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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Justiceiros "evangélicos" obrigam mãe de santo a quebrar imagens em terreiro do RJ


É difícil classificar o vídeo abaixo fora das fronteiras da barbárie, em que bandidos invadem um terreiro de umbanda e obrigam a mãe de santo a quebrar seus objetos religiosos.

Talvez sirva para revelar o perigo de um país em que a palavra "evangélico" seja vista mais como ideologia do que teologia, em que pessoas que se sentem superiores a outros só por professarem uma determinada religião e não são capazes de conviver com o diferente.

Esses seres abjetos certamente nunca leram Zacarias 4:6, que diz: 'Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito'

A matéria é da CBN:

Criminosos obrigam mãe de santo a destruir próprio terreiro em Nova Iguaçu

Testemunhas disseram à CBN que os traficantes chegaram a urinar nas imagens sacras. Toda a ação foi gravada e divulgada nas redes sociais. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apura um outro vídeo nas mesmas circunstâncias. O caso também teria ocorrido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Por André Coelho

Mais um terreiro de candomblé foi atacado por bandidos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sete criminosos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma.

Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram à CBN que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de "bruxaria" naquela comunidade.

Os "filhos de santo", como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as "guias", um tipo de cordão, do pescoço deles.

Nas imagens, é possível ouvir os criminosos usando termos cristãos enquanto a mulher quebra as imagens sagradas.

'Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o "demônio-chefe"! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!'

As imagens de outro ataque também circulam nas redes sociais. As primeiras informações obtidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apontam que o caso teria ocorrido no Parque Flora, também em Nova Iguaçu. Na gravação, um homem é obrigado por criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé.

Os bandidos ameaçam a vítima com um bastão de beisebol onde está escrita a palavra 'diálogo'. Eles dizem para a vítima que ela será morta, caso tente montar um novo terreiro na favela. O grupo chega a gritar o nome de uma facção criminosa durante a ação, além de citar o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos evangélicos.

'É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o "mano" não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!'

Ativistas que defendem a liberdade religiosa condenaram os novos casos de violência. O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas. Para ele, os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes.

'Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, 'ah, Jesus mandou, fui lá e fiz'. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem contruído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas.'

Ontem, o secretário de Segurança, Roberto Sá, se reuniu com o secretário estadual de Direitos Humanos Átila Nunes e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, para discutir a possível criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Nós entramos em contato com a Polícia Civil por causa dos dois vídeos, mas ainda não tivemos retorno.

Na semana passada, a CBN exibiu dados do Tribunal de Justiça do Rio que mostram que, desde 2012, o estado não registrou condenações por preconceito ou depredação de itens religiosos.




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Polícia investiga suposta aliança entre traficantes e pastores contra umbandistas no RJ


Alguma coisa está errada na Baixada Fluminense e na sua capital. 

Imagine no dia em que os "evangélicos" dominarem o mundo...

A matéria é do Extra:

Ataques a terreiros do Rio podem ter partido de traficantes envolvidos com pastores evangélicos, diz Átila Nunes

Ricardo Rigel

O secretário estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), Átila Nunes, afirmou ao EXTRA, nesta sexta-feira, que os recentes ataques a terreiros de umbanda e candomblé ocorridos na Baixada Fluminense e na Capital podem ter relações com traficantes envolvidos com supostos pastores evangélicos. Denúncias recebidas através do Disque Combate ao Preconceito (2334-9551), apontam que traficantes estariam ameaçando os líderes religiosos para que deixassem de celebrar os cultos.

— Nós estamos estudando uma forma de resguardar essas pessoas que frequentam esses centros e ao mesmo tempo cobrar que estes casos sejam apurados rapidamente. Nós temos recebido várias denúncias de que falsos pastores têm criado uma relação com o tráfico de drogas de regiões como as de Nova Iguaçu, para lavar o dinheiro do tráfico dentro das igrejas. Tenho conversado com a Polícia Civil para que esses casos passem a ser investigados — contou o secretário Átila Nunes.

Nas últimas duas semanas, seis casos de intolerância religiosa foram registrados em Nova Iguaçu. Segundo a Secretaria Estadual de Direitos Humanos, na terça-feira, um grupo de criminosos invadiu um terreiro de candomblé, no Parque Flora, também no município, e quebrou imagens e objetos usados nos cultos. Mas, neste caso, os donos do terreiro não tiveram coragem de registrar o fato.

— Já conversei com os donos do local, mas eles têm muito medo de tudo que está acontecendo. Estamos fazendo uma mediação com a Polícia Civil, para que tudo seja apurado. Esse é um fenômeno terrível que não pode continuar crescendo em nossa sociedade.

