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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 4

Lutero perante Carlos V na Dieta de Worms em 1521

NINGUÉM SERÁ JUSTIFICADO PELAS OBRAS

Pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
(Gálatas 2:16)

Até aqui, as palavras são de Paulo que falou a Pedro. Nelas, resumiu o artigo principal da doutrina cristã, que faz verdadeiros cristãos. Agora, ele muda o discurso aos gálatas a quem escreve e conclui, dizendo: “Como a situação é essa que somos justificados pela fé em Cristo, conclui-se que, por obras da lei, não será justificada toda carne”.

“Não toda carne” é um hebraísmo que peca contra a gramática. Lemos, Gn 4[.15]: “Para que não o matasse todo aquele que o encontrasse”. Os gregos e os latinos não falam assim. “Não todo aquele” quer dizer “ninguém”. “Não toda carne” quer dizer “nenhuma carne”. Mas, em latim, “não toda carne” significa “alguma carne”. O Espírito Santo, todavia, não observa tal rigor da gramática.

Carne, contudo, não significa, me Paulo, aqueles pecados grosseiros como os sofistas supõem, pois esses, ele costuma mencionar por seus nomes explícitos, como, por exemplo, adultério, fornicação, imundícia, etc., Gl 5[.19ss]. Para Paulo, carne significa o mesmo que para Cristo, que diz em Jo 3[.6]: “O que é nascido da carne é carne”. Carne, portanto, significa toda a natureza do homem, com a razão e todas as suas forças. “Essa carne”, diz, “não é justificada por obras, nem mesmo, por obras da lei”. Não diz: “A carne não é justificada por obras contra a lei, como violência, bebedeira, etc., mas por obras feitas segundo a lei, as quais são boas”. Para Paulo, portanto, carne significa a mais alta justiça, sabedoria, culto, religião, intelecto, vontade, por maiores que sejam nesse mundo. Por isso, o monge não é justificado por sua ordem, nem o sacerdote pela missa ou pelas horas canônicas, nem o filósofo pela sabedoria, nem o teólogo pela teologia, nem o turco pelo alcorão nem o judeu por Moisés. Em suma, por mais sábios e justos que sejam os homens, segundo a razão e a lei divina, não são justificados, contudo, por suas obras, méritos, missas, por sua mais alta justiça e pela prestação de cultos.

Os papistas não creem nisso, mas, cegos endurecidos, defendem suas abominações contra a consciência e perseveram nessa sua blasfêmia e, ainda, agora, vangloriam-se com estas palavras: “Quem faz essa e aquela obra merece a remissão dos pecados; prometemos, com certeza, a vida eterna a quem serve a essa ou àquela santa ordem”. É uma blasfêmia indizível e horrível atribuir às doutrinas dos demônios, aos estatutos e regras dos homens, às ímpias tradições do papa e às obras dos monges aquilo que Paulo, o apóstolo de Cristo, recusa a atribuir à lei divina e às suas obras. Se ninguém é justificado por obras da lei divina, segundo o testemunho do apóstolo, muito menos, alguém será justificado pelas regras de Benedito, de Francisco, etc., em que não se encontra nenhuma sílaba a respeito da fé em Cristo, mas, apenas, insiste-se nisto: “Quem observa essas coisas, tem a vida eterna”.

Por isso, sempre me admirei muito que, por tantos séculos, em que perduravam essas seitas da perdição, a Igreja pôde subsistir em meio a tantas trevas e erros. Houve alguns que deus chamou, simplesmente, pelo texto do Evangelho, que permanecia em seus sermões, e pelo Batismo. Esses andavam perante deus na simplicidade e humildade do coração, pensando que, somente, os monges e os que foram ordenados pelos bispos fossem santos e religiosos, mas eles, profanos e seculares que, de forma alguma, poderiam ser comparados com aqueles. Não encontrando eles em si mesmos, nem boas obras, nem méritos que pudessem contrapor à ira e ao juízo de Deus, refugiaram-se na paixão e morte de Cristo e, nessa simplicidade, foram salvos.

Horrível, porém, e infinita é a ira de Deus que, através de tantos séculos, puniu a ingratidão e o desprezo do Evangelho e de Cristo nos papistas, entregando-os a uma mente reprovável. Negando totalmente a Cristo no que diz respeito à necessidade dele e blasfemando-o, acolheram, no lugar do Evangelho, as abominações das regras e tradições humanas as quais, unicamente, veneraram e preferiram à Palavra de Deus até que, finalmente, foi-lhes proibido o matrimônio e foram forçados àquele celibato incestuoso. Então, também, foram poluídos, exteriormente, com toda a sorte de escândalos, adultério, devassidão, impureza, sodomia, etc. Esse era o fruto daquele celibato impuro. Assim, Deus, com justiça, entregou-os, interiormente, a uma mente reprovável e, exteriormente, permitiu que caíssem em tantos crimes, pois blasfemaram o unigênito Filho de Deus no qual o Pai quer ser glorificado, a quem entregou à morte, a fim de que os que nele creem fossem salvos por intermédio dele e não, pelas ordens deles. “Aos que me honram”, diz Deus em 1 Rs 2[sc. 1 Sm 2.30], “honrarei”. Mas Deus é honrado em seu Filho, Jo 5[.23]. Quem, pois, crê que o filho de Deus é nosso Mediador e Salvador, honra o Pai e Deus, por sua vez, o honra, isto é, orna-o com seus dons: a remissão dos pecados, a justiça, o Espírito Santo e a vida eterna. Do outro lado, “os que me desprezam”, diz Deus, “serão desmerecidos” [1 Sm 2.30].

A conclusão principal, portanto, é esta: “Por causa das obras da lei, ninguém será justificado”. Dando a essa conclusão dimensões mais abrangentes e percorrendo todas as posições sociais, concluirás que um monge não será justificado por sua ordem, nem uma freira pela castidade, nem um cidadão justificado por sua honradez, nem um príncipe por sua beneficência, etc. A lei de Deus é maior que o mundo inteiro, porque abrange todos os homens e as obras da lei excedem, extremamente, às obras seletivas dos homens de justiça própria. No entanto, diz Paulo, que nem a lei nem as obras da lei justificam. Uma vez estabelecida a proposição, o apóstolo começa, agora, a confirma-la com argumentos. E o primeiro argumento é, por assim dizer o oposto da conclusão.

