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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Bernardinho diz que "pacto com Deus" o levou a deixar a seleção de vôlei


A matéria foi publicada no blog Esporte Fera do Estadão em 14/01/17:

Bernardinho diz que 'pacto com homem lá de cima' o 'forçou' a deixar a seleção

Treinador comandou o time masculino de vôlei do Brasil por 16 anos e foi bicampeão olímpico

Poucos dias após oficializar a sua saída da seleção brasileira masculina de vôlei, a vida seguiu para Bernardinho. O treinador, que dirige o Rio de Janeiro na Superliga Feminina, comentou sobre sua saída da seleção pela primeira vez e revelou que uma promessa que fez antes de ser campeão olímpico pela segunda vez na carreira foi fundamental para ele deixar o cargo.

"Em certo momento da Olimpíada, fiz um pacto. Não sou muito religioso, mas pedi para me ajudar um pouco a sair de uma situação e falei que, se fizesse isso, prometia que iria embora. Então você não pode fazer uma promessa com o homem lá de cima e não cumprir. Estava na hora de cumprir. Eu deveria ter saído logo depois para evitar tudo isso (carinho da torcida). Eu fico constrangido, mas ao mesmo tempo muito grato por tudo isso", disse o treinador, logo após a vitória por 3 sets a 0 de sua equipe para cima do Valinhos.

Visivelmente emocionado, Bernardinho também resolveu virar a página de todas as polêmicas que entrou enquanto estava à frente da seleção e fez um agradecimento especial ao ponteiro Murilo, que foi cortado do grupo que disputou a Olimpíada no Rio de Janeiro e, após o anúncio da saída do treinador, fez diversos elogios no Twitter e mostrou a sua gratidão. "Agradeço a cada pessoa que convivi nesse período, peço desculpas a quem fiz sofrer, aqueles que cortei, mas no fundo todos sabem que tentei fazer o melhor. Recebi mensagens muito gratificantes, como a do Murilo, que foi cortado agora, e para mim isso é o mais importante. Agora tenho a oportunidade de responder a ele em cadeia nacional, e agradeço tudo o que ele fez e a grandeza que teve por ter me agradecido", completou.



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pequeno balanço olímpico

A Olimpíada terminou no último domingo, e já dá para fazer um pequeno balanço do desempenho brasileiro em Pequim-2008. Algumas primeiras conclusões:

1) Uma pena que as meninas do futebol não tenham ganho a medalha de ouro. Talvez seja o caso de repensar algumas atitudes, como as excessivas firulas e o descontrole de algumas jogadoras, como a Marta, que só não foi expulsa contra a Alemanha por um descuido (ou excessivo respeito) da árbitra. A gente gosta e quer jogo bonito, mas dá pra combinar com um pouco de seriedade e pragmatismo;

2) A seleção masculina de futebol foi até longe demais com o Dunga, que está mais para Zangado ultimamente, e o totalmente-fora-de-forma-física-e-técnica Ronaldinho. Do Alexandre Pato, é melhor não esperar nada, pois jogador, mesmo jovem, que assim que chega a ter um destaque, liga pra uma atriz global pra ver se encaixa um namoro, certamente não entendeu o que é ser um profissional de alto nível. Que compre uma chácara em Pato Branco, monte uma cidade cenográfica para sua atriz, contrate a Bozena para o talk-show local, e sejam todos muito felizes para sempre; só deixem o futebol para quem realmente se interessa pelo esporte.

3) As meninas do vôlei finalmente desencantaram. Aquele 24x19 contra a Rússia em Atenas-2004 ainda vai ficar entalado na garganta por longas décadas, mas elas exorcizaram o fantasma do amarelão que as assombrava. Acho que finalmente poderei assistir as partidas delas ao vivo. Antes, eu só me preocupava com o resultado. Ah... confesso... não vi a final ao vivo..... o trauma de telespectador olímpico de Atenas ainda era muito presente....

4) Os rapazes do vôlei decepcionaram. Aliás, já vinham decepcionando desde o ano passado, com todo aquele imbróglio envolvendo o corte do Ricardinho (já comentado aqui). Pelo jeito, o problema deles era grana mesmo, tanto que o presidente da CBV, Ary Graça, já havia até estipulado o prêmio de R$ 4.700.000,00 pela medalha de ouro, com bastante antecedência, para evitar a polêmica que havia atingido a seleção antes do Pan do Rio. Por mais que tentem negar, o fato é que Ricardinho fez falta, não só com sua genialidade como levantador, mas também – pasmem! – pela sua capacidade de liderar e mexer com o grupo. Nada contra o Marcelinho, que até jogou bem, só que não dá pra ele atingir o nível do Ricardinho, seja como jogador, seja como líder. É óbvio que o Ricardinho não é nenhum santo, e o seu temperamento explosivo contribuiu para a divisão do grupo, mas o Bernardinho errou ao não saber administrar a situação. Talvez tenha esticado demais a corda, e ela se rompeu, infelizmente. Pior pra todos nós.

5) As moças e o rapaz da ginástica artística precisam de tratamento psicológico urgente. A atitude deslumbrada do Diego Hypólito, ainda na fase classificatória, prenunciava a tragédia. Parecia que ele achava que a medalha de ouro já estava garantida, e era tudo uma questão de tempo. Ria compulsivamente e chamava: "Que venham os leões!". Pois é... os leões vieram e o devoraram, justo no passo final da sua rotina, levando sua esperança e sua arrogância para o chão. Já as meninas foram a Pequim, ao que parece, para chorar. Jade Barbosa era uma manteiga derretida.... qualquer coisa, ela abria o bocão. Então, se é pra chorar, que chorem aqui no Brasil mesmo, e tanto eles como nós passamos menos vergonha.

