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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tsunami na Ásia, 10 anos depois

Asia Indonesia

Por volta das 8 horas da manhã do dia 26 de dezembro de 2004, um terremoto de estimados 9,3 graus na escala Richter, com epicentro no litoral da Indonésia (a 160 km da costa Oeste da ilha de Sumatra, com 30 km de profundidade), desencadeou o tsunami mais mortífero de que se tem notícia, varrendo do mapa regiões inteiras dos países do Oceano Índico.

Para se ter uma ideia da magnitude desse sismo, basta lembrar que o maior terremoto já registrado atingiu 9,5 graus na escala Richter, no Chile em 1960, e a energia liberada em 2004 equivalia a 1.500 vezes à da bomba atômica despejada sobre Hiroshima em 1945.

Milhares de turistas se levantaram cedo para curtir o belo dia de sol nas paradisíacas praias de Phi Phi e Phuket, na Tailândia, enquanto milhões de habitantes locais, além daqueles da Indonésia, Índia, Malásia, Sri Lanka, Bangladesh e Ilhas Maldivas, se preparavam para um dia comum de fim de ano.

230.000 MORTOS E DESAPARECIDOS


Esses foram os países mais atingidos pelo tsunami asiático de 2004. Até hoje não se sabe o número exato de pessoas que morreram quando o vagalhão foi embora, deixando um rastro de morte e dor sem precedentes na história da humanidade.

Embora tsunamis sejam relativamente comuns no Oceano Índico, aquele de 2004 atingiu proporções até então desconhecidas pelo ser humano. O mundo foi pego de surpresa com a extensão da tragédia.

Estima-se que cerca de 230.000 vidas foram tragadas pelas gigantescas ondas que devastaram a região, mas nunca se chegou, nem se chegará a um número definitivo, já que só a Indonésia, país mais atingido, encerrou suas estatísticas oficiais adicionando ao número de mortos os 70.000 desaparecidos em relação aos quais não havia mais qualquer esperança de serem encontrados.

A onda que atingiu a província de Aceh na Indonésia tinha 24 metros de altura no litoral, chegando a subir a 30 metros no interior da ilha, conforme os obstáculos que ia encontrando.

Europeus e americanos de Norte a Sul acordaram naquele dia, muitos ainda tentando se refazer da ressaca das compras e das bebidas e comidas de Natal, já com as imagens do tsunami na televisão e nos portais da web. Quem viu, jamais se esquecerá.

O tsunami do Japão em 2011 (na região litorânea de Sendai) foi mais acompanhado em tempo real pela audiência mundial do que aquele de 2004, mas a tragédia japonesa terminou com cerca de 13.300 mortos e 16.000 desaparecidos. Em comum entre ambas o horror, ah, o horror...

O RESCALDO DA TRAGÉDIA


Se há uma única coisa boa que se possa extrair do tsunami de 2004, além da solidariedade global que se seguiu na ajuda às vítimas, é justamente a maneira como os países limítrofes ao Oceano Índico desenvolveram uma rede conjunta de acompanhamento, controle e alarme a respeito dos terremotos e tsunamis, que certamente evitará que as perdas humanas se repitam nessa proporção pantagruélica.

Como efeitos colaterais curiosos do terremoto de Sumatra, o sismo alterou em 2,5 cm a posição do Polo Norte, além de ter encurtado os dias em 6,8 microsegundos. Embora as mudanças sejam imperceptíveis, a Terra ficou um pouco mais redonda e passou a girar um pouco mais rápido em torno do seu eixo.

Os terremotos e os tsunamis continuarão afligindo e atingindo o Sudeste da Ásia e adjacências, pois são fenômenos incontornáveis da natureza, mas podemos ter um fio de esperança de que muito mais vidas serão poupadas quando o próximo acontecer.

São muitas as imagens do tsunami disponíveis na internet, mas ficaremos com o trailer do (altamente recomendado) filme "O Impossível" (2012), que conta a história real de uma família espanhola que sobreviveu completa ao cataclisma de 2004,  película esta que conseguiu captar não só o terror daquele dia como o espírito de solidariedade da espécie humana que se seguiu.

Devia ser assim sempre, mas na maioria das vezes só quando a dor atinge níveis inimagináveis não se vê mais nenhuma diferença entre nós.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Tufão ameaça varrer Filipinas do mapa hoje


A se confirmarem as previsões anunciadas de ventos que chegariam a 400 km/h, o tufão Haiyan entrará - com infâmia - para a história hoje, 7 de novembro de 2013, como o maior tufão já visto no planeta.

O local "escolhido" para a tragédia de proporções inimagináveis é a região central do arquipélago das Filipinas, mas a julgar pela foto metereológica acima, o tufão supera todas as escalas conhecidas.

