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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Ana Paula Valadão lança o pijamão gospel


A onda de ídolos gospel faturando em cima da fama não é nova. Aqui mesmo já falamos da moda gospel para os pés de André Valadão e repercutimos matéria da Folha de S. Paulo sobre a "indústria" que os evangélicos movimentam no Brasil.

Daí não ser surpresa alguma ver Ana Paula Valadão pinçando um versículo bíblico, mais exatamente Deuteronômio 8:8, para justificar os 7 frutos estampados no seu involuntário pijamão: "Trigo, Cevada, Figos, Romãs, Uvas, Azeitonas e Tâmaras".

É sempre assim com certas personalidades evangélicas, e não só na vestimenta: basta citar um versículo bíblico qualquer e extrair dele o maior lucro possível.

Para esses ícones gospel, a referência bíblica tem o condão de "ungir" qualquer coisa vendável, e eles nem ficam vermelhos com tanto utilitarismo.

Parece, entretanto, que Ana Paula Valadão não esperava a reação sarcástica da plateia quando postou a foto acima no seu perfil do facebook.

Os internautas não perderam a chance de ironizar a musa gospel nos comentários: "pijama" foi o campeão das impressões da galera, mas sobrou também "toalha de mesa", "livro de colorir", "cortina", "pão integral gourmet ungido" e "pelo menos tem cevada pra gente tomar vendo o Fluzão".

Seria cômico, não fosse trágico...



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Justiça potiguar não deixa Micarla ser missionária em Boca Raton

ana paula valadão
Como não cansamos de dizer aqui, Boca Raton (Florida), nos Estados Unidos, deve ser o campo missionário mais carente do mundo, considerando-se a enorme quantidade de subcelebridades do mundo gospel brasileiro que vão fazer "missão" por lá.

Chegará o dia em que Boca Raton será habitada apenas por "missionários" brasileiros "pregando" uns para os outros, escreva aí, crente!

Agora é a vez de Micarla de Sousa, ex-prefeita de Natal (RN), querer se aventurar por lá.

Micarla foi afastada do cargo por suspeita de corrupção no final de 2012, e ficou mais conhecida no meio gospel por sua relação com Ana Paula Valadão, do grupo Diante do Trono, de quem poderia ser vizinha, já que a popstar belorizontina tem endereço no mesmo campo missionário carentíssimo.

Afinal, ser missionário no Níger poucos querem, não é mesmo?

Os processos que envolvem a ex-prefeita continuam em trâmite na Justiça, mas - ai que dó! - sua tentativa de ser "missionária" em Boca Raton foi por água abaixo, conforme noticia O Potiguar:

Juiz nega pedido de Micarla de Sousa para morar nos EUA


Diógenes Dantas

Ontem (19), eu noticiei no Blog do Diógenes, no portal nominuto.com, que a ex-prefeita de Natal, Micarla de Sousa (sem partido), pretendia passar uma temporada nos Estados Unidos, se dedicando aos estudos evangélicos. Micarla seria missionária da igreja que a acolheu.

Por meio dos advogados, ela fez uma consulta informal ao juiz federal Walter Nunes, responsável por julgar a Operação Assepsia, motivo do afastamento de Micarla da Prefeitura de Natal antes do fim do mandato.

A princípio, sem uma análise formal do caso, o magistrado opinou que não haveria problema se Micarla cumprisse todos os prazos relativos ao processo. Na visão dele, o problema da ré seria com o Ministério Público.

Micarla foi aconselhada a deixar algum imóvel como caução para eventuais questionamentos do Ministério Público e provável ressarcimento em caso de condenação.

Formalizado o pedido da defesa de Micarla, o juiz Walter Nunes decidiu negar a permissão para que a ex-prefeita passasse um ano na cidade norte-americana de Boca Raton, na Flórida.

Micarla alegou que iria estudar inglês e recuperar a saúde, abalada por estresse.

A ex-prefeita disse ao juiz que teria uma vida mais tranquila, no anonimato, ao lado dos filhos, longe de hostilidades da imprensa e do público.

Em seu despacho, Walter Nunes afirmou que o pedido não é razoável, porque Micarla tem de estar à disposição da Justiça, cumprindo prazos e intimações para depoimentos.

Como alternativa, o magistrado sugeriu que Micarla escolhesse um dos 5.560 municípios brasileiros para buscar a paz que tanto necessita.

Micarla tem 30 dias para dizer se aceita ou não a proposta de Walter Nunes.



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Entre privadas e tons de cinza, o gospel monta a sua indústria

Parece que o título da matéria da Folha de S. Paulo cunhou a palavra perfeita para identificar o movimento "gospel" no Brasil: "indústria".

Agora, o teor do artigo mostra que faltam alguns versículos na Bíblia que os ídolos gospel leem, como "eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado" (Mateus 12:36 - NVI) e "aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso" (Efésios 5:12 - NVI).

Não se surpreenda, portanto, ao ver Thalles Roberto dizendo que seu estilo "é diferente da música me abraça ali que eu chupo aqui", ou André Valadão, sempre preocupado com seu All Star e sua calça rasgada, ironizando: "quem é de fora acha que falamos de privada, mas é o trono de Deus".

Isto revela muito sobre eles, assim como sobre o pastor que disse que "é como se a gente fosse 25 Tons de Cinza". Ele teve o cuidado de não se identificar.

Afinal, "a boca fala do que está cheio o coração" (Mateus 12:34 - NVI), não é mesmo?

Torture-se Delicie-se então com a matéria publicada em 05/11/14:

Indústria gospel afina receita para criar popstar

Gênero bilionário faz concursos na TV e busca público além do evangélico
Novo disco do campeão de vendas Thalles Roberto chegou ao primeiro lugar do iTunes em um mês

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DE SÃO PAULO

"Vim da doideira, das drogas e sei que preciso de overdose na minha vida. Hoje minha overdose é o Espírito Santo", diz Thalles Roberto, 36.

Se é de excessos que vive o músico, atual campeão da indústria gospel, seus números não ficam atrás.

