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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Novo fim do mundo está marcado para sábado, dia 23/9


Essa turnê do fim do mundo é o show bizarro que não termina nunca de circular, não é mesmo?

A data do apocalipse da vez foi divulgada no Estadão:

Numerólogo defende que 'fim do mundo' será daqui a uma semana

De acordo com David Meade, o mundo vai acabar no dia 23 de setembro, quando um planeta chamado Nibiru vai colidir com a Terra

Teorias sobre quando será o "fim do mundo" surgem o tempo todo – e um numerólogo britânico garante que esse fim está muito próximo. David Meade é autor do livro Planet X - The 2017 Arrival e acredita que o mundo vai acabar no dia 23 de setembro.

De acordo com sua teoria, um planeta chamado Nibiru, que ele também chama de Planeta X, vai colidir com a Terra em breve. Entretanto, a Nasa nega que esse planeta sequer exista.

Meade diz que passagens bíblicas reforçam sua teoria. Anteriormente, ele havia dito que a colisão entre a Terra e Nibiru seria em outubro, mas agora ele adiantou o "fim". O numerólogo ainda disse que o Grande Eclipse Americano que aconteceu no dia 21 de agosto, indicava a aproximação do Planeta X à Terra.

"O Grande Eclipse Americano do dia 21 de agosto é um grande, enorme prenúncio", disse o numerólogo ao The Daily Star, jornal da Inglaterra.

Ele conta que se baseia em trechos do 13º capítulo do livro de Isaías no Velho Testamento da Bíblia, que diz: "Vejam, o Dia do Senhor está vindo – um dia cruel, com ira e fúria – para tornar a Terra desolada e destruir os pecadores dentro dela. As estrelas do céu e suas constelações não vão se iluminar. O sol será escuro e a Lua não mostrará sua luz".

Além disso, Meade ainda fala que sua teoria tem como base uma série de coincidências com o número 33. "A lua vai ficar preta. Isso ocorre a cada 33 meses. Na Bíblia, o nome de Elohim [um dos nomes de Deus] aparece 33 vezes em Gênesis. O eclipse começou em Oregon, o 33º Estado", falou ele ao Daily Star.



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Tribunal Federal de SP autoriza inseminação artificial com espermatozoides do cunhado

Boaz "resgata" Rute, pela antiga lei do levirato, agora revisitada pelo TRF-3.

O que não deixa de ser uma espécie de retorno à antiga lei judaica que mandava o irmão mais novo gerar descendência ao irmão falecido (Deuteronômio 25:5-10).

Aquela era a antiquíssima "lei do levirato" (ou levirado), que - quem diria! - parece que está ganhando nova interpretação em pleno século XXI, claro que adaptada aos usos e costumes atuais.

No caso, parece que o irmão casado com a futura mãe não faleceu, e a descendência que lhe será gerada pelo irmão (cunhado da progenitora) se dará por inseminação artificial, mas o cunhado desde já fica sabendo que jamais poderá exigir quaisquer direitos em relação ao filho que apenas biologicamente é seu.

O Velho Testamento é pródigo em relatos do levirato, cuja interpretação foi bastante expandida (para outros parentes do lado masculino) ao longo dos séculos, desde a relação de Tamar, Onã e Judá (Gênesis 38) até Rute e Boaz (Rute 4). 

Como diria o Pregador em Eclesiastes, "não há nada de novo sob o sol" (Eclesiastes 1:9).

Estranhezas à parte, não deixa de ser digna de nota a relação de amor e confiança que envolve esta família abençoada, não é mesmo?

A informação curiosa vem do TRF-3  Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS):

TRF3 AUTORIZA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM MULHER COM ESPERMATOZÓIDES DO CUNHADO

Anonimato pleiteado pelo Conselho de Medicina só deve proteger doador ou receptores quando não há interesse em se conhecer a origem dos gametas

A Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) deu provimento à apelação de um casal para a realização de inseminação artificial na mulher a partir de espermatozóides doados pelo cunhado (irmão do marido).

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) era contra o procedimento, afirmando que violaria as normas éticas previstas na Resolução 2.121/2015 do Conselho Federal de Medicina e que a doação dos gametas deveria ser anônima.

Os julgadores entenderam que o caso deve ser analisado a partir do artigo 226, parágrafo 7, da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar. Afirmaram que o artigo 9 da Lei 9.263 de 1996, que regula o dispositivo, garante liberdade de opção quanto aos métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitos, desde que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas.

Para os desembargadores federais, não haveria impedimento na realização da fertilização, uma vez que nada indica que a utilização dos gametas do irmão do impetrante (marido) possa colocar em risco a integridade física da futura mãe, do pai ou mesmo do nascituro.

“O que deve ser analisado é se a lei que rege o planejamento familiar impede que, por ato voluntário e consciente, os doadores de gametas conheçam a identidade dos receptores e vice-versa. Com efeito, a resposta é negativa”, afirmou o voto.

Segundo o acórdão, o anonimato previsto na Resolução 2.121 de 2015 do Conselho Federal de Medicina visa proteger o doador ou os receptores quando não existe interesse ou vontade de se conhecer a origem dos gametas fornecidos.

Assim, a Quarta Turma autorizou o procedimento, mas ressaltou que o pai biológico, no caso o irmão do impetrante, não poderá futuramente, para quaisquer fins, postular o reconhecimento da paternidade da criança gerada a partir de seu espermatozóide, nem tampouco a criança poderá fazê-lo em face do pai biológico.

Os nomes dos envolvidos foram omitidos, pois o processo tramita sob segredo de justiça.

