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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Batistas do Sul são maiores apoiadores do livre porte de arma nos EUA


A matéria foi publicada no Estadão:

Análise: Evangélicos se opõem a controle de armas

Batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião 

Sarah Pulliam Bailey / W. Post

O massacre de domingo foi o pior ocorrido em uma igreja na história moderna dos EUA. Para muitos evangélicos conservadores, políticas adotadas especificamente para o porte e uso de armas não estão detalhadas na Bíblia e eles não acham que medidas nesse sentido são constitucionais e poderiam resolver o problema dos assassinatos em massa, foi o que disse Russel Moore, presidente do braço político da Convenção Batista do Sul.

Os batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião. Muitos americanos pertencentes a grandes grupos religiosos defendem leis mais rígidas, incluindo os protestantes negros (76%), os católicos (67%), os protestantes brancos (57%), de acordo com pesquisa realizada em 2013 pelo Public Religion Research Institute. Mas os evangélicos – que constituem um quarto da população --, são os menos inclinados a apoiar leis mais rigorosas a respeito (38% são a favor e 59% contra).

Para Jen Hatmaker, escritor e orador conhecido de Austin, o direito às armas se tornou um tema central de debate enraizado na política evangélica. “Conheço perfeitamente mulheres cristãs sensatas, amáveis, que não possuem armas que dirão que ‘não se trata de armas, mas do coração’. É espantoso”, disse ele. “Isso tem raízes profundas e inalteráveis no coração dos evangélicos conservadores, e é tão sagrado quanto a Trindade”.

Depois de o evangelista Franklin Graham ser convidado a rezar durante um café da amanhã da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), em 2014, ele sugeriu no Facebook que não estava de acordo com a exigência de verificação de antecedentes de todo mundo. Por outro lado, defendeu a verificação de antecedentes no caso de imigrantes muçulmanos.

As armas estão incorporadas na estrutura e na psique da cristandade americana desde sua fundação, afirma Karen Swallow Prior, professora de inglês na Liberty University, que escreveu por que carrega uma arma durante suas idas a áreas rurais da Virgínia. “O país foi fundado para escapar da perseguição religiosa. Os EUA se expandiram como um experimento em individualismo e adentraram fronteiras que exigiam armas para a sobrevivência, para autodefesa e para conseguir alimento”.

Os evangélicos também enfatizam muito mais o individualismo e a responsabilidade pessoal do que outros grupos religiosos.

Algumas pessoas acham que a razão pela qual os evangélicos não desejam leis mais rígidas no campo das armas é simples. Os evangélicos votam nos republicanos e os republicanos têm aversão por políticas mais rígidas para as armas. Muitos evangélicos também se opõem porque acham que elas podem acabar infringindo a liberdade religiosa.

“Acho que eles são totalmente partidários. Os evangélicos votam com base nas linhas do partido, tenham elas sentido teológico ou não. Os que são contra o aborto apoiariam qualquer coisa que fosse parte de uma agenda liberal, o que significaria, no final, endossar o aborto, se for parte dessa agenda”.

Em sua análise de dados de uma ampla pesquisa de 2016 chamada CCES Common Content Dataset, o cientista político Ryan Burge comparou as respostas de evangélicos, protestantes brancos e católicos à seguinte pergunta: Você apoia ou se opõe à uma proibição dos rifles de assalto?”. Ele encontrou diferenças que dependiam mais da filiação partidária do inquirido, se era democrata ou republicano, do que da sua identidade religiosa.

Joe Carter, editor da Gospel Coalition, acredita que os evangélicos são mais avessos a mais regulamentos porque são mais adeptos às armas. Os evangélicos brancos são os mais propensos a possuir uma arma, segundo estudo do Pew Research Center, publicado no Christianity Today. Segundo o estudo, 41% dos evangélicos brancos possuem uma arma, em comparação com 33% dos protestantes brancos (33%), indivíduos sem uma religião definida (32%), protestantes negros (29%) e católicos (24%).