Seu novo CD, "IDE - Ao Vivo na Igreja Bola de Neve", vendeu 35 mil cópias físicas em 30 dias (a tiragem inicial é de 50 mil, a mesma do novo álbum de Maria Rita e metade do de Ivete Sangalo) e chegou ao primeiro lugar em vendas digitais no iTunes.

Ele foi a maior atração da Marcha para Jesus, que reuniu 200 mil pessoas na zona norte paulistana em setembro. O funkeiro Naldo chegou a subir ao palco para um dueto, mas era o nome de Thalles que o povo berrava.

Quem não quer ser Thalles Roberto? É a pergunta que ecoa no estúdio da Rede Gospel, canal de TV da igreja Renascer em Cristo. Aconteceu lá, em 26/10, a final da segunda edição do "Gospel Singer".

Feito à imagem e semelhança de "American Idol" e "The Voice", o reality show é composto exclusivamente por evangélicos --do júri ao cinegrafista que tatuou o patriarca bíblico Isaac no antebraço que levanta a câmera.

Thalles estava no "Gospel Singer" para, com mais cinco jurados, escolher o próximo... Thalles.

Ou seja, alguém que concilie a fé e o tino comercial desse ex-backing vocal da banda mineira Jota Quest --e que agora nada de braçada num mercado que gera R$ 1,5 bilhão anuais, segundo a gravadora Universal.

Joias, calças justas, jaqueta estilo aviador e óculos escuros. Tal qual um Lenny Kravitz que encontrou Jesus, ele canta, em pegada soul, versos como "o inicio é como o mel, mas o final do adultério amarga/ vai ter que pagar pensão, mó tumulto, meu filho".

Mó tumulto pode ser também a disputa entre músicos evangélicos, que começam a deixar seus templos para frequentar programas de auditório e trilhas de novelas da TV Globo.

"Cada igreja tem um cantor, e cada cantor quer ser um grande cantor", diz Thalles.

Guilherme Bueno, vocalista da banda ganhadora do "Gospel Singer", a Tempo de Adorar, sentiu a pressão.

Fã de Oasis, comemorou a vitória entornando várias Coca-Colas num churrasco. "Tem pastor de igreja grande com artista que não consegue decolar. Aí não apoia quem está dando certo. O único que não tropeçou foi Jesus, né?", diz.

Para quem chega ao estrelato, o desafio é alcançar seculares (como chamam os de fora da religião) sem desrespeitar os "irmãos". "Falamos que Deus entra, tira o amargo do coração. É diferente da música me abraça ali que eu chupo aqui'", comenta Thalles.

"O mercado busca quem tem relacionamento real com as igrejas, pois vem de lá o público", diz Renata Cenizio, gerente da Universal Music Christian, o braço cristão da gravadora de Thalles Roberto.

"A palavra é credibilidade. Qual igreja frequenta? É ativo nela? É boa mãe ou bom pai?", diz André Valadão, do elenco gospel da Som Livre.

Ele faz parte da banda Diante do Trono, uma das mais bem-sucedidas no gênero (3,6 milhões de discos vendidos), mas pouco conhecida fora do gospel. "Quem é de fora acha que falamos de privada, mas é o trono de Deus", ri.

25 TONS DE CINZA

É verdade que a altura das saias está mais perto dos joelhos que do umbigo, e os colares de ouro sustentam crucifixos em vez de cifrões. Mas, das vestes ao repertório entre pop rock e sertanejo universitário, o gospel escapole do clichê do "crente".

"É como música clássica, você não vê mulher cantando de maiô ou shortinho. Mas somos contemporâneos. Faço show de All Star e calça rasgada", diz Valadão.

"É a mesma coisa, só que num tom menor. É como se a gente fosse 25 Tons de Cinza'", compara um pastor, que prefere não se identificar.

Nesse sentido, "Gospel Singer" é uma versão "light" de programas do gênero.

Ao julgar os cinco finalistas entre 2.357 inscritos, o júri ora gosta "da voz, mas não da gravata rosa" de um, ora acha "pouco comercial" o som "meio Zé Ramalho" do barbudo que lembra Edir Macedo.

Tudo sob a bênção da bispa Sonia Hernandes, diz a apresentadora Camila Campos, 29, vice-campeã do programa em 2013: "A bispa é pauleira e extremamente roqueira".

Colaborou GIULIANA DE TOLEDO, de São Paulo



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Moda gospel para os seus pés

Momento meigo de André Valadão e Lucinho no instagram do primeiro:






terça-feira, 10 de julho de 2012

Ana Paula Valadão concorre a "Maior Brasileiro de Todos os Tempos" no SBT

E quando você achava que tinha visto de tudo no mundo gospel e televisivo, eis que chega a bomba do PortalDT:

Ana Paula Valadão é indicada como “O maior brasileiro de todos os tempos” no SBT

O SBT está, desde o ano passado, realizando uma votação popular, em parceria com a BBC de Londres, para saber qual é o maior brasileiro de todos os tempos.

Mais de 1 milhão de pessoas já votaram na primeira fase do concurso, que pedia uma indicação de quem poderia ocupar esse posto de destaque.

Uma surpresa para todo mundo, Ana Paula Valadão, líder do Diante do Trono, foi uma das 100 primeiras pessoas colocadas no ranking geral da votação, concorrendo com personalidades como Xuxa, Hebe, Lula, e tantas outras figuras brasileiras importantes. Ela foi a única artista do meio evangélico a ser indicada na votação.

Júnior Monteiro, produtor executivo e administrador do Diante do Trono, falou ao Portal Diante do Trono sobre a indicação da Ana Paula:

“O Diante do Trono nem sabia dessa pesquisa e não divulgamos nada quando soubemos, pois estamos participando disso apenas como meio de divulgar o nome de Deus, não somos e não nos consideramos pessoas para sermos acolhidas como “maiores”, mas como fomos o único artista evangélico resolvemos estar e fazer propagar o maior nome: Jesus!”

Ela esteve hoje (09) nos estúdios do SBT em Osasco-SP para a gravação de sua participação no programa, que estreia nesta quarta-feira, logo após o “Cante se puder”, às 23h para todo o Brasil.