Assessoria de Comunicação Social do TRF3

Tamar teve muito trabalho para fazer seu sogro Judá cumprir a lei do levirato - Gênesis 38




domingo, 14 de dezembro de 2014

Mais reis que deuses no novo filme sobre Moisés


Resenha publicada no IHU:

Êxodo, mais reis que deuses. Um colossal com pouca inspiração


Êxodo: Deuses e Reis nos recorda que o relato bíblico é uma fonte inesgotável de argumentos para o cinema. Neste caso colocando a serviço do espetáculo audiovisual todo o novo aparato tecnológico (3D, efeitos especiais especialmente para as massas e nas pragas, assim como para reconstruções históricas do contexto). O argumento centra-se na rivalidade entre Moisés e Ramsés, com a vitória do primeiro, que abre o caminho para a libertação de seu povo obedecendo ao mandamento de Deus, neste caso representado, com originalidade e acerto, por uma criança. 


A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 06-12-2014. A tradução é de André Langer.


O britânico Ridley Scott já havia ressuscitado o gênero do peplum(*) no oscarizado Gladiador (2000), onde um bom roteiro ficou completado com uma grande produção que contou com as atuações destacadas de Russell Crowe e Joaquin Phoenix. Entre seus primeiros filmes recordamos Alien, o 8º passageiro (1979), Blade Runner (1982) e Thelma e Louise (1991), que se converteram em obras de culto. No entanto, em seus últimos filmes parece ter perdido a inspiração. Em que grupo devemos incluir Êxodo: Deuses e Reis? Entre os filmes imprescindíveis ou entre os exclusivamente comerciais?

Se há algo de significativo em Êxodo: Deuses e Reis é uma realização sensacional onde em muitos momentos se vê a mão de um mestre da composição. Ressaltemos especialmente a batalha dos hititas, as 10 pragas e o milagre da passagem do mar. No entanto, o filme se ressente de um roteiro superficial em relação ao estudo das fontes históricas egípcias e bíblicas, com desequilíbrio e desproporção no relato, na falta de dramaticidade dos personagens secundários e na desorientação da temática de fundo. Vê-se que a acumulação de roteiristas, inclusive do sobressalente Steven Zaillian – de quem devemos destacar Tempo de Despertar (1990), A Lista de Schindler (1993) e Gangues de Nova York (2002) – não é sinônimo de acerto.

O filme gira em torno do eixo, durante a maior parte do excessivo metragem (150 minutos), do enfrentamento entre Moisés, o melhor do filme é a atuação de Christian Bale, e Ramsés, correto Joel Edgerton. Ambos sob o olhar, no começo, do faraó Seti, interpretado por John Turturro. Para depois ficar quase sozinho o duelo de interpretações assinalado, com a companhia fugaz e limitada de Nun (Ben Kinsgley), de Séfora a mulher de Moisés interpretada por María Valverde, de Tuya (Sigourney Weaver) e de Josué (Aaron Paul), entre outros. Após uma interessante apresentação da vocação de Moisés no episódio da sarça ardente, um desenvolvimento sensacional das pragas e da passagem pelo mar, o filme acaba mal e com pressa passando na ponta dos pés pelo Sinai e fazendo apenas uma alusão à terra prometida.

O filme referência de Os 10 Mandamentos (1956), do reincidente Cecil B. DeMille, que também fez outro filme com o mesmo título, é um modelo ruim. Os tempos não apenas mudaram nas técnicas, mas também na interpretação dos textos que servem de base. Os grandes temas do relato, assim como a eleição e a aliança, o deserto e a terra prometida ou, em definitiva, a constituição do povo de Deus ficam eclipsados por tanto fogo de artifício.

Pontos obscuros

Teria sido inteligente colocar um narrador-escritor bíblico, o que teria dado mais jogo às possíveis interpretações que vencem uma leitura literal. Assim, por exemplo, a figura do menino para representar Deus teria ficado mais simbolicamente coerente, embora seja uma das melhores descobertas do roteiro. A apresentação das pragas e a questão dos primogênitos oferece mais o espetáculo do que o sentido. Ao final, fica uma imagem de um Deus sádico, por mais menino que seja. A intenção do texto bíblico é ressaltar a defesa por parte de Deus dos primogênitos de Israel como futuro da humanidade. “Deus tem um desígnio para o seu povo e, através dele, para a humanidade; e que a oposição a este desígnio, nesse momento e outras muitas vezes depois, acarreta inevitavelmente sofrimento” (Joseph Blenkinsopp). A ausência de protagonismo de Aarão, Josué e os próprios Nun, Jetro e Séfora concentra muito a ação sobre Moisés apagando a imagem do seu povo. Assistimos, pois, a um bom espetáculo durante duas horas e meia, mas a visão comercial, que segue os mesmos parâmetros das velhas glórias de Hollywood, sacrifica o sentido. Colossal sim, mas com pouca inspiração.

(*) peplum = nome dado ao gênero "espada e sandálias" de filmes, geralmente bíblicos (do grego antigo πέπλος , translit. péplos: 'túnica')



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Novo filme sobre o Êxodo chegará às telas brasileiras no Natal


Nessa era de efeitos digitais que, a bem da verdade, substituem as atuações e os roteiros no cinema, chega mais um filme com temática bíblica, "Exodus - Gods and Kings" ("Êxodo - Deuses e Reis"), cuja estreia está prevista para o dia 25 de dezembro (sim, no Natal!) aqui no Brasil.

Parece que a computação gráfica se tornou uma grande aliada de Hollywood na tarefa de refilmar grandes clássicos inspirados na Bíblia, como o recente "Noé".

