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domingo, 30 de abril de 2017

Aqueles últimos dias de Berlim em 1945

Soldado soviético hasteia bandeira da URSS no topo do Reichstag em 1945.
Uma imagem que resume o fim de uma era.

O dia 30 de abril de 1945 é tido como o dia em que Adolf Hitler se matou em seu bunker que se situava embaixo da Chancelaria em Berlim, então capital da Alemanha nazista.

Sua visão mórbida do III Reich havia começado em 30 de janeiro de 1933, quando foi alçado à condição de Chanceler.

A partir de então, por mais de 12 anos, um reino de morte, dor e desgraça se instalou no mundo e, para nós que estamos perto da terceira década do terceiro milênio, é particularmente estranho notar que não faz tanto tempo assim.

Apenas 72 anos nos separam das ruínas de Berlim, e sua glória e sua devastação podemos acompanhar em poucos minutos que foram filmados em película colorida de razoável qualidade.

O primeiro vídeo abaixo (8 minutos) foi gravado em 1936, ano em que Berlim sediou as Jogos da XI Olimpíada, e no qual o mundo ainda não estava a par da tragédia à qual seria apresentado - e quase inteiramente destruído - pouco tempo depois.

Uma cidade vibrante pulsava no ritmo dos carros que desfilavam pelo Unter den Linden, seu lindo boulevard, e pela Alexanderplatz.

As pessoas felizes comendo, bebendo e dançando em seus cafés não percebiam as nuvens negras que se aproximavam.


O segundo vídeo abaixo (quase 6 minutos), começa com a última aparição pública de Hitler por ocasião de seu 56º aniversário, quando recebia os cumprimentos da Juventude Hitlerista no que havia sobrado dos jardins da Chancelaria, acima do bunker onde se escondia.

No fim do vídeo se pode observar boa parte dos meninos da Hitlerjugend que se renderiam assustados (mas ainda cheios de ódio) enquanto seu tresloucado Führer esperava que eles defendessem a cidade contra os ataques soviéticos.

Rua após rua, prédio após prédio, soldados soviéticos e alemães lutam pelo que sobrou de Berlim, enquanto civis tentavam se safar, mas todos já sabiam do fim anunciado.

Era só uma questão de tempo.

Em 2 de maio de 1945, Berlim se renderia, e no dia 8 de maio o marechal Wilhelm Keitel assinaria formalmente o termo de rendição.

Keitel seria julgado em Nuremberg e - considerado culpado - foi executado em 16 de outubro de 1946.

Enquanto isso, o grande general soviético Georgy Zhukov inspecionava o que havia sobrado de Berlim.

O general Dwight D. Einsenhower, comandante dos aliados, que em 1953 se tornaria presidente dos Estados Unidos, não aparece no vídeo, mas pessoas próximas a ele e a Zhukov disseram que, se as relações soviético-americanas tivessem sido deixadas a cargo de ambos, a história do mundo seria outra, já que havia verdadeira amizade e muito respeito entre os dois.

Enfim, o vídeo mostra que houve homens e mulheres que honraram e foram dignos do que deles se exigiu naqueles tempos, enquanto a outros foi reservada a lata de lixo da História.


O vídeo abaixo (7 minutos) mostra Berlim já em julho de 1945.

A cidade já estava dividida nos diferentes setores destinados aos vencedores aliados, Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França, que mais tarde gerariam a divisão entre Alemanha/Berlim Ocidental e Oriental que durou décadas.

Percebe-se que os alemães andavam pelas ruas como quem acabara de sair de um pesadelo, ou de um sonho que pareceu bom por algum tempo, mas - mesmo em meio a tanta desgraça - estavam de certa forma "contentes" por haverem sobrevivido aos horrores da guerra.

Talvez "felicidade" (e seus derivados) fosse uma palavra que eles não estavam mais em condições de utilizar.

Pelo menos, era verão e nos mutirões de reconstrução já era possível observar alguns sorrisos:


Talvez a imagem mais contundente seja a do Berliner Sportpalast, onde outrora ecoavam os discursos demagogos de Hitler e Goebbels e que foi totalmente destruído no fim da guerra.

O vídeo termina com uma panorâmica da Unter den Linden, a avenida principal de Berlim, mostrando que, de alguma maneira, em meio a tantos escombros, ainda havia alguma esperança para a capital alemã.

