domingo, 21 de setembro de 2014

De Stonehenge à pré-história de Israel


Duas notícias recentes que deixaram o mundo arqueológico de boca aberta, ambas publicadas na versão brasileira do El País (link para a primeira matéria aqui, e para a segunda aqui):

Novos monumentos de Stonehenge são revelados com sondagens avançadas

Estruturas de rituais desconhecidas até agora emergem ao se realizar um mapa digital detalhado do famoso sítio arqueológico pré-histórico no Reino Unido

ALICIA RIVERA

O mítico conjunto monumental de Stonehenge, na Inglaterra, é muito mais do que se conhece, do que se vê. Uma equipe científica realizou, com técnicas avançadas de prospecção não invasivas, um mapa detalhado da área e descobriu numerosas novas estruturas, abrindo o caminho para descobrir mais sobre o lugar e sua evolução de mais de 11.000 anos. Emergiram 17 monumentos rituais até agora desconhecidos do período em que o famoso conjunto de blocos de pedra adquiriu sua forma; dezenas de sepultamentos foram cartografados com detalhe, incluindo um grande túmulo com uma estrutura de madeira que era provavelmente utilizada para sepultamentos rituais dos mortos após um complicado processamento dos cadáveres, expondo-os e descarnando-os antes de serem cobertos formando um monte funerário, explicam os pesquisadores da Universidade de Birmingham, que lideram o projeto Entornos Ocultos de Stonehenge, junto com especialistas do Instituto Ludwig Boltzmann de Prospecção Arqueológica e Arqueologia Virtual (Alemanha).

O projeto, dizem os cientistas, "transformará nosso conhecimento deste entorno icônico". Além das estruturas até agora desconhecidas, o mapa digital revelou informação inesperada sobre os monumentos já conhecidos. O círculo Durrington, a pouca distância de Stonehenge, é um imenso monumento ritual, "provavelmente o maior deste tipo no mundo", enfatizam os especialistas de Birmingham, tem uma circunferência de mais de um quilômetro e meio. E as novas sondagens revelaram uma fase primitiva na qual estava ladeado por uma fileira de até 60 enormes postes ou pedras, talvez de até três metros de altura. E alguns podem ainda está lá, sugerem os arqueólogos.

Situado a 15 quilômetros ao norte de Salisbury (Inglaterra), a parte mais famosa do complexo de Stonehenge é formada por circunferências concêntricas de grandes blocos de pedra, de aproximadamente 4.500 anos, do final do neolítico, explica o English Heritage. O eixo principal está alinhado com o eixo solsticial, de maneira que o Sol sai e se põe em pontos concretos do monumento no solstício de verão e no de inverno. "No ciclo das estações, esses dias do ano eram obviamente importantes para o povo pré-histórico que construiu e utilizou Stonehenge", acrescenta o English Heritage.

No mapa digital aparecem novos tipos de monumentos como enormes fossos pré-históricos, alguns dos quais parecem ter alinhamento astronômico. Também foram recolhidos com grande detalhe dados de centenas de sepultamentos da idade do Bronze, a idade do Ferro, e de assentamentos romanos. "Ainda que Stonehenge seja o monumento pré-histórico mais icônico e ocupe um dos sítios arqueológicos mais ricos do mundo, grande parte de seu entorno segue sendo terra desconhecida" comenta o líder britânico do projeto, Vincent Gaffney. "Este projeto revelou que a área que rodeia Stonehenge está cheia de sítios arqueológicos até hoje desconhecidos", acrescenta. O trabalho realizado até agora será apresentado em uma grande série de documentos da BBC Two intitulada Operação Stonehenge.

"O desenvolvimento de métodos não evasivos para documentar nossa herança cultural é um dos grandes desafios de nosso tempo e só pode ser feito adaptando a tecnologia de ponta como georadares e magnetômetros de alta resolução", acrescenta Wolfgang Neubauer, diretor do instituto alemão.





Descoberto em Israel um monumento de pedra mais antigo que o Stonehenge

A pesquisa de um estudante de doutorado revela uma estrutura com 5.000 anos

CARMEN RENGEL

Rujum En Nabi Shuaayb era até agora um promontório de pedras perto do Mar da Galileia, em Israel, que muitos acreditavam ser remanescente de uma muralha centenária. Agora, graças à pesquisa do estudante de doutorado Ido Wachtel, da Universidade Hebraica de Jerusalém (HUJI), foi descoberto que essa enorme estrutura em forma de meia-lua é na realidade um monumento completo, com 5.000 anos. É possível que seja mais antigo que o complexo megalítico de Stonehenge, no Reino Unido, e que as pirâmides do Egito, que datam do ano 2.600 antes de Cristo, aproximadamente.

Conforme Wachtel expôs no Congresso Internacional de Arqueologia no Antigo Oriente Médio, neste verão, e revela na revista Live Science, a estrutura fica a 13 quilômetros do lago Tiberíades, perto da fronteira entre Israel e o território palestino da Cisjordânia. Tem 14.000 metros cúbicos de volume, com uma base de 150 metros de cumprimento por 20 metros de largura e uma altura de até sete metros. “Maior que um campo de futebol americano”, explica a revista. Nas proximidades, foram encontrados restos de cerâmica elaborada entre 3050 e 2650 a. C., que ajudaram a datar a descoberta.

O doutorando explicou em sua palestra que pode se tratar de “um marco destacado na paisagem natural, que serve para sinalizar a posse da terra” ou para “fazer valer a autoridade e os direitos sobre os recursos naturais” por parte de um determinado povo. Mas também pode ser um monumento religioso, erguido em homenagem ao deus Sin da antiga Mesopotâmia, cujo símbolo era uma meia-lua como a que essas pedras formam.

A 29 quilômetros do local da construção também foi encontrado, na era contemporânea, o povoado de Bet Yerah, literalmente “a casa do Deus da Lua”, conhecido pelo culto a essa divindade oriental, já bastante documentada. O pesquisador acredita que o imenso muro tenha também “ajudado” a marcar as fronteiras daquele vilarejo e seus domínios, já que a meia-lua se destaca claramente na paisagem. Mas ele descarta que se trate de uma fortificação comum, por causa de sua distância em relação ao núcleo urbano, habitado.

