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domingo, 27 de setembro de 2015

NASA preocupada com a superlua desta noite


A matéria é da BBC Brasil:

Por que eclipses como o deste domingo preocupam a Nasa

Ao longo da noite deste domingo e da madrugada de segunda-feira, grande parte do mundo, incluindo o continente americano, terá a oportunidade de desfrutar do espetáculo raro de um eclipse total da Lua junto e do evento da superlua.

O eclipse total deve deixar a Lua completamente nas sombras, pois a Terra fica entre ela e o Sol. Já a superlua acontece quando a Lua cheia ou nova se encontra em seu ponto mais próximo da Terra.

Para os entusiastas de astronomia esses eventos serão belos. Mas, para a agência espacial americana, a Nasa, será motivo de preocupação.

Os cientistas temem que a falta de luz solar devido ao eclipse deixe sem energia uma de suas naves mais importantes, a Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), cuja missão é explorar e monitorar o satélite natural da Terra.

"Duas coisas acontecem durante um eclipse: fica muito frio e não há luz para carregar as baterias (da nave). Com o eclipse, a nave vai ficar sem luz direta do Sol por cerca de três horas", disse à BBC o cientista da Nasa Noah Petro.

Apesar do temor da Nasa, a agência espacial americana já passou, com êxito, por outros três eclipses lunares nos últimos 17 meses.

"Sempre é estressante quando o eclipse está se aproximando, mas seguimos os mesmos procedimentos e não tivemos nenhum problema", afirmou Dawn Myers, do centro de voos espaciais Goddard, que faz parte da Nasa.

Lua vermelha

O eclipse total deve durar mais de uma hora. A Lua também ficará com uma cor avermelhada pois sua superfície estará iluminada por raios tênues que refletem da atmosfera terrestre.

O que gera a preocupação na Nasa é que tecnologias semelhantes às da LRO enfrentaram dificuldades durante eclipses passados. No entanto, a LRO foi projetada especificamente com esses problemas em mente.

"Normalmente a LRO recarrega as baterias com a luz do sol, então quando temos um eclipse, ficamos muito cautelosos em relação à nave", disse Noah Petro.

Mas o cientista lembra que a Nasa tem experiência em eventos como este e, desta vez, vai tomar algumas precauções.

"Vamos preaquecer a nave e desligar todos os instrumentos, exceto um para manter a nave segura", afirmou. "Como no celular, toda vez que recebo o alerta de que tenho 20% (de bateria restante), posso desligar o wi-fi ou certos aplicativos (para economizar energia)."

"Prevemos que tudo ocorrerá normalmente. Estaremos preparados e prontos para enfrentar (o eclipse). Vamos observar os níveis das baterias e estamos prontos para agir se algo não sair conforme o previsto. Vamos garantir que (a nave) saia do eclipse em boa forma", disse.

O próximo eclipse lunar total deve ocorrer em 2018 e um eclipse lunar e superlua simultâneos só devem ocorrer em 2033.

E, apesar de o fenômeno ser chamado de superlua, não será vista uma diferença tão extraordinária.

"Não é como a diferença entre um homem comum e o Super-Homem. É uma Lua ligeiramente maior, em vez de superlua", disse Alan MacRobert, um dos editores da revista especializada em astronomia Sky and Telescope.

De concreto, será vista uma Lua 14% maior e cerca de 30% mais brilhante do que a Lua cheia normal.



domingo, 21 de junho de 2015

Somos todos poeira das estrelas?


Há mais semelhanças entre o discurso científico e o religioso do que a nossa vã filosofia consegue alcançar, a julgar pela matéria publicada na revista Galileu em 10/07/2014.

Talvez tudo se resuma a uma questão de semântica:

7 fatos que provam que você e o cosmos estão intimamente conectados

A ciência mostra que somos, mesmo, poeira de estrelas

por André Jorge de Oliveira

O que antes pertencia ao domínio da religião e do mito está, cada vez mais, tornando-se consenso na ciência: todas as coisas do Universo estão profundamente relacionadas umas com as outras.

Acredite: conforme os cientistas vão escavando os mistérios da realidade, fica cada vez mais evidente que parece haver uma profunda interdependência entre as coisas. Esta convicção, que já foi muitas vezes trazida à tona pela intuição humana, tem ganhado cada vez mais espaço na comunidade científica.

Existem certos fatos, já familiares à ciência, que podem dar origem a uma espécie de espiritualidade, similar àquela proporcionada pela religião. São descobertas grandiosas que nos recordam que fazemos parte de um grande todo, do qual somos inseparáveis. Elas reforçam a ideia de que a velha distinção homem versus natureza não faz sentido algum.

Separamos sete destes fatos, que têm grande impacto filosófico e podem te fazer olhar de outra forma para a realidade ao seu redor. Confira:

1 – Somos todos poeira das estrelas

A frase, tornada famosa pelo astrônomo Carl Sagan, significa basicamente que todos os elementos que formam os seres humanos, os vegetais, as rochas e tudo o mais que existe no planeta foram formados há bilhões de anos, durante a explosão de estrelas a anos luz de distância daqui. É isso mesmo: elementos pesados como o ferro que corre no nosso sangue, ou o ouro que compõe as nossas jóias, só podem ser sintetizados na natureza em condições extremas de temperatura e pressão – ou seja, quando uma estrela morre e explode violentamente, virando uma supernova. O material formado, então, se espalha pelo espaço interestelar, podendo dar origem a novas estrelas e planetas.

2 – Os átomos do seu corpo já pertenceram a outros seres vivos

A Terra é praticamente um sistema fechado – a matéria que existe aqui não escapa naturalmente para o espaço sideral. Logo, podemos concluir que todos os átomos existentes no planeta estiveram aqui desde o início, e circularam ao longo das eras por incontáveis ciclos químicos e biológicos. Isto quer dizer que os elementos que hoje compõem nossos corpos podem, perfeitamente, ter feito parte de um tiranossauro rex no passado, ou de uma árvore, uma pedra, ou até mesmo de outros seres humanos.

