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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 4

Lutero perante Carlos V na Dieta de Worms em 1521

NINGUÉM SERÁ JUSTIFICADO PELAS OBRAS

Pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
(Gálatas 2:16)

Até aqui, as palavras são de Paulo que falou a Pedro. Nelas, resumiu o artigo principal da doutrina cristã, que faz verdadeiros cristãos. Agora, ele muda o discurso aos gálatas a quem escreve e conclui, dizendo: “Como a situação é essa que somos justificados pela fé em Cristo, conclui-se que, por obras da lei, não será justificada toda carne”.

“Não toda carne” é um hebraísmo que peca contra a gramática. Lemos, Gn 4[.15]: “Para que não o matasse todo aquele que o encontrasse”. Os gregos e os latinos não falam assim. “Não todo aquele” quer dizer “ninguém”. “Não toda carne” quer dizer “nenhuma carne”. Mas, em latim, “não toda carne” significa “alguma carne”. O Espírito Santo, todavia, não observa tal rigor da gramática.

Carne, contudo, não significa, me Paulo, aqueles pecados grosseiros como os sofistas supõem, pois esses, ele costuma mencionar por seus nomes explícitos, como, por exemplo, adultério, fornicação, imundícia, etc., Gl 5[.19ss]. Para Paulo, carne significa o mesmo que para Cristo, que diz em Jo 3[.6]: “O que é nascido da carne é carne”. Carne, portanto, significa toda a natureza do homem, com a razão e todas as suas forças. “Essa carne”, diz, “não é justificada por obras, nem mesmo, por obras da lei”. Não diz: “A carne não é justificada por obras contra a lei, como violência, bebedeira, etc., mas por obras feitas segundo a lei, as quais são boas”. Para Paulo, portanto, carne significa a mais alta justiça, sabedoria, culto, religião, intelecto, vontade, por maiores que sejam nesse mundo. Por isso, o monge não é justificado por sua ordem, nem o sacerdote pela missa ou pelas horas canônicas, nem o filósofo pela sabedoria, nem o teólogo pela teologia, nem o turco pelo alcorão nem o judeu por Moisés. Em suma, por mais sábios e justos que sejam os homens, segundo a razão e a lei divina, não são justificados, contudo, por suas obras, méritos, missas, por sua mais alta justiça e pela prestação de cultos.

Os papistas não creem nisso, mas, cegos endurecidos, defendem suas abominações contra a consciência e perseveram nessa sua blasfêmia e, ainda, agora, vangloriam-se com estas palavras: “Quem faz essa e aquela obra merece a remissão dos pecados; prometemos, com certeza, a vida eterna a quem serve a essa ou àquela santa ordem”. É uma blasfêmia indizível e horrível atribuir às doutrinas dos demônios, aos estatutos e regras dos homens, às ímpias tradições do papa e às obras dos monges aquilo que Paulo, o apóstolo de Cristo, recusa a atribuir à lei divina e às suas obras. Se ninguém é justificado por obras da lei divina, segundo o testemunho do apóstolo, muito menos, alguém será justificado pelas regras de Benedito, de Francisco, etc., em que não se encontra nenhuma sílaba a respeito da fé em Cristo, mas, apenas, insiste-se nisto: “Quem observa essas coisas, tem a vida eterna”.

Por isso, sempre me admirei muito que, por tantos séculos, em que perduravam essas seitas da perdição, a Igreja pôde subsistir em meio a tantas trevas e erros. Houve alguns que deus chamou, simplesmente, pelo texto do Evangelho, que permanecia em seus sermões, e pelo Batismo. Esses andavam perante deus na simplicidade e humildade do coração, pensando que, somente, os monges e os que foram ordenados pelos bispos fossem santos e religiosos, mas eles, profanos e seculares que, de forma alguma, poderiam ser comparados com aqueles. Não encontrando eles em si mesmos, nem boas obras, nem méritos que pudessem contrapor à ira e ao juízo de Deus, refugiaram-se na paixão e morte de Cristo e, nessa simplicidade, foram salvos.

Horrível, porém, e infinita é a ira de Deus que, através de tantos séculos, puniu a ingratidão e o desprezo do Evangelho e de Cristo nos papistas, entregando-os a uma mente reprovável. Negando totalmente a Cristo no que diz respeito à necessidade dele e blasfemando-o, acolheram, no lugar do Evangelho, as abominações das regras e tradições humanas as quais, unicamente, veneraram e preferiram à Palavra de Deus até que, finalmente, foi-lhes proibido o matrimônio e foram forçados àquele celibato incestuoso. Então, também, foram poluídos, exteriormente, com toda a sorte de escândalos, adultério, devassidão, impureza, sodomia, etc. Esse era o fruto daquele celibato impuro. Assim, Deus, com justiça, entregou-os, interiormente, a uma mente reprovável e, exteriormente, permitiu que caíssem em tantos crimes, pois blasfemaram o unigênito Filho de Deus no qual o Pai quer ser glorificado, a quem entregou à morte, a fim de que os que nele creem fossem salvos por intermédio dele e não, pelas ordens deles. “Aos que me honram”, diz Deus em 1 Rs 2[sc. 1 Sm 2.30], “honrarei”. Mas Deus é honrado em seu Filho, Jo 5[.23]. Quem, pois, crê que o filho de Deus é nosso Mediador e Salvador, honra o Pai e Deus, por sua vez, o honra, isto é, orna-o com seus dons: a remissão dos pecados, a justiça, o Espírito Santo e a vida eterna. Do outro lado, “os que me desprezam”, diz Deus, “serão desmerecidos” [1 Sm 2.30].

