quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Patriarca ortodoxo russo visitará o Brasil

A informação é da Agência Brasil:

Patriarca da Igreja Ortodoxa começa amanhã viagem pela América Latina

Ana Cristina Campos

O patriarca ortodoxo russo Kirill fará visita a Cuba, Paraguai e Brasil entre os dias 11 e 21 deste mês. Na primeira parada, em Cuba, ele terá um encontro histórico com o papa Francisco no dia 12, no Aeroporto de Havana.

Segundo o Vaticano, será “o primeiro encontro da história” entre os dois principais dirigentes cristãos do Ocidente e do Oriente, separados desde o Grande Cisma de 1054 que dividiu a cristandade.

A reunião ocorrerá durante uma visita à América Latina do patriarca Kirill e da viagem ao México do papa Francisco, que será entre os dias 12 e 18.

O encontro terá início com uma reunião de duas horas e será concluído com a assinatura de uma declaração comum. O chefe das Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa russa, metropolitano Hilarion de Volokolamsk, informou que o tema das perseguições aos cristãos será central na conversa entre os líderes. Ele disse esperar que o encontro entre Francisco e Kirill “abra uma nova página nas relações entre as Igrejas”.

“A situação atual no Oriente Médio, no Norte e no Centro da África e, em outras regiões, onde extremistas estão perpetrando um verdadeiro genocídio contra a população cristã, tem requerido medidas urgentes e cooperação mais próxima entre as igrejas. Nesta trágica situação, é necessário colocar de lado as desavenças internas e unir esforços para salvar a cristandade nas regiões onde está sujeita a mais severa perseguição”, afirmou o chefe das Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa russa.

Durante sua estada em Cuba, está planejada a visita do patriarca russo ao ex-presidente Fidel Castro e ao atual dirigente Raúl Castro. No domingo (14), Kirill vai celebrar missa em uma igreja ortodoxa russa em Havana e seguirá para o Paraguai, onde será recebido pelo presidente Horacio Cartes, segundo o metropolitano Hilarion.

Brasil

No dia 19, o patriarca Kirill estará em Brasília e, de acordo com a Igreja Ortodoxa russa, será recebido pela presidenta Dilma Rousseff. A Secretaria de Imprensa da Presidência da República não confirma o encontro.

No dia 20, o líder da Igreja Ortodoxa russa estará no Rio de Janeiro onde rezará missa no Corcovado. No dia seguinte, ele conclui, em São Paulo, a viagem pela América Latina.

Edição: Talita Cavalcante



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Implicações diplomáticas do encontro do papa com o patriarca ortodoxo russo


A matéria é do IHU:

Santa teimosia. A diplomacia do encontro entre o Papa e Kyrill


"Que este encontro ocorra em Cuba – ilha um tempo símbolo da guerra fria que estava para transformar-se em conflito nuclear, se não tivesse sido pela audaz e profética intervenção do Papa Francisco, caiu outro muro simbólico, é um daqueles sinais dos tempos que é preciso captar: como teria sido possível prosseguir na denegação de um abraço entre irmãos na mesma fé, quando até aguerridos inimigos históricos decidem voltar a se falar? Ali, no aeroporto daquela ilha, se manifestará a eficácia da convicção do Papa Francisco, que possamos definir santamente teimosa: entre irmãos cristãos não se pode não encontrar-se", observa Enzo Bianchi, prior do Mosteiro de Bose, teólogo leigo, em artigo publicado por Repubblica, 07-02-2016. A tradução é de Benno Dischinger. 


Eis o artigo.


Não o acaso, não as coincidências, mas o paciente trabalho de tantas pessoas, as preces de muitos fiéis, a resoluta vontade dos dois primazes e as circunstâncias históricas fizeram, sim, que este abraço ocorresse não na Europa, ante as multidões ortodoxas ou católicas movidas pelo extraordinário evento, mas na ilha do Caribe, num aeroporto, lugar laico por excelência, ágora da era contemporânea, espelho evocativo de viagens, de chegadas e partidas, onde as pessoas se cruzam, mas não se conhecem, mas também lugar simbólico de decolagens para novos horizontes e perspectivas.

Aquela disponibilidade patenteada pela presença de observadores do patriarcado de Moscou no Concílio Vaticano II, aquele auspício levado a Roma pelo metropolita Nikodim falecido entre os braços de João Paulo I, aquele elo cultivado de uma parte e da outra pela ex-cortina de ferro de modo particularmente intenso após a queda do regime soviético, aquele desejo alimentado pelos esforços de João Paulo II e pela sabedoria de Bento XVI é hoje uma realidade, ao mesmo tempo fruto de anos laboriosos e germe de messes ainda mais abundantes.

João Paulo II havia sonhado com a viagem a Moscou e foram feitas tentativas significativas, mas sempre se confrontara com a recusa da igreja ortodoxa russa que repetia: “os tempos não estão maduros”. De fato, a memória dos conflitos patriótico-religiosos entre a Polônia católica e a Rússia ortodoxa e a defesa dos uniatas greco-católicos na Ucrânia da parte de um Papa polaco não dissipava a desconfiança. Fora projetado um encontro no mosteiro beneditino de Pannonhalma na Hungria, depois na Áustria, alguns haviam ventilado o encontro em torno ao Sudário em Turim... mas, de fato nenhuma hipótese resultara praticável.