Os cálculos do especialista indicam que foram necessários entre 5.000 e 35.000 dias de trabalho para levantar a estrutura, com cerca de 200 operários em dedicação exclusiva durante cinco meses, um prazo que, segundo ele, deve ter se prorrogado por muito tempo, já que os construtores deviam ser os próprios agricultores da região, que não podiam tirar as mãos por muito tempo da terra que provia seu sustento.

O Departamento de Antiguidades do Governo de Israel lembra que a área onde está o Rujum En Nabi Shuaayb – também conhecida como Túmulo de Jetro, em homenagem a um antigo líder druso da região – é praticamente um corredor de restos megalíticos até as Colinas de Golã, onde foram encontrados conjuntos de pilastras e círculos possivelmente ainda mais antigos.



sábado, 20 de setembro de 2014

Culpa pela morte do filho de Menem continua intrigando argentinos 19 anos depois

Querida Argentina, ah, melancólica Argentina e sua estranha mania de revirar os esqueletos do seu passado, conforme noticia o Estadão:

Ex-mulher de Carlos Menem diz que corpo do filho foi profanado

ARIEL PALACIOS

Segundo a mãe, legistas atestaram que o corpo foi mexido e alguns ossos, trocados

BUENOS AIRES - A ex-primeira-dama argentina Zulema Yoma, ex-mulher do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), comunicou na terça-feira por intermédio de seus advogados que o cadáver de seu filho, Carlos Menem Junior, foi profanado no cemitério islâmico do município de San Justo, na Grande Buenos Aires, onde foi enterrado em 1996.

Segundo Zulema, os médicos legistas que contratou consideram que o corpo teria sido manipulado, já que - em comparação com os exames da autópsia, de 19 anos atrás - alguns ossos dos restos mortais de seu filho foram trocados, entre eles o crânio e uma perna. A denúncia também indica que existem diferenças nas arcadas dentárias.

Além disso, uma das pernas aparece com um gesso, algo que Carlos Junior não tinha no momento do acidente. Desde 1996 Zulema periodicamente realiza declarações afirmando que seu filho não morreu em um acidente - tal como sustenta a versão oficial - mas sim em um "atentado". Nos primeiros anos a Justiça e a mídia minimizavam suas declarações. No entanto, com o decorrer do tempo e com o surgimento de indícios estranhos, a teoria de um suposto assassinato do filho presidencial começou a ser encarada com seriedade.

Carlos Menem Junior - que na época do acidente Carlos Junior era secretário de seu pai e tinha vida de playboy - morreu no dia 15 de março de 1995, quando seu pai estava em plena campanha para a reeleição presidencial. O jovem, que pilotava um helicóptero que espatifou-se na estrada entre as cidades de Zárate e Buenos Aires, morreu no hospital.

Meses atrás Menem declarou no tribunal que a morte de seu filho havia sido "um atentado". No entanto, o ex-presidente não forneceu na ocasião maiores detalhes sobre o assunto. Na próxima terça-feira Menem comparecerá novamente nos tribunais para falar sobre o assunto.

Durante anos Zulema acusou o ex-marido de fazer um pacto de silêncio que manteria a suposta impunidade dos virtuais mandantes da morte. Em maio passado, a ex-amante do traficante colombiano Pablo Escobar, Virginia Vallejo, declarou em entrevista que por trás da morte do filho presidencial existiam atividades de lavagem de dinheiro.

A morte do filho do presidente gerou diversas teorias, entre elas, a de uma suposta vingança de narcotraficantes que teriam atirado no helicóptero. Outra teoria indicava que havia sido uma vingança do governo da Síria, pois Menem havia prometido transferência de tecnologia do argentino míssil Cóndor, que nunca cumpriu. Todas estas teorias sustentam que Menem saberia quem teria assassinado seu filho, mas que, por motivos obscuros, o ex-presidente, atualmente com 84 anos, nada disse ao longo destes anos.

Entre 1996 e 1997 diversos peritos verificaram que os restos da fuselagem do helicóptero acidentado, guardados em um galpão da Polícia Federal, exibiam sinais de marcas de bala. Mas, antes da perícia concluir, esses restos desapareceram misteriosamente. Entre os pontos misteriosos dessa morte está o desaparecimento de uma valise com US$ 30 mil que levava no aparelho.

Para entender. Diversas testemunhas do acidente morreram de formas misteriosas: Epifanio Siri, caseiro da propriedade onde o helicóptero caiu, morreu pouco depois de prestar depoimento, atropelado por um caminhão. Antonio Trotta, que estava no lugar do acidente, declarou que no aparelho também havia uma mulher loira que desapareceu. Trotta, que afirmava que sabia quem havia escondido os US$ 30 mil sumidos, foi baleado pela polícia.

Outra testemunha, Carlos Santander, que afirmava que havia filmado o acidente, morreu no meio de um tiroteio. Miguel Luckow, investigador que analisou o helicóptero foi assassinado na porta de casa. Segundo a polícia, foi um assalto, mas sua carteira permaneceu intacta no bolso.

Héctor Bassino, o primeiro delegado a chegar ao lugar da queda foi metralhado na rua. Outra vítima fatal foi Eduardo Manchini, perito em balística que analisou a possibilidade de atentado, baleado na cabeça. Manchini ficou em estado vegetativo.



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O misticismo pobretão de Eike Batista


Toda vez em que a palavra "misticismo" aparece, é inevitável recordar o poema abaixo, de Fernando Pessoa no seu heterônimo Alberto Caeiro:

Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.
O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.
Não sei o que é a Natureza: canto-a.
Vivo no cimo dum outeiro
Numa casa caiada e sozinha,
E essa é a minha definição.

("O Guardador de Rebanhos - Poema XXX")

O misticismo da riqueza poética de Fernando Pessoa é particular, inofensivo, exclusivo, e não tem potencial para prejudicar ninguém.

O problema surge quando um líder místico influencia as vidas de milhares (talvez milhões) de outras pessoas.

Toda pessoa que tem contato com o processo decisório das grandes empresas, sempre se depara com situações pra lá de esquisitas que não justificam o aparente sucesso deste ou daquele executivo.

É de estarrecer quando se descobre que tipo de "consultores", pessoas e superstições são seguidas por megaempresários e CEO's de "sucesso" incensados pelas publicações especializadas.

Isto fica bem claro na análise que o Diário do Centro do Mundo fez da entrevista de Eike Batista à Folha de S. Paulo.

