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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

100 anos atrás morria Rasputin


Rasputin é um desses personagens da vida real, de carne e osso, cuja história parece ter sido inventada por alguém durante o uso de algum alucinógeno.

Já chegamos a comentar aqui no blog sobre a canção em ritmo discothèque que o grupo Boney M. lhe, digamos, "dedicou" em 1978 (clique aqui para acessar o divertido e musical artigo).

Só que cada detalhe sinistro ou bizarro de sua biografia (sobretudo as tentativas de matá-lo) é verdadeiro.

Santo ou demônio, o fato é que o fim do Império Russo centralizado na figura do czar e a Revolução Comunista de 1917 tiveram nele um dos mais importantes antecedentes.

A matéria abaixo é da Rádio Agência Nacional:

História Hoje: Conheça a história do monge russo Rasputin, morto há 100 anos

Há cem anos morria num vilarejo da Sibéria Grigori Iefimovich Novy, ou Grigori Rasputin, monge russo que se tornou personagem influente na corte de Nicolau Segundo e Alexandra Feodorovna.

Além da fama por seus poderes sobrenaturais, Rasputin tinha reputação de santo entre os camponeses e fama de devasso na corte.

Ainda pequeno chamava a atenção dos moradores do vilarejo em que vivia que acreditavam que ele tinha poderes hipnóticos e de cura.

Na adolescência, foi para o mosteiro de Verkhoture, nos Montes Urais, para se tornar monge, mas não completou os estudos, se casando aos 19 anos de idade. A fama de possuir poderes sobrenaturais se espalhou pelo império russo por volta de 1905, quando, já morando em São Petersburgo, foi procurado pelo czar Nicolau Segundo e sua esposa, a czarina Alexandra Feodorovna, que buscavam a cura de seu filho, Alexei, que sofria de hemofilia.

Envolvente e sedutor, Rasputin conseguiu tranquilizar o príncipe, diminuindo seus sangramentos e conquistou a confiança do casal. Por isso, durante anos passou a exercer o papel de conselheiro da czarina. Na corte, interferia na atuação da igreja e nos assuntos de estado, chegando a nomear e demitir ministros.

Rasputin conquistou a antipatia de grande parte da corte. Foi acusado de indecente. Ele afirmava que era capaz de livrar as mulheres de seus pecados e, dormindo com elas, ajudava a encontrar a graça divina. Por sua conduta, em 1914, sofreu seu primeiro atentando a faca e sobreviveu milagrosamente.

Aproveitando da fama de místico, previu que a Rússia cairia em desgraça durante a Primeira Guerra Mundial. Preocupado com a previsão, o czar abandonou a corte em 1915 para comandar pessoalmente o Exército. Rasputin e a czarina então passaram a governar a Rússia e foram responsáveis, em grande parte, pelo fracasso do imperador em contornar a onda de descontentamentos que antecederam à Revolução Russa.

Em 30 de dezembro de 1916, um grupo de nobres organizou uma cilada e Rasputin comeu uma refeição envenenada por cianureto, mas novamente não morreu. Foi então foi fuzilado, sendo atingido por um onze tiros, e escapou. Depois disso, foi castrado e atirado inconsciente no rio Neva.

Após o corpo resgatado, foi encontrada água nos pulmões, confirmando que ele ainda estava vivo ao ser jogado no rio parcialmente congelado.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Salmodiando nos tempos da discothèque


Ah... os anos 1970, que época incrível e polêmica. O mundo acabava de sair da revolução dos costumes dos anos 1960 e a sociedade ainda tentava encontrar o seu rumo.

As roupas esquisitas daquela geração, com calças de veludo bordô e boca de sino, sapatos de salto alto e cacharrel amarela (isso para homens), se tornariam anedotas nas décadas seguintes, mas só quem viveu os anos 70 tem ideia de como foram felizes mesmo assim.

Em meio à febre disco, que invadiu as telas e os salões com "Os Embalos de Sábado à Noite" de John Travolta, estava o Boney M., um grupo musical europeu que foi responsável por vários dos maiores sucessos daqueles conturbados e dançantes anos.

O Boney M. foi formado pelo produtor alemão Frank Farian, que reuniu cantores oriundos das possessões holandesas no Caribe e que moravam na Inglaterra, na Holanda e na Alemanha.

Pouca gente se lembra que um de seus maiores sucessos foi "Rivers of Babylon" (1978), que junta na sua letra os versículos 1 a 4 do Salmo 137 com o verso 14 do Salmo 19, conforme você pode ver no vídeo abaixo, com legendas em inglês e português:


Outra canção do Boney M. que fez muito sucesso foi "Ma Baker", uma espécie de "homenagem" à conhecida criminosa Kate Baker (1873-1935), que ficou famosa pelo apelido de "Ma Baker", e sua história foi exaustivamente explorada pela mídia norteamericana da época, a exemplo de outros criminosos como Bonnie & Clyde, que também se tornaram lendários.


Ma Baker: procurada!

Criada numa família cristã conservadora, Ma Baker se casou com George Baker em 1892, com quem teve quatro filhos: Herman, Lloyd, Arthur e Fred.

Após o nascimento deste último, George a abandonou e Ma Baker trabalhou duro para sustentar a família, mas seus filhos preferiram o caminho do crime.

Há muita controvérsia sobre a versão de que Ma Baker teria auxiliado o banditismo dos filhos, mas a lenda já havia sido criada em torno de seu nome.

Alguns pesquisadores sugerem que o próprio FBI criou essa lenda sobre Ma Baker para justificar a morte dela num confronto com a polícia em janeiro de 1935.

De qualquer maneira, vale a pena entrar no túnel do tempo e conferir o vídeo abaixo do Boney M. cantando uma versão glamorizada de "Ma Baker" (com tradução sofrível mas compreensível em português):


A incursão do Boney M. no terreno religioso não parou, entretanto, em "Rivers of Babylon". 

Um ano antes, eles foram mais fundo e emplacaram em 1977 o sucesso "Belfast", alusão à capital da Irlanda do Norte que enfrentava então o auge da guerra civil entre católicos e protestantes, o que os levou a apelar para a paz entre os simpatizantes do Reino Unido (protestantes) e da República da Irlanda (católicos).

Afinal, como acontece em muitas regiões do globo até hoje, a denominação religiosa era apenas uma fachada para encobrir os interesses políticos de cada lado.


As aventuras religiosas de Boney M. não pararam por aí, acreditem!

Confirmando o seu, digamos, ecletismo, chegaram a flertar com ritmos russos, isso na época em que o mundo vivia uma plena guerra fria entre Estados Unidos (EUA) e União Soviética (URSS), eles gravaram "Rasputin", uma suposta "homenagem" ao monge ortodoxo russo que, segundo a letra da canção, teria sido "amante da rainha (czarina)" Alexandra:




E aí, não conseguiu chegar ainda a um veredito sobre os anos 70 e Boney M?

Se ainda tiver fôlego, tente então com "Daddy Cool" e "Hooray! Hooray!"



Em 2010, o vocalista Bobby Farrell ainda fazia turnês um tanto quanto decadentes e constrangedoras tentando reviver o Boney M, como você percebe pelo medley abaixo, gravado num programa da TV France 2 naquele ano, mas ele viria a falecer dois dias antes que pudesse ver a chegada de 2011, aos 61 anos de idade.



Queira Deus que, semanas após a performance acima, ele tenha conseguido atravessar os rios da Babilônia em paz...



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