(LUTERO, Martinho. Comentário à Epístola aos Gálatas, 1531. MARTINHO LUTERO, Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Canoas: Ulbra, 2008, Vol. 10, pág. 147-149)



quinta-feira, 27 de abril de 2017

Filhos adotados por ativista gay recebem batismo católico em Curitiba


O casal Toni Reis e David Harrad e seus filhos Alyson (esquerda), Felipe (centro) e Jéssica (direita),
ao lado do padre Élio, em batizado no domingo, 23 de abril.
Foto: David Harrad/Arquivo Pessoal

Toni Reis é dos mais importantes ativistas dos direitos GBLT no Brasil, que ficou mais conhecido ainda quando participou de um debate com Silas Malafaia por ocasião de audiência pública que discutiu o Estatuto da Família no Congresso Nacional, isso em 25/06/15.

Naquela oportunidade, o gestual hitleriano de Malafaia gerou um meme que viralizou na internet, como observamos aqui na época e você pode rever abaixo.



Toni Reis mora em Curitiba e é casado com David Harrad, com quem adotou 3 filhos que, hoje adolescentes, pediram o batismo católico.

Não deixa de ser interessante o contraste entre a atitude do bispo católico de Curitiba e aquela de Malafaia, conforme você pode ler no artigo abaixo, publicado no Estadão:

Filhos de casal gay são batizados em igreja católica de Curitiba

SARA ABDO

O arquivista da igreja disse que a questão dos pais não infringe o sacramento das crianças

Na manhã do domingo, 23, o padre Élio Dall'Agnol realizou o batizado de três adolescentes, filhos adotivos do casal Toni Reis e David Harrad. Juntos há 27 anos, eles decidiram propor o batizado católico para os filhos e, no último fim de semana, participaram da cerimônia na Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba.

Em entrevista ao E+, o professor Toni Reis contou que o casal foi em quatro igrejas da capital paranaense e só ouvia não, fosse pela religião anglicana de David, fosse pela agenda, fosse por questões burocráticas. Quando falou com o Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, Reis recebeu um sim imediatamente. O bispo autorizou o batismo e pediu para padre Élio realizar o sacramento de Alyson, de 16 anos, Jéssica, de 14 anos e Filipe, de 12 anos.

"Foi uma cerimônia muito emocionante", disse Toni, que é uma das lideranças da causa LGBT. Criado sob as concepções da igreja católica, ele disse ter chorado pelo menos três vezes ao se lembrar da mãe, uma mulher muito religiosa. "Na missa o padre falou muito sobre a importância da adoção e de sempre falar a verdade para os filhos".

A cerimônia de batismo, realizada às 11h do domingo, logo após da missa, durou 1h15. "Como nossos filhos já são adolescentes, o padre caprichou e explicou o porque do batismo. Ele fez muito esforço para que o significado do sacramento fosse entendível para os três", disse Harrad. Ele estava acostumado com os batizados de recém-nascidos nas igrejas anglicanas da Inglaterra. Compareceram à cerimônia 40 pessoas.

O arquivista da Catedral, Gabriel Forgati, disse à reportagem que a origem da criança e adolescente não infringe o sacramento. Segundo ele, se os filhos de David e Toni procurarem a mesma igreja para darem continuidade nos sacramentos católicos como catequese e crisma, serão recebidos normalmente. "Nem teria porque ser diferente".

Os cinco membros da família frequentam as missas, juntos, pelo menos todo 1º domingo do mês. Após o batizado, durante o jantar e enquanto tomavam sopa, os pais perguntaram aos adolescentes como se sentiam. Segundo relatou Toni, Alyson se descreveu 'purificado'. Jéssica, que sempre vai à missa, sentia-se incluída: "agora sou católica, com orgulho". O caçula, Felipe, afirmou que mais que nunca eram todos irmãos em Cristo.

O processo. Todo o processo de batismo dos filhos durou sete anos. Foi necessário alterar todos os documentos, dentre eles a certidão de nascimento, que agora registra filho de pai Toni Reis e pai David Harrad. A proposta do sacramento foi feita para os filhos, que não seriam batizados contra a própria vontade. Reis conta que os três são escoteiros, e isso os ajudou muito a valorizar a importância dos princípios e valores na vida.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O batismo radical da Geórgia


Não é nada fácil ser batizado na Igreja Ortodoxa Georgiana. Os bebês que o digam (ou demonstrem com suas carinhas assustadas). 

Confira o curioso ritual no vídeo abaixo:




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pastor americano "batiza" o livro "50 tons de cinza"

Ed Young Junior é o pastor da Fellowship Church de Grapevine, subúrbio de Fort Worth, no Texas, igreja formalmente ligada à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, embora hoje eles façam questão de não divulgar este liame.

Chegadaço numa controvérsia, é difícil defini-lo com pastor evangélico, mas ele se enquadra nessa nova geração de líderes americanos que dão muito valor ao glamour, à aparência e à popularidade, como Joel Osteen e Steven Furtick, que apresentam, com o perdão da palavra, uma espécie de versão metrossexual do evangelho.

Ternos caros, roupas de grife, sorrisos brilhantes, um jeitão de boneco Ken da Barbie e uma tez de popstar os ajuda a pregar suas ideias a milhares de pessoas dentro de seus templos e milhões que atingem pela televisão.

PASTOR FASHION


Young Jr. chegou ao ponto de lançar um portal específico para vender produtos fashion para que os pastores possam se vestir com o que há de mais "cool" nas tendências da moda, o PastorFashion.com.

Você, amigo pastor evangélico descolado, já tem onde fazer a transformação do seu visual, portanto.

Neste fim de semana que passou, conforme previamente anunciado, Ed Young organizou uma cerimônia em sua mega-igreja para "batizar" o livro "50 Tons de Cinza", best seller erótico que vem fazendo a cabeça de milhões de leitoras mundo afora.

Segundo alegou o pastor americano, a iniciativa foi para "trazer à vida a realidade do plano de Deus" para ajudar as pessoas a distinguirem o que é fantasioso do que é real.

EPIDEMIA CULTURAL


Acrescentou que "há uma epidemia cultural lá fora que vem embrulhada em completa fantasia. O livro "50 Tons de Cinza" é uma tentativa pervertida de aprisionar leitores e levá-los ao engano do que significam intimidade e conexão. É uma distorção patética de uma realidade mais poderosa sobre relacionamentos. Deus não é anti-sexo, e Ele não é cinza no que se refere a relacionamentos".

Ninguém entendeu direito o que ele quis dizer com "Deus não ser cinza no que se refere a relacionamentos". Haveria um arco-íris na jogada?