A conclusão principal, portanto, é esta: “Por causa das obras da lei, ninguém será justificado”. Dando a essa conclusão dimensões mais abrangentes e percorrendo todas as posições sociais, concluirás que um monge não será justificado por sua ordem, nem uma freira pela castidade, nem um cidadão justificado por sua honradez, nem um príncipe por sua beneficência, etc. A lei de Deus é maior que o mundo inteiro, porque abrange todos os homens e as obras da lei excedem, extremamente, às obras seletivas dos homens de justiça própria. No entanto, diz Paulo, que nem a lei nem as obras da lei justificam. Uma vez estabelecida a proposição, o apóstolo começa, agora, a confirma-la com argumentos. E o primeiro argumento é, por assim dizer o oposto da conclusão.

(LUTERO, Martinho. Comentário à Epístola aos Gálatas, 1531. MARTINHO LUTERO, Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Canoas: Ulbra, 2008, Vol. 10, pág. 147-149)



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Pastor da mundial acusado de chefiar quadrilha que roubava igrejas em SP


A informação é do G1 Santos e Região:

Pastor é suspeito de liderar quadrilha armada que assaltava igrejas em SP: 'Agem com violência'

Givanildo Borges atuava como pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus em Cubatão. Quadrilha já agiu em, pelo menos, cinco cidades do estado.

Mariane Rossi

Um pastor evangélico de Cubatão (SP) é suspeito de ser o chefe de uma quadrilha que assaltava igrejas e templos em cidades do litoral e interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ele entrava nas igrejas, pedia uma benção ao religioso que atuava no local e obtia informações sobre o dízimo e objetos valiosos. Em seguida, a quadrilha invadia o templo e roubava os fiéis e o dinheiro da igreja. O pastor e outros integrantes da quadrilha são considerados foragidos, após o pedido de prisão temporária do grupo ser deferido pela Justiça.

De acordo com a polícia, as investigações começaram em abril, quando a quadrilha assaltou uma igreja em Cubatão. Após colher informações, a equipe do delegado Antonio Messias, titular da cidade, descobriu que o grupo era liderado por Givanildo Borges, pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus na Vila dos Pescadores, em Cubatão.

“Eles escolhiam a igreja, chegavam no fim do culto evangélico, com veículos roubados ou furtados, e esperavam o local esvaziar. O pastor entrava na igreja com alguns fiéis, que ficavam organizando a igreja após o culto. Esse pastor entrava, se dirigia ao pastor do local e pedia uma benção, dizia que estava com problemas, fazia uma oração e aproveitava para fazer uma verificação do ambiente, ver onde havia objetos de valor”, afirma Messias.

Segundo o delegado, após a falsa benção, o pastor se encontrava com os comparsas nos carros e repassava as informações aos outros criminosos sobre o dízimo e objetos valiosos. O grupo entrava na igreja e roubava os fiéis e o dízimo. Depois, voltavam para os veículos e fugiam.

A quadrilha efetuou roubos em outras cidades do estado. Ao todo, foram seis crimes em templos evangélicos, sendo um na Igreja Mundial do Poder de Deus, da qual o pastor Givanildo fazia parte, e outros cinco na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), nas cidades de Peruíbe, São Roque, Cubatão, Guarujá e Mongaguá. O grupo também efetuou um roubo a uma empresa de produtos eletrônicos em Santos e a uma residência em Bertioga.

“Em São Roque, foi em uma Igreja Mundial, a mesma rede onde ele trabalhava. Quando abordaram os fiéis, um deles era guarda municipal e estava com uma arma. Quando eles descobriram, pegaram a arma e apontaram para ele, mas, por sorte, a arma não disparou, falhou. Eles agrediram o guarda, que ficou três dias internado e está afastado até hoje. Eles agem com muita violência contra os fiéis e andam armados”, diz Messias.

Segundo a polícia, durante as investigações, os agentes foram até o quarto utilizado por Givanildo na Igreja Mundial, em Cubatão. Eles não localizaram o pastor no local, mas encontraram cinco notebooks que foram roubados da empresa de eletrônicos, em Santos.

Ainda de acordo com as autoridades, a quadrilha é formada por Felipe Marcolino dos Santos, conhecido como "Vovô", Roberth Lincoln Barroso Oliveira, o "Chuchu", e Guilherme Augusto da Silva Júnior, o "Didi", além do pastor. Didi foi preso em Mongaguá, porém, os outros integrantes da quadrilha continuam soltos.

O G1 entrou em contato com a Igreja Mundial do Poder de Deus. Por telefone, o diretor jurídico da igreja, Rodrigo Braga, informou que, "por enquanto, não tem informações concretas e reais que possam condenar o rapaz. Há cerca de um mês, aproximadamente, esse então pastor abandonou a igreja. Foi quando tomamos conhecimento de que ele estava foragido, diante da acusação de integrar essa quadrilha que furtava as igrejas. Após o sumiço, houve o desligamento dele como pastor, mas não temos nenhuma informação concreta do paradeiro”.



sábado, 20 de maio de 2017

Delator envolve Malafaia no escândalo JBS-Friboi


Aparentemente, a denúncia está relacionada ao indiciamento de Malafaia ocorrido em fevereiro de 2017.

Resta saber a extensão deste relacionamento, se é crime ou não. Aguardemos maiores informações.

A matéria é da Folha de Pernambuco:

Advogado da JBS liga procurador preso a presidente da OAB-DF e cita Malafaia

Em delação premiada, advogado confirmou que a empresa fazia pagamentos ao Procurador da República Ângelo Goulart Villela

Em depoimento que integra acordo de delação premiada, o advogado Francisco de Assis e Silva, do grupo JBS, confirmou que a empresa fazia pagamentos ao Procurador da República Ângelo Goulart Villela. Villela fazia parte da força-tarefa da Operação Greenfield, que investiga a JBS e subsidiárias em esquema de uso irregular de dinheiro de fundos de pensão. Ele foi preso na quinta-feira (18).

Segundo o advogado Silva, Villela teria sido apresentado a ele e a Joesley Batista, empresário dono do grupo J e F, por intermediação dos advogados Willer Tomaz e Juliano Costa Couto, presidente da OAB no Distrito Federal.

