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sábado, 3 de dezembro de 2016

Como identificar e se defender do assédio moral

A matéria é do Conselho Nacional de Justiça:

CNJ Serviço: O que é assédio moral e o que fazer?

Apesar de não ser uma prática nova no mercado de trabalho, o assédio moral vem sendo amplamente divulgado na última década, e as condutas de empregadores que resultam em humilhação e assédio psicológico passaram a figurar nos processos trabalhistas com mais recorrência. O assédio moral pode ser configurado em qualquer nível hierárquico e ocorre de forma intencional e frequente. Neste CNJ Serviço, procuramos esclarecer como costuma se caracterizar o assédio moral, suas consequências e o que fazer a respeito.

Conceito – Entende-se por assédio moral toda conduta abusiva, a exemplo de gestos, palavras e atitudes que se repitam de forma sistemática, atingindo a dignidade ou integridade psíquica ou física de um trabalhador. Na maioria das vezes, há constantes ameaças ao emprego e o ambiente de trabalho é degradado. No entanto, o assédio moral não é sinônimo de humilhação e, para ser configurado, é necessário que se prove que a conduta desumana e antiética do empregador tenha sido realizada com frequência, de forma sistemática. Dessa forma, uma desavença esporádica no ambiente de trabalho não caracteriza assédio moral.

Situações vexatórias – Como exemplos frequentes de assédio moral no ambiente de trabalho, podemos citar a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, com objetivo de ridicularizar e inferiorizar, afetando o seu desempenho. É comum que, em situações de assédio moral, existam tanto as ações diretas por parte do empregador, como acusações, insultos, gritos, e indiretas, ou ainda a propagação de boatos e exclusão social. Os processos trabalhistas que resultam em condenações por assédio moral, quase sempre envolvem práticas como a exigência de cumprimento de tarefas desnecessárias ou exorbitantes, imposição de isolamento ao empregado, restrição da atuação profissional, ou ainda exposições ao ridículo.

Consequências – O assédio moral no trabalho desestabiliza o empregado, tanto na vida profissional quanto pessoal, interferindo na sua autoestima, o que gera desmotivação e perda da capacidade de tomar decisões. A humilhação repetitiva e de longa duração também compromete a dignidade e identidade do trabalhador, afetando suas relações afetivas e sociais. A prática constante pode causar graves danos à saúde física e psicológica, evoluir para uma incapacidade laborativa e, em alguns casos, para a morte do trabalhador.

Processo judicial – Não existe uma lei específica para repressão e punição daqueles que praticam o assédio moral. No entanto, na Justiça do Trabalho a conduta de assédio moral, se caracterizada, gera indenização por danos morais e físicos. Na esfera trabalhista, o assédio moral praticado pelo empregador ou por qualquer de seus prepostos autoriza o empregado a deixar o emprego e a pleitear a rescisão indireta do contrato.

As práticas de assédio moral são geralmente enquadradas no artigo 483 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que determina que o empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando, entre outros motivos, forem exigidos serviços superiores às suas forças, contrários aos bons costumes ou alheios ao contrato, ou ainda quando for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo ou ato lesivo da honra e boa fama. Já na Justiça criminal, conforme o caso, a conduta do agressor poderá caracterizar crimes contra a honra, como a difamação e injúria, contra a liberdade individual, em caso, por exemplo, de constrangimento ilegal ou ameaça.

O que o trabalhador pode fazer – O trabalhador que suspeitar que está sofrendo assédio moral em seu ambiente de trabalho deve procurar seu sindicato e relatar o acontecido, assim como a órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Superintendência Regional do Trabalho. Ele também pode recorrer ao Centro de Referência em Saúde dos Trabalhadores, que presta assistência especializada aos trabalhadores acometidos por doenças ou agravos relacionados ao trabalho. Para comprovar a prática de assédio, é recomendado anotar todas as humilhações sofridas, os colegas que testemunharam o fato, bem como evitar conversas sem testemunhas com o agressor. Buscar o apoio da família e dos amigos é fundamental para quem passa por um processo de assédio moral.



domingo, 10 de maio de 2015

Por que as pessoas fazem tatuagens idiotas?

Um artigo curioso e interessantíssimo publicado no Vice:

Um Psicólogo Explica Por Que as Pessoas Fazem Tatuagens Idiotas

Jules Suzdaltsev

Tatuagens dizem tudo que você precisa saber sobre a sociedade na qual elas foram feitas – e os EUA estão testemunhando uma epidemia de tatuagens escrotas. Não tenho números para sustentar essa afirmação, porque ninguém pensou em pesquisar isso, mas realmente parece que há mais tatuagens horríveis do que nunca. Por todo lado, você vê gente ostentando marcas clichês, citações idiotas, nomes de ex (lembra de "Winona Forever"?), frases mal traduzidas em outras línguas e, num caso muito bizarro, terríveis tatuagens faciais.