Bom, de qualquer maneira, suspeita-se que o pastor não deva estar nada contente por não ter faturado muita grana vendendo o livro "50 Tons de Cinza" no seu site, ainda mais com o filme inspirado nele que estreia nas telonas no próximo dia 12 de fevereiro, e promete ser um arraso nas bilheterias dos cinemas.

Talvez o melhor nome para isso tudo seja "fetiche".




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Homem mata ex-mulher durante batismo de filho em Guarulhos (SP)

A triste e insólita notícia vem do Estadão:

Homem mata ex e seu companheiro e fere 3 em batizado em Guarulhos

Acusado, foragido, não havia sido convidado para a cerimônia de batismo do filho de seis anos

Marina Azaredo

Um homem e uma mulher morreram e três pessoas ficaram feridas no domingo, 16, após serem baleadas durante um batizado em uma igreja católica no bairro Pimentas, em Guarulhos. O autor dos disparos foi o ex-marido da mulher, que acompanhava a missa de batismo. Até as 19h de domingo, ele estava foragido.

O gráfico Pedro Félix dos Santos, de 45 anos, não havia sido convidado para a cerimônia em que seu filho de seis anos com a auxiliar de expedição Viviane Rosa dos Santos, de 34, seria batizado, mas foi até a igreja mesmo assim. Após o batismo do menino, ele levantou-se, caminhou em direção ao altar e disparou com um revólver calibre 38 contra a ex-mulher e seu novo companheiro, o motorista Rosildo Donizeti Pereira, com quem ela se relacionava há seis meses. Os dois foram atingidos na cabeça. Antes de sair da igreja, Pedro efetuou mais disparos e atingiu outras três pessoas, que ficaram feridas sem gravidade.

Rosildo chegou a ser levado para o Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu aos ferimentos. Os outros três feridos foram atendidas pelo Serviço de Atendimendo Médico de Urgência (Samu) e encaminhadas ao Pronto Socorro dos Pimentas, em Guarulhos, mas não apresentavam risco de morte.

"Viviane e Pedro tiveram um relacionamento de dez anos que acabou em 2011, mas os dois últimos anos da relação já estavam conflagrados", afirmou o delegado Joáo Blase, do 4 Distrito Policial de Guarulhos, após ouvir as primeiras testemunhas do caso. "Certamente foi um crime premeditado."

Na mesma delegacia, já havia pelo menos três boletins de ocorrência envolvendo o casal, que teve dois filhos. Em 2005, Viviane fez uma queixa contra o ex-marido na delegacia por lesão corporal e ameaça. Em 2011, foi o gráfico quem a acusou de ameaça. Em 2012, Viviane relatou desobediência à Lei Maria da Penha, afirmando que o ex-marido descumpriu ordem de se manter afastado dela. No último boletim de ocorrência, Viviane relatava que Pedro estava bebendo e agindo com agressividade.

De acordo com a Polícia Civil, estão sendo feitas buscas, mas ainda não há pistas sobre o paradeiro de Pedro. "Enviamos diligências para diversos endereços, mas ainda não o encontramos", informou o delegado responsável pelo caso.

Na Igreja São Francisco de Assis, todas as atividades foram suspensas até segunda ordem. "De repente escutei um estrondo, em seguida mais três e apareceu uma fumaça. Havia 18 crianças sendo batizadas e 150 pessoas na missa. Dispensamos todos assim que percebemos o que havia acontecido", relatou o padre Daniel Reichter.

Em frente à igreja, o clima era de consternação na tarde de domingo.

"Quando escutei o primeiro disparo, nunca imaginei que pudesse ser um tiro. Mas aí começou uma correia, eu fui empurrado e o pessoal começou a se jogar no chão. Eu só vi um homem pulando os bancos da igreja e fugindo em um carro", disse o fotógrafo Geraldo de Almeida, que fotograva a missa.

A comerciante Cleide Regina Bessa estava na igreja para batizar a filha, mas o crime aconteceu antes de chegar a sua vez na ordem dos batismos. "A primeira coisa que pensei é que era um bomba, só depois percebi que eram tiros. Então todo mundo começou a correr para o altar e depois saímos pela lateral da igreja. Parecia filme de terror, essas coisas que acontecem nos Estados Unidos. Não vou mais batizar a minha filha aqui", afirmou.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Bispa metodista unge cardeal católico de Boston


Um fato inusitado aconteceu durante uma celebração ecumênica na Igreja Metodista Unida de Sudbury, Massachussets, nos Estados Unidos, no domingo, 12 de janeiro de 2014.

O atual cardeal de Boston, Sean O'Malley, foi convidado para pregar na igreja de Sudbury, com o fim de comemorar os 50 anos da visita de seu antecessor, Richard Cushing, àquela mesma igreja, convidado que foi a pregar pelos metodistas em plenos ventos ecumênicos do Concílio Vaticano II.

A visita de Cushing se deu numa época em que era grande a tensão entre católicos e protestantes nos Estados Unidos, quando não havia se usava tanto o termo "evangélico" para os não-católicos, e - por ser uma região de forte influência irlandesa - ainda havia uma espécie de "importação" do conflito que continua dividindo até hoje a Irlanda do Norte.

Nesse contexto, o cardeal O'Malley compareceu à igreja metodista de Sudbury, relembrando as dificuldades de convivência 50 anos atrás, e chamando todos os presentes, católicos e metodistas, à unidade diante do que ele chamou de uma "nova polaridade: crentes e descrentes".

Ao término da cerimônia, o cardeal O'Malley se postou ao lado da bispa local, Anne Robertson, e ambos passaram a ungir os fiéis que saíam da igreja com o gesto de uma cruz na testa de cada um,  instando a todos que renovassem os votos do batismo.

A surpresa ocorreu quando o cardeal pediu que a bispa Robertson fizesse o mesmo com ele, ungindo-o com água benta, conforme mostra a foto que ilustra este artigo.

A bispa metodista disse ao The Huffington Post que ela se sente "agradecida por todas as vezes em que as pessoas podem olhar além daquilo que as divide e enxergar a nossa humanidade comum - e neste caso a nossa fé comum".

A repercussão do gesto de O'Malley gerou diferentes reações: de entusiasmo pela prática ecumênica à reprovação escancarada por católicos fundamentalistas, muito em função do sacerdócio feminino que existe entre os metodistas americanos desde 1956.

Entretanto, o cardeal de Boston se justificou citando Gálatas 3:28 - "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus".



sábado, 15 de dezembro de 2012

Quando os pais divergem sobre o batismo dos filhos

Artigo interessante publicado no UOL:

Diálogo e flexibilidade são necessários quando pais discordam sobre batizar os filhos

Ludmilla Balduino

Com o aumento da diversidade religiosa no Brasil, tendência apontada pelo Censo Demográfico 2010, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), tem-se tornado comum um dilema nas famílias: a decisão de batizar ou não os filhos e em qual religião.