Notícia da CNN Internacional às 16 horas de hoje (horário de Brasília) dava conta de que o tufão já tem 600 km de diâmetro. Isto num país que tem algo em torno de 1.500 km em linha reta de norte a sul.

Na escala Dvorak, estimada por satélite, que vai até 8.0, o Haiyan já está em 8.1, ou seja, superou os máximos parâmetros conhecidos, ameaçando tirar o triste recorde de tufão mais devastador da história do Tip de 1979.

A situação é mais desesperadora ainda porque 18 milhões de filipinos se concentram na região que já foi devastada por um terremoto - que atingiu 7,2 graus na escala Richter - no último dia 15 de outubro, deixando mais de 200 mortos e milhares de imóveis em ruínas.

Como o território filipino é, na verdade, um arquipélago pulverizado de 7.107 ilhas, não há - como você pode imaginar - lugar para escapar com rapidez de um fenômeno dessa magnitude.

Logo, por mais bem sucedida que tenha sido a operação de fuga e resgate já deflagrada pelo presidente do país, Benigno Aquino III, com a ajuda de todas as autoridades civis e militares, é infelizmente inevitável que haja muitas vítimas.

Prevê-se, por exemplo, que o mar agitado produzirá ondas com mais de 7 metros de altura numa região tristemente acostumada com tsunamis.

Considere, ainda, que o cataclismo não se deterá só no território filipino, mas prosseguirá até atingir o Vietnã e os países do Sudeste asiático, com força ainda desconhecida.

Desta maneira, ore (ou torça, se for ateu) para que a catástrofe anunciada seja um falso alarme e os danos materiais e - sobretudo - humanos sejam minimizados.


Atualizando: o tufão Hayian tocou o solo filipino às 5 h da manhã da sexta-feira, 8 de novembro de 2013, horário local.

A primeira cidade atingida foi Guiuan, um vilarejo na província de Samar, a leste do país com rajadas de vento que atingiram o pico de 378 km/h, com tenebrosa previsão de aumento na velocidade, e precipitação pluviométrica que pode chegar a inacreditáveis 220 mm em questão de horas.




domingo, 11 de março de 2012

Imagens do Japão 1 ano após o tsunami





As imagens trágicas do tsunami causado pelo terremoto de 11/03/11 no Japão foram tão intensas que, pelo menos para mim, parece que faz bem mais que um ano que todo aquele horror aconteceu. Acho que o cérebro vai empurrando e condensando num canto da memória as lembranças dessa magnitude. O jornal The Boston Globe traz hoje uma página muito interessante, com fotos tiradas de lugares que ficaram gravados ali mesmo, no Japão e na memória, um ano atrás e recentemente, para fazer uma comparação entre a ruína e a reconstrução, que termina sendo uma homenagem à extraordinária capacidade de superação que é tão característica do povo japonês. Fotos como a da japonesa Yuko Sugimoto, desesperadamente enrolada num cobertor, procurando seu filho Raito um ano atrás em meio aos escombros, e no mesmo lugar hoje com o garoto de 5 anos, que conseguiu chegar a tempo ao topo do telhado no jardim de infância que frequentava, mas nem todas as crianças tiveram essa sorte. É difícil, portanto, combinar a sensação de alívio por terem sobrevivido com a dor das cerca de 20.000 vidas perdidas. Não deixe de acessar a (muito bem elaborada) página interativa do The Boston Globe e clicar em cada uma das fotos para ver como era e como ficou.




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Terremoto atinge Vancouver, no Canadá



As informações são ainda desencontradas, mas parece que a onda de terremotos que varre o mundo fez sua mais recente aparição às 12:41 no horário local da região de Vancouver, no Canadá (16:41 h em Brasília), onde as primeiras avaliações dizem que se tratou de um sismo de 6,8 graus na escala Richter, com epicentro a noroeste da ilha de Vancouver, a uma certa distância segura (dentro do que se pode chamar de "seguro" neste caso) da mancha urbana da metrópole de mesmo nome. As autoridades locais também disseram que, num primeiro momento, foram registradas apenas movimentações anormais nos edifícios, sem maiores danos, e não há razão, pelo menos por enquanto, para se preocupar com um tsunami (já que é uma região costeira protegidas por muitas ilhas e grandes canais - veja mapa abaixo), mas há o perigo de tremores secundários, cuja extensão nunca se pode prever. Espera-se que a turnê do fim do mundo tire uma folga e pare de tremer tantas regiões do globo.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tsunami no Japão gerou icebergs na Antártida

Uma relação estranha e comprovada pela NASA, segundo noticia o Terra:

Nasa: terremoto do Japão criou icebergs a 13 mil km de distância

Artigo científico publicado nesta segunda no Journal of Glaciology relacionou pela primeira vez o surgimento de icebergs a tsunamis. Cientistas observaram o desprendimento de enormes camadas de gelo na plataforma de Sulzberger, na Antártida, a partir da passagem do tsunami Tohoku, que se originou com o terremoto na costa do Japão em março de 2011, a 13 mil km de distância.