Confira:

Será que Deus vai ajudar Eike?

Depois de um ano sem dar entrevistas, Eike resolveu falar.

Na entrevista à Folha, o ex-bilionário revela que hoje seu patrimônio é negativo. Deve 1 bilhão de reais.

O que não significa que sua família esteja na miséria.

Ao ver que o barco afundava, Eike rapidamente transferiu parte de seu patrimônio para os filhos.

O caçula é um bebê, e os dois primeiros, jovens que se orgulham de nunca ter lido um livro na vida.

Numa moldura clara e simples, a família Batista é aquilo que se vê.

Exposta em diagnóstico, revela os absurdos pornográficos de um capitalismo sem limites, a formar idiotas bilionários.

“Reis do camarote” à procura de Panicats, músculos e áreas VIPs.

Eike se tornou ídolo de muita gente, que via nele um espelho. Os mesmos fãs que hoje satirizam a sua queda espetacular.

É nas dificuldades que descobrimos os amigos verdadeiros e Eike tinha bem poucos.

A inflação do ego produz um campo magnético muito poderoso a afastar qualquer relação verdadeira.

Mas com dinheiro você ao menos casa com a capa da Playboy e cria dois filhos na ignorância.

O sonho egoísta de Eike era ser o homem mais rico do mundo, e não que esse mundo fosse um lugar melhor.

Hoje torce – ou como diz na entrevista, espera que Deus o ajude – para que suba o preço dos minérios e ele volte a enriquecer.

“Nasci como um jovem de classe média e você voltar para isso é um negócio para mim, sabe, é óbvio que é um baque gigantesco na família”, disse à Folha.

É bastante religioso, supersticioso ou esotérico.

Exige que seus contratos contenham o número 63, não toma decisões antes de consultar seu mapa astral e reza para que Deus aumente o preço dos minérios.

Uma visão estratégica que fez dele expoente da elite dos camarotes. Que o levou ao fundo do poço sem petróleo.

Perto da iniciativa privada de Eike, as estatais parecem muito melhores do que alguns gostariam.

Mas Eike já é um espelho quebrado e falido.

É seu “azar” que agora serve de exemplo.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Educando crianças na era do excesso de informação

Artigo publicado no Brasil Post:

É possível salvar as crianças do chorume da internet?

Madeleine Lacsko

Eu tive a sorte de ser da última geração que atravessou a adolescência e a fase de adulto jovem sem redes sociais na internet. Não que as coisas fossem mais fáceis, eram mais difíceis mesmo. Quando a internet começou, a gente encontrava as pessoas e trocava endereços de emails no papelzinho para perder em seguida. Ficávamos dias na fila do Fotolog para criar uma conta que só se podia ver do computador de casa e postar uma foto por dia.

Não creio, sinceramente, que fôssemos muito diferentes do que se vê hoje, molecada é basicamente molecada em qualquer tempo e lugar. A diferença é que os escorregões ficam documentados e a falsa impressão de distância dá coragem para as pessoas revelarem seu pior, algo a que é difícil se acostumar.

Em época de campanha política a gente vê a tendência de utilizar o ódio como instrumento de argumentação e a lógica binária como regente do mundo: se não é rigorosamente a favor de algo, faz alguma ponderação, logo é contra e inimigo mortal. Aliás, pouco importa o que a pessoa disse de verdade, vale o enquadramento nessa lógica de clássico de futebol.

A falta de tempo ou o excesso de necessidade de opinar sobre tudo fazem com que o estilo de argumento mais rasteiro vire regra. Não gostou de algo, basicamente não gostou dos primeiros 50 caracteres de algo, desqualifica a pessoa. Mas isso é pouco para a internet, desqualifica também a família dela, todos os descendentes, todos os ancestrais, o vizinho, o cachorro, o papagaio.

Tem também as duas ferramentas clássicas do discurso que não leva a outro lugar senão a ofensa. A pessoa discorda sem ler (às vezes até concorda mas não leu tudo) e diz que o autor do texto só faz tal afirmação porque isso não é com a família dele e, em seguida dispara o clássico: e se fosse com a sua mãe/pai/irmão/filho/gato/periquito? A outra é a ressalva para falar as maiores barbaridades, o tal do "eu não tenho preconceito porque até tenho vários amigos que são (qualquer coisa), mas..." O tal do mas é fatal.

A substituição de premissas, anulando ou generalizando fatos, estratégia de discurso que cria uma realidade paralela, virou lugar comum. Por exemplo, quando eu estava em Angola, me mandaram um vídeo de uma - uminha mesmo, só uma - moradora de Higienópolis criticando o metrô porque traria "gente diferenciada" ao bairro dela. Esses dias li no jornal que "os moradores de Higienópolis" fizeram isso, o bairro todo. As pessoas parecem aceitar como real.

São apenas constatações, armadilhas nas quais eu própria caí, mas minha reflexão é que, quando chega a nós a grande oportunidade de ter mais comunicação, constatamos que nos comunicamos menos. O preconceito, o ódio e o medo do diferente talvez neste momento se mostrem de maneira mais exuberante que a infinita possibilidade de conhecer diferentes pontos de vista e aprender com eles.

Vez ou outra surge por aí a notícia de que alguém importante proíbe os filhos de ver televisão, usar internet, ter redes sociais. Dependendo do caso, pode haver razão ou não. Eu fiz a opção de regras rígidas em casa, mas não tenho vocação para a proibição total dessas coisas que fazem parte do nosso tempo, são ferramentas comuns a todos.

Penso muito que chegará o momento em que o acesso pleno a todas essas maravilhas que a tecnologia nos deu será inevitável. E aí vem a minha dúvida: como ajudar uma criança que nasceu num mundo que já tem tudo isso a utilizar da melhor maneira possível? A verdade é que nós, adultos, não fazemos isso e o que há de pior na alma humana é despejado nas nossas timelines, das quais nos alimentamos diariamente.

Talvez a geração deles seja diferente da nossa. Outro dia expliquei ao meu filho de 3 anos que, quando eu era criança, a gente precisava ficar esperando o desenho passar na televisão, não podia colocar o desenho que quer na hora que quer. Também contei como era a coisa de tirar e revelar fotos e que não tinha celular, não podia mandar mensagem nem foto pelo telefone. Ele me olhou com pena: "coitadinha de você, mamãe, me dá um abraço."