Na próxima fase, o público de casa vai escolher durante algumas semanas qual dos 100 mais votados, incluindo a Ana Paula Valadão, é “O maior brasileiro de todos os tempos”. A apresentação do programa fica a cargo do jornalista renomado Carlos Nascimento.

“O maior brasileiro de todos os tempos” com Ana Paula Valadão vai ao ar nesta quarta-feira, dia 11, às 23h no SBT!

Em breve, mais detalhes para vocês! Fiquem ligados e divulguem!

Tadeu Ribeiro



sábado, 26 de maio de 2012

Os popstars da fé



A revista ISTOÉ desta semana publica uma longa matéria sobre os astros da música católica e evangélica:

A rotina dos popstars da fé

Divididos entre religião e carreira, família e viagens, missas e shows, esses campeões de vendas se desdobram para equilibrar o divino e o mundano no dia a dia

João Loes e Rodrigo Cardoso

Eles detestam ser chamados de estrelas. Repetem, insistentemente, que são, na melhor das hipóteses, um mero canal para a graça de Deus. A humildade do discurso, porém, contrasta com a postura de celebridade desses ídolos cristãos e com os números que compõem este que já é o mais expressivo segmento do mercado fonográfico do País. Estima-se que, só em 2011, a produção de discos e DVDs religiosos no Brasil rendeu R$ 1,5 bilhão. Como não poderia deixar de ser, no mesmo ano, os discos e os DVDs mais vendidos, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (Abpd), foram dos astros da fé padre Marcelo Rossi e padre Fábio de Melo, respectivamente.

O domínio não é só católico. Estrelas do mundo gospel têm tido cada vez mais espaço para brilhar. Pudera, hoje o Brasil tem pelo menos 38 milhões de evangélicos, segundo dados do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV). Nomes como Aline Barros, Ana Paula Valadão e Regis Danese são verdadeiras potências capazes de arrastar centenas de milhares de pessoas a shows, cruzar barreiras religiosas e vender milhões de discos e DVDs. “E tem uma outra coisa – para os evangélicos, pirataria é roubo e roubo é pecado”, afirma o evangélico Danese. Como consequência, as perdas para a pirataria de gravadoras especializadas nesse mercado não passam de 15% do faturamento, enquanto para as outras o percentual pode chegar a até 60%.

Mas como vivem essas pessoas, divididas entre a pureza da mensagem divina e a lógica violenta do mercado? Como administram fé, carreira artística, vida religiosa, família, viagens, fãs, sucesso e dinheiro? ISTOÉ ouviu cinco dos mais importantes representantes do gênero na atualidade, além de gente do seu círculo social, para a seguir mostrar as alegrias, tristezas, paixões e dúvidas dos astros da fé.

"Gosto de roça, de bicho. Em casa tenho pouquíssimos ruídos"
Padre Fábio de Melo

Um mês atrás, padre Fábio de Melo desabafou em seu Twitter que, cansado da cidade grande, qualquer dia venderia seu iPhone e compraria um casal de gansos. Aos 42 anos, o sacerdote que nasceu em Formiga, interior de Minas Gerais, e atravessou fronteiras graças aos cerca de 30 produtos que lançou no mercado – entre CDs, DVDs e livros –, mora sozinho em um sítio numa região rural de Taubaté, interior de São Paulo. É lá, ao lado dos dois cachorros, o mastiff inglês Nathan e o bulldog francês Lucca, que ele relaxa. “Gosto de roça, de bicho. Em casa tenho pouquíssimos ruídos urbanos por perto”, afirma o sexto maior vendedor de CDs do Brasil no ano passado. No momento, o sacerdote cantor que já vendeu dois milhões de CDs e 700 mil DVDs afirma: “Estou cada vez menos urbano.”

Apesar do discurso desapegado, padre Fábio ainda não se livrou de seu smartphone. Também não abre mão de dirigir o próprio carro na ida ao supermercado. Até já arriscou uma volta em um modelo stock car, como mostra a foto acima, em 2010, um desejo antigo. Mas cavalgar, cuidar pessoalmente dos cachorros e ajudar na limpeza da casa e do jardim são seus principais passatempos quando encontra uma folga na agenda tomada – entre celebrações e um programa de rádio – por 100 shows anuais e pelo menos um lançamento de CD ou DVD por ano. “Com essa rotina, ficar em casa é sempre um luxo”, diz o sacerdote. Vestindo batina, o caçula de oito filhos explodiu como um fenômeno da música gospel no início dos anos 2000. “A vocação espiritual do Fábio era a de um padre, mas a vocação natural era a de um artista. Sendo assim, que se tornasse um padre artista”, afirma o padre João Carlos Almeida, diretor da Faculdade Dehoniana e formador espiritual, musical e universitário do sacerdote mineiro.

Padre Fábio aprendeu direitinho com seu mentor. A timidez e a melancolia do início da carreira saíram de cena e o mineiro boa-pinta de olhar triste conquistou o público se valendo de uma linguagem comum ao ambiente acadêmico – própria de quem se formou em teologia e filosofia, fez pós-graduação e lecionou em faculdades. “Fábio não é padre que faz sermão em igreja. Em qualquer lugar que ele vá seu discurso é estudado”, afirma padre Almeida. “Ele é um poeta do evangelho”, diz o pré-candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita, que publicou dois livros em parceria com o amigo religioso. Um poeta que, além da articulação das palavras, zela pela aparência. Ela, afinal, também tem o dom de cativar fãs fiéis. “Vou regularmente ao dermatologista. Já tive câncer de pele e uma paralisia facial na juventude. E procuro controlar o peso”, afirma ele. “Eu me cuido, sim. Estar bem-vestido faz parte do meu trabalho. É uma hipocrisia achar que o padre precisa andar mal-arrumado e desleixado.”

