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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O cantor que transforma música gospel em canto de umbanda


A matéria foi publicada no Extra em 27/01/17:

Ògúntúndéléwa, um talento afro gospel

O alagoano Mario Ferreira é desde criança encantado pela música e pela cultura afro. Aos 18 anos, foi iniciado no Candomblé pelo Babalorixá José Roberto de Òsun, mas completou suas obrigações religiosas com o Babalorixá Altair T’Ògún, que deu-lhe o título de Ògúntúndéléwa (Ògún retornou para casa).

Com Pai T’Ògún aprendeu yorùbá (língua de origem nigeriana, usada na comunicação do Candomblé Kétu). Com o aprendizado do idioma yorùbá, Ògúntúndéléwa passou a interpretar os cânticos para os Orixás, e por sugestão de um amigo, chamado Hunvá, decidiu fazer uma versão em yorùbá da canção gospel lançada em 2008 por Régis Danese, ‘Faz Um Milagre em Mim’. Em 2009, esta canção atingiu recorde de execuções, tornando-se um hit popular em todo o país. Ela foi regravada por vários grupos musicais, como Pique Novo, e cantores como Gusttavo Lima. A cantora evangélica Aline Barros e o Padre Marcelo Rossi também cantaram a canção.

Ainda no ano de 2009, Ògúntúndéléwa foi convidado a cantar sua versão na 3ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em Copacabana. A apresentação foi um sucesso e lhe rendeu um convite feito pelo Babalorixá Jair de Ògún para cantar em um evento na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Ògúntúndéléwa diz que uma de suas propostas musicais é transformar louvores gospel na língua dos Orixás, demonstrando assim respeito por evangélicos e católicos. “A vida é curta demais para se ocupar com diferenças e preconceito. A música unifica os povos, por isso desejo promover a paz através da canção!”

Canção: Faz Um Milagre Em Mim

De: Regis Danese

Como Zaqueu eu quero subir
O mais alto que eu puder
Só pra Te ver, olhar para Ti
E chamar sua atenção para mim
Eu preciso de Ti Senhor
Eu preciso de Ti o pai
Sou pequeno demais
Me dá a Tua paz
Largo tudo pra Te seguir

Refrão: Entra na minha casa, entra na minha vida
Mexe com minha estrutura, sara todas as feridas
Me ensina a ter santidade
Quero amar somente a Ti
Porque o Senhor é meu bem maior
Faz um milagre em mim!

Versão na língua yorùbá da canção: Faz Um Milagre em Mim

Por: Mario Ferreira - Bàbá Ògúntúndéléwa

Título: Sé isé-amí tikalami

Bási òòsà èmi fé gókè
Sókèsókè nón ki èmi lé
Òkúrú sí ojú, ojú sí ènyin
Npè rè àfiyèsí fún mi
Èmi lè ti ènyin Olúwa
Èmi lè ti ènyin Bàbá
Kékéré rè kéré
Fún mi àlàáfíá
Sé gbogbo sí lówó-ehin
Kósínú ilé mí, kósínú ayé mi
Sodi pèlú mi ènìòn, wòsàn won gbogbo ogbé
Èkó fún mi ní Òrìsà, èmi fé ìfé ènyin
Olódùmare ní dára fírí mi
Sé isé-amí tikalami
Lààyè orin! (Viva a música!)
Axé!



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Morre Carmem Silva, a cantora gospel do "Adeus, Solidão"

(1945 - 2016)

Nos últimos anos, ela era mais conhecida por sempre aparecer nos programas da rede de televisão de R. R. Soares.

Talvez, entretanto, será mais lembrada no futuro pelo seu grande sucesso do fim dos anos 1960, "Adeus, solidão" (vídeo abaixo), em que ainda tentava uma carreira no difícil e altamente competitivo mercado da música popular:


Uma linda voz de uma mulher guerreira que se apaga, mas a lembrança e as homenagens ficam para sempre. A triste notícia é do G1:

Carmen Silva, cantora de 'Adeus solidão',
morre aos 71 anos em SP

Cantora mineira teve hit em 1969 com 'Adeus solidão', e outros sucessos.
Últimos discos foram de música gospel; ela teve insuficiência cardíaca.

A cantora Carmen Silva morreu aos 71 anos, nesta segunda-feira (26), em São Paulo, informou a assessoria de imprensa do Hospital Presidente. Ela teve insuficiência cardíaca por conta de uma embolia pulmonar e estava internada desde o dia 14 de setembro, disse a assessoria.

Carmen Silva ficou conhecida pelo hit "Adeus solidão" de 1969. Este foi seu primeiro e maior sucesso, mas ela também teve mais canções populares nos anos 70 e 80, como "Meu velho pai", "Fofurinha", "Ser sua namorada" e "Sapequinha", "Espinho na cama", entre outras.

Carmen Sebastiana de Jesus (seu nome de batismo) nasceu em Veríssimo (MG). Ela lançou 17 álbuns pela gravadora RCA Victor, e depois pela RGE, entre as décadas de 70 e 90, segundo o dicionário musical Cravo Albin.

A partir de 2001, Carmen Silva três álbuns evangélicos pelo selo Graça Music. O úlitmo foi "Minhas canções na voz de Carmen SIlva", de 2008.