Os evangélicos brancos (44%) também se mostram satisfeitos com as leis sobre armas. Por outro lado, pouco mais da metade dos americanos que professa uma religião (52%) acham que a legislação deve ser mais rígida. Segundo Joe Carter, muitos evangélicos apoiariam leis mais rigorosas se acreditassem que elas seriam eficazes para conter os assassinatos. “Mas eles não acreditam que um criminoso que mata pessoas inocentes irá atender a regras estabelecidas para a compra de armas de fogo”, disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO



sábado, 17 de outubro de 2015

6 frases que todo chefe ruim adora dizer


Finalmente alguém confirmou aquilo que você suspeitava sobre o(a) seu(sua) chefe. A matéria é do Pequenas Empresas Grandes Negócios:

6 frases que chefes ruins adoram dizer

As palavras podem mostrar se um gestor é bom ou ruim. Saiba quais sentenças podem indicar um comportamento incorreto

As palavras podem revelar mais do que realmente querem dizer. No trabalho, algumas frases podem mostrar, inclusive, se um chefe é bom ou ruim, se é esforçado ou preguiçoso, se assume os erros ou bota a culpa sempre nos outros.

Em artigo originalmente publicado no site da revista "Inc.", o especialista em empreendedorismo Jeff Haden lista algumas frases que podem mostrar a você se seu chefe está sendo correto com você e seus colaboradores. Se você já é empreendedor, saiba o que não dizer à sua equipe:

1. "Não era para ser assim"

Essa frase, de acordo com Haden, é normalmente usada por quem quer dizer que o fracasso foi uma obra do destino. Mas muito provavelmente o erro não aconteceu por azar, mas por culpa de alguém – muitas vezes, o próprio chefe em questão.

O ideal é tentar extrair algo positivo do fracasso. Ou seja: falhou? Tudo bem. Veja o que não aconteceu como o planejado e faça o possível para não cair no mesmo erro novamente.

2. "Isso não é o que você gostaria de ouvir"

Esta é muito usada na hora de "enrolar" alguém e não entrar em um assunto delicado. Mas o efeito da frase é muito ruim, pois só aumenta o suspense. Por isso, o melhor é falar logo o que você tem que falar. Sem rodeios.

3. "Não trabalhe mais. Trabalhe melhor"

A intenção da frase é até nobre. É dizer que, ao priorizar algumas tarefas e eliminar processos burocráticos, um funcionário será mais produtivo. No entanto, segundo Haden, tais palavras podem passar a impressão de o chefe acha que seu interlocutor é burro. Ao invés de dizer essa frase pronta, ajude sua equipe a encontrar os processos mais eficientes no trabalho.

4. "Não existe 'eu' em uma equipe"

Claro que existe. São vários "eus", aliás. Cada membro de um time têm suas individualidades, bem como seus pontos fortes e fracos. Um bom chefe não tenta suprimir as características de seus funcionários. Pelo contrário: é importante conhecer o que os empregados fazem de melhor e delegar tarefas condizentes com essas habilidades.

5. "Falhar não é uma opção"

Haden afirma que, por melhor que seja uma equipe, haverá falhas. Ele diz que, naturalmente, ninguém gosta de errar e nenhum chefe deve ser complacente frente a uma meta difícil, por exemplo. Só que não é legal usar esse tipo de frase, que só mostra que você é um patrão autoritário. Tais palavras, de quebra, colocam ainda mais pressão sobre seus colaboradores.

6. "As coisas funcionam assim"

Uma sentença dita normalmente por chefes que não querem mudar processos em seu negócio, por mais antiquados e ineficientes que sejam. Neste caso, diz Haden, não só a frase deve ser deixada de lado. Na verdade, essa postura é péssima para a empresa como um todo. Se alguém sugerir alguma mudança em sua empresa, analise-a. Se for boa, aplique-a.



domingo, 9 de setembro de 2012

Teria sido Rousseau o pai do individualismo religioso?

É esta a questão que tenta - pelo menos - começar a responder um artigo interessante publicado no IHU:

Rousseau. O precursor de uma religião “à la carte”

Jean-Jacques Rousseau não encontra o seu Deus nos livros, mas na contemplação de uma primavera que reverdece, de uma plantação ou de uma colheita. Sua espiritualidade nasce de seu entusiasmo pela natureza que ele desvela com uma precisão sincera em seu livro VI de Confissões: “Aí, tudo em mim passeia, eu faço a minha oração que não consiste em um vazio balbucio dos lábios, mas em uma sincera elevação do coração ao autor desta amável natureza, cujas belezas estão diante dos meus olhos”. “Uma tentação panteísta”, segundo Michel Lacroix, que explica: “Com Rousseau, a religiosidade se emancipa da teologia erudita, dos dogmas, de um aspecto muito institucional, para tomar uma forma de misticismo”.