Mas por que as pessoas ainda estão tatuando arame farpado em volta do bíceps e borboletas no cóccix? Tentando entender melhor a questão, falei com Kirby Farrel, professor da Universidade de Massachusetts especializado em antropologia, psicologia e história relacionadas ao comportamento humano. Seu último livro, Berserk Style in American Culture, discute o vocabulário da cultura pós-trauma da sociedade norte-americana.

VICE: Qual é o seu interesse em tatuagens péssimas?
Kirby Farrel: Estou interessado principalmente no que você pode chamar de "a antropologia da autoestima e identidade". Penso nas tatuagens como um método que as pessoas usam para tentar se sentir significantes no mundo. Trabalho muito com Ernest Becker – você já ouviu falar do livro dele? Acho que ele ganhou um prêmio Pulitzer com esse livro chamado A Negação da Morte.

Sim, já ouvi falar.
Bom, ele argumenta que somos únicos entre os animais, porque somos sobrecarregados com a consciência do futuro, da futilidade, da morte e assim por diante. Estamos constantemente inventando defesas. A cultura é uma defesa contra o sentimento de opressão, futilidade e perdição. Culturas estão cheias de valores e belezas que te fazem sentir que sua vida é significativa e que tem um significado duradouro, mesmo que limitado. Então, você pode dizer que tatuagens são expressões culturais de heroísmo e individualidade.

Logo, isso se traduz numa epidemia de tatuagens idiotas?
Muitas pessoas dizem que fizeram uma tatuagem como uma lembrança de alguém ou algum evento. Por exemplo, tatuar a letra de uma música. As frases, claro, acabam sendo os maiores clichês. Mas elas estão te exortando a ser um indivíduo forte, imitando todos os outros animais que também pintam clichês na própria pele.

E onde esses caminhos se cruzam? Por um lado, a pessoa quer algo que lhe dê a sensação de significância e autoexpressão, mas acaba fazendo exatamente o oposto disso (o que consideramos uma "tatuagem ruim" ou uma "tatuagem clichê")?
Acho que a fantasia de ser especial, único, importante e heroico, que é do que estamos falando, é complicada quando vivemos numa cultura que celebra esses valores. Estamos sempre bombardeando outros países para preservar nossa "liberdade", o que presumivelmente significa individualidade. Mas, ao mesmo tempo, nossa cultura é intensamente conformista. Temos empresas constantemente tentando imprimir sua marca na consciência popular. Então, por exemplo, se você está tatuando algum clichê bobo de uma música pop, como "Vou te amar para sempre" ou "Não seja um imitador", na verdade você está se marcando com entretenimento industrial, porque grupos de rock, como sabemos, são basicamente máquinas de fazer dinheiro, empregando modelos financiados pela indústria do entretenimento.

Então por que as pessoas fazem isso?
Uma resposta é que somos animais incrivelmente sociais. Você tem de ter em mente que o eu não é uma coisa. É um evento. Se você está em sono profundo, o eu realmente não existe. A neuroquímica do eu não está ali. Desse ponto de vista, nos sentimos mais reais quando outras pessoas nos afirmam, reasseguram e reforçam nossa identidade. Nos rituais sociais pelos quais passamos, como dizer "Oi, como vai? Bem, e você?", você não espera ouvir qualquer informação pessoal. É só uma confirmação de que vocês dois existem e reconhecem um ao outro. De certa maneira, tatuagens também funcionam assim. Elas chamam atenção para você e fazem você se sentir real, mesmo se essa atenção fizer você se sentir membro de um grande grupo. Uma tatuagem te diz que você é parte de uma tribo de colegas tatuados, uma tribo linda e significativa. Você pode até compartilhar símbolos com outra pessoa! Ao mesmo tempo, por causa do fenômeno das marcas, isso faz você se sentir mais esperto do que o cara ao lado, que não sabe o suficiente para comprar seu produto em particular ou sua moda em particular.

Parece que você está dizendo que a própria cultura é clichê. Assim, tentando emular essa cultura social, fazemos essas tatuagens ruins.
A cultura está constantemente nos tentando com fantasias de singularidade e heroísmo. Você é tentado a comprar uma nova BMW, porque isso promete te fazer sentir heroico nas ruas. Você vai se destacar na multidão. A multidão é formada de pessoas comuns, elas vão morrer um dia e serão esquecidas. Mas todo mundo está olhando para você, você está sob os holofotes, você é o herói. E, ao mesmo tempo, se você ajustar a perspectiva sutilmente, eles estão fazendo as pessoas comuns acharem que é OK adorar heróis. Você é convidado a identificar e admirar o rico, o heroico, o prestigioso – e, se você os admira, isso se torna "minha música", "meu cabelo" ou "meu produto". Na verdade, você compartilha o glamour com o poder fetichista das coisas que admira.