O que, então, acelerou este encontro, preparado com discrição há meses, mas anunciado no último momento? Quem segue desde o início o intensificar-se das relações entre Roma e Moscou, quem conhece o que anima simples trocas de cortesias ou mensagens aparentemente rituais de vizinhança e fraternidade, pode pesar o alcance deste encontro além de todo cálculo geo-religioso ou de realpolitik.

É um encontro que é fruto de sapiente tessitura diplomática, mas antes e mais ainda de uma consciência compartilhada: os cristãos devem prestar contas de suas divisões e dos esforços para superá-las não por uma instância internacional, mas pela precisa vontade de seu único Senhor. As recaídas concretas também fora do espaço eclesial existirão, certamente, e serão extremamente significativas, mas mais decisivas ainda serão as consequências no plano do diálogo ecumênico e da busca da unidade dos cristãos.

Não se falará de problemas teológicos – por isso faz anos que a comissão mista católico-ortodoxa, e nenhuma igreja ortodoxa particular é habilitada a diálogos teológicos bilaterais – mas, sobretudo dos problemas onerados de sofrimento dos católicos e dos ortodoxos na Ucrânia e dos cristãos perseguidos no Oriente Médio, os quais pedem solidariedade e ajuda.

É significativo, em todo caso, que a Igreja greco-católica na Ucrânia tenha adotado somente agora, após vinte e dois anos, o que tinha sido firmado entre católicos e ortodoxos em Balamand, em 1993: “a recusa do unitarismo como método de busca da unidade de pesquisa da unidade porque oposto à tradição comum das nossas igrejas”.

Também o metropolita Hilarion, ao apresentar o evento, recordou que motivos de tensão permanecem, sobretudo na intricada questão ucraniana, bem como impulsos à solidariedade se fazem urgentes nos Países onde os cristãos, independentemente de sua confissão, são vítimas de arbitrariedades, violências e perseguições.

Mas, na ótica cristã, o principal fator de aproximação não são as adversidades que surgem dentro ou fora do espaço eclesial, nem as oportunidades estratégicas de hipotéticas santas alianças, e sim a vontade de restabelecer aquela comunhão fraterna que é grande sinal que caracteriza os discípulos de Cristo.

Uma concórdia não “contra”, não em oposição a inimigos externos, mas fruto de uma comum conversão ao Senhor da paz e da unidade. Os cristãos não procuram a unidade porque assim lhes convém a ser muito mais numerosos, mais fortes de modo a contar mais plenamente entre os poderosos deste mundo: a procuram porque é a precisa vontade do próprio Jesus, e, segundo os Evangelhos, é o último preceito por Ele confiado aos seus discípulos.

É fácil imaginar que este encontro terá um peso considerável também sobre os trabalhos do próximo sínodo pan-ortodoxo: não porque expressão de alguma ingerência do bispo de Roma nas questões internas ao cristianismo do Oriente, mas porque capaz de favorecer um clima de diálogo e de recíproca compreensão também no interior da própria ortodoxia.

Não por nada, o primeiro a alegrar-se por este anúncio foi precisamente o patriarca ecumênico Bartholomeos. A nítida cordialidade de relações subitamente instaurada entre Francisco e Bartholomeos – o primus inter pares da ortodoxia – poderá agora caracterizar também as relações com o primaz da Igreja ortodoxa com o maior número de fiéis. Uma vez que dois guardiões se cruzam e dois corações se falam, de fato, é difícil que o gelo e a distância voltem a fazer sentir seu desconforto.

Que, enfim, este encontro ocorra em Cuba – ilha um tempo símbolo da guerra fria que estava para transformar-se em conflito nuclear, se não tivesse sido pela audaz e profética intervenção do Papa Francisco, caiu outro muro simbólico, é um daqueles sinais dos tempos que é preciso captar: como teria sido possível prosseguir na denegação de um abraço entre irmãos na mesma fé, quando até aguerridos inimigos históricos decidem voltar a se falar? Ali, no aeroporto daquela ilha, se manifestará a eficácia da convicção do Papa Francisco, que possamos definir santamente teimosa: entre irmãos cristãos não se pode não encontrar-se.

Lembrando-se das palavras de Jesus “Se alguém te pede andar uma milha, anda com ele duas” (MT 5, 41) – Francisco não solicitou que o patriarca se movesse para ele indo a Roma – como já fizeram todos os outros patriarcas – não solicitou ir à Rússia, suscitando talvez a sensação de triunfo sobre o antigo inimigo soviético desaparecido, mas disse: onde o patriarca quiser, quando quiser, como quiser. Uma autêntica obediência ao Evangelho e nada mais.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Circuito off carnaval - 14


Sim, meus caros antifoliões, chegamos ao último dia do já nosso já consagrado circuito off carnaval. Tristeza para alguns, alívio para outros (a maioria, imaginamos - risos).