A reportagem é de Pascale Senk e publicada pela revista francesa La Vie, edição n. 3489, 12 a 18 de julho de 2012. A tradução é do Cepat.

Até mesmo a sua maneira de rezar escapa dos modelos estabelecidos, assim como ele revela em Confissões: “Posso dizer que minhas orações eram puras e, por isso, dignas de serem satisfeitas. Eu só pedia para mim, e para aqueles cujos desejos nunca me separam, uma vida inocente e tranquila, isenta do vício, da dor, das penosas necessidades, a morte dos justos, e sua sorte no futuro. Ademais, este ato acontece mais em admiração e contemplação do que em pedidos”. Ele louva mais do que teme, pratica mais do que pensa.

A necessidade de crer que o anima é um apelo interior plenamente afetivo. “O culto que Deus quer é o culto do coração”, escreve em Emílio. É uma experiência pessoal que Rousseau invoca, como observa Michel Lacroix. Independente das instituições humanas, afastado dos deveres do catecismo, sua fé sincera e poderosa permite-lhe viver, como escreveu, “uma religião ao meu modo”. Eis um filósofo que não é “teologicamente correto” em sua época e o anuncia com uma certa audácia.

Com Rousseau é o individualismo moderno que irrompe no campo religioso. Afinal, não falamos hoje de religião “à la carte” de não poucos contemporâneos? Uma modernidade que se exprime em suas oscilações: primeiro, protestante, depois convertido ao catolicismo, Rousseau rejeitará o catolicismo no fim de sua vida, sem nunca ter sido tentado pelo ateísmo, que seduzia alguns outros filósofos. Ele diz estar muito comovido com a figura de Jesus e, ao longo de seus escritos, ele enaltece o que chamava de “sublime moral do Evangelho”.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os numerólogos "evangélicos"


A Igreja evangélica brasileira tem visto, na ultima década em especial, a proliferação de uma abordagem numerológica da Bíblia, como se alguns “pastores” fossem verdadeiros lançadores de sortes com base em interpretações esdrúxulas de alguns versículos cuidadosamente pinçados. Chama a atenção, por exemplo, que no triste episódio da “unção financeira de 900 reais”, o Morris Cerullo tenha falado ao Silas Malafaia que “9” é o número de “estar completo”, e este tenha concordado como se fosse um tremendo segredo numerológico conhecido apenas pelos iniciados. Este fato aparentemente isolado ilustra bem o que tem acontecido no meio evangélico: a invasão do gnosticismo em suas versões mais antigas. A palavra grega gnosis (gnose, daí gnosticismo) significa exatamente isto: “conhecer”, e neste sistema, o conhecimento se limita a um círculo restrito de iluminados que, por detê-lo e não difundi-lo (senão em doses homeopáticas de mistério), impõem aos seus seguidores uma relação de autoridade. O gestual de Malafaia assentindo com a cabeça - e com ar de superioridade - a uma bobagem dita por Cerullo mostra a que ponto chegamos, já que se trata de um líder evangélico reconhecido como tal por parcela expressiva da população brasileira, que – culturalmente – não está habituada a questionar o “ensinos”, as “unções” e as ordens que lhe são enfiados goela abaixo. Trata-se, portanto, de uma relação de poder e dominação, logo, ideológica (ainda que travestida de “teologia”).