"Trocaria meu corpo por três de 18 anos"
Padre Marcelo Rossi

Padre Marcelo Rossi, 45 anos, estava pronto. Na tarde do domingo 20, de batina branca, ele rumou para a cripta que fica embaixo do enorme palco do Santuário Theotókos Mãe de Deus, em construção há oito anos. Ali, seu corpo repousará em sono eterno quando sua missão na terra acabar. O momento era de oração. Todos estavam em corrente vibrando para que a gravação do DVD “Ágape”, que começaria alguns lances de escada acima e dali a pouco mais de uma hora, corresse bem. “Dava pra sentir a energia no ar”, diz um membro da equipe musical. E que energia! Uma multidão de 45 mil fiéis já se aglomerava diante do palco do santuário para acompanhar a gravação e se fazia ouvir, através do concreto da cripta, com poderosos gritos de Jesus.

Seria ingênuo pensar que padre Marcelo já se acostumou com eventos como esse. E, mesmo que tivesse se acostumado, este certamente teria sabor diferente. O DVD “Ágape” é um desdobramento do sucesso inédito e retumbante do religioso no mercado editorial com o livro de mesmo nome lançado em 2010, que já vendeu oito milhões de cópias. “Minha vida está uma loucura, uma correria, mas uma bênção”, diz ele. Até agosto, de segunda a quarta, sua agenda está tomada por sessões de autógrafo em 12 cidades brasileiras. Em meio a esse stresse, ele faz o que pode para manter a rotina. Acorda sempre entre as três e quatro da manhã, faz uma breve oração, não toma café e mergulha nos afazeres diários, que incluem uma entrada ao vivo em rádio, obrigações com a obra no santuário e cuidados com a saúde. “Procuro fazer esteira e fisioterapia quatro vezes por semana”, diz.

Em 2010, depois que sofreu um grave acidente na mesma esteira que usa hoje, padre Marcelo chegou a celebrar missas em cadeira de rodas. A queda lhe rendeu um pé quebrado, tendões rompidos e um insistente problema no joelho que ainda teimam em incomodá-lo. Para amenizar as dores, o religioso tem alternado quatro pares de tênis do tipo esportivo, desenhado para amortecer impactos. Membros da equipe de filmagem da Rede Vida, que transmite suas missas há anos, e voluntários mais antigos que trabalham organizando a multidão nas celebrações em São Paulo dão como certa a ingestão de remédios pelo padre, tanto para dor quanto para inflamação. Isso poderia explicar, em parte, a dificuldade que ele tem tido em se mexer com agilidade e o visível inchaço de seu rosto. “Só com muita fé para fazer o que ele faz com as dores que deve sentir”, disse uma pessoa próxima, que revelou ainda que o popstar católico não pisa num supermercado, restaurante ou cinema há anos. “Não tem jeito, junta uma multidão pra ver, tocar, tirar foto e pedir bênção.”

Sobre o fervor dos fiéis, Marcelo lembra de uma história divertida. “Uma vez, uma senhora me viu dirigindo e começou a me fechar até que eu tive que subir, literalmente, na calçada e parar o carro”, diz ele. “Ela desceu, se ajoelhou e pediu uma bênção”, conta. Desde então ele não dirige mais e conta com o fiel Chicão, motorista e faz-tudo, para ajudá-lo a se deslocar. Quando questionado sobre o que espera do futuro, dá sinais de que o cansaço físico já começou a pesar. “Nos próximos cinco anos me vejo com mais experiência”, diz. “Mas trocaria meu corpo por três de 18 anos.”

"Acompanho o dever de casa do Nicolas, o levo para a escola, alimento e dou banho na Maria Catherine"
Pastora Aline Barros

Nicolas sobe as escadas de casa chorando. No andar de cima, sua mãe, a pastora, cantora e escritora Aline Barros, interrompe a conversa telefônica para acalmar o primogênito de 8 anos, que está usando aparelho nos dentes. “Deixa a mamãe ver. Onde está doendo?”, diz. Aos 35 anos, a maior expoente feminina da música gospel brasileira tem hoje os filhos mais perto de si do que os microfones com os quais se tornou fenômeno da indústria fonográfica. Sete meses atrás, Aline deu à luz Maria Catherine e, desde então, a maternidade sobrepujou a sua rotina artística. Foi só em março, após seis meses dedicados exclusivamente à filha, que a cantora retomou os compromissos no show biz. “Minhas manhãs ainda são para os meus filhos. Acompanho o dever de casa do Nicolas, o levo para a escola, alimento e dou banho na Maria Catherine”, diz a pastora da Igreja Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul, no Rio de Janeiro, frequentada por ela toda quarta e domingo.

Desde 1995, quando lançou o primeiro de 27 álbuns, a evangélica já vendeu cerca de seis milhões de cópias e ganhou quatro Grammys latinos (o último no ano passado). Aline foi a primeira cantora gospel do País a conquistar um Grammy, em 2004. A gravação do álbum premiado, “Fruto de Amor”, foi cercada de muita tensão. Na época, um problema nas cordas vocais provocava rouquidão na pastora e só lhe permitia gravar depois de uma longa pausa de recuperação. “Procurei uma fonoaudióloga, que me disse que eu estava com apenas 5% da voz em perfeitas condições”, lembra.

Com a voz recuperada, a pastora iria cantar para cerca de dez mil pessoas no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, no sábado 26. Onipresente em programas de tevê fora do segmento cristão e amparada por números de uma estrela, com músicas gravadas em espanhol, a carioca que cresceu no subúrbio da Vila da Penha e hoje vive no confortável bairro da Barra da Tijuca não se veste com o manto comum às celebridades. “Se deixar, a Aline passa o dia de jeans e tênis”, revela a sua mãe, Sandra Barros. “Ela é despojadona.” De fato, a pastora cantora já esteve em três programas de tevê diferentes, em uma mesma semana, calçando o mesmo sapato.

A evangélica se policia para não fazer a vida girar em torno da carreira. Seu marido, o ex-jogador de futebol Gilmar dos Santos, com quem está há 12 anos, revela um pacto feito pelo casal. “Desde que nos casamos, acertamos que não permitiríamos que a nossa vida ficasse refém de uma agenda.” Hoje, quando tem de viajar de avião para alguns dos 110 shows que faz por ano, ela carrega a filha no colo e procura embarcar em voos próximos ao horário dos shows. Inspirada pela fase materna, Aline planeja montar uma loja de roupas infantis. “Eu visto a Maria Catherine três vezes por dia, só para ficar namorando suas roupinhas”, diz.

