro Sideral:

Bilhões de planetas na zona habitável

SALVADOR NOGUEIRA

Para cada estrela no Universo, deve haver entre um e três planetas em sua zona habitável — a região nem muito quente, nem muito fria, que permite a presença de água em estado líquido na superfície. É basicamente a condição essencial para a existência de vida. Apenas na Via Láctea, a nossa galáxia, são cerca de 200 bilhões de estrelas. Faça as contas e pare para pensar no que isso significa, só por um instante.

Pensou? Agora vamos em frente. A estimativa extraordinária acaba de ser apresentada por um trio de astrônomos na Austrália e na Dinamarca, aliando alta tecnologia do século 21 — dados do satélite Kepler — a ciência do século 18.

É isso mesmo que você leu. Ciência do século 18. Faz algum tempo que os astrônomos Charley Lineweaver e Timothy Bovaird, da Universidade Nacional Australiana, andam brincando com um conceito conhecido como a relação de Titius-Bode. Ela foi descoberta em 1766 por Johann Titius e popularizada por Johann Bode em 1772, numa época em que apenas um sistema planetário era conhecido: o nosso. A dupla notou que as órbitas dos planetas pareciam obedecer a uma regra matemática simples.


Olhe para esta sequência de números:

0, 3, 6, 12, 24, 48, 96, 192, 384…

À exceção dos dois primeiros, todos os outros são o dobro do anterior. Baba. Agora, mais uma operação matemática simples. Some 4 a todos eles. Terminamos com:

4, 7, 10, 16, 28, 52, 100, 196, 388…

Agora divida tudo por dez. E eu juro que esta é a última conta que você vai precisar fazer aqui hoje. Pois agora, como num truque de mágica, você pode usar esta sequência para prever as distâncias médias que cada um dos planetas do nosso Sistema Solar guarda do Sol, em unidades astronômicas (UA). Uma unidade astronômica é, por definição, a distância média da Terra ao Sol, cerca de 150 milhões de km. Mas veja como (quase) tudo se encaixa.


PlanetaDistância T-B (UA)Distância real (UA)
Mercúrio0,40,39
Vênus0,70,72
Terra1,01,00
Marte1,61,52
Ceres (cinturão de asteroides)2,82,77
Júpiter5,25,20
Saturno10,09,54
Urano19,619,20
Netuno38,830,06


Note que, quando Titius e Bode primeiro revelaram essa estranha coincidência, a posição entre Marte e Júpiter estava vazia, e o último planeta conhecido era Saturno. Não só Urano, descoberto em 1781, seguia bem de perto a tal regra, como o astrônomo Giuseppe Piazzi encontraria, em 1801, o planeta anão Ceres (feito famoso recentemente pela espaçonave Dawn) bem onde a singela relação matemática sugeriria a possível presença de alguma coisa.

Acabou que eram algumas coisas — havia um cinturão de asteroides inteiro naquele espaço, o que roubou parte da magia da previsão. E Netuno, o oitavo planeta, descoberto em 1846, também não seguia de perto a regra, o que acabou levando os astrônomos a tratá-la como nada mais que uma grande, enorme, imensa coincidência.

SÓ QUE NÃO

Lineweaver e Bovaird parecem determinados a reabilitar a velha relação, usando para isso os planetas fora do Sistema Solar. Em 2013, o Mensageiro Sideral descreveu um trabalho da dupla que demonstrava que uma versão genérica da regra de Titius-Bode (em que os parâmetros iniciais e de multiplicação variam) parecia se encaixar incrivelmente às arquiteturas dos sistemas multiplanetários descobertos até então.

À moda dos astrônomos do século 18, os australianos então usaram os espaços “vazios” indicados pela regrinha para “prever” a existência de 141 exoplanetas ainda não descobertos em sistemas previamente estudados.