3 – Toda a vida na Terra tem um grau de parentesco

Quando olhamos para a exuberante biosfera que existe em nosso planeta, é difícil acreditar que, nos primórdios da vida, o único ser se resumia a um organismo unicelular. Ao longo de bilhões de anos de evolução, as espécies foram se diferenciando e se adaptando a diferentes ambientes. Mas, por mais distintas que pareçam, todas têm um grau de parentesco umas com as outras, sem exceção. Todas tiveram um ancestral comum em algum momento.

4 – Quimicamente, animais e plantas se complementam

As árvores são nossas "primas", e podem ser compreendidas como complexas fábricas naturais que sintetizam o gás carbônico, eliminando o oxigênio. No nosso caso, o processo é reverso – nós respiramos o oxigênio e expelimos gás carbônico. Podemos dizer então que os vegetais e os animais são, evolutivamente falando, perfeitos uns para os outros, e mantém uma relação de interdependência.

5 – Seu corpo é perfeitamente adaptado para viver na Terra

Não apenas o corpo humano, mas todos os seres vivos do planeta, são minuciosamente moldados para sobreviver no ambiente terráqueo. Se vivêssemos em um lugar com maior gravidade, por exemplo, nossos músculos e estrutura óssea teriam de ser bem mais resistentes para aguentar a pressão. O implacável processo de seleção natural se encarrega de escolher as espécies mais aptas à sobrevivência. De certa forma, toda a vida que conhecemos tem a cara da Terra, porque é perfeita para ela.

6 – No nível quântico, não existem objetos sólidos

Quando tocamos em qualquer objeto, sentimos claramente que se trata de algo sólido, palpável. No entanto, a sensação não passa de um engano de nossos sentidos: são apenas as nuvens de elétrons dos átomos de nossa pele interagindo com as nuvens eletrônicas do objeto. O que se pode chamar de sólido é o núcleo dos átomos, mas eles jamais se tocam. Os átomos são compostos quase que inteiramente de vazio.

7 – Partículas subatômicas podem estar conectadas mesmo a milhões de anos luz uma da outra

Não importa que uma das partículas esteja na Via Láctea e a outra na vizinha Andrômeda – se houver entre elas o chamado entrelaçamento quântico, uma é parte indissociável da outra. Elas se influenciam instantaneamente, superando até mesmo a velocidade da luz. Isto é possível pois o princípio sugere que a matéria universal esteja interligada por uma rede de “forças”, sobre a qual pouco conhecemos, que transcende até mesmo nossa concepção de tempo e espaço.



terça-feira, 5 de maio de 2015

Estranhas explosões de rádio vêm do espaço sideral. Seriam aliens?

A matéria abaixo, publicada no Brasil Post, lembra a hipótese levantada pelo ótimo filme "Contato" (1997), baseado no livro homônimo de Carl Sagan, dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Jodie Foster e Matthew McConaughey :

ETs estão por trás das misteriosas explosões de rádio? Cientistas opinam

Macrina Cooper-White

O que são essas coisas?

Nos últimos oito anos os astrônomos têm tentando entender o que são os sinais estranhos de rádio que vêm de algum lugar do cosmos. E o mistério agora se aprofunda.

Um novo estudo mostra que tais "explosões rápidas de rádio" (como são conhecidas) seguem um padrão estranhamente específico - uma descoberta que os pesquisadores por trás do estudo dizem ser “muito difícil de explicar”.

“Há algo realmente interessante que precisamos entender”, disse o coautor do estudo Michael Hippke, cientista do Instituto de Análise de Dados de Neukirchen-Vluyn, Alemanha, à Revista New Scientist.

"Esta seria uma nova física, como um novo tipo de pulsar, ou, por fim, se pudermos excluir todas as outras possibilidades, um extraterrestre."

Contato extraterrestre, sério? Isso pode soar bem estranho, mas um renomado cientista dedicado à busca por inteligência extraterrestre (SETI, em inglês) diz que não devemos descartar essa possibilidade.

“Estas explosões rápidas de rádio poderiam ser um ‘aviso’ de que outras civilizações estão buscando um sinal de vida inteligente que também esteja equipado com tecnologia de rádio”, disse ao The Huffington Post o Dr. Seth Shostak, astrônomo sênior e diretor do

Centro de Pesquisas SETI, que não estava envolvido no estudo. “Por outro lado, isso poderia ser também um fenômeno astrofísico perfeitamente natural”.

Para a pesquisa, descrita no dia 30 de março em um post do banco de dados online arXiv, Hippke e seus colegas analisaram 11 explosões detectadas desde 2007, a última foi captada no radiotelescópio Parkes (acima), em maio de 2014.

Os cientistas analisaram um recurso específico chamado de “medida de dispersão” - que representa o diferencial do tempo entre a detecção de frequências altas de uma explosão e suas frequências baixas. (As frequências baixas trafegam mais lentamente através da poeira espacial, e, assim, levam mais tempo do que as frequências altas para chegarem na Terra.) Surpreendentemente, eles descobriram que a medida de dispersão de cada pulso era sempre um múltiplo do número 187,5.

Provavelmente, tal espaço uniforme "não é produzido por uma explosão de supernova", disse Hippke ao HuffPost Science em um e-mail.

“Todas as frequências deixam a nova ao mesmo tempo e a MD [medida de dispersão] é criada pela passagem de poeira. À medida que a quantidade de pó varia, a MD poderia parecer aleatória”.

Hippke disse que os pulsos provavelmente são gerados por uma fonte, ainda não identificada aqui na Terra, que emite ondas de rádio de curta frequência seguidas por outras de alta frequência - talvez algo tão simples como uma base de estação de telefonia celular.