Na virada de abril para maio de 1945, certamente os berlinenses tinham sentimentos conflitantes. 

De um lado, tudo indicava o extermínio do povo alemão e de sua capital após uma derrota tão fragorosa depois de tanta barbárie e maldade que os nazistas haviam infligido aos povos conquistados.

Por outro lado, talvez alguns poucos alemães tivessem um fio de esperança de reconstruir o seu país, a sua nação e o mundo como um todo.

Entretanto, era urgente sobreviver...

Enfim, Berlim e o mundo não conseguiram voltar ao "normal". Felizmente, porque o "normal" até então era a guerra total, mas lograram estabelecer uma nova ordem que - até hoje - luta para se manter em pé e em paz.




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

100 anos atrás morria Rasputin


Rasputin é um desses personagens da vida real, de carne e osso, cuja história parece ter sido inventada por alguém durante o uso de algum alucinógeno.

Já chegamos a comentar aqui no blog sobre a canção em ritmo discothèque que o grupo Boney M. lhe, digamos, "dedicou" em 1978 (clique aqui para acessar o divertido e musical artigo).

Só que cada detalhe sinistro ou bizarro de sua biografia (sobretudo as tentativas de matá-lo) é verdadeiro.

Santo ou demônio, o fato é que o fim do Império Russo centralizado na figura do czar e a Revolução Comunista de 1917 tiveram nele um dos mais importantes antecedentes.

A matéria abaixo é da Rádio Agência Nacional:

História Hoje: Conheça a história do monge russo Rasputin, morto há 100 anos

Há cem anos morria num vilarejo da Sibéria Grigori Iefimovich Novy, ou Grigori Rasputin, monge russo que se tornou personagem influente na corte de Nicolau Segundo e Alexandra Feodorovna.

Além da fama por seus poderes sobrenaturais, Rasputin tinha reputação de santo entre os camponeses e fama de devasso na corte.

Ainda pequeno chamava a atenção dos moradores do vilarejo em que vivia que acreditavam que ele tinha poderes hipnóticos e de cura.

Na adolescência, foi para o mosteiro de Verkhoture, nos Montes Urais, para se tornar monge, mas não completou os estudos, se casando aos 19 anos de idade. A fama de possuir poderes sobrenaturais se espalhou pelo império russo por volta de 1905, quando, já morando em São Petersburgo, foi procurado pelo czar Nicolau Segundo e sua esposa, a czarina Alexandra Feodorovna, que buscavam a cura de seu filho, Alexei, que sofria de hemofilia.

Envolvente e sedutor, Rasputin conseguiu tranquilizar o príncipe, diminuindo seus sangramentos e conquistou a confiança do casal. Por isso, durante anos passou a exercer o papel de conselheiro da czarina. Na corte, interferia na atuação da igreja e nos assuntos de estado, chegando a nomear e demitir ministros.

Rasputin conquistou a antipatia de grande parte da corte. Foi acusado de indecente. Ele afirmava que era capaz de livrar as mulheres de seus pecados e, dormindo com elas, ajudava a encontrar a graça divina. Por sua conduta, em 1914, sofreu seu primeiro atentando a faca e sobreviveu milagrosamente.

Aproveitando da fama de místico, previu que a Rússia cairia em desgraça durante a Primeira Guerra Mundial. Preocupado com a previsão, o czar abandonou a corte em 1915 para comandar pessoalmente o Exército. Rasputin e a czarina então passaram a governar a Rússia e foram responsáveis, em grande parte, pelo fracasso do imperador em contornar a onda de descontentamentos que antecederam à Revolução Russa.

Em 30 de dezembro de 1916, um grupo de nobres organizou uma cilada e Rasputin comeu uma refeição envenenada por cianureto, mas novamente não morreu. Foi então foi fuzilado, sendo atingido por um onze tiros, e escapou. Depois disso, foi castrado e atirado inconsciente no rio Neva.

Após o corpo resgatado, foi encontrada água nos pulmões, confirmando que ele ainda estava vivo ao ser jogado no rio parcialmente congelado.