Elaine Dias Pereira, de 64 anos, a Mãe Elaine de Oxalá, responsável por um terreiro de Candomblé, no bairro de Santa Rita, também em Nova Iguaçu, diz que também tem sofrido com ataques de intolerância religiosa. Há quatro meses, criminosos jogaram uma bomba no terreiro dela:

— Foi um absurdo o que fizeram comigo. Explodiram o meu relógio e fugiram. O caso foi registrado como intolerância religiosa. O que mais me deixa tensa é que tenho esse terreira há quase 30 anos e estamos com muito medo de novos ataques.

Ainda de acordo com a mãe de santo, ela também tem conhecimento de que outros terreiros estão sofrendo ameaças de traficantes ligados a pastores.

— Uma filha de santo me relatou que viu um traficante ordenando o fechamento de um terreiro aqui em Nova Iguaçu. Estamos assustados e queremos uma providência das autoridades — reclamou Mãe Elaine de Oxalá.

Entre as denúncias recebidas pela (SEDHMI), um filho de santo de outro terreiro, também em Nova Iguaçu, chegou a relatar os ataques que o centro dele vem sofrendo:

"Nossa casa foi invadida por traficantes. Assim como outras casas também foram. Nos proibiram de exercer qualquer tipo de culto, atabaques e até mesmo usar roupas que remetam a nossa religião. Nosso medo da exposição é exatamente de perder o nosso barracão".

A polícia Civil está investigando os casos relacionados aos ataques em Nova Iguaçu. Ainda segundo Átila Nunes, na próxima semana, ele volta a se reunir com o Secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, e com o delegado Carlos Leba, chefe da Polícia Civil, para definir o cronograma de obras para a implantação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi):

— A nossa expectativa é que o órgão comece a funcionar ainda este ano.



sábado, 2 de setembro de 2017

Pastor-vereador do RJ chama Anitta de "vagabunda de quinta"

E não é que arranjaram um barraco gospel pra Anitta?

O vereador e "pastor" "evangélico" Otoni de Paula Jr., do PSC (aquele partido que se diz "cristão"), sem ter sido provocado, resolveu buscar o caminho mais rápido para a fama criticando a cantora Anitta pelas redes sociais, lamentando sua influência e chamando-a de "vagabunda de quinta".

A reação - mais do que esperada - do enorme fã-clube da cantora não tardou a vir e, diante da repercussão de sua opinião gospel, o vereador a editou retirando a expressão "vagabunda de quinta", da qual diz ter se arrependido e por isso pediu perdão, mas deixou o resto de seus ataques lá.

Anitta, que não é boba nem nada, também aproveitou a repercussão nas redes sociais para se defender e criticar o vereador gospel, fazendo enigmáticas declarações sobre algo parecido com contratação de show pornográfico (pelo menos é o que dá a entender), no que pareceu uma ameaça de dizer algo mais que ninguém esperava, conforme você pode conferir logo no começo de sua declaração cifrada reproduzida abaixo.






Enfim, cá entre nós, "evangélico" na política brasileira é só uma questão de ideologia e nada mais.

Há muito neste ex-país a palavra "evangélico" deixou de significar algo parecido com "cristão".

Se "cristão" fosse, o vereador Otoni de Paula, pra começo de conversa, haveria de se lembrar, antes de mais nada, de um versículo da Bíblia que recomenda que "aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso" (Efésios 5:12), e teria parado por aí.


Mas não...


Otoni de Paula, que é pastor de um dos ministérios da Assembleia de Deus em Niterói (RJ), não conseguiu se segurar e partiu para o ataque contra Anitta, invocando uma suposta piedade que não teve pudor algum ao postar fotos ousadas da cantora, que estaria "ofendendo" sua "santidade".


Por acaso você, amigo leitor que se diz cristão, publicaria isto também?






Parece que este ex-país está a cada dia que passa mais cheio de ex-cristãos dizendo ser "evangélicos" em suas ex-igrejas ex-ocupadas em pregar o evangelho.


A não ser que você tem visto e ouvido alguém pregar o evangelho da cruz de Cristo por aí. Confere?