Você está dizendo que isso é ser enganado por um movimento social de adoração ao herói?
Bom, se você está ou não sendo "enganado", depende de como você se sente sobre a validade e o pertencimento dos clichês. Quando você quer se tatuar com um verso da sua música favorita, você certamente está sentindo um tipo de excitação emocional e admiração por essa música. Um tipo de êxtase romântico. Você ouve as pessoas dizerem "Isso tem um significado especial para mim". É como uma auréola emocional em torno desse objeto.

Por que esse sentimento é significativo para nossa identidade própria?
Acho que, no geral, as pessoas estão com medo do futuro e se agarram a um ritual, um lema, um clichê familiar que elas acham significativo. É como um cobertor de segurança para dar sentido à sua vida, principalmente quando sua moral está sob pressão ou você está realmente empolgado com algo bom. Mas a questão é que, em qualquer um desses eventos, o clichê não parece ser um clichê. Isso parece ter um significado especial.

OK. Mudando um pouco de assunto: tatuagem é uma coisa que existe há milhares de anos. Alguns dos primeiros humanos já tinham tatuagens. Você acha que existe algo inerente à natureza humana que nos faz querer nos tatuar?
Claro. O cadáver que foi encontrado congelado e preservado nos Alpes, que acho que tem uns 5 mil anos – ele está num museu na Itália, você pode passar para dar um oi –, a última pesquisa mostra que esse corpo tem várias tatuagens. Elas tendem a ter um desenho abstrato. Baseado na localização delas, a hipótese é que elas serviam para se distrair de coisas físicas desconfortáveis, como artrite. Ou elas provavelmente tinham algum tipo de significado mágico. Pensando nisso, de certa maneira, todos os nossos comportamentos tendem a ser muito mágicos. Imaginamos que há algum poder especial em nossos símbolos, em nossos lemas, em nossas marcas, que isso de alguma forma eleva nosso humor, nos faz sentir mais fortes, mais capazes e melhores sobre nós mesmos.

E você acha que isso é algo inerente à humanidade?
Claro. Como pessoas, estamos regularmente à beira do pânico existencial. Becker disse que, se você visse o mundo realisticamente (quão vulnerável e totalmente insignificante você é, considerando o cosmo), você ficaria louco. Então, você precisa constantemente de histórias que constroem sua autoestima e fazem você se sentir significante, o que é fornecido pela cultura.

Logo, essas tatuagens escrotas são uma representação desse mecanismo de defesa?
Sim, exatamente. São representações físicas e artísticas de valores com que você se identifica. Vivemos nesse mundo onde existe um tipo de racismo recorrente e repentino, que vemos desde os anos 60 ou até desde a Guerra Civil. As condições de trabalho são extremamente punitivas, exigentes e despersonalizantes para quem está na base. Você não sente que tem direito à própria identidade. Então, as pessoas se sentem especialmente pressionadas para tentar encontrar seu próprio reforço mágico, porque há coisas em que a cultura não pode te ajudar. Você vê dinheiro, morte e culpa quando as pessoas querem se sentir seguras e como se estivessem no comando em termos de autoestima e bem-estar.

Muitas tatuagens parecem um tanto inconsequentes. Como as pessoas racionalizam a permanência de uma tatuagem em relação à própria mortalidade?
Muitas pessoas, especialmente quando são jovens, imaginam que serão jovens para sempre. Afinal de contas, se a mágica de que estamos falando sobre a cultura realmente funcionar, então, você pode se sentir invencível e imortal, por assim dizer. E é um clichê adolescente achar que você vai viver para sempre – é por isso que eles se arriscam, usam drogas, etc. Eles não conseguem imaginar que vão crescer e parecer diferentes do ideal cultural. Você nunca teve de se preocupar em ficar doente nem nunca esteve em apuros. Você nunca teve de se preocupar em ficar velho e ter de aceitar diminuir suas perspectivas, seus poderes, suas fantasias.

Você acha que isso é uma reação ao medo, ou na verdade resultado da falta de experiência?
Bom, você não acha que são as duas coisas?

Acho que sim.
Você tem medo, mas não admite isso, porque poderia prejudicar sua moral frágil. Uma moral danificada te torna menos eficiente, menos seguro, menos produtivo, etc. Então, você nega que tem medo. Provavelmente, o mecanismo básico da cultura é fingir que tudo está bem e que você não está com medo.

Mas estamos com medo.
Sim, com certeza. Estamos vivendo um momento em que as pessoas estão tão famintas por autoestima, aprovação e confiança, que estão dispostas a dizer e fazer coisas realmente bizarras e idiotas, porque com isso elas se sentem diferentes. Assim, elas se sentem únicas, significativas e vivas.