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

30 anos depois de sua morte, Samora Machel é celebrado por cristãos moçambicanos


Exatos trinta anos atrás, no dia 19 de outubro de 1986, Samora Machel morreu quando o avião soviético Tupolev Tu-134, que o levava, caiu nos montes Libombos, no nordeste da África do Sul, perto da fronteira moçambicana.

Até hoje há suspeitas bastante consistentes, mas nunca cabalmente comprovadas, de que o acidente aéreo foi, na verdade, um atentado maquinado por agentes soviéticos e sul-africanos, lembrando que à época ainda existiam - em plena força - tanto a União Soviética como o regime do apartheid na África do Sul.

A viúva do líder da independência moçambicana, Graça Machel, viria a se casar em 1998 com Nelson Mandela, o que a tornou - atualmente - viúva de dois grandes heróis africanos.

A matéria abaixo é da Rádio Vaticano:

Moçambique: igrejas cristãs reconhecem os feitos de Samora Machel

Celebram-se, quarta-feira 19 de Outubro, 30 anos da morte de primeiro Presidente de Moçambique num trágico acidente aéreo ocorrido em Mbuzine, na África do Sul.

E é ali nessa localidade sul-africana que decorrem as cerimónias centrais das celebrações do homem que proclamou a independência de Moçambique a 25 de Junho de 1975. Nessa localidade, onde desapareceu para sempre o líder moçambicano, foi erguido um monumento em sua homenagem. Mas Samora Machel permanece vivo na memória dos moçambicanos. E as própria igrejas cristãs do país reconhecem os seus feitos pela nação moçambicana.

Numa ronda feita pela capital pelo nosso correspondente no Maputo, Hermínio José, sacerdotes, pastores e fiéis disseram que se deve recordar Samora Machel não deve ser um mero acto solene, mas sim como uma forma de perenizar a sua memória, valorizando o seu legado. O Padre Pinto Cuna, da arquidiocese do Maputo afirmou que Samora Machel é uma lenda por excelência. Ele foi morto pelos inimigos da paz e da justiça.

"Samora era pela paz e justiça social, e esse seu carisma fê-lo ser assassinado barbaramente. Mas, nós os moçambicanos devemos fazer valer os valores de Samora, pondo-os em prática. Isto é, devemos evitar as desigualdades abismais a que assistimos aqui no nosso país. Devemos evitar o derramamento de sangue devido aos ataques armados, só assim caros irmãos estaremos a eternizar a pessoa de Samora Machel", rematou o sacerdote.

Também o pastor, Marcos Mubango, da Igreja Metodista Unida de Moçambique considera que "Samora era um homem de Paz. Ele não queria viver num país, num continente, num mundo com ausência de paz, eis a razão pela qual, ele não só lutou para a independência de Moçambique, como também contribuiu significativamente para a independência de muitos países africanos”.

Já para, o pastor João Timba, da Igreja Universal do Reino de Deus, Samora "Samora Machel não queria ver o seu povo a sofrer, ele queria o bem colectivo. Ele era um homem que encontrava na paz o alicerce para o bem-estar dos povos", disse , acrescentando que os moçambicanos devem se inspirar em Samora, pois só assim, teremos o Moçambique que ele sempre desejou, uno, indivisível e democrático”.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Implicações diplomáticas do encontro do papa com o patriarca ortodoxo russo


A matéria é do IHU:

Santa teimosia. A diplomacia do encontro entre o Papa e Kyrill


"Que este encontro ocorra em Cuba – ilha um tempo símbolo da guerra fria que estava para transformar-se em conflito nuclear, se não tivesse sido pela audaz e profética intervenção do Papa Francisco, caiu outro muro simbólico, é um daqueles sinais dos tempos que é preciso captar: como teria sido possível prosseguir na denegação de um abraço entre irmãos na mesma fé, quando até aguerridos inimigos históricos decidem voltar a se falar? Ali, no aeroporto daquela ilha, se manifestará a eficácia da convicção do Papa Francisco, que possamos definir santamente teimosa: entre irmãos cristãos não se pode não encontrar-se", observa Enzo Bianchi, prior do Mosteiro de Bose, teólogo leigo, em artigo publicado por Repubblica, 07-02-2016. A tradução é de Benno Dischinger. 


Eis o artigo.