No vídeo do depoimento, ocorrido em 10 de maio de 2017, Silva diz que "o relacionamento do grupo com o advogado Willer Tomaz começa no finalzinho do ano passado, quando um amigo do Joesley, preocupado com as operações Greenfield e Sepsis, indica o advogado Juliano Costa Couto, que teria relacionamento próximo com a 10ª Vara Federal", afirma.

Segundo o advogado, para ilustrar sua intimidade com o magistrado responsável pelas operações, Willer lhe disse que o juiz teria aceitado se encontrar informalmente com o pastor Silas Malafaia, que desejava estreitar relações com o Judiciário após ter sido alvo de condução coercitiva.

Segundo Silva, o objetivo do grupo era "que o procurador conseguisse convencer o juiz para que ele visse um erro na representação do Ministério Público [Federal]". Para tanto, teriam sido acordados honorários de R$ 4 milhões, e mais R$ 4 milhões caso o arquivamento do inquérito fosse bem-sucedido.

O advogado relata ainda ameaças que teria sofrido após ele e o grupo JBS iniciarem, em segredo, as tratativas para uma delação premiada - a informação teria sido passada pelo procurador Villela. "Na sexta-feira, antes do Carnaval, Willer me liga e diz: 'Que sacanagem é essa de delação premiada?', eu desconversei, ele respondeu: 'O Ângelo me contou'".

Em outra reunião, prossegue o delator, Willer teria lhe dito: "Estou de olho em você e ainda vou entender o que você está fazendo". Silva afirma, então, que perguntou a Willer "sobre uma história de mensalinho de R$ 50 mil ao procurador". "Eu pergunto: 'tá certo que ele tem remuneração por isso?', e ele diz 'tá certo', e reclama que teve que dividir os honorários que pagamos a ele com o procurador e os juízes."



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Pastor de Sorocaba (SP) condenado por estupro de 2 crianças


A notícia, do último dia 5 de maio, é do Tribunal de Justiça de São Paulo:

Pastor acusado de estupro em Sorocaba é condenado

A pena foi fixada em mais de 36 anos.

O juiz Jayme Walmer de Freitas, da 1ª Vara Criminal de Sorocaba, condenou acusado de estupro a 36 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado. O réu, que é pastor de uma igreja evangélica na cidade, foi denunciado por ter violentado sexualmente duas crianças entre os anos de 2003 e 2004 – duas outras haviam sido abusadas por ele na década de 80, mas os familiares não denunciaram os fatos à policia em tempo hábil e, por isso, os crimes prescreveram.

Consta dos autos que ele se valia de relação de confiança – uma vez que os familiares das vítimas frequentavam a igreja da qual ele fazia parte – para cometer os abusos, e que os ameaçava durante a prática dos atos.

O réu não poderá recorrer em liberdade.

Comunicação Social TJSP – AM (texto)



Aparentemente, se trata do desenrolar da notícia que repercutiu em julho de 2016, segundo noticiou à época o jornal sorocabano Cruzeiro do Sul:

Pastor é preso por acusação de estupro de três crianças em Sorocaba; caso é investigado

Um pastor evangélico, de 58 anos, acusado do estupro detrês crianças, foi preso na sexta-feira passada em Sorocaba. O crimes ocorreram em 2001. Segundo os delegados José Ordele Lima Junior, assistente da Seccional, e Alessandra Reis dos Santos, assistente da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apresentaram o caso à imprensa na manhã desta quinta-feira (28), oabuso veio à tona apenas no final de 2012, quando uma das vítimas, já maior de idade, teve coragem de denunciar para evitar que o acusado pudesse fazer mais vítimas.

O denunciante indicou outra vítima, que por sua vez indicou o irmão. Todos eles relataram à políciapraticamente os mesmos abusos praticados pelo acusado. Na época, eles teriam em média sete anos, sendo que um deles teria sido abusado até os 13 anos.

Embora a polícia tenha informado que o crime não teria qualquer relação com atividade religiosa do acusado, uma das vítimas entrou em contato com o Cruzeiro do Sul para contestar. Segundo afirmou, as três vítimas frequentavam a igreja, e acrescentou que, a partir da denúncia, já em 2012, a direção do local transferiu o pastor para uma outra igreja na mesma cidade. Ainda segundo essa vítima, a igreja foi omissa, pois no seu entendimento, deveria tê-lo afastado de suas atividades no decorrer das investigações.

O inquérito foi instaurado em 2013 e concluído em 2014. Com base na sucessão de fatos, o juiz Jayme Walmer de Freitas, da 1ª Vara Criminal de Sorocaba, expediu, em 31 de maio deste ano, o mandado de prisão preventiva, cumprido na última sexta-feira, num condomínio da zona oeste, na casa de uma amiga. O acusado nega os fatos.

Conforme o que foi dito pela delegada, todas as vítimas esconderam os fatos dos familiares inicialmente por serem ameaçadas pelo pastor, e posteriormente, por vergonha. O caso segue em segredo de justiça, e o pastor aguarda na cadeia de Pilar do Sul uma vaga no sistema prisional. Em caso de surgimento de novas vítimas, elas devem procurar pela DDM e formalizar a denúncia. A polícia não divulgou o nome do acusado.



quinta-feira, 20 de abril de 2017

Igreja de Tocantins indenizará fiel estuprada por auxiliar de pastor

A informação é do Consultor Jurídico:

EXPECTATIVA DE PUREZA

Por quebra de confiança, igreja indenizará fiel estuprada por auxiliar de pastor

A quebra de confiança decorrente de um crime não afeta apenas o responsável pelo ato, mas também a organização que ele representa, se esse for o caso. Isso porque algumas instituições, por exemplo as religiosas, têm das pessoas uma expectativa de pureza e auxílio espiritual.

Assim entendeu o juiz Océlio Nobre da Silva, da 1ª Vara Criminal de Colinas do Tocantins (TO), ao obrigar uma igreja evangélica a indenizar uma fiel em R$ 300 mil por ela ter sido estuprada por um auxiliar de pastor. O processo foi movido pela mãe da menina depois que ela fugiu com o agressor por acreditar que os dois teriam um relacionamento amoroso.