"Hoje, meu foco é minha filha"
Regis Danese

A rotina de shows já foi mais puxada para Regis Danese, nascido João Geraldo Danese Silveira em 2 de abril de 1972, na cidade de Passos, interior de Minas Gerais. Até 2010, quando vivia o auge do sucesso da música “Faz um Milagre em Mim”, que o consagrou no mercado gospel, o pacato mineiro se desdobrava para cumprir uma agenda de shows que chegava a ter 40 apresentações em um mês. A música, de 2008, é tida pela indústria fonográfica evangélica como a responsável por romper importantes barreiras. Foi das primeiras a ser tocada livremente em rádios FM laicas, a ser gravada por padres católicos e a ganhar dezenas de versões. Foram 50 mil discos vendidos no primeiro mês de lançamento e um milhão em menos de um ano. “Graças a ela, fazíamos três shows em uma noite só”, diz Danese, que vive em Belo Horizonte.

Hoje, o ritmo de shows diminuiu, mas ainda está longe de ser tranquilo. São cerca de oito apresentações por mês. E, onde quer que esteja, Danese, como bom evangélico, está sempre com sua “Bíblia” – a mesma, aliás, desde sua conversão, em 2000. Durante os voos para os locais de show, muitas vezes em pequenos aviões particulares, ela é lida com mais fervor. O artista admite que tem um medo saudável do aparelho. “Uma vez pegamos uma tempestade em um aviãozinho de duas hélices que chacoalhava tanto que nem a Bíblia eu consegui ler, então comecei a cantar”, lembra ele.

A voz, instrumento de trabalho e de fé, é cuidada com esmero. Só não recebe mais atenção que o cabelo, sempre espetado. São pelo menos 30 minutos de preparo, com sprays e produtos para garantir o efeito conhecido pelos fãs. “Às vezes, quando não tem cabeleireiro, eu ajudo, mas não fica lá essas coisas”, brinca Evander Domingues, o Vandinho, violonista da banda de Danese e amigo dos tempos em que ambos ainda eram membros do grupo de pagode Só Pra Contrariar.

É de Vandinho, da fé inabalável e da família que Regis tem tirado forças para encarar o mais recente desafio que a vida lhe jogou: a leucemia da filha mais nova, Brenda, 3 anos. Em viagem para a Disney, nos Estados Unidos, no mês de janeiro, a menina começou a passar mal, estava anêmica, muito branca e cheia de manchas roxas pelo corpo. Em visita a um hospital de Orlando, foi internada imediatamente e teve de receber uma transfusão de emergência. “Ela estava praticamente sem sangue”, diz Kelly Danese, mulher de Regis. Hoje, o tratamento quimioterápico pelo qual a menina passa em Belo Horizonte mudou a rotina da família.

O astro gospel já não joga mais seu futebolzinho semanal e pouco se diverte. “Todo o tempo livre que ele tem passa em casa olhando para a Brenda e orando”, diz Kelly. Um DVD, que seria gravado no mês que vem pelo astro, foi cancelado. Os shows, porém, continuam. Quando está fora, ele liga mais de cinco vezes por dia para saber notícias. “Hoje, meu foco é minha filha”, diz Danese.

"Nem o sucesso da missão justifica o fracasso da família"
Ana Paula Valadão

“Vai com Deus, porque quando você cantar o ladrão não vai mais ser ladrão.” A frase dita pelo precoce Isaque Valadão, 6 anos, é o que move Ana Paula Valadão, mãe do garoto e vocalista da banda Diante do Trono, um fenômeno da música gospel que existe há 15 anos e já vendeu mais de dez milhões de discos. Quando as obrigações da carreira musical atropelam a rotina dessa mineira de Belo Horizonte, é na frase de Isaque que ela pensa. “É a garantia que tenho de que estou no caminho que Deus quer pra mim”, diz Ana, 36 anos, integrante, ao lado da família, da Igreja Batista da Lagoinha. “Ela encara a carreira e os sacrifícios exigidos como missão divina”, diz a irmã, Mariana Valadão. E espera seriedade, compromisso e abdicação semelhantes de todos de sua equipe. Atualmente, por exemplo, os 16 membros do Diante do Trono estão no que ela chama de “jejum de delícias” em preparo para a gravação do 15o disco da banda, marcada para acontecer no dia 9 de junho. Durante os 40 dias que antecedem a apresentação, cada um deve cortar do cardápio três ou quatro alimentos que come por puro prazer. “O rigor é tanto que ela chega a proibir, nos hotéis, que a equipe assista à televisão ou use a piscina antes de fazer uma apresentação”, diz o irmão, André Valadão, outra estrela do mundo gospel.

Comunicar-se com familiares, porém, está liberado. Ela está sempre em contato com os dois filhos e o marido pelo iPhone. Usando um aplicativo que permite a troca gratuita de mensagens de texto e imagens, manda e recebe notícias constantes. Na última viagem, por exemplo, o companheiro mandou fotos de Isaque e do irmão, Benjamin, 3 anos, depois do banho, vestidos com o uniforme da escola e na hora de dormir, aconchegados no canto dela da cama de casal. Já ela fotografou o quarto do hotel e a roupa que escolheu para se apresentar. “Para eles verem como a mamãe está”, diz ela. Quando volta, ela lê e assina todos os recados mandados pelas professoras sobre seus meninos e faz questão de levá-los ao colégio sempre que está em Belo Horizonte. “Nem o sucesso da missão justifica o fracasso da família”, afirma.

Paciente com os fãs, Ana Paula encara a rotina de autógrafos, fotos e conversas como parte de sua missão. “Gosto da troca com eles”, afirma. A coisa só complica quando invadem seu espaço. Certa vez, enquanto estava hospedada em um hotel-fazenda de férias, um dos camareiros a acordou de um preguiçoso sono da tarde em seu quarto, enquanto os filhos e o marido estavam na piscina. Ele queria tirar uma foto. “Achei um pouco demais”, diz ela, rindo. No fim a foto foi tirada e o rapaz ainda reclamou da imagem. Faz parte.