Não o acaso, não as coincidências, mas o paciente trabalho de tantas pessoas, as preces de muitos fiéis, a resoluta vontade dos dois primazes e as circunstâncias históricas fizeram, sim, que este abraço ocorresse não na Europa, ante as multidões ortodoxas ou católicas movidas pelo extraordinário evento, mas na ilha do Caribe, num aeroporto, lugar laico por excelência, ágora da era contemporânea, espelho evocativo de viagens, de chegadas e partidas, onde as pessoas se cruzam, mas não se conhecem, mas também lugar simbólico de decolagens para novos horizontes e perspectivas.

Aquela disponibilidade patenteada pela presença de observadores do patriarcado de Moscou no Concílio Vaticano II, aquele auspício levado a Roma pelo metropolita Nikodim falecido entre os braços de João Paulo I, aquele elo cultivado de uma parte e da outra pela ex-cortina de ferro de modo particularmente intenso após a queda do regime soviético, aquele desejo alimentado pelos esforços de João Paulo II e pela sabedoria de Bento XVI é hoje uma realidade, ao mesmo tempo fruto de anos laboriosos e germe de messes ainda mais abundantes.

João Paulo II havia sonhado com a viagem a Moscou e foram feitas tentativas significativas, mas sempre se confrontara com a recusa da igreja ortodoxa russa que repetia: “os tempos não estão maduros”. De fato, a memória dos conflitos patriótico-religiosos entre a Polônia católica e a Rússia ortodoxa e a defesa dos uniatas greco-católicos na Ucrânia da parte de um Papa polaco não dissipava a desconfiança. Fora projetado um encontro no mosteiro beneditino de Pannonhalma na Hungria, depois na Áustria, alguns haviam ventilado o encontro em torno ao Sudário em Turim... mas, de fato nenhuma hipótese resultara praticável.

O que, então, acelerou este encontro, preparado com discrição há meses, mas anunciado no último momento? Quem segue desde o início o intensificar-se das relações entre Roma e Moscou, quem conhece o que anima simples trocas de cortesias ou mensagens aparentemente rituais de vizinhança e fraternidade, pode pesar o alcance deste encontro além de todo cálculo geo-religioso ou de realpolitik.

É um encontro que é fruto de sapiente tessitura diplomática, mas antes e mais ainda de uma consciência compartilhada: os cristãos devem prestar contas de suas divisões e dos esforços para superá-las não por uma instância internacional, mas pela precisa vontade de seu único Senhor. As recaídas concretas também fora do espaço eclesial existirão, certamente, e serão extremamente significativas, mas mais decisivas ainda serão as consequências no plano do diálogo ecumênico e da busca da unidade dos cristãos.

Não se falará de problemas teológicos – por isso faz anos que a comissão mista católico-ortodoxa, e nenhuma igreja ortodoxa particular é habilitada a diálogos teológicos bilaterais – mas, sobretudo dos problemas onerados de sofrimento dos católicos e dos ortodoxos na Ucrânia e dos cristãos perseguidos no Oriente Médio, os quais pedem solidariedade e ajuda.

É significativo, em todo caso, que a Igreja greco-católica na Ucrânia tenha adotado somente agora, após vinte e dois anos, o que tinha sido firmado entre católicos e ortodoxos em Balamand, em 1993: “a recusa do unitarismo como método de busca da unidade de pesquisa da unidade porque oposto à tradição comum das nossas igrejas”.

Também o metropolita Hilarion, ao apresentar o evento, recordou que motivos de tensão permanecem, sobretudo na intricada questão ucraniana, bem como impulsos à solidariedade se fazem urgentes nos Países onde os cristãos, independentemente de sua confissão, são vítimas de arbitrariedades, violências e perseguições.

Mas, na ótica cristã, o principal fator de aproximação não são as adversidades que surgem dentro ou fora do espaço eclesial, nem as oportunidades estratégicas de hipotéticas santas alianças, e sim a vontade de restabelecer aquela comunhão fraterna que é grande sinal que caracteriza os discípulos de Cristo.

Uma concórdia não “contra”, não em oposição a inimigos externos, mas fruto de uma comum conversão ao Senhor da paz e da unidade. Os cristãos não procuram a unidade porque assim lhes convém a ser muito mais numerosos, mais fortes de modo a contar mais plenamente entre os poderosos deste mundo: a procuram porque é a precisa vontade do próprio Jesus, e, segundo os Evangelhos, é o último preceito por Ele confiado aos seus discípulos.