Pode ser que essa coisa de enfiar os pés pelas mãos seja porque ficamos plugados o tempo todo mas a nossa cabeça ainda é aquela de quem faz caderno de perguntas, joga stop, grita com uma televisão que não responde de volta e tem a sensação de que pode se perder no mundo sem deixar rastro.

Proibir uma criança de ter acesso a isso ou aquilo é necessário em muitos momentos, mas é comodismo pensar que seria a única ferramenta ou a mais eficiente para livrar uma alma da contaminação do chorume de debate que tenta nos inundar diariamente. Talvez esse seja um daqueles momentos em que a única solução é a gente tomar jeito.



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O dedo corredor

Só para lembrar a você, homem já na casa dos 40 (ou mais) anos de idade, sobre a importância do exame de próstata, com muito bom humor:




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Torcedora gremista acusada de racismo se diz "pega para Cristo"


A matéria é do UOL Esporte:

Gremista se vê "pega para Cristo" e diz que vai lutar contra racismo

Flagrada em atos racistas contra o goleiro Aranha no fim de agosto, a gremista Patrícia Moreira voltou a se pronunciar neste domingo. Em entrevista ao programa "Domingo Legal", do SBT, a torcedora repetiu o discurso de que não teve a intenção de ofender o jogador santista e acredita que tem pagado o preço de toda a repercussão do caso sozinha.

Questionada pelo apresentador Celso Portiolli se havia sido "pega para Cristo", a jovem concordou e lembrou que mais pessoas estavam gritando em direção ao goleiro, mas que só ela ficou marcada pelo o ocorrido devido às imagens captadas pela ESPN Brasil.

"Pela câmera ter me filmado. E fiquei marcada. Tive a infelicidade de pegar em mim. Acho que sim porque não foi só eu que falei e estou pagando as consequências sozinha. Eu acho que se pegasse qualquer pessoa, seria igual. A infelicidade foi minha.", disse.

Durante toda a entrevista, Patrícia repetiu o discurso de que não é uma pessoa racista e de que a palavra "macaco" proferida para o goleiro não tinha a intenção de ofender, mas sim de desestabilizar o atleta já que o Santos vencia o duelo por 2 a 0.

Arrependida pelo ocorrido, a torcedora gremista afirma que pretende ajudar no combate ao racismo, não apenas no estádio de futebol, mas também na sociedade.

"Eu quero poder ajudar na luta contra o racismo, não só no estádio, mas na vida social das pessoas. Como eu fiquei marcada, eu quero ajudar contra o racismo", comentou.

Patrícia também falou sobre as ameaças que sofreu, até mesmo de estupro, nas redes sociais. A garota afirmou ter receio da atitude das pessoas na rua.

"Não fiquei com medo de morrer. Fiquei com medo de fazerem algo comigo dentro de casa, colocarem fogo, invadirem minha casa comigo lá dentro", revelou.

A torcedora aproveitou para mais uma vez dizer que gostaria de encontrar e dar um abraço em Aranha, para mostrar que não é uma pessoa má e se desculpou com a comunidade negra.

"Eu quero dar um abraço, falar a pessoa que eu sou. Não sou uma pessoa ruim, sou uma pessoa boa, de qualidades enormes. Quero pedir perdão para a comunidade negra, do fundo do meu coração", completou.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Minoria católica irlandesa poderá decidir independência da Escócia

É sempre bom lembrar que, quando se fala em "católicos" e "protestantes" no Reino Unido, em especial na Irlanda do Norte, os rótulos têm um significado muito mais ideológico do que teológico, já que por "protestante" lá se entende quem é favorável à manutenção da União de Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales sob o reinado do(a) monarca inglês (o que ocorre desde 1707), e por "católico" quem advoga a separação dos povos.

Os "protestantes" são, em sua imensa maioria, anglicanos, e os católicos são de origem irlandesa. No dia 18 de setembro próximo, a Escócia decidirá em plebiscito a sua independência do Reino Unido.

É nesse contexto, portanto, que deve ser lida a matéria abaixo, da versão brasileira do El País:

Protestantes radicais marcham na Escócia contra a independência

Os defensores da unidade temem que esta manifestação incline o voto dos escoceses para o lado do sim

WALTER OPPENHEIMER

No último fim de semana antes da votação da quinta-feira, as campanhas a favor e contra a independência da Escócia saíram à rua. O campo do sim, com a efervescência e o otimismo que são característicos. A campanha do não, com o respaldo de oito pontos de vantagem (54-46) da última pesquisa publicada, a de Survation. Mas torcendo para que não aconteça nada daqui até o dia 18 que possa fazer com que os eleitores mudem de opinião.

Essa prudência é a que levou a Better Together (melhor juntos) a rechaçar a ajuda que tinha sido oferecida por uns companheiros de viagem muito pouco desejáveis: os protestantes radicais das ordens orangistas, símbolos das lendárias tensões religiosas destas ilhas. Mas aí estavam eles neste sábado, com suas chamativas roupas de gala, desfilando marcialmente em Edimburgo entre assombrados turistas e ferventes unionistas de cabeça raspada, braços tatuados e garotas com o rosto cheio de pó-de-arroz e minissaia cor de rosa.

Aí desfilavam homens mais que maduros vestidos de preto e chapéu-coco, com suas faixas de cor laranja e todo tipo de medalhas no peito; mulheres de diversas idades com roupas de domingo e chamativos chapéus de gosto duvidoso; jovens de ambos os sexos formando bandas de tambores e flautistas, desfilando com uma bandeira na mão.

Eram mais de 15.000, segundo dados da polícia. “A força dos números, formando uma das maiores reuniões de orangistas em tempos recentes no Reino Unido, não apenas demonstra nosso compromisso com a causa, mas nossa grave preocupação com a iminente ameaça ao Reino Unido que todos tanto amamos”, declarou o líder da Grande Ordem Orangista da Irlanda, o grã-mestre Edward Stevenson.

A campanha oficial do não se distanciou o máximo possível do desfile orangista, porque sua presença pode ofender a importante minoria católica e fazer com que acabe se inclinando a votar a favor da independência. E pode também ser complicada para os voláteis eleitores trabalhistas, que não querem ver o desfile estilo militar com pessoas com ideias religiosas e sociais profundamente conservadoras, até mesmo reacionárias.