Apesar de majoritário, o grupo de católicos diminuiu nas últimas duas décadas, representando 64,6% da população no levantamento. Em contrapartida, os evangélicos passaram de 15,4%, em 2000, para 22,2% em 2010. Os espíritas e as pessoas que se declararam sem religião também cresceram, ficando em 2% e 8%, respectivamente.

Dentre os brasileiros que disseram não seguir nenhum credo está o professor Thiago Escher. Casado há cinco anos com a vendedora Telma Aguilar de Aquino Escher, católica, ele nunca havia passado por um conflito de caráter religioso com a mulher até o nascimento da filha, Luiza, de um mês. A menina foi pivô de uma discussão entre os pais que durou quase os nove meses de sua gestação. Telma é a favor do batismo e Escher, contra.

"Nós tivemos longas conversas. Sempre que surgia o assunto, ele dizia que era besteira, que não fazia sentido. Quando a conversa ficava mais tensa, a gente parava. Deixávamos para o dia seguinte. Aos poucos, ele foi cedendo e entendendo a importância do batismo para mim. Então decidimos batizar nossa filha", disse Telma.

Para a psicóloga Ana Aragão, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, optando pelo diálogo, o casal encontrou uma boa saída para a situação. "É preciso enfrentar a discussão. Ser irredutível não é suficiente para resolver o conflito. Temos de conversar quantas vezes forem necessárias", declara a especialista.

Para Maria Aznar-Farias, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Ambiental e Desenvolvimento Humano da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os pais precisam encarar a discordância com maturidade e flexibilidade. "Quando a pessoa é inflexível, pode ser que haja um problema defensivo. Ela precisa se agarrar nessas defesas rígidas para se sentir bem. Talvez uma terapia conjugal rápida possa resolver."

Escher decidiu por batizar a filha. "Por mim, não batizaria. Mas entendi o sentido do batizado para a Telma. Para ela é algo muito especial. Ponderando, concluí que é melhor deixar batizar. Assim evito brigas e conflitos até com a minha família, que também é católica."

O batizado de Luiza está agendado para março de 2013 e os padrinhos já foram escolhidos. Por enquanto, a situação está resolvida, mas os pais dizem saber que o tema deve voltar à tona, quando a menina estiver na idade de fazer a primeira comunhão. Escher diz acreditar que a filha estará crescida o suficiente para decidir sua vida religiosa. Para Telma, a menina, que terá idade aproximada de 11 anos, ainda não poderá escolher por si.

Quando a escolha é do filho

Deixar a criança escolher foi o caminho encontrado pelos empresários Lúcia e Keiichi Kasegawa, pais de Danilo, 13. O estudante nunca havia frequentado a Igreja Católica quando, há dois anos, decidiu se batizar. "Não tinha ideia de como era até o dia em que a mãe de um amigo convidou a turma inteira da escola para fazer primeira comunhão", conta o garoto.

Como na religião católica a pessoa só pode fazer a primeira comunhão após ter sido batizada, Danilo recebeu os dois sacramentos no mesmo dia, na frente dos amigos. Os pais, que são budistas não praticantes, não se opuseram, mas conversaram com o garoto sobre a decisão.

Citando Jorge Larrossa, professor espanhol de filosofia da educação, Ana Aragão diz: "O espaço de conversa deve ser garantido em qualquer situação. Só a conversa ajuda a afinar as diferenças, a conhecer as semelhanças e a entrar em um acordo".

"Não somos cristãos, mas conversamos e deixamos a escolha a critério dele. Como todos os amigos estavam fazendo catequese, o Danilo também quis. Nós três sabemos que a decisão foi influenciada pelos amigos. Quando ele crescer mais, poderá fazer uma escolha definitiva sobre sua religião", diz a mãe de Danilo.

E o menino diz saber que sua opinião pode mudar. "Gostei de passar por essa experiência. Mas não sei como vai ser daqui por diante."

Os avós

Às vezes, a decisão de batizar ou não sofre influência de outros familiares, caso enfrentado pela bancária Jéssica Araújo Seneor Nogueira. Seu avô, Alberto Seneor, 84, é judeu ortodoxo e queria que o bisneto Lucas, quando estava com dois meses de vida, fizesse a circuncisão (remoção da pele que cobre a glande peniana), como requer o judaísmo, mas o pedido não foi atendido.

Jéssica converteu-se ao catolicismo, religião do marido, o gerente comercial Fernando Nogueira Pedro, e provocou diferentes reações na sua família judia. Mesmo assim, casou-se na Igreja Católica e batizou Lucas.

Seneor, que havia ido ao casamento da neta, decidiu não presenciar o batismo do bisneto, cuja cerimônia representou bem a diversidade religiosa brasileira. No altar, como padrinhos do menino, o irmão de Jéssica, que é judeu, e uma amiga da bancária, seguidora da Igreja Luterana.

Hoje, Lucas tem dois anos e meio. Jéssica diz que, por enquanto, a religião dele está escolhida: a católica. "Se futuramente ele quiser ser budista, judeu ou ter qualquer outra religião, terá o meu total apoio."



domingo, 2 de setembro de 2012

Depois de ser batizado jovem quis nadar e morreu afogado

A notícia vem do G1:

Após batismo, jovem morre afogado em represa de Alumínio, SP

Mariana Lanfranchi

Rapaz tinha 20 anos e fazia parte do grupo de jovens da igreja. 

Acidente aconteceu durante confraternização com amigos e familiares.

Um jovem morreu afogado na manhã deste domingo (19) na represa de Itupararanga, em Alumínio (SP), após uma cerimônia de batismo. O Corpo de Bombeiros de Sorocaba (SP) foi chamado, mas não chegou a tempo de salvar o rapaz.

Amisadai Gonçalves da Silva, de 20 anos, saiu da capital paulista com cerca de 20 amigos e familiares para participar de uma cerimônia de batismo de novos membros da Igreja Pentecostal de Jesus e Santos.

O batismo foi feito na represa. Após a cerimônia, segundo a Polícia Civil de Mairinque (SP), onde foi registrada a ocorrência, Amisadai entrou na água para se refrescar.

De acordo com os bombeiros, o jovem tentou atravessar, sozinho, os 60 metros que separam uma margem da outra. Quando faltavam cerca de 15 metros para chegar ao outro lado, Amisadai afundou.