A Graça Music lamentou a morte da cantora em um comunicado na página da gravadora no Twitter: "Com pesar, comunicamos o falecimento da cantora Carmen Silva. Por anos, ela fez parte do nosso casting. Que o Senhor console a família. A filha da cantora está vindo dos Estados Unidos para o enterro da mãe."



terça-feira, 14 de junho de 2016

Banda Resgate recusa ser paga com dinheiro público e cancela show

A informação é do Portal 6:

BANDA RESGATE CANCELA SHOW EM ANÁPOLIS APÓS SABER QUE SERIA PAGA COM DINHEIRO DA PREFEITURA

A indignação pelo uso de dinheiro público para bancar o 2º Festival Gospel de Anápolis não ficou restrito à população da cidade. Nesta sexta-feira (10), a representante legal da Banda Resgate enviou nota de esclarecimento ao Portal 6 informando que o grupo não se apresentará mais no evento.

Na nota, os representantes da Banda Resgate revelam que não foram informados, no momento da assinatura do contrato, que o Festival receberia recursos da Prefeitura de Anápolis.

A atitude, alegam, serve para “resguardar a imagem da banda, tendo em vista que na cidade esse evento esta sendo questionado por conta do valor que a prefeitura está repassando ao Conselho de Desenvolvimento de Joanápolis e Região – CDJ”.

Formada em 1989, em São Paulo, sendo uma das primeiras bandas de rock do segmento evangélico do Brasil, a Banda Resgate é conhecida pela seriedade de seus integrantes, liderados pelo cantor e bispo Zé Bruno.

A informação sobre a entrega de dinheiro público para o 2º Festival Gospel de Anápolis foi dada com exclusividade pela coluna “Bastidores”, do Portal 6. Até o momento, o grupo Disco Praise e o cantor Kleber Lucas permanecem confirmados para evento.

Veja a nota da Banda Resgate na íntegra:





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Circuito off carnaval - 13


Nosso trepidante circuito fora das hostes carnavalescas hoje percorre o maravilhoso território da autêntica música gospel norte-americana, que pouco ou nada tem a ver com o estilo musical que atualmente copia seu nome no Brasil.

Deixamos nossos leitores embevecidos na companhia da vibrante voz de Yolanda Adams cantando "Victory", talvez seu maior sucesso:




Você também pode ouvir Yolanda Adams cantando "I Believe I Can Fly" (de R. Kelly) na melhor tradição do "rhytm and blues":




Voltando ao gospel, Yolanda Adams cantou "I Love The Lord" no tributo a Whitney Houston por ocasião do NAACP Awards em 2012:



Em resumo, Yolanda Adams sabe cantar...



sexta-feira, 3 de julho de 2015

Ana Paula Valadão lança o pijamão gospel


A onda de ídolos gospel faturando em cima da fama não é nova. Aqui mesmo já falamos da moda gospel para os pés de André Valadão e repercutimos matéria da Folha de S. Paulo sobre a "indústria" que os evangélicos movimentam no Brasil.

Daí não ser surpresa alguma ver Ana Paula Valadão pinçando um versículo bíblico, mais exatamente Deuteronômio 8:8, para justificar os 7 frutos estampados no seu involuntário pijamão: "Trigo, Cevada, Figos, Romãs, Uvas, Azeitonas e Tâmaras".

É sempre assim com certas personalidades evangélicas, e não só na vestimenta: basta citar um versículo bíblico qualquer e extrair dele o maior lucro possível.

Para esses ícones gospel, a referência bíblica tem o condão de "ungir" qualquer coisa vendável, e eles nem ficam vermelhos com tanto utilitarismo.

Parece, entretanto, que Ana Paula Valadão não esperava a reação sarcástica da plateia quando postou a foto acima no seu perfil do facebook.

Os internautas não perderam a chance de ironizar a musa gospel nos comentários: "pijama" foi o campeão das impressões da galera, mas sobrou também "toalha de mesa", "livro de colorir", "cortina", "pão integral gourmet ungido" e "pelo menos tem cevada pra gente tomar vendo o Fluzão".

Seria cômico, não fosse trágico...



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Entre privadas e tons de cinza, o gospel monta a sua indústria

Parece que o título da matéria da Folha de S. Paulo cunhou a palavra perfeita para identificar o movimento "gospel" no Brasil: "indústria".

Agora, o teor do artigo mostra que faltam alguns versículos na Bíblia que os ídolos gospel leem, como "eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado" (Mateus 12:36 - NVI) e "aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso" (Efésios 5:12 - NVI).

Não se surpreenda, portanto, ao ver Thalles Roberto dizendo que seu estilo "é diferente da música me abraça ali que eu chupo aqui", ou André Valadão, sempre preocupado com seu All Star e sua calça rasgada, ironizando: "quem é de fora acha que falamos de privada, mas é o trono de Deus".

Isto revela muito sobre eles, assim como sobre o pastor que disse que "é como se a gente fosse 25 Tons de Cinza". Ele teve o cuidado de não se identificar.

Afinal, "a boca fala do que está cheio o coração" (Mateus 12:34 - NVI), não é mesmo?

Torture-se Delicie-se então com a matéria publicada em 05/11/14:

Indústria gospel afina receita para criar popstar

Gênero bilionário faz concursos na TV e busca público além do evangélico
Novo disco do campeão de vendas Thalles Roberto chegou ao primeiro lugar do iTunes em um mês

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DE SÃO PAULO

"Vim da doideira, das drogas e sei que preciso de overdose na minha vida. Hoje minha overdose é o Espírito Santo", diz Thalles Roberto, 36.

Se é de excessos que vive o músico, atual campeão da indústria gospel, seus números não ficam atrás.

Seu novo CD, "IDE - Ao Vivo na Igreja Bola de Neve", vendeu 35 mil cópias físicas em 30 dias (a tiragem inicial é de 50 mil, a mesma do novo álbum de Maria Rita e metade do de Ivete Sangalo) e chegou ao primeiro lugar em vendas digitais no iTunes.