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um presente de perdão e auto-estima para o Natal

Desejamos um Feliz Natal aos leitores e amigos deste blog com a meditação abaixo:


A DÁDIVA DA 

AUTO-ESTIMA


Leitura bíblica:
Romanos 8:1-11

Versículo-chave:

"Agora, pois, já nenhuma condenação há
para os que estão em Cristo Jesus"
(Romanos 8:1)



Meditação: Cristo veio ao mundo quando menos o merecíamos ou o queríamos. E ele continua a vir. Nada há que possamos fazer para merecer o seu perdão amoroso ou fazê-lo parar de nos amar. Do presépio à cruz, através do túmulo aberto, ouvimos o seu amor que implora: "Você me pertence. Você é minha pessoa amada e perdoada. Vim por você, vivi por você, morri por você, derrotei a morte por você e agora estou aqui por você".


É esse o presente de Natal que Deus tem para nós. 



Não deixe de desembrulhá-lo! Abra-o e desfrute do poder curador, libertador e motivador. Não há problema, perplexidade ou potencial à nossa frente que não possam ser vencidos se aceitarmos o presente de Deus. Amor mais perdão é igual à liberdade.

Seremos livres para amar e perdoar a nós mesmos. Que recordação ou fracasso o persegue e o torna negativo e hostil para com a pessoa mais importante de sua vida - o seu ser interior? Seja gracioso a si mesmo neste Natal. Dê a si mesmo um presente. Perdoe-se a si mesmo. Desse perdão flui auto-estima nova e salutar. Poucas são as pessoas que festejam o Natal e que sentem bem a respeito de si mesmas. Será por isso que nos ocupamos tanto com a correria da estação? Não será que estamos correndo da pessoa que vive dentro de nós? Deus ama muito essa pessoa. Ele nos conhece melhor do que nós mesmos. Natal é a época de dizermos: "Estou contente por ser eu!"

Ouça as palavras do apóstolo João: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é" (1 João 3:1-2). Que essa verdade equilibre a balança de auto-condenação à medida que você permite que o Natal lhe encha o coração.

Pensamento do dia:

"Você já pensou que em cada ação de graça em seu coração você conta com toda a onipotência de Deus dedicada em abençoá-lo?" (Andrew Murray)

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 18 de dezembro)



sábado, 8 de novembro de 2014

Pesquisa diz que fofoca faz bem à autoestima

A pesquisa esquisitona foi publicada no Brasil Post:

Fofoca faz bem? Fofocar faz bem para a autoestima, diz pesquisa

Carol Castro

Vai dizer que você não se interessa por uma fofoquinha às vezes? É normal. E até bom. Já disseram que é um ótimo jeito de começar uma amizade. Mas há ainda outro ponto favorável: fofocar faz bem à autoestima. Desde que você não seja o alvo das fofocas, claro.

Foi o que descobriram pesquisadores holandeses após entrevistarem um grupo de pessoas para saber como elas reagiam às fofocas. As fofocas positivas sobre outras pessoas costumavam fazer muito bem aos ouvintes: eles tendiam a se sentir mais capazes de aprimorar as próprias capacidades.

Quando o comentário era negativo, os voluntários relatavam que se sentiam mais confiantes para falar de si, causar uma boa impressão. Mas, nesses casos, também se preocupavam mais em se proteger de fofocas.

"Escutar histórias positivas sobre outras pessoas pode ser informativa, já que elas sugerem caminhos para você mesmo progredir”, explica Elena Martinescu, uma das autoras da pesquisa. “Escutar fofoca negativa pode fazer com que você se sinta lisonjeado, porque isso sugere que os outros podem ser piores do que nós”, conclui.

Claro que um ambiente repleto de fofoca não faz bem a ninguém. Só serve para criar conflitos e insegurança. Mas uma fofoquinha assim de leve, um desabafo com o mais chegado do escritório, está liberado, ok?





sábado, 30 de junho de 2012

A vida precisa de links afetivos

Se você tem dúvidas sobre o que ler no fim de semana, principalmente se não tiver muito tempo e quiser aprender algo útil para o resto de sua vida, leia a entrevista com Julio Ribeiro, presidente da agência de publicidade Talent, publicada pela Sonia Racy no Estadão de 25/06/12.

Assim, você não precisará chegar - como ele - aos 79 anos de idade para desfrutar da sabedoria que a maturidade traz, principalmente quanto a aproveitar melhor a sua vida.

A última frase da matéria é emblemática: "tem gente que está no paraíso e reclama da qualidade das toalhas". No mínimo, você repensará aquela sua ideia antiga de que publicitários não são seres humanos...

“DO QUE A VIDA PRECISA? DE LINKS AFETIVOS”

Aos 79 anos, Julio Ribeiro, fundador e presidente da agência de publicidade Talent, tem tempo para pintar, aprender jazz ao piano e participar, ativamente, da criação de campanhas para seus (poucos) clientes.

Também escreve livros sobre sua grande paixão. O mais recente (Marketing de Atitude – Como Fazer Suas Equipes e Seus Clientes Gostarem de Você) será lançado amanhã, no Iguatemi.