Os católicos são uma minoria importante na Escócia. Representam cerca de 17% da população e a grande maioria deles é de origem irlandesa. Historicamente marginalizados pela classe dominante, têm uma posição ambivalente em relação ao referendo e estão divididos: segundo a Pesquisa de Atitudes Sociais na Escócia de 2013, 41% se inclina pelo não e 37% apóia a independência.

Suas origens modestas e a marginalização aproximaram muitos católicos ao Partido Trabalhista e ao não. Mas essas mesmas perseguições insuflaram um sólido sentimento anti-establishment que os aproxima do independentismo de Alex Salmond.

Os católicos são, precisamente por tudo isso, um segmento do eleitorado especialmente sensível aos vaivéns de última hora, capazes de mudar seu voto. Por exemplo, o influente historiador católico Tom Devine anunciou no final de agosto que decidiu mudar de opinião e agora apoia a independência por causa da “atitude paternalista dos políticos de Westminster”. “Agora sou da opinião de que há uma escolha clara entre independência e dependência. A União foi uma medida pragmática e a decisão que a Escócia deve tomar em 18 de setembro também deveria ser pragmática”, declarou ao semanário católico londrino The Tablet.

As pesquisas apontam que mudanças de opinião como essa podem ser decisivas na última hora, embora o não tenha voltado a se consolidar à frente das pesquisas. De maneira muito estreita nas que foram publicadas na quinta e na sexta, mas de forma muito mais sólida na publicada por Survation neste sábado e que dá ao não 47% e ao sim, 41%. Excluindo os indecisos, o não chegaria a 54% e o sim a 46%. Ao redor de 93% dos entrevistados afirma que votará com toda certeza.



domingo, 14 de setembro de 2014

Parece haver um teto para a expectativa de vida

A matéria é do HypeScience:

Estudo responde se é possível viver para sempre

De acordo com um novo estudo francês, provavelmente existe uma “barreira biológica” que impede seres humanos de viver para sempre.
Os pesquisadores descobriram isso enquanto tentavam responder a velha questão da “imortalidade”.

Eles estudaram duas categorias de pessoas que viveram longas vidas: primeiro, analisaram 1.205 mortes registradas entre 1899 e 2013 de “supercentenários”, pessoas que morreram com idade de 110 anos ou mais; em seguida, estudaram 19.012 atletas que competiram nos Jogos Olímpicos de 1896 a 2012, já que atletas são considerados pessoas com grande longevidade.

Os pesquisadores concluíram que a longevidade dos supercentenários aumentou sem parar até 1997, quando a taxa se estabilizou. Um teto semelhante foi observado entre o grupo de atletas.

De acordo com a equipe, estas tendências fornecem sinais de um “limite” no aumento de longevidade, o que não é uma boa notícia para pessoas com expectativa de vida média.

Se tivesse havido uma tendência de subida constante, ou seja, se os cientistas tivessem encontrado evidências de pessoas vivendo cada vez mais tempo, daí poderíamos crer na existência de uma espécie de “imortalidade”. Em vez disso, os resultados apoiam as teorias de uma “barreira invisível” a um aumento da longevidade.

No entanto, os pesquisadores advertem que o número de pessoas estudadas é “relativamente pequeno” e o período de observação restrito, ou seja, a tendência observada pode ser apenas uma anomalia temporária. A esperança é a última que morre (trocadilho não proposital).

O estudo foi publicado na revista Journal of Gerontology.



sábado, 13 de setembro de 2014

Depressão pode estar relacionada ao intestino

Notícia curiosa publicada na Exame de 10/07/13:

Médico americano relaciona a depressão com os intestinos

Intestino humano tem seu próprio sistema nervoso autônomo, com uma rede de 100 milhões de neurônios

São Paulo - O médico americano Michael D. Gershon, da Universidade de Columbia NY, recentemente confirmou que o intestino tem seu próprio sistema nervoso autônomo, com uma rede de 100 milhões de neurônios, que por sua vez, liberam os neurotransmissores, substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre as células nervosas.

Deste modo, 90% da serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar, é produzida pelos intestinos. Ele produz também 80% do potencial de imunidade do corpo humano, além de ser grande produtor do hormônio do crescimento.

Atualmente, os tratamentos de depressão envolvem a recaptação desse neurotransmissor (estudos comprovam a relação entre a falta de serotonina no cérebro e os suicídios). Várias necropsias apontaram a falta de serotonina no hipocampo, região do cérebro responsável pelos circuitos de prazer e dor.

“Uma noite mal dormida, excesso de bebida, fumo e muito açúcar podem interferir no funcionamento do intestino, já que estes fatores modificam o PH intestinal e aceleram o envelhecimento, a falta de vitalidade e podem ainda agravar os quadros de depressão”, afirma Adriana Splendore, psicoterapeuta e terapeuta ortomolecular.

Água e fibras são importantes para o funcionamento dos intestinos, assim como a aveia, o inhame, o arroz integral e a linhaça, de acordo com a terapeuta.

“Para aumentar os níveis cerebrais de serotonina precisamos ingerir alimentos que contenham os minerais Cálcio e Magnésio, os quais estimulam a produção de triptofano, o aminoácido precursor da serotonina. Entre as fontes de cálcio estão requeijão, queijos magros, brócolis e gergelim. Já as fontes de magnésio são tofu, soja, caju, salmão, espinafre, aveia e arroz integral”, indica Adriana.



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ativista gay chama Malafaia de "maior militante LGBT do Brasil"


O artigo foi publicado no Brasil Post:

Obrigado, Malafaia. Você é o maior militante LGBT do país!

Fabricio Longo

Obrigado, Silas. De verdade. O que não conseguimos em 40 anos de movimento, você conseguiu com 4 tweets. Confesso que nunca gostei de você, mas hoje quero até pedir desculpas. Por sua causa, os direitos LGBT tornaram-se pauta de destaque na corrida eleitoral. É claro que ajuda o fato de você falar muito mais em nós do que em Jesus, mas de qualquer forma, quero te agradecer. Obrigado e meus parabéns. Você é o maior militante LGBT do país!