Afinal, o sucesso de bilheteria é garantido, o que não pode se dizer a respeito da fidelidade à narrativa bíblica, já que há que agradar uma geração que não vai mais à igreja (até porque fica sentada na frente do computador) e pode não saber do que o filme está falando.

Pelo trailer abaixo, disponibilizado anteontem, 09/07/14, pela 20th Century Fox, você pode perceber que a nova produção inspirada no livro de Êxodo tem lá uma certa linguagem de videogame, uma mescla assim, digamos, de Assassin's Creed com League of Legends mais preocupada - talvez - em atingir esse público jovem não necessariamente religioso.

A julgar pelas imagens do trailer, os bons tempos dos sensacionais (à época) efeitos especiais de "Os Dez Mandamentos" (1956), dirigido por Cecil B. DeMille e com Charlton Heston no papel principal (Moisés, caso você não se recorde) e Yul Brynner como faraó, lembrarão algo parecido como uma televisão a lenha.

"Exodus - Gods and Kings" tem Christian Bale no papel de Moisés (com visual gamer de Prince of Persia) e Joel Edgerton como o faraó Ramsés, sob a direção de Ridley Scott.

Aliás, a filmografia de Ridley Scott dá uma ideia do tipo de abordagem que ele prefere. No extenso currículo do diretor, você pode encontrar blockbusters como "Alien, o Oitavo Passageiro (1977)", "Blade Runner, o Caçador de Androides" (1982), "Thelma e Louise" (1991), "1492 - A Conquista do Paraíso" (1992), "Gladiador" (2000) e "Cruzada" (2005).

Confira o trailer então:




quarta-feira, 28 de maio de 2014

Teria uma bomba atômica caído sobre Sodoma e Gomorra?


Essa teoria da conspiração não é exatamente nova, mas muito pouco conhecida, felizmente relembrada por Carlos Orsi para a revista Galileu:

A origem da teoria das bombas atômicas pré-históricas

A ideia de que certos mitos preservam relatos de explosões nucleares provocadas por alienígenas nasceu na década de 50 na União Soviética, país que durante algum tempo abraçou a ufologia mais delirante como uma espécie de “alternativa secular” à religião. O tema foi contrabandeado para o ocidente por autores franceses, no início dos anos 60, e ganhou o mundo na obra do suíço Erich von Däniken. As bombas atômicas antigas teriam sido usadas contra Sodoma e Gomorra, as cidades bíblicas, e durante uma batalha descrita no épico indiano Mahabharata.

No caso bíblico, o relato é muito breve, e fala apenas de uma “chuva de enxofre e de fogo” sobre as cidades – algo bem diferente de uma explosão nuclear. A bola de fogo de uma bomba atômica não “chove”, expande-se. E a Bíblia não menciona a onda de pressão, uma muralha de vento que arranca tudo que encontra em seu caminho, e que é um dos efeitos mais notáveis de uma bomba nuclear.

O caso do Mahabharata é ainda mais confuso: tanto Von Däniken quanto suas fontes francesas, Louis Pauwels e Jacques Bergier, citam supostos trechos do poema que, ou não existem no original, ou foram drasticamente adulterados na tradução, tal como apresentada por esses autores.

O antropólogo Jason Colavito diz que o mais próximo do texto apresentado por Von Däniken como sinal de explosão atômica, nas traduções mais aceitas do épico indiano, é um trecho do Livro 7, descrevendo uma arma mítica que dispara flechas de fogo.

Depois de Von Däniken, outros autores, como David Hatcher Childress, também adotaram a ideia de armas nucleares antigas, embelezando-a com outros artefatos de ficção científica, como raios da morte.

Na Antiguidade, o pensador grego Evêmero defendeu que os mitos do passado na verdade não passavam de história disfarçada – os deuses do Olimpo seriam antigos reis, por exemplo. A doutrina recebeu o nome de evemerismo. A teoria da bomba atômica pré-histórica é uma espécie de evemerismo torto, que além de negar o caráter mítico ou ficcional dos textos de nossos ancestrais, ainda projeta neles as tecnologias – e fantasias – do presente.



sábado, 17 de maio de 2014

Raízes bíblicas da igualdade

Artigo publicado no IHU:

As raízes da igualdade na Bíblia

Cada um é chamado a ser justo em sua geração, mesmo que esta última não o seja; no entanto, por sua vez, a pessoa está necessariamente condicionada pelo ethos de seus contemporâneos.

A opinião é do filósofo e biblista italiano Piero Stefani, especialista em judaísmo e em diálogo judaico-cristão, e ex-professor das universidades de Urbino e de Ferrara. O artigo foi publicado no blog Il Pensiero della Settimana, 04-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O horizonte de gerações na Bíblia, em muitos aspectos, não é muito diferente do atual. Ele indica uma pertença comum, um lugar de transmissão e um terreno em que a comunicação nem sempre é fácil. No entanto, na Bíblia, a palavra "geração" também indica uma dimensão mais fundamental.

Lemos no Gênesis: "Este é o livro das gerações de Adão ('adam) no dia em que Deus criou o homem ('adam), ele o fez à semelhança de Deus (bidmut ' Elohim), macho e fêmea os criou e os abençoou e deu-lhes o nome de 'homem' ('adam), quando foram criados. Adão viveu 130 anos e gerou à sua imagem (zelem) e semelhança (demut) um filho e lhe chamou Set" (Gn 5,1-3 ). Nessa passagem há uma mudança do nome comum "homem" ('adam) para o nome próprio "Adão" ('Adam). Nessa operação está implicitamente afirmada a constituição da pessoa humana como um ser relacional no seu próprio dar-se como homem e mulher (Gênesis 1:27). O nome original de 'adam dado por Deus para o ser humano é uma coisa só com o seu ser homem e mulher; em virtude dessa condição e da bênção selada, o 'adam é capaz de transmitir à próxima geração a mesma imagem e semelhança. Por assim dizer, somos colocados diante do desdobramento de uma propriedade transitiva. O versículo bíblico, de fato, não significa que Set tem apenas a semelhança de seu pai (e onde foi parar a mãe?); isso significa muito mais e que também o filho tem impressa a imagem e semelhança de Deus.