O primeiro grande problema que a Igreja primitiva enfrentou foi justamente o gnosticismo. Nesta época, o Império Romano era, de certa forma, sucessor do Império Helênico de Alexandre, o Grande, e todos os distintos povos conquistados estavam misturados, numa efervescência cultural e religiosa poucas vezes registradas na história da humanidade, se é que algum dia houve algo parecido. O cristianismo se espalhava pelas rotas romanas a todos os cantos do Império, e havia algo de novo na proposta cristã, ainda que os pagãos não conseguissem entender bem a altura, a extensão e a profundidade do evangelho. Talvez por isso mesmo misturassem a mensagem cristã com uma série de influências das religiões de mistério da época, formando muitos sistemas de crenças que ficaram conhecidos como “gnósticos”, mas que basicamente tinham em comum complexos cálculos numerológicos dominados apenas por um grupo restrito de iniciados. Para conhecer - em detalhe - vários desses sistemas gnósticos, recomenda-se a leitura do livro "Contra as Heresias", de Irineu de Lião. Já o historiador cristão Justo L. González tenta explicar o aparentemente inexplicável da seguinte maneira:

Apesar de haver elementos especulativos muito importantes no gnosticismo, o fato desse ensino ser usualmente apresentado como um conjunto de sistemas de especulações numerológicas tornou impossível entender como tal doutrina pode ter sido um rival tão forte da igreja. O fato do gnosticismo ter se tornado uma alternativa atraente em relação ao Cristianismo ortodoxo deve-se, sobretudo, a seu interesse soteriológico. A fim de entender este apelo, deve-se interpretar o gnosticismo, acima de tudo, como um modo de salvação. O cosmopolitanismo que acompanhou as conquistas de Alexandre tinha sua contraparte no individualismo das pessoas. Acreditava-se que as antigas religiões nacionais não eram mais capazes de satisfazer às necessidades do indivíduo. Por esta razão, os séculos nos quais o Cristianismo começou a conquistar seu espaço no mundo foram caracterizados por uma procura pela salvação individual; consequentemente, nesse tempo, houve um crescimento daquelas religiões que proclamavam oferecê-la – e além do Cristianismo, assim faziam as religiões de mistério e o gnosticismo.
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De qualquer forma, a doutrina da salvação deve estar baseada em uma compreensão de nosso lugar no universo, e esta é a função das complicadas construções especulativas dentro dos vários sistemas gnósticos. Se o espírito está aprisionado na matéria, deve haver uma razão para esta condição; e esta razão os gnósticos tentam oferecer por meio de suas especulações. Há duas características principais nestas especulações: seu dualismo derivado e sua numerologia. O dualismo do gnosticismo, que por muitos eruditos têm sido enfatizado como uma de suas principais características, não é um dualismo primário ou inicial; ao contrário, resulta de um monismo inicial. As especulações gnósticas são traçadas a partir de um único princípio eterno, do qual outros princípios ou aeons são produzidos em um processo declinante, até – geralmente é dito, devido a um erro em um dos aeons anteriores – o mundo material ser produzido. Assim aparece o dualismo derivado entre a matéria e o espírito, ou entre o celestial e o terreno. Dentro do processo de produção dos vários níveis de aeons, a numerologia – outra característica muito comum na especulação helenística – representa um papel importante, pois os aeons geralmente são produzidos seguindo certos modelos numéricos. A cosmologia gnóstica nasce de tal combinação entre o dualismo derivado e a especulação numerológica, e é caracterizada por uma complexa série de aeons que ficam entre o absoluto e o mundo material. Estes seres são frequentemente vistos como esferas que o espírito deve atravessar em seu retorno à eternidade.

(GONZÁLEZ, Justo L., Uma História do Pensamento Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. vol. 1, pp. 125-127 – veja o excerto completo no site e-cristianismo)

Justo González chama a atenção para outro aspecto da efervescência religiosa dos dois primeiros séculos cristãos - o individualismo -, que não por acaso, é uma das características marcantes do atual estágio da igreja evangélica no Brasil, em pleno século XXI. A teologia da prosperidade pregada aos 4 ventos (sem qualquer simbologia no “4”), as unções financeiras de 900 reais, as “campanhas” que geralmente envolvem números e símbolos esotéricos, a necessidade mórbida de se estabelecer alvos financeiros expressos em cifras milionárias, enfim, tudo aponta para uma invasão gnóstica entre os evangélicos no Brasil. Ainda há tempo de reverter este quadro, mas infelizmente muita gente já se perdeu, e combater o “gnosticismo evangélico” certamente não vai trazer “popularidade” a quem levantar sua voz contra esta heresia revisitada, mas se Cristo não for exaltado nas nossas vidas, de que vai adiantar a fama, o dinheiro e os números? Nada!

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