"É um grande pedaço de gelo que nasceu por causa de um terremoto a 13 mil km de distância", ressalta a cientista Kelly Brunt, da agência espacial americana, a Nasa.

Quando o tsunami Tohoku foi desencadeado no Oceano Pacífico, em 11 de março, os cientistas imediatamente começaram a observar o sul. Usando imagens de satélite, eles identificaram novos icebergs flutuantes no Mar de Ross cerca de 18 horas após as grandes e fortes ondas atingirem a Antártida.

Pedaço de gelo não se mexia há 46 anos


Depois de observarem as imagens históricas de satélite, o grupo concluiu que a pequena elevação de gelo estava lá, pelo menos, desde 1965. Segundo a Nasa, a prova de que a atividade sísmica pode originar icebergs na Antártida pode alterar o conhecimento que se tem de eventos passados.

Douglas MacAyeal, da Universidade de Chicago, foi um dos pesquisadores que participou do estudo. Ele afirmou que o evento é mais uma prova da interconexão de sistemas da Terra. "Este é um exemplo não só da forma em que os eventos são conectados em intervalos de grande distância oceânica, mas também como os eventos em um tipo de sistema Terra, como o sistema das placas tectônicas, pode se conectar com outro tipo de evento aparentemente não relacionado: o parto de icebergs na Antártica".

Na época do tsunami de Sumatra, em 2004, as frentes potencialmente vulneráveis da Antártida acabaram protegidas por uma grande quantidade de gelo marinho. "Existem teorias de que o gelo do mar pode proteger da ruptura. Não houve gelo no mar neste último caso", disse Kelly.

Frequentemente cientistas analisam os monólitos congelados que invadem os mares polares para descobrir sua origem. E, pelo que se sabe, o nascimento de um iceberg pode acontecer de outras maneiras, quando outro iceberg colide com um pedaço de gelo mais antigo ou pela ação dos ventos e ondas, por exemplo.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Imagens do tsunami no Japão (de dentro do carro)

Se as imagens que vimos até agora do tsunami japonês do início do ano já são impressionantes quando vistas de longe, imagine o horror de vê-las (e filmá-las) de dentro do seu carro:

domingo, 10 de julho de 2011

Japão treme de novo na mesma região

Felizmente, não há registro de vítimas ou grandes estragos, mas a sucessão insistente de terremotos e suas réplicas se tornou uma preocupação onipresente no traumatizado Japão, a ponto de um tremor de 7,3 na escala Richter (o que já é gigantesco) se tornar "normal". A notícia é do Terra:

Tremor de 7,3 reaviva lembrança da tragédia de março no Japão

Um terremoto de 7,3 graus na escala Richter atingiu neste domingo, sem causar danos, a mesma área arrasada pelo forte tremor de 11 de março no Japão, episódio que completa quatro meses nesta segunda-feira com uma gigantesca tarefa de reconstrução ainda pela frente. O novo tremor ocorreu às 9h57 deste domingo (21h57 de sábado, horário de Brasília) com epicentro no mar a 180 km do litoral da província nordeste de Miyagi e a 34 km de profundidade, como informou a Agência Meteorológica japonesa, que o considerou uma réplica do terremoto de março.

Este recente tremor reaviou a lembrança da tragédia nas províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima, onde, da mesma forma como aconteceu há quatro meses, minutos após o abalo foi declarado alerta de tsunami para os moradores de áreas próximas ao litoral e às desembocaduras dos rios para que procurassem às regiões elevadas. Desta vez, no entanto, o tsunami foi pequeno, com ondas de 10 cm nas províncias de Miyagi e Fukushima e no porto de Ofunato, em Iwate, e o alerta foi retirado menos de duas horas após o terremoto sem o registro de danos.

Embora de pequena magnitude, o deste domingo foi o primeiro tsunami desde 11 de março no Japão, que nos últimos quatro meses sofreu seis terremotos superiores a 7 graus Richter, mais de cem com magnitude maior do que 6 graus e outros 500 superiores a 5 graus na escala Richter. Um porta-voz da Agência Meteorológica advertiu que ainda podem ocorrer réplicas de magnitude superior a 7 e espera-se que ainda sejam frequentes tremores entre 3 e 5 graus, e insistiu na necessidade de "vigilância contínua".