Se isso não for uma explicação viável, é possível que elas venham de um novo e desconhecido tipo de objeto cósmico do espaço profundo.

Ou os aliens.

Seja lá o que forem esses sinais, fiquem atentos!



sexta-feira, 27 de março de 2015

Asteroide "tira casca" da Terra hoje


A informação é do UOL Ciência:

Grande asteroide irá passar próximo da Terra na sexta-feira (27)

Um asteroide, com a área de uma das faces de um quilômetro quadrado, está a caminho da Terra nesta semana. Ele deve atingir o ponto mais próximo do planeta na sexta-feira (27), segundo a agência espacial norte-americana (Nasa).

O asteroide 2014-YB35 viaja numa velocidade de 37 mil quilômetros por hora e deve passar "raspando" a 4,4 milhões de quilômetros, algo como 11,7 vezes a distância da Terra à Lua. Não há previsão de danos nem impactos.

O 2014-YB35 foi descoberto em dezembro do ano passado e deve voltar próximo à Terra em 2033, a uma distância de 3,3 milhões de quilômetros. Ele é considerado um asteroide de potencial destrutivo (PHA). Segundo a Nasa, existem no espaço cerca de 1.500 asteroides nessas condições.



sábado, 21 de março de 2015

Existem bilhões de planetas como o nosso por aí


Artigo interessante publicado no blog Mensageiro Sideral:

Bilhões de planetas na zona habitável

SALVADOR NOGUEIRA

Para cada estrela no Universo, deve haver entre um e três planetas em sua zona habitável — a região nem muito quente, nem muito fria, que permite a presença de água em estado líquido na superfície. É basicamente a condição essencial para a existência de vida. Apenas na Via Láctea, a nossa galáxia, são cerca de 200 bilhões de estrelas. Faça as contas e pare para pensar no que isso significa, só por um instante.

Pensou? Agora vamos em frente. A estimativa extraordinária acaba de ser apresentada por um trio de astrônomos na Austrália e na Dinamarca, aliando alta tecnologia do século 21 — dados do satélite Kepler — a ciência do século 18.

É isso mesmo que você leu. Ciência do século 18. Faz algum tempo que os astrônomos Charley Lineweaver e Timothy Bovaird, da Universidade Nacional Australiana, andam brincando com um conceito conhecido como a relação de Titius-Bode. Ela foi descoberta em 1766 por Johann Titius e popularizada por Johann Bode em 1772, numa época em que apenas um sistema planetário era conhecido: o nosso. A dupla notou que as órbitas dos planetas pareciam obedecer a uma regra matemática simples.


Olhe para esta sequência de números:

0, 3, 6, 12, 24, 48, 96, 192, 384…

À exceção dos dois primeiros, todos os outros são o dobro do anterior. Baba. Agora, mais uma operação matemática simples. Some 4 a todos eles. Terminamos com:

4, 7, 10, 16, 28, 52, 100, 196, 388…

Agora divida tudo por dez. E eu juro que esta é a última conta que você vai precisar fazer aqui hoje. Pois agora, como num truque de mágica, você pode usar esta sequência para prever as distâncias médias que cada um dos planetas do nosso Sistema Solar guarda do Sol, em unidades astronômicas (UA). Uma unidade astronômica é, por definição, a distância média da Terra ao Sol, cerca de 150 milhões de km. Mas veja como (quase) tudo se encaixa.


PlanetaDistância T-B (UA)Distância real (UA)
Mercúrio0,40,39
Vênus0,70,72
Terra1,01,00
Marte1,61,52
Ceres (cinturão de asteroides)2,82,77
Júpiter5,25,20
Saturno10,09,54
Urano19,619,20
Netuno38,830,06


Note que, quando Titius e Bode primeiro revelaram essa estranha coincidência, a posição entre Marte e Júpiter estava vazia, e o último planeta conhecido era Saturno. Não só Urano, descoberto em 1781, seguia bem de perto a tal regra, como o astrônomo Giuseppe Piazzi encontraria, em 1801, o planeta anão Ceres (feito famoso recentemente pela espaçonave Dawn) bem onde a singela relação matemática sugeriria a possível presença de alguma coisa.

Acabou que eram algumas coisas — havia um cinturão de asteroides inteiro naquele espaço, o que roubou parte da magia da previsão. E Netuno, o oitavo planeta, descoberto em 1846, também não seguia de perto a regra, o que acabou levando os astrônomos a tratá-la como nada mais que uma grande, enorme, imensa coincidência.

SÓ QUE NÃO

Lineweaver e Bovaird parecem determinados a reabilitar a velha relação, usando para isso os planetas fora do Sistema Solar. Em 2013, o Mensageiro Sideral descreveu um trabalho da dupla que demonstrava que uma versão genérica da regra de Titius-Bode (em que os parâmetros iniciais e de multiplicação variam) parecia se encaixar incrivelmente às arquiteturas dos sistemas multiplanetários descobertos até então.

À moda dos astrônomos do século 18, os australianos então usaram os espaços “vazios” indicados pela regrinha para “prever” a existência de 141 exoplanetas ainda não descobertos em sistemas previamente estudados.

Em seguida, outros astrônomos foram procurá-los, fuçando nos dados públicos do satélite Kepler, o caçador de planetas da Nasa. De 97 planetas previstos pela dupla da Austrália, Chelsea Huang e Gáspár Bakos, da Universidade de Princeton, puderam encontrar apenas cinco. E um sexto que parecia estar ligeiramente no lugar errado, a julgar pela previsão. Na opinião deles, uma confirmação de só cinco planetas, em meio a 97, é muito pouco para redimir a relação de Titius-Bode. “A taxa de detecção está aquém do limite inferior do número esperado, o que indica que o poder de previsão da relação de Titius-Bode é questionável”, escreveram.