Esse texto (na verdade, julgado pelo velho mestre judeu Ben Azzay como a maior regra da Torá) é a base para a igualdade radical entre toda a humanidade. É um princípio que se transforma em um julgamento final contra todas as formas de desigualdade e exploração da história de ontem e de hoje.

A afirmação da igualdade inter-humana é correta, mas também é isenta de confirmações comuns e compartilhadas dentro da já longa vida do gênero humano. Diante dessa perene negação factual, as alternativas são essencialmente duas: a primeira entrega a perspectiva de igualdade à esfera dos sonhos incapazes de serem refletidos na realidade; com isso, o princípio é privado de todo o julgamento sobre a realidade; a segunda alternativa, no entanto, baseia-se na maravilha do fato de que a humanidade desenvolveu a ideia de que a condição de que todos nós somos iguais é um princípio básico de tal forma a não ser refutado até mesmo por suas perenes negações factuais. Compreende-se por que, justamente nesse ponto, Deus seja chamado em causa.

Por essa ótica, mesmo no caso em que fosse conjugado de forma laica, o "dever ser" aparece, no entanto, mais fundamental do que o "ser". Tudo isso não protege da ansiedade para a condição humana; de fato, precisamente essa perspectiva é a que mais pungentemente destaca a disparidade intransponível entre o que sabemos ser bom e o que realmente acontece. Paulo, que percebeu essa lacuna de forma dramática ("Eu não faço o bem que quero, mas aquele que não quero"), explicou-a, dizendo que vivemos sob o poder do pecado (Rm 7,14-24). A igualdade é posta à prova também pela diversidade de comportamentos assumidos pela humanidade ao longo do tempo. Nesse sentido, nem todas as gerações são idênticas: não há as melhores e as piores. O livro do Gênesis, quando fala de Noé, diz que ele era um homem justo e perfeito em sua geração, a geração do dilúvio (Gn 6,9).

Em sua típica pluralidade de interpretação, o comentário rabínico fornece duas interpretações opostas (ou mais provavelmente complementares) dessa passagem. A primeira diz que é uma limitação: era justo para aquela geração da mesma forma em que o caolho é abençoado no reino dos cegos. Noé era justo em sua geração, mas se ele tivesse vivido naquela de Abraão não teria sido tal. Na verdade, podemos acrescentar que Noé aceita sem questionar a destruição de todos os seus contemporâneos, enquanto Abraão negocia com Deus a salvação das corruptas cidades de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18,17-32). A outra interpretação argumenta, por outro lado, que, se alguém fosse capaz de ser justo dentro de uma geração perversa teria sido ainda mais em uma geração melhor.

A conclusão, aparentemente simplista, é que cada um é chamado a ser justo em sua geração, mesmo que esta última não o seja; no entanto, por sua vez, a pessoa está necessariamente condicionada pelo ethos de seus contemporâneos.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Selo assírio de Sargão II é encontrado em Israel

Alto-relevo representando Sargão II da Assíria
A Assíria foi o segundo grande império que a humanidade conheceu, depois do Egito. 

A bem da verdade, houve duas fases bastante distintas do Império Assírio: a primeira, do século XX ao século XV antes de Cristo, em que a capital era Assur; e o Império Neo-Assírio, entre os séculos X e VII a. C., em que a capital mais conhecida foi Nínive, com um longo declínio de seu poderio entre os dois períodos.

Nínive foi a maior cidade do mundo no seu tempo, local da pregação do profeta Jonas, e os assírios eram particularmente conhecidos pela crueldade com que travavam suas guerras e pelo tratamento impiedoso com que castigavam os povos conquistados.

Situada na Mesopotâmia, a Assíria foi o grande terror dos israelitas durante boa parte do relato bíblico do Velho Testamento, mais especificamente nos livros de II Reis, II Crônicas e do profeta Isaías. Este grande profeta registrou (cap. 20, v. 1):
No ano em que Tartã, enviado por Sargão, rei da Assíria, veio a Asdode, e guerreou contra Asdode, e a tomou;
O rei assírio a que Isaías se refere é Sargão II, que reinou de 721 a 705 a.C., grande conquistador dos povos vizinhos, entre os quais o reino do Norte, conhecido como Israel, pelo que foi responsável pela primeira diáspora judaica, levando-os cativos e dispersando-os entre as nações que ele havia subjugado.

Seu filho, Senaqueribe (705 a 681 a.C.) aumentou ainda mais o poder da Assíria, e invadiu o reino hebreu do Sul, mais conhecido como Judá, tendo chegado às portas de Jerusalém (2ª Reis caps. 18 e 19), de onde retornou sem invadir a cidade sagrada em razão da intervenção milagrosa de um anjo que, numa só noite, matou 185 mil de seus soldados (2ª Reis 19:35-36).

Esse contexto histórico faz com que se receba com enorme surpresa a notícia veiculada pelo jornal israelense Ha'aretz ontem, 29 de abril de 2014, de que um selo da época de Sargão II foi encontrado em Israel.

Não há maiores especificações sobre o local e em que circunstâncias se deu o achado, mas o selo está sendo examinado pela professora Ziona Grossmark, da Universidade de Tel-Hai, em conjunto com o pesquisador Baruch Brendl, da Autoridade Israelense de Antiguidades.