O segredo? “Faço o que gosto!” – desde que começou, em 1958, quando foi trabalhar na McCann Erickson. Depois, passou por Denison, Alcântara Machado e MPM. Em 1967, fundou sua primeira agência: Julio Ribeiro Mihanovich Publicidade, juntamente com Armando Mihanovich. E, em 1980, criou a Talent.

Após mais um dia de trabalho – quando foi informado de que a agência havia ganhado o Grand Prix na categoria rádio em Cannes (além de outros três leões) –, ele recebeu a coluna e falou sobre novas mídias, responsabilidade social, coisas que fazem mal à saúde, toalhas e, claro, vida.

A seguir, os melhores momentos da conversa com este Jerry Maguire brasileiro.

É preciso mesmo que o cliente goste de você?

Ninguém tem de fazer nada (risos). Mas interação é fundamental, sim. Você sabe que a Talent não perde um cliente há cinco anos? Tem a ver com isso, com certeza. O mais importante, claro, é que você goste de você. Eu, por exemplo, gosto de mim (risos). Quem não gosta de si mesmo não vai a lugar nenhum. E um ambiente de trabalho saudável é essencial – para que as pessoas possam fazer o que tem de ser feito com tranquilidade. Isso tem de ser passado para fora, para o cliente. Escrevi o livro por acreditar, piamente, nessa forma de trabalhar. Nós temos um cliente, um laboratório de exames médicos. Você entra e tem a impressão de que todos ali gostam de você. Essa experiência faz diferença. Por exemplo: você vai comprar uma bicicleta para seu filho. Ninguém sai procurando em dez lojas. Geralmente, vai a duas ou três. Ou seja, existe um filtro. E esse filtro está ligado à experiência que o comprador tem quando chega à loja.

Não tem a ver com preço?

Nem sempre. Pesquisas mostram que preço não é o fator mais importante. A interação com os atendentes e a experiência positiva da compra são essenciais. A Apple não me deixa mentir. Sempre que anuncia um produto novo, a fila na porta das lojas se forma uma semana antes do lançamento.

Às vezes, a empresa não ajuda.

Estava lendo um livro sobre gestão, estes dias, e um exemplo me chamou a atenção. Uma empresa americana especializada em limpeza de banheiros de estádios de futebol. Ninguém gostava de trabalhar lá, a rotatividade anual de funcionários beirava 100%. Um dia, um novo chefe de RH resolveu saber por que o turnover era tão alto. Sabe o que ele descobriu depois de uma pesquisa com os empregados? Que a maioria não gostava de trabalhar lá porque precisava pegar três conduções para ir de casa até a sede da companhia. O que a empresa fez? Criou uma linha de ônibus fretado. O turnover caiu para 40%.

Conhecer quem trabalha com você ainda é a alma do negócio?

As pessoas passam o horário nobre de suas vidas no escritório. Imagina: o funcionário tem um dia a dia horrível, chega em casa dizendo “eu vou acabar pedindo demissão” ou “eu não aguento mais aquele lugar, aquelas pessoas” e ouve da mulher que ele tem de pensar nas contas, na escola das crianças… Uma pessoa que vive assim não consegue brincar com os filhos, com o cachorro, não consegue ser atencioso com a esposa. Porque não existe a cabine do super-homem. Agora, quando você trabalha numa empresa em que as pessoas gostam de você, te respeitam, fica tudo mais fácil. São vantagens que mudam uma companhia. A criação desses links afetivos é o objetivo do meu livro.

É mais fácil estabelecer links afetivos em tempos de internet e redes sociais?

A internet dificilmente cria links afetivos. Eles só se estabelecem com relação pessoal.

A Talent nunca fez campanha para cigarro, bebidas destiladas e para o governo. Por quê?

Porque os três fazem mal à saúde (risos). Desde o início da Talent, em 1980, decidimos que não aceitaríamos – o que nos custa dinheiro, porque são clientes muito ricos. No que diz respeito à política, eu sigo um lema: “Quem dorme com cachorro acorda com pulga” (risos).

Qual foi seu primeiro cliente?

A Grendene. E, na época, o Alexandre (Grendene, fundador da empresa) estava com um problema. As sandálias de plástico eram consideradas coisa de pobre – ele não conseguia mudar esse conceito. Eu fiz uma pesquisa e descobri que o problema não era o produto, mas as pessoas. E as pessoas achavam o produto de baixo nível. O que não condizia com a realidade. Então, disse a ele: “Existem duas verdades: a primeira é o que os olhos veem; a segunda, a tela da TV Globo” (risos). A estratégia que adotamos? Fazer com que atrizes de novela usassem a sandália. Isso mudaria o conceito. Outra estratégia: convencer as mais influentes colunistas de moda de que o produto tinha charme. E conseguimos.