Ele foi a maior atração da Marcha para Jesus, que reuniu 200 mil pessoas na zona norte paulistana em setembro. O funkeiro Naldo chegou a subir ao palco para um dueto, mas era o nome de Thalles que o povo berrava.

Quem não quer ser Thalles Roberto? É a pergunta que ecoa no estúdio da Rede Gospel, canal de TV da igreja Renascer em Cristo. Aconteceu lá, em 26/10, a final da segunda edição do "Gospel Singer".

Feito à imagem e semelhança de "American Idol" e "The Voice", o reality show é composto exclusivamente por evangélicos --do júri ao cinegrafista que tatuou o patriarca bíblico Isaac no antebraço que levanta a câmera.

Thalles estava no "Gospel Singer" para, com mais cinco jurados, escolher o próximo... Thalles.

Ou seja, alguém que concilie a fé e o tino comercial desse ex-backing vocal da banda mineira Jota Quest --e que agora nada de braçada num mercado que gera R$ 1,5 bilhão anuais, segundo a gravadora Universal.

Joias, calças justas, jaqueta estilo aviador e óculos escuros. Tal qual um Lenny Kravitz que encontrou Jesus, ele canta, em pegada soul, versos como "o inicio é como o mel, mas o final do adultério amarga/ vai ter que pagar pensão, mó tumulto, meu filho".

Mó tumulto pode ser também a disputa entre músicos evangélicos, que começam a deixar seus templos para frequentar programas de auditório e trilhas de novelas da TV Globo.

"Cada igreja tem um cantor, e cada cantor quer ser um grande cantor", diz Thalles.

Guilherme Bueno, vocalista da banda ganhadora do "Gospel Singer", a Tempo de Adorar, sentiu a pressão.

Fã de Oasis, comemorou a vitória entornando várias Coca-Colas num churrasco. "Tem pastor de igreja grande com artista que não consegue decolar. Aí não apoia quem está dando certo. O único que não tropeçou foi Jesus, né?", diz.

Para quem chega ao estrelato, o desafio é alcançar seculares (como chamam os de fora da religião) sem desrespeitar os "irmãos". "Falamos que Deus entra, tira o amargo do coração. É diferente da música me abraça ali que eu chupo aqui'", comenta Thalles.

"O mercado busca quem tem relacionamento real com as igrejas, pois vem de lá o público", diz Renata Cenizio, gerente da Universal Music Christian, o braço cristão da gravadora de Thalles Roberto.

"A palavra é credibilidade. Qual igreja frequenta? É ativo nela? É boa mãe ou bom pai?", diz André Valadão, do elenco gospel da Som Livre.

Ele faz parte da banda Diante do Trono, uma das mais bem-sucedidas no gênero (3,6 milhões de discos vendidos), mas pouco conhecida fora do gospel. "Quem é de fora acha que falamos de privada, mas é o trono de Deus", ri.

25 TONS DE CINZA

É verdade que a altura das saias está mais perto dos joelhos que do umbigo, e os colares de ouro sustentam crucifixos em vez de cifrões. Mas, das vestes ao repertório entre pop rock e sertanejo universitário, o gospel escapole do clichê do "crente".

"É como música clássica, você não vê mulher cantando de maiô ou shortinho. Mas somos contemporâneos. Faço show de All Star e calça rasgada", diz Valadão.

"É a mesma coisa, só que num tom menor. É como se a gente fosse 25 Tons de Cinza'", compara um pastor, que prefere não se identificar.

Nesse sentido, "Gospel Singer" é uma versão "light" de programas do gênero.

Ao julgar os cinco finalistas entre 2.357 inscritos, o júri ora gosta "da voz, mas não da gravata rosa" de um, ora acha "pouco comercial" o som "meio Zé Ramalho" do barbudo que lembra Edir Macedo.

Tudo sob a bênção da bispa Sonia Hernandes, diz a apresentadora Camila Campos, 29, vice-campeã do programa em 2013: "A bispa é pauleira e extremamente roqueira".

Colaborou GIULIANA DE TOLEDO, de São Paulo



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Moda gospel para os seus pés

Momento meigo de André Valadão e Lucinho no instagram do primeiro:






segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O evangelho gangsta da periferia


Artigo interessante de Anna Virginia Balloussier no seu blog Religiosamente da Folha de S. Paulo:

Os profetas do gangsta gospel

Eles cantam sobre a “vida loka” da periferia, com roupas “de mano”, em meio a carrões “da hora”. E fazem isso em nome de Deus.

Pastor Ton, Marcio Santos e Paulo “Profeta” Deivid são expoentes do gangsta gospel.

Esse estilo musical une pregação evangélica a um gênero particular do rap, com batida agressiva e letras sem rodeios sobre drogas (“bagulho mesmo”), criminalidade (“a chapa esquenta”) e violência policial (“os gambé embaça”).


O gangsta –derivativo de gângster– conta a vida como ela é. E ela nem sempre era bonita de onde vieram pioneiros americanos como Snoop Doggy Dogg e Tupac Shakur (morto há 18 anos, com quatro tiros em Las Vegas).

“Sempre sonhei em fazer clipe que nem os gringo”, diz Pastor Ton, 36, autor de músicas como “Serial Killa” e “121” (número do homicídio no Código Penal).

Ele curte carrões “lowrider”, aqueles que andam quase arrastando no chão e quicam feito bola de basquete, bem comuns entre gangues de mexicanos nos Estados Unidos.