Encerramos nossas atividades "fora-Momo!" de 2016 com John Williams, responsável por muitas das mais conhecidas trilhas de filmes eternizados em nossos corações e mentes.

Nascido em 8 de fevereiro de 1932, Williams completou 84 anos de idade ontem e segue firme na ativa, dando uma roupagem moderna, colorida e popular à música clássica, que é o que ele sabe fazer melhor.

No começo de sua carreira, ele compôs a trilha sonora de séries de televisão, como "Perdidos no Espaço" e "Terra de Gigantes", mas foi no cinema que sua obra realmente se agigantou e se popularizou, rendendo-lhe o recorde de 50 indicações ao Oscar, com 5 vitórias.

Difícil resumir a história de John Williams na música que embala tantos filmes, mas tentamos fazer uma pequena seleção abaixo, desde o violino chorando em "A Lista de Schindler", passando pelo suspense eletrizante de "Tubarão" até a "Marcha Imperial de Guerra nas Estrelas", que curiosamente homenageia Darth Vader, um dos maiores vilões já vistos nas telonas.

Desfrutemos, então, do talento de John Williams:


"A Lista de Schindler"


"A. I. - Inteligência Artificial"


"JFK - A pergunta que não quer calar"


"E. T. - O Extraterrestre"


"O Destino do Poseidon"


"Esqueceram de Mim"


"O Império do Sol"


"Jurassic Park"


"Harry Potter"


"Superman"


"Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida"


"Tema principal de Guerra nas Estrelas"


"Tubarão"


"Amistad"



"Marcha Imperial de Guerra nas Estrelas"




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Circuito off carnaval - 13


Nosso trepidante circuito fora das hostes carnavalescas hoje percorre o maravilhoso território da autêntica música gospel norte-americana, que pouco ou nada tem a ver com o estilo musical que atualmente copia seu nome no Brasil.

Deixamos nossos leitores embevecidos na companhia da vibrante voz de Yolanda Adams cantando "Victory", talvez seu maior sucesso:




Você também pode ouvir Yolanda Adams cantando "I Believe I Can Fly" (de R. Kelly) na melhor tradição do "rhytm and blues":




Voltando ao gospel, Yolanda Adams cantou "I Love The Lord" no tributo a Whitney Houston por ocasião do NAACP Awards em 2012:



Em resumo, Yolanda Adams sabe cantar...



domingo, 7 de fevereiro de 2016

Circuito off carnaval - 12


Retomamos hoje o nosso saltitante circuito off carnaval, a nossa tentativa hercúlea e quixotesca de sair um pouco da mesmice e fanfarrice do reinado de Momo em terras tupiniquins.

Para tanto, tomamos o túnel do tempo e voltamos às décadas de 1960 e 1970 no Brasil, primeiro com Rita Lee fazendo o vocal d'Os Mutantes, cantando "Panis et Circenses" numa apresentação ao vivo na TV francesa em 1969:



Em 2004, na gravação do DVD da MTV, Rita Lee revisitou o sucesso do início da carreira:




Voltando agora à década de 1970, viajamos no tempo para ouvir "Secos e Molhados", na voz perfeita de Ney Matogrosso, cantando "Flores Astrais" em 1974:




Um pouco antes, em 1973, os "Secos e Molhados" se apresentaram num programa em espanhol da então TV Tupi, chamado "Siempre en Domingos", cantando "Sangue Latino":



Sim, é isso mesmo o que você viu, na década de 1970 havia programas em castelhano na televisão brasileira, além de talento e criatividade na música que se produzia por aqui.

Talvez, depois que a Globo destruiu a Tupi e a concorrência em geral, monopolizando e uniformizando o discurso supostamente cultural que impõe ao país, chegamos a este poço sem fundo da imbecilidade imperando em todas as áreas do Brasil, vide o funk e  os Big Brothers da vida.



sábado, 6 de fevereiro de 2016

Encontro histórico do papa com o patriarca ortodoxo russo será em Cuba


A informação é da Agência Brasil:

Reunião do papa e do patriarca russo vai se centrar na perseguição aos cristãos

O encontro histórico entre o papa Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill, que ocorrerá no dia 12 deste mês em Havana vai se centrar na perseguição aos cristãos, informou hoje (5) o chefe das Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa russa, metropolitano Hilarion de Volokolamsk.

“O tema das perseguições aos cristãos será central neste encontro”, disse Hilarion, em entrevista coletiva sobre a visita do patriarca russo em países da América Latina.

Nesta reunião, também serão abordados temas referentes a relações bilaterais e política internacional. “O encontro terminará com a assinatura de uma declaração conjunta”, acrescentou Volokolamsk.

Será “o primeiro encontro da história” entre os dois principais dirigentes dos cristãos do Ocidente e do Oriente separados, desde o cisma de 1054 que dividiu a Igreja Católica em duas, informou o Vaticano.