Em 2010, a grande polêmica era o aborto. Em 2014, é a homofobia e a transfobia - pela primeira vez. Estou quase apostando que em 2018 será a legalização da maconha. Os fundamentalistas religiosos e os conservadores em geral estão cansados, pois parece que só se fala nessas questões, mas isso é muito natural. É o resultado de "empurrar as coisas com a barriga": problemas mal resolvidos sempre voltam para nos assombrar. Na ânsia de impedir o avanço desses assuntos, os defensores da "sagrada família" não os deixam morrer. Todos ganham a oportunidade de pensar. Surgem argumentos que são contra e a favor, e a insistência do "amor cristão" em massacrar a liberdade alheia também fica exposta. É um "tiro pela culatra", já que denuncia a urgência em lidar com essas questões de maneira pragmática e eficiente. Só temos a agradecer.

Para as minorias, visibilidade é tudo. É por isso que promovemos paradas e ganhamos dias especiais no calendário. Nós precisamos ser vistos, lembrados, comentados... E ninguém tem ajudado tanto nisso como você! É verdade que às vezes parece que você nos odeia - até porque só sabe falar aos berros -, mas no fim das contas acaba ajudando.

Você grita que "cristão não é bobo" e ameaça usar a sua influência para decidir os rumos do Brasil com o "voto evangélico". Ora, é exatamente porque os cristãos - os de verdade - não são bobos, que fazem o possível para se dissociar da sua imagem raivosa. Se "Deus é amor", a última coisa que um fiel desejaria é ser considerado rebanho de um pastor só prega o ódio.

Você, Silas, é um mala mesmo. Sem alça! Você, o Bolsonaro, e o Feliciano. Acontece que vocês falam mais em viado do que a Lady Gaga, e aí fica difícil levá-los à sério, mesmo para quem compartilha de suas ideias. É uma obsessão, um fetiche tão grande, que até os dizimistas mais comprometidos pedem para "mudar o disco". E embora vocês ainda tenham influência política, esse circo todo assusta.

Recentemente, você disse que "os evangélicos" é que sofrem preconceito, que são vítimas de "perseguição religiosa". Se não estiver delirando, é mais uma das suas falácias torpes. Algo tão ridículo que quase tem graça, ainda mais porque da mesma forma que não se pode falar em "os gays" para representar uma unidade onisciente de homossexuais, não há como pensar em "os evangélicos" como uma coisa só. Por mais que deseje, o senhor não fala por um grupo tão heterogêneo de pessoas. Aliás, fala justamente por uma parcela que é considerada maluca e que deve ser afastada da política com todas as forças.

É engraçado, porque até o senhor anda "marinando". Primeiro, era contra a "nova política" porque ela lhe parecia muito progressista, e vieram os tweets salvadores - sim, porque pelo menos serviram para abrir os olhos das pessoas - ameaçando boicotar Marina Silva. Eles surtiram efeito e ela mudou de ideia (embora isso não pareça mais algo tão difícil de acontecer), e agora você também mudou de discurso e passou a apoiá-la, garantindo que ela governaria sem permitir que a religião interferisse em suas decisões! Ora, mas não foi você mesmo que interferiu, e ainda lembrou que o cristianismo - desse jeito aí que você pratica - é um estilo de vida e que não permite negociações? Como é que agora ela lhe parece a opção "mais laica"? Tudo isso é medo de que o "preconceito" faça com que ela perca votos? Bateu desespero porque finalmente há a chance de eleger uma Presicrente?

Realmente, temos muito que te agradecer. Graças a você, a farsa da novidade acabou em 24 horas. Graças a você, os direitos LGBT são tema de perguntas em debates e entrevistas, e os candidatos estão fazendo de tudo para se promover como defensores da diversidade. É claro que promessas são coisas fáceis de fazer, mas servirão de guia para as cobranças do próximo mandato. Graças a você, lembraram que gay também é gente, que paga imposto, e que vota - olha só! Valeu mesmo. Para quem está acostumado a ser visto como cidadão de segunda classe, a visibilidade é tudo.

Graças a você, saímos do armário e viramos mesa de centro.



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Bênçãos papais só poderão ser vendidas dentro do Vaticano

A informação é do Zenit:

As lojas fora do Vaticano não poderão mais vender as bênçãos papais

Uma carta de Mons. Krajewski explica que, a partir de janeiro de 2015, o "negócio" dos pergaminhos será gerido exclusivamente pela Esmoleria Apostólica. O dinheiro será destinado aos pobres

As dezenas e dezenas de lojas em torno do Vaticano não poderão mais vender os pergaminhos com as bênçãos papais. A decisão, tomada pessoalmente pelo Papa Francisco, foi anunciada em uma carta com a data do 12 de abril de 2014, assinada pelo Esmoler de Sua Santidade, Mons. Konrad Krajewski.

No texto, o prelado explicou que no próximo dia 31 de dezembro cessará peremptoriamente a Convenção entre o Departamento da Santa Sé utilizado para a concessão das bênçãos apostólicas com papel de pergaminho, e as lojas e livrarias contempladas no acordo.

Desde janeiro de 2015, portanto, não será mais possível solicitar fora do Vaticano o pergaminho para presentear por ocasiões de aniversários e casamentos. Um negócio que rendia muito dinheiro às lojas ao redor dos muros leoninos. Pago por 10 a 50 euros - diz o site do Vatican Insider - eles deixavam para a Esmoleria apostólica (Instituição que se dedica à caridade do Papa) apenas 3 € por pergaminho com a assinatura e o carimbo. Com as novas disposições do Papa Francisco - de acordo com um processo já iniciado em 2010 pelo Papa Bento XVI - o dinheiro arrecadado pelo "negócio" dos pergaminhos irá, agora, diretamente para os pobres.

Mons. Krajewski lembra na carta que esta é precisamente a tarefa da Esmoleria apostólica: "praticar a caridade com os pobres em nome do Sumo Pontífice", de acordo com a vontade do Papa Leão XIII, que, ao há mais de um século atrás, havia dado ao Esmoler “a faculdade de conceder a Bênção Apostólica por meio de diplomas, de modo que o órgão encarregado da caridade tivesse os recursos necessários para praticá-la".

Assim, as próprias bênçãos voltarão a desempenhar a sua função original: fornecer os recursos necessários para esta caridade, ajudando principalmente as pessoas necessitadas que escrevem pedindo apoio financeiro. Tarefa que o mesmo Krajewski realiza indo muitas vezes pessoalmente para levar pequenas contribuições em dinheiro, de acordo com indicações do Papa.