Ainda assim, o fato de que cinco planetas candidatos foram descobertos desse modo e estavam todos onde a regrinha sugeria que deveriam estar ainda deixa uma ponta de dúvida (sobretudo porque o sexto, que não obedeceu à relação, se mostrou bem esquisito). Por isso, Lineweaver e Bovaird voltaram à carga, aliados a Steffen Jacobsen, da Universidade de Copenhague.

VIÉS DE SELEÇÃO 

O novo estudo leva em conta uma amostra ainda maior de sistemas multiplanetários descobertos, mas que parecem “incompletos”, a julgar pela relação de Titius-Bode. E analisa os achados de Huang e Bakos sob a perspectiva de qual deveria ser a taxa de sucesso esperada, chegando à conclusão de que era mais ou menos isso mesmo: 5% das previsões. Afinal, há várias limitações de tamanho dos planetas e de alinhamento dos sistemas que impedem a detecção da maior parte dos planetas “perdidos”.

“Eu considero a detecção de 5% uma evidência de apoio interessante para nossas previsões, porque é isso mesmo que se deveria esperar”, disse Lineweaver ao Mensageiro Sideral. “Também é importante considerar o fato de que todos os outros pesquisadores que estão analisando os sistemas multiplanetários do Kepler sem usar nossas previsões só conseguiram achar dois novos exoplanetas, e esses dois também são consistentes com nossas previsões.”

Na nova lista, os astrônomos foram mais cautelosos, limitando-se a sistemas cuja inclinação favoreça mais a detecção dos planetas “previstos”. No total, eles apresentam 228 mundos “perdidos” em torno de 151 estrelas e fazem uma afirmação ousada, ao prever a taxa desses planetas que deve ser encontrada numa análise mais cuidadosa dos dados brutos do Kepler: 15%.

120 BILHÕES DE TERRAS?

O que nos leva de volta ao começo da história. Se Lineweaver e seus colegas estiverem certos, e a relação de Titius-Bode for mesmo uma boa pista de como se configuram as arquiteturas dos sistemas planetários, juntando as descobertas já confirmadas do Kepler às previsões, cada estrela deve ter em média entre um e três planetas na zona habitável de sua estrela. E logo saberemos se isso está mesmo certo, porque os astrônomos australianos já estão mais uma vez fuçando os dados do satélite em busca das confirmações — e elas devem ser representativas do estado geral dos planetas em toda parte.

“Nosso resultado de um a três planetas é baseado somente nos sistemas descobertos pelo Kepler. Contudo, baseando-nos nas formas mais plausíveis de corrigir os efeitos de seleção do satélite, a evidência favorece fortemente a ideia de que todas as estrelas têm sistemas planetários e que esses sistemas são provavelmente quase todos multiplanetários. Fingir que tudo que o Kepler é capaz de ver é tudo que existe é irrealista.”

O argumento de Lineweaver faz todo sentido. Para detectar planetas, o sistema precisa estar de tal modo alinhado que esses mundos passem periodicamente à frente de suas estrelas com relação ao satélite. Como esses alinhamentos se distribuem aleatoriamente, sabemos que o Kepler só é capaz de, na melhor das hipóteses, detectar 5% dos sistemas existentes numa dada região do céu, e mesmo assim só a poucos milhares de anos-luz de distância. Ou seja, tudo de fascinante que foi descoberto pelo satélite até agora representa 5% do que existe naquela pequena região do céu, e só nas vizinhanças mais próximas do Sistema Solar.

Importante ressaltar que a relação de Titius-Bode não diz nada sobre o tamanho dos objetos que ocupam as faixas indicadas. O que significa dizer que nem todos os planetas presentes na zona habitável de suas estrelas serão rochosos, como a Terra. Em seu novo artigo, publicado no periódico “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”, Lineweaver e seus colegas estimam que um terço desses mundos sejam de fato rochosos (com no máximo 1,5 diâmetro terrestre). Ainda assim, quando você multiplica 2 (média de planetas por sistema) por 0,3 (percentual de planetas rochosos) por 200 bilhões (estimativa do número de estrelas na Via Láctea), terminamos com nada menos que 120 bilhões de mundos similares em composição à Terra e posicionados numa região do sistema planetário compatível com a presença de água líquido — requisito essencial para a vida.

É um pensamento tão assustador quanto encantador. Como não perder algum tempo refletindo sobre esses números e imaginando a incrível variedade de sistemas existentes lá fora? A cada momento descobrimos algo incrível sobre os diversos mundos que orbitam o nosso Sol, aqui no quintal de casa. Imagine isso multiplicado por centenas de bilhões, só para a nossa Via Láctea. E então imagine centenas de bilhões de galáxias como a nossa. Este é o Universo em que vivemos. Não dá para não se apaixonar. E tenho certeza de que Titius e Bode teriam ficado encantados com tudo isso, estivessem aqui conosco.



terça-feira, 3 de março de 2015

Como as religiões terrestres reagiriam a alienígenas?


É esta a pergunta que procura responder matéria publicada no HypeScience:

O fim da sua religião e a descoberta de vida alienígena

Apesar de muitas teorias absolutamente convincentes para explicar o Paradoxo de Fermi e o grande silêncio que vivenciamos até agora com relação à vida extraterrestre, alguns, como David A. Weintraub, da Universidade de Vanderbilt (em Tennessee, nos Estados Unidos), acreditam que a prova de que a vida existe fora da Terra está finalmente chegando.

E aí vem aquela pergunta que não quer calar: como a humanidade vai reagir depois que os astrônomos nos mostrarem evidências científicas e sólidas para a existência de vida extraterrestre?

Quando os cientistas anunciarem essa descoberta, só temos uma certeza: tudo vai mudar. E nossas filosofias e religiões terão que incorporar essas novas informações.