Mas isso não aconteceu. Ele fez sexo com ela a partir dessa promessa e, depois do ato, não cumpriu com o combinado, fazendo com que a vítima voltasse para casa. A igreja evangélica alegou na ação que não poderia ser responsabilizada pelo ato do auxiliar porque ele não era diretamente ligado à instituição, sendo um fiel com intenções de se tornar pastor.

Porém, o juiz disse na decisão que a estrutura da entidade religiosa mostrava o posto do agressor como uma espécie de período probatório para que se tornasse um pregador daquela fé. Para o magistrado, a ré mentiu ao usar esse argumento.

"Apesar de admitir que [o agressor] é um auxiliar de pastor, a ré tentou dar-lhe a definição de obreiro, ou seja, usando o conceito de um cargo para definir outro. Uma coisa é o pastor auxiliar e, outra, o obreiro. Assim, o autor do ilícito era um pastor auxiliar a que foi chamado, dentro deste processo, de auxiliar de pastor."

Ele destacou que, além da questão puramente institucional, incide no caso a visão que a sociedade tinha do agressor, ou seja, de auxiliar daquele que pregava a fé defendida pela instituição. "É certo que, aquele que auxilia o Pastor não desfruta, no plano jurídico, da mesma autoridade, hierarquia e status , mas aos olhos do leigo a conclusão é outra."

"O prestígio e a respeitabilidade social, aos olhos do leigo, de forma consciente ou não, é inevitavelmente compartilhada entre o Pastor e seu Auxiliar, como o é em relação à esposa do Pastor, aos filhos etc. O auxiliar é um homem que desfruta de prestígio dentro da Igreja, exatamente por ser ele o homem próximo ao líder religioso, desfrutando de uma carga maior de confiança em relação aos demais, tudo por projeção da estrutura organizacional da igreja a que serve", detalhou.

O magistrado também destacou que a igreja não contribuiu, em momento algum, para esclarecer o caso e encontrar a menina, limitando-se a a sugerir e fazer orações para que a vítima voltasse sã e salva. "Se tinha o poder de trazer de volta a criança, através da oração, não o tinha para manter seus membros no caminho do bem? Coisa estranha!"

De acordo com o magistrado, a igreja deve ser condenada pela frustração da confiança gerada pelo caso. Ele explicou que essa quebra de cumplicidade entre o fiel e a instituição também é definida por vários dispositivos legais, por exemplo, o Código Penal ao impor agrantes em homicídios, furtos e apropriação indébita. Também citou o Código Civil, destacando que "a confiança é protegida através dos institutos da surressio, supressio, proibicao do venire contra factum proprio".

Apesar de destacar que a igreja, em momento algum, compactuou com o ato do agressor, o julgador ponderou que foi por meio da instituição que o fato ocorreu, por meio de contatos prolongados entre vítima e agressor que resultaram em relações mais íntimas. "Quando o pai da vítima entregou sua filha para educação religosa foi à Igreja que entregou, não ao pastor ou seu auxiliar. A confiança depositada não era no homem, mas na igreja, no sereno ambiente divino que iniciaria sua filha nos caminhos do Pai."

Segundo o relator, agrava a situação a violação de confiança da família da vítima e sociedade, que acredita na lisura das relações entre a igreja e fiéis. Ao condenar a instituição, ele explicou que, além do estupro, que é crime hediondo, "pois rouba da mulher o que há de mais seu, a sua liberdade sexual", há o dano resultante da quebra da afetividade pela ilusão de um relacionamento que jamais aconteceria e o uso da estrutura de uma instituição social para o crime.

"O estupro causa dano moral indenizável, causa sofrimento, seqüelas psicológicas, danos que transcendem de um mero aborrecimento. Por ser a vítima, à época dos fatos, uma adolescente, o valor deve ser elevado, dado que as sequelas são mais notáveis e, considerando, ainda, o fato de o delinquente tê-la raptado, mantendo-a sob seu poder por vários dias", finalizou.

O número do processo não é divulgado por estar em segredo de Justiça.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Levantando a bola: "pastor" Everaldo apoiou Aécio "pelo fim da corrupção" em 2014



É, a internet deixa rastros nem sempre honrosos, conforme você pode ver pelo tuíte abaixo, do então candidato "pastor" Everaldo, agora denunciado pela Odebrecht como beneficiário de R$ 6 milhões de reais para que ajudasse seu então (supostamente) oponente Aécio a ganhar as eleições presidenciais de 2014.






Não dá mais pra negar a autoria da declaração em questão porque ela foi referenciada pela  
BBC Brasil na época, viu....

Chato isso, não é mesmo?

Mas é também no Twitter que o ex-candidato tem procurado se defender com os seguintes argumentos:




Avalie você mesmo a defesa do "pastor". Te convence?

De qualquer maneira, certamente ele terá oportunidade de se defender nas instâncias competentes para dar ao caso o destino que lhe cabe.




domingo, 16 de abril de 2017

A dobradinha Aécio - Pastor Everaldo nos debates das eleições de 2014


O vídeo abaixo foi editado e publicado no youtube logo após os debates das eleições presidenciais de 2014. 

Dois anos e meio atrás, portanto. 

Premonitório?

Não. É que agora a gente sabe por quê e quem pagou tanto amor, não é mesmo?

Confira:




sábado, 15 de abril de 2017

Delator da Odebrecht diz que "pastor" Everaldo queria "vender" voto evangélico


O vídeo da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Fernando Reis, sobre o tal "pastor" Everaldo é um escândalo, para dizer o mínimo.

Não se iluda com o nome ilusório "delação premiada". De "prêmio", só a redução da pena a quem delata, mas estamos falando de bandidagem, de criminosos que utilizaram dinheiro de procedência duvidosa com fins escusos, como é o caso da Odebrecht e seus executivos.

Qualquer político que se relaciona com eles, sabe bem com quem está falando...