Na delegacia, familiares de Amisadai informaram que viram o jovem se afogar, mas ninguém conseguiu socorrê-lo. Segundo a polícia, como a distância era grande, eram grandes as chances de mais alguém se afogar se tentasse ajudar o jovem.

O corpo do rapaz foi encontrado a cerca de quatro metros de profundidade. O velório e enterro de Amisadai deverão ser realizados em São Paulo, após a liberação do corpo pelo IML.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mórmons novamente criticados por batismo póstumo de vítimas do holocausto

O estranho costume mórmon de fazer com que seus membros se batizem em nome de pessoas já falecidas continua a causar problemas à sua sede em Salt Lake City, Utah (EUA). Eles já haviam arranjado encrenca anteriormente com os judeus por causa dos batismos de judeus como Anne Frank e até os algozes nazistas do holocausto judaico. Isto gerou uma enorme polêmica no passado, com mil pedidos de desculpas das autoridades mórmons e uma promessa de que eles, digamos, ajustariam a sua conduta dali em diante. Pois parece que de nada adiantou, a promessa foi água abaixo. Ontem, 14 de fevereiro de 2012, foi divulgada a informação de que os pais de Simon Wiesenthal, a mãe morta no campo de concentração de Belzec, na Polônia, em 1942, e o pai ainda na Primeira Guerra Mundial, foram batizados por procuração num ritual mórmon. Ocorre que Simon Wiesenthal (1908-2005) foi o maior caçador de nazistas pós-holocausto, e a Fundação que leva seu nome reuniu farta documentação e continuou financiando a busca de nazistas fugitivos pelo mundo décadas depois do fim da Segunda Guerra. Wisenthal foi responsável, entre outros, pela localização do criminoso nazista Adolf Eichmann na Argentina em 1960. Elie Wiesel, hoje com 83 anos de idade, Prêmio Nobel da Paz de 1986, um dos últimos sobreviventes do holocaustos e provavelmente o último caçador de nazistas ainda vivo (já que a maioria dos que ele procurava já estão abraçados com o capeta), veio a público criticar a postura da igreja mórmon: "Eu acho isso escandaloso. Não somente questionável... é escandaloso... eu fico imaginando se o candidato à Presidência Mitt Romney está ciente do que a sua igreja está fazendo. Espero que ele ouça sobre isso e venha a público para comentar". Como se vê, o incidente respingou na candidatura - um tanto quanto cambaleante no últimos dias - do mórmon Mitt Romney à vaga do Partido Republicano na disputa da Casa Branca. A julgar pelo vídeo abaixo, entretanto, ele gaguejará um montão e recomendará a Wiesel que procure a sede da igreja em Salt Lake City para reclamar. Agora não será mais necessário já que, diante da repercussão pra lá de negativa da notícia, a igreja tratou de soltar rapidinho uma nota oficial de desculpas com o seguinte teor:
"Nós sinceramente sentimos muito pelo fato da ação individual de um membro da igreja ter levado à submissão desses nomes. A política da igreja é a de que os membros da igreja podem requisitar esses batismos somente para os seus próprios ancestrais. Batismos por procuração de vítimas do holocausto estão estritamente proibidas"
O rabino Abraham Cooper, do Centro Simon Wiesenthal, que foi um dos participantes das reuniões oficiais entre judeus e mórmons em 1995, realizada com o fim específico de se evitar esses batismos póstumos, comentou que "um pedido sentido de desculpas é certamente apropriado, mas é assustador que isso continue se repetindo indefinidamente". Classificou os novos batismos como "inaceitáveis, acrescentando que as pessoas que perderam tudo e todos, e ainda foram mortas por serem judias durante o holocausto, não deveriam ter as suas almas "sequestradas" por outra religião. E durma-se com um barulho desses em Salt Lake City...



Fontes: Reuters, The Washington Post e Huffington Post.


domingo, 30 de outubro de 2011

O estranho batismo mórmon de Anne Frank

Entre as suas muitas doutrinas, digamos, exóticas, os mórmons têm no "batismo pelos mortos" um de seus dogmas mais sagrados, em que alguém indica um antepassado ou conhecido - ou mesmo desconhecido - já falecido e, mediante um ritual próprio da religião, esta pessoa é batizada no além como mórmon. Esta estranha cerimônia já provocou muitos problemas para os mórmons, principalmente em relação aos judeus que foram vítimas do holocausto nazista, como também envolvendo os próprios nazistas que o perpetraram, que teriam sido batizados como mórmons atendendo a este princípio fundamental de seu credo. Os mórmons estão tendo as suas doutrinas devassadas pela mídia norteamericana em razão de um dos principais pré-candidatos à presidência dos EUA nas eleições de 2012, Mitt Romney, ser um mórmon destacado. O artigo abaixo foi publicado originalmente no The New York Times, traduzido por Clara Allain, e reproduzido na Folha:

Anne Frank, mórmon?


MAUREEN DOWD
DO "NEW YORK TIMES", EM WASHINGTON

Numa apresentação que fez no sábado à noite na Universidade George Washington, Bill Maher mergulhou de cabeça em um território que a imprensa vem tratando com cuidado máximo.

Roupa íntima mágica. Batismo de pessoas que já morreram. Casamentos celestiais. Planetas particulares. Racismo. Poligamia.

"Por qualquer critério que se queira julgar, o mormonismo é mais absurdo que qualquer outra religião", afirmou o comediante famoso por ser ateu e que desancou os "contos de fadas" de várias religiões em seu documentário "Religulous". "É uma religião fundada na ideia da poligamia. Os fiéis a chamam de 'O Princípio'. Soa como a Diretiva Principal de 'Star Trek'."

Bill Maher disse que prevê que a turma de Mitt Romney respondendo depois de Robert Jeffress, pastor batista texano que apóia Rick Perry, ter dito que o mormonismo é uma "seita" não cristã mais uma vez "passe por cima das diferenças entre cristãos e mórmons".

Maher tampouco foi condescendente com a religião na qual foi criado. Aludiu à Igreja Católica como "rede de pedofilia internacional".

Mas os ateus, assim como os católicos e os cristãos evangélicos, parecem desconfiar especialmente dos mórmons.

Numa pesquisa "Washington Post"/Centro Pew de Pesquisas divulgada na terça-feira, foi perguntado às pessoas que palavra lhes vinha à mente para descrever os candidatos republicanos. No caso de Herman Cain, foi "9-9-9"; no de Rick Perry, "Texas", e, no caso de Mitt Romney, foi "mórmon". No debate, na noite de terça-feira, Romney disse que é repugnante "escolhermos pessoas com base na religião delas".

