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sábado, 1 de janeiro de 2011

O melhor ano da sua vida

Leitura bíblica:

"Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração."

(Jeremias 29:11-13)

Meditação:

O sinal seguro de que temos um relacionamento autêntico com Deus é crermos mais no futuro que no passado. O passado não pode ser fonte de confiança nem de condenação. Na sua graça, Deus dividiu nossa vida em dias e anos para que pudéssemos abrir mão de nossos ontens e antegozar os nossos amanhãs. Para os erros passados, ele oferece-nos o perdão e a habilidade de esquecer. Para nossos amanhãs, ele nos dá a dádiva da expectação e da emoção.

O que o Senhor disse ao povo de Israel que se definhava no exílio babilônico aplica-se a qualquer de nós que nos encontramos exilados dele, sem esperança para o futuro. Ele tem planos para cada um de nós - bons planos para nosso crescimento em sua graça - a fim de que tenhamos um futuro com esperança. Emil Brunner disse: "O que o oxigênio é para os pulmões, a esperança é para a alma." A esperança possibilita uma qualidade de vida imprescindível; liberta-nos para ousar, dá-nos a confiança para as frustrações diárias e a coragem para viver a vida venturosamente. A dádiva da esperança para o futuro é a chave que abre as comportas do poder do Senhor e destranca o fluxo de suas possibilidades surpreendentes e ilimitadas.

Muitos dizem: "Precisamos ter esperança!" como se a esperança fosse algo que pudéssemos conseguir por nós mesmos. A esperança vem de algo ou de alguém. A esperança autêntica vem de Cristo, por causa do que ele é e do que ele pode fazer. Sua ressurreição é a fonte suprema de esperança. Nada pode derrotar a Cristo". O pior que o homem fez no Calvário foi seguido da melhor esperança para todas as eras. Ele se encontra conosco hoje a fim de dar-nos ânimo para o futuro.

Ele está no controle deste novo ano. Ele tem um plano! Entregue-lhe o ano que você tem pela frente, agradeça ao Senhor, pois tudo o que lhe vai acontecer está de acordo com o que ele planejou a fim de ajudar-nos a nos tornarmos mais à sua semelhança. Tenha um ano cheio de alegria!

Pensamento do dia:

O melhor que Deus tem para a minha vida começa com uma esperança vibrante para o futuro.

(Lloyd John Ogilvie, em "O que Deus tem de melhor para a minha vida", Ed. Vida, meditação de 1º de janeiro)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Justiça social no Velho Testamento - 7

Parte 7 - O choro de Jeremias

por Richard Foster

Entre os profetas não havia um clamor mais consternado ou sincero do que a voz de Jeremias. Ele foi chamado de o profeta chorão, e com boa razão. Como ele amava a grandiosa cidade de Jerusalém! Ele se afligia com o pecado do seu povo; implorava-lhe que se arrependesse. Quanto sofreu quando suas próprias profecias de destruição se cumpriram. Ele é um vulto triste mas fiel em tempos aflitivos.

Como outros antes dele, Jeremias conclamou o povo a voltar à antiga aliança com sua exigência: “Executai o direito e a justiça, e livrai o oprimido da mão do opressor” (Jr 22:3). Repetidamente ele os chamou a defender “a causa dos órfãos” e a exercer “o juízo e a justiça” (Jr 5:28; 22:15). Mas, com tristeza, teve de admitir: “Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua ganância, e para derramar o sangue inocente, e para levar a efeito a violência e a extorsão” (Jr 22:17).

A tragédia foi que o Exílio podia ter sido evitado, se o povo tivesse se voltado para Deus em arrependimento: “Se deveras praticardes a justiça, cada um com o seu próximo... eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre” (Jr 7:5-7). Mas o Exílio ocorreu e a tragédia dele ecoa através dos séculos. A injustiça, entrelaçada com a idolatria, forçaram Deus a enviar Israel ao cativeiro.