(entrevistas adicionais podem ser lidas no site da ISTOÉ)



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quando Ísis vence Cristo



Estou lendo o livro“Quando Nosso Mundo se Tornou Cristão”, de Paul Veyne (Ed. Civilização Brasileira, 2010), bem lentamente para absorver todas as informações que o grande historiador francês desfila para desmontar todas as teorias da conspiração sobre as origens da Igreja cristã, das quais a mais popular é a de que o nascimento do cristianismo teria se dado por um ato de força do imperador Constantino, assim como um decreto exarado na calada da noite, e imediatamente obedecido por todos os súditos na manhã seguinte. Quando terminar de lê-lo, farei uma pequena resenha aqui. Queria antes destacar, entretanto, um texto que eu li ontem e que me pareceu bastante apropriado para transcrever aqui, em razão dos últimos acontecimentos na igreja chamada “evangélica” no Brasil. Está nas páginas 65-66 do livro:
Por fim, o cristianismo tinha uma particularidade que o tornava único no mundo: essa religião também era uma Igreja, uma crença exercendo autoridade sobre aqueles que dela compartilhavam, apoiada sobre uma hierarquia, um clero superior em natureza ao laicato num quadro geográfico. Lado a lado com o amor, com o ascetismo e com uma pureza desinteressada por este mundo cá de baixo, a psicologia dos cristãos incluirá também o gosto pela autoridade. O paganismo não conhecia nada de semelhante a essa poderosa máquina de conquista e de enquadramento; havia um pouco por toda a parte templos de Mercúrio ou talvez de Ísis, havia pessoas que, entre todas as divindades existentes, tinham por Ísis uma piedade particular, mas não existia a Igreja de Ísis, como não existia clero; a “religião” de Ísis não passava de um agregado de piedades individuais e de santuários diferentes uns dos outros. O regime estabelecido era o da livre empresa. Qualquer um podia abrir um templo ao deus que escolhesse, assim como quem abre uma loja.
A comparação que Paul Veyne faz do cristianismo com as religiões pagãs vem a calhar para o atual cenário brasileiro, já que hoje qualquer um, dizendo-se “inspirado” por Deus abre uma igreja como quem abre uma loja, e muitas vezes com interesses unicamente financeiros. Nada mais pagão. Os últimos dias foram particularmente tumultuados no meio evangélico brasileiro. Edir Macedo começou a disparar uma série de acusações contra outras igrejas (a Assembleia de Deus em especial) e cantores de música gospel (tendo Ana Paula Valadão como ovelha expiatória). Isto depois de se desentender com Silas Malafaia no fim do ano passado, numa polêmica que foi rapidamente abafada, sabe-se lá por quê. Os vídeos dessa “treta gospel” estão abaixo (perdoem-me, mas a palavra “treta” cai bem para esse povo). Num deles, aparecem imagens de um “culto” de Marco Feliciano, que depois da bronca pública de Macedo, assumiu as dores da Assembleia de Deus e tentou defendê-la timidamente, traindo-se, entretanto, ao chamar Edir de “grande homem de Deus”. Bom, até aí nenhuma novidade, afinal todos eles se dizem "porta-vozes" de Deus...







Parece que algo muito estranho está acontecendo no mundinho evangélico brasileiro, o que merece ser melhor investigado. Tudo indica que, mais que uma disputa de poder, se trata de uma disputa de espaço, e aí vale tudo, né! Os dados da pesquisa da FGV sobre as religiões no país mostraram uma queda rápida e sensível de membros da Universal. Edir parece ter acusado o golpe. Ana Paula Valadão entra na equação como representante da Igreja Batista da Lagoinha que tem um projeto de crescer ainda mais na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), o que – muito provavelmente – vai esvaziar os templos (e os cofres) da igreja de Edir. Se não bastasse o “inchaço” de que padecem essas igrejas, boa parte do público que alimenta seus números flutua entre uma e outra denominação. Uma cresce às custas do rebanho da outra. Talvez Edir nem queira crescer agora, mas estancar a sangria (não a da cruz). Nada mais mercadológico, portanto. A exemplo do que acontece na economia e na natureza, quem tem competência se estabelece. Os pagãos já sabiam disso. Chegamos ao cúmulo do raciocínio da competição e da “seleção natural” entre os muitos templos que abrem e fecham suas portas ao sabor das marés. E, falando nisso, o navio da economia brasileira vai bem, obrigado. Com isso, boa parte da população, evangélica ou não, vai deixar de ver em determinadas “igrejas” um balcão de negócios ou uma oportunidade de ganhar dinheiro na base do pensamento mágico ou do clube de relacionamentos empresariais. Embora não haja dados estatísticos sobre o tema, não é difícil imaginar que este fenômeno já esteja acontecendo, a julgar pela reação destemperada dos expoentes gospel do mercado nacional. No que diz respeito a boa parte da igreja evangélica brasileira, a visão empresarial de Ísis venceu a cruz de Cristo. Para nossa vergonha...

O curioso é que, no último vídeo acima, Edir Macedo diz gostar de Paulo Cézar, do grupo Logos, incluindo-o entre os 1% de músicos evangélicos que, na sua “modesta” opinião, não estão “endemoniados”. Pelo menos quanto ao Paulo Cézar ele acertou. Ainda há uma réstia de bom gosto no Edir. O problema é que ele nunca deve ter ouvido esta obra-prima do grupo Logos, “O Evangelho”, que desmente tudo o que o Edir prega. Então ainda está em tempo, Edir, dedicamos a você, com carinho, esta canção de Paulo Cézar:





O EVANGELHO

Grupo Logos

Eu sinto verdadeiro espanto no meu coração
Em constatar que o evangelho já mudou.
Quem ontem era servo agora acha-se Senhor
E diz a Deus como Ele tem que ser ...
Mas o verdadeiro evangelho exalta a Deus
Ele é tão claro como a água que eu bebi
E não se negocia sua essência e poder
Se camuflado a excelência perderá!