No "New York Times", no domingo, Sheryl Gay Stolberg fez um relato da atuação de Romney como bispo em Boston, em muitos momentos dando orientação pastoral autoritária sobre todos os assuntos, desde o divórcio ao aborto.

Stolberg relatou que Romney que mais tarde se candidataria ao Senado, concorrendo como Teddy Kennedy, como defensor do direito ao aborto, e então mudaria de posição nas primárias presidenciais republicanas, passando a ser contra costumava aparecer no hospital sem ser anunciado, em seu papel de bispo.

"Em tom repreendedor", avisou a uma mulher casada, mãe de quatro filhos e que cogitava em interromper nova gravidez devido a um coágulo sanguíneo potencialmente perigoso, que não deveria pensar nessa hipótese.

Outro não crente famoso, Christopher Hitchens, escreveu na "Slate" na segunda-feira sobre "o sistema de crenças esdrúxulo e sinistro da LDS" _a sigla representa a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Sem falar em Joseph Smith, que Hitchens qualifica como "fraudador e mágico bem conhecido pelas autoridades do interior de Nova York", ele também questiona a prática mórmon de reunir arquivos sobre mortos e "incluí-los em sua igreja à custa de orações", como maneira de "'batizar' todo o mundo retroativamente, 'convertendo os mortos' ao mormonismo".

Hitchens observou que a LDS "obteve uma lista de pessoas mortas pela Solução Final dos nazistas" e começou "a converter aqueles judeus massacrados em membros honorários da LDS, também". Descreveu isso como "uma tentativa crassa de praticar um roubo em massa de identidades dos mortos".

Os mórmons chegaram a batizar Anne Frank.

Ernest Michel, o então presidente do Agrupamento Mundial de Judeus Sobreviventes do Holocausto, precisou de três anos para conseguir que os mórmons concordassem em parar de batizar vítimas do Holocausto à distância.

Os mórmons desistiram da empreitada em 1995, depois de Michel, como divulgou a Agência Telegráfica Judaica, "descobrir que sua mãe, seu pai, sua avó e seu melhor amigo de infância, todos de Mannheim, na Alemanha, tinham sido batizados postumamente".

Michel disse à agência de notícias: "Me deixou aflito o fato de meus pais, que foram assassinados como judeus em Auschwitz, serem incluídos numa lista como membros da religião mórmon".

Richard Bushman, mórmon que é professor emérito de história na Universidade Columbia, disse que depois "da confusão judaica", os mórmons "desistiram de fazer enormes esforços para coletar os nomes de todo o mundo que já viveu e batizar essas pessoas _até mesmo George Washington". Agora, disse ele, os mórmons o fazem para outros mórmons que levam ao templo o nome de um parente ou antepassado morto.

Bushman disse que "os mórmons acreditam que Cristo é o filho divino de Deus que pagou por nossos pecados, mas não acreditamos na Santíssima Trindade, no sentido de que há três em uma. Acreditamos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas distintas."

Kent Jackson, reitor associado de religião na Universidade Brigham Young, diz que, embora os mórmons sejam cristãos, "o mormonismo não faz parte da árvore familial cristã".

Os evangélicos e católicos céticos provavelmente não se sentirão reconfortados por saber que os mórmons pensam que, enquanto outros cristãos têm acesso a "apenas uma parte da verdade, o que Deus revelou a Joseph Smith é a verdade por inteiro", como diz Jackson. "Não hesitamos em dizer que evangélicos, católicos e protestantes podem ir ao céu, incluindo o pastor Jeffress. Apenas achamos que as maiores bênçãos do céu são dadas" aos mórmons.

Quanto aos planetas que casais mórmons devotos podem ganhar após a morte, Jackson diz que isso não passa de boato infundado. Mas, para Bushman, isso faz parte do "folclore mórmon" e se baseia na crença de que, se os humanos podem tornar-se semelhantes a Deus, e Deus é dono do universo inteiro, então talvez os mórmons ganhem a chance de mandar em um pouco desse universo.

Quando à peça de roupa especial que Mitt usa, "não diríamos que é uma 'roupa íntima mágica'", explica Bushman.

O objetivo dela é denotar "proteção moral", um sinal de que quem a traja é "membro de um grupo consagrado, como os sacerdotes de Israel na antiguidade".

E não é mais uma peça só. "Agora são duas peças", disse ele.

Os republicanos fizeram da religião uma parte da prova presidencial. Veremos agora se Mitt consegue passar nessa prova.

TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um batismo de peso

Fica muito mais complicado batizar um gordinho quando os irmãos calculam mal a profundidade da piscina e colocam o pastor numa túnica justa:




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Papa pede que pais deem "nomes católicos" aos filhos

Segundo a notícia abaixo, publicada na Folha de S. Paulo de hoje, os pais católicos vão ter que pensar duas vezes antes de chamar a filha de Daiane ou o filho de Maicon:

Bento 16 pede que pais deem nomes católicos a seus filhos

Após batizar 21 crianças no último domingo, Bento 16 afirmou que os católicos deveriam dar nomes cristãos a seus filhos em vez de opções "da moda", muitas de origem anglo-saxônica.

De acordo com o jornal italiano "Corriere della Sera", o papa disse que tal prática beneficiaria o "renascimento" religioso das crianças.

"Cada batizado recebe o caráter de filho a partir do nome cristão, signo inconfundível que o Espírito Santo faz nascer de novo o homem a partir do útero da igreja."

Na lista dos nomes sugeridos figuram exemplos como Francisco, Mateus, João, Pedro, Davi, André, Tiago, Maria, Ruth, Madalena e Sara.

Ao menos na Itália, no entanto, o papa não tem com o que se preocupar.

Segundo o "La Stampa", os dois nomes mais usados ainda hoje entre os italianos são Francisco e Julia.

Ainda nos "top 10" estão Alessandro, Sofia e Martina, todos "catolicamente corretos", afirma o jornal.

"Anticatólicos" como Noemi, Nicole e Giada aparecem somente na lista dos 30 mais populares no país.