“Assim como os carros deles pulam na presença da [Nossa Senhora de] Guadalupe, quero que aqui pulem aos pés do meu Deus”, diz.

No vídeo “É Us Crent’s”, que ele mesmo dirigiu, canta com cara de mau ao lado de um Chevrolet Impala 1962, cor azul.


Na vida real, Ton tem um Gol 1999 e duas lojinhas de salgado. O dízimo que recebe, segundo Ton, mal paga o aluguel de R$ 600 de sua igreja, em Guaianases, zona leste de São Paulo.

No vídeo “É Us Crent’s”, posa ao lado de um Chevrolet Impala 1962, cor azul. Na vida real, Pastor Ton tem um Gol 1999 e duas lojinhas de salgado. O dízimo que recebe, diz, mal paga os R$ 600 do aluguel de sua igreja em Guaianases, zona leste de SP.

Um galpão com fachada grafitada abriga a Comunidade Profética Descendentes de Davi, liderada por ele e pela mulher, a ex-prostituta e hoje pastora Angela de Jesus. Com 35 caideiras de plástico branco e um orelhão com o picho “JESUS”, fica próxima a uma boca de fumo.

Quando compõe coisas como “no meio da Babilônia o demônio impera com um fuzil em punho” ou “a fumaça encobre o rosto de Lúcifer”, Pastor Ton tem um objetivo claro: “Converter a cultura gangsta aos pés do Senhor”.

“O gansgta diz o que tá rolando, mas não mostra saída. O gangsta gospel fala, ‘ó, tá rolando isso’, mas tem uma saída. Deus.”

Nos anos 1990, a chamada “linguagem das ruas” ganhou força nos Estados Unidos e uma “versão brasileira, Herbert Richers”, encabeçado pelos Racionais MC’s.

Quando Pastor Ton começou, na banda Criminal Base, não era pastor nem Ton: atendia por Everton Santos, um rapper que se amarrava no som de Mano Brown e andava pra lá e pra cá com um revólver calibre 32, escondido na mala dos vinis (“enferrujado, se atirasse só dava tétano”).

“Até que Deus pediu para que eu trocasse minhas roupas”, diz.

MUDANÇA DE HÁBITO

Certa madrugada, após curtir todas num bailão, esperava um ônibus que nunca chegava. Para passar o tempo, refugiou-se numa Assembleia de Deus. Gostou do que viu e decidiu ficar.

“De repente, eu tava de cabelo curto, sem brinco, sem roupas largas, todo de social.”

Everton saiu “do mundão”. O mundão, contudo, não saiu dele. Se passava um carro tocando Racionais, “a lágrima escorria” de tanta saudade. Aos poucos, foi percebendo que sua “maneira de pregar o Evangelho era gangsta”. E que ele podia usar isso a seu favor.

Os jovens em particular o escutavam: taí um pastor que falava a língua deles. “Entro em lugares que a música dos caras de terno e gravata não vai entrar.”

Hoje Pastor Ton afinou o discurso e folgou as roupas. Usa uma blusa bege três vezes maior do que seu número, como tantos manos da periferia, “porque na cadeia não tem essa de tamanho de roupa”.

Nos pés: All-Star preto. Na cabeça: o boné dos Los Angeles Kings, um time de hóquei. Completam o visual óculos escuros (faz sol), relógio dourado (comprou no Brás) e luva de ciclista (acha estilo).

Quando o veem, alguns “crentes engravatados” até torcem o nariz. Mas, em geral, conta que evangélicos de todas as idades costumam entrar na onda.

Pastor Ton estica os braços até a altura do peito: “As mais tradicionais de coque dão um pulo deste tamanho”.

Marcio Santos, 33, também acha que deu um salto na vida.

Na juventude, vendia drogas como crack e cocaína para a molecada. Uma tentativa de superar o irmão mais velho, Mauricio. “Quis crescer pior do que ele.”

Mauricio, traficante, morreu esfaqueado numa emboscada com 48 presos de uma facção rival, durante uma rebelião numa penitenciária de Sorocaba (SP). Era “Superman” do caçula. “Aquele ladrão que onde chegava era representado. Quando chegava, o pessoal já fazia churrasco para ele”, diz.

Depois da tragédia familiar, Marcio entrou de cabeça na “vida bandida”. Num dia de tempestade, quis entrar de cabeça no asfalto. Viu um carro passando e, de saco cheio de tudo, decidiu se jogar na frente dele. “Aí escutei Deus falar comigo. ‘Não se joga, Marcio, vai para a igreja’.”

Ele foi. No mesmo dia, perdeu na chuva o dinheiro do aluguel. Depois, uma moça ligou dizendo que achou a carteira.

Marcio viu um sinal. “Deus já tá começando, por mais que eu seja um pecador…”

Hoje, ele é pastor e faz gangsta gospel com a mulher e o filho, no grupo Terceiro Dia. “Jesus foi crucificado, ressuscitou no terceiro dia. Morre o velho homem, nasce a nova criatura.”

No clipe “Amor em Extinção”, o trio discorre sobre como o amor está acabando no “mundão”. Cenas da família se intercalam à de palhaços assustadores –imagens tiradas de filmes de terror do “Cine Trash”, programa que o personagem Zé do Caixão apresentava na Band. “É o próprio demônio dando risada da humanidade”, Marcio explica a simbologia.

Outros símbolos ele carrega no corpo: tatuagens da época em que ainda não era convertido, como um escorpião, um dragão e um ícone da gangue que ele fazia parte, a Mais 1 Tranqueira (“a gente rivalizava com a Operação Maloca”).