É fácil imaginar que este encontro terá um peso considerável também sobre os trabalhos do próximo sínodo pan-ortodoxo: não porque expressão de alguma ingerência do bispo de Roma nas questões internas ao cristianismo do Oriente, mas porque capaz de favorecer um clima de diálogo e de recíproca compreensão também no interior da própria ortodoxia.

Não por nada, o primeiro a alegrar-se por este anúncio foi precisamente o patriarca ecumênico Bartholomeos. A nítida cordialidade de relações subitamente instaurada entre Francisco e Bartholomeos – o primus inter pares da ortodoxia – poderá agora caracterizar também as relações com o primaz da Igreja ortodoxa com o maior número de fiéis. Uma vez que dois guardiões se cruzam e dois corações se falam, de fato, é difícil que o gelo e a distância voltem a fazer sentir seu desconforto.

Que, enfim, este encontro ocorra em Cuba – ilha um tempo símbolo da guerra fria que estava para transformar-se em conflito nuclear, se não tivesse sido pela audaz e profética intervenção do Papa Francisco, caiu outro muro simbólico, é um daqueles sinais dos tempos que é preciso captar: como teria sido possível prosseguir na denegação de um abraço entre irmãos na mesma fé, quando até aguerridos inimigos históricos decidem voltar a se falar? Ali, no aeroporto daquela ilha, se manifestará a eficácia da convicção do Papa Francisco, que possamos definir santamente teimosa: entre irmãos cristãos não se pode não encontrar-se.

Lembrando-se das palavras de Jesus “Se alguém te pede andar uma milha, anda com ele duas” (MT 5, 41) – Francisco não solicitou que o patriarca se movesse para ele indo a Roma – como já fizeram todos os outros patriarcas – não solicitou ir à Rússia, suscitando talvez a sensação de triunfo sobre o antigo inimigo soviético desaparecido, mas disse: onde o patriarca quiser, quando quiser, como quiser. Uma autêntica obediência ao Evangelho e nada mais.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Crianças finlandeses não aprenderão escrita manual a partir de 2016


Essa é uma daquelas notícias que assustam à primeira vista (ou lida), mas merecem uma reflexão muito mais abrangente sobre os rumos que a sociedade moderna está tomando.

O artigo abaixo foi escrito por Pedro Zambarda de Araujo e publicado no Diário do Centro do Mundo:

Por que a Finlândia está correta ao trocar a escrita à mão pela digitação — uma experiência pessoal


Há dois anos, eu tive a oportunidade de conhecer um das seis regiões da Escandinávia. Viajei para o antigo “patinho feio” dos países nórdicos, a gelada Finlândia. Era final de outono e começo de inverno, por isso tive que encarar um frio que pode queimar sua pele de menos 17 graus Celsius.

Viajei por três cidades: a capital Helsinque, berço de bandas de heavy metal e dona de uma infraestrutura invejável; Oulu, uma cidade que abarca a universidade com a melhor internet do mundo; e Rovaniemi, terra do “Papai Noel” e do museu de pesquisas próximo ao Círculo Polar Ártico.

A educação finlandesa normalmente é eleita como a melhor do mundo segundo várias instituições, incluindo a revista The Economist. Tive a oportunidade de entrar na sala de aula no país, dentro da Universidade de Oulu – Oulun Yliopisto, em seu nome original em finlandês.

Vi com bons olhos a determinação do Conselho Nacional de Educação finlandês que solicita às escolas infantis a troca da escrita à mão pela digitalização.


Para muitos professores e educadores, a medida parece estimular muito o uso de computador, smartphone e tablet, deixando de lado as atividades manuais. Isso é falso, especialmente se o uso dos acessórios digitais for corretamente introduzido às atividades das crianças.

Se você for a qualquer universidade finlandesa, as aulas são ministradas todas, sem exceção, com auxilio de notebook e celulares. Na Universidade de Oulu, assisti uma aula de “interação homem e máquina” ministrada com computadores, e o professor disponibilizou todo o material via email.

Vídeos de YouTube de experiências feitas com todas as teorias de interface despertavam o interesse dos alunos. Nenhum deles era proibido de buscar coisas na internet ou mesmo se distrair. Vi um dos alunos no Facebook durante a aula, inclusive.