A busca por sinais de vida lá fora

Os astrônomos já identificaram milhares de planetas que orbitam em torno de outras estrelas. No ritmo atual de descobertas, a expectativa é que outros milhões de planetas sejam encontrados ainda neste século.

Já tendo encontrado os planetas físicos, os astrônomos estão agora à procura de nossos vizinhos biológicos. Isso significa que ao longo dos próximos 50 anos, eles irão começar o tentador estudo detalhado de milhões de planetas à procura de evidências da presença de vida na superfície, no subterrâneo ou nas atmosferas desses planetas.

E é muito provável que encontrem o que estão procurando.

Lá nos Estados Unidos foi feito um levantamento e mais de um terço dos entrevistados disseram acreditar que os extraterrestres já visitaram a Terra, sem a gente saber. Tipo de visita que vem sem ser convidada e sai sem dar tchau. Acreditamos que essa proporção não fuja muito disso a nível mundial. Mas, apesar desse “achismo” de senso comum, a primeira evidência de vida além de nosso planeta provavelmente não contará com sinais de rádio, ou com homenzinhos verdes chegando pelo céu com discos voadores metálicos.

Em vez disso, um Galileu do século 21, usando um enorme telescópio de 50 metros de diâmetro, vai coletar a luz das atmosferas de planetas distantes, procurando as assinaturas de moléculas biologicamente significativas. Algo que não tem exatamente um grande potencial para virar filme de Hollywood.

O que os astrônomos fazem é filtrar a luz de longe através de espectrômetros, que são prismas de alta tecnologia que provocam a luz distante em seus muitos comprimentos de onda distintos. Eles fazem isso à procura por impressões digitais reveladoras de moléculas que não existiriam em abundância nesses ambientes, na ausência de coisas vivas. Os dados espectroscópicos, então, dirão se o ambiente de um planeta foi alterado de forma que apontam para processos biológicos.

Qual é o nosso lugar no universo? Se não estamos sozinhos, quem somos nós?

Com a descoberta de um planeta distante no espectro de luz, com uma substância química que só poderia ser produzida por seres vivos, a humanidade vai ter a oportunidade de ler uma página nova no livro do conhecimento. Nós não ficaremos mais especulando sobre se outros seres existem no universo. Nós saberemos de uma vez por todas que não estamos sozinhos.

Dá um frio na barriga só de pensar.

Afinal, uma resposta afirmativa à pergunta “a vida existe em nenhum outro lugar no universo além da Terra?” levantaria questões imediatas e profundamente importantes, tanto para as ciências quanto para a filosofia e teologia, sobre o nosso lugar no universo. Se os seres extraterrestres realmente existirem, isso significará que a minha religião, minhas crenças e práticas religiosas não podem mesmo ser universais.

Se a minha religião não é universalmente aplicável a todos os outros extraterrestres, talvez ela não precise ser oferecida, nem muito menos forçada, a todos os outros terrestres. Em última análise, podemos aprender algumas lições importantes aplicáveis aqui em casa, só pelo fato de considerar a possibilidade de vida fora do nosso planeta.

David Weintraub investigou os escritos sagrados das religiões mais amplamente praticadas do mundo, perguntando o que cada religião tem a dizer sobre a exclusividade ou não singularidade da vida na Terra, e como, ou se, uma religião em particular iria funcionar em outros planetas em partes distantes do universo. É o tipo de pergunta que faz o cérebro de qualquer um ferver!

Os extraterrestres poderiam ser cristãos?

Vamos examinar uma questão teológica aparentemente simples, mas extremamente complexa: os extraterrestres poderiam ser cristãos? Se Jesus morreu para redimir a humanidade do estado de pecadores no qual os humanos nascem, a morte e a ressurreição de Jesus, na Terra, também iria salvar seres extraterrestres de todos os seus pecados?

Se for assim, por que os extraterrestres seriam pecadores? O pecado é item de série no próprio tecido de espaço e tempo do universo? Ou a vida pode existir em partes do universo sem estar em um estado de pecado e, portanto, sem a necessidade de redenção e, portanto, sem a necessidade do cristianismo? Muitas soluções diferentes para estes enigmas que envolvem a teologia cristã foram apresentadas na pesquisa de Weintraub. Mas a verdade é que nenhuma delas satisfaz a todos os cristãos do mundo.

O mundos dos Mórmons

A Escritura Mórmon ensina claramente que existem outros mundos habitados e que “os seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus” (Doutrinas e Convênios 76:24). A Terra, porém, é um mundo favorecido no mormonismo, porque Jesus, como entendido pelos mórmons, viveu e foi ressuscitado só na Terra.

Além disso, diz também que os mórmons só podem alcançar seus próprios objetivos espirituais durante as suas vidas na Terra, e não em vidas em outros mundos. Assim, para os mórmons, a Terra pode até não ser o centro físico do universo, mas é o lugar mais favorecido dele. Tal visão implica que todos os outros mundos são, de alguma forma, mundos menores do que a Terra.

Há anos-luz de Meca

Os pilares da fé para os muçulmanos exigem que os fiéis rezem cinco vezes por dia, virados para a direção de Meca. Como determinar a direção certa de Meca pode ser extremamente difícil em um planeta que fica há milhões de anos-luz da Terra, praticar a mesma fé em um outro mundo pode não fazer nenhum sentido.

No entanto, as palavras do Alcorão nos dizem que “quaisquer que sejam os seres, nos céus e na terra, devem adorar a Allah” (13:15). Mas poderiam os muçulmanos terrestres aceitar que a religião profeticamente revelada de Muhammad é destinada apenas para os seres humanos na Terra e que outros mundos têm os seus próprios profetas?

Astrônomos são destruidores de paradigmas

Em certos momentos ao longo da história, as descobertas dos astrônomos têm exercido uma enorme influência sobre a cultura humana. Os gregos antigos astrônomos, por exemplo, desachataram a Terra – embora muitos deles resolveram esquecer esse conhecimento.