Atualmente, se critica muito as campanhas de TV. Elas estariam ficando menos inteligentes?

Acho que propaganda idiota sempre existiu. O que há, hoje, é mais mídia, mais formatos. O marketing dos dias atuais nasceu de três invenções simultâneas: o computador, o avião a jato e o satélite. Isso mudou tudo. Aproximou as pessoas, diminuiu as distâncias. Novas formas de se comunicar foram criadas. E vão se tornando nativas das gerações. O computador, por exemplo: eu ainda apanho, já meus netos aprenderam a mexer nele na escola. Agora, independentemente da mídia, o conteúdo não muda.

O meio é a mensagem?

Com certeza. Veja o exemplo deste filme que ganhou o Oscar, O Artista. Em tempos de cinema digital, 3D, venceu uma produção muda, em preto e branco. E por quê? Porque as aspirações são as mesmas, as formas é que mudam.

O que acha da proibição de publicidade voltada às crianças?

Toda vez que o governo mete a mão em alguma coisa, piora. Crianças gostam de brinquedos, sabem o que querem e não querem as mesmas coisas.

O politicamente correto atrapalha a vida da agência?

A gente se policia. Algumas vezes, nos antecipamos: “Ah, isso não vai passar pelo Conar”. Faz parte do processo social, a sociedade vai mudando. Deve fazer uns quatro anos que eu não recebo reclamação do Conar. Todo mundo sabe o que é socialmente incorreto. Mas somos contra intervenção do governo, de proibir propaganda para crianças ou de produtos que engordem. O cara come porque gosta, você não pode proibir o sujeito de comer. Agora, campanhas educativas ao estilo “coma de forma mais saudável”, isso a gente gosta. Quando comecei na carreira, durante as reuniões de criação, cortava-se a fumaça do cigarro com uma faca (risos). Hoje, não existe mais esse problema, ninguém fuma em ambiente fechado. E o processo foi, essencialmente, educativo. Outro exemplo: um dia, estava em casa fazendo a barba. Com a torneira aberta. Meu neto chegou e me deu bronca: “Você está desperdiçando a água do planeta, vovô!” Fechei a torneira na hora (risos).

O seu jeito low profile é um estilo criado ou é inerente a sua personalidade?

Tem gente que adora brilhar, aparecer na TV, badalar, sair em jornal e revista. Mas eu… não gosto. Uma vez fui escolhido para ser jurado em Cannes. Declinei. Ninguém acreditou! (risos) Não tenho vocação para board de empresa. Meu negócio é fazer planejamento e criação, é disso que eu gosto. É para isso que me pagam.

Você sempre trabalhou com poucos clientes. Num mundo voltado para o “quanto mais melhor”, isso é um problema?

A gente rejeita clientes com alguma frequência. E somos muito prósperos. Acho impossível ter uma boa agência e não ter limite de clientes. Porque, se você começa a pegar todos os que aparecem, acaba com um monte de coelhos numa sala (risos), não dá. Sempre fomos assim.

Acredita que a internet vai comer as outras mídias?


Não, porque a internet tem um problema: ninguém descobriu como ganhar dinheiro com ela. É uma obrigação das agências nos dias de hoje, você precisa investir nela, mas a verdade é que não dá dinheiro. Tem-se falado muito no iPad, mas também não o vejo como substituto de jornais e revistas. E os números mostram que os jornais têm crescido, apesar das mídias digitais. As revistas estão estáveis. O Bill Gates disse, há mais de uma década, que o papel iria desaparecer. Mas fez a biografia dele em papel (risos). 

Tem Facebook, Twitter?


Tenho tudo (risos). Mas minhas paixões são outras. Sou pintor, voltei a pintar. E estou estudando piano, jazz, porque gosto de improviso. Além disso, hoje fico mais com a família, cultivo mais os laços.

A que horas costuma chegar à agência?

Hoje, estou mais moderado (risos). Costumava chegar às 7h30 e sair às 19h. Agora, chego umas 9h, saio às 18h30.

Vida pessoal e profissional convivem em harmonia?

Eu me casei com minha primeira namorada. Tive meus filhos, tenho meus netos, escrevo meus livros, gosto do que faço. Acho que tudo pode conviver, sim, em harmonia. Mas depende, claro, de você. Tem gente que está no paraíso e reclama da qualidade das toalhas (risos).