Marcio carrega a cruz no pescoço: um crucifixo sobreposto à camisa social cinza, que combina com uma bermuda militar, meião branco quase até o joelho e All-Star preto.

Ele conversa com amigo Deivid, 31, da Profetas da Z/O (de Zona Oeste, onde começou a carreira), sobre um festival cristão que ambos vão participar, o Louvorzão –também escalados, o Grupo de Pagode Resgate e a Pura Unção.

Estamos na casa/estúdio/futura igreja de Marcio, em Francisco Morato (Grande SP): um cômodo com teto de telha onde coexistem fogão, geladeira, mesa de som, cama de casal e armário amarronzado tipo Casas Bahia (na porta, adesivos de galinhas e dos dizeres “Glória a Deus”, em amarelo berrante).

Deivid passa sempre lá para discutirem o “movimento”.

“No passado eram os profetas da Bíblia. Hoje nós, servos de Deus, somos constituídos perante a Bíblia como profetas”, diz o rapper de Carapicuíba (Grande SP), de jeans, blusa branca extralarga e lenço lilás no pescoço.

Deivid alisa o cavanhaque e discursa: estilo não é documento. “As pessoas mais tortas e mais erradas, que mais roubam no país, não andam dessa forma, andam muito bem vestidas.”

No Facebook, ele “dá like” nas séries de TV “Breaking Bad”, “Chaves” e “The Big Bang Theory”. Como literatura, curte uma única opção: a Bíblia. As escrituras, para ele, deixam claro: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”.

Foi um adolescente “loucão, que chapava de bebida”, acostumado a crescer numa vizinhança onde os tiros às vezes eram tantos que pareciam milho em panela de pressão.

Convertido, caiu a ficha. “Nosso foco é resgatar os mano da rua como a gente foi resgatado”. Uma batalha e tanto pela frente, ele crê. “É Deivid contra Golias.”



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sócios de Deus


Mais um momento antológico da música gospel nacional:




terça-feira, 11 de março de 2014

Filmes evangélicos querem invadir cinemas brasileiros


A matéria é da Folha de S. Paulo:

Primeiro grande longa evangélico nacional tenta repetir sucesso gospel

GUILHERME GENESTRETI

Em vez do deserto bíblico, o cenário é a caatinga pernambucana. O profeta Elias vira um pregador do sertão; Eliseu, o que faz a água brotar das terras secas, é um engenheiro atuando na transposição do rio São Francisco.

A trama de "A Palavra" é a aposta para levar fiéis evangélicos às salas de cinema.

O precedente é favorável: em 2012, "Três Histórias, Um Destino", coprodução Brasil-EUA baseada em livro do pastor R.R. Soares, fez R$ 530 mil de bilheteria só nos primeiros três dias de exibição. Foi visto por 288 mil pessoas.

A empreitada, com estreia prevista para o segundo semestre, juntou uma advogada que nunca havia atuado como produtora, um cineasta ateu que iniciou em pornochanchadas e um elenco global com Tuca Andrada, Oscar Magrini e Luciano Szafir.

"Tem muito filme evangélico importado, muita coisa amadora, mas nada 100% brasileiro", diz a advogada pernambucana Zitah Oliveira, 45, evangélica, que criou a produtora Anjoluz para tocar o longa.

Frequentadora da Assembleia de Deus, Zitah diz ter contado com a ajuda de fiéis de várias igrejas para filmar. "Não tem uma bandeira, é um filme feito por evangélicos."

Dirigido, no entanto, por alguém estranho ao meio: o cineasta paulista Guilherme de Almeida Prado ("A Dama do Cine Shanghai", "Perfume de Gardênia"). "Meu último projeto tinha sido um fiasco de bilheteria. Não estava fazendo nada, aceitei o convite", diz ele, responsável também pelo roteiro.

"Me deram total liberdade. Só pediram para que fosse sobre os profetas do Velho Testamento", diz Almeida Prado. Seu último filme, "Onde Andará Dulce Veiga?", é de 2008.

O diretor escalou parte da equipe técnica. No elenco, chamou Magrini para fazer o papel de um político corrupto, inimigo do engenheiro Eliseu (Tuca Andrada, que também interpreta Elias).

O filme está orçado em R$ 2,3 milhões. "Não tem igreja financiando, mas quem tinha mercadinho contribuiu com alimento, quem tinha equipamento emprestou", diz Zitah.

A bilheteria de shows gospel, organizados pela produtora, ajudou a bancar custos.

"A comunidade evangélica é forte na música e na TV, mas falta gente especializada em cinema, em geral feito por gente da classe média-alta", diz Ricardo Mariano, professor de sociologia e pesquisador do tema.

ENSAIO

Segundo Mariano, "A Palavra" é um "ensaio" para testar a fidelidade desse público, "não muito habituado a frequentar salas de cinema".

Ele afirma, contudo, que o cinema evangélico pode repetir o sucesso do espírita. Em 2010, os longas "Chico Xavier" e "Nosso Lar" somaram quase 8 milhões de brasileiros à salas de exibição.

"Envolveu muita gente que não estava acostumada a ir ao cinema", diz Mariano.

A Graça Filmes, maior distribuidora de filmes evangélicos do país, espera repetir o feito de "Três Histórias, Um Destino", que ela produziu.