Segundo a professora Grossmark, "o selo mostra uma batalha entre uma figura alada e um touro apoiado em suas patas traseiras", acrescentando que "uma pesquisa comparativa nos permite datá-lo no tempo de Sargão II" e que "aparentemente, o selo foi trazido a Israel por um de seus súditos. O que aconteceu com o selo depois disso permanece um mistério, mas selos antigos como este são muito raros - apenas alguns dessa natureza têm sido encontrados em ruínas do período romano, a maioria em sepulturas e templos".

Como sempre alertamos aqui no blog, quando se trata de achados arqueológicos dos tempos bíblicos, é melhor esperar maiores detalhes que possam ser analisados por investigadores independentes, a fim de se ter certeza da autenticidade da descoberta, mas, a se confirmar sua veracidade, teremos mais um objeto que emerge das milenares areias do Oriente Médio para confirmar os escritos do Velho Testamento.



segunda-feira, 24 de março de 2014

Quando um rio renasce no deserto de Israel


Localizado em Bersebá (בְּאֵר שֶׁבַע), em pleno deserto do Negueb (ou Negev), no sul de Israel, rio Zin não é, digamos, exatamente um rio na acepção usual do termo, já que tudo o que se vê é uma ilusão hídrica num leito seco, já que água propriamente dita poucas vezes foi vista por ali ao longo da história da Terra Santa.

Na semana passada, depois de anos de seca em Israel, chuvas torrenciais que caíram nas montanhas próximas fizeram com que o rio Zin voltasse a correr belo e caudaloso, para delírio dos habitantes locais, conforme você pode ver no vídeo abaixo.

Em momentos como esse, é inevitável a associação do ocorrido com textos proféticos, sobretudo de Isaías:

Isaías 35:4 Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus! com vingança virá, sim com a recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.
5 Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão.
6 Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
7 E a miragem tornar-se-á em lago, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.
8 E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos. Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele não errarão.
9 Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá por ele, nem se achará nele; mas os redimidos andarão por ele.
10 E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.

Isaías 43:18 Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.
19 Eis que faço uma coisa nova; agora está saindo à luz; porventura não a percebeis? eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo.
20 Os animais do campo me honrarão, os chacais e os avestruzes; porque porei águas no deserto, e rios no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu escolhido,
21 esse povo que formei para mim, para que publicasse o meu louvor.

Isaías 58:9 Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente;
10 e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.
11 O Senhor te guiará continuamente, e te fartará até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca falham.




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Inscrição mais antiga já encontrada em Jerusalém pode confirmar relato bíblico


O jornal israelense Haaretz informou na sua edição de 02/01/14 que a inscrição de um pote encontrado em Jerusalém pertence ao tempo do Rei Salomão, o que o tornaria a mais antiga inscrição já descoberta na capital de Israel.

Quem a decifrou foi Gershon Galil, professor de Estudos Bíblicos e História Antiga na Universidade de Haifa.

Sua importância deriva do fato de que está escrita em hebraico arcaico e porque mostra que já havia o domínio do alfabeto em Israel no século X a. C.

O que pode ser ainda mais interessante, dependendo do ponto de vista com que se analise a descoberta, é que o pote era utilizado para guardar vinho, e a palavra "halak" nele inscrito significa "vinho barato".

"Halak" era um termo enológico na língua ugarítica, de Ugarit, no norte da região onde hoje se localiza a Síria.

Na época, havia três tipos de vinho, o de boa qualidade, o - digamos - "regular" - e o "vinho barato", de má qualidade.

De acordo com o professor Galil, o vinho "halak", muito provavelmente, era destinado aos milhares de operários que trabalharam nas grandes obras do reino de Salomão, como o primeiro Templo de Jerusalém, por exemplo.

O Primeiro Livro de Reis, no Velho Testamento, informa em seu versículo 5:15 que "tinha também Salomão setenta mil que levavam as cargas, e oitenta mil que talhavam pedras nas montanhas".

Um dos grandes questionamentos que os céticos opõem ao texto bíblico diz respeito à magnitude dos reinos de Davi e de Salomão, que, segundo alegam, não eram tão grandes como o relato bíblico faz crer.

Muitos chegam a afirmar que Jerusalém mal passava de uma vila pequena e desinteressante, sem qualquer importância no contexto do mundo antigo.

A se confirmarem as observações do professor Galil, o reino de Salomão passará a ser visto como bem administrado e que tinha um comércio internacional altamente significativo para a época.

Não se pode esquecer, entretanto, que outro grupo de arqueólogos alegou ter encontrado outra inscrição mais antiga de Jerusalém, conforme comentamos aqui no blog em julho de 2013.

Não fica claro, pela matéria do Haaretz, se se trata da mesma descoberta, então atribuída ao reino de Davi (também no século X a. C.), mas - ao que tudo indica até agora - parece se tratar do mesmo artefato.

Segue esta linha de raciocínio o Times of Israel, que teve acesso ao parecer do pesquisador e se adianta dizendo que se trata realmente daquela inscrição que foi descoberta em julho de 2013 (vide abaixo).

Aguardemos, então, maiores detalhes e análises independentes para saber se estamos realmente diante de uma descoberta espetacular para a arqueologia bíblica.






segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sacrifícios rituais moviam a economia da antiga Jerusalém


A edição de setembro/2013 do Journal of Archaeological Science traz os resultados de uma pesquisa feita com os ossos de animais encontrados nos limites externos da antiga muralha que protegia a cidade de Jerusalém nos tempos bíblicos.