(FOSTER, Richard. Celebração da Simplicidade. Campinas: United Press, 1999, pp. 35-37)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Leituras cristãs - 2

Eugene Peterson é um escritor cristão americano que eu, particularmente, gosto muito. Seus livros são sempre muito estudados, pensados, sinceros, sem se esconder atrás de uma aparência de religiosidade insofismável ou esotérica. Enfim, é um cara pé-no-chão. Tem vários livros bons, mas eu quero destacar "Corra com os Cavalos" (Ed. Textus/Ed. Ultimato, 2003), que tem o subtítulo "Para quem busca uma vida de excelência", que eu acho um tanto quanto infeliz, pois essa tal de "excelência" anda sendo tão batida no jargão empresarial que a palavra perdeu parte substancial do seu significado. Enfim, com base num versículo de Jeremias (12:5 - "Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo?"), Peterson escreve um livro sobre a vida e obra do profeta Jeremias, com as suas idas e vindas, suas vitórias e derrotas, propondo um roteiro profundo para que o cristão moderno se localize neste mundo tão controverso, e enfrente seus desafios sem comprometer sua fé e seu estilo de vida que aos outros pode parecer radical. Para tanto, o autor se vale de várias citações de outros escritores das mais diversas áreas (filósofos como Jacques Maritain, por exemplo), compondo um mosaico muito interessante do que há de bom no mundo e como podemos aproveitá-lo. Além do texto que já destaquei neste blog (clique aqui para lê-lo), vale a pena ressaltar outros trechos:

“O meu lamento em relação à sociedade contemporânea é devido à sua decadência. Há alguns poucos prazeres que ainda me atraem, mas quase nenhuma beleza a me cativar e nada erótico a me excitar. Não me sinto provocado ou desafiado por nenhum círculo ou posição intelectual, filosofias ou teologias novas e não há nenhuma nova arte que prenda a minha atenção ou desperte a minha mente. Tampouco há movimentos sociais, políticos ou religiosos a me estimular ou instigar. Não existem homens livres a quem possa submeter-me nem santos em quem encontre inspiração. Não há pecadores descontrolados o bastante para me impressionar ou compartilhar a minha desditosa condição. Ninguém humano o suficiente para validar o estilo de vida “corrente”. É muito difícil viver neste enfadonho mundo sem sentir-se dominado pelo tédio.

O futuro está nas mãos dos poucos que possuem um coração humilde e passional, que buscam a Deus com abnegação, neste maravilhoso mundo de redimidos e nas realidades que estão diante de nós.”

(William Mcnamara, “The Human Adventure”, citado na pág. 9)


“Ao contrário do que se imagina, eu olho para trás e vejo as experiências que, à época, pareciam especialmente desoladoras e dolorosas com particular satisfação. De fato, eu posso afirmar com total sinceridade que todas as coisas que aprendi em meus 75 anos de permanência neste mundo, tudo o que, verdadeiramente, fortaleceu e iluminou a minha existência, veio através da aflição e não por intermédio da alegria, tenha sido ela gratuita ou conquistada. Em outras palavras, se fosse possível eliminar a aflição de nossa vida terrena, seja por meio de alguma droga ou medicina alternativa, o resultado não seria uma vida atenuável, mas, sim, uma vida intoleravelmente banal e trivial. Este é, claro, o significado da cruz. E foi a cruz, mais do que qualquer outra coisa, que me levou, de forma inexorável, a Jesus Cristo.”

(Malcolm Muggeridge, “A Twentieth Century Testimony”, citado na pág. 100)



“Algumas pessoas podem estar perguntando: Por que a luz de Deus foi dada na forma de linguagem? Como é concebível que o divino esteja contido em vasos tão frágeis como consoantes e vogais? Esta pergunta revela o pecado de nossa era: tratar de forma superficial o meio que transporta as ondas de luz do espírito. O que mais no mundo é capaz de unir homens através das distâncias do tempo e do espaço? De todas as coisas terrestres, as palavras nunca morrem. Há tão pouca matéria nelas, porém tanto significado... Deus tomou estas palavras hebraicas e soprou nelas o Seu poder, e elas se tornaram um vínculo vivo, carregado com o Espírito divino. A partir desse dia, as palavras são ligações entre o céu e a terra. Que outro meio poderia ser empregado para conduzir o divino? Figuras esmaltadas na lua? Estátuas esculpidas nas montanhas?”

(Abraham Heschel, “God in Search of Man”, citado na pág. 147)


“É cada vez mais necessária a tarefa de pequenos grupos, de esforçar-se mais eficientemente pelo homem e pelo espírito e, em particular, de promover o mais eficaz testemunho destas verdades pelas quais o homem, tão desesperadamente anseia, e que estão, no presente, tão escassas. Pois somente os pequenos grupos são capazes de ajuntar-se ao redor de algo que escapa, completamente, à técnica e ao processo de massificação, qual seja, o amor da sabedoria, do intelecto, e a confiança na radiação invisível deste amor. Tais raios não visíveis possuem longo alcance; eles têm o mesmo tipo de poder inacreditável no reino espiritual que a fissão atômica e os milagres da microfísica possuem no mundo material.”

(Jacques Maritain, “The Peasant of the Garonne”, citado na pág. 161)

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