O encontro ocorrerá à margem de uma visita à América Latina do patriarca Kirill, cuja igreja conta com 130 milhões de fiéis, e da viagem ao México do papa Francisco, que guia 1,2 bilhão de católicos.

Segundo o porta-voz, o patriarca russo não queria que o encontro ocorresse na Europa. “Foi precisamente com a Europa, que está vinculada à grave história de separação e conflitos entre os cristãos.”

O representante da Igreja ortodoxa disse esperar que o encontro entre Francisco e Kirill “abra uma nova página nas relações entre ambas as Igrejas”.

*Com informações das agências Sputnik e Lusa



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Autora de "Harry Potter" inventa escola de bruxos na Amazônia



Parece que o Brasil está crescendo de importância no universo harrypotteriano, essa máquina interminável de ganhar dinheiro mesmo depois do fim da série de livros e filmes. 

Alguns dias atrás, ficamos sabendo da versão turística de Hogwarts em Campos do Jordão (SP); agora é a vez de J. K. Rowling, escritora da saga infanto-juvenil, inventar uma escola de bruxos na Amazônia, segundo informa a revista Galileu:

J.K. Rowling revela escola de magia no Brasil

De acordo com o site Pottermore, o colégio Castelobruxo está localizado na Amazônia

Jovens brasileiros que sempre sonharam em ser bruxos, renovem suas esperanças! Em um evento da saga Harry Potter, um mapa com nomes e localizações de quatro escolas de magia e bruxaria foi exibido e, sim, há uma escola para bruxos no Brasil!

De acordo com o mapa, a escola Castelobruxo fica na Amazônia, protegida por caiporas, e recebe estudantes de todos os países da América do Sul. O conteúdo revelado faz parte do Pottermore, um site idealizado pela escritora J.K. Rowling, que publica novidades e conteúdo exclusivo sobre o universo que ela criou.

As outras escolas anunciadas foram a Ilvermorny (Estados Unidos), Uagadou (África do Sul) e Mahoutokoro (Japão). Estas se somam às já conhecidas Hogwarts (Reino Unido), Beauxbatons (França) e Durmstrang (leste europeu, localização precisa desconhecida).

Confira abaixo uma tradução livre do texto descritivo sobre Castelobruxo, publicado no Pottermore:

“A escola brasileira de magia, que recebe estudantes de todos os países da América do Sul, pode ser encontrada nas profundezas das florestas tropicais amazônicas. Para os poucos trouxas que já colocaram os olhos no fabuloso castelo, ele aparenta ser apenas uma ruína (o mesmo truque usado por Hogwarts; opiniões sobre quem inventou o truque são divididas). Castelobruxo é um imponente edifício quadrado de pedras douradas, muitas vezes comparado a um templo. O perímetro da escola é protegido por caiporas, seres espirituais pequenos e peludos, extremamente travessos, que saem de seus esconderijos à noite para proteger os estudantes e as criaturas que vivem nas florestas. Numa visita a Hogwarts, a ex-diretora da escola, Benedita Dourado, ouviu o diretor da escola inglesa, Armando Dippet, reclamar do Pirraça, o poltergeist. Morrendo de rir, ela ofereceu o envio de algumas caiporas à Floresta Proibida para “mostrar o que era problema de verdade”. Dippet recusou.

Os estudantes de Castelobruxo usam vestes verdes e são muito habilidosos com Herbologia e Magizoologia. A escola também tem programas de intercâmbio muito populares entre os estudantes europeus interessados em estudar a magia na fauna e flora da América do Sul. Em Castelobruxo se formaram muitos bruxos conhecidos, como um dos mais famosos boticários do mundo, Libatius Borage (autor, entre outros trabalhos, de “Estudos Avançados de Poções”, e “Soros Asiáticos”), e João Coelho, capitão do time de quadribol mundialmente conhecido Tarapoto Tree-Skimmer (Rasa-árvores de Tarapoto), sediado no Peru.”



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ultraortodoxos perdem controle exclusivo do Muro das Lamentações


A informação foi publicada pela Agência Brasil em 31/01/16:

Israel autoriza que homens e mulheres rezem juntos no Muro das Lamentações

Israel aprovou hoje (31) uma resolução histórica que rompe com o controle exclusivo dos ultraortodoxos do Muro das Lamentações em Jerusalém e permite que homens e mulheres possam rezar em conjunto naquele local, considerado o mais sagrado do judaísmo.

Com 15 votos a favor e cinco contra, o governo israelense aprovou um plano que prevê a criação de uma nova praça em frente ao muro milenar, na qual os membros das correntes conservadora e reformista do judaísmo vão poder rezar de forma igualitária e sem separação por sexos.

Até hoje, o acesso ao Muro das Lamentações, incluindo os serviços e as atividades religiosas feitos naquele local, estavam controlados pela corrente ultraortodoxa. Segundo as regras estabelecidas, as orações dos dois sexos decorriam de forma separada.

Segundo a resolução aprovada, tanto as áreas atualmente segregadas por sexos, como a nova zona destinada às correntes não ultraortodoxas vão ter um acesso comum.