As consequências do dia 11 de março
O Japão fica no chamado Anel de Fogo do Pacífico, por isso que os movimentos sísmicos são corriqueiros e o país está muito preparado, com rígidas normas de construção, protocolos de emergência e códigos de resposta que a população convive desde a infância. No entanto, a magnitude do grande terremoto do março e, principalmente, o tsunami posterior, ultrapassaram qualquer previsão e suplantaram as medidas de prevenção, com o resultado de 20.927 mortos e desaparecidos, pelos números da Polícia.

Quatro meses após a tragédia, os números ainda mudam diariamente diante da localização de novos corpos e as novas recontagens de sobreviventes, enquanto os moradores atuam diariamente nas tarefas de reconstrução com a ajuda de centenas de voluntários. Calcula-se que em Fukushima, Miyagi e Iwate estejam acumuladas 22 milhões de toneladas de escombros. Para remover todo esse entulho são necessários de dois a três anos, conforme estimativas do Ministério do Meio Ambiente.

Aos esforços para levantar infraestruturas, casas e outras instalações, com custos calculados em 140 bilhões de euros, soma-se a luta para controlar a central de Fukushima Daiichi, foco da pior crise nuclear em 25 anos. O terremoto deste domingo fez com que os técnicos da planta tivessem de ser temporariamente levados para áreas altas pelo alerta de tsunami, mas não ocorreram novas anomalias nas instalações, como informou a Agência de Segurança Nuclear do Japão. Também não foram detectadas incidências na vizinha central de Fukushima Daiini, paralisada desde 11 de março, nem na planta de Onagawa, situada no litoral de Miyagi.

As réplicas dificultaram desde o início os trabalhos dos operários que tentam esfriar os reatores 1, 2 e 3 de Fukushima Daiichi, cujos sistemas de refrigeração foram danificados pelo tsunami de março. Entre as prioridades está colocar em funcionamento o sistema de descontaminação das toneladas de água radioativa acumuladas na central, para que a mesma possa ser utilizada para refrigerar os reatores. O dispositivo de limpeza de água começou a operar há uma semana, mas neste domingo teve de ser interrompido novamente após a descoberta de um vazamento de produtos químicos injetados no sistema.

Segundo Tokyo Electro Power (TEPCO), operadora da central, calcula-se que até agora escaparam à superfície 50 litros, mas que a empresa garante não ser tóxico. O sistema para reciclar a água radioativa é vital para resfriar os reatores da planta, que TEPCO espera levar ao estado de "parada fria" até janeiro de 2012.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Urina de crianças de Fukushima tem traços de Césio 134 e 137

Embora o UOL Notícias (vide abaixo) se refira apenas a Césio 134, o jornal inglês The Guardian inclui o isótopo 137 na trágica equação radioativa que atinge as frágeis crianças de Fukushima, depois do terremoto e do tsunami que devastou o país e provocou o grave acidente nuclear. Para tristeza de toda a humanidade, o fantasma de Hiroshima persegue o Japão:

Governo japonês recomenda evacuação de mais de 100 famílias em Fukushima

Tóquio, 30 jun (EFE).- O Governo do Japão recomendou nesta quinta-feira a mais de cem famílias de quatro localidades da província de Fukushima (nordeste) que evacuem o local perante os elevados níveis de radioatividade na região, informou a agência local "Kyodo".

As autoridades fizeram a recomendação a um total de 113 famílias da zona de Date, perto da usina de Fukushima Daiichi, após detectar que nas imediações de suas residências a radiação superava o limite anual de 20 milisievert (msv).

A recomendação desta quinta-feira é a primeira transmitida após a fase inicial de elaboração de um mapa de "pontos quentes" em Fukushima, que identifica os lugares habitados onde a radioatividade é especialmente elevada.

As famílias que seguirem o conselho terão ajuda do Governo para transporte e acomodação, principalmente as mulheres grávidas e as crianças, considerados os mais vulneráveis perante a radioatividade.

Pouco depois do acidente nuclear, o Governo japonês ordenou a evacuação de cerca de 80 mil pessoas em um raio de 20 quilômetros em torno da usina, e recomendou àqueles entre 20 e 30 quilômetros que deixassem a área.

A difícil situação na central de Fukushima Daiichi, onde continuam os esforços para restaurar a refrigeração dos reatores, aumentou a preocupação pela saúde dos residentes na região.

Uma ONG francesa denunciou nesta quinta-feira que se encontraram restos de material radioativo na urina de dezenas de crianças da cidade de Fukushima, capital da província do mesmo nome, o que aponta à possibilidade que tenham estado expostos a radiação interna.