O papa encorajou "todos os fiéis a redescobrirem a beleza de serem batizados" e defendeu o batismo como algo "secreto" porém "poderosíssimo" e "sobrenatural", colocando a criança "em comunicação com Deus".

domingo, 4 de abril de 2010

Batismo splash-thru

Quando a gente pensa que os “evangélicos” brasileiros atingiram o fundo do poço do profano, aparece um toboágua pra mostrar que eles sempre conseguem afundar um pouco mais. Vejo no Púlpito Cristão o vídeo abaixo, em que a igreja bola de neve (desculpe, é “church”!) acaba de propor uma nova forma de batismo: nem aspersão, nem imersão, agora tem o do toboágua. Com o perdão da palavra chula, “pastor” e candidato ao batismo sobem no tobogã e .... tchibuuuummm.... caem de bunda na água. Pronto, o cara tá “batizado”. Não se sabe exatamente no quê, pra quê ou em nome de quem, mas tá! É pá e pimba! Acabaram de inventar o batismo splash-thru.

O fato de cair com o traseiro na água talvez dê uma dimensão melhor da bobagem que eles estão fazendo, imaginando estar desempenhando um ritual cristão. Ora, direis, eles não estão nem aí pra rituais, embora o seu ritual seja não usar o nome “ritual”. A sua tradição é não ter tradição, assim como a sua religiosidade é atacar a religiosidade. Algo parecido com atirar aleatoriamente nos patinhos de parque de diversão. Dirão também que somos críticos e julgamos demais, mas não se preocuparão nem um pouquinho se nos ofendemos e nos escandalizamos com esta brincadeira jocosa com o que consideramos sagrado. Dizendo-se “descolados”, talvez não tenham percebido (ainda) que nunca se “colaram” no puro e verdadeiro evangelho. Inconsequente assim.

O batismo é algo tão sério para os cristãos que o próprio Jesus a ele se submeteu. Precisar, não precisava, mas Ele quis deixar-nos o exemplo num evento tão solene que a própria Trindade se manifestou conjuntamente. Paulo ensinou claramente o simbolismo do batismo como sepultamento do velho homem e a ressurreição para uma nova vida (Romanos 6:4 e Colossenses 2:12). Católicos e protestantes divergem quanto à natureza do batismo. Para os primeiros, trata-se de um sacramento, meio através do qual uma graça divina é automaticamente conferida ao batizando. Para os últimos, é um símbolo, que compõe, ao lado do memorial da ceia do Senhor, uma das duas ordenanças que Jesus nos deixou, como sinal e demonstração pública de nossa conversão. Ambos, entretanto, não divergem quanto ao caráter cerimonial e sagrado do ato nem com relação à solenidade da fórmula trinitária na sua execução. Agora surge uma nova corrente, a que não vê o batismo nem como símbolo, nem como sacramento, mas como entretenimento. Não se incomodam em praticar um arremedo de batismo, para consumo próprio como folguedo. A sua fórmula é o deboche e seu motivo, a diversão. Um domingo no parque e – talvez – uma eternidade afastada de Deus.

E por falar em “church”, é sempre bom relembrar a frase atribuída a Winston Churchill, num tempo em que a elegância masculina exigia o adereço, que é mais ou menos assim: “ao entrar na igreja, o homem deve tirar o chapéu, mas não a cabeça”...


quarta-feira, 12 de março de 2008

Batismo: essencial para a salvação?

Nesses debates pelos fóruns da vida, a gente se depara com algumas situações inusitadas, mas que servem para que a gente estude um pouco mais a Bíblia e aprenda sobre assuntos que a gente nunca tinha pensado. Debatendo com um mórmon no tópico sobre o batismo pelos mortos do antigo Forum Atos (infelizmente o link está inativo), cansado da insistência dele em dizer que o batismo nas águas é obrigatório e imprescindível para a salvação (o que justificaria o ritualismo de sua igreja), com base no versículo de João 3:5, em que Jesus diz a Nicodemos que "aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus", eu fui pesquisar mais a fundo esse texto em particular e, como ele me pediu uma análise mais didática e detalhada, eu fiz as perguntas e respostas que transcrevo a seguir:


1) Com quem Jesus estava conversando?

R: Com Nicodemos.


2) Quem era Nicodemos?

R: Um fariseu, membro do Sinédrio, um mestre em Israel (João 3:10) e profundo conhecedor da Lei e dos rituais judaicos.


3) Quando Jesus diz a Nicodemos (João 3:3) que ele deveria nascer de novo, Nicodemos entende isso de maneira literal ou espiritual?

R: De maneira literal.


4) Quando Jesus diz a Nicodemos (João 3:5) que quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus, o que Nicodemos entendeu por "água"?

R: Nicodemos só podia ter entendido que era um dos banhos rituais que os fariseus normalmente tomavam antes das cerimônias religiosas, algo com que ele estava acostumado e, dado o seu nível social e eclesiástico, certamente praticava seus banhos ou abluções rotineiramente.

5) Existe a possibilidade de que Nicodemos tenha entendido por "água", neste contexto, o batismo ritual cristão nas águas?

R: Não. Primeiro, porque o batismo cristão ainda não havia sido instituído. Segundo, é muito provável que Nicodemos conhecesse o batismo de João, mas certamente não o relacionou à "água" deste contexto, pois o batismo de João era um sinal público de arrependimento, e não de salvação, como Jesus estava claramente falando. Terceiro, como grande conhecedor das Escrituras, talvez Nicodemos estivesse se lembrando desta passagem:

Ezequiel 36:25 Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei.
Ezequiel 36:26 Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
Ezequiel 36:27 Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.

Caso tivesse se lembrado deste texto de Ezequiel, e já ciente que Jesus estava dando uma interpretação espiritual à sua exposição, Nicodemos certamente pensaria que não se tratava de uma aspersão de água no sentido exato da expressão, assim como Deus não faria um transplante literal de coração (Ez 36:26) ou prenunciaria um sacrifício azteca, maia ou inca, mas isso era um simbolismo de purificação e regeneração, nos moldes simbólicos dos banhos rituais judaicos. Se formos admitir a interpretação literal deste texto (intimamente relacionado a João 3), temos que afirmar que o batismo na "água" tem que ser por aspersão (como fazem católicos e presbiterianos, por exemplo), e que algum ritual deve expressar este "transplante" de coração de pedra por coração de carne.



6) Havia, então, no contexto da conversa de Jesus com Nicodemos, uma referência explícita ao batismo cristão através da palavra "água"?