Nos últimos anos, o Instituto tinha se ajudado das lojas, livrarias e instituições "para tornar acessível a um número crescente de peregrinos que vinham a Roma" a chance de obter a bênção. Com a difusão sempre mais ampla da Internet, nos últimos anos, no entanto, foi desenvolvido o site www.elemosineria.va, graças ao qual era possível acessar todas as informações necessárias para a obtenção dos diplomas também através do envio a todas as partes do mundo.

A carta do Esmoler diz também que no mês de Setembro passado, o Papa Francisco tinha estendido “a faculdade de conceder a benção papal em pergaminho” também aos vários núncios apostólicos espalhados nos países ao redor do mundo.

À luz destas informações, decidiu-se, portanto, não renovar a convenção de forma que “tal serviço – explica a carta – possa retornar, como originalmente, à responsabilidade deste departamento e ficar com a única finalidade caritativa pela qual nasceu".

Mons. Krajewski afirma também que tal decisão não vai afetar os empregos dos calígrafos que têm a tarefa de escrever concretamente as bênçãos. A Esmoleria, com 12 funcionários, conta com a colaboração externa de 17 especialistas que diariamente vão ao departamento para pegar ou devolver as bênçãos.

Entre os "outsiders" que continuarão a trabalhar para a Esmoleria – informa o Vatican Insider – estão os mosteiros de clausura, onde se preparam os manuscritos mais valiosos escritos inteiramente à mão.



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Evangélicos não votam em bloco

Artigo interessante de Leandro Karnal, historiador e professor de História Cultural da UNICAMP, publicado no Estadão de 06/09/14:

Rebanho não tão uniforme

Evangélicos não votam em bloco; imaginá-los como marionetes é preconceituoso, diz historiador

Um espectro ronda o Brasil: o voto evangélico. Há candidatos ligados a igrejas; uma parcela expressiva da população (algo entre 22,2% e 30%) se declara evangélica, e tem o peso da uma mídia ativa com capilarização notável. Desde o imponente Templo de Salomão, em São Paulo, a milhares de pequenas igrejas na periferia das cidades o mundo evangélico é um poderoso dínamo para as almas e para as urnas.

Como toda novidade, a ascensão religiosa tende a causar estranheza. No pôquer da política, um novo jogador sempre incomoda. Proponho, para discernir alguns temas, uma reflexão sobre três erros comuns e três meias verdades.

Erro 1: “A religião está começando a se meter em política”. As pirâmides do Egito, há quase 5 mil anos, mostram que poder, Estado e deuses são amálgama estrutural. Na Bíblia, Deus nomeia reis como Davi e destrói a oposição política a Moisés (Números, 16, 20-35). No Brasil, Estado e Igreja estiveram fundidos até a República. Podem variar os atores, o roteiro é muito antigo. Não há nada de novo sob o sol. O Estado laico é um sonho centenário, a teocracia, uma realidade milenar.

Erro 2: “A religião é o ópio do povo”. A citação parcial de Marx remete a um senso comum. Sim, religião pode atenuar choques sociais. Porém, organizações religiosas podem embasar atitudes muito críticas (como a Revolução Puritana na Inglaterra ou o MST, nascido nas sacristias da Pastoral da Terra). Religião é um poderoso catalisador social que pode ser dirigido para qualquer vetor. Religião pode ser alienante ou revolucionária. A Bíblia foi a base do movimento de reforma agrária e social anabatista no século 16. A Bíblia serviu para Lutero recomendar matar camponeses. Religião não é nada em si, mas pode ser qualquer coisa, inclusive revolucionária.

Erro 3: “Os evangélicos estão mudando a política brasileira”. Até o momento, isso não pode ser defendido com dados. As negociações de ministérios com lideranças evangélicas, a disputa eleitoral e os discursos mostram que a absorção dos políticos e do eleitorado evangélico é feita dentro da mais absoluta tradição tupiniquim. Seria possível dizer o contrário: a política brasileira está mudando os evangélicos. Reflexão interessante: Geisel era luterano, FHC, ateu, e Lula, católico. Alguém sentiu algo? Até o momento, a política parece estar alguns metros acima do Monte Sinai.

Meia verdade 1: “O voto evangélico torna a agenda política conservadora”. Como tendência geral, os evangélicos valorizam pontos como críticas ao casamento homoafetivo. Porém, a agenda política já é conservadora, como em geral é o voto no Brasil. Se submetidos a plebiscitos, itens como pena de morte apresentariam uma chance grande de aprovação. O tom médio do eleitorado, especialmente em questões de ordem moral, é muito conservador e isso antecede a presença evangélica no Parlamento. Os evangélicos não criam, apenas reforçam um reacionarismo difuso.

Meia verdade 2: “Marina representa o eleitorado evangélico”. Marina tem origem evangélica, mas o eleitorado evangélico também está pulverizado em outras candidaturas. Há tendência à solidariedade, mas há atomização das igrejas evangélicas. Também há uma migração interna de fiéis entre as diversas denominações, fenômeno que se acentuou na última década. Assim, não existe o voto evangélico “em bloco” no Brasil, e ele não está focalizado apenas em Marina Silva.

Meia verdade 3: “O eleitorado evangélico vota em quem os pastores mandarem”. Pastores e bispos apresentam influência sobre o rebanho, mas essa ideia subestima a capacidade crítica dos evangélicos e omite a mudança na composição social do grupo. Esse controle pode até ser desejado pelas lideranças religiosas, mas não existe como dado absoluto. O chamado “crente”, com sua roupa típica e seguidor da vontade do pastor, não é mais o perfil de várias igrejas, especialmente neopentecostais. Advogados, médicos, professores e empresários engrossam as fileiras da Renascer e da Universal. Imaginar que todos sejam eleitores marionetes é uma construção do preconceito.

Para encerrar: evangélicos não são obstáculo à democracia. Pelo menos, não constituem um obstáculo maior que a existência de centrais sindicais ou lobbies do agronegócio. O Parlamento é o local da diversidade da sociedade brasileira. Lá existe o pastor e o deputado ativista LGBT. Os evangélicos representam uma importante parcela da população e expressam suas posições através da mídia e da política. A diversidade faz parte do jogo e é saudável, ainda que eu possa não concordar com suas posições. Conviver com a diferença é um exercício árduo, tanto para evangélicos como para ateus e católicos.