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Universal condenada por fazer barulho e incomodar vizinho no RJ



Igreja é condenada a indenizar morador incomodado por cultos

A 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou que a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) indenize, por danos morais, no valor de R$ 5 mil, Odilon Faria pelo barulho realizado durante os cultos. Na ação, o autor relata que o templo instalado num galpão vizinho aos fundos da sua residência era local de cultos diários - das 6h da manhã às 9h da noite - e que, por diversas vezes, reclamou com a Polícia do ruído excessivo das cerimônias. Incomodado, Odilon acabou se mudando do local. A administração da igreja tomou providências: revestiu o galpão e o tornou à prova de som depois que a ação já transcorria na Justiça.

Em função da proteção acústica feita no templo, o juízo da 6ª Vara Cível Regional do Méier julgou extinto o processo. Mas Odilon recorreu e a 19ª Câmara Cível reconheceu o direito à indenização.

“Entendo que no caso dos autos, o quantum reparatório deve ser fixado no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), atendendo assim aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade e cumprindo com seu papel punitivo pedagógico, que tem por finalidade desestimular a prática de comportamentos abusivos, acrescido ainda de juros legais a contar da citação e de correção monetária a contar desta data” – assinalou em seu voto a desembargadora Valeria Dacheux, que foi relatora do processo.

Processo nº 0015386-14.2009.8.19.0208



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Guarda Municipal do RJ é questionada por fazer censo religioso na corporação


E o Brasil segue firme na sua trajetória de ex-país, segundo informa o G1 Rio:

Prefeitura do Rio faz censo religioso na Guarda Municipal

Questionário pergunta sobre religião de agentes. Alguns servidores se disseram constrangidos com a ação.

A Prefeitura do Rio está fazendo um censo religioso na Guarda Municipal. O comando da corporação quer saber a religião de cada um dos servidores e, pra isso, distruibuiu um questionário. A iniciativa está causando polêmica.

O formulário, demanda do Comando da Guarda Municipal, tem três perguntas. A primeira, se a pessoa professa alguma religião. Se sim, há a opção de responder se é católico, evangélico, espírita ou outra. Há ainda um campo para informar se a pessoa é praticante ou não da religião. Por fim, o agente pode se identificar preenchendo o formulário com nome, matrícula e unidade.

Diante da situação, alguns servidores se disseram constrangidos e denunciaram a obrigatoriedade de preenchimento do formulário. A polêmica, revelada nesta quarta-feira (9) pelo jornal O Dia, levou o deputado Átila Nunes, do PMDB, a entrar com um pedido de suspensão do formulário ao Ministério Público, alegando que a ação fere um direito constitucional.

“Isso é um absurdo. Estão violando, antes de mais nada, a intimidade de cada um, você não pode perguntar, por exemplo, a orientação sexual. Isso é uma violência que nunca aconteceu no serviço público.”, se posicionou o deputado.

Em contrapartida, a comandante da Guarda Municipal, inspetora Tatiana Mendes, esclareceu que o objetivo é criar uma assistência religiosa aos servidores e que eles não são obrigados a se identificar. Ela disse que após o censo, o intuito seria processar os dados para se criar uma capelania.

Na visão da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio, o censo proposto pela Guarda Municpal limita e constrange os profissionais e erra em não incluir outras religiões como a Umbanda e o Candomblé, ambas consideradas patromônio imaterial da cidade do Rio.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, é bispo licenciado da Igreja Universal.



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Idosa adepta do candomblé é apedrejada no Rio de Janeiro


Aquela imagem de "cordialidade" que o brasileiro tinha até algum tempo atrás parece que não existe mais.

Se até "evangélicos" apoiam candidatos fascistas, o que imaginar dos outros, não é mesmo? 

A matéria é da Agência Brasil:

Idosa é agredida a pedradas no RJ e família denuncia intolerância religiosa

Cristina Indio do Brasil

Uma idosa foi agredida a pedradas no bairro Cerâmica, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A família diz que a mulher foi vítima de intolerância religiosa.

Segundo a filha da idosa, a vendedora Eliane Nascimento da Silva, de 42 anos, a mãe, Maria da Conceição Cerqueira da Silva, de 65 anos, foi agredida quando saiu de casa para ir ao mercado. A vendedora relatou que a mãe retornou com o rosto ensanguentado e ferimentos no braço esquerdo.

Maria da Conceição é candomblecista e a família acusa uma vizinha de ter cometido a agressão, que ocorreu na última sexta-feira, por volta das 15h, por intolerância religiosa.

“Ela veio da Bahia do interior com essa cultura dos ancestrais, da família e seguiu a educação que recebeu lá”, disse a filha.

A aposentada foi atendida no Hospital Geral de Nova Iguaçu, no bairro da Posse, e levou seis pontos na testa e três na boca. A idosa ainda não fez exame oftalmológico para verificar se o olho esquerdo foi afetado.