R: Não. Nem implícita, porque o batismo cristão em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo sequer havia sido instituído, o que só vai ocorrer depois da ressurreição de Jesus. Tanto que a Bíblia não registra o batismo de nenhum dos apóstolos e discípulos próximos a Jesus durante Sua vida. João mesmo é claro ao dizer que Jesus não batizava ninguém, mas quem batizava eram os seus discípulos. O "batismo" que praticavam era certamente o do arrependimento, nos moldes de João, conforme Lucas narra (7:29). Se Jesus não batizou ninguém, é de se perguntar quem foi que batizou Pedro, por exemplo. Teriam os apóstolos se batizado uns aos outros? Não há qualquer indício disso, nem de que eles tenham sido "rebatizados" ou "cristianizados" depois da Sua ressurreição, quando veio a ordenança do batismo cristão. O único batismo que conheceram foi o de João. Se houvesse necessidade de se estabelecer, desde já, o batismo cristão como obrigatório para a salvação, Jesus certamente teria deixado ordens específicas a respeito disso antes de sua crucificação, ou teria explicitamente convalidado o batismo de João em batismo cristão. Já o único apóstolo batizado segundo o ritual cristão, quando este já havia sido instituído, foi o extemporâneo Paulo (Atos 9:18). Tanto que o próprio Jesus, antes de ascender aos céus, disse-lhes que eles só conheciam o batismo de João e que seriam batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias (Atos 1:5). Antes do Pentecostes, quando os apóstolos decidem escolher outro apóstolo no lugar de Judas (no caso, Matias), eles decidem que o novo apóstolo deveria ter estado com eles desde o batismo de João (Atos 1:22). Se é para se ter uma interpretação literal de João 3:5, os apóstolos e discípulos próximos de Jesus estariam fora, pois só conheceram o batismo joanino, a não ser que alguém queira propor uma "teologia da marretada" fazendo com que o batismo de João se transformasse, num passe de mágica, em batismo cristão.

Se eu fosse um sujeito desonesto, sem nenhum respeito pela Bíblia e sem nenhum temor a Deus, eu afirmaria que os apóstolos e discípulos próximos a Jesus foram batizados depois de mortos. Isto até combinaria, de maneira bem mórbida, com o que Paulo diz em 1ª Coríntios 15:29, ironizando os que se batizam pelos mortos. Ele poderia estar contando vantagem por ter sido o único apóstolo batizado de acordo com o ritual cristão.



7) Uma objeção que pode ser levantada, embora muito fraca, devo admitir, é a de que o batismo de João valeria pelo batismo cristão, ou que o batismo de João teria algum poder mágico que validaria a salvação de alguém que não tivesse se submetido ao batismo cristão. É correta esta afirmação?

R: Certamente que não. Equivaleria a dizer que Deus deu um "jeitinho" de salvar aqueles que morreram apenas com o batismo de João, o que não deixaria de ser uma injustiça também com todos aqueles que morreram na época do Velho Testamento, onde, do começo ao final, não há uma referência, uma sequer, a algum tipo de batismo ritual de iniciação. Logo, se o batismo na água é essencial para a salvação, todos os que tivessem morrido antes do batismo cristão ser instituído, estariam perdidos e, absurdo dos absurdos, Jesus teria deixado também a ordenança dos cristão se batizarem em nome deles.


8) O uso da palavra "água" por Jesus em outras conversas narradas por João autoriza que se interprete literalmente como sendo H2O ?

R: Não. Em João 4, quando Jesus pede água para beber a uma mulher samaritana, Ele lhe diz que "aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna" (João 4:14). No final da Festa dos Tabernáculos, Jesus se levanta em meio à multidão e diz: "quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva" (João 7:37). Obviamente, em nenhuma dessas passagens, Jesus está se referindo literalmente à água. Nesta última, no versículo seguinte, João explica: " Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado". É uma interpretação espiritual, portanto, autenticada pelo próprio autor do Evangelho, que mostra que o Espírito Santo ainda não havia sido dado, e o mesmo se pode dizer do batismo cristão, que ainda não havia sido instituído.


9) Dizer que o batismo na água é essencial para a salvação não significa anular a fé e pregar a salvação pelas obras?

R: Sim. A Bíblia é clara no sentido de que somos justificados pela fé (Romanos 5:1) e que a salvação de Deus é pela graça, não vindo das obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9). Admitir que exista, na Bíblia, algum tipo de batismo pelos mortos já é um absurdo. Agora, mesmo que existisse esta aberração, dizer que ela é obrigatória para a salvação vai contra a Bíblia, que diz claramente que o que salva é a fé e não as obras. Como diz o escritor de Hebreus:

Heb 6:1 Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, NÃO lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,
Heb 6:2 e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno.

No que conclui no capítulo 9, de novo falando da "consciência":

Heb 9:13 Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne,
Heb 9:14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?

E "consciência" é um termo que Pedro relaciona ao batismo no texto que, segundo os mórmons, supostamente autorizaria a pregação do evangelho aos mortos:
1Pe 3:19 No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
1Pe 3:20 Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água;
1Pe 3:21 Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;
Logo, na analogia que Pedro faz da salvação das águas pela arca de Noé, ele também se refere ao batismo na água, que nos salva, não pelo simples lavar da sujeira do corpo, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus. Assim, fica claríssimo que o que nos salva não é o ritual em si, envolva ele água por aspersão ou imersão, mas a consciência do crente que, de fato, crê em Cristo e está justificado para a salvação no Seu sangue.

10) Eliminado o sentido literal da palavra "água" em João 3:5, como podemos entendê-la simbolicamente?

R: "Água", nas palavras de Jesus narradas em João, como vimos na questão 8, pode ter vários sentidos simbólicos, mas neste texto específico de João 3:5, ligado à purificação, à regeneração e ao novo nascimento, podemos entendê-la como significando a Palavra de Deus, conforme Pedro, por exemplo, se refere:

1Pe 1:22 Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros,
1Pe 1:23 tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.

Tiago também diz que somos gerados (e, portanto, regenerados) pela "palavra da verdade" (Tiago 1:18), e Jesus deixa claro em João que a Palavra de Deus é a verdade (João 17:17) e que Ele nos havia limpado pela Palavra que proferiu (João 15:3). É a Palavra que purifica o caminho do crente (Salmo 119:9). Por fim, Paulo, no texto em que compara o amor do marido pela mulher ao amor de Cristo pela igreja, relaciona claramente a purificação pela água com a Palavra:

Efésios 5:25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
Efésios 5:26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,
Efésios 5:27 para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.



Além disso, diante da surpresa de Nicodemos, Jesus apela para a sua condição de mestre da Lei (da Palavra): "Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?" (João 3:10).

Logo, me parece claro que o significado simbólico para "água" em João 3:5 é a Palavra de Deus, não havendo por que entender literalmente o significado do "nascer da água" como sendo a obrigatoriedade e imprescindibilidade do batismo para a salvação.



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