No caso em questão, primeiramente, o delator afirma que o caso de Everaldo é um dos que mais demonstram como a própria empresa achacadora, a Odebrecht, perdeu o controle do esquema de corrupção.

Depois diz que quem lhe apresentou Everaldo foi o arroz-de-festa da corrupção gospel, o ex-deputado evangélico Eduardo Cunha, e que Everaldo tinha elaborado complicadas estatísticas sobre o destino de 26 milhões de votos evangélicos e quantos deles ele podia trazer para si ou direcionar segundo seu bel prazer.

Pasme: Everaldo se julgava "dono" de 8 milhões de votos evangélicos no país e tinha um discurso privatista que coincidia com a visão econômica de mundo da Odebrecht.

Houve várias outras reuniões em que Everaldo estava sempre acompanhado de Rogério Vargas, que o delator não sabia precisar se era secretário e/ou tesoureiro do partido (PSC - Partido Social Cristão).

Foi feito o primeiro pagamento pela Odebrecht no valor de R$ 1 milhão e, a partir daí, segundo o delator afirma, o ciclo começou a ficar vicioso, conforme o nome de Everaldo aparecia com pequenos índices nas primeiras pesquisas eleitorais para as eleições presidenciais de 2014.

Houve uma segunda contribuição, então, também de R$ 1 milhão e também como "caixa 2", com os codinomes "zelota" e "aquário 2", este último em referência ao símbolo do PSC, que é um peixe, e esses valores foram sempre entregues no escritório de advocacia do Sr. Rogério Vargas.

Conforme Everaldo foi crescendo nas pesquisas, chegando a ter algo em torno de 4,5 a 5% das intenções de voto, as "doações" foram subindo até alcançar o montante de R$ 6 milhões.

A Odebrecht chegou a orientar Everaldo a reforçar seu discurso privatista na entrevista que deu ao Jornal Nacional da Rede Globo de TV em 19 de agosto de 2014, mas com o acidente aéreo que matou o candidato Eduardo Campos (do PSB - Partido Socialista Brasileiro) pouco depois, e com a consequente ascensão de Marina Silva ao seu posto de candidato pelo PSB, praticamente todo o eleitorado evangélico migrou para a candidata, levando Everaldo a desaparecer nas pesquisas.

Everaldo teria percebido o golpe e a Odebrecht, sentindo-se "credora" do candidato, pediu-lhe que utilizasse o seu tempo no debate para ajudar Aécio Neves, do PSDB, fazendo perguntas "inócuas" e "escadas" para que o tucano pudesse ter mais tempo e se saísse bem para - assim - chegar ao segundo turno com Dilma, do PT.

Aí estaria, segundo o delator Fernando Reis, a "distorção" na "política de contribuições" da Odebrecht: era um valor muito grande ofertado a "quem tem muito pouco pra dar". A seu ver, esta foi uma "avaliação errada".

Veja a íntegra da delação especificamente quanto ao "pastor" Everaldo:




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Balaão gospel: Odebrecht diz que pagou para Pr. Everaldo ajudar Aécio em debate na TV

Tutti buona gente...

Balaão, para aqueles que não leram a Bíblia, é o "profeta de programa" que foi pago para maldizer o povo de Israel em Números, capítulo 22.

Balaão anda fazendo muito sucesso ultimamente nas igrejas ditas "evangélicas" no Brasil. Já tivemos oportunidade de constatar este fenômeno e "homenageá-lo", sob diferentes ângulos, nos artigos:

As jumentinhas de Balaão (agosto de 2009)


Pois agora, entre tantas outras "profetadas", chega a notícia de que o "pastor" Everaldo, candidato do PSC à presidência do país em 2014, teria recebido propina para ajudar Aécio Neves, então candidato do PSDB, em um debate televisivo realizado às vésperas do 1º turno daquelas eleições.

Curioso que o delator confessa que o pagamento a mais esse Balaão tupiniquim foi “muito grande para quem tem muito pouco para dar”.

Muitos - mas muitos mesmo - "evangélicos" brasileiros copiaram a oração franciscana e se comportam agora na base do "é dando que se recebe". Que fase, meu Deus!!!

Espere sentado um pedido de perdão dos "pastores" e "portais" que te venderam a ideia de que certos "evangélicos" eram "santos".

Aliás, bem que a Lava-Jato podia chegar naquelas "ovelhinhas" que trabalhavam como formiguinhas para viralizar vídeos e artigos que favoreciam determinados candidatos, não é mesmo?

Será que algum daqueles "irmãos" tão "éticos" eram pagos pra isso?

Afinal, haveria mais blogs, portais, igrejas, "pastores", denominações e bocas que a Odebrecht teria alugado para seus amigos tucanos?

Gente que põe a política à frente da fé, cuja ideologia os define, "cujo deus é o ventre, cujo destino é a perdição" (Filipenses 3:19).

Pode ser que a resposta a essas perguntas não sejam conhecidas nesta vida, mas na vindoura, meus amigos,  pois guardai-vos: "Sua nudez será exposta e sua vergonha será revelada. Eu me vingarei; não pouparei ninguém" (Isaías 47:3 - NVI).

Só que aqui neste país cruel existem tantos bandidos graúdos que vai ser difícil, para não dizer impossível, chegar na mão-de-obra da ralé gospel, fiquem tranquilos!

Ou nem tanto...

A matéria é do G1 Operação Lava-Jato:

Odebrecht pediu a Pastor Everaldo para ajudar Aécio em debate de 2014, diz delator

Delator Fernando Reis afirmou em depoimento que empreiteira contribuiu para a campanha de Everaldo e sugeriu a ele que fizesse perguntas para ajudar tucano a chegar ao segundo turno.

O executivo Fernando Reis afirmou em depoimento de delação premiada que a empreiteira Odebrecht orientou em 2014 o então candidato a presidente Pastor Everaldo (PSC) a ajudar o candidato do PSDB, Aécio Neves, em um debate entre os presidenciáveis realizado durante a campanha.