A empresa, ligada ao pastor R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, tem dois projetos engatados: a coprodução "Redeem" ( "redimir"), prevista para 2015, e uma cinebiografia do músico gospel Thalles Roberto.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O funkeiro evangélico

Matéria da Folha de S. Paulo:

Do proibidão ao ostentação, evangélico é um dos principais compositores de funk do Rio

RAFAEL ANDERY

Thiago não consegue decidir se quer ser praga ou santo. Batizado Thiago Jorge Rosa dos Santos, o carioca da favela Vila Cruzeiro é conhecido como Praga.

O apelido vem da infância. Na escola, Praga matava aulas, "perturbava geral" e assinava suas pichações com a alcunha.

Hoje, aos 28 anos, Santos é um cara tranquilo. Casado desde 2009, frequentador assíduo da Assembleia de Deus e planejando cursar uma faculdade de direito, fala com voz modulada, evita palavrões e está quase sempre sério.

Poderia ser só mais um pai de família da zona norte do Rio se não fosse, também, o autor de versos como: "Onde eu chego, eu paro tudo / A mulherada entra em pane / Meu cordão é um absurdo / Meu perfume é da Armani". Ou ainda, em outra linha: "Nóis fecha nessa porra/ No claro e no escuro / Nóis rouba, nóis trafica / Nóis não gosta de andar duro".

Mas Praga não é bandido e nem ostenta muito. Na entrevista, usava camisa polo Lacoste, calça jeans e tênis Adidas, praticamente a mesma roupa do repórter. Praga é, isso sim, um compositor de funk, o único do estilo a se dedicar exclusivamente à composição, dispensando a participação em shows e gravações. "Sou tímido, tímido, tímido. Para ser MC, o cara tem que gostar de tumulto", diz. "Minha vocação é o lado chato, de ficar em casa, pensando, lendo, assistindo aos meus documentários, para, aí sim, fazer a minha crônica do dia a dia e transformar isso em música."

Considerado por muitos do meio como o melhor na arte da escrita de funks, Praga já compôs para nomes como Mr. Catra, navega com naturalidade pelos diferentes estilos do ritmo, do "proibidão" ao "ostentação", e tem três de suas músicas elencadas no livro "101 Funks Que Você Tem Que Ouvir Antes de Morrer" (de Julio Ludemir): "Visão de Cria", "Vida Bandida" e "Vida Bandida 2".

"Escrevi minha primeira música aos oito anos", conta. "Meu irmão era MC e foi pra ele que eu dei a minha primeira rabiscada." Seus primeiros sucessos foram interpretados pelo MC Smith. "Visão de Cria" e "Vida Bandida" são recheadas de referências ao tráfico de drogas e causaram polêmica no Rio. Smith, inclusive, chegou a ser preso por apologia ao crime ao lado de outros três funkeiros (todos amigos de Praga).

"Apologia ao crime não existe", se defende o compositor. "A gente faz uma crônica do dia a dia. Se não houvesse o crime, nós não falaríamos disso. Já viu funk que fala de ET? Esse crime de apologia fere a liberdade de expressão."

"Temos o dever de levar um funk com cunho político, que mostre essa situação, para fora da favela", diz. "Mas você já viu algum funk desses na TV? Nunca. Lá só querem saber de Naldo e Anitta, ninguém quer levar o cara da Vila Cruzeiro que discute segurança pública. Nem as leis de incentivo à cultura nos ajudam. Se o projeto tiver funk no nome, pode esquecer."

O futuro de Praga no funk, contudo, é incerto. Não pela questão financeira. Afinal, o carioca chega a cobrar R$ 5.000 por composição e detém os direitos autorais delas -apesar de ganhar uma merreca com isso. "Se dependesse do Ecad, meu Deus do céu. A fiscalização deles é muito deficiente e não é feita onde minhas músicas tocam", lamenta.

A incerteza vem de questões menos mundanas. Evangélico, Thiago ainda não se tornou "membro efetivo" de sua congregação devido à natureza de seu ganha pão. "É um paradoxo. Gosto de uma religião completamente contrária ao meu trabalho", diz. Praga ainda não se sente preparado para abdicar do funk, mudar seu comportamento e até o jeito de falar. "Acho que esse dia chegará, mas ainda não sei quando."

Um dia, o funk perderá Praga, o melhor compositor do estilo. E a Assembleia de Deus ganhará de vez mais um devoto, Thiago dos Santos.



domingo, 5 de janeiro de 2014

Nelson Ned falece aos 66 anos de idade


O consagrado cantor popular (e depois evangélico) Nelson Ned não resistiu à pneumonia que causou sua internação no Hospital Regional de Cotia (SP) ontem, 4 de janeiro de 2014, e veio a falecer na data de hoje.

Nascido em Ubá (MG) no dia 2 de março de 1947, Nelson Ned teve uma longa carreira de sucessos populares numa época em que a música romântica dominava as rádios e os programas de auditório no Brasil.

Aos 17 anos de idade foi ao Rio de Janeiro tentar a sorte como cantor, e a sua pequena estatura não foi obstáculo para que atingisse o reconhecimento como grande cantor que - de fato - era.

Sua carreira exitosa não se limitou ao Brasil, já que foi profundamente querido nos países hispânicos da América Latina, onde as versões em espanhol de suas canções alcançaram o topo das paradas musicais.

Seu grande sucesso nessa época foi "Tudo Passará" (ou "Todo Pasará" em castelhano).

Nos anos 1990, converteu-se ao evangelho e passou a desenvolver uma carreira de grande êxito na música evangélica.

Ao todo, estima-se que o pequeno gigantesco cantor tenha vendido cerca de 45 milhões de cópias de suas obras ao longo de sua vida.