De acordo com a vendedora, a vizinha havia ameaçado matar Maria da Conceição, a quem chama de “macumbeira e feiticeira”. Além disso, teria dito que a família podia apresentar queixa na delegacia, o que não resultaria em nada.

Eliane entregou aos policiais os vídeos das câmeras de segurança, instaladas na porta da casa da mãe, que mostram o horário que ela saiu e voltou. O local da agressão, ao lado de um caminhão, no entanto, não está no ângulo das câmeras. “Essa moça chegou a ir na delegacia se fazendo de vítima dizendo que a minha mãe tinha uma tesoura para pegar ela. Só que as imagens mostram que a minha mãe não estava com nada na mão e essa menina não tinha um arranhão no corpo”, completou.

De acordo com a Polícia Civil do Rio, a agressão foi registrada na 58ª DP (Posse) e as investigações estão em andamento com diligências para apurar os crimes de lesão corporal e de injúria. A agressão não foi registrada como intolerância religiosa.

Amanhã (21), a aposentada e parentes serão recebidos, às 13h30, na Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos. O órgão colocou à disposição da idosa e da família, assistência jurídica, psicológica e social. A secretaria informou que vai acompanhar as investigações e pedirá que a Polícia Civil registre o caso como intolerância religiosa.

Para o secretário Átila Nunes, casos como esse são inadmissíveis. “Esta senhora foi vítima, no mínimo, de dois crimes: intolerância religiosa e agressão contra idosos”, apontou.

Diante dos casos de intolerância religiosa que vem ocorrendo no Rio, o secretário defendeu a criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância . “Crimes como esse, que envolvem o preconceito não só religioso, mas também à pessoa idosa, precisam ser combatidos. Pedimos para quem for vítima de qualquer agressão motivada por intolerância ou preconceito, que entre em contato com o nosso Disque Combate ao Preconceito”, disse.

O Disque Combate ao Preconceito funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, pelo telefone (21) 2334 9551.

Dados do Disque 100, de Direitos Humanos, indicam que, em 2016, foram registrados 79 casos de intolerância religiosa no Rio, um aumento de 119%, na comparação com 2015.

Edição: Carolina Pimentel



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rio de Janeiro faz "esfihaço" para abraçar imigrante sírio que foi vítima de xenofobia

O imigrante sírio feliz da vida na foto de Matheus Pereira, do G1

Meus amigos "evangélicos góspeis", é essa a atitude cristã em relação aos fracos e desfavorecidos, não essa xenofobia e esse ódio aos pobres e ao diferente que vocês demonstram ao apoiar um certo candidato cujo nome não deve nem merece ser pronunciado, mas dificilmente vocês entenderão.

Cristãos acolhem, amam e pregam o evangelho puro de Jesus Cristo, e se tiverem que morrer para tanto, serão martirizados como "ovelhas destinadas ao matadouro" (Romanos 8:36), sem mais.

Como Tertuliano já dizia, "o sangue dos mártires é a semente da igreja", mas quem era Tertuliano (±160-220 d.C.) perto dos nobilíssimos, santíssimos e poderosíssimos líderes evangélicos brasileiros atuais, não é mesmo?

Não são "apóstolos do ódio", como alguns famosos "pregadores" hoje se propõem, simples assim...

Talvez somente quando alguns dedos misteriosos escrevam "mene mene tequel parsim" nas paredes dos seus lautos banquetes de autolouvaçao desenfreada (Daniel 5), meus caros religiosos fascistas, vocês perceberão que o seu tão propalado "reino" político-ideológico padece de autofagia.

Aí será tarde demais...

A matéria é do G1:

Cariocas fazem fila em 'esfihaço' para apoiar refugiado sírio agredido em Copacabana

Após divulgação de vídeo em que é hostilizado por outros ambulantes, Mohamed Ali recebe apoio dos brasileiros. Perto dali, no Arpoador, grupo protestou contra muçulmanos.

Matheus Rodrigues


Uma longa fila se formou neste sábado (12) nas ruas de Copacabana em torno de um carrinho de salgados árabes. Ninguém duvida do sabor das esfihas e quibes, mas o motivo para tanta gente em torno do vendedor é outro: dar apoio ao refugiado sírio Mohamed Ali, que dias atrás foi vítima de hostilizado por outros ambulantes, na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Entre uma foto e outra entrevista, Mohamed não sabia definir o que estava sentindo. Muitos cariocas foram à mesma esquina para prestar solidariedade.