Mais especificamente, os pesquisadores dataram os ossos entre o início do reinado de Herodes (ano 37 a.C.) e a revolta começada no ano 66 d. C., que terminou por destruir a cidade santa.

A conclusão básica a que chegaram foi a de que o grande motor econômico de Jerusalém era representado, naquela época, pelos sacrifícios rituais exigidos dos judeus pelas leis mosaicas e pelo Talmude rabínico.

Um dos co-autores da pesquisa, Gideon Hartman, da Universidade de Connecticut, diz que o achado mostra que havia um enorme mercado regional de animais que eram comercializados em todas as áreas do território judeu (e mais além) para atender as demandas do Templo, o centro da religiosidade hebraica tanto nos tempos de Salomão (Primeiro Templo) como no de Herodes (Segundo Templo).

Só assim - dizem os estudiosos - se justifica que Jerusalém tenha florescido ao longo dos séculos, já que a cidade estava no centro de uma região desértica, com parcos recursos naturais, longe dos portos e das principais rotas de comércio do mundo antigo.

Entendem os arqueólogos que Jerusalém só se sustentou como metrópole por todo aquele período porque havia uma maciça operação de troca, compra e venda de animais para os sacrifícios rituais previstos nas leis judaicas.

Peregrinos vinham de todas as partes do mundo nas datas festivas do calendário judaico e necessitavam comprar os animais específicos para cada ritual religioso que precisavam realizar. E não havia outro local para isso a não ser Jerusalém.

As fontes históricas e religiosas apontam o dedo para o massivo abate de animais. O Talmude chega a dizer que os sacerdotes, algumas vezes, realizavam seu trabalho com sangue até os joelhos, e o historiador judaico-romano Flávio Josefo relata a enorme operação de matadouro que havia em Jerusalém.

A descoberta de uma enorme quantidade de ossos animais em poços no exterior da antiga cidade murada confirma, portanto, esses relatos históricos.

Como a carne era um item pouco comum na dieta judaica daquele tempo, e os ossos achados pertenciam a animais jovens, os arqueólogos concluíram que eles eram criados especificamente para atender as necessidades ritualísticas do povo judeu.

A pesquisa foi mais longe e comparou os isótopos de nitrogênio e carbono dos ossos encontrados em Jerusalém com aqueles da mesma época que foram descobertos em outras regiões do Oriente Médio.

Para surpresa dos arqueólogos, os resultados mostraram que em Jerusalém estavam enterrados ossos de animais que haviam vindo de muito longe, a centenas de quilômetros de distância, como da região da Jordânia e da Península Arábica.

Suspeita-se que uma das razões para essa gigantesca operação de compra e venda de animais foi o fato do primeiro Templo ter sido destruído em 586 a. C., o que levou com que os judeus se dispersassem por uma área muito maior do que o território que lhes era destinado.

Desta maneira, quando o segundo Templo foi construído, havia uma população judaica espalhada pelo mundo então conhecido, e que se deslocava até Jerusalém para cumprir as obrigações ritualísticas para com sua religião, e, ao que tudo indica, traziam também animais para trocarem ou comercializarem quando chegassem à cidade santa.

Toda essa operação econômica terminava enriquecendo não só os peregrinos, mas fortalecia sobretudo a capital do povo judeu.

Como você pode perceber, a relação entre religião e dinheiro é muito mais antiga do que você imaginava.

A fonte das informações acima é o LiveScience.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Arqueólogos israelenses alegam ter encontrado palácio de Davi

Os leitores do blog devem estar curiosos com a profusão de notícias sobre arqueologia bíblica que estão sendo publicadas aqui nos últimos dias, mas é importante esclarecer que se trata apenas de uma feliz coincidência.

É que, sabe-se lá por quê, vários achados foram divulgados nos últimos dias, como a inscrição mais antiga de Jerusalém, a esfinge de 4.500 anos que estava em Israel, e o Tabernáculo de Siló.

Obviamente, todos eles estão sujeitos a maiores averiguações que já estão sendo levadas a cabo, assim como deverá causar muita polêmica a notícia divulgada ontem, 18 de julho de 2013, pela Autoridade Israelense de Antiguidades.

O órgão israelense anunciou que escavações que acontecem na região das planícies do país (conhecida como Sefelá), desenterraram duas grandes construções que seriam datadas do século X a.C., período do reinado de Davi.

Os arqueólogos da Universidade Hebraica que lideram o trabalho disseram que passaram sete anos trabalhando no local denominado Khirbet Qeiyafa, que corresponde a uma cidade fortificada dos primórdios de Israel, referida na Bíblia como Saraim (Josué 15:36, 1ª Samuel 17:52, 1ª Crônicas 4:31).

Os pesquisadores Yossi Garfinkel (da Universidade Hebraica) e Saar Ganor (da Autoridade Israelense de Antiguidades) garantem que um dos edifícios encontrados seria um dos palácios do rei Davi, e o outro seria uma espécie de enorme celeiro real.

O que levou os arqueólogos a essa conclusão (que alguns estudiosos já consideram precipitada) são as enormes dimensões das estruturas encontradas, que incluem seções específicas para postos administrativos, ferreiros e ceramistas, além de restos de alabastro que teria sido importado do Egito.

O local ainda teria proeminência na gigantesca planície que o circunda, o que lhe dava uma privilegiada visão à distância, desde o Mar Mediterrâneo no Oeste até as colinas de Jerusalém ao Leste.

Infelizmente, além dos danos causados por todas as batalhas históricas entre os reinos e impérios que dominaram a região ao longo dos séculos, quase todo o suposto palácio foi destruído 1.500 anos depois de Davi e Salomão, por uma fortaleza construída no período do Império Bizantino.