Acima de tudo, Nelson Ned foi um ser humano especial que conseguiu vencer com o seu talento a barreira que a sua estatura - socialmente relegada a segundo plano (e às lamentáveis chacotas) - felizmente não conseguiu lhe impor.

Uma grande voz que se vai, um enorme exemplo que fica. Merece todas as nossas homenagens.

Abaixo, três grandes momentos de Nelson Ned, o primeiro cantando o conhecido hino "Grandioso És Tu", e o segundo e o terceiro cantando "Todo Pasará" e "Tudo Passará".







terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pesquisa revela interação entre funk e gospel no Brasil

Se você é um daqueles que há tempos anda inconformado com a música que ouve nas rádios e nos programas populares da televisão, é melhor não ler este artigo.

É que na sua última edição (nº 805, 28 de outubro de 2013, págs. 86-90), a revista Época trouxe uma matéria interessante sobre a mudança no gosto musical do brasileiro nas últimas décadas.

A pesquisa foi conduzida pelo Ibope, com o título “Tribos musicais", e foi realizada entre agosto de 2012 e agosto de 2013".

O universo investigado é grande: 20.000 ouvintes de rádio procedentes de todas as faixas etárias e classes sociais, que foram entrevistados nas capitais brasileiras.

A razão para se eleger o rádio como, digamos, veículo-padrão do que se ouve no país é que 73% da população brasileira afirma ouvi-lo com frequência, e esse público se distribui da seguinte forma (as respostas são múltiplas):
  • Música – 96%
  • Notícias – 70%
  • Esportes – 31%
  • Humor – 21%
Logo, a probabilidade de que o leitor deste blog seja um ouvinte assíduo de rádio é muito grande, pelo que ele não se surpreenderá com os resultados apresentados pelo Ibope.

Entre 2012 e 2013, cerca de 2/3 das músicas que foram tocadas nas rádios brasileiras pertenciam ao gênero sertanejo.

Thiago Magalhães, assistente da pesquisa, conclui que “o que une todos é a música. O Brasil é um país movido a música. Queiramos ou não, hoje ele é movido a música sertaneja”.

Os antigos campeões de sucesso radiofônico, a MPB e o pagode, ficaram na poeira.

A música sertaneja responde por 65% do que as ondas sonoras levam ao público espalhado por todo o território brasileiro.

No distante segundo lugar está o pagode, que ocupa 19% da programação musical das rádios do país.

O funk desponta na terceira colocação, com 5% da preferência nacional. Na rabeira, com 3% cada um, estão o rock e a MPB.

A matéria da Época traz a opinião do produtor e empresário Tom Gomes, que lista entre as razões pelas quais o sertanejo suplantou os demais gêneros, em especial a MPB, a sua flexibilidade e onipresença.

Por flexibilidade, entenda-se a facilidade com que os músicos sertanejos se adaptam a outras tendências regionais, como axé, pagode e forró, gerando um certo Frankenstein conhecido por “pancadão”, por exemplo.

Já a onipresença dos cantores sertanejos é sentida em todo o território nacional, diz Gomes, para quem eles “são trabalhadores incansáveis. Fazem shows diante de dezenas de milhares de pessoas todos os dias do ano, ao passo que Chico Buarque faz um show a cada cinco anos para uma plêiade de eleitos. Não admira que Paula Fernandes seja mais popular que ele”.

Estranhamente, a revista não questiona se uma das razões para esse domínio sertanejo é a repetição exaustiva do gênero nos programas populares da TV. Talvez porque a dona dela é a família Marinho, da Globo.

O “jabá”, aquele gordo cachê que - dizem - gravadoras e produtores colocam na mão de apresentadores e diretores de rádio e TV para promover determinado artista, sequer é mencionado na matéria, talvez porque não seja de bom tom tocar nesse assunto.

O artigo poderia ter sido, portanto, muito mais abrangente, mas há informações valiosas que merecem destaque.

Um dado interessante sobre a divisão dos gêneros musicais no gosto do brasileiro médio é que as tribos de fãs de um e de outro não são excludentes.

Desta maneira, sertanejos e pagodeiros têm uma ótima relação entre eles. Enquanto 61% dos primeiros ouvem pagode, 81% dos fãs deste curtem sertanejo.

Fãs de rock e MPB pertencem às classes sociais mais altas e praticam o mesmo intercâmbio entre esses dois gêneros, e a surpresa é que os adeptos do funk e da música gospel têm uma relação bastante íntima.




O pesquisador Magalhães chegou a uma conclusão curiosa: “a gente pode dizer que os roqueiros ouvirão MPB quando ficarem mais velhos, assim como os funkeiros que gostam de Anitta um dia ouvirão mais o gospel de Aline Barros”.

Pois é, a maioria dos ouvintes de funk e gospel pertence às classes D e E e eles não chegaram a completar o ensino fundamental.

Os funkeiros se concentram na faixa etária entre 12 e 19 anos, enquanto os religiosos são mais facilmente encontrados entre os 25 e 34 anos de idade.

No Brasil, lugar de funkeiro é no Rio de Janeiro e em Salvador, enquanto os fãs de gospel têm suas trincheiras localizadas nas capitais nordestinas.

No intercâmbio entre os gêneros, 38% dos funkeiros apreciam música gospel, e 22 % dos religiosos ouvem funk.

Portanto, não deve demorar muito para que o funk invada mais igrejas evangélicas por aí. É só uma questão de tempo...