Os insultos foram registrados por quem passava e a imagem, rapidamente, se espalhou pelas redes sociais (veja nas reportagens acima). Mohamed Ali foi agredido verbalmente depois de ter o carrinho empurrado pelos agressores. Algumas mercadorias caíram no chão.

O ambulante que aparece no vídeo com dois pedaços de madeira na mão fala para Mohamed voltar para o país dele, sair do Brasil, e o ofende.

"Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!", disse.

Mohamed não postou o vídeo e não foi à polícia. "Eu não quero problemas, só quero trabalhar. Eu não quero problema para ninguém", disse Mohamed Ali.

Solidariedade


O evento teve fila de quem estava disposto a ajudar...
Um empresário promoveu o “esfihaço” deste sábado e iniciou uma "vaquinha on line" para conseguir um food truck para o amigo. Guilherme Benedictis resolveu promover o evento “Comer esfiha na barraca do Mohamed” em uma rede social. Até este sábado, o evento tinha confirmação de 11 mil pessoas e despertou o interesse de outras 33 mil.

Mohamed tem 33 anos, é filho de pai sírio e mãe egípcia, nasceu na Síria e foi criado no Egito, de onde saiu há três anos. Diz que no Brasil as pessoas respeitam a religião do outro, e ele pode viver "em paz". Mesmo após a agressão, ele defende o país. "Eu amo o Brasil".

O sírio é casado com uma brasileira e tem um filho. Fugiu da guerra no Oriente Médio e não quer mais conflitos por aqui. "Eu fui para a guerra lá, cheguei aqui e não quero guerra aqui."

Na quinta-feira (10), Mohamed recebeu das mãos do prefeito Marcelo Crivella uma licença para trabalhar em Copacabana.

Protesto contra muçulmanos


Mas o ódio "religioso" nunca pode ser ignorado, há sempre gente disposta ao pior que o ser humano pode oferecer...


Enquanto o sírio era homenageado após sofrer ataques de xenofobia e intolerância religiosa, um grupo de cerca de 20 pessoas fez um protesto com ataques contra muçulmanos a poucos quilômetros dali, no Arpoador. Vestidos de preto e com cartazes com palavras como "muçulmanos: assassinos, sequestradores, estupradores", eles caminhavam em silêncio.

A educadora Débora Garcia estranhou a movimentação e, ao ler os cartazes, resolveu fotografar.

"Minha primeira reação foi não entender o que estava acontecendo. Até porque as mensagens pareciam misturar alhos com bugalhos. Pareceu um movimento 'cristão' radical contra muçulmanos, [grifamos] fazendo algum tipo de analogia louca com assassinatos, sequestros e estupros. Como se pra cometer esses crimes tivesse que ter alguma relação com algum credo em especial", disse, em entrevista ao G1.

"Estranhei a quantidade de cartazes e o uniforme preto. Primeiro, achei que era em defesa de migrantes, estrangeiros. Depois, que vi que eram totalmente contra praticamente um pedido para que saiam daqui", contou.



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Cristo Redentor se iluminará de vermelho esta noite para homenagear advogados


Contagem regressiva para quem vai chamar o Cristo Redentor de "petralha" ou "comunista"...
A informação é da Agência Brasil:

Cristo Redentor ganha luzes vermelhas em homenagem ao Dia do Advogado

Flávia Villela

Pela primeira vez, o Cristo Redentor receberá iluminação especial numa homenagem à advocacia brasileira, que comemora 190 anos hoje (11). O tom vermelho rubi, escolhido para colorir o monumento das 18h30 às 19h30, é a cor oficial da profissão, que simboliza a defesa da vida e da liberdade.

A iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção do Estado do Rio de Janeiro, com o apoio da Arquidiocese do Rio, é uma homenagem à profissão e ao seu papel democrático “indispensável à administração da Justiça”, definido no artigo 133º da Constituição Federal.

Atualmente, o Brasil conta com mais de 1 milhão de advogados, sendo 150 mil no Estado do Rio. Para o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, esse é um justo reconhecimento à categoria, que, em seu dia a dia, cumpre a função de ser o principal elo entre as garantias cidadãs e a justiça.

“Desde seu início, a advocacia é vanguarda na luta pelos avanços dos direitos sociais e das garantias fundamentais. A história de nossa profissão se confunde com os avanços humanistas do país, já que a nossa função é a de construir, aprimorar e entregar a efetiva justiça à população”, disse ele hoje (11).