Apesar da notícia aparentemente espetacular, é preciso ter muito cuidado antes de confirmá-la peremptoriamente, como acontece com toda descoberta que envolve a arqueologia bíblica.

Aguardemos, portanto, estudos mais aprofundados e investigações independentes que confirmem se Khirbet Qeiyafa é realmente tudo isso o que os arqueólogos israelenses estão afirmando que é.

O fato é que - a se confirmarem os achados referidos acima - o mês de julho de 2013 passará para a história como um dos mais férteis no campo da arqueologia bíblica.

Abaixo você pode ver fotos do local, bem como um vídeo da antiga cidade de Saraim.








quarta-feira, 10 de julho de 2013

Esfinge de 4.500 anos atrás é descoberta em Israel

Que o mundo anda meio louco, isto todo mundo sabe. Agora o que espanta mesmo é que a arqueologia esteja descobrindo coisas assim, digamos, meio fora de órbita, como uma esfinge em pleno Israel.

A proximidade histórica e geográfica entre Egito e Israel, além de todos os antigos povos que habitaram o Oriente Médio, permite inferir, obviamente, que as duas culturas estejam ligadas por milênios de tradição e intercâmbios de todo tipo, mas soa um tanto quanto rara a notícia de que os restos de uma esfinge acabam de ser encontrados ao norte do Mar da Galileia.

As primeiras informações dão conta de que um grupo de pesquisadores do Instituto de Arqueologia de Israel, escavando o riquíssimo (em História) sítio arqueológico de Hazor, que não por acaso foi declarado pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade, encontrou as patas de uma esfinge.

Não só a datação como a inscrição que estava no artefato indicam que a esfinge estava lá desde o reinado do faraó Miquerinos, a quem, como você já deve ter ouvido, foi dedicada a menor das três gigantescas pirâmides (as duas outras, de Quéops e Quéfren) do Vale de Gizé, cartão postal do Cairo, capital do Egito.

Para se ter uma ideia, a Esfinge de Gizé é considerada por muitos especialistas como o mais antigo monumento feito por humanos, e, apesar de todas as controvérsias que envolvem sua datação, a hipótese mais aceita é de que tenha sido construída durante o reinado do faraó Quéops, que seria o imediato antecessor de Miquerinos, embora haja estudiosos que coloquem o faraó Baka (ou Baefra) entre ambos.

A Grande Esfinge teria sido construído, portanto, por volta de 2.550 a. C. Por outro lado, estima-se que Miquerinos reinou entre 2514 e 2486 a.C., ou seja, 4.500 anos (ou 45 séculos) atrás.

Segundo os arqueólogos, a inscrição nas patas da esfinge recém descoberta diz ainda: "amado pela divina manifestação... que lhe deu vida eterna".

Quanto à esfinge de Miquerinos, ela ainda seria a única que homenageia o faraó da IV Dinastia de que se tem notícia, e a única também a ser encontrada até hoje em terras do outro lado do Mar Vermelho.

Quando Josué conquista Canaã, no século XIII a. C., 1.200 anos após o reinado de Miquerinos, Hazor era provavelmente a mais importante cidade daquela região, já que o seu rei era o "cabeça" de todos os reinos vizinhos (Josué 11:10).

As ruínas de Hazor remontam, portanto, à era do ataque devastador de Josué, mas os arqueólogos não acreditam que a esfinge já estivesse ali desde o século XXV a.C., já que não há qualquer evidência de que - àquela época - houvesse algum tipo de intercâmbio entre os egípcios e os cananitas.

Segundo dizem, é mais provável que a esfinge tenha sido levada a Hazor muito tempo depois, por volta de 1.600 a 1.500 a. C., período da XV Dinastia, em que o Egito foi governado por faraós oriundos dos hicsos, um povo cujas origens estavam de alguma maneira relacionadas com Canaã, atribuindo-se a eles, por exemplo, as deidades Anat e Ba'al, esta última muito frequente no Velho Testamento.

Alguns dias atrás foi divulgada a descoberta do antigo local onde por muito tempo teria estado o Tabernáculo de Siló. 2013 está sendo muito promissor para a arqueologia israelense. Para nossa alegria.

A fonte da informação é o Phys.org.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Arqueólogos teriam encontrado o Tabernáculo de Siló


O Tabernáculo de Moisés é figura central no Antigo Testamento, entendendo-se por "figura" aqui tanto a representação gráfica e ritualista da aliança do povo hebraico com Deus naquela época, como toda a simbologia do lugar de encontro entre o sagrado e o humano.

Construído segundo as ordens específicas dadas por Deus a Moisés em Êxodo, capítulos 25 a 27, o Tabernáculo era a tenda itinerante onde Deus se revelava a Moisés e ao seu povo, segundo Êxodo 33:
7 Ora, Moisés costumava tomar a tenda e armá-la fora do arraial, bem longe do arraial; e chamou-lhe a tenda da revelação. E todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da revelação, que estava fora do arraial.
8 Quando Moisés saía à tenda, levantava-se todo o povo e ficava em pé cada um à porta da sua tenda, e olhava a Moisés pelas costas, até entrar ele na tenda.
9 E quando Moisés entrava na tenda, a coluna de nuvem descia e ficava à porta da tenda; e o Senhor falava com Moisés.
10 Assim via todo o povo a coluna de nuvem que estava à porta da tenda, e todo o povo, levantando-se, adorava, cada um à porta da sua tenda.
11 E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo. Depois tornava Moisés ao arraial; mas o seu servidor, o mancebo Josué, filho de Num, não se apartava da tenda.
Enquanto o povo de Israel peregrinou pelo deserto - por 40 anos - o Tabernáculo foi montado em vários lugares até se estabelecer, ainda que provisoriamente, em Siló (Josué 18:1), onde permaneceu por todo o período dos Juízes, passando pelo período monárquico de Saul e Davi até a construção e dedicação do Templo de Salomão.