Refrão
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

O evangelho mostra o homem morto em seu pecar
Sem condições de levantar-se por si só ...
A menos que, Jesus que é justo, o arranque de onde está
E o justifique, e o apresente ao Pai.
Mostra ainda a justiça de um Deus
Que é bem maior que qualquer força ou ficção
Que não seria injusto se me deixasse perecer
Mas soberano em graça me escolheu
É por isso que não posso me esquecer
Sendo seu servo, não Lhe digo o que fazer
Determinando ou marcando hora para acontecer
O que Sua vontade mostrará.

Refrão
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.
Porém, ninguém será liberto, sem que clam
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

O quebra-pau cóspel entre Malafaia e os Valadão

A chapa esquentou neste começo de noite do dia 05/05/11, dia em que o Supremo Tribunal Federal declarou válido o casamento homossexual. Os personagens do quebra-pau é que eram improváveis, mas estranhamente resolveram duelar via twitter. Pra começo de conversa, Silas Malafaia (sempre ele), através do seu perfil no twitter, conclamou ontem algumas celebridades gospel para pedirem aos seus seguidores que "retuitassem" suas mensagens a fim de pressionar o STF a julgar contrariamente ao casamento homossexual. Essas celebridades eram os cantores Ana Paula e André Valadão, Fernanda Brum e Aline Barros:



Primeiramente, é estranho que o Malafaia tenha escolhido apenas esses 4 cantores para fazer seu pedido, usando um meio que não garante que ele seria lido, nem obriga ninguém a respondê-lo. Já cheirava a confusão. Por que só 4? O único que se manifestou vagamente (mais de 24 horas depois), e mesmo assim depois do resultado do julgamento, foi André Valadão:



Entretanto, assim que se tornou irreversível a aprovação do casamento entre homossexuais pelo plenário do STF, Malafaia passou a disparar contra os 4 cantores, como se esses fossem os 4 cavaleiros do Apocalipse:









A única celebridade gospel que se deu ao trabalho de responder a Malafaia foi Ana Paula Valadão, também através do seu perfil no twitter (em ordem cronológica decrescente):





Diante da reação de Ana Paula Valadão, Malafaia continuou atacando:







Como diria o Zagallo, "estranho, muito estranho". É este o exemplo de "evangélicos" que temos no Brasil? Tanta coisa boa pra fazer, e as personalidades gospel armando um barraco tão despropositado, talvez na ânsia de aparecer uns às custas dos outros. A favor de Ana Paula Valadão, registre-se que ela foi provocada. Mexe com quem tá quieto! Logo, logo, estarão todos abraçadinhos como se nada tivesse acontecido. Aguardemos, então, os desdobramentos desse quebra-pau cóspel, mas desde já fica fácil identificar a fogueira de vaidades e a mais completa ausência de domínio próprio entre os envolvidos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lagoinha 24h na cadeia

Já pensou ficar 24 horas por dia ouvindo os lindos trinados de Ana Paula e André Valadão? Pois seria algo parecido com esta experiência full time que muitos presos mineiros estariam tendo ultimamente, segundo noticia a edição de hoje da Folha de S. Paulo, informação que é contestada pelo diretor da instituição penal, conforme réplica mais abaixo. De qualquer maneira, se esta programação massiva de "reeducação" realmente estivesse acontecendo (como no filme "Laranja Mecânica"), a sua igreja nem precisaria mais visitar os presos (Hebreus 13:3). Era só botar uma TV LCD na cela retransmitindo a sua programação "ungida". Tudo bem que teriam que esquecer Zacarias 4:6 ("Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos"), mas nada mais seguro e higiênico para os seus "ungidos", não é mesmo? Já se você estivesse do lado "errado" das grades, deveria esquecer também o controle remoto e a tecla "off". Joguinho de futebol televisionado na quarta à noite e no domingo à tarde, nem pensar. Visitas íntimas, então, lamento, mas nunca mais... No máximo você iria conseguir colocar algodão no ouvido na hora de dormir...

Prisão em Minas Gerais ganha TVs de LCD, mas diretor só permite programas religiosos

RODRIGO VIZEU
DE BELO HORIZONTE

Uma das principais denominações evangélicas de Belo Horizonte (MG), a Igreja Batista da Lagoinha, bancou a instalação de TVs LCD de 32 polegadas em todas as celas de uma prisão da cidade.

Os aparelhos ficam praticamente o tempo todo sintonizados na emissora da igreja, a Rede Super.

Os presos do Ceresp (Centro de Remanejamento do Sistema Prisional) São Cristóvão não têm a opção de desligar a TV -no máximo podem tirar som e brilho na hora de dormir- e o controle de canais é feito na sala do diretor, Luís Fernando de Sousa, membro da igreja.

Em funcionamento desde 3 de outubro, o sistema é considerado um sucesso pelo governo mineiro, que o está levando para outras unidades.

Segundo Sousa, as TVs levam tranquilidade às dez celas do local e deixam os detentos "amparados espiritualmente". Ele disse que a igreja propôs a instalação.

"Você chega na cela e está todo mundo quietinho, de olho na TV. Mudam a forma de conversar, falam "bom dia, senhor diretor, tudo bem?" É gratificante."

O diretor contou que a Rede Super fica no ar "24 horas, praticamente". A preferência, disse, não foi imposição da igreja, mas escolha "natural", já que a Rede Super não tem "pornografia nem apologia ao crime". O canal exibe os cultos da igreja.

Ele disse que abre espaço para as emissoras católicas Rede Vida e Canção Nova e, recentemente, para a TV Justiça e para um canal educativo. Um preso disse à Folha, porém, que são raros os momentos sem a Rede Super.

Sousa descartou exibir outros canais por terem "muita droga e crime" e passarem programação "não salutar".

Outro argumento é que o Ceresp é um centro de triagem e os presos costumam ficar lá só cerca de uma semana. "É o tempo que tenho para plantar a semente", disse.

Sousa guarda em sua sala uma coleção de DVDs que exibe para os presos, por passarem "mensagem boa".

São filmes bíblicos na maioria, mas também sobre vida animal e sucessos como "À Espera de Um Milagre", que se passa em uma prisão e emocionou os detentos, de acordo com Sousa. "O cara está preso e vou passar "Fuga de Alcatraz'?"