Em seguida, outros astrônomos foram procurá-los, fuçando nos dados públicos do satélite Kepler, o caçador de planetas da Nasa. De 97 planetas previstos pela dupla da Austrália, Chelsea Huang e Gáspár Bakos, da Universidade de Princeton, puderam encontrar apenas cinco. E um sexto que parecia estar ligeiramente no lugar errado, a julgar pela previsão. Na opinião deles, uma confirmação de só cinco planetas, em meio a 97, é muito pouco para redimir a relação de Titius-Bode. “A taxa de detecção está aquém do limite inferior do número esperado, o que indica que o poder de previsão da relação de Titius-Bode é questionável”, escreveram.

Ainda assim, o fato de que cinco planetas candidatos foram descobertos desse modo e estavam todos onde a regrinha sugeria que deveriam estar ainda deixa uma ponta de dúvida (sobretudo porque o sexto, que não obedeceu à relação, se mostrou bem esquisito). Por isso, Lineweaver e Bovaird voltaram à carga, aliados a Steffen Jacobsen, da Universidade de Copenhague.

VIÉS DE SELEÇÃO 

O novo estudo leva em conta uma amostra ainda maior de sistemas multiplanetários descobertos, mas que parecem “incompletos”, a julgar pela relação de Titius-Bode. E analisa os achados de Huang e Bakos sob a perspectiva de qual deveria ser a taxa de sucesso esperada, chegando à conclusão de que era mais ou menos isso mesmo: 5% das previsões. Afinal, há várias limitações de tamanho dos planetas e de alinhamento dos sistemas que impedem a detecção da maior parte dos planetas “perdidos”.

“Eu considero a detecção de 5% uma evidência de apoio interessante para nossas previsões, porque é isso mesmo que se deveria esperar”, disse Lineweaver ao Mensageiro Sideral. “Também é importante considerar o fato de que todos os outros pesquisadores que estão analisando os sistemas multiplanetários do Kepler sem usar nossas previsões só conseguiram achar dois novos exoplanetas, e esses dois também são consistentes com nossas previsões.”

Na nova lista, os astrônomos foram mais cautelosos, limitando-se a sistemas cuja inclinação favoreça mais a detecção dos planetas “previstos”. No total, eles apresentam 228 mundos “perdidos” em torno de 151 estrelas e fazem uma afirmação ousada, ao prever a taxa desses planetas que deve ser encontrada numa análise mais cuidadosa dos dados brutos do Kepler: 15%.

120 BILHÕES DE TERRAS?

O que nos leva de volta ao começo da história. Se Lineweaver e seus colegas estiverem certos, e a relação de Titius-Bode for mesmo uma boa pista de como se configuram as arquiteturas dos sistemas planetários, juntando as descobertas já confirmadas do Kepler às previsões, cada estrela deve ter em média entre um e três planetas na zona habitável de sua estrela. E logo saberemos se isso está mesmo certo, porque os astrônomos australianos já estão mais uma vez fuçando os dados do satélite em busca das confirmações — e elas devem ser representativas do estado geral dos planetas em toda parte.

“Nosso resultado de um a três planetas é baseado somente nos sistemas descobertos pelo Kepler. Contudo, baseando-nos nas formas mais plausíveis de corrigir os efeitos de seleção do satélite, a evidência favorece fortemente a ideia de que todas as estrelas têm sistemas planetários e que esses sistemas são provavelmente quase todos multiplanetários. Fingir que tudo que o Kepler é capaz de ver é tudo que existe é irrealista.”

O argumento de Lineweaver faz todo sentido. Para detectar planetas, o sistema precisa estar de tal modo alinhado que esses mundos passem periodicamente à frente de suas estrelas com relação ao satélite. Como esses alinhamentos se distribuem aleatoriamente, sabemos que o Kepler só é capaz de, na melhor das hipóteses, detectar 5% dos sistemas existentes numa dada região do céu, e mesmo assim só a poucos milhares de anos-luz de distância. Ou seja, tudo de fascinante que foi descoberto pelo satélite até agora representa 5% do que existe naquela pequena região do céu, e só nas vizinhanças mais próximas do Sistema Solar.