Mas o respeito ao professor era muito presente.

Vi, em informações do Museu Nacional de Helsinque, que as crianças recebem educação de tutores na Finlândia em suas casas desde pelo menos os anos 60. Isso causou uma revolução no ensino básico. Os meninos e as meninas chegam nas primeiras séries das escolas já orientados para praticar uma variedade de atividades, além de saberem respeitar os ensinamentos dos mais velhos.

Entre os anos 1970 e os anos 1980, para conter o avanço da União Soviética que é sua vizinha ao leste, a Finlândia promoveu uma ampla reforma tecnológica e industrial que disseminou o uso do computador pelo país todo, bem como a penetração da internet através da banda larga que se tornou pública.

O país chegou a abrigar a Nokia, que foi a maior fabricante de celulares dos anos 90 e só caiu após a revolução dos smartphones, que resultou em sua venda para a Microsoft. Entre os finlandeses, trabalhar em uma empresa como a Nokia é motivo de orgulho e sucesso.

Na Antiguidade até a Idade Média, o país foi escravizado e explorado pelo Reino da Suécia. Os suecos queriam a produção de carvão e de recursos naturais finlandeses. Seu poder político só caiu após o avanço do cristianismo e das navegações.

Durante a formação da União Soviética no começo do século 20, o país foi invadido pelos russos, que só foram expulsos pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. O problema para os finlandeses é que os supostos salvadores nazistas promoveram um genocídio que massacrou cidades inteiras.

O país nas últimas décadas teve que se fortalecer através do conjunto de esforços de seu povo junto com seu governo, para transformar uma sociedade reprimida ao longo de sua história em um exemplo de igualdade de oportunidades. Metade do PIB finlandês é composto de impostos que garantem seu Estado de Bem-Estar Social. Cerca de 5,4 milhões de pessoas constituem a população local, muito inferior aos 200 mi no Brasil.

Mesmo assim, os brasileiros podem tirar lições dos avanços educacionais e tecnológicos na Finlândia.

De acordo com a pesquisa TIC Educação 2013, do CETIC.br, 99% dos professores da rede pública já sabem utilizar a internet, mas somente 21% deles utilizam suas conexões para disseminar conteúdo online para seus alunos. Além disso, 52% das escolas públicas possuem ainda conexões de velocidade de 2 Mbps.

A Finlândia possui conexões públicas de fibra ótica com velocidades que oscilam entre 10 Mbps e 100 Mbps. Há pontos de Wi-Fi gratuitos em todas as praças.

O grande problema do uso de computador nas escolas brasileiras é a falta de infraestrutura da internet, tanto 3G quanto roteada, e a falta de preparo dos educadores com novas tecnologias.

Os finlandeses são educados desde o berço. Se eles sentirem vontade de escrever a mão, terão professores de caligrafia que podem ensiná-los, além de bolsas de pesquisa para compreender os benefícios da caligrafia.



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Teria uma bomba atômica caído sobre Sodoma e Gomorra?


Essa teoria da conspiração não é exatamente nova, mas muito pouco conhecida, felizmente relembrada por Carlos Orsi para a revista Galileu:

A origem da teoria das bombas atômicas pré-históricas

A ideia de que certos mitos preservam relatos de explosões nucleares provocadas por alienígenas nasceu na década de 50 na União Soviética, país que durante algum tempo abraçou a ufologia mais delirante como uma espécie de “alternativa secular” à religião. O tema foi contrabandeado para o ocidente por autores franceses, no início dos anos 60, e ganhou o mundo na obra do suíço Erich von Däniken. As bombas atômicas antigas teriam sido usadas contra Sodoma e Gomorra, as cidades bíblicas, e durante uma batalha descrita no épico indiano Mahabharata.

No caso bíblico, o relato é muito breve, e fala apenas de uma “chuva de enxofre e de fogo” sobre as cidades – algo bem diferente de uma explosão nuclear. A bola de fogo de uma bomba atômica não “chove”, expande-se. E a Bíblia não menciona a onda de pressão, uma muralha de vento que arranca tudo que encontra em seu caminho, e que é um dos efeitos mais notáveis de uma bomba nuclear.