Representação gráfica do que teria sido o Tabernáculo de Moisés na travessia do deserto
E não é que hoje, 2 de julho de 2013, chega de Israel a notícia de que arqueólogos afirmam que finalmente encontraram as ruínas que, segundo alegam, um dia formaram a base do Tabernáculo no antigo sítio de Siló.

Os dados que confirmariam a descoberta serão, segundo eles, divulgados em uma conferência que será realizada pela Shilo Organization ainda esta semana.

Já adiantaram, entretanto, que teriam sido encontradas rochas com buracos que um dia serviram para fixar os postes de madeira que sustentavam a estrutura e os muros do Tabernáculo.

A datação do sítio já estaria comprovada e remeteria ao período exato entre a conquista de Canaã por Josué e o reinado de Davi. Nessa pesquisa estariam incluídos os ossos de animais que serviam de comida para os peregrinos que iam a Siló.

Como tudo que diz respeito à arqueologia bíblica, é sempre necessário ter a devida cautela para evitar surpresas desagradáveis com os embustes e as falsificações, mas - a se confirmar a descoberta - trata-se de um dos achados mais espetaculares de que se tem notícia no que concerne à Bíblia.

Por isso mesmo, tratamos de manter os verbos acima no condicional. Aguardemos então novas notícias.

A fonte da informação acima é o Israel National News.



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nos tempos da capa de Acã

Escrevendo aos Efésios (5:10-13), Paulo ordena: "aprendei a discernir o que é agradável ao SENHOR. E não vos associeis às obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as; pois é vergonhoso até mesmo mencionar as coisas que fazem às escondidas" (versão KJV Atualizada).

Portanto, pouparemos os distintos leitores deste blog das palavras chulas decupadas (degravadas) das escutas autorizadas das chamadas telefônicas altamente reveladoras do (atualmente preso) "pastor" Marcos Pereira, disponibilizadas pelo Extra para quem tiver a curiosidade irrefreável de saber no que consistiam as "conversas picantes" do indigitado.

A se confirmar que a voz da gravação é do referido "pastor", saberemos se ele efetivamente segue (ou não) a ordem de Paulo aos Efésios.

Entretanto, o mesmo "pastor" em questão é useiro e vezeiro em passar o seu paletó sobre os incautos, fazendo-os "cair" mediante um "poder" que ele atribui a Deus, como se pode ver nos vídeos abaixo:

No primeiro vídeo, inclusive, ele passa o paletó que afirma ter ganho de "Edson Freitas, cabeleireiro da Xuxa", o que não é surpresa, já que Marlene Mattos, quem diria, já deu o ar de sua graça na igreja dele.



Não era de hoje que nos assustávamos com (mais) esse espetáculo grotesco perpetrado em nome de algum "deus" que não tem nada a ver com o Deus da Bíblia, a mesma que traz as palavras de Jesus dizendo que "não existe nada escondido que não venha a ser revelado, ou oculto que não venha a ser conhecido" (Lucas 12:2 KJV)

Também fica claro pelo ensino bíblico que, quando alguém insiste muito no pecado e no desatino, a ponto de se tornar aberração, "o seu estado último se torna pior do que o primeiro" (Mateus 12:45, Lucas 11:26, 2ª Pedro 2:20), razão pela qual obviamente nos entristecemos, mas não nos surpreendemos.

Os vídeos e o personagem (ora preso) acima nos remetem a uma certa ocasião muito tempo atrás, também em tempos bíblicos, quando Josué se empenhava em liderar o povo de Israel na duríssima conquista da terra prometida (Canaã) depois da morte de Moisés.

Josué havia empreendido a conquista de Jericó (um acontecimento bíblico muito utilizado hoje em dia por evangélicos e católicos em suas campanhas de evangelismo e oração), e o Senhor ordenara ao povo de Israel que não retirara para uso pessoal nenhum despojo da cidade que terminaria fragorosamente vencida (Josué 6:17-18).

Entretanto, um homem chamado Acã se encantou com uma capa babilônica, além de ouro e prata que havia encontrado em Jericó (Josué 7:20-21), e os surrupiou para si, imaginando que poderia manter segredo do seu ato inescrupuloso.

Como resultado de sua ação vergonhosa, o povo de Israel foi derrotado na batalha seguinte, na cidade de Ai, e todos queriam saber a razão pela qual Deus os havia desamparado depois da vitória esfuziante que haviam obtido em Jericó.

A resposta não tardou em vir mediante revelação do Senhor, e o povo reunido viu Acã tendo que confessar o seu crime, para depois ser apedrejado e queimado com toda a sua família e todos os seus bens, a fim de eximir Israel do grave pecado que havia cometido contra Deus.

Na mesma carta em que Paulo escreve aos coríntios (a 1ª, capítulo 5) sobre imoralidade sexual na igreja, ele diz que "se a obra de alguém se queimar, este sofrerá prejuízo; ainda assim, será salvo como alguém que escapa por entre as chamas do fogo" (1ª Coríntios 3:15 KJV).

Talvez ainda haja esperança para Marcos Pereira, que atende pelo nome de "pastor". A ele dedicamos o conselho de Lamentações de Jeremias 3:9, "ora, põe o teu rosto rente ao pó da terra; em sinal de arrependimento, talvez ainda haja esperança!".

Se não houver arrependimento e genuína conversão, entretanto, tememos que o seu destino possa ser o mesmo que teve Acã por causa de uma capa.



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