Segundo as análises, a quantidade mais elevada de césio-134 teria sido identificada na urina de uma menina de 8 anos, que apresentou um nível de 1,13 becquereles por litro, indicou "Kyodo".

O porta-voz do Governo, Yukio Edano, assinalou que as autoridades examinarão essas análises e realizarão outras similares entre a população da região.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O apocalipse nuclear dos animais de Fukushima

Ainda houve muitos japoneses que tentaram salvar seus bichos de estimação deixados para trás na hora do desespero provocado pelo terremoto, tsunami e pelo acidente nuclear de março deste ano, só que para quase todos o socorro chegou tarde demais. Os poucos que ainda vivem estão comprometidos e contaminados pela radioatividade. Por isso, esta notícia do Gizmodo Brasil é daquelas de partir o coração:

Os animais abandonados de Fukushima


Após muitos estudos, o governo japonês finalmente criou uma zona de evacuação obrigatório ao redor da usina nuclear de Fukushima. Os humanos, pelo menos, devem ficar seguros agora. Mas não podemos dizer o mesmo dos milhares de animais que foram deixados para trás.

No meio de um apressado plano de evacução, as criaturas — entre elas animais domésticos e bichos de fazendas — foram abandonadas. De acordo com o The Telegraph e a ABC News, centenas de milhares de animais estão agora por conta própria na zona morta — cerca de 3.400 vacas, 31.500 porcos e 630.000 galinhas. O professor D.L Brown, do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Cornell, especula que todas as galinhas já devem estar mortas, e que os sobreviventes estão em péssimas condições. Seja lá quantos sobreviveram, eles não durarão muito — o governo está matando os animais por medida de precaução.

E há também os animais domésticos. Estima-se que quase 6 mil cachorros abandonados estejam vivendo na zona radioativa, mas não há números concretos de quantos ainda estão vivos. O governo japonês está fazendo o possível para salvar os animais, e com a ajuda de ONGs tentam cuidar deles até um novo dono surgir. Mas, muitas vezes, antigos moradores que visitam temporariamente suas casas com permissão do governo ficam completamente desanimados com o que encontram. Quando Hatsuo Sakamoto, de 63 anos, voltou rapidamente para sua casa em busca de seu gato desaparecido há meses, o animal simplesmente fugiu de seu dono. “O gato pode ter ficado assustado porque há dois meses não nos vemos — e também porque nós estamos vestidos como alienígenas”, lamentou sua esposa. Mas as buscas são uma prova de amor que essas pessoas têm por seus animais, correndo risco ao visitar uma área radioativa — muitas vezes, apenas para dizer adeus.

Foi o caso de Shoichi Akimoto, um dos moradores da área evacuada de Fukushima, que voltou para uma breve visita à sua antiga casa. Quando ele procurou por John, seu cachorro, encontrou o animal morto, ainda amarrado em sua coleira, após cavar um pequeno buraco no chão para descansar. Com apenas 15 minutos restantes na área, antes de serem obrigados a voltar, Akimoto e Nobuichi Kobayashi, um líder local, colocaram incensos ao redor do animal falecido, já que eles não poderiam levar o corpo embora. “Em minha próxima visita, eu irei enterrar seu corpo”, prometeu. Histórias como essa — comuns em toda a região de Fukushima — demonstram o grande sofrimento que um desastre desta magnitude traz, e também a garra das pessoas afetadas por ela.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os cofres perdidos nas praias do Japão

Se já não bastassem as cicatrizes incuráveis da tragédia, além da constante escalada da ameaça da radioatividade de Fukushima, os japoneses estão se deparando com uma consequência muito menos letal, mas talvez mais surpreendente do terremoto e do tsunami que devastou a costa nordeste do país no mês passado. É que cofres estão aparecendo nas praias e regiões próximas à medida em que o entulho vai sendo retirado. Vidas, sonhos e economias guardadas por décadas foram literalmente varridos pela água, infelizmente. O site Gizmodo Brasil explica a razão desta estranha aparição:

Cofres recheados de dinheiro das vítimas do terremoto estão aparecendo na costa do Japão

Cidadãos japoneses (principalmente os idosos) gostam de guardar seu suado dinheirinho em suas próprias casas. E após o terremoto e o tsunami que devastou suas casas, dinheiro (e cofres cheios de dinheiro) estão aparecendo na costa das cidades destruídas.

Os cofres estão ressurgindo em toda a costa afetadas pelo tsunami, e a polícia está tentando encontrar seus donos — um problema único de um país onde muitas pessoas, principalmente os idosos, ainda guardam seu dinheiro em casa. Segundo estimativas, cerca de 350 bilhões de ienes não circulam em razão dos cofres caseiros.