Importante ressaltar que a relação de Titius-Bode não diz nada sobre o tamanho dos objetos que ocupam as faixas indicadas. O que significa dizer que nem todos os planetas presentes na zona habitável de suas estrelas serão rochosos, como a Terra. Em seu novo artigo, publicado no periódico “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”, Lineweaver e seus colegas estimam que um terço desses mundos sejam de fato rochosos (com no máximo 1,5 diâmetro terrestre). Ainda assim, quando você multiplica 2 (média de planetas por sistema) por 0,3 (percentual de planetas rochosos) por 200 bilhões (estimativa do número de estrelas na Via Láctea), terminamos com nada menos que 120 bilhões de mundos similares em composição à Terra e posicionados numa região do sistema planetário compatível com a presença de água líquido — requisito essencial para a vida.

É um pensamento tão assustador quanto encantador. Como não perder algum tempo refletindo sobre esses números e imaginando a incrível variedade de sistemas existentes lá fora? A cada momento descobrimos algo incrível sobre os diversos mundos que orbitam o nosso Sol, aqui no quintal de casa. Imagine isso multiplicado por centenas de bilhões, só para a nossa Via Láctea. E então imagine centenas de bilhões de galáxias como a nossa. Este é o Universo em que vivemos. Não dá para não se apaixonar. E tenho certeza de que Titius e Bode teriam ficado encantados com tudo isso, estivessem aqui conosco.



sexta-feira, 20 de março de 2015

Papa almoçará amanhã em Nápoles com 90 presos, 10 deles transexuais

Nápoles já ama um argentino que jogou no time local, o Napoli, de 1984 a 1991. Ele se chama Diego Armando Maradona.

Outro argentino, o papa Francisco, visitará amanhã, 21 de março de 2015, a penitenciária de Poggioreale, nas cercanias de Nápoles, onde almoçará com 90 presos da instituição.

O detalhe, digamos, curioso da visita é que 10 desses presos são transexuais.

Além disso, os próprios presos se encarregarão de preparar o almoço pra lá de especial.

O papa sairá de helicóptero do Vaticano às 7 da manhã e pousará primeiro no Santuário de Pompéia, onde dedicará alguns minutos a oração.

O programa inclui, em seguida, um traslado de helicóptero até Nápoles, onde o pontífice se encontrará às 9:30h com grupos de pessoas em situação vulnerável na praça João Paulo II.

Estão programadas, também, reuniões com religiosos e diáconos responsáveis pela manutenção da Basílica de Nápoles.

Para completar a visita tipicamente italiana, o papa Francisco se encontrará com jovens empresários e agitadores culturais no bairro de Sciampia, na periferia de Nápoles, região conhecida também por ter áreas controladas pela máfia napolitana, a Camorra.

Tudo indica, portanto, que outro argentino entrará no panteão napolitano.

As informações acimas foram divulgadas pelo canal de televisão da Conferência Episcopal Italiana e reproduzidas no Religión Digital.



quinta-feira, 19 de março de 2015

STJ julgará editores acusados de antissemitismo

A informação é do próprio Superior Tribunal de Justiça:

Tribunal vai julgar recurso contra editores acusados de difundir antissemitismo

Caberá à Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgar um recurso da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro que discute a imputação de crime de racismo aos diretores da Editora Centauro, que publicou o livro Os Protocolos dos Sábios de Sião, ao qual se atribui conteúdo antissemita. O relator do recurso é o ministro Nefi Cordeiro.

O livro apócrifo data do século XIX e fala de um suposto projeto de conspiração de judeus e maçons para dominar o mundo. O original foi escrito em russo e traduzido para vários idiomas. Adolf Hitler citou o livro em sua obra Mein Kampf (1925), em que expressa suas ideias antissemitas.

Os diretores da editora foram condenados em primeira instância pelo crime do artigo 20, parágrafo 2º, da Lei 7.716/89. A pena foi fixada em dois anos em regime aberto, substituída por prestação de serviços à comunidade.

De acordo com a denúncia, eles teriam praticado e incitado a discriminação e o preconceito contra os judeus por meio da edição, distribuição e comercialização do livro apócrifo em 2005, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Coisa julgada

Os réus apelaram, e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu anular a ação penal desde a denúncia, determinando o arquivamento do processo. A corte local levou em conta o arquivamento, pela Justiça de São Paulo, de um procedimento investigatório policial para a apuração da suposta conduta criminosa dos editores.