Primeiro Império

A comemoração do Dia do Advogado vem desde o Primeiro Império no Brasil (1822-1831). Dom Pedro I, que havia proclamado a Independência alguns anos antes, desejava que a nova nação possuísse leis próprias. Assim, em 1824 foi redigida a primeira Constituição brasileira.

Entretanto, entendeu-se que não bastavam leis se não houvesse alguém que as executasse. Pensando nisso, ele criou, no dia 11 de agosto de 1827, os dois primeiros cursos de Direito no país - um em Olinda, no Mosteiro de São Bento, e outro em São Paulo.

Em 1843, foi criado o Instituto dos Advogados do Brasil, para regulamentar o ofício de Bacharel em Direito e organizar a Ordem dos Advogados do Brasil, instituída em 18 de novembro de 1930.

Graças ao empenho da advocacia ao longo da história, a OAB se tornou uma das principais entidades defensoras do Estado Democrático de Direito, atuando em fatos marcantes do país, como na luta contra a ditadura militar, na reconstrução da democracia e, mais recentemente, no apoio da liberdade de expressão dos movimentos populares de 2013.

Edição: Kleber Sampaio



sexta-feira, 7 de abril de 2017

Evangélicos cariocas não creem que "bandido bom é bandido morto"

Admita: o raciocínio rasteiro e demagógico serve para qualquer coisa... 

Comecemos pelo óbvio ululante. Leia, pense e opine. Tudo isso com calma.

Primeiramente, não existem sistemas penais ou ideológicos perfeitos. Quem assim o afirma, passa um atestado de burrice ou má fé intelectual.

Em segundo lugar, você é o único responsável por desfrutar o imenso prazer desse dom que Deus deu à humanidade sem parcimônia: a razão.

Pense, portanto. Exercite o seu sagrado direito de raciocinar.

Não aceite instantaneamente opiniões alheias e rasteiras como "verdade". Refine-as pelo seu filtro do bom senso.

É que, com tanto imbecil apresentando programas policiais matutinos e vespertinos na TV, usando suas frases rasteiras e demagogas para enganar a população em busca de audiência, tudo isso tolerado pelas autoridades constituídas, sejam elas de que ideologia forem, fica realmente difícil explicar para o leigo que quem defende "direitos humanos" não defende bandido, mas a sociedade como um todo.

Isso, meu amigo, minha amiga, porque a maior desgraça que pode acontecer - para a Justiça como valor filosófico supremo e para o Poder Judiciário como pretenso aplicador dessa tal "justiça" - é condenar um inocente ou matar (ou permitir que matem) um acusado sem lhe dar direito à defesa, ou vice-versa, ou tudo isso junto.

Basta um erro nesta área para que todo o edifício da segurança criminal seja demolido.

Então - pasme! - quem defende os direitos humanos defende, obviamente, os humanos, ou seja, VOCÊ! (incrível, não?), pois ninguém está livre de ser confundido com um bandido qualquer na rua e ser imediatamente linchado por uma manada furiosa de outros supostos humanos, ou de sofrer uma arbitrariedade policial qualquer.

Acontece, não é mesmo? Preciso mesmo dar exemplos?

Um argumento geralmente utilizado por quem critica os direitos humanos é que "ninguém vai visitar a família da vítima".

É verdade, o ideal seria que cada governo, cada Estado tivesse um serviço especializado em socorrer a família da vítima diante da ocorrência de um crime.

Entretanto, por incrível que pareça, a Justiça e o Poder Judiciário não estão nem deveriam estar preocupados com a família da vítima sob o aspecto penal. Sabe por quê?

Porque, desde os tempos da antiguidade grega, se entendia que o homicida que tira a vida de um cidadão deve ser punido NÃO por causa da família da vítima (uma espécie de "justiça retributiva", na base do "olho por olho"), mas por causa do dano que ele causou à sociedade em que está inserido.

Sim, é isto mesmo que você leu. Desde os tempos de Sócrates, todas as sociedades ditas civilizadas punem o assassino pelo simples (e dolorosíssimo) fato de que ele causou um distúrbio gigantesco na sociedade em que vive ao perpetrar um homicídio.

Trata-se, portanto, de uma punição socialmente elaborada em contrapartida ao prejuízo causado pelo ato danoso de um de seus membros.

Já tivemos oportunidade de abordar este tema por ocasião de nossos artigos sobre a "justiça no pensamento aristotélico".

Claro que a família da vítima pode (e deve) buscar a reparação privada dos danos causados pelo homicida, mas como você já percebeu isso se dá no campo do direito civil e não do penal (que é público).