E não estamos falando do equivalente a alguns milhares de reais debaixo do colchão. Trata-se de milhões guardados em cofres. E não estamos falando em poucos cofres. São centenas deles.

“Inicialmente nós colocamos todos os cofres na estação”, diz Noriyoshi Goto, do departamento de casos de finança da Polícia de Ofunato, que está cuidando dos itens achados e perdidos. “Mas haviam muitos, e nós tivemos que mudá-los de lugar”. Goto não soube especificar quantos cofres seu departamento já coletou, dizendo apenas que eram “várias centenas” que aumentam a cada dia.

De acordo com a AP, os funcionários começarão a abrir os cofres na tentativa de identificar seus donos, mas eles não sabem exatamente o que fazer com o dinheiro que surgirá das bolsas e envelopes. Não há nenhum modo de provar que tal cofre pertence a tal pessoa. Assim, todo o dinheiro não reclamado será entregue ao governo japonês em três meses. [AP, imagem via Daily Mail]


sábado, 19 de março de 2011

The Nuclear Boy

O recente acidente nuclear de Fukushima fez com que as autoridades japonesas tivessem uma dificuldade adicional às enormes preocupações com os perigos da radioatividade: como explicar às milhões de crianças o que tudo isto significa? A maneira encontrada de responder a esta pergunta foi um desenho animado (vídeo abaixo), na melhor tradição do animé (アニメ) japonês, criando o personagem Nuclear Boy que, devido a um problema no estômago, estaria sofrendo de gases e diarreia. As legendas estão em inglês, mas é fácil entender o roteiro. Tanto os gases como o cocô que o Garoto Nuclear elimina são muito fedidos e podem fazer mal à saúde. Mesmo a possibilidade de se colocar "fraldas" no Nuclear Boy é complicada, já que não se sabe o que fazer depois para descartar a "fralda suja" do cocô radioativo do menino. Por isso, existe um personagem chamado "Sniffer Man" ("Homem Farejador") que fica medindo o nível do "fedor" dos gases do Nuclear Boy. Os médicos estão se revezando 24 horas por dia para dar "remédios" ao Garoto Nuclear, já que ele está no mesmo nível do acidente nuclear de Three Mile Island, nos Estados Unidos, e ninguém quer que ele "faça cocô na sala", como aconteceu em Chernobyl, na Ucrânia. Não deixa de ser uma maneira bem inventiva de permitir que as crianças tenham uma ideia razoável do que está acontecendo à sua volta.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Por que o terremoto no Japão encurtou os dias?

Artigo do site LiveScience ("How the Japan Earthquake Shortened Days on Earth") com tradução do HypeScience:

Como o terremoto japonês encurtou os dias na Terra

Uma nova análise do terremoto 8,9 graus de magnitude que assolou o Japão no dia 11 de março afirma que o evento encurtou a duração do dia terrestre por uma fração de 1,8 microssegundos (um milionésimo de segundo), e mudou a forma como a massa do planeta é distribuída.

As estimativas do impacto do terremoto foram feitas com base em dados sobre o quanto a falha que provocou o tremor deslizou para redistribuir a massa do planeta.

Um dia na Terra tem cerca de 24 horas, ou 86.400 segundos. Ao longo de um ano, esse comprimento varia em cerca de um milésimo de segundo, ou 1.000 microssegundos, devido às variações sazonais na distribuição da massa do planeta.

Os dados iniciais sugerem que o terremoto recente mudou a principal ilha do Japão em cerca de 2,44 metros. Também deslocou o eixo da Terra em cerca de 17 centímetros.

Ao alterar a distribuição da massa da Terra, o terremoto japonês fez com que o planeta girasse um pouco mais rápido, encurtando o comprimento do dia por cerca de 1,8 microsegundos.

E o impacto do terremoto pode não ter completamente acabado. Tremores mais fracos podem contribuir para pequenas mudanças no comprimento do dia também. Pelo menos 20 tremores de magnitude 6,0 ou superior já seguiram o tremor principal.

Segundo os pesquisadores, em teoria, qualquer coisa que redistribui a massa da Terra irá mudar a sua rotação. Então, em princípio, os tremores menores também terão um efeito sobre a rotação da Terra.

O fenômeno é semelhante a uma patinadora que recolhe os braços durante um giro, para virar mais rápido no gelo. Quanto mais próximo da linha do equador está o deslocamento de massa durante um sismo, mais ele irá acelerar a rotação da Terra.