DANIEL JAPIASSU



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Uma foto faz diferença na Mongólia

Ao contrário dos seus vizinhos Rússia e China, a Mongólia tem uma população pequena (pouco mais de 3 milhões de habitantes) num território relativamente grande (equivalente ao do Estado do Amazonas), o que dá uma densidade populacional menor que 2 habitantes por km² (a do Amazonas é ligeiramente maior), uma das menores do mundo. Exatamente por isso, as suas vastas e belas estepes são praticamente desabitadas, servindo de território livre para grupos nômades que exploram os seus recursos naturais, principalmente para o pastoreio de seus animais. Um casal de jovens ocidentais foi passear de motocicleta pelo interior da Mongólia, e - pesquisando antes - descobriram que os povos nômades raramente tiram fotos, e muito menos as têm impressas para guardar, e por isso decidiram levar uma Polaroid para não só se oferecerem para tirar fotos deles, como também deixá-las de recordação. O resultado não podia ser mais interessante, como se pode perceber pelo vídeo abaixo. Ao convidarem uma família de mongóis para posarem para sua câmera, eles se retiraram por uns 10 minutos, o que causou apreensão no casal, temeroso por ter feito algo errado, mas depois a família toda reapareceu devidamente paramentada com seus trajes típicos, e a alegria e o espanto deles ao se verem e ficarem com suas fotos é contagiante, especialmente a do garotinho que tem uma reação de auto-estima muito simples e significativa, o que me lembrou de uma meditação de Lloyd-John Ogilvie que já foi transcrita no blog (clique aqui para lê-la). Confira o vídeo abaixo:



terça-feira, 12 de julho de 2011

Animais de estimação aumentam a auto-estima dos donos

Matéria do Estadão:

Animais de estimação fazem bem a saúde, revela estudo

Pessoas que convivem com animais têm mais autoestima, são mais extrovertidas e menos preocupadas

Washington - Os animais domésticos proporcionam apoio social e emocional às pessoas, revelou uma pesquisa da Associação Psicológica dos Estados Unidos.

O estudo indicou que donos de cachorros, gatos e outros bichos de estimação mantêm uma relação tão estreita com as pessoas próximas como a que têm com seus animais, o que aponta que este tipo de interação não é desenvolvida em função das relações humanas.

Os psicólogos da Universidade de Miami e da Universidade de St. Louis realizaram três experimentos que examinaram os possíveis benefícios de se conviver com um mascote.

Segundo o artigo publicado na internet da revista Journal of Personality and Social Psychology, o estudioso Allen McConnel, da Universidade de Miami, disse que, em termos gerais, essas pessoas "têm mais qualidade de vida e conseguem resolver melhor diferenças individuais que as que não têm animal de estimação".

"Especificamente os donos de mascotes têm mais autoestima e estão em melhores condições físicas, além disso, tendem a ser menos solitários, são mais conscientes do que ocorre a sua volta, são mais extrovertidos, tendem a ser menos receosos e menos preocupados", acrescentou.

Para realizar o artigo, os pesquisadores questionaram 217 pessoas (79% mulheres, idade média - 31 anos, renda familiar de cerca de US$ 77 mil).

"Os estudos revelam provas consideráveis de que os animais de estimação beneficiam a vida de seus donos tanto no âmbito psicológico como no físico, já que representam uma importante fonte de apoio social", concluiu.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O melhor presente é pra você mesmo!

Fica aqui uma meditação do Lloyd John Ogilvie como o meu cartão de Feliz Natal aos leitores e amigos deste blog:


A DÁDIVA DA
AUTO-ESTIMA


Leitura bíblica:
Romanos 8:1-11

Versículo-chave:

"Agora, pois, já nenhuma condenação há
para os que estão em Cristo Jesus"
(Romanos 8:1)


Meditação: Cristo veio ao mundo quando menos o merecíamos ou o queríamos. E ele continua a vir. Nada há que possamos fazer para merecer o seu perdão amoroso ou fazê-lo parar de nos amar. Do presépio à cruz, através do túmulo aberto, ouvimos o seu amor que implora: "Você me pertence. Você é minha pessoa amada e perdoada. Vim por você, vivi por você, morri por você, derrotei a morte por você e agora estou aqui por você".

É esse o presente de Natal que Deus tem para nós. Não deixe de desembrulhá-lo! Abra-o e desfrute do poder curador, libertador e motivador. Não há problema, perplexidade ou potencial à nossa frente que não possam ser vencidos se aceitarmos o presente de Deus. Amor mais perdão é igual à liberdade.

Seremos livres para amar e perdoar a nós mesmos. Que recordação ou fracasso o persegue e o torna negativo e hostil para com a pessoa mais importante de sua vida - o seu ser interior? Seja gracioso a si mesmo neste Natal. Dê a si mesmo um presente. Perdoe-se a si mesmo. Desse perdão flui auto-estima nova e salutar. Poucas são as pessoas que festejam o Natal e que sentem bem a respeito de si mesmas. Será por isso que nos ocupamos tanto com a correria da estação? Não será que estamos correndo da pessoa que vive dentro de nós? Deus ama muito essa pessoa. Ele nos conhece melhor do que nós mesmos. Natal é a época de dizermos: "Estou contente por ser eu!"

Ouça as palavras do apóstolo João: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é" (1 João 3:1-2). Que essa verdade equilibre a balança de autocondenação à medida que você permite que o Natal lhe encha o coração.