Da escola da Renascença, os estudiosos Copérnico e Galileu colocaram a Terra em movimento em torno do sol e tiraram os seres humanos do centro do universo.

No século 20, Edwin Hubble eliminou a própria ideia de que o universo tem qualquer coisa que se pareça com um centro. Ele demonstrou que o universo tem um começo no tempo e que, curiosamente, tem um tecido tridimensional, em constante expansão.

Claramente, quando os astrônomos chegam com novas ideias ousadas para o mundo, eles não brincam em serviço. Outra nova ideia tão demolidora de paradigma pode estar na luz que chega a nossos telescópios agora.

Não importa quão religioso ou não você seja. Em um futuro muito próximo, todos estaremos nos fazendo perguntas como “o meu Deus é o Deus de todo o universo? Minha religião é terrestre ou universal?”.

Muitas pessoas terão que trabalhar para conciliar a descoberta de vida extraterrestre com suas respectivas religiões, adaptando-se a essa notícia que promete ser bombástica.



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O cântico do cometa


O pouso do módulo-robô Philae no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko esta semana, promovido pela Missão Internacional da sonda Rosetta, foi uma das maiores conquistas da astronomia, e revelou também um som que não podia ser percebido pelo ouvido humano, mas - aumentando seu volume em 10.000 vezes - terminou mostrando uma espécie de "música". Confira:



Imagina-se que a origem deste som se deva a oscilações eletromagnéticas que envolvem o cometa, mas o resultado é muito bonito e lembra, de certa forma, um conhecido vídeo de Louie Giglio, em que ele fala sobre a música das estrelas num universo em adoração:



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Asteroide com pirâmide negra se aproxima da Terra

Gente, a Copa já se foi e - depois de um mês de fortes emoções e da hecatombe brasileira - podemos voltar a fornecer material de sobra para os nossos queridos (e sempre atentos) "profetas do apocalipse" de plantão.

O fim do mundo da vez é um asteroide que se aproxima da Terra e - pasmem! - teria estranha formação piramidal de cor negra incrustada nele. 

Periga descer da "Estrela da Morte" uma espécie de faraó Darth Vader. Tremei, terráqueos!

Mas nem tanto, porque o corpo celeste em questão só chegará às nossas redondezas dentro de 170 anos, quando nenhum de nós estará mais por aqui.

Se é que vai chegar...

É que, apesar das imagens, já há muita gente dizendo que tudo não passa de mais um hoax, ou seja, um desses boatos infundados que rotineiramente são disseminados na internet. O e-farsas já fez uma refutação (clique aqui para lê-la).

Cá entre nós, é muito provável que esse meteoro do Darth Vader seja mesmo mais um hoax bem humorado, mas a premissa até que é divertida e pelo menos a gente pode brincar um pouco com ela, não é mesmo?

Como nenhum de nós estará por aqui para conferir a veracidade da informação (a não ser que Darth Vader engate uma dobra tipo Star Trek na sua Death Star), a gente divulga.

Enquanto isso, delirem à vontade com essa notícia da Voz da Rússia, com vídeo mais abaixo:

Asteroide com pirâmide negra 
vem chegando rumo à Terra

O satélite canadense Neossat captou imagens de um asteroide incomum que está se aproximando à Terra. O descomunal é uma estrutura jamais vista em outros asteroides, uma pirâmide negra sobre a sua superfície.

Segundo o International Business Times, que alega a Organização de Estudos Espaciais da Índia (ISRO, na sigla inglesa), que analisou as imagens do satélite canadense, o asteroide 1999 RQ36 leva sobre sua superfície uma pirâmide. Porém, a própria ISRO não comentou nada sobre o assunto, e no seu site nada consta do “asteroide dos extraterrestres”. Contudo, o vídeo de 1 minuto e 34 segundos publicado no YouTube e que vocês podem assistir em baixo da página, leva a sigla da ISRO.

A construção atraiu o interesse dos ufólogos, que não descartam a opção de que o asteroide esteja guiado por extraterrestres, devido a correções repetidas do seu rumo espacial.

Segundo a mídia, a pirâmide no corpo celeste foi descoberta pela ISRO em 29 de junho. O próprio asteroide é conhecido desde 1999. Várias fontes comentam que dentro de 170 anos aproximadamente, o 1999 RQ36 estará se aproximando ao nosso planeta.




terça-feira, 22 de abril de 2014

Pat Robertson prevê fim do mundo para a próxima semana

Sim, ele está de volta: Pat Robertson! E desta vez para prever o fim do mundo para a semana que vem, mais especificamente dia 27 de abril de 2014.

É que justamente neste dia o asteroide 2014 HW passará "triscando" nosso querido planeta azul, a uma distância de 806 mil km da Terra, o que - em termos astronômicos - é uma lasquinha de nada (ou de tudo, dependendo do ponto de vista, é claro)

Alertando que já havia escrito em 1995 o livro "The End of the Age" ("O Fim da Era") sobre o tema, Pat Robertson disse em seu programa The Club 700 desta semana, que a profecia de Apocalipse 8:8, "O segundo anjo tocou a sua trombeta, e foi lançado no mar como que um grande monte ardendo em fogo", se refere a um asteroide em rota de colisão com a Terra, e a hora chegou.

Logo, se o mundo acabar na semana que vem, foi porque Pat Robertson avisou 19 anos atrás, não se esqueça disso, se tiver tempo...

Como não é bobo, nem nada, Robertson deixou a porta aberta para uma desculpa, caso o asteroide siga seu rumo junto ao infinito e nos deixe aqui são e salvos, ainda que com o coração na mão, dizendo: "Pode ser na próxima semana, ou pode ser daqui a mil anos, mas de qualquer maneira nós queremos estar prontos para qualquer que seja o tempo em que o Senhor diga 'estou embrulhando tudo', será a hora de voltar para casa".