Naquele caso, a Justiça paulista entendeu a conduta atípica por ausência de dolo, sendo que não houve interposição de recurso contra a decisão. Daí porque o tribunal fluminense, tendo em vista a existência de coisa julgada, considerou ser impossível abrir uma nova investigação ou ação penal com o mesmo fundamento, ainda que em outro estado.

Para o TJRJ, também haveria incompetência ratione loci, uma vez que os acusados não teriam desenvolvido no Rio de Janeiro, mas em São Paulo, as condutas descritas na peça acusatória – e em São Paulo elas foram consideradas atípicas.

Recurso

No STJ, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, na qualidade de assistente de acusação, recorre contra a decisão. Afirma que há competência da Justiça estadual do Rio para julgar a ação penal, tendo em vista a “existência de prova da exposição e venda do livro” no estande da Editora Centauro na Bienal de 2005.

A entidade destaca que não haveria identidade entre os fatos ocorridos em São Paulo e no Rio nem identidade de partes, exigidas para o reconhecimento da coisa julgada. Sustenta que o arquivamento não faz coisa julgada material, portanto não impede a reabertura do caso. Além disso, alega que a Federação Israelita do Estado de São Paulo não foi intimada da decisão de arquivamento.

No recurso, a federação fluminense pede que o STJ afaste a preliminar de coisa julgada e determine o prosseguimento do julgamento no TJRJ. Ainda não há data prevista para a análise do caso na Sexta Turma.



quarta-feira, 18 de março de 2015

Quando o silêncio é cúmplice


Vídeo produzido pelo governo da província de Ontario, no Canadá, intitulado "Who Will You Help?" ("Quem Você Vai Ajudar?"), que busca prevenir a violência contra as mulheres:




terça-feira, 17 de março de 2015

O humor contra o terror


A matéria é da BBC Brasil:

Bélgica aposta em humor para 
prevenir radicalização de jovens

Márcia Bizzotto

Uma peça de teatro humorística é a nova arma do ministério de Educação e Cultura da comunidade francófona da Bélgica para conter o extremismo e a radicalização entre os jovens.

Lançado há um mês, o projeto conta com a adesão maciça das escolas: até o final de março, mais de 11 mil alunos terão assistido a Djihad e outros 11.740 mostraram interesse, obrigando o ministério a abrir uma lista de espera e estender as representações até junho.

A iniciativa partiu da ministra de Educação e Cultura, Joëlle Milquet, que comandou o Ministério do Interior da Bélgica entre 2011 e 2014, quando a questão dos combatentes estrangeiros na Síria começou a chamar a atenção da União Europeia.

A Bélgica é o país europeu com o maior número de cidadãos nas filas do grupo extremista autodenominado "Estado Islâmico" em proporção a seu total de habitantes. Muitos desses jihadistas são menores de idade saídos diretamente da escola.

'Terreno fértil'

"A escola é um terreno fértil para a radicalização e tem um papel fundamental em combatê-la", afirmou à BBC Brasil Olivier Laruelle, porta-voz do Ministério de Educação da comunidade francófona belga.

"Durante seu período como ministra do Interior, Milquet foi interpelada por vários diretores de escolas que buscavam apoio para enfrentar esse novo fenômeno de estudantes que abandonavam a escola e iam para a Síria, que não sabiam como tratá-lo e como proteger os outros alunos."

A necessidade de lançar um plano contra a radicalização específico para as escolas veio à tona depois dos atentados de Paris, no início de janeiro, explicou Laruelle.

"Ouvi afirmações que me chocaram durante as discussões que tivemos em classe depois dos atentados", lembrou Claude Simar, professor do centro escolar Saint Marie de la Sagesse, em Bruxelas, que enviará todos os alunos ao teatro.

"Havia desde crianças que elogiavam os ataques a outras que condenavam, mas achavam que os cartunistas (da revista satírica francesa Charlie Hebdo) fizeram por merecer. Percebemos que há um grande trabalho a fazer com os alunos".