Talvez haja outro sistema melhor do que este, mas é assim que todas as sociedades ditas civilizadas decidiram se comportar para não entregar - de bandeja - os seus membros à barbárie e ao ciclo da violência sem fim.

Todos os outros sistemas já foram testados e reprovados (a Alemanha e seu Führerprinzip que o diga, e isso há menos de 100 anos). 

Estaríamos todos literalmente fritos se Herr Präsident Roland Freisler fosse o modelo universal de juiz.

Se você tiver outro sistema melhor a sugerir, não se acanhe: formule-o, estruture-o e apresente-o ao mundo para que o consideremos. Precisamos sempre de algo melhor.

Dito isto, considerando a confusão que impera no Brasil sobre esses antigos conceitos civilizatórios relativamente simples, chega a surpreender que os evangélicos cariocas sejam a camada da população mais avessa ao bordão conhecido de que "bandido bom é bandido morto".

Surpresa porque - lamentavelmente - o que não falta no meio gospel brasileiro é pastor-mala vociferando impropérios e argumentos rasteiros e demagógicos contra quem ousa defender os direitos humanos.

Pelo jeito, ainda há esperança para os evangélicos cariocas.

A matéria é da Agência Brasil:

Contradições mostram que cariocas não compreendem direitos humanos, diz pesquisa

Vinícius Lisboa

A defesa dos direitos humanos é incompatível com o controle da criminalidade para 73% dos cariocas, segundo a pesquisa Olho por Olho?, divulgada hoje (5) pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. Quando confrontados com exemplos de situações mais concretas, no entanto, os entrevistados posicionam-se muitas vezes a favor dos direitos de que afirmam discordar, apontam os pesquisadores responsáveis.

"Temos contradições. Embora grande parte da população não acredite que lutar contra a violência seja compatível com o respeito aos direitos humanos, em uma série de outros dados, fica claro que a população não aceita violações específicas", diz a coordenadora do centro de pesquisas, Julita Lemgruber.

Na opinião da pesquisadora, existe incompreensão do termo "direitos humanos" que, muitas vezes, é confundido com impunidade ou "privilégio de criminosos". "A gente tem um dever de casa de explorar essas brechas e trabalhar com a população", afirma.

Para 56% dos entrevistados, quem defende direitos humanos defende bandidos. Apesar disso, 47% discordam da frase "os bandidos não respeitam os direitos dos outros, por isso, não merecem ter direitos".

A maior parte (61%) dos entrevistados afirma que a polícia deve, sempre que tiver escolha, prender em vez de matar. Para 93%, a polícia não pode atirar em quem acha que é criminoso. Além disso, mesmo diante da certeza de que alguém cometeu um crime, 75% são contra o disparo, e 69% são contra a polícia atirar em quem está fugindo e 29% discordam até mesmo de que a polícia dispare contra quem está apontando uma arma para os agentes.

"Essa pesquisa aponta para a possibilidade de desconstrução dessa lógica do 'bandido bom é bandido morto'. Há espaço para discussão com a sociedade", destacou Julita.

A pesquisa identificou uma base de cerca de 40% dos cariocas que têm uma atitude pró-direitos humanos na questão da segurança pública. Eles são contra o chavão "bandido bom é bandido morto", discordam da pena de morte e são contra linchamentos. Por outro lado, 12,5% declararam ser a favor da frase, da pena capital e da justiça com as próprias mãos.

Para o pesquisador Ignacio Cano, os dois grandes freios à ideia de que bandido bom é bandido morto são a defesa da legalidade e a religião. O estudo identificou que 37% da população concorda que bandido bom é bandido morto.

"Apesar de defender [a tese de que] bandido bom é bandido morto, a maioria dessas pessoas está pensando mais em uma pena legal do que em uma execução sumária ou um linchamento na rua", destaca.

A pesquisa mostrou que os religiosos praticantes, especialmente os evangélicos, são o grupo que mais discorda da frase e também o que mais acredita na ressocialização.

"Os religiosos, muitas vezes, acreditam que Deus é o único que pode tirar a vida", explica Cano, que defende uma renovação do discurso em defesa dos direitos humanos. "É preciso uma reciclagem. Nossa linguagem deve ser mais próxima da linguagem das pessoas, e não da dos tratados internacionais apenas".

Para Cano, é preciso desnaturalizar a ideia de "guerra" no Rio de Janeiro, desconstruir a demonização da figura do traficante e apontar o fundo racista nas violações dos direitos humanos.

Exposição

A pesquisa mapeou também a exposição das pessoas a cenas de violência e identificou as redes sociais Facebook e WhatsApp como as principais plataformas em que os entrevistados tiveram acesso a vídeos de violação de direitos humanos.