Quem viver, verá!

Eis o vídeo da declaração de Pat Robertson:




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Hoje começa o fenômeno astronômico que - dizem - marca o início do fim do mundo


Esta noite erga seus olhos para o céu, onde não estiver nublado, e veja a Terra, o Sol e Marte alinhados, conjunção astronômica que antecipa o fenômeno conhecido como "lua de sangue" que poderá ser observado na semana que vem.

Até aí, não há nada, digamos, "anormal", embora o fenômeno seja raro. O estranho é que teremos este ano mais três "luas de sangue" (além daquela da semana que vem) em seguida, até o dia 28 de setembro, o que faz delirar os profetas do fim do mundo.

Quem viver, verá! Será? A matéria é do Terra:

Alinhamento entre Terra, Sol e Marte antecipa 'fim do mundo'

Um evento cósmico raro é esperado para esta noite, antecedendo as 'quatro luas de sangue' que alguns acreditam ser presságio do fim do mundo

Mrte, Terra e Sol vão se alinhar no Espaço na noite desta terça-feira, um evento conhecido também como “oposição de Marte” que só acontece uma vez a cada 778 dias. Porém, o que faz o acontecimento cósmico marcante é ele antecede as "luas de sangue", um fenômeno que poderá ser visto da terra na próxima semana e que é interpretado por muitos como um sinal bíblico do fim dos tempos.

De acordo com a Nasa, a rara sequência de quatro eclipses lunares (as ”luas de sangue”) é conhecida como tétrade, e será seguida por seis luas cheias. O ciclo começa na semana que vem, no dia 15 de abril, e terminará apenas em 28 de setembro deste ano.

Ainda segundo a Nasa, as quatro luas de sangue só foram vistas por três vezes em mais de 500 anos: a primeira vez na Idade Média, em 1493, quando os judeus foram expulsos pela Inquisição Católica na Espanha; a segunda, em 1949, quando o Estado de Israel foi estabelecido na Palestina, e a terceira em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias entre Árabes e Israelenses.

Para alguns fiéis, as luas de sangue significam mais que um evento cósmico raro: são um presságio para o “fim do mundo” e o retorno de Cristo à Terra para o Juízo Final. Na passagem bíblica do Livro de Joel, no Antigo Testamento, diz: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Joel, 2:31).



quinta-feira, 20 de março de 2014

NASA prevê fim do mundo para as próximas décadas

"Profeteiros" do apocalipse, alegrai-vos, vocês acabam de ganhar um aliado superpoderoso: nada mais nada menos do que a NASA.

A agência responsável pelo programa espacial norteamericano não chega a requintes de crueldade de marcar uma data para o fim do mundo, mas dá pistas interessantes de que o dia final está mais próximo do que você pensava.

Uma equipe de especialistas reunida pela NASA chegou a conclusão de que a civilização moderna está caminhando a passos largos para o catastrófico colapso final em razão de dois fatores básicos: a crescente instabilidade econômica e o esgotamento dos recursos naturais do planeta.

Mediante o uso de modelos teóricos que predizem o que acontecerá com o mundo industrializado, matemáticos concluíram que - mesmo nas hipóteses mais otimistas - o mundo vai degringolar de maneira inevitável e muito rápida.

A comparação da situação atual foi feita com civilizações sofisticadas do passado, como os impérios romano, han (China), máuria e gupta (Índia), em que a elite das respectivas épocas continuou fazendo seus negócios como se nada estivesse acontecendo, mesmo tendo sido avisada que o desastre estava próximo, até que nada mais pudesse ser feito para evitar a ruína final.

O matemático Safa Motesharri afirma que "o processo de crescimento-e-colapso é - de fato - um ciclo recorrente durante toda a História".

A análise foi corroborada por uma equipe de especialistas em ciências naturais e sociais e publicada na revista Ecological Economics, segundo informa o jornal britânico The Guardian.

Os fatores levados em conta para se chegar a essa fantasmagórica conclusão foram cinco: população, clima, água, agricultura e energia.

Motesharri concluiu que, quando esses fatores convergem para o mesmo ponto, eles podem causar a ruína da civilização por causa do "esgotamento dos recursos" e da "estratificação econômica da sociedade" entre "elites" e "massas".

Como as elites consomem demasiado, é inevitável que se chegue a um ponto onde as massas passarão fome e aí tudo estará definitivamente perdido, acrescenta o pesquisador.

O mesmo grupo de cientistas alerta, entretanto, que o fim do mundo, tal como previram, não é inevitável, mas algo precisa ser feito urgentemente para reverter o presente quadro de declínio dos recursos naturais a tempo de que se consiga evitar a ruína da civilização moderna.

A solução, portanto, viria de duas frentes que precisam ser imediatamente atacadas: reduzir a desigualdade econômica para garantir uma distribuição mais justa dos recursos, bem como reduzir o consumo desses recursos buscando maneiras sustentáveis de renová-los, com a concomitante diminuição do crescimento da população.

Resta saber se há vontade política (e econômica) no globo para levar a cabo essas medidas. Quem viver, verá!





terça-feira, 26 de novembro de 2013

O sol está esfriando. E agora?


A julgar pela matéria abaixo, publicada originalmente no The Wall Street Journal, traduzida pelo Valor Econômico e reproduzida pelo IHU, os profetas do fim do mundo vão nadar de braçada nas águas escatológicas.

Afinal, o esfriamento ou, digamos, "apagamento" do sol é um dos sinais apocalípticos mais comuns da Bíblia.

Apenas para citar alguns exemplos:
Joel 2:10 Diante deles a terra se abala; tremem os céus; o sol e a lua escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor.

Joel 2:31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.

Joel 3:15 O sol e a lua escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor.

Amós 8:9 E sucederá, naquele dia, diz o Senhor Deus, que farei que o sol se ponha ao meio dia, e em pleno dia cobrirei a terra de trevas.