Esta decisão, qualificada como histórica, vai ao encontro das reivindicações de vários grupos progressistas judeus, incluindo o grupo Mulheres do Muro, movimento que luta há 27 anos pelo fim do monopólio dos ultraortodoxos e pelo direito das mulheres de rezarem em conjunto com os homens naquele lugar sagrado.

O Muro das Lamentações é o local mais sagrado do judaísmo, pois é o último vestígio do Segundo Templo, destruído pelos romanos em 70 d.C. (depois de Cristo).



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Obama visitará mesquita nos EUA

A informação é da Agência Brasil:

Obama vai visitar mesquita nos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje (30) que vai visitar uma mesquita perto de Baltimore, na próxima quarta-feira, num gesto pela tolerância e pela liberdade religiosa.

Será a primeira visita dele a uma mesquita em solo americano e ela ocorrerá quando os muçulmanos norte-americanos temem uma onda anti-islâmica, em parte por causa dos recentes comentários do candidato republicano Donald Trump às eleições presidenciais deste ano.

"O presidente vai viajar para Maryland onde visitará a mesquita da Associação Islâmica de Baltimore, reconhecerá a contribuição dos americanos muçulmanos para o país e sublinhará a importância da liberdade religiosa", afirmou a Casa Branca em comunicado.

Na sequência dos atentados de Paris e de San Bernardino (Califórnia), Donald Trump sugeriu que se devia impedir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, "até se perceber” o que estava ocorrendo.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

8º aniversário do blog


Exatos 8 anos atrás, começamos despretensiosamente este blog, com o objetivo único de ter um espaço onde pudéssemos expressar nossas ideias e divulgar conteúdo que considerávamos que deveria ser mais conhecido e melhor debatido.

Hoje, 8 anos depois, vemos que conseguimos atingir este objetivo de maneira modesta e honesta como nos propusemos no dia 2 de fevereiro de 2008.

Informação de qualidade, opiniões firmes, embasadas e - sempre que possível - respeitosas, nos permitiram fazer novas amizades e tornar o blog referência para uma multidão de leitores que nos brindam com sua companhia diária.

Não é fácil manter o blog no ar, confessamos. Esta tarefa exige a leitura diária de centenas (às vezes milhares) de fontes, para depois selecionar, diagramar e publicar o artigo de todo santo dia.

Por outro lado, este trabalho é prazeroso, admitimos. Não sabemos quanto tempo ainda estaremos por aqui, já que a tecnologia da informação caminha a passos largos e os blogs perderão gradativamente a sua importância, fenômeno este que já vem acontecendo.

Entretanto, sabemos também que O Contorno da Sombra ficará para sempre nos nossos corações e nas mentes e corações de centenas, talvez milhares, de leitores que nos acompanham e que foram, em um ou outro momento, privilegiados com a leitura de material que serviu para sua inspiração e edificação.

Seguimos em frente, obrigado por seguir conosco!

Ao infinito, e além!





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vaticano e Irã tem mais coisas em comum do que você imagina


A matéria é do IHU:

A ligação entre o Vaticano e o Irã é uma parceria concebida para durar


Embora seja sempre surpreendente para os americanos ouvirem isto, quando o presidente iraniano, Hassan Rohani, chamou o Papa Francisco na terça-feira, ele fez isso como chefe de um estado que tem desfrutado de relações diplomáticas com o Vaticano por muito mais tempo do que os Estados Unidos, e sem dúvida representa uma estratégica parceria que é quase tão importante quanto Washington. 


A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 26-01-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.


O Irã e a Santa Sé estabeleceram relações diplomáticas completas em 1954, 30 anos antes dos Estados Unidos o terem fieito em 1984 sob Ronald Reagan, e o vínculo manteve-se ininterrupto desde então, mesmo durante a revolução iraniana e a crise dos reféns norte-americana.

Rouhani foi o primeiro presidente iraniano desde 1999 a encontrar o papa no Vaticano, um intervalo de tempo em grande parte explicado pelo fato de que coincide com o reinado do insurgente populista Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã. (Rouhani e Francisco deveriam se encontrar em novembro, mas a viagem do líder iraniano foi cancelada após os ataques terroristas em Paris).

Segundo a imprensa italiana, Rouhani pode ter brindado Francisco com um convite formal para fazer uma visita histórica ao Irã, talvez já em maio, quando o pontífice também está considerando uma viagem à Armênia.

Não muito tempo atrás, quando as ambições do Irã em se tornarem uma potência nuclear ainda representavam preocupações reais sobre a segurança global, apenas um passeio já poderia ser problemático, especialmente para uma “Papa da paz”. O acordo do ano passado com os poderes P5+1, no entanto, tornou a situação mais pensável.

Em um nível, os laços estreitos entre Roma e Teerã refletem o muitas vezes subestimado fato de que tanto o Vaticano quanto o Irã pós-revolucionário são, basicamente, teocracias, representando tradições espirituais – o catolicismo e islamismo xiita – que têm uma quantidade surpreendente de pontos em comum.