A mudança na posição do eixo da Terra fará com que ela oscile um pouco diferente, mas não vai causar mudança no eixo norte-sul espacial do planeta (que gira em torno de uma vez por dia a uma velocidade de cerca de 1.604 km/h). Só as forças externas, como a atração gravitacional do sol, da lua e dos planetas podem fazer isso.

Além do mais, essa não é a primeira vez que um terremoto muda a duração do dia terrestre. Maiores tremores já encurtaram nosso dia no passado. O terremoto de magnitude 8,8 do Chile, no ano passado, por exemplo, também acelerou a rotação do planeta e encurtou o dia por 1,26 microssegundos. O terremoto de 9,1 em Sumatra em 2004 reduziu o dia em 6,8 microssegundos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ser brasileiro também é ser solidário



Imigrantes brasileiros estão fazendo o possível para ajudar não só os dekasseguis que estão nas regiões mais afetadas pelo terremoto/tsunami e pelo desastre nuclear, mas também os próprios japoneses que lá vivem. Esta matéria do Jornal Hoje da Rede Globo merece ser lida, vista e ouvida (com vídeo no link indicado acima):

Brasileiros ajudam vítimas em área devastada por tsunami no Japão

Os enviados especiais Marcos Uchôa e Sérgio Gilz acompanharam os brasileiros que estão ajudando os desabrigados de Sendai. A cidade fica a cerca de cem quilômetros da usina de Fukushima.

Só de olhar para as áreas destruídas, fica claro que limpar, arrumar, reconstruir tudo isso vai levar tempo. O que não se entende é porque as vítimas do terremoto e do tsunami também tenham que esperar. Afinal, o frio, a sede e a fome delas são bem mais urgentes.

Alguns japoneses estavam muito alegres esperando a chegada de uma caravana da salvação. Logo depois chegaram cinco veículos, microônibus e caminhões carregados de água, comida, roupas e cobertores.

Tudo trazido por brasileiros que tiveram uma iniciativa raríssima para os japoneses. Heber Iyama, líder dessa boa ação estava emocionado ao chegar depois de 31 horas de estrada. “Todo mundo falava pra não ir. Eu falei que eu ia, alguns falavam que era perigoso, outros que iam comigo, e são eles que estão aí”.

Onze pessoas, um time inteiro entrou em campo e inventou uma corrente de solidariedade. Num dos caminhões que tinha muita coisa misturada era necessário fazer uma triagem. Brasileiros e japoneses se misturavam. Água e grandes sacos de arroz eram passados de um para o outro, para serem distribuídos para quem mais necessita.

Só em Sendai são mais de um milhão de habitantes e falta comida para todo mundo. Se mais japoneses botassem o pé na estrada o problema seria menor.

Uma coisa curiosa é a diferença de culturas. No terremoto do Chile, no começo de 2010, as estradas estavam lotadas de voluntários, pessoas que saiam das suas casas levando mantimentos para ajudar as vítimas do terremoto.

No Japão não foi isso que se viu, apenas os brasileiros estavam na estrada com caminhões cheios de mantimentos para ajudar as pessoas. “A gente trouxe por nossa própria vontade mesmo. Uma pessoa falou para gente: ‘ah, mas está vindo navios dos Estados Unidos’. Mas o navio vai chegar daqui a uma semana. Quem tá com fome, tá com fome hoje, não amanhã”, afirma Anderson Santos.

Uma canção / oração para o Japão

The Japan Earthquake Tsunami Prayer Song - Until Then (Kenneth Maiki Aiolupotea)

terça-feira, 15 de março de 2011

Governador de Tóquio diz que tragédia foi "punição divina"

Desta vez não foi o Pat Robertson que soltou a "pérola" (aliás, ele anda bastante calado nos últimos terremotos, talvez porque não ocorreram no Haiti). 

Segundo noticia o jornal britânico The Guardian, o governador de Tóquio, Shintaro Ishirara, disse ontem, 14/03/11, que "a política japonesa está contaminada pelo egoísmo e populismo. 

Nós precisamos usar o tsunami para varrer o egoísmo que está grudado que nem ferrugem à mentalidade do povo japonês por um longo período de tempo". 

Em seguida, descreveu a catástrofe como sendo uma "tembatsu", palavra japonesa que significa "punição divina". 

Acrescentou ainda que "realmente sente muito pelas vítimas". 

O político de 78 anos de idade teve que pedir desculpas depois de ter sido veementemente criticado pelo governador da província de Miyagi, local mais devastado pelo tsunami no país, com uma sinistra previsão de 10.000 mortos. 

O governador Ishirara se junta, portanto, ao jornalista ultraconservador norteamericano, Glenn Beck, da Fox News, que também ontem disse em seu programa de rádio que as recentes catástrofes naturais no Japão foram uma "mensagem de Deus", segundo noticia (com áudio incluso) o site The Huffington Post.