Sua escola fica em Schaerbeek, um bairro popular de maioria turca e muçulmana que, em abril de 2013, viu dois estudantes de 16 anos partirem para a Síria. Mas, segundo Simar, os discursos "chocantes" não se limitam a alunos com um determinado perfil.

Caricatura da realidade

Escrita por Ismaël Saïdi entre agosto e setembro de 2014, Djihad narra - de maneira caricatural e com humor - a aventura de três jovens belgas de origem árabe que, desiludidos, encontram conforto na religião muçulmana, se radicalizam e decidem se unir aos combatentes extremistas na Síria.

A peça atribui a radicalização dos personagens à manipulação dos preceitos da religião islâmica por parte de alguns e ao desconhecimento por parte de outros, sem deixar de criticar o tratamento dado pelas autoridades belgas às minorias e aos excluídos da sociedade.

"É a nossa história. Tudo isso acontece todos os dias nos bairros mais desfavorecidos de Bruxelas e da Bélgica em geral", disse à BBC Brasil o autor, ex-policial convertido ao cinema e ao teatro há dez anos, que também atua na peça.

Tanto ele como os dois outros atores - Ben Hamidou e Reda Chebchoubi - são muçulmanos de origem imigrante, criados em bairros populares da capital belga. "Djihad poderia ter acontecido com a gente. Quando eu era pequeno, no bairro, cansei de ouvir gente convidando para ir para o Afeganistão fazer a guerra santa. Hoje em dia é para a Síria", ressaltou.

Para o porta-voz do Ministério da Educação, essa proximidade, associada à leveza do texto, ajuda a passar a mensagem aos jovens, reforçada com um debate ao final de cada representação.

"As pessoas se reconhecem no palco, então ficam mais dispostas a escutar", acredita Laruelle.

Suleyman El Kadiri, de 14 anos, assistiu à peça entre gargalhadas, acompanhado de seus colegas de classe.

"Achei divertido, mas também me deu um pouco de medo ver na minha frente o que acontece quando eles estão ali (na guerra). E achei interessante porque mostra como alguém pode se tornar um monstro. Acho que pode ajudar as pessoas a ver o perigo e que a gente já tem bastante coisa pra lutar contra aqui", disse.

"Se (a peça) vai ajudar (a deter a radicalização) eu não sei. Mas o que eu sei, pela minha experiência no bairro, é que fazer nada é que não ajuda", defende Ismaël Saïdi.



segunda-feira, 16 de março de 2015

TJSP condena Levy Fidelix a pagar R$ 1 milhão por declarações homofóbicas

levy fidelix

A informação é do Brasil 247:

FIDELIX TERÁ DE PAGAR R$ 1 MILHÃO POR HOMOFOBIA


Ex-candidato à Presidência da República foi condenado pelo TJ-SP por ter feito afirmações homofóbicas durante debate eleitoral na televisão; no dia 28 de setembro do ano passado, Levy Fidelix (PRTB) foi questionado sobre o motivo de muitos dos que se dizem defensores da família não reconheceram o direito de casais homossexuais ao casamento civil; o então candidato respondeu que "dois iguais não fazem filho" e que "aparelho excretor não reproduz"; cabe recurso

O ex-candidato à Presidência da República, Levy Fiddelix (PRTB), foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar uma multa de R$ 1 milhão por ter feito afirmações homofóbicas durante um debate eleitoral na televisão. A ação civil pública por daos morais foi movida pelo movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) e a sentença judicial foi anunciada na última sexta-feira (13). Ele poderá recorrer da decisão.

No dia 28 de setembro do ano passado, enquanto participava de um debate, Fidelix foi questionado sobre o por quê de muitos dos que se dizem defensores da família não reconheceram o direito de casais homossexuais ao casamento civil. Na ocasião, Fidelix afirmou que "dois iguais não fazem filho" e que "aparelho excretor não reproduz". O então candidato teria dito, ainda, que população LGBT deve ter atendimento psicológico e afetivo, mas "bem longe da gente".

"Aparelho excretor não reproduz (...) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar", disse durante o debate.