MULHER NUA E GUGU

O diretor disse que só tem ouvido elogios, mas, ao visitar o local, a Folha viu que o projeto não é unanimidade. O preso Marcelo Corrêa disse sentir falta de poder mudar de canal: "Queria ver o que acontece no mundo".

O Ceresp abriga presos célebres, como Sérgio Sales (primo do goleiro Bruno), Thales Maioline (chamado de "o "Madoff mineiro") e membros da torcida organizada Galoucura, do Atlético-MG, suspeitos de matar um torcedor do Cruzeiro.

Roberto Augusto Pereira, o Bocão, presidente da Galoucura, disse sentir falta de assistir a notícias e jogos de futebol. "Mas já adianta para passar o tempo", afirmou.

Entre os satisfeitos com a programação evangélica está Denison Balbino, preso sob suspeita de tráfico de drogas, que disse ter se reencontrado com a religião graças à TV.

"A religião é um fator de refreio social. A gente aprende isso em sociologia", afirmou o diretor Sousa.

Ele rechaça ceder aos apelos de liberar a programação. "Eles não têm instrução, não estão preparados para escolher o que é bom, vão querer ver programa com mulher nua e o do Gugu", afirmou.

Sousa disse não acreditar que restringe a liberdade dos presos e que faz o mesmo que prisões que obrigam os detentos a trabalhar ou estudar.

O subsecretário de Administração Prisional de Minas, Genilson Zeferino, disse que a parceria com a igreja é "fantástica" e que as TVs são uma "peça fundamental na humanização" dos presos.

O juiz Márcio Fraga, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), disse considerar "imprópria e absurda" a medida. Apesar de afirmar que as TVs podem tranquilizar os presos, ele lembrou que o Estado brasileiro é laico.


O OUTRO LADO:

Deixo abaixo em destaque a manifestação da pessoa que se identificou como sendo o Sr. Luís Fernando de Sousa, diretor do Ceresp São Cristóvão, a quem se refere a matéria do jornal Folha de S. Paulo. Considerando a triste tradição jornalística brasileira de publicar informações que nem sempre correspondem à verdade dos fatos, acho mais do que justo o contraponto oferecido pelo Sr. Luís Fernando, conforme segue abaixo:

Bom dia!!! Gostaria de solicitar a V.Sª que esclareça aos leitores sobre a verdadeira finalidade do nosso projeto.

Gostaria que corrigisse a informação de que sou membro da Igreja Batista da Lagoinha, na verdade não sou. Sou Presbiteriano, membro da 8ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, inclusive com formação em Seminario Presbiteriano.

Bom, falarei um pouco sobre o Projeto.

Graças à parceria firmada entre a Unidade Prisional Ceresp São Cristóvão, em Minas Gerais, e a Rede Super de Televisão, nasceu o Projeto TV CELA , que disponibilizou televisores com finalidade de viabilizar aos presos acesso a filmes educativos, que transmitam uma mensagem de vida, que enalteçam a moral, a virtude, o caráter, que falem sobre honestidade, enfim , que façam bem à psiquê daqueles indivíduos que se encontram à disposição do Estado. É importante frisar que a única finalidade é a recuperação e a preparação para que eles voltem à liberdade um pouco, ou quem sabe, muito melhores do que lá entraram.

Não existe discriminação pois o acesso é permitido a outros cleros. Existe também uma câmera com um microfone para que o Padre, Pastor, Psicólogo, Assistente Social, profissionais da área de saúde, etc..., falem diretamente com os detentos através dos televisores. Através desta câmera, os reeducandos têm acesso à palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis e orientações jurídicas por parte da Defensoria Pública. Na última quarta feira, dia 22/12/2010 , recebemos a visita do Padre José Geraldo e o mesmo trouxe uma palavra de vida para os reeducandos. Estamos aguardando a visita do Bispo para que fale diretamente com nossos reclusos, conforme nos informou a Dona Alice da Pastoral da Igreja Católica. Exibimos semanalmente videos do Padre Léo, e já liberamos outros canais (de cunho educativo) para eles. Não podemos permitir canais de televisão que mostrem pornografia, filmes violentos, apologia ao crime, e coisas desse gênero. Não existe, portanto proselitismo, como foi divulgado pela folha, existe sim, orientação e assistência religiosa através dos voluntários da Pastoral Carcerária, seja evangélica ou católica. Vale a pena lembrar que quem patrocinou os televisores foi a Rede Super de Televisão, porém não ficou condicionada a exibição apenas desta emissora, e tenho certeza que qualquer outra Igreja, Emissora de TV, Empresas da Rede Privada, que quiserem doar Televisores para outras Unidade Prisionais aqui em Minas Gerais, com intuito de promover a ressocialização do preso, serão bem vindos. Creio que a responsabilidade de proporcionar oportunidade de recuperação para aqueles que cumprem pena privativa de liberdade é de todos nos, não somente das Igrejas e do Estado. Um grande abraço a todos e um excelente Ano Novo, repleto de realizações e paz.

Luís Fernando de Sousa
Diretor Geral do Ceresp São Cristóvão – MG
luisfdesousa@yahoo.com.br


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dilma na roda de fogo


Você pode até não gostar da Dilma Roussef e do PT, mas, cá entre nós, ficar na roda pra receber oração de Estevam e Sonia Hernandes, Robson Rodovalho e Marcelo Crivella não é pra qualquer um não, né não?!

Há fotos que valem por mil palavras, então façamos uma enquete sobre a imagem acima, que está na primeira página dos principais jornais do país hoje. O que Dilma está pensando?

(a) o que a gente não é capaz de fazer pra se eleger...
(b) me engana que eu gosto...
(c) é cada roubada que a gente entra...
(d) cadê o Renê Terra Nova e a Ana Paula Valadão?
(e) preciso lembrar de mandar um Grecin 2000 pro Estevam
(f) será que o Crivella chupou limão?
(g) não fico tranquila com este olhar do Rodovalho aqui atrás
(h) vou montar uma igreja pra mim...
(i) se nada der certo, vou ser missionária em Boca Raton

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