A intelligentsia nacional ecoa velhos preconceitos. A crítica de certo público de elite aos evangélicos é um pouco de demofobia, de horror ao povo e seus estereótipos. Ninguém parece temer que o senador Pedro Simon seja católico fervoroso e franciscano terciário. Tudo isso está em ebulição intensa. O que acontecerá no futuro? Com o risco de parecer estranho, só Deus sabe.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

Inglesa fotografa pênis de fantasma que a abusava


Só pode ser gozação, mas é tão criativa que, mesmo assim, a gente reproduz essa matéria do Bahia Notícias:

Mulher diz ter sido abusada por fantasma e chegou a fotografar órgão sexual do espírito

Um casal inglês teve que se mudar após um fantasma viciado em sexo quase acabar seu casamento de 23 anos. Deborah Rawson, 48 anos, garante que sofreu abuso e perseguição sexual "Mark", um fantasma que viveu na casa, junto com sua mulher, "Claire". 

Segundo a mulher, o fantasma chamado Mark a procurava durante o dia e durante a noite, mesmo quando seu marido estava em casa. 

O possível órgão sexual de Mark chegou a ser fotografado por Deborah. O casal de fantasmas também teria feito sexo em diversos pontos da casa, diz Deborah, que ouvia gemido e barulhos suspeitos constantemente. 

Após chamar um exorcista, que não obteve sucesso em tirar os supostos espíritos da casa, o casal desistiu e se mudou. "Estou feliz de estar livre do meu fantasma viciado em sexo", disse Deborah. Informações do The Mirror.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O militante "brasileiro" do Estado Islâmico

Matéria publicada na Folha de S. Paulo de 06/09/14:

Radical de sangue brasileiro

Filho de mulher carioca que foi para a Bélgica, Brian de Mulder tornou-se membro do Estado Islâmico na Síria sob o nome Abu Qassem Brazili

DIOGO BERCITO

Em janeiro de 2013, Brian de Mulder deitou-se ao lado da irmã e disse que a amava, mas que não podiam mais se ver. Nascido na Bélgica, filho de uma imigrante brasileira, o garoto voou a Istambul e, de lá, chegou à capital síria.

Hoje, Brian, 21, já não responde pelo nome belga. Ele é chamado, nas fileiras da milícia radical EI (Estado Islâmico), de Abu Qassem Brazili --Abu Qassem Brasileiro, em tradução do árabe.

A despeito do nome de guerra, Mulder não é conhecido no Brasil. Esse jovem, porém, é constantemente citado pela mídia belga, e sua biografia tornou-se um dos exemplos mais assustadores de um pesadelo europeu.

O grupo de inteligência Soufan estimava, no fim de maio, 12 mil estrangeiros entre os combatentes na Síria, 3.000 deles vindos do Ocidente. A Bélgica tem a maior proporção deles, em relação à sua população total (250 a cada 1 milhão de pessoas). O número deve ser maior, agora, após os avanços do EI.

Mulder teve criação católica e não tinha, até recentemente, nenhum vínculo com a causa dos militantes que lutam, na Síria, pela deposição do ditador Bashar al-Assad e pela criação de um Estado regido por uma rígida interpretação da lei islâmica.

Atlético, ele usava um crucifixo no pescoço, presente de sua mãe durante a infância, e ouvia as músicas de Roberto Carlos. Até que o jovem foi dispensado do time de futebol local pelo qual jogava.

A mãe, Rosana Rodrigues, nascida no Rio, narrou em entrevistas o caminho percorrido pelo filho, da depressão a uma mesquita na Antuérpia, aonde foi levado por amigos marroquinos.

Lá, Mulder conheceu Fuad Belkacem, porta-voz da organização salafista Sharia à Bélgica. Ele foi convertido a uma versão radical do islã, deixou o emprego e os estudos e passou a se vestir como muçulmano conservador.

À época, a família mudou-se para o interior, para evitar a radicalização do garoto. À rede britânica BBC sua tia, Ingrid de Mulder, afirmou que ele se tornara um robô. "Ele começou a dizer que podia fazer o que quisesse e que não tinha medo de morrer."

Quando o rapaz sumiu, há mais de um ano, a mãe, Rosana, procurou a imprensa e pediu à presidente Dilma Rousseff que lhe ajudasse a trazer o filho de volta para casa. Mulder não foi registrado no consulado do Brasil e, assim, ainda não tem nacionalidade brasileira.

De acordo com a rede BBC, o garoto escreveu aos parentes que "vocês não são mais a minha família" e que "meus irmãos muçulmanos são minha família".

"Se eu voltar a contatá-los, terão de estar de joelhos pedindo perdão e se converter ao islã. Não vou voltar."

GUERREIRO

O nome "Brazili" é citado, na mídia belga, como o de um dos terroristas mais renomados no Estado Islâmico. Em holandês, ele também é conhecido como o "Syriëstrijder", ou "guerreiro sírio".

Seu paradeiro é acompanhado por blogs locais especializados em jihadismo belga, como o Emmejihad, que em fevereiro passado divulgou uma imagem de Mulder ao lado de Hicham Chaib, um dos principais líderes do Sharia à Bélgica. Ambos estavam armados, sorrindo.

"Mulder foi por muito tempo ativo no Facebook sob o apelido Abu Qassem Brazili, mas há algumas semanas sua conta desapareceu. Não está claro se ele ainda se comunica com extremistas na Bélgica, mas, a julgar pela recepção de sua nova foto, sua popularidade só cresceu", escrevia o blog. Também por meio de fóruns jihadistas e de sites especializados é possível supor que ele tenha se casado na Síria com uma jovem militante belga.

A Folha conseguiu comunicar-se com familiares de Mulder, por telefone. Eles pediram discrição e declinaram o pedido de entrevista, afirmando que Mulder "já disse que quer ficar lá" e que não há nenhum recurso disponível para forçá-lo a voltar para a Bélgica.

Seu retorno, de todo modo, seria delicado. Governos europeus têm se preocupado diante da possibilidade de que seus cidadãos, após treinamento e militância na Síria e no Iraque, voltem e ameacem os próprios países.



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