Para o Tribunal de Justiça de São Paulo, contudo, as declarações do então candidato "ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, incidindo em discurso de ódio". Conforme a sentença, a multa será revertida em ações de promoção de igualdade da população LGBT.



domingo, 15 de março de 2015

O que caracteriza alguém criativo?


A resposta talvez esteja neste artigo interessante de Renata Reps para o Brasil Post:

A exclusividade padronizada da criatividade

Em pesquisas e bates-papos com as mentes criativas que cruzam o meu caminho, já percebi alguns pontos em comum entre elas. Não estou dizendo que essas pessoas não sejam, de fato, pontos fora da curva. Tudo indica, porém, que dentre toda esta descentralização existem empatias, intervalos de encontro que parecem se reunir e formar uma outra massa: o grupo dos que não querem fazer as coisas como todo mundo faz.

A cada nova conversa, a luzinha laranja daquele canto do cérebro que conecta informações apitava quando alguém também me dizia que tinha viajado para longe antes de ter aquela ideia, ou que os amigos não compreendiam o que estava tentando fazer; ou que o dinheiro nunca havia sido sua primeira preocupação. E os pequenos pontos de congruência formavam, pouco a pouco, uma linha de características similares e que une até mesmo quem tenta e quer ser tão diferente. A criatividade tem, afinal, uma sequência natural.

Nada disso são regras e não quer dizer que valham para todo mundo. O que me foi alarmante foi apenas o grande número de pessoas que relatou estes três fatores que eu descrevo a seguir.

1. O ano sabático

Os judeus conhecem bem a importância deste período. A expressão "ano sabático" deriva, na verdade, do shabat, que é o dia do descanso sagrado para o Judaísmo, dia em que Deus repousou depois desta trabalheira que foi a criação do mundo. Bom, se até Ele precisou de uma folga para clarear as ideias, que dirá nós, selvagens mortais. É impressionante a presença deste ano de alívio das pressões quotidianas na vida dos empreendedores criativos. E isso é muito fácil de entender: para se chegar a uma ideia de negócio que tenha um real potencial disruptivo - ou seja, que tenha capacidade de desestabilizar a concorrência por seu conteúdo inovador - é preciso dar um tempo da rotina.

A rotina tem um papel importante na vida dos seres humanos. Ela cria uma noção de sentido, de organização dentro de todo o caos que podem ser nossa mente ou nosso quarto, por exemplo. Mas, infelizmente, ela tem o triste potencial de nos impedir de enxergar um palmo à frente de nossos narizes. É por isso que quando viajamos sentimos tanto, nos alegramos tanto, nos emocionamos tanto. É como se nos desnudássemos daquele véu que tapa as grandes excitações do dia a dia e que serve para nos permitir seguir o ritmo normal da vida, sem tantos questionamentos ou deslumbramentos a cada passo. Quando estamos em um lugar novo, percebemos mais. Até mesmo quando estamos de férias, ainda que na mesma cidade, conseguimos ver detalhes que se perdem dentro de um quotidiano comum.

Pois o ano sabático é isto: um grande encontro com os próprios desejos, sem freios ou bloqueios. É aquele tempo que tiramos para nos livrar dos problemas que nos prendem em nossa vida diária. Fazemos belos encontros, aprendemos novas línguas, descobrimos outras culturas. Tem quem precise de desculpas para isso - como fazer um curso no exterior, por exemplo. Mas o mais eficaz, pelo que tenho visto, é mesmo quem sai sem rumo, e também quem visita não só um, mas vários países. Na volta, há duas saídas: se encaixar à força à realidade precedente ou procurar novos caminhos. Mas ir embora, normalmente, é uma escolha sem volta: a vida nunca vai ser o que era antes. E é aí que os empreendedores tiram proveito.