O caso do Mahabharata é ainda mais confuso: tanto Von Däniken quanto suas fontes francesas, Louis Pauwels e Jacques Bergier, citam supostos trechos do poema que, ou não existem no original, ou foram drasticamente adulterados na tradução, tal como apresentada por esses autores.

O antropólogo Jason Colavito diz que o mais próximo do texto apresentado por Von Däniken como sinal de explosão atômica, nas traduções mais aceitas do épico indiano, é um trecho do Livro 7, descrevendo uma arma mítica que dispara flechas de fogo.

Depois de Von Däniken, outros autores, como David Hatcher Childress, também adotaram a ideia de armas nucleares antigas, embelezando-a com outros artefatos de ficção científica, como raios da morte.

Na Antiguidade, o pensador grego Evêmero defendeu que os mitos do passado na verdade não passavam de história disfarçada – os deuses do Olimpo seriam antigos reis, por exemplo. A doutrina recebeu o nome de evemerismo. A teoria da bomba atômica pré-histórica é uma espécie de evemerismo torto, que além de negar o caráter mítico ou ficcional dos textos de nossos ancestrais, ainda projeta neles as tecnologias – e fantasias – do presente.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

União Soviética e o ateísmo de Estado

"Os felizes nascem sob a estrela soviética",
diz o cartaz da propaganda.
Promessa (não cumprida) do paraíso na Terra.

Gostaríamos de recomendar enfaticamente o excelente artigo do Gustavo, co-editor deste blog, no portal E-cristianismo, em que ele refuta a argumentação ateísta de que a extinta União Soviética não era exatamente um Estado ateu.

Trata-se de leitura obrigatória para todos os que se interessam pelo tema. Abaixo, a introdução do artigo que poderá ser lido na íntegra no link que indicaremos a seguir:



Tradução: "Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá"


O ateísmo soviético e a perseguição religiosa

Houve há alguns dias um debate sobre o Estado Laico promovido no programa Na moral, da Rede Globo. O programa contou com a participação do representante católico, padre Jorjão, representante das religiões afro-brasileiras, Ivanir dos Santos, o pastor Silas Malafaia e o representante ateu Daniel Sottomaior, da ATEA.

O primeiro ponto tratado no programa são riscos dos argumentos religiosos no sistema jurídico1. E é aqui que Daniel Sottomaior tenta demonstrar o impacto negativo das religiões na sociedade com o argumento muitas vezes utilizado por ateus:
Agora que entra o estado laico, né? Na história da humanidade, os governos, na imensa parte dos nossos últimos milhares de anos, no ocidente, os governos se pautaram pela religião, e nos banharam de sangue com isso, sempre oprimindo os diferentes. Até que um belo dia chegou a revolução francesa e disse “vamos separar o Estado da religião”, o Estado não tem mais poder para interferir na religião e vice-versa.
A isto o pastor Silas Malafaia responde, dizendo:
Deixa eu (sic) discordar do colega sobre o banho de sangue... porque quem deu banho de sangue na humanidade foram aqueles que tinham o ateísmo como base. A Revolução que aconteceu na Rússia e que matou mais de 70 milhões de pessoas, a Revolução da China que matou mais de 50 milhões de pessoas, o Pol Pot lá, agora, no Camboja, naquela região... Estes camaradas tinham como doutrina a exclusão total da religião... Tanto a União Soviética como também a China, a exclusão total, o Estado laicista, ninguém derramou mais sangue do que aqueles que eram a favor da anulação de ideal da sociedade... Ninguém, isto é histórico, sociológico e antropológico, então, se quiser mudar isso...
Muitos ateus conhecem esta resposta. E muitos ateus a rejeitam, alegando que a perseguição no regime soviético se dava por causa de seu comunismo, não do ateísmo. Alguns chegam a declarar que este comunismo teria adquirido um status de religião para seus membros, podendo assim ser catalogado como exemplo de “religião” promovendo “banhos de sangue”.

O objetivo deste texto, portanto, é esclarecer esta questão. Afinal de contas, por que o governo soviético perseguia religiosos? Seria o ateísmo ali uma questão periférica? Teria o socialismo adquirido um status de religião?




Continue lendo o artigo no E-Cristianismo

Múmia: o cadáver de Lenin permanece insepulto na Praça Vermelha de Moscou




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