Reis não informa qual foi o debate nem se Aécio tinha conhecimento do pedido. Segundo ele, o objetivo da empresa com a manobra foi “dar mais visibilidade” para o candidato tucano durante o debate e ajudá-lo a garantir vaga no segundo turno para disputar com a então presidente Dilma Rousseff, que concorria à reeleição.

O G1 falou por telefone com Pastor Everaldo, mas ele disse que não poderia dar entrevista naquele momento porque estava em uma reunião. Também procurou a assessoria de Everaldo, mas não conseguiu contato.

Fernando Reis afirmou que a Odebrecht repassou R$ 6 milhões para a campanha de Pastor Everaldo, a quem disse ter sido apresentado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

De acordo com o delator, após a morte de Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB, os votos da comunidade evangélica migraram para Marina Silva, que o sucedeu como candidata. "Aí, ele [Everaldo] praticamente desapareceu nas pesquisas", disse.

Segundo Reis, Pastor Everaldo “tinha uma rixa com o PT”, partido de Dilma Rousseff, e “a ideia” da Odebrecht com o pedido de ajuda foi “ajudar Aécio a chegar num segundo turno”.

"Como a gente se sentia credor por ter contribuído tanto para a campanha dele, nós sugerimos a ele que usasse o debate sempre para perguntar ao candidato Aécio porque aí daria mais tempo ao Aécio. E analisando a transcrição do debate do primeiro turno se nota que ele fez perguntas absolutamente simples e inócuas para que o candidato Aécio pudesse ter tempo na televisão", afirmou.

Reis disse que a Odebrecht não tinha um candidato de preferência, "mas existia a intenção de ajudar aos dois [Dilma e Aécio] e eu acho que a ideia nesse momento era ajudar o Aécio a chegar ao segundo turno".

O delator afirma que a empresa concluiu depois que a contribuição à campanha de Everaldo foi “muito grande para quem tem muito pouco para dar”.

“A gente achou que ele poderia ter uma grande quantidade de votos. Mas foi uma avaliação completamente errada”, disse.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Discurso "ético" evangélico afunda junto com o Brasil


Política é um troço engraçado.

Não combina com religião e futebol, todos nós sabemos, mas certos indivíduos insistem em negar a sabedoria popular.

Depois reclamam....

Reclamam quando seu discurso empolado, todo bonitinho, supostamente "ético", termina na cadeia junto com o candidato que eles juraram que era honesto e tão, mas tão merecedor do seu voto que todos demais "irmãos" deviam segui-lo cegamente.

Se é que alguém vai terminar na cadeia.

Já que só os candidatos dos outros nunca prestaram.

Como se política no Brasil fosse algo sério...

Como se ninguém soubesse como se dão as negociações políticas nos bastidores imundos dos palácios municipais, estaduais e nacionais, aqui e alhures.

Atribui-se a Otto von Bismarck (1815-1898), o grande unificador da Alemanha, a famosa frase, muito apropriada ao nosso trágico momento, que diz que "os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis". 

Como se cada eleição aqui fosse uma mísera tentativa de tentar tirar um pouco dos banquetes das oligarquias, transformá-lo em fubá, e repartir um tiquinho que fosse com quem tem fome.

Como se pudesse haver democracia com uma rede de televisão que domina e manipula a informação a seu bel prazer o tempo todo e um pouco mais.

Elege e derruba quem quiser...

Como se tudo não fosse um jogo de cartas marcadas.

Como se, longe do público, os políticos rivais e algozes não se confraternizassem e dividissem os despojos entre eles.

O episódio da delação premiada da Odebrecht coloca uma pá de cal no país como um todo.

Não sobrou ninguém para comer bola e arrotar ética.

"Ética" que serviu de desculpa para a imensa maioria dos evangélicos justificar seus votos nas últimas décadas eleitoreiras.

Lembro-me de como, em 2002, o evangélico que não votasse em Garotinho era considerado um filhote de satanás.

Assim foi também em 2006, com o "ungido" Geraldo Alckmin; 2010, com o "eleito" José Serra; e 2014, com o "messias" Aécio Neves.

Só para citar as eleições presidenciais..

Pois estão todos eles na lista da Odebrecht.

Inclusive o "pastor" Everaldo, candidato evangélico que não passou do primeiro turno em 2014, teria recebido R$ 6 milhões de caixa 2, inclusive para servir de "escada" para Aécio nos debates televisivos, segundo delatou um dos ex-diretores da Odebrecht.

E isso não é nenhum motivo de alegria. Quebramos o país, afundamos todos juntos. Nada sobrou.

Envergonhemo-nos juntos, portanto.

O último que sair apague a luz. Se alguém tiver pago a conta, é claro.

Bem, não importa mais...

Como também disse certa vez Otto von Bismarck*, "o importante é fazer história, não escrevê-la".

Nem isso fomos capazes de fazer.




* Outras frases notáveis de Bismarck:

  • "A política é a arte do possível".
  • "A liberdade é um luxo a que nem todos se podem permitir."
  • "Com leis ruins e funcionários bons (juízes) ainda é possível governar. Mas com funcionários ruins as melhores leis não servem para nada."





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Polícia Federal indicia Malafaia por corrupção

A suprema ironia é que Malafaia ajudou a derrubar o governo do PT e o governo que ele colocou no lugar de seus inimigos terminou por indiciá-lo no crime de corrupção.

A informação foi publicada em 23/02/17 na revista IstoÉ:

Até tu, paladino da ética?

O pastor Silas Malafaia é indiciado pela Polícia Federal por ter participado de esquema de corrupção ligado a royalties da mineração

Silas Lima Malafaia “se locupletou com valores de origem ilícita”. Com esse contundente despacho, a Polícia Federal – em relatório de conclusão de inquérito obtido com exclusividade por ISTOÉ – indiciou o pastor da Assembleia de Deus por lavagem de dinheiro e participação num esquema de corrupção ligado a royalties da mineração.