Apocalipse 6:12 E vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terremoto; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua toda tornou-se como sangue;

Apocalipse 8:12 O quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhante, e semelhantemente a da noite.

Apocalipse 9:2 E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar.
E agora?




Calmaria e 'esfriamento' do Sol intrigam os cientistas

Está acontecendo algo com o sol. Os cientistas dizem que sua atividade atual é a mais estranha de um período de mais de um século, com o sol produzindo metade do número de manchas solares esperado e seus polos magnéticos misteriosamente fora de sintonia.

A reportagem é de Robert Lee Hotz, publicada pelo The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 12-11-2013.

O sol gera imensos campos magnéticos à medida que gira. As manchas solares - geralmente maiores em diâmetro do que a Terra - sinalizam áreas de intensa força magnética que provocam tempestades solares disruptivas. Essas tempestades podem abruptamente arremessar partículas carregadas de eletricidade por milhões de quilômetros até a Terra, onde elas podem provocar curtos circuitos em satélites, enfraquecer sinais de telefonia celular ou danificar sistemas elétricos.

Com base em registros históricos, astrônomos dizem que o sol deve se aproximar nos próximos meses do explosivo clímax do seu ciclo de atividade, que tem aproximadamente 11 anos e é chamado de máximo solar. Mas esse pico de agora é "raquítico", diz Jonathan Cirtain, cientista da Nasa, a agência especial americana, envolvido no projeto do satélite japonês Hinode, que mapeia os campos magnéticos do sol.

"Eu diria que ele é o mais fraco dos últimos 200 anos", disse David Hathaway, chefe do grupo de física solar do Centro de Voos Espaciais Marshall, que pertence à Nasa e fica em Huntsville, Alabama.

Os pesquisadores estão intrigados. Eles não têm condições de dizer se a calmaria é temporária ou o início de longas décadas de declínio, o que poderia aliviar um pouco o aquecimento global com a alteração do brilho do sol ou do comprimento de onda da sua luz.

"Não há nenhum cientista vivo que tenha visto um ciclo fraco como este", diz Andrés Munoz-Jaramillo, que estuda o ciclo solar magnético no Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, de Cambridge, Massachusetts. Além disso, o sol está passando também por uma das mais estranhas conversões magnéticas já registradas.

Normalmente, os polos magnéticos sul e norte do sol invertem a polaridade mais ou menos a cada 11 anos. Durante a reversão, os campos magnéticos nos polos do sol enfraquecem, caem a zero, e então aumentam novamente com a polaridade inversa. Até onde os cientistas sabem, essa variação magnética só é importante porque sinaliza o pico do máximo solar, diz Douglas Biesecker, do Centro de Ambiente Espacial da Nasa.

Mas, neste ciclo, os polos magnéticos do sol estão fora de sincronia, dizem os cientistas solares. O polo norte magnético do sol reverteu sua polaridade há mais de um ano, e está, assim, com a mesma polaridade que o polo sul. "O intervalo entre as duas reversões não costuma ser longo", diz o físico solar Karel Schrijver, do Centro de Tecnologia Avançada da Lockheed Martin, em Palo Alto, Califórnia.

Os cientistas dizem estar perplexos, mas não preocupados, com esse atraso incomum. Eles esperam que o polo sul do sol mude sua polaridade no próximo mês, com base em medições atuais de satélites das alterações dos campos magnéticos.

Ao mesmo tempo, os cientistas não podem explicar a escassez das manchas solares. Embora ainda turbulento, o sol parece fraco em comparação com seu pico de potência nas décadas passadas. "Não é só que há menos manchas solares, mas elas são manchas solares menos ativas", diz Schrijver.

O sol, porém, não está ocioso. Após meses de quietude, ele liberou no espaço grandes fluxos de partículas carregadas cinco vezes em outubro. E ele se agitou novamente na semana passada. Mesmo assim, essas explosões tiveram apenas uma fração da força de máximos solares anteriores.

Como comparação, uma tempestade solar em 2003, perto do pico do último máximo solar, foi a maior da Era Espacial. Apesar de ela ter em grande parte se desviado da Terra, a tempestade desativou um satélite japonês, fez com que os astronautas tivessem de voltar para bordo da Estação Espacial Internacional para se protegerem da radiação, interrompeu operações de perfuração de petróleo e gás no Alasca, mexeu com sistemas de GPS e obrigou o Departamento de Defesa americano a cancelar manobras militares.

À medida que o ciclo solar enfraquecer nos próximos anos como parte do seu ciclo normal, rajadas de partículas carregadas devem se tornar ainda menos frequentes. A atmosfera vai esfriar e se contrair, o que pode estender a vida útil dos satélites ao diminuir a pressão sobre eles.

"Isso deixa todos os operadores de satélites felizes", disse Todd Hoeksema, do Observatório Solar Wilcox, na Universidade de Stanford. "E os astronautas ficam felizes quando não há radiação."

Vários cientistas especularam que o sol pode estar voltando para um estado mais calmo depois de uma era incomum de grande atividade que começou nos anos 40.

"Mais da metade dos físicos solares diria que estamos voltando ao normal", diz o físico Mark Miesch, do observatório HAO, em Boulder, no Colorado, que estuda a dinâmica interna das estrelas. "Poderíamos estar passando por um longo estado de atividade reprimida."

Se for isso, a queda da atividade magnética poderia aliviar o aquecimento global, segundo os cientistas. Mas essa mudança sutil no sol - que reduziria sua luminosidade em cerca de 0,1% - não seria suficiente para compensar o acúmulo de gases de efeito estufa e fuligem que a maioria dos pesquisadores considera a principal causa do aumento das temperaturas globais ao longo do último século.

"Isso pode nos dar uma breve trégua com relação ao aquecimento global", diz Hathaway. "Mas isso não irá brecá-lo."






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