Para consolar os saudosistas e defensores do bom gosto de plantão, talvez seja a hora de cantar “apesar de você, amanhã há de ser outro dia...”





sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Evangélicos e roqueiros disputam liderança no mercado de instrumentos musicais

Notícia publicada no Estadão:

Roqueiros e evangélicos lideram compras de instrumentos musicais

Católicos aparecem em terceiro lugar, com apenas 4% de um mercado que vai movimentar mais de R$ 700 milhões no País este ano

Roger Marzochi

SÃO PAULO - Os roqueiros representam 15% das vendas de instrumentos musicais no Brasil, em um mercado que deve crescer 12% este ano, embalado pela alta do dólar e por eventos como o Rock in Rio.

No ano passado, as vendas de instrumentos musicais no Brasil chegaram a R$ 625 milhões. Depois dos adeptos do rock aparecem os evangélicos, com 12% do mercado, e os católicos, com 4%.

O restante do mercado (69%) é formado por estudantes de música das escolas, que são 7 milhões de alunos, segundo Synésio Batista da Costa, presidente Associação Brasileira de Música (Abemúsica).

Incentivos. Synésio, que também se define como 'roqueiro de carteirinha', fã dos Beatles, Pepeu Gomes e Mamonas Assassinas, explica que os músicos de jazz representam menos de 1% das vendas de instrumentos musicais no País.

A volta da música nas escolas, decidida há três anos, mas ainda em processo de implantação nas escolas, poderá estimular as vendas do setor, segundo os empresários do setor.

O objetivo da Abemúsica é fazer com que o ensino musical chegue a todas as 170 mil escolas de ensino fundamental no Brasil, que reúnem cera de 22 milhões de alunos.

"Vai demorar, mas imagina quando toda essa criançada começar a estudar música? Isso é um dos motivos do otimismo da indústria e do varejo", explica ele.

Os fabricantes e revendedores de instrumentos musicais estão reunidos em São Paulo na 30ª Feira Internacional de Música - Expomusic, aberta nesta quinta-feira, 19.

A feira reúne 200 expositores que esperam vendas de R$ 250 milhões nos próximos dias, o que significa aumento de 14,5% em relação ao evento do ano passado.

Alta do dólar. "De janeiro a junho, imaginávamos um desempenho 6% a 7% neste ano", diz Synésio Batista da Costa, presidente da Abemúsica. "Com o dólar no atual nível, num momento onde já foi realizada grande parte da importação, a projeção melhorou", acrescenta.

"Os importadores terão que reposicionar os seus negócios no ano que vem, porque os lojistas já importaram o que tinham que importar. Vai ter instrumento mais barato", explica, lembrando que o setor movimenta no varejo R$ 2,5 bilhões em 2 mil pontos de venda em todo o Brasil.

Roberto Weingrill, presidente da fabricante de instrumentos musicais Weril, diz que já sentiu uma melhora no mercado. Segundo ele, as vendas da empresa tiveram um crescimento inesperado de 20% no primeiro semestre.

"O mercado começou a crescer tremendamente, com aumento de vendas dos produtos mais acessíveis", diz o executivo, confirmando a expectativa positiva frente à concorrência com instrumentos importados da Ásia, muito mais baratos que os nacionais.

A concorrência com os importados é tanta que que a companhia havia decidido focar suas vendas em instrumentos profissionais, que são mais caros.

Importados. "Além do dólar, isso reflete a busca por melhor qualidade. O pessoal deixou de comprar produto mais barato. Com a avalanche de instrumentos asiáticos, muitas pessoas se iniciaram no ramo musical e agora buscam um produto com melhor qualidade", diz Weingrill.

A indústria nacional ainda conta com uma ajuda extra: as importações de instrumentos musicais apresentaram queda. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a importação de dez tipos de instrumentos musicais foi de US$ 59,9 milhões de janeiro a agosto, uma queda de 23,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Nesse período, a importação apenas de instrumentos de sopros denominados metais (trompete e sax, por exemplo, produzidos pela Weril) foi de US$ 4,8 milhões, uma queda de 12,31% na comparação com os primeiros oito meses de 2012.

E, com a alta recente do dólar, a Weril pretende elevar a exportação, hoje restrita a apenas 4% de sua produção, muito inferior ao nível de 22% antes da invasão dos produtos asiáticos, que prejudicou a companhia nos mercados interno e externo.

Isenção fiscal. "É um setor que já passou por todas as dificuldades e a tendência é de crescimento. Sofremos com o dólar baixo e a abertura de mercado no início da década de 90. A indústria nacional está com perspectiva boa especialmente se o dólar permanecer entre R$ 2,20 e R$ 2,50", explica Silvio Dutra, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Instrumentos Musicais e Áudio (Anafima).

A entidade pressiona o governo pedindo isenção tributária semelhante à que é concedida para as editoras de livros didáticos.

"O livro didático é isento de impostos para estimular a educação. Com a volta da música nas escolas, a música começou a fazer parte da grade curricular e por isso achamos razoável que os instrumentos musicais sejam tratados da mesma forma que o livro."

SERVIÇO: EXPOMUSIC 2013 – 30ª. FEIRA INTERNACIONAL DA MÚSICA, INSTRUMENTOS MUSICAIS, ÁUDIO, ILUMINAÇÃO E ACESSÓRIOS

Data: 18 a 22 de setembro de 2013
Horários: das 13h às 21h (dia 22, das 11h às 19h).

Dias 20 a 22, o evento é aberto ao público em geral mediante compra de ingresso.
Crianças com idade até 12 anos, maiores de 60 anos e deficientes físicos têm acesso gratuito.

Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme, São Paulo, SP.
Informações pelo telefone: (11) 2226-3100



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