O escritor iraniano Vali Nasr, autor do livro de 2006 “The Shia Revival”, argumenta que a divisão entre sunitas e xiitas é comparável à que existe entre protestantes e católicos, com Shia sendo o ramo mais próximo ao catolicismo.

Entre os pontos de contato estão:

  • Uma forte ênfase na autoridade clerical; Uma abordagem ao Alcorão acentuando tanto escritura quanto tradição;
  • Uma raia misticamente profunda;
  • Devoção a um santo da família (no caso dos xiitas, os parentes de sangue de Maomé) e aos santos (os Doze Imãs);
  • Uma teologia de sacrifício e expiação através da morte de Hussain, neto de Maomé e o primeiro imã xiita do Islã Shia;
  • A crença no livre-arbítrio (em oposição à doutrina sunita da predestinação);
  • Dias santos, peregrinações e santuários de cura;
  • A oração de intercessão; Formas fortemente emocionais de devoção popular, especialmente o festival de comemoração de Ashura da morte de Hussain; 


Um sinal recente de vizinhança espiritual é que os estudiosos iranianos traduziram recentemente as Confissões de Agostinho e o Catecismo da Igreja Católica em Farsi, o resultado de um esforço de 12 anos.

Em termos de pura Realpolitik, ambas as partes também têm fortes motivos para manter seu relacionamento verde.

Do ponto de vista do Irã, ele aspira ser não apenas um jogador regional, mas global, e para isso ele requer não apenas o poder “hard”, para invocar a famosa distinção do cientista político de Harvard Joseph Nye, mas também a “soft”, significando legitimidade moral. A percepção de estar em diálogo com o Vaticano é crucialmente importante, contrariando a retórica administrativa de Bush sobre o Irã ser parte de um “eixo do mal”.

Teerã também vê o Vaticano como um corta-fogo com nações ocidentais às vezes hostis. Em 2007, quando parecia que as preocupações sobre o programa nuclear do Irã poderiam levar a um conflito armado com os Estados Unidos, diplomatas iranianos calmamente procuraram o Vaticano como um mediador potencial.

Enquanto o Vaticano estever em causa, alguns desafios geopolíticos estes dias parecem maiores do que a direção futura das sociedades islâmicas, incluindo o destino das minorias cristãs no interior dessas nações. Dado o papel decisivo que o Irã desempenha em países vizinhos como a Síria e o Iraque, o Vaticano acredita que o engajamento é criticamente importante.

Ironicamente, alguns diplomatas do Vaticano realmente têm uma maior confiança na proteção dos cristãos no Oriente Médio pelo Irã e Rússia do que pelas potências ocidentais, que, em seu julgamento, simplesmente não levam a sério a religião como fonte de identidade.

Francisco já fez viagens para a Turquia, Israel, Palestina e Jordânia, e também expressou repetidamente frustração pelas questões de segurança que até agora tornaram impossível para ele ir para o Iraque e a Síria. Nesse contexto, uma excursão para o Irã se encaixaria naturalmente tanto com as prioridades políticas do papa quanto também com a seu evangelismo para o mundo islâmico, que recentemente encontrou confirmação dos indícios de que ele também está planejando fazer uma parada papal pela primeira vez na história na Grande Mesquita de Roma.

Isso não quer dizer que tudo está ótimo entre o Vaticano e o Irã.

Além de pressionar Rouhani sobre a implementação do acordo nuclear, Francisco provavelmente usou a reunião de terça-feira para encorajar o Irã a parar de fomentar o conflito na Síria.

Não é que o pontífice percebe um interesse em derrubar Assad – afinal, ele ajudou a evitar um assalto ocidental para fazer exatamente isso, em setembro de 2013, com a realização de uma vigília de oração dramática pela paz na Praça de São Pedro, e a maioria de seus bispos na Síria acredita que se Assad cair, um governo liderado por ISIS seria a consequência inevitável.

Por seu papel em dirigir uma ofensiva anti-Assad, a revista Foreign Policy chamou Francisco de um “leão-assassino”.

No entanto, Francisco repetidamente pediu paz e condenou a disseminação de armas na Síria e no Iraque, e sem dúvida queria ter essa conversa com um dos fornecedores militares mais importantes de Assad.

No lado iraniano, Teerã se vê como um rival para Ankara sob Recep Erdogan como o líder do mundo muçulmano. Quando Francisco visitou a Turquia em novembro de 2014, Erdogan pressionou-o para ser mais franco na condenação da islamofobia, e é perfeitamente possível que Rouhani entregue uma mensagem semelhante, a fim de manter o ritmo.

No entanto, quando Francisco e Rouhani despediram-se na terça-feira, o fizeram como amigos e, possivelmente, com uma viagem papal na prancheta.