2. A incompreensão dos amigos e da família

O empreendedor é um desbravador solitário. O paralelo que eu consigo fazer é com aqueles que estão construindo uma tese ou uma dissertação de um assunto muito específico, que só eles entendem. Não dá para sentar em uma mesa de bar e compartilhar aquilo com olhares ávidos e sorridentes de compreensão; as pessoas vão se entediar, ou duvidar, ou simplesmente não entender. E elas podem te desencorajar, fazendo perguntas que não são pertinentes àquela pesquisa, ou que vão te tirar do seu foco. É isso: você passa 24 horas por dia com um tema na cabeça e não pode dividi-lo com quase nenhum outro ser.

Pois novas ideias são assim. Elas incomodam. O universo parece criar estratégias bem delineadas para manter o status quo e o sucesso já adquirido da espécie humana. Assim, ameaças à paz são cortadas pela raiz. Você pode pensar em inúmeros exemplos em que essa máxima seja válida, e o empreendedorismo criativo é apenas mais uma delas. Como explicar aos seus pais que você vai abandonar um emprego que te rende sustento e uma posição bem delimitada no status social para criar um blog, ou para abrir um negócio que muitas vezes você não vai nem conseguir fazê-los entender o que é?

A estrutura econômica hoje é bem diferente da época em que eles aprenderam o que se devia fazer para ganhar a vida. O problema é que este modelo está em fase de constituição, e ainda há numerosos representantes do velho paradigma econômico vivendo à moda antiga; e eles podem ser tão jovens quanto você. São eles, inclusive, que vão te fazer repensar seus planos e se questionar: nossa, mas será que vale a pena mesmo? São eles, com seus salários fixos e sem correr riscos, que sinalizarão que o seu caminho não faz sentido, ou que você deveria deixar essa bobagem de lado e parar de sonhar. Então, acredite: a maioria dos seus amigos não vai te entender ou te oferecer suporte. Esta luta, amigo, vai ser travada por você sozinho - ou com poucas companhias de verdade.

3. O dinheiro como conseqüência - e não objetivo

É este mesmo pessoal, com a cabeça no modelo econômico passado, que faz os empreendedores parecerem loucos desvairados quando eles dizem que sua preocupação principal não é o dinheiro. É batata: a maioria esmagadora dos criativos que conheci buscavam, acima de tudo, criar algo em que acreditassem e que lhes desse prazer. Eles queriam sair de um paradigma de viver para os fins de semana, mesmo que isso significasse trabalhar muito mais do que em seus empregos fixos de antes, para inventar algo que não existia. Ou apenas para ser feliz mais vezes por semana.

A maior parte deles, também, tinha uma vontade vascular de empreender. E isso desde sempre. E um grande número sabia que queria criar o próprio negócio, mas não tinha certeza do que deveria criar. Algumas dessas pessoas juntaram dinheiro durante muito tempo em seus empregos tradicionais antes de se aventurar na própria empresa; outras delas, conseguiram vender suas ideias e obter financiamentos; algumas poucas, ainda, contaram com suporte familiar. Mas para todas, sem exceção, ganhar muito dinheiro não era o objetivo principal. Eles tinham objetivos nobres, queriam mudar o mundo, melhorar as coisas - nem que fosse a própria vida.

É claro que isso não impede a boa estruturação do modelo de negócios para que ele dê certo; a fase de testes para conferir se o mercado aceita e está preparado para aquele novo conceito e a preparação para um primeiro ano que é, normalmente, decisivo. E os números são implacáveis: ¼ das startups brasileiras morre antes do término deste ano inicial, segundo um estudo da Fundação Dom Cabral realizado em outubro de 2014. E daí tudo bem, né, a pessoa vai ter tentado - e se forçar a sair da inércia para tentar construir grandes coisas e ser feliz já é um grande mérito. Mas aqueles que têm sucesso, mesmo, podem até ficar milionários - como eu tenho visto com certa freqüência. Ricos e felizes, como num conto de fadas. E olha que a ideia inicial era apenas ser feliz.

Portanto, um brinde à criatividade, e a quem arregaça as mangas para fazer um plano abstrato sair do papel, mesmo fazendo força contra a ventania que tenta empurrar para o sentido oposto. Se você é uma dessas pessoas, acredite: tem mais desbravadores por aí parecidos com você, e enfrentando o mesmo tipo de perrengue.

Encontre-os.



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