Em 16 de dezembro, Malafaia havia sido alvo de condução coercitiva pela Operação Timóteo. O nome da operação se baseia em um dos livros do Novo Testamento da Bíblia, a primeira epístola a Timóteo. No capítulo 6, versículos 9-10, está escrito: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. A Polícia Federal transcreveu o trecho na representação judicial que deu origem à operação. Pelo visto, para o delegado Leo Garrido de Salles Meira, autor do indiciamento, Silas Malafaia caiu em tentação. Agora, o pastor, proverbial arauto da moral e dos bons costumes, terá de explicar aos seus fiéis seguidores porque se dobrou aos pecados da carne.

A investigação detectou que um cheque do escritório de advocacia de Jader Pazinato, no valor de R$ 100 mil, foi depositado na conta de Malafaia. Pazinato, segundo a PF, teria recebido recursos ilícitos desviados de prefeituras e repassado propina, por isso também foi indiciado por corrupção ativa e peculato. O indiciamento significa que a autoridade policial encontrou elementos para caracterizar a ocorrência de crimes. Além de Malafaia, a PF indiciou outros 49 investigados, dentre eles o ex-diretor do DNPM Marco Antônio Valadares e Alberto Jatene, filho do governador do Pará, Simão Jatene.

Em entrevista concedida após sua condução coercitiva, Malafaia argumentou que um colega de outra igreja apresentou-o a um empresário que queria lhe fazer “uma oferta pessoal”, depositada em sua conta. “Não sou bandido, não tô envolvido com corrupção, não sou ladrão”, declarou à época. Procurado, o advogado de Pazinato, Daniel Gerber, preferiu não comentar.

Ex-dirigente do DNPM, Marco Antônio Valadares foi indiciado como líder da organização criminosa, acusado de corrupção passiva e peculato, dentre outros crimes. Seu advogado, Fernando Brasil, nega o envolvimento com corrupção. “Ele foi vítima de um relatório fantasioso, baseado na divergência de valores entre o seu salário e a aquisição de um imóvel”, disse. O episódio envolvendo Alberto Jatene também chamou a atenção dos investigadores. Assessor jurídico do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, ele recebeu R$ 750 mil de Pazinato nas contas de suas empresas. Para o delegado Leo Garrido, o pagamento foi efetuado por que o cargo ocupado por ele poderia render “facilidades” ao grupo criminoso. Com base nesses elementos, a PF indiciou Alberto Jatene por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Organização criminosa

Segundo o relatório da PF, contratos fraudulentos com prefeituras eram usados para desviar recursos de arrecadação da mineração. Para isso, eram usadas empresas e escritórios de advocacia. “Considerando toda a engrenagem criminosa, com estrutura ordenada que passa por quatro etapas distintas – da captação dos contratos até o branqueamento dos valores – tendo os personagens de cada uma delas funções específicas, concluímos que são fartos os indícios da existência de verdadeira ORCRIM (organização criminosa), responsável pelo desvio de pelo menos R$ 66 milhões”, escreveu o delegado. Outra associação religiosa, a Igreja Embaixada do Reino de Deus, também recebeu valores de Pazinato: R$ 1,7 milhão, segundo a PF.

O relatório policial foi enviado ao Ministério Público Federal. A partir dele, caberá ao procurador Anselmo Lopes decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça. Um fato novo no decorrer das investigações, porém, vai tornar mais lento o seu desfecho. O inquérito foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça por indícios do envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Foram detectados pagamentos do grupo criminoso a familiares do conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, Aloísio Chaves, que os investigadores suspeitam terem relação com autorizações obtidas no tribunal. Os parentes de Aloísio foram indiciados. Como conselheiros de tribunais de contas têm foro privilegiado, o caso subiu para a corte especial do STJ. Os autos chegaram no dia 17 de janeiro e foram distribuídos ao ministro Raul Araújo. As investigações, agora, ficam a cargo do vice-procurador geral da República, Bonifácio de Andrada.

A raiz de todos os males

A PF usou passagens bíblicas para dizer que o pastor Silas Malafaia “caiu em tentação” ao se locupletar de dinheiro ilícito

A trama
A Polícia Federal indiciou 50 pessoas por envolvimento em um esquema de corrupção e desvios de impostos sobre mineração, cujos valores envolvidos somam ao menos R$ 66 milhões. O caso foi batizado de Operação Timóteo

Silas Malafaia
Pastor foi indiciado por lavagem de dinheiro por ter recebido R$ 100 mil de um escritório de advocacia que estava no centro do esquema de corrupção

Marco Antônio Valadares Moreira (ex-diretor do DNPM)
Responde por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. É considerado o líder da organização criminosa

Alberto Jatene (filho do governador do Pará Simão Jatene)
Foi incluído no relatório da PF por corrupção passiva e organização criminosa. Recebeu R$ 750 mil de um dos escritórios envolvidos



Papa diz que é melhor ser ateu do que um hipócrita católico

A matéria é do Estadão:

Papa critica ‘vida dupla’ de católicos

Pontífice ressaltou comportamento de muitos católicos que vão sempre à missa, pertencem a associações, mas não levam de fato vida cristã

CIDADE DO VATICANO - Na missa matinal que costuma celebrar na Casa Santa Marta, onde se hospeda, o papa Francisco destacou ontem os escândalos ocasionados pela vida dupla de muitos católicos. “O que é o escândalo? O escândalo é dizer uma coisa e fazer outra.” O papa ressaltou o comportamento de muitos católicos que vão sempre à missa, pertencem a associações, mas não levam de fato vida cristã, são injustos com funcionários, exploram as pessoas ou mesmo fazem jogo sujo nos negócios. “Quantas vezes ouvimos dizer, por onde passamos: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’. O escândalo é isso. Destrói.”

Em um recado direto aos fiéis, o pontífice procurou ressaltar a questão do exemplo. “A todos nós, a cada um de nós, fará bem, hoje, pensar se há algo de vida dupla em nós, de parecer justos. Parecer bons fiéis, bons católicos, mas por baixo fazer outra coisa.”