Em outras palavras, esta é uma parceria concebida para durar.



sábado, 30 de janeiro de 2016

Às vésperas do Oscar, ateu Leonardo DiCaprio visita o papa


A informação é do Estadão:

Papa Francisco e Leonardo DiCaprio discutem sobre meio ambiente

Ator está à frente de uma fundação que trabalha para a proteção da diversidade, a conservação dos oceanos e áreas naturais

O Papa Francisco recebeu nesta quinta-feira, 28, no Vaticano o ator e produtor americano Leonardo DiCaprio, que expôs seu compromisso com a defesa do meio ambiente, informou o Vaticano.

Nenhum outro detalhe foi dado sobre este encontro de natureza privada, que faz parte das centenas de audiências concedidas pelo Papa a personalidades de todos os tipos. Criado em Los Angeles, em uma família católica de origem italiana e alemã, Leonardo DiCaprio se diz ateu.

O astro de 41 anos recebeu em 22 de janeiro o prêmio Crystal Award durante o Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça) por seu compromisso com o meio ambiente. DiCaprio está, desde 1998, à frente de uma fundação que leva seu nome e que trabalha para a proteção da diversidade, a conservação dos oceanos e áreas naturais, lutando contra os efeitos adversos das mudanças climáticas.

O ator, que estreou no cinema em 1991, antes de experimentar a fama mundial em 1997 com Titanic, está na briga pelo Oscar de melhor ator por seu papel em O Regresso (The Revenant). Ele já foi indicado ao prêmio quatro vezes anteriormente, mas nunca ganhou a prestigiosa estatueta.

O Oscar será apresentado em Los Angeles em 28 de fevereiro pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Para compreender a dislexia


Trecho do filme indiano "Como as Estrelas na Terra", que mostra as dificuldades que uma criança com dislexia tem que enfrentar:




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Presidente do Irã visita o papa


A notícia é da Agência Brasil:

Papa Francisco recebe o presidente do Irã

O papa Francisco recebeu, no fim da manhã desta terça-feira (26), o presidente do Irã, Hassan Rohani. A audiência com o pontífice faz parte da primeira viagem do líder iraniano à Europa após a remoção das sanções internacionais sobre o programa nuclear de Teerã.

Ao final do encontro, Rohani pediu que o papa reze por ele. "Peço-vos que rezeis por mim. Gostei muito deste encontro e desejo-lhe bom trabalho", respondeu, em farsi (idioma mais falado no Irã, conhecido como língua persa), o presidente iraniano.

O papa Francisco pede com frequência a seus convidados que rezem por ele.

O último presidente iraniano a visitar o Vaticano foi Mohammad Khatami, que esteve em 1999 com o papa João Paulo II.

Em nota, a Sala de Imprensa da Santa Sé diz que, durante a visita, "os cordiais colóquios" entre o papa e o líder iraniano evidenciaram os valores espirituais em comum e o bom estado das relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irã.

As delegações diplomáticas também abordaram a recente conclusão e aplicação do acordo nuclear, destacado o "importante papel" que o Irã foi chamado a desempenhar, junto com os outros países da região, para promover soluções políticas adequadas aos problemas que afligem o Oriente Médio, "contrastando a difusão do terrorismo e o tráfico de armas".

Os representantes do Vaticano e do Irã ressaltaram ainda "a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade das comunidades religiosas na promoção da reconciliação, da tolerância e da paz".

Roma

Rohani chegou ontem (25) a Roma, sob forte esquema de segurança, mas com grandes expectativas diplomáticas e econômicas. O presidente iraniano encontrou-se o presidente italiano, Sergio Mattarella, e com o primeiro-ministro Matteo Renzi. Rohani disse que o acordo nuclear pode se tornar um exemplo a ser aplicado no Oriente Médio, na África e no sul do Mediterrâneo e pediu coesão internacional para derrotar o terrorismo.

Também Renzi destacou que o acordo nuclear pode ser o primeiro passo rumo a uma nova era de paz e prosperidade em toda a região. Segundo o primeiro-ministro, com o Irã nas mesas internacionais, será mais fácil vencer o terrorismo, um conceito que havia sido reiterado pelo presidente Mattarella.

Nas próximas horas, Itália e Irã vão assinar uma série de acordos econômicos significativos no setor de mineração. Permanecem, porém, entre os dois países, diferenças sobre os direitos humanos. "Mas demonstramos a capacidade de discutir e dialogar", afirmou Renzi.

Em Roma, Hassan Rohani iraniano visita ainda o Coliseu, antes de partir para Paris, onde é esperado pelo presidente francês, François Hollande. Na capital francesa, o presidente iraniano deverá se encontrar com dezenas de empresários.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Juiz defende extensão de aborto legal a casos graves de microcefalia


Matéria publicada na BBC Brasil:

Juiz defende direito a aborto em casos de microcefalia com risco comprovado de morte

Ricardo Senra

As consequências da epidemia de microcefalia, que atinge pelo menos 20 Estados brasileiros, além do Distrito Federal, vão além do cotidiano de mães, hospitais e clínicas de saúde de família, e chegam também aos tribunais.