Pensamento do dia:

"Você já pensou que em cada ação de graça em seu coração você conta com toda a onipotência de Deus dedicada em abençoá-lo?" (Andrew Murray)

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 18 de dezembro)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Quando não há força


“Vão indo de força em força;
cada um deles aparece diante de Deus em Sião.”
(Salmo 84:7)

Para descrever a difícil situação em que se encontrava (a iminente invasão assíria), o rei Ezequias usa uma provável expressão proverbial da época, muito apropriada: “Os filhos estão para nascer e não há força para os dar à luz” (2 Reis 19:3 – Bíblia de Jerusalém). Ele se reporta à mulher cuja gravidez já se completou, mas o filho não sai do útero, não vem para fora. A mãe sente dores de parto, mas não tem força para expelir a criança. Ela fica desesperada e a criança corre risco de vida.

Não há nada mais aflitivo do que faltar força no momento em que mais se precisa dela. Pior ainda é quando não se sabe que naquela hora a força vai estar ausente. Foi isso que aconteceu com Sansão. Ele não tinha conhecimento de que havia se retirado dele a sua força. Quando os filisteus chegaram, ele não conseguiu repetir as façanhas anteriores. Então teve seus olhos vazados e sofreu o vexame de ser preso e levado para Gaza (Juízes 16:18-22).

Não ter força para dizer não, não ter força para vencer a tentação, não ter força para resistir à dor, não ter força para deixar de beber, não ter força para abandonar as drogas, não ter força para superar uma crise conjugal, não ter força para perdoar o desafeto, não ter força para dominar o gênio, não ter força para esquecer algo deprimente, não ter força para terminar o trabalho iniciado, não ter força para romper um amor proibido, não obter força para vencer a timidez – são situações realmente muito complexas. Em circunstâncias assim, a história pára, o que precisa acontecer não acontece, o que não pode ser protelado é adiado.

A privação da força tem muito que ver com a perda ou a diminuição da comunhão com Deus. Na verdade a força promana de Deus. Daí a confidência de Paulo a Timóteo: “O Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2 Timóteo 4:17). O mesmo testemunho está na boca de Davi: “O Deus que me revestiu de força, e aperfeiçoou o meu caminho. Ele deu a meus pés a ligeireza das corças e me firmou nas minhas alturas” (Salmo 18:32). Deus é pródigo na distribuição de força, pois “faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor” (Isaías 40:29). Aqueles que estão cada vez mais ligados a Deus “vão indo de força em força” (Salmo 84:7).

(“Devocionais para Todas as Estações”, Ed. Ultimato, meditação de 27 de julho)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Auto-estima, por Lloyd John Ogilvie

ANTES DE PODERMOS AMAR OS OUTROS

Leitura bíblica: Marcos 12:28-34

Versículo-chave: Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes (Marcos 12:30-31)

Meditação: Não é fácil cumprir o segundo grande mandamento de Jesus, de amarmos o nosso próximo como a nós mesmos. Por que é tão difícil amar as pessoas sem exigências, padrões e imagens do que desejamos que elas sejam? O motivo encontra-se no próprio mandamento: devemos amar os outros como a nós mesmos. E aí está a dificuldade. Muitas vezes não amamos a nós mesmos.


Friedrich Nietzsche, embora fosse pagão, chegou bem perto da verdade, ao dizer: "O amor ao próximo é o amor ruim por si mesmo. A pessoa sente pelo próximo o que sente por si mesma e gostaria de transformar esse sentimento em virtude. Eu, porém, percebo o seu "altruísmo". A pessoa não agüenta consigo mesma e não ama a si mesma o suficiente".

Temo que ele esteja com a razão. Temos falado de auto-aceitação e de amor próprio sadio. A marca da maturidade cristã é o crente poder dizer: "Está certo, é isso o que sou; são estes os meus talentos; são estes os meus problemas e os meus dons". Todos nós recebemos dons singulares de Deus, e todos nós temos talentos que podemos usar para a sua glória. Certa garotinha ganhou um vestido novo. Dando voltas pela sala, ela entoou: "Estou contente em ser eu!" Que auto-apreciação simples, pura e sadia. Quantos de nós poderíamos dizer o mesmo? Quantos estão contentes de ser o que são e estar onde estão? Eis uma oração pedindo a auto-estima centrada em Cristo: "Senhor Deus, dê-me a auto-apreciação sadia de poder dizer: "Estou contente em ser eu!" Ajude-me a ver tudo o que o Senhor me tem dado e como me tem abençoado e dirigido através dos anos. E então, com verdadeira liberdade, ajude-me a desfrutar da vida que o Senhor me deu. Amém."

Pensamento do dia: O amor pelos outros flui de uma auto-estima sadia, firmada no amor de Deus.

(Lloyd John Ogilvie, em "O que Deus tem de melhor para minha vida", meditação de 27 de novembro)

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