O tema não é novo nas homilias de Francisco. Na mesma Casa Santa Marta, ele já havia dito no ano passado que, “se você diz que está em comunhão com o Senhor, então caminhe na luz. Mas vida dupla, não!” No Natal de 2014, em discurso à Cúria, citou 15 doenças que acometem a Igreja. Entre elas, classificou os que vivem uma vida dupla (religiosa e mundana) como “esquizofrênicos existenciais”.



sábado, 14 de janeiro de 2017

Pastor Everaldo e PSC na mira da Polícia Federal


Nesses tempos bicudos em que supostos "crentes" seguem cegamente seus lobos falsos líderes, não leem a Bíblia, especialmente versículos como este: "portanto, livrando-vos de todo tipo de impureza moral e aparência de maldade, recebei humildemente a Palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa vida" (Tiago 1:21 - versão King James Atualizada), não é surpresa, lamentavelmente, encontrar gente que arrota piedade e, apesar do apoio "gospel" que faz questão de promovê-los e divulgá-los, termina se envolvendo em páginas policiais.

Depois das peripécias do ex-deputado "evangélico" Eduardo Cunha, hoje preso, o "suspeito" da vez é o indivíduo que concorreu a Presidente da República em 2014 com o nome de "Pastor Everaldo", pelo PSC - Partido Social Cristão, sobre o qual também pesam gravíssimas acusações.

A matéria é do UOL Notícias:

"Desespero total": Pastor Everaldo (PSC) pediu dinheiro a Cunha, aponta PF

Leandro Prazeres, Flávio Costa e Mirthyani Bezerra

Mensagens de celular indicam que o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, teria pedido dinheiro para seu partido ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), aponta a Polícia Federal.

Em uma dessas mensagens, realizadas no ano de 2012, quando houve eleições municipais, Pastor Everaldo chega a afirmar a Cunha que estava em "desespero total" para receber os recursos.

A informação consta nos documentos da investigação sobre o suposto esquema de liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para as companhias --dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de administração de rodovias e de empreendimentos imobiliários-- por meio de direcionamento político, com participação de Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ocorreriam em troca de pagamento de vantagens ilícitas.

Na noite de 17 de agosto de 2012, Geddel, então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa, enviou a seguinte mensagem ao celular de Cunha: "Caso da Dinâmica de Everaldo resolvido".

De acordo com a Polícia Federal, "ao que tudo indica, essa empresa seria a Dinâmica Segurança Patrimonial, cujo sócio-administrador é Edson da Silva Torre que, conforme mensagens de Eduardo Cunha, é um sócio do Pastor Everaldo".

PSC "perturbava" Cunha e Geddel

Ainda de acordo com a PF, "embora não haja outras mensagens que confirmem se tratar diretamente desse caso da 'Dinâmica', chamou atenção outros diálogos envolvendo o Partido Social Cristão, já que em outra conversa, do dia 11/09/2012, Eduardo Cunha o questiona [sobre repasses ao PSC] pois, 'tão me perturbando', no que Geddel também informa que estariam perturbando ele também".

Em seu pedido de busca e apreensão da Operação "Cui Bono" à 10ª Vara Federal de Brasília, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes afirma que "tendo em vista o modo de operar da dupla Geddel e Eduardo Cunha, espera-se aprofundar sobre esse assunto da Dinâmica e os repasses de valores ao Partido Social Cristão".

Em mensagens trocadas por celular, Eduardo Cunha diz a Geddel que é melhor "soltar algo eu solto sexta para aliviar tão apertados (sic)", referindo-se ao PSC, de acordo com a PF.

Em outro trecho, Cunha usa a expressão "programado originar". A PF afirma que "existe a hipótese de que o 'programado originar' sejam doações legais e que, portanto, existem recursos que não se enquadrariam nessa classificação".

Geddel cita em conversa Cunha a um número "150", que, a PF suspeita, seriam recursos destinados ao PSC na Bahia.

No mesmo dia -- 11 de setembro de 2012 -- em que Geddel fez esta referência, Cunha e Pastor Everaldo trocaram mensagens de celular, afirma a PF.

"Na conversa, Pastor Everaldo justifica a necessidade de repasse ao dizer que 'estava muito com mal seu pessoal' e acrescenta, ainda, que não é apenas o diretório do partido na Bahia que necessita de recursos, mas também o PSC do Estado de São Paulo", lê-se no documento da Polícia Federal.

Cerca de 15 minutos depois, ainda de acordo com a PF, Cunha confirma ao Pastor Everaldo "que também estaria certo para São Paulo na sexta-feira, no que o Pastor Everaldo pede alguma coisa para o dia seguinte em São Paulo".

Nesta conversa, Pastor Everaldo afirma estar em "desespero total", referindo-se à necessidade dos repasses.

PF FEZ BUSCAS NA CASA DE GEDDEL VIEIRA LIMA

No pedido de busca e apreensão, o Ministério Público aponta que Geddel agia "internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para outros membros do grupo criminoso".

Outro Lado

A assessoria do Pastor Everaldo afirmou que ele não se pronunciaria, pois não teve acesso aos documentos da investigação que o citam.

O PSC afirma, em nota, "não ter tido acesso a nenhuma informação referente à Operação Cui Bono". A nota acrescenta que "todas as doações feitas ao PSC obedecem à legislação eleitoral vigente e são devidamente informadas à Justiça Eleitoral por meio das prestações de contas."

Por meio de nota, um dos advogados de Cunha, Pedro Ivo Velloso, informou que a defesa do ex-deputado "não teve acesso até o momento à investigação, mas, desde já, rechaça veementemente as suspeitas divulgadas".

A reportagem tentou falar com Geddel Vieira Lima por telefone ao longo de toda a tarde desta sexta-feira, mas as ligações feitas para o seu telefone pessoal não foram atendidas.

A Caixa, por sua vez, disse, em nota, que o "banco está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações, procedimento que continuará sendo adotado".



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