6) Maurren Maggi foi só superação. Medalha de ouro merecida numa prova tão simples (e com tão poucos concorrentes) que a gente fica sem entender por que é que não produzimos mais campeões nos saltos. Pelo menos, Maurren teve a consciência e a concentração necessárias para uma campeã. Caprichou no primeiro salto e meteu pressão nas demais saltadoras. Um salto cerebral, sem dúvida, que merece todos os elogios.

7) Jadel Gregório, por sua vez, comprovou que, como saltador, ele é um ótimo animador de torcida. Verborrágico, é especialista em soltar bravatas sobre seu desempenho, que, infelizmente, ficam apenas no mundo da fantasia. Se falasse menos e saltasse mais, pelo menos uma medalha de bronze dava pra beliscar. E olha que o sueco campeão olímpico de Atenas nem apareceu, devido a uma contusão alguns dias antes dos Jogos iniciarem.

8) César Cielo mostrou que, se dependesse do apoio do COB e da CBDA, não teria ganho nada em Pequim. Sorte dele que tem pais que investiram no próprio filho. Esta é uma medalha da família, e do país também, mas não das organizações que dirigem a natação e o esporte olímpico.

9) O Brasil revelou toda a sua incompetência (pra dizer o mínimo) na administração dos mundos e fundos que são dirigidos ao esporte olímpico, pelas muitas leis de incentivo. Há estatísticas que variam de R$ 692 milhões a R$ 1,4 bilhão de dinheiro público que foi destinado às várias confederações para se prepararem para Pequim. Onde é que foi parar este dinheiro é que é o x da questão. Certamente, não foi parar na preparação do Eduardo Santos, judoca que perdeu na repescagem e pediu desculpas, chorando, aos seus pais, que, sofridamente, haviam investido na sua carreira. Nem na preparação de Rosângela Conceição, a Zanza, que, muito dignamente, representou o país na luta greco-romana. Enquanto Carlos Arthur Nuzmann dirigir o COB como se fosse um happy-hour num boteco do Leblon, o Brasil vai ter que amargar muitas decepções como as que tivemos em Pequim.

10) A cobertura esportiva foi um capítulo à parte. O Sportv e a ESPN Brasil empataram em revezamento dos piores comentaristas esportivos. Um desastre total. A Globo despejou toda a sua tradicional empáfia. A única vantagem que se pode antever na cobertura da Record, nos próximos Jogos Olímpicos de Londres – 2012, é o fato de não termos mais que tolerar as idiotices de Galvão Bueno nem as crônicas jadebarbosianas do Pedro Bial. Talvez seja o caso da gente já iniciar um abaixo-assinado pra pedir ao Bispo Macedo para não contratá-los jamais.

11) Deixo as meninas do basquete fora de qualquer consideração. Com a baderna instalada na CBB, já foi um feito elas terem se classificado para as Olimpíadas, coisas que os rapazes não conseguem desde Atlanta-1996. Enquanto não reconstruírem a casa do basquete no Brasil, é melhor considerá-lo como um esporte não-olímpico, pelo menos por aqui. Evita maiores decepções....

sábado, 29 de março de 2008

O corte do Ricardinho

Aquilo que ficou nebuloso por muito tempo começa, ao que tudo indica, a se dissipar. 

O corte do Ricardinho na véspera do Pan-2007 é uma daquelas histórias em que parece não haver ninguém inocente (ou pelo menos parecia). 

O segredo guardado pelos jogadores da seleção de vôlei, o apoio incondicional que eles deram ao Bernardinho no episódio, as tentativas do Giba de retomar a amizade com o Ricardinho, as críticas deste ao grupo quando lançou seu livro, o esforço da Globo e do Sportv em apresentar o jogador como vilão e o treinador como mocinho, enfim, tudo parecia enredo de uma dessas histórias misteriosas fora de propósito, já que o vôlei brasileiro é dessas raras unanimidades nacionais que queremos preservar. 

Na coluna do Bruno Voloch ("Passe na mão") no Jornal do Brasil de ontem, o jornalista resume em uma só palavra a razão para o imbroglio todo: traição

A matéria está muito bem escrita, vale a pena ler, mas, resumidamente, diz que havia uma negociação entre os jogadores, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), sobre prêmios a serem pagos pela participação deles no Pan do Rio, negociações estas que não eram conduzidas pelo Ricardinho, mas por outra estrela da seleção (a matéria não a identifica, mas a maioria imagina quem seja), e isto à revelia da comissão técnica, que, segundo os jogadores pensavam, deveria negociar sua premiação à parte. 

A história terminou vazando (como tudo no Brasil), o Bernardinho pegou o bonde andando, irritou-se profundamente e resolveu descarregar tudo em cima do Ricardinho que, segundo dizem as fontes do jornalista, foi muito humilhado durante a reunião que definiu seu corte, sem ninguém defendê-lo ou pelo menos avisar que, pelo menos daquela vez, ele não tinha nada a ver com o "peixe". 

Ricardinho foi fritado...

Ainda segundo o colunista, só ontem é que o Bernardinho deve ter sabido disso. 

De qualquer maneira, o estrago já está feito. 

O inconsciente do técnico deve ter feito um duplo trabalho: de um lado, descarregou no jogador todas as frustrações de uma vida; de outro, viu na intriga toda uma possibilidade de promover seu filho Bruninho à seleção. 

O recolhimento do Ricardinho, ante principalmente o massacre que a Globo promoveu contra ele, tentando apontá-lo como culpado pela celeuma, hoje parece justificado. 

Resta saber se alguém ainda vai pedir desculpas, nem que seja o jornalista por ter apresentado (mais) uma versão equivocada.


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