Glenn Beck, para quem não conhece, é uma das principais vozes da ultradireita religiosa nos Estados Unidos, e - mesmo sendo mórmon - tem sido visto como o líder dos evangélicos fundamentalistas ligados ao Partido Republicano e ao movimento Tea Party, em que a principal expoente é a ex-governadora do Alaska e candidata derrotada a vice-presidente nas últimas eleições norteamericanas, Sarah Palin. 

Segundo informou o blog Belief da CNN no último dia 24 de fevereiro, Glenn Beck vem tentando se posicionar como a principal liderança religiosa conservadora no país, e justamente por sua fé mórmon, que a maioria das igrejas evangélicas entende como não-cristã, tem tentado construir pontes nesta direção, como a sua recente visita ao respeitado (e idoso) pastor Billy Graham, que funciona, na prática, como uma espécie de "papa emérito" dos evangélicos dos EUA. 

A estranha ligação de fundamentalistas evangélicos com um mórmon não tem passado desapercebida por boa parte da igreja norte-americana, que faz questão de mostrar as diferenças entre o que pensam os evangélicos e as doutrinas mórmons, conforme faz questão de publicar o site Christian Apologetics & Research Ministries

Parece que há outro tipo de tsunami varrendo os corações e mentes por lá.

domingo, 13 de março de 2011

Imagens impressionantes do tsunami no Japão

O site australiano ABC News tem uma página com fotos impressionantes da devastação provocada na costa nordeste japonesa pelo tsunami que se seguiu ao terremoto naquela região. As imagens estão postadas no formato "hover", em que você, movimentando o cursor, consegue visualizar como era o local antes e como ficou depois da catástrofe. Abaixo seguem dois exemplos que dão uma pequena ideia da tragedia, mas você pode conferir várias fotos na página indicada acima:






O site do jornal americano Boston Globe também tem uma coleção de fotos assustadoras e emocionantes dos muitos dramas vividos pelas pessoas comuns:




As imagens do tsunami atingindo a cidade costeira de Miyako também são aterradoras:



Veja também as imagens da explosão dos reatores da usina nuclear de Fukushima, onde foi reportado vazamento de material radioativo:




Como é sobejamente sabido, o Japão tem seu território localizado na junção de 3 placas tectônicas (a Eurasiana, a das Filipinas e a do Pacífico), sendo, portanto, um convite indesejável aos cataclismas sísmicos decorrentes (com o perdão da redundância) da movimentação e do atrito entre essas mesmas placas. Logo, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por mais desenvolvido (e carente de recursos hídricos) que seja o país, ¿como é que permitiram o uso intensivo da energia nuclear? E ainda: já que era inevitável usar este tipo de energia, ¿como é que não tomaram os cuidados mais extremados, com planos A, B, C, ... até Z, de contingência nuclear?





Excelente infográfico de Luciana Pimenta e Pedro Turano, do jornal O Povo

sábado, 12 de março de 2011

Terremoto no Japão desloca eixo do planeta

A exemplo do que já havia acontecido no terremoto do Chile do ano passado, parece que o terremoto (com tsunami incluído no trágico pacote) no Japão deslocou o eixo do planeta, como noticia o site Terra (veja abaixo). Se as catástrofes naturais continuarem acontecendo neste diapasão (e tudo indica que, infelizmente, teremos muito mais ocorrências da espécie), vamos ter que arranjar um jeito de mudar de planeta rapidinho...

Terremoto do Japão pode ter deslocado eixo da Terra

O devastador terremoto de 8,9 graus de magnitude na escala Richter que abalou nesta sexta-feira o Japão pode ter deslocado em quase 10 centímetros o eixo de rotação da Terra, segundo um estudo preliminar do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) da Itália.

O INGV, que desde 1999 estuda os diversos fenômenos sísmicos registrados na Itália, como o devastador terremoto da região dos Abruzos de 6 de abril de 2009, explica em uma nota que o impacto do terremoto do Japão sobre o eixo da Terra pode ser o segundo maior de que se tem notícia.

"O impacto deste fato sobre o eixo de rotação foi muito maior que o do grande terremoto de Sumatra de 2004 e provavelmente é o segundo maior, atrás apenas do terremoto do Chile de 1960", diz o comunicado.

Entre 200 e 300 pessoas morreram na província japonesa de Miyagi (leste) por causa do tsunami provocado pelo terremoto do Japão, mas ainda há 349 desaparecidos em todo o território japonês. Teme-se que o número de mortos aumente, já que há edifícios destruídos em várias regiões.

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