Do total de entrevistados, 42% já viram pessoas sendo mortas na internet, 40% já assistiram a tiroteios envolvendo policiais e 38% já viram vídeos de linchamentos.

A pesquisa ouviu 2.353 pessoas, com ao menos 16 anos, em pontos de fluxo do município do Rio de Janeiro. O questionário, com mais de 40 perguntas, foi aplicado em março e abril do ano passado.

Edição: Lílian Beraldo



terça-feira, 7 de março de 2017

Crivella nomeia morto para a Riotur


Detalhe bizarro: o "morto" em questão está levando falta e será exonerado após 30 dias de ausência ao trabalho.

A notícia esquisitona, que faz a gente se lembrar do poema "Ismália", de Alphonsus de Guimaraens, vem d'O Globo:

Crivella nomeia morto como assessor da diretoria de Marketing da Riotur

Assessoria jurídica da Riotur confirmou que a nomeação não foi um equívoco

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

RIO - O prefeito Marcelo Crivella nomeou um morto para assumir um cargo de confiança na Riotur. O ato foi publicado na página 6 do Diário Oficial do município da última sexta-feira, com data retroativa a 2 de janeiro. O funcionário, que não teve o nome divulgado a pedido da família, foi indicado para assessoria da Diretoria de Marketing do órgão. No entanto, ele cometeu suicídio no início de fevereiro. O corpo caiu no mar e não foi encontrado até hoje. A morte dele foi relatada por amigos em redes sociais.

O assessor jurídico da Riotur, Christian Cezar, confirmou nesta segunda-feira que a nomeação não foi um equívoco. Segundo Christian, o assessor efetivamente começou a trabalhar na Riotur em janeiro mas que, devido à burocracia no governo, o processo de nomeação de assessores para vários cargos de confiança foi bastante demorado. Nesta segunda-feira, ainda estão sendo publicadas nomeações para cargos estratégicos no município.

— Eu tinha que nomeá-lo para que os salários referentes ao período sejam recebidos pelo espólio. Ocorre que, no momento, não há sequer atestado de óbito porque o corpo está desaparecido, e o caso ainda não é considerado legalmente como morte presumida. Ele está levando falta. Quando completar 30 dias de ausência ao trabalho, ele será exonerado. Não considero que o ato de nomeá-lo agora retroativamente tenha qualquer ilegalidade — disse Christian.



sábado, 4 de março de 2017

Crivella e o carnaval: mutuamente excludentes


No fundo, cá entre nós, o evangelicalismo brasileiro vive de aparências e conveniências segundo o momento político.

É o que analisa Mario Magalhães em seu blog no UOL:

Por que Crivella esconde que religião motivou sua ausência no Carnaval?

O prefeito Marcelo Crivella não apareceu para entregar a chave da cidade ao Rei Momo.

Nem na Sapucaí, nas duas jornadas de desfile do Grupo Especial.

Uma das desculpas foi uma gripe de sua mulher. Boa notícia: Sylvia Jane se recuperou, porque durante o Carnaval os dois foram a um torneio de tênis.

No sábado, Crivella postou um vídeo em que vistoriava obra. Alegou: ''A gente não sabe sambar, mas sabe trabalhar''.

O prefeito visitou no hospital pessoas que se feriram num acidente com carro alegórico da Paraíso do Tuiuti, mas permaneceu longe do Sambódromo.

Do Rio e do Brasil, o Carnaval é sobretudo patrimônio cultural.

É também evento de enorme benefício econômico e social para a cidade.

A ausência do prefeito é inexplicável.

A não ser que a sua fé colida com as obrigações de governante.

Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

A Iurd diz que no Carnaval ''os espíritos malignos se fortalecem''.

Que os acidentes de trânsito nessa época são causados ''na maioria das vezes por espíritos malignos''.

A razão, prega um vídeo da igreja, seriam as oferendas da umbanda e do candomblé.

Marcelo Crivella disse há pouco: ''Nós estamos tratando de um assunto que já está superado. Eu acho que nós temos, cada um, que respeitar as pessoas. Cada um no Rio de Janeiro não deve ser obrigado a fazer nada. Eu acho que tem uma agenda do prefeito que deve ser cumprida e que, não necessariamente, é a agenda da imprensa. E é isso que nós temos que fazer''.

Por que o prefeito cala sobre religião?

Fé é questão pessoal.

Mas constitui tema público quando interfere na vida dos cidadãos.

Crivella deveria ser mais transparente.





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