À BBC Brasil, o juiz goiano Jesseir Coelho de Alcântara, que autorizou uma série de abortos legais em casos de anencefalia (mal que impede o desenvolvimento cerebral do feto) e outras doenças raras, disse que a interrupção da gravidez em casos de microcefalia com previsão médica de morte do bebê é "válida" e precisa ser avaliada "caso a caso".

"Se houver pedido por alguma gestante nesse caso de gravidez com microcefalia e zika, com comprovação médica de que esse bebê não vai nascer com vida, aí sim a gente autoriza o aborto", afirma o titular da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia, que já permitiu interrupção de gestações em casos de síndromes de Edwards e de Body-Stalk, anomalias que inviabilizariam a sobrevida do bebê fora do útero.

A afirmação foi feita no momento em que Pernambuco, principal epicentro da doença no Brasil, registra aumento nas mortes de bebês com microcefalia associada ao zika vírus.

Mesmo em casos comprovados de morte do bebê, a interrupção da gravidez está longe de ser unanimidade no país e gera intenso debate entre juristas, ativistas e sociedade civil.

Formado por membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Federação Espírita Brasileira (FEB), do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (FENASP), entre outros, o Movimento Brasil Sem Aborto afirma que interrupções em gestações de fetos com microcefalia ou outras má-formações são "inaceitáveis" sob qualquer aspecto.

Na opinião do juiz, entretanto, se o aborto é permitido por lei em casos de fetos anencefálicos, "cuja vida após o nascimento é inviável", também se justifica em "gestações em que o feto comprovadamente nascerá sem vida", devido à microcefalia.

"A anencefalia e a microcefalia severa, com morte no nascimento, são casos similares", argumenta o juiz Alcântara, por telefone. Ele afirma que, para que tomar a decisão, são necessários três laudos médicos, mais parecer favorável do Ministério Público.

Procurado, o Conselho Federal de Medicina disse discordar dessa visão. Em nota, a entidade afirma que "no caso de fetos com diagnóstico de microcefalia, em princípio, não há incompatibilidade com a vida."

Pouca informação

Há poucos dados oficiais sobre mortes de fetos e recém-nascidos microcefálicos no Brasil - e os que existem estão desatualizados.

Questionado sobre o tema, o Ministério da Saúde diz que só tem informações consolidadas sobre mortes de recém-nascidos com a doença em território nacional até 2014, período anterior à epidemia. A pasta diz que depende de informações enviadas pelos Estados para obter números mais atuais.

À BBC Brasil, o Conselho Federal de Medicina afirmou que "a interrupção antecipada da gestação deve ser definida à luz do que determinam o Código Penal do Brasil e o Supremo Tribunal Federal (STF). A incompatibilidade com a vida foi a essência para a fundamentação do STF, quando se manifestou favoravelmente pelo aborto de fetos anencéfalos."

No Código Penal, são previstas duas formas legais de aborto: em casos de risco de vida para a mãe ou em gestações resultantes de estupro. Em 2012, o STF admitiu uma terceira hipótese e a interrupção de gestações de fetos anencéfalos deixou de ser considerada crime.

Eugenia?

Nas redes sociais, em blogs e páginas religiosas, críticos do aborto afirmam que a interrupção de gestações por conta da microcefalia seria uma forma de "eugenia".

O termo se refere a técnicas que visam "melhorar qualidades físicas e morais de gerações futuras", segundo o dicionário Michaelis, e frequentemente é associado a políticas de controle social adotadas por Adolf Hitler durante o regime nazista alemão.

A professora de direito da Universidade de Brasília e especialista em bioética, a antropóloga Debora Diniz, vê "eugenia" nas políticas públicas que envolvem o controle de nascimentos: "Eugenia é quando o Estado pede que mulheres não engravidem, como foi feito", disse ela à BBC Brasil.

Em localidades como Colômbia, El Salvador, Equador e Jamaica, as autoridades pediram que mulheres não engravidassem, por medo da microcefalia ligada ao zika. No Brasil, em novembro, o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde chegou a recomendar que as mulheres adiassem seus planos de gravidez. Dias depois, voltou atrás.

"Quando o país pede que suas mulheres não engravidem, quando isso portanto é uma política pública, o estrago é muito maior que o resultado das escolhas individuais das mulheres", afirma Diniz. "Controlar liberdades da população é o pior caminho que o Estado pode seguir. A solução do problema não pode vir pelo controle dos úteros."

Forte crítica às políticas do ministério da Saúde para erradicação da doença, a antropóloga, que tem passagens como professora visitante nas universidades de Leeds (Reino Unido), Michigan (Estados Unidos), Cermes (França), entre outras, diz as mulheres não podem ser punidas pelo "ato de negligência do país em não ter controlado o mosquito Aedes aegypti", que transmite o zika vírus.

"Ou o Estado oferece as melhores condições e cuidado permanente aos recém-nascidos com microcefalia, ou permite que as mulheres possam fazer a escolha individual de interromper suas gestações", diz. "O aborto não é uma solução para esta tragédia, mas seria uma forma de proteger as mulheres vítimas da falta de políticas efetivas para erradicação da doença."



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